A Nossa Amazônia
Sobre a Amazônia inexplorada e incompreendida há muita falação, no Sul e no estrangeiro, com linguagem erudita e conteúdo pseudo científico. Seja como for, já sabemos o suficiente para dizer que se trata da maior jóia natural do Planeta. E a estrategicamente mais rica. Como defendê-la e como explorá-la sem destruí-la ? Esta questão é a razão de ser desta coluna.
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27-12-10
Eclusas de Tucurui abrem “porta” para o Amazonas
Por
Marnice Lopes
As eclusas liberam a navegabilidade do rio Tocantins até a região central brasileira, o que representa diminuição de custos com transporte de produtos e insumos industriais da ZFM. Ganhos aumentarão com a ferrovia Norte sul em fase de conclusão.
A conclusão de duas eclusas da usina de Tucuruí(PA) inaugurada dia 30 de novembro, que liberam a navegabilidade do rio Tocantins , abre uma grande ‘porta’ para que a Indústria do amazonas atinja com menores custos os grandes centros consumidores do Brasil.Outra grande obra a ferrovia Norte-Sul, em processo final de conclusão da primeira etapa, ligando o Porto de Itaqui (MA) a Anápolis(GO) , amplia esse processo logístico e aumenta a competitividade das Industrias da Zona Franca de Manaus .
As eclusas obras gigantes de 1,6 bilhões permitirão as embarcações a transposição de um desnível de 75 metros entre o rio e o reservatório da usina e possibilitarão a navegabilidade total do Tocantins até a região do alto Araguaia , no estado do mato grosso , pelos rios Tocantins e Araguaia. A navegabilidade de Tocantins estava interrompida há aproximadamente 34 anos desde 1976, quando as obras da usina iniciaram.
Para se ter uma idéia do que representa a operacionalização do complexo de eclusas estima-se que uma balsa pequena, com capacidade de carga de 2 mil toneladas , substitua o transporte de 67 caminhoes . estudos apontam que pela nova rota , a ser trafegada por comboios com capacidade de até19,1 toneladas, desafogará bastante as rodovias que interligam o estado do Pará ao restante do País. A economia com combustíveis no transporte de minérios e grãos das região Norte e Centro Oeste pode chegar a R$10 milhões por dia, bem como diminuir a poluiçao e outros impactos ambientais e minimizar custos com manutenção de estradas.para o amazonas a nova rota representará uma grande alternativa com diminuição expressiva de custo no transporte , não só de produtos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM) mas também de insumos industriais e produtos alimentícios produzidos no Planalto Central Brasileiro e nas regiões Sul e sudeste. Estima-se que os custos com transportes possam ser reduzidos em até 19%, quando da utilização do sistema rodo-fluvial e 40% quando da utilização do sistema ferro-fluvial, principalmente entre o amazonas e centro Oeste.
23-10-10
Amazônia: a vulgarização do maior patrimônio da humanidade
Por Mara Alcântara
O que tem além daquele teatro no meio da Selva e da Zona Franca e porque a mulheres usam pouca roupa?
Esta é síntese da curiosidade dos milhões de turistas que nos vistam todo ano. Talvez eles façam o mesmo tipo de pergunta diante de um tempo budista na Tailândia ou das ruínas asteca no México. A indiferença blaze e boçal dos turistas sejam eles de onde forem é uma marca do nosso tempos. Eles viajam para carimbar passaporte (status), roubar suvenires nos hotéis e restaurantes e para tentar realizar suas fantasias sexuais, nas terras consideradas liberadas e permissíveis. Exóticas.
Ontem fui correr na Praia da Ponta Negra, cartão postal da cidade e vi coreanos hospedados no Hotel Cinco estrelas logo ali ao lado, quando desciam as escadas do calçadão para o lugar conhecido como “inferninho” e ali se acabarem de tanto dançar com o que chamam de “piriguete”. E por mais que conheça as coisas da vida, não deixo de me aborrecer com a idéia de que os homens pensam que todas as nortistas são assim.
Mesmo quando não nos vêem como mulheres fáceis, tudo o que eles retêm em suas mentes é que somos exóticas e usamos pouca roupa. Outro dia, um italiano idiota puxou conversa e depois de algum tempo declarou todo seu espanto: Você fala inglês! Onde aprendeu? Morou em outra cidade?
No mais quase todos os turistas imaginam que a Zona Franca são apenas as lojas do centro da cidade, onde, como das ruas especializadas de São Paulo e da Ciudad del Leste, no Paraguai, estão ali apenas para servir aos sacoleiros. Não sabem que a Zona Franca, acoplada ao Pólo Industrial e incrustada em uma metrópole de quase dois milhões de habitantes, é o cerne da economia do Amazonas e o maior centro industrial e tecnológico da Região Norte.
Aqui estão instaladas fábricas como CCE, Brastemp, Elgin, Evadin, Nokiao, Yamaha e Honda. E aqui são fabricados produtos elétricos e eletrônicos essenciais para as indústrias do Sul brasileiro e mesmo para o MERCOSUL. Não existe um único automóvel fabricado na Argentina que não tenha um componente produzido em Manaus.
O consumismo, a alienação e a ignorância são as marcas da indústria turística que transporta centenas de milhões de pessoas de um lado para o outro do Planeta, esmagadas como sardinha dentro de aviões pouco confiáveis. Tudo, com o único propósito de dar lucro à hotelaria, às produtoras de combustível, à jogatina e à prostituição. Será que viemos ao Mundo apenas para fazer isso?
E por nenhum instante passa pela cabeça não só dos turistas boçais como dos políticos e das autoridades brasileiras que estamos sentados em cima da maior, mais rara e mais cara jóia da Humanidade. Detentora de descomunais reservas estratégicas, tanto minerais como hídricas e de biodiversidade, a região não é cobiçada por acaso. Se querem avaliar seu preço, multipliquem por mil o Pré Sal, que, aliás, é esgotável.
Mas tudo os que eles sabem dizer quando nos vem é: Poxa como você é exótica
18-09-10
Na Amazônia, o homem vai ter que
aprender a desenvolver sem destruir
Por
Marla Alcântara
Uma nação vive em busca de liberdade, melhoria da qualidade de vida e crescimento. O que é ser um país subdesenvolvido ou um país pobre? Você é pobre de quê?
Nasci num país do chamado Terceiro Mundo. Mas quantos mundos existem? Três? Então somos da última categoria?
Sabe lá que idade eu tinha, mas escutava os adultos dizerem: carne de primeira, segunda ,terceira. O Brasil é tão pobre e desclassificado assim? Agora somos emergentes. Mas estamos emergindo de onde para onde?
Penso nas riquezas visíveis na minha Amazônia e “tudo que é pobre se desmancha no ar”, cheia de frutos e sementes curandeiras. E penso nos pássaros de inúmeras e incontáveis espécies, talvez comandados pelo famoso canto do Uirapuru.
Se sou amazônida, como posso ser pobre?
Se moro circundada pelo maior rio do Planeta e do mais belo encontros de outros dois? Se tenho em minha terra Boi Bumbá, Festival de peixe Ornamental, terra da Ciranda, Festa do Cupuaçú, e lindos hotéis de selva?
Não pense que sou ingênua e que não saiba que nessas mesmas cidades: Parintins, Barcelos, Manacapuru e Presidente Figueiredo não haja pobreza e gente sofrida. E como há…
Mas se me confronto com o que é rico e o que é pobre, como posso morar e assumir que moro num país pobre? Se ele é pleno de reservas de tantos minerais tão estratégicos quanto cobiçados. Se é pleno de reservas indígenas que de canto, cura e cultura tem tanto?
E que dizer do capitalismo se alastrando floresta adentro? Falei dos hotéis de selva, que recebem tantos europeus, mas que são inacessíveis para o brasileiro e o próprio amazonense. E nós amazonenses também vamos nos alastrando pelo capitalismo e trocamos nossas comidas milenares pelo McDonald’s. E aprendemos a correr atrás da grana como qualquer povo “civilizado”.
Sim, estou inserida no sistema. Mas quem disse que por isso perdi o direito de sonhar? Sonhar, por exemplo, com desenvolvimento compatibilizado com a preservação. Se o homem não conseguir fazer isto na Amazônia, não o fará em nenhuma outra parte do mundo.
Lembro agora do pequeno canoeiro que leva turistas para conhecer o encontro das águas, mostra as tribos indígenas e ensina como segurar jacarés bebês, bicho preguiça, macaco e cobra. Isso para dizer que ele está estudando inglês para bem atender sua clientela. Não é ele apenas que está aprimorando seus estudos. Há, na verdade, uma troca equânime de conhecimentos e informações. Talvez o caminho seja por aí.
Está na hora de transforma a Amazônia exótica numa solução, num exemplo para o Brasil e para o Mundo.
Como diria Antoine de Saint-Exupéry, o essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração.
A conscientização humana é o primeiro grande passo para o desenvolvimento e consequente preservação da Amazônia.
O grande entrave é que a destruição vem prevalecendo…talvez antes da conscientização, falte mesmo o real sentido de humanidade!
Sds,
sim querida, infelizmente essa conscientização de humanidade não existe!
O rio, o pássaro, todos eles perdem valor! O q vemos de rios e igarapés com lixo por aí não tem conta!
isso me lembra a música tema de Pocahontas! Depois escrevo p vc!
Sou amazônida também, de Belém do PA.
Moro em SP há um ano e meio e vejo o quão desinformado é a maioria dos que vivem aqui.. Mal sabem distinguir o Norte do Nordeste…
E é com tristeza profunda que acredito que a cada dia que passa, fica mais clara a ideia de a Amazônia não passae de um grande “celeiro” para o desenvolvimento do resto do Brasil…
Parabéns, pelo texto.
Abçs
Marla, parabéns pela inspiradíssima matéria, fez-me sentir acrescida
de algo precioso, rescendendo a florestas mágicas, rios de clorofila, pássaros
e horizontes exóticos; o esplendor da natureza nos circunda,
sinto-me circundada por uma paisagem ainda mais bela que a
Jerusalém preternatural dos visionários com suas ruas feitas de
pedras preciosas;
Precisamos agora de um Governo voltado para as nossas
riquezas naturais, uma política de valorização dessas coisas
que aos brasileiros passam despercebidas, como denuncia
Caetano em O Estrangeiro: “sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la,
estrela, – o que é uma coisa bela? O amor é cego, Ray Charles é cego,
Steve Wonder é cego, e o albino Ernesto não enxerga mesmo
muito bem…”
Precisamos de lentes novas .
Muito muito grata por esta leitura tão rica em conteúdo e poesia.
Concordo plenamento com o que está escrito, belo post