A Pátria Grande
09-12-12
MERCOSUL consolida-se e chega ao Pacífico
Os presidentes dos países membros do MERCOSUL que se reúnem ontem (08) em Brasília anunciaram o ingresso do Equador, da Bolívia, do Suriname e da Guiana como membros plenos do organismo.
É um dia de grande importânci histórica e estratégica por duas razões principais:
1- A Bolívia está no centro geográfico da América do Sul, sendo fundamental, portanto, para a integração física e logística do MERCOSUL.
2- O Equador é um país andino e banhado pelo Oceano Pacífico. Como uma peça de xadrez, atrapalha os projetos norte-americanos de criação de um mercado livre no Pacífico subordinado a Washington. Além disso, é provável que a curto prazo o Peru também anuncie seu ingresso no nosso mercado comum.
O anúncio da solicitação de ingresso foi feito ontem. Porém a adesão definitiva depende da aprovação dos Congressos de todos países envolvidos.
A grande mídia que come na mão do Capital Financeiro e está atrelada aos objetivos estratégicos dos EUA, não divulga nada disso. Ou noticia de forma deturpada e pejorativa.
Por ouro lado, não só a mídia como alguns setores da classe média torcem o nariz porque o presidente do Equador, Rafael Correa, e Evo Morales, da Bolívia, são declaradamente parceiros de Hugo Chávez. Há nisso, um mal entendido: A influência chavista se dá no âmbito da UNASUL, União das Nações Sulamericanas.
No âmbito do MERCOSUL, prevalecem os aspectos técnicos, comerciais e de integração e cooperação econômica. Para se ter uma idéia da importância disso tudo. basta dizer que há pouco mais de uma década as transações anuais do Brasil com o MERCOSUL eram de US$5 bilhões. Hoje são de US$40 bilhões. Estão no mesmo nível das transações com a União Européia e China. Os EUA estão em 4º lugar.
Com o ingresso do Equador, Bolívia e Peru. O MERCOSUL se destacará brevemente como principal parceiro.
02-12-12
O maior picareta global mostra suas garras

Merval Pereira não é apenas o maior picareta das Organizações Globo. É, também um apátrida a serviço do Capita Financeiro globalizado e alinhado com os objetivos estratégicos do Departamento de Estado Norte-Americano.
Nesta última semana Merval ultrapassou todos os limites. Propôs, claramente que o Brasil vire as costas para o MERCOSUL e UNASUL o que coincide com os interesses norte-americanos cuja influência limita-se, hoje à Colômbia e ao Chile.
Coincidentemente, aliás, FHC com o mesmo grau de calhordice defendeu a idéia de que o Chile faz bem em especializar-se na produção de cobre o flores, o que lhe garante acesso fácil (não seria dependência?) ao mercado norte-americano.
É claro que todo país tem sua vocação natural e deve explorar bem este fato. Mas diversificação é fator de independência, sobretudo para o Chile que tem todas as possibilidades de interagir em termos tecnológicos e de investimento com o MEROSUL e a ANASUL.
Ainda agora, ao adquirir o controle da brasileira TAM, a Lan Chile transformou-se na quarta maior empresa de aviação do Planeta. E é natural que, na sequência, ela se torne um cliente importante de nossa EMBRAER, desde que se estimule mais o transporte regional.
A verdade é que o próprio Brasil ainda não possui um política bem articulada de integração regional. O País ainda disputa mercado com seus vizinhos, quando deveria estar somando esforços para investimentos comuns.
A EMBRAER, por exemplo, poderia instalar um setor importante ou uma unidade completa, na Argentina. A partir daí, a integração deslancharia como solução natural para os dois países. Com a concentração de investimentos em setores estratégicos, poderíamos adquirir independência tecnológica para produzir também as turbinas dos aviões.
O mesmo pode-se dizer da indústria nuclear. O importante é evitar os investimentos desnecesàriamente redundates ou duplicados. E da indústria automobilística nem se fale: possuímos 16 fábricas estrangeiras instaladas, todas na contra-mão da produtividade e vivendo apenas dos nossos favores fiscais.
Se possuíssemos nossa Fábrica Nacional de Motores, poderíamos instalar montadoras em vários de nossos vizinhos e investir pesado na tecnologia para a produção do carro elétrico que em poucas décadas estará dominando o mercado.
As Malvinas são argentinas!
Veja o vídeo > http://youtu.be/FrxT1oy9Hjw ng
20-07-12
Com a Venezuela, MERCOSUL
eleva seu potencial estratégico
A adesão será oficializada no próximo dia 31 no Rio, com a presença de Hugo Chávez.
O ingresso da Venezuela no MERCOSUL tem três inimigos ferrenhos: O Globo, a Míriam Leitão e Fernando Collor. O Globo porque come nas mãos do Capital Financeiro globalizado e está alinhado automaticamente com os interesses estratégicos do Departamento de Estado Norte Americano. A Míriam porque é porta voz oficiosa de seus patrões globais . E Collor dispensa comentários.
Eles não querem que o grande público perceba a importância, para o Brasil, de uma política que evolua em um cenário de união sulamericana. Unido, nosso Continente será automaticamente uma potência de primeira grandeza.
Isso porque somos (e só nos somos) auto suficientes em dois setores absoltamente vitais: produção de proteína vegetal e animal, bem como a produção de combustíveis fósseis ou renováveis. O ingresso na Venezuela no MERCOSUL, transforma isso numa realidade imediata.
E tem mais. A América do Sul é hoje um dos mercados mais promissores e cobiçados. Somos 400 milhões de habitantes em plena evolução econômica e social, graças, aliás, a políticas de distribuição de renda que o Globo e Míriam Leitão chamam de populistas, sem saber exatamente do que estão falando.
O que eles não dizem é que tanto Argentina quanto Venezuela puxam o desenvolvimento do Continente, com crescimento médio anual de 6% registrado na última década.
Na verdade, criticam o chavismo e o Projeto Nacional Popular do Casal Kirchner, porque são duas correntes que se apresentam como alternativas para enfrentar as esquizofrenias do Mercado e a insensibilidade do Capital Financeiro, sem ferir as regras constitucionais e democráticas.
Quanto ao ingresso da Venezuela, analisando apenas do ponto de vista econômico e imediato, é preciso registrar que ele foi muito festejado pelo empresariado do Norte e Nordeste. É que eles terão acesso a um promissor mercado (Venezuela mais Caribe), quatro mil quilômetros mais próximo do que o mercado argentino.
E tem mais: Em 2011 o comércio entre Brasil e Venezuela atingiu US$ 5,9 bilhões, o que representa um aumento de 25% sobre 2010. No primeiro semestre deste ano já chegou a US$ 3 bi. Com a vantagem de que na lista dos principais produtos brasileiros exportados há carne congelada, aquecedores e peças de automóveis. Para o país vizinho exportamos, portanto, produtos manufaturados, enquanto para os mercados tradicionais exportamos principalmente matérias primas.
A mídia nacional não informa isso, porque sempre teve má vontade em relação ao MERCOSUL pelas razões citadas a cima. A mesma mídia que mal disfarça suas simpatias pelo golpe do retrogrado Congresso Paraguaio que destituiu a toque de caixa um presidente popular e legítimo ao qual não asseguraram o mínimo direito de defesa.
A matéria abaixo dá continuidade ao raciocínio desta.
05-07-12
Uma visão estratégica para o MERCOSUL
Durante a crise do Paraguai que resultou no dado positivo do ingresso na Venezuela no MERCOSUL, a presidente Dilma Rousseff chegou a dizer que era preciso ter uma visão estratégica sobre esse organismo e sobre a União da América do Sul.
Na verdade, como tenho comentado neste blog, o próprio governo de Dilma não tem se comportado de forma estratégica em relação ao MERCOSUL e à UNNASUL, União das Nações da América do Sul.
O fato concreto é que tanto a presidenta quanto seu chanceler, Antônio Patriota, não dedicam a esta causa o mesmo interesse emotivo de militante como os que dedicaram seus antecessores Lula e chanceler Celso Amorim.
Isso se deve, talvez, ao temperamento de Dilma Rousseff e a excessiva frieza profissional de Antônio Patriota. Além disso, centralizadora, a presidenta não tem quem fale por ela (com status de ministro) e agilize as articulações estratégicas em relação à América do Sul, a Pátria Grande, como a denominou Juan Perón, pela primeira vez.
Seja como for, desde que se resolva tratar a questão de forma realmente estratégica, é preciso começar a solucionar os impasses imediatos e localizados. E é preciso quebrar alguns ovos para fazer essa omelete.
Tanto Brasil, como Argentina, os principais protagonistas até o momento, terão que negociar esses dois pontos principais que atravancam suas relações econômicas e emperram o projeto estratégico:
1- Promover um plano integrado do setor automotivo que equacione definitivamente a produção e o consumo de forma proporcional e equânime; contemplar, também, a logística das montadoras, e estudar a fundação de uma Fábrica Binacional de Motores, para não depender de capitais e tecnologias de outros continentes.
2- O projeto terá que prever uma fase de transição para os setores de ambos os países que seriam eventualmente prejudicados com uma integração maior. Sobretudo alguns setores agroindustriais, tanto brasileiros como argentinos, terão que ser auxiliados temporariamente (via BNDES ou equivalente) até adquirirem competitividade ou migrarem para outras atividades.
Estes são apenas dois exemplos sumários do que pode ser feito imediatamente, desde que haja realmente vontade política e não apenas retórica. Seria símbolo de incompetência não aproveitar a atual oportunidade histórica.
Quanto ao ingresso da Venezuela, analisando apenas do ponto de vista econômico, é preciso registrar que ele foi muito festejado pelo empresariado do Norte e Nordeste. É que eles terão acesso a um promissor mercado (Venezuela mais Caribe), quatro mil quilômetros mais próximo do que o mercado argentino.
A mídia nacional não informa isso, porque sempre teve má vontade em relação ao MERCOSU. Ela come na mão do Capital Financeiro globalizado e está atrelada aos interesses estratégicos de Washington que, evidentemente, não tem interesse na unificação e fortalecimento autônomo da América do Sul.
A matéria abaixo dá continuidade ao raciocínio desta.
29-06-12 atualizado em 30-06
Nasce uma Potência
As naçãos da América do Sul viveram, ontem (29), um dia histórico. Com o ingresso da Venezuela no MERCOSUL, passamos a ser um dos blocos econômicos e geopolíticos mais importantes do Planeta.
Auto-suficiente em produtos estratégicos, como proteínas animais e vegetais, bem como em combustiveis fósseis ou renováveis, só nós temos este privilégio e precisamos tirar partido dele.
É de se ver que as demais potências mundiais precisam muito mais de nós do que o inverso. Além disso, possuimos um enorme e florecente mercado interno, graças às políticas de distribuição de renda praticada por nossos países.
O fudamental, agora, é que os setores populares assumam o comando do proceso. O MERCOSUL, e a UNASUL , União das Nações Sulamericanas, são temas importantes demais para serem pautados por empresários e banqueiros, que, imediatistas e egoistas, pensam pequeno, sem visão estratégica e de futuro.
É preciso insuflar um Movimento Popular Nacional que, respeitadas as pecualiaridades de nossas nações, consolidem a união da América do Sul, a Pátria Grande.
Enquanto isso, a mídia apátrida, serva do Capital Financeiro e atrelada aos intereses estratégicos do Departamento de Estado, apenas torce o nariz, critica e deplora
Texto de 29-06-12
Sai o verdadeiro patriota
O lado positivo foi o ingresso na Venezuela no Mercosul
O Congresso Paraguaio era o único que ainda não havia aprovado a adesão de Caracas ao organismo. Com o governo de Assunção excluído, a presidenta argentina, Cristina F Kirchner, anunciou, esta tarde em Mendoza, o ingresso defintivo da Venezuela no Mercosul. A solenidade oficial de ingresso será no dia 31 de julho, no Rio.
Em meio à Crise Paraguaia, a reunião dos presidentes do MERCOSUL que se realiza a partir de hoje (29) em Mendoza (Arg), já causou uma grande baixa na diplomacia brasileira: o pedido de demissão de Samuel Ribeiro Guimarães, ex-secretário-geral do Itamaraty ex- ministro de Assuntos Estratégicos.
Guimarães estava exercendo atualmente a presidência do Alto Comissariado do MERCOSUL e anunciou sua saída por considerar insatisfatória a posição do Itamaraty na implantação efetiva do mercado comum e da união política da América do Sul. Na verdade ele é inspirador e, pode-se dizer, pai da Doutrina Sulamericanista.
O diplomata assumiu o cargo de alto representante-geral do MEERCOSUL em janeiro de 2011, para um mandato de três anos. Na organização ele desempenhava as funções de articulação política, formulação de propostas e representação das posições comuns do bloco.
Nacionalista fervoroso, como Ministro de Assuntos Estratégicos no segundo mandato do presidente Lula, ele denunciou as pressões internacionais sobre a Amazônia e destacou o perigo representado pela instalação de bases militares americanas na Colômbia.
Além disso, propôs a criação (tese sempre defendida por este blog) de estatais de grande porte, para defender e administrar os recurso naturais estratégicos da região, a começar pela própria floresta.
Apátrida, subordinada ao Capital Financeiro e atrelada aos interesses estratégicos do Departamento de Estado, a mídia brasileira, desfoca deliberadamente o noticiário e toca apenas de leve nas questões que levaram Pinheiro Guimarães à renúncia.
Vale lembrar que como secretário-geral do Itamaraty, no primeiro mandato do presidente Lula, sendo chanceler o embaixador Celso Amorim, foi Pinheiro Guimarães quem forneceu a base teórica e os instrumentos técnicos e diplomáticos para a grande inflexão à esquerda dada pelo Brasil e pela Argentina. A partir desse ponto, a contestação da hegemonia norte-americana, passou a ser a tônica de nossas diplomacias.
Até então, o que se discutia era a adesão dos países do Continente à ALCA, um mercado comum gigantesco, controlado pelos EUA e que se estenderia do Alasca à Patagônia. Seria o fim do MERCOSUL e do sonho de união sulamericana.
Patriota X Patriota
Com a histórica decisão dos presidentes Lula e Néstor Kirchner de abandonar as negociações com a ALCA em 2005, inaugurou-se uma nova fase geopolítica no Continente. Hoje a influência norte-americana, se limita ao Chile e à Colômbia e , mesmo nesses dois casos, de forma diluída. Nesse sentido, o governo golpista do Paraguai simboliza uma tentativa de volta ao passado hegemônico dos EUA. E sob esse prisma deve ser analisado.
Entretanto, é notória a inapetência do atual chanceler brasileiro, Antônio Patriota em relação à unificação sulamericana. Como diplomata frio e competente, ele cumpre honestamente sua tarefa, mas lhe falta, como já comentamos neste blog, a empolgação, a emoção do empenho de uma missão o que só ocorre quando temos noção de sua importância e de sua oportunidade histórica.
Nosso atual chanceler passa ao largo de tudo isso, bem ao contrário de seu antecessor Celso Amorim e de Pinheiro Guimarães que agora renuncia justamente para denunciar toda essa frieza.
E seria ingenuidade não supor que a posição de Patriota reflete de algum modo a sensibilidade da presidenta Dilma em relação ao tema. Parece óbvio que ela não tem, como Lula, uma visão estratégica e engajada sobre esta questão central: a União Sulamericana.
A matéria abaixo dá continuidade ao raciocínio desta.
24-06-12 atualizado em 25-06-12
Paraguai: Cristina Kirchner toma
a iniciativa e Dilma segue atrás
Lugo resolve reagir ao golpe
Animado com o respaldo político de praticamente todos os países da América do Sul, o presidente deposto do Paraguai, Fernando Lugo, começou a atacar em duas frentes o seu substituto Federico Franco, empossado no sábado (23) pelos congressistas conservadores.
Na frente externa, Lugo comparecerá “como presidente legítimo” à reunião da UNASUL, União das Nações Sulamericanas, marcada para quarta-feira ( 37) em Lima, quando será decidida a provável suspensão do Paraguai como membro do organismo. E na sexta-feira (29) participará da reunião dos presidentes do MERCOSUL em Mendoza, na Argentina. Nessa reunião, igualmente, o Paraguai será suspenso dessa organização.
Na frente interna, Lugo constituiu um “Gabinete Paralelo” ao de Federico Franco e está organizando o que chama de “resistência pacífica”, que inclui mobilização dos chamados Setores Excluídos, sua base de apoio social e política. Além disso, ele prepara a realização de passeatas de protesto nas principais cidades, às quais ele comparecerá.
O Brasil e a Argentina estão coordenando uma série de negociações entre os membros da UNASUL e os dois setores em choque no Paraguai, para encontrar uma solução política para o impasse.
Uma das sugestões em pauta é a da antecipação das eleições presidenciais, de abril de 2013 para novembro do presente ano. Lugo retornaria ao poder, não seria candidato à reeleição (o que é vedado pela Constituição) e seus opositores teriam oportunidade de fazer valer sua vontade através das urnas.
Por enquanto, o único consenso é o de que o governo de Fedeico Franco não deve ser reconhecido.
Texto de 24-06
É verdade que a presidente Dilma Rousseff estava centrada na questão do Rio+20. E foi pega de surpresa. Mas é verdade, também, que mesmo depois de inteirada sobre a gravidade da situação no Paraguai, ela demorou para agir.
Dilma foi alertada sobre o golpe em andamento em Assunção, na sexta-feira à tarde, pela presidenta argentina Cristina Kirchner. Na mesma sexta, a brasileira, durante coletiva à imprensa na Cúpula do Rio+20, falou sobre a quebra dos ritos democráticos no Paraguai e chegou a mencionar a possibilidade de exclusão do MERCOSUL.
Depois, disso, porém, preferiu aguardar os acontecimentos, que é o que a gente faz quando não quer tomar uma decisão. E deixou a questão nas mãos do chanceler Antônio Patriota.
Patriota, como já dissemos no texto anterior, é um profissional competente e frio. Não está, como estava seu antecessor Celso Amorim, engajado emocionalmente com o projeto de união da América do Sul. No espaço de poucas horas foi responsável por dois fiascos de nossa política externa: a falta de liderança na questão paraguaia e o texto final do documento da Rio+20 que conseguiu desagradar a todos.
O pior é que a própria presidenta parece não encarar, como Lula encarava, a união sulamericana como uma missão histórica. É claro que ele tem noção da importância da integração econômica e política do Continente, porém, parece não ter percebido a oportunidade histórica oferecida pelo acúmulo de circunstâncias favoráveis. E trata a questão como uma das prioridades de sua política externa, mas não como a prioridade.
Resumo da Ópera: Cristina Kirchner, que herdou do marido Néstor, o envolvimento emocional e a noção do sentido histórico da união sulamericana, assumiu a liderança da contestação ao golpe paraguaio. Embora diplomaticamente tenha dito que agirá de comum acordo com o Brasil e com o Uruguai (os outros parceiros do MERCOSUL), retirou seu embaixador de Assunção e propôs claramente “o isolamento do Paraguai”.
Dilma e Patriota pretendiam, ao que parece, “aguardar os acontecimentos” até a próxima sexta feira (30), quando haverá, na Argentina, reunião dos presidentes dos países membros do MERCOSUL. Participam também, como observadores, representantes da Venezuela, Bolívia e Chile.
Cristina sai na frente
A nota da chancelaria argentina foi especialmente dura e clara:
”Frente aos graves acontecimentos institucionais ocorridos na República do Paraguai que culminaram com a destituição do presidente constitucional Fernando Lugo e a ruptura da ordem democrática, o governo argentino decidiu de imediato retirar seu embaixador em Assunção”.
Diante disso, Dilma Rousseff decidiu agir. No sábado à noite se reuniu com três ministros, no Palácio da Alvorada, para discutir a sistuação paraguaia: Antonio Patriota (Relações Exteriores), Celso Amorim (Defesa) e Edison Lobão (Minas e Energia). Este último garantiu que não haverá problemas em relação à usina de Itaipu, mesmo que ocorra estremecimento nas relações entre os dois países.
Em seguida, o Itamaraty divulgou nota onde a posição brasileira aparece mais dura e bem definida: destacou que o “Brasil condenou o rito sumário da destituição do presidente Fernando Lugo”, e informou que Brasília decidiu chamar de volta o embaixador brasileiro em Assunção para consultas.
Na diplomacia, esse tipo de convocação é sinal de crise ou, no mínimo, de problema nas relações bilaterais. O Uruguai fez o mesmo.
Como resultado, temos que, na prática, o Paraguai já está politicamente isolado. Ficou claro que o Brasil e a maioria dos outros membros da UNASUL (União das Nações Sul-Americanas) estudam a possibilidade de suspender o Paraguai de órgãos multilaterais como forma de punir o país pela destituição relâmpago de Fernando Lugo.
Frustra-se, assim a esperança do novo presidente paraguaio, Federico Franco, de usar as reuniões do MERCOSUL e da UNASUL para, em contatos pessoais, convencer seus vizinhos de que não houve golpe contra Lugo.
Saia justa americana
É preciso notar, também, que os Estados Unidos, embora torçam pelo novo governo e tenham, por baixo do pano, estimulado os parlamentares conservadores a aplicarem o “golpe branco” contra Lugo, não têm muita margem para manobra, por essa duas circunstâncias:
1- Desde o advento da UNASUL, há cinco anos, uma iniciativa dos presidentes Lula e Néstor Kirchner (que recebe o apoio imediato de Hugo Chávez), foi quebrada definitivamente a hegemonia política norteamericana na América do Sul. Apenas dois dos doze países do Continente, a Colômbia e o Chile, não seguem rumos bem contrários aos ditados pelo Departamento de Estado.
2-Além disso, Washington está tolhido por questões jurídicas, porque é membro da OEA (Organização dos Estados Americanos) que também condenou formalmente golpe contra Fernando Lugo.
Em outros tempos isso não seria empecilho para que os americanos agissem ostensivamente, mas agora seria imprudente afrontar a opinião pública majoritária de todo o Continente.
A matéria abaixo dá continuidade ao raciocínio desta.
22-06-12
Todos, até os EUA, aguardam a
posição do Brasil sobre o Paraguai
A presidenta Dilma Rousseff vai tomar hoje, provavelmente ainda pela manhã, a decisão mais importante de seu governo. Conforme a posição que adote em relação à Crise Paraguaia, ela estará dando o verdadeiro tom de sua política externa.
Ficaremos sabendo se, como seu antecessor, o presidente Lula, ela é uma entusiasta engajada no processo de integração efetiva (não retórica) da América do Sul ou se trata esse tema central de forma burocrática, sem o envolvimento emocional que fazem com que os estadistas, desde que sejam realmente estadistas, executem atos históricos.
Numa situação análoga, em setembro de 2009 em Honduras, o Brasil asilou em sua embaixada o presidente “deposto” Manuel Zelaya e partiu para um confronto direto e aberto com a diplomacia norte-americana que claramente estava ao lado dos congressistas hondurenhos que haviam derrubado o presidente de forma muito parecida com a que ocorre agora no Paraguai. Foi um marco histórico da política externa brasileira.
O Golpe Branco
Não há dúvidas de que a destituição do presidente Fernando Lugo, foi um golpe branco executado pelo Partido Colorado que dominou o país de forma conservadora, durante 70 anos. Mas para darem o golpe, os colorados costuraram uma aliança com o Partido Liberal Radical Autêntico, do ambicioso vice presidente Federico Franco.
Franco, um político em ascensão 49 anos, ajudou a eleger Lugo em 2008, e agora ajuda a derrubá-lo aliando-se ao Partido Conservador, seu adversário político eleitoral, mas seu aliado e sócio em termos de classes sociais. Lugo representava a ascensão dos verdadeiros setores populares. Era considerado o “Lula Paraguaio”.
Seja como for a condenação ao golpe foi unânime no Continente. A Costa Rica ofereceu asilo político a Lugo e até o Departamento de Estado Norte-Americano (suspeito de ter estimulado a rebelião dos congressistas paraguaios), fez uma cortesia diplomática ao Brasil, dizendo oficialmente que “é preciso respeitar, no episódio, a liderança regional brasileira”. A presidenta argentina, Cristina Kirchner, condenou veementemente “o golpe” e informou que pretende agir de forma articulada com o Brasil.
A bola, portanto, está com a presidenta Dilma. Se ela seguir as ponderações frias e profissionais do chanceler Antônio Patriota, ficara aquém do que exige o momento histórico, exatamente como ficou na Cúpula do Rio+20, cujo documento final (com texto coordenado por Patriota) foi um fiasco.
A matéria abaixo dá sequência ao raciocínio desta.
22-06-12
Dilma age rápido, mas persiste impasse no Paraguai
No início da noite, desta sexta-feira (22) o presidente Fernando Lugo acatou a decisão do Senado que declarou seu impedimento. Simultaneamente foi empossado o vice Federico Franco, 49 anos,. que fazia opsição ao presidente. O mandato vai até setembro de 2013.
As chancelarias do Brasil e demais países da América do Sul ainda não reconheceram o novo governo. O Paraguai poderá ser expulso no MERCOSUL
Poucos minustos depois das 18 horas, o Senado do Paraguai votou o impeachment do presidente Fernando Lugo. Há tumulto e violência nas ruas centrais de Assunção, em função de protestos populares contra o ato do Senado, considerado “um golpe branco”. Horas antes, o presidente anunciara que acataria a decisão dos congressistas.
Os ministros das Relações Exteriores do bloco regional – integrado por Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela- realizaram reuniões com Lugo e com legisladores para tentar solucionar a crise.
Segundo o chanceler venezuelano, Nicolas Maduro, as conversas “com os dois lados” tentaram evitar que haja “precipitação, interrupção do mandato presidencial, para que não haja uma convulsão no Paraguai”.
De acordo com o chanceler, junto com os demais integrantes da Unasul, os governos vão continuar reconhecendo Lugo como presidente do Paraguai.
Texto original, postado pela manhã:
Esta em curso no Paraguai um golpe branco. Ele não é claramente inconstitucional, porque a maioria conservadora da Câmara e do Senado está agido dentro do regimento. Mas o pretexto para a votação do impeachment do presidente Fernando Lugo, chega a ser escandaloso.
A oposição, que é maioria tanto na Câmara como no Senado, responsabiliza o presidente pela morte de nove camponeses e oito policiais durante conflito agrário ocorrido na última sexta-feira (15) em Curuguaty, a 250 km de Assunção, próximo à fronteira com o Brasil. Trata-se de um acontecimento grave, mas localizado e que não justifica a deposição de um presidente.
Ontem, (21) Deputados e Senadores, por grande maioria, votaram pelo inicio do julgamento do presidente e pretendem concluir processo em menos de 24 horas. Outro absurdo.
Mesmo sem ser possível prever o desfecho do episódio, já se pode destacar dois aspectos importantes:
Em outros tempos (tempos de hegemonia norte-americana no Continente) o problema seria tratado no âmbito da OEA, Organização dos Estados Americanos, controlada pelo Departamento de Estado. Hoje o foro que atua na questão é o da UNASUL, União das Nações da América do Sul, uma entidade criada há poucos anos por inspiração dos presidentes Lula do Brasil e Néstor Kirchner da Argentina, exatamente para neutralizar a influência americana.
O outro aspecto é o de que o Paraguai, embora redemocratizado, ainda não se desvencilhou das oligarquias que sempre controlaram o País, desde os tempos do ditador Alfredo Stroessner. Hoje estas forças conservadoras ainda controlam o país através da máquina partidária, do Congresso e de parte do Judiciário.
A eleição de Fernando Lugo em abril de 2008, pela Aliança Patriótica para a Mudança, foi festejada pelos setores progressistas do Continente. Entretanto, o velho Partido Colorado que controlou o país por seis décadas, é o mesmo partido que, por deter a maioria no Congresso, ainda não aprovou o ingresso na Venezuela no MERCOSUL.
A ação do Brasil
Ontem mesmo, assim que foi informada da crise no pais vizinho, Dilma Rousseff aproveitou a presença de governantes da América do Sul no Rio+20 e organizou um movimento diplomático para tentar reverter a situação. Assim, o chanceler brasileiro Antônio Patriota, viajou para Assunção, com o objetivo de, em nome da UNASUL, encontrar uma “solução negociada” para garantir o mandato do presidente Fernando Lugo, partindo do pressuposto de que ele está sendo vítima de um “golpe branco”.
A presidenta, na verdade, comandou a reação de países latino-americanos para tentar evitar a queda do presidente do Paraguai, Fernando Lugo.
Logo cedo, Dilma e assessores avaliaram como tentativa de golpe de Estado o processo acelerado de impeachment que o Congresso paraguaio conduziu contra Lugo.
Em público, não se usou a palavra “golpe”, mas reservadamente era assim que o governo brasileiro se referia aos episódios no Paraguai.
Segundo o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, já houve 23 anúncios de intenção de impeachment contra Lugo – eleito em 2008. O de ontem era só mais um, mas prosperou e surpreendeu a todos na Rio+20, no Rio de Janeiro.
Ao notar que era grave a situação no Paraguai, Dilma pediu que o assunto fosse tratado no âmbito da Unasul (União de Nações Sul-Americanas). Uma reunião foi agendada para 14h30, mas, antes, Lugo trocou telefonemas com colegas presentes ao Rio.
Participaram da reunião cinco presidentes. Além de Dilma, Evo Morales (Bolívia), Juan Manuel Santos (Colômbia), Rafael Correa (Equador) e José Mujica (Uruguai).
Durante a reunião, foi realizada a conferência por telefone com Lugo, por meio de sistema de viva voz. A conversa durou cerca de 15 minutos e o paraguaio disse ser necessário agir com rapidez.
Às 19h, o chanceler brasileiro Antonio Patriota partiu para o Paraguai, acompanhado de seus pares da Argentina, Colômbia, Uruguai e Venezuela. Em Assunção, o grupo se reuniu com Lugo na residência do presidente.
O secretário-geral da Unasul, Alí Rodríguez, disse no Rio de Janeiro que não há intenção de prejulgar o que se passa no Paraguai. Mas ressalvou que “todo processo dessa ordem precisa garantir o direito de defesa”.
Marco Aurélio Garcia disse ser relevante lembrar que o Paraguai faz parte da Unasul e do Mercosul. “Essas duas organizações têm cláusulas democráticas”, destacou. Ou seja, países que rompem com a democracia não podem permanecer membros.
O Brasil é o maior parceiro comercial do Paraguai na região. Não se falou ontem em algum tipo de retaliação, mas isso fica implícito em situações de impasse como esta.
19-06-12
Abreu de Lima, o general brasileiro
que lutou ao lado de Simón Bolívar
Gerações e gerações de brasileiros foram educadas, induzidas, a virar as costas para seus vizinhos do Continente e a mirar, macaquear, os chamados povos “mais desenvolvidos” do Primeiro Mundo.
É um vício histórico das elites oligárquicas que são autoritárias e desprezam seu próprio povo. Mas, na mesma medida, são subservientes e sócias menores do Capital radicado nas nações mais poderosas.
Essa gentinha considera um defeito de educação não saber citar uma frase de Lincoln ou de Napoleão, mas ignora sua própria história e a de seus vizinhos. Por exemplo: Há um município pernambucano, chamado Abreu de Lima e, próximo a Recife, está sendo construída pela Petrobrás, em associação com a estatal venezuelana (PDVSA), a Refinaria Abreu de Lima.
Mas ninguém sabe quem foi Abreu de Lima.
Então:José Inácio de Abreu e Lima (Recife, 6 de abril de 1794 — Recife, 8 de março de 1869) foi militar, político, jornlista e escritor. Aliás, o primeiro intelectual brasileiro a escrever um livro (1865) sobre o socialismo. Mesmo sendo brasileiro de nascimento, participou com destaque das guerras de independência da América Espanhola.
Por isso, é conhecido com maior notoriedade como o general Abreu e Lima, um dos heróis da liberação da América Hispânica, atuando sempre sob a liderança de Simón Bolívar.
Abreu e Lima saiu do Brasil em 1818, após a execução de seu pai o Padre Roma (ex-sacerdote que abandonou a batina para casar-se) em 1817, devido ao envolvimento deste na RevoluçãoPernambucana. Naqueles tempos, as Ordenações do Reino não limitavam suas punições aos réus de crime de lesa-majestade, mas impunham-nas até a segunda geração. Sendo um jovem militar em início de carreira, a execução do pai nessas condições sepultava-lhe a carreira militar no Brasil.
Incorporou-se ao exército de Bolívar, com a patente de capitão e participou das batalhas decisivas da luta de libertação da Venezuela e Colômbia. Abreu e Lima é considerado um dos heróis da independência da Venezuela e tem reconhecimento muito muito nesse país do que no Brasil.
Com a morte de Bolívar, e o não reconhecimento de sua patente pelo governo do General Santander, que o sucedeu, Abreu de Lima abandonou a Colômbia e retornou ao Brasil, fixando residência no Rio de Janeiro. Nessa fase sua biografia tornou-se contraditória, porque há relatos de seu apoio circunstancial ao Governo Imperial.
Entretanto, em i844, retornou a Pernambuco, onde foi preso sob a acusação de envolvimento na Revolta Praieira (1848), um movimento considerado provinciano e de rebelião contra o autoritarismo imperial. Mas, de forma global, a Revolta inscreveu-se no contexto das revoluções socialisstas e nacionalistas que varreram a Europa neste período do Séuclo XIX, incluindo a Revolução de 1848 na França que promoveu a extinção do Absolutismo no país.
06-06-12
A união da América do Sul e a saída para a crise
Uma boa notícia, a de que a inflação está em queda, e a certeza de que pode controlar o fator inflacionário representado pela alta do dólar, deram à presidenta Dilma Rousseff a tranqüilidade para acionar imediatamente todo seu arsenal anti-crise.
A idéia é reverter a expectativa pessimista do Mercado que aposta num crescimento do PIB em 2012 igual ou inferior aos pífios 2,7% do ano passado. A alta do dólar, que estimula a inflação, pode ser controlada graças às nossas polpudas reservas de quase UR$ 400 bilhões.
Como Lula fez em 2009 e em 2010 – e com o argumento correto de que é preciso evitar que a Crise Global nos afete de forma mais forte -, Dilma usará todos os instrumentos ortodoxos e heterodoxos para fazer o BIP crescer acima de 3%, pelo menos. Afinal, estamos em um ano eleitoral. Os juros vão cair ainda mais.
Entretanto, Dilma não tem, como Lula, a mesma percepção estratégica em relação à América do Sul e o que este gigantesco mercado em pleno crescimento pode representar para a economia brasileira, nesta emergência.
A mídia brasileira, apátrida e atrelada aos dogmas neoliberais ditados pelo Capital Financeiro, não vê ou procura ocultar que a America no Sul é uma excelente oportunidade para anabolizar os negócios brasileiros sobretudo na área industrial e de serviços.
Vejamos: O Chile está crescendo este ano a 5,6%, o Peru (que se aproximou do MERCOSUL) a 6%, a Argentina (da “populista” Cristina Kirchner) a 4,8% e a Venezuela (do “perigoso” Chávez) a 5,6%. Sempre lembrando que nossas transações com o MERCODUL já representam 25% de nossas exportações.
Sempre defendemos, neste blog, a noção de que a América do Sul mais unida e integrada reunirá condições excepcionais de auto-suficiência. O Mundo precisa de nossos produtos, já que somos recordistas na geração de proteínas vegetais e animais, bem como na produção de energia fóssil ou renovável.
Nós, por outro lado, só temos a desvantagem da defasam tecnológica. Isso, contudo, pode ser contornado, se houver uma decisão forte nesse sentido. A própria integração favorece o desenvolvimento tecnológico, na medida em que evita a duplicidade de iniciativas e o desperdício de recursos.
Infelizmente, Dilma parece não ter, em relação a este tema, a mesma sensibilidade ou emoção de Lula e a união da América do Sul, muitas vezes, derrapa para a antiga retórica eloqüente porém infértil.
O mesmo se pode dizer do atual chanceler Antônio Patriota, um frio e competente profissional que não revela, nessa questão, o mesmo empenho engajado e até emocional de seu antecessor Celso Amorim, este sim um dos arquitetos da União Sulamericana.
As duas matérias abaixo dão continuidade ao raciocínio desta.
02-06-12
Por que Chávez vencerá
O presidente Hugo Chávez vencerá as eleições presidenciais de Outubro, como indicam todas as pesquisas. Mas não me refiro aqui apenas à vitória eleitoral. Estou falando da irreversibilidade da Revolução Bolivariana.
E a Revolução é irreversível não só pela consagração popular, revelada nas eleições, como porque está arraigada por diversos mecanismos psicossociais e institucionais. Sobressai, nesse aspecto o comprometimento das Forças Armadas com a perenidade da Revolução e as organizações populares de base.
Estas organizações populares já demonstrarão sua efetividade durante a tentativa de golpe contra o presidente Chávez de abril a dezembro de 2002. Na ocasião consolidou-se também a solidariedade logística e diplomática do Continente através de países amigos, o Brasil entre eles.
Parece claro que a burguesia apátrida que não vacila em aliar-se a potências inimigas para usurpar o poder perdeu sua capacidade de ação efetiva. Entretanto, resta analisar os rumos da Revolução Bolivariana.
As afinidades com Cuba são evidentes, mas isso não significa que a Venezuela copiará o modelo cubano. Cuba é um ícone vivo da revolução socialista internacional. Todavia é preciso dar muitos passos à frente no sentido de atualização teórica do marxismo revolucionário.
No contexto em que foi dita, a frase de Lênin estava absolutamente correta: “O Imperialismo é a fase superior do Capitalismo”. Na atual contexto, com muitas características de pós capitalismo e que chamo de O Crepúsculo do Capital, seria correto dizer que o Neufeudalismo é a etapa superior do Imperialismo.
O que caracteriza está fase crepuscular é a incapacidade de o Capital (enquanto sistema global) de acumular seu próprio excedente. Disso resulta sua migração para o Setor de Serviços, onde o capitalista individual obtém seu lucro, mas onde o Capital (enquanto sistema global) não tem com o acumular.
Esta acumulação só ocorre no setor efetivamente produtivo, onde ocorre a metabolização entre o excedente de trabalho com a base material do sistema: os recursos naturais.
Temos, então, que sob o ponto de vista geográfico, mas principalmente sob o ponto de vista de seu próprio estágio, o Capital, em sua fase terminal (crepuscular), perde algumas de suas características essenciais.
E,neste ponto é crucial que e entenda que com o esvaecimento capitalista, ocorre o esvaecimento, também, de suas duas classes protagonistas, a burguesia e o proletária. Isto ocorre via terceirização, leasing, cessão de uso de marcas. Tanto a burguesia quanto o proletariado passam por um processo de avassalamento ou feudalização, diante do Sistema que ainda é capitalista, mas, concomitantemente, já é neofeudal.
Sempre que toco neste tema tenho o hábito de acrescentar um outro texto já antigo, onde procuro de forma sintética, explicar, ao leitor não habituado com os textos marxistas, o processo íntimo da acumulação do Capital.
Eis o texto:
O Crepúsculo do Capital
Todos comentam a atual crise econômica mundial, mas poucos percebem que ela é, na verdade, uma crise do próprio modo de produção capitalista. Trata-se de um sistêmico que aponta para crescente incapacidade de o Capital acumular o seu próprio excedente. É a fase crepuscular ou terminal. Entender isso não é muito complicado desde que se saiba, preliminarmente:
1-O Capital é, em si, um excedente. Excedente de trabalho (próprio ou alheio) que não é consumido e sim acumulado.
2-O Capital só obtém lucro efetivo na sua parte variável, dinheiro vivo reservado para pagamento de salários. É essa a parte do Capital que retorna ao bolso no proprietário, inflado pelas horas excedentes (não confundir com horas extras) de trabalho não pagas, a famosa mais-valia.
3-A parte fixa ou constante do Capital, máquinas e equipamentos (e insumos também) não fornece, a rigor, nenhum lucro ao capitalista. Isto, pela boa razão de que ela transfere o seu próprio valor para o valor da mercadoria que ajuda a produzir. No caso dos insumos (energia e matérias-primas) esta transferência é instantânea. No caso de máquinas a transferência pode levar anos. Mas, inexoravelmente, insumos, máquinas ou equipamentos se exaurem, cedo ou tarde, na produção das mercadorias. Entretanto, é aqui, na sua parte constante, que o Capital acumula.
4-A última frase do item anterior não é gratuita: o Capital só materializa e fixa os lucros obtidos com a rodada anterior de exploração do trabalho, quando investe em novas máquinas e em mais terrenos e edificações. É assim e só assim que ele realiza sua acumulação ou, mais propriamente, sua reprodução ampliada. Pois é assim que ele amplia sua capacidade de explorar mais trabalho a partir da mesma base inicial.
Agora reparem (e isto é estampado diariamente pela mídia) que o Capital está em permanente revolução interna, sempre substituindo sua parte variável (salários e mão de obra) pela parte constante (máquinas e equipamentos). É a automação vertiginosa que acomete o Sistema nesta sua fase terminal. Quando as máquinas e equipamentos perdem densidade de valor ou simplesmente tornam-se descartáveis (substituídas em prazos cada vez mais curtos), o Capital vai, concomitantemente, perdendo sua capacidade de acumulação.
Então, fica nítida a noção de que, principalmente nos países tecnologicamente mais adiantados, o Capital (entendido aqui como o conjunto de capitais – o Sistema), vai despregando-se daquela parte que dá lucro, bem como daquela onde ocorre a acumulação efetiva.
Quando isto ocorre, o Capital toma três rumos: a- deixa de ser produtivo e transforma-se em capital de serviços que dá lucro, mas não realiza a acumulação clássica que só ocorre (como foi exposto acima) no capital efetivamente produtivo, industrial ou agrícola; b- ingressa no cassino especulativo e passa a obter a maior parte de seus lucros não mais no chão da fábrica, mas no departamento financeiro e c- migra para a periferia do sistema, os países em desenvolvimento, onde ainda é possível obter altas taxas de mais-valia, em função da mão de obra barata. Neste último caso, China, Índia e Brasil são três excelentes exemplos.
Enfim, creio que aí está um pequeno, porém eficiente, roteiro para acompanhar a atual crise com melhor capacidade de percepção dos fenômenos que são subjacentes a ela e vão muito além das baboseiras repetidas à exaustão pela mídia pobre e podre.
Reparem, ainda, que o que foi dito aí em cima, não é simples literatura marxista dogmática e sim leitura correta dos antigos clássicos da economia como Adam Smith, David Ricardo e Jean-Baptiste Say, em cujos textos Marx colheu os fundamentos para desenvolver sua teorias sobre a acumulação capitalista. Um processo que chega agora à sua fase crepuscular.
O Neofeudalismo
A esta fase crepuscular eu dou o nome de Neofeudalismo, a etapa superior do Imperialismo.
O Neofeudalismo tem como principal característica a monopolização e/ou oligopolização extremas e a nível mundial. Some-se a isso, a terceirização da produção. As grandes corporações cedem a terceiros avassalados, sua marca, suas invenções e modos de produção e venda. Assim, passam (eis aí o aroma feudal) a auferir renda com algo que é de sua propriedade, sem se imiscuirem na produção propriamente dita.
Com isso, como já é visível a olho nu, há uma total revolução das relações do trabalho, somada ao crescente descarte de mão de obra, por conta da vertiginosa automação. Nasce aí o chamado desemprego estrutural.
E desemprego estrutural é um eufemismo, um nome técnico que se dá a algo brutal: a exclusão definitiva de populações inteiras ao redor do Mundo. Populações que se tornam excedentes e descartáveis enquanto elementos do processo produtivo.
14-03-12
Como criação do Banco do Sul
fortalece a união sulamericana
A mídia brasileira, mais uma vez calhorda e covardemente, omite de sua audiência e de seus leitores, uma notícia de fundamental importância: A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul), presidida pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), aprovou nesta terça-feira, 13, o convênio que resultará na criação do Banco do Sul.
Os parlamentares deram parecer favorável à mensagem da presidenta Dilma Rousseff. Agora, transformado em projeto de decreto legislativo, o texto será votado na Câmara dos Deputados e, em seguida, no Senado.
A medida é um passo fundamental para a efetiva integração econômica e política da América do Sul. O novo banco funcionará como uma espécie de BNDES regional. E assinala uma posição firme do governo brasileiro na direção dessa integração.
E isso é tudo o que a mídia não quer. Não quer porque, apátrida, ela come na mão do Capital Financeiro globalizado. E está alinhada automaticamente aos interesses estratégicos do Departamento de Estado Norteamericano. É evidente que não interessa a Washington a união e a autonomia econômica da América do Sul, seu antigo quintal.
Em seu voto favorável, o relator, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), lembrou que a ideia de criação do Banco do Sul foi lançada em 2007 pelos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Néstor Kirchner (1950-2010), da Argentina.
A proposta, observou, foi inicialmente vista com desconfiança em “certos círculos políticos da América do Sul”, que identificaram no novo banco “uma espécie de sucedâneo do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial para a região”, que seria administrado sem critérios técnicos consistentes, “ao sabor de conveniências políticas de ocasião”.
Na opinião do relator, porém, a proposta de criação do Banco do Sul tem consistência técnica. O novo banco, explicou, se converterá no banco de desenvolvimento da União dos Países da América do Sul (Unasul). A criação da nova instituição a seu ver, ajudará a “equacionar o claro déficit de investimentos” na região.
“A criação do Banco do Sul deverá ter papel muito positivo para os países da América do Sul e, particularmente, para a integração regional”, previu Rosinha.
08-12-12
As Malvinas são argentinas!
E luta agora é do Continente
Há três anos iniciei neste blog uma campanha pela unificação política e econômica da América do Sul. Como frase síntese escolhi, na verdade, um grito: As Malvinas são argentinas. Era uma forma de mostrar um sentimento de unidade continental que vai muito além dos interesses comerciais de um Mercado Comum.
Creio não estar sendo pretensioso se disser que minha iniciativa foi pioneira. Seja como for, hoje o grito das Malvinas ecoa de forma comovente e contagiante no Twitter e outros veículos da Internet, no Brasil e na América do Sul.
Mas, independente de tudo, isso a luta pelas Malvinas prossegue de forma efetiva. Há uma solidariedade oficial e prática de quase todas as nações sulamericanas. Exemplo disso é o fato de que navios britânicos, com destino às ilhas, estão proibidos de atracar na grande maioria dos portos do Continente. Sendo que Brasil e Uruguai foram os primeiros a adotar essa medida.
E agora, lembrando o 30º Aniversário Guerra da Malvinas, vou apenas destacar a absoluta coincidência entre o que temos dito neste blog e o discurso feito ontem pela presidenta argentina, Cristina Fernandez Kirchner:
“As Malvinas deixaram de ser causa argentina para passar a ser uma causa da América do Sul”, disse a presidenta em seu discurso. Para ela, o problema das Malvinas se tornou uma causa regional e global, pois a Inglaterra está militarizando o Atlântico Sul. “Não podemos interpretar de outra forma o envio do moderno navio de guerra inglês às ilhas”, afirmou. Além disso, Cristina aponta outro indício da tentativa da Grã Bretanha de militarizar a região com o fato de o Príncipe William ter aparecido em público utilizando roupas militares – e não civis.
A presidenta afirmou que a Argentina vai denunciar essa militarização das ilhas no Conselho de Segurança da ONU e na assembléia da organização. O país já havia levado anteriormente à organização o problema da disputa pela soberania na região.
Por outro lado, ela lembrou que os conflitos na América do Sul nunca necessitaram do apoio de organizações internacionais para serem solucionados. E aponta o contraste: “Os conflitos que acontecem atualmente em outras regiões do mundo e que foram levados ao Conselho de Segurança acabaram por se aprofundar e não foram solucionados”, acusou.
A presidenta defendeu uma solução pacífica com a Inglaterra e lembrou a resolução das Nações Unidas, que determina que ambos os países iniciem negociações para solucionar a disputa sobre as ilhas que possuem uma quantidade incalculável de petróleo. “A Inglaterra se recusa a cumprir essa resolução e usurpa as Malvinas como se fossem troféu de guerra”, disse.
Reflexos na Espanha
O aumento da tensão entre Argentina e Inglaterra em relação às ilhas gerou reflexos na Espanha, que reabriu o debate sobre a soberania de Gibraltar, também sob domínio britânico. Assim como a Argentina, a Espanha mantém há anos uma disputa com o governo britânico para tentar recuperar território que lhe pertence historicamente.
23-01-12
Pimentel: da inércia à intolerância
Na semana passada, em Nova York, o ministro Fernando Pimentel, da Indústria e Comércio Exterior, disse a seguinte sandice aos jornais e agências locais: “Nossas relações com a Argentina são boas, mas na área comercial eles nos criam muito problemas”.
Só espero que esta pérola da inconveniência política e diplomática seja algo que passou pela cabeça do ministro, apenas. E que ela são seja compartilhada pela presidenta Dilma.
Dificuldades entre parceiros político e de zonas de livre comércio são naturais, como atestam as atuais negociações no âmbito da União Européia. E na própria Federação Brasileira há uma concorrência acirrada entre os estados. Veja-se a disputa pelos royalties do pré-sal e a permanente guerra fiscal travada entre estados produtores e consumidores ou que disputam grandes investimentos privados.
De resto, é normal que cada país defenda, em primeiro lugar, o emprego de seus trabalhadores. E, em função disso, assistimos em todos os países a algumas atitudes protecionistas como as que o Brasil pratica corriqueiramente.
Finalmente, os argentinos argumentam que a queixa do ministro brasileiro e descabida, posto que no ano passando as relações comerciais entre os dois países deixaram um saldo de US$ 6 bilhões a favor do Brasil.
Se o Brasil decidiu que o Mercosul, e portanto a Argentina, é nossa aliança estratégica número 1, é preciso criar mecanismos de compensações e, sobretudo, programas de integração industrial, com exploração compartilhada de alguns seguimentos.
Recentemente o presidente da FIESP, Paulo Skaf fez uma proposta criativa e construtiva. Ele se dispõe a liderar uma comitiva de industriais brasileiros para entregar à presidenta Cristina F Kirchner uma proposta no sentido de que as enormes encomendas da Petrobras, sejam compartilhadas pelas indústrias navais dos dois países.
Este é apenas um bom exemplo. Na área da indústria aeronáutica e da aviação regional, também poderiam ser feitos muitos acordos do mesmo tipo, bem como no setor da aviação regional, com a utilização de aviões de médio porte. A EMBRAER poderia instalar, na Argentina, uma unidade onde seriam montados parte de seus produtos.
Ainda ontem, o presidente Chávez, da Venezuela, anunciou a possível compra de aparelhos da EMBRAER, para operar nas linhas regionais de seu país. A encomenda, da ordem de US$ 800 milhões, contaria com financiamento parcial do BNDES.
O ministro Pimentel é pouco criativo e quase inerte, como demonstra o fato de até hoje não ter apresentado algo nem ao menos parecido com um programa nacional de desenvolvimento industrial. Se é assim, que ele seja econômico também com as palavras.
11-08-11
As Malvinas são argentinas!
Navios ingleses com destino às ilhas
não podem usar os portos brasileiros
Há mais de um ano abrimos nossos trabalhos no Twitter gritando, sem ter medo de gritar, que as Malvinas são argentinas. É a forma simbólica que encontramos para mostrar a solidariedade brasileira em relação a uma das mais e justas e sentidas reivindicações do pais vizinho e irmão.
É esse tipo de solidariedade que cimenta os grande projetos políticos, tais como o da União Sul America. União que está sendo construída, malgrado o boicote da mídia nacional corrupta e apátrida. E malgrado a incompreensão ignorante de parte da classe média desorientada e alienada por esta mesma mídia.
Sempre que gritamos, todas as manhãs,“As Malvinas são argentinas” recebemos imediatamente a solidariedade de dezenas de seguidores no Twitter, tanto do Brasil como de países vizinhos. Entretanto, às vezes aparecem um ou dois gaiatos, típicos eleitores serristas e que, num processo freudiano, jactam-se da própria mesquinharia e alienação. Então eles perguntam com ar de inteligência: Você já combinou isso com os ingleses?
Pois quem dá a resposta é nada menos que o próprio governo brasileiro, ao negar a navios britânicos o acesso aos portos brasileiros. Os povos da América do Sul já combinaram que as Malvinas são argentinas e os ingleses terão que combinar conosco se quiserem dar continuidade aos projetos de exploração de petróleo nas ilhas. Isto, só para início de conversa.
É irreversível o processo de integração sul americana que copia, de certa forma, o modelo que conduziu à União Européia. A mídia brasileira serva do Capital Financeiro e alinhada automaticamente com os interesses estratégicos dos EUA, vai ter que engolir isso. E isso terá que ser engolido, também, pelos serristas rasteiros e preconceituosos com todo o seu humor azedo.
Veja, abaixo, um resumo do noticiário de hoje sobre este tema:
O Ministério das Relações Exteriores confirmou, nesta quarta-feira, que dois navios de bandeira inglesa não receberam autorização para uma parada obrigatória no porto do Rio de Janeiro, no final de dezembro de 2010. A rejeição ao pedido se baseou em um acordo que o Brasil mantém com a Argentina, que proíbe o apoio a embarcações e aeronaves oriundas do Reino Unidos e que se destinam à exploração de bens naturais nas Ilhas Malvinas.
A decisão foi informada ao governo do Reino Unido, segundo diplomatas, por uma comunicação. Nela, o Itamaraty diz que o veto aos navios Clyde e Glowcester seguiu a orientação de acordos diplomáticos firmados entre vários países latino-americanos e a Argentina.
Em 3 de agosto de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma declaração, ao lado da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na qual o Brasil se compromete a reconhecer que não só as Ilhas Malvinas, mas também Geórgia do Sul e Sanduich do Sul pertencem aos argentinos.
Com isso, o governo brasileiro se prontifica a impedir que os navios façam a chamada “visita operativa” ou parada obrigatória em portos nacionais, exceto em situações específicas. Os casos que serão autorizados merecerão análise detalhada e não poderão ser incluídos na relação de navios que se destinam às Malvinas e levam carregamento para exploração de recursos naturais.
Em junho de 2010, o governo Kirchner apelou à Organização dos Estados Americanos (OEA) para comandar a retomada das negociações entre Argentina e Reino Unido sobre a soberania das Malvinas. O pedido ocorreu em meio a tensões, pois o governo argentino havia fixado uma lei vetando atividades de empresas estrangeiras, sem permissão oficial, na região das ilhas.
Desde o século 19, a Argentina reivindica o controle sobre as Ilhas Malvinas, ocupada pelos ingleses, numa ação pirata, em 1833. Em 1982, houve a Guerra das Malvinas, quando os argentinos receberam total apoio do Brasil, dando inicio a uma nova etapa, solidária, nas relações entre os dois países. Na ocasião, os ingleses receberam solidariedade e apoio material ( principalmente na área de comunicações, o que foi decisivo na guerra) por parte dos Estados Unidos.
09-01-12
Dilma acelera integração com América Latina
Já está bem claro que a mídia não bate em Dilma Rousseff com a mesma força que batia em Lula. Muitas vezes a presidenta é poupada e nas TVs abertas chega a ser afagada. Há dois propósitos nisso, sem falar que ninguém é de ferro e não é mole fazer oposição cerrada por uma década inteira.
O primeiro propósito está ligado à esperança diversionista de apartar Dilma de Lula e do PT. O segundo é a tentativa de interromper a evolução criativa e soberana da política externa desenvolvida por Lula.
Nossa mídia, como se sabe, é tradicionalmente subordinada ao Capital Financeiro e alinha-se automaticamente com os interesses estratégicos do Departamento de Estado norte-americano. É fácil verificar que os editoriais dos chamados grandes jornais são réplicas dos discursos de Hillary Clinton.
Em função disso, a mídia procura desmerecer, ridicularizar ou simplesmente ignorar os esforços, por exemplo, dos países da América do Sul na direção de um mercado comum ampliado a partir do MERCOSUL, bem com o da procura de uma unificação política no longo prazo, através da UNASUL, União das Nações Sul-Americanas.
Entretanto, estes dois projetos já estão em parte concretizados e já criaram musculatura suficiente para quebra definitivamente a hegemonia norte-americana no Continente, uma praga do passado.
Um exemplo típico dessa manipulação e omissão da mídia (que trata seus leitores com malícia e desonestidade profissional) é a falta de referência às viagens que Dilma fará a Cuba e ao Haiti, dentro de três semanas.
Entretanto, a presidente Dilma Rousseff se prepara para visitar o Haiti no dia 1º de fevereiro. Em conversa com o presidente haitiano, Michel Martelly, este fim de semana, ela acertou a data de sua ida a Porto Príncipe. Na visita, ela pretende intensificar a cooperação brasileira, ampliando as parcerias nas áreas de saúde em conjunto com Cuba, agricultura, capacitação profissional e o apoio à construção de uma grande usina hidrelétrica sobre o Rio Artibonite. Neste último caso, a presidenta, como todos seus antecessores, age em concomitância com os interesses das grandes empreiteiras nacionais.
Antes do Haiti, Dilma visita Cuba, no próximo dia 31. Isto ocorre no momento em que o presidente cubano, Raúl Castro, incentiva a abertura da economia com medidas, ainda tímidas, de estímulo à iniciativa privada. O Brasil defende a suspensão imediata do embargo econômico a Cuba impostos pelos EUA, desde 1962.
28-12-11
China confirma apoio à Argentina
nas Malvinas. EUA sobem no muro
A imprensa inglesa já comenta, preocupada, que os Estados Unidos já não defendem, com a mesma firmeza, a posse da Inglaterra sobre as Malvinas. Ao mesmo tempo, o governo britânico lamenta e estranha a recente decisão dos países membros do Mercosul de impedir a atracação, em seus portos, de navios de Sua Majestade com destino às ilhas.
Ao mesmo tempo, no fim da semana passada, o vice-presidente da Assembléia Popular da China, o equivalente aos legislativos das democracias ocidentais, reafirmou em Buenos Aires a oposição de seu pais a favor da reivindicação argentina sobre as Malvinas.
A posição dos países membros do Mercosul, confirma e fortalece a atitude que já havia sido tomada pelo Brasil e pelo Uruguai. Quanto à “flexibilização” da diplomacia norte-americana em relação às Malvinas, isso se deve, provavelmente, ao fato de Washington não querer ficar em situação de isolamento em relação aos países da América do Sul que, não faz muito tempo, eram considerados mera extensão de seu quintal.
São novos e bons tempos de unidade e afirmação do nosso Continente (a Pátria Grande) e sobretudo é o tempo de dar um basta a qualquer resquício de colonialismo. Não importam as filigranas jurídicas ou diplomáticas. O fato político de valor tanto concreto como simbólico é o de que as Malvinas representam este resíduo maligno.
E tudo isso adquire sentido ainda mais concreto e prático, quando se sabe que o mar em torno das Malvinas esconde jazidas de petróleo, possivelmentemente tão grande quanto às do pré-sal brasileiro.
Os ingleses sempre se negaram, arrogantemente, a sentarem-se à mesa de negociações ou a permitir que a questão fosse levada à ONU, contando para isso com seu poder de veto (colonialista) no Conselho de Segurança da organização.
Mas, como dizíamos, os tempos são outros, onde o Brasil, o ex-primo pobre e trapalhão, acaba de suplantar o BIP da Inglaterra. Só ainda não viram isso, a mídia nacional calhorda e incompetente, bem como a parte de seus leitores que ela consegue alienar e imbecilizar, a ponto de eles não conseguirem se libertar do velho complexo de vira-latas.
21-12-11
MERCOSUL ganha corpo e é
protagonista da cena mundial
Ignorado, minimizado ou ridicularizado pela mídia calhorda e atrelada ao Departamento de Estado, o MERCOSUL ganhou corpo e já atua como elemento de primeiro plano nas relações internacionais, tanto econômicas como políticas.
Na reunião de Cúpula de dois dias dos presidentes do MERCOSUL, iniciada ontem (20-12), foram aprovadas pelo menos três medidas que repercutiram fortemente no cenário mundial: a- o estabelecimento de um acordo de livre comércio com o Estado Palestino; b- a proibição de atracação nos portos dos países membros, de navios com bandeira das Ilhas Malvinas, e c – a adoção de medida comerciais protecionistas para todo o bloco (cem produtos), dentro dos limites de 35% permitidos pela Organização Internacional do Comércio, OIC.
Materialmente, o comércio com o Estado Palestino é estatisticamente irrelevante. Entretanto sua repercussão política tem grande magnitude, porque agrega mais um organismo internacional importante, o MERCOSUL, na campanha mundial (liderada sob muitos aspectos pelo Brasil) pelo reconhecimento do Estado Palestino e sua representação plena da ONU. Inteiramente isolados, só os EUA e Israel resistem a esse reconhecimento.
A proibição de atracação de navios britânicos em portos da Costa Atlântica da América do Sul é um duríssimo golpe diplomático conta os eternos colonialistas ingleses. Mas acima de tudo é um gesto de consolidação da unidade continental e da solidariedade entre seus membros, beneficiando, neste caso, a Argentina. Desta vez a chancelaria britânica sentiu o golpe e manifestou sua estranheza e preocupação.
A adoção de medias protecionistas, na verdade a preservação de nosso mercado interno unificado, é coerente com o discurso que vem sendo feito pelas presidentas Dilma Rousseff e Cristina F. Kirchner, da Argentina. Para elas, a América do Sul, cujo crescimento econômico só perde para os da China e da Índia, poderá manter esse ritmo, preservando suas indústrias e postos de trabalho, desde que não se deixe invadir por mercadorias “subsidiadas” pela ostensiva manipulação cambial de países como a China e os Estados Unidos que mantém suas moedas artificialmente subsidiadas. É a Guerra Cambial.
Finalmente, a Cúpula presenciou mais dois fatos importantes: o primeiro foi o pedido formal do Equador para ingressar no MERCOSUL como membro pleno. O outro foi o esforço conjunto para pressionar o Congresso Paraguaio que ainda não aprovou o ingresso da Venezuela no organismo. Esse ingresso já foi aprovado pelo governo do Paraguai e pelos demais países membros.
A incorporação da Venezuela ao MERCOSUL e estrategicamente importante porque se trata da terceira maior economia do Continente e porque permita a criação um mercado comum de grandes proporções, desde a Patagônia até o Caribe.
Já o ingresso do Equador, além da perspectiva de breve adesão do Peru governado, agora, pelo nacionalista Ollanta Humala, cancela o sonho americano de criar um mercado comum na Costa do Pacífico da América do Sul, subordinado a Washington. A hegemonia econômica dos EUA no Continente fica, assim, reduzida ao Chile e à Colômbia.
As Malvinas são argentinas!
Navios ingleses com destino às ilhas
não podem usar os portos brasileiros
Há mais de um ano abrimos nossos trabalhos no Twitter gritando, sem ter medo de gritar, que as Malvinas são argentinas. É a forma simbólica que encontramos para mostrar a solidariedade brasileira em relação a uma das mais e justas e sentidas reivindicações do pais vizinho e irmão.
É esse tipo de solidariedade que cimenta os grande projetos políticos, tais como o da União Sul America. União que está sendo construída, malgrado o boicote da mídia nacional corrupta e apátrida. E malgrado a incompreensão ignorante de parte da classe média desorientada e alienada por esta mesma mídia.
Sempre que gritamos, todas as manhãs,“As Malvinas são argentinas” recebemos imediatamente a solidariedade de dezenas de seguidores no Twitter, tanto do Brasil como de países vizinhos. Entretanto, às vezes aparecem um ou dois gaiatos, típicos eleitores serristas e que, num processo freudiano, jactam-se da própria mesquinharia e alienação. Então eles perguntam com ar de inteligência: Você já combinou isso com os ingleses?
Pois quem dá a resposta é nada menos que o próprio governo brasileiro, ao negar a navios britânicos o acesso aos portos brasileiros. Os povos da América do Sul já combinaram que as Malvinas são argentinas e os ingleses terão que combinar conosco se quiserem dar continuidade aos projetos de exploração de petróleo nas ilhas. Isto, só para início de conversa.
É irreversível o processo de integração sul americana que copia, de certa forma, o modelo que conduziu à União Européia. A mídia brasileira serva do Capital Financeiro e alinhada automaticamente com os interesses estratégicos dos EUA, vai ter que engolir isso. E isso terá que ser engolido, também, pelos serristas rasteiros e preconceituosos com todo o seu humor azedo.
Veja, abaixo, um resumo do noticiário de hoje sobre este tema:
O Ministério das Relações Exteriores confirmou, nesta quarta-feira, que dois navios de bandeira inglesa não receberam autorização para uma parada obrigatória no porto do Rio de Janeiro, no final de dezembro de 2010. A rejeição ao pedido se baseou em um acordo que o Brasil mantém com a Argentina, que proíbe o apoio a embarcações e aeronaves oriundas do Reino Unidos e que se destinam à exploração de bens naturais nas Ilhas Malvinas.
A decisão foi informada ao governo do Reino Unido, segundo diplomatas, por uma comunicação. Nela, o Itamaraty diz que o veto aos navios Clyde e Glowcester seguiu a orientação de acordos diplomáticos firmados entre vários países latino-americanos e a Argentina.
Em 3 de agosto de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma declaração, ao lado da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na qual o Brasil se compromete a reconhecer que não só as Ilhas Malvinas, mas também Geórgia do Sul e Sanduich do Sul pertencem aos argentinos.
Com isso, o governo brasileiro se prontifica a impedir que os navios façam a chamada “visita operativa” ou parada obrigatória em portos nacionais, exceto em situações específicas. Os casos que serão autorizados merecerão análise detalhada e não poderão ser incluídos na relação de navios que se destinam às Malvinas e levam carregamento para exploração de recursos naturais.
Em junho de 2010, o governo Kirchner apelou à Organização dos Estados Americanos (OEA) para comandar a retomada das negociações entre Argentina e Reino Unido sobre a soberania das Malvinas. O pedido ocorreu em meio a tensões, pois o governo argentino havia fixado uma lei vetando atividades de empresas estrangeiras, sem permissão oficial, na região das ilhas.
Desde o século 19, a Argentina reivindica o controle sobre as Ilhas Malvinas, ocupada pelos ingleses, numa ação pirata, em 1833. Em 1982, houve a Guerra das Malvinas, quando os argentinos receberam total apoio do Brasil, dando inicio a uma nova etapa, solidária, nas relações entre os dois países. Na ocasião, os ingleses receberam solidariedade e apoio material ( principalmente na área de comunicações, o que foi decisivo na guerra) por parte dos Estados Unidos.
30-11-11 atualizado em 02-12-11
MERCOSUL é a saída para a crise
A presidente Dilma Rousseff enfatizou, ontem (1-12) em Caracas, a necessidade da integração produtiva dos países da região como uma forma de enfrentar a crise internacional e destacou a necessidade de que o Banco do Sul entre em funcionamento o mais rápido possível. Este banco financiará o desenvolvimento e a integração dos países sulamericanos.
“Podemos construir uma integração de outro tipo, uma integração que seja produtiva, que nos leve ao crescimento das economias e de nossos povos e a um processo que não seja a exploração de um país por outro”, assinalou Dilma.
A declaração foi feita após encontro com o presidente Hugo Chávez. Este, por sua vez, assinalou que Brasil e Venezuela, “como polos de poder”, devem exercer o papel de motores desta “dinâmica da integração sul-americana, caribenha, latino-americana”. Para ele, é preciso integrar esses polos e articular um eixo que vá desde Buenos Aires, passando pelos países andinos, até o Arco Caribenho.
Dilma Rousseff chegou com duas horas de atraso ao Palácio de Miraflores para a reunião com o presidente venezuelano. O encontro, que deveria ter incluindo também a presidente argentina Cristina Kirchner, terminou sendo apenas bilateral por conta desse atraso provocado pelo trânsito de Caracas. Dilma e Cristina devem se encontrar hoje (02-12), antes da abertura da Cúpula dos Países da América Latina.
Dilma usou o famoso jargão de Lula para dizer que “nunca antes os países da América Latina tiveram, como agora, uma oportunidade tão grande de fazer com que este Continente tivesse um importante papel estratégico nas relações internacionais”.
”Podemos construir uma integração de outro tipo, uma integração que seja produtiva, que nos leve ao crescimento das economias e de nossos povos e a um processo que não seja a exploração de um país por outro”, concluiu.
Texto de 30-11
As presidentas Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, da Argentina, se reúnem na próxima sexta-feira (2) em Caracas, para articular uma política mais agressiva de integração dos dois países e de ampliação do MERCOSUl.
Elas estão convencidas de que este mercado interno (comum) da América do Sul, é a melhor receita para que os países do Continente passem ao largo da crise mundial que afeta, principalmente, os países do Primeiro Mundo.
Em Caracas se reunião, dentro desse mesmo espírito, com o presidente Hugo Chávez. Finalmente, participarão na noite do mesmo dia 2, da abertura Cúpula dos países da América Latina, quando deverá ser criado um organismo continental que exclui os Estados Unidos e o Canadá. Ver matéria logo abaixo desta.
Ontem, em Buenos Aires, Cristina prestou uma homenagem ao ex-presidente Lula, durante reunião com empresárias da Câmara Argentina de Construção. Lula era um dos convidados do evento, mas não pode comparecer.
A presidente argentina afirmou que Lula e seu marido e antecessor na Presidência argentina, o falecido Néstor Kirchner, “recriaram a necessidade de integração da região”. “A presidente Dilma Rousseff e eu reafirmamos também essa necessidade como uma das chaves para enfrentar esta crise global”, frisou Cristina.
“Estou absolutamente convencida, como acho que ela também está, que a integração da região, essencialmente do Mercosul, da Unasul e especialmente de Brasil e Argentina são uma das chaves para seguirmos com esse crescimento virtuoso”, acrescentou.
Cristina Kirchner destacou ainda que os próximos eventos esportivos globais que acontecerão no Brasil representam uma “muito boa oportunidade” para que a integração se transforme em ações concretas de contrato de obras e compras governamentais.
26-11-11 atualizado em 03-11-11
EUA x América Latina. A separação definitiva
O dia 2 de dezembro de 2011 é uma data histórica que assinalará para as gerações futuras o fim de uma época, o da hegemonia norte-americana no Continente. Não que isto tenha acontecido abruptamente, como numa batalha decisiva. Foi um processo que se consumou gradativamente. Entretanto, os historiadores precisam de datas e nomes para estabelecer marcos divisores entre épocas distintas.
Ontem em Caracas, o presidente Hugo Chávez descreveu este dia, que assinala a criação de um bloco latino-americano e caribenho de 33 países (CELAC), como contrapeso aos Estados Unidos e “a conquista de uma batalha de 200 anos” que começou, disse ele,” com Simón Bolívar, prócer da independência da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia”.
“A Doutrina Monroe foi imposta. Significava a América para os americanos, para os ianques. Eles impuseram a vontade deles durante 200 anos, mas isso agora acabou”, arrematou.
Na verdade, para que o processo seja mais bem compreendido, é preciso esclarecer ele tem duas esferas. A primeira é a do MERCOSUL e da União das nações da América do Sul, a UNASUL. É um projeto em execução, mais objetivo e concreto, e com área geográfica menor e bem delimitada.
A outra esfera é a da CELAC, mais ampla e, por isso mesmo, menos coesa que a UNASUL. E é natural que a Venezuela seja o elo de ligação entre ambas, já que é (pode-se dizer) um país sulamericano e caribenho ao mesmo tempo.
Quanto à UNASUL, seus principal coluna de sustentação é o eixo Buenos Aires, Brasília, Caracas. Daí que, durante a CELAC, os discursos, das presidentas Dilma Reousseff e Cristina Kirchner, da Argentina, tenham sido mais práticos e objetivos.
Dilma, na quinta-feira, enfatizou a necessidade de fortalecimento do mercado (unificado) da América do Sul, como forma de contornar a crise econômica global. E defendeu a criação imediata do Banco Sul, um organismo de fomento econômico, para financiar o desenvolvimento e favorecer a integração do Continente. Seria uma espécie de BNDES ampliado.
Já Cristina Kirchner disse, na sexta-feira, que o MERCOSUL precisa ser ampliado e implementado com medidas mais concretas e objetivas. Da mesma forma – diz ela – a UNASUL deve servir com instrumento político para consolidar e administrar os interesses econômicos comuns.
Finalmente, em articulação com a criação do Banco Sul, Chávez defendeu a “repatriação”, dos recursos (fundos soberanos) dos países do Continente que estão aplicados em países do Primeiro Mundo. Para ele, estes recursos, da ordem de 700 bilhões de dólares, devem constituir um fundo financeiro e de desenvolvimento da América Latina.
Texto de 26-11-11
EUA x América Latina. A separação definitiva
O presidente Hugo Chávez receberá, na quinta-feira (1-12), a presidente Dilma Rousseff que chegará a Caracas para uma visita oficial um dia antes da cúpula latino-americana. Além disso, Chávez se encontrará também a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, uma reunião anunciada na semana passada..
O objetivo é estabelecer uma política comum entre os três maiores países do MERCOSUL para enfrentar a Crise Econômica Global. Tanto Dilma como Chávez já apontaram para a necessidade de fortalecimento de nossos mercados internos, de forma concomitante e natural com o fortalecimento e ampliação do mercado comum da América do Sul.
Do ponto de vista formal, o fato mais importante é o de que nos dias 2 e 3 de dezembro ocorrerá em Caracas uma cúpula a partir da qual nascerá a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) que pretende ser um novo organismo de integração regional sem Estados Unidos e Canadá. A maioria dos presidentes da região já confirmaram sua presença na cúpula, inclusive o chileno Sebastián Piñera, apontado como o mais conservador da região.
Esta separação (isolamento) formal em relação aos Estados Unidos, é um fato de profundas repercussões políticas, econômicas e históricas, mas a mídia brasileira (americanófila, corrupta e incompetente), não noticia uma única linha a respeito.
A matéria abaixo dá sequência ao raciocínio desta.
24-10-11
Cristina e Dilma
Para desgosto da mídia brasileira, corrupta e americanófila, Cristina Kirchner obteve ontem (23) uma retumbante vitória eleitoral, reelegendo-se por mais quatro anos, no primeiro turno, com 54% dos votos. Desde Juan Perón, nos anos 70, ninguém realizara esta façanha.
Os incautos leitores de classe média, que ainda acreditam em nossos jornalões, provavelmente ficaram surpresos. Afinal, nossa mídia há dez anos descreve a Argentina como um país em crise permanente e governado por “populistas desvairados”.
Na verdade, nos oito anos de administração do casal Kirchner, a Argentina, vem crescendo ininterruptamente a taxas de em torno de 7% ao ano, o dobro da média brasileira. E, creiam, tudo começou com um grande calote. Por isso, nossos jornalistas “especializados” em economia, tipo Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, não perdoam nossos vizinhos.
Na verdade, a renegociação da dívida imposta por Nestor Kirchner (ele governou o País de 2003 a 2007 e faleceu em outubro do ano passado) foi adotada com base no argumento de que o Capital Financeiro, como principal responsável pela crise, devia arcar com pelo menos parte do ônus.
É exatamente isso que a conservadora primeira-ministra alemã, Ângela Merkel argumenta, agora, para impor a banqueiros e especuladores o “Calote Grego”. A principal diferença é que na Argentina foi renegociado 70% do montante da dívida. Na Grécia está sendo negociado 50%, o que, entretanto, parece insuficiente.
Livre do peso da dívida, a Argentina pode crescer a grande velocidade e beneficiada, nesse caso, como o Brasil, pela alta dos preços de algumas commodities, como carnes, trigo, soja, etc. No mais, houve forte distribuição de renda, maior talvez, do que aquela que ocorreu no Brasil no mesmo período. Com um senão: o recrudescimento da inflação.
Pelos dados oficiais, claramente manipulados (um grave equívoco) a inflação seria de 10% ao ano. Mas institutos privados e com credibilidade, informam que o índice já está próximo dos 25%. E, na verdade, o governo reconhece isso, ao conceder aumentos salariais em torno de 30%.
A aliança com o Brasil
Em seu discurso, logo após o reconhecimento oficial da vitória, ontem à noite, Cristina dedicou um grande espaço à integração da América do Sul e à aliança estratégica com o Brasil. Comovida, ela informou que Dilma Rousseff foi uma das primeiras autoridades internacionais a telefonar pra parabenizá-la.
E este é outro ponto que nosso jornalismo venal não perdoa. Interpretando sempre os interesses estratégicos dos EUA, que sempre tentaram boicotar o MERCOSUL e inviabilizar a UNASUL, União das Nações da América do Sul, a mídia brasileira procura intrigar os dois países. E estimula o dissenso entre os parceiros do MERCOSUL. Por fim, quando não pode ignorar, procura ridicularizar a UNASUL.
Tanto o governo como os o empresariado argentino sabem que seu destino está “amarrado ao Brasil”. E, de sua parte, o governo brasileiro tem feito o possível para convencer o empresariado brasileiro, imediatista e envenenado pela mídia tucana, de que como autossuficiente que é, a América do Sul, pode perfeitamente escapar da crise global, simplesmente explorando a expansão de seu mercado interno, sem sedê-lo à invasão dos produtos importados de outros continentes.
Mas, com irmão maior, digamos assim, o Brasil precisa contemporizar em várias circunstâncias. Tudo o que não pode acontecer, é que ao invés de sócios leais, sermos vistos por nossos vizinhos como um país com veleidades imperialistas.
14-08-11
União Sul Americana evolui da retórica para a prática
Umas das principais medidas adotadas é a que privilegia o comércio com moedas locais, sem a utilização do dólar.
Nada como uma boa crise para fazer as coisas acontecerem. Este fim de semana, reunidos em Buenos Aires, os ministros da Fazenda e presidentes dos Bancos Centrais da Unasul (União dos Nações Sul-Americanas), adoraram um elenco de medidas práticas para que o Continente, unido, se defenda contra a crise econômica mundial. Crise esta que afeta, até o momento, principalmente os países do chamado Primeiro Mundo, Estados Unidos mais Europa e Japão.
O Conselho de Economia e Finanças da Unasul, instituído na sexta-feira (12) decidiu, logo de saída, promover medidas urgentes para reforçar o comércio regional em moedas locais, sem o dólar.
A informação é do vice-ministro de Economia da Argentina, Roberto Feletti. “Chegamos a um acordo sobre três eixos de trabalho e um deles é avançar em mecanismos multilaterais de pagamentos, para sustentar o comércio e proteger os volumes de reservas”, disse ele.
Feletti destacou que o comércio entre os países da região movimenta a cifra de US$ 120 bilhões anuais. “O uso de moedas locais, excluindo o dólar, protege as reservas e incrementa o comércio porque há taxas menores de transações”, explica.
O segundo foco de trabalho será “a coordenação do uso de reservas para facilitar a tarefa dos Bancos Centrais na atuação diante das volatilidades dos mercados financeiros. O terceiro foco é o do fortalecimento dos de Bancos de Desenvolvimento, da região.
Um Fundo para Blindar a América do Sul
Já, Guido Mantega, o ministro da Fazenda do Brasil, defendeu, durante a reunião, a criação de um fundo para proteger a América do Sul dos efeitos da crise internacional. Este fundo seria criado imediatamente através da fusão e posterior ampliação do já existente Fundo Latino-Americano de Reservas (FLAR) destinado a compensar os países que têm desequilíbrios financeiros.
“Vamos conversar – disse Mantega- com os colegas sobre o ingresso de novos países ao FLAR, como o Brasil e a Argentina, para que aumente o poder de fogo desse organismo e possa proteger os países com recursos nossos, das nossas reservas”. O FLAR é composto por Bolívia, Colômbia, Peru, Costa Rica, Equador, Uruguai e Venezuela.
Durante as discussões, alguns países, a Colômbia, por exemplo, foram mais cautelosos quanto à criação do fundo comum de reservas. Entretanto outros países (Equador e Venezuela) sugeriram medidas ainda mais radicais para “blindar” as economias da região.
Para o chanceler venezuelano Nicolás Maduro, as decisões conjuntas – obtidas durante a reunião – foram “históricas, pois é a primeira vez em duzentos anos que América do Sul se reúne para falar de economia em conjunto sem que o Fundo Monetário Internacional dite as suas regras e programas de ajuste”.
A matéria abaixo dá sequeência ao raciocínio desta.
28-07-11 atualizado em 29-07-11
Crise econômica americana coincide com
o fortalecimento da União Sulamericana
O pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff, durante a reunião da UNASUL, ontem em Lima após a posse de Ollanta Humala na presidência do Peru, é a demonstração de que a tão lamentada “retórica vazia” latino-americana está ficando para trás.
Hoje, em Brasília, Dilma está recebendo a presidenta Cristina Krirchner, da Argentina, quando voltarão a enfatizar a importância do MERCOSUL e da UNASUL.
Objetivamente, os países da América do Sul estão se organizando para agir de forma integrada e coordenada, através de um mercado comum em expansão e de um projeto de união política formal no médio prazo. Em muitos aspectos, segue-se aqui o roteiro que resultou na atual União Europeia.
Só a mídia brasileira, medíocre e alinhada com os objetivos estratégicos dos EUA, não vê isso ou deliberadamente omite de seus leitores.
Veja trechos da fala da presidenta Dilma, ontem em Lima, que classificou como “insensatez e incapacidade política” o fato de os Estados Unidos e a Europa não trabalharem seriamente para sair da crise econômica em que estão mergulhados. O texto é das agencias de noticias:
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira, durante reunião presidencial da Unasul (União Sul-Americana de Nações) em Lima, no Peru, que a “insensatez” e a “incapacidade política” dos Estados Unidos e da União Europeia para resolver seus problemas econômicos são uma “ameaça global”.
“As dificuldades econômicas que enfrentam os países desenvolvidos, tanto os EUA como a União Europeia, e a incapacidade política até agora demonstrada em resolver os impasses e as dificuldades tornam-se uma ameaça global”, disse Dilma a presidentes de 9 dos 12 países que formam o organismo.
“Esse quadro onde a insensatez é a regra –e a marcha da insensatez parece ser o caminho– só reforça a necessidade de nossa união”, continuou.
Medidas objetivas contra a crise
Os países do organismo resolveram realizar na semana que vem na capital peruana uma reunião extraordinária de ministros da Fazenda e presidentes dos Bancos Centrais para discutir medidas conjuntas contra a crise. Nos dias 10 e 11, os representantes terão novo encontro em Buenos Aires sobre o tema.
A presidenta Dilma também se referiu ao problema cambial. Ela reclamou do “mar extraordinário de liquidez” que flui de países desenvolvidos aos emergentes em busca de rentabilidade e provocam “desequilíbrio cambial”.
Também atacou os produtos industriais dos países desenvolvidos que “alagam” a região. “Temos de nos defender da imensa do fantástico do extraordinário mar de liquidez que se dirige às nossas economias buscando a rentabilidade que não tem nas suas”, disse Dilma.
“Não podemos incorrer no erro de comprometer tudo que conquistamos, não porque quiséssemos ou pelos erros que cometêssemos, mas pelos efeitos da conjuntura internacional desequilibrada”, continuou.
A reunião da Unasul aconteceu após a cerimônia de posse do presidente do Peru, Ollanta Humala.
Texto de 28-07-11
A presidenta Dilma Rousseff participa, hoje (28) pela manhã em Lima, da posse do novo presidente peruano, Ollanta Humala, e, à tarde, da reunião da Cúpula da UNASUL, União das Nações Sulamericanas. Amanhã, ela se reunirá em Brasília com a presidenta Cristina Kirchner, da Argentina.
São três episódios que se ligam a uma circunstância comum: a crescente integração econômica e política da América do Sul, coincide, para o bem ou para o mal, com a Grande Crise Norte-Americana e a quebra da hegemonia dos EUA no Continente.
A posição do Brasil neste processo não é de liderança ostensiva e nem é bom que seja. No entanto, está implícito que a intensidade e a qualidade dessa integração, bem como a velocidade com que ela se dará, depende absolutamente da compreensão estratégica do governo brasileiro e da capacidade profissional do Itamaraty. E até aqui, as coisas estão correndo muito bem.
A mídia brasileira come na mão do Capital Financeiro, joga no time e está em alinhamento automático como o Departamento de Estado. Por isso, procura minimizar ou mesmo ignorar a UNASUL que é fruto e desenvolvimento natural do MERCOSUL. Então, não esclarece aos seus leitores a importância estratégica destes dois organismos nem mostra que a América do Sul está vivendo um momento histórico.
Entretanto, não dá mais para esconde, por exemplo, que a eleição de Humala representou um duro golpe par política externa norte-americana que tinha o Peru como um de seu principais aliados políticos e parceiros econômicos.
Agora, o novo presidente (um nacionalista apoiado veladamente por Chávez e ostensivamente por Lula) já anunciou que pretende deslocar a política externa e a econômica do pais na direção do Mercosul e da integração sulamericana.
Ao mesmo tempo, Cristina Kirchner e Dilma Roussef, apesar dos problemas pontuais no comércio entre os dois países, estão decididas – e vão declarar isso amanhã em Brasília – a dar continuidade e acelerar o projeto que herdaram dos ex-presidentes Néstor Kirchner e Lula. Ambos decidiram e conseguiram criar um bloco sulamericano capaz de contrapor-se à tradicional hegemonia norte-americana no Continente.
A Cúpula e a Crise
Dilma Rousseff, nesta viagem ao Peru, participa não só das duas solenidades de posse e transmissão do cargo, no Congresso e no Palácio de Governo, na manhã desta quinta-feira. Depois, comparece ao almoço com os 14 presidentes que confirmaram presença no evento e da reunião (Cúpula) da Unasul. Na ocasião, o novo presidente peruano vai reiterar a sua disposição de defender a integração do Continente.
Sobre a relação entre a crescente unidade sulamericana e a crise dos EUA, Marco Aurélio Garcia, assessor da presidenta Dilma para assuntos internacionais sintetizou bem a situação, ao falar aos jornalistas em Lima:
“Não se pode omitir os fatos de que uma crise nos países centrais vai ter consequências sobre nós. Portanto, a unidade da região é fundamental”, disse ele, lembrando que problemas econômicos que estão sendo enfrentados pelos Estados Unidos e Europa certamente estarão no cenário da reunião da Unasul.
“Não só a situação dos Estados Unidos, que evidentemente tem uma incidência maior sobre a região, mas também a situação europeia porque se tivermos um movimento de recessão muito forte por mais autossuficiente que nos sejamos, por mais que estejamos apostando, acertadamente no mercado interno, é obvio que, sobretudo aqueles países que estão mais centrados nas exportações e o Peru é um deles vão se ver comprometidos e vão ter de fazer uma reorientação”, observou.
Para Marco Aurélio, estes movimentos reforçam a aposta brasileira na importância do mercado sulamericano. “Aqueles que pensavam no passado que a grande solução era aliança com países desenvolvidos em termos comerciais estão se dando conta, aos poucos, que talvez o nosso futuro esteja aqui ou em outros países emergentes como a China ou a Índia”, declarou.
“O continente tem de estar preocupado com a situação mundial porque estamos assistindo modelos econômicos derreter e com riscos muito grandes mesmo para os países que estão se saindo bem no momento atual, a despeito de tudo isso”, disse, referindo-se ao Brasil e outros países da América do Sul.
Marco Aurélio enfatizou a perspectiva de aproximação entre o Brasil e o Peru, e porque Humala elegeu-se com um programa muito sintonizado com as mudanças que estão ocorrendo na América do Sul e no Brasil em particular. “Nós temos que associar crescimento com distribuição de renda”, concluiu.
A matéria logo aí abaixo dá continuidade ao tema desta.
13-01-11
As Malvinas são argentinas!
Navios ingleses com destino às ilhas
não podem usar os portos brasileiros
Há mais de um ano abrimos nossos trabalhos no Twitter gritando, sem ter medo de gritar, que as Malvinas são argentinas. É a forma simbólica que encontramos para mostrar a solidariedade brasileira em relação a uma das mais e justas e sentidas reivindicações do pais vizinho e irmão.
É esse tipo de solidariedade que cimenta os grande projetos políticos, tais como o da União Sul America. União que está sendo construída, malgrado o boicote da mídia nacional corrupta e apátrida. E malgrado a incompreensão ignorante de parte da classe média desorientada e alienada por esta mesma mídia.
Sempre que gritamos, todas as manhãs,“As Malvinas são argentinas” recebemos imediatamente a solidariedade de dezenas de seguidores no Twitter, tanto do Brasil como de países vizinhos. Entretanto, às vezes aparecem um ou dois gaiatos, típicos eleitores serristas e que, num processo freudiano, jactam-se da própria mesquinharia e alienação. Então eles perguntam com ar de inteligência: Você já combinou isso com os ingleses?
Pois quem dá a resposta é nada menos que o próprio governo brasileiro, ao negar a navios britânicos o acesso aos portos brasileiros. Os povos da América do Sul já combinaram que as Malvinas são argentinas e os ingleses terão que combinar conosco se quiserem dar continuidade aos projetos de exploração de petróleo nas ilhas. Isto, só para início de conversa.
É irreversível o processo de integração sul americana que copia, de certa forma, o modelo que conduziu à União Européia. A mídia brasileira serva do Capital Financeiro e alinhada automaticamente com os interesses estratégicos dos EUA, vai ter que engolir isso. E isso terá que ser engolido, também, pelos serristas rasteiros e preconceituosos com todo o seu humor azedo.
Veja, abaixo, um resumo do noticiário de hoje sobre este tema:
O Ministério das Relações Exteriores confirmou, nesta quarta-feira, que dois navios de bandeira inglesa não receberam autorização para uma parada obrigatória no porto do Rio de Janeiro, no final de dezembro de 2010. A rejeição ao pedido se baseou em um acordo que o Brasil mantém com a Argentina, que proíbe o apoio a embarcações e aeronaves oriundas do Reino Unidos e que se destinam à exploração de bens naturais nas Ilhas Malvinas.
A decisão foi informada ao governo do Reino Unido, segundo diplomatas, por uma comunicação. Nela, o Itamaraty diz que o veto aos navios Clyde e Glowcester seguiu a orientação de acordos diplomáticos firmados entre vários países latino-americanos e a Argentina.
Em 3 de agosto de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma declaração, ao lado da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na qual o Brasil se compromete a reconhecer que não só as Ilhas Malvinas, mas também Geórgia do Sul e Sanduich do Sul pertencem aos argentinos.
Com isso, o governo brasileiro se prontifica a impedir que os navios façam a chamada “visita operativa” ou parada obrigatória em portos nacionais, exceto em situações específicas. Os casos que serão autorizados merecerão análise detalhada e não poderão ser incluídos na relação de navios que se destinam às Malvinas e levam carregamento para exploração de recursos naturais.
Em junho de 2010, o governo Kirchner apelou à Organização dos Estados Americanos (OEA) para comandar a retomada das negociações entre Argentina e Reino Unido sobre a soberania das Malvinas. O pedido ocorreu em meio a tensões, pois o governo argentino havia fixado uma lei vetando atividades de empresas estrangeiras, sem permissão oficial, na região das ilhas.
Desde o século 19, a Argentina reivindica o controle sobre as Ilhas Malvinas, ocupada pelos ingleses, numa ação pirata, em 1833. Em 1982, houve a Guerra das Malvinas, quando os argentinos receberam total apoio do Brasil, dando inicio a uma nova etapa, solidária, nas relações entre os dois países. Na ocasião, os ingleses receberam solidariedade e apoio material ( principalmente na área de comunicações, o que foi decisivo na guerra) por parte dos Estados Unidos.
22-07-11
O Brasil e a crise nas relações Argentina/EUA
Pela segunda vez em 20 dias o Congresso dos Estados Unidos emitiu uma advertência sobre a Argentina, por considerá-la “um país que não integra o arco de nações que acatam as normas internacionais e promovem os valores da democracia”.
Este novo ataque, talvez o mais duro dos últimos meses, consta da resolução aprovada ontem pelo Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes. O documento propõe a eliminação da Argentina da lista de países que recebem recursos do Departamento de Estado para programas de “apoio e capacitação”.
Para grande parte dos deputados americanos, a Argentina é considerada um pais tão problemático, para os interesses dos EUA, quanto a Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua. E esta resolução da Câmara é, talvez, o clímax da degradação das relações entre os dois países.
De sua parte, a presidenta argentina, Cristina Kirchner, em plena campanha para a reeleição (eleições em outubro) não faz nenhuma questão de colocar panos quentes na situação. Ao contrário, é provável que ela use o episódio para carregar mais no discurso nacionalista ou anti-americano que sempre rendeu bons dividendos eleitorais.
Neste primeiro semestre os dois países já viveram duas crises diplomáticas. A primeira, em fevereiro, quando o governo argentino apreendeu, no Aeroporto de Ezeiza, um avião militar americano suspeito de contrabandear material de espionagem e tóxicos. A segunda, em março, quando o presidente Obama em seu giro pela América do Sul, pulou do Brasil diretamente para o Chile, ignorando a Argentina.
UNASUL
Tudo isso é relevante para a diplomacia brasileira, uma vez que, no próximo dia 29, Cristina Kirchner estará em Brasília, conferenciando com Dilma Rousseff. O Itamaraty prevê, para a ocasião, o lançamento de uma declaração defendendo em termos veementes a implementação da UNASUL, União das Nações Sulamericanas, uma conseqüência e extensão natural do MERCOSUL.
A UNASUL é uma iniciativa dos ex-presidentes Lula e Néstor Kirchner, bem como de Hugo Chávez. O organismo tem como objetivo ostensivo criar um pólo de poder econômico e político no Continente, capaz de confrontar com a tradicional hegemonia norte-americana.
A matéria aí abaixo complementa o raciocínio desta.
15-o7-11
Mercosul ou vai ou racha
No próximo dia 29 a presidenta argentina, Cristina Kirchner, vem à Brasília para retribuir visita de três meses atrás da presidenta Dilma Rousseff. Vem também para inaugurar a nova sede da embaixada de seu país e, principalmente, discutir os impasses do Mercosul.
No atacado do horizonte ideal e futuro, Brasil e Argentina não têm dúvidas de que já amarraram seus destinos ao destino do Mercosul que, na verdade, é a chave para a sonhada União Sulamericana, a Pátria Grande. No varejo e no dia a dia, porém, a conversa é outra e briga-se por um automóvel, uma agulha ou um quilo de arroz.
É natural que seja assim. Todo governante faz suas opções estratégicas de longo prazo, mas, concomitantemente, tem que enfrentar as pressões imediatistas do eleitorado e do empresariado. No fundo, todos são vítimas do sonho irrealista, quase infantil, de exportar bilhões e importar tostões.
Seja como for, a consolidação a curto prazo do Mercoul (que já fez 20 aniversários) está nas mãos das duas presidentas. Elas terão que perceber que este é o momento ideal para a construção da União Sulamericana. Terão que pensar grande, mesmo que, como sempre acontece, isto custe percalços imediatos.
Dilma precisa convencer os empresários (paulistas sobretudo) que a Argentina já é nosso melhor mercado para exportação produtos industrializados, com valor agregado, portanto. Para que siga sendo assim, concessões precisam ser feitas.
De seu lado, Cristina precisa convencer seus industriais superprotegidos de que uma adesão leal e ampla ao Mercosul não deve ser vista apenas como a ameaça de uma “invasão brasileira”, mas como a oportunidade de acesso a um mercado (o brasileiro) que é três vezes maior que o argentino. Além disso, dois terços das exportações de automóveis argentinos são destinados ao Brasil.
O inquietante, nisso tudo, é a posição do chanceler brasileiro Antonio Patriota. Ele age, sem reparos, na pavimentação da união sulamericana, um objetivo estratégico dos governos petistas.
Entretanto, ele o faz apenas como competente e leal profissional que é. Não faz com o amor pela causa, como era o caso de seu antecessor, Celso Amorim que comprou a idéia e agia aliando profissionalismo com garra e paixão. As grandes causas precisam de gente assim.
Esta é toda a diferença. E nesse caso, o ex-presidente Lula que, irrequieto, não consegue deixar de fazer política diariamente, deveria dedicar um pouco mais de tempo à questão sulamericana.
Os problemas
A imprensa, atrelada aos interesses estratégicos norteamericanos, procura boicotar e menospreza o Mercosul. Então, sempre que pode, amplia qualquer dificuldade diplomática ou comercial entre Brasil e Argentina. Os problemas são reais, mas a mídia os exagera e descontextualiza. Ou seja, não os vê dentro contexto abrangente da União Sulamericana.
Enfim, é bem diferente de como se comporta, em situação semelhante, a mídia européia que sabe separar a crise grega, por exemplo, da necessidade estratégica de preservação da União Européia, sob a égide do Euro.
Então, o que temos, concretamente, é que um mês e meio depois de os governos do Brasil e da Argentina terem acertado os ponteiros quando decidiram liberar de forma gradual a entrada de produtos de cada lado da fronteira em seus respectivos mercados, as alfândegas estão sendo novamente o cenário de demoras na liberação de produtos de ambos países.
Parte da mídia anuncia que 40 mil automóveis “Made in Argentina” aguardam a liberação das licenças não-automáticas para a entrada no Brasil sendo que “parte desta frota está em trânsito, outros estão barrados nas alfândegas, enquanto que muitas outras unidades estão aguardando nos pátios das fábricas na Argentina”.
Desde a segunda-feira, afirmam as fontes do setor automotivo em Buenos Aires, só entraram 5 mil veículos argentinos no território brasileiro.
Sem briga
Mas desta vez, em vez de reclamar contra o Brasil, o governo da presidente Cristina Kirchner – que por seu lado também andou retardando a entrada de produtos brasileiros – minimizou as circunstâncias. Segundo fontes do Ministério da Indústria na capital argentina, existem demoras para a entrada de produtos, embora não considerem que constituam “restrições”. Segundo o governo em Buenos Aires, “existem problemas logísticos nos portos” no Brasil.
Além disso, na contra-mão das informações do setor automotivo argentino, o ministério da Indústria argentino afirma que o Brasil liberou entre a quarta-feira da semana passada e o mesmo dia desta semana um total de 18.500 unidades produzidas na Argentina.
De quebra, em meio à troca de informações contraditórias entre governos e empresários, a administração Kirchner argumenta que o estoque de automóveis com a entrada atrasada nos portos brasileiros é de 10 mil veículos, um quarto do total anunciado pelo setor automotivo argentino.
As fontes do setor empresarial retrucam o governo: “a liberação dos veículos argentinos sempre foi lenta por parte das autoridades alfandegárias brasileiras”.
O acordo fechado há um mês e meio entre a ministra da Indústria da Argentina, Débora Giorgi, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Fernando Pimentel, implicava em uma redução substancial do período de liberação das licenças não-automáticas. A Argentina tinha pedido um prazo de 4 dias para a liberação dos veículos mas o Brasil concedeu 10. De forma geral, era um período razoável, levando em conta que (pelas normas do Mercosul) as licenças podem demorar em até 60 dias.
Na contra-mão, a administração Kirchner reiterou a promessa de impedir que produtos brasileiros passassem mais de 60 dias nas alfândegas na expectativa da liberação das licenças. Muitas vezes esta demora chegou, em passado recente, a 90 dias.
Em trocados: são problemas pontuais e relativamente pequenos. Nada que uma boa conversa não possa resolver.
06-07-11
Quem são os donos do Mediterrâneo?
Por que EUA e Israel fazem o que querem no Mediterrâneo.
Por
Regina Célia Sampaio
Em 01 de Julho de 2011 o Governo da Grécia através de seu ministro de Proteção Cidadã, Christos Papoutsis, tomou a seguinte decisão : A proibição da saída de navios com as bandeiras gregas e de países estrangeiros de portos gregos para a área marítima de Gaza.
O alvo dessa proibição são os barcos da Segunda Flotilha da Liberdade que tentavam chegar com ajuda humanitária em Gaza. O primeiro barco a ser retido em portos gregos foi o americano Audacity of Hope (Audácia da Esperança), cujo capitão foi preso por policiais gregos.
O que há de diferente na Grécia de maio de 2010 (que não fez qualquer objeção à Flotilha) para a Grécia de julho de 2011? O agravamento da crise econômica que fez com que a Grécia cedesse as pressões vindas dos EUA e de Israel.
Além da proibição de partida dos portos gregos dois barcos da Flotilha, segundo ativistas internacionais, teriam sido alvos de sabotagem (o barco irlandês e o barco sueco ). “Infere-se que os sabotadores eram israelitas”, acusou o porta-voz do navio irlandês, Raymond Deane.
Não podemos esquecer que em 31 maio de 2010 ( em águas internacionais do mar Mediterrâneo ) a Flotilha da Liberdade (com dez mil toneladas de ajuda humanitária para Gaza) foi interceptada pela Marinha de Israel resultando na morte de nove ativistas internacionais.
Ante esses fatos duas questões vem à tona, primeiro: O que é a Flotilha da Liberdade? A Flotilha da Liberdade faz parte de um movimento chamado Free Gaza que é composto por diferentes entidades humanitárias de várias partes do mundo e visa divulgar e romper o Bloqueio à Gaza estabelecido por Israel desde 2006 . Porém neste exato momento a Flotilha tem uma outra tarefa : romper o cerco do qual está sendo vítima.
A outra questão é : as águas internacionais do mar Mediterrâneo passaram a ter dono? Infelizmente para essa questão não temos resposta.
29-06-11
Mercosul em fase decisiva, pode
ser quarto eixo do Pode Mundial
Por
Francisco Barreira
Brasil quer que Equador, Bolívia e Peru ingressem logo no organismo.
Sempre negligenciado ou tratado com má vontade pela ridícula, provinciana e americanófila mídia brasileira, o Mercosul vive seu momento de inflexão histórica, para deixar de ser mero acordo aduaneiro entre países periféricos e transformar-se num dos principais eixos do poder mundial.
Para ilustrar isso, vamos pinçar apenas duas declarações de ministros brasileiros que acompanham a presidenta Dilma Rosseff nesta sua participação, hoje em Assunção, de mais um reunião da cúpula do Mercado Comum.
Do ministro Guido Mantega, da Fazenda:
“O crescimento lento da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos vai deprimir o mercado de manufaturados. Os ministros do Mercosul temem que estes países em desespero de causa tentem buscar novos mercados. Por isso, combinaram preservar a América Latina (e principalmente da América do Sul) para as nações da região”.
Durante a reunião, de ministros da fazenda do Mercosul, segundo Mantega, houve consenso sobre a necessidade de proteger o mercado do bloco “Queremos que nosso mercado sirva para estimular o nosso crescimento, e não o de outros países.”
Na reunião, os ministros também fizeram um balanço da situação da região. As economias da região apresentaram taxas de crescimento superiores à média mundial, mas este ano – segundo Mantega – os governos estão reduzindo o ritmo de expansão para “segurar o ímpeto da inflação”, que alcançou todos os países. “Estamos todos fazendo ajustes.” Segundo ele, apesar de o crescimento ser menor este ano, a expansão econômica será positiva.
Do ministro Antônio Patriota, das Relações Exteriores:
“Existe um sentimento de que talvez tenha chegado o momento para uma aproximação maior com potenciais candidatos a membros plenos do Mercosul, e dois países surgiram no radar: Bolívia e Equador”.
Atualmente, Bolívia e Equador são Estados associados do Mercosul, ao lado de Chile, Colômbia e Peru. A Venezuela já é membro efetivo, dependendo apenas de um aval do Congresso paraguaio para ingressar no bloco.
Por outro lado, o recém eleito presidente do Peru, Ollanta Humala, já anunciou que pretende promover a imediata adesão de seu país ao Mercosul.
Tudo isto quer dizer que, mesmo que Chile e Colômbia ingressem numa etapa posterior, desde já, o Mercosul transforma-se rapidamente no quarto principal eixo do poder mundial: trata-se de um bloco compacto, com mais de 15 milhões de km2, uma população só inferior à da China e da Índia. E com um produto bruto que vem logo abaixo dos Estados Unidos, China e Japão.
O mais importante, porém, é que se trata de região com que vem crescimento bem acima da média mundial e caracteriza-se por ser absolutamente auto suficiente em bens estratégicos: energia fóssil ou renovável e proteína animal ou vegetal. Sem falar nos recursos hídricos do Planeta. Temos a maior reserva mundial de água potável do Planeta.Em suma vivemos uma situação inequivocamente privilegiada em termos de poder político mundial.
E é nesse ponto que nossa mídia medíocre venal e apátrida, faz sua parte. No interesse dos interesses estratégicos dos países mais ricos, principalmente dos Estados Unidos, ela faz o possível para manter seus incautos leitores de classe média imersos no seu tradicional analfabetismo político.
Situação que se caracteriza pela informação parcial e superficial, bem como pela visão mesquinha, egoísta e sem perspectiva estratégica ou de conjunto. Idiotizados pelo jeito pequeno de pensar, eles lastimam, por exemplo, o fato de aumentarmos nosso pagamento pela energia se Itaipu, sem cogitar que nos interessa possuirmos sócios prósperos e bons parceiros, no lugar de vizinhos recalcados e rancorosos
A industrialização e o progresso no Paraguai, nos interessa absolutamente e corresponde a nossos objetivos estratégicos de potência emergente.
Além disso, com a aceitação crescente do Real, como moeda forte, este talvez seja o momento de prepararmos o terreno para a criação de uma moeda única no âmbito do Mercosul, tendo como âncora a moeda brasileira, mas com outro nome, evidentemente. Na Argentina, por exemplo,o Real já é aceito no comércio, como a mesma facilidade com que se aceita o Dólar.
Leia também a matéria logo aí abaixo.
04-06-11
Nasce a UNASUL
Um tanto por incompetência outro tanto por calhordice e manipulação, a mídia faz questão de não informar nada que diga respeito à UNASUL, União das Nações Sul Americanas que, somada ao MERCOSUL exercerá papel idêntico ao da União Européia. Ou seja: a integração continental institucionalizada, tanto econômica, como política e militar.
Ontem, A Câmara dos Deputados aprovou a adesão oficial (uma formalidade apenas, porém juridicamente necessária) do Brasil à UNASUl. Em seguida haverá a aprovação pelo Senado.
Na verdade, Brasil, Argentina e Venezuela foram os idealizadores e empreendedores do Projeto UNASUL que agora torna-se realidade. O destino da UNASUL é o de alterar radicalmente a geopolítica das Américas, transformando-se num freio definitivo às investidas hegemônicas (controle político e econômico e militar) por parte dos EUA.
O acordo foi assinado em 2008 e prevê que a Unasul será uma área de integração continental que abrange Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Entre os objetivos da entidade estão a erradicação do analfabetismo, a proteção da biodiversidade, dos recursos hídricos e dos ecossistemas, a consolidação de uma identidade sul-americana, o acesso universal à seguridade social e aos serviços de saúde, e o intercâmbio de informação e de experiências em matéria de defesa.
Com esses ingredientes somados aos do MERCOSUL que prevê, além da eliminação as barreiras alfandegárias, a instituição de uma moeda única, a UNASUL passa a ser um instrumento de integração semelhante ao da União Européia. O tratado permitirá ainda dar continuidade a outras iniciativas, como a instituição de um mecanismo regional para a solução de controvérsias em matéria de investimentos e de um conselho de defesa sul-americano.
Parlamento Sulamericano
O tratado prevê também a criação de um futuro Parlamento sul-americano, com sede em Cochabamba (Bolívia), mas isso será objeto de um novo acordo a ser elaborado por uma comissão especial composta por representantes dos parlamentos nacionais e regionais.
Nota da Redação-2
A partir de hoje, 27-05-11, está coluna passa a contar com a importante colaboração de Regina Sampaio, advogada, brilhante articulista e incansável militantente contra a ação criminosa das chamadas grandes potência que, em embora em estado falimentar, ainda exploram e martirizam povos inteiros.
27-05-11
O balaio do Obama e o papel
da China, do Brasil e da Índia
Por Reginna Sampaio
Algumas piadas falam que “ bolsa de mulher é tal qual um balaio , pode
ter de tudo dentro …“ ,os discursos do Presidente dos Estados
Unidos Barack Obama são tal qual nossas bolsas e os balaios pode sair
de tudo dentro .
Para não fugir a essa regra Barack Obama abriu seu balaio ao
discursar essa semana em Westminster Hall para as duas casas do
parlamento britânico. Entre elogios à Rainha e arroubos de humildade
como ao dizer “Nós educamos os nossos cidadãos e treinamos nossos
trabalhadores nas melhores faculdades e universidades na Terra . “
Obama fez declarações sobre o Brasil e a Palestina que nos chamaram
atenção .
Disse Obama sobre os países emergentes em especial Brasil, China e Índia :
“Países como China, Índia e Brasil estão crescendo aos trancos e
barrancos , devemos acolher esse crescimento “
“ Tornou-se moda em alguns setores questionar se o crescimento destas
nações vai acompanhar o declínio da influência americana e européia em
todo o mundo. Que essas nações representam o futuro e o tempo para a
nossa liderança já passou. Esse argumento está errado. O tempo para a
nossa liderança é agora. “
“” A Era da Informação surgiu a partir dos parques de escritório de
Silicon Valley e é por isso que países como China, Índia e Brasil
estão crescendo tão rapidamente. – Pois aos trancos e barrancos, eles
estão se movendo na direção do mercado princípios base que os Estados
Unidos sempre abraçou. “
Disse Obama sobre a Palestina :
“Acredito firmemente que se os palestinos optarem pela via das Nações
Unidas em vez de sentarem-se para negociar com os israelenses será um
erro” ( Pensamento que acompanha o pronunciamento feito pelo Primeiro
Ministro de Israel Benjamin Netanyahu essa semana nos EUA )
Esse discurso de Barack Obama nos faz levantar algumas questões : O
que Obama quis dizer ao afirmar que o crescimento do Brasil está se
dando “aos trancos e barrancos “. Estaria ele tentando criar dúvidas
sobre a capacidade econômica do Brasil ? Criar dúvidas sobre a
solidez de nossa economia ? Ou tentando dizer ao mercado internacional
que a economia do Brasil não é confiável ?
Quanto a enfática disposição de Obama em afirmar que a liderança dos
EUA e da Europa, ao contrário do que dizem os especialistas
internacionais , está cada dia mais forte ficam as seguintes dúvidas :
Estaria Obama buscando o apoio da Europa para uma possível perda de
influência dos EUA ? Estaria Obama mandando algum aviso para Brasil
,China e Índia ?
Estaria Obama subestimando a capacidade de lideranças desses países ?
Ou foi apenas uma tentativa insólita de dizer ao mundo : “ Yes , we
(still) can “ ? Especificamente sobre ao declarações de Obama e
NetanYahu acerca da Palestina falaremos mais tarde …
18-05-11
Obama, Osama, Jabor e o terrorismo de cada um
Por Francisco Barreira
Na operação que culminou com sua morte, Osama bin Laden recebeu o codinome de Gerônimo, o último “índio terrorista” caçado há um século nos Estados Unidos.
Sinal dos tempos: os “falcões” norte-americanos defendem abertamente a tortura como método de interrogatório. E Jabor que se esconde atrás de sua própria porralouquice para destilar conceitos fascitas, argumenta com frequência cada vez maior que, em casos específicos (como o de bin Laden), métodos “não completamente legais” são justificáveis.
No mesmo passo, toda vez que os Estados Unidos desrespeitam os direitos humanos e a soberania de estados independentes, a secretária de estado Hillary Clinton apressa-se em dizer que seu país está agindo em nome da Comunidade Internacional e dos Direitos Humanos.
Agora mesmo três crianças, só porque eram netas de Muammar Kadaf, foram, em nome dos direitos humanos, esmagadas com a displicência de que dá uma chinenelada em três baratas.
E não digam que estou negligenciando o senso de proporção ao relacionar a morte destes três inocentes com o ato bárbaro do bin Laden que ceifou a vida de três mil inocentes no Word Trade Center.
Em todo caso, atos bárbaros são sempre atos bárbaros como por exemplo aqueles que provocaram a morte de trezentos mil inocentes fulminados por Harry Truman, enquanto dormiam, em Hiroshima e Nagasaki.
E estes ainda são poucos diante dos quatro milhões de civis vietnamitas exterminados por Lyndon Jonhson e Richard Nixon. Aliás, como sabemos agora, Nixon pretendia lançar logo um bomba de hidriogênio para não sair derrotado daquele atoleiro. Foi dissuadido por Henry Kissinger.
De qualquer forma, sem distinguir alvos civis dos militrares, em uma década, metodicamente, foram despejadas sobre o Vietnã, além do napalm, mais bombas do que todas as lançadas durante a Segunda Grande Guerra Mundial.
Os corações e as mentes
E aqui cabe um breve desvio de nosso raciocínio, com a promessa de que o retomaremos logo adiante:
Através do controle da maioria dos instrumentos de comunicação de massa com prioridade para o cinema e as mídias nacionais submissas, os EUA conseguem manter um nível altíssimo de penetração no coração e na mente do cidadão comum (Mundo afora) que sofre, assim, algo muito parecido com uma lavagem cerebral.
Este fenômeno, que se aprofundou bastante após a derrotaca da União Soviética, faz com que gerações inteiras (tomemos o exemplo do Brasil) acreditem que os americanos saíram-se vitoriosos da Guerra do Vietnã. Ou, pelo menos, estas gerações “esqueceram” – apagaram da memória – que Tio San sofreu alí a maior sova militar de sua história.
Este, porém, ainda não é o ponto crucial. O que quero dizer é que desde os anos 80, gerações sobre gerações, foram sendo “convencidas” através de filmes ou séries de TV que, embora falsos do ponto de vista histórico e artisticamente precários, têm força suficente para incutir no coração e nas mentes (Mundo afora) um espécie de solidaridade emocional a heróis do tipo Rambo ou do Comando Delta que, com nosso consentimento podem exterminar inimigos, desrespeitando, sem nenhum escrúpulo, qualquer tipo de direitos humanos.
Paralelamente, todos se solidarizam e sofrem com a morte ou sofrimento de um único americano, na mesma medida em que literalmente gozam com as cenas brutais e sangretas de destruição coletiva do “inimigo” previamente demonizado.
E para que não digam que teorizo, vamos a um fato concreto: no final dos anos 90, o governo brasileiro promoveu uma campanha contra a violência do trânsito. A frase síntese utilizada era: Nosso trânsito faz mais vítimas, em um ano, do que toda a Guerra do Vietnã.
Durante semanas esta frase foi repetida pela mídia. Até Faustão e Willian Waak destacaran estes números, com ar de inteligência.
Ocorre que menos que 60 mil formam as baixa apenas de soldados americanos durante a guerra. Morreram 45 mil, para ser preciso. Ou seja, passou-se em silêncio sobre quatro milhões de vítimas civis vietnamias. Elas formam “apagadas” das mentes e dos corações.
Uma destinação histórica.
E aqui cabe resgatar um pouco da História. Veja, abaixo, esta notícia publicada há dois anos nos principais jornais dos EUA:
“O governo americano está sendo processado pelo bisneto de Gerônimo (1829-1909), líder apache e símbolo da resistência à ocupação dos territórios indígenas dos Estados Unidos. Harlyn Geronimo suspeita que uma sociedade secreta tenha roubado os restos mortais de seu antepassado, em 1918. O herdeiro pede de volta os ossos e objetos funerários do bisavô, para enterrá-los perto do rio Gila, no Novo México, sua terra natal”.
Depois de lutar contra as tropas americanas e mexicanas durante três décadas, o guerreiro apache se rendeu e foi preso em 1886. Morreu de pneumonia aos 90 anos, em 1909, na prisão de Forte Sill, no Oklahoma, onde foi enterrado. Uma antiga lenda diz que a ossada foi retirada do local por membros da sociedade secreta Skull and Bones (Crânio e Ossos), nascida no fim do século XIX na Universidade Yale. Entre os acusados está Prescott Bush, avô do ex-presidente americano George W. Bush, este também um integrante da sociedade.
Pode ser ato falho ou pode ser sadismo, mas os autores da morte de Osama bin Ladem deram o nome de Geônimo ao terroista caçado. “Gerônimo está morto”, foi a mensagem enviada a Barack Obama, após a execução.
Depois disso, como todos puderam acompanhar pela imprensa, os agentes secretos vangloriaram-se do suceso da empreitada revelando que ele só foi possível em razão dos métodos de tortura utilizados nos tempos de George W Bush.
Índio bom é indio morto
O general Willian Tecumseh Sherman (1820-1891) é cultuado até hoje como herói pelo americanos, sobretudo nos Estados do Norte. Isto porque seus métodos de “terra arrazada” como no “E o vento levou” foram decisivos para a vitória contra os estados escravagitas do Sul, durante a Guerra de Secessão.
Mas ele é mencionado aqui porque notabilizou-se também por uma frase famosa: ”Índio bom é índio morto”. E ele não ficava só no enunciado, descia aos detalhes. Suas palavras: “Quando digo que eles devem ser exterminados, não me refiro apenas aos homens guerreiros, mas a todos, incluive velhos, mulheres e crianças”.
E muitos oficiais do Exército americano seguiram à risca esta norma, atacando as aldeias à noite para arrazar tudo. Quem mais se destacou por estes métodos foi o conhecido tenente-coronel George Armstrong Custer (1839-1866) que morreu moço, mas levou a fama de ter sido o maior matador de índios de sua época.
Em suma: primeiro eles demonizam o inimigo para depois o exterminar sem nenhum escrúpulo com relação aos direitos humanos e outros detalhes técnicos. E há duzentos anos, porque se consideram “o povo escolhido” (puritanismo) fazem isso em nome da Civilização Ocidental e Cristã.
13-01-11
As Malvinas são argentinas!
Navios ingleses com destino às ilhas
não podem usar os portos brasileiros
Por Francisco Barreira
Há mais de um ano abrimos nossos trabalhos no Twitter gritando, sem ter medo de gritar, que as Malvinas são argentinas. É a forma simbólica que encontramos para mostrar a solidariedade brasileira em relação a uma das mais e justas e sentidas reivindicações do pais vizinho e irmão.
É esse tipo de solidariedade que cimenta os grande projetos políticos, tais como o da União Sul America. União que está sendo construída, malgrado o boicote da mídia nacional corrupta e apátrida. E malgrado a incompreensão ignorante de parte da classe média desorientada e alienada por esta mesma mídia.
Sempre que gritamos, todas as manhãs,“As Malvinas são argentinas” recebemos imediatamente a solidariedade de dezenas de seguidores no Twitter, tanto do Brasil como de países vizinhos. Entretanto, às vezes aparecem um ou dois gaiatos, típicos eleitores serristas e que, num processo freudiano, jactam-se da própria mesquinharia e alienação. Então eles perguntam com ar de inteligência: Você já combinou isso com os ingleses?
Pois quem dá a resposta é nada menos que o próprio governo brasileiro, ao negar a navios britânicos o acesso aos portos brasileiros. Os povos da América do Sul já combinaram que as Malvinas são argentinas e os ingleses terão que combinar conosco se quiserem dar continuidade aos projetos de exploração de petróleo nas ilhas. Isto, só para início de conversa.
É irreversível o processo de integração sul americana que copia, de certa forma, o modelo que conduziu à União Européia. A mídia brasileira serva do Capital Financeiro e alinhada automaticamente com os interesses estratégicos dos EUA, vai ter que engolir isso. E isso terá que ser engolido, também, pelos serristas rasteiros e preconceituosos com todo o seu humor azedo.
Veja, abaixo, um resumo do noticiário de hoje sobre este tema:
O Ministério das Relações Exteriores confirmou, nesta quarta-feira, que dois navios de bandeira inglesa não receberam autorização para uma parada obrigatória no porto do Rio de Janeiro, no final de dezembro de 2010. A rejeição ao pedido se baseou em um acordo que o Brasil mantém com a Argentina, que proíbe o apoio a embarcações e aeronaves oriundas do Reino Unidos e que se destinam à exploração de bens naturais nas Ilhas Malvinas.
A decisão foi informada ao governo do Reino Unido, segundo diplomatas, por uma comunicação. Nela, o Itamaraty diz que o veto aos navios Clyde e Glowcester seguiu a orientação de acordos diplomáticos firmados entre vários países latino-americanos e a Argentina.
Em 3 de agosto de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma declaração, ao lado da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na qual o Brasil se compromete a reconhecer que não só as Ilhas Malvinas, mas também Geórgia do Sul e Sanduich do Sul pertencem aos argentinos.
Com isso, o governo brasileiro se prontifica a impedir que os navios façam a chamada “visita operativa” ou parada obrigatória em portos nacionais, exceto em situações específicas. Os casos que serão autorizados merecerão análise detalhada e não poderão ser incluídos na relação de navios que se destinam às Malvinas e levam carregamento para exploração de recursos naturais.
Em junho de 2010, o governo Kirchner apelou à Organização dos Estados Americanos (OEA) para comandar a retomada das negociações entre Argentina e Reino Unido sobre a soberania das Malvinas. O pedido ocorreu em meio a tensões, pois o governo argentino havia fixado uma lei vetando atividades de empresas estrangeiras, sem permissão oficial, na região das ilhas.
Desde o século 19, a Argentina reivindica o controle sobre as Ilhas Malvinas, ocupada pelos ingleses, numa ação pirata, em 1833. Em 1982, houve a Guerra das Malvinas, quando os argentinos receberam total apoio do Brasil, dando inicio a uma nova etapa, solidária, nas relações entre os dois países. Na ocasião, os ingleses receberam solidariedade e apoio material ( principalmente na área de comunicações, o que foi decisivo na guerra) por parte dos Estados Unidos.
04-04-11
Com respaldo da UNASUL, a Argentina
intensifica ação para recuperar Malvinas
A presidenta Cristina Kirchner, da Argentina, já em campanha oficiosa para a reeleição, intensificou, neste fim de semana, a ofensiva diplomática para cobrar da Grã-Bretanha a devolução das Ilha Malvinas ocupadas numa ação pirata no Século XIX.
A Inglaterra vem descumprindo, sistematicamente, resolução da ONU que a obriga a sentar-se à mesa de negociações.
Esta antiga reivindicação argentina foi muito fotalecida, agora, graças ao apoio oficial e unânime da UNASUL, União das Naçãos Sul-Americanas, sendo que Brasil e Venezuela estão ostensivamente engajados nessa luta diplomática. O Brasil, por exemplo, não permite mais que navios ingleses, com destino às ilhas, se abasteçam em nossos portos.
Cristina fez fortes acusações à Inglaterra na cidade de Río Gallegos, na Patagônia, durante uma das várias cerimônias que homenagearam os mortos da Guerra das Malvinas em 1982.
Ela reafirmou que “as Malvinas sempre serão argentinas” e classificou a presença britânica nas ilhas de “um colonialismo que ainda envergonha a humanidade no século 21″. Entretanto, ela descartou qualquer ação militar.
“A recuperação dos direitos argentinos será assegurada com a ajuda da América do Sul, com os países irmãos que nos apoiam na luta contra o colonialismo”, disse.
No ano passado, a Argentina obteve o respaldo unânime da UNASUL que reúne os 12 países do continente. Além disso, em todas as suas reuniões de cúpula, o MERCOSUL repete e enfatiza seu respaldo à Argentina no caso das Malvinas.
31-03-11
Lula, sem ser revolucionário, está
muitas décadas à frente dos tucanos
O maniqueísmo é a arma dos astutos e o refúgio dos ignorantes ou preguiçosos. E é uma praga nestes tempos em que a simplificação boçal rotula ou estigmatisma. Tão irritante omo ouvir analfbetos polticos repetirem slogans de fundo fascita, é assistir uma certa militância convertida numa legião de cabos eleitorais baratos que tentam se impor via argumentação sectária e patrulhamento rasteiro.
Para se avaliar a importância histórica de Lula é preciso estabelecer, desde já, um certo distanciamento. E então, talvez se possa dizer que sua contribuição para um salto qualitativo do País só pode ser comparada (em termo de volume e/ou de qualidde) à de Getúlio.
Falar de Lula revolucionário não tem mais nenhum sentido. Porém compará-lo a um mero social-democrata (com viés pópulista) é ingualmente absurdo, apesar da política macro-econômica de seus oito anos de governo.
Lula foi o primeiro etadista brasileiro, desde exatamente Getúlio. E deve ser considerado estadista, seja seja qual for sua ideologia, aquele que possui visão estratégica ou de futuro.
Nesse sentido, a recente projeção intenacional obtida pelo Brasil não se deve ao fato peculiar de Lula ser um operário e um líder carismático. Esta projeção foi adquirida pela visão estratégica do presidente amparada pela competente construção logística do Itamaraty.
Com exceção das atuais superpotências, EUA e China, nehumn estado- nação, no atual estágio do modo de produção capitalista, possui capacidade para, isoladamente, preservar sua soberania e interesses permanentes, inalienáveis. Isto terá que ser feito, obrigatoriamente, através das integrações continentais.
Lula, estadista, viu isso, bem ao contrário dos tucanos obsoletos e de sua mídia incompetente e apátrida
Tão incompetente e tão apátrida, tão submissa (alinhada automaticamente aos intereses do Capital Financeiro globalizado e aos objetivos estratégicos do Departamento de Estado), que não foi capaz de publicar uma única linha do discurso proferido por Lula, no último dia 25 em Montevidéu, por ocasião das comemorações dos 40 anos da Frente Ampla – um movimento de esquerda que assume, agora, o poder no país vizinho.
Lula passará à História, como um dos heróis da gênese da União Sul-Americana. É a Pátria Grande que a mídia calhorda faz questão de ignorar. Uma potência de 400 milhões de habitantes e com um Produto Bruto superior aos 4 trilhões de dólares.
Slecionamos, abaixo, o trecho do discurso de Lula em que ele se refere, especificamente, ao processo de criação da Pátria Grande:
“A Frente Ampla sempre deu contribuições importantes a todas as iniciativas de integração regional, por meio das quais queremos garantir que a América do Sul tenha peso decisivo neste mundo multipolar que se está desenhando.
E os resultados desse processo de integração são cada vez mais positivos.
No terreno econômico, vivemos um momento muito promissor. Nunca houve tanto comércio entre os países da América do Sul. E o Mercosul, que amanhã completa 20 anos, é a locomotiva dessa expansão, o que só foi possível depois que conseguimos sepultar a proposta da ALCA, que não era de integração soberana, mas de anexação subalterna.
De 2003 a 2010, o comércio do Mercosul mais do que triplicou. Os investimentos produtivos conjuntos crescem de modo exponencial.
E o que é mais importante: a balança comercial e as relações entre os nossos países estão cada vez mais equilibradas. A integração está beneficiando a todos.
Nós, brasileiros, percebemos que só vale a pena o Brasil crescer e se tornar um país mais rico se os países vizinhos, os povos irmãos também crescerem e se tornarem mais ricos.
Temos consciência de que o caminho da integração não está isento de contradições e eventuais conflitos.
Mas estou certo de que saberemos construir instituições aptas a resolvê-los, porque aquilo que nos une é infinitamente mais importante do que aquilo que nos separa.
A verdadeira integração não pode ser apenas comercial. A parceria econômica é imprescindível, mas está longe de ser suficiente. A unidade do continente só será efetiva quando as nossas populações se conhecerem melhor, quando os sindicatos se articularem em escala regional, quando as nossas universidades tiverem um intercâmbio cotidiano, quando nossos cientistas estiverem pesquisando juntos, quando as nossas riquíssimas tradições culturais forem de fato compartilhadas. Quando a integração não for apenas dos produtos, ou dos Estados – mas dos povos.
Queridos amigos e amigas,
Permitam-me concluir dirigindo uma palavra à militância da Frente Ampla.
Vocês sabem melhor do que eu que a esquerda uruguaia conta com dirigentes de grande estatura moral e política. Líderes de extraordinária dignidade e maturidade, de inquebrantável amor ao seu país e ao seu povo. Líderes ouvidos e respeitados em toda a América Latina.
Mas conta também com uma admirável militância de base, espalhada por todo o país, sem a qual a trajetória da Frente, com certeza, não seria tão vitoriosa.
Feliz do povo que pode dispor de lutadores sociais e políticos tão generosos e tão dedicados ao bem comum.
Essa esplêndida militância é a prova de que o sonho igualitário não acabou. De que valeu a pena o sacrifício das gerações que nos precederam.
A força da Frente Ampla e de outras alianças populares da região mostra que chegou a vez do nosso continente. O século XXI tem tudo para ser o século da afirmação definitiva da América do Sul. Daquela América do Sul com que sonharam nossos próceres e pela qual deram suas vidas.
Uma comunidade de países soberanos, justos e desenvolvidos.
Viva a Pátria Grande!
22-02-11
A mídia malandra se cala, mas essa
Crise Árabe está salvando Chávez
Alguma vez, nos últimos 30 anos, você foi informado pelos grandes jornais ou pelo Jornal Nacional de que havia uma ditadura feroz no Egito?
A mídia ainda não teve tempo de notar ou faz questão de omitir que o grande beneficiário, até agora, da Crise no Mundo Árabe e o nosso vizinho Hugo Chávez. Há três anos, graças em boa parte aos petrodólares ele era extremamente popular. Gozava de uma aprovação em torno de 70%, parecida com a do nosso Lula
Sua política baseia-se na distribuição de renda e na tentativa de incrementar a indústria venezuelana, atrasada em relação a de seus principais vizinhos. É claro que há também programas “assistencialistas” segundo a mídia, do tipo Bolsas Família ou medicina familiar. E não falta a manutenção “demagógica” dos preços baixos dos combustíveis.
Com tudo isso, em 2008, com a eclosão da Grande Crise Norte Americana e com os preços do petróleo vindo abaixo dos U$ 100 por barril, a popularidade de Chávez despencou para a casa entre os 45% e 55%. Seja como for, é evidente que a economia e a política venezuelana são altamente dependentes do petróleo.
Agora, porém, com a Crise Árabe, o petróleo volta a ser cotado a U$ 1o5 barril (mesmo nível de 2008), o que dá à Chávez o fôlego de que ele precisava para chegar com chances de vitória às eleições presidenciais de 2012.
Ninguém ignora que o objetivo de Chávez é encaminhar a Venezuela para um regime socialista programa, aliás, igual ao original do PT brasileiro. Mas é preciso reconhecer que todo o seu atual poder foi obtido através de eleições livres. E, por igual, não há dúvida, de que quando derrotado ele respeita o resultado das urnas, como ocorreu com o plebiscito de dois anos atrás, que lhe daria direito a sucessivas reeleições.
E claro que da mesma forma que jamais informou a seus leitores que há trinta anos os EUA mantinham a peso de ouro uma penca de ferozes ditaduras na África e no Oriente Médio, na tentativa de fazer parecer que o Irã é o único patinho feio da região, esta mesma mídia sempre procurou demonizar e ridicularizar o presidente Chávez. E, de certa forma, conseguiu.
Enfim, a vida continua e deve haver alguns leitores de classe média que talvez comecem a perceber que são tratos pela grande mídia como verdadeiros otários manipuláveis. Para evitar esta situação vexatória, o jeito é checar melhor as informações. A Internet está aí para isso mesmo.
15-02-11 atualizado em 17-02-11
Crise entre Argentina e EUA se agrava, mas
mídia brasileira não informa seus leitores
Só hoje, quinta-feira (17), alguns dos principaio jornais brasileiros (O Estado por exemplo), começam a abrir espaço para a grave crise entre a Argentina e os Estados Unidos. Atrasados, eles apenas repetem o que os jronais argentinos e este blog tem noticiado desde segunda-feira.
No momento há um impasse já que o Departameno de Desfesa norte-americano exige a devolução do material aprendido no interior de seu avião militar e o as autoridades argentinas ameaçam destruir o que chamam de carga proibida.
Texto do dia 15:
Argentina e Estados Unidos subiram o tom na crise diplomática entre os dois países, provocada pela apreensão, pelo governo de Buenos Aires na semana passada, de uma carga considerada suspeita, dentro de um avião militar americano estacionado no Aeroporto de Ezeiza. Por incompetência, malícia ou ambas as coisas, a mídia brasileira não informa seus leitores.
Ontem, o sub-secretário de Defesa dos Estados Unidos, Frank Mora, exigiu a devolução imediata da carga composta de armas, aparelhagem eletrônica e morfina. O Governo argentino não só negou a devolução como informou que a carga poderá se destruída.
Inicialmente, só o chanceler Héctor Timerman falava pelos argentinos. Ontem, porém, outros membros do primeiro escalão do governo se manifestaram e a própria presidenta Cristina Kirchner afirmou que o assunto envolve a segurança e a soberania do País.
Na matéria abaixo você lerá sobre as razões da crise
15-01-22
A desmoralização da mídia corrupta e apátrida
Denunciamos sempre neste blog que a mídia brasileira, corrupta e incompetente é servil ao Capital Financeiro e aos e interesses estratégicos (permanentes) do Departamento de Estado Norte-Americano . Muitas vezes isso pode parecer exagero ou generalização. Mas não é.
A mídia ocultou que durante três décadas os Estados Unidos mantêm, a peso de outro, mais de uma dezena de brutais ditaduras no Oriente Médio e Norte da África. Da mesma forma jornais brasileiros silenciaram, agora, sobre a grave crise diplomática envolvendo a Argentina e os Estados Unidos. Os fatos ocorreram na semana passada, mas só nesta segunda-feira o leitor brasileiro começa a tomar conhecimento dele. Haverá censura mais sórdida do que esta?
Não é possível que os próprios leitores não percebam que são tratados como crianças a quem só são fornecidas notícias depois de filtradas ou em doses irrelevantes. A isto dá-se o nome de manipulação.
E o objetivo dessa manipulação é o de, no interesse da diplomacia americana, menosprezar ou boicotar as iniciativas dos principais países sul-americanos na direção da união do Continente, num processo análogo ao que ocorreu na Europa. Na mesma medida, tenta-se omitir fracassos ou percalços do Deparamento de Estado.
E é evidente que a União –Sul-Americana, contraria a histórica hegemonia norte-americana no Continente.
Agora basta ler o noticiário da Associated Press que reproduzimos abaixo (e que só hoje os jornais brasileiros começam a divulgar) e, logo depois, o nosso texto postado na manhã de domingo, para constatar a má fé da mídia brasileira que omitiu o quanto pode fatos relevantes.
15-02-11
Crise Argentina-EUA
Eis o texto da Associated Press:
BUENOS AIRES – A Argentina acusou as Forças Armadas dos EUA de tentarem traficar armas e equipamentos de espionagem como se fossem para um treinamento policial. Washington se diz desconcertado pela forma com que Buenos Aires tratou do assunto. As autoridades argentinas informaram que confiscaram na semana passada quase 30 metros cúbicos de material não declarado às autoridades, que incluía metralhadoras, munições, aparelhos de GPS, medicamentos vencidos e equipamentos de espionagem.
A carga estava em um avião C-17 das Força Aérea americana que aterrissou na quinta-feira com material para um treinamento que uma equipe das Forças Especiais dos EUA daria à Polícia Federal da Argentina, depois de ter sido convidada pelo país sul-americano. “As leis argentinas devem ser cumpridas por todos, sem exceção”, disse o chanceler Héctor Timerman ao subsecretário americano de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela. Timerman disse que Buenos Aires apresentou um protesto formal aos EUA “porque o país não deu nenhuma satisfação” sobre o material em questão.
Em resposta, o subsecretário Valenzuela afirmou que “não houve nenhuma intenção de violar leis argentinas”. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, P. J. Crowley, disse que, com exceção de um número de série de um dos itens, todo o material restante importado foi declarado perante as autoridades argentinas e foi acordado que ele seria utilizado em um treinamento solicitado pela Argentina para resgate de reféns. Segundo Buenos Aires, todo o material será devolvido aos EUA.
14-02-11
Argentina e EUA enfrentam a maior crise diplomática em 30 anos
A mídia brasileira inteiramente desmoralizada, dada a evidência de sua total subordinação aos interesses estratégicos norte-americanos, não informa ou informa mal seus leitores sobre a atual crise diplomática entre a Argentina e os EUA, a maior dos últimos 30 anos.
As autoridades argentinas apreenderam, na semana passada, farto material “suspeito e camuflado” encontrado no interior de um avião militar americano, um C-17 Globmaster III, estacionado no Aeroporto de Ezeiza. Entre o material apreendido havia armas e drogas.
O Departamento de Estado, de forma dura, exigiu explicações, uma vez que o aparelho participava de uma operação oficial, previamente autorizada, relacionada com o treinamento de policiais locais. Entretanto, o chanceler argentino Héctor Timerman, não só não deu explicação nenhuma, como emitiu uma nota de protesto.
Os principais jornais argentinos atribuem o incidente a uma espécie de represália da presidenta Cristina Kirchner pelo fato de o presidente Obama ter ignorado a Argentina em seu giro pela América do Sul, previsto para o próximo mês, quando ele visitará apenas Brasil e Chile.
Mas a verdade é que as relações entre os dois países tornaram-se complicadas desde 1982, quando, na Guerra das Malvinas, Estados Unidos, ignorando tratados e compromissos na órbita da OEA, Organização dos Estados Americanos, posicionaram-se ostensivamente ao lado da Inglaterra, oferecendo, inclusive, ajuda material.
Na mesma ocasião, em sentido contrário, Brasil solidarizou-se totalmente com a Argentina, inaugurando, aí, uma nova fase no relacionamento entre os dois países.
Para agravar ainda mais o contraste, nesta segunda- feira, o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, assina em Buenos Aires com seu colega argentino, Arturo Puricelli, o “Acordo de Defesa Estratégica” entre os dois países. Esse acordo foi acertado pelas presidentas Cristina Kirchner e Dilma Rousseff, no início do mês.
06-02-11
Crise no Egito cancela Cúpula
América do Sul-Países Árabes
Como este blog antecipou sexta-feira (4), o encontro entre líderes dos países árabes e latino-americanos foi adiado devido aos protestos antigoverno no Egito e no Oriente Médio, informou ontem o secretário-geral adjunto da Liga Árabe, Ahmed Ben Helli.
Está sendo estudada uma nova data para a 3ª Cúpula América do Sul-Países Árabes (ASPA), que estava marcada para os dias 13 a 16 de fevereiro em Lima, Peru.
Na sexta-feira, o chanceler peruano, José Garcia Belaunde, informara que o ditador egípcio Mubarak avisara, há um mês, que não poderia comparecer “por motivos de saúde”. Ontem, porém, Belaunde confirmou o cancelamento da reunião.
A primeira cúpula da ASPA ocorreu em 2005 em Brasília, e a segunda foi realizada em Doha, em 2009.
O fórum reúne 22 países árabes e 12 nações sul-americanas em uma iniciativa do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
04-02-11
Crise : Cúpula América do Sul-Países Árabes,
marcada para dia 16 em Lima pode ser adiada
Este blog obteve informações junto ao gabinete de Marco Aurélio Garcia, Assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, dando conta de que o Itamaraty está fazendo consultas junto às chancelarias do Continente para estudar a possibilidade de adiamento do evento que reuniria os chefes de governo da América do Sul e dos países árabes.
O adiamento é considerado inevitável, já que é impossível garantir a participação de países já atingidos pela crise, como Egito, Tunísia, Jordânia e Iemen. E há ainda pelo menos quatro nações ameaçadas de ser alcançadas pela instabilidade política na região.
Além da ausência dos governantes há uma descomunal saia justa que poderá ser enfrentada quando os jornalistas encarregados da cobertura do evento começarem a fazer perguntas sobre Direitos Humanos e democratização.
O encontro foi projetado pelo Itamaraty durante o Governo Lula, dentro da linha diplomática que prioriza o Diálogo Sul-Sul.
29-01-11, atualizado em 31-01-11 e em o1-01-11
Mídia brasileira não vê a importância histórica do
encontro entre Dilma Rousseff e Cristina Kirchner
Não tem jeito: no histórico encontro de ontem, em Buenos Aires, Dilma Roussseff e Cristina Kirchner lançaram as bases da construção da União Sul-Americana através da consolidação do MERCOSUL e da UNASUL, União das Nações Sul-Americanas. Elas disseram isso com todas as letras e até homenagearam os ex-presidentes Néstor Kirchner e Lula que deram início a este movimento. No entanto, os grandes jornais e TVs não publicaram uma única linha.
Quase todos preferiam dar destaque ao encontro de Dilma com as Mães da Praça de Maio e assinaturas de acordos de cooperação na área nuclear. São temas importantes, mas não estão no centro da motivação que levou ao encontro das duas presidentas.
Curiosamente o Globo foi único jornalão que teve a percepção correta do evento. Ele destacou, embora sem muito entusiasmo, que o objetivo brasileiro e argentino é o de estabelecer uma aliança estratégica para a consolidação e expansão do MERCOSUL.
Na mesma linha, Míriam Leitão percebeu e assinalou a importância do fato simbólico de Dilma ter iniciado, pela Argentina, suas viagens internacionais.
Veja, abaixo, que desde ontem este blog denunciava como a mídia maliciosamente distorce o foco principal da questão. Ela faz isso, porque, apátrida, está atrelada aos inteesses estratágicos norte-americanos.
Texto de 31-01-11
Ao noticiar a primeira viagem da presidenta Dilma Rousseff ao exterior, os jornais brasileirosos destacam os tópicos cuja importância é óbvia, como o encontro com as Mães da Praça de Maio, o acordo na área nucelar a construção de uma hidrelétrica binacional no rio Uruguai.
Mas não dão o destaque necessário ao aspecto mais importante da visita: o de que Dilma e Cristina Kirchner anunciarão como prioridades de seu governos, a consolidação da integração continental, através do MERCOSUL e da UNASUL, União das Nações Sul-Americanas.
Um dos temas principais da visita é o acordo para desenhar um projeto conjunto que servirá para a construção de dois reatores destinados a testes científicos, que não serão empregados para fins militares, como anunciou o subsecretário para a América do Sul, América Central e o Caribe do Itamaraty, Antônio Simões.
Além disso, as governantes pretendem formalizar acordo para a construção, a partir de 2012, da hidrelétrica de Garabí, entre a província argentina de Corrientes e o Rio Grande do Sul, com capacidade para gerar 2,9 mil megawatts.
Dilma também se reunirá com representantes das “Mães da Praça de Maio”, movimento liderado por mulheres que perderam seus filhos e netos durantea ditadura militar na Argentina.
Veja, abaixo, a principal motivação da reunião entre as presidentas.
Texto de 29-01-11
Dilma e Cristina Kirchner lançarão
as bases da União Sul Americana
A mídia corrupta e sob as rédeas do Capital Financeiro global e apátrida, noticia pouco e com má vontade. Mas o fato concreto é que as presidentas Dilma Rousseff e Kirchner lançarão, segunda-feira em Buenos Aires, as bases da União Sul Americana ou a Pátria Grande, como a denominou originalmente Juan Perón. É um fato histórico de primeira grandeza.
A parte dos leitores confundidos ou a transformados em seres alienados por essa mídia continua, assim, sem perceber que a aliança estratégica que está sendo estabelecida entre Brasil e Argentina tem importância histórica equivalente ao pacto estabelecido por França e Alemanha (dois tradicionais inimigos) que abriu caminho para a construção da atual e poderosa União Européia.
Argentina e Brasil não tem um histórico de inimizades, mais havia uma rivalidade (hoje totalmente superada) que tolhia as iniciativas na direção de uma cooperação franca.
A própria presidenta Dilma assinalou ontem em Porto Alegre que decidiu iniciar pela Argentina suas viagens ao exterior, para marcar bem a importância estratégica dessa aliança entre os dois países que lideram o projeto de integração continental.
No próximo dia 16, a presidenta manterá uma longa reunião de trabalho com o presidente Hugo Chávez em Lima. Eles estarão participando ali, da Cúpula América do Sul-Países Árabes. A aliança Brasil-Argentina complementa-se ao Norte, a estreita cooperação com a Venezuela. Na verdade, o eixo Buenos Aires-Brasília-Caracas é a espinha dorsal da União Sul Americana.
“O País dava as costas para a Argentina e voltava-se para a Europa e os Estados Unidos. Hoje, sem dar as costas para a Europa e aos Estados Unidos, temos que perceber o fortalecimento da região e, aí, o Brasil e a Argentina precisam ter esse compromisso, que é o de quem assume a liderança no quadro regional”, afirmou a presidenta, ontem em Porto Alegre.
A matéria abaixo complementa o raciocínio desta.
26-01-11
Se Dilma não vai a Obama, Obama vai à Dilma
Só a mídia brasileira, boçalizada pelo despeito , pela alienação e por sua dependência umbilical ao Capital Financeiro sem pátria, não consegue ver o que está à vista de todos: o Brasil é hoje um dos principais protagonistas da cena mundial. E o relacionamento com Brasília tornou-se prioridade para diplomacia de Washington. É sob esse signo que Obama vem nos visitar.
Foi meio complicando acertar essa agenda. No início, Obama queria que Dilma fosse à Casa Branca em janeiro ou fevereiro. Mas ela preferiu sinalizar que sua prioridade é o MERCOSUL. Então, iniciará suas viagens internacionais pela Argentina e Uruguai, agora no fim do mês. Depois irá ao Peru, onde participa da Cúpula da América do Sul-Países Árabes. E agendou uma reunião com Hugo Chávez, aproveitando que ambos estarão em Lima.
Obama, esperto e simpático, se fez de desentendido e, como havia um convite anterior (do Lula) para que visitasse o Brasil, propôs que viagem fosse marcada logo, para março.
O presidente desembarcará em Brasília com uma comitiva que deve reunir ministros, assessores e empresários. Do lado brasileiro, Dilma também estará acompanhada de assessores. A comitiva norte-americana inclui representantes do Tesouro, do Departamento de Estado (o equivalente ao Ministério das Relações Exteriores) e autoridades das áreas de segurança nacional, energia e meio ambiente.
Perda de espaço
Uma das preocupações nos Estados Unidos, segundo assessores de Obama, é que os investidores norte-americanos estão perdendo espaço para os chineses no Brasil. Atualmente a China é o principal parceiro comercial do Brasil. A perda de espaço comercial é um elemento novo nas relações entre os dois países, pois os norte-americanos durante anos foram os primeiros investidores no Brasil.
Dilma pretendia ir aos Estados Unidos em março, mas houve uma mudança na agenda e Obama, que preferiu vir ao Brasil.. A agenda do encontro ainda está sendo fechada, assim como não há uma definição de datas, mas a ideia é que as reuniões ocorram na segunda quinzena de março.
Tensão
A visita de Obama ao Brasil vai ocorrer depois de um período de tensão entre os dois países durante os últimos dois anos do governo do presidente Lula.
Os pontos de atrito envolveram diversos temas, como um acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia, que permitiu aos americanos utilizar bases em território colombiano, e a crise provocada pela deposição do presidente de Honduras, Manuel Zelaya.
As divergências foram aprofundadas com a aproximação de Lula com o governo do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.
No ano passado, o Brasil não apoiou a aplicação de uma quarta rodada de sanções da ONU contra o programa nuclear iraniano, aprovada pelo Conselho de Segurança em junho.
Pouco antes da aprovação, o Brasil havia obtido, ao lado da Turquia, um acordo com o governo iraniano para tentar solucionar a questão nuclear por meio do diálogo e evitar as sanções, mas a proposta foi rejeitada pelos Estados Unidos.
Diante da tensão entre os dois países, a aguardada visita de Obama ao Brasil foi adiada várias vezes.
Palhaço ou Guru?
A mídia brasileira não explica nada disso, porque ela reluta em reconhecer a importância que o Brasil assumiu no cenário mundial. E não admite que a antiga hegemonia continetal norte-americana foi substituída, pelo menos na América do Sul, pela liderança natural do nosso País.
Eu sempre disse neste blog que Jabor e é uma espécie de Bobo da Corte Global. Mas preciso corrigir isso.
Tudo o que ele verbaliza, às vezes com certa graça, mas sempre de forma superficial, leviana, preconceituosa e odienta, é a síntese perfeita do velho complexo de vira lata que, por sua vez, sintetiza o cume do que pensam os donos dos principais jornais brasileiros.
Quanto a Obama, ele é um cara simpático, bem intencionado. Talvez seja até um bom profeta. Como Maomé, se a montanha não vai a ele, ele não discute nem pragueja: vai à montanha.
23-01-10
Prioridade do Itamaraty: atrair a Colômbia para o MERCOSUL
Depois de consolidar, já nos primeiros meses do ano, o eixo Argentina-Brasil-Venezuela, a espinha dorsal que faz o MERCOSUL se tornar irreversível, a prioridade da diplomacia brasileira neste ano é a de atrair a Colômbia, para este grande mercado comum.
Até o ano passado, a Colômbia era considera um estorvo à ampliação do MERCOSUL e uma cunha estratégica fincada no Continente pelo Departamento de Estado norte-americano. A idéia era evitar que o nosso mercado comum ganhasse um volume (massa crítica) exponencial que o transformará num dos quatro maiores pólos econômicos e políticos do Planeta. Geograficamente Colômbia também é essencial para dar continuidade territorial aos mercados do Norte, do Sul e o Andino.
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, mantinha realmente uma política de alinhamento automático com os interesses estratégicos dos EUA. Política esta que culminou com a cessão do território de seu país, para a instalação de bases militares americanas.
Entretanto, tudo mudou com a posse de Juan Manuel Santos, no final do ano passado. Embora apoiado por Uribe, ele imediatamente após assumir o governo emitiu sinais de que pretendia se aproximar do Brasil e, com o discreto apoio do Itamaraty, restabeleceu o diálogo com Hugo Chávez, que seu antecessor havia interrompido.
Nesta semana, segundo revelou a este blog fonte ligada a Marco Aurélio Garcia, Assessor de Relações Internacionais da Presidência, Santos indicou sua disposição de iniciar imediatamente as negociações para o ingresso da Colômbia no MERCOSUL.
Esta é uma inflexão importantíssima na política externa colombina que até agora estava mais próxima dos EUA. Há cinco anos, Uribe e Bush assinara o Tratado de Livre Comércio entre seus países, uma forma que os norte-americanos encontraram para tentar conter a expansão do MERCOSUL.
Entretanto, até hoje o tratado ainda não foi aprovado pelo Congresso dos EUA que sofre fortes pressões de lobbies de sindicatos de trabalhados e de corporações industriais, bem como de organizações voltadas para a defesa dos Direitos Humanos.
Quando esteve em Brasília, para a posse de Dilma Rousseff, Juan Manuel Santos insistiu muito para que ela visitasse a Colômbia ainda neste primeiro semestre. E esta viagem da presidenta, segundo Marco Aurélio Garcia, já foi confirmada.
A Colômbia possui a segunda maior população do Continente (48 milhões) e um território equivalente ao dos Estados de Minas, São Paulo e Paraná juntos. Sua economia está mais ou menos no mesmo nível do da Venezuela, com a vantagem, porém, de não depender de um só produto (os venezuelanos dependem essencialmente do petróleo) e de possuir uma indústria e uma agricultura bem mais desenvolvidas.
Não deixe de ler a matéria logo abaixo. Ela complementa informações desta.
12-01-11
O que muda, com Dilma, na nossa política externa
Primeiro a presidente se reunirá com Cristina Kirchner e Hugo Chávez. Habilmente, o Itamaraty empurrou o encontrro com Obama para fevereiro.
Lula queria ser cidadão do Mundo, projetar o Brasil, angariar simpatias entre os excluídos e historicamente estigmatizados e humilhados. Conseguiu tudo isso ou quase tudo. Para ele, a África, os palestinos e a comunidade muçulmana de um modo geral eram como um grande Nordeste.
Dilma é um bocado diferente. Retraída, pragmática, objetiva, ela ficará muito menos exposta aos refletores. Mas, na essência, a política externa continua na mesma linha. A diferença, talvez, é que ela se dedicará ainda mais, com mais objetividade, ao fortalecimento do MERCOSUL e da União Sul-Americana.
Como temos dito neste blog, o eixo Buenos Aires – Brasília – Caracas é fundamental para a efetiva união da América do Sul, nos moldes da União Européia. Isto não é muito percebido pelo grande público, porque a mídia, alinhada automaticamente com os interesses estratégicos dos EUA, sempre boicotou ou menosprezou o projeto de União Sul-Americana.
Agora, entretanto, como é impossível brigar eternamente com a notícia, nosso principais jornais “descobriram” e foram obrigados a informar que a prioridade absoluta de Dilma, nas relações externas, é exatamente a da antes ignorada união dos países sul-amerianos.
Veja abaixo, uma sinopse do noticiário dos jornais sobre este tema:
A presidente Dilma Rousseff e o líder venezuelano, Hugo Chávez, terão um encontro bilateral em 16 de fevereiro no Peru para programar uma visita oficial da governante brasileira à Venezuela. (terça-feira)
Dilma recebeu nesta terça-feira um telefonema de Chávez e, durante a conversa de dez minutos, os dois líderes concordaram em se reunir no marco da Cúpula América do Sul e Países Árabes (Aspa), que será realizada na capital peruana no dia 16 de fevereiro. A conversa foi acompanhada pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e pelo assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia.
Após uma reunião com Patriota, a presidente definiu nesta terça-feira que viajará para Buenos Aires no próximo dia 30 e, um dia depois, se reunirá com a líder argentina, Cristina Kirchner.
Depois da visita à Argentina, Dilma viajará ao Uruguai e se reunirá ainda no dia 31 de janeiro com o presidente do Uruguai, José Mujica
Em visita Buenos Aires no início da semana, o chanceler brasileiro Antônio Patriota reuniu-se com a presidenta Cristina Kirchner e com o chanceler argentino Héctor Timerman, como parte dos preparativos para a viagem de Dilma Roussseff ao país. Os dois chanceleres declararam que “embora assuntos específicos devam ser tratados, o importante é olhar o quadro mais amplo que aponta para a colaboração estratégica entre as duas nações, com vistas à integração continental”.
A matéria abaixo acrescenta outras informações a este mesmo tema.
10-01-11
Dilma na Argentina, Lula na Venezuela, costurando a Pátria Grande
Este fim de semana o ex-presidente Lula ligou para seu amigo Hugo Chávez. Combinaram, então, que ele passará alguns dias descansando na Venezuela e, evidentemente, discutindo com seu parceiro, o projeto de União da América do Sul.
Ao mesmo tempo, Dilma Rousseff ultima os preparativos para sua viagem à Argentina, no fim no mês. Ela fez questão que esta fosse sua primeira viagem ao exterior, para assinalar o fortalecimento do MERCOSUL e da união continental são a prioridade absoluta de sua política externa.
De tanto tentar esconder, de tanto tentar denegrir ou ridicularizar a política externa brasileira a mídia perdeu sua capacidade de informação e avaliação. Há meses, este blog vem dizendo que a prioridade da presidente Dilma, assim como foi do presidente Lula, é a consolidação do projeto de integração da América do Sul, através do MERCODUL e da UNASUL, União das nas Nações Sul-Americanas, reproduzindo o modelo da União Européia.
Só agora os jornalões imbecilizados pela própria faina de tentar imbecilizar nossa incauta classe média, descobriram que o eixo central de nossas política externa passa pela relação íntima com a Argentina e a Venezuela que constituem, assim, junto como Brasil, a espinha dorsal da União Sul-Americana.
Isso pelo fato de que estes três países, em conjunto, reúnem uma massa crítica suficiente para tonar irreversível o processo de integração continental.
Habituada a racionar em obediência ao alinhamento automático com o Departamento de Estado e os interesses estratégicos dos EUA, nossa imprensa não percebe ou finge não perceber que como ingresso da Venezuela, o MERCOSUL adquire um Produto Bruto igual ou superior ao da Alemanha. Ou seja, torna-se a quarta potência mundial.
E a isso acrescente-se que bloco é auto suficiente em tipo de energia, bem como em proteínas animal e vegetal. Nenhuma outra potência desfruta dessa situação privilegiada.
Tudo isto está em andamento, mas a mídia não noticia uma única linha. Então fica parecendo que são meros sonhos de alguns poucos idealistas. Entretanto, os grandes jornais já não conseguem ocultar que nossa parceria comercial com o MERCOSUL, considerados apenas Argentina, Uruguai e Paraguai, já é superior ao nosso é comércio com os EUA e quase equivalente ao que mantemos com a Europa. Havendo ainda a vantagem de que, para nossos vizinhos vendemos principalmente produtos industrializados.
Na matéria abaixo há mais informações sobre o emsmo tema.
03-01-11
Dilma escolhe Argentina para sua primeira
viagem: MERCOSUL é a grande prioridade
O Itamaraty confirmou, ontem, que a primeira viagem internacional de Dilma Rousseff será para a Argentina, já agora, na segunda quinzena deste mês. Esta é uma noticia que este blog antecipou para seus leitores há três semanas.
E informamos, então, que o fortalecimento do MERCOSUL e da União Sul-Americana via UNASUL, constituem a prioridade absoluta do novo governo brasileiro. Em Buenos Aires, esta é outra antecipação, Dilma visitará o túmulo de Néstor Kirchner, para as devidas homenagens.
O marido de presidenta Cristina Kirchner, falecido há dois meses, é hoje o maior mito da política argentina, depois evidentemente, de Juan Perón. E ambos são símbolos da integração sul-americana.
A mídia brasileira não informa nada disso, pela boa razão de que, obediente aos interesses estratégicos (permanentes) dos Estados Unidos, ela menospreza o MERCOSUL, reduz sua importância e tenta ignorar a UNASUL É uma atitude criminosa que um dia será reparada.
Por seu lado, Cristina Kirchner tem todo o interesse e manter os laços estreitos Brasil/Argentina, que foraram fortalecidos por Lula e Néstor. Ela não veio à posse de Dilma, primeiro, por razões pessoais. Exausta, preferiu passar as festas de fim de ano em sua terra natal, Rio Gallegos, no Extremo Sul da Argentina. Mas pesou também nessa decisão, sua vontade de dar destaque ao seu primeiro encontro com Dilma. Se viesse à Brasília, seria apenas mais uma na fila.
Entretanto, ela sabe que a Argentina só tem a perder afastando-se do Brasil. E, candidatíssima à reeleição no pleito de novembro próximo, não desprezará qualquer oportunidade para inflar a imagem do falecido marido. Na verdade, Néstor era o candidato , considerado imbatível, à eleição presidencial.
Para confirmar tudo isso, ficam aqui as palavras do novo chanceler brasileiro, Antônio Patriota, em seu discurso de posse:
“ O destino comum dos países sul-americanos exige o conhecimento melhor da História, da demografia, do potencial econômico e da cultura uns dos outros – da Terra do Fogo à Ilha de Margarita”.
26-12-10
Venezuela está em marcha batida para o socialismo, mas mídia
continua achando que Chávez é apenas um palhaço demagogo
Há meses estamos informando aos leitores deste blog que o processo revolucionário na Venezuela é irreversível. Desde a alteração do alto escalão do governo, em janeiro deste ano, com a posse do no novo vice-presidente Elias Jaua e do ministro da Defesa, general Carlos Mata, estabeleceu-se um cronograma para consumar a revolução socialista irreversível, até o final do mandato do presidente Hugo Chávez , em 2012.
O movimento crucial, entretanto, foi executado na semana passada, quando Chávez obteve da Assembléia Nacional poderes para governar por decreto, a Lei Habilitante, nos próximos 18 meses ou seja até o final de seu mandato, passando evidentemente, pelas eleições presidenciais.
Com esse poderes ele acelerará as desapropriações de terras, bem como na área de infra-estrutura e no Setor Financeiro.
Sobre o posicionamento ideológico do chefe das Forças Armadas, general Mata, basta reproduzir esta frase de seu discurso de posse: “ Não nos submetemos ao Imperialismo e nossa Revolução Socialista é irreversível”.
Quanto ao jovem vice-presidente Jaua, sociólogo considerado um dos principais ideólogos Revolução, vale a pena apresentar uma resenha de suas recentes declarações à BBC-Brasil e a jornais americanos e europeus:
. Há uma política contínua de desenvolvimento que inclui as nacionalizações e o governo está na obrigação de cumprir com isso. Não temos nenhuma intenção de estatizar toda a economia, como nos acusa a oposição. Defendemos um modelo econômico misto, no qual os recursos estratégicos, como petróleo, telecomunicações, siderúrgica, eletricidade, alimentação, água, bancos, devem ter o controle do Estado. O restante deve estar sob controle privado. Não queremos e não podemos assumir o controle de toda a economia.
. As comunas (organizações municipais com vistas ao auto-governo) serão financiadas diretamente pelo Executivo. Sempre será o Executivo quem transferirá os recursos. O autogoverno não se trata do desmantelamento do Estado nacional. Mas a legislação agora prevê que a transferência de recursos aos conselhos comunais já não depende da vontade do governo e sim de um mandado da Constituição. A autonomia dependerá da conscientização das comunidades.
. Defendemos um modelo econômico misto, no qual os recursos estratégicos, como petróleo, telecomunicações, siderúrgica, eletricidade, alimentação, água, bancos, devem ter o controle do Estado. O restante deve estar sob controle privado. Não queremos e não podemos assumir o controle de toda a economia.
É isso ai: A mídia brasileira de tanto tratar seus leitores de classe média como crianças manipuláveis acabou, num ato reflexo, perdendo, ela própria, o contato com a realidade. E já nãovê que Hugo Chávez, tratado por ela como um ditador trapalhão e boquirroto, está empreendendo uma revolução socialista, sem romper de forma abrupta com a legalidade da democrática burguesa.
Do mesmo modo, as esquerdas brasileiras, como que ainda paralisadas pelo choque da implosão da União Soviética, ainda não se deteve de forma objetiva e articulada para analisara experiência venezuelana em toda a sua extensão e conseqüências.
17-12-10 atualizado em 18-12-10
O legado de Lula
O presidente brasileiro despediu-se ontem da Cúpula do MERCOSUL, deixando o fato consumado da integração Continental. Ainda ontem, foram aprovadas cláusulas que permitem o ingresso Cuba na organização.
Em seu último pronunciamento, Lula rejeitou a indicação feita por Evo Morales para que seja candidato à presidência da ONU e informou (como este blog vem anteciando há semanas) que dedicará a maior parte de seu tempo de ex-presidente percorrendo a a América do Sul, para consolidar a união continetal, através do MERCOSUL e da UNASUL, União das Nações Sul-Americanas.
Texto de 17-12:
Vitor Hugo disse certa vez (e se não disse deveria ter dito) que não há nada mais poderoso do que uma idéia que amadurece na hora certa. Cegos pelo rancor, o tucanos e sua mídia apátrida não percebem que a integração regional ou mesmo continental é algo inevitável.
Mais além da vontade, é uma necessidade de todas as nações, no Mundo globalizado e de capitalismo que atingiu o seu cume tecnológico. E que, por isso mesmo, entra em estado de desagregação.
Isto tudo para dizer que os medíocres não vêem, os mal intencionados fingem não ver e os estadistas não só vêem, como implementam estas idéias maduras e necessárias. Lula viu e implementou a idéia de integração da América do Sul. Por isso ele é muito mais estadista do que seus antecessores diplomados.
Só uma anta má intencionada não vê a importância não só do MERCOSUL como da União Sul- Americana (UNASUL) da qual ele é embrião. O comércio do Brasil com seus parceiros e visinhos já tem magnitude igual a de nossas transações com Europa, China e Estados Unidos, com a vantagem de que aqui exportamos produtos industriais e para os parceiros mais fortes, principalmente matérias primas.
É evidente, por igual, que quando fala por um continente inteiro, o Brasil é muito mais respeitado. E não há dúvida de que nossa liderança continental se dá de forma harmônica e natural, sem imposições ou truculências, graças à habilidade do Itamaraty.
Com a inclusão da Venezuela, o Mercosul consolida-se como uma potência econômica com produto bruto superior ao da França. Entretanto, quando a união continental se completar através da UNASUL, seremos 400 milhões de habitantes, uma das quatro maiores potências mundiais e a líder absoluta na produção de proteínas animal e vegetal, das quais o resto do Planeta depende absolutamente.
E isto não é sonho, é projeto a alcance da mão que, felizmente, já está em curso. A parte alienada de nossa classe média não é informada sobre isso. A mídia não lhe dá acesso a essas informações elementares. E faz assim, porque está articulada com os interesses estratégicos (permanentes) dos Estados Unidos que são antagônicos aos interesses vitais brasileiros.
Isto porque, manter este segmento médio e medíocre da sociedade brasileira em sua santa e preconceituosa ignorância, é exatamente a função da grande imprensa. Para isso, profissionais como Jabor, Augusto Nunes e Heródoto Barbeiro, por exemplo, empregam diariamente sua capacidade de trabalho e seu talento.
Ontem (quinta-feira) e hoje, em Foz do Iguaçu, Lula está-se despendido (ele exercia a presidência rotativa) do MERCOSUL e de seus companheiros desta viagem com roteiro e final felizes: a construção da Integração Sul-Americanas.
Esse grande salto na História só foi possível porque houve uma perfeita sintonia entre Lula e seu colega Néstor Kirchner, recém falecido. Assim como jamais teria sido consumada a União Européia, enquanto França e Alemanha não acertassem seus ponteiros, a União Sul-Americana só está tornando-se realidade, porque Brasil e Argentina se entenderam.
Para concluir: ontem, os integrantes da Cúpula do Mercosul aprovaram cláusula e medidas práticas que permitem a Cuba ingressar no Mercosul como “Estado associado”, o mesmo status atual da Bolívia e do Chile. É o primeiro passo para que, no futuro, quando e se houver interesse ou lógica política, a Ilha possa entrar na organização como membro pleno.
E isso poderia representar não só a redenção econômica de Havana, como a neutralização do sórdido e ilógico boicote econômico que os EUA mantém, há sessenta anos, contra Cuba, por puro capricho arrogante dos poderosos.
6-12-10
Argentina acompanha Brasil
e reconhece Estado Palestino
Três dias após anuncio similar feito pelo Brasil, a presidente Cristina Kirchner decidiu reconhecer o Estado Palestino com base no território que ocupava antes da Guerra de 1967 e hoje controlado por Israel. O informe lido ontem pelo chanceler argentino, Héctor Timerman, de origem judaica, estourou como uma bomba nas embaixadas argentinas dos Estados Unidos e de Israel. Ambas manifestaram estranheza e insatisfação com a nova posição de Buenos Aires.
O mais importante, porém, é notar a total afinidade e concatenação entre as posições da Argentina e do Brasil. E é preciso lembrar que o Uruguai e o Paraguai já declararam informalmente que seguirão o mesmo caminho. Como Venezuela, Equador e Bolívia já haviam adotado essa posição, fica exposto o isolamento da diplomacia norte-americana na América do Sul.
A mídia brasileira, como sempre, oculta tudo isso de seus leitores. Pela boa razão de que ela torce contra. Entre os interesses estratégicos, permanentes, do Brasil e os dos Estados Unidos, ela elege a segunda opção. E a explicação é igualmente simples: os principais jornais, revistas e Tvs brasileiros, comem na mão do Capital Financeiro globalizado. Capital este que tem seu epicentro na América do Norte.
Entretanto, é impossível não ver o sucesso da política externa brasileira nos últimos oito anos, o que permitiu ao País assumir a liderança natural e espontânea da América do Sul. E isso fez com que a tradicional hegemonia norte-americana abrangendo as três Américas, deixasse de valer, pelo menos em termos sul-americanos.
Leia mais sobre o mesmo tema na coluna logo abaixo.
04-12-10 atualizado em 05-12-10
Relações Brasil/EUA atingem seu pior
nível e com Dilma não vão melhorar
A presidenta Cristina Kirchner quis transformar a cerimônia de encerramento da Cúpula Ibero Americana ontem à noite, no balneário argentino de Mar del Plata, numa emocionada dupla homenagem a seu marido Néstor – falecido há um mês – e ao presidente Lula que deixará o cargo dentro de 25 dias.
Por esta razão principal, não foi votada durante a Cúpula, a anunciada moção de censura contra os Estados Unidos pelo fato de manterem, há quase sessenta anos, o bloqueio econômico contra Cuba.
Este esclarecimento é necessário para que não se invalide toda a linha de raciocínio do texto abaixo e que foi escrito ontem, dia 4, pela manhã.
Texto do dia 4
O anúncio feito pelo Itamaraty de que o Brasil reconhece o Estado Palestino com as fronteiras de 1967, é mais um tapa diplomático que damos em nossos ex-aliados norte-americanos. Outro poderá ser dado ainda hoje, na reunião da Cúpula Ibero Americana em curso na Argentina (Mar del Plata), quando votaremos a favor de uma moção de censura aos Estados Unidos por manterem, há cinquenta anos, boicote econômico contra Cuba.
Mas não fica só nisso: ainda em Mar del Plata, o Brasil fará declaração de solidariedade à Argentina em sua luta pela reconquista das Ilhas Malvinas. Os americanos querem que elas permaneçam com a Grã Bretanha. americano.
Tudo isso junto e misturado demonstra que durante o governo Lula houve não só um afastamento da velha política – tão cara aos tucanos e sua mídia apátrida, de alinhamento automático com os EUA -, como uma tomada de posição francamente opositora.
Na verdade, nos últimos oito anos, o Brasil capitaneou e venceu uma batalha diplomática destinada a contestar e a barrar a hegemonia norte-americana no Continente e, muito especialmente na América do Sul. Reparem que ninguém fala mais na ALCA, o projeto americano de implantação de um mercado comum abrangendo as três Américas. Hoje só se fala em MERCOSUL.
Com Dilma, as diferenças se aprofundarão
E, não há dúvidas de que Dilma Rousseff prosseguirá no mesmo rumo traçado por Lula. Prova disso é a escolha de seu chanceler, o embaixador Antônio Patriota, atual secretário-geral do Itamaraty.Neste posto, ele não só ajudou a formular, como deu retaguarda para o desenvolvimento de nossa política externa, a mais independente desde João Goulart.
Tanto em pronunciamentos como em documentos internos, Patriota tem defendido a noção de que os EUA fracassaram em sua tentativa de conduzir unilateralmente os destinos da humanidade e que abre-se, agora, uma era de “multipolaridade”, onde o Brasil, bem como a China, a Índia e a África do Sul, desempenhará um papel cada vez mais importante. E assinala que, do ponto de vista brasileiro, não há mais por que priorizar o obsoleto diálogo Norte-Sul a ser substituído pelos diálogos Leste-Oeste e Sul-Sul.
Na maioria dos países, e principalmente nos Estados Unidos, os presidentes agem muito em função da opinião pública interna. Isto explica a teimosia da Casa Branca em dar sustentação à política racista e expansionista de Israel, que historicamente é insustentável e comove todo o Mudo Islâmico. Mas, para o que nos interessa mais de perto, é preciso notar que a mídia e muitos congressistas americanos, tanto republicanos quanto democratas, já estão vendo o Brasil não apenas como um aliado rebelde, mas como um adversário potencialmente perigoso.
Se for assim, nos próximos anos, assistiremos a atual retórica do Departamento de Estado em relação ao Brasil – onde predominam os afagos pacientes -, ser substituída por advertências é críticas camufladas pela ironia diplomática. Ainda outro dia, um assessor da secretária de Estado Hillary Clinton deixou escapar que “o Brasil está abrindo espaço na cena mundial, a cotoveladas”.
27-11-10
Lula quer eleger Amorim para Secretaria Geral da UNASUL
Para Relações Exteriores deve ser escolhido Antônio Patriota
A reunião da UNASUL (União das Nações Sul-Americanas) encerrada ontem, em Georgetown (Guiana), adiou a eleição de seu Secretario Geral, o que deverá ocorrer, em janeiro próximo. O presidente Lula defendeu esse adiamento com o objetivo de indicar, posteriormente, o chanceler Celso Amorim para o cargo. Cargo este que foi ocupado por Néstor Kirchner, nos últimos dois anos, até seu falecimento, há um mês.
Os presidentes Hugo Chávez e Cristina Kirchner queriam que ele fosse o secretário geral, mas Lula declinou e, imediatamente começou a fazer campanha para Amorim. Nada disso pode ser feito em público, porque oficialmente Dilma Rousseff ainda não decidiu quem será o seu chanceler.
Se Lula lançasse agora seu nome, isto seria um indicativo de que Amorim não continuará à frente do Ministério das Relações Exteriores. Mas não deve continuar mesmo. Será substituído, muito provavelmente, por seu braço direito, Antônio Patriota, atual secretário geral do Itamaraty.
Ex-embaixador brasileiro em Washington, Patriota ganhou o reconhecimento de Dilma, ao ser seu cicerone durante suas visitas aos EUA quando ainda era chefe da Casa Civil e, depois, como candidata.
Ontem, a presidente confirmou que Marco Aurélio Garcia, “o amigo de Chávez” está confirmado no cargo, que já exerce, de Assessor Especial da Presidência para Assuntos Internacionais.
A Aliança Sul-Americana
Assim, com a manutenção de Garcia e as prováveis indicações de Amorim para a UNASUL e Patriota para o Itamaraty, consolida-se a estrutura básica da política externa de Dilma que, assim como de Lula, terá como prioridade a aliança estratégica com a Argentina e a Venezuela.
Aliança essa que constitui a coluna principal da União Sul-Americana, assim como, independente da coloração ideológica, a União Européia, só se viabilizou quando França e Alemanha, dois tradicionais inimigos, concretizaram, uma aliança estratégica.
Aqui, enquanto Argentina, Brasil e Venezuela agiram de comum acordo, como num eixo, estará garantida a unidade de todo o Continente.Mesmo países mais próximos dos EUA, como Peru e Colômbia tendem a se aproximar. Isto aliás, já está acontecendo em relação à Colômbia, cujo presidente recém eleito, Juan Manuel Santos, mantém um franco entendimento com Lula e iniciou diálogos com Chaves e até mesmo com Rafael Correa, presidente do Equador, ambos tratados como inimigos por seu antecessor, Álvaro Uribe.
Confirmando tudo isso na prática, Dilma Rousseff solicitou (na verdade comunicou) o adiamento de uma reunião com Barack Obama, na Casa Branca, que estava sendo agendada para o próximo dia 17. Ela preferiu comparecer, embora não fosse oficialmente necessário, à reunião dos presidentes do MERCOSUL, marcada para o dia 16 em Foz do Iguaçu.
A mídia brasileira subordinada, via Capital Financeiro, aos interesse estratégicos (permanentes) dos Estados Unidos, não informa nada disso. Ou noticia de maneira truncada e tendenciosa. Ela omite, sempre que pode, o noticiário sobre a UNASUL e quando menciona esta organização, o faz de forma distorcida ou pejorativa. No entanto, a consolidação e a criação desta entidade foi um dos maiores feitos da diplomacia brasileira.
Para concluir, um pequeno dado que a mídia, uma vez mais, faz questão de omitir: o MERCOSUL (embrião da UNASUL), já é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, só superado por China e União Européia. Os EUA passaram para o quarto lugar. E com o detalhe de que, enquanto para os outros parceiros somos principalmente fornecedores de matérias primas, para o MERCOSUL exportamos produtos industrializados.
25-11-10 atualizado em 29-11-10
Jatos franceses e nacionalismo
de última hora salvaram Jobim
Desejo do presidente Lula, a pemancência de Jobim à frente do Ministério da Defesa foi intemediada por Antônio Palocci. Tudo ficou acertado, quando o atual ministro concodou com o desmembramento da Secretaria de Aviação Civil (Aeroportos) que ficará subordinada à Presidência, com status de ministério.
Há uma semana informamos neste blog que Nelson Jobim deveria ser confirmado como ministro da Defesa de Dilma Rousseff, em função de seus recentes pronunciamentos contra a hegemonia norte-americana e por sua atuação no imbróglio da compra dos jatos franceses Rafale que finalmente foram confirmados. Nesse casso, Jobim manobrou com habilidade, levando a um desfecho satisfatório, ou seja, aquele que o presidente Lula desejava.
Ontem, dirigentes do PT e do PMDB davam como certa a permanência de Jobim, tanto que discutiam se sua nomeação seria ou não contabilizada na cota de ministros do principal partido aliado. Os peemedebistas queriam incluir o Ministério da Defesa na cota da Presidência, mas acabaram cedendo.
No inicio deste mês, em palestra para oficiais das três armas, no Rio, Jobim fez um surpreendente e forte pronunciamento anti-americano, enaltecendo a união sul-americana e usando até alguns argumentos semelhantes aos de Hugo Chávez. A palestra, obviamente, foi quase ignorada pela mídia, mas rendeu os frutos que o palestrante almejava.
No caso dos jatos Rafale, muito mais caros do que os concorrentes americanos e suecos, ele usou o argumento de que não se trata de uma compra isolada, mas de um acordo muito mais amplo que inclui transferências de tecnologias não só para a Aeronáutica, como para a Marinha do Brasil (submarinos convencionais e atômicos).
A matéria logo aí abaixo complementa as infomações desta que você acaba de ler.
21-11-10
Negócio fechado: Brasil fica com os jatos franceses
O presidente Lula vai anunciar na segunda semana de dezembro, a comprados dos 36 jatos franceses Rafale, numa operação que poderá ser ampliada e que tem um custo inicial de 6 bilhões dólares.
A explicação para a escolha dos produtos vendidos pessoalmente por Nicolas Sarkozy a Lula, apesar de serem bem mais caros do que os similares norte-americano e sueco, é a de que não estamos comprando apenas os aparelhos, mas todo um pacote tecnológico que será 100% transferido num prazo entre 10 e 15 anos.
Na mesma ocasião, será anunciada a compra pela França, através da Dassault, fabricante do Rafale, de 12 cargueiros KC-390 desenvolvidos pela Embraer. Com eles, a empresa brasileira pretende concorrer em um mercado atualmente dominado pelo norte-americano Hércules. Há 400 deles em operação pelo Mundo, sendo que sua média de idade é superior a vinte anos.
A Aliança Estratégica
O que a mídia brasileira, vinculada aos interesses estratégicos norte-americanos, não informa é que a compra dos Rafale (que ela tanto critica) está embutida na aliança estratégica selada por Lula e Sarkozy, com um viés francamente nacionalista e anti-americano.
Nesta aliança que contempla o ostensivo apoio francês à liderança do Brasil na América do Sul, fica expressa, por outro lado, a aceitação brasileira, em caráter definitivo, do atual status da Guina Francesa, como parte integrante do território francês, na categoria de Departamento. Além disso, no terreno econômico e prático, há todo um elenco de acordos bilaterais, para a facilitação de trocas comerciais e transferências de tecnologias.
O mais importante desses acordos é o relacionado com a renovação da frota de submarinos da nossa Marinha e a construção do seu primeiro exemplar atômico.
A Marinha do Brasil está planejando uma formidável frota de seis submarinos nucleares e mais 20 convencionais, 15 novos e cinco revitalizados. Com seus torpedos e mísseis, será a mais poderosa força dissuasória do Continente.
O programa, de longo prazo, só será concluído em 2047 e o custo estimado de cada navio de propulsão atômica é de 550 milhões de euros. O primeiro deles, incluído no ProSub, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos, já em andamento, sairá por € 2 bilhões, valor composto pelos custos de transferência de tecnologia por parte do estaleiro francês DCNS. As outras unidades serão cotadas apenas pelo preço de construção e estarão sendo produzidas no novo estaleiro de Itaguaí, no litoral fluminense.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita as obras desse estaleiro em dezembro, quando, provavelmente, anunciará a compra dos aviões franceses. A estratégia do presidente é a de anunciar todo o pacote já nas proximidades das festas de fim ano (no apagar das luzes), na expectativa de ser poupado pela metralha midiática. De qualquer forma, será menos um problema para Dilma Roussef resolver.
08-11-10
Lula sugere e Dilma vai ao encontro de Cristina Kirchner
Não há data marcada, mas uma visita a Cristina Kerchner, que acaba de enviuvar é prioridade absoluta no roteiro de viagens intencionais da presidente DilmaRousseff. Tanto ela como o presidente têm plena consciência de que nenhum relação brasileira com qualquer outro país e tão estratégica como a que mantemos com a Argentina.
Desde que, há oito anos o Itamaraty elegeu o fortalecimento do MERCOSUL e a integração sul-americana como coluna mestra da diplomacia nacional, a máxima mais ouvida entre os principais dirigentes da Casa é a de que a Europa só conseguiu se unir, depois que França e Alemanha se entenderam, após séculos de sangrentas disputas. Por igual,
a União Sul-Americana seria impensável sem uma aliança entre o Brasil e a Argentina.
Em política, o sentimento muitas vezes vale mais que a astúcia e o cálculo. É fácil ver, portanto, que, no momento que Cristina está sinceramente abalada com a morte do marido, a visita de uma presidente vizinha e amiga reforçaria de forma notável a aliança entre os dois países.
Como subprodutos, há que mencionar, em primeiro lugar, que esta visita (está prevista uma homenagem junto ao túmulo de Néstor Kirchner) popularizaria ainda mais Dilma Rousseff entre os argentinos, onde já é bem quista pelo fato de ser mulher e herdeira de Lula.
Em Buenos Aires, Dilma poderá colher (este é o segundo subproduto) a observação útil de que o Casal Kirchner só conseguiu enfrentar de uma só vez a mídia, tão bandida quanto a brasileira e a velha “La Rural”, a poderosa associação de grandes proprietários rurais,porque por lá as esquerdas contam com um poderoso instrumento de mobilização popular, a Juventude Peronista. Esta JP, como é conhecida, além de fiel aos Kirchner, é capaz de levar multidões às ruas. O impressionante funeral do presidente morto foi um exemplo disso.
Cedo ou tarde, Dilma e o PT terão que entender que sem mobilização popular e o reencontro com uma juventude hoje apática e distante, poderá haver algum progresso, mas o social será mais um vez protelado.
E já que estamos na Argentina, vale comentar que Néstor Kirchner, com sua morte, fez politicamente para sua mulher, o que já não estava conseguindo fazer quando vivo. Com a popularidade em queda, o ex-presidente seria certamente candidato à sucessão de Cristina, mas sua vitória era duvidosa. Com sua morte, sua popularidade renasceu de forma tão extraordinária, que a ala kirchneana e majoritária do peronismo já lançou a candidatura de Cristina para a reeleição nas eleições de Outubro do próximo ano. Além disso, “la presidenta” foi beneficiada pelo que os analistas locais dizem ser a solidariedade do “inconsciente coletivo feminino”.
O primeiro a se manifestar a favor da reeleição foi o chanceler Héctor Timerman , há três dias. Horas depois, recebeu apoio discreto de Augostin Rossi, líder da maioria governista no Congresso. Não poderia haver momento mais oportuno para a visita de Dilma a um país que além de vizinho e o nosso principal aliado.
03-11-10
Lula será o pai da
União Sul-Americana,
A Pátria Grande
O presidente poderá, se quiser, ser eleito , ainda este ano para a Secretaria-Geral da UNASUL, cargo que vinha sendo ocupado por Néstor Kirchner.
Há muita especulação barata sobre o futuro político de Luiz Inácio Lula da Silva. Síntese dessa desinformação generalizada, é Ricardo Noblat que em suas coluna de segunda-feira (1-11) no Globo sugere que Lula já está preparando sua volta em 2014.
Como tenho dito neste blog, a mídia brasileira, acanalhada e apátrida, cumpriu tão bem sua missão de manter o brasileiro médio totalmente desinformado, que num processo reflexo, ela própria imbecilizou-se, ficando imprestável para a execução do serviço elementar de informar.
O exemplo típico disso é a total ignorância sobre a UNASUL (União das Nações Sul-Americanas) que nossa mídia, quando não pode simplesmente ignorar, procurou menosprezar ou ridicularizar, sempre em sintonia fina como o Departamento de Estado e os interesses (estratégicos) dos Estados Unidos.
Outro especulador barato, o Merval Pereira , uma espécie de porta-voz da família Marinho, mas no fundo apenas um foca de luxo, volta e meia comenta que Lula até poderia, no futuro ser o Secretário Geral da ONU, “ apesar não falar inglês”. Mas teria queimado essa possibilidade, por causa de sua aproximação com o Irã.
Temos aí, duas bobagens em sequência: Lula jamais sonhou com a Secretaria-Geral da ONU e , além disso, o atual secretário, Ban Ki-moon, não fala inglês.
O que Merval e seus coleguinhas americanófilos não vêem é que nos últimos oito anos o Itamaraty, que não improvisa, traçou e executou à perfeição, dois objetivos diplomáticos estratégicos: a- consolidar de maneira natural e orgânica, a liderança do Brasil na América do Sul; b- projetar o País internacionalmente e aumentar, através de alianças estratégicas e de pactos eventuais, a possibilidade de o Brasil ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Temos aí, duas bobagens em sequência: Lula jamais sonhou com a Secretaria-Geral da ONU e , além disso, o atual secretário, Ban Ki-moon, não fala inglês.
O que Merval e seus coleguinhas americanófilos não vêem é que nos últimos oito anos o Itamaraty, que não improvisa, traçou e executou à perfeição, dois objetivos diplomáticos estratégicos: a- consolidar de maneira natural e orgânica, a liderança do Brasil na América do Sul; b- projetar o País internacionalmente e aumentar, através de alianças estratégicas e de pactos eventuais, a possibilidade de o Brasil ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Mas, de volta ao futuro de Lula, ainda é preciso dizer que ele só não aceitará o cargo de sercretário-geral da UNASUL, se perceber que pode ficar preso à burocracia e sobrecarregado com funções administrativas. Mas seu sonho é , efetivamente, o de ligar seu nome à criação da União Sul-Aamericana, que antes do fim desta década, já será um dos quatro principais pólos do poder mundial.
De resto, os dois principais parceiros do Brasil nessa empreitada de união continental, a Argentina de Cristina Kirchner e a Venezuela de Hugo Chávez, desejam ver Lula na secretaria-geral da UNASUL.
Saiba mais sobre a UNASUL
A União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), anteriormente designada por Comunidade Sul-Americana de Nações (CSN), será uma zona de livre comércio continental que unirá as duas organizações de livre comércio, sul-americanas, Mercosul e Comunidade Andina, além de Chile, Guiana e Suribame, nos moldes da União Europeia. Foi estabelecida com este nome pela Declaração de Cuzco em 2004.
De acordo com entendimentos feitos até agora, a sede da União será localizada em Quito, capital doEquador, enquanto a localização de seu banco, o Banco do Sul será na capital da Venezuela, Caracas. O seu parlamento será localizado em Cochabamba, na Bolívia.
Para tornar-se uma organização internacional, a Unasul precisa que o seu Tratado Constitutivo seja ratificado por nove dos doze concressos nacionais dos Estados-membros. Até agora, sete parlamentos já aprovaram o tratado (Argentina, Bolívia, Equador, Guiana, Peru, Venezuela e Chile.
Até o momento, a estrutura provisória da Unasul é a seguinte:
Os presidentes de cada nação-membro terão uma reunião anual, que será o mandato político superior. A primeira reunião deu-se em Brasília em 29 e 30 de setembro de 2005. A segunda reunião foi em Cochabamba (Bolívia) em 8 e 9 de dezembro de 2006. A terceira reunião aconteceu em Brasília – essa reunião deveria ter ocorrido em Cartagena das Índias (Colômbia), mas foi adiada por causa da tensão entre Equador, Colômbia e Venezuela. Foi nessa reunião que a UNASUL foi formalizada e em que o Tratado Constitutivo da organização foi assinado.
Os ministros de relações exteriores de cada país encontrar-se-ão uma vez a cada seis meses. Eles formularão propostas concretas de ação e decisão executiva. O Comitê Representativo Permanente do Presidente do Mercosul e o diretor do departamento do Mercosul, o secretário-geral da Comunidade Andina, o secretário-geral do ALADI e os secretários permanentes de qualquer instituição para cooperação regional e integração, Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, entre outros, também far-se-ão presentes nessas reuniões.
Um secretário-geral é eleito, para estabelecer o secretariado permanente em Quito, Equador. O ex-presidente equatoriano Rodrigo Borja foi nomeado para esta posição, mas renunciou alguns dias antes da Reunião de Brasília, em maio de 2008. Após esse fato, finalmente em 4 de maio, um novo secretário-geral foi designado. Ele foi Néstor Kirchner que, apesar das resistências da Colômbia, do Uruguai e do Peru, foi eleito por unanimidade.
29-10-10
Meta prioritária de Dilma será
integração da América do Sul
Este blog está em condições de informar que, se eleita, já no seu primeiro pronunciamento, Dilma Rousseff destacará entre suas metas de absoluta prioridade, a integração da América do Sul.
As relações exteriores foram um tema que praticamente passou ao largo da campanha eleitoral. Exceto por algumas declarações desastradas e preconceituosas de Serra em relação ao Paraguai e a Bolívia, os dois candidatos não exploração o assunto, seguindo um conselho simples de seus marqueteiros: é complicado e não rende votos. E é verdade que o brasileiro médio tem escasso interesse pelas assim chamadas relações diplomáticas.
A Pátria Grande
No entanto, podemos garantir que tanto Dilma quanto seu principal assessor durante toda a campanha, Marco Aurélio Garcia, têm preocupação quase obsessiva em relação ao fortalecimento da integração sulamericana. Ambos e Lula também, sempre tiveram plena consciência (na verdade visão estratégica) de que se conseguisse falar, legitimamente em nome da América do Sul e de seu Mercado Comum, o Brasil teria seu poder diplomático altamente potencializado diante de qualquer interlocutor mundial.
Aliás é exatamente por isso – e no sentido inverso – que o Departamento de Estado Norteamericano tem feito o possível para boicotar essa integração da América do Sul, no que conta com a assistência prestimosa da acanalhada mídia brasileira.
Nesse sentido (e este elemento constará do pronunciamento de Dilma, caso seja eleita), o falecimento de Nestor Kirchner não deve ser considerado um desfalque, mas, ao contrário, sua memória será um estímulo e um amálgama para a integração continental.
Ele era um entusiasta da idéia e um dos principais estimuladores da formação do eixo Buenos Aires Brasília Caracas que deu outra dimensão ao MERCOSUL. Além disso, até falecer, ele ocupou o cargo de secretário-executivo da UNASUL, União dos Estados Sulamericanos
Aos poucos o sonho “utópico” da constituição da Pátria Grande, vai-se tornando realidade.E este blog que pode ser incluído entre os mais entusiastas batalhadores da idéia, saúda a provável vitória de Dilma Rousseff, por essa razão, acima de qualquer outra.
02-10-10
Equador: o berro
da Direita falida
Não foi um golpe clássico, porque não houve preparação psicológica , nem coordenação, nem apoio do Exército, mas foi uma tentativa de desestabilização do governo de Correa. Desestabilização esta que poderia ter evoluído para uma guerra civil. Dizer que nesta crise equatoriana podem ser encontradas impressões digitais da CIA e do Departamento de Estado, seria uma afirmação automática que acaba desqualificando um fato real.
Por enquanto não há evidências de envolvimento norte-americano, mas é impossível ignorar que em 99,9% dos golpes militares na América Latina, nos últimos 150 anos, havia sempre o dedo do Departamento do Estado e, no Século XX, da CIA também. Cesteiro que faz um cesto…
A união da América do Sul
O aspecto mais moderno deste episódio é o de que , mais uma vez, os países latino-americanos, através da OEA – Organização dos Estados Americanos – e da UNASUL – União dos Estados Sul-Americanos - , tomaram a iniciativa e coordenaram todas as medidas necessárias não só para condenar o possível golpe, como para, na evolução dos acontecimentos, proteger o Equador.
O gesto mais significativo foi o do presidente Juan Manuel Santos, da Colômbia, que fechou as fronteiras para evita fuga dos rebelados, num gesto de solidariedade e apoio. Esta atitude seria impensável há um mês, quando a Colômbia ainda era governada pelo americanófilo Álvaro Uribe.
Aos Estados Unidos coube um papel apagado de coadjuvante e pior: de coadjuvante indesejado. Esta é a grande mudança ocorrida no Continente, durante o governo Lula, graças ao fortalecimento do MERCOSUL e a criação do UNASUL, dois projetos vitoriosos do Itamaraty.
A nova Direita brasileira, rancorosa e incompetente, não consegue ler essa nova realidade continental. Só falta o Jabor defender esta frustrada tentativa de desestabilização, dizendo que se trata de um “golpe preventivo”. Foi isso exatamente o que ele disse, ano passado, sobre o golpe que derrubou Manuel Zelaya, o presidente legítimo de Honduras.
O relato de Correa
Reproduzimos abaixo, matéria do Site Terra com o relato do presidente Rafael Correa que descreve os acontecimentos de forma sucinta e objetiva:
O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou na noite desta sexta-feira que os policiais rebelados tentaram iniciar uma guerra civil no país e revelou que um de seus seguranças foi morto ao tentar defendê-lo durante os protestos de policiais rebelados. “Havia uma tentativa de desestabilização e de se iniciar uma guerra civil”, afirmou Correa, durante uma reunião em Quito com os chanceleres da UNASUL.
“Quero que fique claro que não foi uma reivindicação salarial”, disse o líder equatoriano. “Foi uma tentativa de conspiração, na qual se criou descontentamento na força publica para tentar gerar uma guerra civil.” Segundo Correa, essa tentativa fracassou porque as Forças Armadas não se rebelaram. Ele disse ainda que houve ações coordenadas como a tomada do aeroporto da capital, descontrole proposital do sistema de semáforos da cidade e saques para gerar caos na cidade.
Foi a primeira vez desde a rebelião que Correa deu detalhes da crise. Criticado por ter ido pessoalmente negociar com os policiais que protestavam, Correa disse que sua intenção era explicar que a controvertida lei de Servidores Públicos, não prejudicava os funcionários públicos. “Ao contrário, os beneficiava”, disse. “Me dei conta de que se tratava de outra coisa, porque em seguida, as palavras eram fora o comunismo, fora Chávez, fora governo (…) não era uma reivindicação gremial”, disse o presidente equatoriano que lidera a chamada “revolução cidadã”.
26-09-10
Venezuela dá aval a Chávez:
90 das 165 cadeiras
na Assembléia Nacional
No início da tarde de hoje, a Justiça Eleitoral Venezuelana atualizou os resultados: são 95 os deputados chavistas eleitos, o que corresponde 65% do Legislativo.
A mídia brasileira já começou a distorcer vergonhosamente os resultados das eleições venezuelanas. A maioria das manchetes afirma que Cháves venceu, mas não obteve a maioria absoluta nas eleições de ontem, domingo. Trata-se de uma mentira infantil: todos sabem que maioria absoluta é a metade mais um. Isto revela o total desrespeito da mídia por seus leitores.
O Partido de Chávez, PSUV ( Partido Socialista Unificado Venezuelano) obteve 90 das 165 cadeiras da Assembléia (65%), o que e muito mais que a que maioria absoluta e muito próximo da ambiciosa meta de obtenção de dois terço dos deputados, uma situação que só excepcionalmente acontece em qualquer parte do Mundo.
Assim mesmo, dependendo dos últimos resultados que deverão sair hoje os chavistas podem obteve um pouco mais que as 90 cadeiras. De concreto, as Oposições Unidas, um bloco formado para disputar as eleições, elegeram apenas 59 deputados. Os restantes 14 pertencem a partidos de extrema esquerda ou a dissidentes do próprio chavismo.
Finalmente, para concluir sem balelas: nestas eleições plebiscitárias não houve qualquer rejeição ao chavismo. Ao contrário, há um nítido sentido de aprovação.
Na Venezuela o voto não é obrigatório. Assim mesmo, o comparecimento do eleitorado foi superior a 65%.
Ma matéria abaixo, há mais informações sobre o mesmo tema.
26-09-10
Chávez consolida revolução, no voto
Primeiros resultados, no início da noite de domingo, indicam que Chávez está obtendo larga maioria nas eleições para a Assembléia Nacional da Venezuela.
O presidente Hugo Chávez acaba de alcançar mais uma importante vitória eleitoral que legitima sua Revolução Bolivariana. A mídia brasileira, medularmente desonesta, vai dar pouco destaque ao assunto, ou destacar o que considera pontos negativos. Aqui, nos limitaremos a informar o que esta vitória realmente significa.
Estão sendo eleitos, neste domingo, os 165 deputados da Assembléia Nacional. Há cinco anos, os partidos oposicionistas boicotaram a eleição e Chávez obteve a maioria absoluta. Acredita-se que 70% dos 17 milhões de eleitores votaram hoje.
Agora unificada, a Oposição espera obter pelo menos 60 cadeiras e seus dirigentes lastimam a falta de motivação e de mobilização de seus seguidores, em sua maioria radicados na classe média.
Isto contrasta com a mobilização entusiasmada mas disciplinda dos eleitores chavistas, o que faz a diferença, num país onde o voto não é obrigatório.
Embora a mídia brasileira faça questão de omitir este detalhe, o presidente venezuelano sempre foi extremamente popular. Há dois anos, seus índices de aprovação eram parecidos com os do presidente Lula, em tono de 70%. Em seguida, com a crise econômica, esta aprovação caiu para 50%.
Em 2007, Chávez sofreu um sério revés ao ser derrotado no plebiscito que promoveria importantes reformas constitucionais. Entretanto, ele obedeceu a vontade das urnas, sem qualquer manifestação de inconformismo.
Do ponto de vista estritamente da macroeconomia, a principal crítica que se faz a Hugo Chávez é o de ele ter gasto seus petrodólares quando eles eram fartos, com políticas de distribuição de renda, prioritariamente. Ficaram faltando investimentos maiores na infra estrutura e na industrialização do pais.
19-09-10
América do Sul vive seu mais
importante momento histórico
em 200 anos e a mídia não vê
O último berro da Direita Troglodita
Nos anos 70 do Século passado, Richard Nixon disse algo que estadistas geralmente não dizem em público, mas que era um verdade simples e que ficou famosa: “Para onde pender o Brasil, penderá a América do Sul”. É claro que isto provocou um certo desconforto diplomático em todo o Continente, mas o presidente americano talvez tenha “deixado escapar” a frase, para justificar sua política de impedir a todo custo a “esquerdização” do Brasil. Eram os Anos de Chumbo.
Pois nesta década presente, está ocorrendo a esquerdização do Brasil e a nossa mídia americanófila, percebe e treme por isso, mas não compreende ou finge não compreender, que se trata de um movimento articulado que vai varrer (já está varrendo) todo o Continente. É a Onda Vermelha.
Na primeira década do Século XIX, uma onda emancipadora varreu o Continente. Foi um movimento, é verdade, liderado pelas incipientes burguesias dos países de língua espanhola, mas transformou-se em luta do povo, à medida em que os comandantes militares da época foram obtendo vitórias sobre os exércitos coloniais.
Surgiam assim os grandes vultos da nova fase histórica: Bolívar e Sucre na Venezuela e Colômbia, San Martín na Argentina, O’Higgins no Chile. Sem esquecer Francia, o fundador da República Paraguaia, que liderou algo muito próximo de uma verdadeira revolução popular.
O Brasil também se emanciparia nessa mesma década, mas de forma sui generis, e deixaria de ser colônia, por obra de uma espécie de milagre, um milagre napoleônico. Na verdade, em 1808 o País passa de colônia a metrópole, por conta da transferência da Família Real portuguesa para cá. Os historiadores, por compreensíveis razões de afirmação nacional, valorizam absolutamente o 7 de Setembro. Mas o Grito do Ipiranga, de 1822, apenas assinalava, institucionalmente, algo que na prática já ocorrera 14 anos antes.
Tudo isso, para dizer que nestes 200 anos, a integração do Brasil com o Continente, tirante a verborragia diplomática, foi intermitente e de um modo geral pífia. Nos últimos oito anos, entretanto, houve uma mudança radical nessa velha história. O Brasil participa hoje, com a importância de seu peso específico, de um movimento integracionista inédito e de verdadeira irmandade.
Isto só foi possível pela guinada que o governo Lula proporcionou à nossa política externa. E esse movimento deverá se acentuar ainda mais com a eleição de Dilma Rousseff. Com a consolidação da inflexão brasileira à esquerda, está-se abrindo uma nova fase da História, como há 200 anos.
Este humilde blog que é o único, talvez, a possuir uma página em espanhol, recebe semanalmente dezenas de mensagens de companheiros de todos os países da América do Sul, inclusive da Colômbia, saudando a derrota definitiva do neoliberalismo fascista no Brasil. A mídia apodrecida, que nada vê ou tudo mutila, faz parte desse processo. Passará para a História como o último berro da Direita Troglodita.
18-08-10
Colômbia rechaça bases dos EUA
Da Colômbia nos chega informação importantíssima que a mídia brasileira, cada vez mais calhorda e incompetente, não divulgará na medida correta: a Suprema Corte de Justiça colombiana cancelou, por inconstitucional, o acordo, assinado há oito meses pelo ex-presidente Álvaro Uribe, concedendo licença para a instalação de bases militares norte-americanas no seu país.
Através desse documento, assinado em dezembro do ano passado, entre Washington e Bogotá, militares norte-americanos poderiam se instalar em sete bases situadas em território da Colômbia, quase todas próximas das fronteiras com o Brasil, a Venezuela e o Equador.
Essa concessão extravagante foi duramente condenada por todos os presidentes sulamericanos, à exceção de Alan Garcia, do Peru. E até hoje é tema de reiteradas manifestações de preocupação por parte do governo brasileiro, sendo o principal ponto de atrito entre os governos de Lula e de Obama.
Na verdade, a obtenção da licença para a instalação das bases foi uma importante vitória estratégica do Departamento de Estado norte-americano, empenhado em evitar, a todo custo, a consumação de uma união efetiva entre os países sulamericanos. Esta União, sintetizada na UNASUL, no moldes da União Européia, e que tem como embrião o MERCOSUL, criará, neta parte do Mundo, a sua quarta maior potência.
Entretanto, alinhados com os objetivos estratégicos (permanentes) dos EUA, a mídia brasileira e os tucanos, como canalhas, fazem o possível para atrapalhar está união, começando por boicotar o MERCOSUL.
Com a eliminação do acordo militar, o último empecilho para uma aproximação entre Colômbia e Venezuela e a inserção colombina na União da America do Sul passa a ser a questão envolvendo as FARC, Forças Armadas Revolucionárias Colombianas. Sem perspectivas históricas e objetivas para prosseguir na luta armada, esses guerrilheiros, que atuam há meio século, já emitiam sinais de que estão dispostos a negociar uma anistia e o abandono das armas. Na realidade, atualmente as FARC servem apenas de pretexto para as incursões intervencionistas dos norte-americanos no Continente.
O novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos (empossado há quinze dias), já demonstrara aos governos brasileiro e argentino a intenção de negociar uma reaproximação com a Venezuela.
Na matéria imediatamente abaixo, você terá mais detalhes sobre este momento importante da diplomacia na América do Sul e que a imprensa simplesmente não divulga.
12-08-10
Bomba em Bogotá tem sotaque americano
O atentado ocorrido esta madrugada no cento de Bogotá, deixou nove feridos e provocou danos materiais. Ele tem um significado político muito importante: pode representar a primeira manifestação da direita terrorista colombiana, contra os gestos de aproximação com a Venezuela, empreendidos pelo novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos.
Nos últimos dez dias, Santos (empossado no último dia sete), manteve intensas negociações com os presidentes Lula do Brasil, Hugo Chávez, da Venezuela e como o ex-presidente Néstor Kirchner, da Argentina. Disto resultou um acordo de distensão nas relações entre Colômbia e Venezuelaque romperam relações há dois meses. Ao mesmo tempo, restabeleceu-se o diálogo para a inclusão da Colômbia na política de integração sulamericana.
A notícia desta distensão foi confirmada pelo próprio embaixador da Colômbia na Argentina, Álvaro García Jiménez, que, no dia 31 de julho último, declarou em Buenos Aires: “A intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi fundamental em busca de uma solução para o conflito entre a Colômbia e a Venezuela”. Acrescentou que “ o secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), o ex-presidente Néstor Kirchner, fez, por sua vez, um trabalho sério e silencioso, com muito bom ânimo, para aproximar as partes.
Nada disso foi noticiado pela acanalhada mídia brasileira interessada em, no interesse norte-americano, turvar as águas em nosso Continente. Mas fica claro que o conflito Colôbia/Venezuela está a um passo uma passo de ser solucionado.
Fica claro, também, que estão sendo removidos os últimos obstáculos para essa política de entendimento. O primeiro deles foi a saída de Álvaro Uribe, o presidente colombiano que cedeu seu território para a instalação de bases militares norte-americanas e era um fervoroso adepto da aproximação política e comercial com os Estado Unidos. O outro obstáculo, as FARC ( Forças Armadas Revolucionárias Colombianas), pressionadas pelo países envolvidos nas negociações já emitiram sinais de que finalmente estão dispostas a negociar o fim ações militares.
Fica evidente, assim, que os únicos interessados no atentado são as milícias terrorista de direita e o Departamento de Estado norte-americano que tem como objetivo estratégico, permanente, evitar a consumação da unidade sulamericana.
O Site Terra, num resumo do noticiário de várias agências, informa que “bomba que, na manhã dessa quinta-feira (12/8), explodiu perto dos escritórios da Rádio Caracol e da Agência Efe, na capital colombiana, pode afetar o presidente recém-empossado, Juan Manuel Santos. O discurso moderado do novo mandatário está submetido à primeira onda de pressão, para regozijo de seu antecessor, Álvaro Uribe”.
“A primeira reação de Santos, mesmo sem indicar concretamente qual grupo teria sido responsável, foi definir o atentado como “terrorista”. Agiu com rapidez e determinação, aparentemente preocupado em não perder espaço para os setores extremistas do bloco conservador que o sustenta”.
“Mas (segundo as agências) é pouco provável que as FARC ou o ELN (Exército de Libertação Nacional), tenham interesse em ataque dessa natureza, incomum no seu modo de operação. São raros os registros, especialmente nos últimos anos, de incursões guerrilheiras nas grandes cidades, ainda mais com o uso de carros-bomba”.
Ainda hoje, pela manhã, governo do presidente venezuelano Hugo Chávez repudiou energicamente o “ato terrorista” realizado na madrugada desta quinta-feira contra “o povo irmão da Colômbia”, um atentado que deixou nove feridos.
“O povo e o governo venezuelano repudiam da maneira mais enérgica este ato terrorista dirigido contra o povo irmão da Colômbia e contra seu fervoroso desejo de viver em paz”, assinala uma nota da chancelaria venezuelana.
07-08-10
Por que é amigo do Hugo Chávez, Lula pôde
restabelecer o diálogo Venezuela/Colômbia
Lula sabia que Álvaro Uribe funcionava como um agente provocador norte-americano. Por isso preferiu se entender com o novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que já havia emitido sinais de que pretende colaborar com seus vizinhos sulamericanos. O próximo passo será conseguir que as FARC – Forças Armadas Revolucionários Colombianas – abandonem definitivamente a luta armada, o que não faz mais nenhum sentido no atual contexto.
Alinhada permanentemente com os objetivos estratégicos dos Estados Unidos, a mídia calhorda e apátrida resolveu que o presidente Lula não pode, porque não pode ser amigo do Chávez, transformado em capeta, só porque é se opõe aos americanos.
Como, entretanto, para esse tipo de gentinha o que sempre fala mais alto é a grana, eles não fazem nenhuma objeção à amizade, crescente, de Lula com o presidente chinês, Hu Jintao, chefe de uma ditadura no mínimo tão feroz quanto a iraniana, por exemplo…
Enfim, não adianta perder tempo com Jabor, o palhaço mais bem pago da Corte Global, nem com a “fessora” Míriam Leitão que, sem medo do ridículo, quer ensinar o Itamaraty a fazer política externa. Na verdade eles só verbalizam o que Hillary Clinton formula. Vamos aos fatos.
O texto que se segue é de agências de notícias, resumidos no Site Terra:
O embaixador colombiano em Buenos Aires, Álvaro García Jiménez, disse neste domingo que a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “foi fundamental” em busca de uma solução ao conflito entre a Colômbia e a Venezuela.
Jiménez disse à emissora Rádio 10 de Buenos Aires que Lula “foi fundamental e serviu como ponte para resolver as diferenças” entre Colômbia e Venezuela, e destacou que o secretário-geral da União de
Nações Sul-Americanas (Unasul), o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner, fez, por sua vez, “um trabalho sério e silencioso, com muito bom ânimo, foi entusiasta e criativo” para aproximar as partes.
A crise entre Bogotá e Caracas teve origem no dia 22 de julho, quando o representante colombiano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Alfonso Hoyos, disse que a Venezuela dava refúgio a líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em seu território.
Depois disso, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, rompeu relações diplomáticas com Bogotá.
Tanto Kirchner quanto Lula mantiveram uma reunião com o presidente venezuelano em Caracas, antes de assistir no sábado à posse de Juan Manuel Santos como novo presidente colombiano.
“Chávez escutou o que foi dito por Santos no dia da posse e está disposto a dialogar, portanto, tudo indica que haverá boas notícias”, comentou o embaixador colombiano na Argentina.
29-07-10
Confirmado: Serra pretende desmantelar o MERCOSUL
Depois de agredir o povo boliviano de forma gratuita e baixa, há dois meses, o tucano volta-se, agora, contra os paraguaios e promete romper diálogo sobre questões vitais para aquele país, como Itaipu, por exemplo. Falta de visão estratégica ou subserviência aos Estados Unidos?
Um dia a História haverá de elucidar este enigma: os neoliberais odeiam o Brasil ou apenas adoram os EUA, a ponto de alinharem-se automaticamente com os objetivos estratégicos desta potência expansionista.
Não há como ignorar que Brasil e Estados Unidos travam uma disputa pela hegemonia do Continente Sulamericano. De nossa parte, o principal instrumento é o MERCOSUL que além de embrião da UNASUL, União das Nações Sulamericanas, é importante alavanca de nossa expansão industrial. Ele representa, na prática, a incorporação, ao nosso mercado interno, de uma população de 70 milhões de habitantes, com uma renda per capita equivalente ao do Estado de São Paulo.
Por conta disso, o MERCOSUL já representa 25% do nosso comércio externo, mesmo patamar dos outros principais parceiros: China, Europa e EUA, com a vantagem de que para nossos vizinhos vendemos, preferencialmente, produtos industrializados. Para os demais, somos, principalmente, fornecedores de matérias primas.
As vantagens do MERCOSUL são tão evidentes que faz parte da estratégia permanente dos Estados Unidos, tentar torpedeá-lo. Como não conseguiu implantar a ALCA, um mercado comum que submeteria as três Américas ao seu domínio, Washington tenta agora estabelecer acordos bilaterais de livre comércio, como os que já conseguiu com a Colômbia e o Peru. É uma forma de impedir que o MERCOSUL ocupe todos os espaços do Continente.
Cumprindo a pouco digna missão, assumida de corpo inteiro pelos tucanos e que remonta à sua vocação calabarista, Serra se presta, agora, a servir de instrumento do desmonte do MERCOSUL. Seria apenas um equivoco lastimável, se não fosse um gesto sórdido.
23-07-10
Agora todos querem que Lula vá conversar com Chávez
Há pelo menos oito anos nossa mídia calhorda, em perfeita sintonia com os interesses estratégicos dos Estados Unidos, tenta demonizar Hugo Chávez. Até certo ponto conseguiu, sendo certo que o presidente venezuelano é realmente uma figura difícil. Mas não é só isso: durante este mesmo período jornalistas brasileiros pouco confiáveis e tucanos idiotizados por um neoliberalismo desvairado criticaram a amizade de Lula com o líder bolivariano.
O PSDB , pela voz de seus principais líderes, inclusive José Serra, tentaram torpedear o ingresso da Venezuela no MERCOSUL, ignorando a noção elementar de que este tratado de livre comércio é indissociável da UNASUL (União Sulamericana), assim como o Mercado Comum Europeu é indissociável e foi o embrião da União Européia.
Pois agora, a mídia e os tucanos, inclusive o senador Eduardo Azeredo , presidente da Comissão das Relações Exteriores do Senado, um dos maiores adversários do ingresso de Caracas no MERCOSUL, exigem que Lula se utiliza da amizade com Chávez para evitar um conflito com a Colômbia.
No mais, é preciso esclarecer que os gestos agressivos, tanto de Uribe quanto de Chávez,são apenas isto, gestos para o público interno. E é a segunda vez que isto acontece em menos de 24 meses. Álvaro Uribe resolve endurecer, quando faltam dez dias para que ele deixe o poder. E Chávez encontrou um bom pretexto para, ao lado de Maradona, melhorar sua posição nas eleições legislativas que se aproximam. Assim, o rompimento de relações entre os dois países pode ser considerado uma farsa.
O adeus às armas
O mais importante porém, é registrar que as FARC (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas) representam hoje um dos empecilhos para a efetiva união sulamericana e servem de pretexto para a intromissão armada norteamericana no Continente, esta sim , um acinte e uma afronta à soberania de todos os nossos países.
Há 60 anos, quando iniciou suas atividades, as FARC lutavam contra uma ditadura de fato das oligarquias (Conservadores e Liberais) que se revezavam no poder, mas continuavam sócias nos negócios. Poder que era exercido pela coação sustentada pela corrupção em todos os níveis, pelo pistoleirismo e pela intromissão escancarada dos EUA. Acontece que hoje o Mundo é diametralmente diferente daquele possibilitou os surgimento do movimento. Não há mais condições objetivas e materialmente elementares para a sua sustentação.
É hora, portanto, de dar adeus às armas, mesmo que sejam desconsideradas as acusações de envolvimento, com o tráfico que, se verdadeiro, não seria maior do que os das milícias de direita. Por tudo isso, é nossa opinião a de que o governo brasileiro deveria deixar mais do que claro sua posição contrária ao uso das armas, até para ter condições políticas para enfrentar o verdadeiro problema e exigir a retirada das bases militares norteamericanas da Colômbia, o que coloca em risco a soberania de todos os nossos países.
Quanto ao novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ele já acenou, para Lula e para Chávez, que pretende restaurar o clima de confiança e amizade com seus vizinhos, inclusive a Venezuela. E Lula deverá comparecer à sua posse, no próximo mês.
16-07-10
Serra anuncia que vai implodir o MERCOSUL
Desta vez ele passou dos limites. No encontro com o presidente da União Européia, Durão Barroso, ontem (15) em São Paulo, José Serra anunciou que, se eleito “vai defender a flexibilização do MERCOSUL”, para que o Brasil possa realizar acordos comerciais bilaterais com a Europa, por exemplo, sem depender da aprovação de seus parceiros sulamericanos. E sabemos que quando dizemos flexibilizar, estamos usando um eufemismo para evitar a palavra destruir.
E esta é exatamente a visão mais tacanha e quase idiota da questão, caracteristica da tradicional posição tucana que sempre correspondeu à má vontade em relação ao MERCOSUL. No entanto, os mercados comuns têm seus prós e contras e os países que a eles aderem, o fazem conscientes de que abrirão mão de algumas prerrogativas individuais. Na Europa, por exemplo, as principais potência – Alemanha , França e Inglaterra – ponderaram que era estrategicamente mais interessante agir em conjunto e aderiram ao Mercado Comum, embrião da atual União Européia. Isoladamente, nenhum deles teria condição de enfrentar a hegemonia econômica (e tecnológica) dos Estados Unidos e do Japão.
E isto cai como uma luva para o Mercosul. É possível que Brasil e Argentina, em algumas situações específicas, pudessem obter maiores vantagens se agissem isoladamente. Entretanto são muitíssimo maiores as vantagens da ação conjunta. O comércio sem barreiras com países vizinhos corresponde, na prática, à extensão física de nosso próprio mercado interno.
Como conseqüência, o MERCOSUL já é nosso principal parceiro comercial e nos compra principalmente produtos industrializados, ao contrário das potências de outros continentes, para os quais somos, prioritariamente, fornecedores de matérias primas.
Os tucanos não conseguem entender isso e recorde-se, a propósito, que FHC quase implodiu o MERCOSUL, no episódio da desvalorização do Real. Na mesma linha, Serra investe agora contra esta organização que é embrião da União Sulamericana, demonstrando não possuir a mínima visão estratégica sobre esse tema que diz respeito à nossa soberania, sendo um dos mais bem elaborados projetos de nossa diplomacia. E nem falemos de sua recente agressão ao povo boliviano, gratuita e baixa.
19-06-10
Venezuela na rota do socialismo
Chávez venceu todas as eleições sem esconder sua admiração por Fidel.
Muito poucos no Brasil levam o presidente Hugo Chávez a sério. A mídia, mero eco do Departamento de Estado, habituou-se a tratá-lo com um boquirroto inconseqüente com o agravante de ser autoritário. E a maior parte das esquerdas, por puro preconceito e ignorância, torce o nariz para o que imagina ser apenas mais um episódio populista e caudilhesco, com tintura nacionalista, tão comum na História do Continente.
É possível encontrar algumas dessas características no líder venezuelano. Mas isso não impede que ele esteja empreendendo uma aventura inédita neste canto do Mundo, desde a Revolução Cubana. Aventura esta que está-se tornando irreversível e que possui ineditismo também no fato de ter chegado até onde chegou, sem desrespeitar uma vírgula dos chamados preceitos democráticos e da própria Constituição do País. Nada do que Chávez fez até agora foi feito através de atos discricionários ou desrespeitando o Legislativo e o Judiciário.
Há, ainda, uma remota analogia entre a situação venezuelana e as da Hungria e da Tchecoslováquia nos anos 40 do século passado, quando governos provenientes de eleições legítimas, segundo os critérios da democracia burguesa, evoluíram para o socialismo revolucionário. Mas estes países, destruídos pela guerra, contaram com o apoio material, próximo e imediato, da União Soviética. Chávez conta apenas com os petrodólares.
A mídia brasileira, cada vez mais retardada se limitará a denunciar”, como num disco riscado, “as ameaças de Chávez à democracia. Nesse sentido, a matéria de Veja, desta semana, é um resumo do pensamento dos grandes jornais e revistas brasileiros. A conclusão da matéria:
Com a intervenção no Banco Federal, Chávez passa a controlar 26% do setor bancário do país. Há dois anos, a participação era de 10,9%. “A política de desapropriações fere os princípios basilares da economia de mercado e do estado democrático de direito. Os empresários saem, o Estado assume, entra gente que não está preparada e, com isso, o país perde”, afirma Alberto Pfeifer, membro do Conselho Empresarial da América Latina”. (?)
26% é menos do que o Governo do Brasil ocupa no setor bancário e a metade do que ocupava até os anos 90 quando FHC promoveu sua privatização e a internacionalização. Como se vê, nesta área, a Revolução Brasileira está bem mais adiantada que a de Chávez.
Enfim, depois de convencer seus leitores de que Chávez é uma ameaça ao Capitalismo a revista (e esta é uma tendência geral da mídia) passa a enumerar os passos do presidente venezuelano de forma cronológica, como se lê abaixo:
11/6 - Autoridades decretam a prisão do empresário Guillermo Zuloaga, principal acionista da emissora de TV Globovisión, sob acusação de crimes financeiros.
13/6 - Chávez propõe mudar o nome de uma das maiores companhias de petróleo do mundo e uma das maiores fornecedoras de petróleo bruto aos Estados Unidos. A estatal venezuelana PDVSA passaria a se chamar Petróleos da Venezuela Socialista.
14/6 - Chávez nacionaliza o Banco Federal, pertencente a um dos sócios da Globovisión, citando problemas de liquidez e risco de fraude. Esse banco é responsável pela folha de pagamentos emissora, o que deixa os funcionários preocupados com o recebimento dos salários.
15/6 - A Assembléia Nacional aprovou a Lei de Terras, que condena o latifúndio e dá ao Estado um papel determinante no controle do setor alimentício. A medida cria uma empresa pública para a produção, fabricação, distribuição, comercialização e marketing, em nível nacional e internacional, de produtos agrícolas e alimentares.
17/6 - Chávez anuncia a desapropriação da empresa de autopeças Autoseat da Venezuela, que mudará de nome e ficará sob “controle operário”.
17/6 - O presidente avisa que o governo pode estatizar parte da Globovisión, última rede de televisão que faz oposição à sua administração.
Há muito primarismo e muita precariedade jornalística nisso tudo, além das habituais mentiras e omissões como por, exemplo, dizer vagamente que “autoridades decretam a prisão do empresário”, quando a iniciativa foi do Poder Judiciário, com base em um processo legal sobre corrupção e lavagem de dinheiro.
Mas o absolutamente inacreditável é , sem querer, esses focas de luxo acertaram: Chávez (na verdade um Comando Revolucionário Informal do qual ele é parte) decidiu, sim, acelerar o passo da Revolução Socialista.
E fez isso, parcialmente, em função da crise mundial e da queda dos preços do petróleo. Pesou também o fato de a popularidade de Chávez que há um ano mantinha-se em torno de lulísticos 70% de aprovação, ter caído para a faixa dos 50% em função, sobretudo, das crises de energia e do abastecimento, fatores circunstanciais e parcialmente superados. Seja como for, o Comando decidiu acelerar o passo, até porque há um fato concreto muito mais importante: a inflexão, para esquerda, da opinião pública mundial, em função do desmonte dos paradigmas neoliberais que predominaram durante 30 anos.
Em outros artigos desta coluna (que leitor poderá pesquisar, bem como os da coluna Para Entender a Crise) já falei da irreversibilidade da Revolução Venezuela. Como não cabem, neste blog, matérias muito longas, por hoje, vou repetir apenas duas informações que postei há cinco meses, quando houve intensa movimentação no ministério e nos bastidores do governo venezuelano. Na ocasião, assumiram os novos vice-presidente e ministro da Defesa. Quanto ao vice presidente, Elias Jaua Milano, basta dizer que ele é apontado pela Oposição como o membro do governo mais próximo de Fidel Castro. E quanto ao ministro da Defesa, general Juan Carlos Mata Figueroa, basta reler esta frase do seu discurso de posse: “Daqui para a frente a única direção é a Revolução”.
Muito bem: torço pela Revolução Bolivariana, mas temo que ainda falte a ela certa consistência teórica necessária para sua sustentação e continuidade. Me parece ser indispensável, neste sentido, algo mais do que raciocínios esquematizados que datam das revoluções soviética e cubana. Elas são exemplo, mas não são cartilha, nem poderiam sê-lo, no momento em que há uma vertiginosa transformação no modo de produção globalizado, razão pela qual o Imperialismo “evolui” para sua etapa superior que chamo de Neofeudalismo. Neufeudalismo este que se caracteriza pelo monopólio das tecnologias (saberes) e pela terceirização da produção nas suas esferas inferiores.
A imprensa burguesa e venal, não me incomoda. Ela morrerá pela boca. Mas me inquieta ver a pasmaceira dos “intelectuais de esquerda”. Eles se arvoram em ditadores de regra e querem ser respeitados como “formuladores” (?). Mas em nenhum momento cogitam de baixar o queixo nos livros, não para extrair deles citações centenárias, mas para tentar atualizar textos fundamentais, porém inaplicáveis sem essa devida reciclagem.
E são esses intelectuais meia bomba que torcem o nariz para Chávez e Evo Morales, sem perceber que, empiricamente embora, esses dois líderes, dão os primeiros passos, sim, na direção do Socialismo do Século XXI.
12-6-10
Brasileiro é porta-voz do
Departamento de Estado
Vejamos este texto de Hillary Clinton:
“Apoiar o Irã, uma ditadura teocrática completamente fora das leis internacionais e do respeito aos direitos humanos é um absurdo, ainda mais quando todo o Ocidente está trabalhando em conjunto para tentar controlar (…). Nem mesmo um pragmatismo comercial justificaria tamanho comprometimento. O Brasil não tem nenhuma razão para sair do bloco ocidental, especialmente por uma causa tão ruim para a Humanidade.”
Queiram perdoar. Este texto não é da Hillary Clinton e sim de Merval Pereira, colunista do Globo. Mas ela não o assinaria tranquilamente?
Agora vejamos as razões que este blog entende sejam as do governo brasileiro:
O Brasil não apóia qualquer tipo de ditadura, mas mantém relações diplomáticas e comerciais com todos os países com assento na ONU e é fiel ao princípio de não intervenção nos assuntos internos desses países.
O Conselho de Segurança da ONU e o privilégio de veto concedido a cinco países tornou-se, no seu atual formato, totalmente anacrônico. Esse formato é resultado do armistício da Segunda Grande Guerra (1945) e foi desenhado para acomodar uma situação geopolítica e geoeconômica absolutamente diferentes das que vivemos hoje. É preciso pelo menos ampliar o número dos países com a assento permanete no Conselho para eliminar o absurdo, por exemplo, de não haver ali nenhum representante da África e da América Latina.
O que desestabiliza o Oriente Médio e o transforma em fonte crônica de tensão é um mal de raiz: a não existência de um estado que conviva pacificamente com Israel e que abrigue os seis milhões de cidadãos, o povo palestino, que ocupa esta área há mais de dois mil anos e que vive, há seis décadas, a tenebrosa experiência de estar sem pátria dentro de sua própria terra, sem outra alternativa que a de buscar o exílio em terras alheias.
A questão do desarmamento, inclusive e principalmente o nuclear, passa por uma oxigenação do tema, e uma assepsia da brutal hipocrisia com que vem sendo tratado: aqueles que já estão armados querem manter os incabíveis privilégios decorrentes tão somente disso, do fato e de já estarem armados. Acresce que esses privilégios não ensejam apenas a chantagem atômica como também os altos lucros provenientes do diferencial tecnológico. Diferencial este que se perpetua quando se nega aos países emergentes o direito ao desenvolvimento autônomo de novas tecnologias.
Ninguém é, isoladamente, guardião da paz ou de qualquer tipo de civilização. Muito menos podem sê-lo aqueles países que já demonstraram, na prática, serem capazes de utilizar, no seu interesse particular, as armas mais covardes e brutalmente mortais e que sacrificam indistintamente militares ou civis indefesos de todas as idades.
04-06-10
A nova doutrina da política externa brasileira
No fundo, Lula defende o óbvio: a igualdade democrática entre todos os países membros da ONU. Mas o luminares da mídia fazem questão de não ver ou de ocultar isso de seus leitores.
Não sei o que está havendo com o Elio Gaspari: ele parecia tão articulado. Agora, em mal disfarçada defesa do terrorismo de estado de Israel, resolveu remeter para a lata de lixo toda a política externa do Brasil, fazendo da ditadura iraniana um cavalo de batalha. Não sou dos que, por conveniência, finge não ver os crimes do regime dos aiatolás e o monte de bobagens sobre o Holocausto que o Ahmadinejad vem dizendo há anos. Mas alguém precisa avisar ao Elio que o Brasil manteve e mantém estreitas relações comerciais e de amizade com ditaduras e ditadores bem piores.
O que está havendo então? Parece que o príncipe do colunismo de dois dos jornais brasileiros mais velhacos, o Globo e a Folha, está fazendo o pagamento semestral do aluguel que paga pelo espaço nestes dois latifúndios de nossa mídia. Durante cinco meses e 29 dias, Helio banca o independente e o irreverente (sempre petulante) capaz de dizer o que bem entende seja para quem for. Mas na véspera do pagamento ele acerta as contas e se alinha à doutrina destes dois veículos antinacionais e alinhados automaticamente com os interesses estratégicos, permanentes, dos Estados Unidos.
Em sua último artigo, Elio acusa o Irã de uma série de barbaridades não maiores do que as praticadas habitualmente pelos serviços secretos dos Estados de Israel. E nos brinda com esta pérola: “Lula argumenta que exerce no Oriente Médio uma função pacificadora, porque o Brasil “cansou de ser tratado como segunda classe”. Expandindo contenciosos e impondo conflitos que pouco têm a ver com o interesse brasileiro, pratica uma agenda de terceira”.
Agora vejamos outro texto publicado no dia seguinte, na mesma página 4 da Folha de S. Paulo e sobre o mesmo tema, com a diferença de que escrito por um homem sério, Janio de Freias: “Israel é uma população dividida em relação ao que faz, mas é um país de mãos livres para fazer o que quiser. E faz, implícita e explicitamente autorizado pela asseguradora cobertura da maior potência mundial”.
Finalmente, digamos com poucas palavras que não é difícil entender as linhas gerais da nova política externa brasileira, a primeira independente deste Getúlio e Jango:
1- Consolidar, tendo como alicerce o MERCOSUL, a integração economia e política da América do Sul .
2- Conter e/ou reverter a indevida e humilhante hegemonia norte-americana na América Latina.
3- Alçar o País no cenário mundial como interlocutor respeitado, compatível com sua grandeza física e coerente com sua imagem de nação pacífica e tolerante, através de um diálogo renovado, sem hipocrisias e imposições.
Só a ridícula e tacanha mídia local, agora com o reforço essencial do Super Gasperi, faz questão de não ver e o possível para que seu leitores não vejam que estes objetivos estão sendo plenamente alcançados. Dito assim parece simples, mas por sua complexidade e ações bem o concatenadas, este conjunto de políticas será estudado, em breve, como a nova doutrina da política externa brasileira.
28-05-10
A resposta da Bolívia ao destrambelhado Serra
O Itamaraty tem infomações de que nas próximas horas todos os países da América do Sul, exceto Peru e Colômbia, vão se solidarizar com a Bolívia. Com Serra na presidência, Brasil ficaria isolado.
Confirmando matéria postada hoje pela manhã (veja logo abaixo) neste blog, o Governo da Bolívia respondeu de forma dura às ofensas de José Serra cometidas na quarta-feira (26) durante entrevista à Rádio Globo. O teor da resposta mostra que a eventual eleição do tucano daria início a um clima de discórdia e desconfiança no Continente, colocando em risco a atual política de entendimento e cooperação que permite ao Brasil exercer uma liderança natural, sem pretensões hegemônicas.
Veja o trecho principal da resposta boliviana divulgada esta tarde pela Agência Estado:
“Irresponsáveis” e “político-eleitorais” foram as expressões utilizadas hoje pelo Ministério da Relações Exteriores da Bolívia para definir as declarações dadas pelo candidato do PSDB à Presidência, José Serra, que afirmou nesta semana que o governo boliviano era cúmplice do contrabando de cocaína para o Brasil. Segundo a chancelaria boliviana, as declarações do tucano foram “desaprensivas” (palavra usada para ”irresponsáveis”, ”imorais” ou ”inescrupulosas”)”.
28-05-10
Bolívia responderá hoje à agressão de Serra.
E Parlamento Sulamericano também falará
O Itamaraty foi informado ontem à noite que o governo boliviano prepara uma dura resposta à “agressão brutal e gratuita” sofrida pelo país, por parte do candidato José Serra. A avaliação da diplomacia brasileira é a de que serão inevitáveis manifestações de solidariedade à Bolívia por parte de quase todos os países do Continente, exceto Colômbia e Peru, subordinados à esfera de influência norteamericana.
O assunto será tratado também pelo Parlamento Sulamericano e pela Cúpula da UNASUL União das Nações Sulamericanas. Entretanto, o Itamaraty recebeu recomendações expressas do presidente Lula no sentido de evitar qualquer radicalização. O objetivo é evitar que a emoção predomine nesta questão delicada, o que poria em risco a própria unidade continental, conquistada a duras penas nos últimos oito aos e que fez tão bem à imagem do Brasil no cenário mundial.
Na mesma linha, Dilma Rousseff não deverá explorar o episódio durante a campanha até para não contribuir para o surgimento de um sentimento chovinista e fascistóide já notado em seguimentos da pequena burguesia européia. A candidata já deu seu recado dizendo que a Bolívia, por ser um vizinho mais frágil, deve ser tratada com carinho. No mais será explorado apenas o lado da personalidade do candidato tucano que revela total destempero quando atua sob pressão.
O mais interessante é que as lideranças mais sensatas do próprio PSDB, a partir de seu presidente senador Sérgio Guerra, já advertiram Serra de que ele deve baixar o tom. Tudo bem quando se trata de combater a violência e o tráfico ou mesmo quando se defende o interesse econômico do país, como é o caso do gás boliviano. Mas eles consideram que Serra errou no tom. E para que não digam que este blog é tendencioso, reproduzimos, abaixo, pequena nota encontrada ao pé da coluna Panorama Político do Globo de hoje:
“ESCORREGA . Embora concordem com no mérito com a crítica de Serra à Bolívia, tucanos acham que ele errou no tom, principalmente ao usar o termo “cúmplice” ao se referir à relação entre o governo daquele país e traficantes de cocaína”
A matéria logo abaixo é complemtno desta.
27-04-10
Na agenda de Serra, a destuição do MERCOSUL
Já sabíamos que José Serra não tem nervos de aço coisa nenhuma e que, destemperado, diz e faz as maiores asneiras. Mas ontem (quarta-26) ele passou dos limites e descredenciou-se como candidato à presidência, ao referir-se de forma grosseira e torpe ao povo boliviano e a seu presidente Evo Morales. Em declarações à Rádio Globo (só podia ser) ele responsabilizou o país vizinho por nossas mazelas em termos de violência e consumo de drogas. E fez isso usando argumentos falsos e palavras incompatíveis com os de um chefe de estado.
Este blog foi informado, ontem mesmo, que a UNASUL, União das Nações Sulamericanas, que reúne todos países do Continente, vai solicitar, formalmente, explicações do transtornado candidato tucano. Em verdade, nem mesmo o mais energúmeno dos direitistas norte-americanos refere-se de forma tão baixa a um país amigo e vizinho.
Eis as palavras textuais do candidato desastrado: “ Você acha que a Bolívia ia exportar 80% a 90% da cocaína consumida no Brasil se o governo de lá não fosse cúmplice”. Em seguida ironizou a amizade entre os presidentes Lula e Evo Morales: “essa coca vem da Bolívia onde há um governo amigo com quem se fala muito”.
Não é verdade que a cocaína que entra no Brasil seja proveniente da Bolívia nas proporções chutadas por Serra. O grande e tradicional fornecedor para o Brasil e para o Mundo é a Colômbia governada por Álvaro Uribe. Ali se localizam os grandes cartéis do crime organizado. Quanto a Uribe, um aliado dos Estados Unidos e ideologicamente afinado com os tucanos, há farta documentação comprovando as ligações de sua família (inclusive seu pai) com os chefões do narcotráfico. Sobre ele, Serra se cala.
Entretanto este é apenas o enredo policial da questão. O mais importante é registrar que o PSDB tem uma longa tradição de má vontade em relação ao MERCOSUL. No final dos anos 90 do século passado, Fernando Henrique quase detonou este mercado comum, no episódio da brusca desvalorização do real, o que colocou nossas relações com a Argentina em seu nível mais baixo.
Para ser ter uma idéia da importância do MERCOSUL diga-se que ele é hoje um dos nosso três principais parceiros comerciais (um terço do nosso comercio exterior), com a vantagem de que ao contrário do que acontece com a Europa e a China, vendemos para nossos vizinhos produtos industrializados, principalmente.
O mais importante, porém, é que o Brasil só alçou a condição de protagonista da cena mundial , plenamente aceito pelas grandes potências, graças ao fato de , antes, como primeiro degrau, ter alcançado a posição de líder natural da América do Sul, sendo, inclusive o idealizador da implantação da UNASUL que só existe, porque, com paciência , habilidade e generosidade, não permitimos que o MERCOSUL fosse fragilizado, um dos objetivos estratégicos dos Estados Unidos. Objetivo este notoriamente compartilhado pelos tucanos e pelas Organizações Globo.
15-01-2009
A integração sulamericana não pode ser
um acerto de elites, mas uma
legítima união a partir das bases populares
Comecei a sonhar com a integração sulamericana, há trinta anos, quando era correspondente da Folha de São Paulo em Buenos Aires. Ali, vasculhando a biografia de Juan Perón, topei pela primeira vez com este nome forte, Pátria Grande, idealizado pelo velho caudilho para sintetizar seu projeto de união continental. Nunca mais deixei de pensar no assunto e, há uns dez anos me transformei num decidido batalhador pela construção desta que será, mais rapidamente do que se imagina, uma das quatro maiores potências mundiais. Enfim, isto explica a existência desta coluna.
Durante toda esta luta, o que mais tem me inquietado é o misto de cegueira e ambigüidade com que as diversas elites nacionais do Continente lidam com este assunto. De um lado, elas perceberam, finalmente, que só tem a lucrar com a integração, mas isto faz com que elas pensem apenas nas vantagens aduaneiras do livre mercado, o MERCOSUL. Fica faltando ainda a visão estratégica e generosa de um pátria comum que, preservando as características individuais de cada república, não deixe de cimentar um pacto federativo, única forma de fazer frente às investidas das grandes potências de outros continentes
Em meio a essas considerações fui procurado por um grupo de jovens que me fizeram enxergar o óbvio: a construção da Pátria Grande é assunto sério demais para ser deixado nas mãos das elites. Com outras palavras: a União Sulamericana será construída a partir de suas bases populares ou será apenas um colcha de retalhos sem a unidade e consistência compatíveis com a ambição do projeto.
E é pela soma de todas estas razões que resolvi transformar esta coluna em espaço de divulgação a disposição da Ação Patriótica (da qual faço parte) e da Juventude Patriótica que adotaram como símbolo a figura emblemática de Tupac Amaru qu
e, como nosso Zumbi dos Palmares, encarna o espírito libertário e verdadeiramente solidário dos povos da América do Sul.
Se você quer aderir ao projeto ou apenas colher mais informações, mande sua mensagem para este blog.
ORGANIZE EM SUA CIDADE, SEU BAIRRO, SINDICATO OU LOCAL DE TRABALHO UM NÚCLEO DA AÇÃO PATRIÓTICA E JUVENTUDE PATRIÓTICA.
30-09-09
Missão cumprida
Está aberto o diálogo democrático em Honduras, o que só foi possível em função da Operação Tgucigalpa, inciativa do Brasil. Com a chegada, hoje, dos representantes da ONU e da OEA, o golpe militar fica praticamene anulado. Para desespero da mídia brasileira vendida e dos analfabetos políticos, com seus xingamentos e ironias baratas. Veja foto da reunião em @AntonioVM
O fator Chávez
15/05/2009
Este blog recebeu no último dia 14 a correspondência enviada pelo senador Eduardo Suplicy a qual o leitor lerá logo abaixo e que me apresso em publicar porque, de forma brilhante, o texto elimina um falso problema, na verdade um quiproquó que poderá levar os senadores da República a cometerem um erro histórico de grandes proporções, talvez o maior de toda uma geração, caso venham a negar o ingresso da Venezuela no Mercosul. Dizendo de forma simplificada, tudo consiste em se compreender que não se estará votando o ingresso do presidente Chávez no Mercosul, mas o ingresso de seu país. País este que, sendo a terceira maior economia do continente, comporá, com o Brasil e a Argentina , a espinha dorsal da União Sul-americana que, assim como a União Européia, representa, nesta fase de intensa globalização ,a única forma de fazer valer, frente às demais potências mundiais, os interesses estratégicos, permanentes, dos países desta parte das Américas até aqui tão menosprezada. Seja como for, a verdade é que o presidente Hugo Chávez não está fazendo nada que vá contra o desejo da maioria do povo venezuelano.
A seguir o texto do senador Suplicy:
Na análise da permissão para a Venezuela ingressar no MERCOSUL é necessário considerar, em primeiro lugar, que acordos internacionais são celebrados por Estados com fundamento em seus interesses de longo prazo. Nesse processo de natureza estratégica e diplomática, governos são circunstanciais. Os compromissos de política externa constituem-se, por definição, em compromissos de países. Portanto, quem está aderindo ao MERCOSUL não é o atual governo venezuelano, mas sim a Venezuela, país vizinho com o qual o Brasil sempre manteve boas relações.
Não obstante essas constatações, é necessário reconhecer que o debate sobre a entrada da Venezuela no MERCOSUL, sempre oportuno numa democracia, ultimamente está um tanto distorcido. Com efeito, esse debate, que deveria ter como parâmetro essencial os interesses estratégicos dos Estados Partes e do próprio bloco, vem sendo conduzido, por vezes, com base em posições ideológicas, não raro marcadas pelo emocionalismo e o desconhecimento.
Assim sendo, parece essencial recolocar essa importante questão nos seus devidos parâmetros e eliminar do debate idiossincrasias políticas que não contribuem para o exame objetivo e amplo deste compromisso internacional de longo alcance.
Em parecer apresentado pelo Deputado Dr. Rosinha sobre esta mesma matéria na Comissão de Relações e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, ele efetua uma pormenorizada análise histórica dos vetores econômicos, comerciais, estratégicos e diplomáticos que, nos últimos 15 anos, adensaram significativamente as relações bilaterais Brasil/Venezuela e pavimentaram o ingresso desse nosso vizinho no MERCOSUL. Cabe recordar os principais dados e argumentos utilizados pelo ilustre parlamentar com o intuito de inserir a discussão da presente matéria em seu apropriado contexto histórico.
Até o final da década de 80 do século passado, a Venezuela estava relativamente isolada do seu entorno regional na América do Sul. A prioridade absoluta da sua política externa eram as “relações privilegiadas” com os EUA, grande comprador do petróleo venezuelano, seguida da sua projeção estratégica no Caribe, mar que a liga à América do Norte. Esse isolacionismo parcial da Venezuela, que aderiu tardiamente ao GATT e à Comunidade Andina, só começou a ser efetivamente revisto quando a relativa abundância de petróleo no mercado internacional, que fez diminuir o preço dessa commmodity, somada à crise da dívida, que viria a atingir fortemente aquele país ao final daquele decênio, produziu uma mudança na estratégia de sua política externa. De fato, a política externa regionalmente isolacionanista, baseada na noção de uma suposta superioridade político-democrática, na afluência econômica do petróleo e nas relações privilegiadas com os EUA, principal comprador dessa commodity, passou a ser substituída progressivamente por uma estratégia de inserção no cenário externo mais realista, na qual a América do Sul passou a ter lugar de destaque.
Em relação especificamente ao Brasil, a progressiva aproximação foi facilitada por fatores históricos e geográficos. Em primeiro lugar, a fronteira da Venezuela com o Brasil, a mais extensa daquele país (2.199 km), foi estabelecida definitivamente por um tratado de 1859. Assim, ao contrário do que ocorreu com seus outros vizinhos, Colômbia e Guiana, a Venezuela nunca teve disputas territoriais com o Brasil. Em segundo, as relações bilaterais, foram, em geral, cordiais, embora pouco densas para a sua potencialidade.
Entretanto, o fator desencadeador do adensamento das relações bilaterais Brasil/Venezuela foi a necessidade conjunta de desenvolver e povoar a região amazônica, compartilhada por ambos os paises. De um lado, o Brasil tinha o programa da Calha Norte, que seria posteriormente complementado pelo SIPAM e pelo SIVAM. De outro, a Venezuela tinha o PRODESSUR, com os mesmo objetivos estratégicos. Essa necessidade estratégica compartilhada por Brasil e Venezuela fez surgir planos bilaterais de integração energética, com o intuito de enfrentar os gargalos de infra-estrutura para o desenvolvimento de suas fronteiras amazônicas. Dessa forma, as estatais EDELCA e ELETROBRAS passaram negociar contratos, em 1993, com base em estudos feitos por um Grupo de Trabalho sobre Energia. Verificou-se que os rios amazônicos da Venezuela, com quedas d’água de potencial hidroelétrico superior, dada à presença próxima do planalto venezuelano, permitiriam fornecimento de energia venezuelana para o norte brasileiro, como de fato foi feito posteriormente.
Também no mesmo ano (1993), a Fundação Alexandre Gusmão FUNAG e o Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais-IPRI, órgãos pertencentes ao Itamaraty, elaboraram, com a colaboração de especialistas de ambos os países, um diagnóstico bastante aprofundado das potencialidades da cooperação bilateral Brasil/Venezuela. Os resultados desse diagnóstico foram muito encorajadores, face à complementaridade das economias daquele país e do Brasil. Com efeito, a Venezuela, embora tenha abundância de petróleo e gás natural, tem uma economia pouco desenvolvida em certos setores industriais importantes, como máquinas e equipamentos, automóveis e bens de capital, setores nos quais a economia brasileira é bem mais competitiva.
Do ponto de vista do Brasil, a integração com a Venezuela permitiria o equacionamento de suas necessidades energéticas, facilitaria o desenvolvimento da região amazônica, de grande interesse estratégico, e criaria um corredor de exportação para o Caribe. Sob a ótica da Venezuela, a integração com o Brasil ensejaria a diversificação da sua estrutura produtiva, diminuindo a sua dependência econômica das exportações de petróleo e sua dependência política dos EUA. Desse modo, foram feitos planos para a integração da Petrobrás e PDVSA, a comunicação física de linhas de transmissão de energia elétrica (Manaus-Elétrica Del Guri) e a construção de estradas e pontes para conectar ambas as nações.
Vislumbrava-se, portanto, já naquela época, que a aproximação entre essas nações era inteiramente conveniente aos seus interesses maiores e que a cooperação poderia estar solidamente alicerçada em projetos econômicos, comerciais, de integração energética, de transportes e mesmo geoestratégicos.
O ponto de inflexão dessa aproximação foi a celebração do Protocolo de la Guzmania, firmado pelos presidentes Rafael Caldera e Itamar Franco, em 1994. Mediante tal protocolo, formulou-se uma tríplice estratégia de concertação entre ambos os países. Previa-se o desenvolvimento de ações na zona de fronteira, com o intuito de assegurar a ocupação e o desenvolvimento da região amazônica, o estímulo ao comércio e aos investimentos, assim como ações comuns destinadas à criação de uma zona de livre comércio na América do Sul.
A partir desse marco histórico, houve considerável adensamento das relações bilaterais Brasil/Venezuela. Entre 1995 e 2002, construiu-se uma agenda ampla e diversificada, na qual se destacaram as iniciativas em matéria de integração física e energética, o desenvolvimento fronteiriço e a cooperação em meio ambiente. Além disso, ampliou-se o intercâmbio comercial, com destaque para as compras de petróleo venezuelano, que passaram a situar a Venezuela como um dos principais fornecedores ao Brasil, e concluiu-se a construção das linhas de transmissão de energia elétrica entre a Venezuela e o Estado de Roraima. Também pavimentou-se a BR-174, que liga Manaus ao Caribe, possibilitando a criação de um corredor de exportação de grande relevância para a Região Norte do País.
Do mesmo período datam as tratativas para a criação de uma área de livre comércio entre a Comunidade Andina e o MERCOSUL e as primeiras manifestações oficiais favoráveis à entrada da Venezuela no Mercado Comum do Sul. Desse modo, cumpre destacar que já em sua primeira viagem como mandatário supremo à Venezuela, em julho de 1995, o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, em discurso proferido no parlamento venezuelano, que:
O MERCOSUL começa a identificar novos parceiros na América do Sul, onde estamos negociando formas de aproximação com a Venezuela, o Chile e a Bolívia, além do conjunto inteiro do Pacto Andino.Entre essas áreas, com sentido de prioridade (grifo nosso) dada pela vizinhança e pela intensidade da agenda, a aproximação com a Venezuela é natural. De sua parte, a Venezuela também manifestou, no mesmo ano (1995), seu interesse de aproximar-se ao MERCOSUL e formar uma estratégia dirigida a construir um mercado comum sul-americano, “antes do prazo estabelecido para a construção da área de Livre Comércio das Américas (ALCA), ou seja, antes de 2005”.
Vê-se, por conseguinte, que houve uma paciente construção histórica de interesses econômicos, comerciais e geopolíticos comuns, que perpassou governos de diferentes matizes políticos e ideológicos, tanto na Venezuela como no Brasil, e criou sólidas condições objetivas para a entrada desse nosso vizinho no MERCOSUL.
Assim sendo, pode-se dizer que a inclusão da Venezuela no MERCOSUL é, sob a ótica dos interesses brasileiros, apenas a culminação de um longo processo de adensamento das relações bilaterais Brasil/Venezuela iniciado no governo Itamar Franco, consolidado no governo Fernando Henrique Cardoso e concluído na administração de Luiz Inácio Lula da Silva. Portanto, a adesão da Venezuela ao MERCOSUL não tem nada de intempestiva e tampouco resulta de uma decisão política sem substrato econômico, comercial e histórico, como afirmaram alguns.
Nos últimos anos, o incrível crescimento da corrente de comércio Brasil/Venezuela, bem como dos investimentos públicos e privados efetuados em âmbito bilateral, tornam a entrada daquele país no MERCOSUL algo praticamente inelutável. Entre 2003 e 2008, as exortações brasileiras para a Venezuela passaram de US$ 608 milhões para 5,15 bilhões, um crescimento de 758% em apenas 5 anos. O mais interessante para os interesses brasileiros, contudo, não é esse extraordinário aumento, mas a qualidade de nossas exportações e o grande saldo comercial positivo que temos nesse âmbito bilateral específico.
Com efeito, cerca de 72% das nossas exportações para a Venezuela são de produtos industrializados (manufaturados e semimanufaturados), justamente os produtos que têm maior valor agregado e que geram mais empregos. Ademais, temos com a Venezuela um vultoso superávit comercial. Em 2008, obtivemos com esse vizinho do Norte um saldo positivo de US$ 4,6 bilhões. Mencione-se, para efeitos de comparação, que, no mesmo período, tivemos um superávit comercial com os EUA de apenas US$ 1,8 bilhão e, com o conjunto dos 27 países da União Européia, US$ 10,2 bilhões. Na realidade, só um país supera a Venezuela, no que tange à geração de saldos comerciais positivos para o Brasil. Trata-se da Holanda (Países Baixos), com o qual obtivemos, em 2008, US$ 9 bilhões de superávit. Não obstante, esse número extraordinário não foi obtido tanto em razão do dinamismo das relações comerciais bilaterais Brasil/Holanda, mas sim graças à importância do porto de Roterdã, que concentra boa parte da movimentação portuária de toda a Europa.
No campo dos investimentos, há projetos bilaterais de enorme vulto em execução, como o da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco e o da construção do metrô de Caracas, que poderão ser significativamente robustecidos. De fato, nos últimos anos houve aumento considerável de investimentos diretos bilaterais, seja através de empresas privadas, seja através dos fluxos gerados por mecanismos governamentais, como o Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos (CCR) da Associação Latino-americana de Integração (ALADI). Destaque-se que, em 2007, a Venezuela concentrou cerca de 93% dos investimentos diretos efetuados com base nesse convênio, o que beneficiou várias empresas brasileiras que prestam serviços na região.
Obviamente, a entrada da Venezuela no MERCOSUL deverá aumentar substancialmente esses números já bastante significativos, uma vez que o potencial econômico-comercial da relação Venezuela/ Brasil e Venezuela/ MERCOSUL apenas começou a ser explorado. Face à complementaridade das duas economias, não há dúvida de que, no longo prazo, independentemente da evolução da crise mundial, a Venezuela deverá se converter, caso ingresse no MERCOSUL, num dos maiores parceiros econômicos e comerciais do Brasil.
Independentemente desses sólidos vetores históricos, econômicos, comerciais e geoestratégicos, que recomendam o célere ingresso da Venezuela no MERCOSUL, há aqueles que manifestam sua oposição ao protocolo em apreço.
Os argumentos dos opositores da inclusão da Venezuela no MERCOSUL cingem-se, em geral, a críticas ao regime do presidente Hugo Chávez. O principal deles tange à suposta incompatibilidade entre o atual regime político da Venezuela e o compromisso democrático do MERCOSUL, inscrito no Protocolo de Ushuaia, firmado em 1998. Porém, tal instrumento prevê a possível retirada de um Estado Parte apenas no caso em que haja ruptura da ordem democrática. De fato, o artigo 2 do Protocolo de Ushuaia reza que:
O presente Protocolo se aplicará às relações que decorram dos respectivos Acordos de Integração vigentes entre os Estados Partes do presente Protocolo, no caso de ruptura da ordem democrática (grifo nosso) em algum deles.
Fica claro, por conseguinte, que o Protocolo de Ushuaia só pode ser acionado em caso estrito de fratura severa na ordem democrática. O mesmo vale para a Carta Democrática da OEA, aprovada em 2001, que também tem cláusula semelhante (artigo 19). Assim, a questão que se coloca é se há atualmente na Venezuela uma efetiva ruptura da ordem democrática.
Embora considere que a opinião dos que se opõem ao ingresso da Venezuela no MERCOSUL deve ser respeitada deve-se considerar que não há fatos que consubstanciem essa tese. Apesar dos questionamentos relativos à não-renovação da licença do canal RCTV, feita ao abrigo da lei venezuelana sobre o tema, editada em 1996, a Venezuela tem uma imprensa bastante atuante que faz oposição ferrenha ao governo Chávez, o que assegura a divulgação livre de informações própria dos regimes democráticos. Há também partidos contrários ao regime chavista, como o COPEI e a Ação Democrática, de histórico enraizamento na sociedade venezuelana, que oferecem, quando decidem participar de eleições, alternativas de poder aos cidadãos da Venezuela.
Assinale-se que, nos últimos anos, houve crescimento significativo da oposição venezuelana. Em dezembro de 2007, a oposição ao governo Chávez foi vitoriosa no referendo relativo à reforma da Constituição da Venezuela, o que parece demonstrar que a tese da ausência de limites para reeleições não tem apoio político suficiente para prosperar, no próximo referendo constitucional. Nas eleições provinciais de novembro de 2008, embora o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), chavista, tenha obtido a maior parte dos votos no cômputo geral, a oposição conseguiu importantes vitórias nos estados mais populosos e economicamente dinâmicos (Carabobo, Táchira, Nueva Esparta e Miranda), bem como na capital, Caracas, e na cidade de Maracaibo.
Observe-se, além disso, que em todos os pleitos eleitorais realizados ao longo do governo Chávez, acompanhados por inúmeros observadores internacionais, não houve denúncias comprovadas de fraudes e vícios que tivessem comprometido os resultados, o que poderia ter afetado, de fato, a ordem democrática venezuelana.
A bem da verdade, a última vez que houve ruptura da ordem democrática na Venezuela foi quando setores militares venezuelanos deram um golpe contra o governo Chávez, em março de 2002. Tanto é assim, que, à época do golpe, o Conselho Permanente da OEA foi acionado e chegou a um consenso sobre a necessidade de intervenção com base na Carta Democrática. Só não foram tomadas medidas efetivas, como a suspensão da Venezuela da OEA, porque o golpe foi prontamente revertido.
Em relação ao argumento de que o governo Chávez poderia “perturbar” o MERCOSUL, deve-se observar que as decisões nesse bloco econômico têm de ser tomadas por consenso. Ademais, ante o enorme peso específico econômico, demográfico, territorial e político que o Brasil tem no MERCOSUL, parece-nos impossível que isso venha a acontecer. De outro lado, abstraindo os arroubos retóricos do presidente Hugo Chávez, é do interesse objetivo e estratégico da Venezuela que o MERCOSUL se consolide de forma racional e pragmática para melhor projetar as reivindicações dos Países Membros no cenário internacional. Nenhum Estado Parte tem interesse num MERCOSUL dividido e conturbado.
Há, ainda, o argumento de que o Protocolo de Adesão da Venezuela ao MERCOSUL só poderia ser aprovado pelo Congresso Nacional, quando as negociações técnicas do Grupo de Trabalho criado por seu Artigo 11 estejam concluídas. Ora, se tivermos de esperar pela resolução definitiva de pendências técnicas para aprovarmos os atos internacionais do MERCOSUL, teríamos de rever até mesmo o Tratado de Assunção, pois ainda não conseguimos finalizar a união aduaneira e eliminar a dupla cobrança da TEC, entre várias outras questões operacionais e jurídicas que afetam o processo de integração. Mas, em referencia especificamente às negociações técnicas criadas pelo Artigo 11 do Protocolo, é preciso assinalar que sua primeira fase foi concluída com êxito em março de 2007, sendo que o Conselho do Mercado Comum, através da Decisão nº 12/2007, prorrogou-as para que algumas questões pudessem ser resolvidas. Entre essas, destaca-se o cronograma de liberação comercial Brasil/Venezuela, o qual está, hoje, praticamente acordado, faltando somente o acerto de alguns detalhes que deverá estar concluído nos próximos meses.
Temos de ter, no MERCOSUL, a mesma tolerância e visão estratégica que nortearam a integração da União Européia, a qual soube consolidar-se apesar de notáveis diferenças políticas conjunturais e de retrocessos eventuais. Processos de integração nunca são harmônicos. Há sempre conflitos e assimetrias a serem resolvidos, especialmente quando eles ainda estão em fase de consolidação. Por isso, diferenças políticas entre governos não devem ser encaradas como obstáculos insuperáveis à integração, mas sim como desafios naturais do longo e complexo processo de construção de um mercado comum.
É necessário ponderar também se o isolamento político-diplomático da Venezuela, que a rejeição deste ato internacional inevitavelmente acarretaria, convém aos interesses do Brasil, do MERCOSUL e da América do Sul. Acreditamos que não.
Com a adesão da Venezuela, o MERCOSUL passa a constituir um bloco com mais de 250 milhões de habitantes, área de 12,7 milhões de km², PIB superior a um trilhão de dólares (aproximadamente 76% do PIB da América do Sul) e comércio superior global superior a US$ 300 bilhões. Nesta nova configuração, o Mercado Comum do Sul torna-se um dos mais significativos produtores mundiais de alimentos, energia e manufaturados.
Por conseguinte, trata-se, aqui, de consolidar e ampliar o MERCOSUL, objetivo estratégico de todos os Estados Partes que o compõem e da própria Venezuela. Esse processo de consolidação e ampliação do MERCOSUL, do qual o presente protocolo é um instrumento, vem sendo impulsionado por políticas de Estado dos signatários do Tratado de Assunção, e não por idiossincrasias de governos específicos.
Essa consolidação e ampliação do MERCOSUL, da qual a adesão da Venezuela é uma das vertentes, torna-se emergencial nessa conjuntura de grave crise mundial. A inevitável redução dos fluxos mundiais de comércio e de investimentos que a crise já vem acarretando, demandará medidas fortes de estímulo ao comércio regional e aos investimentos intrabloco. Por isso, o próprio Parlamento do Mercosul aprovou Recomendação ao Conselho do Mercado Comum, na qual coloca-se ênfase na necessidade de promover os fluxos comerciais e de investimentos regionais e de ampliar e consolidar do processo de integração.
Face essa argumentação do Deputado Dr. Rosinha, bem como a de muitos especialistas em relações internacionais creio que a adesão da Venezuela ao MERCOSUL vai ao encontro dos interesses de seus Estados Partes, especialmente nesta conjuntura de grave recessão mundial.
Cordialmente,
Senador Eduardo Matarazzo Suplicy
E os palestinos?
30/04/2009
Mesmo que não tenha ligação direta com os temas deste blog, não posso deixar de comentar a campanha movida contra a visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil. O movimento foi bem revelado na coluna de Merval Pereira do dia 29 de abril, onde é reproduzida a argumentação do ex-chanceler Celso Lafer, ao que parece, um dos líderes do boicote pouco diplomático ao presidente eleito de uma nação amiga e convidado do governo brasileiro.
Os argumentos do diplomata: a Constituição brasileira fala na prevalência dos direitos humanos nas relações internacionais. Por conta disso (estou transcrevendo trecho da coluna do Merval), no correr dos tempos, o governo brasileiro tem assinado diversos tratados sobre o assunto.
“ A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi concebida como um caminho para se atingir uma relação amistosa entre os povos, e favorecendo a paz, lembra Lafer (continuamos transcrevendo a coluna), e em decorrência dela nasceu o Pacto dos Direitos e Políticos, que o Brasil assinou, além de um tratado regional, o Pacto de São José. Os dois documentos afirmam basicamente a mesma coisa: caberá aos países signatários proibir a propaganda em favor da guerra e toda a apologia ao ódio nacional, racial ou religioso e o incitamento à violência e ao crime”.
O discurso de Lafer, visto de forma genérica é irretorquível, mas eu não quero nem pensar no que ele seria capaz de dizer e fazer às vésperas, por exemplo, de uma visita do presidente chinês Hu Jintao ao nosso país. Mas a questão é outra: como ficam, nesta discussão, os palestinos ? Um povo numericamente superior aos judeus que vivem em Israel, e que ,desde 1949, vem sendo sistematicamente expulso,segregado ,humilhado, esmagado e, por fim, chacinado dentro dos limites do território onde vive há mais de dois mil anos. Há pouco mais de três meses,milhares de civis palestinos foram agredidos e mortos pelas tropas israelenses num brutal e escancarado crime de guerra denunciado por altos dirigentes da própria ONU. Quem poderá convencer a estas vítimas brutalizadas e a seus parentes e a seus patrícios que os israelenses são mais humanos e que seus direitos são mais direitos?
Até a próxima
Alfonsín, Sarney e a mídia idiotizada
02/04/2009
Cheguei a supor que não me surpreenderia mais com a crescente idiotice da grande mídia nacional. Mas ela , imbatível, se supera a cada dia e esta acometida de uma verdadeira doença que decorre do alto grau de alienação obtido através de uma perfeita interação neurótica com a nossa alta classe média. Elas interagem para protegerem-se, talvez, de notícias ruins que eventualmente contrariem seus interesses. Seja como for, elas estão inabilitadas para lidar com a realidade. Realidade da qual elas passaram a ter uma visão distorcida, o que não impede que, em alguns casos, a distorção seja deliberada.
Vejamos um caso concreto e imediato: a morte do ex-presidente argentino Raúl Alfonsín que é apontado por nossos vetustos jornais como uma dos campeões da redemocratização de seu país, o que é verdade. Ele assumiu a presidência em 1983, sucedendo ao último general de uma linhagem que a partir de 1976 notabilizou-se por uma ditadura das mais sanguinárias do continente.
Até aqui tudo bem, mas começamos a pisar no terreno da ficção maldosa quando nossa mídia acrescenta que Alfonsín não conseguiu concluir o seu mandato porque foi vítima de incidiosa campanha movida pelos peronistas, estes populistas irresponsáveis o descontentamento popular às greves, às ruas e à baderna, só porque a taxa de desemprego atingira a taxa record de
8,4 %. Neste ponto, é preciso que Alfonsín e seu Partido Radical (liberal apesar do nome) não estavam sozinhos quando destronaram os militares. Na verdade, foi preciso que os peronistas
fossem mais uma vez às ruas , exatamente como em 1973, quando outra ditadura militar foi derrubada, propiciando o retorno de Perón. Aliás, durante a luta os peronistas não se limitaram aos protestos ditos civilizados e recorreram à luta armada. Nesta época, eles mereceram da mídia brasileira adjetivos que iam de baderneiros a terroristas. Em todo caso, não se pode omitir que o sucessor de Alfonsín, Carlos Menen, um peronista histórico, também deixou-se enredar pela ortodoxia do Fundo Monetário Internacional e pela conversa do Consenso de Washington. Como resultado, literalmente, quebrou a Argentina.
Entretanto, à medida em que escrevo estas linhas, vou despertando a memória que viaja para o longinquo ano de 1957, quando Juscelino profetizou que Frondize outro presidente argentino ligado ao Partido Radical seria deposto porque cedera às exigências do FMI. “Eu não me submeti e transmitirei o cargo para meu sucessor legitimante eleito”, concluiu ele.
Mas voltemos à nossa mídia. Na cobertura da morte de Alfonsín, só de relance ela lembrou que o presidente argentino e seu colega brasileiro, José Sarney, comportaram-se como verdadeiros estadistas ao removerem todos os obstáculos diplomáticos, para, em seguida assinarem o Tratado de Assunção que daria origem ao Mercosul – versão modesta do Mercado Comum Europeu -, que, no entanto, assim como lá, pode ser embrião de uma federação, a União das Nações Sul-americanas, que questão de desacreditar.
Nossos jornalistas, sempre que podem, procuram ignorar esta nova entidade que, apesar deles, já atua e começa a pavimentar o caminho a construção de um poderosos bloco econômico, política e militarmente integrado, sendo provável que nos próximos anos se apresente ao mundo como uma potência emergente de importância capital, dentro da nova geopolítica global que começa, na presente década a ser desenhada. Esta é a realidade que provoca agonias, tanto na mídia e nas elites brasileiras, como em seus patrões de olhos azuis.
Não é para menos: a União Sul-americana é a única entre as grandes potências que pode ostentar auto-suficiência em energias de todos os tipos, bem como em proteínas animais e vegetais, fator de incomparável importância estratégica.
Confesso que recordo com nostalgia a velha imprensa que deu cartas no meio seculo que medeia os anos 40 e 90 nos brindou com personagens antológicas como, só para citar alguns, Carlos Lacerda , Samuel Wainer, Cláudio Abramo e Mino Carta, este, o último moicano de uma tribo que não cabe mais no atual formado medíocre e estéril que, aliás, está sendo siderado pela Internet, este monstro a ser decifrado. A velha mídia não atendia por este nome, era – se isso for possível- romanticamente corrupta, políticamente incorreta, mentia e chutava com grandeza, mas não era idiota.
Ainda neste semestre, o Senado brasileiro deverá dizer sim ou não ao ingresso da Venezuela no Mercosul. Esta adesão é de radical importância para a consolidação da União Sul-americana, porque, se o tripé Brasil-Argentina-Venezuela for solidamente fincado no continente estará da a condição de irreversibilidade ao projeto da Pátria Grande Sul-americana, como Juan Perón a chamou um dia. Tudo isto, independente das extrapolações de lideranças polêmicas porém transitórias.
A grande mídia insensata e seus anões alienados então assetando suas baterias de ódios, preconceitos e desinformações deliberadas , na tentativa de barrar o ingresso venezuelano. Se eles vencerem, estaremos assistindo a um desastre histórico de proporções gigantescas.
Até a próxima

A Pátria Grande deve mesmo ser de conhecimento de todos.
Fico feliz em ver um blog com essas idéias, são raros nos dias de hoje.. o Brasil precisa passar por uma gigantesca “Latino Americanização”.
http://www.trotamerica.wordpress.com
Belissimo projeto que merece toda atencao e carinho
Como participar vivendo em Nova Iorque?
Muito bom comandante Francisco Barreira,
Pena que já não se façam jornalistas como antigamente.
!!@v@nte!!
Olá, grande blog
já havia o visitado antes
A grande mídia oligarca tem ódio do lula porque é um mestiço, não tem curso superior é um legitimo representante da classe menos favorecida.Os ‘donos da mídia’ não conseguem ser imparciais .. é patente aos olhos como todos são pró serra é um direito deles ,claro ,mas desde que não usam isso, para falacias e métodos rasteiros …
beijos no coração!
que vc tenha longa vida…
paz força e alegria
kiko
Senhores;
Estamos no século 21 e precisamos ser governados por ações públicas que cheguem a todos de forma ampla, democrática e sem subterfúgios ou manobras escusas, não por ideologias de dois séculos passados !!! Precisamos ver com nossos próprios olhos além do muro e não que caudilhos e lideres do passado nos mostrem novos caminhos que só nos vamos trilhar. A sociedade evoluiu. Sabemos o que queremos !!!!!
O Homem que tinha a capacidade e vontade de conduzir nosso pais ao rumo da soberania não está mais entre nós. Era LEONEL DE MOURA BRIZOLA!
Bom texto pra entendermos mais um pouco da UNASUL e sua importância para os paises sulamericanos.
Chico:
Sou argentina e jornalista. So um argentino pode comprender a situaçao da minha terra.
O governo dos Kirchner esta feito de dadivas, os desocupados ganhan mais dinheiro que a clase midia trabalhadora que nos mantemos este sistema corrupto que deixa fora a quem trabalha.
Temos muita inflaçao. mas eles disenham os indicadores.
Ja desde o primeiro governo de Nestor Kirchner temos mais de 30.000 mortos pela inseguridade, desnutriçao infanti em alça.
Eles compram jornalistas, tenho amigos que eram os mais criticos deles, agora so falam maravilhas, porque les deram trabalho.
Este governo é corruto, mais eu penso que vai querer trocar a constutuçao para ficar eternamente no poder.
Acredite, você nao gostaria de morar aqui nem 10′.
A Unasul é uma instituição independente, por tanto é ela que deve como instituição acreditada, e idônea, tomar as decisões no que desrespeita o território Sul Americano. Veja bem! Ao meu ver á Unasul demonstra uma grande fragilidade quando á Argentina leva os seus reclamos sobre a militarização das malvinas ao conselho da Onu. Não faz sentido reclamar os interesses de países (Sul Americanos) perante á (ONU) e menos ainda quando o denunciado faz parte deste mesmo conselho, tendo como aliado outra super potência que tambem faz parte deste conselho. A Unasul foi criada para Unir os países do continente, e especular novas táticas de defesa em conjunto. Ao meu ver á Unasul só começara a ser acreditada como instituição de poder autônoma, e séria, quando souber usar o que tem em mãos, e o que tem em mãos é justamente esta união. Então como cidadão não brasileiro, más sim (Sul Americano) vamos levar a coisa mais á sério, vamos investir mais em conjunto, e parar com esta novela de querer ser membro da Onu, porque a Onu não tá com nada, ela só mostrou até os dias de hoje, apoio á todas as injustiças que já conhecemos. A militarização do Atlântico sul, e a ocupação das malvinas, hoje se tornaram uma responsabilidade da Unasul, pois a presença (Britânica) inibe o plano estratégico de defesa, do nosso continente, por tanto vamos agir, e no verbo bem simples, parar de tanto blábláblá! Só vender noticia não tá com nada. Sou patrióta, e quero o melhor para mim, e para os meus filhos, e para todos os meus irmãos. Viva as (Malvinas) elas são (Argentinas) Nota: A Unasul deve olhar para as (Malvinas) da mesma forma que os britânicos olham prá ela. (Importância estratégica)
Extraordinario, esto es la América toda