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O Grande Debate

28-11-12

O Mensalão não doeu muito para o PT. Agora vem o troco.

Mais do que a oposição parlamentar, a mídia  mais renitente, Globo à frente, fez o possível para detona o PT através do Mensalão. É claro que o PT sofreu arranhões. Nada porem que o tenha ferido de morte nestas eleições. O mesmo deverá ocorrer nas próximas.

Mas é preciso registrar que, com isso, o PT ajeita-se ainda melhor na vala comum  partidária. Exceto pela ação de alguns setores da militância, o grande público não diferencia o PT dos demais partidos no aspecto ético. O diferencial administrativo é o único quer faz a diferença.

O PSOL poderia fazer essa diferença. Mas, dividido, passa a imagem não de um PT regenerado, mas de uma UDN (que nasceu como esquerda democrática) ressuscitada.  Na mesma linha encaixam-se o festejado Joaquim Barbosa e outros gatos pingados do STF. Enfim, são o retrato da classe média emergente: um pé no moralismo hipócrita e outro na alienação fascitóide, sua característica universal.

PSDB e DEM são os principais representantes dessa corrente e cumprem bem a tarefa, FHC à frente.

Tudo isso para que os novos marxistas revolucionários (não confundir com os bolchevistas retardatários) devem pelejar pela nomeação de juízes do Supremo ( por exemplo) imbuídos da noção de que o Estado Burguês tem que evoluir para o verdadeiro Estado Popular,cujo destino final é sua extinção.

A matéria abaixo complementa o raciocínio desta.

13-10-12

Adeus ao Projeto Popular Nacional?

Como estamos vendo, do ponto de vista meramente eleitoral, a condenação de petistas  no STF, por conta do mensalão, não  provocou grandes avarias no PT. Basta ver as vitórias do partido em quase toda a região metropolitana de são Paulo. E, na Capital, verificamos a grande vantagem de Haddad sobre Serra nas pesquisas para o 2º turno.

Mas o PT ainda representa um  Projeto Popular Nacional? Esta  expressão (Projeto Popular Nacional) é mais recente. Diz respeito aos movimentos renovadores na Venezuela, Equador, Peru, Bolívia e Argentina, Cada qual com suas particularidades locais. Mas todos apontam para a necessidade de fortalecimento do MERCOSUL e da UNASUL – União das Nações Sulamericanas.  A expressão Pátria Grande é cada vez  mais freqüente quando nos referimos à América do Sul.

Voltemos ao PT: Concretamente o partido não se enfraquece eleitoralmente, porque está adequando suas alianças e seu discurso eleitoral às necessidades pragmáticas do momento Entretanto deixa de ser o interprete ideal da versão brasileira do Projeto Popular Nacional.

Para ficar com o exemplo de São Paulo, temos que Lula e Dilma paparicam  Michel  Temer para obter o apoio formal de Gabriel Chalita (4º colocado no 1º turno) cujo eleitorado é muito parecido com o de Serra. Chalita conta com o apoio dos católicos carismático e conservadores, tipo Padre Marcelo.

Quanto a Celso  Russomanno, o 3º colocado no 1º turno,  não foi possível obter sua adesão formal. Seu eleitorado é mais amplo: uma mistura de serrismo com malufismo. Vai das classes A e B até a C e D.

Lula está grudado no bispo Macedo presidente do partido de Russomano (PRB) e seu patrão na TV Record. Quer que pelo menos  a Record e o próprio Russomano não pendam para o lado de Serra.

Seja como for o PT terá que bitolar seu discurso de forma a não melindrar o próprio  bispo Macedo e outros pastores evangélicos que inacreditavelmente procuram  transportar para a atualidade aspectos da  Idade Méida com sua anti-cultura e os preconceitos mais odiosos.

Resumo da Ópera: O PT deverá sair vitorioso destas eleições e credenciado para vencer as  presidenciais de 2014, desde que a economia não fracasse totalmente. Mas será apenas um arremedo do PT original.

A militância consciente do partido sabe muito em disso, mas fica inerte diante da inércia de suas principais lideranças. E o PSOL (Ah, o PSOL) ainda não decidiu se resgata os sonhos originais petistas ou se persiste num moralismo com algum odor  lacerdista.

Agora, voltando aos parágrafos iniciais: O Brasil é absolutamente fundamental para a constituição da Pátria Grande, união concreta da América do Sul,  via MERCOSUL e UNASUL. O PT desfigurado pode não corresponder ao que dele se exige nessas circunstâncias.

A solução ao que me parece é a criação de um movimento suprapartidário a partir das bases  populares e acadêmicas. Modestamente, venho, com as dificuldades óbvias, tentando  articular o movimento Ação Patriótica  que já conta  com diversos núcleos estaduais,  as  Juventudes Patrióticas. Se você quer colaborar e receber   mais informações, entre em contato comigo pelo Twitter ou por e-mail: franciscobarreira@globo.com

E a Fábrica Nacional de Motores?

Com o lançamento, dia 4 último, do Novo Regime Automotivo do Brasil, o País adota finalmente uma política estratégica para o setor. Mas faltou o essencial: a criação de uma fábrica genuinamente brasileira de veículos. Sem isso, a frota nacional continuará sendo cara,  altamente poluidora e tecnologicamente defasada.

 Este ano superamos a Alemanha e passamos a ser o quarto maior mercado consumidor de veículos (perto de 3,7 milhões de unidades anuais), mas somos apenas o 7º maior produtor, apesar de termos capacidade instalada para mais de 4 milhões de veículos.

Entretanto, nosso sistema automotivo beira o caos. Mais de 20 marcas estrangeiras acotovelam-se no mercado brasileiro, contrariando todos os critérios elementares de economicidade.  Na verdade, todas vivem às custas de incríveis doações concedidas pelo Estado: financiamentos  fartos  forçados pelos bancos estatais, isenções fiscais e terrenos cedidos em locais valorizados e cercados de toda a infra estrutura.

Isso faria sentido se nessa multidão de marcas aqui instaladas houvesse pelo menos uma  fábrica nacional de motores (não apenas automobilísticos), fosse ela estatal  mista ou particular, mas que recebesse todo o apoio estratégico e de retaguarda (diplomático inclusive), como é feito, por exemplo, com a  Embraer, Aliás, com muito sucesso.

No fundo, o Novo Regime Automotivo procura proteger a “indústria nacional”,  na medida em que cria novos impecilhos para as importações articulando isso com o desenvolvimetno local de tecnologias avançadas.

Entretanto, não faz sentido, por exemplo,  criar um centro de pesquisas para o setor industrial (do tipo Embrapa) se ele  interagir apenas com multinacionais cujas tecnologias estão décadas mais  adiantada do que a nossa. Se não houver uma indústria com capital nacional majoritário, as decisões estratégicas continuam sento tomadas no exterior.

 Seja como for,  o desenvolvimento de um modelo nacional de carro realmente popular e ecologicamente adequado é absolutamente urgente e vital. O mesmo vale em relação ao carro elétrico que já começa a ser fabricado em volumes crescentes (e preços unitários cadentes) no Japão e nos EUA.

Por ser um setor estratégico, nos anos 60 do século passado, De Gaulle estatizou quase toda a indústria automobilistica francesa. Com o mesmo espírito, há três anos,  Obama encampou a General Motors  que, falida, estava na iminência de ser desnacionalizada.

18-05-12

Como Governo não tem Plano Estratégico,
 Política Industrial vai  da  mão para a boca

Por circunstâncias diversas, a principal das quais é o violento lobby das montadoras que assolam o Pais  há  50 anos e destruiu nossas  ferrovias, a verdade é  que o Governo não tem uma Política Estratégica para o Desenvolvimento Industrial. Ou antes, sua estratégia precária é a de alavancar  a economia através da venda de automóveis.

Em meados de seu governo o ex-presidente Lula soltou esta frase reveladora: “ Só não me peçam para deixar de vender automóveis”. Sem serem tão explícitos e espontâneos quanto Lula, a presidenta Dilma e o ministro Guido Mantega, da Fazenda, seguem a risca o figurino: O mercado desaqueceu? Vamos vender mais automóveis.

Ontem, o Banco Central, em sintonia com analistas sérios de Mercado, revelou que o primeiro semestre está perdido em termos de crescimento econômico. O clima é de estagnação ou descenso, embora haja perspectivas de pequena aceleração para o segundo semestre.

A resposta, prática, de Guido Manteca, foi quase que automática: ontem mesmo anunciou uma série de medidas na direção da liberação de recursos para reativar a venda de automóveis.

Essa história  se repete medíocre e cansativamente, e nós aqui somos obrigados  a  repetir aquilo que já se transformou numa verdadeira  campanha deste blog. O Governo Petista e as próprias lideranças do partido, precisam reconhecer  esse defeito e acordar para realidade: Urge a elaboração de um plano de desenvolvimento industrial, articulado como desenvolvimento acelerado, levando em conta, também, a questão ambiental.

E é necessário repisar o argumento: é ridículo e grotesco o fato de sermos o  quarto maior parque industrial automobilístico e o quinto maior mercado consumidor e, no entanto,  não possuirmos uma única fábrica verdadeiramente nacional de motores. A Embraer é um exemplo de como o Estado pode induzir o desenvolvimento de setores estratégicos.

Não importa que ela seja estatal, privada ou mista, mas ela deve ser o eixo ou a mola propulsora para romper o círculo vicioso que nos  constrange há 60 aos. É preciso dar fim à ditadura da Anfavea (Associação Nacional de Veículos Automotores), fazendo com que a  indústria  automobilística trabalhe para o País e não o inverso.

Na verdade, a utilização do automóvel como meio de transporte de grande parte (muitas vezes a maioria) da população é uma insanidade. Mas como não se pode alterar isso do dia para a noite, que pelo menos se instale uma verdadeira indústria nacional  com  modelos  mais adequados ao Brasil e que poderiam ser exportados para  países com características semelhantes  às nossas. A Índia está fazendo isso com grande sucesso.

A submissão

O texto resumido, publicado hoje pelo Estado de São Paulo, ilustra bem a situação que expusemos acima:

 Para ajudar a desovar os estoques das montadoras, o governo estuda liberar parte do dinheiro que os bancos são obrigados a manter depositados no Banco Central para aumentar o financiamento de automóveis. Além disso, a equipe econômica pode mudar as regras para ampliação do número de prestações e redução das entradas e das taxas de juros dessas operações.

As medidas já foram discutidas entre representantes do Ministério da Fazenda e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Agora, o ministro Guido Mantega levará as propostas para os bancos privados e avaliará a receptividade.

Mantega já determinou que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil aumentem o crédito para veículos, mas há uma avaliação de que sem Bradesco e Itaú ficará difícil dar fôlego a esse mercado. “São bancos que convivem mais com esse tipo de financiamento”, argumenta uma fonte.

Compulsórios. Pela ideia em discussão, o Banco Central poderia liberar uma parte dos depósitos compulsórios realizados pelos bancos, desde que os recursos sejam destinados para o financiamento de automóveis. Além disso, o Banco Central flexibilizaria as normas que regulam os empréstimos para veículos.

Em entrevista ao Estado, publicada na quarta-feira, Mantega sinalizou as medidas, ao afirmar categoricamente que era preciso “dar uma flexibilizada nesse mercado”.

No entanto, o ministro destacou que, embora o Banco Central tenha alterado as regras no fim de 2011, os bancos continuam cautelosos e não estão oferecendo financiamentos de mais longo prazo.

Por isso, antes de colocar as medidas na rua, o ministro quer o engajamento dos bancos privados. Ele acredita na força da Caixa e do Banco do Brasil como indutores da concorrência.

A demora do governo, no entanto, preocupa a Anfavea. As reuniões de representantes da entidade com a equipe do Ministério da Fazenda foram diárias esta semana. O único alento, neste momento, é a desvalorização do real. A expectativa do setor é de que o dólar mais caro desestimule as importações.

13-05-12

Esta nascendo uma nova estatal

Há alguns meses, este blog informou que o Palácio do Planalto estudava a possibilidade de criação de uma grande estatal. Ela reuniria sob uma única direção os diversos laboratórios estatais. Mas o principal objetivo era o de preservar a fantástica diversidade biológica da  Amazônia que, desde sempre, vem sendo pirateada da forma mais descarada por laboratórios  internacionais.

Nesta semana, a Fiocruz, Fundação do Instituto Oswaldo Cruz (Rio), anunciou a intenção de criar uma subsidiária para fabricar vacinas e medicamentos. Imediatamente, entretanto, a diretoria da Fundação foi informada que já existe, na Presidência da República, um Grupo de Trabalho Interministerial,  estudando o assunto.

Para ser franco, não duvido da intenção do Governo de criar  uma  grande  estatal. Mas me inquieta esta vocação petista de criar grupos de estudo sem prazo pra apresentar um projeto acabado. Como estudos já existem em profusão, o ideal seria, à moda do JK, criar  um Grupo Executivo e tocar logo a idéia para a frente.

 

19-04-12

Mídia ainda não descobriu 
que a crise é  institucional

Do autor

Uma enfermidade já superada me deixou sem escrever durante 15 dias. Revendo agora meu último texto noto que ele poderia ter sido escrito ontem. E ele dá a medida da lerdeza  em parte natural em parte planejada da mídia  indigna e manipuladora de seus  leitores aqueles a quem deveria servir com lealdade.

Eis o texto:

Atarantada, a mídia medíocre e dominada pelo Capital Financeiro, levou duas semanas para perceber que Dilma Rousseff estava decidida a enfrentar o fisiológicos da Base Governista no Congresso.

Quem acompanha este blog,  (veja coluna  Arte & Manha) pode acompanhar, passo  a passo,  os gestos da  presidenta no sentido de desvencilhar-se da máquina corrupta, viciada na chantagem, que controla o Congresso e a la vez a Base Governista.

O que agora a mídia continua  vendo é o dia a dia de intrigas e rasteiras no Congresso. E não vê que mais além da briga de gato e rato entre a presidenta e seus aliados  levianos pousando de rebeldes, o que há é  que está em plenos curso e crise institucional. Crise que estava oculta so as escaramuças parlamentares,  mas finalmente eclodiu.

Quando se fala em crise institucional a gente pensa logo em queda do presidente  ou em fechamento do Congresso. Mas há nuances e soluções intermediárias. Um delas, seria, por exemplo, a convocação de uma Constituinte ou de um plebiscito para  realizar a tão reclamada reforma política.

Para os que supõem que a atual crise revela a fragilidade do Governo e uma sucessão de inabilidades da  presidenta, eu lembraria que  ela conta com pelo menos três trunfos:

O primeiro, de ordem tática, é o de que  dia 14 de abril aspira  o prazo para que os proprietários rurais acusados  crimes ecológicos deixem de pagar pesadas ou multas ou  fiquem inabilitados para receber financiamento de bancos oficiais.

Dilma já assinou sucessivos decretos prorrogando este prazo. Agora, porém está decidida a não prorrogar mais, a menos que os ruralistas deixem de chantageá-la e votem logo o Estatuto da Copa.

Então: até a semana passada, os ruralistas estavam com a faca no pescoço do Governo e  exigiam a votação imediata novo Código Florestal, para aprovar o Estatuto da Copa. Agora, porém, é o Governo que coloca a faca sem seus pescoços.

Na verdade, Dilma quer tempo para convencer os não ruralistas   a colaborar para a aprovação um Código Florestal dignos desse nome, é fundamental   não só para preservação elementar da Natureza, como para a imagem do Brasil que sediará, em junho  o Rio Mais 20, e que poderá ser  o evento ecológico mais importante da década.

A legitimidade

Mas há mais dois fatores (e estes estratégicos) nos quais a s presidenta  se fia.

A sua crescente popularidade,  justamente por que, na visão popular, está enfrentado os ”chantagistas” do Congresso. É uma espécie de segundo tempo da faxina.

b- A evidente falta de legitimidade dos congressistas, sobretudo no Senado cada vez mais desmoralizado. Aparentemente só os próprios senadores não notam isso, isso e perpetuam as  aberrantes indecências da administração  da Casa.

c- Uma política econômica sem imaginação ou visão estratégica, mas que dá para o gasto: garante, por exemplo, até novembro,  um crescimento  do PIB em torno de 30%, sem inflação e com desemprego em queda.

 Tudo isso medido e pesado, dá uma boa margem de segurança para a presidenta, até porque, pelos caçulos do Planalto, tirando os assuntos da Copa e do Código Florestal, o Governo pode  passar  muito bem sem o Congresso até as eleições. Mas não será bem assim, quando  for necessária a blindagem de alguns  ministros…

O Jôgo Pesado

O PT (no nível nas lideranças locais e intermediárias) está entretido demais com as armações rasteias com vistas às eleições de Novembro. É possível, portanto, que o partido perca a oportunidade histórica de resgatar parcialmente sua bandeira original,  a da ética, esgarçada   com o “Mensalão”.

Seja co mo for, é preciso notar que a estratégia de Dilma Roussef está alinhada com as de Lula e José Dirceu. Estes,  principalmente, apostaram na conject ura ousada de que escancarar o tradicional jeito brasileiro de fazer política (o toma lá dá cá) sem o qual ninguém governa.

Partiu-se, então, para o jogo pesado  e a Bancada Governista foi estimulada a assinar o pedido de CPI Mista (correm em conjunto na Câmara e no Senado) para investigar  a abrangente e multipartidária ação do criminoso  Carlinhos Cachoeira. Sabía-se, desde logo, que duas cabeças rolariam, a do governador Agnelo Queirós (hoje do PT) , mas  que será investigado por negócios com o Cachoeira ao tempo em que era do PCdoB) e o governador de Goiás, Marconi Perillo, curiosamente aquele que revelou para Lula,  há sete anos, a existência do Mensalão.

Se o tiro sair pela culatra resta a Lula e Dicrceu partirem ara uma campanha de mobilização em favor de um plebiscito que detonaria, finalmente uma reforma políca capaz de desmontar a tradicional corrupção eleitoral brasileira da qual o Caixa 2 é o símbolo principal. Daí a necessidade  de financiamento da campanhas, um tema liminarmente rejeitado pela hipocrisia burguesa.

Enfim, o jogo está jogado. Um jogo de alto risco. Vale lembrar  que o já demais louvado Ulysses Guimarães, na verdade uma raposa felpuda,  guiava-se por dois princípios elementares: não se convoca reunião antes de combinar o resultado. E não se parte para uma  batalha decisiva sem antes combinar, com o adversário, um possível futuro armistício. Desse excesso de raposice pessedista (o Pácto de Elites), resultou, nos anos 70, a Vergonhosa Anistia aos Torturadores.

13-03-12

Incrível: Crivella ensina o PT
a fortalecer o Estado Nacional

(Este texto dá sequência à série “Novas Estatais”)

O senador pastor Marcelo Crivella (PRB) é criativo e espertíssimo, não fosse ele o principal protegido do não menos esperto bispo Macedo. Em menos de uma semana como ministro da Pesca, o senador fluminense ofereceu à presidenta Dilma uma solução “estatizante” para um problema crônico de sua Pasta. Crônico, porque há décadas todos dizem que é  enorme o nosso potencial pesqueiro, mas jamais aparecem resultados concretos.

Crivella propôs a criação da PESCOBRAS que tanto pode ser estatal como privada, masde grande porte e com apoio federal, através de estímulos ficais, apoio técnico e sustentação financeira, via  BNDES. O modelo é conhecido. E o ministro pastor conclui com o entusiasmo dos  recém convertidos: “Será  a PETROBRAS da pesca!”

Talvez não chegue a tanto, mas a idéia é oportuna e viável. Mais do que isso: com as devidas adaptações, o projeto da PESCOBRAS é a resposta adequada  ao clamor mundial  contra exploração predatória na Amazônia, incluídos aí os recurso aquáticos.

O próprio Crivella complementa a idéia:

“Na aquicultura eu acho que a gente vai precisar de uma empresa campeã. Agora, é preciso que essa campeã tenha na sua cadeia de produção um viés social e incorpore também o pequeno produtor na sua cadeia de produção”. (Agência Folha)

A nova empresa poderia administrar, através de monopólio, todo o esquema de produção e comercialização das “fazendas fluviais” dedicadas, dentro dos rigores da sustentabilidade, ao manejo de peixes, jacarés, tartarugas, etc. Seria o fim da enorme predação e do contrabando de peles, couros e carnes dessas espécies.

Então, só me resta concluir este texto com a mesma frase que usei no artigo de ontem, quando tratei da omissão do Governo em relação à criação de uma fábrica autenticamente nacional de automóveis:

Fica evidente que o PT goza de uma grande fartura de formuladores de programas sociais e audazes articuladores políticos, mas sofre de extrema  penúria quando precisa de  executores de políticas de desenvolvimento.

12-03-12

Dá  para  acreditar?  Temos  o 5º maior  mercado
de carros do mundo e nenhuma fábrica nacional

(Esta matéria faz parte da série “Novas Estatais”)

Já disse várias vezes neste blog que como ministro da Indústria e Comércio, Aloizio Mercadante era pernóstico e inoperante. Deixou tudo do mesmo tamanho que encontrou, embora tenha teorizado muito e falado na criação da “Embrapa da Indústria”, para estimular a tecnologia nacional. Falou, também, na necessidade uma indústria realmente nacional de automóveis.

E já disse dezenas de vezes neste blog que é um vexame possuirmos o 5º maior mercado consumidor de veículos e o 4º maior parque industrial automobilístico instalado e, no entanto, não temos uma única fábrica nacional de motores.

Há três, anos, no auge da crise, quando a General Motors estava diante da alternativa de fechar a maior parte de suas fábricas ou ser vendida pra uma montadora européia, Barack Obama, simplesmente estatizou a empresa.

 Então fica claro que só os neoliberais de periferia tipo Míriam Leitão ou Carlos Alberto Sardenberg, não percebem que o Mercado é ótimo quando tudo vai bem. Mas quando as coisas se complicam ou é preciso defender interesses nacionais estratégicos, a intervenção do Estado  é indispensável.

Mas a situação absurda não para aí: Possuímos hoje nada menos que 20 multinacionais produzindo veículos no País. Isto num momento em que está escancarada a necessidade de fusão comercial ou operacional das empresas. Algo, aliás, que já ocorre Mundo afora.

 Ou seja: estas indústrias, sem nenhum compromisso com a modernização e maior eficiência do nosso parque automobilístico, vêm para o Brasil apenas para usufruir de nossa reserva de mercado e da profusão de isenções fiscais e terrenos gratuitos oferecidos pelos governos federal, estaduais e municipais.

 Disso resulta que são criadas aqui válvulas de sucção para o envio de remeças de lucros e royalties para o exterior, sem necessidade alguma, já que possuímos capital e tecnologia para produzir esses veículos aqui. Trata-se, portanto, de uma questão de  planejamento e opção política do governo.

Mas eu disse 20 empresas? Então errei, porque são 21. A partir de 2014, veículos das marcas chinesas Changan e Haima e da coreana Ssangyong vão ser fabricados no Brasil. Na semana passada, o presidente da Brasil Montadora de Veículos, que já importa e vende as marcas no País, Abdul Ibraimo, assinou um protocolo de intenção com o governo do Espírito Santo para erguer uma fábrica na cidade de Linhares, no norte do Estado. O investimento é de US$ 300 milhões.

“É um projeto que poderia ter saído antes. Ele depende agora da flexibilização do índice de nacionalização do novo regime automotivo, que deve ser anunciado em breve. Mas tenho fé que vai dar certo”, afirma o executivo. (Agência Estado)

O exemplo da EMBRAER

Temos, hoje, a quarta maior indústria de aviões do Mundo, pela simples razão de que há 40 anos o governo decidiu investir no setor e criou a EMBRAER.

Entretanto, a  própria indústria automobilística já foi parcialmente nacional e até estatal. Mas, nos tempos bicudos da dívida externa, foi tudo desnacionalizado porque precisávamos de dólares. Hoje, com reservas superiores a  U$ 300 bilhões, tudo isso não faz mais o menor sentido.

Além disso, o violento lobby da indústria automobilística veda os olhos  do Governo do Congresso e até dos meios acadêmicos, de sorte que chegamos à situação grotesca descrita acima: somos  o quarto maior parque automobilístico do Planeta e não há, nele, uma única fábrica nacional  motores.

Como já disse em outros artigos desta série, é inacreditável que o PT tenha chegado ao seu décimo ano de governo sem dar execução ou sequer esboçar um plano de desenvolvimento  industrial  e nem  mesmo do setor automobilístico.

Fica evidente que o partido goza de uma grande fartura de formuladores de programas sociais e audazes  articuladores políticos, mas sofre de  enorme penúria em termos de executores do que quer que  seja.

Um esclarecimento final: Não necessitamos, obrigatoriamente, de uma nova estatal. Mas é urgente e viável que, como já fez outras vezes,o Governo  acionasse o BNDES e mobilizsse os empresários do setor (autopeças concessionárias, metalurgia, etc.).  O objetivo e  desenvolver aqui as pesquisas necessárias e manter aqui o seu valor agregado.

08-03-12

OUROBRAS : A Amazônia não

 é um  problema. É  a  solução

Há anos os jornais noticiam quase que diariamente uma queixa ou uma denúncia sobre a exploração irregular ou criminosa do subsolo amazônico. Índios, ONG s , militares, cientistas e políticos, são unânimes ao apontar de forma geograficamente localizada  ou de um modo geral a omissão e a inércia do Governo.

Anteontem (06) o líder yanomami Davi Kopenawa (Roraima) anunciou que solicitará às instâncias de direitos humanos da ONU que se oponham à regulamentação da extração de minerais nas terras indígenas da Amazônia. Para ele a  lei que regulamenta esta extração,  se for aprovada, permitirá a entrada das grandes empresas de extração de minerais em territórios indígenas, o que abrirá caminho para a “destruição das terras, a poluição dos rios, e trará mais doenças além das que já existem”.

”O aparecimento de novas jazidas minerais poderá acarretar uma ocupação desordenada e predatória próxima às áreas indígenas na Amazônia, onde existem significativas reservas estratégicas sem exploração”. O alerta é feito em um documento produzido pela área militar do governo, que enumera centenas de minas existentes na região. O relatório observa que a compra de terras associadas às riquezas, inclusive por estrangeiros, pode gerar a cooptação de líderes indígenas ou novos conflitos com os índios.

Outro exemplo:

Desde 1996 tramita no Congresso o projeto que regulamenta a exploração mineral em terras indígenas, mas somente depois do massacre de 29 garimpeiros na Reserva Roosevelt, em Rondônia, em 2004, ganhou força. A área, uma das mais ricas do Brasil em diamante, estava sendo explorada por não índios, que dividiam o lucro Por causa de uma desavença, os garimpeiros — que atuavam ilegalmente — foram mortos pelos donos da terra.

 Outro documento militar revela que existem vários tipos de minerais em terras indígenas da Amazônia. Em São Gabriel da Cachoeira (AM) está a maior reserva de nióbio, enquanto que Nova Olinda do Norte (AM) concentra uma jazida de 340 milhões de toneladas de cloreto de potássio. “A profusão de garimpos de ouro aluvial e a existência de jazidas de diamantes são exemplos do potencial econômico da região, motivador da cobiça de vários atores nacionais e internacionais”, observa o relatório.

400 anos

Dados da Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM) indicam que alguns minerais poderiam ser explorados por até 400 anos. No relatório, os militares observam que a incalculável riqueza amazônica, suas dimensões continentais e a falta de fiscalização podem facilitar a exploração ilegal do subsolo da região.

 Por outro lado,”o problema não é a ocupação da Amazônia, é a falta de regulamentação da exploração desses recursos naturais em solo indígena”. É o que afirma com razão, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Para ela, a presença da Polícia Federal e das Forças Armadas também poderá sofrer restrições sob a alegação de que isso causaria interferência na vida das populações locais.

Outro problema é o baixo preço das terras da Amazônia, um chamariz para a especulação. A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência avalia que mais da metade das 300 mil ocupações existentes na região estão instaladas ilegalmente em áreas da União, ou em unidades de conservação e terras indígenas, o que pode também gerar conflitos fundiários. O volume de invasões pode ultrapassar 22 milhões de hectares, conforme dados do próprio governo.

E a OUROBRAS?

 Este sucinto balanço da dramática situação, que ameaça a subsolo e o solo amazônicos, revela que só o que está faltando é uma ação efetiva e com visão estratégica por parte do Governo E o curioso é que há anos, desde os tempos da então titular Dilma Rousseff, o Ministério das Minas e Energia acalenta o sonho da criação da OUROBRAS.

Há três razões que justificam ( na verdade exigem) a criação desta nova estatal. Vou partir, na ordem inversa, da fisiológica para a fundamental:

Quem não for hipócrita ou ingênuo sabe que o governo petista só consegue se equilibrar porque loteou a administração federal em fatias  que correspondem ao tamanho dos partidos da Base Aliada, quase todos cem por cento fisiológicos.

É lógico, que não dá para inventar mais um ministério (já são 37) par ir alojando esses “desinteressados” apoiadores. Entretanto, salta aos olhos que uma estatal de grande porte vale por vários ministérios juntos. Eu garanto, aliás, que o Governo teria mais facilidade para aprovar a OUROBRAS no Congresso do que para fazer passar, por exemplo, o novo Código Florestal minimamente civilizado. Logo…

OUROBRAS é um nome fantasia, sugestivo, mas não significa que a nova estatal se restringirá à exploração de ouro em sim de todos os minerais do subsolo amazônico.

Não se entenda esta iniciativa é extravagante ou excêntrica. Ela é ousada. Tão ousada como foi a criação da PETROBRAS em 1953. Sendo certo que Getúlio não teria criado essa que é hoje uma das maiores  empresas do Planeta, se não tivesse ocorrido, simultaneamente, uma histórica mobilização popular, articulada com a campanha “O Petróleo é nosso”.

Dissemos no artigo anterior, do qual este é continuação, que falta ao governo petista uma política articulada, de longo prazo, com visão estratégica que enseje o crescimento sustentado, baseado no aumenta da produção e da produtividade e não apenas na expansão do crédito e do consumo. Isso,todos sabem, requer dois requisitos básicos: a poupança e o investimento.

E aqui ingressamos no aspecto crucial da questão: O Governo e o próprio PT parecem não ter percebido que já venceram a batalha ideológica no que diz respeito ao tamanho do estado. Estatizar e estatizar em defesa de interesses permanentes da Nação deixou de ser palavrão ou heresia em relação aos dogmas neoliberais totalmente desmoralizados pela Grande Crise Global.

Entretidos e absorvidos com as lutas diárias contra a burocracia emperrada e contra as emboscadas fisiológicas no Congresso, o Governo e, de certa forma, a Direção do PT perdem a perspectiva histórica e não percebem que a criação de estatais de grande porte resolveria, em boa medida, o problema do investimento na produção. Ou seja: sem depender da poupança externa, já que a poupança interna, das famílias, é escassa.

O tema não se esgota aqui. Como, porém, o texto já está muito longo, prosseguiremos amanhã.

A matéria abaixo  pode ser entendida como uma introdução à que você acabou de ler.

25-02-12

Diante da grande crise mundial,
a solução é crescer  para  dentro

Sei que não adianta dar luz a cego. Mesmo assim me sinto na obrigação de dizer, pela centésima vez, que o grande prodígio do PT foi o de ter chegado ao décimo ano de governo sem um plano de vôo na área da estrutura econômica.

 Não há e nunca houve nada parecido com algum  plano estratégico de desenvolvimento, nem mesmo setorial, como na área da indústria e tecnologia, por exemplo. No retalhamento da máquina governamental, feito em nome da governabilidade, os ministros, quase todos, quando não são bisonhos, são meros lobistas imediatistas de seu próprio setor.

 Nos três ministérios onde poderia ser engendrada uma política estratégica de governo, isto não ocorre pelas seguintes razões:

1- No Ministério da Fazenda não há um “Tzar da Economia” que articularia uma ação integrada (e estratégica) que, a partir da área economia, seria irradiada como uma política de governo. O que há ali é apenas o Guido Mantega, com todas as suas limitações.

2-  No Planejamento, há a Miriam Belchior, honesta e valente militante, que, porém, como ministra, não vai além das funções de uma “contadora” que ajeita o Orçamento da União, conforme as necessidades imediatas de corte ou contingenciamento de verbas.

3-  Na Secretaria de  Assuntos Estratégicos, finalmente, o que temos é o indizível Moreira Franco, um reles futriqueiro palaciano que, apesar de, a bem dizer, ocupar sala ao lado, jamais despachou e jamais despachará com a presidenta. Está ali apenas como um bibelô colocado pelo vice Michel Temer.

E  não deixemos a verdade pela metade: a própria presidenta está mais para gerente austera, autoritária e centralizadora do que para estrategista.

Se sairmos do Governo e olharmos para dentro do PT, também  não encontraremos nada parecido com um centro ou instituto de estudos estratégicos que pudesse orientar ou assessorar o Palácio do Planalto. O que há é uma plêiade de velhos e bons estrategistas políticos de raiz estudantil ou sindical. Mas não é disso que estamos  falando.

Crescer para Dentro

Uma resenha sintética  das previsões dos especialistas para os próximos dois anos, indica que os Estados Unidos seguirão patinando numa recessão branda com crescimento inferior a 2%, enquanto a Europa entrará em recessão plena, já que sua própria locomotiva, a Alemanha,  deixará de crescer. E a China, em função disso, reduzirá  sua expansão dos  10%, mantidos há 20 anos, para pouco mais de 8%.

Nesse cenário, a América do Sul continuará crescendo à taxa média de 4% (Brasil 3%), com uma peculiaridade:  a expansão ocorrerá em função do crescimento do  consumo interno que, por sua vez, é consequência de políticas de distribuição de renda. Algo que vem acontecendo nitidamente no Brasil, na Venezuela, na Argentina e,  mais recentemente, no Peru. Os países  rotulados pela mídia neoliberal como redutos do populismo.

Seja como for, esse tipo de crescimento é bom e é ruim. É bom, na medida em que proporciona um mínimo de justiça social. E é ruim porque se caracteriza pelo vôo da galinha, aquele que não se sustenta no médio e no longo prazos.

Temos, então, que se quiser transformar  este vôo galináceo (caracterizado pelo aumento do consumo apenas) num vôo de cruzeiro sustentado no longo prazo, o Continente precisa compatibilizar o aumento do consumo com  uma euivalente expansão da produção e da produtividade. E poderá fazer isso,  voltar-se para dentro si mesmo.

Nesse sentido, a novidade  alvissareira é a de que, pela primeira vez em sua história, a América do Sul está em condições de executar uma política articulada entre quase todos os seus países, através de organismo como o MERCOSUL e a UNASUL. O objetivo é o de  promover seu desenvolvimento,   com um alto grau de autonomia em relação ao fluxo global de capitais.

A medida preliminar é a da criação, já preconizada, do Banco Sur, um organismo financeiro do tipo BENDES para atuar no âmbito regional. Mas, sobretudo, é preciso  elaborar, imediatamente, planos quinquenais de desenvolvimento  regional do tipo que defendemos para o Brasil, no início deste artigo.

O dado de realidade que garante esta oportunidade histórica é o de que a América do Sul é auto-suficiente em relação aos seguintes três elementos absolutamente estratégicos: energia fóssil ou renovável, proteína  vegetal e proteína  animal. E, de quebra, acumulou divisas suficientes para financiar seu próprio desenvolvimento.

Ou seja, abstraída  aqui a questão do fosso tecnológico que pode ser equacionado com investimentos massivos (é uma opção política), o Continente não depende em absolutamente nada de fatores externos. Muito diferente da situação dos Estados Unidos, da Europa e da China que são altamente dependentes  desses fatores.

Enfim, meus queridos, a continuação deste artigo terá que ficar para amanhã, porque, infelizmente, hoje em dia, a  maioria dos leitores não consegue passar das trinta linhas  de texto sem começar a esfregar os olhos e bocejar.

15-12-01

A hegemonia fascistóide na nova classe média

O ministro Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria Geral da Presidência, teve que se explicar. Há dez dias, no Fórum Social de Porto Alegre, ele disse, como quem fala para o público interno do PT, que é preciso neutralizar a hegemonia conservadora que está se instalando junto à  nova classe média.

O diagnóstico e a prescrição estão corretos. O problema é que hoje (15) o mesmo Gilberto Carvalho, por ordem da presidenta Dilma, reunido-se com a bancada evangélica que integra  a Base de Apoio do Governo, para “se explicar” e eliminar o “mal entendido”. Após a reunião, um dos evangélicos  revelou que o secretário geral pediu perdão.

Como se vê, se não fosse irônico, seria uma aberração política. E se não for isso, é a popular sinuca de bico. O governo execra esses pastores retardatários e, alguns deles, claramente retardados. Mas não sobrevive sem eles.

Já analisei nesta mesma coluna, o fenômeno neofascista, rebento do neoliberalismo e que assola o Mundo, não apenas o Brasil. É um processo característico de setores (emergentes ou já consolidados) da classe média e que já havia marcado sua presença, de forma dantesca, no período entre as duas Grandes Guerras.

Mas é acima de tudo, um fenômeno que revela a mútua cooperação entre o modo de produção capitalista e esse jeito egoísta, idiota e animalesco ser e de ver as coisas do Mundo.

A maioria dos sociólogos credita a Max Weber a pioneira constatação dessa afinidade entre a “ética puritana” e o imberbe modo de produção capitalista na Inglaterra do Século XIX.

Entretanto, Marx em O Capital, já registrava o fenômeno ao descrever como os pastores puritanos e outros moralistas de então, justificavam o fato de crianças com  menos de dez anos serem obrigadas a trabalhar 14 horas por dia em  enormes e fétidas tecelagens.

Para aqueles pastores, em tudo e por tudo semelhantes à parte rasteira e hipócrita dos missionários evangélicos de nossos dias, as fábricas eram um benefício e um refúgio para as crianças proletárias, que fora delas  seriam atraídas pela prostituição e pelo vício.

O moralismo barato, vulgar, preconceituoso e, por isso, acanalhado é o retrato sem retoques do modelo em que a vitória e a realização pessoais são mais importantes do que o benefício coletivo e em harmonia com a Natureza.

Observação:

No texto abaixo, que geralmente acrescento  quando posto temas sociológicos, procuro demonstrar, sinteticamente, a  fase de transição que corresponde  a uma ampliação da classe média e correspondente diminuição numérica do proletariado.

O Crepúsculo do Capital

 Todos comentam a atual crise econômica mundial, mas poucos percebem que  ela é, na verdade, uma crise do próprio  modo de produção capitalista. Trata-se de um fenômeno sistêmico que aponta para crescente  incapacidade  de o Capital acumular o seu próprio excedente. É a fase crepuscular ou terminal. Entender isso não é muito complicado desde que se saiba, preliminarmente:

1-O Capital é, em  si, um excedente. Excedente  de trabalho (próprio ou alheio) que não é consumido e sim acumulado.

2-O Capital só obtém lucro efetivo na sua parte variável, dinheiro vivo reservado para pagamento de salários. É essa a parte do Capital que retorna ao bolso no proprietário, inflado pelas horas excedentes (não confundir com horas extras) de trabalho não pagas, a famosa mais-valia.

3-A parte fixa ou constante do Capital, máquinas e equipamentos (e insumos também)  não fornece, a rigor, nenhum lucro ao capitalista. Isto, pela boa razão de que ela  transfere o seu próprio valor para o valor da mercadoria que ajuda a produzir. No caso dos insumos (energia e matérias-primas) esta transferência é instantânea. No caso de máquinas  a transferência pode levar anos. Mas, inexoravelmente, insumos, máquinas  ou  equipamentos se exaurem, cedo ou tarde, na produção das mercadorias. Entretanto, é  aqui, na sua parte constante, que o Capital  acumula.

4-A última frase do item anterior não é gratuita: o Capital só materializa e fixa os lucros obtidos com a rodada anterior de exploração do trabalho, quando investe em novas máquinas e em mais terrenos e edificações. É assim e só assim que ele realiza sua acumulação ou, mais propriamente, sua reprodução ampliada. Pois é assim que ele amplia sua capacidade de explorar mais trabalho a partir  da mesma base inicial.

Agora reparem (e isto  é estampado diariamente pela mídia) que o Capital está em permanente revolução interna, sempre substituindo sua  parte variável (salários e mão de obra) pela parte  constante (máquinas e equipamentos). É a  automação vertiginosa que acomete o Sistema nesta  sua fase terminal. Quando as máquinas e equipamentos perdem densidade de valor ou simplesmente tornam-se descartáveis (substituídas em prazos cada vez mais curtos), o Capital vai, concomitantemente, perdendo sua capacidade de acumulação. 

Então, fica nítida a noção de que, principalmente nos países  tecnologicamente mais adiantados, o Capital (entendido aqui como o conjunto de capitais – o Sistema), vai despregando-se daquela parte que dá lucro, bem como daquela onde  ocorre a acumulação efetiva.

Quando isto ocorre, o Capital toma três rumos: a- deixa de ser produtivo e transforma-se em capital de serviços que dá lucro, mas não realiza a acumulação clássica que só ocorre (como foi exposto acima) no capital efetivamente produtivo, industrial ou agrícola; b- ingressa  no cassino especulativo e passa a obter a  maior parte de seus lucros não mais no  chão da fábrica, mas  no departamento financeiro e c- migra para a periferia do sistema, os países em desenvolvimento, onde ainda é possível  obter altas taxas de mais-valia, em função da mão de obra barata. Neste último caso, China, Índia e Brasil são três excelentes exemplos.

Enfim, creio que aí está  um pequeno, porém eficiente, roteiro para acompanhar a  atual crise com melhor capacidade de percepção dos fenômenos que são subjacentes a ela e vão muito além das baboseiras repetidas à exaustão pela mídia pobre e podre.

Rparem, ainda, que o que foi dito aí em cima, não é simples literatura marxista dogmática e sim leitura correta dos antigos clássicos da economia como Adam Smith, David Ricardo  e Jean-Baptiste Say,  em cujos textos Marx colheu os fundamentos para  desenvolver sua teorias sobre a acumulação capitalista. Um processo que chega agora à sua fase crepuscular.

 O Neofeudalismo

A esta fase crepuscular eu dou o nome de Neofeudalismo, a etapa superior do Imperialismo.

O Neofeudalismo tem como principal característica a  monopolização  e/ou oligopolização extremas e a nível mundial. Some-se a isso, a terceirização da produção.  As grandes corporações cedem a terceiros avassalados, sua marca,  suas invenções e modos de produção e venda.  Assim, passam   (eis aí o aroma feudal) a  auferir renda com algo que é de sua propriedade, sem se imiscuirem na produção propriamente dita.

Com isso, como já é visível a olho nu,  há uma total revolução das relações  do trabalho, somada ao crescente descarte de mão de obra, por conta da vertiginosa automação. Nasce aí o chamado desemprego estrutural.

E desemprego estrutural é  um eufemismo, um nome técnico  que se dá a algo brutal: a exclusão definitiva de populações  inteiras ao redor do Mundo. Populações que se  tornam excedentes e descartáveis  enquanto elementos  do processo produtivo.

O Impasse Ecológico

E ainda nem falamos no Impasse Ecológico que não só entrava, como inviabiliza  o atual modo de produção e consumo, pelas seguintes três razões:

1- A acumulação capitalista só ocorre, como vimos acima, pela metabolização do homem (através de seu trabalho) com a Natureza. Mais precisamente, através de um excedente de trabalho, a mais valia. Este excedente é aquela parte sem a qual o trabalhador poderia sobreviver, mas sem a qual ele  não consegue poupar e/ou acumular. E é certo que a este excedente de esforço humano  corresponderá, obrigatoriamente, um excedente  a ser fornecido pela Natureza, os recursos naturais.

2- Por esta razão o Sistema  se utiliza daquilo que chamamos de consumo e produção redundantes, através da descartabilidade e da obsolescência prematura ou forçada.

Ou seja, mercadorias de todos os tipos, inclusive mecadorias produzidas para produzir outras mecadorias (insumos, máquinas e equipamentos) são elaboradas com todo o esmero pra serem  descartados ou substituídas no mais curto espaço de tempo. O  objetivo dessa pressa é o de dar  lugar  a outras mecadorias que já estão entrando na linha de produção.

É este carrossel diabólico que com seus giros intemináveis vai produzindo mercadorias apenas para produzir mais mercadorias, sem nenhuma conexão com as reais necessidades do homem em particular ou na Humanidade como um todo. E é isto que faz com que o Capital, enquanto sistema global, perca sua lógica ou sua racionalidade elementar, transformando-se em instrumento de destrição planetária.

 

06-02-12 atualizado em 07-02-12

Um partido impossível

“Então, eu não tenho o que temer. Acho que fui extremamente averiguado nesses dias antes de assumir o Ministério. O próprio governo também fez essa avaliação, portanto nós estamos absolutamente tranquilos. Não tenho nada que esconder”.

São palavras do novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, logo após assumir o cargo, ontem à tarde (06). E nós perguntamos: Será?

Parece brincadeira, mas essas palavras do ministro deram o tom de sua posse. Ou seja, ele já assume fragilizado por suspeitas sobre sua conduta ética e política, tendo sua vida (de quem nunca foi santo) devassada pela mídia e por seus inimigos de fora e de dentro  de seu próprio partido.

 Não é difícil imaginar que o Aguinaldinho, como é conhecido por seus eleitores na Paraíba, pode vir a ser mais um “ministro cometa”, como tantos outros que passaram  rapidinho pelo Governo, nesse seu primeiro ano.

Texto de 06-02-12

Entre preocupado e divertido com a situação, o Palácio do Planalto começa a estudar um Plano B, caso o novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), tenha que ser fritado não muito tempo após sua posse, marcada para hoje.

É que a mídia não cansa de despejar, diariamente, manchetes estampando  as proezas pouco éticas do parlamentar paraibano  herdeiro de um tradicional e oligárquica família.

A solução seria semelhante à adotada à época da demissão do Ministério dos Transportes, Alfredo Nascimento, que acumulava o cargo com o da presidência do PR. Na ocasião, a presidenta Dilma simplesmente   manteve  a Pasta “nas mãos” do partido, mas nomeou  Paulo Sérgio Passos, funcionário de carreira, considerado técnico e de sua confiança.

O Governo sabe que, sem entranhas, o PP de gente  como Francisco Dornelles,  Maluf e   Bolsonaro aceita tudo, assim como o PR aceitou. O mais importante, porém, é que os estrategistas do Governo descobriram que essa grotesca ciranda de ministros  não prejudica a popularidade da presidenta. Ao contrário.

A explicação técnica para esta situação tragicômica pode ser a de que, o  chamado povão, a grande massa de brasileiros  que carrega em seu bojo a nossa verdadeira opinião pública jamais leu muito, e lê cada vez menos, os chamados jornalões.

Disso resulta que nossa  verdadeira opinião pública é totalmente diferente da  opinião publicada pela mídia hipócrita, seletiva e corrupta, incluída aí a TV aberta. Esta, por ser concessionária, pega mais leve, faz média e mostra de forma vertiginosa, tudo junto e misturado, a queda de ministros, as últimas do campeonato de futebol e a Guerra da Síria. É uma técnica manjada de diluição da informação.

Temos então que o que colou na mente popular (e as pesquisas estão aí para comprovar isso) é a noção de que a presidenta, ao adotar a faxina, não joga o lixo (ministros) para baixo do tapete, ela os lança pela janela como quem  sacode o pó.

Assim sendo, toda a ingente campanha moralizadora dos grandes jornais (interesses econômicos e manipulações à parte)  não afeta o Governo, embora destrua o restinho de credibilidade do Congresso, dos políticos e dos partidos. Não sei se é essa intenção das sete famílias que controlam nossa  mídia. Mas se é, elas conseguiram.

A pérola

 Quanto ao novo ministro, com seu jeitinho de playboy dos anos 80, é uma pérola do conservadorismo  usineiro do Nordeste. Ontem (05), ficamos sabendo que ele  ocultou da Justiça Eleitoral que é sócio de várias empresas.

Para completar soubemos pela Folha de S. Paulo, hoje (06), que ele é dono de duas emissoras de rádio no interior da Paraíba registradas em nome de seu ex-contador e de um assessor pessoal.

Na sexta-feira (03), após a confirmação de seu nome como novo ministro, uma dessas rádios dedicou duas horas de homenagem a “Aguinaldinho”, como era chamado pelos locutores. “Isso aqui é rádio de ministro, rapaz!”, afirmou o apresentador.

29-01-12

O Dragão Global da Maldade

Ninguém discute mais: o Capital Financeiro Globalizado é o grande vilão nesta fase histórica que vivemos. Uma fase que assinala o fim de uma época. Meus leitores assíduos sabem que chamo este período de Crepúsculo do Capital.

 Aos que me lêem pela primeira vez, convidaria à leitura da coluna Para Entender a Crise, desde blog.  Alí, nas três primeiras matérias, há um resumo sobre esta fase terminal do modo de produção capitalista.

Enfim, já vimos que tanto no Fórum Social de Porto Alegre, como no Fórum Econômico de Davos, esta semana, há uma unanimidade de pensamento: ”é preciso repensar o capitalismo”. É claro que isso equivale ao último prego no caixão da teoria neoliberal e seus paradigmas funestos. Mas enquanto na capital gaúcha anuncia-se uma nova era, na França, procura-se uma forma  de  “mudar” a superfície, para manter intacta a substância do processo.

Sabemos também que o Capital Financeiro assumiu, nas últimas três décadas, a hegemonia entre os compartimentos do Capital Geral. É notório que as empresas passaram a realizar sua acumulação a partir, principalmente, dos chamados lucros de caixa ou aplicações financeiras e especulativas.

 O diretor financeiro passou a ser, formal ou informalmente, mais importante que seus colegas. A produção, que diz respeito à Economia Real, o chamado chão da fábrica, ficou em segundo plano. E o mundo empresarial transformou-se num enorme cassino.

Mas há algo que precisa ser melhor esclarecido: para impor seus paradigmas e com isso receber carta branca para agir à solta, sem regulação, o Capital Financeiro, precisou cativar as mentes, desde os mestres acadêmicos até a massa popular: o Consenso Neoliberal.  Ou, se quiserem, o maior processo de lavagem cerebral planetária (no sentido da imbecilização política e da alienação), já empreendia pela humanidade.

Obtida essa alienação e reduzindo seu público ao grau da ignorância animal, foi possível estabelecer dogmas do tipo Estado Mínimo. E pior: foi vendida a idéia da extinção das ideologias e da irrelevância dos partidos. Deliberadamente “estabeleceu-se” (um axioma implícito) que não havia mais Esquerda ou Direita. A escolha popular teria que ser entre a boa ou má gerência. Competência ou incompetência.

No Brasil, particularmente, tudo o que escapasse a essa dicotomia era desprezada ou ridicularizada, sem análises  honestas ou objetivas. Recorria-se a  simplificações pejorativas:  “populismo lulista” ou  “populismo chavista”.

O instrumento usado para isso foi a Grande Mídia (um grande oligopólio) controlada diretamente pelo  Grande Capital ou por ele servilizada. Nos países do Primeiro Mundo essa estratégia é, evidentemente um atentado contra o  livre pensamento. Entretanto, haveria a “atenuante”  de que a imprensa  geralmente está  alinhada automaticamente com os interesses estratégicos de sua respectiva nação.

A mídia apátrida

Nos países periféricos ou ainda emergentes como é o caso do Brasil, essa  “atenuante”  transforma-se numa agravante, porque a mídia passa a atuar de forma apátrida (ou vende pátria) e  alinha-se automaticamente com os objetivos  estratégicos de potências estrangeiras . Objetivos estes que  via de regra são antagônicos aos nossos.

É isso que explica e justifica a manifestação do secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho, há dois dias, no Fórum Social de Porto Alegre. E chamo atenção para o fato de que Carvalho interpreta sempre a combinação de pensamentos da presidenta Dilma com os do ex-presidente Lula.

Durante debate no Fórum Social, Gilberto Carvalho disse que o avanço da democracia requer “disputa ideológica”’ e aproximação com os “novos incluídos”, para que não fiquem “à mercê da ideologia da mídia”. Para ele, o governo também tem responsabilidade na democratização da comunicação. A publicidade oficial contribui, mas não é suficiente. Nesse sentido a Secretaria Geral prepara-se para lançar o Portal da Participação Popular.

Eu diria que tudo isso é válido, mas ainda é muito pouco. O Governo precisa dinamizar os veículos de comunicação que já possui, adotando as ”linguagens do Mercado”, além de criar outros veículos. Não adianta fazer um bom diagnóstico, mas ter medo de aplicar o remédio adequando.

24-01-12

O Palhaço Jabor e a tentativa de intrigar Dilma contra Lula

Não pretendo dizer que fui o primeiro, mas os meus leitores  assíduos, que  felizmente são muitos, hão de lembrar que há meses venho  falando da adesão de boa parte da classe média conservadora  à presidenta Dilma. Hoje as pesquisas comprovam sua alta popularidade e revelam que boa parte daqueles que votaram no Serra, admitem que ela faz um bom governo.

Cá entre nós, nem há essa  excelência toda nesse governo, nem os ex-eleitores de Serra significam um bom padrão de julgamento. Na verdade, essa classe média  brasileira – com renda satisfatória ou alta e um certo verniz – não passa de uma  legião inacreditável de analfabetos políticos, quando não forem hipócritas afetando possuir um comportamento politicamente correto.

Esse é o público natural do Palhaço Jabor que se faz de incosequente para dizer tudo o que seu patrão, o Dr. Marinho quer dizer, mas não tem coragem. Um público animalescamente egoísta  e insensível à nossa brutal desigualdade social, suas causas e suas consequências.

 Gente que de pai para filho sempre levou vantagem em tudo, mas fica na ponta dos cascos quando  pilha um político roubando, sem notar que ele é apenas empregadinho dos empreiteiros, banqueiros e financistas bandoleiros como Daniel Dantas e Nagi Nahas.

Nahas, esse bandido internacionalmente reconhecido (ele está proibido de atuar nas bolsas de 37 países) e que, por acaso, é dono do  Pinheirinho, cuja população de pobres sobrantes   acaba de ser massacrada  moral e fisicamente. Nahas, o senhor da grana, a quem  a Justiça e a Polícia paulistas servem com denodo.

Mas falávamos dessa gente quelê o Jabor e defende a expulsão  da população do Pinheirinho  porque considera que  o respeito à propriedade privada (a grande) vem em primeiro lugar. Gente que  antigamente afetava  cultura arranhando o francês e que hoje, pela mesmo razão, arranha o inglês. Nessa tribo há profissionais competentes em suas especialidades. Porém na visão do conjunto são antas paradigmáticas do analfabetismo político.

Falou dizer que  é gente moralista e boçal a ponto de ter votado no Collor, acreditando que ele seria um caçador de marajás, mas hoje, covardemente não confessa isso, embora, reincidente,  continue procurando outros caçadores de fichas sujas.

São, pois, os leitores preferências do Jabor. É para eles que o Palhaço escreve, com talento às vezes, mas com cinismo asqueroso de quem não leva nada a sério porque não se respeita nem se leva a sério. Muitas vezes copia Nelson Rodrigues, um gênio que detectou o país dos coitadinhos, dos enrustidos e do complexo de vira latas. Porém, cético e conservador, considerava-se pessoalmente agredido diante de qualquer idéia  progressista ou generosa.

Sabemos que a Família Marinho é uma quadrilha organizada. E reparem como o Jabor e todos os profissionais de certa projeção que trabalham para ela, não dizem uma palavra sobre o Drama do Pinheirinho. São mercenários com alto grau de sofisticação.

Seja como for, agora o Jabor e toda essa tropa mercenária, trabalham com esmero e de forma articulada para  aplaudir  Dilma e intrigá-la contra Lula. Isto  porque seus  patrões imaginam que separando a presidenta de seu antecessor, ela cairá em suas redes e os servirá com docilidade.

 Creio que não conseguirão isso. Mas o que quero dizer é que no fundo  toda essa  gente – o Jabor, seus patrões e seus leitores –  têm ódio do Lula  porque ele representa o brasileiro, mulato autêntico, que deu certo. Diferente do mulato com alma de branco o FHC, o “príncipe  dos sociólogos” e fajuto como o neoliberalismo que ele abraçou.

As viúvas do FHC querem adotar a Dilma.

15-01-12

A Cracolândia, a calçada limpa
dos fascistas e a Solução Final

Fernando Hadadd, candidato petista à prefeitura de São Paulo, critica a forma (o viés mais policial do que de saúde pública) com que o Governo do Estado vem tratando a questão da Cracolândia. De seu lado, os quatro pré-candidatos do PSDB defendem a ação policial.

Na sua edição deste domingo (15-01), a Folha de  S. Paulo aborda a assunto com uma interrogação : Quem  ganha eleitoralmente com esse debate? Em anexo, o articulista Gilberto Dimenstein faz a mesma pergunta.

 A matéria e a pergunta do jornalão paulista apenas revelam sua indigência jornalística e seu caráter falto, bem como  sua hipócrita tentativa de parecer isento. Eleitoralmente falando, quanto valem alguns cadáveres ou o inaudito sofrimento humano?

O jornalismo brasileiro transformou-se nessa coisa animalescamente burguesa e insensível. Objetiva e podre. As vítimas  da violência policial e da desgraça social são abstraídas ou tratadas como meros detalhes.

Para não deixar a pergunta sem resposta, direi que, do ponto de vista eleitoral, ganham os tucanos. E ganham porque eles interpretam um sentimento generalizado  de uma parte assustadoramente crescente da burguesia brasileira desde seus estratos superiores até os  mais baixos, recém integrados à sociedade de consumo. Sentimento que se expressa de forma bem visível na Capital paulista, mais, talvez, do que na média das demais capitais.

É um sentimento francamente fascista que o Serra soube aproveitar bem na campanha presidencial de 2010. Pode-se dizer também que  há ai uma  abordagem fascista que historicamente conduz à  ”Solução Final” nazista.

A opinião de  alguns comerciantes e de moradores mais bem instalados, de ruas e bairros adjacentes à Cracolândia, ilustra bem  essa forma de sentir as coisas da vida.  Um comerciante queixa-se: “Depois que eles apareceram (os viciados  em crack) minhas vendas caíram em 40%” E diz um morador: “ Para entrar na minha casa tenho que  passar sobre um  monte de viciados”. Há ainda quem reclame da desvalorização de seus imóveis.

É evidente que o comerciante tem direito ao lucro o morador ao acesso desimpedido à sua casa. Entretanto o que os torna burgueses brutalmente insensíveis e alienados é o fato de eles só verem um lado da questão e tratarem os dependentes do crack como um lixo a ser removido.

A remoção do lixo

Poderia dizer que praticamos, desde sempre, uma política de higienização das cidades, para conforto dos moradores mais bem sucedidos e valorização de seus imóveis. O paradigma desse  tipo de política foi o governo de Carlos Lacerda no início nos anos 60 do século passado, no Rio. Ele promoveu a remoção pura e simples de favelas populosas (e seu entulho humano) incrustadas em  valorizados bairros da Zona Sul. A chacina de mendigos também marcou essa época.

Só nas últimas duas décadas os governos foram assumindo, timidamente,  a noção de que as  favelas  devem ser urbanizadas e integradas, mas sua população ainda é tratada como um inconveniente  agrupamento de pobres sobrantes.

 Entretanto  a questão de fundo permanece:  desde os primórdios da produção capitalista que  conviveu de forma harmoniosa e interativa com a ética puritana,  os pobre sobrantes  (que eram muitos) foram  tratados de forma  hipócrita e utilitarista.

Nesta época, como Marx descreve com detalhes no Livro I de O Capital, crianças de oito anos eram internadas em fábricas-reformatórios  e obrigadas a trabalhar até 14 horas por dia. A argumentação dos piedosos puritanos era  a de que se ficassem nas ruas ou em seus ”lares pobres e promíscuos” elas cairiam no vício e na prostituição. Só cinqüenta  anos mais tarde, o Parlamento Inglês aprovou lei  proibindo o trabalho para menores de 14 anos.

Tudo isso  para dizer que a mentalidade fascista e  nazista, bem como essa calhorda insensibilidade  humana da sociedade de consumo, não são  invenção dos Hitlers e Mussolinis da vida. São aspectos inerentes ao modo de produção capitalista que só  realiza sua acumulação (sua reprodução ampliada), contrariando os elementares interesses da humanidade e destruindo  (já agora de forma ciclópica) a Natureza.

Haddad vai perder alguns, talvez muitos, votos nesse debate com os tucanos. Mas haverá, talvez, o resgate de algumas idéias e sentimentos generosos, em meio  ao sufocante pragmatismo da sociedade de consumo e sua mídia servil e corrupta.

 05-12-11

Navegar é preciso. Chegar não é preciso

Carta (e-mail)  enviada  a uma  amiga que queria  saber onde pretendo chegar com minha luta pela atualização ideológica das esquerdas e pela unificação da América do Sul:

Querida.

Eu simplesmente não quero ficar platonicamente parado. Quero  agitar com consciência  e competência. É pouco? Chegar não é preciso
Lutar é preciso. Navegar é preciso Este é um ponto, o idealista.

O pragmático, imediato é começar a dar resposta à boçal paralisia mental das esquerdas, paradas no tempo. É acabar como o imobilismo político, inclusive do PT que não avança porque depende da maioria de corruptos da corporação política. É avançar  na União da América do Sul.

Já há em países vizinhos um bom grau de mobilização  nesse sentido. No Brasil continuamos falando em “los hermanos” de forma vazia,  como patetas, sem articulação ideológica.  A Dilma  já percebeu que a saída para a crise mundial é o mercado interno, não apenas nosso, como o da America do Sul unida, pelo menos no  comércio comum. Dai a necessidade urgente de  consolidação e ampliação do MERCOSUL. Mas nem mesmo o PT repercute isso. Há uma sonolência  geral.

O Mundo está às portas de transformações  fantásticas. A tecnológica  já está em pleno curso. No seu rastro virão  as transformações políticas, ideológicas e geopolíticas. Os jovens já estão indo para a rua, só que sem rumo e sem lideranças.

 Você  quer assistir tudo isso pela janela?

Ainda preciso  te explicar onde quero chegar?

Navegar é preciso.

29-11-11

Serra x Alckmin

José Serra está certo quando diz que o PSDB não tem candidato  com lastro suficiente para vencer as eleição municipal de São Paulo e que, portanto, lançar  candidato próprio corresponde  à entrega  da Prefeitura paulistana para o PT ou para O PMDB. PMDB este que depois da morte de Orestes  Quércia, abandonou antiga aliança com os tucanos e passou-se para o lado do Palácio do Planalto.

Por seu turno, o governador Geraldo Alckmin que conseguiu dominar o Diretório do PSDB paulistano, derrotando os serristas,  estimula o lançamento de uma candidatura própria e vetou  o apoio do partido  a seu vice  Afif Domingos (do PSD do prefeito Gilberto Kassab) que se  dispunha a  ser candidato  se obtivesse uma aliança com os tucanos.

Na verdade, Serra e  Alkcmin travam uma luta de vida ou morte  política. Não se trata apenas de uma disputa pelo controle do Diretório Estadual do partido. É uma rixa  cheia de ódio e intrigas e diz respeito a eventuais candidaturas à presidência da República em 2014 ou mesmo à sucessão de Alkcmin.

Apesar de todo o fisiologismo e malandragem de Kassab, é preciso lhe dar um crédito, quando diz que sua aliança prioritária em São Paulo é com José Serra, seu padrinho e inventor político. Ele chegou dizer isso para a própria presidente Dilma Rousseff. E é verdade também que  os ex-tucanos  serristas do diretório paulistano e da Câmara Municipal romperam com Alckmin, saíram do  partido e se filiaram ao PSD do prefeito.

Temos então que sem ter cargos públicos importantes (ocupa apenas um posto decorativo no Diretório Nacional do PSDB), Serra  volta e meia solta alguma declaração polêmica para ocupar espaço na mídia e não cair no ostracismo. Esta semana ele saiu-se com essa de dizer que os tucanos serão derrotados em São Paulo. E, logo em seguida, bateu na política econômica do governo, a partir de uma posição mais à esquerda, sem notar (ou notando) que estava  atingindo  mais  ao  FHC.

E, enquanto isso, os quatro pré-candidatos do PSDB à sucessão  de Kassab,  passaram a fazer criticas fortes ao prefeito,  jogado-o nos braços da aliança PT-PMDB  que tem, assim, grandes  chances de vencer  a eleição, ou com Gabriel  Chalita ou com Fernando  Haddad, até porque já há um acordo entre  ambos para o caso de haver segundo turno.

Os pré-candidatos do PSDB são os secretários estaduais José Aníbal (Minas e Energia), Bruno Covas (Meio Ambiente) e Andrea Matarazzo (Cultura), além do deputado federal Ricardo Tripoli.

18-11-11

Protestos  americanos  são
contra o Capital. Mídia cala

O movimento “Ocupe Wall Street” marcou nesta quinta-feira (17-11) os dois meses de existência com manifestações em dezenas des cidades norte-americanas. A mídia brasileira, cada vez mais incompetente e acanalhada e em total desrespeito a seus leitores, não informa nada.

E quando informa o faz de forma incompleta e distorcida. Não diz, por exemplo, que os manifestantes, na maioria jovens, tem um foco bem nítido: são contra o Sistema Capitalista e não apenas contra  banqueiros corruptos. As manifestações de ontem foram as maiores desde o início do movimento.

Enquanto isso, a classe média tupiniquim, desinformada e desorientada pela mídia, ainda ensaia incipientes marchas conra a corrupção, vassouas ao ombro, sem notar que falar  de  faxina sem  varrer banqueiros é conversa fiada, quando  não for hipocrisia da pior espécie.

Em Nova York, berço da contestação, cerca de trinta mil pessoas desfilaram, quinta-feira, pela emblemática ponte do Brooklyn. Em seguida, reocuparam a praça próxima A Bolsa de Valores e tentaram impedir a sua abertura. Eles  tinha sido expulos da  praça dois dias antes.

Um dos participantes da marcha afirmava (segundo a Agência France Press) que os Estados Unidos “dizem que vão espalhar a democracia no Médio Oriente, mas aqui o governo  suprimi a democracia. É impossível ser mais hipócrita”.

Durante o dia, a polícia conseguiu evitar que centenas de manifestantes interrompessem o funcionamento da Bolsa de Nova York em  Wall Street, detendo 250 pessoas. Segundo as autoridades, sete polícias e dez manifestantes ficaram feridos em vários confrontos.

Os protestos repercutiram nas principais cidades norte-americanas. Na Costa Oeste, ao mesmo tempo que uma multidão desfilava, as autoridades evacuaram  acampamentos anti-Wall Street, efetuando dezenas de prisões.

Na prestigiada universidade de Berkeley, perto de São Francisco, a polícia também desmantelou cerca de  dezenas de tendas.

16-11-11

Navegar é preciso. Chegar não é preciso

Os jovens já estão protestando nas ruas, mas sem orientação e lideranças 

Carta (e-mail)  enviada  a uma  amiga que queria  saber onde pretendo chegar com minha luta pela atualização ideológica das esquerdas e pela unificação da América do Sul:

Querida.

Eu simplesmente não quero ficar platonicamente parado. Quero  agitar com consciência  e competência. É pouco? Chegar não é preciso
Lutar é preciso. Navegar é preciso Este é um ponto, o idealista.

O pragmático, imediato, é começar a dar resposta à boçal paralisia mental das esquerdas, paradas no tempo. É acabar como o imobilismo político, inclusive do PT que não avança porque depende da maioria de corruptos da corporação política. É avançar  na União da América do Sul.

Já há em países vizinhos um bom grau de mobilização  nesse sentido. No Brasil continuamos falando em “los hermanos” de forma vazia,  como patetas, sem articulação ideológica.  A Dilma  já percebeu que a saída para a crise mundial é o mercado interno, não apenas nosso, como o da America do Sul unida, pelo menos no  comércio comum. Dai a necessidade urgente de  consolidação e ampliação do MERCOSUL. Mas nem mesmo o PT repercute isso. Há uma sonolência  geral.

É preciso, também, aprender  a compatibilizar socialismo com liberdade. Liberdade sem o cinismo hipócrita do modelo burguês. Mas liberdade!

O Mundo está às portas de transformações  fantásticas. A tecnológica  já está em pleno curso. No seu rastro virão  as transformações políticas, ideológicas e geopolíticas. Os jovens já estão indo para a rua, só que sem rumo e sem lideranças.

Você  quer assistir tudo isso pela janela?

Ainda preciso  te explicar onde quero chegar?

Navegar é preciso.

A matéria abaixo dá  continuidade  ao raciocínio desta.

27-10-11

Corrupção nossa de cada
dia na  Ilha  da  Fantasia

Na Europa alastra-se com rapidez e violência o movimento de  massas contra o Sistema de um modo geral e não apenas contra o Capital Financeiro, inspirado  no “Ocupe  Wall Street, iniciado em Nova York. Entretanto, a mídia brasileira  e até os políticos de esquerda só tem olhos para a bandalheiras nos ministérios. Somos, mais do que nunca, a Ilha da Fantasia.

Uma de nossas  mais corruptas instituições é a mídia, a começar pela forma seletivamente corrompida com que ela denuncia  as  corrupções alheias.

 É claro que há mal feitos, como diz nossa cândida presidenta, no Ministério do Esporte. Mas e no  das Minas e Energia onde impera absoluto o Edson Lobão, sócio de José Sarney e herdeiro legitimo dos anos mais negros da  Ditadura?

E o Mário Negromonte, do Ministério das Cidades, que há 15 dias  era a bola da vez. Virou santo? E os comandantes da  Polícia Militar fluminense  que são,  simultaneamente,  bandido chefes das mafiosas milícias?

E os médicos que  assassinam  doentes tidos como terminais para vender seus órgãos  como num açougue? E os engenheiros que  colocam mais areia do que cimento  em suas construções  que assassinam,  que mutilam e arruínam  famílias inteiras?

E os bandidos escondidos sob togas que se associam ao crime  com prefeitos, delegados e donos de cartórios para  participar da grande  instituição da grilagem que está da origem de todas  (eu disse  todas) as propriedades rurais no Brasil?

 Grilagem que aparelhou-se com a pistolagem moderna  e segue destruindo vidas e florestas, assassinando aos borbotões pequenos lavradores e seus defensores, numa das mais escancaradas e crapulosas  demonstrações de impunidade de toda nossa história.

E todos nós, santarrões  hipócritas  que molhamos a mãos do guarda  e do fiscal e  fraudamos nossas declarações  renda e  não exigimos  nem damos  notas ficais de coisa nenhuma? Também não temos nosso Caixa2? Também não queremos levar vantagem em tudo?

Estarei mencionando exceções ou fatos extraordinários? Ou apenas cito fatos  corriqueiros, arraigados nos nossos hábitos e costumes? É difícil entender que o Sistema primeiro nos coisifica  para em seguida nos antagnoznizar uns aos outros?

E é claro que não é necessário mencionar os banqueiros, esses agiotas assumidos e  assimilados pela sociedade leviana. Eles são os atores do fantasmagórico Capital Financeiro que está levando o Mundo para o buraco.

Contra tudo isso, parte da população, a parte mais jovem, talvez, está na vanguarda  disso tudo e começa, aqui e no Mundo, a produzir um grande ronco na Internet  e nas ruas.

E é claro também que a crise econômica e do desemprego é o principal motor desse tumulto global, mas, evidentemente é maior onde a  crise é mais grave. Daí, talvez, o fiasco  das marchas das vassouras praticadas no Brasil e tão estimuladas pela mídia. Entretanto, cedo ou tarde  também  teremos aqui  grandes movimentos de protestos conseqüentes.  Nesse dia a mídia calhorda se calará ou tentará  minimizar e distorcer os fatos.

 Essa mídia não vai além das denúncias superficiais contra  o toma lá da cá que  data do Governo Sarney (o famoso “é dando qeu se redcebe”) e perdura até hoje. Ninguém  governa este País se, literalmente, não comprar os quatrocentos e tantos ladrões do Congresso.

Dissemos outro dia neste blog, repetindo Marx,  que a contestação massiva dos chamados valores ou usos correntes da sociedade – de seu comportamento, sua ética e sua moral -, indica que estes valores (sistemas jurídico e político, inclusive) já não são compatíveis com um novo modo e produção que se impõe em substituição ao antigo que  justifica tais valores, costumes, etc.

Este é o verdadeiro significado dos grandes movimentos contra o Sistema Capitalista – que atinge sua fase crepuscular – e não apenas  contra os banqueiros. Movimentos que se alastram por toda a Europa em crise.

E, num texto de tantas interrogações, encerramos com mais uma: As esquerdas brasileiras estão minimamente equipadas para interpretar e  dar dinâmica  a esse processo?

A matéria abaixo dá sequência ao raciocínio desta.

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09-10-11

Desemprego e desencanto na raiz dos protestos americanos

A mídia brasileira, sempre calhorda e incompetente, levou uma semana para começar a informar a seus leitores e espectadores que está em curso nos Estados Unidos uma grande onda espontânea de protestos populares.

Mas continua informando mal ou desinformando deliberadamente. Procura, agora, induzir sua clientela  fiel, que ela mantém em estado de alienação,  a acreditar que a principal (única) causa dos protestos é o crescente desemprego (principalmente entre jovens) nos Estados Unidos.

O desemprego, em níveis inéditos desde  a Grande Crise dos anos 30 do século passado, pode até ter sido  o  estopim, mas o que há, concomitantemente, é uma reação generalizada contra  o aspectos centrais do Sistema.

Como nos anos 60 e 70 no século passado, caiu a ficha e a população, não apenas os jovens e desempregados, vai às ruas para dizer um basta. É verdade que este  “basta” é difuso e exprime  sentimos coletivos fortes, mas ainda  não canalizados politicamente. Entretanto, há três características significativas:

A- É contra o Sistema Financeiro de um modo geral e não apenas contra banqueiros aventureiros e corruptos; B- É contra a corrupção generalizada e o autismo dos políticos, problemas que lá são iguais ou maiores do que os daqui, e C- É contra a manipulação e a hipocrisia da Política Externa que, com suas guerras, pressões e boicotes seletivos, oculta  gigantescos interesses econômicos e/ou escusos.

Marx dizia com razão que, a contestação massiva dos chamados valores ou usos correntes da sociedade – de seu comportamento, sua ética e sua moral -, indica que estes valores (sistemas jurídico e político, inclusive) já não são compatíveis com um novo modo e produção que se impõe em substituição ao antigo que  justifica tais valores, costumes, etc.

 Se for assim e é, podemos dizer que estamos concluindo uma fase de transição  que eu chamo de Crepúsculo do Capital. Como será o formato definitivo desse novo sistema das relações e dos mecanismos de produção é impossível desenhar com precisão, mas já temos um esboço razoável de sua infraestrutura.

Seja como for esse novo formato produtivo  exigirá (aliás já está exigindo) mudanças radicais na sua superestrutura política e jurídica e que são codificações atualizadas da na nova ética e dos nos novos costumes, etc.

 Em inúmeros artigos deste blog, tenho procurado expor as principais características e sintomas do Crepúsculo do Capital e da fase posterior que – caso não seja abolida a propriedade privada dos meios de produção-, poderíamos  chamar de Neofeldalismo, é claro que num estágio tecnológico infinitamente superior.

Para  facilitar o entendimento do que foi dito acima reproduzo, abaixo, um resumo articulado dessa teoria da transição:

O Crepúsculo do Capital

 Todos comentam a atual crise econômica mundial, mas poucos percebem que  ela é, na verdade, uma crise do próprio  modo de produção capitalista. Trata-se de um fenômeno sistêmico que aponta para crescente  incapacidade  de o Capital acumular o seu próprio excedente. É a fase crepuscular ou terminal. Entender isso não é muito complicado desde que se saiba, preliminarmente:

1-O Capital é, em  si, um excedente. Excedente  de trabalho (próprio ou alheio) que não é consumido e sim acumulado.

 2-O Capital só obtém lucro efetivo na sua parte variável, dinheiro vivo reservado para pagamento de salários. É essa a parte do Capital que retorna ao bolso no proprietário, inflado pelas horas excedentes (não confundir com horas extras) de trabalho não pagas, a famosa mais-valia.

3-A parte fixa ou constante do Capital, máquinas e equipamentos (e insumos também)  não fornece, a rigor, nenhum lucro ao capitalista. Isto, pela boa razão de que ela  transfere o seu próprio valor para o valor da mercadoria que ajuda a produzir. No caso dos insumos (energia e matérias-primas) esta transferência é instantânea. No caso de máquinas  a transferência pode levar anos. Mas, inexoravelmente, insumos, máquinas  ou  equipamentos se exaurem, cedo ou tarde, na produção das mercadorias. Entretanto, é  aqui, na sua parte constante, que o Capital  acumula.

4-A última frase do item anterior não é gratuita: o Capital só materializa e fixa os lucros obtidos com a rodada anterior de exploração do trabalho, quando investe em novas máquinas e em mais terrenos e edificações. É assim e só assim que ele realiza sua acumulação ou, mais propriamente, sua reprodução ampliada. Pois é assim que ele amplia sua capacidade de explorar mais trabalho a partir  da mesma base inicial.

 Agora reparem (e isto  é estampado diariamente pela mídia) que o Capital está em permanente revolução interna, sempre substituindo sua  parte variável (salários e mão de obra) pela parte  constante (máquinas e equipamentos). É a  automação vertiginosa que acomete o Sistema nesta  sua fase terminal. Quando as máquinas e equipamentos perdem densidade de valor ou simplesmente tornam-se descartáveis (substituídas em prazos cada vez mais curtos), o Capital vai, concomitantemente, perdendo sua capacidade de acumulação. 

Então, fica nítida a noção de que, principalmente nos países  tecnologicamente mais adiantados, o Capital (entendido aqui como o conjunto de capitais – o Sistema), vai despregando-se daquela parte que dá lucro, bem como daquela onde  ocorre a acumulação efetiva.

Quando isto ocorre, o Capital toma três rumos: a- deixa de ser produtivo e transforma-se em capital de serviços que dá lucro, mas não realiza a acumulação clássica que só ocorre (como foi exposto acima) no capital efetivamente produtivo, industrial ou agrícola; b- ingressa  no cassino especulativo e passa a obter a  maior parte de seus lucros não mais no  chão da fábrica, mas  no departamento financeiro e c- migra para a periferia do sistema, os países em desenvolvimento, onde ainda é possível  obter altas taxas de mais-valia, em função da mão de obra barata. Neste último caso, China, Índia e Brasil são três excelentes exemplos.

Enfim, creio que aí está  um pequeno, porém eficiente, roteiro para acompanhar a  atual crise com melhor capacidade de percepção dos fenômenos que são subjacentes a ela e vão muito além das baboseiras repetidas à exaustão pela mídia pobre e podre.

Reparem, ainda, que o que foi dito aí em cima, não é simples literatura marxista dogmática e sim leitura correta dos antigos clássicos da economia como Adam Smith, David Ricardo  e Jean-Baptiste Say,  em cujos textos Marx colheu os fundamentos para  desenvolver sua teorias sobre a acumulação capitalista. Um processo que chega agora à sua fase crepuscular.

O Neofeudalismo

A esta fase crepuscular eu dou o nome de Neofeudalismo, a etapa superior do Imperialismo.

O Neofeudalismo tem como principal característica a  monopolização  e/ou oligopolização extremas e a nível mundial. Some-se a isso, a terceirização da produção.  As grandes corporações cedem a terceiros avassalados, sua marca,  suas invenções e modos de produção e venda.  Assim, passam   (eis aí o aroma feudal) a  auferir renda com algo que é de sua propriedade, sem se imiscuirem na produção propriamente dita.

Com isso, como já é visível a olho nu,  há uma total revolução das relações  do trabalho, somada ao crescente descarte de mão de obra, por conta da vertiginosa automação. Nasce aí o chamado desemprego estrutural.

E desemprego estrutural é  um eufemismo, um nome técnico  que se dá a algo brutal: a exclusão definitiva de populações  inteiras ao redor do Mundo. Populações que se  tornam excedentes e descartáveis  enquanto elementos  do processo produtivo.

O Impasse Ecológico

E ainda nem falamos no Impasse Ecológico que não só entrava, como inviabiliza  o atual modo de produção e consumo, pelas seguintes três razões:

1- A acumulação capitalista só ocorre, como vimos acima, pela metabolização do homem (através de seu trabalho) com a Natureza. Mais precisamente, através de um excedente de trabalho, a mais valia. Este excedente é aquela parte sem a qual o trabalhador poderia sobreviver, mas sem a qual ele  não consegue poupar e/ou acumular. E é certo que a este excedente de esforço humano  corresponderá, obrigatoriamente, um excedente  a ser fornecido pela Natureza, os recursos naturais.

2- Por esta razão o Sistema  se utiliza daquilo que chamamos de consumo e produção redundantes, através da descartabilidade e da obsolescência prematura ou forçada.

Ou seja, mercadorias de todos os tipos, inclusive mecadorias produzidas para produzir outras mecadorias (insumos, máquinas e equipamentos) são elaboradas com todo o esmero pra serem  descartados ou substituídas no mais curto espaço de tempo. O  objetivo dessa pressa é o de dar  lugar  a outras mecadorias que já estão entrando na linha de produção.

É este carrossel diabólico que com seus giros intemináveis vai produzindo mercadorias apenas para produzir mais mercadorias, sem nenhuma conexão com as reais necessidades do homem em particular ou na Humanidade como um todo. E é isto que faz com que o Capital, enquanto sistema global, perca sua lógica ou sua racionalidade elementar, transformando-se em instrumento de destrição planetária.

Sobre o mesmo tema, leia também a coluna Arte & Manha 

Comentários

 milu

O Grande Debate
Oi, Chico, parece que desta vez o império do mal começa a desmoronar…adorei este post e estou levando para meu facebook!!Quanto ao PT, partido do qual sou simpatizante, ando meio que desiludida com a guinada centrista que ele vem dando, com a falta de determinação do governo para com as reformas prementes, tipo reforma tributária, política, judiciária, enfim, as reformas há tanto tempo necessárias e prometidas. Tem a decepção,também, com a questão do aposentado: não me esqueço do discurso do Lula, numa das campanhas, quando ele criticou os governos de até então, pelo desrespeito para com os aposentados que, logo quando mais precisam de dinheiro para remédios e, até, para poder aproveitar um pouco a vida depois de tantos anos de trabalho, ganham uma ninharia, que não dá para nada. E o que ele fez para mudar a situação?Nada!Repito, sempre gostei do PT, mas, pelo visto, ele (ou uma parte dele) perdeu a combatividade.
Desculpe o desabafo no seu post, mas lendo seu artigo, me senti incentivada a faze-lo!
Abraços.

02-10-11

 PSDB cedeu  centro-esquerda  para o PT
e  ficou  espremido  na  extrema-direita

A professora Francis Hapobian, do  Centro de Estudos  Daivid Rockefeller, está no Brasil, a convide de FHC, para nos ensinar que o PSDB deveria ocupara os espaços de centro-direita e articular seu discurso nesse sentido, já que o PT ocupou o espaço da Social Democracia no Brasil. (Entrevista ao Estadão)

Alguém precisa dizer a ela que isto tudo já aconteceu  há pelo menos 15 anos. Com a aliança com o antigo PFL e a adoção da macroenocomia neoliberal do Estado Mínimo e do respeito religioso às leis do Mercado, o PSDB ocupou este espaço e deixou  o Centro-Esquerda livre para o avanço petista.

Hoje, como a História não para, é o PT que ocupa alguns espaços de centro-direita, face sua aliança com o PMDB, moldado pelos conservadores, e demais partidos do mesmo tipo. Entretanto, o partido de Lula tem o cuidado de não perder contato com suas origens e suas bases organizadas. Caso contrário, abriria uma brecha, na sua retaguarda, para o crescimento de um partido de esquerda  e de massas. Seja como for,  os tucanos foram empurrados ainda mais para a direita.

Hapobian explica que há quinze anos os trabalhistas (Social Democracia) fizeram o mesmo na Inglaterra, com Tony Blair que adotou uma política de centro-direita, “e os conservadores ficaram sem chão”.

 No Brasil o PSDB,  que aliou-se ao PFL (hoje DEM) transformado em sua linha auxiliar, já era conservador há mais de quinze anos. E agora, ao ceder espaços, em seu reduto tradicional, para o PT, fica espremido entre a Direita Pura e o abismo eleitoral. E o DEM, em vias de extinção, perde alguns de seus melhores quadros para o PSD de Kassab que não tem nenhum caráter ideológico a não ser o de estar perto do governo.

Como se vê restam poucas alternativas para o PSDB. A professora não percebeu  que  os tucanos não têm que  “avançar” para o espaço de centro-direita. Isto eles já fizeram  há duas décadas. Agora  eles tem é que  “retomar” e procurar recuperar este espaço que estão cedendo para o PT e aliados. Veja, na  coluna Arte e Manha, artigo sobre o apoio da classe média  a Dilma Rousseff.

Já o PT (melhor dizer o governo petista) transformou-se numa gigantesca frente ampla, maior mesmo do que a articulada pelo Doutor Ulysses nos anos 80 e que galgou o poder com a eleição indireta de Tancredo.

Entretanto, o destino de toda frete ampla e o esgarçamento ou a ruptura. Ela só serve para as emergências e ocasiões especiais. Depois de um  certo tempo, ela  racha em duas parte ou estilhaça em uma infinidade de partidecos.

Para não correr esse risco, o PT precisa ampliar sua própria densidade eleitoral para ser menos dependente de alianças e , mesmo essas, devem ser  fortalecidas ou seladas por um compromisso ideológico mínimo. É com essa objetivo que o ex-presidente Lula sai em campo para defender uma reforma política que estabeleça o sistema de lista fechada e de financiamento  público das campanhas.

Enfim, FHC e essa professora de araque não conseguem ver  que a  Grande Crise Norte Americana, que já é global  e está em pleno curso, nos coloca diante de um cenário pós capitalista.

 Na verdade como tenho dito em dezenas de artigos, neste blog, vivemos o Crepúsculo do Capital, e seu modo de produção. Sendo assim, todos os ismos da extrema esquerda   à extrema direita, passando por todas as nuances intermediarias, terão que ser reciclados.

 26-09-11

A  hora  dos  desconhecidos: Troca-se  a
embalagem para não alterar o conteúdo

Em compensação, há uma  discussão edificante  nos meios religiosos: Padre Marcelo diz que preferia as  loiras e explica por que não gosta do padre Fábio Melo.

É uma verdade simples: A população tomou nojo pela política. Como não podem, não sabem ou não querem mudar  seu próprio conteúdo, os políticos apresentam ao público novas caras, novos rótulos.

Nas eleições municipais de São Paulo, por exemplo, o PT prepara-se para lançar uma invenção do Lula, Fernando Haddad, ministro da Educação. O  PMDB já lançou Gabriel Chalita, um pouco mais conhecido, mas ainda sem densidade eleitoral, além de pertencer a uma legenda desmoralizada. E o PSDB, no que depender do governador Geraldo Alckmin, lançará o mais novo  modelito  da praça, Bruno Covas que, por enquanto, não é um nome, é apenas um sobrenome.

É óbvio que nada disso resolve o problema. Mas  os políticos tradicionais não estão equipados para enfrentar a situação. É defeito de fábrica. O que estamos vivendo aqui e no Primeiro Mundo (a Primavera Árabe tem pontos de contato, mas é um caso específico e à parte) é a falência das instituições.

São fases de transição, quando ocorrem a  degeneração dos padrões habituais e a população fica suscetível a mudanças bruscas, inclusive experiências marginais ou totalitárias. É comum também  o avantajamento do niilismo, do descompromisso ideológico, político e partidário.  E imperam, ao mesmo tempo, o ceticismo, o egoísmo e o misticismo. Ninguém se sente tentado a emular-se (no sentido de sacrifício e doação) por um ideal.

 Para falar de  valores morais e espirituais,  não basta julgar apenas os políticos. É impossível não ver que  os principais líderes espirituais no atual momento brasileiro, são, pelo lado  evangélico os  homofóbicos e cobiçosos bispo Macedo, missionário RR Soares e o pastor  Silas Malafaia.

 Na parte católica, desponta o padre Marcelo que  dá  entrevista dizendo que “preferia  as loiras”, e não esconde sua irritação em relação a sua principal concorrente,  o padre Fábio de Melo que também  é cantor, reúne multidões, mas cobra cachê, usa calças apertadas e faz trejeitos para a moças da platéia à beira da histeria.

O velho Marx sabia que sempre que ocorrem todos esses fenômenos de apatia e de morbidez social é  porque a  superestrutura política, social e jurídica  não é mais compatível com a  infraestrutura, o modo de produção.  Ou seja, o modo de produção (tecnologia mais relação social entre as classes sócias)  ao tansfigurar-se, exige  nova ética,  e pois, novo ordenamento  político e jurídico.

Um exemplo banal: A família sempre foi defendida pelo regime  capitalista-burguês como a sacrossanta  célula mater da sociedade.  Isto porque deste a sua fase inicial, (Século XVIII) até meados  do  século passado,  o Capital (enquanto modo de produção) via na família seu principal fornecedor de mão de obra  (prole) abundante, barata e razoavelmente bem comportada e obediente.

 Hoje, contudo, o Capital dispensa e  libera contingentes inteiros da prole  familiar humilde (proletariado) que são declarados desnecessários, descartáveis e substituídos por uma automação  vertiginosa, via  novas tecnologias e novos equipamentos  E a família tradicional, como é mais do que evidente, entrou em fase  dissolução, foi descartada pelo Capital.

Em dezenas de artigos neste já recheado  blog, tenho  procurado explicar esse fenômeno que chamo, no seu conjunto, de  Crepúsculo do Capital. Não cabe, portanto, repetir  esses argumentos. Mas vale lembrar  que aqui, como na Europa e nos Estados Unidos, o chamado Velho Mundo Político, não consegue mais dar respostas compatíveis com o advento do admirável Mundo Novo  da Ciência da Tecnologia e da produção com ausência quase total do  trabalho manual.

Seja como for, a História ensina  que, nesses  momentos de marasmo e transição, sempre que ocorrerem  grandes guerras  ou graves crises econômicas, como parece ser a atual,  as forças sociais antes dispersas e  desmotivadas, canalizam-se rapidamente para o engajamento revolucionário.

Enquanto isso, só ocorre aos partidos políticos  nos oferecer novas caras, como as dos Haddads, ds Chalistas e dos Covas.

12-09-11

Porque a Globo dilmou

O apoio da Globo  e até do Jabor à presidenta Dilma está ficando escancarado, embora persistam as críticas cáusticas ao PT e ao  ex-presidente Lula e a agressão violenta, com ódio, ao Zé  Dirceu. Numa análise superficial é valido dizer que  usando o pretexto da “faxina”, a ardilosa Família Marinho tente isolar a presidenta  de seus companheiros e  estabelecer um clima de intriga entre eles.

Mas há razões mais profundas:

A Família Marinho presta serviços, há mais de sessenta anos. Sistema Financeiro globalizado e ao Departamento de Estado. É mais do que  um alinhamento automático. É um atavismo. A TV Globo nasceu  financiada pelo grupo jornalístico  e de marketing  Time-Life (na época um dos mais poderosos do Mundo) e transformou-se em seu agente no Brasil. Isto está devidamente  comprovado,  através de CPI, e  arquivado  nos anais do Congresso Nacional.

Na continuidade, Roberto Marinho  que já apoiara os militares fascistódes (que derrubaram João Goulart com  ostensivo apoio financeiro e material dos Estados Unidos), transformou o Jornal Nacional em  porta-voz  da Ditadura.

E não adianta dizerem agora que foram forçados pela  censura. A verdade é que não só a Família Marinho como os principais dirigentes do Departamento de Jornalismo, pensavam como os militares, como o Lacerda, e eram, como são até hoje, americanófilos.

Ainda na sequência, foram os últimos a aderir à campanha pelas “Diretas já” e participaram de um complô que envolvia também os serviços secretos da Ditadura (SNI) e o bandoleiro  Carlos Augusto Montenegro. O objetivo era  o de evitar a vitoria de Brizola nas eleições  de 1982, no Rio.

A trama consistiu em manipular não só a divulgação de pesquisas falsas como a própria apuração dos votos, falseando os boletins eleitorais que eram transferidos para a  central geral de computação, na época muito vulnerável.

 E o crime foi descoberto  e denunciado por um jovem militante do brizolismo, Cesar Maia, que meses depois tonou-se presidente do Banco do Estado do Rio, iniciando uma rápida carreira política que terminou no DEM. O Mundo dá voltas.

Mas o ódio dos Marinhos por  Brizola é tão violento que  todos os anos eles obrigam os profissionais da TV Globo (que infelizmente se submetem) a cometer a vergonhosa  façanha de transmitir, durante 48 horas, o Desfile das Escolas de Samba,  sem mencionar uma única  vez o nome  de Leonel Brizola, idealizador e construtor do Sambódromo que hoje é uma referência carioca tão importante quanto o Maracanã e o Cristo.

Pois bem. Agora essa família mafiosa percebeu que o governo do PT, quer pela ação de Dilma, quer pela influência de Lula, quer pela pressão do próprio do  PT (cuja correlação de forças internas   pendeu definitivamente  para a Social Democracia) não é  o antigo e temido tigre. Nem mesmo um tigre de papel. É apenas um gato manso que  de raro em raro mia desafinado, como é o caso da política  externa.

Então para quer criar problema se os três ou sete anos de  governo Dilma não oferecem surpresas nem expectativas de solavancos?

Além disso, o que esperar  de uma Oposição que se esfacela e perdeu seu discurso? Uma Oposição cujo único ator viável é o  Aécio Neves que é tucano só enquanto isso lhe for conveniente  e que, no governo, não fará nada muito diferente  do que Dilma está fazendo.

“Quando as coisa vão bem ou são suportáveis, melhor não inventara moda”, dizia o velho Roberto Marinho.E  de mansinho, como era o seu  jeitinho, ela  fazia negócio com todo mundo, até com o Kaddaf. Eis aí um bom tema para uma CPI. E o Mundo continua dando voltas.

A matéria  abaixo dá continuidade ao raciocínio desta. Não deixe de ler. Leia também a coluna  Para Entender a Crise.

05-09–11

Lula e FHC no mesmo palanque. E por que não?

Meu distinto leitor e minha amiga leitora provavelmente consideram a hipótese do título não só surrealista, como completamente  absurda. Entretanto, creiam meus queridos, este acordo tácito ou explicito de “adversários“ aparentemente irreconciliáveis, é absolutamente corriqueira na história não só do Brasil, como deste Mundo de Deus. É o chamado Pacto das Elites.

Sai governo, entra governo e o Sistema não muda. Quem é capaz de distinguir, na Europa por exemplo, um conservador de um trabalhista ou um (neo)liberal de um socialista? Aqui, na nossa América do Sul, com golpes militares de permeio, a história foi sempre a mesma: Conservadores sucedem e são sucedidos por liberais, sem que nada mude, E o mesmo pacto das elites que aqui ganha o nome de Pacto das Oligarquias.

O PT parecia ter nascido para romper esse Pacto. Apenas parecia. Não é difícil entender que o partido nasceu para ser o agente do Trabalho enjeitado contra O Capital sócio proprietário do Estado. E é difícil perceber que o PT foi absorvido cooptado ou, se quiserem, encampado pelo Estado que por sua vez é controlado pelo Grande Capital Financeiro?

Portanto, para  quem não gosta de conversa fiada, é bom deixar isso bem claro: a não ser por picuinhas (que muitas  vezes têm um peso importante) ou por uma ou outra  diferença significativa (a política externa  petista é  soberana e muito mais digna e competente do que a tucana)  não há como negar que PT e PSDB são partidos social-democratas.

É claro que o trabalhismo (populismo para os desafetos) de Lula,  na velha tradição de Getúlio e de  Brizola está mais a esquerda que o neoliberalismo explícito do PSDB, mas ambos servem ao Sistema.

Agora, o PT realiza seu Quarto Congresso e entre outra pérolas decide solenemente que a imprensa não pode ser partidária (isto foi dito com clareza nas palavras do atual presidente, Rui Falcão, um ex-rebelde cooptado) e vai propor uma lei que proíba deputado ou senador de ser dono de jornal. Alguém já ouviu uma  hipocrisia, um farisaísmo e uma imbecilidade maiores?

  Quer dizer que não poderia, se quisesse  (e esta é um hipótese que vai ai apenas para  exemplificar) fundar um jornal para lutar por minhas idéias, fundar um partido para defendê-las, nem muito menos  me candidatar a deputado para as continuar defendendo no Parlamento.

Esta é, sem dúvida, a culminância da boçalidade hipócrita. A esse ponto chegou o PT. Ele não percebe a  incongruência e a calhordice  embutidas na noção de que  deputado de m não pode ser dono de jornal, mas o banqueiro que o compra, suborna e submete, pode  não só ser dono de jornal  como fazer  a carreira política de  paus mandados que poderão chegar à presidência da República.

Lula e FHC

É pouco provável que a gente veja Lula e FHC subindo de mãos dadas no mesmo palanque. As questões pessoais são fortes e ainda estão quentes. E  isso os constrange embora ambos sejam social democratas. Mas será cada mais  freqüente  vermos uma absoluta compatibilidade de discursos sobre temas relevantes.

E quem   garante  que um dia ainda não veremos o Aécio Neves trepado no palanque da Dilma? Convenhamos que  tudo pode acontecer num país onde o tucano Henrique Meirelles, foi durante os oito anos de um governo petista, o todo poderoso presidente do Banco Central.

Mas a questão central é outra: como tenho analisado em inúmeros artigos neste blog, o Brasil transformou-se  num pais preponderantemente de  classe média, circunstância que deve se acentuar crescentemente nos próximos anos.

 O PT, sem abandonar  seu discurso de  centro-esquerda  contemplando os setores excluídos ou ideologicamente classistas, vai calibrando uma fala adequada à classe média emergente.

Já o PSDB, empurrado para  a direita, corre o risco de ficar só com a classe média mais alta e/ou alienada ou com  seus  tradicionais redutos de poder, como São Paulo e Paraná. Sendo que Lula está de olho exatamente neste território.

Vai daí que setores moderados do PDSB (FHC, Alckmin e Aécio Neves principalmente)  não  descartam nem escondem a possibilidade de   um eventual  apoio (pontual ou mais amplo) a  Dilma, caso ela se indisponha com o PMDB e fique sem sua governabilidade chantageada. Os tucanos espreitam, também, a possibilidade de  a presidente ser enquadrada de forma  insuportável pelo PT pragmático.

Aécio, particularmente, quer mexer num jogo onde o que está pitando é a reeleição de  Dilma e depois, talvez, a volta de Lula ou qualquer outra fórmula de perpetuação do poder petista. Como diria seu avô Tancredo:  Se  não pode derrotá-los, junte-se a eles…

O que temos, então, é um fantástico jogo de habilidade e falsidade onde a mídia, (especialmente a Globo) apóia  explicitamente a presidenta, enquanto tenta intrigá-la com sua  base aliada ou até mesmo com Lula e com o PT  pragmático. É claro que isso não vai dar certo, porque  Dilma não é uma principiante, embora não tenha o cacoete palanqueiro de Lula.

Mas é certo que, tirante a questão da “faxina”, onde é Dilma quem ganha seus pontinhos junto à classe media, os tucanos ficaram sem discurso. Enfim, o PT não é mais aquele. Em compensação, o PSDB está-se dissolvendo como partido.

A matéria  logo aí abaixo dá continuidade ao raciocínio desta. Leia também a coluna  Para Entender a Crise.

24-08-11

Mudou o Mundo ou mudou Kátia Abreu?
PSD de  Kassab  vai apoiar  Dilma Roussef

Mudou da água para o vinho a senadora Kátia Abreu que está  abandonando o DEM para ser o segundo nome na  hierarquia do PSD, o partido  que o prefeito de São Paulo,  Gilberto Kassab, deve registrar nos próximos dias. Como senadora pelo DEM de Tocantins, Kátia era uma das mais ferozes defensoras do agronegócio, inclusive de seus aspectos mais destrutivos em termos ecológicos.

Pois agora a senadora diz aceitar um novo Código  Florestal que contemple as duas partes (produtores agrícolas e ecologistas) e, pasmem, solidarizou-se com a agenda do MST (Movimento dos Sem Terra) dizendo que o “Agronegócio precisa ser inclusivo”. Nessa direção, ela  defendeu a concessão de financiamentos para transformar os sem terra em  pequenos  produtores.

Tudo isso ocorreu,ontem  (23), após longa conversa de Kátia com a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. Além dessa conversão da senadora  para uma posição mais de Centro (ela pretende candidatar-se ao governo do Estado em 2014), esse posicionamento novo indica que o PSD de Kassab,  embora seja aliado dos tucanos m São Paulo, começa a ingressar na base de apoio ao Governo no Congresso Nacional.

É bom para a chamada “governabilidade”, mas o projeto inicial do antigo PT vai ficando cada vez mais diluído. É o dilema de Dilma.

Veja alguns trechos das declarações de Kátia Abreu distribuídos pelas  agências:

“A senadora Kátia Abreu (Ex DEM-TO) disse ontem (23) que as reivindicações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina são justas, após se reunir com a presidenta Dilma Rousseff. Eles estão mobilizados nesta semana em 20 estados e no Distrito Federal pedindo solução para o endividamento de assentados e o assentamento de mais de 60 mil famílias hoje acampadas em todo país.

“Gente, as dívidas são reais”, disse a senadora que deve ingressar no futuro partido PSD, que se declara “independente” no Congresso Nacional.
Ao comentar a necessidade de uma política agrícola capaz de não penalizar os produtores, assunto tratado na reunião com a presidenta, Kátia Abreu chegou a pregar a “união” em meio às dificuldades.

“É preciso se unir na dificuldade e encontrar um modelo para cada tipo de agricultor no Brasil”, disse a senadora, recebida por Dilma Rousseff e pelo ministro da Agricultura Mendes Ribeiro, em sua primeira agenda de trabalho com Dilma. A senadora disse que a política agrícola precisa ser inclusiva. “Somente 10% dos agricultores brasileiros fazem parte do chamado agronegócio. É preciso aumentar esse número. Existe um número muito grande de agricultores no país com uma renda muito baixa”.

No encontro com Dilma, Kátia assumiu o compromisso de não se opor ao governo na votação do Código Florestal no Senado, pauta polêmica que divide ambientalistas e ruralistas.

“Nós estamos dispostos a conversar para construir um consenso, que fique bom para os ambientalistas e para o pessoal do agronegócio”.”

17-08-11

A União da América  do Sul é o
principal foco político de Lula

É claro que o ex-presidente Lula não vai abandonar a política nacional. Continuará atuando dentro do PT, para articular as alianças que considera necessárias para as eleições municipais do próximo ano. E dará cobertura à presidenta Dilma sempre que se agravar a crônica dificuldade de relacionamento entre o Planalto e a base aliada do Governo no Congresso. Mas sua ação será discreta, nos bastidores.

Entretanto,  o principal  foco da atenção e da ação de Lula, nos próximos meses, será a política sul-americana. Ele percebeu que há uma chance de  ouro para que se acelere e concluía o processo de integração do Continente, com a expansão do MERCOSUL e a consolidação da UNASUL, União das Nações Sul-Americanas.

É um processo semelhante ao que ocorreu para a criação da União Européia,  mas provavelmente bem mais rápido, porque na América do Sul nossas semelhanças  são maiores. Existem divergências e disputas, é claro, mas são bem menores se comparadas com as que havia na Europa. Além disso, tudo acontece mais depressa nesse século vertiginoso.

Objetivamente, dois fatores contribuem  par o otimismo do ex-presidente:  O primeiro é a crise econômica que é global, mas incide mais sobre os países do chamado Primeiro Mundo e  fortalece, relativamente, as nações emergentes.

O outro é a nítida guinada para a esquerda nacionalista que vem ocorrendo no Continente como a  recente eleição  do “lulista” Ollanta Humala para a presidência do Peru e a  muito provável reeleição de Cristina Kirchner, em outubro na Argentina. Ver matéria  na coluna  Última Hora.

Segunda-feira (15) em São Paulo, Lula inaugurou o Instituto que leva o seu nome. É uma associação civil destinada a dar suporte às suas iniciativas políticas. E, nas palavras do próprio diretor-presidente do Instituto, Paulo Okamoto, “nosso foco inicial será a integração maior dos países do Continente”.

08-08-11

Por que a Globo tem medo da Mídia Digital

Por Regina Sampaio

As Organizações Globo lançaram esta semana seus “Princípios”, amplamente divulgados por todos seus órgãos, a começar pelo Jornal Nacional. O documento contém ”as diretrizes a serem seguidas por todo o jornalismo do grupo “, na verdade, critérios técnicos, éticos e profissionais.

Houve grande repercussão sobretudo na Mídia Digital, onde  logo se constatou e se denunciou que os princípios anunciados pelas Organizações Globo não são, absolutamente, seguidos por seus órgãos a começar pelo próprio Jornal Nacional. Em todos eles a tendenciosidade, a omissão e a manipulação são gritantes.

Entretanto, não é este, a meu ver, o aspecto central da questão.

A Desconstrução

 Analisando cuidadosamente o conteúdo dos “Princípios” em alguns momentos eles parecem ir muito além de um simples documento de normas a serem seguidas pela empresa. Na verdade, parece que as Organizações Globo temem a Mídia Digital que não só concorre  na conquista de seus leitores, mas denuncia suas mazelas.

Vamos a analise:

Logo na  introdução diz o documento:  “Com a consolidação da Era Digital, em que o indivíduo isolado tem facilmente acesso a uma audiência potencialmente ampla para divulgar o que quer que seja, nota-se certa confusão entre o que é ou não jornalismo, quem é ou não jornalista, como se deve ou não proceder quando se tem em mente produzir informação de qualidade. A Era Digital é absolutamente bem-vinda, e, mais ainda, essa multidão de indivíduos (isolados ou mesmo em grupo) que utiliza a internet para se comunicar e se expressar livremente. Ao mesmo tempo, porém, ela obriga a que todas as empresas que se dedicam a fazer jornalismo expressem de maneira formal os princípios que seguem cotidianamente. O objetivo é não somente diferenciar-se, mas facilitar o julgamento do público sobre o trabalho dos veículos, permitindo, de forma transparente, que qualquer um verifique se a prática é condizente com a crença”.

Apesar de se posicionar de modo democraticamente favorável a mídia digital, incluindo aí a chamada Blogosfera e as redes sociais, as organizações Globo parecem querer deixar claro que a mídia digital não faz jornalismo sendo então necessário para as empresas que “verdadeiramente” fazem jornalismo se diferenciarem da mídia digital.

Na segunda parte do documento a empresa se situa dentre as diferentes definições de jornalismo As  que Organizações Globo adotam são estas: jornalismo é o conjunto de atividades que, seguindo certas regras e princípios, produz um primeiro conhecimento sobre fatos e pessoas.” E em  outro trecho: “Dizer, portanto, que o jornalismo produz conhecimento, um primeiro conhecimento, é o mesmo que dizer que busca a verdade dos fatos, mas traduz com mais humildade o caráter da atividade. E evita confusões.”

Ou seja uma empresa jornalística busca a verdade dos fatos mas e as outras mídias em especial a digital ? Vejamos o trecho seguinte do documento:

“Pratica jornalismo todo veículo cujo propósito central seja conhecer, produzir conhecimento, informar. O veículo cujo objetivo central seja convencer, atrair adeptos, defender uma causa, faz propaganda. Um está na órbita do conhecimento; o outro, da luta político-ideológica.”

 Nas sua terceira parte o documento diz quais são os atributos do jornalismo: Isenção, Correção e Agilidade sendo que a Correção o que dá ao jornalismo credibilidade e nele estaria embutido o conceito de verdade jornalística .

Mais uma vez parece haver no documento uma tentativa de diferenciar o jornalismo da mídia digital. Já que o jornalismo deve tentar ser o mais imparcial possível embora seja hunamente impossível atingir 100 % de imparcialidade.  Então fica claro no documento que o jornalismo das Organizações Globo prima pelar excelência sem qualquer conotação político-partidária ou ideológica. Já o “jornalismo” da mídia digital…

 Ora se o documento de Princípios visa exatamente fazer a distinção sobre o que é ou não jornalismo, sobre a diferença entre jornalismo e as informações não jornalísticas “eivadas das paixões ideológicas, políticas e partidárias” e tendo se referido explicitamente as informações da mídia digital, não estaria aí uma evidente intenção de desconstruir  a  credibilidade das informações “não jornalísticas” que, por serem assim,  não produzem conhecimento?

Analisemos a parte final do documento: “As Organizações Globo serão sempre independentes, apartidárias, laicas e praticarão um jornalismo que busque a isenção, a correção e a agilidade, como estabelecido aqui de forma minuciosa.” Diz ainda: “Para os propósitos deste documento, não cabe defender a importância de cada um desses valores; ela é evidente por si só. O que se quer é frisar que todas as ações que possam ameaçá-los devem merecer atenção especial, devem ter uma cobertura capaz de jogar luz sobre elas. Não haverá, contudo, apriorismos. Essas ações devem ser retratadas com espírito isento e pluralista, acolhendo-se amplamente o contraditório, de acordo com os princípios aqui descritos, de modo a que o público possa concluir se há ou não riscos e como se posicionar diante deles.”

O que seriam as ações que possam ameaçar a importância desse valores? Seriam as ações da mídia digital que “por serem eivadas de ideologias político-partidárias” não tem credibilidade suficiente para informar de forma isenta e assim produzir conhecimento?

Estamos apenas diante de uma singela carta de princípios ou uma tentativa inicial de desconstrução da mídia digital ou da sua credibilidade? Sabemos o quanto a mídia digital tem afetado a imprensa tradicional. Mas esta seria a primeira vez em que a os poderosos donos da mídia “maior ou verdadeira”  identificam o “inimigo” e  tentam, sutilmente, desconstruí-lo.

31-07-11 atualizado em 03-08-11

Dilma e Mantega comeram mosca na questão cambial
Por Francisco Barreira
A presidenta Dilma Rousseff lançou ontem o “Plano Brasil Maior”, com uma séria de benefícios e isenções fiscais para setores da indústria nacional. O objetivo é amenizar a devastação, provocada pela supervalorização do Real, nos seguimentos que então submergindo diante da invasão de importados baratos.
Para os retoques finais do Plano, Dilma reuniu-se sábado (30-7) com a ministra chefe da Casa Civil, Gleise Hoffmann e os ministros Guido Mantega da Fazenda, Aloizio Mercadante, da Tecnologia, e Fernando Pimentel, da Indústria e Comércio Exterior.
Finalmente foi anunciada a velha e sempre adiada  desoneração da folha de  pagamentos das  empresas,  inclusive  no recolhimento da parte que  cabe  às aposentadorias.
Esta  parte será fornecida pelo Tesouro Nacional diretamente para o Ministério da Previdência, durante a duranção da isenção, até o final de  2012. Depois disso a isenção e outras renúncias fiscais poderão ou não ser prorrogadas.
Sempre ajuda um pouco, mas este programa chega tarde demais e será insuficiente para contornar o problema maior que é o do derretimento do dólar no âmbito global, a causa principal (não a única é claro)  da falta de competitividade de nossa indústria.
O Brasil só não submergiu na crise porque converteu-se, na última década,  num dos maiores exportadores mundiais de  matérias-primas, as famosas commodities que  valorizam na proporção da desvalorização do dólar e do aumento do consumo chinês.

E vale insistir no que já dissemos outras vezes nesse blog: É inacreditável e assustador que o PT tenha  chegado ao nono ano de governo, sem um programa de desenvolvimento industrial.
Quanto aos ministros  da área, Mercadante e Pimentel, não obstante seus  passados de militância e suas credenciais  intelectuais e/ou acadêmicas, como executivos  são absolutamente  bisonhos e inoperantes. Não entabularam nenhum programa sério em suas pastas, limitando-se a correr atrás dos fatos consumados.

A questão cambial

A presidenta Dilma e seu ministro Mantega, como esse blog informou, chegaram a decidir pela adoção do câmbio semi-fixo  (o sistema de Quarentena que retém,  durante  90 ou 120 dias,  o fluxo de entrada de capitais), pouco antes de sua da viagem à China em Abril último. Foi quando cunharam a expressão Guerra Cambial e acusaram os EUA e a China de manipulação de suas moedas.

No retorno da viagem, contudo, perderam o ânimo e, além disso, foram convencidos pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombine – e  até mesmo  por alguns técnicos  da Fazenda-, de que havia um perigo real de recrudescimento da inflação. Nessa circunstância, o câmbio valorizado poderia ser útil para controlar a alta dos preços.

Dilma e Mantega custaram a compreender, se é que já compreenderam, que o atual derretimento do dólar diz respeito  a  uma crise sistêmica, a mais grave já sofrida pelo modo de produção capitalista, maior mesmo do que a de 1929.

Na época (viagem à China), eles estavam decididos a não permitir que o dólar baixasse para a casa dos R$1,60. Agora a moeda americana  já está na casa  dos R$1,50  e   deverá continuar em queda  livre.  Se for adotado hoje, o câmbio fixo ou semi-fixo, servirá apenas para impedir um desastre maior. Mas não dá mais para recuperar o nível de competitividade  industrial, em torno de R$1,80 e  R$1, 90.

Entretanto, não é difícil compreender que num momento de crise generalizada, a conversa de Mercado livre e cambio flutuante vai para o  espaço e cada um trata de si. Além disso, não faz sentido que os dois países, EUA e China, que respondem por quase 50% da economia mundial, controlem ou manipulem o câmbio enquanto o resto da humanidade não faz isso e participa da crise de forma passiva.

Enfim, Dilma e Mantega  talvez imaginem alguma coisa nesse sentido, mas não adotam o câmbio semi-fixo por falta de terminação e coragem. Gestos ousados, mesmo os inevitáveis, exigem porte de estadista.  Historicamente, os governantes comuns só adotam o óbvio quando já é tarde demais.

Leia mais sobre este mesmo tema na coluna Para Entender a Crise.

26-07-11

Oslo: o Fundamentalismo do Capital em ação

Por
Reginna Sampaio

“Salvar a Europa Ocidental da invasão muçulmana e também do marxismo“. Essa a intenção do terrorista Anders Behring Breivik, conforme ele mesmo declarou ao juiz. Breivik é o fundamentalista cristão que assassinou 76 civis em Oslo, na última sexta-feira.

As pessoas estão indignadas com o que segundo elas seria um preconceito. Seria preconceito  ou vai além disso?  Estariam os fundamentalistas da extrema direita (esta pérola do Capitalismo)  dando vazão aos seus preconceitos ou, simplesmente,  dando vazão aos seus conceitos e paradigmas de sempre ?

Cabe voltar um pouco no tempo entre os séculos XVIII e XIX e relembrar o pensamento do filósofo alemão Hegel que foi o percurssor da propositura de exclusão dos pensamentos não europeus da Filosofia. Dizia Hegel justificando o que veria a ser o imperialismo e a ‘supremacia’ européia: “Não há racionalidade filosófica fora da Europa”. Esse pensamento foi totalmente absorvido pela direita capitalista.

Citemos também o pensamento de Max Weber claramente descrito em seu livro “Ética protestante e o espírito do capitalismo”, no qual ele diz que as sociedades não protestante, as africanas e asiáticas, sofriam de ‘bloqueios culturais e mentais“ ao pleno desenvolvimento de suas forças laborais e produtivas.

Mais recentemente, em meados do Século XX,  o festejado  filósofo alemão  Matin Heidegger dizia em suas manifestações claramente  hitleristas  que “a verdadeira liberdade dos povos da Europa  é a condição prévia para que o Ocidente venha uma vez mais  assegurar seu destino na grande decisão   contra o  Mundo Asiático“. Note que ele inclui aí todo o Oriente Médio e também os judeus.

Em seu livro “A decadência do Ocidente” (1918), Spengler diz que a Europa deveria avançar contra a barbárie (do Oriente). É de Spengler a concepção da ideia do “choque de civilizações” que também foi utilizada pelo economista americano Samuel Huntington em seu livro “O choque das civilizações” que se tornou a base filosófica da política externa americana no governo Bush e é a base atual da doutrina filosófica da direita capitalista e dos fundamentalistas religiosos ocidentais.

 Não é de hoje que estão sendo formados conceitos, paradigamas preconceituosos, que tem por base uma suposta superioridade intelectual, cultural e econômica dos países europeus e agora também dos EUA e Israel. Pretende-se, assim,  justificar a “superioridade“ de tudo aquilo que está culturalmente ligado ao Ocidente “civilizado” (onde logicamente não está incluida a América latina e a África Ocidental) sobre tudo o que é religiosa e culturalmente ligado ao Oriente. Com o fim da Guerra Fria houve uma potencialização desse contexto.

Ora, se não havia mais o grande perigo do inimigo soviético (isso não quer dizer que ainda não se considere o “perigo comunista”) era necessário então a busca de um novo inimigo. E  quem mais perfeito para ser esse ator do que o Oriente Islâmico que já fora, outrora, combatido pelas Cruzadas ?

Como nas Cruzadas, quando tudo era justificado em nome de uma “conversão dos infiéis”, atualmente tudo se  justifica em nome do “combate ao terror” que se tornou uma fixação ocidental desde os terríveis atentados de 11 de setembro às torres gêmeas em Nova Iorque comandados por Bin Laden, originariamente aliado dos EUA.

 Todos esses fatos nos conduzem à pergunta inicial: Existe um preconceito da direita capitalista e dos fundamentalistas religiosos do Ocidente contra o comunismo e o islâmismo ou existem conceitos e paradigmas preconceituosos que foram criados ao longo da História?

Paradigmas estes que hoje influenciam o pensamento de milhões de ocidentais e que acabam resultando em atos diários de intolerância que, por sua vez, culminam com atrocidades  como o ataque que resultou na morte de 76 civis, na maioria  jovens ligados ao Partido dos Trabalhadores da Noruega.

Sobre o mesmo tema, leia também  artigo na coluna Para entender a Crise.

19-07-11

 O analfabeto político pago para
produzir  analfabetos  políticos

Ricardo Noblat alimenta descomunal ódio em relação ao ex-presidente Lula.  Reproduzimos, abaixo,  trecho de sua  coluna de ontem (18-07) no Globo que é prova  disso. Mas só o rancor não explica tudo: há malícia a picaretagem embutidas nesta história.

Eis o texto de Noblat:

“Que raciocínio tosco o de Lula ao traçar um paralelo entre gastos do governo com  anúncios em rádio, televisão e jornal, e gastos com patrocínio de congressos como o da União Nacional dos Estudantes (UNE) realizado na semana passada em Goiânia. Lula sabe que feijoada com paio nada tem a ver com Cid Sampaio. Mas aposta na ignorância alheia”.

Em seguida o colunista odiento gasta mais dois parágrafos para explicar o trocadilho grotesco e fora de propósito, informando que Cid Sampaio foi governador de Pernambuco, pela ARENA, nos anos  60 no século passado.

O resto da coluna ele usa para criticar os gastos publicitários do governo e a ação atual da UNE. Não cabe aqui replicar seus argumentos, até porque  os  acusados não precisam  disso nem  requisitaram  minha  advocacia.

O que quero  colocar em destaque é a forma como age a imprensa  picaretosa brasileira e a grosseria gratuita desse jornalista medíocre em relação a um ex-presidente admirado por 70 por cento da população.

A função de jornalistas como Noblat e jornais como o Globo é produzir analfabetos políticos em série. Como imprensa classista,  eles defendem a todo transe o interesses de seu  patrões e/ou patrocinadores, o Grande Capital liderado pelo Setor Financeiro.

Desinformar é a missão. Desinformar fingindo que informa. Desinformar pautando matérias de forma seletiva no interesse dos patrões e as editando de forma truncada quando não  de forma invertida e deturpada.

 Promove-se  o linchamento (seletivo) de políticos, mas não se diz uma palavra contras seus patrões e verdadeiros eleitores, os banqueiros e os empreiteiros. Criticam-se os fichas sujas, mas não se toca (a não ser excepcionalmente) na folha corrida dos grandes empresários,    fonte primária do caixa dois de todos os políticos.

Como resultado, cria-se uma fantástica legião  de analfabetos políticos de classe média especialmente  amestrada para só ver e compreender a superfície dos fenômenos.  Uma gente que reclama da demora ou mau humor dos bancários dentro das agências, mas em nenhum instante  se insurge contra os donos dos bancos.

Uma gente  que não percebe que o problema das filas e longas esperas poderia ser resolvido se os banqueiros  deixassem seus estabelecimentos abertos  pelo  período normal  obedecido por todo o comércio e empregassem mais bancários para preencher os espaços vazios, onde deveriam estar funcionando mais caixas.

Critica-se o Legislativo e suas mazelas. Mas não se  aponta a sua principal distorção: o fato de que  75% dos parlamentares são patrões ou mesmo  grandes proprietários capitalistas  e apenas 25% da cadeiras são ocupadas por trabalhadores. Ou seja, há uma  inversão aberrante da representatividade (e legitimidade) do Parlamento. A função da grande mídia é a de desviar as atenções sobre esse fato crucial, remetendo seus leitores para as superficialidades da vida.

Mas o Globo não é apenas   uma máquina de desinformação. É um instrumento de negócios escusos. Há, nos  anais do Congresso, toneladas de documentos  comprovando as negociatas  da Família Marinho, apuradas durante  dezenas de CPIs nos últimos  50 anos, desde a injeção financeira ilegal promovida  pelo grupo Time Life para a instalação da TV Globo.

Nos anos 60, Carlos  Lacerda era governador do então estado da Guanabara e, por alguma razão, contrariou os interesses imobiliários de Roberto Marinho que  sobre ser o dono do Globo foi um dos maiores proprietários de imóveis da cidade.  Foi quando, usando (como sempre) o meio de comunicação em causa própria, passou a fazer ferrenha oposição a Lacerda.

Em dado momento o governador perdeu a paciência, foi à  foi TV Tupi,  então líder de  audiência e que pertencia a seu amigo Assis Chateaubriand, outro ladravaz da imprensa. Então Lacerda  sacudiu um exemplar  de O Globo  diante da câmera e disse:  Eu poderia responder a este pasquim. Mas não  farei isso. Porque esta coisa não é um jornal. É um balcão.

É isso. O Globo é um balcão e Noblat, o grosso, é seu porta-voz às segundas-feiras.

01-07-11 atualizado em o4-07-11

A revolução venezuelana é irreversível

O presidente venezuelano Hugo Chávez antecipou seu retorno a Caracas, onde desembarcou inesperadamente na madrugada desta segunda-feira, deixando Cuba, onde, há uma semana, foi operado de um tumor cancigeno na próstata.

Seu retorno antecipado  deveu-se, ao que parece,  às especulações sobre sua sucessão e uma certa inquietação  dentro do Exército que é o principal sustentáculo da Revolução Socialista. E Chávez  retornou mais radical do que nunca.  Vejam suas  declarações ao desembarcar:

“Estamos na mesma pátria. Cuba e Venezuela são a mesma pátria.  “É apenas o início do retorno. Estou sob rígido controle médico”, explicou.

À tarde, da sacada do Palácio de Miraflores, ao lado de suas duas filhas, Chávez falou para uma multidão de  mais de 200 mil pessoas.

No domingo, milhares de pessoas ocuparam as ruas de Caracas  para comemorar antecipadamente o próximo bicentenário da declaração de independência da Venezuela e para expressar apoio a Hugo Chávez. Os manifestatantes em sua maioria são integrantes  da Juventude Bolivariana, outra coluna de  sustentação da Revolução.

 A mídia não noticia nada disso, ou o faz de forma distorcida e truncada. Por isso não consegue explicar a seus leitores o que realmente está acontecendo na  Venezuela.

Texto de o1-07-11

Os grandes jornais brasileiros são, como estamos  cansados de saber, venais e  incompetentes. O pior é que eles comem na mão do Capital Financeiro Globalizado e, por conta disso, estão atrelados (alinhados automaticamente) aos interesses estratégicos dos Estados Unidos.

Vai daí que, por ordens superiores, eles tratam o presidente  Hugo Chávez ora como se ele fosse um ditador populista, ora como um  fanfarrão inconseqüente. E é preciso reconhecer que eles (os jornalões)  conseguiram convencer  boa parte de nossa classe média, aquela porção que prima pelo analfabetismo político. Em suma, para esse ponderável segmento de leitores, Chávez foi  devidamente demonizado.

Então, o resultado deste imbróglio todo é que, nossos profissionais de imprensa estão inabilitados para explicar aos seus distintos eleitores, o que  se passa na Venezuela, no momento em que Chávez luta contra uma grave doença.

Eles não conseguem explicar porque que a Revolução Venezuelana é   genuinamente socialista e irreversível. E que, além disso, apesar de falhas e inconsistências teóricas, representa  o primeiro grande esforço sério, neste início de século, na tentativa do aggiornamento  do marxismo revolucionário.

Não podem explicar que Chávez, embora seja  figura mais visível e carismática, não é  a única peça importante do processo.

Não conseguem compreender que  a  Revolução Venezuelana é irreversível, por que, embora respeite as praxes institucionais de Democracia Burguesa, não atua apenas nesta esfera. Na verdade, ela tem uma vertente “orgânica” com base em núcleos revolucionários que atuam em cada bairro, município, sindicato ou diretório estudantil.

Finalmente não percebem que o Exército Venezuelano, não é o único, mas é, certamente, o mais revolucionário do Continente,  depois do cubano, evidentemente.

Para confirmar estas afirmações, basta que se saiba que  o vice-presidente, o jovem  Elias Jaua tem  em relação a Fidel Castro tanta intimidade e afinidade quanto o próprio Chávez, senão mais.

Além disso,  depois de Chávez e de seu vice,  um dos personagens  políticos  mais influentes do atual quadro venezuelano é o irmão mais velho do presidente, Adán Chávez  um marxista revolucionário assumido e que há trinta anos fez a cabeça do irmão quando este não tinha  outra ambição  além de ser campeão de basebol.

 Finalmente, sobre  o envolvimento revolucionário do Exército, basta reproduzir frase do atual ministro da Defesa, general Carlos Mata Figueroa, no dia de sua posse no ano passado: “Não nos submeteremos ao Imperialismo e nossa Revolução Socialista é irreversível.”

 23-o6-11

E quem disse que a crise grega  é
 apenas um problema da Grécia?

Onde os banqueiros mandam não há Democracia.

Há um esforço desesperado da grande mídia para tentar convencer seus incautos leitores de que a crise grega foi inventada (gestada) na própria Grécia. Os articulistas mais eximiamente  hipócritas  enxergam  na raiz da tragédia grega, os gastos excessivos com as Olimpíadas há dez anos. O remédio  sugerido é o de sempre: arrocho e privatizações.

Tudo para tentar  ocultar que o episódio grego é apenas um dos desdobramentos de uma crise sistêmica  “A Bolha Mãe” que estourou em setembro  de 2oo8 com a quebra, nos EUA,  do Lehman Brothers, um banco de investimentos e provedor de serviços financeiros, com atuação global.

Este estouro que pelo seu e aspecto físico e prático se desdobra até é hoje (vide Grécia, depois Portugal, depois Espanha e depois Itália…) tem um significado  histórico  paradigmático. Ele é um marco, o marco final, daquilo que o ex-presidente do FED (Banco Central americano)  Alan Greenspan chamou, na década passada, de “exuberância financeira”, um jeito delicado de advertir  sobre a especulação deslavada.

A especulação deslavada que comandou economia mundial durante três décadas, só foi possível porque com a implosão desmoralizante da antiga União Soviética nos final dos anos 80 do século passado, o neoliberais conseguiram impor, como paradigmas acadêmicos, as virtudes do Mercado (absolutamente ) Livre e do Estado Mínimo.

Como, nesse interim, o Capital  Financeiro  assumiu a hegemonia, não só nas relações externas, como no núcleo interno das empresas  (os lucros dc caixa do Departamento Financeiro, passaram a predominar sobre os lucros reais obtidos pela produção real  dos demais departamentos), começou a crescer Mundo fora, uma descomunal  bolha especulativa.  cujo destino final seria  igual ao de todas  bolhas, o estouro.

Uma criança sabe disso (bolhas estouram), mas os sábios e frios homens de negócio quando  fascinados pelos lucros alucinantemente rápidos e fáceis, tornam-se menos objetivos que  uma criança. Aqui mesmo no Brasil, gênios da administração como Antônio Hermírio de Moraes e Luiz Fernando Fulan carregaram a mão no  Departamento Financeiro e só não faliram, porque foram salvos  pelo “Estado Mínimo Brasileiro”.

Mas o crime só se tornou perfeito mesmo, quando o Mefistofélico Capital Financeiro (ele é em si uma grande bolha) conseguiu  articular o pensamento  filosófico com o econômico, apresentando como resultado final a noção paradigmática de que não há Democracia sem Mercado Livre. Vale dizer:  Todo poder aos  financistas.

E é exatamente este  paradigma  que neste momento está  sendo desmoralizado com estrondo. A verdade é o oposto. Não há democracia quando os banqueiros mandam ou fazem o que bem entendem. E esta verdade simples já ecoa pelas ruas da Europa.

Americanos também preparam  seu calote

Nas linhas abaixo  transcrevo palavras de 24 horas atrás  de Bem Bernanke, atual presidente do FED (Banco Central americano). E Ele praticamente avisa que a crise  grega pode  repicar nos EUA.

Além disso, todos sabemos que o Congresso americano (controlado pelos  republicanos) tem até o dia  2 de agosto para elevar o teto da Dívida do Tesouro (acima dos  14 trilhões de dólares) para  que o país não entre na lista dos caloteiros.

 Texto das agências:

“O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, afirmou durante uma entrevista coletiva, nesta quarta-feira, 22, que a exposição direta dos EUA a um possível default da Grécia é “pequena”, mas que o risco de contágio é significativo, caso a moratória seja declarada.

Se houver um fracasso para resolver a questão grega ele  traria ameaças para o sistema financeiro europeu, o sistema financeiro global e a própria unidade européia”, concluiu.

Para completar, trecho de artigo (21-6) de Celso Ming, principal  articulista econômico do Estadão:

Pela primeira vez em mais de cem anos, as autoridades dos Estados Unidos admitem a possibilidade de um calote, ao menos temporário, da dívida americana – se o Congresso não autorizar o aumento do endividamento que hoje é de US$ 14,3 trilhões.

Nos próximos oito dias, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) completa o segundo programa de afrouxamento quantitativo (QE2, na sigla em inglês), que consistiu em despejar mais US$ 600 bilhões nos mercados, mediante a recompra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Apenas para relembrar: o primeiro programa desse tipo, o QE1, aconteceu entre novembro de 2008 e março de 2010 e recomprou US$ 300 bilhões em títulos públicos. As principais consequências dessas decisões estão razoavelmente mapeadas: desvalorização do dólar, puxada para cima dos preços das commodities e o surgimento de novos focos de inflação global.

Para obter mais detalhes leia também a  matéria sobre Míriam Leitão e  Carlos Alberto Sardenberg, na sequência desta logo aí abaixo.

8-05-11

O Pacto Conservador e a Constituinte

Com a queda de Antônio Palocci, o Governo fica  ainda mais dependente do PMDB e amarrado ao imobilismo consevador. A saída seria uma Constituinte. Mas ninguém quer ouvir falar nisso.

Se você perguntar para que serve uma Constituinte a um jurista comum ou a um geralmente pretensioso constitucionalista, a resposta  está na ponta da língua: para restaurar a ordem institucional quando houver ruptura do sistema político ou do quadro constitucional anteriormente vigente.

Ou seja: quando ocorre um golpe de estado ou uma revolução, este movimento político  tende a institucionalizar-se  outorgando (impondo) uma Constituição  ou convocando uma Constituinte.  Se por assim, do ponto de vista técnico jurídico, não cabe no momento, sugerir uma Constituinte porque  a ordem institucional segue sua vida normal.

Então, do ponto de vista técnico-jurídico (formal) está tudo bem, tudo normal e não se fala mais nisso. Fica combinado que não precisamos  convocar uma Constituinte, nem mesmo uma Constituinte parcial, como quer o ex-presidente Lula, para aprovar a reforma política clamada por todos.

É curiosa esta elite brasileira, lerda quando não for hipócrita. Ela afeta algum progressismo, mas é sempre contrária a medidas que balancem as estruturas e  prejudiquem a tranqüilidade do fim de semana na casa de campo ou diminuam em um tostão suas  contas bancárias. Todos, exceto o Bolsonaro e alguns pastores retardados exigem ser tratados como progressistas, mas fogem do progresso como o diabo foge da cruz.

E todos, crentes que estão abafando, se apresentam da forma mais asquerosamente  moralista e “politicamente correta” defendendo ridícula e irritantemente inócuos movimentos do tipo “ficha limpa”  ou “ética e transparência” que são a melhor forma  segurar os coelhos e deixar passar  os elefantes.

Não é possível que esta  gente não veja que  esse tipo de bomocismo não resolve os dois grandes gargalos políticos e sociais do Brasil: a injustiça intrínseca  que está  incrustada  na legislação, na burocracia e na  ação inercial  (modo inalterado de agir). E é necessária um boa dose de alienação para não ver que tudo ficará do mesmo tamanho se a apenas substituirmos  fazendeiros banqueiros e grandes empresários, por outros tantos da mesma raça, só que com a ficha  um pouco mais limpas.

E só o altismo ou doses cavalares de hipocrisia não permite ver que o poder econômico, a arma essencial na luta de classes, faz com que  os banqueiros, os  grandes  proprietários rurais  e empresários  de primeira linha, que  representam menos de cinco por cento da população, controlem mais de 60 por cento das cadeiras dos parlamentos brasileiros. Mas os ingênuos e hipócritas para não precisar falar disso, continuam falando apenas em fica limpa.

Eles gostam,  também, de caçar o malfeitor do dia: hoje o Palocci, ontem o Arruda, anteontem o Sarney e antes dele  o Renan Calheiros. Depois os imbecis  penduram o troféu na  parede e vão ler o Estadão a procura de caça nova.

Por essa e outras circunstâncias, é que este é o retrato sem retoques do intelectual burguês “politicamente correto”. Um idiota, quando não for um safado.

E por isso dizemos que apesar de  sua rudeza e de  seu populismo  muitas vezes inconseqüente,  Lula, mesmo sem ser uma flor de pessoa, está três décadas à frente  da tucanagem erudita e só aparentemente  acadêmica.

Grosso modo, pode-se dizer que Lula está para FHC, assim como Getúlio esteve para Lacerda. A História já deu seu veredicto  sobre Vargas e  sobre o udenista americanófilo. E é com este calibre que ela julgará Lula e FHC.

Pacto de  Governabilidade ou comodismo político

Se  o PT não se aprumar  e acertar seu rumo ideológico com o respectivo programa mínimo, em poucos anos não passará de mais um partido social democrata, leal  servidor do Sistema, com leve e hipócrita linguajar  esquerdista.  Já há dezenas de partidecos assim Mundo afora.

Entretanto, este ainda não o cerne da questão: o que realmente emperra  a evolução política e social é o imobilismo, o comodismo e a  falta de um projeto estratégico por parte do próprio  governo petista.

Há, não só no PT como nas esquerdas  de um modo geral, uma evidente  escassez de cérebros capazes de  promover um aggiornamento das teses marxistas, num momento em que o próprio modo de produção capitalista dá sinais de que entra em estado de esvaecimento. É o que chamo de fase crepuscular.

Em dezenas de artigos neste blog  blog tenho procurado  demonstrar que  já vivemos, sob muitos aspectos um fase pós capitalista que eu chamo de Neofeudal.

 Uma das  características desta fase é a hegemonia inconteste do Capital Financeiro parasitário e globalizado, sobre os demais componentes das  classes dominantes, como se dizia antigamente.

 Isto quer dizer que a renda  (uma característica feudal) se sobrepõe à produção. E os governos (burgueses democráticos), via bancos centrais, são meros  instrumentos dóceis desse esquema que não conduz a  nada, a não  a bolhas especulativas cada vez maiores.

O Capital, definitivamente, desprega-se das reais necessidades o ser humano. Daí  seu caráter   altamente destrutivo, a começar pela  Natureza.

Mas não é só isso: há um fuga massiva de capitais dos setores de produção de mercadorias para os Serviços. Este setor  propicia lucros, mas não enseja a acumulação (reprodução ampliada). Daí  crescimento econômico mais modesto nas sociedades predominantemente de serviços.

Finalmente  há um visível crescimento  da terceirização não só nas relações do trabalho como entre empresas, num movimento característico de vassalagem. Daí o aroma neofeudal.

Disso tudo resulta  a sensação de “fim das ideologias”, uma simplificação preguiçosa para um fenômeno novo:   o surgimento de novas ideologias em substituição gradativa (quase imperceptível) da tradicional bipolarização ideológica entre burguesia e proletariado. Duas classes, aliás, que  ingressam também em fase de esvaecimento já que são indissociáveis do modo de produção  capitalista que, como dissemos, vive seu momento crepuscular.

 Chega-se, então, à extrema simplificação no nível  jornalístico onde pode ser feita a seguinte descrição:  o chamado  universo político partidário (exemplo brasileiro, mas que serve para quase todo o Mundo) ficou dividido em partes quase iguais por dois grandes blocos. O de Centro-Esquerda (social  democrata) ocupado  pelo pacto PT-PMDB, mais partido menores e semelhantes. E  o de Centro-Direita ocupado pela união, quase fusão PSDB-DEM.

A diferença ideológica entre estes dois pólos é tão tênue ou irrelevante que eles revezam-se no poder, (perdem ou ganham eleições) não tanto pelo  discurso, mas pelo desempenho da economia.  Ou seja, com um  ou com o outro,  não haverá mudanças estruturais importantes, nem muito menos qualquer ameaça ao modo de produção capitalista.

É claro que os sociais democratas  têm  maior sensibilidade para a questão social  e  os  conservadores ou liberais puros não admitem  interferência nas sacrossantas  leis do Mercado. Mas , dependendo das circunstâncias, (crises econômicas ou impasses políticos) podemos ver que esses dois personagens trocam de papeis com enorme facilidade. Não é exagero afirmar que do ponto de vista do Sistema, são farinhas do mesmo saco.

Para economiza tempo e espaço abstraímos aqui os partidos de extrema esquerda e  extrema direita.  A maioria deles, principalmente os de direita, não tem cara própria e  atuam, como correntes, dentro dos partidos maiores.

 Seja como for, e como o Brasil passa por processo acelerado de homogeneização social a partir da ampliação das classes médias  (um fenômeno  antigo no Primeiro Mundo), surgem aqui também  as ideologias pequeno-burguesas, fascistoides,  preconceituosas e excludentes.

 No seu conjunto eles são a prova cabal de que nada é mais compatível com o fascismo (enquanto mentalidade generalizada) do que o modo de produção capitalista m sua evolução natural.

A verdade é que ninguém, pelo menos no Governo e nos setores majoritários do PT, estabelece uma linha divisória entre o programa (projeto) petista e o pacto da governabilidade. O que há é um compromisso com o status quo e com as almofadas fofas do poder.

O PT não tem pacto nenhum com o PMDB. Ele e apenas esta amalgamando-se com esse grande partido sem ossos, para transformar-se num  aglomerado social-democrata  com viés conservador. Do PT  original restou apenas a política externa. Mas mesmo esta, poderá, a qualquer  momento, fazer uma inflexão ao centro, se é que já não o fez.

A função estratégica das estatais

No próximo artigo, pretendo concluir o raciocínio desde, demonstrando  a necessidade de que o PT e seus aliados à esquerda  estabeleçam  um eixo ideológico  e fixem um programa mínimo combatível com ele. Sem isso, não haverá luz no fundo do túnel e em 2014 será praticamente  irrelevante (para o Sistema) reeleger Dilma ou eleger Aécio.

Mas é espantoso que o PT  tenha chegado ao seu  terceiro governo (nove anos de poder) sem jamais esboçar um programa de governo. É claro que não podem ser levadas em conta as manifestações, abundantes nos Congressos do Partido.  Como estas manifestações não  articuladas com o Poder (a máquina burocrática do poder) não passam disso: boas e vãs intenções.

O certo é que desde, 2002, a pretexto de adaptar-se  à governabilidade  e aos  “avanços possíveis”, o governo petista apenas improvisou, bem à moda e ao gosto de Lula. Mas este é o sonho petista? Ou, com outras palavras: ainda há algum sonho petista?

A matéria abaixo tem elementos que complementam o raciocínio desta. Não deixe de ler.  

30-04-11

Para  entender  a  crise,  quando  os
professores não sabem o que dizem

Celso Ming, Mírian Leitão e Carlos Aberto Sardenberg, depois de três anos, ainda não entenderam a Grande Crise Americana  (que é Global), mas  não perderam a pose e continuam enrolando seus leitores.

Os países do antigamente chamado Primeiro Mundo quebram em setembro de 2008 (a Grande Crise Americana) e não conseguiram se rereguer até agora. Na verdade, jamais voltarão ao fausto de seu apogeo. O curioso é que, endividados  até o cavanhaque, eles não fazem a lição de casa. Ou seja, não fazem o que  até recentemente mandavam os países do então chamado Terceiro Mundo fazer.

Os números da crise veiculados na semana passada  pelas agências  intenacionais de notícias ilustram bem a situação e foram resumidos  no artigo de Fernando Dantas de O Estado de S. Paulo. Vejam o principal techo deste artigo:

“Os mercados globais entraram em estado de choque com a notícia de que a famosa agência de rating (classificação de risco de crédito) Standard & Poor’s havia colocado a nota dos Estados Unidos em “perspectiva negativa”. A decisão da S&P não significa que os EUA já foram rebaixados, mas sim que existe uma chance em três de que isto venha a ocorrer em dois anos. Essa simples possibilidade, porém, já é suficiente para mexer com um dos mais importantes pilares do sistema financeiro global.

Desde que a agência iniciou a classificação do crédito do governo americano, há cerca de 70 anos, o rating sempre foi AAA, o máximo possível. Considerada como risco zero, ou pelo menos risco mínimo, a dívida americana sempre foi vista como o piso a A dívida de um punhado de países ricos aumentou em US$ 16 trilhões (mais que o PIB americano) desde 2007, e atinge hoje US$ 42 trilhões, ou 61% do PIB global, representando uma das principais ameaças à recuperação da economia mundial.

Esse endividamento pesa hoje sobre Estados Unidos, países da zona do euro, Reino Unido e Japão, justamente a parte mais rica do mundo, que por séculos foi o motor e a vanguarda da expansão da prosperidade humana. Em 2007, antes da crise econômica global, a dívida dos países ricos era de US$ 26 trilhões, e correspondia a 47% do PIB global.

Nesta semana, os mercados partir do qual o risco de todos os outros créditos é medido. Assim, a chance de que a qualidade de crédito dos EUA venha a deixar de ser o parâmetro para avaliar os demais riscos embaralha as perspectivas da economia global num momento que já é particularmente confuso.

O problema americano é que, com a crise global de 2008 e 2009 – e os grandes déficits públicos que foram usados como alavanca para relançar a economia -, a dívida pública explodiu.

Segundo os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida bruta do governo americano saltou de 62% do PIB em 2007 para projetados 99,5% em 2011 (e deve chegar a 112% em 2016). Hoje, a dívida está entre US$ 14 trilhões e US$ 15 trilhões.

Este ano, os EUA devem completar seu terceiro ano consecutivo com déficit público acima de 10% do PIB, o que colocou a dívida pública em trajetória explosiva. As autoridades econômicas americanas foram extremamente permissivas em termos de expansão fiscal e monetária depois da crise global, pelo medo de que qualquer tentativa de austeridade (que contém a demanda) jogasse o país num atoleiro deflacionário como o que o Japão experimenta desde o estouro da sua bolha no fim da década de 80″.

Os “pofessores” intrujões

Celso Ming, Mírian Leitão e Carlos Alberto Sardenberg (existem outros  mas fiquemos apenas com estes) diarimente enrolam o público leitor com seu jeito professoral e  empafioso, fazendo crer que estão explicando a crise.

Mas não explicam nada. Pela simples razão de que apenas    tocam na superfície  da crise. E fazem isso,  porque não entendem absolutamente nada de economia, pela razão simples de que jamais estudaram as  lições essenciais legadas pelos clássicos como  Smith, Ricardo, Say e Marx que explicam a gênese da acumulação capitalista e suas crises cíclicas.

 Há dias, publicamos, em outra coluna deste  blog, um pequeno roteiro para quem, com honestidade e paciência, queira entender os mecanismos básicos da acumulação do Capital e, pois, de suas crises. Vamos repeti-lo aí baixo:

O Crepúsculo do Capital

Todos comentam a atual crise econômica mundial, mas poucos percebem que  ela é, na verdade, uma crise do próprio  modo de produção capitalista. Trata-se de um fenômeno sistêmico que aponta para crescente  incapacidade  de o Capital acumular o seu próprio excedente. É a fase crepuscular ou terminal. Entender isso não é muito complicado desde que se saiba, preliminarmente:

1-O Capital é, em  si, um excedente. Excedente  de trabalho (próprio ou alheio) que não é consumido e sim acumulado.

2-O Capital só obtém lucro efetivo na sua parte variável, dinheiro vivo reservado para pagamento de salários. É essa a parte do Capital que retorna ao bolso no proprietário, inflado pelas horas excedentes (não confundir com horas extras) de trabalho não pagas, a famosa mais-valia.

3-A parte fixa ou constante do Capital, máquinas e equipamentos (e insumos também)  não fornece, a rigor, nenhum lucro ao capitalista. Isto, pela boa razão de que ela  transfere o seu próprio valor para o valor da mercadoria que ajuda a produzir. No caso dos insumos (energia e matérias-primas) esta transferência é instantânea. No caso de máquinas  a transferência pode levar anos. Mas, inexoravelmente, insumos, máquinas  ou  equipamentos se exaurem, cedo ou tarde, na produção das mercadorias. Entretanto, é  aqui, na sua parte constante, que o Capital  acumula.

4-A última frase do item anterior não é gratuita: o Capital só materializa e fixa os lucros obtidos com a rodada anterior de exploração do trabalho, quando investe em novas máquinas e em mais terrenos e edificações. É assim e só assim que ele realiza sua acumulação ou, mais propriamente, sua reprodução ampliada. Pois é assim que ele amplia sua capacidade de explorar mais trabalho a partir  da mesma base inicial.

Agora reparem (e isto  é estampado diariamente pela mídia) que o Capital está em permanente revolução interna, sempre substituindo sua  parte variável (salários e mão de obra) pela parte  constante (máquinas e equipamentos). É a  automação vertiginosa que acomete o Sistema nesta  sua fase terminal. Quando as máquinas e equipamentos perdem densidade de valor ou simplesmente tornam-se descartáveis (substituídas em prazos cada vez mais curtos), o Capital vai, concomitantemente, perdendo sua capacidade de acumulação. 

Então, fica nítida a noção de que, principalmente nos países  tecnologicamente mais adiantados, o Capital (entendido aqui como o conjunto de capitais – o Sistema), vai despregando-se daquela parte que dá lucro, bem como daquela onde  ocorre a acumulação efetiva.

Quando isto ocorre, o Capital toma três rumos: a- deixa de ser produtivo e transforma-se em capital de serviços que dá lucro, mas não realiza a acumulação clássica que só ocorre (como foi exposto acima) no capital efetivamente produtivo, industrial ou agrícola; b- ingressa  no cassino especulativo e passa a obter a  maior parte de seus lucros não mais no  chão da fábrica, mas  no departamento financeiro e c- migra para a periferia do sistema, os países em desenvolvimento, onde ainda é possível  obter altas taxas de mais-valia, em função da mão de obra barata. Neste último caso, China, Índia e Brasil são três excelentes exemplos.

Enfim, creio que aí está  um pequeno, porém eficiente, roteiro para acompanhar a  atual crise com melhor capacidade de percepção dos fenômenos que são subjacentes a ela e vão muito além das baboseiras repetidas à exaustão pela mídia pobre e podre.

Reparem, ainda, que o que foi dito aí em cima, não é simples literatura marxista dogmática e sim leitura correta dos antigos clássicos da economia como Adam Smith, David Ricardo  e Jean-Baptiste Say,  em cujos textos Marx colheu os fundamentos para  desenvolver sua teorias sobre a acumulação capitalista. Um processo que chega agora à sua fase crepuscular.

O Neofeudalismo

A esta fase crepuscular eu dou o nome de Neofeudalismo, a etapa superior do Imperialismo.

O Neofeudalismo tem como principal característica a  monopolização  e/ou oligopolização extremas e a nível mundial. Some-se a isso, a terceirização da produção.  As grandes corporações cedem a terceiros avassalados, sua marca,  suas invenções e modos de produção e venda.  Assim, passam   (eis aí o aroma feudal) a  auferir renda com algo que é de sua propriedade, sem se imiscuirem na produção propriamente dita.

Com isso, como já é visível a olho nu,  há uma total revolução das relações  do trabalho, somada ao crescente descarte de mão de obra, por conta da vertiginosa automação. Nasce aí o chamado desemprego estrutural.

E desemprego estrutural é  um eufemismo, um nome técnico  que se dá a algo brutal: a exclusão definitiva de populações  inteiras ao redor do Mundo. Populações que se  tornam excedentes e descartáveis  enquanto elementos  do processo produtivo.

O Impasse Ecológico

E ainda nem falamos no Impasse Ecológico que não só entrava, como inviabiliza  o atual modo de produção e consumo, pelas seguintes três razões:

1- A acumulação capitalista só ocorre, como vimos acima, pela metabolização do homem (através de seu trabalho) com a Natureza. Mais precisamente, através de um excedente de trabalho, a mais valia. Este excedente é aquela parte sem a qual o trabalhador poderia sobreviver, mas sem a qual ele  não consegue poupar e/ou acumular. E é certo que a este excedente de esforço humano  corresponderá, obrigatoriamente, um excedente  a ser fornecido pela Natureza, os recursos naturais.

2- Por esta razão o Sistema  se utiliza daquilo que chamamos de consumo e produção redundantes, através da descartabilidade e da obsolescência prematura ou forçada.

Ou seja, mercadorias de todos os tipos, inclusive mecadorias produzidas para produzir outras mecadorias (insumos, máquinas e equipamentos) são elaboradas com todo o esmero pra serem  descartados ou substituídas no mais curto espaço de tempo. O  objetivo dessa pressa é o de dar  lugar  a outras mecadorias que já estão entrando na linha de produção.

É este carrossel diabólico que com seus giros intemináveis vai produzindo mercadorias apenas para produzir mais mercadorias, sem nenhuma conexão com as reais necessidades do homem em particular ou na Humanidade como um todo. E é isto que faz com que o Capital, enquanto sistema global, perca sua lógica ou sua racionalidade elementar, transformando-se em instrumento de destrição planetária.

19-04-11 atualizado em 21-04-11 e em 22-o4-11

Socialismo de Mercado:
Cuba adota o Modelo Chinês 

Dados que revelam a nova direção da  economia, “de mercado”, cubana: nos últimos seis meses mais de 170 mil pessoas receberam licenças para trabalhar por conta própria. Com isso elevou-se para 320 mil o número de cidadãos que  trabalham em negócios privados. Cerca de 20% dos novos empreendedores vendem alimentos em  pequenos bares, “cafeterias”.

 O PT e as esquerdas brasileiras estão fazendo a leitura de que a mudança do modelo econômio  anunciado por Raúl Castro, domingo (17), durante o Sexto Congresso do Partido Comunista Cubano, representa uma espécie de rendição a  ser negociada com os Estados Unidos que, de sua parte, deverão suspender o bloqueio imposto à Ilha há meio século.

Percebe-se, por outro lado, que o fato de não ter havido renovação na cúpula do Partido e do Governo é sinal de que, à moda chinesa, a abertura será apenas econômica, sem concessão, portanto, às exigências de “abertura democrática” feitas por Washington.

 Mas é claro que esta é apenas uma sinalização que será seguida, naturalmente, por gestos de boa vontade e de transigência pelos dois lados. Neste cenário, encaixa-se a visita a Havana, feita pelo ex-presidene Jimmy Carter, há quinze dias.

Há também quem acredite que além da percepção por parte dos irmãos Castro de que a economia cubana caminha  para o colapso, existem também sinais da emergência de  quadros mais novos na direção do Partido e do Governo. Seria a geração pós-Fidel Castro. Esta é a opinião, por exemplo, do assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.

Entretanto, falta observar que a Direita americana somada à pressão eleitoral exercida pelos exilados  cubanos  não pemitirão que as coisas caminhem  para uma distensão. Ou seja, os EUA provavelmente jogarão pesado, na intenção de obter uma rendição completa, humilhante. Seria uma “vingança  histórica, porque em nenhum outro canto do Mundo exceto, no Vietnã, a grande potência foi tão humilhada.

Nesse caso, seria pertinente a tese (defendida no texto logo abaixo) de que os países latino-americanos e  especialmente  os da  América do Sul, reunidos em torno do MERCOSUL e da UNASUL,  deveriam preencher este vácuo econômico, diplomático e político que se abre em Cuba.

 Texto de 19-04-11

É uma revolução dentro da Revolução. Raúl Castro e os dirigentes mais novos que o cercam logo de início deram um choque, invectivando contra os velhos chavões e palavras de ordem vazias e ultrapassadas. Assim foi a abertura deste histórico Sexto Congresso do Partido Comunista Cubano.

Mas o importante está no texto aprovado do projeto das “300 Medidas” que não deixa margem para dúvida sobre os novos rumos: “Na atualização do modelo econômico cubano primará a planificação que levará em conta as tendências de mercado”.

E mais adiante: “Os princípios socialistas de mercado devem estar em harmonia com a maior autonomia das empresas etatais e o desenvolvimento de outras formas de gestão (…) como o investimento estrangeiro, as cooperativas, os pequenos agricultores, os trabalhadores por conta própria e os empreendedores”.

Cuba passa a ser, assim, a nova fronteira (geográfica, geopolítica e de investimentos) entre os dois pólos de poder que disputam a hegemonia da Améica Latina. De um lado, o velho poder norte-americano que passou pela fase imperalista, truculenta e abertamente intervencionistas e que hoje, decadente, tem procurado sobreviver sob a égide da globalização neoliberal.

Este foi um esquema que funcionou bem até a Grande Crise de 2008 ainda em pleno curso. Um esquema que, com seus paradigmas e a partir do Capital Financeiro, rompia fronteiras e invadia mercados, enquanto dominava as mentes e os bolsos das elites  intelectuais e dirigentes.

De outro lado, temos a nascente UNASUL, extensão política do MERCOSUL.É um concorrente proporconalmente muitíssimo menor, que no entanto, possui  extremo dinamismo expansionista e surfa uma onda histórica.

O Brasil, por força de seu volume físico e de uma habilidosa diplomacia, lidera de forma razoavelmente espontâneaste o processo de  integração sul-ameicana,expressa na UNASUL.

Então, se o País quiser, poderá aproveitar esta rara oportunidade que a História oferece e instalar em Cuba uma estratégica plataforma industrial e comercial (a Ilha está se abrindo para isso e pedindo isto) que mais tarde será usada para ”invadir” o mercado norte-americano.

Isto tudo por que os EUA, cedo ou tarde, levantarão o anacrônico bloqueio econômico contra Cuba e, via  investimentos e comércio,  tentarão recuperar os 50 anos perdidos. O MERCOSUL, portanto, tem  que “ocupar” agora o terreno enquanto o “adversário” não pode fazê-lo.

O chato desas oportunidades históricas é que elas raramente são pecebidas ou só o são quando já é tarde demais. Isto por conta de preconceitos ideológicos e sentimentais ou pura falta de inteligência.

13-04-11

JB Figueiro, FHC e o cheiro do povo

João Baptista Figueiredo, o último general-ditador do rodízio ignóbil iniciado em 1964, era astuto, arrogante e impetuoso. Ele descobriu, por exemplo, que o eleitorado brasileiro possuía  um ponderável conteúdo conservador e, por conta disso, rebatizou a antiga ARENA com a sigla PDS e, nos estertores da Ditadura,  chegou a subir em  palanques para pedir  votos, inclusive para este  indizível Moreira Franco, hoje abrigado no Palácio do Planalto.

Mas  a frase  que o consagrou para a História,  ele a soltou quando um inconveniente repórter, perguntou, após um comício, se ele estava  gostado do cheiro do povo. Sangue quente, o equestre Figueiredo respondeu: “Eu gosto é do cheiro dos meus cavalos”.

Nove anos depois, FHC, até então um respeitado sociólogo, percebeu que só venceria as eleições  presidenciais (sucessão de Itamar Franco) se costurasse uma aliança à direita,  representada, então, pelo PFL,  antiga  ARENA que virou PDS (do Figueiredo) e , depois,  DEM.

Diante dos murmúrios ou mesmo protestos  dos tucanos que  até então ainda se supunham  “de esquerda”, FHC  vaidoso, ansioso  e irritadiço soltou a frase que o imortalizou: “Esqueçam o que eu escrevi”. Desde então, nunca mais foi levado a sério, pelo menos como sociólogo.

 Entretanto, em sua última manifetação sociológica, um artigo chinfrim perpetrado  há alguns das, FHC conseguiu provocar  algum frisson entre os oposicionistas. Mas, o importante é que ele explicitou, finalmente, o elo atávico que o une, como político, a Figueiredo: o desprezo, senão o ódio, que alimentam contra o “povão” que,  na sua definição, é constituído por  essas ”massas carentes e pouco informadas”.

Niguém precisa das luzes mortiças do sociólgo auto-renegado para saber que o PT ocupou, nos últimos 10 anos, o espaço social democrata antes ocupado pelo PSDB. PSDB este que ficou encurralado à direita, a ponto de se confundir nos métodos e no discurso com seu  eterno aliado DEM, em vias de extinção.

Recuperar na sua plenitude o discurso específico para a classe média (a proposta concreta do artigo de FHC) é tarefa impossível,  porque a História não se  repete, nem muito menos retroage. A verdade é que este espaço e este discurso vem sendo sutilmente ocupado pelo  PT de Lula e mais ainda pelo de Dilma.

Com a diferença e o acréscimo de que a esta ocupação do espaço de centro, o PT agregou o lulismo, um fenômeno que corre em paralelo  e que recupera aspectos do velho populismo getulista e do brizolismo. Na substância, trata-se de  agregar  massas de excluídos através  de políticas  sociais oferecidas de cima para baixo (paternalistas, se quiserem) e que  excluem  ou ocultam as revindicações de classe e o posicionamento  ideológico.  Daí a sensação de obsolescência das ideologias.

E a análise de FHC fica tanto mais precária, rateira mesmo, quando ele (ao propor que o “povão” seja dado como perdido  para o lulismo) ignora que  há, nos seguimentos populares, aquela “massa de carentes desinformados”, importantes setores ocupados, por exemplo,  pelas seitas  pentecostais fundametalistas  que são  ingenuamente sensíveis a um discurso francamente  neofascitas e obscurantista. Discurso que, durante a campanha, chegou a ser usado por Serra e, principalmente, por alguns de seus parceiros.

É um discurso (já corriqueiro na Europa) que, entre outras coisas, promove o nacionalismo barato, pequeno burguês, que exacerba o ódio contra vizinhos como paraguaios e bolivianos, bem como escancara o preconceito asqueroso que atinge indistintamente nordestinos, negros,  mulheres e homossexuais. Enganam-se os que supõem que esta podridão é de uso exclusivo dos Bolsonaros da vida.

Mas se quisermos sair do sociologuês para falarmos a linguagem prática dos marqueteiros, é preciso avisar aos líderes  oposicionistas que alguém, em algum momento, terá que  implorar ao FHC  para  que ele não fale em nome das  oposições ou do PSDB. Toda vez que ele faz isso, tucanos e aliados perdem entre dois e três milhões de votos.

 o4-04-11

O verdadeiro cordel da Globo

Por
Maria A. de Paula Rempel

Amigos ,
Esse cordel tem muito a nos ensinar e se assim não for, ao menos serve como reflexão sobre o que queremos para nossos filhos. E nos encanta pela forma tão nossa de contar histórias e dizer as coisas.

BIG BROTHER BRASIL

Autor: Antonio Barreto,
Cordelista natural de Santa
Bárbara-BA,residente em Salvador.

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Salvador, 20 de fevereiro de 2011.

30-03-11

Obama de mãos dadas com seu maior inimigo

Como Kadafi  está resisitindo mais do que era esperado,  Obama  e seus aliados europeus verificaram que apenas  bombardear a Líbia não é  o suficinte. A solução seria enviar tropas – o que é descartado por ser medida impopular – ou, então, armar melhor os “rebeldes”. 

Ocorre que (isto só foi revelado ontem, 29) os serviços secretos americanos informaram que entre os “insurgentes” há um bom número de “terrroistas” do Hizsbollah (que ataca Israel  a partir da  Faixa de Gaza e da Al Qaeda  de Osana Bin Laden, o homem  que destruiu as torres gêmeas de Nova York. Armar os rebeldes, pode significar, portando,  fornecer armas aos  “terroristas” . E agora José?

O leitor mais atento deve estar lembrado que, desde os primeiros dias da guerra, Kadafi dizia não enteder as posição do  alidos, (EUA e europeus) porque sua luta era contra os “terroristas” da Al Qaeda”. Mas isso foi atribuido à sua insanidade mental.

Os povos (todos os povos) apoiam as atitudes beligerantes de seus líderes, desde que os estrondos e os cheiros de  cadáveres em decomposição sejam só os dos inimigos e fiquem bem distantes. Quando os estrondos e os cheios começam a se aproximar, esses mesmos povos voltam-se contra seus líderes.

Por conta disso, a Obama e seus alidaos europeus (os safadinhos Sarcozy e Berlusconi, além do britânico  David Cameron, fleumático, porém não menos ordinário) resolveram destruir a Líbia à distância e  apoderarem-se de seu petróleo com mão de gato.  As “reservas virgens” da Líbia (ainda não completamentedemarcadas) são consideradas quase tão grandes quanto  as da Arábia Saudita.

Entretanto, depois de dez dias de intensos bombardeios sobre as topas de Kadafi e sobre alvos indeterminados (que eventualmente  atingem civis) os progressos das forças rebeldes são  considrados decepcionates. E vai ficando claro que, mesmo sem sua aviação, totamente  destruída, o governo  líbio tem  condições de sobrevivência, até porque parte da  população  o apoia.

Os aliados não podem mais sair da Líbia sem antes ter destuído Kadafi. Seria  a grande desmoralização. Mas os custos da aventura estão ficando cada vez mais altos.

Leia  também  matéria sobre Obama na coluna Arte & Manha.

01-04-11

Vale: um caso pessoal

Para quem ainda duvida que a presidente Dilma Rousseff é extremamente determinada,  o affaire da Vale é  um exemplo definitivo:  Ela não só  deu o empurrão necesário para  retirar Roger Agnelli da presidência da empresa, como exige, agora, que a ex-estatal  (onde, porém, o govererno ainda controla a maioria das ações) se transforme gradativamente em grande  siderúrgica, deixando de ser mera exportadora de  minério em estado bruto.

Desde os tempos de ministra das Minas e Energia, Dilma sonhava com a construção de uma grande siderúrgica ao Sul do Pará. E, com efeito, esta siderúrgica teria um posicionamento logístico impar: construída na boca da mina, receberia minério da melhor qualidade, sem transporte e sem intermediários.

E a produção seria tansportada por ferrovias  modernas para o Sul do País ou para os portos exportadores do Pará e do Maranhão, sem falar da hidrovia do Tocantins, já que as eclusas de Tucuruí já foram construídas.

A determinação de Dilma em relação a este projeto é tão grande que o governo deixou vazar, ontem, a  informação de que está  estudado a possibilidadade de  taxar as exportações de minério bruto e  diminuir drasticamente os impostos sobre produdos siderúgicos.

Só para esclarecer: o governo controla, na prática, a maioria da açãos  da Vale, pela seguinte circunstância: possui cerca de 30% das ações através do BNDES, e controla  informalmente  outros  30%  através da Previ. Fundo de Pensão dos Funcionários do Banco do Brasil.

Quando da privatização houve um acordo informal, mediante o qual a administração da empresa ficaria a cargo do Bradesco, o segundo maior acionista. Este acordo está mantido e, por conta disso, o banco é que deverá promover a troca de presidentes.

 28-03-11

Um Belo Monte na cabeça de Agnelli

Em textos anteriores, quando anticipamos a saída de Roger Agnelli da presidência da Vale, infomamos as duas principaos razões  para a queda do executivo: a compra de navios  gigantes no exterior (Ásia), esnobando os estaleiros nacionais, e a radical diferença de visão estratégica.

 Nesse particular, o governo queria que a Vale se transformasse, gradativamente, numa  grande   siderúrgica multinacional  para exportar  produtos com  muito maior valor agregado.  Agnelli, na direção aposta, apegava-se aos altos lucros imediatos obtidos com a exportação de minério em estado bruto.

Entranto, este blog  foi informado de que há um terceirto motivo, este relacionado com a  construção da  gigantesca e polêmica  hidrelétrica de  Belo Monte, no rio Xingu ao Sul do Pará. São conhecidas as dificuldades de toda ordem que o governo vem enfrentando alí: atraso no cronograma e contestações jurídicas e ecológicas.

Por conta disso, o grupo Bertin, que possuia 9% do empreendimento, simplesmente pulou fora. Este grupo é uma empresa paulista, de origem agropecuária, que  sempre cultivou uma certa intimidade com o governo e, na última década, diversificou  seus negócios.

Para tapar o buraco, o governo recorreu à Vale que, além de se beneficiar com  a obra, é uma ex-estatatal que continua  recebendo todo o apoio logístico do governo. Governo que, aliás,  ainda detém  61% de suas ações.

Ocorre que, arrogante como quase todo executivo  vitorioso, Roger  Agnelli virou as costas e disse não. Resultado: uma semana depois estava demitido e, nos próximos dias, a Vale deverá anunciar sua participação no projeto Belo Monte.

Com os militares gostam (ou gostavam) de dizer: Manda quem  pode  e obedece quem tem juízo.

26-03-11

Os pecados de Agnelli

Fatura liquidada: Vale terá novo presidente já

Como este blog informou em primeira mão no início desta semana, o governo exigiu (e obteve)  a cabeça  do presidente da Vale, Roger Agnelli, por absoluta incompatibilidade de visão estratégica. O Governo quer exportar produtos elaborados  ou semi-elaborados, com  maior valor agregado, mas a  empresa  estava enfatizando a exportação de minérios em estado bruto.

Ontem em, em São Paulo, o ministro Guido Mantega  da Fazenda,  Lázaro Brandão, presidente do Bradesco, e  Ricardo Flores, presidente da Previ (fundo de pensão dos funcionários  do Banco do Brasil) decidiram que Roger sai agora e será substituído por uma  quadro técnico  oriundo do Bradesco ou da própria Vale. A Previ em conjunto com o BNDES  controla 61,1 % das ações.

O projeto de  Agnelli, embora lucrativo no curto prazo, andava  na contramão  de um consenso universal  entre os economistas: país que  se caracteriza pela exportação prioritária de materiais primários (petróleo inclusive) pagarão, no futuro,  um alto preço por esse comezinho erro estratégico.

 Durante anos (Governo Lula) insistiu-se para que a Vale construísse pelo menos duas siderúrgicas, uma delas próxima  à suas  jazidas em Carajás, um local privilegiado sob o ponto de vista logístico. Agnelli prometeu, enrolou  e não fez nada.

De resto, Dilma Rousseff  que  embarca dia  8 de Abril para a China, onde  permanecerá quatro dias, pretende que o novo presidente da Vale faça parte de sua grande comitiva. Em Pequim,  ela manterá  uma vasta pauta de negociações.  Mas os dois principais temas são a questão cambial (manutenção da moeda chinesa  numa cotação artificialmente baixa) e as exportações brasileiras.

A China é nosso maior cliente na área de minérios e a Vale seu maior fornecedor. Além disso, há estudos sobre a possibilidade de se comprar ou mesmo construir uma siderúrgica brasileira na China, como pode  haver parceria chinesa  nas siderúrgicas brasileiras. Nos dois casos, a presença da Vale é fundamental.

A matéria abaixo dá continuação a esta. Não deixe de ler.

22-03-11 atualizado em 24-03-11

Braço  de  ferro:  Ou Vale  se  enquadra
 ou poderá até mesmo ser reestatizada

O vazamento para a  imprensa do encontro, na sexta-feira passada, entre o ministro Guido Mantega da Fazenda e o presidente do Bradesco, Lázaro Brandão, quando ficou decidida a destituição de Roger Angnelli,  atual presidente  da Vale,  preocupou o Palácio do Planalto que decidiu dar curso ao seu projeto, mas com um novo negociador, o presidente do BNDS, Luciano Coutinho.

A presença de Coutinho  dá  um aspecto mais técnico e  natural (menos impositivo) para o processo de escolha do novo presidente,  já que o BNDES juntamente com fundos de pensão de  funcionários das estatais capitaneados pela PREVI (Banco do Brasil) controla 61,51 % do capital .

Entretanto, pelos  estatutos da  Vale,  fixados após a privatização, são necessários  75% dos votos dos acionistas para a mudança de comando. Na mesma época, houve ainda  um acordo mediante o  qual a gestão da mega empresa caberia ao Bradesco. Daí a necessidade  de longas negociações. A assembléia dos acionistas se reunirá em Maio.

Seja como for, o governo não abre mão de uma mudança radical na filosofia administrativa da companhia e de seu alinhamento  com os objetivos estratégicos do  País, como descrevemos no texto  de 22-3 que você lerá logo abaixo.

Finalmente, não é impossível, para o governo,  retomar o controle absoluto da empresa, via  compra de ações de acionistas minoritários ou através de expropriações  legais (de uma pequena parcela do capital total) devidamente aprovadas pelo Congresso.

Tudo depende, de um lado, do humor do próprio governo e de seus  aliados políticos, sempre atentos  à possibilidade de influir em mais uma estatal. De outro lado, depende do humor do Mercado, de sua imprensa dócil e neoliberal e das repercussões no exterior. Mas o  processo está em curso.

Texto de 22-03-11

A conversa do ministro da Fazenda,  Guido Manega, com o presidente do Bradesco, Lázaro Brandão, este fim de semana, não foi nada amena. Ambos (Governo e Bradesco) são os principais acionistas da Vale do Rio Doce, hoje a segunda maior mineradora do Mundo e detentora das estratégicas  reservas de Carajás  que abrigam o minério de ferro de melhor qualidade e mais caro do Planeta.

Muito bem: o governo simplesmente quer a cabeça do poderoso presidente da companhia, Roger Agnelli. E dá suas razões: quer que a Vale se alinhe aos objetivos estratégicos do País.

Na sequência do raciocínio duas questões  básicas servem de exemplo e são apontadas como  as gotas d’água. A primeira  é o da  compra, pela Vale,  de navios gigantes na Ásia, esnobando os estaleiros nacionais.

A outra a é o corpo  mole de Agnelli e em relação ao projeto  de transformar a empresa de grande  mineradora em grande siderúrgica no prazo de  dez anos.

Segundo o Planalto,  a companhia (enquanto siderúrgica) tem tudo para se tornar imbatível em  termos de qualidade e preço, em função de uma  excepcional combinação  logística: a usina,  poderia ser instalada praticamente na boca da mina que já é  servida por  energia farta e barata (Tucuruí) e por ferrovias ligando aos principais  portos exportadores.

E claro que, com os preços do minério em alta e uma clientela assegurada, é bem mais cômodo manter  a posição de  mineradora, evitando  desviar recursos para a siderúrgica.

Mas aqui entra a questão: Uma mega empresa de origem estatal e que recebe todo tipo de apoio logístico do Governo deve ater-se ao objetivo exclusivo de obter altos  lucros para seus acionistas ou deve, concomitantemente, engajar-se  em um projeto estratégioco nacional?

Reparem, por outro lado, que Lázaro Brandão, um dos homens mais poderosos do País, não discutiu as “sugestão” de Mantega  e já vai providenciar a substituição de Agnelli, agora, na assembléia de acionistas marcada para Abril.

É que, bem informado sobre os meandros do poder (afinal ele  não é sócio do Planalto apenas na Vale) Lázaro sabe que há um movimento latente nas hostes petistas bem situadas no Governo que visa dar uma satisfação (combinada com uma faturada eleitoral) àquela parte da opinião pública que  jamais  concordou com a privatização.

Pode estar sendo articulado um  movimento pela reestatização. Movimento este que conta com o apoio  do PMDB, por razões  obviamente fisiológicas.

O argumento de que depois de privatizada  a Vale multiplicou por dez o seu patrimônio é uma falácia.  Esse aumento só foi possível  em função do apoio governamental e da alta vertiginosa dos preços dos minérios. Aliás, a Petrobrás continuou sendo estatal  e, neste mesmo espaço de tempo, também multiplicou por dez o seu patrimônio.

 Mantega, depois que  obter a promessa de Agnelli que seria removido, foi benevolente e  deixou Lázaro  à vontade para  escolher um substituto nos quadros de executivos do próprio Bradesco.

O terceiro maior sócio da  Vale é a trading japonesa Mitsui. Os dois sócios principais são o Bradesco e o Governo através  do BNDES  e de fundos de pensões, liderados pela  Previ, dos funcionários do Banco do Brasil. O lucro líquido da gigante em 2010 foi de  R$ 30,1 bilhões.

13-03-11

Conheça  o nosso ministro mais inútil e cara de pau

No primeiro momento a vontade de rir. Depois veio o asco ao ver  Carlos Lupi, entre bonachão e simplório , muito à vontade, ao lado da presidenta Dilma Rousseff que decidiu receber o ministro do Trabalho (esse incrível Lupi)  e mais alguns lideres sindicais.

Ela entendeu que devia dar-lhes uma satisfação pelo fato de há quinze dias ter sido intransigente com eles, quando da discussão do novo mínimo de R$ 545. Quando  digo eles, me refiro aos sindicalistas, porque  Lupi em nenhum instante  desceu do muro.

A foto após a reunião, onde todos aparecem felizes, revela que a satisfação (o afago, digamos assim) foi bem aceita. Mas ficou o asco. Asco não apenas  por ver ali estampada toda picaretagem do inútil Lupi a quem nada mais importa, desde  que ele continue simultaneamente ministro e presidente, de fato, do PDT.

Asco por  ver como esse  escroque  político usa em proveito próprio o partido e a bandeira que um dia foram de Leonel Brizola.

Partido e bandeira que eram, por sua vez,  heranças do trabalhismo generoso e progressista de Jango e Darcy Ribeiro, bem como dos ideais  vertidos por  Alberto Pasqualini e Lindolfo Collor, que apontavam para o trabalhismo socialista.

De concreto, esses  ideais  desaguaram na  legislação trabalhista brasileira  dos anos 40 que era, de longe, uma das mais avançadas do Mundo. E continuou sendo, mesmo depois de parcialmente mutilada pela Ditadura Militar.

 Entretanto, por ter sido legada pelo ditador Vargas, essa legislação, seria mais tarde, por preconceito e malicioso oportunismo, comparada à Carta del  Lavoro de Mussolini.

Mas voltemos ao asco: este picareta inútil, se não fosse tão raso e rasteiro, poderia transformar a redução das horas de trabalho como sua bandeira pessoal e marca de sua passagem pelo Ministério.  Contribuiria, também,  para um debate saudável dentro do próprio governo, tão carente de imaginação e iniciativas.

A redução das horas de trabalho é a forma mais  inteligente (única, aliás) de se  lidar com o maior problema do atual estágio de desenvolvimento capitalista, marcado pelo crescente descarte de mão de obra, via  vertiginosa automação.

Esse descarte provoca o chamado desemprego estrutural, apelido técnico da exclusão definitiva que assola gerações inteiras de trabalhadores pelo Mundo. Pretender garantir mais emprego  com mais desenvolvimento nos termos do atual mecanismo de acumulação do sistema é uma contradição em si.

Mas o esperto Lupi não vê nada disso. Prefere, como sua única tarefa no Ministério, anunciar, mensalmente, o aumento do número de trabalhadores com carteira assinada, pretendendo que o público imagine que houve alguma contribuição sua para isso.

Nesse caso, juntam-se a mentira e a bobagem, porque  as estatísticas sobre aumento de trabalhadores com carteira assinada servem apenas para  revelar uma momento da economia. Mostram, por exemplo, se ela está aquecida  ou não. Mas não revelam a real situação da classe trabalhadora, pela razão simples de que mais de 50% da mão de obra nacional (não rural) está mergulhada  na informalidade.

Mas Lupi, cínico e preguiçoso, segue sua rotina e, mensalmente, lê os dados do IBGE que só se referem à economia formal. Ele imagina, provavelmente, que nós, o grande público, somos trouxas, porque gente  como ele vê a Humanidade como uma enorme legião de otários a ser devidamente engabelada.

Vejo no velho PDT alguns velhos e idealistas fundadores do partido. Devem estar envergonhados, mas sucumbiram às  “habilidades” de Lupi que controla a máquina do partido como se fosse um negócio seu, particular.

21-02-11

Vergonha nacional sobre quatro rodas

O Brasil  possui a quinta maior indústria automobilística do Mundo (capacidade instalada para produção de  quatro milhões de unidades anuais)  e o quarto maior mercado consumidor. Temos  17 empresas montadoras no pais, todas elas recebendo toda sorte de benefícios, desde doação de terrenos  a isenção fiscal  e crédito barato.

 A Fiat já produz mais unidades aqui do que na Itália e a  Volks já vende mais  veículos no MERCOSUL  do que na Alemanha. Mas não possuímos aqui, uma única (!) fábrica nacional de motores. Até a Índia possui a sua.

É claro que  isso não é uma patriotada. Todos sabem que só a matriz investe realmente  em  novas tecnologias, em novos métodos de  produção. E  a pirâmide salarial  terá um perfil tanto melhor, quanto maiores forem os departamentos técnico, de criação e financeiro  de uma empresa. E é evidente que a matriz fica com essa melhor parte.

Nem é preciso falar na Embraer, para dizer que o Brasil detém toda a capacidade necessária para possuir sua própria fábrica nacional de motores. E este fato torna-se agora relevante  no momento em que  há uma corrida mundial par a construção e comercialização do carro elétrico que dominará o mercado em poucas décadas.  E é inadmissível  que por  pura preguiça, falta de iniciativa e de articulação, venhamos a perder mais esta corrida tecnológica.

Jabor, o Bobo da Corte nem cogita disso, ele só sabe  verbalizar os  nosso “complexo de vira-latas”. Pertence  a um pedaço de uma  geração e de um seguimento social perdidos  no tempo e que o Brasil já deixou para trás.

Na mesma linha, Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenbeg estão atados à  idiota objetividade  neoliberal  e, sem visão de conjunto, ficam  retidos em cálculos localizados de economicidade e  de viabilização pela escala. Se é que a ciência de ambos chega a tanto.

 Mas e o Governo de Dilma Rousseff?  Na verdade,  só ainda não possuímos uma fábrica nacional de motores, não obrigatoriamente estatal (poderia  ser adotado o modelo da Embraer) por pura falta de  imaginação, de  criatividade e de vontade política. A atual  presidente  pode eliminar esse impasse vexatório.

Mais duas palavras para concluir o raciocínio: um dos principais patrimônios de um País, senão o principal, é o seu mercado interno. Trancá-lo é impraticável. Mas escancará-lo sem contrapartida  é lesa-pátria.

Enfim, este  blog está abrindo hoje mais uma campanha: enquanto o ministro Aloizio Mercadante, da Tecnologia (cujo passado de militante não desconhecemos), continuar ignorando  o projeto do carro nacional e continuar  pulverizando recursos em mil e um  pequenos  nichos tecnológicos, sem nenhuma articulação entre si, diremos daqui, desta Tribuna,  que ele  é “O Ministro Bisonho do Mês”. Trata-se de um singelo troféu que acabamos de criar.

E , com praticamente as mesmas palavras , lançamos  o desafio  a Fernando Pimentel, o ministro do pomposo Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio  Exterior. Será que Aloizio  e Fernando não desconfiam que precisam trocar figurinhas?

04-02-11

Brecha para a criação
de  uma  nova  estatal

Uma nova estatal de grande porte está sendo gestada no gabinete do ministro Edson Lobão, das Minas e Energia. Será uma mineradora que herdará parte das concessões de exploração mineral  em  mãos de particulares e que vão caducar com a aprovação do novo Código de Mineração a ser enviado ao Congresso em março.

 As novas regras estabelecerão prazos bem menores para  o início de produção das jazidas, cujas concessões  foram requeridas.  Há milhares dessas  concessões obtidas há décadas e que jamais forma exploradas. Pretende-se  também eliminar as explorações clandestinas.

Um dos focos  do governo é o de coibir o fantástico contrabando de ouro, diamantes e  pedras preciosas, sobretudo na Amazônia.

Em Rondônia e no Norte de Mato Grosso (região do Aripuanã), o escândalo é tão grande e o contrabando é tão escancarado, que existem frotas de pequenos aviões destinados ao transporte para os exterior desses materiais extraídos, muitas vezes,  em áreas indígenas.

O novo código do setor criará também  uma agência reguladora para a mineração e a retomada, pelo governo, de áreas concedidas, mas que permanecem sem ser exploradas. Quando isso acontecer, as áreas poderão ser objeto de leilão para que novos investidores as explorem.

E é aqui que abre-se a brecha, se o governo quiser que  algumas nas novas explorações sejam  feitas em regime de partilha como no pré-sal. Nesse caso, será necessária a criação de uma nova  estatal.

Entretanto, para que o Executivo não seja acusado de excessivamente estatizante,  Lobão deixa aberta a possibilidade de a estatal ser criada via  emenda parlamentar, quando o projeto do novo código entrar em tramitação no Congresso.

Lobão garante estar sintonizado com a presidenta Dilma que, desde os tempos de ministra das Minas e Energia, estudava a possibilidade de criação dessa estatal.

16-01-11

BC decide aumento dos juros na quarta-feira,
indicando se está  sintonizado com o governo

Na primeira reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central) sob nova direção, serão dados sinais do grau de cooperação e sintonia entre a instituição e o governo de Dilma Rousseff.

O Mercado e seu intérpretes ou especialistas apostam quase unanimemente num  aumento de 0.5 ponto, fazendo os juros  chegarem a 11,25%, a maior taxa do Mundo. Um estranho  troféu para  uma economia tão  badalada aqui e lá fora.

Tecnicamente, porém, o BC estaria com as mãos amarradas: como a inflação recrudesce e ameaça ultrapassar o limite máximo da meta (6,5%), não resta alternativa senão tascar mais juros no lombo  do consumidor. Os banqueiros sorriem.

Os leitores mais fieis deste blog, devem estar lembrados que, há um mês, quando a presidenta ainda escolhia nomes para seu ministério, informamos que ela teve com o atual presidente do BC, Alexandre Tombini, uma conversar produtiva, considerando ademais que eles tinham acabado de se conhecer pessoalmente.

Selaram, então, uma espécie de pacto informal: o COPOM pegaria leve no aumento dos juros e o governo faria a sua parte, cortando fundo no seu orçamento, não só nas gorduras do custeio e do desperdício, como na carne  dos investimentos e do PAC.

Na sexta-feira, com pompa e circunstância, Dilma reuniu o ministério e cumpriu sua parte, anunciando cortes  no orçamento superiores aos que  os políticos e o Mercado esperavam. O enxugamento pode  chegar aos 60 bilhões de reais.

Por outro lado, quando os juros já estão  num  nível fora  do normal, como é o nosso caso, eles representam um custo adicional para a produção e circulação de mercadorias. E funcionam, assim, como estimulante e não como inibidor da inflação.

Finalmente, há o argumento de que juros mais altos atrairão  mais capitais especulativos que forçam  uma valorização ainda maior do Real. Valorização esta que já provoca desindustrialização acelerada no País. Sem ter como concorrer com os importados baratos, nossas empresas (como é o caso da Azaléia entre  muitas outras) estão se instalando no exterior, para de lá  exportarem  para o Brasil. É o cúmulo.

Por conta disso tudo, este blog ousaria dizer que há  uma remota (apenas uma vaga e remota) possibilidade de que, na  quarta-feira, o COPOM se sinta  constrangido a fazer a sua parte do  pacto e  aumente os juros em apenas o, 25 ponto.

Sobre o mesmo tema,  veja mais na  coluna Para Entender a Crise.

02-01-11

Os misteriosos números da popularidade de Lula

Como já estamos na Era Dilma que nos reservará seus próprios mistérios, vamos analisar os misteriosos números da popularidade de Lula. Há dois aspectos:

O primeiro não passa de um inacreditável mal entendido. A mídia, os políticos, todos enfim, confundem aprovação de governo com declaração de voto. Se você perguntar para um cidadão cordato e que não seja um eleitor do Serra daqueles bem direitistas, ele dirá que  o Governo Lula foi bom ou foi ótimo.

E dirá isso, obviamente, porque a economia está bombando e mais ainda porque  há  o contraste entre o nosso bom desempenho e o fiasco  econômico das grandes potências. E é óbvio também que nas camadas mais pobres (Nordeste à frente), a grande  maioria aprova Lula e seu programa de assistência social, mais conhecido como Bolsa Família.

Entretanto (e aqui ingressamos no segundo aspecto), uma boa  parcela  desses 80%  que aprovam Lula não votariam nele, assim como não votaram em  Dilma, ressalvado aqui o fato de que ela é muito menos popular do que ele.

 Mas o que quero dizer é que há um pedaço do eleitorado que, independente de seu julgamento sobre o governo de Lula, é naturalmente conservador. Conservador e emergente.

Esta parte representa 40% dos eleitores (mais ou menos a que votou em Serra) e pode, dependendo das circunstâncias, oscilar para 50% ou um pouco mais. É isto que representa a sociedade  brasileira  partida.

Se você pegar do Centro de Minas até o Extremo Sul do País (onde já somos uma sociedade preponderantemente de classe média), encontrará aí a maior parcela do conservadorismo brasileiro que, ao contrário do que supõem nossos vãos filósofos e sociólogos, não é um privilégio das elites, mas uma característica inata do pequeno burguês.

  E é para essa enorme massa de analfabetos políticos, egoístas e consumistas que a Direita (Serra à frente e Jabor atrás) faz seu discurso.

Como antídoto, Lula, por pura intuição, reinventou e assumiu escancaradamente o velho e bom populismo getulista, abrindo um diálogo direto com as  massas da parte geográfica que vai do Centro de Minas ao  Norte do País, bem como com os enjeitados do Centro Sul brasileiro.

Para Lula foi fácil, espontâneo, fazer isso.  Mas é evidente que o PT e Dilma não pretenderão ou não saberão fazer o mesmo. A política, quando passa por uma prévia teorização, perde a espontaneidade. Para fazer revolução isso pode servir eventualmente. Para  ganhar eleição, a conversa é outra.

E este é o dilema da esquerda brasileira: exceto quando recorre ao populismo, ela míngua para 30% do eleitorado, ou até menos.

Mas esse é apenas o início de uma grande discussão. Voltaremos a ela em breve.

06-01-11

Sem ferrovias, não haverá a sonhada integração Sul-Americana

Por
Janine A Rodrigues*

Neste artigo pretendo abordar rapidamente o papel das ferrovias e da  FERROSUL no futuro do Brasil e da América Latina. Foram usados como subsídios textos de Silvio dos Santos e Samuel Gomes contidos no site http://ferrosul.org/site/. , textos que recomendo a leitura. Bem como o post da revista ferrovia http://www.revistaferroviaria.com.br/blog/?p=205

O professor Silvio dos Santos em seu artigo “A História das Ferrovias” destaca que desde o início do sec. XVI diversos países da Europa já utilizavam o transporte sobre trilhos para transporte de carvão e minério de ferro. Tal procedimento evoluiu até no séc. XIX se ter a primeira máquina a vapor sobre trilhos. Que teve sérias reações por aqueles que a consideravam um risco para seus postos de trabalho.

Fazendo um salto histórico, para a atualidade, segundo Samuel Gomes, pensamento que acompanho – “O desenvolvimento equilibrado e justo do Brasil e América do Sul exige integração física e transporte barato e dotado de eficiência operacional, energética e ambiental.” Neste ponto como ambientalista destaco a questão ambiental, pois a utilização de ferrovias, ao contrário das rodovias é sustentavelmente mais equilibrada, tendo o Brasil, inclusive, condições de desenvolver a utilização de trens com utilização de energia limpa, renovável para seu funcionamento e para sua produção. Porém mesmo os trens tradicionais já são mais sustentáveis e economicamente mais viáveis que a utilização de outros meios de transporte.

Retornando ao parecer de Gomes: “Esta evidência está na gênese da decisão dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, tomada sob a égide do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul – CODESUL, de constituir a Ferrovia da Integração do Sul S/A – FERROSUL, a partir da transformação da estatal paranaense Estrada de Ferro Paraná Oeste S/A – FERROESTE numa empresa pública multifederativa. As manifestações favoráveis ao projeto dos novos governadores e parlamentares estaduais e federais apontam para a sua consolidação a partir de 2011.”

Destaco aqui o excelente trabalho de Samuel Gomes frente a direção da Ferroeste no Paraná, trabalho este que alavancou a possibilidade de construção da FERROSUL. Mas, meu interesse por trens é muito anterior a estes acontecimentos. Gosto de trens pela sustentabilidade, pela poesia que uma viagem de trem pode proporcionar. Muitas pessoas se locomovendo por paisagens agradáveis a um custo mais baixo. Atualmente diversos países europeus e asiáticos utilizam o transporte ferroviário como principal meio, face as inúmeras vantagens que apresenta.

Retornemos a nosso país e vemos que então o surgimento da FERROSUL vem para planejar, construir e operar ferrovias e sistemas logísticos nos quatro estados do CODESUL. Para Gomes: “A participação acionária do governo federal no empreendimento deve dar-se através da empresa federal VALEC – Engenharia, Construções e Ferrovias S/A, vinculada ao Ministério dos Transportes, que já é sócia da FERROESTE. O desenho estratégico do projeto preconiza ainda a forte participação do Exército em todas as fases de construção da ferrovia, como ocorreu na FERROESTE. A novidade é que, além de construir as ferrovias da FERROSUL, o Exército ficará responsável pela sua posterior manutenção, o que assegurará maior longevidade para a infraestrutura”.

Já há um planejamento e tratativas prévias cujo plano são cerca de 3.300 km gerando integração e desenvolvimento na região Sul e Centro do Brasil e ainda o Paraguai e Uruguai e a ligação do Atlântico ao Pacífico por trilhos. Sendo desta forma a  FERROSUL um caminho de integração para o desenvolvimento e a paz, ganhando assim  o Brasil e a América do Sul.

Quanto a sustentabilidade cabe ressaltar, segundo o  site http://www.revistaferroviaria.com.br/blog/?p=205 indicado pelo maquinista Clodoaldo as razões são inumeráveis, mas exemplificando: “Existe no site da AAR (a Associação das Ferrovias Americanas, correspondente à nossa ANTF) uma página intulada “Carbon Calculator”, ou Calculador de Carbono (http://www.aar.org/Environment/Carbon-Calculator.aspx) . Permite que o internauta escolha  uma origem e um destino entre 100 cidades americanas e que simule um trem entre 50 e 150 vagões carregado com  uma mercadoria entre as 15 mais transportadas nos EUA. Aí você aperta uma tecla e descobre, por exemplo, que um trem com 100 vagões carregados de cimento  entre Chicago e Nova Iorque (1.270  km por rodovia),  deixa de emitir 402 toneladas de dióxido de carbono, que seriam lançadas na atmosfera caso fossem transportadas de caminhão.  E ainda que seriam necessárias 9.355 árvores durante 10 anos para eliminar essa emissão.”

Nesta construção todos podemos/devemos ser parte deste empreendimento que vem com objetivos claros e deve ser  desenvolvido com e em sustentabilidade e boa vontade pelos governantes, que serão cobrados pela história por suas decisões.

* Janine A Rodrigues, Bacharela e Especialista em Direito, Mestranda em Desenvolvimento Sustentável.

twitter – http://twitter.com/nine_janine

http://cooperativasautonomas.blogspot.com/ – blog do projeto de mestrado
Colunista do Portal Colaborativo Teia Livre http://www.teialivre.com.br/colaborativo/publish/

25-11-10

No recomeço  do tiroteio,  Serra e
Aécio usam pistoleiros de aluguel

A Convenção para renovação da Direção do partido só ocorrerá em março, mas o tiroteio   entre  Aécio Neves e José Serra já começou. E começou com uma novidade: ambos estão usando pistoleiros de aluguel.

O que  não é novidade é o ódio que move estes dois personagens e que vai muito além da disputa natural por espaço político. Ódio que conduz a inauditas baixarias como as de espionar e forjar dossiês contra o adversário. Todo isso, até recentemente, podia ser  percebido nas entrelinhas do noticiário, mas agora virou bate-boca na portaria do edifício.

O pistoleiro mor de Aécio é seu fiel escudeiro Nárcio Rodrigues, presidente do PSDB mineiro e que o ex-governador usa para tarefas delicadas e desagradáveis ou, mais precisamente, usa para morder, enquanto ele assopra.

Esse Nárcio, por exemplo, foi quem organizou a famosa vaia sofrida por Serra, em  Belo Horizonte,  já em plena campanha eleitoral. Na ocasião, o ex-governador paulista estava ao lado Aécio (ainda governador), durante  a inauguração do  Centro Administrativo do governo mineiro.

E. nessa ocasião, a palavra de ordem comandada por Nárcio, repetida pela multidão,  era a mesma que ele reafirma hoje: “Minas não vai na garupa e eles (os paulistas) vão ter que nos engolir”. Ele respondia assim, com fogo pesado, à artilharia disparada pelo pistoleiro de Serra, na véspera.

Para completar, sem cerimônia, Nárcio ainda informou ter  ligado para Aécio (que está na Europa) comunicando que ia “começar a bater”. Ele não contou o resto, mas é fácil supor que  de algum chalé suíço, o  romântico senador mineiro deve ter respondido entre dois bocejos: “Manda bala”.

Este mais recente tiroteio começou terça-feira (23-11) quando o pistoleiro de Serra,  José Henrique  Reis Lobo, presidente do partido em São Paulo , criticou a proposta de  “refundação do PSDB”, um eufemismo usado por aecistas para indicar que a Direção do partido, eternamente controlada pelos paulistas, deve  ser radicalmente reformada.

Em suma: Serra e Aécio estão, desde já, disputado o  controle do partido, o que será decidido na Convenção de março. Mas  o objetivo óbvio  é o de conquistar boas posições  para o lançamento do candidato tucano às eleições presidenciais de 20014.

 E nesse ponto, Nárcio foi bem claro: Fomos extremamente respeitosos à fila, concordando que em 2006 era a vez de  Geraldo Alckmin e, em 2010, era a vez de Serra.  Agora (2014) é a vez de Aécio”.

 Aliás, Alckmin, um dos interessados, assiste à distância, torcendo para que seu adversários se  auto-aniquilem.

Não deixe de ler, sobre este mesmo tema, a coluna Última Hora. 

25-09-10

A Direita percebe que  está perdendo uma
eleição  plebiscitária. Por  isso estrebucha

Merval Pereira,  o  porta-voz e  capacho da Família Marinho, de tão fiel e submisso aos interesses dessa quadrilha organizada, às vezes deixa  escapar  alguns laivos de  inteligência, só para servir melhor. Em sua coluna no Globo, o malandro diz claramente que  o que está em jogo não é  a eleição presidencial, um parada decidia, mas o controle  do futuro Congresso.

E esta é a questão. Falando claramente, para não perdermos tempo, a verdade é que os deputados federais  até que são baratinhos: duas ou três nomeações  e uma liberação de verba para a sua região  e eles estão no bolso. Assim  FHC conseguiu maioria para  mudar a Constituição e se reeleger e assim o Lula governou  oito anos com relativa tranqüilidade. Não precisava nem do mensalão. O problema está no Senado.

Teoricamente  o governo Lula tem maioria no Senado, mas isso é  fruto de sua aliança com o Centrão Fisiológico, o PMDB à frente. E é essa tropa de choque que faz as exigências mais pesadas: ministérios, estatais e empreiteiras escolhidas a dedo para obras de  vulto.  Mesmo assim, não se deve esperar muito de um Sarney ou de um Collor, estes dois ex-queridinhos da  média. Nas questões ideológicas eles endurecem o jogo.  Lembrem -se que  a votação para o ingresso da Venezuela no MERCOSUL foi um Deus nos acuda.

Há  dos  meses o  Lula disse que um senador vale por três governadores. E a partir desse raciocínio, forçou o PT a aceitar acordos onde abria mão de candidatos viáveis aos governos estaduais. Tudo em nome do apoio nacional a Dilma e  da eleição de senadores do próprio PT ou ideologicamente  confiáveis.

Como resultado,  institutos  respeitados, já anunciam que a base  governista obterá  folgada maioria no Senado. As oposições não elegeriam sequer 27  senadores (de um  total de 81), necessários par instalar uma mísera CPI.  E na Câmara, o governo teria os 308 votos necessários, para  aprovar emendas constitucionais.

Dilma teria, portanto, condições para convoca uma Constituinte,  já  anunciada , porém com o objetivo restrito de promover apenas  a reformar política. Entretanto sob pressão, esta Constituinte poderia ser  mais abrangente.

Essa  é a  oportunidade para a consolidação  da inflexão do Brasil para a esquerda. Nada parecido com a Revolução Venezuelana, porque  aqui as circunstâncias são outra e Dilma não é Chávez. Mas será sempre uma  bela inflexão à esquerda.

Eu só digo isto aqui, assim abertamente, porque  a Direita e sua mídia já sabem disso. E, por isso, movem céus e terras para impedir esta vitória inevitável. O que estamos assistindo é o estrebucho dos trogloditas.

E o PSOL? O PSOL que poderia estar liderando este avanço  progressistas, está apenas vendo a banda passar.

9 Comentários leave one →
  1. Beto Algarte permalink
    08/01/2011 8:20 pm

    Interessante discutir populismo nos dias de hoje…. Muito interessante… Por que não se discutiu populismo quando da eleição do Collor…?
    Acho que a direita brasiliera não engoliu e nem vai engolir uma derrota tão expressiva, não do candidato Serra, mas sim te todo um sistema arcaico e inteiramente corroido pelo tempo que as elites insistem em manter…
    A direita desonesta exige um governo honesto…. Puxa vida…. Que insanidade….

  2. Maressa Vieira permalink
    13/03/2011 12:33 pm

    Lamentavelmente, em nome de acordos políticos, o Governo Federal aprova indicações para cargos de suma importância como o Ministério do Trabalho. O Brasil precisa de gente competente, comprometida e dedicada a diminuir o desemprego. Seria audácia sugerir ao Ministro do Trabalho que tenha a iniciativa de oportunizar cursos profissionalizantes para jovens e adultos desempregados ou estudantes carentes para que possam vislumbrar uma vida digna? O Brasil, para avançar, deve investir na formação e verá resultados satisfatórios para dar continuidade ao progresso e desejo de se tornar país desenvolvido. (@mmvs)

  3. Tania Guimaraes permalink
    01/05/2011 3:04 pm

    Alguem com interesse de conhecer os detalhes minios da micro-economia USA deveria ler. Free Lunch. Este livro oferece o que a midia esconde aqui na terra do tio Sa , e o que nehuma escola de economia revela. A razao fica exposta, estas instituicoes sao beneficiadas pelo sistema de corrupcao mais sofisticado do mundo do capital.

    ATENCAO: USA nem esta quebrado, nem esta preste a quebrar. Tem sim uma populacao a la terceiro mundo, que foi levada as ruinas nos ultimos 4 anos. Porem o pais em si nunca foi tao rico.

    ……expansão da prosperidade humana. …. O que? Onde esta esta “humana” que viu prosperidade?

  4. Guaracy Monteiro permalink
    09/08/2011 11:39 pm

    Pô, em tempo de twitter e seus 140 caracteres eu vejo um texto longo e, para piorar, com diversos outros na sequencia e de datas bem mais antigas. Desculpe, mas não gostei.

    Outro fato que eu considero de suma importância, pelo menos para mim, é a citação das referencias. Poderia muito bem ter sido colocado o link citando onde encontra-se o documento com os ‘princípios’ da globo (caso alguém ainda não tenha lido, ficar procurando é desestimulante).

    Os artigos na sequencia eu não li.

  5. 14/09/2011 1:42 pm

    Mas o Kaddaf não era amigo do peito de Lula? Tudo farinha do mesmo saco, Dirceu, Lula, FHC, Globo e CIA e as pessoas perdendo tempo discutindo eles. Afff

  6. 10/10/2011 3:22 am

    Não é interessante pra “midia nacional e suas afilhiadas” espalhadas no território Brasileiro, que o sonho Americano não acabou. O pesadêlo que fizeram ao mundo promovendo as guerras e sucateando as econômias do Oriente ao Leste Europeu, com as guerras frias promovidas, como mocinhos da paz. Sucumbiu a mais poderosa USA/UE. Aos criticos da literatura da politica mundial e estudiosos, cabendo as nações a reflexão de que: fome/desemprego, não existe só na Africa e America Latina. Protestos e Manifestações de lá não é o mesmo do lado de cá.

  7. milu permalink
    16/10/2011 2:40 am

    Oi, Chico, parece que desta vez o império do mal começa a desmoronar…adorei este post e estou levando para meu facebook!!Quanto ao PT, partido do qual sou simpatizante, ando meio que desiludida com a guinada centrista que ele vem dando, com a falta de determinação do governo para com as reformas prementes, tipo reforma tributária, política, judiciária, enfim, as reformas há tanto tempo necessárias e prometidas. Tem a decepção,também, com a questão do aposentado: não me esqueço do discurso do Lula, numa das campanhas, quando ele criticou os governos de até então, pelo desrespeito para com os aposentados que, logo quando mais precisam de dinheiro para remédios e, até, para poder aproveitar um pouco a vida depois de tantos anos de trabalho, ganham uma ninharia, que não dá para nada. E o que ele fez para mudar a situação?Nada!Repito, sempre gostei do PT, mas, pelo visto, ele (ou uma parte dele) perdeu a combatividade.
    Desculpe o desabafo no seu post, mas lendo seu artigo, me senti incentivada a faze-lo!
    Abraços.

  8. 16/10/2011 3:40 pm

    Repito! E como brasileiros devemos estar super alertos ao que ocorre nos Estados Desunidos da America da Morte:1- O SONHO AMERICANOS NUNCA, JAMAIS FOI UMA REALIDADE2- o IMPERIO CAPETA NAO ESTA QUEBRADO NEM QUEBRANDO.3-O PODER DO IMPERIO NO MUNDO ESTA SE ESPALHANDO E CHEGARA NA AMERICA DO SUL DE FORMA MAIS AGRESSIVA.

    Ignorar estas realidades nap nos ajudara em possivel estrategias de resistencia. O sonho americanos sempre foi e sera muito mais propaganda que realidade. E verdade que a classe media esta passando perreio. Mais quem entender a estrutura da classe media USA fica sabendo que o que presenciamos e simplesmente todos caindo ao mesmo tempo. Antes a classe media era o meio da piramide economica. Era um meio de piramide escorregadia omde enquanto 10 caiam 15 subiam num movimento constante. Agora a parte de cima trancou o cebo e derrubou quem estava na parte de cima deste meio, e empurrou pra baixo. Este meio escorregadio nunca tiveram um nivel de educacao concreta. Eles sempre viveram de creditos e inadiplencias 90% das pequenas e medias empresas USA sempre foram a falencia, e outras se levantavam, para simplesmente irem a falencia outra vez. E assim se carregava o sonho de decada em decada. Agora o pais nao quebrou, simplesmente se tornou aquele pais, que quem viveu no Brasil por muitas decadas conhece bem. Uma mao de trilhardarios explorando um mundo de pobres.
    Gringo vai invadir e matar, para roubar quem quer que seja, para manter o novo imperio. Isto significa que o Brasil e a America do Sul, mais cedo ou mais tarde vera as maos destrutivas e capetalista do imperio. Se nao for por bem sera por mal. O processo comecou com seus ancestrais e eles agora estao em curso com uma nova cruzada. A China nao nos protejera, pois com 51 mil fabricas USA dentro da China a coisa e muito mais complexa que pensamos. Sofre quem subestimar as motivacoes primitivas e de fanatismo dos gringos dentro de uma ideologia nazista. Porem nao e um nazismo baseado em raca, mais sim em nacionalismo. Este novo nazismo e mais tolerante de religiao do que pensamos, assim como prostituiu o proprio racismo, e agora pode ter um Barak Obama como imperador. Daqui a pouco podera ser ate um judeu ou mesmo mulcumano, desde que seja totalmente aderente aos ovos principios do novo nazismo

  9. 08/01/2012 7:47 pm

    O que vc y seus leitores pensam sobre minha proposta d Concurso Público para políticos y gestores públicos… Por favor leia + n blog http://rikardaosalvador.blogspot.com/ Ah! Y opine, converse c amigos y familiares, OK.

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