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Pérolas & Pílulas

 

04-12-12

O senador Aécio Neves, já escolhido como candidato tucano para as eleições presidenciais, esconde-se por trás de uma certa matreirice  que ele supõe  ter herdado do avô Tancredo, para protelar  o lançamento oficial.

Na verdade, o drama de Aécio é a falta de discurso. Mais astuto que a maioria de seus correligionários, ele percebe que o PSDB, através de FHC e Serra,  assumiu o discurso da direita européia (principalmente a alemã) à qual não falta o asqueroso preconceito racista e fascistóide contra imigrantes de países mais pobres: Grécia, Polônia, Turquia, etc, sem falar nos países africanos.

A forma acanalhada com que Serra, desde as eleições p presidenciais trata nossos vizinhos bolivianos e paraguaios é prova cabal do que foi dito acima. Mas há mais: FHC e Serra assumem abertamente a defesa do Capital Financeiro, enquanto Aécio sabe que, na sua origem, os Sociais Democratas europeus e australianos eram francamente a favor da classe trabalhadora, embora  rejeitassem o bolchevismo. Eduarde Bernstein  era seu principal líder.

14-10-12

Diga-me com quem andas

 A sociedaade  brasileira é meio progressista e meio conservadora. Isto tanto para as questões morais e de comportamento, como para a ideologia social e preferência pelo modelo econômico.

Os dois pólos políticos que hoje representam cada metade são, grosso modo, o PT pela esquerda e o PSDB e aliados cativos pela direita.  As definições eleitorais dependem basicamente das circunstâncias e do desempenho da  marquetagem.

Tanto PT, quanto PSDB controlam um eleitorado fixo (fiel) em torno de 35%, grosso modo.  É claro que isto tudo é uma simplificação. Porque existem setores progressistas na área do comportamento (liberação sexual e movimentos gays) que, muitas vezes, são conservadores  em relação à política econômica, por exemplo. São neoliberais.

Não estamos, portanto, ignorando estas nuanças, mas nosso objetivo e forjar, para efeito de raciocínio, um esquema simplificado. Ou seja: não se pode agredir genericamente o pensamento conservador numa emegência eleitoral. Por outro lado, não se pode, como Serra, ter um Silas Malafai como  um de seus principais cabos eleitorais.

Então: as eleições de 2010 demonstraram claramente essa divisão (simplificada) meio a meio. Dilma obteve um pouco mais de 50% dos votos e Serra chegou bem perto disso. E lembremos que na reta de chegada, a questão de comportamento imposta pelos religiosos conservadores foi vital. Dilma fez concessões de última hora para não ser derrotada.

Disso resulta que esta havendo uma leitura equivocada, distorcida, que faz pensar que um sujeito do tipo Silas Malafaia pode decidir os rumos de uma eleição como a de São Paulo, por exemplo. Erro imperdoável. 

Ademais,  Malafaia não é apenas um evangélico ultraconservador e que transformou a luta contra os gays em seu cavalo de batalha. Ele é um  inescrupuloso ganhador de dinheiro. Em poucos anos ficou pessoalmente multimilionário às custas de seus fieis geralmente humildes, aos quais alimento o maior respeito e admiração. Além disso é arrogante e irresponsável quando propaga suas sandices, seus rancores e seus preconceitos podres, medievais. É um Bolsonaro sem farda.

Porém, há um aspecto que os especialistas ainda não analisaram na sua devida proporção. Os pastores ricos, famosos e poderosos, como Malafaia, entre outros, são profundamente rejeitados pela grande maioria da população.

O cidadão comum pode até ser atraído, amanhã ou depois, por uma dessas seitas ou igrejas, sobretudo se a Igreja Católica continuar marcando passo e controlada pelo conservadorismo. Mas a grande verdade é que, por enquanto, o brasileiro médio, comum, detesta esse naipe de pastores grotescos e às vezes os trata na base da chacota, outras vezes  com censura e rancor.

Resumo da opera: esse Malafaia não só não vai ajudar Serra como vai afundá-lo. Pode-se mesmo dizer que Malafaia cava a cova e o prefeito Gilberto Kassab, outro campeão das rejeições, coloca a pá de cal. Simples assim.  

 

0-1-12

Montenegro, do Ibope, tem  razão  quando  diz
 que “o povão não está nem aí para o mensalão”

A mídia tucana tentou e consegui fazer com que o  clímax do Mensalão Petista (decisões,  no STF, sobre  as  denúncias contra Zé Dirceu, José Genoino e Delúbio)  ocorresse nos últimos e decisivos dias da campanha eleitoral.

Difícil dizer qual o tamanho do estrago nas campanhas petistas, até por que, principalmente através do ex-presidente Lula, é possível convencer o “grande público” que se houve ou se há mensalão, isso é algo que diz respeito a todos os partidos, a começar pelo PSDB e pelo DEM. Mas é claro que haverá algum prejuízo para o PT, notadamente entre aquela minoria que ainda lê jornais.

Seja como for, grosso modo, Montenegro tem razão quando diz que “o povão não está nem aí para o mensalão”. Na verdade, nas minhas pesquisas particulares (geralmente bares e filas de banco) registro estas duas vertentes da mesma verdade: a- o mensalão não existe na forma como é descrita pela mídia, posto que é um  tradicional hábito da política partidária brasileira; b- sem mensalão não se governa.

Creio que a verdade essencial do fenômeno está descrita nesses parágrafos acima. O resto, grosso modo, é hipocrisia de ongueiros fariseus que vivem às custas de campanhas do tipo “ficha limpa”, mas pulam foram quando se  propõe a reforma política para valer e a proibição de contribuição privada  nas campanhas eleitoras.

O que se descreve como mecanismos básicos do funcionamento dos mensalões  tem sua origem no Caixa2 dos empresários “doadores”. É nas grandes empresas (notadamente bancos e empreiteiras) que e concentra a maior parte da compra da vontade política daqueles que, nas esferas dos Legislativos, deveriam estar defendendo os legítimos interesses da população.

Nos países do chamado Primeiro Mundo dá-se a isso o nome de lobby que é a corrupção generalizada. Nos países emergentes os lobbies são usados, também, como forma de perpetuar as desigualdades sociais e  aumentar a concentração de renda.   

20-06-12

José Serra  já  sabe  que  deverá  disputar  
o segundo turno com Fernando Haddad

Carlos Eduardo Montenegro, o dono do IBOPE, além das pesquisas oficialmente encomendadas, fornece às Organizações Globo, às quais sempre foi subordinado, análises de tendências  que antecipam futuras pesquisas.

O pessoal da Globo repassa essas informações para a direção do PSDB e alguma coisa vasa para os comentaristas políticos. O mais provável é que Serra e Haddad disputem o segundo turno das eleições para a Prefeitura de São Paulo. 

Independente disso, não é difícil constatar um importante conjunto de tendências:  a- Haddad, graças à recente exposição na TV ao lado de Lula (Programa do Ratinho, etc.) disparou e, em poucos dias, passou dos 3% para os 8%; b- Serra estacionou nos 30% e dificilmente passará dos 35%  no primeiro turno; Gabriel Chalita (PMDB) entrou em processo de esvaziamento, até porque  ele colhe votos na mesma clientela do Serra.

O Fator Maluf

Lula, com seu pragmatismo radical, foi paparicar o Maluf e tirar fotos com ele. Levou o inesperado fogo de encontro da ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) que, inconformada,  foi  vice na chapa de Fernando Haddad por apenas 24 horas. Daqui até as eleições, o episódio cairá no esquecimento, até porque o PSB e a própria Erundina, apesar do  seu asco ao malufismo, continuarão apoiando o candidato petista.

Como resultado prático, temos, portanto, que o PT conseguiu, com a adesão do PP de Maluf, o “indispensável” minuto e meio no horário eleitoral da TV. Na sequência  e  com  o mesmo objetivo, José Serra fará a mesma coisa com o PTB de Roberto Jefferson  que vale tanto quanto  Maluf. Trata-se então de um jogo onde vale tudo? Trata-se.  Em campanha eleitoral só não vale perder.

Excluída esta questão do tempo na TV, que  os marqueteiros consideram essencial, resta saber se o apoio do Maluf rende votos. Creio que rende alguma pouca coisa e que enganam-se os que pensam  que  são malufistas apenas alguns burgueses  ricaços, de extrema direita. O ex-prefeito tão desmoralizado quando o sempre popular Adhemar foi no passado, fez muita obras importantes nas periferias onde, acreditem, não é totalmente impopular.

O Efeito Russomanno

Então, do ponto de vista técnico eleitoral, o mais importante é saber para onde fluirão os votos de  Celso Russomanno, quando ocorrer, a partir de agosto (com o horário  gratuito na TV) a polarização entre Serra e  Haddad.

No Datafolha, da semana passada, Russomanno foi o único, além de Haddad que cresceu em relação às pesquisas anteriores. Está com 21%. Em setembro do ano passado,  abandou o PP de Maluf, ao qual foi filiado durante 15 anos, para aderir ao PRB do Bispo Macedo, recebendo a promessa de que teria  legenda para candidatar-se  à prefeito,  este ano.

Russomanno construiu sua popularidade  pela via midiática,  primeiro como defensor do consumidor, depois comandando programas policiais apelativos do tipo comandado por Datena. É uma figura lamentável e  seu eleitorado guarda uma certa  semelhança com o de Maluf: vai da extrema-direita ao popular de periferia, com o acréscimo dos evangélicos do Bispo Macedo.

Se Haddad for para o segundo turno, Lula o pragmático, vai ter que  bajular Russomanno assim como  bajulou Maluf, na semana passada.

Moral e ética

Quanto aos aspectos éticos e morais da cena brasileira, é preciso dizer que PT, PSDB e o resto estão absolutamente igualados na mesma fossa. Só tolos e hipócritas não vêm isso.

Entretanto, histórica e ideologicamente, o PT representa enorme avanço em relação à tucanagem. Com Lula e Dilma o Estado Brasileiro reassumiu sua política externa soberana e competente. E venceu a queda de braço contra ao Mercado e o Capital Financeiro.

Passando por cima dos obsoletos paradigmas neoliberais, o governo petista, demonstrou que a macroeconomia é uma combinação de políticas que  incluem  a distribuição de renda e outras alternativas que vão além da monótona  alta e baixa dos juros ditadas pelo Banco Central.

De resto, apesar de sua crônica inapetência pela administração (todo petista militante se considera o centro universal da teoria política) e de considerar um desaforo qualquer convocação para a uma gerência  singelamente competente e produtiva da máquina  estatal, o PT deverá crescer nestas eleições municipais e é favorito para a eleições presidenciais de 2014.

A sorte do PT é de que o PSDB decidiu assumir um discurso de centro-direita que é eleitoralmente improdutivo e não sabe comportar-se   como oposição de fato. O “líder oposicionista” Aécio Neves, candidato natural à presidência, tenta imitar o avô Tancredo, mas é insosso como salada de chuchu  com alface.

E, pela esquerda, ainda  não há ameaças ao lulismo: o PCdoB optou por ser linha auxiliar do PT e o  PSOL  ainda se debate nas lutas intestinas  entre o anti-capitalismo explícito e o moralismo com ranço udenista.  

 

04-06-12

O rei de pires na mão

O rei da Espanha, Juan Carlos I, se reúne nesta segunda-feira (04) com a presidenta Dilma Rousseff e vários ministros, no Palácio do Planalto e, depois, em um almoço no Ministério das Relações Exteriores.

O Rei chega de pires na mão porque  seu país enfrenta a maior crise desde a Guerra Civil dos anos 30 do Século passado. Sendo assim, um dos itens da agenda passou para o segundo plano. Estou falando da tentativa de consertar  o mal estar criado pela forma grosseira, brutal mesmo, com que muitos viajantes brasileiros são tratados nas alfândegas espanholas.

Como a Espanha é o segundo maior investidor estrangeiro no Brasil (com estoque de capital superior a US$ 85 bilhões) e como o Brasil, governo e empresários, tem fortes interesses juntos aos bancos espanhóis que estão quebrando em cascata, o tema econômico passou a ser o predominante das conversas entre o monarca e a presidenta.

A compra do das agências brasileiras do Santander pelo BRADESCO, pelo Banco do Brasil ou por um consórcio, não será tratado oficialmente, é claro. Mas o rei poderá ser inteirado informalmente, por algum funcionário brasileiro, sobre o andamento das negociações.

A Crise Financeira

Quanto à crise financeira espanhola, ela é a apenas a ponta do iceberg da crise européia que, neste momento, muda de patamar e passa ser   mais do que econômica  e social. Ela é bancária mesmo, e pode, com quatro anos de defasagem, repicar a Grande Crise Americana que começou com a quebra de instituições financeiras, a partir do Banco Lehman Brothers.

A chamada Crise do Euro mudou de qualidade. Já não  estamos mais falando do endividamento excessivo alguns Estados e de seus descontroles orçamentários. Nem, tampouco, da estagnação econômica e desemprego recorde. Estamos falando de uma crise dos bancos.

A corrida aos depósitos e às aplicações financeiras ainda é relativamente pequena, cerca de  2% dos saldos, mas a  Espanha já perdeu quase 100 bilhões de euros em capitais estrangeiros só no primeiro trimestre deste ano. A situação preocupa, porque já existe um processo de contágio, evoluindo das economias menores para as maiores.

Daí a preocupação dos governantes, conservadores ou não, no sentido de  socorrer prioritariamente  aos bancos. Com esse objetivo, em dois anos, os bancos centrais emitiam mais de 2 trilhões de euros.

Só  não me perguntem o que os bancos fazem com esse dinheiro todo. Ou podem perguntar. Eles especulam. Estão viciados nesse jogo que vai levá-los  para o buraco.

31-05-12

Luta errou, Jobim errou e Gilmar Mendes errou

Nunca omiti, neste blog, que entre o governo petista e o governo  tucano prefiro o primeiro. Porque o PDSB representa um acabrunhado atraso histórico e um atrelamento  caipira e quase beato às teorias  neoliberais.

 Teorias essas que infernizaram a humanidade, com seus paradigmas  sobre a submissão ao Mercado e ao Capital Financeiro. O resultado é está Crise Global tão grave, ou mais, do que a de  1929.

Entretanto, como meu blog não é chapa  branca, nem eu sou cabo eleitoral de quem quer que seja,  nunca poupei o Governo do PT das críticas que julguei necessárias.

Dito isso, quero chamar a atenção para um aspecto jornalístico e, talvez, jurídico que  está sendo  negligenciado pala mídia  e pelos inflamados contendores, nesse  escandaloso Caso Lula x Gilmar Mendes.

Então: Lula errou porque não tinha nada que se meter em uma conversa torta com o Gilmar. Logo com quem e no escritório de quem!  Jobim errou porque não tinha  nada que  ceder seu escritório para esse tipo de conversa.

E errou Gilmar pelos mesmos motivos, com  o agravante de que, ao defender-se, agiu de forma incompatível com a de um membro e ex-presidente do Supremo.  Pode-se mesmo dizer que ele usou de suprema baixaria.  

Mas isso tudo sai na urina. O cerne da questão é o de que, sentindo-se acuado, Gilmar perdeu as estribeiras. E sentiu-se acuado porque embora não tenha viajado para a Alemanha às custas do Cachoeira (Lula atirou no que viu e acertou o que não viu), ele viajou sim para  Goiânia e por duas vezes, às custas do bicheiro. As viagens, em jatos particulares, foram pagas pelo senador Demóstenes, comprovadamente um subalterno de Cachoeira.

 A distância é menor. Goiânia não é Frankfurt. Mas o delito é o mesmo.

19-05-12

O preconceito burro contra Machado de Assis e Jorge Luis Borges

Houve tempo em que era moda execrar  dois dos maiores escritores latino-americanos:  o argentino Jorge Luis Borges e o brasileiro  Machado de Assis. Impôs-se, em nome da luta ideológica, a noção de que ambos eram reacionários e serviriam, quando muito, à leitura fútil  de burgueses alienados.

A luta política recorre inevitavelmente à propaganda que, inevitavelmente, distorce os fatos e exacerba preconceitos. Mas não quero entrar nesta vereda da discussão que nos conduzirá  a um cipoal filosófico-literário.

Vou apenas lembrar que Lênin recomendava a leitura de Balzac (um conservador assumido), porque ele descrevia à perfeição   o mundo de sua época mesclado de nobres e burgueses recém enricados.

Hoje eu queria  apresentar  aos que me lêem o ilustre desconhecido Jorge Luis Borges, pois sei que a quase totalidade dos brasileiros jamais ouviu falar dele. Fomos educados  para virar as costas para nossos vizinhos e macaquear os nomes ilustres da literatura  européia  e norte-americana.

Borges era conservador e afetava ceticismo, mas sua alma inquieta transbordava pelo texto tão absolutamente perfeito como o de Machado. E ao transbordar revelava as angustias de um homem sensível e intelectualmente honesto.

O texto que você lerá abaixo, eu o escolhi ao acaso, numa noite de insônia em que resolvi  reler o velho Borges. São apenas 30 linhas extraídas do conto…

 A Seita dos Trinta:

O Verbo se fez carne para ser homem entre os homens, que o crucificaram e seriam por  Ele redimidos. Nasceu do ventre de uma mulher do povo eleito não só pra pregar  o Amor, ma para sofrer o martírio.

Era preciso que as coisas fossem inesquecíveis. Não bastava a morte de um ser humano pelo ferro ou pela cicuta para ferir a imaginação dos homens até o fim dos dias. O Senhor dispôs os fatos de modo patético. Tal é a explicação da Última Ceia, das palavras de Jesus que pressagiam a entrega, do repetido sinal a um dos discípulos, da bendição do pão e do vinho, dos juramentos de Pedro, da solitária vigília em Getsêmani, do sonho dos doze, da prece humana na Filho, do suor como sangue, das espadas, do beijo que atraiçoa, de Pilatos que lava as mãos, da flagelação, do escárnio, dos espinhos, da púrpura e do cetro de cana, do vinagre com fel, da Cruz no alto da colina, da promessa ao bom ladrão, da terra que treme e das trevas.

A divina misericórdia, a que devo tantas  mercês, permitiu-me descobrir a secreta razão da Seita. Em Kweioth, onde verossimilmente nasceu, perdura um conventículo chamado dos Trinta Dinheiros. Este nome foi o primitivo e nos  dá a chave. Na tragédia da  Cruz – escrevo com a devida reverência – houve atores voluntários e involuntários, todos imprescindíveis, todos fatais.

Involuntários foram os sacerdotes que entregaram os dinheiros da prata, involuntária foi a plebe que escolheu Barrabás, involuntário foi o procurador da Judeia, involuntários foram os romanos que construíram a Cruz de Seu martírio e cravaram os pregos e tiraram a sorte.

Voluntários só houve dois: o Redentor e Judas. Este atirou as trinta peças que eram o preço da salvação das almas e imediatamente se enforcou. Na ocasião contava trinta e três anos, com o  Filho do Homem. A Seita os venera por igual e absolve os demais.

Não há um único culpado; não há um que n ao seja um executor, sabendo ou não, do Plano da Sabedoria. Agora todos compartilham a Glória.

 

 

 

 

02-04-12

A corrupção política é subproduto do Pacto
de Elites que governa o Brasil desde sempre

É inacreditável como a mídia e a burguesia cínico-moralista faz questão de só ver a superfície dos fatos. E segue a novela grotesco moralizadora que corresponde a eleger o bandido da vez  (Sarney, Marcos Valério ou Cachoeira) para ser caçado pela “multidão enfurecida”. Multidão esta que só chia pela Internet e é só sai de casa ou do trabalho para a balada ou para comer o hambúrguer da esquina.

Não ignoro que há momentos em que o dique transborda, quando os limites suportáveis são extrapolados ou há conjunção de fatores negativos na política e a economia. Assim foi no “Diretas Já” e no “Fora Collor”.

No mais, o que há é um besteirol pequeno burguês  explorado pela mídia que sempre viveu disso.

Exemplo perfeito desse besteirol é a declaração de ontem (o1) do renomado jurista Ives Gandra que vê na luta contra corrupção um exercício de cidadania dos trabalhadores.

Suas palavras:

“A classe trabalhadora não sabe bem o que está acontecendo, mas quando ocorre um caso de grande repercussão, é como se jogassem uma luz sobre o que ocorre nos porões do poder. Com casos deste tipo, o povo passa a reagir com passeatas. Assim, os trabalhadores exercem a cidadania”.

A classe trabalhadora execra a corrupção tanto quanto as demais classes, mas diferentemente dos   burguesinhos inocentes ou hipócritas, sabe muito  bem que sua cidadania  não depende apenas do fim da corrupção, mas, principalmente,  de leis que atenuem a exploração do trabalho que  no Brasil. Exploração  esta que resvala no medieval: trabalho infantil,  contratações clandestinas via gatos, terceirizações  ilegais,  condições subumanas   de trabalho, salário mínimo mais baixo do que do Paraguai. E Justiça que, para as classes inferiores, tarda e falta.

É nas greves e não na caça aos Sarneys ou Cachoeiras da vida, que os trabalhadores exercem com eficácia as pressões para a conquista de sua cidadania. Isso o ingênuo Gandra faz questão  de não ver. Se visse, proporia uma greve geral para acabar com corrupção e mobilizar a multidão internética. Mas como burguês perfeito, ele foge da greve como o diabo foge da cruz.

Quanto ao Pacto de Elites, embora seja expressão muito usada ela ainda não está esterilizada. É através dele que desde a Colônia  os dominadores oligarcas massacravam o povo e literalmente misturavam o patrimônio público com o seu próprio  patrimônio particular.

 As primeiras confrontações com esse sistema ocorrem exatamente através das greves de trabalhadores no início do século passado. A essas greves seguiram-se, nos anos 20, os movimentos revolucionários mais abrangentes (no sentido geográfico nacional) como a Coluna Prestes, por exemplo.

Finalmente, a Revolução de 30, apesar de suas ambigüidades, mas impregnada pelo espírito  renovador tenestista, representou o primeiro embate sério  contra as oligarquias predominantemente rurais. Nesse momento altera-se substancialmente a estrutura de poder no País.

De minha parte, torço para que as multidões realmente saiam às ruas e os trabalhadores parem o País. E que disso tudo (a crise institucional que tenho comentado neste blog) surja um Plebiscito ou uma Constituinte que represente um passo  a mais na direção  do Socialismo moderno (não leninista) ou, pelo menos, se criem  condições para a construção de um Estado Nacional mais forte, atuante e soberano. Estado este que inevitavelmente irradiaria sua influencia pela América Latina, a começar pela América do Sul.

Nos anos 30 do Século passado, houve  uma transferência de poder na  Oligarquia Rural para a Burguesia Urbana. Já esta mais do que na hora de realizarmos a transferência de poder da burguesia  para a nova classe trabalhador que, neste Crepúsculo do Capital, adquiriu características que ainda  não foram suficientemente estudadas.

 

 

05-03-12

Serra  pula  na frente. PT corre
atrás do PSB e do Russomanno

Os números da Datafolha divulgados sábado (03) confirmam o que antecipamos na sexta (02) neste blog, quando dissemos que Serra cresceria muito nas pesquisas. De fato, em uma semana, a partir do anúncio de sua candidatura, ele evolui de 21% para 30%.

Entretanto, segundo as previsões de  Carlos Augusto  Montenegro, do IBOP, ele avançará ainda mais, chegando rapidamente aos 35%. A partir daí, Deus dirá.

Celso Russomanno (PRB do bispo Macedo) também saiu bem na foto, 19%. E é o objeto de cobiça do PT, do PSDB e do PMDB.

Com efeito, e como anunciamos aqui há dias, o surpreendente convide para que o senador-pastor Marcelo Crivella, intimo do bispo Macedo, assumisse o Ministério da Pesca, tinha como único alvo arrastar o Russomanno para a trainera do PT. Ele deverá ser o vice do Fernando Haddad.

Russomanno é um espertíssimo populista de direita, da escola do Maluf. No momento, valorizado, ele está conversando com todo mundo. Para o acerto com o PT, são necessárias apenas mais algumas conversas objetivas sobre grana. E grana alta…Para a campanha, é claro.

Quanto ao novato mas aplicado Haddad, ele depende basicamente da intensidade com que o ex-presidente Lula puder envolver-se em sua campanha. Seja como for, crescerá bastante a partir do programa gratuito de TV.

Finalmente, quem desembarca hoje (05) em São Paulo é o governador pernambucano Eduardo Campos, presidente nacional do PSB. Ele vem para enquadrar a direção local do partido que anda de namoro com o José Serra.

Campos recebeu um aviso do Palácio do Planalto, via Gilberto Carvalho secretário-geral da Presidência: a batalha eleitoral paulistana é estratégica e, portanto, não pode ser tratada como uma questão paroquial.

E aí vai meu palpite: Serra continua sendo franco favorito para primeiro turno. No segundo, ele pode virar cavalo paraguaio.

02-03-12

Tucanos paulistas exultam: Serra dispara nas pesquisas

O presidente do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro, habitualmente fornece às Organizações Globo análises sobre tendências eleitorais que incluem projeções e até mesmo antecipações de pesquisas em andamento. Esses dados acabam chegando à direção  do PSDB. A partir daí, ocorrem vazamentos.

E o fato é que os tucanos paulistas estão exultantes com a possibilidade de que já nas próximas pesquisas Serra ultrapasse seu tradicional teto de aprovação do eleitorado, 35%. Talvez bata nos 40%

Curiosamente, esse mesmo eleitorado mantém o ex-presidente Lula num nível de popularidade em torno de  60%, sendo que 52% dos eleitores garantem que votarão em quem ele indicar.

É claro que esses números todos devem ser analisados com cuidado, porque ainda estamos distantes da eleição e, em fases assim, o eleitorado ainda não está determinado na sua escolha. Então, quando é inquirido nas pesquisas, costuma mencionar o primeiro nome que lhe vem à cabeça e que corresponde ao dos candidatos mais conhecidos.

A eleição de Dilma Rousseff ilustra bem isso. Ela iniciou a campanha com apenas 5%, contra 40% do Serra e, no entanto, acabou vencendo.

Entretanto, o PT, no caso específico de São Paulo, trabalha em cima de duas contradições de difícil solução.

A primeira é a de acusar Serra de neolacerdismo retrogrado e, ao mesmo tempo, calibrar o discurso no sentido de conquistar o voto de pelo menos parte  do eleitorado neolacerdista. 

A segunda contradição é a de que candidatos como Gabriel Chalita (PMDB) e Celso Russomanno (PRB do bispo Macedo), em princípio colhem seus votos na mesma faixa eleitoral do Serra. Nesse caso, mantê-los no páreo seria a garantia de Serra não venceria já no primeiro turno.

Isto, porém, não é garantia de que Haddad chegará  ao segundo turno. Sendo assim, os petistas, estão realizando dois movimentos paralelos. De um lado, estimulam a permanência de Chalita, embora com a perspectiva de esvaziá-lo mais na lá frente. De outro lado, tentam, a todo custo, remover a candidatura de Russomanno.

Isso porque Chalita é um conservador típico de classe média e realmente furta muitos votos de Serra. Já o Russomanno é um conservador popular ou, mais precisamente, é o típico populista de direita. Nesse caso, ele subtrairia preciosos votos do Haddad nas periferias das classes menos favorecidas.

E isso explica porque Dilma e Lula jogaram tão rápido e pesado. Com a nomeação, para o Ministério da Pesca, do senador-bispo Marcelo Crivella, íntimo do bispo Macedo, eles esperam ter “comprado” a Candidatura Russomanno.

Como subproduto, a nomeação de Crivella serve para pacificar a Bancada Evangélica no Congresso que anda ouriçada ultimamente. Mas o objetivo central e premente (por causa do ingresso de Serra na parada) é o de capturar Russomanno.

 Aliás, é possível que ele venha a ser o vice Haddad, embora,  hoje (o2) esteja conversando com Chalita o que é sitoma de que sua candidatua já balançou.

De qualquer forma, tudo isso era tão urgente que a presidenta largou todos seus compromissos oficiais em Brasília e voou para São Paulo, ontem à tarde, para fazer um balanço da situação com Lula.

Serra, a revanche

Entretanto, meus queridos, a história não termina aqui. É preciso lembrar, ainda, que José Serra , mais do que nunca candidato à Presidência daqui a dois anos, prepara sua revanche contra Aécio Neves.

O tucano paulista jamais perdoou a “traição” do então governador Aécio Neves que, nas eleições presidenciais de 2010, fez corpo mole ou chegou mesmo a trabalhar contra sua candidatura. Agora Serra avança com seu projeto presidencial dentro ou fora de seu partido.

Há muito tempo ele já fez um trato, nesse sentido, com seu fiel escudeiro, Roberto Freire, presidente nacional do PPS. Por esse trato, Serra sairia candidato pelo partido do amigo, se for rejeitado pelo PSDB.

Para se ter uma idéia do ódio reinante nas relações entre Serra e Aécio, basta ler a entrevista publicada hoje (02) pela Folha de S. Paulo, onde o presidente nacional do PT, Rui Falcão, revela uma inconfidência do prefeito Gilberto Kassab.

Há dois meses, quando não imaginava que Serra seria candidato a prefeito, Kassab confidenciou para a cúpula petista que se tivesse que escolher entre Dilma e Aécio, numa eleição, Serra, apoiaria a presidenta.

A matéria abaixo dá  continuidade às informações desta.

 

 

 

29-02-12

José Serra  lança  candidatura  a  prefeito
com discurso de candidato à Presidência

Em um dos últimos textos sobre a novela  da candidatura  de José Serra eu disse ”o Aécio que se cuide”, querendo dizer com isso que o tucano paulista não desistiu, nem desistirá de seu sonho presidencial.

Ontem, ao lançar oficialmente sua candidatura à prefeitura de São Paulo, Serra fez um discurso de candidato à Presidência. A mídia tucana fingiu que não viu e  deu preferência às minudências sobre um certo desconforto criado pelo candidato, no Diretório paulista do PSDB.

O deputado José Aníbal, secretário estadual de Minas e Energia, ficou realmente na bronca,  porque, há semanas, vinha se dedicando à sua pré-candidatura, agora atropelada pelo Serra.

Mas, embora seja um antigo dirigente tucano, Aníbal, em termos de povão, é um ilustre desconhecido e, dentro de quinze ou vinte dias, ninguém falará mais dele e de suas frustrações Vamos, pois, ao que interessa.

Embora tenha afirmado internamente aos membros do Diretório Estadual que ficará quatro anos na prefeitura, Serra foi ambíguo no discurso para o público, como demonstra esta frase  chave:.”Aprendi ao logo da vida pública que os políticos são escravos das circunstâncias, da conjuntura”. Por isso, digo eu, devemos concluir que os homens púbicos não devem dizer “desta água  não beberei”.

Mas onde ele caprichou foi exatamente nos trechos que a mídia, curiosamente, procurou esconder. Selecionamos as frases mais significativas:

“Diante da ameaça de implantação da hegemonia de um único partido, quero lembrar que venho de uma eleição onde obtivemos 44 milhões de votos e vencemos  em onze Estados”.

E mais:

“Temos uma visão distinta dos problemas nacionais. Uma visão distinta sobre os Direitos Humanos. Uma visão distinta sobre a Democracia e sobre os Valores Republicanos.

Some-se a isso tudo, o fato concreto de que Serra representa muito mais do Aécio Neves, o verdadeiro espírito oposicionista ou anti-lulista e que encarnou nele como uma espécie de neolacerdismo.

Seja como for, o ex-governador mineiro ainda  não encontrou um discurso adequando para quem é considerado o candidato natural do  PSDB à Presidência, em 2014.

E além do mais, se  o leitor  quiser fazer um exercício de raciocínio isento, talvez coclua que  boa parte do próprio eleitorado do Serra poderá, daqui a dois anos, convocá-lo para  mais uma aventura presidencialista.

Te cuida Aécio.

A matéria abaixo dá continuidade às inforações desta.

25-02-12

 

 

O duelo em São Paulo será entre Serra e Lula

Com a entrada de José Serra na disputa pela prefeitura de São Paulo, alguns analistas superficiais já imaginam que o PT deveria tentar retirar do páreo o Gabriel Chalita, candidato do PMDB e natural aliado de Fernando Hadadd, no primeiro turno e no segundo.

 Há ai uma dupla bobagem. A primeira é a de ignorar que o PT não manda no PMDB, nem muito menos no Chalita, um ex-tucano. A segunda é a de não perceber que, na verdade, ao PT  pode interessar a permanência de Chalita na disputa, porque ele obtém seus votos na mesma faixa eleitoral de José Serra. Ou seja, retira mais votos do tucano do que do petista.

Sendo assim, a permanência de Chalita é a garantia de que haverá segundo turno. Fora isso, o verdadeiro confronto será entre o ex-governador tucano e o ex-presidente Lula que, aliás, só descartou a ex-prefeita Marta Suplicy para lançar Hadadd, porque, como todos, supunha que Serra não disputaria a eleição.

Agora Lula terá que fazer valer sua enorme popularidade. As últimas pesquisas revelam que, mesmo na Capital, 53% do eleitorado votará em quem ele indicar.

De seu lado, José Serra está jogando sua última cartada. Se perder, talvez tenha que pendurar  as chuteiras. Mas, se vencer, Aécio Neves que se cuide. Além de possuir um cacife de quase 50 milhões de votos, Serra encarna muito mais  o espírito oposicionista do que o mineiro. Aécio, aliás, ainda não conseguiu encaixar um discurso adequado para quem é considerado o virtual candidato das Oposições à sucessão de Dilma Rousseff.

 

 

 

24-02-12

Candidatura de Serra divide PSDB paulista e aliados

Já vimos a forma arrogante e egoísta  com que José Serra “atravessou” o enredo das eleições  para a prefeitura de São Paulo, humilhando os quatro pré-candidatos de seu partido. Candidatos estes que foram “convidados” a se retirar para dar passagem à vedete da Escola.

Agora, sem anunciar formalmente sua candidatura, Serra já cria constrangimento e eventual divisão em seu principal aliado paulista, o PPS, dirigido por seu fiel escudeiro, Roberto Freire. Como, por enquanto, só tem o apoio do esfacelado DEM, o ex-presidenciável, tenta armar uma coligação partidária, já que o PSD de seu afilhado Gilberto Kassab reluta em lhe dar apoio formal.

E Serra sabe que a chamada chapa puro sangue (candidatos a prefeito e a vice  do mesmo partido) é um convite à derrota.

Vai daí que o tucano procurou Freire para saber se podia contar com seu apoio. Freire não disse não, mas lembrou que seu partido já lançou a candidatura de Soninha Francine e agora “precisa descalçar essa bota”.

Oficialmente, para não melindrar sua candidata, o PPS paulista informa que “não pretende  se alinhar automaticamente” a uma chapa encabeçada pelo tucano. Freire explica: “Eu disse ao próprio Serra que o PPS está firme na candidatura de Soninha. Não se pode abandonar. De repente, um projeto político”.

Mas todos sabem que Freire fará, obediente, tudo o que Serra mandar. Há dois anos, ele  estava ameaçado de sofrer uma eventual derrota eleitoral  em Pernambuco,  sua terra natal. Então, o tucano o convenceu a transferir seu titulo para São Paulo e, como governador, jogou pesado para o eleger deputado com cerca de 120 mil votos.

Censura

Enquanto isso, o site Sua Metrópole, criado pelo PSDB de São Paulo, retirou da página um vídeo em que uma militante do partido chama Serra de palhaço: “Prévias nós queremos. Está mais do que claro que maturidades nós também temos. Quem não tem maturidade é José Serra. Ele é que está sendo palhaço, ele é que está brincando com a gente”, afirma na gravação a militante do PSDB do bairro de Indianápolis, Catarina Rossi.

Catarina critica o fato de  José Serra ter revelado sua possível intenção de se candidatar à prefeitura de São Paulo, quando já estava na reta final a campanha pelas previas partidárias, envolvendo  quatro candidatos:  Andrea Matarazzo, secretário estadual de Cultura, Bruno Covas, secretário estadual de Meio Ambiente, José Aníbal, secretário estadual de Energia, e Ricardo Tripoli, deputado federal.

20-02-12

PT prepara-se pra encarar Serra de novo

Falta pouco para José Serra decidir candidatar-se à prefeitura de São Paulo. Na verdade, ele só precisa que o governador Geraldo Alckmin descasque para ele o abacaxi das prévias partidárias, marcadas para o próximo dia 4.

A cúpula e a militância do PSDB paulista estão divididas. Mas a maioria, embora respeite a capacidade eleitoral de Serra, sente-se incomodada e até ofendida com a forma arrogante e egoísta com que o candidato encaminhou o assunto. Seu recado foi simples e direto: posso ser candidato, mas não vou participar de prévia nenhuma.

Em Buenos Aires, Serra passou o carnaval em meditação e em conchavos com Andrea Matarazzo, secretário de Cultura do Estado e o único pré-candidato tucano disposto a renunciar em seu favor. Se o os tucanos resolverem lançar uma chapa pura, Andrea poderá ser o vice. A chapa pura é uma saída para o veto do DEM, tradicional aliado do PSDB, a um acordo  no qual o prefeito Gilberto Kassab indicasse o outro nome da chapa.

Kassab até agradece esse veto, porque o desobriga de apoiar formal e ostensivamente a candidatura de seu padrinho Serra, podendo assim continuar flertando com o PT, partido com o qual já se aliou em vários municípios importantes do Estado.

Entretanto, pelo menos dois pré-candidatos, José Aníbal, secretário estadual de Minas e Energia e ex-líder do PDDB na Câmara dos Deputados, bem como Bruno Covas, secretário estadual de Meio Ambiente, já declararam que se escolhidos nas prévias não renunciarão às suas candidaturas. 

Assim, Alckmin e Serra terão que participar indiretamente das eleições internas, descarregando votos em Matarazzo. Ou seja: o partido já sai dividido e mal humorado do episódio.

Para Serra, porém, a principal preocupação é traçar um discurso que atenue a forte rejeição que ele sofre por parte importante eleitorado, fato que é comum aos políticos mais antigos. E, mesmo assim, ninguém pode nega que ele tem um bom retrospecto: derrotou duas vezes a ex-prefeita Marta Suplicy e uma vez (na eleição para o governo do Estado) o ministro Aloizio Mercadante.

Seja como for, o principal prejudicado com a entrada de Serra no páreo é o candidato do PMDB, Gabriel Chalita, um ex-tucano que desfrutava da posição cômoda de ser herdeiro natural dos votos conservadores de Serra, sem precisar confrontar com o candidato do PT.

De seu lado, o PT paulistano, orientado por Lula e pelo Palácio do Planalto, tentará reinventar seu discurso, aproximando-se dos setores conservadores inclusive os evangélicos. Que Deus seja piedoso.

Mas a grande novidade e o principal trunfo petista é que, pela primeira vez, o prestigio de Lula na Capital atingiu a maioria absoluta: 53% do eleitorado paulistano, segundo as mais recentes pesquisas, diz que votará em quem o ex-presidente indicar.

A Batalha Eleitoral de São Paulo promete. Ela poderá assinalar a recuperação do persistente Serra, com todo o seu ranço neolacerdista, como pode representar o início do fim da longa hegemonia tucana na cidade e no Estado.

A matéria abaixo dá  sequência às informaçeõs desta.

                                                                      

 

 

19-02-12

O Bloco dos Desunidos

José Serra depende de duas variáveis para ser candidato à prefeitura de São Paulo: o apoio  do prefeito Gilberto Kassab e a anulação das prévias do PSDB paulista marcadas para o próximo dia 4, justamente para escolher o candidato do partido.

Sempre sinuoso, o ex-presidenciável nunca confirma, em público, o que declara ou acerta nos bastidores, deixando seus interlocutores de saia justa. E é de saia justa que o governador Geraldo Alckmin está passando o Carnaval.

 Depois de ter garantido que não conversara com Serra sobre a sucessão municipal, tentou cumprir a exigência do ex-presidenciável pelo cancelamento das prévias. Entretanto, diante da chiadeira geral dos quatro pré candidatos e de parte da militância tucana, o governador, garantiu que as prévias seriam mantidas.

Agora, quase em desespero, Alckmin diz que continuará, durante o Carnaval, mantendo com Serra a conversa que ele disse que não houve.

Seja como for, todo esse imbróglio facilita a vida de Kassab, que está louco para ingressar logo na Base de apoio ao Governo Federal, mas, mesmo sendo um exímio cara de pau, sabe que pegaria muito mal não apoiar Serra, seu inventor e padrinho.

O prefeito tem o pretexto ideal: não pode entrar numa parada onde nem os tucanos se entendem. E, além disso, como ele tem dito, não se deve perder o tempo da bola e chegar atrasado na jogada, o que parecer ser o que Serra está fazendo.

No resumo abaixo do noticiário (de hoje – 19) dos jornais dá para ver com clareza a saia justa do governador:

“O governador de São Paulo Geraldo Alckmin pediu a seus aliados políticos que fiquem na cidade durante o feriado e disse que encontraria com José Serra para discutir a possível candidatura do tucano à Prefeitura de São Paulo. No último fim de semana, Serra deixou claro que só participaria da disputa municipal se o governador assegurasse a unidade do PSDB e desarmasse as prévias, marcadas para o dia 4 de março. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

Em meio a notícias de que Serra disputaria as eleições, os quatro pré-candidatos tucanos reafirmaram a disposição de manter a seleção interna. O secretário da Cultura, Andrea Matarazzo, um dos inscritos para a seleção, qualificou como ofensa ao partido e as seus militantes a possível anulação do processo interno. Já o secretário de Meio Ambiente, Bruno Covas, falou que seria um desrespeito aos que irão votar se, após as prévias, o vencedor abrir mão da candidatura a favor de Serra.”

A matéria abaixo dá continuidade às informações desta.

 17-02-12

Serra: finalmente um nome que divide

Quem conhece os bastidores da política, sabe que José Serra joga pesado e, não raro, joga sujo contra adversários de outros partidos, bem como contra seus concorrentes dentro de seu próprio partido. Disso resulta que, ao longo de sua importante trajetória na vida pública, ele  mais  desuniu do que uniu.

É fácil constatar isso na luta de vida e morte que ela mantém, no âmbito  nacional do PSDB, contra o ex-governador mineiro Aécio Neves. E, no nível do Diretório paulista, não é menos ferrenha sua disputa contra seu inimigo íntimo, o governador Geraldo Alckmin.

Agora, no entanto, o nosso bom Serra se superou e consegui dividir o PSDB paulista de alto a  baixo, da cúpula à minguada militância de rua, passando pelos escalões intermediários. Uma parte lança manifestos, como foi o caso dos deputados estaduais, defendendo a eliminação das prévias partidárias, para possibilitar que Serra seja candidato à Prefeitura de São Paulo sem se submeter a este incômodo.

Outra parte, porém, quer a manutenção das prévias, a começar pelos quatro pré-candidatos que há meses, disciplinadamente, vêm fazendo campanha para ser o escolhido na eleição interna, marcada para o dia 4 de Março.

 E, além deles, um grupo de militantes (uma centena deles) reuniu-se ontem (16) na sede do partido, para protestar contra o cancelamento das prévias, ”um símbolo da democracia interna”. E arremataram: ”O Serra, se quiser, que participe da disputa, porque ele não é nenhum Deus ilustre”.

Como resultado, o governador Geraldo Alckmin que havia estimulado a manifestação contra as prévias, sempre atrapalhado, veio a público, ontem (16) para garantir que as eleições internas serão mantidas.

Para culminar, Gilberto Kassab, a principal invenção de Serra, também está intimamente dividido. E ora diz que jamais abandonará seu padrinho e inventor, ora garante que está fechado com o PT e não abre.

E como desgraça pouca é bobagem, a imprensa, que geralmente apóia Serra, também está dividida e contraditória em relação às suas últimas peripécias políticas. Eis que hoje (17), o Globo diz que Kassab está abandoado seu amigo dileto, enquanto, a Folha, também hoje, garante que o prefeito está firme com seu padrinho.

Veja, abaixo, a transcrição  do noticiário:

1. (Globo, 17)  Kassab já descarta apoiar candidatura de Serra em SP. Interlocutores do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, confirmaram nesta quinta-feira, em conversas reservadas, o que parte do tucanato já desconfia: o fundador e presidente do PSD não tem mais como apoiar uma eventual candidatura do ex-governador José Serra à prefeitura paulistana.

2. (Folha de SP, 17) Kassab diz ao PT que Serra deve disputar eleição com seu apoio. Prefeito afirma que tucano faz últimas consultas para se lançar em SP; aviso frustra aliança de PSD com Haddad. O aviso frustra a articulação costurada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o prefeito se aliar ao petista Fernando Haddad e indicar o vice de sua chapa.  Kassab informou aos petistas que Serra se curvou às pressões do tucanato e está fazendo as últimas consultas antes de formalizar a sua entrada na disputa.

A matéria abaixo dá sequência às inforações desta.

14-02-12

Olha o Serra de novo aí, gente!

Os tucanos paulistas levaram semanas para perceber ou acreditar que era para valer o namoro entre o ex-presidente Lula e o prefeito paulistano Gilberto Kassab. Agora, esbaforidos, correm atrás do prejuízo, ou seja: do José Serra.

Serra, como é de seu  hábito, já disse cem vezes  que  não é candidato. Isso  em público. Mas  na sua última conversa como o governador Geraldo Alckmin, há dois dias, deixou dúvidas no ar.

Para ele é interessante aparecer como o Salvador da Pátria. Sem exercer nenhum cargo importante no Executivo ou no partido, luta para evitar o ostracismo, procurando ocupar um espaço mínimo na mídia, nos próximos três anos.

É pequena a probabilidade da  candidatura a prefeito, porque ele sabe que sofre de uma grande rejeição por parte  ponderável do eleitorado, cerca de 35%.  Então, uma  derrota para  novatos como  Gabriel Chalita (PMDB) ou Fernando Haddad (PT), seria o fim de sua carreira.

Na verdade, Serra, já traçou seu projeto, que é maior que um simples Plano B: vai ficar infernizando a vida  do Alckmin e do Aécio Neves até o início de 2014. Então, se resolver ser candidato à presidência mais uma vez, desliga-se do PSDB e filia-se ao PPS de seu fiel escudeiro Roberto Freire.

Já Alckmin, lerdo como sempre, acreditava estar fazendo um ótimo negócio  ao promover  a ridícula novela das prévias do partido, envolvendo quatro candidatos muito fracos e cada vez mais desgastados. Na verdade, ele apostava em uma vitória tranqüila de seu amigo pessoal,  Gabriel Chalita, o que  o deixaria em uma situação confortável em 2014.

Chalita foi seu secretário de Educação e, como ele, é prestigiado pelos movimentos  radicais carismáticos da Igreja Católica.

O fato concreto é que a aliança do PT com o PSD do indizível  Gilberto  Kassab (ver matéria  na coluna Coisas da Política deste blog) por mais extravagante que seja, pode realmente viabilizar a candidatura de  Fernando Haddad.

A esperança dos tucanos é a de que com o ingresso de Serra no páreo, Kassab cumpra a  promessa de que o apoiaria. Mas o prefeito que é malandro rasteiro, mas não é criança, já avisou que “decisão atrasada é decisão inválida”. Ou seja: ele não vai cair nos braços de Serra automaticamente.

Sobre o mesmo tema, leia mais na coluna Coisas da Política.

01-02-12

O jeito Dilma e petista de fritar ministros

Digamos que metade do que se diz sobre o ministro Mário Negromonte, das Cidades, seja  verdade. Seria o suficiente para sua demissão sumária. Mas Dilma Rousseff, com  certa cobertura do PT, prefere  o caminho tortuoso da fritura lenta e dolorida. Uma tortura.  E é curioso verificar como os ministros defenestrados  sangram como cordeiros, sem um berro.   E seguem apoiando o governo.

Eu disse que a presidenta prefere o método tortuoso, mas talvez fosse mais correto dizer que ela não tem alternativa. É constrangida pela famosa governabilidade. Uma gigantesca maioria de partidos de vários matizes ideológicos que se unem num colar fisiológico para dar sustentação ao governo.

 No caso do PP a extravagância é ainda maior porque esse  partido e a antiga ARENA sem tirar nem por. Um sigla dirigida pelo inefável senador  Francisco Dornelles (RJ) que  no apagar das luzes de 2010, colocou duas  vírgulas e três palavras na Lei da Ficha Limpa que estava sendo votada.

 Isso foi suficiente para  estabelecer tremenda confusão sobre a data inicial de vigência da Lei. Até hoje o Supremo está abarrotado de processos sobre esta questão.

 E Dornelles fez isso com o propósito de salvar seu amigo e sócio Paulo Maluf, essa nefanda figura criada pela Ditadura. Enfim, um bandido político sob qualquer ângulo que se olhe.

 Para completar, o PP é o partido de Jair Bolsonaro que agride o governo a cada passo e  insulta a Nação com suas declarações fascistas e preconceituosas.

Não seria o caso de o Governo dispensar o apoio de um partido desse tipo?  Seria uma forma  de demarcar minimamente o que é Governo e o que é Oposição neste País. Mas é claro que Dilma e o PT nem sonham em fazer isso. Mesmo tendo uma maioria folgada, não querem perder os votos dos 42 deputados e cinco senadores da sigla malufista.

 14-01-12

Só Serra pode salvar tucanos em São Paulo

Há  um mês, os líderes tucanos paulistas mais fieis a José Serra, consideravam um acinte e um golpe baixo as tentativas de empurrá-lo para uma candidatura à Prefeitura de São Paulo.

Homens como Alberto Goldman, seu vice no Governo do Estado  e Aloysio Nunes Ferreira,  senador recém eleito com mais de dez milhões  de votos, diziam que Aécio Neves e Geraldo Alckmin pretendiam confinar Serra na Prefeitura, para não tê-lo como concorrente nas eleições para a presidência e para o governo do Estado, em 2014.

Agora, deu um revertério geral e todos, inclusive  Goldman e Aloysio,  querem que Serra seja candidato. E isso, por uma razão simples: sem ele o PSD pode levar uma surra histórica na Capital paulista, até bem pouco tempo  um de seus mais importantes redutos eleitorais.

Os números implacáveis do IBOP revelam que os quatro pré-candidatos tucanos não têm  praticamente nenhuma chance, mesmo que contassem com o apoio do prefeito Gilberto  Kassab que também anda mal nas pesquisas. O mais bem posicionado (com 6%) é Bruno Covas, neto do ex-governado. Por enquanto ele é apenas uma promessa e um sobrenome. Os outros, Andrea Matarazzo, José Aníbal e Ricardo Trípoli, não chegam aos 3%.

Kassab, fisiológico assumido e fundador do PSD que, por ironia, vai melhor das pernas do que ele, não tem nenhum caráter, se estamos falando estritamente de política. Oferece-se para Deus e o Mundo e acaba de propor ao ex-presidente Lula que o PSD  indique o vice de Fernando Haddad, o candidato petista.

O PT paulista, sempre cheio de dengo e não me toques, rejeita essa proposta, posto que é totalmente avesso a Kassab, uma cria de Maluf  turbinada por Serra. Mas Lula não diz nem  que sim, nem que não. Vai cozinhando o galo. Na verdade, ele montou um esquema mediante o qual se não der Fernando Haddad, há boas chances de dar Gabriel Chalita (PMDB) com o apoio do PT no segundo turno.

A matéria abaixo dá sequencia ao raciocínio desta.

 

 

 

 

29-12-11
Segura o PMDB!

Lula e Chalita. Toma lá da cá!

Há meses o ex-presidente Lula vem defendendo a noção de que as eleições municipais do próximo ano, devem ser aproveitadas para garantir, desde já, a manutenção da aliança PT/PMDB, visando a reeleição da presidenta Dilma em 2014 e uma vitória sobre os tucanos, nesse mesmo ano, em alguns estados importantes, a começar por São Paulo.
Inicialmente a maioria das bases petistas locais torceu o nariz e não entendeu ou fingiu não entender a estratégia do Lula. É natural que vaidades e interesses pessoais predominem nas decisões políticas.
Mas Lula insistiu e a própria dinâmica dos fatos mostrou que ele tinha razão. O resultado é que finalmente as principais correntes do PT aderiram à tese do ex-presidente. Sendo assim, nas capitais e nos municípios com mais de 150 mil eleitores, o PT deverá estudar (cada caso é um caso) a possibilidade de dar preferência a um candidato do PMDB, desde que, é caro, haja promessa de reciprocidade em 2014.
Vejamos o exemplo das duas principais cidades do País: Em São Paulo, Lula impôs um candidato, Fernando Haddad que se não chega ser inviável é pouco provável. A própria candidata natural do partido, Marta Suplicy, aborrecida, chegou a dizer a respeito do ministro da Educação: “Se é para perder, é um bom candidato”.
Seja como for, quem é do ramo aposta que Haddad chegará no final do primeiro turno atrás do candidato peemedebista (ex-tucano) Gabriel Chalita que é mais conhecido e possui maior desenvoltura no palanque. Além disso, vai “roubar” os votos da parte da classe média que votaria em José Serra.
Então, vamos recordar que (como este blog informou) há três meses, Lula reuniu-se com Chalita e com seu padrinho, o vice-presidente Michel Temer e propôs, assim na lata: No segundo turno nós apoiamos vocês, mas em 2014 vocês nos apóiam para o governo do Estado. OK?
Temer e Chalita balançaram a cabeça afirmativamente.
No Rio, a situação é semelhante. Embora possuam candidatos de bom nível, os petistas locais foram praticamente obrigados a engolir o apoio à reeleição do atual prefeito peemedebista, também ex-tucano, Eduardo Paes. Ele pode ser definido como uma versão atualizada e light de Carlos Lacerda, com sua mania de choque de ordem e higienização (com valorização imobiliária) das partes deterioradas da cidade, onde vivem os pobres sobrantes.
Aqui também, tanto Paes como seu padrinho, o governador Sérgio Cabral, comprometem-se a apoiar, em 2014, um candidato petista ao governo do Estado, provavelmente o meteórico Lindberg Farias.
Na coluna Última Hora, deste blog, você verá, como Aécio Neves, também visando 2014, tenta desmanchar o casamento PT/PMDB.

Dilma  não entregará  a  cabeça

de Pimentel à pressão da mídia

10-12-11 atualizado em 13-12-11

Nesta segunda-feira (12), a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, declarou que  Pimentel está totalmente pestigiando pela presidente Dilma Rousseff, tanto que viajou com ela na  importante viagem à  Buenos Aires, no fim de semana.

Ainda ontem, o minstro dos Esportes, Aldo Rebelo,  enfatizou, sem ser solicitado, que não há nada que desabone a ação política e pessoal de Pimentel que merece a confiaça da presidenta e de seus colegas  de Ministério.

 Outros  ministros e líderes da base aliada, deverão fazer  pronunciamentos dessa dieção, o que revela o impenho pessoal de Dilma Rousseff em preservar Pimentel, seu intimo colaborador político e amigo pessoal. E tudo isso confirma as informações  deste blog  fornecidadas dia 10, conforme texto abaixo.

Texto de 10-12-11

“Resista. Quando ministra também fui  vítima de denúncias falsas e resisti”. Com essas palavras  (na verdade uma ordem), dirigidas a  Fernando Pimentel e divulgadas na sexta-feira (09) à noite,  pelo próprio pessoal do Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff definiu posição em relação ao ministro da Indústria e Comércio que, aliás, viajou com ela para Buenos Aires ontem, sábado(10), onde  assistiram  a posse da reeleita presidenta Cristina F. Kirchner.

Portanto,  no que depender na presidenta (e isso não é pouco) Pimentel não passará pelo processo de fritura que vitimou, até aqui, sete ministros acusados de deslizes administrativos ou corrupção brava mesmo.

 Entrementes, preocupada em fritar e escalar ministros no lugar da presidente, a mídia seguiu, ainda na sexta-feira pressionando  Pimentel e tentando  atirá-lo à  frigideira.

Especulativos, os grandes jornais  online e as rádios do tipo CBN destacaram o fato de  Pimentel  ter despachado com a presidenta duas vezes, quinta-feira (08) à tarde. Uma às 16 hs,  com vários outros ministros e uma sozinho, meia hora antes. Insinuou-se que  na reunião isolada, Dilma,  exigira explicações sobre as denúncias.

A  reunião com vários ministros e  funcionários fazia parte dos preparativos da viagem a Buenos Aires.  Na reunião  com  Pimentel  ela deu orientações sobre o acordo automotivo com a Argentina, um tema específico e vital para os dois países. Além disso, durante  o despacho, havia outras pessoas, assessores, etc. Não foi, portanto,  uma reunião particular, daquelas onde são discutidos assuntos  políticos delicados.

Paralelamente, ainda na quinta-feira, colaboradores próximos à presidenta  passaram a informação  em off de que o Governo, não vê razões para  o afastamento  do Ministro, nem necessidade de solicitar mais esclarecimentos. Vê-se, desde logo, que o tratamento dado a Pimentel é bem diferente  do dispensado  aos seus colegas que acabaram fritados.

O que a mídia não informou  de forma articulada aos seus leitores  é que a reunião para “tratar do Affaire Pimentel” realizara-se  terça–feira à tarde no Hotel Transamérica em São Paulo. Foi quando  Dilma Rousseff tratou do assunto como ex-presidente  Lula, trancados em uma suíte. Como na mesma hora Pimentel  também estava no hotel para participar de outro evento, especulou-se que ele  teria participado da reunião.

Seja como for, é possível  informar com precisão que Lula apóia cem por cento a permanência de Pimentel. Ele só quis  informações minuciosas sobre o caso e quer ser  informado de todos os desdobramentos, para não ser surpreendido pelo noticiário da imprensa.

Os Segredos de Polichinelo

 E aqui tocamos na medula da questão:  Para isso é preciso  penetrar sem hipocrisias num segredo de Polichinelo. Aquele que nos diz que todos esses casos de consultorias, prestada a  empresas milionários por políticos recém saídos ou  em  vias de entrar no Governo, é uma prática corriqueira utilizada por todos  (eu disse todos) os partidos  e dizem respeito  à obtenção de dinheiro para a campanha.

 Não há como demonstrar que  Pimentel  repassou parte de seus vencimentos de consultor para a campanha do partido. E se ele fez o isso, o fez com dinheiro seu e legalmente obtido.

Isto não tem nada as ver com outras formas de obtenção de dinheiro para a campanha e praticados por todos (eu disse todos) os partidos. Formas estas que invariavelmente passam pela famosa Caixa 2 que guarda os recursos de origem escusa ou duvidosa.

Os Mensalões do PT do PSDB

O próprio escândalo  do Mensalão (um nome  tecnicamente  inapropriado, mas que colou  ao ser usado pelo escroque  Roberto Jefferson, um corrupto confesso) teve origem nesse  tipo de fraude, a do financiamento via Caixa 2.

Reparem  que o “empresário Marcos Valério, o pivô do Mensalão Petista é o mesmo veterano pivô do Mensação Tucano que envolveu o então  governador de Minas Eduardo Azeredo (PSDB), alguns anos antes.

E é curioso  que  Valério tenha sido preso agora  por crimes de grilagem e lavagem de dinheiro praticados há dez anos  Ou seja: ao tempo em que era mensaleiro tucano.

 Outro Segredo de Polichinelo indica que  desde a Constituinte de 1988, quando houve exorbitante proliferação de partidos,  ninguém governa este País a menos que, literalmente, compre algo como  quatrocentos senadores e deputados corruptos ou fisiológicos.

Foi assim com Lula, está sendo assim com Dilma e foi exatamente assim, m 1997, quando FHC comprou  deputados isolados ou em lotes, para  alterar a Constituição e possibilitar sua reeleição.

 Desse episódio,  há varias confissões, inclusive gravadas, como as dos  deputados Ronifon Santiago  e João Maia do  PFL (AC) que  admitiram ter recebido 200 mil reais das mãos do governador  do Amazonas, Amazonino Mendes. A cota do governador era de 16 deputados. E o dinheiro,  segundo  João Maia, foi fornecido pelo então ministro das Comunicações, Sérgio Motta.

A mídia poderia explicar isso a seus incautos leitores. Mas não o faz porque além  de ser parcial, sua  missão é justamente a de manter sua clientela no tradicional e santo analfabetismo político.

Como resultado, ao invés de lutar por uma Constituinte e  o financiamento público das campanhas, os  instrumentos realmente necessários  para moralizar o quadro político arruinado, os desorientados militantes de  classe média insistem em marchar, vassouras ao ombro, para defende uma faxina superficial. E não notam que faxina que não varre banqueiro é  mera enrolação.

Entretanto,  Pimenta fica. Não será fritado como os outros.  E fica porque seu deslize é pequeno  se  comparado aos dos outros. Mas fica, sobretudo, porque ele é o único ministro escolhido pela própria presidenta, sem nenhuma  injunção.

Na verdade, ninguém no Ministério é tão amigo de Dilma Rousseff quanto ele. Uma amizade de mais de 40 anos, iniciada nos tempos dolorosos da luta armada contra a Ditadura. Ela com 23 anos ele com apenas 17. Desde então ela o protege como irmã mais velha.

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06-12-11

Dilma anda pensando em Ciro Gomes

Com a economia alcançando seu ponto crítico (estagnação no 3º trimestre, como revelam dados divulgados esta manhã pelo IBGE) Dilma Rousseff está apostando na reforma ministerial de janeiro, para dar uma nova cara e um novo ritmo ao seu governo.

Na avaliação do Planalto o atual ministério é um desastre e não apenas pelos deslizes que  obrigam a presidenta a viver em regime de faxina permanente, mas porque é medíocre e apático, sonolento mesmo.

 Salvam-se, segundo esta avaliação, os ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, Alexandre Padilha da Saúde,  Paulo Bernardo, das Comunicações, Guido Mantega, da Fazenda e  Edison Lobão, das Minas e Energia.

 Os três primeiros, porque são dinâmicos, atuantes e aparecem sempre bem na foto. O Lobão porque é uma raposa velha,  tem jogo de  cintura, faz tudo  o que ela quer e do jeito que ela quer. Já o Mantega é bem quisto porque é esforçado e obediente.

Mas, segundo os marqueteiros, sempre consultados, falta ao governo um  certo elã desenvolvimentista. Na  expressão de um deles, o “Governo está mais para Jânio do que para JK”.

Falta aquela liderança carismática que estimula os empresários e dá segurança aos consumidores. Dilma foi aconselhada a falar mais e sorrir mais (ela até que se esforça nisso)  e passe  a idéia de que  há um grande projeto nacional, bem concatenado e  em  andamento acelerado.

E então, às vésperas da reforma ministerial de janeiro, a presidenta  votou a pensar em Ciro Gomes, apesar do imbróglio  criado pelo ex-governador cearense, durante a construção do atual ministério, há pouco mais de um ano. Ninguém sabia se ele queria realmente ser ministro e que pasta desejava.

Esses problemas, entretanto, já foram esquecidos e a convocação de Ciro viria a calhar, no momento em que o presidente nacional do PSB, governador Eduardo Campos (PE) lança  ostensivamente sua  candidatura à presidência da República em 2014. Ciro, que é filiado ao PSB, seria um obstáculo  às pretensões de Campos, na medida em que também é candidato e fez questão de dizer isso, na semana passada.

28-11-11

Dilma decidida a diminuir
o número  de  Ministérios

Dilma Rousseff e seus principais assessores diretos insistem monótona e cansativamente com todos os seus interlocutores políticos sobre a necessidade de economizar, “cortar na carne” da máquina administrativa, para fazer frente à Crise Mundial. Argumentam  dizendo que o problema é mais sério e será mais prolongado do que se esperava.

Na verdade, eles  estão preparando os espíritos dos políticos para a reforma ministerial de janeiro, que não será apenas  reforma, mas  também a redução do número de pastas. Pelo menos dez serão extintas ou fundidas.

Não há um deputado ou senador que não receba  este discurso pessimista sobre a crise, por parte de Gleisi Hoffmann, chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho, secretário geral da  Presidência, e Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais. Eles, porém, não falam em reforma ou redução ministerial, apenas defendem a necessidade de economizar.

Os principais argumentos  para a necessidade de redução do Ministério, são  oferecidos informalmente  pelo dublê de empresário e assessor presidencial (consultor para melhora da gestão governamental), Jorge Gerdau. Ele não deixa por menos:

“É impossível governar com 40 ministros”. Na verdade, são 38 ministros e, de qualquer forma, acrescentaríamos que o argumento é válido, sobretudo em se tratando de uma presidenta centralizadora  e que exige explicações detalhadas  sobre os assuntos mais importantes. Uma gerente, enfim.

 Então temos que, além da esperada dança das cadeiras, por corrupção, por insatisfação com ministros ou por disputa eleitoral, haverá a desclassificação de alguns  ministérios que voltarão a ser secretarias especiais e outros que serão unificados.

 Mesmo assim,  Dilma e assessores dizem que não haverá reforma, mas um “simples reajuste” Isto porque eles temem assanhar e desorganizar a base de apoio ao Governo no Congresso.

 Seja como for, a  Secretaria de Portosvoltará para o ministério dos Transportes e a da Pesca, para o ministério da Agricultura. Direitos Humanos poderá voltar para o ministério da Justiça e as secretarias sociais, como a da Igualdade Racial e a de Política para Mulheres, poderão ser aglutinadas.

Em compensação será criado um novo ministério, o da Micro e Pequena Empresa que deverá ser entregue à empresária Luíza Trajano, dona do Magazine Luiza.

Tá feia a coisa

Quanto ao agravamento da  crise mundial, ele não é uma invenção ou um pretexto da presidenta e dos ministro da  Fazenda, Guido Mantega, que há semanas vem dizendo que o diabo é mais feio do que se pinta.

 A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu suas previsões de crescimento para as maiores economias do mundo em seu relatório semestral sobre as previsões para 2012 divulgado hoje, E, segundo ela, a Zona do Euro já entrou em recessão.

A OCDE reúne 34 países considerados os mais adiantados em termos de Índices de Desenvolvimento Humano.

A organização  está mais preocupada, porém, com a crise da dívida da Zona do Euro, que está agora afetando países vistos anteriormente como portos seguros, o que poderá “aumentar fortemente a ruptura econômica se não for solucionada”.

Além disso, a organização cortou a perspectiva para o crescimento econômico em seus 34 membros para 1,9% neste ano e 1,6% em 2012, de 2,3% e 2,8% previstos em maio, respectivamente. Espera-se, agora, que a economia da Zona Euro recuará 1% a uma taxa anualizada no último trimestre deste ano e 0,4% nos primeiros três meses de 2012. A economia do bloco de 17 países crescerá somente 0,2% em 2012.

A OCDE alertou que” os possíveis, mas improváveis” resultados, como um default desordenado da dívida pública, ou uma ruptura do euro, teriam graves consequências em todo o Mundo.

Finalmente a organização prevê que os EUA, a maior economia do mundo, crescerá 2% em 2012, ante a previsão de alta de 3,1% em maio.  Segundo a OCDE, a economia norte-americana crescerá apenas 2,5% em 2013.  

As informações são da Dow Jones. 

A matéria abaixo  tem conexão com esta.

20-11-11

Reforma ministerial será “mero reajuste”

Preocupada  com a criação de “falsas expectativas”, a presidenta Dilma incumbiu o líder do  Governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) e o secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho, de desmentir um suposto projeto de reforma  ministerial ampla, previsto para janeiro. Será um “simples reajuste”, dizem eles.

Tanto Vazarrezza que despacha pelo menos um  vez por semana com a presidenta, quando Carvalho que a vê todo dia, garantem  que haverá apenas alterações em três ou quatro ministérios e uma possível fusão de duas ou três pastas. O Ministério deverá ficar um pouco mais enxuto.

A rigor, a reforma veio ocorrendo ao longo do presente ano. Um ministro, o Nelson Jobim, da Defesa, saiu por dissintonia e insubordinação. Quatro saíram sob suspeita de corrupção: Antônio Palocci, da Casa Civil (PT); Alfredo Nascimento dos Transportes (PR);  Wagner  Rossi, da Agricultura (PMDB), e  Pedro Novaes do Turismo (PMDB).

Por incompetência (falta de vocação segundo a presidenta) foi defenestrado  o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio (PT)  deslocado pra o inútil Ministério da Pesca que será reincorporado ao  Ministério da Agricultura.

Se durarem  até lá, serão substituídos  na “reforma de janeiro”,  Carlos Lupi, do Trabalho (PDT) e Mário Negromonte  das Cidades (PP), ambos  na mira da mídia  sob a acusação de corrupção, com o agravante de que setores de seus próprios partidos  já pediram suas cabeças.

Por apatia e incapacidade administrativa também devem ser  substituídos  a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e Afonso Florence, do Desenvolvimento Agrário (PT),  ambos da cota pessoal  da presidenta.

E  talvez fique só nisso. Dilma não pode mexer muito em um delicado tabuleiro que lhe garante a base para a governabilidade ampla e precária ao mesmo tempo. Seu problema vai ser o de encontrar  uma vaga  ministerial, que é obrigatória, para o nascente e picaretoso partido  do Gilberto Kassab, o PSD.

Da chamada base governista composta por 14 partidos, apenas sete estão representadas no primeiro escalão. Os outros se contentam com cargos inferiores nos  ministérios ou em estatais.

No primeiro escalão, o PT controla 18 ministérios; o PMDB, cinco; o PSB, dois. PP, PDT, PR e PCdoB têm uma pasta.

15-11-11

Lupi volta para a frigideira

O roteiro é de uma repetição cansativa: A mídia (muitas vezes orientada por gente do próprio Governo ou por “aliados” da vítima) detecta um punhado de mal feitos em determinado ministério. Então concentra seus o holofotes e seus auto-falantes  durante semanas no infeliz que, em noventa por cento dos casos, está frito.

A cozinheira, digo, presidenta também não varia a receita: recusa-se a demitir com base em simples acusações da mídia, diz que  não gosta de linchamentos nem fará pré-julgamentos. Mas exige explicações.

Simultaneamente, seus dois ajudantes de cozinha, digo, principais colaboradores,  ora tranqüilizam o ministro aflito, dizendo que Dilma até gosta dele e não quer perder o apoio de seu partido, ora o atormentam, dizendo  que “ela não gostou nem um pouco do que você andou dizendo”. Pirandello não faria comédia melhor.

Os dois colaboradores íntimos da presidenta referidos acima são a chefe da Casa  Civil, Gleisi Hoffmann e o secretário-geral da Presidência,  Gilberto Carvalho.

Comédias à parte, Carlos Lupi, o bufão ministro do Trabalho, parece definitivamente encalacrado e talvez não chegue até janeiro, quando  haverá ampla reforma ministerial. Há volume suficiente de denúncias  comprovadas, quase sempre envolvendo ONGs. Organizações que, de um modo geral, se transformaram nas maiores arapucas deste País.

 E há ainda uma evidência de que  Lupi  não disse toda a verdade na Câmara dos Deputados ao declarar que não conhecia  um certo “empresário ongueiro”  Adair Meira, tido como corrupto. E errou também ao dizer que não realizou em companhia do “empresário” uma viagem ao Maranhão.

O Estadão publicou hoje (15) as seguintes declarações  de Adair:

“Eu viajei com o ministro num trecho, isso eu confirmo”. E em seguida: “O ministro está confuso ao negar isto”.

Na sequência, o jornal enfatiza que a empresa-onge de Adair (Pró-Cerrado) “recebeu R$ 13,9 milhões do Ministério do Trabalho e é suspeita de desvio de recursos”.

A matéria é marota, porque o empresário só disse as duas frases curtas reproduzidas acima. O resto é ilação do jornal. E é perfeitamente possível que Lupi só conheça o Adair superficialmente e que não se lembre de detalhes de uma viagem realizada há dois anos.

Ocorre que em política, o ônus da prova escorrega para o acusado que fica obrigado a provar sua inocência. Então, como “bola da vez”, o ministro entra num redemoinho onde não consegue fazer mais nada a não ser rebater acusações legítimas ou falsas. Na prática, está frito.

Por outro lado, Lupi além de histriônico (e muito canastrão) realmente não comanda o PDT.  Não lidera a bancada no Congresso e é contestado pelos figurões do partido. O que ele controla, embora esteja licenciado, é a Executiva Nacional.

 E isso é possível porque a Lei dos Partidos foi feita sob medida para perpetuar as direções partidárias. As executivas conseguem manter o controle da sigla  manipulando as convenções ou simplesmente prorrogando repetidas vezes  o mandato de seus próprios membros.

Há dirigentes inexpressivos que controlam as máquinas partidárias há mais de dez anos. Assim era o Lupi, até o dia em que resolveu ser ministro.

Quanto à presidenta Dilma, não creio que ela faça essas frituras por gosto, embora  até aqui isso lhe tenha rendido alguns pontos de popularidade. Na verdade, ela é constrangida pelos fatos e não tem a desenvoltura  do Lula para transitar  com naturalidade em águas um tanto ou quanto poluídas.

Na verdade, todos sabem, menos os ingênuos e os cínicos, que se não houver conciliação com os políticos corruptos (a grande maioria tanto na Situação como na Oposição) não se governa este Pais.

Finalmente, há  o aspecto prático: nestes tempos bicudos, quando o governo precisa fazer caixa (superávit primário) para enfrentar a Crise Mundial, uma faxina  até que cai bem, mesmo que de meia sola. Segundo cálculos da Secretaria Geral da Presidência, podem ser economizados algo como  60 bilhões de reais.

08-11-11 atualizado em 09-11-11 e em 11-11-11

Lupi  livra-se temporariamente
da degola, na  maior cara de pau

Leonel Brizola dizia que gostava do do Lupi porque  ele  é  leal e engraçado. Deve ser verdade. Dilma Rousseff que já foi filiada ao PDT provavelmente pensa o mesmo e parece propensa a perdoar o histriônico ministro do Trabalho que jogou no ar, para cem milhões de espectadores,  mais uma frase inesperada: “Dilma eu te amo”! Isto depois de ter dito, no dia anterior, que  só saía do Ministério “abatido a bala”.

Nós aqui, neste  blog, diríramos que Lupi deve ser leal e  engraçado, mas, acima de tudo, é um dos grandes  caras de pau da República. Sua habilidade cênica, digamos assim, não apaga as enventuais irregularidades  no Ministério a serem apuradas, nem elimina a má vontade  contra ele de algumas das principais lideranças do partido. Seja como for, seu desempenho diante das câmeras, parece tê-lo poupado da degola. Pelo menos até janeiro, quando haverá ampla  reforma ministerial.

Texto de 10-11-11

Com uma reação inusitada, na verdade um bravata grotesca, de Carlos Lupi, dizendo ontem (08) que só saido Ministério do Trabalho “abatido a bala”, selou de  vez sua sorte. Nenhum presidente,  muito menos a atual presidenta, aceita uma afronta dessa ordem. Um ministro é demissível ad nutun, por decisão unilateral do chefe de Governo e sem nhuma possibilidade de recurso jurídico.

Além disso,  ficou claro, após a estabanada entrevista coletiva de Lupi, que ele não controla a bancada de seu partido  no Congresso:  parte dos deputados dizia ontem que o PDT se afastaria na base de apoio ao Governo caso se consumasse a demissão, enquanto outra parte dizia que o partido não só não se afastaria de Dilma, como exigia a apuração das denúncias de corrupção no Ministério, “doa a quem doer”. 

Texto de 08-11-11

Já se tonou cansativo anunciar e comentar a fritura de ministros envolvidos em esquemas de corrupção. Seja como for, tenho procurado compartilhar com os leitores deste blog a noção de que a corrupção  política é endêmica ou sistêmica, se quiserem. Inútil, portanto, nos determos em casos específicos. Há uma monótona semelhança, uma característica genérica que une todos esses escândalos.

Todos sabem que Carlos Lupi, o medíocre ministro do Trabalho, já é o sexto e não será o último a ser fritado  por Dilma Rousseff  que vem se  especializando nesse método, por falta de alternativas e porque, bem ou  mal, isso  “livra a cara” de seu governo, pelo menos por enquanto.

Já falamos, em outros artigos, na capilaridade de nossa corrupção. O sujeito não fica corrupto quando chega a ministro ou deputado.  Ele já vem corrupto desde os tempos de vereador e prefeito.

E nessa fonte inicial ele conta, na maioria dos casos, com a complacência ou mesmo com a conivência do eleitor que, mais do que supõe nossa  vã filosofia idealista, troca seu voto por algum favor ou simplesmente o vende. É uma questão cultural.

Se for assim, levaremos muito tempo, talvez gerações,  para  apenas minorar o problema. Mas é preciso não  esquecer  o viés mais importante  da questão: por trás de cada  deputado, senador, ministro ou governador corrupto e (sem  ingenuidade ou hipocrisia) eles são a imensa maioria, existe  um banqueiro ou um empreiteiro corrupto.

São eles  que na  parte superior e mais ampla da corrupção, abastecem os Caixa 2 que todos  (eu disse todos) os políticos possuem.  Uma forma de  pelo menos minorar o problema, seria o financiamento público das campanhas e a proibição pura e simples de qualquer doação particular.

Mas quando se  sugere isso, nossa  ingênua e superficial classe média, para dizer o menos, fica toda ouriçada e grita: Eu hein? Já  roubam tanto e ainda querem se eleger com o nosso dinheiro! Estamos, portanto, diante de um grotesco círculo vicioso.

Tanto mais grotesco, quando se sabe que essa classe mediana e individualista também tem seu Caixa 2, burla o Imposto de Renda, não dá nem exige notas fiscais, quer levar vantagem em tudo e se farta de subornar guardas e fiscais.

Caudilho sem jeito

Quanto ao Lupi, mesmo sendo   o sexto de uma  fila de fritados que vai continuar crescendo,    ele merece uma ou duas palavras:

Ele está em situação críticas, porque foi  lançado às feras pelos figurões de seu  partido (PDT), tipo Miro Teixeira e Cristovam Buarque.  Eles aceitavam o jeito folcloricamente caudilhesco com que Brizola controlava o partido, porque isso fazia parte da história, era  um estilo pessoal e o  ex-governador tinha bagagem suficiente para fazer isso. Mas, evidentemente, eles não suportam ver Lupi  tentando copiando o velho e carismático líder.

No mais, a mediocridade do ministro em processo de fritura pode ser medida  pelo fato de que sua função nestes anos todos   limitou-se  à leitura mensal do aumento do nível de emprego, fato que praticamente independe de sua ação o de seu Ministério.

Nunca passou pela cabeça de Lupi  que como ministro das Relações do Trabalho, ele  tinha a obrigação (para  dar apenas um exemplo) de levantar a bandeira da redução da jornada do trabalho, como forma de combater o desemprego estrutural  que acomete as sociedades industriais modernas, em função da  vertiginosa automação  dos processos produtivos.

Acho que Lupi nem sabe o que é isso.

01-11-11

Acredita que Serra tem saudade de seu passado esquerdista?
Pois  acredite. Ele,  inclusive,   já  pensou  em  deixar  o PSDB

A imprensa não dá porque é  lerda, incompetente e tem como missão central manipular para manter a classe  média brasileira em sua santa ignorância. Mas, acreditem, José Serra, cansou de brigar por uma vaga no PSDB, para ser candidato à presidência, novamente, em 2014.

 Casou de concorrer com Aécio Neves a quem odeia e considera um medíocre, mero arremedo de seu avo Tancredo. E cansou  do discurso neoliberal ao qual esteve atrelado nos últimos 20 anos por injunções partidárias, desde os tempos  do governo FHC. Na época, Serra foi um dos principais críticos do  da política cambial e da gestão do então ministro da Fazenda, Pedro Malan, um servo fiel do FMI.

O  PPS, ex-Partido Comunista, o Partidão,  que era muito maior e  mais reconhecido do que o PCdoB, também cansou de ser  linha auxiliar do PSDB, um partido que, afinal, ficou sem  discurso.

Por Isso o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, não cansa de convidar Serra para que se filie ao seu partido.  Serra não diz não. Apenas pede tempo para pesar as conseqüências  e esperar, talvez, a oportunidade ideal.

Entrar  para o PSD   de Kassab,  que já nasce quase do tamanho do  PSDB, nem pensar. Serra quer  livrar-se do ranço de direitista e o partido  do  prefeito paulistano está recheado de ultra direitistas, de ruralistas endemoniados e carrega o caixão do extinto DEM.

Aliás, o DEM está tão morto que  já não interessa mais nem a uma de suas principais  expressões, o ACM Neto. Ele já estuda  uma  maneira de tirar esse  peso de cima de suas costas.

Raciocinemos: fazer oposição ao PT de Dilma pela direita é um suicídio político. Suicídio porque  a aliança  de sustentação fisiológica  do atual governo é tão  ampla que vai da extrema  esquerda  até alcançar  nichos de extrema direita.  Como ficar mais à direita ainda? A solução para Serra, portanto, é apresentar-se como alternativa de centro ou mesmo  centro-esquerda.

Finalmente, há  o senador tucano Aloysio Nunes,  um homem  de passado  na luta armada. Foi uma dos  amigos e colaboradores mais  íntimos de Carlos Marighella. Aloysio que é, hoje, um fiel escudeiro de Serra, reencontra-se agora com seu passado  ao ser relator  da lei que cria a Comissão da Verdade, posto que lhe foi cedido pelo PT, por reconhecimento ou tática.

Lembro que, nos aos 70, vi Serra, ao lado de José Álvaro Moisés, participar de reuniões que discutiam a  fundação do Partido dos Trabalhadores. Afastou-se porque  considerava que a nova agremiação  penderia demasiado para o sindicalismo. Em seguida,  ainda no MDB, seria secretário de Planejamento de Franco Montoro que seria, na sequência, um dos principais fundadores do PSDB.

Bobagem pensar que conseguimos planejar nossas vidas. É ela que nos leva. Quando muito tentamos manter alguma coerência. Coerência que Serra  foi perdendo pela caminhada.

 Agora,  avançando para os 70 anos,  ele não pensa em outra coisa a não ser voltar a candidatar-se à presidência.“Afinal, tive 40 milhões de votos”, cogita. Mas o PSDB veda esta possibilidade.  Então ele tenta recuperar pedaços de si mesmo que foi largando pelo caminho, deixando para trás. É  direito seu, mas não vai dar certo. Isto parece coisa de personagem de Guimarães Rosa, com final triste.

12-10-11

 Com  40% nas  pesquisas, Marta  está
dobrandor os chefes  Lula e Zé Dirceu

Com determinação, coragem e uma certa petulância a senadora Marta Suplicy está conseguindo vencer a queda de braço contra os dois principais líderes do PT, Lula e Zé Dirceu. O ex-presidente ainda está quieto, mas  seu sócio no poder interno do partido já emitiu sinais de recuo ou, pelo menos,  do inicio de difíceis negociações com a renitente candidata. “A eleição de São Paulo passa por Marta”, disse Dirceu.

O plano de Lula era, como informamos  há dois meses nesse blog, consolidar uma aliança nacional “estratégica” com o PMDB.

 Particularmente, em São Paulo o que ele  combinou com Michel Temer, líder de fato do PMDB e com o Gabriel Chalita, candidato  peemedebista  à prefeitura era o seguinte: o PT lançaria um candidato eleitoralmente fraco, o ministro da Educação, Fernando Haddad, que representa, segundo Lula,  uma tentativa de renovação. Se Haddad vencer o primeiro turno (o que parece ser impossível)  Chalita, que deverá ser razoavelmente  bem votado, o apoiaria no segundo tuno, Na situação inversa, seria apoiado pelo  PT.

Em troca, o PMDB apoiaria um candidato  petista ao governo do Estado em 2014. Era uma forma de “quebra a espinha“ do PSDB  que há 20 anos domina o mais poderoso  Estado da União, como quem controla um feudo. Temer e Chalita concordam. Mas Lula se esqueceu de combinar isso com a Marta.

Houve então, no Instituto Lula, uma reunião entre o ex-presidente e a candidata. Após o encontro, Marta  demonstrou que  havia entendido o raciocínio de Lula, mas  não concordava com ele. A verdade é que Lula ofereceu os argumentos estratégicos, porém não forneceu  o elemento essencial de convencimento, o de que ela seria  a candidata ao Palácio dos Bandeirantes, em 2014.

Uma semana depois,  Marta deu uma  alfinetada no chefe, dizendo que  a candidatura de Haddad  “é muito boa se a idéia é perder”.   E confirmou que seria candidata.  Ao mesmo tempo, não desmentiu os rumores de que poderia abandonar o partido.

Nessa época, ela foi procurada por Marina Silva que passa por um momento difícil (ostracismo) e encontra muitas dificuldades para  construir um novo parido, já que abandou o PV. Marta, caso deixasse o PT, seria sua parceira ideal.

Agora, voltemos ao presente: como ficou claro que José Serra não será candidato àprefeitura paulistana, Marta desponta como uma candidata aparentemente imbatível, nas eleições  do ano que vem. Nas pesquisas do último fim de semana, ela  aparece com 40% da preferência do eleitorado, contra 29% de Serra que, como  dissemos, não será candidato. Dos demais postulantes, nenhum chega a 10%. Haddad tem 2%.

Diante desses números, por mais engenhoso e autoritário que ele seja, para Lula fica difícil impor o nome de Haddad, nas previas partidárias de Novembro. E há outro dado interessante: Lula e Dirceu comandam o partido através  de  sua tendência  mais forte, a Construindo um Novo Brasil (ex-Campo Majoritário). Esta tendência controla, nacionalmente, algo como 65% do partido. Mas  na cidade de São Paulo possui apenas  30% da fatia do bolo.

 O negócio, então, é chamar a Marta para uma nova conversa.  Mas desta vez, Lula terá que ser mais objetivo. Lula  terá que se comprometer com a candidatura dela para o governo do Estado em 2014 ou, pelo  menos, garantir uma vaga no Ministério a partir da reforma prevista para janeiro. Mas aí, Dilma terá que entrar no circuito. Está complicada a coisa.

24-09-11

Para entender o namoro de Dilma com FHC

A presidenta Dilma Roussef deverá indicar FHC para ser um dos sete nomes da  polêmica Comissão da Verdade. E, sempre que pode,  faz um mimo para o ex-presidente, convidando-o para cerimônias importantes e coisas do gênero. De seu lado, o ex-presidente não perde oportunidade para afagar a gerente do Planto em artigos e manifestações públicas.

Do lado de Dilma o flerte interessa e chega ao limite do namoro  nos momentos  em  seus  aliados, principalmente do PMDB,  a encostam contra a parede, como foi o caso da  rumorosa demissão de Wagner Rossi, o Ministro da Agricultura,  que era e é sócio político (e também nos  negócios) do vice Michel Temer.

A política não é um remanso. É um rio de corredeiras. Requer agilidade, ousadia e guinadas  bruscas.  E Dilma só não pode perder a maioria no Congresso. É o dilema de sempre: governar com os picaretas ou atravessar o Rubicão do formalismo democrático burguês. Podem traduzir isso por Revolução  Socialista mais ou menos  pacífica, como requerem os dias atuais.  Seja como for, o fato é que, há anos, o PT optou pela governabilidade com  ladrões.

 Quanto a FHC que já fizera esse opção  dez ou quinze anos antes, o que prevalece nele agora é a necessidade medular de aparecer, de fazer-se presente, de atuar. É legítimo que quem chegou a onde ele chegou não queira se aposentar. Sobretudo se  essa  aposentadoria é matreiramente costurada por seus próprios correligionários. Todo dia ao, barbear-se, ele diz para o espelho: Eles querem que eu seja  apenas um retrato na parede. Pois vão ver…

As outras razão são as do sociólogo que virou a casaca, mas não perdeu a lucidez. E, portanto, sabe que a Oposição a “sua oposição” ficou sem discurso, sem identidade e sem líder carismático. No passo em que vai, em menos de uma década, o PSDB vira partido mediano, sem identidade e irrelevante. Do  tipo que pode ser trocado a qualquer momento  e sem problemas pelo nascente PSD do Kassab.

Tanto FHC, como Aécio e  Alckmin (o Serra está fora disso) admitem, sem constrangimento, uma  futura cooperação entre  o PT e o PSDB, se as circunstâncias apontarem na direção desta vereda, hoje considerada proibida pelos  ingênuos de todo tipo.

Entretanto,  entre as razões mais imediatas e práticas está a estratégia  já  escancarada   pelos tucanos e sua mídia na tentativa de afastar Dilma de Lula e intrigá-los.  Por algum motivo, mais    escorado nos desejos e deduções do que em fatos concretos, eles acreditam num rompimento entre o criador e a criatura.  Enfim, não há muitas alternativas.

E não há alternativas, porque o PSDB não pode assistir de braços cruzando aos avanços de  Dilma sobre  seus redutos  de classe média. Redutos estes que, ideologicamente superficiais, votam, sem muita meditação,  no que consideram, conforme a moda, o que seria uma boa gerência e uma honestidade que garanta as aparências. Sempre foi assim, desde os tempos de Jânio e Collor. Mas esse tipo de eleitorado não se cansa de dar com os burros n’água e vai continuar votando assim até o final dos tempos.

 Se Dilma sedimentar esse seu prestígio  junto à classe média, mantendo-o coligado ao populismo lulista de nostálgico aroma getulista, o PT tornar-se eleitoralmente imbatível, por longos e longos anos.

 E isso tudo explica o texto de FHC postado, ontem (23) em seu blog,  onde ele exibe suas afinidades com  Dilma e elogia a postura dela em relação à corrupção, Em seguida, sem muita sutiliza, destaca a diferença em relação a  postura de Lula sobre o mesmo problema. Fala, então, nas  tentativas de seu sucessor de “minimizar os alegados casos de corrupção como o fazia e ainda agora o faz novamente, lamentando que os ministros  demitidos não tivessem ‘casca dura’ para resistir às pressões da sociedade”.

É claro que não se pode levar a sério nada disso, quando se sabe que  FHC comprou sua reeleição, pagando regiamente aos eternos picaretas do Congresso, aos quais Lula continuou remunerando (e Dilma ainda agora remunera) para poder governar.

A metéria abaixo, embora  escrita  há mais de um mês, complementa o raciocínio desta.

19-08-11

A Encruzilhada de Dilma o desencanto do PT

A fúria faxineira que pretende varrer o País é irreversível. Irreversível não no sentido de que removerá efetivamente a corrupção, mas  como algo que sensibilizou parte ponderável da opinião pública.

Dilma não inventou  essa  faxina e está  lidando como ela como pode, procurando não perder o controle da situação e faturado alguma popularidade junto à classe média alienada. Sem fôlego, por enquanto, para um vôo solo ela, de qualquer forma, não pode  ceder a bandeira faxineira para ninguém, Se fizer isso, será varrida também.

O PT surpreendido e assustado com o rumo das coisas, sente saudade  de  Lula que não pode fazer nada que possa aparecer uma mágoa ou uma discordância com relação à presidenta, sua invenção eleitoral.

 É ele, porém, quem core o maior risco nas atuais circunstâncias, quando a mídia tenta intrigá-lo com Dilma e tenta colar nele a imagem de complacência com os corruptos. Pretende-se fazer crer que tudo não passa de uma herança maldita que ele legou à sucessora.

 Entretanto José Dirceu, que mesmo cassado, divide com lula a influência junto aos setores majoritários petistas, já deu mostras de que não concorda com os rumos das coisas e a forma  como o Planalto vem lidando com esta nova  e inesperada situação.

Amanhã pretendo me estender sobre este tema. Meus leitores habituais  sabem que  defendo a convocação de uma Constituinte, desde  o início do ano passado. Só ela realizará uma autêntica reforma política.

 A Constituinte renovadora e progressista, com cara do PT autêntico de suas remotas origens  é a forma  de sustentar a luta contra o Capital Financeiro, atual timoneiro incontestável do Sistema e fonte primeira de todo o lixo e corrupção, inclusive a que campeia pela mídia venal e apátrida.  Só uma criança não vê que o Congresso e os ministros são corruptos porque há quem os corrompa. E há um corruptor principal que  é, invariavelmente, o Grande Capital, banqueiros e empreiteiros.

As atuais campanhas  da faxina e da ficha limpa rescendem à candidatura do brigadeiro reacionário contra Getúlio, lembra Jânio, o bêbado moralista e corrupto, e remonta a Lacerda, o americanófilo, convencendo os militares  a derrubarem Jango. Finalmente tem a cara do Collor, o grotesco Marajá caçador de marajás. Sempre que é envolvida por esse tipo de campanha, a classe média, entre ingênua e hipócrita, vota errado e contra a marcha da História.

 O PSOL, bem intencionado, mas capacidade escassa ou  nula  para fazer a leitura ideológica correta  do momento  brasileiro e mundial, pega carona  nesse neolacerdismo explicito, onde já despontam  Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos e Cristovam  Buarque. E não só eles. Há também o Jabor este palhaço da Corte Global,  sempre escalado pela  família Marinho para dizer, de modo informal e pseudo irreverente, o que ela realmente pensa.

Mas eles ficam arrepiados quando a gente  fala em convocação de uma Constituinte.

A matéria abaixo dá continuidade ao raciocínio desta. Veja, também, a coluna Constituinte Já.

10-08-11

Para o  bem  ou  para o mal
a faxina de Dilma continua
 

Mais por forças das circunstâncias do que por cálculo político, a presidenta Dilma Rousseff prosseguirá na faxina de seus ministérios, todos eles, sejam de que partido forem. Não dá mais para segurar, Virou moda. Caiu na boca do povo.

A presidenta, que por enquanto vem ganhando alguns pontos do IBOP pela ação moralizadora, terá, em contrapartida, que administrar crises diárias na base aliada do governo, um eufemismo para denominar a multidão de picaretas e chantagistas que povoa o Congresso. Multidão esta que está em polvorosa e ameaça rebelar-se, embora ninguém leve isso muito a sério.

E há, até, saldos econômicos positivos: na faxina do Ministério dos Transportes (controlado pelo PR)  descontadas as maracutaias, haveria uma economia potencial (a interrupção da roubalheira) de R$ 10 bilhões, nos pçróximos três anos. Os cálculos são das assessorias do Ministério do Planejamento e da  Casa Civil. Na faxina mais recente, no Ministério da Agricultura, a economia seria de  R$ 5 bilhões. E por ai vai.

Fogo amigo

A faxina de ontem, a do Ministério do Turismo, é a mais escandalosa (prisão com algemas de figurões) embora talvez não gere tanta economia para Erário. E tem uma característica diferente: foi o primeiro escândalo que não ocorrer a partir de uma denúncia da média.

A outra peculiaridade é a de que operação da Polícia Federal, atinge fortemente a senadora e ex-prefeita Marta Suplicy, no momento em que ela teimava em ser candidata à prefeitura de São Paulo em franca rebelião contra o ex-presidente Lula que trabalha pela candidatura do  ministro da Educação, Fernando Haddad.

Além de Frederico Silva da Costa,o secretário-executivo do Ministério do  Turismo (controlado  a quatro mãos por  José Sarney e  Michel Temer) a operação da Polícia Federal alcançou também o ex-presidente da EMBTATUR, Colbert  Martins, um estreito colaborador e amigo íntimo de Marta.

O fogo amigo é algo comum a todos estes escândalos e um fato corriqueiro. Na verdade, cabe pouco mérito investigativo à mídia. Ela recebe pacotes completos, os dossiês, diretamente da fonte. Ou seja, do interior do governo, onde grupos se digladiam, ou por pertencerem a partidos diferentes ou por inimizades pessoais.

Há três meses, em pleno ”Escândalo Palocci”, numa reunião com seus colaboradores mais  chegados, inclusive o ministro  José Eduardo Cardozo, da Justiça, Dilma decidiu promover uma faxina  controlada e seletiva no governo. O objetivo duplo era o de construir seu própria  imagem política e,  simultaneamente, dar um paradeiro a uma situação insustentável. Por, enfim, um mínimo de ordem na casa.

Como a Polícia Federal é subordinada ao ministro Cardozo, e como ele chegou a ser apontado como possível candidato à prefeitura de São Paulo e até mesmo ao governo do Estado em 2014, é inevitável a ilação (muito forçada, é verdade) de  que houve uma ação deliberada contra Marta Suplicy, embora o Ministério do Turismo seja um lote atualmente administrado a quatro mãos por José Sarney e Michel Temer.

Entretanto, é preciso considerar que a Polícia Federal não é facilmente controlável. E, sobretudo, vale relembrar  uma revelação de Roberto Jeferson , o corrupto confesso,  que  há sete anos, durante o Escândalo do Mensalão manteve um curioso diálogo com José Dirceu, então  chefe da Casa Civil.

Nesse diálogo, Jefferson queixou-se do fato de, sendo um aliado, ter sido investigado  pela Polícia Federal num episódio de corrupção nos Correios. A resposta ou desculpa de Dirceu: “ A PF é tucana”.

 Será que ainda é?

A matéria logo aí abaixo dá sequência ao raciocínio desta. Veja também a coluna Constituinte Já.

 04-08-11

Quem os pariu que os embale

Dilma quer prosseguir na faxina que rende pontos no IBOP, mas passou a vassoura para os partidos.

A presidenta e seus colaboradores mais íntimos, entre eles Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, sabem que esse negócio de faxina é uma improvisação que, para o bem ou para o mal, não tem retorno.

 Até aqui, o tema rendeu  popularidade para Dilma Rousseff, mas ela percebeu logo que não pode ser “pautada pela mídia” e paralisar seu governo, num mar de detergentes e sabão.

Então, de improviso como sempre, decidiu-se que o lava jato deveria ser transferido par o Congresso e administrado  pelos próprios partidos da base governista. A presidenta seguirá  afirmando que não admite desvios de conduta, mas não vai abrir  nenhuma sindicância antes de uma primeira peneirada na Câmara dos Deputados, que deverá ouvir explicações de ministros  e outras autoridades eventualmente envolvidas no  “escândalo do dia”.

É claro que desse mato não sairá coelho, mas o pessoal da administração, cada qual  em sua quadra do loteamento,  vai sacar que, pelo menos no momento, é preciso pegar leve.

E a mídia teleguiada e incosequente continuará a fazer jorrar, de suas impressoras e telas, borbotões de  escândalos seletivos, com dados  geralmente fornecidos pelos especialistas em fogo amigo.

E a classe média, a quem o espetáculo é dirigido, continuará ruborizando-se  de indignação e ódio. E continuará, na esteira de suas elites, discutindo política apenas nesse nível superficial, enquanto trata de lesar  seu cliente ou freguês. Em segida lançará mais alguns trocados do seu Caixa-2 e sonegará impostos  até o limite da imaginação de seus contadores.

 A verdade é que as fraudes e maracutaias da iniciativa privada (pequena média e grande) são muito maiores do que  as praticadas pelo setor público. Aliás, como a grande maioria dos políticos com mandato são empresários, eles apenas transferem suas práticas particulares para a vida pública.

 Mas ninguém  se escandaliza com o fato de os empresários representarem menos de 20% da população e, não obstante,  ocuparem mais de 70% das  cadeiras do Congresso. Da mesma forma que ninguém quer saber porque o Brasil, é o campeão mundial da concentração da posse da terra e um dos campeões da concentração de renda. Duas imoralidades patentes, mas não suficientes para ruborizar  a classe média e sua mídia.

De seu lado, os partidos da base governista não estão gostando nem um pouco dessa história de faxina, mas não oferecem alternativas. E, premido pelas circunstâncias, o PR até agora a única sigla exposta à execração pública e fortemente punida, deu seu grito de protesto e  se declarou “fora do governo” pelo menos (isto dizemos nós) até que o Mistério dos Transportes  lhe seja restituído ou  substituído por um equivalente.

Nesse sentido, foram mais fortes do que se  esperava, as palavras do presidente do PR e ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Ao reassumir, há dois dias, sua cadeira no Senado, ele disse claramente que foi traído pela presidenta Dilma e atribuiu as atuais irregularidades no Ministério ao atual titular, Paulo Sérgio Passos, que o substituiu  exatamente para executar a faxina.

Ao concluir foi enfático: “Não sou lixo e meu partido não é lixo”. Ato contínuo, porém, recusou-se a assinar o pedido de abertura da CPI que investigará as irregularidades das quais ele se diz inocente.

Na sequência do espetáculo, ontem foi a vez de o ministro a Agricultura, Wagner Rossi, ir à Câmara para eximir-se de supostas irregularidades na sua Pasta. E defendeu-se acusando seu acusador, Oscar Jucá Neto, de corrupto e desorientado mental.  Jucá Neto, recém demitido da CONAB, Companhia Nacional de Abastecimento é irmão do senador Romero Juca (PMDB) que é líder do governo na  Senado desde os tempos de FHC. Ele jamais muda de lado.

Sobre as denúncias de seu irmão contra Rossi, ele limitou-se a pedir desculpas à presidenta Dilma e ao ministro, alegando que o mano “passa por um mal momento”.

Como o show  precisa continuar, já estão escalados para dar explicações  na Câmara os ministros:  Paulo Sérgio Passos dos Transportes, filiado ao PR, mas  renegado pelo partido; Paulo Bernardo das Comunicações PT; Izabela Teixeira, do Meio Ambiente (PT); Afonso Florence, do Desenvolvimento Agrário, (PT ), e Mário Negromonte, das Cidades (PP).

Depois, provavelmente serão esquecidos, porque a própria mídia  se encarrega de  encobrir  escândalos ou meras suspeitas por  outros mais recentes e mais cabeludos.

 26-06-11 atualizado 28-06-11 e em 30-06-11

Marina sai do PV e reinicia a
caminhada pela presidência

Ontem, quarta-feira (29), Alfredo Sirkis, fundador do PV e uma de suas lideranças nacionais mais expressivas, rompeu com a direção nacional do partido, classificando de ignóbil a forma como esses dirigentes trataram Marina.

É provável, portanto, que Sirkis (deputado federal pelo Rio) não se desfilie já do PV, mas junte-se a Marina, quando ela fundar o novo partido, depois das eleições  municipais do ano que vem. E é prováavel que Fernando Gabeira sigua este mesmo caminnho, já que ambos (ele e Sirkis) tradicionalmente compõem uma parceria política.

Texto de 28-06-11

Marina Silva  confirmou, domingo, numa reunião  no apartamento de Fernando Gabeira do Rio, seu desligamento do PV.  Provavelmente, no próximo dia 6, após seu retorno da Alemanha, ela pretende promover uma solenidade, em São Paulo, que corresponderá ao reinício de sua caminhada rumo ao Palácio do Planalto em 2014.

Ela lançará, então, o Movimento Brasil Sustentável  que vai ser  escorado nos 20 milhões  de votos que ela obteve em 2010 e pretende reunir ambientalistas,  evangélicos e jovens decepcionados com a chamada política tradicional.

 No inicio, portanto, será um movimento apartidário, até porque  não há tempo hábil para a criação de uma nova sigla em condições de disputar as eleições municipais do ano que vem.

Antes do lançamento, Marina vai reunir-se com  dirigentes do PV alemão, em Berlim. Os verdes alemães são os principais apoiadores externos dos ambienalistas brasileiros.

Como este blog anunciou na semana passada,  saem com Marina, Guilherme Leal, dono da Natura e seu candidato a vice no ano passado, bem como João Paulo Capobianco que foi coordenador de sua campanha.

Saem também Maurício Brusadin, ex-presidente da legenda em  São Paulo, e Ricardo Young que foi candidato ao Senado. Fábio Feldmann, que foi candidato  a governador,  já anunciara sua saída na semana passada.

O pivô desta crise é  o presidente  nacional do PV, José  Luiz Penna, há  onze anos no cargo e que se recusa a ceder espaço, na direção do partido, para Marina e seus  aliados. A ex-ministra teme que o que considera  comportamento fisiológico do partido, comprometa sua imagem.

Por último  Marina conta com a solidariedade de Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, as duas principais lideranças nacionais do partido.  Eles podem  juntar-se a ela, mais lá na frente, nas eleições de 2014.  Por enquanto, porém, continuam  no partido. É que ambos  são do Rio,  estado onde o PV tem boas chances eleitorais no ano que vem.

 21-06-11

Marina  sai  mesmo do  PV. Gabeira
 e Alfredo Sirkis podem sair com ela

 Há meses este blog vem informado a seus leitores que  era uma  questão de tempo a saída de Marina Silva do PV.  Agora podemos informar que ela pretende sair  no máximo até agosto, para que o  novo partido que ela pretende fundar , o da “Causa Ecológica” tenha tempo de influir de alguma forma nas eleições  municipais do próximo ano.

Quanto a Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, as duas principais expressões nacionais do PV, depois da própria Marina, eles praticamente já decidiram sair também.  Só não decidiram se saem agora  ou depois das eleições do ano que vem. Eles tem muita força eleitoral no Rio e não querem jogar fora esse importante manancial de votos.

Até a semana passada Sirks (ele é deputado federal) acreditava ser possível um acordo entre Marina e Luis Penna que preside o partido há 11 anos e  define sua posição  de forma rasteira,   plagiando Romário: “Ela (referindo-se a Marina) chegou agora  é já quer  sentar na  poltrona da janela”.

 Na verdade, originalmente  um verde autêntico, Penna tornou-se carreirista comum que, no comando da sigla, onde pretende se eternizar, só pensa  nas incontáveis  e naturais  barganhas que todos os partidos burgueses realizam nas relações com as três esferas do poder, a federal, as  estaduais e as municipais.

Além de Gabeira e Sirkis, seguem com ela na aventura de criação do novo partido, Guilherme Leal, o bilionário dona da Natura que foi candidato a vice  na chapa de Marina no ano passado, e  João Paulo Capobianco que foi secretário geral do Ministério do Meio Ambiente,  nos tempos de Marina.

No mais, exceto para o enredo político de cada desses personagens, muda pouco no quadro político. Todos eles (menos o  Leal) apesar de no passado  terem feito uma leitura marxista (eu não disse leninista) da sociedade, hoje aburguezaram-se e acreditam que podem salvar a Natureza sem combater o modo de produção e de consumo capitalista.

 Vale sempre lembrar minha  frase predileta e que já está ficando famosa:  “Acreditar em capitalismo limpo, bem comportado e  não destrutivo, é supor o vampiro vegetariano” Cedo ou tarde eles terão que entender que a destruição  está na genética mais  elementar do capital, sua acumulação. O capital só acumula e evolui destruindo todo os seu entorno, a começar  pela Natureza.  É abrir a janela e ver.

16-06-11

Dilma da Palocci por duas mulheres
e  proclama sua maturidade política

Até nem sei por que a Oposição e sua mídia não exploraram isso de forma maliciosa, mas a verdade é que o tombo de Palocci correspondeu à ruptura do cordão umbilical. A criatura separou-se do criador e, provavelmente sem  mágoas, declarou sua maioridade política. O ectoplasma de Lula  não habita mais o Planalto.

Até a agonia e queda de Antônio Palocci, o todo poderoso chefe da Casa Civil, havia uma ambigüidade e um vácuo  de poder.  Em seu gabinete, Dilma cuidava preferencialmente  da administração e exibia o  novo modelo “gerente eficiente” que chegou a receber aplausos da  mídia.

 Na sala ao lado e  no andar de cima,  Gilberto Carvalho, o secretário geral da Presidência e Palocci faziam o  dia a dia da política partidária e parlamentar com  todas as suas exaustivas miudezas e o constrangedor toma lá da cá.

Mas, para  o que nos interessa,  é preciso deixar claro que enquanto vigeu este esquema, até a  semana passada, era inequívoca a sombra e  o espectro de Lula no centro das decisões do governo, através de  Carvalho e de Palocci,  por ele indicados e seus protegidos.

Já não é mais assim. Lula desencarnou, como ele  mesmo diz, e Dilma está  tentando demonstrar para o Mundo e para ela mesma que é perfeitamente capaz de tomar todos os cafezinhos necessários com todos os políticos indispensáveis.

Só ontem, ela almoçou com os senadores e se reuniu  com todos os governadores do Nordeste. E na sexta irá a São Paulo para reunião com centenas de prefeitos.  O Lula gostava disso, mas para ela é uma nova vida dura.

Enquanto isso, Gleise Hoffmann, na Casa Civil, vai tocando as obras do PAC e fazendo cobranças administrativas, exatamente como  Dilma fazia para Lula. E a arrebatada e rude Ideli Salvatti convertida, na Secretaria das Relações Institucionais, em donzela delicada como um diplomata de carreira, enfrenta os problemas cabeludos dentro e fora na base de apoio do Governo,  na Câmara e no Senado.

 Se quiser, caro leitor, pode entender este texto como uma simples crônica amena. Pense, no entanto, que ele talvez seja, também, um flagrante de uma  mudança brusca na história política do País.

25-05-11, atualizado em 26-05-11

Código Florestal: Da Câmara para o lixo

O Governo considera que se  saiu bem do imbróglio em torno do novo Código Florestal. Imbróglio este criado  pelo  péssimo relatório redigido pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e pela sequência de trapalhadas por ele protagonizadas.

Para o secretário geral da Presidência, Gilberto Garvalho, que durante a crise manteve contato permanente com o ex-presidente Lula, a presidenta Dilma, no episódio, saiu bem na foto: posou ao lado dos ambienalistas, com os quais se solidarizou, e não rompeu o diálogo com os ruralistas.

Quanto ao novo CódigoFlorestal ele ficará em banho maria, até que se chegue a uma posição de consenso, antes de entrar em votação no Senado. Mas não há pressa. O presidente da chamada Câmara Alta, José Sarney, já foi  avisado por Lula e, bom de tabela,  anunciou que não há urgência para a votação do Código.

Para o Planalto, o desentendimento entre o Governo o PMDB, durante a votação do Código, na terça-feira na Câmara, decorreu do fato de que há, no partido aliado um bom número de deputados ruralistas. Sendo assim, é natural que nesse caso específico, não houvesse unanimidade.

Seja como for, houve  um arranhão, mas não houve um racha. Apenas um mal estar que pode  muito bem ser resolvido – e isto dizemos nós – com um bom canetaço de nomeações.

Texto de 25-05-11

Esta ópera pode ser assim resumida:

O texto aprovado ontem na  Câmara é o relatório original do deputado trapalhão Aldo Rebelo  (PCdoB-SP) e que foi considerado inaceitável pelo Governo.  A bancada  governista foi orientada  para votar a favor apenas para desobstruir a pauta.

 Há muitas medidas provisórias urgentes que precisam ser votadas, mas a Oposição e a Banca  Ruralista exigiam que antes de qualquer outra votação fosse colocado em discussão o  inaceitável Relatório Rebelo. Por isso o resultado foi tão folgado: 410  contra 63.

Mas  os Ruralistas, a Oposição a Bancada Governista e até  o Rebelo, sabem que o texto será agora rediscutido e reescrito no Senado, onde será travada nova batalha.
E, em último caso, por ser considerado inaceitáavel, se não for refeito, o monstrengo será vetado pela presidenta Dilma. Ela disse isso, com todas as letras, aos  oito ex-ministros do Meio Ambiente, com os quais se reuniu, ontem, no Palácio do Planalto.
O lixo, portanto, é o destino inglório do Relatório Rabelo, que o estabanado deputado levou dois anos para produzir.
E  isto de  deve ao fato de que, finalmente, o Governo coincidiu com os ambienalisas  na conclusão de que esse projeto, se aprovado,  significaria  dez anos de retrocesso nas políticas ambientais, uma vez que consagra e estimula o desmatamento que é mantido como norma. Além disso, seria a desmoralização internacional do Brasil.
Entretanto, ainda ontem, já nas bordas da  madrugada, os deputados aprovaram, por,273 votos contra 182, a Emenda 164 proposta pela  Oposição e que também é considerada inaceitável pelo Governo. Ela transfere para  Estados e municípios a decisão técnica e final sobre o que deve ou não deve ser preservado, tanto nas pequenas como nas grandes propriedades.
A presidenta Dilma já  garantiu que vetará também esta emenda, se for aprovada no Congresso.
Mas sua aprovação na Câmara revela que o PMDB, onde se acomoda um grande número de ruralistas, só é fiel ao Governo  quando há coincidência ideológica ou de interesses.

A matéria abaixo complementa a as iformações desta.

2 3-05-11 atualizado em 24-05-11

Dia 23: Governo tenta  salvar Palocci e Mercado torce por ele
Dia 24: Na última hora, Dilma fica ao lado dos ambientalistas

Acuado  pelos ataques simultâneos da mídia que atira forte contra Palocci e dos ruralistas que aticulavam a aprovação de  um novo  Código Florestal  que favorece o desmatamento, o Governo improvisou, foi ousado e jogou pesado.

Como resultado, aliviou a pressão contra Palocci e jogou a carga negativa do noticiário contra os ruralistas, enfim desmascarados como inimigos da Floresta e desmatadores  de carteirinha.

Até a  semana passada, o Governo  estava firme na sua disposição de protelar, até meados de Junho, a votação do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que favorece os ruralistas desmatadodes. A idéia era  continuar negociando até chegar a um acordo que  não comprometesse a imagem da presidenta Dilma.

Ontem (23), porém, o Planalto  mudou de rumo e decidiu votar hoje mesmo o desastrado relatório do Rebelo. Tudo para aliviar a pressão sobre Palocci, como está descrito no texto logo aí mais  abaixo.

Seja como for, é preciso registrar que há, nesse espisódio, muito jogo de cena.  Se aprovado na Câmara, o projeto do Novo Código vai para o Senado e , de qualquer forma, a palavra final é  da presidenta, que tem poder de veto. A batalha de hoje, não é decisiva, portanto.

Mas o Governo não vai conseguir evitar  a  difusão da versão de que  houve um acordo espúrio nos  bastidores:  a votação foi liberada, mas  a parte dos ruralistas, que integra a base de apoio ao Governo, não assinaria a lista para abertura da CPI contra Palocci, uma  iniciativa da Oposição.

Enfim, de ontem para  hoje, o governo foi auxiliado  pela  sorte e  pelos seguintes dois fatores: 1- a mídia ficou dividida e  atordoada, sem saber se atira preferencialmente no Palocci ou nos ruralisas desmatores, devidamente  desmascardas e estigmatizados; 2- os  ambitalista ralizaram um feito histórico, reunindo  os oito ex-ministros do Meio Ambiente e que, através de um documento,  conclamaram  o Governo e o País a não ceder à chantagem da Bancada Desmatadora.

Como num final feliz, os ex-ministos foram recebidos  esta manhã pela presidenta. E ela  garantiu que vetará  o projeto do Novo Código Florestal se ele chegar às suas mãos com uma redação ambígua que pudesse facilitar a devastação do  Serrado e da Floresta Amazônica.

Texto de 23-05-11

O Governo vai fritar uma boa  parte da Floresta Amazônica para impedir que sua  mola mestra, o ministro chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, seja fritado. O Plano é maquiavélico, mas não é difícil de se entender.

A presidenta Dilma, o Secretário Geral da Presidência, Gilberto Carvalho (que pensa sempre exatamente como pensa o ex-presidente Lula) e o próprio Palocci decidiram  permitir que o explosivo texto do novo Código Floresta seja votado amanhâ (terça, 24) na Câmara.

O novo Códico parido pelo relator, Aldo Rebelo, o deputado trapalhão (PCdo B-SP), é um atentado à inteligência, à higiene mental e a qualquer noção mínima de defesa ambiental.

Sua votação vai ser um escândalo, não só porque expõe o Barsil ao ridículo e à reprovação no exterior, como porque representa dez anos de retrocesso  nas poíticas de preservação ambiental.

Mas, o que o Governo quer é exatamente criar no Congresso (com repercussões na mídia) um grande  escândalo e um tumulto.

 O escândalo servirá para  encobrir,  como nas  camadas de um bolo de aniversário, o  Affaire  Palocci.  Assim, o chefe da Casa Civil , que vive como um acossado há dez dias, poderia respirar  um pouco.

Já o tumulto  visa protegê-lo contra a possibilidade de aprovação do requerimento da Oposição paa a criação de uma CPI mista (Câmara e Senado) que investigaria as atividades lobistas do superministro.

 É claro que exite  o risco de que seja aprovado o relatório orignal de  Rebelo, sem as alterações impostas pelo Governo que amenizam, parcialmente, as ropostas do relator francamente favoráveis aos desmatadores. Neste caso, as coisas seriam consertadas no Senado. E, em último caso, há a solução drástica do veto presidencial.

 Até a semana passada o Planalto pretendia adiar a votação da matéria até ter certeza de que não seria surpeendido. Entretanto, mudou de rumo para poder blindar Palocci.

 A derrota do governo não é improvável, porque o PSDB e o DEM, por rancor ou por automatismo  oposicionista, decidiram  aprovar o relatório orignal de Rebelo que oficializa  o crime ecológico e anistia  os desmatadores.

Calcula-se que se forem somados os votos  do DEM, do  PSDB e da Bancada Ruralista, pode-se construir uma   maioria eventual no Congresso.  Isto porque, os ruralistas espraiam-se por todos os partidos,  inclusive os da base governista, reunindo cerca de 200 parlamentares.

Estes deputados e senadores, embora se digam defensores do genérico Agronegócio e dos  pequenos produtores, na verdade  estão a serviço dos grandes proprietários, o famoso latifúndio,  com suas  históricas e conhecidas mazelas: grilagem, monocultura, destuição ecológica, trabalho escravo e pistolagem institucionalizada.

É de  se ver, aliás, que esta é a maior distorção das instituições brasileiras: na prática os grandes proprietários (menos que cinco por cento da população) são mais bem representados no Congresso do que todos os trabalhadores e pequenos proprietário juntos, sem falar nos Sem Terra.

O Mercado quer poupar Palocci

E surge aqui o grande dilema da  mídia brasileira. Os  jornalões picaretosos que comem na mão do Capital Financero (leia-se Núcleo Duro do Mercado) levantaram esta questão do enriquecimento prodigioso do Palocci. Só que chefe da  Casa Civil é fiador informal da política econômica do Governo. E os financistas temem que , sem ele, a presidenta  Dilma adote medidas macroeconômicas menos ortodoxas.

Vejam, a propósito,  estrevista concedida ao Globo,  neste domingo, por Luiz Carlos Mendonça de Barros, lugar-tennte de FHC na campanha das privatizações:”A economia de Lula era continuidade da de FHC. Quando a inflação ameaçava subir, o BC aumentava juros. Está claro que Dilma já mexeu nessa lógica”. E garantiu que “se Palocci cair, o Mercado Financeiro vai ficar menos confiante”.

7-04-11

Um  enterro  de  luxo para
o DEM: fusão com o PSDB

 O processo de fusão do DEM com o PSDB está em pleno curso. As negociações estão sendo centralizadas por Fernando Henrique Cardoso e seu ex-vice-presidente Marco Maciel.  Além deles, há também o presidente do partido em extinção, o senador Agripino Maia, do Rio Grande do Norte. Ele está há uma semana em São Paulo, só cuidando disso.

José Serra é o maior entusiasta deste projeto no qual ele vê sua oportunidade para dar a volta por cima.  A fusão representa um duro golpe para Aécio Neves que ainda paga o preço de sua derrapada boêmia na madrugada do Rio.

 Na semana pasada, de forma impositiva e um tanto arrogante, o ex-governador mineiro disse, da  tribuna do Senado, que a idéia de fusão com o DEM devia ser descartada. E anunciou, como se  fosse o comante-em-chefe  do PSDB, que deveriam ser iniciadas imediatamente as negociações com o partido aliado com vistas aos arranjos e alianças para as eleições municipais do ano que vem. Está acontecendo exatamente o oposto.

Talvez não fosse, para Serra, muito conveniente a indicação de FHC para presidir a nova agremiação, resultado da fusão. Mas ele acredita que Fernando Henrique agiria como magistrado, embora, há três meses, tenha dito que o próximo canditato à presidência da República,  deve ser Aécio,“porque a fila andou”.

Mas Serra imagina que, na presidência, FHC agirá como magistrado.  Além disso, nada  está assegurado ainda. As negociações estão apenas começando.

Para Aécio, o transtorno é tanto maior porque a fusão anula o acordo para a reeleição, na convenção de Junho próximo, do atual presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, seu fiel  aliado. Este acordo, um golpe contra as pretenções  de Serra, teve o aval dos  oito governadores tucanos, inclusive é claro, de  Geraldo Alckmin.

Para Alckmin, a fusão também não é bom negócio porque, no momento, ele trava uma briga de foice contra  José Serra,  pelo controle do diretório paulista do partido. E ele (Alckmin) está  politicamente muito fragilizado.

Na semana passada, seis dos 13 vereadores tucanos da Capital (por orientação de Serra) abandoram o partido para ingressar no PSD do prefeito Gilberto Kassab. E, na segunda-feira (25), o ex-deputado Walter  Feldman, ligado  à família Covas e  considerado uma liderança importante no PSDB, também abandonou o ninho, fazendo serveras acusações a Alckmin. Para ele o governador tem agido com incompetência e deslealdade.

Para complicar mais a vida do atormentado Alckmin, hoje mesmo (17), o deputado Ricardo Montoro, filho do ex-governador Franco Montoro, está ameaçando seguir, pelas mesmas razões, os  passos de Feldman.

Na dúvida, e em meio ao tiroteio,  o governador apressou-se em dizer que apoia a idéia da eleição de Fernando Henrique para a presidência dos partidos fundidos.

Seja como for, se ocorrer a fusão, tudo começa da estaca  zero e o PSDB terá que  mudar de nome, caso contrário ficaria  caracterizada apenas a incorporção do desmilinguido DEM.

Fora de São Paulo, o ex- governador de Santa Catarina Jorge Bornhausen é uma das lideranças nacionais do DEM que mais luta pela fusão, por uma questão de sobrevivência política.

Por isso, na semana  passada o atual governador catarinense, Raimundo Colombo,  subordinado a Bornhausen (que além do mais é banqueiro), anunciou que  se filiaria ao PSD de Kassab, caso até o inicio de Maio não seja consumada a  fusão (Veja matéria  abaixo).

Entretanto, nesse imbróglio todo, um dos mais prejudicados é o ex-prefeito carioca Cesar Maia, um aliado de Aécio. Há três meses, ele comandava indiretamente o DEM, através de seu filho Rodrigo Maia, presidente formal do partido. Agora, se houver a fusão, ele terá  sérias dificuldades para se acomodar com os tucanos fluminenses. Estes, na maiora serristas, não o perdoam por ter “conspirado” a favor de Aécio (contra Serra) em plena campanha eleitoral, no ano passado.

Como Maia tem, no Rio, mais prestígio e desensidade eleitoral que todos os tucanos juntos, é provável que, caso o constrangimento seja  muito grande, ele se arrange  com o PR  do ex-governador Antony Garotinho e lance Rodrigo como candidato a prefeito no ano que vem.

A matéria abaixo complementa as informações desta.

24-04-11

A morte anunciada do DEM

Primeira semana de Maio. Foi a data anunciada pelo próprio governador Raimundo Colombo, de Santa Catarina, para sua saída do DEM e ingresso no PSD do indizível Gilberto Kassab. Mas sua Excelência não desembarca sozinho.

Para usar de suas próprias palavras, ele está  promovendo  “um arrastão” em seu  Estado, para  inflar a nova sigla, com dezenas de deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores. Colombo é ligado ao ex-governador Jorge Bornhausen, a principal liderança do DEM no Estado, que não se entende  com a direção nacional do partido e preferiu deixar a vaca ir para o brejo.

O presidente  do DEM, senador Agripino Maia (RN), bem como o líder na Câmara Federal, ACM  Neto, reconhecem que  a saída de Colombo  representa a  pá de cal. Restaria, agora, a extinção inglória ou a fusão com o PSDB que é  para onde ambos provavelmente irão.

Entretanto, nem todas as lideranças nacionais ou locais seguirão este caminho. O que há é uma debandada, onde cada um  trata de si, sendo que a maioria está desembarcando no PSD.

Daí os esforços de  Maia e do ex-vice-presidente Marco  Macial,  estes dois líderes da  chamada “Direita Civilizada” e herdeiros (envegonhados embora) da Ditadura Militar, para organizar a retirada. Esta é seria  a única maneira de negociar, com um mínimo de dignidade, a fusão com o PSDB.

A propósito, vale dizer que no Brasil,  salvo raríssimas exceções como a do Jair Bolsonaro, ninguém  quer ser de direita, apesar de pesquisas indicarem que há no eleitorado nacional uma fatia, de pelo menos vinte por cento, sempre disposta a  votar nessa corrente.

Sobre o féretro do DEM é preciso informar, ainda, que um dos líderes mais prejudicados com esta situação é o ex-prefeito carioca Cesar Maia que corre o risco de ficar sem partido. Logo ele que há um ano praticamente comandava o partido através de seu filho  Rodrigo Maia, presidente fomal da agremiação.

É que, há exatamente um ano, ele, ao lado do atual presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra e do ex-senador Tasso Jereissati (CE), outro tucano ilustre, posicionaram-se ao lado de Aécio Neves na luta de foice que este travava, nos bastidores, contra José Serra. Luta esta que prosseguiu, já então  como boicote velado, mesmo depois de a candidatura do tucano paulista ter sido formalizada.

Por conta disso, a seção fluminense do PSDB criará dificuldades para o ingresso de Cesar em seus quadros, em caso de fusão. E é provável que o próprio ex-prefeito não queira se   submeter a uma situação vexatória, até porque seu peso político-eleitoral no Estado do Rio é maior que o peso somado de todos os líderes tucanos locais.

Finalmente: Além do governador Raimundo Colombo, vão sair do DEM para ingressar no PSD de Kassab, nada menos que cinco vice-governadores (inclusive Afif Domingos de São Paulo) além de 12 deputados federais e da  senadora rural Kátia Abreu (TO) que já se despediu.

Para o moribunmdo DEM sobrará apenas a governadora  Rosalba Ciarlini, do Rio Grande do Norte, que  também está balançando e até já disse que gosta  da presidenta Dilma Rousseff.

17-04-11

Lula  já  está  atuando como  um dos
mediadores na Guerra Civil da Líbia

A imprensa brasileira, grotescamente atrelada  aos interesses  estratégicos dos Estados Unidos, não dá uma linha e faz questão de omitir que o ex-presidente Lula está agindo como um dos mediadores na explosiva questão da Guerra Civil Líbia. Ele está atuando como embaixador  informal ou coadjuvante do Itamaraty.

Ontem, (sábado, 16), Lula conferenciou (não foi mera visita de cortesia) com o premiê espanhol, José Luis Zapatero.  Após a reunião no Palácio de Moncloa, sede do Governo, foi emitada nota oficial onde se informa que foram tratados temas da atualidade  e  “especialmente os acontecimentos do Norte da África”. A mídia omitiu exatamente esta frase.

Entretanto, este blog está em  condições de informar que nos próximos dias Lula visitará o premiêr turco,  Receb Tayyp Erdogan, e o presidente da África do Sul, Jacob  Zuma , com os quais continuará discutindo  uma saída pacífica para a Guerra Civil na Líbia.

De todos os líderes europeus, embora  oficialmente obedeça a resolução da ONU que  autorizou operações militares para  neutralizar a aviação de Muamar Kadafi, Zapatero é o mais reticente com relação a escalada  bélica proposta pela França e pela Inglaterra. Além disso, ele evita envolver a Espanha em ações diretas no conflito.

Há dez dias, Erdogan apresentou um plano que ele chamou de “Mapa da Paz, propodo um cessar fogo negociado na Líbia. Muamar  Kadafi aceitou, mas os rebeldes, que ocupam Benghazi, a “Capital do Leste”, aconselhados por ingleses e franceses, se recusaram a negociar. Dias depois Jacob Zuma foi pessoalmente à Líbia e ofereceu também um plano de paz, mas   a situação se repetiu.

 É importante notar que Lula só começou a agir mais ostencivamente, depois que a presidenta Dilma Rousseff, assinou na China, juntamente com seus colegas do  Brics, uma declaração condenado as ações militares no Norte da África no Oriente Médio

 Nesse caso e mais uma vez, a mídia venal ocultou de seus leitores exatamente este trecho da declaração conjunta.

Entretanto,  a condenção do uso de força foi incluído no documento final justamente por insistência da presidenta brasileira e do presidente sul-africano.

Os  integrantes do Brics, Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul, estiveram reunidos em Pequim, durante dois dias, na semana passada.

16-04-11

França e Inglaterra não respeitam
a ONU  e  polemizam   com o Brics

Numa grotesca demostração  da arrogância de nobre falido,  França e  Inglaterra  colocaram-se ontem acima da ONU e invocaram o direito unilateral de amplair os ataques militares à Líbia. Falando em nome das forças que estão atuando na Líbia, o ministro francês da Defesa, Gerard Loguet, envolveu também  os Estados Unidos. Entretanto, Washington não se manifestou oficialmente.

Ao mesmo tempo, Loguet abriu polêmica com  o Brics (Brasil, Rússia, China, Índia e  África do Sul) que  no dia anterior emitiu  declaração condenando as ações militares no Norte da África e no Oriente Médio.

Como a mídia brasileira, vergonhosamente atrelada aos interesses  estratégicos do Depatamento de Estado norte-americano, sonegou de seus leitores espectadores a declaração  do Brics, ficou, agora, sem ter como explicar a polêmica.

Veja, abaixo, o resumo do noticiário das agências sobre a ridícula petulância de franceses e ingleses:

Os EUA, o Reino Unido e a França pensam além da atual resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) autorizando ação militar para proteger civis na Líbia e agora querem uma mudança de regime, afirmou nesta sexta-feira, 15, o ministro de Defesa francês, Gerard Longuet.

Falando a líderes dos principais aliados ocidentais, o ministro disse que seria “impensável” que Muamar Kadafi permanecesse no poder. Longuet admitiu que isso vai além da resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a Líbia. “Mas eu acho que, quando três grandes potências dizem a mesma coisa, isso é importante para as Nações Unidas, e talvez um dia o Conselho de Segurança faça outra resolução”.

Na quinta-feira, as diferenças sobre como lidar com crise Líbia começaram a se aprofundar,

 

  quando o grupo dos emergentes Brics (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) pediu que o uso da força fosse “evitado”. O presidente russo, Dmitri Medvedev, foi além e disse que a resolução do Conselho de Segurança não autoriza a ação militar do tipo da realizada por jatos de ataque da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e de alguns países árabes.

Ainda na quinta-feira, o  presidente francês, Nicolas Sarkozy, o americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, assinaram artigo conjunto advertindo que a ação militar não parará até a queda de Kadafi.

Longuet minimizou as divergências, dizendo que Rússia, China e Brasil “iriam naturalmente retardar” o processo antes de se adotar uma nova resolução no Conselho de Segurança sobre a Líbia do tipo da desejada pela França. “Mas nenhuma grande potência pode aceitar o que Kadafi está fazendo contra seu povo isso”, defendeu.

A matéria logo aí abaixo complementa as informações desta. Leia também, sobre o mesmo tema, a  coluna Coisas da Política.  > http://bit.ly/cWwXDF

14-04-11

Brics  condena  intervenção na Líbia

O Brics que representa metade da população mundial, foi  taxativo, ontem, na condenção da ação bélica dos Estados Unidos e  seus  aliados europeus  na Líbia.”O uso da força na Líbia deve  ser evitado, assim como em outros países do Oriente Médio”, diz a declaração assinada pelos governantes da China, Brasil, Rússia, Índia e África do Sul.

Este inequívoco  manifesto de discordância dos cinco principais países  emergentes do Mundo, cujo peso econômico já ameça a hegemonia  das chamadas  Democracias  Ocidentais, deixa claro que houve uma extrapolação em relação à  resolução da  ONU que  autorizou a intevenção militar para proteger civis.

Na realidade, o que se viu foi a intromisssão dos EUA e da Europa para auxiliar um dos lados em confronto  numa  guerra civil declarada. Intromissão que já está fazendo mais vítimas civis do que aquelas que pretendia proteger.

 Dilma Roussef, Hu-Jintao (China), Dmitry Medevedev (Rússia), Manmohan Singh (Índia)  e Jacob Zuma, (África do Sul) participam, assim, de um momento histórico que assinala o esvaecimento da Era Unipolar (que vigiu desde  a implosão do Sistema Soviético)  durante a qual os Estados Unidos agiram como Polícia do Mundo.

Esse “direito” à intervenção unilateral transformou-se numa doutrina sintetizada assim, por Bill Clinton: “Agiremos onde e quando constatarmos que  nossas ideiais e nosssos interesses estão sendo contrariados”.

Ao ordenar o bombardeio da Líbia, Obama  (este  Bush sem a coragem de um Bush) repetiu essas exatas palavras. Depois, vacilante, pulou fora e entregou o comando das ações para a OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte.

 O importante, porém, é destacar outro fato histórico: o Brasil passa a atuar, de fato, como protagonista da cena mundial. O Jabor, os tucanos e nossa mídia medioce e corrupta, têm extrema dificuldade para assimilar isso. A mídia, particularmente, procura camuflar essa nova realidade, via sonegação de informações.

De Jabor e dos tucanos pode-se dizer que se trata de um fenômeno psicológico sem gravidade.  A famosa dor de cotovelo. Quanto à mídia, entretanto, é preciso  dizer que ela age de forma covarde e desonesta, traindo a confiança de seu leitores, porque está  atrelada (alinhada  automaticamente) aos intresses estratégico dos Estados Unidos.

 E é assim porque ela depende viceralmente, come na mão, do Capital Financeiro. Capital este que, globalizado, tem como principal parceira a Casa Branca, por uma questão de  equivalência e coincidência de seus principais objetivos.

A matéria abaixo dá continuidade às informações desta.

11-04-11

Africanos desautorizam OTAN

A delegação que reúne alguns dos principais líderes africanos e está na Líbia informou, neste domingo (10), que Muammar Kadafi aceitou o “caminho indicado para o cessar-fogo”.

Estes líderes, representantes da União Africana e encabeçados por Jacob Zuma, presidente da África do Sul, estiveram com Kadafi domingo e nesta segunda-feira conversarão com os rebeldes em Benghazi, a “Capital do Leste”. Eles são membros da União Africana. A importância desta notícia, contudo, é a de que diante do impasse militar, depois de dois meses de Guerra Civil,  esta ação dos líderes africanos  desautoriza a ação bélica da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que tomou o partido da facção rebelde.

 A iniciativa da União Africana, pouco divulgada pela mídia, praticamente força os Estados Unidos e seus aliados europeus a negociarem uma  saída pacífica para o conflito.

Na semana passada, o general Carter Ham que comandou as ações até a passagem do comadno para a OTAN,  disse no Senado americano que  a única solução para o impasse é enviar tropas para combater Kadafi também por terra, já que as operações aéreas se revelaram insuficientes.

Logo em seguida, o ex-presidente Lula e o primeiro-ministro da Turquia,  Recep Tayyp Erdogan, ofereceram-se como mediadores.

Os termos do acordo de cessar-fogo proposto pela União Africana ainda não foram  concluídos mas indicam que  Kadafi aeita negociar  uma saída para a crise que inclui uma fase de transição para a mudança do regime.

A missão da União Africana é integrada pelos presidentes Jacob Zuma (África do Sul) Toumani Turé (Mali),Mohamed Ould Abdel Aziz (Mauritânia) e Denis Sassou-Nguesso (Congo), além do primeiro-ministro das Relações exteriores Henry Oryem Okello, que representa o presidente de Uganda, Yoweri Museveni.

08-04-11

General: se aliados não invadirem por
terra, Kadafi resitirá por muito tempo

O general  americano Carter Ham que comandou as forças aliadas contra Ammoar Kadafi, antes da transferência do comado para o OTAN, Organização doTratado do Atântico Norte, disse ontem no Senado dos EUA, que  a menos  que  haja um intevenção por terra (envio de tropas), persistirá o impasse, sem definição de um lado vitorioso.

 Com efeito, a Guerra Civil que já vai completar dois meses, não apresenta, hoje, muita diferença  em relação aos  primeiros dias. Os rebeldes mantém sob controle Benghazy, a “Capital do Leste”, próxima à fronteria com o Egito, além de  cidades portuárias nas proximidades. Do outro lado, Kadafi controla  Trípole, sede do governo, e a maior parte do território a Oeste.

O que já está claro é que  mesmo com sua aviação destruída, Kadafi  possui  superioridade militar, em função de  seu exército que, embora precário, é maior e mais bem treinado do que o dos rebeldes. Além disso, é inegável que ele conta com apoio de pelo menos uma parte da população.

Diante desse quadro, os epecialistas e mesmo os comandantes militares, consideram que o impasse só seria rompido com o envio de tropas ou de  armas para os rebeldes. Como nem os EUA nem os europeus pretendem mandar soldados pra o front, restaria o envio de  armas.

 Ocorre que, há quinze dias, Obama foi informado pelos serviços secretos que  a Al-Qaeda, de  Osana Bin Laden,  infiltrou seus militantes entre os rebeldes. Nesse caso, as armas poderiam cair em mãos erradas. 

Então, como parece não haver solução militar à vista, começam a surgir propostas de negociações:  há dois dias, em  Washington onde  fez palestras, o ex-presidente  Lula se ofereeu como mediador.

 E ontem, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyp Erdogan, cujo país pertence à OTAN, apresentou um complexo programa de negociações, ao qual ele deu o nome de Mapa da Paz.

03-04-11

Aécio e Alckmin dão xeque em Serra

A cada semana, mais um lance e José Serra vai sendo empurrado para um canto do tabuleiro tucano, onde seus adversários pretendem aplicar o xeque-mate. O senador mineiro  Aécio Neves e o governador paulista  Geraldo Alckmin são esses adversários  e só vão sossegar  quando eliminarem todas as possilidades de Serra voltar a se candidatar à presidência em 2014.

Ontem, em Brasília, Aécio e Alckmin executaram mais uma jogada: coadjuvados pelo presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), e por  todos  os governadores  tucanos, lançaram  a idéia (na verdade  um fato consumado) da Criação do Conselho Político do partido, cuja função, na versão oficial, é a de coordenar o discurso político do partido e, portanto, da Oposição.

Quem aprova a criação do novo organismo é Comissão Executiva Nacional controlada por Guerra, Aécio e Alckmin. Mas o verdadeiro objetivo do Conselho Político é o de arrumar um posto (a sua presidência) com status e visibilidade suficientes para  abrigar José Serra,  atualmente sem mandato.

Aliás, ontem mesmo, Aécio e Alckmin indicaram, para presidir o Conselho, o nome do ex-governador paulista que, por razões desconhecidas, não compareceu à reunião de Brasília.

E aí está a essência da jogada: evitar que  Serra teime em disputar a pesidência do partido na Conveção de Junho próximo.  Se vencesse essa Convenção ele teria condições  reais para  susentar seu projeto de voltar a candidatar-se à Presidência da República em 2014.

Há duas semanas, Serra ainda resistia à idéia de  assumir a presidência do Conselho,  porque isto significaria que ele não vai disputar a presidência do partido. Nos últimos dias, porém, deu sinais de que vai aceitar. Ele fez seus cálculos e verificou que são mínimas suas chances de derrotar Guerra (que  tenta a reeleição) na Convenção de Junho.

Guerra conta  com o apoio (costurado por Aécio)  da maioria dos oito  governadores , da maioria dos senadores e da quase totalidade da bancada de deputados federais.

Enfim, o estóico José Serra  está engolindo mais esta derrota parcial imposta por seus rivais Aécio e Alckmin. Mas não jogou a toalha nem abandonou seu projeto pessoal de um dia despachar no Palácio do Planalto. E, para  definir a situação, ele usa sua frase predileta:  Me deram um limão, farei uma limonada. 

 Composição

Pela proposta, o Conselho será composto pelos oito governadores e mais: FHC, José Serra, Luiz Paulo Vellozo Lucas (Instituto Teotônio Vilela) e Aécio Neves, além de um integrante da Executiva do partido e de um representante da Câmara dos Deputados. O total é de 14 pessoas.

A matéria  aí abaixo tem conexão com esta.

31-03-11

Alckmin usa Kassab para rebaixar Serra

Coisas feias e rasteias a gente aprende rápido. O tratamento que o governador paulista, Geraldo Alckmin,  dispensa  hoje  a José  Serra,  é o mesmo que o ex-candidato à presidência  dispensou a ele desde sempre: despreso e manipulação.

Quem humilha distraidamente esquece. O humilado, ao contrário, intimamente jura vingança e, se puder, um dia a executa. É o que  Alckmin está fazendo agora.

 Não é segredo para ninguém que a grande queixa dos alckmistas em relação a  Serra e outros  caciques tucanos “do primeiro time”  é o de serem tratados como o pessoal do Baixo Clero, gente últil porém simplória.

Isto é assim desde que, há 16 anos, quando Mário Govas, candidato ao governo do Estado, precisou de um companheiro de chapa que representasse o Interior e não provocasse ciúmes nos vaidosos  tucanos de  plumagem nobre. Foi quando ele pinçou  Alckmin, o jovem e desconhecido prefeito de Pindamonhangaba.

A hábil vingança

Nesta terça-feira, enquando só se falava do falecimento do ex-vice-presidente José  Alencar,  Alckmin executou a sua jogada: declarou,sem subterfúgios, numa  reunião de correligionários, que José Serra deveria ser o candidato tucano à prefeitura de São Paulo no próximo ano.

O argumento cheio de lógica é o de que com essa candidatura seria restalecida a aliança (que vinha dando tão certo) do PSDB com o prefeito Gilbeto Kassab.

Serra acusou o golpe e repondeu rispidamente  declarando que não abre mão do seu projeto nacional ou seja: de candidatar-se à presidência, novamente, em  2014. E ele vai morrer lutando por isso, embora  todos acreditem que o candidato natural do PSDB seja  o senador  Aécio Neves que conta com apoio até do FHC.

O chato é que Alcmin tem razão. A candidatura de  Serra à prefeitura, neutalizaria a jogada do Planalto que estimular o nascimento de uma “Terceira Força“ em São Paulo, na tentativa  de quebrar a longeva hegemoina  tucana no  Estado.

E Kassab se presta para isso. Simplesmtne porque ele se presta  para qualquer coisa. Sem nenhum caráter, como político, ele declarou à TV Estado, na semana passada, que seu partido “não é de esquerda, nem de centro, nem de direita.” E reafirma a toda hora que apoia Dilma no plano federal, apoia  Alckmin, no plano estaddual, e apoiará Serra (seu primeiro  amor), se este for candiato à presidência.

Este Kassab, evidentemente, não vale um tostão furado, mas seu partido crescerá  com certa rapidez, porque há um bom punhado de políticos como ele.

26-03-11

Guerra interna  no PV:

Gabeira apóia Marina, mas  não decidiu
se sai com ela para fundar novo partido

Marina, como  dissemos  em matéria de dois dias atrás, está decidida a sair do PV e fundar um novo partido. Ela está furiosa com o fisiologismo e as práticas truculentas (“não democráticas”, como ela diz) da atual direção partidária. Neste momento, ela trabalha para que  Fernando Gabeira , o outro grande nome nacional dos verdes, a acompanhe  nesta aventura.

Gabeira concorda com todas as críticas de Marina à atual direção e chegou a  dizer que “é burrice” não considerar que ela  é tem que ter um posição de relevância, representa uma de suas  principais bandeiras e é candidata natural da sigla  nas eleições presidenciais em 2014.

Porém, tanto Gabeira como Alfredo  Sirkis, deputado federal pelo Rio, um dos fundadores e o terceiro grande nome do PV, por razões até sentimentais, vacilam na hora de abandonar  a sigla pela qual lutaram durante tantos anos.

De concreto mesmo, Marina conta  com  apoios de peso apenas de Guilherme  Leal,  dono da Natura  e que foi seu companheiro de chapa na corrida presidência, e de  João Paulo Capobianco, o coordenador da campanha.

Marina, ao lado de militantes históricos e recém desembarcados no partido, lidera o movimento Transição Democrática que exige a convocação de um Convenção e a eleição de nova direção ainda este ano.

Do outro lado, porém, o atual presidente José Luiz Penna (no poder  há dez anos) acaba de conseguir  a prorrogação de seu mandato por mais um ano e cria toda  as dificuldades para a ação de Marina e seus partidários.

A matéria abaixo dá continuida a esta. Não deixe de ler.

24-03-11 atualizado em 25-03-11

Virou mania. Marina  também vai criar novo partido

Ontem (quinta-24) à noite, Marina reuniu-se em  São Paulo com  as principais liderenas verdes contrárias à atual direção partidária e insinuou que, do jeito que está, não dá para permanecer no partido. Ao seu lado, entre outros, estavam Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis e Fábio Feldmann, candidato derrotado ao governo paulista.

Tanto Marina  Silva quanto a os dois nomes mais expressivos do PV, Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis (deputado federal pelo Rio), estão convencidos de que terão que  partir para a formação de um novo partido, se quiserem ficar livre da parte fisiológica do PV, comandada pelo atual presidente nacional, deputado  José Luiz Penna (SP), no cargo há dez anos, e  por Zequinha Sarney,  filho do senador manjado.

Marina já estava convencida  da inviabilidade de sua permanência no PV, desde a passagem do primeiro para o segundo turno nas eleições presidenciais  do ano passado. Na época, o partido já estava irremediavelmente dividido em três alas principais, a sua, a dos que já atuavam no governo Lula e pretendiam apoiar  Dilma, e os que apoiavam José Serra. Sobre essas outras facções pesa  a suspeita de fisiologismo, embora  não seja possível  generalizar.

Na mesma época, havia um  mal estar entre  Marina, de um lado e Gabeira e Sirkis, de outro. Os dois  estavam   amarrados  a acordos  eleitorais com  José Serra, anteriores ao  ingresso dela no partido. Como parte desses acordos  rolavam altas somas em dinheiro, recursos de campanha adiantados pelo tucano para o PV do Rio.

Daí o constrangimento a que foram submetidos tanto Matina como Serra  que, numa  situação esdrúxula e vexatória, durante  a campanha, revezaram-se no palanque do PV. Pela manhã, Gabeira (candidato a governador) apoiava  Marina e, à tarde, aplaudia Serra. O resultado foi um desastre eleitoral para todos.

Desde logo, o então candidato a vice na chapa de Marina, empresário, Guilherme Leal, dono da Natura, declarou-se disposto  a  segui-la na aventura de construção de uma  um novo partido. O então coordenador da campanha,  João Paulo Capobianco,  manifestou a mesma intenção.

No momento, Penna, o presidente quase vitalício do partido e que controla a Excutivava Nacional, acaba de prorrogar seu mandato por mais um ano, sem dar satisfação a ninguém. Coisas assim são facilitadas pela atual legislação partidária que dá poderes extraordinários às Comissões Executivas das agremiações.

O vice-presidente Michel  Temer, por exemplo, é presidente licenciado  do PMDB, porque não se pode acumular os dois cargos. Mesmo assim, ele também conseguir, na semana passada,  prorrogar seu mandato  por mais um ano.

 No PV,  o ambiente  é tão tenso que  resvala no ódio.  Há um total boicote  da atual direção contra elementos  ligados a Marina.  No Diretório de Brasília, até a filha da ex-candidata, Moara, teve  sua filiação recusada pela direção do partido.

21-03-11

Dilma ainda não tucanou, mas muitos tucanos já dilmaram

Como nunca antes neste país,  uma aprendiz suplantou o mestre em apenas três meses. A última pesquisa Datafolha revela que Dilma é hoje mais bem aceita pelo eleitorado do que Lula  o foi no início de seus dois mandatos. Há três véus que precisam ser retirados para desvendar este mistério.

Já dissemos isso aqui, mas vale repetir que a extrema aprovação de Lula, em seu último ano de mandato, decorreu do sucesso da política econômica. E disso se extrai que muita gente que   aprovou  a economia bombando e se beneficiou dela, reconheceu isso nas pesquisas. Mas, nem por isso deixou de votar em Serra que, afinal,  teve mais de  40% dos votos.

Os próprios analistas da Folha que tiveram acesso antecipado à pesquisa, comentam que  pelo menos 30% dos eleitores de Serra apóiam sem restrições (bom ou ótimo) o desempenho da presidenta  nos primeiros cem dias. Isto quer dizer que está havendo uma identificação entre o eleitorado tucano e o Projeto (ou o Estilo) Dilma.

Também já dissemos que é possível demonstrar que Dilma segue religiosa e rotineiramente os conselhos de sua marquetagem que por sua vez orientam-se disciplinadamente pelas pesquisas de opinião. Pesquisas que exprimem o pensamento eventual de uma vaga  e eventual maioria.

E ocorre que, como em todas as sociedades “civilizadas e modernas” (que é o estagio ao qual estamos chegando agora) esta maioria é, invariavelmente, analfabeta política, ideologicamente  nula e egoísta e consumista no último grau, como  soem  ser os  pequenos burgueses.

Este é o retrato, com raríssimas variações,  dessas sociedades que já podem ostentar o seu trem bala e sua Olimpíada e que exprimem a mentalidade dominante nesta fase globalizada e terminal, crepuscular, do modo de produção capitalista. Há nisso tudo, um cheiro de fascismo implícito, “democraticamente” consentido.

Resta saber se Dilma Rousseff  tem lucidez, perspicácia, cultura e grandeza de alma para perceber isso e não se deixar  esvaziar  até o ponto em que  se  identificará  com tudo o que foi exposto acima.

 Mas a rotina do dia a dia da política acaba sendo uma determinante histórica. Tudo consiste em seguir as pesquisas devidamente decifradas pelos marqueteiros. Se for assim, Dilma chegará  a 2014, desde que não ocorra uma catástrofe econômica, perfeitamente apta  a disputar  a reeleição com boas chances de vitória. Chegará, porém, totalmente vazia, a ponto de ser impossível diferenciá-la de coisas como  Geraldo Alckmin.

A matéria abaixo segue o raciocínio desta.

09-03-11

O dilema de Dilma: líder ou gerente

Seria infantilidade ou precariedade intelectual de cabo eleitoral não reconhecer que boa  parte da estupenda popularidade do presidente Lula deveu-se  aos bons resultados na área econômica. Tudo culminando com o “Pibão” do tipo chinês, justamente no  ano derradeiro, o da sua sucessão.

A presidenta Dilma, a cúpula do PT e seus marqueteiros conhecem, portanto, o caminho das pedras. E sabem que o que a maioria do eleitorado vota com o bolso e que o que não pode falhar e a economia. O resto vai-se arrumando.

E é exatamente aí que mora o perigo. Porque Dilma foi pinçada por Lula para ser sua sucessora  muito em função de seu perfil “gerencial”, digamos sim. Ou digamos de outra forma: Dilma não tinha e talvez não tenha definitivamente a decantada chama do carisma, privilégio de líderes inovadores, aqueles que dão um chute na história. E para usar de franqueza, direi que foi exatamente por isso que Lula a escolheu.

E mais que isso: quando a escolheu, Lula queria alguém que não se arvorasse a exercer liderança importante a ponto de  ofuscá-lo  ou provocar uma  divisão no partido. Todo partido, como se sabe, só não se fragmenta quando se submete a um líder incontestável ou a  alguém que não lidere facção alguma.

Se o raciocínio de Lula estiver certo e  ele está,  não podemos esperar de Dilma mais do que uma  administradora atenta e austera. Uma boa gerente e uma boa tocadora de obra. Foi isso o que ficou suficiente claro nestas  seis primeiras semanas de seu governo.

Com já disse em artigo  recente, a presidente  seguirá seu bom senso e seu estilo avesso a aventuras e ousadias. E seguirá, também, obediente, a orientação de seus marqueteiros  Se a economia continuar bombando ou pelo menos não der para trás, Dilma chegará a  2014 com um bom nível de aprovação e em condições de pleitear a reeleição. Quanto ao projeto original do PT,se é que alguém ainda  se importa com isso, pode esquecer.

Esta é a primeira parte do presente artigo.  Vamos concluí-lo amanhã.

06-03-11

A marquetagem empurra Dilma para a Direita

O deputado Paulino da Força (PDT-SP) não é um primor de boa educação, mas é simpático e bem falante. Pessoas assim acumulam gafes ao longo da vida. A última do Paulinho foi  na madrugada de sexta-feira, no Sambódromo paulista, onde,  entre uma e outra (escola) disse a jornalistas que foi  chamado para uma conversa com a presidenta Dilma.

Acrescentou, orgulhoso que “ela perdeu popularidade mesmo depois de sua ida aos programas femininos  (Hebe e Ana Maria  Braga) e agora quer falar com a gente”.

 Não se diz isso de uma anfitriã, mesmo que ela seja apenas uma companheira presidenta como diria o Lula. Mas o curioso é que o Paulinho tem uma certa razão.

Tudo que a presidenta diz ou faz é meticulosamente planejado por marqueteiros: depois da cassetada do mínimo-mínimo, ela foi aos tais programas  femininos, aumentou generosamente o Bolsa Família (que continua custando  apenas um terço do que  se paga aos especuladores financeiros, por conta  dos nossos juros de 12%, os maiores do Mundo) e comemorou o “pibão” de 2010, 7,5%, com cheiro de milagre chinês.

Mas, ponderada, do jeitinho que o Mercado gosta, avisou que para este ano não se deve esperar outro pibão, embora não seja um pibinho. Será um pib médio, de bom tamanho.

Todo  governo moderno tem suas equipes de marqueteiros. Tudo bem, desde que não se esqueça que  a marquetagem   é apenas um método adequado de  propaganda política. O importante, portanto, é saber o que está sedo propagandeado.

Se seguir os marqueteiros apenas  para  angariar pontinhos  nas  pesquisas, semana  sobre semana,  Dilma poderá chegar  ao fim do mandato com uma  boa quantidades de pontos. Mas totalmente vazia.

O que dá sustança (sustentação) a um governo como o do PT é a capacidade de convencer e mobilizar a militância. Não basta cooptá-la com boquinhas em ministérios, estatais e autarquias. Sempre surgirão  novos militantes insatisfeitos, sinceramente ou porque também querem uma boquinha.

Os militantes sinceros sofrem, mas acabam entendendo e aceitando alianças táticas e oportunistas como a que se está construindo, em São Paulo, com gente como Gilberto Kassab e  Afif Domingos, mas  ela não aceita conviver com a suspeita de que  o Governo mantém uma  aliança  estratégica e até de submissão com o Capital Financeiro.

8-02-11

Ainda há muitos idealistas no PT. Mas
eles pensam como Lênin  há cem anos

Esta matéria é continuação do texto  que você encontrará na sequência, editado ontem. Então quem não leu este texto de ontem, pode, se quiser, começar por ele.

As esquerdas do PT, que são muitas, decidiram abrir fogo contra o que chamam submissão  da política econômica de Dilma Rousseff aos ditames do Capital Financeiro. O principal alvo é o Banco Central com sua política de juros altos, como se fosse esse o único instrumento de combate à inflação e como se  os  juros brasileiros  já não fossem os mais altos do Mundo.

Já escrevi dezenas de  artigos , neste  blog, explorando este tema. Eles podem ser encontrados, principalmente, nas colunas Para Entender a CriseO Impasse Ecológico.

Mas, para simplificar a guerra, vou direto ao assunto, dizendo que o Banco Central é uma quadrilha organizada a serviço do Capital Financeiro.

Não há um único diretor desse estabelecimento que não tenha no passado e no presente ( assim como terá no futuro) uma relação promiscua com  entidades financeiras. Todos eles foram, são ou serão sócios de  bancos, corretoras de valores, etc. Uma indecência que absolutamente  não escandaliza a mídia tão facilmente escandalizável.

Direi, também, que  a submissão ao Capital Financeiro não é um privilégio do Governo Dilma. Ela era total com FHC e  persistiu há  oito anos, quando Lula nomeou Henrique Meirelles para a presidência do BC, dando-lhe total liberdade de ação, a famosa autonomia de fato.

Finalmente, para concluir este preâmbulo, direi que a grande astúcia do Capital Financeiro foi a de encampar o Estado. Ele colocou  o Estado e todo o seu sistema  produtivo a seu serviço. Daí as teorias neoliberais  do “Estado Mínimo” ou da “Intervenção mínima do Estado”.  Isto que dizer: Estado Domesticado.

Deu no que deu. Com total liberdade para agir, o Capital Financeiro provocou não só uma grande crise que está em pleno curso, mas a maior crise da história do Capitalismo. Ou mais ainda: a crise que aponta para a fase terminal deste modo de produção.

Agora  podemos falar das esquerdas  do PT: elas acertam no diagnóstico, mas não sabem aviar o remédio.  A precariedade das formulações teóricas das  esquerdas do PT e brasileiras de um modo geral, é um espanto.

Para que não digam que eu só critico, apresento, a seguir, o texto que servirá, creio, para o início de uma grande discussão.

O Crepúsculo do Capital

Reparem, desde logo, que a atual crise, longe de ser apenas a consequência da explosão de uma grande bolha especulativa, é um problema sistêmico que aponta para crescente  incapacidade  de o Capital acumular o seu próprio excedente. É a fase crepuscular ou terminal. Entender isso não é muito complicado desde que se saiba, preliminarmente:

1-O Capital é, em  si, um excedente. Excedente  de trabalho (próprio ou alheio) que não é consumido e sim acumulado.

2-O Capital só obtém lucro efetivo na sua parte variável, dinheiro vivo reservado para pagamento de salários. É essa a parte do Capital que retorna ao bolso no proprietário, inflado pelas horas excedentes (não confundir com horas extras) de trabalho não pagas, a famosa mais-valia.

3-A parte fixa ou constante do Capital, máquinas e equipamentos (e insumos também)  não fornece, a rigor, nenhum lucro ao capitalista. Isto, pela boa razão de que ela  transfere o seu próprio valor para o valor da mercadoria que ajuda a produzir. No caso dos insumos (energia e matérias-primas) esta transferência é instantânea. No caso de máquinas  a transferência pode levar anos. Mas, inexoravelmente, insumos, máquinas  ou  equipamentos se exaurem, cedo ou tarde, na produção das mercadorias. Entretanto, é  aqui, na sua parte constante, que o Capital  acumula.

4-A última frase do item anterior não é gratuita: o Capital só materializa e fixa os lucros obtidos com a rodada anterior de exploração do trabalho, quando investe em novas máquinas e em mais terrenos e edificações. É assim e só assim que ele realiza sua acumulação ou, mais propriamente, sua reprodução ampliada. Pois é assim que ele amplia sua capacidade de explorar mais trabalho a partir  da mesma base inicial.

 Agora reparem (e isto  é estampado diariamente pela mídia) que o Capital está em permanente revolução interna, sempre substituindo sua  parte variável (salários e mão de obra) pela parte  constante (máquinas e equipamentos). É a  automação vertiginosa que acomete o Sistema nesta  sua fase terminal. Quando as máquinas e equipamentos perdem densidade de valor ou simplesmente tornam-se descartáveis (substituídas em prazos cada vez mais curtos), o Capital vai, concomitantemente, perdendo sua capacidade de acumulação. 

Então, fica nítida a noção de que, principalmente nos países  tecnologicamente mais adiantados, o Capital (entendido aqui como o conjunto de capitais – o Sistema), vai despregando-se daquela parte que dá lucro, bem como daquela onde  ocorre a acumulação efetiva.

Quando isto ocorre, o Capital toma três rumos: a- deixa de ser produtivo e transforma-se em capital de serviços que dá lucro, mas não realiza a acumulação clássica que só ocorre (como foi exposto acima) no capital efetivamente produtivo, industrial ou agrícola; b- ingressa  no cassino especulativo e passa a obter a  maior parte de seus lucros não mais no  chão da fábrica, mas  no departamento financeiro e c- migra para a periferia do sistema, os países em desenvolvimento, onde ainda é possível  obter altas taxas de mais-valia, em função da mão de obra barata. Neste último caso, China, Índia e Brasil são três excelentes exemplos.

Enfim, creio que aí está  um pequeno, porém eficiente, roteiro para acompanhar a  atual crise com melhor capacidade de percepção dos fenômenos que são subjacentes a ela e vão muito além das baboseiras repetidas à exaustão pela mídia pobre e podre.

Reparem, ainda, que o que foi dito aí em cima, não é simples literatura marxista e sim leitura correta dos antigos clássicos da economia como Adam Smith, David Ricardo  e Jean-Baptiste Say,  em cujos textos Marx colheu os fundamentos para  desenvolver sua teorias sobre a acumulação capitalista. Um processo que chega agora à sua fase crepuscular.

O Neofeudalismo

A esta fase crepuscular eu dou o nome de Neofeudalismo, a etapa superior do Imperialismo.

O Neofeudalismo tem como principal característica a  monopolização  e/ou oligopolização extremas e a nível mundial. Some-se a isso, a terceirização da produção.  As grandes corporações cedem a terceiros avassalados, sua marca,  suas invenções e modos de produção e venda.  Assim, passam   (eis aí o aroma feudal) a  auferir renda com algo que é de sua propriedade, sem se imiscuirem na podução propiamente dita.

Com isso, como já é visível a olho nu,  há uma total revolução das relações  do trabalho, somada ao crescente descarte de mão de obra, por conta da vertiginosa automação. Nasce aí o chamado desemprego estrutural.

Em paralelo, surgem os fenômenos  do tipo empreendorismo que na verdade são formas de avassalamento do  produtor autônomo ou diminuto que à semelhança   dos servos, seus ancestrais, são avassalados  pelas grandes  corporações e dependem delas absolutamente. Não obstante, adquirem a sensação de  que não  mais possuem patrão.

Ainda nos estenderemos mais sobre esse tema. Por enquanto, deixaremos no ar esta  pergunta instigante: Já que é assim, porque o Estado Democrático, através de suas grandes empresas não se  intromete mais no processo produtivo?

O Estado Empreendedor

Com isso, o Estado compartilharia o Mercado com o Capital e iria avançando e conquistando  mais terreno, ao passo que  reassumiria a capacidade de planejar seu próprio destino. É claro que isso esbarra no preconceito contra alguns tipos de  estatais e seria realmente  apavorante se imaginarmos estatais do modelo soviético.

Mas estamos falando de estatais ágeis e  lucrativas (a Petrobras e o exemplo clássico), como as que existem às centenas na Europa. A indústria automobilística francesa, por exemplo, foi nacionalizada por De Gaulle, para evitar sua desnacionalização. E nem por isso  deixou de ser  competitiva.

Finalmente sobressai a questão ecológica. Como o Capital é cego e insensível diante desse problema crucial, a ação do Estado é uma forma de coibir a  destruição sistemática do Planeta  via produção/acumulação perdulária do atual modo de produção e consumo.  Mas este já é tema para outro artigo.

27-02-11

O real casamento do PT não é com o PMDB,
mas com a burguesia e o Capital Financeiro

O prefeito paulistano, Gilberto Kassab, todos sabem,  tem sua origem no malufismo e representava, com seu padrinho Afif Domingos, atual vice-governador de São Paulo, uma aliança da extrema direita fascistóide com o ex-prefeito e ex-governador José Serra.

Agora Kassab abandonam o moribundo  DEM, avantesma da antiga ARENA, e muda de mala e cuia para a base governista. A primeira porta que se lhe abriu foi a do PMDB de Michel Temer, mas parece que ele e Afif dão preferência para o Partido Socialista Brasileiro. Um escárnio. Mas a vida é assim mesmo.

Tudo o que Kassab  quer é abrir o caminho para sua eleição ao Governo do Estado em 2014. Caminho que estava interditado na sua antiga aliança, porque a preferência  era dos tucanos Geraldo Alckmin, tentando  a reeleição ou Serra buscando a ressurreição.

Do lado do PT e do Governo essa nova aliança é interessante, porque  enfraquece uma hegemonia de vinte anos exercida  PSDB no Estado. Lula ensinou que, antes de tudo, é preciso ser pragmático.

Tudo bem. Mas esta  é apenas a leitura superficial  dos fatos. Na verdade, o PT  está herdando  as alianças e os espaços antes ocupados pelo PSDB. Isto ocorreu em nome da governabilidade, o que é plausível, já que se abandonou o caminho da ruptura da legalidade burguesa. Montou-se, então,  todo um esquema ( meio anárquico, quando devia ser seletivo) de alianças com setores do Capital.

Até aí pode-se aceitar, só que quando  entre estes setores se inclui o Capital Financeiro,  a coisa se complica. Porque, apátrida e feroz,  ele não se deixa manobra. Manobra.

Amanhã darei continuidade a este texto.

 23-02-11

Caças para a FAB: França faz oferta “irrecusável”

A novela envolvendo a compra dos novos 36 caças para a Força Aérea Brasileira, envolvendo  U$ 7 bilhões, ganhou ontem novos ingredientes que podem ser decisivos.

Este blog recebeu de fonte diplomática a informação de que a Ministra das  Relações  Exteriores da França, Michèle Aliot-Marie,  ofereceu à presidenta Dilma Rousseff uma adição ao contrato original, com a possibilidade de serem produzidos mais dez aviões Rafale no Brasil com tecnologia totalmente compartilhada entre a Dassaut   francesa e a Embraer. Na verdade será um projeto novo, mais avançado.

A ministra francesa foi recebida graças a improvisação da agenda. Para recebê-la, Dilma teve que cancelar uma audiência que concederia ao senador americano Max  Baucus, presidente da  Comissão de  Finanças do Senado.

Michèle Aliot-Marie entregou  à presidenta uma carta do presidente Nicolas Sarkozy em ele insiste na importância da aliança estratégica entre Brasil e França e a convida para visitar Paris ainda este ano.

O  principal concorrente do Rafale é o caça norte-americano F-18  EF da Boeing que técnicos  de alguns setores da Aeronáutica  consideram  melhor e mais barato. O que pesa contra ele é a questão da transferência tecnológica. Embora a fabricante garanta que essa transmissão é irrestrita, a  verdade é que  o assunto depende da aprovação  do Congresso  americano.

Há quarenta dias,  o senador republicano John McCain, derrotado por  Obama nas eleições presidenciais e  hoje convertido em lobbista da  Boeing,  foi recebido por Dilma. Ele saiu do Planalto animadíssimo, garantindo que  se o problema é apenas de transferência de tecnologia, isto pode ser resolvido pelo Congresso americano.

Desde então, um assunto  que parecia decidido voltou ao noticiário e às especulações.   O tema parecia resolvido, porque, uma semana antes de deixar o Governo, o presidente Lula anunciou que sua escolha recaía sobre o Rafale.

Assim que a polêmica foi reaberta, habilidoso, o ministro Nelson Jobim, da  Defesa, alegou que  o atraso se devia  “à liturgia interna” da Aeronáutica: alguns relatórios técnicos não foram concluídos a tempo. Argumentou, também, que, como  2011 será um ano de arrocho fiscal, a presidenta  Dilma  preferiu deixar a decisão e as despesas para o próximo ano.

Entretanto, no Ministério da Defesa e no Itamaraty  há poucas dúvidas quanto à escolha do Rafale. Primeiro porque sua  compra está no bojo de um acordo estratégico muito  mais amplo com a França. Mas, principalmente em função da transferência  tecnológica.

Lembre-se que o Brasil acaba de assinar tratado militar estratégico com a Argentina e pretende  fazer isso, no futuro, com outros países do Continente, inclusive com a Venezuela, dentro do princípio de fortalecimento da UNASUL, União das Nações  Sul-Americanas,  meta prioritária da diplomacia brasileira.

Parece evidente  que Washington não  concordaria em vender aviões para países como Argentina e Venezuela,  com os quais vive uma conturbada convivência  diplomática.

E recorda-se, finalmente, que há  sete anos  o presidente  Bush simplesmente  vetou a venda para a Venezuela, de aviões tucanos genuinamente brasileiros, fabricados pela  Embraer. A alegação foi a de que  havia, no aparelho, alguns componentes de fabricação norte-americana.

Nas palavras de um diplomata brasileiro, comprar os jatos americanos  é meter-se numa “camisa de força tecnológica”

 17-02-11

Brasil pode retornar ao câmbio fixo

Este blog já repisou mais de uma vez que o governo de Dilma Rousseff  convive,  neste seu início, com três problemas que, na sua iteração, criam um grave círculo vicioso: um surto inflacionário que acarreta a elevação da taxa de juros que, por sua vez atrai mais capitais  especulativos para o País.

 Esse ingresso de  dólares indesejados provoca a  valorização  ainda maior do Real. Valorização esta que frustra nossas exportações e inunda nosso mercado com importados que provocam o desmonte de setores inteiros da  indústria local.

Para romper o cículo, Dilma e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, começaram  do ponto óbvio, que é o de cortar e controlar os gastos do governo. Para sinalizar para o Mercado que estão falando sério, anunciaram, na semana passada, um corte de R$ 50 bilhões no Orçamento Federal. E ontem participaram da batalha grotesca por um m salário mínimo de ridículos R$ 545 quando até o Serra queria  pagar R$ 600. Era o custo político que teria que ser e esta sendo pago.

Mesmo que consigam convencer  o Mercado de suas “boas intenções”, péssimas para os trabalhadores, Dilma  e Mantega não conseguirão evitar uma escalada da taxas de juros. Na última reunião da equipe econômica, no Palácio do Planto, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, informou, com toda a naturalidade, que a taxa , atualmente de 11,125%, ultrapassarão os 12% ainda no primeiro semestre.

Como se vê, nestas duas pontas que nos remetem para o círculo vicioso, não há  muito mais  que possa ser feito. Resta a terceira ponta, a do câmbio. Tanto a presidenta como o ministro já deram a entender, varias vezes, que o Brasil não pretende assistir  de forma passiva e como vítima  a Guerra Cambial travada neste momento pelas duas superpotências,  Estados Unidos e China.  Ambas manipulam o câmbio, jogando suas moedas para  baixo, obtendo assim, vantagens desleais no comercio exterior.

Nesta área  também não há muito mais que fazer no campo nas medidas convencionais, tipo aumento de impostos para importações  ou para aplicações financeiras provenientes do exterior. Se realmente quiser sair da posição passiva, o País terá que  dar sua manipulada no câmbio também. Pode, por exemplo, adotar o método descarado da China, cujo câmbio é fixo. Mas  pode igualmente escolher um mecanismo mais sutil, como o da   Quarentena que o Chile chegou a adotar há alguns anos.  Tudo consiste em reter  os recurso externos no Tesouro, por, digamos,  90 dois.

Mantega anuncia que na Reunião dos G-20 (nível ministerial) que se realiza em Paris, vai denunciar a política “de afrouxamento quantitativo” dos Estados Unidos que já está em sua segunda fase e deve injetar um montante de US$ 600 bilhões na economia, ainda nestes semestre. É  “Jeito Obama” de manipular, forçando adesvalorização da sua moeda.

A verdade é que, quando as duas maiores economias, que respondem por quase  50%  de todas as transações,  não obedecem  o “princípio canônico” do câmbio, é impossível evitar que outros  parceiros comerciais sigam o mesmo caminho.

Entre esses países, os primeiros da fila são os emergentes  que, como o Brasil, estão  sendo encharcados de dinheiro  especulativo e de  mercadorias artificialmente baratas. Em outras palavras, estão pagando, com a cessão de seus mercados, a desesperada tentativa  americana de livrar-se de sua grande crise. E entre os emergentes, o Brasil é o primeiro da fila. Mantega, aliás, foi quem cunhou a expressão Guerra Cambial hoje consagrada pela mídia mundial.

Quando o Brasil efetivar seu ingresso nesta nova era de câmbio manobrável ( que será vista como uma epidemia pelos economistas conservadores) a quase unanimidade do empresariado brasileiro aplaudirá de pé.

Praticamente não há um único industrial brasileiro que não aguarde esse passo como sendo o da “salvação da lavoura”. Eu diria mesmo que a presidenta ainda não fez isso  porque está só há 45 dias  no Governo e ainda não recuperou o fôlego. Há uma  barreira psicológica a ser transposta. E, muitas vezes, ela nos  tolhe mais do que as de concreto.

13-02-11

Kassab funda partido para sair
do DEM  sem  perder mandato

Firmemente decidido a ingressar no PMDB, pelas mãos  do vice-presidente Michel Temer, Gilberto Kassab, o ambicioso prefeito de São Paulo recebe, nesta segunda-feira, de um escritório de advogados especializados, os estatutos do  novo partido que pretende fundar, o PDB, Partido Democrático Brasileiro, nome provável.

A única função desta nova sigla, que pode ser considerada natimorta, é a de proporcionar a Kassab  a possibilidade de sair de seu atual partido, o DEM, sem  correr risco de perder seu mandato.

Além disso, ele pretende sair carregando consigo  a maior parte dos  setenta prefeitos do DEM paulista, bem como dezenas de vereadores e deputados  federais e estaduais de todo o País. Será o tiro de misericórdia no partido que, na convenção marcada para 15 de março, poderá decidir por sua própria extinção ou incorporação ao PSDB, as duas hipóteses mais prováveis.

 As incertezas decorrem das  dúvidas em relação à legislação partidária, um cipoal sobre o qual nem os ministros do Supremo conseguem se entender.

Quanto  a Kassab, tudo o que ele quer e  ficar livre para poder disputar o  governo do Estado de São Paulo em 2014. Ele acredita que  concorrendo pelo PMDB terá melhores  chances. A idéia é oferecer ao eleitorado uma altenativa  para a eterna disputa entre PSDB e PT.

E o projeto é visto com simpatia pelo Palácio do Planalto,  já  pensando num eventual segundo turno nas eleições estaduais.

06-02-11

PMDB de  Sarney  dá goleada no PMDB de Temer

O apagão do Nordeste foi  a água no chopp. Mesmo assim José Sarney  e Edson Lobão, seu sócio  na política há cinqüenta anos, não deixaram de comemorar a  nomeação de  Flávio Decat, um afilhado da dupla, para a presidência de Furnas.

Com a nomeação de Decat, a presidente Dilma  pôs fim a mais grave e azeda disputa  territorial no bilionário segundo escalão de seu governo. Nesse caso, a cena de guerra foi protagonizada pelo PT mineiro contra o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que  contava com  cobertura do vice Michel Temer.

Cunha era  considerado o Sultão de Furnas, cuja diretoria ele  nomeava e destituía  há anos.  Ligado a Moreira Franco, braço direito de Temer, o paramentar fluminense foi responsabilizado, há 15 dias, por engenheiros da estatal, de ser o responsável pelo balanço negativo e pela anarquia administrativa da empresa.

Vendo o dedo do PT mineiro por trás dessas acusações, o depuado, abusado, desencadeou um violento tiroteio pela imprensa e pela  Internet. Então houve a intervenção  da presidenta Dilma que, há quatro dias, nomeou Flávio Decat para presidência da estatal.

Na verdade, todo mundo está de olho é no Fundo  de Pensão dos Funcionários de  Furnas, o Real Grandeza, que  movimenta centenas de milhões de reais por ano. Patrimônio (em 2009) de 6,3 bilhões de reais.

 Mas é importante registrar, nesta briga, que quem levou a melhor foi o PMDB do Senado, comandado por Sarney e Renan Calheiros. Eles mais uma vez deram uma volta no PMDB da Câmara, comandado por Temer.

Algo semelhante já ocorrera  nos dias que antecederam a posse de  Dilma, quando se discutia a  indicação do ministro da Saúde.  Depois de conseguir o que realmente queria, a permanência de Lobão nas Minas e Energia, O PMDB do Senado abandonou o PMDB da Câmara à própria sorte.  Foi assim que Temer  acabou perdendo para o PT (com a nomeação de Alexandre Padilha) o controle do Ministério da Saúde.

Tudo isso para mostrar como é nítida a preferência de Dilma (e de Lula) por  Sarney, um  parceiro confiável, na comparação com Temer, de quem nunca se sabe se está trabalhando para o Governo ou em causa própria. De resto, todos  devem se lembrar  que  a presidenta e o ex-presidente, há um ano, fizeram o possível para evitar que o PMDB indicasse Temer como vice na  chapa da então candidata. Alguma razão eles deveriam ter para fazer isso.

Quanto ao apagão no Nordeste, Dilma aproveitou o acidente para nomear um técnico de sua confiança para a presidência da Eletrobras: José Eduardo da Costa Carvalho, ex-presidente da  Cemig e ligado a Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento.

Lobão, em todo caso,  não ficou no prejuízo. O atual presidente da Eletrobras, José  Antônio Muniz, um maranhense afilhado de Sarney, será nomeado pra o presidência da Eletronorte.

30-01-11

Mídia cínica descobre que o Irã não
é a  única ditadura no Oriente Médio

Este blog, como já ficou claro dezenas de vezes, não concorda nem deixa passar em branco as sandices  verbalizadas por Mahmoud Ahmadinejad, nem muito  menos  tolera o anacronismo e as crueldades da Ditadura Iraniana dos Aiatolás.

 Mas é preciso mostrar com clareza a cínica postura da mídia brasileira que, atrelada aos interesses estratégicos norte-americanos, há  décadas  desinforma seus leitores não revelando que em todo o Oriente Médio e no Norte da África há uma  grande coleção de ditaduras tão ou mais degradantes do que do Irã.

A diferença é que estas ditaduras não são “demonizadas”  e até são sustentadas e  bajuladas  por  americanos e europeus, com a condição de que, cooptadas,  não reajam ao extermínio do povo palestino e fechem os olhos para sórdido expansionismo de Israel convertido, hoje, num  estado escancaradamente  racista e segregacionista.

A rebelião no Egito contra o regime de Hosni Mubarak pôs a nu toda a farsa midiática, que, diga-se de passagem, não é só brasileira. Mesmo assim, os leitores incautos só agora são informados  que o Irã não é a única ditadura da região.

Porém, sempre calhorda, a mídia não menciona que quase ao lado do Egito prossegue  a  rebelião  contra o governo de Mohamed Ghannuchi  que substitui, de forma improvisada, o  ditador  Bin Alí (pró-Ocidente), deposto no último dia 14 e que dominava o país há 23 anos. A  insurreição  tunisiana, foi, aliás,  a inspiradora da rebelião egípcia. A mídia não informa nada disso.

Na verdade, os EUA e a aliados europeus sabem que se  houver  abertura  democrática em toda a região, os nacionalistas muçulmanos vencerão praticamente todas as eleições. O primeiro aviso ocorreu  no já longínquo 1992, na Argélia, quando, com apoio velado do Ocidente, deu-se um golpe e instalou-se  uma ditadura militar, no momento em ficou claro que  as eleições seriam vencidas pela FIS, Frente de Libertação Islâmica, cujo nome já diz tudo.

Com o Egito, começa a desmoronar a  farsa da Democracia Seletiva atrelada ao Neoliberalismo  Financeiro que comandou a pauta da mídia nos últimos 20 anos. Esta farra acabou. E eu ousaria dizer que Obama não tem competência para sair dessa enrascada.

19-01-11

Ministério da Justiça crê que  Battisti seja  solto em fevereiro

O ministro Eduardo Cardozo, da Justiça, tem manifestado a suas colaboradores mais próximos a confiança de que Cesare Battisti será libertado em fevereiro, quando, com o fim do recesso, o Supremo Tribunal Federal voltará  a se pronunciar sobre o caso.

Cardozo baseia-se numa informação simples, seguida do seguinte raciocínio já um pouco mais complexo: o STF não vai julgar o que ele (Cardozo)  chama de “mérito essencial da questão” ou seja, não vai reabrir o processo para  julgar se Battisti é  criminoso comum ou não.

O que nossa Suprema e Enroladíssima Corte vai fazer é decidir se, sob o ponto de vista técnico-jurídico, foi perfeito (legítimo) o ato do presidente Lula que concedeu asilo ao militante italiano.

A informação simples  foi dada ontem, de público, pelo presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso que, recuando de posição anterior,  disse que a Corte  vai decidir apenas “se o ato  do presidente Lula está de acordo  com  o  tratado de extradição assinado por Itália e Brasil.

Como  Cardozo, os  especialistas do Ministério, bem como os da Advocacia  Geral da União (que encaminhou o decreto de asilo  para assinatura do presidente) não têm a menor dúvida de que o tratado foi respeitado, só restaria ao Supremo mandar soltar Battisti.

Aliás, o próprio Peluso, na entrevista à imprensa concedida ontem, admitiu ser esta a provável posição do STF. Para ele, não cabe recurso da decisão do Tribunal brasileiro em qualquer corte intencional. O governo italiano  que decidiu recorrer à Corte brasileira, segundo Peluso, terá submeter-se ao seu veredicto. Mas esta já é uma briga entre nosso ministro e o poderoso Berlusconi, o  que  ficará para uma próxima vez.

O importante é que, na prática, o processo que foi reaberto, pero no mucho, vai agora, na primeira metade de fevereiro, para as mãos do ministro Gilmar Mendes, seu relator original. Mendes poderá relatar sugerindo que o plenárido, sem mais delongas, decida  sobre a soltura ou não de Battisti.

 Mas poderá, também, escolher o caminho mais longo, fazendo com que os ministros  se debrucem sobre o calhamaço para opinar, numa primeira etapa, sobre a  validade da decisão adotada pelo presidente da República.

O plenário, apesar do inusitado de ser forçado a decidir o que poderia ter decidido  há poucos meses (quando, comodamente, resolveu que quem daria a palavra final seria presidente da República) terá que, finalmente, decidir alguma coisa.

O ministro Eduardo Cardozo, que desfruta de boas relações pessoais  com um bom número de ministros do Supremo, já fez suas pesquisas informais  e acredita que Battisti será solto.

17-01-11

Na Argentina, candidatos à presidência disputam apoio de Lula

Niguém duvida que a presidente Cristina Kirchner tentará a reeleição nas eleições presidenciais de outubro próximo.  O candidato natural  do Partido Justicialista (peronista) e considerado imbatível seria seu marido Néstor, falecido em novembro do ano passado.

 Entretanto, ela enfrenta alguns concorrentes (pré-candidatos como ela) dentro da própria agremiação. Um deles é o ex-presidente Eduardo Duhalde que um dia foi padrinho  político de Néstor. Mas o fato curioso é que tanto Cristina quanto Duhalde  estão usando o ex-presidente Lula como cabo eleitoral.

De sua parte, Cristina preparam-se para receber em grande  estilo a visita de sua homóloga Dilma Roussseff, no próximo dia 30. É a primeira visita   da presidenta brasileira ao exterior o que  já da maior significado ao encontro com Cristina. Mas tudo esta sendo preparado para que a permanência da herdeira de Lula em Buenos Aires seja a transformada num grande evento.

De outro lado, como parte já da estratégia eleitoral, Duhalde lança hoje,  numa livraria de Mar Del Plata, seu livro “De Tomás Moro al  Hombre Cero”, que versa  sobre o santo filósofo  e sua Utopia. Pois até ontem os organizadores de sua campanha estavam anunciando a presença de Luiz Lula Inácio da Silva a esta inusitada tarde de autógrafos.

Lula infelizmente não comparecerá. Ele só sai do Guarujá para descansar mais uma semana, desta vez em Caracas, a convite de seu amigo Hugo Chávez. Mas mandou uma bonita carta elogiando o livro e o autor.

08-01-11

Mínimo  será superior  aos 540
reais  anunciados por  Mantega

As lideranças do PT e do PMDB no Congresso não têm mais dúvida: o salário mínimo vai ficar em torno de 550 reais, acima, portanto, do anunciado pelo ministro Guido Mantega, da Fazenda. Ele chegou a dizer que o Governo vetaria qualquer  iniciativa  do Congresso alterando a Medida Provisória  que estabelece o valor de  540 reais.

 Entretanto foi desautorizado pela presidente Dilma Rousseff  e  o chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, que assumiu definitivamente a função de coordenador político, deixou escapar, ontem, em conversa com parlamentares graduados que “até 550 reais, dá para conversar”.

O primeiro sinal de que os R$ 540 poderiam subir partiu do próprio governo, que anunciou anteontem o reajuste das aposentadorias em 6,41%. É um reajuste maior do que o proposto para o mínimo, que é de 5,88%. Ocorre que os dois preços são corrigidos pelo mesmo indicador: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) estimado para 2010.

 Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), também sinalizou, quinta-feira, que está disposto a discutir a alteração na proposta do governo para o mínimo caso continue na presidência da Casa, a partir de  1º de fevereiro, quando ocorrerá eleição para a mesa diretora.

Maia foi direto: “O Governo mandou a proposta do mínimo para o Parlamento, só que ele precisa  entender que aqui é um espaço de diálogo. O que nós esperamos é que tanto o Governo quanto os parlamentares tenham disposição para essa discussão”.

Tudo começou na terça-feira, quando em meio às discussões sobre os nomes que  comporão o segundo escalão do Governo,  o PMDB decidiu reagir ao anúncio de Mantega, de vetar o aumento do mínimo. O partido já havia anunciado que o deputado Eduardo Cunha, da bancada do PMDB do Rio, iria apresentar uma emenda passando o valor para R$ 560.

Além da emenda aumentando o valor, Eduardo Cunha também apresentará, em resposta às declarações de Mantega, uma proposta de emenda constitucional (PEC) alterando as regras para derrubar vetos do presidente.

Pelo artigo 66 da Constituição, se o Congresso quiser derrubar um veto presidencial, os parlamentares têm de fazê-lo por maioria absoluta das duas Casas reunidas em sessão conjunta, no prazo de 30 dias a contar do recebimento da mensagem do Planalto. O valor de R$ 540 para o mínimo foi fixado em Medida Provisória enviada ao Congresso pelo presidente Lula.

 29-12-10

 Lula tem saudade do Serra e medo da “oposição vaselina” do Aécio

Não é segredo que o presidente Lula elegeu Aécio Neves como seu principal adversário para os próximos quatro anos, Dele e de Dilma. Já na campanha, ele deixou claro que pretendia derrotar o neto de Tancredo em seu próprio reduto. Conseguiu que Dilma derrotasse  José Serra em Minas, mas não impediu que Aécio fizesse seu sucessor.

Nos últimos dias, contudo, Lula tem sido preciso e específico. Tem procurado passar para as principais lideranças do PT e para aliados confiáveis, que o que pode minar a base  aliada de sustentação ao governo de Dilma e complicar a sua  reeleição  é o projeto pessoal de Aécio.

Projeto que, ostensivamente, procura  aglutinar as oposições em torno de si, ao mesmo tempo em que amplia a influência  junto a aliados  governistas de fidelidade duvidosa, tipo: PMDB, PP,  Ciro Gomes e PSB.

Aécio, com efeito, até porque não tem a mesma  origem político e ideológica do tucanato paulista, sabe que é perfeitamente  possível fazer oposição a Dilma e ao PT sem  bater  de frente com  Lula e sua  enorme popularidade .

O desafortunado marqueteiro do Serra, Luiz Gonzalez, também pensava assim. Mas, desastrado, tentou colar a imagem de Serra na de Lula e deu tudo  errado. Além disso, não é fácil fazer marquetagem para um roda presa cheio de ódios pessoais e que carregava nas costas um FHC  cheio de ciúmes e despeitos.

25-12-10

Mundo que Gira: Estigmatizado no presente,
 Orestes Quércia será perdoado pela História

Vida que segue: Morte de Quércia abre caminho para que Temer e Kassab  se apossem do PMDB paulista.

Em 1975, este escriba que vos fala, por  indicação, vejam só, de Fernando Henrique Cardoso, foi assessor do jovem e recém eleito senador Orestes Quércia. Eram os Anos de Chumbo e o desconhecido prefeito de  Campinas cometera a façanha de, no ano anterior,  candidato pelo sufocado  MDB, derrotar  o ex-governador Carlos Alberto de Carvalho Pinto, ícone da burguesia paulista e candidato da ARENA, o partido da acanalhada Ditadura Militar.

E não creiam na falsificação histórica, segundo qual as dificuldades do partido  oposicionista  eram devidas, exclusivamente, às cassações, às prisões e à tortura ignóbil.  A principal dificuldade consistia no fato de a burguesia de então – em boa medida parecida com  burguesia de hoje – apoiar a Ditadura  Sórdida. E não só ela como  boa parte da Igreja Católica e da quase totalidade  da  mídia tão corrupta e manipuladora, então, como  esta dos nossos dias. Todos jactavam-se de ter ajudado a derrubar o governo populista de João Goulart.

Quércia simbolizou o início da virada psico-social que faria com que as grandes massas  evoluíssem da apatia  ou da aprovação velada para a crítica cada vez mais inconformada contra a Ditadura.

Mesmo assim, a ARENA, depois PFL, hoje DEM, continuava disputado, com o MDB, cada  palmo do território eleitoral brasileiro.

Tudo isso embalado pelo Milagre Econômico do inefável Delfim Neto (o Gordinho Sinistro), verdadeiro artesão e homem forte da Ditadura. Quem prendia e deixava torturar era o Médici, mas quem mandava de fato, determinava o rumo, era Delfim. Entre outra coisas, ele  inventou o Maluf. Pois é ele mesmo  quem hoje atua como uma das lideranças   exponenciais  do PMDB. Valha-me Deus.

Mas Quércia foi mais do que um símbolo  da virada contra  a  Ditadura: político  extremamente  habilidoso (Tancredo disse dele: “Enfim um político paulista.”) ele foi  um incansável articulador da máquina partidária. Máquina que já dominava  mesmo quando o Dr. Ulysses  era vivo. Quando o Pai de Todos morreu, ele assumiu o controle absoluto do partido em São Paulo.

Tão absoluto esse controle, que não havia  espaço para outra lideranças. Estas, sufocadas e sentido-se intelectualmente superiores ao “Prefeitinho de Campinas”, trataram de criar uma novo partido. Foi assim que surgiu o PSDB de Fernando Henrique, Mário Covas  e Franco Montoro.

No fim da vida, doente e politicamente exaurido, Quércia agarrou-se a José Serra que lhe deu guarida.  Mas a ironia de toda essa  história é a de que o PSDB de Serra tem, hoje, exatamente a  mesma  base social (e, por ventura, o mesmo discurso eleitoral) da  acanalhada  ARENA de outrora.

Com a  morte de Quércia, não há mais  empecilhos para que Michel Temer,  Gilberto Kassab e (porque não?) Delfim Neto  assumam o comando do PMDB paulista e se  habilitem,  agora, a disputar as eleições municipais de 2012, inclusive na  Capital, em composição com o PT.  Antes de sua morte, a tendência era compor como PSDB.

A História tem uma curiosa tendência para absolver aqueles líderes que em vida sofreram o  estigma da corrupção. Já vez isso com JK, por exemplo. Talvez ela faça assim, porque sabe melhor do que nós que, desde que o Mundo é Mundo, ninguém passou pelo poder ou pela política, sem ter metido a mão no milhão ou no tostão.

22-12-10

Próximo passo de Ciro será o do afastamento.
Depois começam  as críticas a Dilma Rousseff

Não é difícil saber tudo sobre o passado de Ciro Gomes e até arriscar a previsão de alguns de seus próximos passos políticos. Basta visitar a bela e valente Sobral uma das “capitais” do interior cearense. Depois é sentar-se no banco da praça e puxar conversa ou tomar café  no bar da esquina da rua principal. Aproveite para apreciar a arquitetura  delicada  do velho Teatro São João, uma relíquia.

Sobral é o berço político dos irmãos Gomes. Cid, o atual governador do Estado, foi prefeito da cidade. E o novo ministro dos Portos, Leônidas Cristino, indicado por  Ciro, na cota do PSB, era o chefe do executivo local até ontem.

Pois bem, perguntem  aqui  em Sobral para qualquer dos muitos amigos de infância de Ciro, qual é o seu destino político. E a resposta vem pronta: Seu caminho é o da oposição moderada.

 Mas  se você não quiser ou não puder ir ao Interior do Ceará, para o sorver a notícia na própria fonte, basta colocar-se  no lugar de Ciro. Raciocine com ele que, neste momento, está  pensando alto: “Você acredita que daqui a quatro anos, o PT vai apoiar a candidatura  à presidência de  alguém que não seja petista? Servir ao Governo seria apenas um desgaste, porque  cedo ou teria que haver o rompimento”.

Há seis meses, Ciro voltou às boas com Lula. Fazer oposição ao presidente já é um a dureza. No Nordeste, então, é  quase um suicídio. E Ciro tinha que pensar na carreira de seu irmão Cid que  tentava a reeleição. Então, chegou a subir no palanque de Dilma, lá no Ceará. Depois afastou-se.

Quando surgiu  o convite para que ocupasse o ministério do próximo governo, um gesto de boa e de Lula e Dilma, ele não disse não, mas  pediu algo que seria impossível atender: o Ministério da Fazenda, a presidência do BNDES ou o Ministério da  Saúde. Todos estes cargos são verdadeiras plataformas de  lançamento de candidatos à presidência. Se seu pedido fosse aceito, tanto melhor.

É claro que depois que entrou na dança, ele lutou  até a última hora para ser ministro da Saúde. Faz parte do instinto guerreiro que todos nós temos. Mas isto não elimina o raciocínio anterior: Ciro  já decidiu que seu destino é o da oposição moderada.

Agora, não me perguntem o que Ciro fará para livra-se do PSB, partido que definitivamente não se encaixa nos seus planos, até porque,  daqui a quatro anos, o astuto governador pernambucano, Eduardo Campos  que  é  o todo poderoso presidente  da agremiação, também pretende ser candidato à sucessão de Dilma.

 Afinal eu não sou adivinho. Sou apenas um repórter fuçador  que não tem medo de fazer perguntas  e gosta de exercitar sua capacidade de dedução.

Veja mais sobre o mesmo tema na matéria logo abaixo e na coluna Última Hora.

 19-12-10 atualizado em 21-12-10

Uma grande estatal ou uma fábrica da
 FIAT valem  mais que  um  Ministério

Do jeito como a mídia narra os fatos, fica parecendo que na composição do novo governo, tudo gira em torno dos ministérios. Não é assim. Há  estatais ou até diretorias de estatais que, no mercado político, valem  por dois ou mesmo três  ministérios. Vou dar um exemplo  concreto:

O governador de Pernambuco Eduardo Campos, que é também presidente nacional do PSB, aparentemente saiu derrotado da atual dança ministerial. Seu partido foi o que mais cresceu nas últimas eleições e Lula e Dilma lhe devem importantes  favores políticos.  Por conta disso, ele esperava  elevar a cota de sua sigla de  duas para três pastas.

Mas ficou só com duas e  ainda teve que engolir o Ciro Gomes que é filiado ao PSB, mas joga em faixa própria e até a última  hora lutou paa ser  ministro da Saúde. Para completar, vítima de fogo amigo, seus  principal  colaborador Fernando Bezerra Coelho que ele indicou para o Ministério da Integração Nacional, ficou com sua imagem reduzida a zero.

Até ontem à tarde não se sabia se  Ciro continuaria passeando pela Europa, ou se iria para  esse Ministério da Integração ou para o dos Portos. Só a noite foram anunciados os novos ministros e ficou claro que Ciro estava fora do Governo.

Mas não é bem assim: Eduardo Campos  não saí de bolsos fazios, já que recebeu da presidente  a promessa de que seu PSB  será contemplado com mais um ministério, o das Micro e Pequenas Empresas, a ser criado logo no  início de seu governo.

Além disso, Campos  poderá influir na  diretoria de uma estatal estratégica, a Petrobras Biocombustíveis  que atuará  prioritariamente no Nordeste.  Seu objetivo é o de viabilizar a  produção do biodiesel  a partir de produtos tradicionais da  agricultura familiar, como a mamona e a malva, por exemplo. Para os especialistas, esta empresa vai fazer mais pela justiça social e pela fixação do  homem no campo, do que o próprio Ministério do Desenvolvimento  Agrário.

E para que definitivamente os socialistas pernambucanos não fiquem  melindrados, Dilma e Lula anunciaram agora o que vinham providenciando silenciosamente há meses: a instalação de uma fábrica da FIAT no Complexo Portuário de Suape, junto ao Recife. Um  investimento de   três bilhões de reais que proporcionará a produção anual de 200 mil veículos. Originariamente, o projeto estava previsto para Minas.

O desfalque foi tão grande que até o Aécio Neves que não tem o hábito de bater  de frente com o Governo Central, disse ontem que nos “surpreenderam com  um fato consumado” e ironizou: “ Não sei se  foi o último presente  de Lula para Minas, ou se foi primeiro de  Dilma Rousseff’”.

Veja mais  sobre o mesmo tema na matéria abaixo.

14-12-10

No Ceará todo mundo diz que Ciro já é ministro

Não sei o que passa pela cabeça do Ciro Gomes. E se soubesse não diria. Mas posso dizer que lá no Ceará todo mundo diz que ele já é o ministro da Integração Regional. Todo mundo e mais seu irmão, Cid Gomes que é o governador.

Do jeito como a coisa está sendo colocada pela imprensa, fica parecendo que Dilma gostaria de ver  Ciro a seu lado no Ministério, fez o convite e agora ele,  lá na Europa, está pensando  no caso, devendo dar sua resposta  amanhã, quarta-feira.

Na verdade, porém, Ciro estava doidinho (troncho mesmo) para voltar  ao governo. Ele gostaria muito de ir para o BNDES, cuja presidência poderia ter ficado vaga se  Luciano Coutinho, o atual titular, tivesse sido escolhido para um ministério, provavelmente o da Fazenda.

Mas os planos de Dilma mudaram, Coutinho permaneceu no BNDES e sobrou para Ciro o Ministério da Integração Regional, posto que ele já ocupara, no Primeiro Governo Lula. E aqui vai uma revelação exclusiva para os leitores desse blog: Tudo isso (ou quase tudo) foi acertado há exatamente um mês, entre Lula e Cid Gomes, durante viagem a Seul (com escala em Moçambique), onde o presidente participaria da  reunião dos G-20.

Não sei se vocês se lembraram  que, à última hora e de forma um tanto estranha, Cid  foi convidado a participar da comitiva presidencial. Curiosamente, dias antes, os irmãos Gomes  haviam feito ostensivas  manobras de aproximação em relação ao ex-governador Aécio Neves.

O convite para que Ciro  participe  do Governo Dilma não foi revelado antes, primeiro porque os políticos  são chegados a um misteriozinho. Segundo, porque Lula e Dilma precisavam descalçar uma bota: a promessa feita ao governador pernambucano Eduardo Campos,  de que ele indicaria o ministro da Integração Regional.

Campos, como se sabe, é presidente  nacional do PSB, partido ao qual  Ciro e Cid são filiados e com os quais ele  mantém uma permanente disputa pelo poder interno. Para compensar a decepção, Dilma ofereceu a Campos um Ministério dos Portos  super anabolizado com a inclusão dos Aeroportos e, de  quebra,   uma nova  pasta, a das Micro e Pequenas  Empresas, a ser criada. Mas esta história está mais bem contada na matéria logo aí abaixo.

 8-12 -10 atualizado em 13-12-10

Dilma já convidou Ciro Gomes para a
Pasta  do  Desenvolvimento Regional

Confirmada antecipação feita por este  blog no último dia  8.

Ciro está na  Europa e dirá se  aceita entre hoje e amanhã. Ele já  ocupou o Ministério do Desenvolvimento Regional, no primeriro  Governo Lula. Tudo ficou decidido em conversa com o presidente do PSB, Eduardo Campos, que entrou pela madrugada de sexta para sábado, quando Dilma Rousseff, movida pela gratidão,  pela  velha amizade  e pelo cálculo político ressuscitou a ideia de levar  Ciro  para o primeiro escalão de seu governo, na cota do PSB.

Eduardo Campos que também é governador de Pernambuco, não reagiu bem à idéia, porque  já havia indicado  Fernando Bezerra,  homem de sua confiança, para a Pasta do Desenvolvimento Regional. Detalhe: Cid Gomes irmão de Ciro e  governador do Ceará, também participou da reunião.

O principais capítulos da novela

Veja , do texto abaixo, de 8-12, como este blog atencipou a notícia de que Ciro seria convidado:

Ainda bem que temos bons parentes e boas fontes no Ceará. Isso nos permite  informar,com boa margem de segurança, que Ciro Gomes não ficará fora  do Governo Dilma.

 Assim que for possível, ele será alojado num ministério ou na presidência do  BNDES, seu sonho ardoroso e desejo sincero da presidente.  De qualquer forma, se não  for contemplado com  o Banco de Desenvolvimento, ele poderá ir para outra estatal importante, ligada ao Nordeste.

E aqui será necessária uma breve retrospectiva:  Até  onde  sabemos,  no desenho original de seu governo, Dilma Rousseff pretendia nomear para o Ministério da Fazenda a Luciano Coutinho, atual presidente do BNDES e seu professor de  Economia  há longínquos  quarenta anos. Luciano é desenvolvimentista como ela e serviria de contrapeso, caso Meirelles continuasse no governo.

Seguir-se-ia uma dança de cadeiras, mediante a qual, Guido Mantega, desalojado da  Fazenda, iria para o Ministério Planejamento, ocupado por  Paulo Bernardo que viria para a Casa Civil.

Vai daí que, no dia 16 de novembro último, durante uma histórica reunião no Palácio da Alvorada e que vararia a madrugada, o presidente  Lula venderia três  peixes para sua pupila: manter Mantega na Fazenda,  deixar  Bernardo  no Planejamento (ou nas Comunicações) e trazer Antônio  Palocci para a Casa Civil. No desenho original, Bernardo viria para a Casa Cilvil e Palocci iria para a Secretaria Geral da Presidência  que também funciona  no Palácio do Planalto e seria ampliada em atribuições e metros quadrados.

Na verdade, Dilma quer manter Ciro por perto, temendo que solto por aí, ele acabe namorando o Aécio Neves. Ele poderia voltar para o Ministério da Integração, onde esteve no primeiro governo Lula. Mas voltar para o mesmo lugar é custoso do ponto de vista psicológico.

Além disso, essa vaga  foi  rapidamente requisitada pelo  astuto governador pernambucano, Eduardo Campos que preside o PSB, partido de Ciro. Debaixo da mesma sigla, eles  mantém  uma surda  disputa pelo poder interno. E há um ano  quase romperam, quando Campos manobrou para que  os socialistas abortassem a candidatura de Ciro à Presidência. Mas agora, voltaram a se falar.

O fato é que Campos passou o dia de ontem em Brasília aguardando a chamada de Dilma a quem entregará os nomes que indicará para os dois ministérios da cota do PSB, o da Integração  (Fernando Bezerra ligado a ele) e dos Portos, Pedro Brito, ligado a  Ciro. E é possível que ele volte ao Recife com um terceiro ministério a ser criado, o das Micro e Pequenas Empresas.

Mas enquanto esperava, ele almoçou, ontem, sabem com quem? Com o Aécio Neves que sempre  tentou se aproximar dos socialistas. Há sete meses, em uma de suas viagens a Belo Horizonte, Ciro Gomes disse que de bom grado seria vice de Aécio, caso o PSDB  o lançasse candidato à presidência.

E isso que valeu no passado, pode valer em 2014. Aí, vocês argumentarão: Não é muito cedo para pensar na sucessão de Dilma? E eu só direi que vocês verão como quatro anos passam rapidinho. Antes disso, porém, a presidente  deve atrair Ciro para seu governo.

 03-12-10

As três grandes prioridades de Dilma Rousseff

Marco Aurélio Garcia, “o amigo do Chávez”, assessor  da Presidência para Assuntos Internacionais de Lula (e de Dilma), além de um dos autores do programa de governo da presidente, é uma das fontes deste blog. Posso dizer isso, assim abertamente, porque ele  jamais  me passou  informações diretamente. O que ele revela, chega a mim porque temos  alguns amigos comuns.

Então, é com base em informações de Garcia que posso passar aos leitores, com exclusividade, quais serão as principais prioridades de Dilma Rousseff , nos  primeiros  90 dias de seu mandato:

Um tapa na inflação: Tanto Dilma quanto  Guido Mantega, não tem ilusões a respeito. A inflação termina o ano na faixa dos  6% sendo que a meta era 4,5 por cento. Há um evidente recrudescimento inflacionário conseqüência de um ano eleitoral, quando há relaxamento dos gastos em todos os níveis.

 Mas, conseqüência também de um forte crescimento econômico, verdadeiro  boom,  espelhado nos recordes  históricos  da elevação do nível emprego e da  renda média dos salários. Este ano, o País cresceu mais de 7%, um feito chinês. E quando isso acontece, é inevitável o aumento do consumo que deságua na elevação dos preços.

A receita elementar para o combate a surtos inflacionários é o aumento da taxas de juros pelo Banco Central.  Dilma e Mantega esperam que esta elevação seja  a menor  possível, embora  acreditem que o BC “vai mexer nos juros” já no início ano e aceitem isso com naturalidade.

 Como “contribuição” para que a elevação dos juros  seja a menor possível, Dilma promete uma estrita contenção de gastos, desde os primeiros dias de seu mandato, ainda que ao  custo de paralisação ou desaceleração  de obras importantes.

E não é só isso: Mantega, pretende alterar  o  principal índice que mede a inflação, não com o objetivo de deturpá-lo ou contaminá-lo,  mas  para  que se evitem distorções. Então, como se faz nos Estados Unidos, por exemplo, serão expurgados do índice os preços de alguns  produtos agrícolas e combustíveis. O objetivo é evitar o efeito da sazonalidade e de problemas climáticos que fazem com que o BC  tenha que  elevar a taxa de juros, toda vez que o  preço feijão sobe na feira.

 Integração Sul-Americana: Manter e acelerar a integração dos países da América do Sul, como forma de confrontar  com a tradicional hegemonia  norte-americana no Continente. Isto implica na manutenção da “aliança estratégica” entre Argentina, Brasil e Venezuela. Aliança esta que funciona como um eixo que sustenta a união continental, assim como o pacto entre  França e  Alemanha, (dois inimigos históricos) viabilizou a União Européia. Os principais instrumentos da integração do nosso Continente são o MERCOSUL e  a UNASUL, União das Nações  Sul-Americanas.  Marco Aurélio Garcia gosta de dizer que quando esta união for concretizada, estará nascendo a quarta maior potência do  Planeta.

Os laços políticos prioritários: Quem examinar o mapa dos resultados da últimas eleições, vai notar que, grosso modo, Dilma venceu  em quase todos os Estados e Regiões. Perdeu por pequena margem apenas em São Paulo e no Sul.  Entretanto, o que fez a diferença  foi sua extraordinária votação no Nordeste  e  no Rio de Janeiro, com média sempre superior a 60% dos votos.

Esse será, portanto, o eixo de fidelidade e sustentabilidade política da presidente.  É claro que  ela não discriminará nenhum estado, mas para o Rio e para o Nordeste não faltará nada.

Ontem, Dilma recebeu, na Granja do Torto, um arranjo de flores. Os jornalistas de plantão disseram, por pilhéria, que  o mimo foi enviado por Sérgio Cabral que, na véspera, cometera  a bobagem de anunciar  antecipadamente, a escolha de Sérgio Côrtes, como  ministro da Saúde. As flores assinalam os restabelecimento da amizade e confiança entre. Dilma já relevou a gafe do sôfrego Cabral e poderá, até, confirmar Côrtes na Saúde. Veja a coluna Coisas da Política.

Veja mais sobre o mesm tema nas matérias abaixo.

23-10-11 atualizado em 24-11-10

Como Dilma livrou-se  de Meirelles

Dilma soube que poderia se  livrar de Henrique Meirelles, na histórica reunião que manteve com Lula, no Palácio da Alvorada, assim que voltou de seu breve descanso  em Porto Alegre, semana passada. Ali, ela teria  conseguido convencer definitivamente o presidente de que é possível corrigir  o rumo da macroeconomia sem depender  do presidente do Banco Central e sem provocar pânico no Mercado.

Depois disso, foi  só questão de saber como descalçar a bota. Lula odeia desfazer amizades ou parecer ingrato. Provavelmente, ele mesmo avisou ao Meirelles de que a coisa estava preta. Agora o presidente está tratando de arrumar um bom ministério para o banqueiro, desde que o PMDB  aceite contabilizá-lo na sua cota ministerial.

Já Meirelles, quando soube que não ficaria, deu entrevista aparentemente estabanada,  fazendo exigências para ficar. É claro que tudo não passou de ceninha para sair com honra e sem aranhões na biografia. Dilma, de sua parte, aproveitou a deixa, fingiu-se de ofendida e consumou a separação.

Quanto à ida de Meirelles para a embaixada brasileira em Washington, ela parece pouco provável,  porque as relações Brasil/Estados Unidos serão marcadas por crescente antagonismo, o que exige  um  profissional  do ramo  (do Itamaraty)  para o cargo de embaixador na  nossa principal  missão diplomática no exterior.

A satisfação ao Mercado (texto original de 23-11)

Há uma semana este blog informou que Henrique Meirelles não permaneceria à frente do Banco Central, Há dois dias, sempre à frente de nossa  mídia um tanto preguiçosa, antecipamos  que os  novo presidente da instituição deverá sair de seus próprios  quadros, mais precisamente de sua atual diretoria. E mencionamos, como um dos favoritos, Carlos Hamilton Vasconcelos, atual diretor de Política Econômica.

Agora, os fatos vão-se afunilando e Dilma teria em sua mesa, aguardando  uma decisão, apenas dois nomes, o do citado Vasconcelos  e o de  Alexandre Tombine, diretor de Normas e Organização do Sistema  Financeiro e que, em 2006, comandou a Diretoria de Assuntos Internacionais. Pesa a seu favor, o fato de ser  mais próximo de Guido Mantega, que permanece no Ministério da Fazenda.

Ontem (22-11), ainda eram citados os nomes de Luiz Trabucco, presidente do Bradesco; Fábio Barbosa, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Santander) e  Octávio de Barros, economista-chefe do Bradesco. Mas o que há de concreto é que depois de expor o viés  desenvolvimentista de seu  governo, Dilma Rousseff  dá agora  uma satisfação ao Mercado, sinalizando que não partirá  para aventuras  heterodoxas na área econômica e não descuidará do combater à inflação.

Não deixe de ler a matéria logo ai abaixo desta,  onde se explica melhor esta dicotomia do Governo de Dilma Rousseff:  Uma vela para o Desenvolvimentismo e  outra  para o Mercado, leia-se Capital Financeiro. Lei também a coluna  Arte & Manha.

20-11-10

 BC: Dilma já está escolhendo o sucessor de Meirelles 

Decidida a afastar Meirelles, Dilma já procura um nome para sucedê-lo à frente do Banco Central. Como um dos favoritos, desponta o nome de Carlos Hamilton Vasconcelos de Araújo, atual Diretor de Política Econômica, cargo que assumiu em março deste ano.

Ex-professor da Fundação Getúlio Vargas, Vasconcelos tem vasta experiência na área econômica  internacional e nas questões cambiais. Antes de ocupar o atual cargo, ele era Diretor de Assuntos Internacionais.

Mas seu favoritismo está baseado em dois itens cruciais:

Ele e tão respeitado pelo Mercado quanto o próprio Meirelles e sempre defendeu uma política monetária ortodoxa, baseado no tripé “câmbio flutuante, política fiscal austera e  fixação de metas para a inflação”.

Entretanto, a partir de  março, quando Hamilton passa a ser o formulador de fato da Política Econômica, o Mercado  notou que o  Banco Central estava sendo “levemente complacente” com o Governo e, apesar  do aumento da “gastança” do Executivo, foi suspensa a trajetória de  aumento das taxa de juros, ensaiada no início do ano. E atribuiu-se essa  posição “moderada” do BC  ao fato de que vivíamos, então, um clima de efervescência  eleitoral  e ele resolveu não fazer marola. Seja como for, em seus próprios relatórios, a instituição  mostrou-se, mais flexível em relação à sua própria ortodoxia.

O leitor deve esta notando que há ai, uma grande contradição. E é verdade. Porém, esta atitude contraditória do  BC corresponde a uma contradição do próprio Governo que, nos últimos quatro anos, foi  permeado por uma ácida discussão entre Mantega, desenvolvimentista  e  Meirelles, o ortodoxo.  No período, Lula atuou como mediador, sua especialidade.

Agora,  entretanto, ambos, Governo e Banco Central estão em uma sinuca de  bico: a simples elevação da taxa de juros tornou-se impraticável, porque ela  funciona  como um atrativo a mais para o ingresso de capitais especulativos forçando, ainda mais, a  valorização do Real em relação ao Dólar.  Valorização esta, que representa, hoje, o principal nó da economia brasileira.

Diante desse problema e livre de Meirelles com quem sempre teve um diálogo difícil, Dilma, a desenvolvimentista, vai chamar o novo presidente do BC, seja ele Hamilton Vasconcelos ou não, para propor um pacto simples: Você segura mais um pouco a elevação da taxa de juros eu me  comprometo a  reduzir drasticamente os gastos do Governo.

Se nada disso der certo, só restará ao Governo agir como  já estão agindo  os Estados Unidos e China. Ou seja, manipular o câmbio e começar a segurar “na marra” a valorização do Real. E é isso, aliás, que  a maioria dos empresários, não apenas  os  exportadores, deseja que  Dilma faça.

16-11-10 atualizado em 18-11-10

Veja abaixo a manchete da  Folha de S. Páulo de hoje (18-11) confirmando a notícia que antecipamos há dois dias neste blog.

“A presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), decidiu convidar Guido Mantega a permanecer no Ministério da Fazenda em seu governo. O convite seria feito ontem à noite, em jantar entre os dois na Granja do Torto _casa de campo da Presidência, cedida à eleita na transição. Anteontem à noite, em reunião com Dilma no Alvorada, o presidente Lula voltou a defender que Mantega continue no cargo.”

Agora veja a matéria que postamos há dois dias no blog:

 Para  alterar  política econômica,
 Dilma  mantém  a mesma equipe

Dilma Roussef assumiu ontem (15-11) sua nova residência, a Granja do Torto e surpreendeu até a equipe de transição que se reúne quase diariamente com ela, sinalizando que já na próxima semana deverá anuncia  o primeiro  “bloco de nomes” de seu Ministério.

 Fora isso, a novidade é que não deverá haver novidades na equipe econômica: a presidente   manterá Guido Mantega, na  Fazenda  e Paulo Bernardo  no Planejamento. A única dúvida importante é em relação a Henrique Meirelles. Não se sabe se ele deixará a presidência do Banco Central agora ou daqui a alguns meses. De qualquer forma, terá que se comprometer com a política de juros baixos.

 Entretanto, Dilma já declarou expressamente (e formou-se o consenso a respeito)  que  ocorrerão duas mudanças importantes na economia. Os juros vão baixar rapidamente e os gastos  do governo serão menores e mais bem  controlados. Tudo com o objetivo de contornar a  Crise Cambial  que já está declarada, penaliza  brutalmente a indústria brasileira e  promove cancelamento em massa de postos de trabalho, a famosa desindustrialização.

Para que não haja dívidas: a crise já aparece no vermelho das estatísticas, provocando forte déficit na Balança Comercial. Tudo isso é insustentável no médio e até no curto prazo. E, para agravar, há ainda um preocupante recrudescimento da inflação.

Por conta disso, tudo o que Dilma não quer é criar marola e agitar um Mercado já de si arisco, sobretudo em fases mudanças de governo. Daí sua intenção de mexer o mínimo na área  econômica.

Como já estava quase certa a ida de Paulo Bernardo para a Casa Civil, especula-se que Dilma escolherá para este posto, o seu Dilmo. Ou seja, alguém que se envolva pouco com política  partidária, seja bom gerente e bom tocador de obra.

Contudo e dentro ainda do terreno especulativo, passou-se, nas últimas horas, a falar em  José Eduardo Dutra que, nessa fase crítica de transição e de problemas estruturais na economia, reúne  duas qualidades importantes: a de bom jogo de cintura (se não fosse assim  não seria  presidente de um partido complicado como o PT) e a de bom gestor.  Afinal, ele foi presidente  da Petrobras.

Sobre o mesmo tema, leia a matéria logo abaixo e as  colunas Última Hora e Coisas da Política.

o9-11-10

Lobão, Maria das  Graças Foster e Luciano Coutinho
também  já  carimbaram passaporte para o  Governo

Já dissemos, há dois, que Dilma Rousseff, diferentemente de Lula, pretende comandar pessoalmente a Política Econômica. E adiantamos que sua preocupação obsessiva no momento e a  da baixa imediata da taxa de jutos. Com isso ela pretende  fazer com que o Brasil saia ileso da  atual Guerra Cambial entre  os gigantes EUA e China, ambos  forçando suas moedas para  baixo,  com o objetivo de  conquistar mercados externos.

Esta situação é péssima para o Brasil, porque  a supervalorização do Real,  estrangula nossas exportações, exacerba as importações e inunda o País de dólares inconvenientes, os especulativos.  Os economistas de todos os matizes são unanimes a este respeito. As discrepâncias vão aparecer quando se discutem os remédios e a dosagem.

O primeiro fato relevante extraído disso tudo é o de que a questão da autonomia do Banco Central já foi para o espaço. Quando um ou uma presidente diz que vai baixa os juros, custe o que custar, evidentemente está passando por cima da autoridade do presidente do Banco Central. No Brasil, a autonomia do BC não está na letra da Lei, mas  vinha valendo na prática, dado o respeito quase religioso que Lula tinha pelas  decisões do Meirelles e sua equipe.

O  importante, porém,  é que  Dilma, pelo menos na intimidade, reconhece que são pertinentes as acusações de que ultimamente o Governo vem gastando muito  e mal. Daí sua segunda ordem imperial neste início de transição que, na verdade, já  é o início antecipado de seu governo: Vamos conter  os gastos públicos.

E isto faz todo o sentido, porque uma das causas ou a principal da alta taxa dos juros é  o déficit orçamentário, embora  o maior fomentador desse déficit seja justamente o pagamento de juros escorchantes. Trata-se, portanto, de um círculo vícios e seria enfadonho discutir aqui a questão do ovo e da galinha. Mas é preciso esclarece que embora não exista um déficit nominal (há até um superávit), na prática há um déficit real que se revela na crônica carência de recursos para a execução das obras e serviços mais elementares e necessários.

O certo é que  Dilma  está disposta a  escapar deste círculo, atacando o ovo  e a galinha: vai reduzir os juros na marra e vai conter os custos. Teremos, portanto um 2011 de cintos  apertados. Ocorre que o Governo não sabe cortar seus gastos com o custeio da máquina que vai das canetadas  geradoras de novos empregos até o cafezinho servido no  Senado por copeiros que ganham  quatro mil reais por mês. O que teremos, portanto, neste primeiro ano é corte nos investimentos e diminuição do ritmo das obras.

Os novos ministros

Imagino que minha querida  leitora deva estar ficando impaciente. Ela está dizendo: Esse cara fala  do Ministério no título da matéria, depois nos obriga a ler nove parágrafos de pura analise econômica. Qual é?

 E eu peço desculpas minha amiga, mas imaginei que seria bom estabelecer uma  conexão entre os nomes avulsos e  as posições que eles vão ocupar no cenário econômico. Mas vamos lá: O velho Edison Lobão, dos tempos da ARENA e adepto da linha dura da Ditadura Militar, vai permanecer no Ministério das Minas e Energia, este latifúndio do PMDB  de   Sarney, que abriga em seu  bojo poderosas estatais como Petrobrás e Eletrobrás, por exemplo.

Foster dirigirá a principal jóia  da coroa, porque , funcionária de carreira na empresa, possui um perfil  de boa administra, aquela que sabe planejar, formular e cobrar resultados. O mais importante, porém, é que ela tem perfeita  visão da importância estratégica da  empresa. E, com ela, o Brasil vai se exibir no exterior com uma presidente da República e uma   presidente da segunda maior petrolífera do Mundo.

Finalmente Luciano Coutinho que foi professor de economia de Dilma nos anos 70, mesmo que continue apenas na  presidência do BNDES, será  uma  das vozes mais ativas no Governo Dilma.  Como defensor de um Estado musculoso, além de estruturalista da velha estirpe, ele fará contraponto a Antônio Palocci que opera como fiador,  junto ao Mercado, de que o Governo não cometerá aventuras heterodoxas  na Política Econômica.

A matéria abaixo trata do mesmo tema. Leia também a coluna Última Hora .

04-11-10

Nelson  Jobim, com aval de Lula,
 será mantido por Dilma Rouseff

O ministro Nelson Jobim, da Defesa, demonstrou ontem no Rio – para uma platéia predominantemente de militares-, estar absolutamente afinado e já em ação dentro da linha estabelecida por Lula de colocar o Brasil como líder do “nacionalismo”  sul-americano ou da Pátria Grande, que se prepara para estabelecer um  pacto militar entre os países do Continente.

Este pacto, visa confrontar com  a intenção norte-americana de  estender para o Atlântico Sul, as ações da OTAM, Organização do Tratado do Atlântico Norte, um pacto militar entre os EUA e a Europa e que remonta aos tempos da Guerra Fria.

 No fundo o que está em jogo e a preservação dos recursos  marítimos (Pré-sal) e dos recursos minerais amazônicos,  a começar pela própria água.Ver também matéria na coluna A Pátria Grande deste  blog.  

Jobim e Paulo Bernardo

Ontem, este blog informou que o ex-ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, com  o aval de Lula, deverá ser o  Chefe da Casa Civil, da nova presidente. Será  “o Dilmo da Dilma”, dada sua  habilidade política  e sobretudo, porque  está alinhado com  Antônio Palocci que, independente  do cargo que vier a ocupar, será  a peça mais importante do novo governo, porque  é a  demonstração para o Mercado que a política  continuará ortodoxa.

Hoje  estamos informando que além de Paulo  Bernardo (PT),  Nelson Jobim (PMDB) também já  carimbou seu passaporte para o Governo Dilma. O resto ainda está no terreno das especulações.

Veja aqui, matéria distribuída hoje pela  Agência Estado com trechos das declarações de  Jobim, ontem (3-11), no Rio:

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, fez duras críticas aos Estados Unidos ontem  (3-11), no Rio. Em tom áspero, ele afirmou que o Brasil não aceita discutir assuntos relativos à soberania do Atlântico enquanto os norte-americanos não aderirem à convenção da ONU sobre o direito do mar, que estabelece regras para exploração de recursos em águas nacionais. Jobim também condenou veementemente a expansão das fronteiras de atuação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e atacou o embargo dos Estados Unidos a Cuba.

“Os direitos do Brasil aos fundos marinhos até 350 milhas do litoral, onde está nosso pré-sal, decorre da convenção. Ou seja, só é possível conversar com um país que respeite essa regra”, disse durante a 7ª Conferência de Segurança Internacional do Forte de Copacabana, no Rio. “Não pensamos em nenhum momento em termos soberanias compartilhadas. Que soberania os Estados Unidos querem compartilhar? Apenas as nossas ou as deles também?”, questionou.

Jobim também se disse contrário a alianças militares entre a América do Sul e os Estados Unidos. “Nossa visão é a de que podemos ter relações com os EUA, mas a defesa da América do Sul só quem faz é a América do Sul”, disse o ministro. Segundo ele, o Brasil não deve se aliar a forças militares que não possam ser por ele comandadas. “Os EUA não participam das forças humanitárias da ONU porque não admitem ser comandados por outros exércitos. Não podemos aceitar esse tipo de assimetria”, declarou.

O ministro mostrou contrariedade à expansão da área de atuação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar da qual os Estados Unidos fazem parte. “Aprovou-se uma nova estratégia em que o teatro de operações da Otan passou a ser o mundo todo, em locais em que se possam ferir os interesses dos países membros. Isso significa que teríamos dois organismos internacionais: a ONU e a agora Otan, que também estaria se arrogando a isso. Mas nós somos contra”, disse.

Na avaliação de Jobim, as relações entre os países signatários do Tratado Sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares também é assimétrica e penaliza aqueles que buscam gerar energia nuclear. Para ele, não há problemas no interesse da Venezuela em dominar essa tecnologia. “A Venezuela sentiu o problema da sua base de energia elétrica ser hidrelétrica e teve inclusive que fazer racionamento”, disse. “A Venezuela fez tal qual o Brasil. E nós aplaudimos”, complementou sobre o país vizinho, considerado um problema no continente pelos EUA.

As críticas de Jobim aos norte-americanos ainda abordaram a relação do país com Cuba. “Qual foi o resultado do embargo a Cuba? Produziram um país orgulhoso, pobre e com ódio dos EUA”, disse.

Para o ministro, os riscos à segurança da América do Sul e os conflitos do futuro estarão relacionados à água, minerais e alimentos. “Isso a América do Sul tem. Temos aqui o aquífero Guarani, a Amazônia, somos os maiores produtores de grãos e de proteína animal do mundo”, enumerou. “Temos que nos preparar para isso”, advertiu sobre possíveis ameaças futuras.

26-10-10

Um Brasil com cheiro de  Bossa Nova e Reformas de  Base

Sim senhores.  Eu sei perfeitamente que a História não se repete e que saudosismo é algo indigesto.  Mas,  como analista, não posse deixar de fazer uma analogia  entre este Brasil atual que readquire sua  auto estima, dirigido por um presidente, digamos, fora dos padrões e o Brasil dos Anos Dourados, da Esperança. O País do Futuro e dirigido por um presidente  Bossa Nova, o sorridente JK, que, como o atual, não desgrudava do avião.

O Brasil de Juscelino era também o Brasil de  Getúlio e de Jango, da esquerda radical,  da juventude engajada e certa de que saberia fazer sua hora, não esperaria acontecer. E fez a melhor música o melhor cinema, o melhor teatro, a melhor literatura e o melhor projeto de  Pais. País generoso, mestiço, próspero no melhor sentido e cheio de ginga. Exatamente o que o Mundo inteiro admira hoje no Brasil.

Na caminho, porém, havia o Lacerda, o Globo e pensadores festejados como Eugênio Gudian e  Gustavo Corção que defendiam abertamente que esse negócio de Petrobras e industrialização era uma grossa bobagem: “a vocação do País é, inequivocamente,  agrícola e  é este o fator que devemos otimizar”. O picareta David Nasser e o jagunço da mídia, Assis Chateaubriand,  também pensavam assim.

Toda  essa gente sensibilizou ou mesmo  comoveu  a parte da burguesia brasileira  que era, então, alienada  egoísta e animalescamente consumista, exatamente como agora.  A isso somou-se   a orientação, o treinamento e o farto  financiamento  norte-americanos, para consumar  a destruição do sonho brasileiro.  E é claro que não esqueci da parte fardada dessa  fauna  fascistóide que  passaria para a História simplesmente como gorila.

Vinte anos depois, com a redemocratização, supôs-se  que poderíamos  reatar a  história seccionada em 64  e o País  retomaria o seu curso normal. Mas não foi assim. A partir dos anos  80,  a ditadura fardada foi substituída por um império sutil,  o do mundo financeiro que impôs seus paradigmas neoliberais. O resultado: duas décadas perdidas.

Agora como que  cumprindo uma sina  dialética, a síntese seguiu-se  à tese e  à antítese. E o Brasil retoma seu caminho correto e histórico. Não  vou comentar os erros  e acertos de  agora, nem compará-los  com  acertos e  erros dos Anos Dourados. A história não se repete. Mas é inegável que  com a  derrota fragorosa,  que se anuncia, da Direita  fascista,  sintetizada na  figura grotesca de José  Serra, o Brasil volta a ser  o dos nossos sonhos da juventude, só que muito mais  próximo da realidade.

22-10-10

DataFolha, bolinha de papel e outros objetos

Tancredo dizia que a versão é mais importante  que o fato. O problema é quando, em clima de intensa disputa política dominada pela emoção, duas versões se confrontam. Até hoje (quase sessenta anos depois) ninguém sabe que mandou matar John Kennedy.  E ainda há quem diga que Lee Oswald,  o assassino, não foi o único atirador.Tudo isto para dizer que provavelmente ninguém jamais saberá o que atingiu a calva de José  Serra na tarde de quarta-feira (20), no Rio de Janeiro.

Entretanto, seja bolinha de papel, seja algo mais contudente,  o fato é que  o tucano se agarrará ao episódio  para reverter uma situação francamente  desfavorável, a exatamente uma semana da eleição. A situação de Serra é desesperadora: Dilma Rousseff disparou na reta de chegada.

O DataFolha de hoje (sexta-feira – 22) indica que  a petista vem  aumentado sua vantagem sobre  Serra. E pior: ela esta ampliado sua votação   em setores da classe média, principal reduto tucano. Na última  pesquisa, há uma semana,  sua vantagem era de  54% a 46%. Agora é de 56% a 44%.

No meu artigo de ontem  (coluna Coisas da Política) comentei que grande parte do desgaste de  Serra junto aos setores de maior renda  e escolaridade se deve  ao seu estilo de  campanha, incongruente e  escancaradamente oportunista e  demagógico, sem falar  na criminosa instigação ao ódio religioso.

 No mundo político, todos sabem que Serra  sempre usou métodos baixos. Ele armou dossiês e arapucas, apenas para ficar com três exemplos clássicos, contra Aécio Neves, Tasso  Jereissati e  Roseana Sarney, no tempo em ela, filada  ao PFL, era aliada dos tucanos. Por isso, estes três personagens odeiam tanto  o ex-governador paulista.

É claro que o tucanos negarão tudo isso, assim como os petistas  negarão que são truculentos – sobretudo,  quando se juntam em número superior a seis – e que, para governar,  foram obrigados a, literalmente, comprar pelo menos 200 deputados.

 São coisas tristes para ambos  os lados. Mas nada elimina o fato concreto de que Serra  e  a Globo, com suas montagens, manipulações e efeitos especiais, vão  se agarrar  a uma bolinha de papel para   realizar um sonho presidencial. É preciso um pouco mais do que isso para se mudar a história de um país. 

18-10-10

Marina  derrota Gabeira , não  apóia Serra e coloca  o
 Partido Verde a serviço de sua candidatura em 2014

 A vitória de Marina  Silva na  Convenção  Nacional  do Partido Verde, ontem (17) em São Paulo, foi tão grande  que ela além  de   impor sua  neutralidades obteve quase a unanimidade dos votos dos delegados e assumiu, virtualmente, o controle do partido.  Seus dos principais adversários internos, o líderes Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis (ambos do Rio), que defendiam  o apoio a José Serra, aceitaram a derrota com elegância.

O detalhe que coroou a vitória de Marina  é o de que a Convenção estabeleceu que, individualmente,  cada filiado pode  apoiar  Dilma ou  Serra, desde que não use os símbolos do partido.  Isto já estava previsto nos estatutos. Mas a novidade mesmo é a de que os  lideres mais expressivos ficaram proibidos de aparecer ao lado dos presidenciáveis, quer nos comícios, quer no horário gratuito.

Além de habilidosas  manobras de  bastidores, quando chegou até a  ameaçar abandonar o partido, Marina parece ter convencido à maioria dos convencionais de que  seus  20 milhões de votos representam  um movimento social muito superior às perspectivas do partido e que vão muito além da  simples defesa da  ecologia.

 Ficou  claro que,  desde que se comporte bem, o PV tem uma  chance histórica única,  de transformar-se num partido médio e influente, como já vem aconteceu na Europa, por exemplo.  E houve o consenso de que Marina poderá disputar as eleições  de 2014, com renovadas chances de  vitória ou de, pelo menos, chegar ao segundo turno.

Enfim, como  este blog  acompanhou e  muitas vezes antecipou, passo a  passo, na última semana,  todos os lances  desta queda de braço entre Marina  de um lado e  Gabeira e Sirkis de outro, a matéria  logo aí abaixo dará ao leitor uma visão completa sobre o assunto.

Veja também a coluna Coisas da Política. 

15-10-10

Marina, antes isolada, consegui  isolar
Gabeira e garante  neutralidade  do PV

Marina Silva, segundo  um de seus colaboradores mais próximos, está convencida  de que na Convenção do Partido Verde, domingo (17) em São Paulo, sairá  vitoriosa sua tese da neutralidade, ou seja, de não envolvimento com nenhuma das duas candidaturas que disputam o segundo turno.

Como este blog antecipou há  três dias,  Marina, viajou para  Brasília disposta a encarar a dupla Fernando Gabeira e  Alfredo Sirkis  que controlam o partido e estavam movendo  mundos e fundos  na tentativa de  emplacar o apoio oficial  a José Serra, de quem receberam  polpudas verbas durante a campanha do primeiro turno. Na  Capital, ela participaria, na quarta-feira (13),  de uma longa e dura reunião com a Executiva Nacional do PV.

E, nessa reunião, ela  obteria  uma dupla vitória: 1- Conseguiu (Deus sabe como) enxertar, como delegados  à Convenção, quinzes elementos de sua confiança, muitos os quais sequer eram filiados ao PV. 2- Fortaleceu-se ao se aliar a  setores (inclusive dilmistas) que  não  se submetem à liderança de  Gabeira  e Sirkis.

Com estas duas providências, ela passou de caça a caçadora (de minoritária a majoritária)  e os  defensores da candidatura José  Serra tem, agora, dois dias para correr atrás do prejuízo.

Porém, a ex-candidata foi perfeitamente maquiavélica ao exigir de José Serra e de Dilma Roussef, em troca de sua apoio, que eles se comprometessem  a vetar, se eleitos, o Novo Código Florestal, em tramitação no Congresso e que  agride  princípios ecológicos básicos. Marina sabe que nenhum dos dois candidatos  pode assumir este compromisso já que ele é do interesse  da  ampla bancada ruralista que  povoa o PSDB, o DEM e o PMDB.

Com isso Marina fica  com as mãos livres para manter sua neutralidade. E isso resolve o seu maior problema: preservar sua imagem.  Enfim, política, como todos sabemos, é  feita sobretudo de aparências, mas na vida real, nos bastidores, segue dinâmico e intenso o mercado de compra e venda votos, na grana (pagamento a vista)  ou no crédito: promessa de cargos futuros.

A vitória  da ex-ministra de Lula  foi aparentemente  completa, tanto que estabeleceu-se  o consenso  em todos os setores do partido de que realmente  Marina  é maior do que o PV  e  deve ser preservada. Uma prova dessa supremacia da candidata sobre a legenda  é que  os 20 milhões de votos que ela obteve não se refletiram   no aumento da  bancada federal verde que continuou limitada aos  15 deputados na legislatura passada.

Quem sintetiza este estado de espírito é  o deputado Fábio Feldmann, que concorreu ao governo de São Paulo nas  últimas eleições, mas  é um tradicional aliado dos tucanos. E ele  diz abertamente: “Esta votação expressiva que tivemos é  muito mais  de eleitores ligados a ela do que ao partido”.

Seja como for, o PV possui  em seus estatutos uma cláusula que é uma verdadeira  mãe. Ela permite que elementos derrotados  na Convenção (caso vença a tese da neutralidade) fiquem  à vontade para  apoiar  qualquer candidato, desde que não use o símbolos do partido. É a infidelidade consentida, desde que discreta.

Leia mais sobre o mesmo tema na matéria logo aí abaixo e na coluna Coisas da Política.

11-10-10 atualizado em 13-10-10

Notícia ruim para Serra: Marina não o apóia
e  o PV, dividido, vai  lavar roupa suja na rua

Marina Silva estará reunida, hoje (13), com a  direção nacional do PV (leia-se Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis) para tentar evitar um confronto na Convenção do partido, domingo (17).  Não estará sendo negociada uma mudança de posição. Ou seja: Marina  continuará defendendo uma posição neutra no segundo turno e  Gabeira insitirá no apoio a Serra, até porque ele já recebeu o dinheiro e agora  precisa entegrar a mercadoria.

Então, o que  se negocia é o tom das declarações públicas durante a Convenção, para evitar o escândalo e o desgaste  de  ambos os lados. Sobretudo, discute-se o tom  do pronunciamento que Marina fará e que já deve estar sendo redigido.

Membros da equipe de Marina garantem que se o partido apoiar Serra, ela  abandonará a sigla  e partirá  para a aventura de  construir um novo novo partido até  2014, quando pretende disputar novamente a presidência.  O que Gabeira e  Sirkis querem evitar é  que ela anuncie sua sua saída antes das eleições, o que seria um temendo  torpedo bem  no meio do casco da candidatura de José Serra.

O texto abaixo  já estava postado desde o dia 11.

A indignação de Marina Silva com relação à cúpula  dirigente do  Partido Verde (Fernando Gabeira e  Alfredo Sirkis) é tão grande  que   não  afasta a hipótese de  desligar-se da agremiação. Ela  deverá ser acompanhada pelo presidente  da Natura, Guilherme Leal (que  foi seu vice na campanha presidencial) e  pelos   elementos de sua  confiança,  ou que ela  trouxe para o partido e  agora a acompanham na saída, entre eles,  João Paulo Capobianco , o gerente de fato de sua campanha.

Marina está convencida de que é preferível enfrentar a difícil tarefa de organizar um novo partido, nos próximos  quatro anos, com vistas à sua candidatura à presidência em 2014, do que permanecer em uma sigla que negocia ministérios e  outros cargos públicos à luz do dia. Já está claro que  está  cúpula forçará uma  solução de apoio a Serra na convenção marcada para o dia 17.

A situação está tão feia que  Alfredo Sirkis,  o mais exaltado  e mais comprometido com Serra, ameaçou numa reunião  fechada, este fim de semana,  anunciar o apoio ao tucano,  antes mesmo da convenção, dentro de seis dias.

Resumo da ópera: Serra  provavelmente  terá o apoio oficial do PV ao qual forneceu uma grana alta durante a campanha do primeiro turno.  Mas  isto pode ser até prejudicial, porque é a adesão de  uma agremiação  em frangalhos e totalmente desmoralizada. Além disso, em pelo menos dez estados, o líderes verdes locais já anunciaram seu apoio a Dilma.

Leia mais sobre o mesmo tema na coluna  Coisas da Política.

8-10-10

Serra perde o  medo de  Lula,  aposta
na Direita e vai tirar FHC do armário

Confiando  que  vai herdar a maior parte dos votos de Marina e  acreditando que o bicho Lula não é tão feio como pintavam, José Serra vai voltar às origens de sua campanha e apostar no voto conservador. A eleição readquire, assim, sua  características plebiscitárias que o próprio tucano tentou evitar no primeiro turno.

A primeira questão a ser levantada aqui é a do ressurgimento de um certo  populismo de direita com algum aroma fascista. Diferente, nota bem, dos nossos tradicionais  populismos de esquerda de Getúlio, Jango e Brizola. Esta novidade decorre da evolução de  nossa própria sociedade  e do processo democrático.

A convergência para o Centro

De São Paulo para o Sul (para dizer de forma bem simplificada) o Brasil já adquiriu características de uma democracia de massas e de uma sociedade (plena) de consumo. Isto faz com que esta parte do País tenha similaridades, por exemplo, com Israel e alguns países da Europa, a Espanha, digamos.

 Quando é  assim, nos temas  mais gerais,  Direita e Esquerda convergem para o Centro e as  diferenças só serão notadas  em alguns  problemas  específicos e cruciais. Em  Israel a diferença aparecerá na forma com que  é tratada a questão palestina. Na  Espanha, o diferencial é o jeito de lidar com a imigração de não europeus.

Fazendo uma analogia com  a parte mais desenvolvida do Brasil esta diferença aparecerá, por exemplo,  nas nossas relações com os vizinhos da América do Sul.  Nesse caso específico, é fora de  dúvida que o discurso de Dilma tem visão estratégica e  visa a integração  harmônica e fraterna com  toda  a América do Sul. Já o discurso de Serra  em relação a nossos vizinhos e que provavelmente é compatível com o pensamento médio  de nossa classe média, é lamentavelmente  excludente e preconceituoso.

O velho e bom populismo

Agora se formos olhar para o Brasil da  Região Central de Minas para cima, veremos um país mais parecido com a África do que com a Europa. E aqui os discursos de Esquerda e Direita ficam mais nítidos e diferenciados.

Verifica-se que  aí a prioridade absoluta é a distribuição drástica de renda, independente de qualquer outra circunstância. E é nítida, também, a necessidade de  tolher ou mesmo destruir  as oligarquias  e seus latifúndios. E é exatamente neste ponto que o nosso velho e  bom populismo de esquerda mostra sua reiterada utilidade. Populismo este que o lulismo encarna, hoje, de forma quase absoluta.

Isso explica  a avassaladora  vantagem eleitoral de Dilma no Nordeste e evidencia que contra isso, o discurso de Serra  é totalmente impotente. Tanto que  ele praticamente desistiu de  garimpar  votos nessa região, preferindo concentrar-se  no Centro Sul  do País.

Ai  o leitor me pergunta.  Mas como combater  o latifúndio e as oligarquias se o PT  tem uma aliança  solida com o PMDB  que, em boa parte, representa exatamente  as oligarquias e seus  latifúndios? E aí eu respondo: são as contradições, meu caro. São as contradições…

05-10-10

Ciro entra na parada. O PV vai
com  Serra. A dúvida  é  Aécio

São só quatro semanas. Então, não dá para  treinar muito. Os times  já  entraram em campo. Dilma  recebeu  um reforço de última hora: Ciro Gomes. Serra já  garantiu o apoio  da cúpula do PV (Gabeira e Sirkys), Marina, com estiramento na consciência esquerda, fica fora por quinze dias. A grande dúvida é Aécio Neves. Ele foi escalado, está no banco de Serra, mas ninguém garante que vá  jogar para valer.

Aécio Neves vive um drama pessoal: até a semana passada, tudo corria bem para ele. Serra (o principal obstáculo a ser transposto) estava morto  e enterrado. Em Minas, elegeu-se senador com votação recorde e  faz seu sucessor, o “poste”  Antônio Anastasia. Era a consagração e como diziam ontem seus assessores, ele (Aécio) “fez cabelo, barba, bigode e o Itamar”.

Em suma, Aécio aos 52 anos, despontava como líder  inconteste do PSDB e da Oposição, candidatíssimo à presidência em 2014. Eis que, senão quando, ocorre este inesperado segundo  turno. Serra, qual Fênix,  ressurge como  candidato viável e os planos de Aécio terão que se refeitos. Mesmo com todo o sucesso de Aécio, Dilma superou Serra, em Minas: mais de um milhão e meio de votos. A tarefa do ex-governador seria reverter esta vantagem para Serra. Tarefa difícil, porém não impossível. Mas o Aécio quer fazer isso?

Dilma: a hora da verdade

Como disse em minha análise de ontem (ver coluna Última Hora), Dilma Rousseff terá que  remontar totalmente sua estratégia de campanha  para este segundo turno. Terá que provar que não é apenas a candidata do Lula, mas uma mulher com capacidade e trajetória política para comandar  o processo do desenvolvimento brasileiro que  conduzirá o Pais ao status de potência.

No varejo, ela terá que  provar para o Mercado e para a classe média  que  sua política econômica  é a que oferece menos  surpresas e solavancos. E insinuar que, no outro lado, Serra representa um tiro no escuro. Concomitantemente e para dizer de forma bem simples, Dilma terá que provar para os setores populares  mais fervorosamente religiosos (não apenas evangélicos) que acredita em Deus e  é contra o aborto.

E vale aqui, reproduzir palavras Ciro  Gomes, ontem em Brasília, após reunião  com Dilma:

 “Serra tem controle sobre o PV e a tendência é Marina não apoiar, formalmente, a campanha de Dilma. Digo isso porque já negociei com o PV. Serra controla a burocracia. Eles quiseram me impor (Alfredo) Sirkis para vice. E eu disse: você não tem competência pra ser vice-presidente”.

E mais:

“ Dilma precisa “entender esses 20% (de Marina) e falar para eles. Entender as pessoas, as exigências éticas, a postura ideológica. Dilma foi a 47% dos votos. Isso é voto pra caramba! E com todo desequilíbrio da imprensa”.

Ciro esclarece que fala “como cabo eleitoral de Dilma no Ceará”. Mas, na verdade, ele atuará em todo o Nordeste.

Para onde vão os votos de Marina?

Marina conquistou nestas eleições, um inequívoco triunfo pessoal. Mas seu capital político pode não ser tão grande  quanto ela supõe. Em primeiro lugar, ela está presa  à máquina do  Partido Verde que  amadureceu rapidamente como  agremiação fisiológica e balcão de negócios. Segundo, como ela mesma diz,  seus votos não pertencem a ela nem ao partido, mas ao eleitor. Quem é esse eleitor?

Em rápidas pinceladas, pode-se dizer que algo como 60 %  dos votos de Marina é de gente da classe média que odeia o PT  e iria votar no Serra, tapando o nariz.  Agora, eles refluirão para Serra ou  entrarão na faixa do voto nulo ou abstenção. Os outros 40% representam pessoas das  classes populares que por razões principalmente religiosas abandonaram  Dilma. E difícil dizer se  eles refluirão totalmente para a petista. Mas é duvidoso que eles se transfiram para Serra o “candidato dos ricos”. Neste exíguo seguimento do eleitorado, não mais que  cinco por cento, concentra-se toda a incógnita  deste segundo turno.

Saiba mais sobre o mesmo tema nas matérias abaixo e na coluna  Última Hora.

29-09-10

CNI/IBOPE:

No Rio, onde ultrapassou Serra, Marina Silva
 cresce  na classe  média e entre  evangélicos

Na pesquisa Sensus/CNT, também divulgada hoje, tanto quando a do IBOPE, afasta a  hipótese de segundo turno. Pelo Sensus,  Dilma  tem 45,5%, Serra 25,6 e Marina 11,6. Dilma  está, portanto,  dez pontos à frente da soma  de seus concorrentes.

Os analistas e marqueteiros ainda  não se deram conta  de que no Rio de Janeiro, estado onde Marina Silva mais cresce (já ultrapassou os 20%), isto não se explica apenas pela transferência dos votos de  classe média de Serra para ela.  Na verdade, a  candidata do PV cresceu bastante nos setores mais populares, com preponderância, aí, do voto das mulheres. Trata-se do fator evangélico.

A pesquisa CNI/IBOPE, praticamente afasta a hipótese de  segundo turno, insinuada pela DataFolha  de ontem. Dilma mantém-se firma  nos 50% Serra cai um ponto para 26/27%  e Marina sobe  quatro, para  13%.  É de se notar que ela á  única candidata em ascensão e deverá chegar a 3 de Outubro  apenas quatro ou cinto pontos atrás de Serra, quase um empate técnico.

                                                              O Fator Evangélico

Quanto ao Fator Evangélico, ele inverte uma  tendência habitual, segundo a qual os votos das classes  de menor renda decorrem de um processo lento de maturação, a partir  de noções emitidas  por formadores de opinião radicados nas classes médias.

 No voto evangélico, ao contrário, trata-se de um movimento a partir das bases  e muito pulverizado, sob o comando de pastores anônimos, geralmente de baixa renda,  mas que interagem muito com a comunidade. Nestas modestas igrejas de bairros de periferia predomina absolutamente a freqüência   feminina. Nada a ver, portanto, com as feéricas igrejas  milionárias  que  ocupam  boa parte do espaço comercial das TVs.

É esse seguimento que, pelo menos do Estado do Rio,  está fortalecendo a candidatura de Marina. E ele é de difícil reversão, porque adquire caráter  de compromisso sagrado. E isso explica , pelo menos em parte, o fato de  Marina, no Rio, estar crescendo  em todas as classes e, principalmente, entre as mulheres.

No mais, excluído o  Fator Evangélico, segue a tendência da classe média no sentido de transferir-se de  Serra  para Marina.

Veja mais sobre o mesmo tema na matária abaixo e nas colunas  Coisas da Política e Arte & Manha.

21-09-10

Marina  vai desmoralizar  institutos de pesquisa

        e chegar a 3 de Outubro a menos de

 10 pontos de Serra, talvez em empate técnico

Se o IBOPE e a Datafolha não fossem  apenas dois balcões sebosos de  manipulação ou ocultação das tendência dos eleitorado, já deveriam ter registrado que a classe média  em peso  está desembarcando  de um bonde  chamado Serra. Uma parte desse  patrimônio eleitoral ainda  paira no ar, atônita, mas há outra  porção que está embarcando na limousine Marina, patrocinada pela Natura.

Se as  eleições fossem daqui a um mês, provavelmente  Marina ultrapassaria o tucano. Entretanto, como falta apenas uma semana,  isto é praticamente  impossível. E disso tudo, assinalaremos três ou quatro  pontos importantes:

 Por malicia, característica de sua calhordice inata, os institutos  não simularam até agora um  segundo turno com Dilma e Marina  A simulação limita-se  a Dilma e Serra. Não seria natural que  a outra alternativa fosse colocada, se realmente se pretendesse obter uma tendência do eleitorado? Eles não fazem isso, porque sabem que mesmo  sem vencer Dilma,  Marina teria um desempenho muito melhor do que o do tucano decaído. Com essa revelação para o grande público, Serra afundaria de vez.

Não haverá tempo pra a ultrapassagem, porque a classe média sozinha não elege ninguém, pelo menos no Brasil, ainda emergente. Então, seria necessário  que esse novo posicionamento mediano maturasse por algum tempo, digamos  quatro ou cinco semanas, para só então espargir-se  pelas classe econômicas menos favorecidas.

Mas  fique claro que este fenômenos de transferência é parcial  e encontra seu limite na intuição do proletariado que não aceitar as idéias da classe média com casca  e tudo. Além disso,  há nesta mesma classe média um bom número de formadores de opinião que, por ideologia, defendem  as classes mais  exploradas.

O que estamos assistindo nestas eleições plebiscitárias e históricas não é apenas ao desmonte  de dois partidos, o PSDB e o DEM que teriam perdido  por falta de uma  boa marquetagem  política. O que estamos vendo é  a falência do discurso desses partidos e o fim de uma era em que se acreditou em dogmas do tipo “o estado deve ser mínimo e muito  faz quando não  atrapalha”.  E, sobretudo, já podemos rir  da noção de que as leis  do mercado são infalíveis. Logo elas que apontam objetivamente para a destruição da  Natureza  e do  próprio espírito humano.

Por fim, não cabe a  argumentação de que o crescimento eleitoral Marina, de certa forma, desmente o que foi dito acima. Na verdade, nem a própria  Marina  deu acabamento final ao seu discurso e, por  enquanto,  ela tem-se  limitado  a  repetir, como papagaio, as propostas que seus marqueteiros indicam como as mais eficientes para herdar os votos conservadores de Serra. Dos três candidatos, ela é a mais oportunista e  trapaceira.

 

 

 

 

 

 

 

 

15-09-10

 O fim do DEM e o racha do PSDB.  Como  o
lulismo ocupou todos os espaços do centro

A principal preocupação de Aécio Neves, que  provavelmente sairá destas eleições credenciado como o principal líder das oposições, é a de “reconquistar o Centro”, perdido  pela expansão do lulismo. Ele tem repetido isso em todas as suas recentes conversas e  é apoiado, no raciocínio, pelo ex-presidente Itamar Franco.

A analise contém um razoável grau de sofisticação e  vai muito além do blá  blá  blá dos tucanos que ficaram sem discurso desde  o desmonte  dos paradigmas neoliberais (A Grande Crise  Norte-Americana de setembro de  2008) e presos à imagem de FHC, símbolo do alinhamento automático ao  pensamento  às imposições de Sua Majestade o Mercado.

O leitor que acompanha há algum tempo este blog sabe que sempre insistimos aqui que Serra  seria fragorosamente derrotado, porque  não conseguiu reciclar seu discurso e acreditou singelamente  na bobagem  dita por Fukuyama, há quase três décadas, quando  viu o fim das ideologias, onde estava  vendo apenas o fim do leninismo, a ideologia mais poderosa do Século XX, mas que ruiu junto com o Muro de  Berlim e a implosão da União Soviética.

Na verdade, enquanto houver classes sociais haverá ideologias.  E o momento  é  o de  reler Marx, a  maior e melhor  fonte  ideológica das esquerdas, tentado fazer uma  leitura marxista  renovada  e adaptada a nova fase que  vivemos e que chamo de Crepúsculo do Capitalismo. Crepúsculo este, aliás, previsto por  Marx.

                                                             O Eixo Ideológico

Enfim, voltando ao Aécio e ao Serra, parece que  o mineiro pelo menos compreendeu que ao  se expandir para o centro, o lulismo empurrou os tucanos mais para a Direta. E vale  lembrar aqui  um esquema de raciocínio,  altamente  simplificado, mas que tem sua utilidade prática: se calcularmos que a Esquerda ocupa tradicionalmente  um espaço equivalente a 30% do eleitorado e que a Direita ocupa os  outros  30% no lado oposto, teremos que há, no centro, algo como 40%  de eleitores que  constituem a famosa “maioria  silenciosa”, cujo humor variável   muitas vezes  provoca grandes surpresas.

O Lulismo, que é a soma do PT mais o neopopulismo getulista do presidente,  ocupou, inquestionavelmente  esta grande faixa do eleitorado. Mas ele  não fez isso apenas porque conseguiu bombar a economia e  ofereceu uma série de pacotes de bondades.

Houve, concomitantemente, uma grande evolução na forma difusa, porém efetiva, com que o brasileiro médio vê  a ação e a função do estado. Há um consenso (novo) de que deve existir um estado mais robusto e interventor. E esta  não é  uma particularidade  brasileira e sim uma tendência  mundial, em função da  Crise  America citada acima.

 O Mundo  compreendeu que não faz sentido deixa tudo por conta  das  “leis do Mercado”, uma entidade animalesca que não tem qualquer  compromisso e com futuro ou o bem estar da  Humanidade. Entretanto, nada disso  quer dizer que se defenda um estado totalitário,  invasor  de privacidades  e agressor de humanos  elementares.

                                                                O Orgulho Nacional

 Além do mais, e está é, sim, uma particularidade brasileira, nós nos orgulhamos de nosso crescente prestígio internacional e  de nossa política externa, não só  independente como de claro desafio ao  grande Império do Norte que sempre  nos humilhou. E no mesmo passo, há a visão  da importância  da Integração  da América do Sul promovida  pelo Itamaraty e que é absolutamente vital para nossa estratégia de longo prazo. Em  contraste, os tucanos menosprezam e boicotam  essa integração.

Todos esses fatores compõem o diferencial ideológico que  distingue Dilma de Serra e de Marina, uma neotucana com  papo verde. Embora tenham feito e provavelmente continuarão fazendo uma série de concessões  ao Mercado  e, particularmente, ao Setor Financeiro  (via Meirelles e  Palocci), a verdade  é que  a transição Lula/Dilma  consolida  posições  de esquerda de forma  como não se via desde o governo de João Goulart.  Daí o recrudescimento do golpismo lacerdista da Direita.

A matéria abaixo complementa o  racicocínio desta. Lei também, sobre o mesmo  tema, a  coluna  Coisas da Política.

03-09-10 – atualizado em 04-09-10

Estragado, como político e como homem,
José Serra  já não serve nem como Lacerda

Os tucanos cometeram o erro estratégico de tentar  impugnar a candidatura  de Dilma no Tribunal Superior  Eleitoral, com base  na quebra do sigilo bancârio de Verônica Serra. Como o TSE  não aceitou o disparate e simplesmentee  aquivou o pedido, isto pemitiu à petista partir para o ataque, denunciando o golpismo dos neolacerdistas.

Agora só resta  a Serra e sua mídia atarantada, continuar batendo nesta  tecla, procurando objetivos menores como,  por exemplo, impedir que Aloízio Mercadante  chegue ao segundo turno São Paulo.

Nesse sentido, sem medo do ridículo, O Jornal Nacional de ontem gastou cinco minutos para dizer  que um dos envolvidos no escândalo “era, mas não era” filiado ao PT , enquanto um outro envolvido, “era, mas não era” filiado ao PV.

                                               O neolacerdismo frustrado

Todos conhecem, ou conheciam quando não eram tão burgueses e ignorantes, a sentença de Marx segundo a qual a História não se repete a não ser como farsa.  E não há melhor exemplo disso do que  a grotesca tentativa de José Serra, mancomunado  com  mídia, em seu nível mais baixo, de evitar que a vontade popular se concretize nas urnas e na posse dos eleitos.

Dilma Rousseff já está eleita e  com votação tão consagradora como, por exemplo, a de Getúlio em 1950. E agora, como  naquela época, a Direita,  corrupta, apátrida e golpista tenta impedir que a História siga seu curso. Há sessenta anos,  o personagem central do golpe era Carlos Lacerda, imortalizado como O Corvo.

Já em 1949, quando Vargas  inicia sua campanha para  o retorno ao poder, o  Corvo anuncia seu projeto: “Ele não pode  vencer estas eleições. Se vencer, não poderá  tomar posse. E, se empossado, não  poderá governar”.

Com o auxílio ostensivo dos Estados Unidos e de militares fascistas,  Lacerda cumpriu  seu intento.  Em agosto de 1954, Getúlio metia  um tiro no peito, o povo ia às ruas e  o Corvo se  refugiava na Embaixada  Americana. Está,  a História. A Farsa é essa   tragicomédia que  Serra,  a Família Marinho (uma quadrilha organizada), os herdeiros debilóides de  Júlio de Mesquita Filho e o garoto Frias, aprendiz de picareta, tentam armar para  impedir a posse de Dilma Rousseff.

Leia mais sobre o mesmo tema na coluna  Arte & Manhã.

28-08-10

Vai  ter segundo turno em São Paulo

Além do  abatimento psicológico dos tucanos diante do desastre total da  candidatura   Serra, o que prejudica por tabela os candidatos  do PSDB  aos governos estaduais, está ocorrendo um fenômeno  com o qual nem  o mais otimista dos  petistas contava: uma parte importante  do eleitorado de todo o País, inclusive o de São Paulo, está se transferindo diretamente  de Serra para Dilma.

Segundo a pesquisa IBOPE divulgado neste sábado (28), o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, lidera a corrida  com 47% das intenções de voto e venceria no primeiro turno se as eleições fossem hoje. Mas Aloizio Mercadante (PT) cresceu nove pontos em um mês e agora registra 23%, seguido por Celso Russomanno (PP) que foi lembrado por 8% dos entrevistados.

De acordo com a última pesquisa Ibope, divulgada no dia 30 de julho, o candidato do PSDB tinha 50% das intenções de voto contra 14% de Mercadante. Há, portanto, um tendência de estabilidade com queda leve  por parte do tucano, enquanto o petista cresce aceleradamente.

Segundo o novo levantamento, o candidato do PSB, Paulo Skaf, tem 2% e Fábio Feldmann (PV), 1%. Os outros candidatos não pontuaram. Os votos brancos e nulos somam 7%. Enquanto 11% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.

A pesquisa foi realizada entre os dias 23 e 28 de agosto, com 1204 entrevistados em todo Estado.

Sobre o mesmo tema, não deixe de ler a  matéria logo aí abaixo e a editada na  coluna Coisas da Política.

23-08-10- atualizado em 24–08-10

O caos: próximo IBOPE anuncia Dilma
já  20 pontos à frente de Serra.
Marina cresce e se aproxima do tucano

Há 56  anos, num dia 24 de agosto,  Getúlio cometia suicidio. Hoje ele é uma vigura histórica que se atualiza provavelmente porque os  problemas que ele enfrentou  ainda estão aí, presentes. Nem isso serve para mostrar  aos tucanos e suas marqueteiros que  Lula  lembra, no momento, a figura política de Getúlio e Serra lembra Lacerda. Não perceber isso, além de  inacreditável analfabetismo político, é muita vontade de perder uma eleição. Leia mais sobre o mesmo tema, na coluna  Coisas da Política.

Há dias venho dizendo  neste blog que para evitar um vexame total José Serra agora deve  brigar para  não perder o segundo lugar para Marina. É claro  que, por enquanto, isto pode ser levando como um exagero. Mas o fato é que, segundo o IBOPE  que será divulgado esta semana,  a situação é mais ou menos essa. Quanto à Dilma, sua situação é extremamente cômoda. Sua distância para  Serra é parecida  com a de Serra para Marina.

A candidata do Lula já está 20 pontos à frente de Serra e deverá chegar ao final do primeiro turno (provavelmente já eleita)  numa faixa superior aos  45%. Serra  e Marina estão, desde já,  competindo  para chegar  às eleições num patamar entre 20 e 30%. É uma situação desesperadora para o tucano.

Como tenho explicando sempre, neste blog,   Montenegro do IBOPE, é antes de tudo um subalterno das Organizações  Globo e antecipa para ela alguns dados essenciais sobre pesquisas em andamento. Com essas informações privilegiadas, a Globo  orienta o seu posicionamento editorial  e repassa alguns dados para a cúpula da campanha de Serra.  A partir daí, os números começam a vazar e nós jornalistas, antenados por dever de ofício, oferecemos aos leitores.

Enfim, são estes números catastróficos  que estão provocando o caos no ninho tucano.  Aliados tradicionais como o PMDB gaucho e o pernambucano começam a pular  para fora do barco. Mas  as cenas mais desagradáveis são  aquelas em que os  colaboradores mais íntimos  iniciam  a sessão  das acusações  recíprocas. Recíprocas e pesadas.

E o que está acontecendo desde ontem, quando o presidente do PTB,  Roberto Jefferson,  um corrupto confesso e  escroque vulgar da política, para livrar sua cara – já que  os principais líderes de seu partido, inclusive os de São Paulo, já  abandonaram Serra -, atribui todo o fracasso ao pobre Luiz  González, marqueteiro mor  da campanha tucana.

 Na mesma linha, o senador tucano  Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado e que enfrenta sérias dificuldades para reeleger-se, lá pelo seu Amazonas,  culpa  não apenas o pobre  González, como também a cúpula da campanha (leia-se Serra), segundo ele “ centralizadora e refratária”.

                     Um analfabeto político no comando da campanha

 Tenho dito aqui que o pobre González é um dos incompetentes mais bem remunerados deste Pais. Não por que ele, espertinho como é, não domine  as técnicas  elementares da marquetagem, mas por que é um completo analfabeto político.

Imaginem que a estrutura central de sua estratégia consiste em “vender” para o grande público a idéia de que  Serra e Lula são estadistas. Dilma não. Isto quer dizer que em nenhum momento passou pela  cabeça  deste gênio que o grande público, desde formadores de opinião até aqueles que não lêem jornais  e não se ligam na política, talvez não queiram , no governo, um estadista de Direita.

E  tudo  porque, como perfeito analfabeto político, nosso bom González ainda não descobriu que  esta eleição, mais do que qualquer outra nos últimos trinta anos, será marcada pelo eixo ideológico. E é em função disso que Serra  já foi carimbado, bem no meio da testa, como o “candidato dos  ricos”, sendo ainda  aquele que é contra as estatais e contra a política externa  soberana. De quebra,  desde já está criando caso com nossos vizinhos da América do Sul e prometeu implodir o  MERCOSUL. Ou seja: ele é a cara da Direita.

É claro que uma parte da classe media brasileira, justamente  a que também é analfabeta política, adora tudo isso. Para ela, pobre, boliviano e paraguaio, se não puder ser reciclado, joga-se fora. Ocorre que a imensa maioria do povo brasileiro não pensa assim. E é exatamente  isto que  está sendo provado nesta eleição plebiscitária.

21-08-10

Dilma pode vencer no primerio truno. Serra tem
que evitar o vexame de ser superado por Marina

Os números são tão eloquentes que não é preciso gastar muitas palavras: Há dez dias, segundo o DataFolha, Serra e Dilma estvam empatados em 37%. Hoje (21) pelo mesmo instituto, Dilma esta com47%,o que lhe garantiria a eleição no primeiro turno. Serra despencou para 30%. E Marina chegou aos 9%.

Três elementos de informação e raciocínio que cansamos de repetir aqui, confirmam-se agora. A saber:

1- Avantagem de Dilmadeve-se menos ao seu crescimento do que à vertiginosa que de Sera nas últimas semanas.

2-Esta havendo uma inesperada transferência de votos diretamente de  Serra para Dilma, sem passar pela mediação (baldeação) na estão dos indecisos.

 3-Para ajudar Serra, a DataFolha e o IBOPE  represaram, no limite do escândalo, as votações de Dilma e Marina. E agora estão correndo atrás do prejuízo, tentando  emparelhar seus dados com os da realidade, para não perder a última gota de credibilidade.

Sobre a debandada vexatória de partidários e aliados de Serra, você encontrará uma descrição na matéria logo aí abaixo. Aqui, vale destacar um racicocínio e uma previsão:

Começando pela  previsão, eu diria que o drama de Serra, neste momento é o de evitar uma situação inimaginável há três semanas: a de que ele estaria disputado com Marina, a corrida pelo segundo lugar.

 Como o tucano perdeu 13 pontos em menos de um mês, basta que ele perca outro tanto nos próximos sessenta dias  e que  Marina cresça apenas  cinco pontos, para que haja  empate técnico entre ambos.

Quanto ao raciocínio, também é simples: a vitória de Dilma que começa a se desenhar como consagradora, não representa apenas a adesão do eleitorado ao lulismo,  no que ele tem de mais populista e getulista; representa  também o desejo do  indefinível porém efetivo  “sentimento nacional”  de que ocorra a consolidação de conquista importantes embutidas  no ideário das esquerdas, tais como política externa independente, nacionalismo econômico  nos setores estratégicos e a (até agora tímida) distribuição de renda.

Para completar quadro,  falta enquadrar os bancos, dar cartão vermelho para o Meirelles e  extirpar a agiotagem institucionalizada dos juros escorchantes.  Mas para o atendimento desse item teremos que esperar sentados. Mesmo não sendo ministro, o Palocci vai ter voz ativa neste setor  e ele  será a garantia, para o Mercado, de que não haverá solavancos nesta fase de  transição e com a crise mundial ainda na  sua fase aguda. O Lula não gosta de muita marola na área econômica.

19-08-10

 Vox Populi confirma: pode não haver o  segundo
turno. Começa a debandada nas hostes tucanas

Os fatos são importantes, mas não exigem muito texto: em um mês, Dilma continuou crescendo, passando de  41% para 45%. E Serra continuou caindo, veio de 33% para 29%. Há pouco mais de dois meses  da eleição, só uma Tsunami, impede a vitória da petista, até porque Marina continua estacionada nos 8%.

Os fatores que, na nossa opinião, determinam esta ascensão  de  Dilma  e concomitante  queda  de Serra, estão  analisados na matéria logo aí abaixo desta. Aqui, só falta destacar que  já está ocorrendo  um debandada nas hostes tucanas. No  Rio Grande do Sul, José  Fogaça, candidato ao governo do Estado pelo PMDB  e considerado aliado de Serra, admitiu que a maioria dos prefeitos de seu partido apóiam Dilma. Há três meses a  situação era o inverso.

Em Pernambuco, o ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) que tenta retornar ao cargo,  acusou o PSDB local de  não fazer  campanha para o Serra.  Ocorre que o principal líder tucano no Estado  é o senador Sérgio Guerra, candidato à reeleição. Ele é nada menos que presidente nacional do PSDB, mas evitar falar mal de Lula, cuja popularidade ali  já passou dos 80%.

17-08-10

O drama de Serra não é  porque Dilma
sobe, mas porque ele  não para de cair

Se quiserem, podem  chamar de eixo ideológico, ou digam que é maniqueísmo, mas dificilmente  Dilma deixará de levar esta. E pela razão simples de que ela já foi  assimilada como a candidata dos  pobres, enquanto Serra, apesar de passar bem a  imagem de  bom administrador e  apesar do bom desempenho diante das câmeras,  não conseguiu livra-se da pecha de  candidato dos ricos. E ainda por cima falso, porque a toda hora, insinua que também é lulista. Os marqueteiros dos tucanos são o incompetentes mais bem pago do Planeta.

 Sobre o IBOPE, vale  repetir que é um erro  analisar pesquisas isoladamente. Elas  são apenas flagrantes de um momento e  valem pouco se  não  observamos a tendência dos candidatos, ao longo de várias pesquisas. Se isso for feito, veremos que  Serra que até 90 dias atrás mantinha um longo período (quase dois anos) de estabilização, em torno de 40%, a partir de junho, revelou uma tendência de queda e caiu cinco pontos.

 Dilma, por seu turno, vinha num processo de crescimento acelerado. Passou de  10% para 30%  entre setembro do ano passado e junho último. A partir daí, continuou crescendo, porém lentamente. Em três meses  foi 38% para 43%. Na verdade, são 49%, se descontados os votos nulos, brancos e  dos indecisos, o que a deixa a um passo da vitória no primeiro turno. Mas o importante é notar que sua boa vantagem revelada ontem pelo IBOP, deve-se,  principalmente, à  queda de Serra.

Agora  vejamos para onde foram os  votos (8 pontos) perdido por Serra nos últimos meses: uma parte, digamos, 5 pontos, foram para Marina que, como já  dissemos inúmeras vezes neste blog, derivou seu discurso pra a direita, com o claro objetivo de garimpar votos na jazida de Serra.

Os outros três pontos foram, portanto, para  Dilma. Como explicar isso? No nosso último artigo sobre  e pesquisas, procuramos mostrar que  uma parte dos votos de Serra estava sendo transferida  diretamente para Dilma, na medida em que o eleitorado que  não acompanha  o noticiário político  e que é a grande maioria, vai tomando conhecimento, primeiro da existência de Dilma e, na continuação, de que  ela é a candidata do Lula.  Antes disso, sempre que se  apresentava uma lista, grande parte dos entrevistados apontava o nome do mais conhecido, no caso Serra.

 Então poderiamos dizer, como querem seus adversários, que Dilma parecia não te luz própria. Mas este fenômeno descrito acima tem pouca duração  e  se exaure quando o grau de conhecimento  dos candidatos atinge o mesmo nível. A partir daí, o que  passa  a valer é o mérito efetivo do candidato, segundo a visão de cada seguimento eleitoral.

Depois desse ponto, temos  o predomínio do voto ideológico, embora isso muitas vezes   só empiricamente isto seja visto. Mas não e difícil notar que alta  burguesia vota  pensando em seus interesses, enquanto as classes média/média e média/baixa (descontados os intelectuais ou militantes de esquerda), acreditam  estar votando na eficiência e  na honestidade dos  candidatos.  Já o povão, embora  individualmente sonhe com  sua ascensão social (meu filho há de se doutor), no coletivo,  quer mesmo é distribuição de renda.

                                        Nem o FHC entendeu por que  foi tão popular

O Tucanato, apesar de todos seus títulos acadêmicos, tem extrema dificuldade  para  perceber o que  foi dito acima em  linguagem  plebéia  e estão viciados num tipo de discurso  que é  razoavelmente adequado  aos estados que hoje  representam  seu reduto eleitoral: de São Paulo para o Sul. E isto  ocorre, justamente porque, nestes estados  já  predominam numericamente, no conjunto da população,  os seguimentos de classe média/média e classe média/baixa.

Além disso, cegos pelo neoliberalismo que adotaram com o fervor dos cristãos novos, os tucanos sequer foram capazes de ver que   a enorme popularidade de FHC (que ele a teve por um longo período) não se deve  ao seu  jeitinho chato  e snob  de professor viajado, mas ao fato elementar  de que ele exterminou a inflação. E ele realmente  a exterminou, às custas embora, de uma dívida estratosférica.

  Com isso,  obteve-se um  grande alívio psicológico que acabrunhava a população e, sobretudo, houve uma distribuição de renda como há muito não ocorria no País, porque quem paga  a inflação é  quase que  totalmente o setor  assalariado. O governo e  a maior parte dos capitalistas, lucram com ela.

    Por isso, FHC obteve a mudança  das regras e a sua reeleição. Mas, incapazes de enxergar este fato simples e explorá-lo, os marqueteiros de Serra,  limitam-se  a acompanhar as pesquisas de opinião com  método  litúrgico e a  repetir conselhos óbvios do tipo: prometa que você  vai resolver os problemas da Saúde, da Educação e da Segurança. Como, nesta área, os outros candidatos, até a Marina, dizem a mesma coisa, fica tudo empatado. Ou seja, o que faz a diferença  mesmo é o eixo ideológico.

Sobre o mesmo tema, leia também as  colunas  Coisas da Política e Última Hora.

14-08-10

Dilma não perde mais. Se haverá segundo turno,
depende  do Plínio, o único que tira votos do PT

Dilma não perde mais, por duas razões simples que vou logo dizendo: em primeiro lugar, ela não foi brilhante, mas sobreviveu sem arranhões ao grande teste de exposição  maciça e sem montagem na TV, o Jornal Nacional. Segundo, porque  Serra está despencando até  nos seus redutos, o Sul e parte do Sudeste.

Se haverá segundo turno, isto depende  do desempenho de Plínio, o único que arranca votos, diretamente, do reduto petista. O Datafolha não registra pontuação para ele. Mas  o IBOPE tinha registrado um ponto na semana passada. De qualquer forma, não houve tempo para colher os resultados de sua aparição no JN, onde se  saiu muito bem, especialmente para seu  público alvo, do centro-esqueda  à extrema-esquerda. Ele simplesmente se  solidarizou com as invasões de latifúndios. Só isso já justificaria sua candidatura. 

Outro aspecto interessante é a estabilização de Marina em torno dos 10 pontos. Ela está  assim há quatro meses. Apesar de forçar o discurso numa direção mais ao gosto conservador, ela  não está conseguindo herdar os votos  que Serra vai perdendo. Isto tem duas causas: a primeira é a falta de estrutura de  seu partido, apesar da grana da Natura. A segunda, mais importante, é que ela ainda não  compôs  um visual adequado e não acertou o tom do discurso. É, como disse Plínio, a Polyana querendo parecer boazinha e agradar a tudo e a todos. Até, na questão ecológica suas propostas são vagas, genéricas.

 O fundamental, porém, é que  parece estar havendo uma transferência direta de votos de Serra para Dilma. São os  votos do grupo – apontado equivocadamente  nas pesquisas como “indecisos”-, mas que, na verdade, ainda  não tinha se ligado na eleição. É o pessoal de renda inferior a três salários (principalmente mulheres) que, quando interrogado,  citava o nome mais conhecido. Agora, Dilma tornou-se opção real de voto. E deve crescer mais, sobretudo no Nordeste e nas periferias, à medida  que seu  nome  aparecer colado ao de Lula.

Serra é, de  longe, o que  possui mais traquejo na TV. Mas isso adianta pouco quando falta discurso e é exatamente isso que ele não tem. Como seus marqueteiros, com rara incompetência, ignoram o aspecto plebiscitário e ideológico destas eleições, limitam-se e a  ficar de olho nas pesquisas e a recitar conselhos óbvios do tipo “agora fala da saúde, agora fala da segurança, agora fala da educação”. Não é possível que eles não percebam que todo mundo faz isso.

Os números são impressionantes: No Sudeste,  onde há um mês Serra vencia (40% a 33%), esta diferença caiu pela metade, permitindo um empate técnico. No Norte e Centro-Oeste, em trinta dias, a diferença a favor de Dilma subiu de sete para dez pontos. No Sul, única região onde  o tucano ainda vence, a diferença caiu de 13 para sete pontos (40% a 34%). E no Nordeste houve um estouro, fazendo com que Dilma ampliasse sua liderança de 12 para 24 pontos (49% a 25%).

Leia mais sobre o mesmo tema nas colunas  Última Hora,  Coisas da Política e Constituinte Já.

 10-08-10

PV e PSOL disputam, quase a tapas, o mesmo espaço eleitoral

Tá feia a coisa: no debate  da BAND, Plínio nocauteou Marina, com  uma frase direta e fulminante: Você é ecocapitalista e não sabe pedir demissão” Ontem (segunda- 9), veio a resposta: Alfredo Sirkis, líder do PV no  Rio  e um dos coordenadores da  campanha  da ex-petista, disse que Plínio “é um  burguês quatrocentão , cheio do dinheiro” e uma espécie de Enéias imberbe.

Mais baixaria é impossível, ou quase.  Mas de onde vem  tanta disposição para a briga? Vem, creio eu, do fato de que estavam certas as análises deste  blog, dando conta de que Marina e Plínio disputam  um  determinado espaço eleitoral  comum.  E dizendo isso, não estou afirmando que ambos estão confinados a um único espaço, mas que, em alguns seguimentos  do  amplo eleitorado, eles   correm atrás do mesmo tipo de eleitor. Que eleitor é esse?

Em textos  anteriores  já explicamos, mas vale repetir resumidamente: Marina que optou por um discurso bem mais à direta, vai crescendo às custas dos votos que Serra  vai perdendo, ou seja, aqueles eleitores que já não iam mesmo votar em Dilma, mas  votariam no tucano, tapando o nariz. Para eles, Marina é  uma grata surpresa  e uma bela opção: podem votar sentido-se civilizados  e moderninhos, sem que  haja qualquer ameaça aos seus privilégios de classe. Numa palavra: vão falar do verde, para não precisar falar de reforma agrária.

Vai daí que, como numa carambola de sinuca, Plínio vai recolhendo os votos que Marina  vai deixando cair pelo caminho. Que votos são esses? Os dos eleitores conscientes de  esquerda que, entretanto, não perdoam o que consideram desvios ideológicos ou práticas condenáveis do PT. Antes, eles votariam  em Marina, por ver nela um mal menor.  Agora votarão em Plínio.

A grande diferença  entre  Plínio e Marina, além da postura ideológica, evidentemente, é que o velho guerreiro do PSOL subtrai votos da verde, mas também de Dilma Rousseff. Ou seja: aqueles eleitores da esquerda tradicional que votariam na petista, apenas para não fazer concessão à direita, agora, têm em Plínio uma opção de voto que lhes apazigua a consciência.

Meu palpite é o de que já nas próximas  pesquisas, Plínio apareça com mais de 3%  da  preferência do eleitorado. Deve chega  ao final do primeiro turno com algo em tono de 5%. O consolo para Dilma é o de que, se houver  segundo  turno entre ela e Serra, a maioria dos votos de Plínio vai para ela.

30-07-10

Matematicamente, José  Serra está derrotado.Montenegro,
 do IBOPE, já  avisou que não dá mais para  forjar  empates

Quem lê habitualmente este blog, sabe que acompanhamos e analisamos  há muito tempo  as pesquisas e não cometemos leviandades. E se o leitor tiver paciência para acessar a coluna Última Hora, verá que  há três dias já dizíamos que a eleição seria decidida em Minas, sendo que  lá  Serra já está   cinco pontos atrás de Dilma.Verá, também em que baseamos esta afirmação.

Pois hoje, sempre atrasado, o Globo afirma em sua  página 2  que “ Serra pede socorro a Aécio” e acrescenta: “pesquisas internas do PSDB confirmam que  Dilma  já passou Serra  em Minas”. E,  na mesma página, porém noutro contexto,  comenta  que a  eleição será  decidida naquele Estado.

Resumo na ópera: salvo acontecimento muito grave e absolutamente inesperado, não dá mais para Serra.  Entretanto, cabe esclarecer aqui, que quando fala  em “pesquisas internas”, o Globo está se utilizando de um eufemismo para não revelar que o que  há são informes que  habitualmente Carlos Augusto Montenegro, dono do IBOPE e agregado da  família Marinho, envia a seus patrões, antecipando resultados de pesquisas em curso.Pesquisas estas que  estão sendo concluídas este fim de semana, mas que  ninguém sabe  quando, e se, serão divulgadas.

Isso quer dizer, em bom português, que Montenegro  avisou que a vantagem de  Dilma  já é tão grande  que não dá mais para  forjar  embate entre  ela e Serra, como  o IBOPE e a DataFolha fizeram, criminosamente, há dez dias. Na verdade, o esforço desesperado do esquema serrista  consiste em simular um  equilíbrio na  disputa, até o início do horário gratuito  na TV. Depois, seja o que Deus quiser.

Para  ser ter uma idéia de como esta gente (na verdade uma quadrilha organizada) atua, basta lembrar que   há um mês (26 de junho), o IBOPE já apontava uma  vantagem de  cinco pontos a favor de Dilma. Quinze dias, depois, sem respeitar o  tradicional espaço de 30 dias  entre as pesquisas, o instituto aparece  com um  novo levantamento apontando um estranho empate em torno de 38 %. Tudo para coincidir com  a pesquisa da DataFolha (igualmente estranha porque mudou  radicalmente   sua metodologia) apresentado  empate  semelhante. E isto, na mesma semana em que  o Vox Populi confirmava a vantagem de  oito por cento de Dilma sobre Serra.

Para quem imagina que exagero, imploro que acesse o blog de hoje de Cesar Maia, insuspeito por que é serrista e,  principalmente, porque  é um especialista no assunto. Se v. você fizer isto, verá que o ex-prefeito do Rio demonstra que  uma simples alteração na metodologia, pode  acarretar distoções de até 500%. 

26-07-10

 A única incógnita desta eleição: para onde
 irão os votos de Marina no segundo turno?

O certo é que Dilma vencerá no primeiro turno. Nem Cesar Maia e Ricardo Noblat, levam a sério  a última DataFolha. Vejam o blog  do primeiro na Internet e a coluna  do outro no Globo de  hoje.

Então,  se não há mais dúvidas quanto à vitória de Dilma o primeiro turno (vejam nossa matéria  esmiuçando as pesquisas, na coluna  Coisas da  Política deste blog), resta uma questão a ser  respondida: se houver segundo turno, para onde irão os votos de Marina Silva? E lembre que  quando dizemos que  Dilma vencerá o primeiro turno, não estamos dizendo que  ela será eleita no primeiro turno.

É preciso ser isento e coerente.  Há meses  defendo nesse  blog, inicialmente quase sozinho, que  Marina retirava  mais votos de Serra do que de Dilma. Hoje esta é uma opinião quase unânime. Se for assim, dita a lógica que, no segundo turno, os votos de Marina   tenderão a migrar, em maior número,  para Serra.

Agora, vamos supor que Marina chegue ao final do primeiro turno com, digamos, 10% dos votos  já que, há cinco meses, ela  se mantém estabilizada neste número. Então, é  preciso avisar, desde logo, que estes 10% não migrarão  integralmente para Serra.  Digamos que 7% vão para ele os  o restantes 3% para Dilma. Sendo assim, para que a petista  ingresse  na campanha  pelo segundo turno com alguma tranqüilidade,é preciso que, no primeiro turno, ela  obtenha um vantagem, sobre  Serra, de algo próximo aos 10%.

Isso não é impossível, mas  não é fácil. Donde se conclui que a estratégia  ideal para Dilma seria no  sentido de  torpedear a candidatura de Marina. Mas como fazer isso, sem  partir para um confronto direto, o que seria um tiro no pé? São poucas as alternativas,  mas uma delas, embora pareça excêntrica à  primeira vista, seria dar  uma ajudazinha na  campanha de Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). Bastaria que Dilma ou o presidente Lula fizessem referências a ele nos comícios e do horário gratuito.

Em  artigos recentes, tenho  procurado demonstrar que  Plínio, até agora solenemente ignorado  pela mídia, começa   a ter  alguma visibilidade e, na mesma proporção, vai retirando  votos de Marina. Por que isso? Porque os eleitores dele e da  candidata  verde são aqueles que já não iriam mesmo votar em  Dilma. Em verdade, na falta de  alternativas, eles  votariam até em Serra, tapando o nariz. Então, estes eleitores anti Lula ou anti PT (geralmente de classe média), numa primeira fase  migraram de  Serra para   Marina. E agora,  numa proporção bem menor, é verdade,  migrarão de  Marina para Plínio. Notem, aliás, a grande afinidade existente entre Marina e Heloisa  Helena, a fundadora do PSOL.

Se for assim, o crescimento de Plínio fragmenta  ainda  mais o campo anti Lula. E, com isso, Serra chega ainda mais fragilizado  ao final do primeiro turno. Por outro lado, é muito pouco provável que, no segundo turno,   Plínio recomende o voto em Serra.

Parece complicado, não parece? E é mesmo.  Não pensem que estrategista político e marqueteiro têm vida fácil.

20-07-10

Mídia descobriu Plínio, mas continua indigna

Durante meses, gritamos aqui deste blog, indignados com a mídia calhorda que ignorava solenemente a candidatura de Plínio de Arruda Sampaio, o veterano guerreiro, socialista e verdadeiro democrata. Agora a mídia, sempre indigna, decidiu apostar algumas fichas no candidato do PSOL, supondo que ele retire alguns votos de Dilma Rousseff.
Para a imprensa serrista, tudo consiste em tentar levar a eleição para o segundo turno. Depois, imaginam, seja o que Deus quiser. Nesse sentido, andaram injetando gás na candidatura de Marina Silva, até descobrirem, como igualmente há meses dizíamos neste blog, que ela retira muito mais votos de Serra do que da petista.
Também com relação a Plínio o estratagema não vai dar certo.E não vai, pela razão simples de que o PSOL – que com Heloisa Helena chegou a representar algo próximo dos cinco por cento do eleitorado -, passa para o grande público uma imagem muito mais moralista do que socialista, por razões de técnica de campanha.
Os candidatos chamados midiáticos (Chico Alencar – RJ, por exemplo) se apresentam muito mais como arautos da Ficha Limpa do que como batalhadores pela superação (extinção) do modo de produção capitalista. Uma contradição difícil de ser sanada  na reta de chegada da campanha. Nessas circustância, Plínio subtrai mais votos de Marina do que de Dilma. Ambos, Plínio e Marina, navegam  num eleitorado que já  não ia mesmo votar  em Dilma, e poderia votar no Serra, mas tapando o nariz.

15-07-10

Confirmado: Serra  dá  adeus ao neoliberalismo

Podem dizer que é vaidade, porque estou vaidoso mesmo. Já não sei quantas vezes este blog antecipou notícias que os jornalões corruptos, incompetentes e infiéis para com seus leitores, só informam dias ou semanas depois. Mas, desta vez, foi demais, parece até que eles estão usando nosso blog para fazer suas pautas.

 Agora, vejam o que a  coluna Panorama Político, a única razoavelmente bem informada do Globo, destaca  hoje,  (15-07): ”As idéias neoliberais estão fora da campanha do tucano José Serra. Ele tem deixado isto claro quando promete Bolsa Família para os 27 milhões mais pobres ou ao questionara autonomia do Banco Central. Enquanto o governo Lula tenta criar novas estatais, Serra, se eleito, pretende criar novos ministérios. Para o candidato tucano,  o debate eleitoral não é sobre como economizar, mas como gastar melhor o dinheiro público”.

Vejam, por fim, como abrimos nossa matéria de oito dias atrás:

“Este blog está informado que a partir da próxima semana, José Serra  promoverá uma nova mudança  em seu discurso, desta vez para defender (pasmem!) uma maior intervenção do Estado na economia. Ele  já vinha defendendo, há  três meses, a manutenção do Banco Central sob cabresto e  insinuado que, se necessário, interviria no Câmbio”.

É notória a falta de um discurso coerente na campanha tucana ou simplesmente a ausência de qualquer discurso. Mas é inacreditável que ele, um veterano  de meio século na política, não  perceba que pior que nenhum discurso é o discurso de biruta de aeroporto. Dizendo de outra forma:  você pode não gostar da  Dilma, mas pelo menos sabe o que  vai fazer? Alguém sabe como será o governo de Serra? É nisso que dá pensar com a cabeça dos marqueteiros, esses   analfabetos políticos regiamente remunerados.

Leia a matéria logo aí abaixo e veja também, na coluna  Coisas da Política, texto sobre as novas estatais de Dilma Rousseff.

7-07-10

E o Serra, acreditem, vai defender um estado mais forte

Este blog está informado que a partir da próxima semana, José Serra  promoverá uma nova mudança  em seu discurso, desta vez para defender (pasmem!) uma maior intervenção do Estado na economia. Ele  já vinha defendendo, há  três meses, a manutenção do Banco Central sob cabresto e  insinuado que, se necessário, interviria no Câmbio.

Isso lhe valeu críticas severíssimas da mídia calhorda que o apóia, desde que ele não mexa com os interesses do Capital Financeiro, o verdadeiro patrão dela. Recentemente, a Míriam Leitão, (vocês devem estar lembrados) chegou a bater boca  com  o  candidato tucano, em pleno ar, na CBN, quando ele disse que o Banco Central não é intocável.

Essa nova tentativa do candidato de calibrar o discurso  de forma a desvencilhar-se da pecha de neoliberal e descolar sua imagem da de FHC, é  uma vitória pessoal do presidente  nacional  do PSDB, senador Sérgio Guerra, o primeiro a perceber que, numa eleição plebiscitária como a que se insinua, os defensores do neoliberalismo  puro não teriam a menor chance de vitória.

Serra fez uma primeira tentativa nesta direção há 90 dias, como  eu disse acima. Mas levou tanta cacetada da imprensa que recuou   para adotar, na sequência, um discurso bem ao gosto da direita mais ignorante e preconceituosa. Foi  quando ele responsabilizou a Bolívia pelo aumento do consumo de drogas no País.

 Isso seria  apenas uma  bobagem se não fosse um calúnia. As  pessoas razoavelmente  bem informadas e com senso de proporção, sabem que 80 por cento  da cocaína consumida no País é  fornecida  e distribuída  internamente, no atacado,    pelos grandes cartéis  da Colômbia com ramificações no Peru. Por coincidência,  os dois últimos países do Continente que ainda são  aliados dos  Estados Unidos. E,  reparem,  Serra  não tocou mais no assunto. Como, se era tão importante?  É que não rendeu os pontinhos, do IBOPE, que ele esperava. Tudo armação de marqueteiro.

Quanto ao  discurso  em favor de um estado mais robusto e ativo , Serra só mereceria  aplausos, até porque não  há outra saída, diante da  gigantesca crise econômica  norteamericana. O problema é que ele não está sendo sincero: eu guardo,  bem arquivados, todos os seus pronunciamentos do tempo em que era  ministro do Planejamento, quando foi ardoroso defensor das privatizações que dilapidaram  nosso patrimônio  público. Sobre a Vale, ele disse textualmente:  “ As  empresas  mais lucrativas, são justamente  as  que devem ser privatizadas. Haverá, assim, maior ingresso de recursos para o Tesouro”.  

03-07-10

Agora  são os tucanos paulistas que criticam  Serra:
ele devia  ter mantido  Álvaro Dias como seu vice.

O núcleo duro do PSDB paulista, o mesmo que tinha convencido Serra a  esquecer um vice do DEM e nordestino, para  pensar apenas em fortalecer sua posição na Região Sul  que ainda  lhe é  bastante favorável, sobretudo no Paraná, não perdoam  o candidato por ter cedido às pressões de Cesar Maia (que controla os democratas) e substituído, na última hora, seu vice, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), pelo deputado Índio da Costa do DEM fluminense.

Os dois maiores críticos são o governador paulista em exercício, Alberto Goldman,  e o candidato  ao Senado por São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira. Eles não escondem de ninguém que vêem o “o dedo do Aécio” nisso tudo” e estão convencidos de que na primeira oportunidade, o DEM, mais  setores do PSDB, principalmente de Minas e do Nordeste, se unirão para fundar um novo partido. A nova  sigla  teria como objetivo imediato, salvar o DEM da falência iminente e, mais lá na frente, dar sustentação à candidatura de Aécio Neves à presidência, em 2014.

Vale recordar, que  nas dramáticas negociações mantidas  poucas horas antes da abertura da Convenção do DEM, na última quarta-feira em Brasília, Aécio voou de Minas para  São Paulo e, na madrugada gelada, somou esforços com Rodrigo Maia (filho de Cesar) até arrancarem, de Serra, a troca de  Álvaro  Dias por Índio da Costa.

Estas são histórias que um dia serão contadas com detalhes e  pertencem aos chamados bastidores da política. Por ora, a grande verdade   é que a saída de Álvaro e a entrada de  Índio não alterou um milímetro na situação eleitoral de Serra. Isto pela boa razão de que o grande público não tomou  conhecimento da disputa. Aliás, estou por dizer que este  mesmo grande público, numa proporção de 90 por cento, não sabe sequer quem é o atual vice-presidente, apesar de sua continua e sofrida peregrinação pelo hospitais.  É a  prova de que a grande mídia  mais aliena do que informa e a opinião por ela publicada está longe de ser a verdadeira opinião pública.

01-07-10

 De Cesar Maia para José Serra: O vice é meu e ninguém tasca

Hoje o leitor pode escolher: nos primeiros cinco parágrafos logo aí abaixo, você terá um texto tipo papo cabeça, cheio de sociologias e coisa e tal. Mas do sexto parágrafo em diante, temos todas as fofocas de bastidores  do novelão mexicano em que se transformou a escolha do vice de Serra.

Como aperitivo, podemos dizer aqui mesmo que o novo vice-galã, o travesso Índio do Cesar Maia, já está sendo acusado de  se  meter em  estrepulias com a merenda escolar no tempo em que foi Secretário de Governo da prefeitura carioca.

Entretanto, o grande babado mesmo é o do romance do Índio com a filha do banqueiro-bandido Salvatore Cacciola. É claro que  pecados de pai  e de sogro não se transferem automaticamente para  a filha e o genro, mas para  alguém como o Serra que acaba de expor sua intimidade com o Roberto Jefferson, a última coisa que faltava era mais uma telha de vidro.

Quando a campanha eleitoral  entra em sua fase decisiva e pega fogo, a gente perde a isenção de ânimo. Sendo assim, serristas o dilmistas, por exemplo, passam a ver tudo como um sinal de mérito de seu candidato ou de sorte para a sua campanha. Ninguém vê que existem outros  atores e outras circunstâncias que interferem no processo, independente do desempenho do seu ídolo.

Então, no rocambolesco episódio  que culminou com a “escolha” de Índio da Costa para ser vice de Serra, a maioria da platéia ficou contabilizando o que  resultou  de bom para seu candidato e de ruim para o adversário. Poucos, por isso, viram que a dramática Convenção do DEM, aberta nesta quarta-feira (30-06) em Brasília, sem que se soubesse que bicho iria sair dali,  assinalou, na verdade, o fim de uma época.

E assinalou, assim, o fim do projeto conservador-liberal que, durante três décadas, foi compatível com o projeto idêntico  que impôs suas idéias, de forma hegemonia  em todo o Mundo. A Grande Crise  Norteameridana , em pleno curso,  varreu, numa lufada, todos os chamados paradigmas neoliberais. Aqui  do Brasil,  que aos poucos deixa de ser mero assistente da cena mundial,  não poderia ser diferente.

Senhoras e senhores, a era neoliberal capitaneada por Fernando Henrique Cardoso acaba de desmoronar com estrondo nessa grotesca convenção do DEM que pariu para o mundo político o jovem travesso Índio da Costa. É o fim de uma época que combinou idéias  pseudo modernizadoras, com o que  há de mais arcaico nas práticas políticas de uma  oligarquia  nostálgica da escravatura e corrupta até a medula.

Cesar do DEM  brigou  e submeteu Serra Tucano nessa convenção inusitada, porque lutou  como um  desesperado que  sabia não ter nada a perder a não ser uma sigla sem sentido  que era mero reflexo do discurso neoliberal do PSDB. Discurso que este  que  não há mais.

Uma autêntica palhaçada. O Jeito Serra de perder eleições

 Este texto é uma atualização, com a inclusão do último capítulo da novela  envolvendo PSDB e DEM, na escolha do vice de  José Serra. Na  madrugada de quarta-feira (30-06), os tucanos retiraram a candidatura de Álvaro Dias (PSDB-PR) que deu origem à crise.

Finalmente  pouco antes das   três horas da  tarde, após  dez  horas  de negociação, Rodrigo Maia, presidente do DEM, saiu da casa de José Serra, em São Paulo e anunciou que o vice será o deputado Índio da Costa (39 anos), democrata  do Rio e relator do Projeto Ficha Limpa. Sua  indicação  é uma  vitória pessoal do ex-prefeito Cesar Maia, pai de Rodrigo.

 Índio foi introduzido por Cesar na política. Serra só cedeu quando se convenceu  de que  Cesar e Rodrigo não estavam blefando e iriam  encerrar a Convenção  do DEM sem oficializar o apoio à sua candidatura. Presente à fase final das negociações, Aécio Neves avalizou a candidatura do carioca.

O DEM  abriu,  esta manhã (30-06) em Brasília, a sua Convenção Nacional para decidir, na cobrança dos pênaltis, se manteria  coligação com o PSDB, em torno da candidatura de José Serra e, ao mesmo tempo, indicar, ou não , o candidato do partido para compor, como vice, a chapa do tucano.

Parece coisa  de seriado barato da TV americana, mas só às três horas   desta madrugada, o exausto e insone presidente nacional dos democratas, Rodrigo Maia, recebeu, no apartamento do senador Heráclito Fortes, em Brasília, um telefonema  que começou a desanuviar a situação.

  Era o senador Osmar Dias, do PDT que, muito encabulado, informava, que também na última hora, decidiu concorrer ao governo do Paraná, com o apoio do PT local. Com isso, ficou sem lógica política  a escolha de Álvaro Dias para ser o vice de Serra. Álvaro, irmão de Osmar, também é senador, só que  pelo PSDB. Serra o escolheu como  companheiro de chapa porque  entendeu que era  importante impedir o fortalecimento do PT no Paraná, seu principal reduto eleitoral, depois de São Paulo.

O problema é que ao fazer isso, sem consultar ninguém, nem mesmo ao presidente de seu partido, o senador pernambucano Sérgio Guerra (em quem, diga-se de passagem, ele não confia), Serra rompeu acordo com o DEM,  o velho aliado que seria  contemplado  com a candidatura a vice.

O que temos então: no domingo após receber uma série de más notícias, entre elas a de que estava  perdendo terreno para  Dilma no Sudeste e no Sul, Serra  resolveu esquecer o Nordeste e o DEM e convidou Álvaro Dias. Na  continuidade, cometeu outra bobagem:  confidenciou isso  a Roberto Jefferson, um corrupto confesso e notório porraloca, convertido recentemente  em seu íntimo colaborador. Jefferson, sem perder tempo, espalhou a notícia pelo Twitter e ainda acrescentou, bem ao seu modo, que “O DEM é uma merda”

O resto  todo mundo já sabe: Rodrigo e seu pai, Cesar Maia, reagiram  dizendo que “merda é a mãe” e exigindo que Serra consertasse imediatamente “ essa grande cagada”, exatamente nesses termos.

A partir desse impasse, sucederam-se  frenéticas  reuniões em São Paulo e em Brasília. Numa delas,  (terça  à  tarde, num hotel paulistano)  até FHC participou. Tudo em vão. Serra além de não participar das conversações, mantinha-se irredutível. “O vice é o Álvaro, e pronto” A coisa ficou tão esquisita que até os Borhausen de Santa Catarina e o senador  Agripino Maia, do Rio Grande do Norte, habitualmente  apaziguadores,  acabaram concordam com  Rodrigo   e exigiram mais respeito e compostura nas negociações.

Pouco antes, eles fizeram uma concessão importante: concordariam que o vice fosse  um tucano, mas Álvaro teria que ser substituído.  Foi quando todos olharam para   Sérgio Guerra que já tinha sido cogitado para o cargo.  Ele, porém,  foi rápido e  exclamou: “ Me tirem dessa pelo amor de Deus”.

A Convenção do DEM está sendo aberta agora  às  7 horas da manhã, para cumprir os  prazos legais estabelecidos pela legislação eleitoral.  É  como um livroem branco. Só Deus sabe o que será escrito nele.

Mas o melhor da história, eu deixei par o final. Quem  resolveu o problema foi o presidente  “licenciado” do PDT, Carlos Lupe. No fim da tarde de ontem, ele embarcou num jatinho, desembarcou em Curitiba, trancou-se  numa pequena sala com o vacilante Osmar  Dias e só saiu quando teve certeza de que o senador seria candidato ao governo do Paraná.  Na reunião, ele teria sido curto e grosso, tipo assim: ou você sai candidato ao governo ou eu vou cuidar pessoalmente  da sua expulsão do partido.

 Lupe, há  vinte e poucos anos, era um jovem jornaleiro, que  mantinha uma banca a poucos metros do edifício onde  Leonel  Brizola morava, em Copacabana. O ex-governador o cativou, ele  começou a militar no PDT, acabou presidente do partido e, de quebra, Ministro do Trabalho.

29-06-10

Inacreditável!  Veja como  Serra parece  querer perde a eleição

José Serra  não participou da reunião (em São Paulo) com dirigentes do DEM para discutir a indicação do vice de sua chapa. Como os democratas vetam o nome  de Álvaro Dias, senador do PSDB  pelo Paraná, voltou-se  a falar em Sérgio Guerra presidente nacional dos tucanos, um nome que seria aceito  por Rodrigo Maia e seu pai, Cesar Maia, que controlam o DEM. À saída  da reunião , na casa do prefeito paulistano, Gilberto Kassab,   um dirigente democrata  desabafou:” Não tem jeito. Esse Cara (Serra) parece fazer questão de perder a eleição”. Hoje à tarde, no Hotel Emiliano iniciou-se nova reunião, com  presença de  FHC. No fim da tarde, contraiado, o ex-presidente  informou que   ainda não se chegou ao consenso. A decisão vai para os pênaltis. 

Este texto serve como atualização de textos  dos dois dias anteriores que  descrevem,  passo  a  passo, a crise insolúvel entre  PSDB  e DEM, bem como a possibilidade  de, em função dessa  disputa, surgir um novo partido,  reunindo o que resta do DEM e uma parte importante de dissidentes do próprio PSDB, há muito tempo insatisfeitos com a forma com que  a Direção, desde sempre paulista, conduz o partido.

Enfim,  esses são temas que o leitor encontrará nas duas matérias citadas e que estão logo aí abaixo desta.

Aqui, vou destacar alguns flagrantes da reunião   promovida ontem,   pelo presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, para tentar  contornar o clima de guerra  entre dirigentes dos dois partidos. O DEM, por seu presidente, Rodrigo Maia, declarou-se inconformado com o fato de o partido não indicar o vice na chapa de José Serrara e ofendido com a forma do anúncio de que o vice seria Álvaro Dias, senador tucano pelo Paraná.  Rodrigo Maia e seu pai, Cesar Maia,  souberam  na indicação de Álvaro, através do Twitter, numa mensagem assinada por nada menos que Roberto Jefferson.

A reunião de mais de quatro horas varou a madrugada e foi inconclusiva. Porém teve como destaque a ausência de  José Serra. Ele só  apareceu  depois da  uma hora da madrugada, deu um alô e retirou-se a pretexto  de deixar os atônitos dirigentes mais  à vontade.

Como a reunião não foi conclusiva, ela prossegue hoje. E de hoje não pode passar, porque amanhã, último dia  do prazo concedido  pela lei, o DEM terá que realizar sua convenção para oficializar, ou não, seu  apoio  a José Serra.

28-06-10

Tudo sobre a crise PSDB/DEM e a criação de um novo partido

As  informações  específicas sobre a criação de um novo partido, você  pode ler  na matéria logo abaixo desta, postada ontem (26). O presente texto tem o objetivo de  atualizar informações sobre a crise PSDB/DEM  que podem desembocar  na criação dessa nova sigla. Vamos por itens:

1- Antes de mais nada, é preciso esclarecer que a criação de um novo partido é um processo em andamento, cujo passo fundamental poderá ser o desfecho da crise PDSDB/DEM. Se Serra não recuar e insistir na chapa  puro sangue  com o tucano paranaense Álvaro Dias, o rompimento será inevitável, mesmo que não seja formal ou total, porque já existem muitas alianças já consolidadas entre os dois partidos em vários estados.

2- Com o rompimento, que chamaremos de afastamento, iniciam-se, automaticamente, as gestões para a criação de um novo partido, reunindo  a maioria do atual DEM e  uma dissidência importante do próprio PSDB. Mas a conclusão do processo, por razões óbvias, só ocorrerá após as eleições.

3- Quase tão hábil quanto seu avô  Tancredo, Aécio Neves disse ontem em Minas, matreiramente, que está mais votado para as questões de seu Estado, (Imaginem só!) mas   acredita que “prevalecerá a autoridade de Serra”, na questão da escolha do vice em sua chapa. Mais vago, seria impossível.

4- O presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, filho do ex-prefeito  carioca Cesar Maia, deu prazo para que Serra retire a candidatura de Álvaro Dias e ameaça lançar  na convenção  nacional do DEM um candidato próprio à vice-presidência. A convenção está marcada para  depois de amanhã, dia 30.

5-Portanto, Serra tem 48 horas  para escolher entre duas  soluções péssimas: volta atrás, retirando a candidatura de Álvaro Dias e desmoraliza-se, ou  deixa o barco correr até espatifar-se no rochedo do rompimento com o DEM.

6- Para  se ter  idéia do grau a que chegou a crise vão aí três episódios ilustrativos: Ontem (primeiro episódio), segundo o Portal Terra, Rodrigo Maia ligou para o senador Osmar  Dias (PDT-PR) e irmão do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e disse  que ele (Osmar)  podia sair candidato ao governo do Estado em aliança com  o PT, porque “o Álvaro não vai ser  o vice de Serra” . Osmar relutava em sair candidato, caso seu irmão  fosse o vice na chapa  tucana. Mas o que interessa é o seguinte:  vocês já tinham visto um presidente de um partido  torpedear de tal forma a candidatura (a de Serra) de um partido aliado?

7- Ainda ontem (segundo episódio), na casa de  seu filho Rodrigo, Cesar Maia reuniu-se com todos os cardeais do DEM, inclusive os representantes  das da família Bornhausen que , mais moderados,  ainda são a favor de um acordo com Serra. Foi então que Cesar soltou esta: “A eleição está perdida, porque estamos com o candidato errado, o certo seria o Aécio”.

8- Episódio 3: o PSDB do Rio decidiu, ontem, lançar candidato próprio ao Senado, para que Serra  possa te um palanque  no Estado.  Ficou claro para os tucanos fluminenses que eles já não podem contar  mais com o palanque de Cesar Maia que  sai  candidato ao Senado pelo DEM. É o rompimento de fato.

9- A discussão para a criação de um novo partido, reunindo o DEM e  a ala aecista do PSDB, começou a ser discutida no fim do ano passado, quando  concluiu-se que o candidato tucano seria mesmo Serra e não Aécio. Mas, nesse momento, a questão tornou-se urgentíssima:  se não trocar de  nome e receber uma transfusão de sangue, ainda que de tucanos rebelados, o DEM definha e morre  em menos de um ano.

10- Esta crise  derradeira começou no último fim de semana com a divulgação do  IBOPE que mostrou não apenas que Dilma  estava na dianteira, mas algo muito pior: que, no Sudeste e no Sul, parte  dos votos potenciais de Serra  estavam sendo transferidos  diretamente para a petista,  na media em que ela tonava-se conhecida e identificada com a continuidade do lulismo.

11- Foi guando  Serra decidiu deixar de brigar  pelo Nordeste e aglutinar suas forças no Sul. Por conta disso, pareceu lógico a ele (Serra) que  mais valia  dificultar a vida do PT no Paraná, do que arrumar um vice nordestino e  do DEM. O problema é que ele esqueceu-se de combinar isso com os russos,  quero dizer, com  a Família Maia.

Para concluir: a situação está tão crítica que até o Ricardo Noblat, admite, hoje em sua coluna no Globo, que Serra  já perdeu. Segundo ele,  o tucano “arrisca-se a ir para o vestiário no fim do primeiro turno”.

26-06-10

José Serra não consegue um vice
e está perdendo o apoio do DEM

A questão do vice de Serra pode  precipitar o rompimento do DEM de Cesar Maia  com o PSDB, primeiro passo para a criação de um novo partido, fundindo os democratas com dissidentes tucanos e outros partidos menores. O ultimato, quase rompimento, dado ontem por Rodrigo Maia, presidente do  DEM e filho de Cesar, quase cria um  fato consumado. Na verdade, Rodrigo, num primeiro momento, pediu o impossível que é o que a gente faz quando quer briga: ou um candidato filiado ao DEM ou Aécio (ele de novo) como vice de Serra. Depois, contudo, aceitou  conversar com  Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB.

Não imaginem, portanto, que o rompimento será imediato. Serra poderá ceder e indicar um  vice do DEM. Além disso, a convenção dos democratas, dia 30, não é o local nem o momento adequado para uma decisão estratégica, mas, certamente haverá vozes, ali,  defendendo a autonomia do partido, reduzido, hoje, a  linha auxiliar do PSDB.

Vamos aos fatos. Antes, porém, duas  observações iniciais: a- Serra é inábil ou mesmo desastrado, mas o racha que deverá ocorrer  a partir de agora, com  o afastando do DEM  e de  parte do próprio PSDB de um esquema que foi hegemônico  durante o Governo FHC,  já estava em gestação há muito tempo; b- o senador Sérgio Guerra chegou a olhar com simpatia a candidatura de Aécio Neves no lugar da de Serra, mas hoje  auxilia lealmente  ao tucano paulista.

Isto posto, podemos informar que, seja  qual  for o desfecho desse imbróglio envolvendo o candidato a vice de  Serra,  já está em fase final  de articulação a criação de um novo partido reunindo o DEM  em sua quase totalidade e um  boa parte do próprio PSDB, com elementos importantes do Rio, de Minas (sobretudo de Minas!) e de alguns estados nordestinos, com destaque para o Ceará. Haverá, também a natural adesão de partidos menores.

Pelo gosto de Cesar Maia, isto  deveria ter sido feito ainda no ano passado. Agora, prudente, ele sabe que terá  que aguardar até o desfecho da eleição  presidencial.  Até lá, cuidará, no Rio, de sua candidatura ao Senado que,  apesar das dificuldades criadas pelas trapalhadas de Serra e da má vontade  dos verdes liderado por Gabeira, tem reais possibilidades de vitória. Ele lidera  as pesquisas ao lado de Marcelo Crivella.

O grupo que articula a nova agremiação é o mesmo que há cinco  meses  tentou substituir  a candidatura de Serra pela de Aécio e vem, de forma progressiva, questionando  a direção tucana enquistada em São Paulo  (com extensão  no Paraná), dois estados, aliás, que deram origem ao tucanato, rachando o então PMDB do Dr. Ulysses.

O novo partido trás como vantagem imediata a de  criar elementos para sustar  a vertiginosa decadência do DEM e, no embalo, ficar livre desse nome que, definitivamente, não trouxe sorte.

O objetivo central, porém, é o de dar  sustentação à candidatura presidencial de Aécio Neves, daqui a quatro anos, se até lá  o ex-governador mineiro concluir que sua fase de tucano já passou. Na verdade, estamos diante de um cálculo simples: se  Geraldo Alckmin for eleito  governador de São Paulo, será naturalmente candidato à presidência em 2014. E o  Aécio, como é que fica?

É isso. Ou melhor, faltou dizer que Ciro Gomes jamais esteve ausente dos planos deste  grupo dissidente. Há quatro meses, quando ainda se  lutava pela candidatura de Aécio, Ciro foi a Minas, chamou Serra de “o Coiso” e  anunciou que seria, de bom grado, o vice de Aécio. Tudo com a benção de seu padrinho político no Ceará, o tucano Tasso Jereissati.

23-06-10

Serra afasta-se de FHC e critica  política econômica de Lula
 naquilo em que ela mais se parece com a do ex-presidente

O candidato tucano não fala há semanas  com Fernando Henrique que fez  questão de não comparecer à convenção que  homologou a candidatura de seu pupilo, semana passada, na Bahia. O tom do discurso é dado, agora, por Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB.

É o fio da navalha. Cansado de  dar cabeçadas sem conseguir calibrar um discurso   coerente que  evite a corrosão de seus pontos nas pesquisas, José Serra parece decidido a concentrar sua artilharia na política econômica  de Lula focando, principalmente, as  questões dos juros, da  sobrevalorização do Real e da autonomia do Banco Central. Eu não saberia dizer se é desespero ou um risco calculado. Provavelmente, uma combinação das duas coisas.

Todos sabem que Lula  usa o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, um super banqueiro e  ex-tucano, como um espécie  de  cartão de crédito: toda vez que o mercado nacional e principalmente o internacional revelam algum temor de que ele  ou Dilma Rousseff estão  se desviando muito para a esquerda, ele saca o carão (com os juros altíssimos nele embutidos) e consegue sentar-se à mesa do Capitalismo Globalizado.

Esta é a contradição central do governo Lula, mas é assim que ele vai levando e vai-se dando muito bem, obrigado.

Agora vejamos pelo lado  Serra: quantos votos ele vai ganhar prometendo mudanças  na política econômica? Creio que nenhum, porque esta é uma discussão que, no nível  técnico, não chega à grande massa eleitoral e no nível político pode assustar às milhões de famílias que nos últimos anos saíram do rés-do-chão para adquirir um armário de madeira compensada nas Casas Bahia.  Os juros? São os que cambem no bolso, E ponto final.

Há seis meses, essa discurso mais ao centro  e com alguma tonalidade nacionalista, proposto pelo senador Sérgio Guerra, presidente   do PSDB (não por acaso um ex-brizolista) ainda faria algum sentido, até porque  Dilma era uma ilustre desconhecida  do eleitorado e Serra navegava em confortáveis 40% da preferência popular, mesmo sem se declarar candidato.   Mas  a novidade recebeu tanta paulada  da mídia (o Globo chegou  dizer que era o “samba do crioulo doido”) e do FHC   que ameaçou expulsar os  alunos da sala de aula, que Serra desistiu. Guerra, ainda tentou levar o discurso  adiante, pela voz de Aécio Neves.  Também não deu. E agora José?

E agora fica a evidência de que o PSDB  tem duas correntes diametralmente opostas, em seu bojo.  Simplificadamente, a de Guerra e a de FHC. Pelo andar da carruagem, nenhuma das duas colherá  frutos nestas eleições. Mas depois da ressaca, se  confirmada a derrota de Serra, é possível que  o persistente  Guerra  junte os cacos e os entregue a Aécio Neves. O neto de  Tancredo esta se  guardando para o Carnaval de 2014. 

21-06-10

No Rio, Marina pode superar  Serra
 que já começa a cair em São Paulo

Creio ter algum crédito junto aos meus leitores. Afinal, tenho informado com alguma antecedência, em relação aos jornalões esclerosados, alguns fenômenos e tendências eleitorais que se confirmaram plenamente, como foi o caso  da ascensão  de Marina, principalmente  no Rio, e a queda de Serra em Minas, em função do fenômeno Dilmasia (Dilma/Anastasia) que só este fim de semana  a Folha e o Globo começaram a admitir. Antônio Anastasia é o candidato ao governo de Minas apoiado por Aécio Neves.

 Agora, vou gastar um pouco por conta, para dizer que a candidata verde  já esta batendo nos 20% da preferência do eleitorado fluminense e  deverá superar Serra dentro de 30 dias. Mas a pior notícia para o tucano é que ele começa a perder terreno também em São Paulo, seu maior reduto.

Não se trata de adivinhação nem de especulação barata.  Tenho informado aos leitores  que os grandes institutos de pesquisas fornecem,  aos seus  clientes preferenciais, análises de conjuntura  que, de certa forma, antecipam tendências e até números de pesquisas ainda em andamento.

 É  o caso, por exemplo, do IBOPE de Montenegro que  antecipa prováveis resultados para as Organizações Globo  que,  geralmente, as repassam para  o comando da campanha tucana. Quando isso acontece, as informações vazam e chegam até nós que temos ouvidos atentos. Além disso, existe uma série  de pesquisas menos importantes ou locais, que, com os devidos cuidados, também ajudam a compor o quadro.

Pois, através desses canais transversos,  o comando da campanha tucana já foi informado que a diferença de Serra para Dilma em  São Paulo caiu para  seis milhões de votos. Ainda é uma vantagem respeitável. Ocorre que ela era de  dez milhões há 120 dias e de oito milhões  há dois meses. Se for assim, o naufrágio e inevitável.

Mas,  mais grave é a situação  do Rio, onde  os caciques do Partido Verde dão como certo que dentro de  um mês Marina Silva estará ultrapassando Serra. Situação semelhante ocorre em Brasília, onde a candidata da Natura já está próxima dos 15%.

Já disse  em outros textos que, como capital e ex-capital, Brasília e Rio são sintomáticas,  antecipam  uma tendência nacional. Marina cresce também no Nordeste (sempre roubando votos de Serra) e já ultrapassou o paulista em Alagoas,  em função do apoio informal que recebe ali de sua  amiga Heloisa  Helena.

É por conta disso tudo que  Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, os manda-chuva do  PV, estão rifando José Serra, de quem dependiam financeiramente há alguns  meses atrás.  Agora, o tucano é tratado como um estorvo já que não faz sentido dividir  o palanque com ele, quando é Marina a puxadora de votos.

Na coluna Coisas da Política você tem os pormenores dos desentendimentos entre os verdes e Serra no Rio.

17-06-10

Ninguém quer ser o vice de Serra,
nem fala mal do Lula no Nordeste

 O deputado Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, entrou em acordo com o ex-presidente Jorge Bornhausen, para exigir formalmente  a indicação  do vice  na chapa de José Serra.   E isto, além de uma curiosidade, é um grande problema, porque  Serra estava determinado a escolher como vice um nordestino, justamente para compensar a extrema popularidade de Lula  na região. Mas  ninguém, ali, quer  fazer oposição ao chefe da Nação. Então, a solução  encaminhada  era uma chapa puro  sangue com a indicação do presidente nacional  do PSDB, o senador pernambucano Sérgio Guerra que, obviamente, não poderia recusar o convite.

Disto tudo resulta uma crítica falta de opções para Serra.  Na área  oposicionista, nenhum líder nordestino de expressão  topa partir para o sacrifício (suicídio político) subindo o palanque de Serra para vociferar contra Lula. O senador José Agripino Maia, DEM-RGN, um nome cogitado, confessou ontem, que, nestas eleições,  só vai tratar de temas regionais, evitando assuntos nacionais que  possam conduzir a um confronto com  o presidente.

Quem respira aliviado é o  senador Sérgio Guerra que, além de  nordestino,  se declara um nacionalista  e já foi colaborador de Leonel Brizola e Miguel Arraes.  Nessas novas circunstâncias, criadas com a exigência de  Rodrigo Maia, volta-se a falar em José Carlos Aleluia, DEM-BH, que desponta como o “candidato da falta de alternativas”.

13-06-10

E Serra, quem diria, pode perder a eleição em São Paulo                      

Na verdade, ele vence em seu Estado, mas não com a diferença necessária para compensar a vantagem de Dilma no Rio e no Nordeste.  Além de  Quércia que começou a afastar-se na semana passada, agora é  Geraldo Alckmin que fecha os olhos para  abertura de comitês Dilmin (Dilma/Alckmin).

Na série de análises que tenho feito  sobre pesquisas e tendências, sempre raciocinando junto com o leitor, já afirmei que a eleição pode ser decidida em Minas. O balanço simplificado é o seguinte: Serra  sairia de  São Paulo com uma vantagem entre  seis e oito milhões de votos.  Nos estados do Sul, somados, ele  já foi mais  forte, mas ainda  tem uma sobra de cerca de dois milhões, graças  principalmente, ao Paraná. Este é o seu saldo.

Dilma Roussef vence Serra   por larga margem no Norte e Nordeste e no Estado do Rio com um saldo  em torno de  dez milhões de votos. No Sudeste e em Minas, a petista leva pequena vantagem, em torno de dois  milhões de votos.

 Quem duvidar  de todos estes  números que consulte  o blog do Cesar Maia (dos políticos na ativa, o mais bem informado) e a coluna do Merval  Pereira (Globo) que quando não resolve ser faccioso mostra que  conhece bem  as tendências eleitorais, até porque ele tem aceso  ao “porão” das pesquisas,  aqueles relatórios que o IBOPE, por exemplo,  fornece a clientes especiais, com números que não chegam ao grande público.

Sendo assim,  os  dois principais candidatos,  por enquanto, já traçaram suas estratégias e seus roteiros de viagem. Dilma se concentra mais em Minas e em São Paulo. Serra  dará prioridade a Minas,  Paraná – que ele considera uma extensão do eleitorado paulista – e Rio. Entre os cariocas ele quer pegar carona na razoável popularidade de  Fenando Gabeira que terá que se desdobrar, em seu palanque multi-uso, para  servir ao tucano e à Marina ao mesmo tempo.

Em Minas, a candidata  de Lula que é mineira de nascimento, aposta nas defecções entre os tucanos. Todos sabem que  Aécio elegeu-se duas vezes governador permitindo a combinação de seu nome com o de Lula que venceu  ali nas  duas últimas eleições.

E como todos também sabem, a prioridade de Aécio é eleger-se senador e fazer Antônio Anastasia seu sucessor. Dentro deste espírito, ele fechará os olhos para a dobradinha pirata Dilmaia (Dilma/Anastasia) que já corre solta pelo Interior do Estado. Além disso, numa obra prima de mineirice, já enviou telegrama cifrado para  Fernando Pimentel, candidato ao Senado pelo PT.  Como este ano serão eleitos dois senadores, é possível  antever a dobradinha  Aécio/Pimentel. Nesse caso quem pode dançar é  Itamar Franco, candidato a  senador pelo PPS.

Mas é São Paulo que nos reserva a grande surpresa. Além de Quércia que desde a semana passada começou  a afastar-se de Serra,  permitido  a abertura de comitês Dilma-Mercadante-Quércia, agora é nada menos que Geraldo Alckmin  quem fecha os olhos para os comitês Dilmin (Dilma/Alckmin) que começam a pipocar no interior do Estado, numa iniciativa de prefeitos do PMDB, do próprio PSDB e de partidos  menores. Neste caso, além de Serra, Mercadante (candidato petista ao governo do Estado) também fica no prejuízo.

 O jogo pesado

O leitor não deve estranhar todas estas  aparentes extravagâncias que são, entretanto, comuns na política. E, no caso especifico de Serra, há uma explicação razoável:  desde os longínquos tempos  em que presidiu a  UNE, ele  sempre foi conhecido por “jorgar pesado”. Jogar pesado quer dizer, nos bastidores políticos, uma forma  fria e inescrupulosa de tratar como  inimigos a adversários eventuais, muitos dos quais eram parceiros até à véspera.

Neste jogo, Serra não  vacila em usar instrumentos perigosos  como seria o caso de se recorrer ao aparelho policial (federal ou estadual) ainda hoje majoritariamente tucano. Para eliminar dúvidas, perguntem para a Roseana Sarney, para o Aécio Neves, o Tasso Jereissati  e até  o Geraldo Alckmin, porque eles odeiam tanto o Serra.

Finalmente, uma curiosidade. Embora eu sempre valorize em minhas analises a questão do eixo ideológico, sempre negligenciado pelos marqueteiros (em sua maioria  analfabetos políticos), não ignoro as  peculiaridades regionais e estaduais do eleitorado. Aqui, como nos Estados onde há estados  republicanos e, outros, democratas, existem  os  estados tucanos e os lulistas. Eu não disse petistas que é um fenômeno bem mais restrito.

10-06-10

Até Quércia, que parecia uma craca, já
 está abandonado barco de  José Serra

As pesquisas negativas fizeram com que Serra perdesse, na  reta final para as convenções, uma série de aliados importantes  na maioria dos estados. E isto, apesar de  o Globo ter  omitido dados  essenciais do último IBOPE. No Interior de São Paulo já estão proliferando comitês eleitorais Dilma-Mercadante-Quércia.

Só na última terça-feira o IBOPE divulgou o relatório completo  da pesquisa presidencial realizada na semana anterior. E aí aparecem dois dados essenciais que o Instituto e  o  Globo pretenderam ocultar: o primeiro, mal divulgado, é o da pesquisa espontânea, quando não é apresentado nenhum nome ao entrevistado. Nele, Dilma aparece pela primeira vez na frente de Serra, (dois pontos)  E isto é crucial, porque este é o tipo de voto que revela uma tendência definitiva. Só em situações  excepcionais (grandes escândalos), o voto espontâneo  é revertido.
O mais importante, porém, é o dado da votação por sexo. E este foi totalmente omitido pelo Globo.   Entre os homens,  Dilma tem 24% contra 15% de Serra, uma diferença enorme. Entre as mulheres,  Dilma tem 16 contra 14%. Para explicar esses números, sempre  haverá teorias  infantis dizendo que no Brasil, mulher não vota em mulher.
Mas não é nada disso. Os especialistas sabem que o que há é que no País, infelizmente,  as mulheres só se interessam e se informam sobre política, muito tempo depois dos homens. E há um consenso no sentido de que,  aos poucos,  vai havendo uma homogeneização  dos votos entre  os dois sexos, com a aproximação do voto feminino aos números do masculino. Disso resulta que a  vantagem  de quase 10 pontos obtida por Dilma entre os homens revela, também, uma tendência de difícil  reversão.

Trair e coçar…

Com base na leitura do último IBOPE, por assessores especializados, o partidos  promovem uma espécie de realinhamento, agora, às vésperas de suas convenções.  Como resultado,  a candidatura de Serra sofre  pesadas baixas.
Não há espaço, aqui, para verificar a situação de cada estado,  mas merecem  menção os seguintes movimentos ocorridos nos últimos sete dias: o PMDB do Rio Grande do Sul, simpático a  Serra, “evoluiu” para uma posição de neutralidade e o de Santa  Cantarina, antes serrista, fechou com Dilma. O PP da dupla Maluf/Dornelles está evoluindo  da “neutralidade”  para o apoio à petista. Já o PDT do Paraná, com seu  candidato ao governo, Osmar  Dias,  finalmente chegou a um acordo com o PT.
Das seções do  “PMDB dissidente”  que namorava  Serra,  parece que só as de Pernambuco e do Mato Grossodo Sul  não abandonaram  o tucano. O mais extraordinário, contudo,  está  ocorrendo em São Paulo, onde  o  chefe local do PMDB, Orestes Quércia (candidato ao Senado)  que estava  grudado a Serra como uma craca  a um  casco de  navio,  já permite que seu nome seja usado numa aliança com Dilma  Rousseff. É assim que o presidente nacional do partido, Michel Temer (o vice de Dilma),  foi autorizado e já está montando pelo Interior do Estado, comitês eleitorais com os nomes  de Dilma, Mercadante ( candidato do PT ao governo) e Quércia.

08-06-10

Serra vai à convenção sem vice. Será que  ainda espera por Aécio?

Coincidência ou não, assim que  José Serra encerou, ontem, sua viagem a Minas, onde fez campanha ao lado de Aécio Neves, o presidente nacional do PSDB, senador  Sérgio Guerra, informou que o tucano irá para a convenção do partido, sem vice. A lei  permite isso,  mas não é natural que um candidato à presidência compareça  à  festa de homologação de seu nome, sem um companheiro de chapa. A convenção será agora, no próximo sábado e a data limite para o registro da chapa completa  é 30 de junho.

De qualquer forma, bastou esta informação para que reacendessem as especulações sobre a possibilidade de  Aécio vir a ser o vice. Bobagem. Aécio  já foi mais do que claro na sua recusa e insistir no assunto só serve para fragilizar ainda mais a candidatura de Serra. Passa a impressão de que  sem Aécio  não há possibilidade de vitória e, pior: revelaria que ninguém  quer ser o companheiro do paulista.

De Minas veio outra notícia ruim para  Serra: o PT local oficializou seu apoio a candidatura  de Hélio Costa (PMDB) ao goveno do Estado, abrindo mão da candidatura própria, a do ex-prefeito de  Belo Horizonte, Fernando Pimentel. Na verdade, tudo não passou de jogo de cena  A direção mineira do PT e o próprio Pimentel precisavam dar uma satisfação ao eleitorado e à militância, fazendo parecer que  lutou-se bravamente pela candidatura própria, até ceder às pressões  da direção nacional do partido e do próprio  Lula. Pura encenação. Pimentel é  íntimo de Dilma Rousseff e dirigiu a campanha  dela até dois dias atrás. Em todo caso, com o fim das especulações, o PMDB mineiro não precisa mais  ameaçar fazer corpo mole em relação à  candidata petista.

E como desgraça pouca é bobagem, de Santa  Catarina veio outra noticia ruim para Serra. O PMDB local, tradicional  aliado dos tucanos, fechou acordo com o PT. O candidato a governador, Eduardo Moreira, já ofereceu seu palanque  para Dilma.

05-06-10

A manipulação chegou ao limite.
 Agora IBOPE e Globo terão que
 confessar a vantagem de Dilma

Não dá mais para esconde: Dilma e Serra estariam empatados em 37% na pesquisa IBOPE/Globo finalmente divulgada. Isto quer dizer que, pela margem de erro, Dilma pode estar  com 39% e Serra com 35%. Ou vice-versa. A lógica, entretanto, mostra que a primeira hipótese é a mais provável.  Isto porque, como tenho dito sempre neste blog, é preciso estar atento para o fator tendência.  Então vejamos: em fevereiro  Serra estava com 41%, Dilma com 28.  Há 30 dias, Serra estava com 40% e Dilma com 32. Agora, o IBOPE esconde-se atrás da margem de erro e nos apresenta este  empate improvável. É como se a TV   mostrasse o momento da ultrapassagem e congelasse a imagem.

 Na verdade, Dilma  já deve estar de  4 a 5 pontos à frente, como  dissemos  em  matéria de três dias atrás. Veja coluna Coisas da Política deste blog. Mas deixemos pelo mais barato e  fiquemos com  este empate fajuto de  37%. De acordo com a nítida tendência confessada pelo próprio IBOPE é fácil imaginar que daqui a trinta dias  não haverá mais manipulação possível.

Por esta mesma última pesquisa Marina está com 9%.  Na margem de erro, poderia estar com 11%.  Aqui, novamente  pode ser detectado o vírus da manipulação. Como  informei  na matéria referida acima, eles  farão o possível para “segurar” a candidata verde na casa dos 10%. Isto porque  sabem que se ela superar essa casa, o “voto útil” vai começar a  agir em seu favor e ela   avançará ainda mais rapidamente sobre o eleitorado de Serra.

Finalmente, registre-se que a rejeição de Serra, 21%, já superou a das concorrentes, ambas com 15%. Se continuar com seu discurso ultra direitista   a rejeição tende a crescer ainda mais rapidamente.

05-06-10 (postada pela manhã)

Fim da picada. Serra começa a derreter também no Sul

Suspense!  O Globo já recebeu (há 24 horas)o último IBOPE  das eleições presidenciais.  Por que não divulga o resultado?

Já sabemos que, segundo o IBOPE (que o Globo não divulgou), Dilma está 19 pontos à frente Serra no Rio e 5%  em Minas. Em São Paulo o tucano ainda vence com folga, vantagem de 9 milhões de votos. E no Sul? No Sul havia empate técnico  até a semana passada. Não há mais. Dilma  já está na frente  entre o eleitorado gaúcho.

O extraordinário é que  as organizações Globo têm  todos esses  dados  à sua disposição. Montenegro, o dono do IBOPE, trabalha na casa, é uma espécie de agregado da Família Marinho. Mas eles não fornecem estas informações ao seus eleitores, obrigação elementar que covardemente não cumprem.

Querem um exemplo: há três dias informamos neste blog que, segundo o IBOPE, Dilma está    na dianteira em Minas. Informamos também que  para o governo do Estado havia  empate técnico entre  Antônio Anastasia,  candidato de Aécio  Neves, e Hélio Costa (PMDB ), apoiado pelo PT. O embate persiste se  no lugar de  Hélio entrar o petista Fernando Pimentel. Pois, bem. Hoje, sábado,   na  coluna Panorama Político, o Globo  dá essa informação atrasada, a do empate. Mas da forma mais leviana omite o principal, os tais  cinco pontos  que Dilma tem sobre Serra no Estado.

É o exemplo clássico de  manipulação e desrespeito ao leitor. Omite-se o mais importante e    se oferta o secundário. Esse jornalismo do Globo realmente não vale  nada.

Quanto  à vantagem (pequena) de Dilma  no Rio Grande, ela se deve à virada de mão do PMDB local: José Fogaça, prefeito de Porto Alegre e o  ético senador Pedro Simon, quase sempre aliados dos tucanos do Estado, inclusive da super-ética governadora Ieda Crusius, fizeram uma prudente escalada do muro e declararam sua neutralidade.

04-06-10

Wagner Montes, PDT, pode garantir
segundo palanque para Dilma no Rio

Um almoço inocente  degustado, hoje, no centro do Rio, pode resultar em mais um palanque para Dilma Rousseff no estado.  Cansado de  ser apenas  coadjuvante, o pessoal do PDT fluminense decidiu não depender apenas   do governador Sérgio Cabral e articulou-se com o ex-governador Antony Garotinho atualmente impugnado pela Justiça Eleitoral.

Entre a sobremesa e o cafezinho  desenhou-se num guardanapo  a candidatura do intrépido repórter policial  Wagner Montes, o melhor ibope do PDT do Rio. O vice seria indicado por Garotinho que se conformaria em disputar uma  vaga de deputado federal. Marcelo Crivela (Universal) e Miro Teixeira (PDT)  seriam candidatos ao Senado.

Para os preconceituosos, Wagner Montes é apenas uma espécie de Datena com sotaque carioca. Ocorre que o último IBOPE revelou que se ele for candidato poderá ser mais bem votado que o Gabeira e levará  a disputa para o segundo turno. Até agora, acreditava-se que Cabral  eliminaria a fatura no primeiro turno.

29-05-10

Tucanos ainda pensam em Aécio…
 Mas como candidato a presidente

Com a  notícia de que Dilma  já está cinco pontos  à frente na próxima pesquisa, o que  parecia uma bravata ou sonho remoto (ver texto abaixo), adquiriu contornos de realidade. Serra pode estar literalmente  na parede: renuncia ou enfrenta Aécio na convenção. Veja detalhes na coluna  Coisas da Política.

Da mesma forma que em minha matéria de ontem (ver coluna Coisas da Política), inicio este texto com a advertência de que não acredito na viabilização  do projeto que descreverei  a seguir. Mas o descrevo porque ele realmente está rolando no arraial tucano: algumas das principais lideranças do PSDB e do DEM que  sempre defenderam a  candidatura de Aécio Neves no lugar da de José Serra,  acreditam que ainda é possível lutar pela candidatura do herdeiro de Tancredo na convenção partidária do próximo dia 12 de junho.

O argumento singelo e verdadeiro é o de que, como há um nítido consenso de que a candidatura de  Serra tem chances mínimas de vitória, não  faz sentido,  salvo em caso de masoquismo explícito, insistir com ela. E os mais velhos  recordam uma histórica convenção da UDN no  longínquo ano de 1959, quando Carlos Lacerda, com inacreditável  audácia, mudou o rumo de uma convenção com cartas marcadas e em pleno curso.

A convenção era  presidida  pelo deputado banqueiro Herbet  Levy e destinava-se  a, burocraticamente, apenas homologar  a candidatura de Juracy Magalhães que enfrentaria a favorita chapa Lott/Jango que reunia as forças majoritárias dos antigos PSD e PTB, dois partidos getulistas. Foi quando, num discurso fulminante, Lacerda virou o jogo e conseguiu sair da convenção com a indicação de Jânio Quadros. O resto da história, todos conhecem.

Os defensores  desta  operação   que poderia ser batizada como “Carlos Lacerda”, bem como suas  razões, estão descritos   na referida  matéria de ontem da coluna  Coisas da Política. Mas vale  repetir  o argumento irrespondível: se os próprios serristas diziam  que sem Aécio como vice a candidatura de Serra se inviabilizaria e chegaram a  prever dores futuras na consciência do mineiro, como recusar seu nome para a presidência?

E vale acrescentar um argumento suplementar: por que, já que são tucanos, não copiar o modelo americano, onde  as convenções podem oferecer surpresas?  Ali   como  aqui, predominam os que controlam a máquina partidária. Porém há brechas para o surgimento de  um Obama da vida. Se fizerem uma convenção para valer, com chapa batendo contra chapa, o PSDB pode não vencer a próxima eleição  marcada pela extrema popularidade de Lula e por seu desinibido engajamento na campanha. Mas promoverão um fortificante arejamento interno e darão exemplo de exercício democrático.

Só fica faltando alguém com a audácia e  o talento do Lacerda. Se Ciro Gomes não estivesse  amarrado ao PSB, ele talvez fosse este elemento.

27-05-10

Dilma ultrapassa Serra em Brasília. Marina chega aos 16%

O especialistas em  pesquisas  eleitorais dão excepcional  importância aos  resultados do Rio de Janeiro e Brasília. Como ex-capital  e capital, as duas  grades cidades, mais do que qualquer outra, expressam,  na vontade de seu   eleitorado, uma tendência nacional.  Se for assim, há más notícias para  José Serra.

Vejamos os números  divulgados por Cesar Maia, esta manhã , atribuídos  a “ O&P-panor.político-globo”: Dilma 33,7%, Serra 29,6, Marina 16. Para governador:  Joaquim Roriz 40,9% , Agnelo Queroz 28,4%.

No Rio (ver matéria logo aí baixo) Dilma está 5 pontos à frente de Serra, na média das pesquisas. Marina já chegou aos 18%. E é aí que mora o perigo para o tucano: o crescimento da candidata verde que divide com ele  os votos da classe média  conservadora. Na média nacional, ela já está com 12% (Datafolha) da semana passada. Na verdade, ela já deve  estar perto dos 15%.

Esse é o dado que o Globo, o manipulador mor da  mídia brasileira, procura ocultar. A famosa bipolarização Dilma/Serra já foi para o espaço. Isto pode ser ruim para a petista, mas é mortal para o pupilo  de FHC.

             23-05-10

            Pela tendência, pode haver segundo turno entre
            Dilma e Marina. José Serra faz último apelo a Aécio

            Rejeições de Dilma e Marina caem. A de Serra aumenta.

            Há três fatores importantes a serem extraídos da pesquisa Datafolha: a – A tendência de Serra  é de queda inexorável; b – Dilma disparou porque o eleitor das classes econômicas inferiores (que representam 50% dos votantes e onde Lula  obtém 80% de aprovação)  começam a perceber que ela é a  candidata do presidente e c – Marina  Silva que já herdara a maioria dos votos de Ciro Gomes, agora avança sobre os votos de Serra, fazendo um discurso tão conservador quanto o dele.

            Vejamos item por item:

           a – A tendência de queda de José Serra está  escancarada pelos próprios  números:   Entre dezembro e o  presente mês ele escorregou de 40 % para 37% e em  nenhum momento, neste período, ultrapassou os 42%. Para piorar, sua rejeição cresceu de 24% para 27% e, pela primeira  vez, Dilma o ultrapassa num simulado para o segundo turno, 46% a 45%. Finalmente, ele só vence folgadamente em São Paulo. Até  nos três estados do Sul, onde sempre foi mais forte, sua vantagem  não chega a três pontos.

            b – Dilma Rousseff ainda não provou que tem luz própria, mas já demonstrou que se não é uma  Brastemp, está longe de ser um poste. A transferência dos votos de Lula para ela está sendo mais fácil e mais rápida do que os próprios petistas previam. Entretanto, não se podo negar o fato de que  o presidente é, como ele diria, o maior cabo eleitoral da história deste País. Sua popularidade, jamais foi alcançada por nenhum outro presidente, nem por Getúlio. E Lula leva a vantagem  de não ter sido tisnado pelo lado obscuro  do autoritarismo.

            c – Marina  chegou aos 12%  segundo o Datafolha, mas  eu arriscaria dizer que ela já deve estar  mais próxima dos 15%. A começar pelo Rio de Janeiro onde  já é a segunda colocada com 18% (sua média nacional é de  10 %), é bem possível que ela  vá  comendo pelas beiradas os votos de classe média, principal reduto de Serra. Mas esta é uma faca de dois gumes:  para conseguir isso, ela teve que degradar sua própria biografia  e misturar defesa da Natureza com  promoção da Natura e seus cosméticos. Além disso, não há uma boa razão para que o eleitorado lulista deixe de votar na  Dilma para votar nela.

                                         O sonho de Serra e o pesadelo de Aécio

            Como  informamos neste blog  (ver matéria logo aí abaixo), a novela Serra/Aécio ainda não terminou. O ex-governador mineiro está voltando de suas férias  na Europa e, ainda no Rio de Janeiro,  ouvirá  o último e desesperado apelo de  José Serra para que  ambos componham a chapa presidêncial tucana.

            Ninguém mais duvida que  sem Aécio (os votos de Minas podem fazer a diferença nestas eleições), as chances de Serra ficam praticamente reduzidas a zero. E este é o infernal  dilema do herdeiro de Tancredo:  se recusar, terá que carregar o peso de ter sido o responsável pela derrota  tucana, mas se aceita e ainda assim  Serra perder, a carreira dele (Aécio) vaia para as cucuias.

             20-05-10

             O Globo descola-se de Serra e começa a namorar Marina

             E Serra, acreditem, ainda pensa em Aécio.

            Um dia ainda hei de escrever um manual  para a leitura das entrelinhas dos jornais picaretas da nossa   grande mídia. Com ele, além de não se deixar enganar, o leitor poderia  se  distrair com o contorcionismo mental (e moral) a que são obrigados os infelizes coleguinhas condenados a trabalhar nestes serralhos para garantir o uisquinho das crianças.

            Se o manual já existisse, o leitor sacaria logo que, no espaço de apenas uma semana, o Globo mudou da água para o vinho. Ele que só tinha olhos para o Serra e destacava todos os seus feitos na primeira  página ou nas principais páginas internas  (da 2 à 5), agora já dá ao infausto tucano um destaque menor do que o dispensado a Marina Silva. E ela, que eu não relutaria em chamar de a mais nova Cinderela  da política nacional,  foi resgatada  lá das pequenas notas,  ao pé das páginas menos importante, para o centro da ribalta.

            As explicações para este portentoso fenômeno até que são simples:

            As últimas pesquisas que o jornal calhorda fez questão de  sonegar aos leitores, inclusive a do Sensus de  três dias atrás e a do Vox Populi de hoje, mostram claramente  que Dilma começa a disparar, que Serra começa a despencar e que Marina Silva, esperta, segue na mesma trilha e na mesma batida do tucano, recolhendo, no chão, os votos que vão-se despregando da  comitiva trôpega  do ex-líder neoliberal.

            Em outra coluna deste blog, se  houver tempo,  comentaremos ainda hoje,  estas pesquisas. Mas há dois dados que precisam ser assinalados desde já: no Rio, onde Dilma deve vencer com folga, Marina, com  18% do eleitorado, já ameaça o segundo lugar de Serra que, aliás, ficou sem palanque no estado. Em Minas (e este é o dado mais importante) Dilma e Serra estão empatados.

             Nos cálculos de quem entende  de política e do próprio Serra  (que ganha de São Paulo para o Sul, mas perde no Nordeste e no Rio)   ele só teria alguma chance se saísse de  Minas com uma vantagem de pelo menos  três milhões de votos. Daí a insistência melodramática  de  ter Aécio como vice. Os tucanos paulistas ainda sonham com  isso e aguardam ansiosos o retorno de Aécio que não tem pressa  para deixar a Europa. Seu retorno está previsto só para o dia 24, se não sofrer novo adiamento.

            Milagres acontecem. Mas  as chances de  Aécio ser vice de Serra podem ser medidas  por estas palavras do presidente do PSDB mineiro, Nárcio Rodrigues, homem de confiança do ex-governador: “ O Aécio não vai ser vice, continua candidato ao Senado, mas está fechado com o Serra. Aliás ele até ligou para o Serra pedindo que ele não viesse a Minas enquanto ele (Aécio) está na Europa, para não dar a impressão de que ele  não está engajado na campanha”. Só para lembrar: Nárcio  foi quem comandou a estrepitosa vaia  sofria por Serra em Belo Horizonte,  há três meses, quando Aécio ainda brigava para ser candidato à presidência.

            Em tão temos que: a- Dilma, brizolou (como registramos há dois meses) e, com isso, tornou-se herdeira do populismo lulista (70 % dos votos) e  não apenas do sectarismo petista (25% dos votos); b- Marina tucanou e adotou um discurso cada vez mais parecido com  o de Serra  para continuar recolhendo, no chão, os votos que vão-se despencando da sacolejante carroça tucana, e c – Serra continua evitando  bater em Lula  e tentando demonstrar que nunca foi neoliberal (eu é que fui).

            Como resultado, o Globo de hoje estampa, na página 3, os três candidatos em pé  de igualdade (em termos de espaço), mas sem esconder suas simpatias pela candidata da  Natura.

            E, como este jornal não tem absolutamente nenhuma vergonha na cara, continua não dizendo uma única palavra sobre Plínio de Arruda Sampaio, o candidato ficha-limpa do PSOL. PSOL este que, apesar do nome,  vive no Mundo da Lua.

            Veja mais sobre o mesmo tema na coluna Coisas da Política.

            14-05-10

            Sérgio Guerra, nordestino e ex-brizolista será o vice de José Serra

            Está praticamente confirmada a notícia dada por este blog em primeiríssima mão  há um mês: o presidente nacional do PSDB, senador pernambucano Sérgio Guerra deverá ser o vice de José Serra. Só falta o último não de Aécio.

            Como já havíamos informado, Guerra estava na mira de Serra, no caso de ficar definitivamente estabelecido que ele não poderia contar com Aécio Neves, o candidato de seus sonhos. A razões para a escolha de  senador pernambucano são as seguintes:

             Não podendo contar com o mineiro, Serra, como antecipamos, se voltaria para o Nordeste onde  ele está cerca de 10 milhões de votos atrás de Dilma.

             Guerra foi o primeiro tucano a, juntamente com o Aécio, tentar  se livrar do discurso neoliberal considerado fatal nestas eleições. Há três meses, quando Aécio ainda  lutava para ser candidato à presidência, ele (Guerra) visitou o então governador mineiro e saiu de lá dizendo que era “nacionalista e estatista”. Esta  declaração inusitada mereceu do impagável Merval Pereira,  porta-voz oficial da Família Marinho (O Globo) uma admoestação pública. Merval  comparou a nova posição do tucano ao “samba do crioulo doido”.

             Agora quem quer desvencilhar-se da pecha de neoliberal é o próprio Serra. Por isso, o indefectível  Merval  e  a fessora  Míriam Leitão não largam de seu pé. Ocorre que Guerra tem um passado precioso para quem, como Serra, quer ser mais lulista que o próprio Lula: ele foi filiado ao PDT de Brizola e  por duas vezes foi secretário nos governos de Miguel  Arraes.

             Finalmente uma razão de ordem local. O senador e ex-governado de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB) estava sendo pressionado  por Serra, seu aliado, para   ser candidato novamente ao governo do Estado.  Mas resistia, exigindo que  Guerra  fosse candidato  a reeleição para o Senado.  Isto porque ele  verificou que  parte dos tucanos do interior do estado, sentindo-se deserdados, estavam se bandeando para  o lado  do atual governador, o socialista, Eduardo Campos que está firme com Lula.

              Entretanto, Guerra não queria ser candidato por simples receio de  não vencer. Moral da história: como candidato a vice, Guerra injeta ânimo nos tucanos locais e no próprio Jarbas que, depois desse rolo todo, resolveu ser candidato.

             Veja mais sobre o mesmo tema  na  matéria logo aí abaixo.

            11-05-10

            Nem o Serra agüenta mais  a Míriam Leitão

            São uns pândegos. A Míriam Leitão, professora primária de economia e Merval Pereira, porta-voz oficial  dos Marinhos caíram de pau em cima do Serra, só porque ele disse que o Banco Central não é a Santa Sé. Creio já ter dito neste blog que o Globo não quer apenas eleger o tucano, quer governar por ele. E um governo do Globo é algo subordinado aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Míriam e Merval  não dizem uma palavra que não possa ser assinada por Hillary Clinton.

            Ontem, na  CBN, Serra (apresentado pelo âncora Barbeiro como “nosso candidato”) até que se saiu bem. Quando Míriam, dedo em riste, o acusou de não respeitar a autonomia do Banco Central, ele perdeu a paciência: Desculpe, Míriam, mas você está dizendo uma grande bobagem”.

           Hoje, em sua  coluna Merval Pereira, impagável, saiu em defesa da coleguinha. Disse que “Serra saiu-se mal na primeira polêmica da campanha, mostrando-se irritadiço com as desconfianças do mercado”.

           E aqui ficamos sabendo que  o mercado desconfia de Serra. É no que dá esta tentativa tortuosa de apresentar-se, em linhas gerais, como mais lulista  que o próprio Lula. Há poucos dias o Panorama Político, também do Globo, informou que a bancada ruralista  já está olhando de um jeito meio esquisito para o  tucano.

            Eu não entendo nada de política, mas me parece óbvio que quando o eleitorado for convocado para votar em alguém  à imagem e semelhança do Lula, ele votará em quem o Lula  indicar. Se for assim, o equívoco dos marqueteiros tucanos é tentar fantasiar  o Serra de  sapo barbudo, para evitar a tal eleição plebiscitária. Não se ganha eleição apenas  embaralhando as cartas.

            A sedimentação da consciência do eleitorado vai ocorrendo aos poucos e nestas eleições, especialmente, ela obedecerá  ao eixo ideológico. Eixo este que se deslocou para a esquerda, não por um a manobra habilidosa do presidente, mas porque ninguém agüenta mais  o papo neoliberal do estado mínimo e da vontade soberana do mercado , esta besta fera.

            Nem o Serra  agüenta  mais a Míriam Leitão.

             09-05-10

             Novela : José Serra pede pela milésima vez e
             Aécio, pela milésima vez, recusa ser seu vice

            Enganou-se quem pensava que Serra e os tucanos paulistas desistiram da  chamada chapa puro sangue, tendo Aécio Neves como vice. Nos últimos dias o próprio Serra, o presidente  do PSDB, Sérgio Guerra e, principalmente, o  presidente do PPS (ex-comunista) Roberto Freire, concentraram esforços  na última tentativa para convencer o governador mineiro a emprestar seu prestígio à causa tucana. Todos acreditam que esta guerra, digo eleição, será resolvida em Minas.

         Nos cálculos de Serra,  ele precisa  de uma vantagem de  três milhões de votos em Minas para, somada com sua vantagem em  São Paulo, compensar a enorme dianteira de Dilma no Nordeste. Daí a mobilização geral. Consta que até o ex-governador pernambucano,  Jarbas Vasconcelos (PMDB), andou ligando para  Aécio. É que ele (Vasconcelos) tenta retornar ao poder e aliou-se a Serra, mas não quer embarcar numa canoa furada.

            O último capítulo desta novela, só veremos  na primeira semana de junho, quando se realizam as convenções partidárias que indicam  oficialmente os candidatos. Por enquanto, Aécio segue irredutível. Nem se deu ao trabalho de responder pessoalmente à artilharia de torpedos que vem recebendo. A todos, respondeu de forma genérica, através do presidente do PSDB mineiro, Nárcio Rodrigues, que emitiu uma espécie der  comunicado geral: “Com a estatura que adquiriu depois de sete anos de um governo impecável em Minas, Aécio Neves não pode ser apenas uma  filial do projeto Serra” .

            Aliás, os tucanos paulistas ficam arrepiados toda vez que Nárcio Rodrigues, homem de confiança de Aécio, entra em cena. Atribui-se a ele  a  estrepitosa vaia que Serra sofreu, mês passado, durante  visita a Belo Horizonte para participar da inauguração do novo centro administrativo  do governo mineiro. Na ocasião centenas de  filiados ao PSDB, exigiam que  Aécio fosse o candidato presidencial.

             Agora teme-se que a exemplo do que aconteceu em 2002 com o próprio Serra  e em 2006 com Alckmin, os mineiros “cristianizem” Serra e dêem apoio velado a Dilma. Do ponto de vista estritamente  prático, Serra na presidência e Alckmin no governo de São Paulo representam dois obstáculos ao projeto pessoal de Aécio.

            Não deixem de ler a matéria sobre manipulação das pesquisas, coluna Última Hora, quecomplementa as informações desta.

             06-05-10

           O Globo mentiu ontem e  mente hoje sobre a aliança PT/PMDB em Minas

           O Globo mentiu ontem ao informar que  a eleição do ex-prefeito  de Belo Horizonte, Fernando  Pimentel, nas previas do PT mineiro, representava um obstáculo à composição com o PMDB para a formação de uma palanque único em torno da campanha de Hélio Costa ao governo de Minas. O próprio Pimentel já havia comunicado a assessor direto de Lula que compreendia as razões estratégicas (prioridade para a eleição de Dilma) que desaconselhavam o lançamento da  candidatura petista à sucessão de Aécio Neves.

            Hoje, o Globo continua mentindo (mas que mania) ao informar que Pimentel ainda sonha com sua candidatura  ao governo e espera viabilizá-la até o início de junho, quando ocorrem as convenções partidárias. Na verdade, o ex-prefeito  reuniu-se com Hélio Costa ontem mesmo e  garantiu que haverá palanque único no Estado. Nessa mesma reunião, o presidente do PT mineiro, deputado  Reginaldo Lopes, oficializou o apoio ao candidato do PMDB.

           O curioso é que, na aflição de servir a Serra, o Globo vê fogo onde há fumaça e  não vê fumaça onde há fogo.  Não  vê, por exemplo, que no Interior do Estado,  corre solta a dobradinha pirata que reúne partidários de  Dilma Rousseff e  Antônio Anastásia,  candidato tucano ao governo, por indicação e com apoio de Aécio. Anastásia, que está atrás de Hélio Costa nas pesquisas, diz abertamente não ser contra a  dobradinha  Dilmasia.

              2-05-10

            Dilma Rousseff prepara nova fase
da campanha, propondo  uma
revolução no ensino  fundamental

            Os coordenadores da  campanha de Dilma Rousseff e ela mesma, após uma semana de reuniões para avaliação de resultados, propostas próprio presidente Lula, consideraram que está concluída a fase “plebiscitária  pautada pelo diferencial ideológico”. E acreditam que esta etapa foi bem sucedida, na medida em que marcou, sobretudo para os formadores de opinião, a noção de que a candidata,  além de representar  a continuidade do lulismo, simboliza o Brasil progressista,  orgulhos de seus feitos  e que  pensa grande.

           Representa, também, ao contrário do modelo neoliberal, a opção  por um estado suficientemente musculoso para  atuar como agente  de fomento do desenvolvimento  e não apenas como regulador e fiscalizador. Isto teria sido o suficiente para  diferenciar Dilma dos demais candidatos, tese que   tem comprovação no engajamento da militância petista (outro fator diferencial) como há muito tempo não se via.

            Entretanto e mais uma vez por cobrança de Lula, os coordenadores decidiram antecipar algumas etapas e peças da campanha que estavam reservadas para  a fase final e  para o horário gratuito de TV. Os temas  deste seguimento são óbvios: segurança, ecologia, saúde e educação. Mas não nessa ordem. Ao contrário,  inspirada, talvez em sua passado brizolista, Dilma, decidiu que o carro chefe  desta fase da campanha será  a  convocação para uma verdadeira revolução do ensino, a partir de suas bases.

         Como queriam Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, o País  e sobretudo  o governo federal, devem multiplicar seus investimentos no ensino elementar. O diagnóstico é o de que  aí se encontra o verdadeiro gargalo do sistema, embora isto seja mais visível no afunilamento final do ingresso nas faculdades. Então, adotando parcialmente o modelo da Bolsa Família com sua transferência de  recursos para os municípios, o que se pretende é assegurar ensino em tempo integral e  de real qualidade para os milhões de crianças que ingressam anualmente no sistema e que atualmente estão condenadas à semi-alfabetização. É exatamente aqui, que as famílias de menor renda começam  perder a corrida diante daquelas que podem matricular seus filhos em escoas particulares.

        Esta é a filosofia dos Cieps  implantados por Brizola há  vinte anos  e, depois,  criminosamente sucateados por seus  sucessores.  A melhor formação e remuneração dos professores do primeiro grau é outra prioridade óbvia já que eles são estrategicamente tão ou mais importantes que os professores universitários.

              27-04-10

            Com medo de Marina, tucanos e sua mídia agora querem eleição plebiscitária

           A vida dá muitas voltas: até há pouco tempo, os tucanos e sua mídia cínica eram radicalmente contra a fórmula plebiscitária que o presidente  Lula imprimiu à sua sucessão. Era, segundo eles, pouco democrática porque oferecia poucas opções aos eleitores. Agora que Ciro Gomes foi expelido do processo, os estrategistas de Serra passaram a imaginar que  ele poderia herdar os votos  do ex-governador cearense e apresentar-se como  única   alternativa  oposicionista ”pero no mucho”.

          A longo prazo,  esta tática é suicida porque,  cedo ou tarde, o eleitorado (majoritariamente lulista) perceberá que  terá  que escolher  entre  mais do mesmo (Dilma) ou algo que  poderia representar uma  volta ao passado de apagão do desenvolvimento e da oferta de emprego. No curto prazo, porém,  o viés plebiscitário contribuiria para  consolidar  a candidatura de Serra como uma opção de  melhoria da gerência, sem alterar a essência do projeto. Difícil de engolir, mas é o que eles querem vender.

        Para que esta tática de curto prazo  dê certo é preciso,  no entanto, trabalhar com a noção do voto útil: com a saída de Ciro, quem seria  a única alternativa  de mudança do  comportamento ético e dos  métodos gerenciais. A resposta seria Serra?  Para os setores da classe média  histericamente anti-lulista  talvez fosse, mas aí surge a candidatura de Marina Silva, como a verdadeira herdeira  dos votos de Ciro.

       Então, se você fosse marqueteiro ou jornalista engajado na campanha de Serra o que você faria?  Tentaria  minimizar ou ignorar Marina, não é verdade?

         Agora vejamos o que o impagável  Merval Pereira, porta-voz das Organizações Globo , tenta impingir aos   leitores na sua coluna  desta  terça-feira: primeiro ele  lamenta , como sendo “um golpe na democracia”, a “ retirada forçada “ da candidatura de Ciro Gomes. Fica parecendo que ele é contra o esquema plebiscitário da eleição. Em seguida, porém, ele gasta todo o seu latim tentando injetar ânimo nos  partidários de Serra, invocando   vitórias  de Fernando Henrique, no passado.

         Mas o que quero salientar  é que Marina Silva, a principal herdeira dos votos  Ciro, não merece uma única palavra do articulista. Não seria lógico para quem lamenta a saída  do cearense, o que fez com que a “democracia ficasse reduzida”, saudasse  a possibilidade de  Marina  vir a ocupar o espaço vazio, salvando assim   a campanha eleitoral da desertificação plebiscitária? Mas sobre Marina ele  não disse uma única palavra.

            Na mesma página ao lado da coluna de Merval, o Globo fornece as notícias sobre o dia de Serra  e de Marina.  O espaço dedicado ao tucano, no alto da página, é exatamente dez vezes maior que o destinado a Marina que ficou espremida em uma pequena coluna no pé da página.

           Não é só isso. Na página anterior (coluna Informe Político), Ilmar Franco, sob o título Plebiscito, diz com todas as letras que esta idéia, lançada por Lula,  passou a agradar aos tucanos: “sem Ciro, Serra deve cresce no Sudeste”.

           É claro que tudo isto é inútil e tanto  Serra  como Marina  estão embarcando na  canoa furada de um  lacerdismo  de segunda mão, exatamente no momento em que a grande maioria da população cuja memória afetiva  é  nacionalista  e se ufana de suas grandes estatais, se  deixa  seduzir pelo neogetulismo adotado por Lula e  por Dilma.

          Mas fiz questão de mostrar, mais uma vez, como funciona esta mídia que desinforma deliberadamente e que, com hipocrisia e cinismo,  trata seus leitores como um bando de cordeirinhos ingênuos.

             24-04-10

            Um pote de mágoas : Ciro critica Lula e  Dilma,
             mas  diz que não apóia Serra de jeito nenhum

            Com a saída de Ciro, Serra e Dilma crescerão um pouco nas pesquisas.  Mas quem herdará a maioria dos votos será Marina Silva.

            Se você fosse definir o comportamento de  Ciro Gomes nos últimos dias, diria que  é o de uma  metralhadora giratória, de uma biruta de aeroporto ou  de  um pote até aqui de mágoa? Acertou quem disse: tudo isso junto.
            A pretensão do ex-governador cearense e socialista improvisado  é legítima. Ele tem  todo o direito e  até  muitos  títulos e qualidades que o credenciam a ser candidato à presidência. O que não está direito, ele que nos desculpe, é  querer que o presidente Lula apóie esta candidatura. Não consigo encontrar uma boa razão para que o presidente  faça uma doidera dessas, já que ele  escolheu sua candidata e  pretende elegê-la. É verdade que lá atrás, há seis  meses, fazia sentido “inflar”a candidatura Ciro para  impedir que  Serra deslanchasse. Mas isto foi há seis meses.
Agora, Lula está convencido de  que, graças a  ao debate ideológico e a bipolarização da campanha,  é perfeitamente possível eleger Dilma já no primeiro turno. Ciro  acha que isto é um equívoco. Eu também acharia se fosse  candidato e pretendesse  me abastecer tanto as águas do lulismo quanto das fornecidas pelo conservadorismo de setores da classe média. Aliás, até o  Serra quer isto, tanto que evita bater no presidente.
Como a vida não é feita  apenas de coisas que a gente quer, resta a Ciro   definir seu real posicionamento. Ele é um socialista convicto ou apenas um tucano envergonhado?
Mas este é um problema íntimo de Ciro. Cá fora, a  campanha eleitoral continua. Como sempre  dissemos neste blog, Ciro subtrai mais votos de  Serra do que de Dilma. Isto não quer dizer que ele  retira votos apenas  de Serra. É uma questão de proporção. Assim, com sua saída , tanto Serra quanto Dilma  deverão crescer nas pesquisas. Mas nada que faça  o tucano ir muito além dos 40 %.
A razão do crescimento modesto do tucano, com a saída de Ciro é simples. E esta antecipação damos de graça para os  estrategistas das duas  campanhas: quem herdará  a maior parte dos votos do  socialista arrependido  é Marina Silva.
Dizem que “todo serrista envergonhado  mente  que vai  votar em Marina e todo petista arrependido vota dela mesmo”. É uma frase gaiata e inspirada, mas  não é uma análise correta. O eleitorado de Marina  consiste  nos que perceberam  que o discurso  neoliberal de Serra  está completamente obsoleto , mas não quer ir tão longe  quanto  o lulismo pode  nos levar, nem perdoa certos deslizes, um fenômeno típico de classe media “esclarecida”.
Então, e mais uma vez,  veremos que assim como Ciro, Marina tira mais  votos de Serra do que de Dilma. Aliás, a candidata verde já vinha crescendo nas pesquisas,  na medida em que ia ficando claro que Ciro não conseguiria  sustentar sua candidatura. Persiste o dilema da mídia serrista: e agora gente, inflamos ou destruímos Marina?
Na matéria logo aí abaixo há mais informações sobre  o desenlace da candidatura Ciro e de sua amizade com o presidente Lula.

            21-04-10

           A indefinição de Ciro começa a preocupar o presidente Lula

          O presidente Lula já adiou duas vezes a reunião que teria com seu amigo e ex-colaborador Ciro Gomes. Além do que possa sobrar, em termos de prejuízos, para a  candidatura de Dilma Rousseff, o chefe do governo teme o constrangimento da ruptura de uma amizade que ele considera  sincera. Muitas vezes um líder político, mesmo sem querer, é  levado a manipular as pessoas. Mas ninguém gosta de ser manipulado, muito menos o orgulhoso  e imprevisível ex-governador do Ceará.
Ciro queixa-se de que  o  presidente e seu bem comportado PT agem  num misto de Centralismo Democrático com Monarquia Absoluta: fixam uma estratégia e  o resto que se dane. E, de fato, Ciro já foi visto  por Lula de várias maneiras, conforme foram mudando as nuvens do céu.
Há seis meses  a candidatura  de Ciro à presidência chegou a ser vista com bons olhos, pois era a  forma de evitar que Serra pudesse  vencer já no primeiro turno. Ao contrário dos  arrogantes e incompetentes  comentaristas e editorialistas  da grande mídia, Lula sempre soube  ( e os leitores deste blog também) que o cearense subtrai  muito mais votos de  Serra do que de Dilma.
Quando ficou claro que dificilmente Serra passaria dois 40% dos votos e  a candidatura Dilma     mostrou crescimento rápido e consistente, Ciro passou a ser interessante como candidato ao governo de São Paulo, onde provocaria um estrago na votação presidencial de Serra e impediria  que  Alckmin vencesse no  primeiro turno.
Finalmente, como Ciro recusou candidatar-se ao governo de São Paulo, Lula o viu como vice ideal  de Dilma, pelas razões supostas nos parágrafos acima. Neste ponto, porém, surge uma enorme  pedra no caminho, o PMDB.  Como se sabe, o vice na chapa de Dilma está prometido, desde novembro, ao partido  que já foi  do Dr. Ulisses e hoje é do Sarney e do  Delfim Neto.
Então, o tempo começa a ficar curto: o pragmático Partido Socialista Brasileiro, ao qual Ciro inadvertidamente   se filiou,  reúne sua direção este fim de semana para “decidir formalmente” sobre o destino da candidatura de Ciro. Mentira. Esta direção já decidiu que   não terá candidato próprio, por falta de  recurso  materiais, de tempo na TV e, principalmente , pela ausência de apoio de Lula. A reunião destina-se apenas a  comunicar a Ciro, da forma mais honrosa e indolor possível, que ele está a pé. O problema é que ninguém sabe  qual será a reação do ex-tucano e hoje socialista torto.
Ao mesmo tempo, o  PMDB  acelera o seu calendário, antecipando sua convenção para o início do próximo mês.  No   evento deverá ser escolhido o candidato a vice na chapa de Dilma, provavelmente Michel Temer, apesar dos  reiterados e sutis avisos de Lula de que este não é considerado o candidato ideal.

             14-04-10

            Antes do fim do mês, Dilma completa a ultrapassagem sobre Serra

            Veja também como Elio Gaspari está pensando e escrevendo cada vez mais parecido  com o Merval Pereira, porta-voz dos Marinhos.

            A pesquisa Sensus divulgada ontem apenas confirma o empate técnico entre Dilma Rousseff e José Serra, já apontado por outros institutos. Registre-se, porém, que esta é a primeira consulta realizada já sob o efeito do lançamento formal da candidatura tucana que recebeu generosa  cobertura da mídia. Portanto, ficou a sensação de que  Serra protelou tanto este  lançamento que, quando o fez, já era tarde demais.
Os números de todas as pesquisas mostram que em dezembro último, a diferença a favor de  Serra era de 15%, na média dos institutos. De lá para cá, sempre na média dos institutos, a vantagem do tucano foi caindo continuamente, até chegarmos  ao atual empate de 32% para cada candidato.
O mais importante, contudo, é  analisar ( como insistimos sempre neste blog) a tendência e a dinâmica das duas candidaturas. Se fizermos isso,  veremos que  Serra tende à estabilização, com  ligeiro viés de queda. Dilma, por seu lado, mostra tendência inequívoca de crescimento, com velocidade (dinâmica) que já foi muito rápida e agora é moderada. O que parece fora de dúvida é que Serra tem mínimas  possibilidade de sair  da vaga  de estacionamento entre  as casas dos 30% e 40%. Ele  está parado aí há exatos dois anos. Com base, portanto, nestes dois fatores, fica  fácil prever que antes de fim do mês, Dilma já estará na dianteira.
E aqui vai um comentário extra-pesquisas: O Elio Gaspari, tem uma boa margem de acerto em suas  análises, mas  na última (O Globo de hoje, 14 de abril), ele equivoca-se redondamente ao supor que Serra conseguira desvencilhar-se da eleição plebiscitária que já está posta  e que coloca o lulismo confrontando o neoliberalismo representado pelo próprio candidato tucano que não consegue ficar livre de FHC. Muitos poderão argumentar que é forçar a barra dizer que o lulismo, este herdeiro torto do getulismo, é o avesso  do neoliberalismo. Mas é  que ficou constando e é o que está  valendo. E passa a valer muito mais, toda vez que  o Fernando Henrique, este herdeiro nem tão torto do lacerdismo, abre a boca para “ajudar” Serra.
Seja como for, estas questões já ganharam as ruas e fazem lembrar os velhos tempos do Getúlio e do Lacerda. O Elio não viu que está é  a primeira eleição pós Grande Crise Norteamericana. Tampouco percebeu que Dilma promoveu uma simbiose entre  o PT e o brizolismo, fato eleitoralmente explosivo.
Engana-se o Elio e engana-se o próprio Serra, quando imaginam que basta adotar, como única e precária estratégia eleitoral o sair por aí vendendo a idéia  de que  ele (Serra) é melhor gerente do que Dilma. Não é assim que a banda toca, primeiro porque há controvérsias,  segundo porque não é este o grande eixo da discussão. Como o próprio Elio diz em seu artigo, esqueceram-se de combinar com os russos. Sendo assim, não adianta  Serra evitar  bater no Lula  ou mencionar o nome de FHC,  para fugir das comparações entre os dois governos. Porque os adversários farão isto de cinco em cinco minutos.
De qualquer forma, de hoje até novembro, Serra terá que responder a uma infinidade de perguntinhas chatas como esta: o que o levou a ser  um dos mais fervorosos defensores da privatização da Vale, um dos maiores crimes contra o patrimônio público brasileiro?

            11-04-10

           Serra e Aécio. Depois do beijo e das juras, o amargo dia seguinte

           O leitor amigo que teve a bondade de ler nossa matéria de ontem, sabe que há pouco a  acrescentar sobre o lançamento  da candidatura de Serra, as juras de amor e fidelidade entre ele e Aécio  Neves e o amargo dia seguinte, que é hoje. Mas  houve um inusitado beijo  real, diferente do virtual que anunciamos ontem. Por isso, resolvemos voltar ao teclado.
E voltamos para  lembrar que, com a exclusão do beijo de ontem, este filme é velho e já passou várias vezes na Sessão de Gala.  A primeira foi em 2002, quando trocaram todos os afagos e todas  as promessas que já conhecemos. Depois  Aécio  embarcou no Lulaécio e elegeu-se  governador. A segunda foi em 2006, quando as palavras e os carinhos foram os mesmos, só que o protagonista Serra foi substituído  pelo canastrão Alckmin.  Resultado:  Aécio embarcou novamente no Lulaécio e reelegeu-se governador.
E não pensem que terminou por aí: em junho do ano passado (exatamente no dia 5), Serra e Aécio apareceram  juntos  em duas solenidades, uma em Minas  outra no Paraná. Em ambas, trocaram afagos e juras, como ontem, e garantiram que  estariam  juntos para sempre, que  combateriam sempre o governo Lula e jamais pensariam numa chapa puro-sangue  (Serra presidente  e Aécio vice). Agora, como todos sabem, Serra, por estratégia eleitoral, recusa-se a  bater em Lula e até recentemente implorava para que Aécio fosse seu vice. É ou não é um casal sem vergonha? No sentido figurado, é claro.
Enfim, estamos no dia seguinte, quando  eles almoçarão cardápios diferentes. Aécio comerá o prato frio e  indigesto da vingança. Serra se servirá do prato quente e bem condimentado da  ilusão. Depois cada um seguirá o seu caminho.

            10-04-10

            Tapas e beijos:  Hoje  Serra e Aécio trocarão
 muitas juras. Depois se trairão furiosamente

            Confesso que sou meio folgado e dado a fazer previsões. Mas esta é tão mole que nem precisam me dar o crédito: hoje à tarde em Brasília, durante o solene lançamento da candidatura tucana à presidência, José Serra e Aécio Neves só falarão em coerência, fidelidade e união. Amanhã de manhã, antes mesmo do café, volta tudo ao normal e eles continuarão se engalfinhando, que é  tudo o que  fizeram nos últimos oito anos.
Serra (podem me cobrar depois)  dará ênfase à administração, para mostrar que é melhor gerente do que Dilma, o  mote principal de sua campanha. Depois, baterá forte do PT, mas não dará nem um beliscão em Lula. Não bater no presidente faz parte da estratégia central de seus marqueteiros. Nas entrelinhas, mandará recado para os “traíras”, falando em unidade e compromissos de honra. Finalmente, duas,  talvez três, palavras para FHC que estará presente. A cortesia exige. No mais, o tom será de estadista que pensa projetos futuros, sem descontinuidade ( está  é outra palavra chave).
Quanto a Aécio que de todos é o que comparecerá de saia mais justa, toda sua preocupação será apagar a imagem de “traíra” que pode grudar dele, depois que Dilma Rousseff, durante sua recente visita a Minas, ao ser provocada,  mencionou imprudentemente a palavra Dilmasia, alusão a  uma cooperação secreta entre seus partidários e o de Antonio Anastasia,  candidato tucano ( lançado por Aécio) ao governo  do Estado.
É claro que o Dilmasia vai funcionar a todo  vapor de forma  não oficial, mas  quase às claras, assim como funcionam os camelôs que vendem  CDs piratas. Compra quem quer.  Aliás, foi assim nas eleições de 2002 e de 2006, quando Aécio elegeu-se duas vezes governador a  bordo do Lulaécio,  enquanto  tanto Serra quando Alckmin perdiam as eleições em Minas. O resto é pura hipocrisia. Mas como sem ela ao se faz política,  vou adiantar o que Aécio dirá. E isto não é uma dedução, mas uma informação precisa:
Ele dirá, muitas vezes com aquela voz rouca com a qual Tancredo  injetava emoção em sua  discursos, que “tem orgulho de ser tucano e das administrações do PDDB”, sem poupar elogios (este será momento mais habilidoso de seu pronunciamento) a FHC. Para  Serra, a menção  a FHC prejudica, porque estabelece uma comparação com  Lula, algo que ele tenta evitar a todo custo. Mas para Aécio, é indiferente. Ele disputa  uma eleição fácil para o Senado e é julgado por sua administração  em Minas.
Mas Aécio não dirá uma palavra contra Dilma.  E este  será um dos aspectos curiosos de seu pronunciamento. Porque, enquanto Serra pode  bater em Dilma, mas não em Lula, Aécio  prefere não atacar a candidata que é mineira e, na semana passada, homenageou Tancredo Neves junto a seu túmulo. De mais a mais, Aécio já fez suas contas e concluiu que sem essa aliança espúria  Dilma/Anastasia,  quem vence em Minas e o Hélio Costa,  do PMDB e da TV Globo.
Finalmente, não da para eliminar, como quem  espana o giz, o fato recente de que  criou-se em Minas,  desde  novembro de do ano passado, um clima anti-Serra que culminou, há um mês, com a estrepitosa  vaia recebida pelo então governador paulista, em Belo Horizonte, durante uma solenidade presidida e organizada pelo próprio Aécio.
Umas das frases de efeito  que Aécio usará em seu discurso de hoje:  “Tenho compromisso como o País e com o  partido, quero  encerrar o ciclo petista”.  Então, querido leitor, acredite se  quiser, ou como diria Pirandello, “assim é se assim lhe parece”.
Leia mais sobre o mesmo tema, na matéria logo aí abaixo.

            08-04-10

            Verdade simples: Serra ainda  espera apoio
 de Aécio, mas este já embarcou no Lulécio

           Os tucanos paulistas ainda  esperam uma manifestação clara  de apoio à candidatura de Serra, por parte de Aécio Neves. Eu confesso que não sei  se é ingenuidade ou falsa esperança (fruto da ansiedade) ou ainda um simples  jogo de cena. Porque é impossível não ver que há muito tempo o governador mineiro  abandonou  o “colega” paulista e, como candidato ao Senado, viaja em faixa própria o que implica  em aliança velada com  a candidatura de Dilma Rousseff,  exatamente como ele fez em 2002 e 2006 em relação a Lula.
A nova versão desse  jogo ambíguo da política brasileira já tem, em Minas, o nome de  Dilmasia: a aliança subterrânea dos cabos eleitorais, principalmente do Interior do Estado, entre  adeptos do Dilma Roussef e do candidato tucano (portanto de Aécio) a governador,  Antônio Anastasia.  O fenômeno mais amplo, como já dissemos neste blog, recebe  o nome genérico de cristianização  e remonta ao tempo em que o velho PSD abandou seu candidato à presidência, Cristiano Machado (por sinal um mineiro), para apoiar Getúlio Vargas.
E já dissemos também que se  houver a cristianização de Serra (o que é provável  em Minas e  no Nordeste) sua candidatura dança de uma vez. Daí a marcação serrada do staff paulista em cima de Aécio Neves. Este, de sua parte já  informou que comparecerá ao lançamento da candidatura de Serra, dia 10 em Brasília. Depois “desparecerá” por 15 dias. Aos íntimos  tem dito que se nem o Serra quer bater  no Lula,  por que é que ele tem que bater?
E a isso tudo, acrescentamos  que ele não baterá tampouco em Dilma,  mineira de nascimento e que vai concentrar o início de sua campanha justamente  nas Alterosas. Aliás, um exemplo desta convivência harmoniosa entre a candidata e o ex-governador, ocorreu recentemente, quando Dilma homenageou Tancredo, visitando seu túmulo. Os tucanos mineiros responderam ao gesto com um calor que foi além da simples cortesia. E dona Inês Maria, irmã de Tancredo e mãe de Aécio, fez questão de enviar mensagem de agradecimento.

            04-04-10

            Vox Populi exibe a grande mentira da
Datafolha 
 e a ultrapassagem de Dilma

            Nada como uma pesquisa após a outra. A Vox Populi de sábado (3-4) exibe com todo a nitidez, a manipulação  descarada realizada pela Datafolha da semana passada que apresentava José Serra nove pontos na frente de Dilma. Tudo foi  armado para que o tucano “crescesse” simultaneamente com  o lançamento de sua candidatura pelo impagável José Luiz Datena.
Como  insisto sempre aqui deste blog, os dois quesitos  essenciais  (não únicos evidentemente) para a  boa leitura de qualquer pesquisa são: tendência e dinâmica. Então se analisarmos a  tendência de Serra tanto nos últimos 24 meses como nas últimas oito semanas, veremos que sua tendência é de estagnação com leve queda. Em novembro ele tinha 38%, em janeiro 36% e agora aparece com 34%.  Há dois anos ele tinha 37%.
Dilma , por seu lado, apresenta tendência de crescimento  com forte aceleração (dinâmica). Ela tinha 19% em novembro,  27% em janeiro  agora, 31%. É natural, por circunstâncias  matemáticas,  que o crescimento da candidata, muito forte no início, tenda a  evoluir mais moderadamente.  É fácil entender que passamos de  um para dois num piscar de olhos. Mas podemos levar semanas para avançar de dez para vinte.
Com tudo isto, fica claro que mantida a atual tendência (e não há razão para supor  mudanças substanciais),  na  próxima pesquisa Dilma já deverá aparecer na dianteira. Neste exato momento, ela esta realizando a ultrapassagem, Il sorpasso.
E não custa lembrar que, como sempre dissemos neste blog, Ciro  Gomes subtrai mais votos de  Serra do que de Dilma. Num  panorama sem Ciro como candidato, Serra sobe de 34% para 38 %.

Veja também matéria logo abaixo.

 31-03-10 Atualizada em 2-04-10

 Sem esperanças de ser vice de Dilma, Meirelles  fica
no BC. Caminho aberto para Ciro  e Roberto Requião

            Sem Meirelles no páreo, ficam mais fortes as candidaturas de Ciro Gomes e Roberto Requião.

            Só na última terça-feira,  Henrique Meirelles conseguiu conversar   com o presidente Lula, parapoder decidir sobre seu destino político. Saiu da reunião  decepcionado e convencido de que  não seria o vice de Dilma Rousseff, o seu projeto mais acalentado. O presidente pediu para ele continuar à frente do Banco Central. Meirelles ficou de dar uma resposta em 24 horas. E ontem, quinta-feira, ele decidiu permanecer no BC, atendendo, assim, a uma das principais necessidades do Planalto: exibi-lo ao Mercado como penhor de que Dilma não é mais esquerdista do que o razoável, nem vai mudar a política econômica.
Esse, aliás, é o jeito peculiar de que o presidente se utilizar quando quer dizer não a um amigo ou colaborador. Ao receber o “pedido” para que continue à frente do BC, Meirelles percebeu logo que não seria o vice da chapa  oficial. Agora lhe resta manter-se no cargo, com a promessa, talvez, de que  continuará nele durante o próximo governo. Melhor isto do que lançar-se numa prosaica  candidatura ao Senado pelo PMDB de Goiás.
Com  Meirelles  abandonando o páreo, estreita-se mais o leque de opções  para a escolha do noivo, digo vice, de Dilma. Se prevalecer o critério de que terá que ser preferencialmente alguém do PMDB,  do Sudeste ou do Sul, sobram apenas os nomes de Michel Temer e Roberto Requião, já que Hélio Costa foi encaminhado para a disputa do governo de Minas e Sérgio Cabral (Rio) surfou mal a onda do pré-sal e incompatibilizou-se com 24 estados brasileiros.
Michel  Temer  (São Paulo) presidente da Câmara  dos Deputados  foi descartado há meses, por falta de  votos e liderança em seu próprio estado.  Além disso, haveria razões nebulosas que  remontam à “Crise do Arruda” eclodida em novembro. Requião apesar da recente aproximação com o governo e com a própria candidata, sofre  importante resistência por parte do PT paranaense.
Agora, se o presidente Lula conseguir convencer o PMDB a trocar a vaga de vice por, digamos, mais um ministério e duas estatais poposudas, então o candidato natural passa a ser  Ciro Gomes, um “socialista” que consegue tira votos de Serra no Sudeste e no Sul.
Veja também matéria logo aí embaixo.

27-03-10

Depois de muitas voltas, Ciro agora quer ser vice Dilma

Ciro Gomes, o eclético socialista,  desde que, em meados do ano passado, transferiu seu título do Ceará para São Paulo foi a peça que mais se mexeu no tabuleiro sucessório. Lástima  que tenha avançado tão pouco. Neste período, alternadamente, ele foi candidato ao governo de São Paulo, a vice de Aécio Neves, caso este  fosse  candidato à presidência, e candidato a presidente.
Sua candidatura à presidência dependia do apoio do presidente Lula e  chegou a ser admitida no Planalto quando o ibop de Dilma era muito baixo e temia-se uma eventual  vitória de Serra no primeiro turno. Nesse caso,  a candidatura de Ciro era garantia de que haveria o segundo turno. Hoje, inverteu-se a coisa e quem  corre o risco de eleger-se de primeira é a candidata oficial.
Além disso, Ciro jamais conseguiu convencer seu próprio partido, o pragmático Partido Socialista  Brasileiro que, à sua revelia, fechou acordo com o Planalto (apoio a Dilma) e com a FIESP, apoio ao inacreditável Paulo Skaf e sua ridícula (embora milionária!) candidatura ao governo de São Paulo.
Ciro repete sempre que  há  anos vem se preparando para ser presidente da República. Eu também. O problema é que ele, assim como Serra,  não tem discurso. Não tem o que dizer ao seu principal reduto eleitoral, a classe média (exceto no Ceará).  Uma classe média orientada por pasquins de luxo tipo Globo e Folha de São Paulo, os quais tampouco despertaram para a nova realidade criada com a Grande Crise Norteamericana  e, sem senso de ridículo,  continuam falando em Estado Mínimo e outras baboseiras neoliberais.
Ocorre que, como Ciro é um homem de sorte, sua candidatura a vice passou a ser tentadora justamente por causa de sua insipidez  ideológica. Como este blog vem dizendo há meses, Ciro sempre foi uma opção de voto da classe média, na eventual desistência de Serra. Então é só juntar as duas pontas do raciocínio: com Ciro a seu lado, Dilma neutralizaria, em alguns seguimentos, os temores de que ela é esquerdista em demasia.
Mas nada é perfeito nesta vida:  para que seu sonho se realize, Ciro  tem que convencer o presidente Lula a romper  acordo com o PMDB que, segundo o combinado, indica o vice. Enfim,   como nesse mundinho podre  e hipócrita da política burguesa  o que conta mesmo é o poder e a grana,  pode ser que o PMDB, este misto de latifúndio e balcão, aceite trocar o vice por dois ministérios e uma estatal.

19-03-10

PMDB , indignado,  avisa que não
aceita prato feito. Só se for caviar

Agora que as pesquisas apontam o favoritismo de Dilma Rousseff, o  Comitê Central do PMDB ( leia-se Sarney, Jucá e Calheiros) resolveu agir. A primeira providência  foi a de  promover , dentro de um mês, um Congresso Nacional  para discutir um programa de governo   que será apresentado como subsídio ao seu parceiro PT. “Nossa união – diz o presidente da Câmara, Michel Temer, como improvisado porta-voz – deve consolidar-se em torno de  programas e idéias, jamais em torno de  nomes”.
Encenação  pura. O que há é que as velhas raposas temem perder relevância na campanha presidêncial que, graças ao viés ideológico e plebiscitário imposto  por Lula, está dando mais certo do que os próprios petistas esperavam.  Na mesma declaração, Temer informa que o  PMDB  “não aceita prato feito”, numa clara alusão às intromissões de Lula  na escolha do nome que o PMDB deverá indicar para vice de Dilma. E se você notou nestas  palavras uma ponta de mágoa, acertou. O presidente da Câmara, tido durante algum tempo como noivo preferencial,  sabe que não será o vice de Dilma. Lula prefere alguém  de Minas  ou  do Sul.
Na verdade, este colegiado de espertos caciques ficou preocupado  quando percebeu que Lula esta escolhendo ostensivamente  o candidato a vice que deveria ser indicado obviamente pelo próprio PMDB. Depois de  pedir uma listra tríplice, uma forma heterodoxa de  fritar o Temer, o presidente lança balões de ensaio. Meirelles, por exemplo, não é de Minas, mas é e  a caução que o PT oferece como garantia ao mercado financeiro.
O PMDB alega que  o presidente do BC é apenas um tucano fora do ninho, mas Lula  não tá nem aí. Quanto a Roberto Requião (governador do Paraná), a melhor solução do ponto de vista estratégico, já que  sua candidatura abalaria o forte predomínio de Serra nos estados do Sul, o argumento    é o de que ele   “é personalista e desagregador”. Ao que Lula retruca mentalmente: “desagrega quem, companheiro?”
Enfim, até as convenções de junho, há muito tempo para regateios e  negociações. Entretanto, o PMDB já avisou que não abre mão dos ministérios das Minas e  Energia, das Comunicações   e da Defesa que , por tradição e  uso, foram incorporados aos bens da família. Já o Temer parece que passou a sonhar com o Ministério da Justiça, passaporte para uma futura aposentadoria  em algum tribunal superior.  Mas é apenas sonho.
Se  é para comer prato feito que seja caviar, é a máxima recém descoberta pelo fisiologismo  nacional.

04-03-10

A visita da velha senhora
Parte II

Como este blog informou ontem,  o objetivo central da visita da secretária de estado Hillary Clinton ao Brasil era o de declarar formalmente ao governo Lula que os EUA não tolerarão a existência de um Irã dotado de armas atômicas. É a sobrevivência de Israel que está em jogo e, porrazões internas,  os norte-americanosjamais abandonarão este  seu aliado mais íntimo. Esta é, aliás, a raiz de toda a crise do Oriente Médio que entra em sua oitava década e tem como principal marca o martírio do povo palestino.
Na linguagem diplomática, o governo brasileiro “anotou” as  ponderações norte-americanas, mas não recuou um milímetro em sua posição de manter relação não só de amizade como de cooperação com o regime iraniano dos aiatolás. Seja com for, o critério da avaliação democrática deve ser descartado por inválido, já que ambas as partes, quando conveniente,  sempre mantiveram relações estreitas  com todo tipo de ditadura.  A China é exemplo mais que suficiente para calar qualquer argumentação hipócrita a esse respeito.
Restam, então, os motivos econômicos e estratégicos que compete a cada país  selecionar com independência; sendo certo que brasileiros e norte-americanos,  tem razões e motivos totalmente discrepantes, o que é absolutamente normal .
Entretanto, estas discrepâncias podem conduzir a atritos, sobretudo  no caso presente, onde  uma das partes, os EUA, habituou-se ao longo da História a  ver  seu interlocutor, no caso o Brasil, como um aliado incondicional, obediente e calado.
É isto  o que mudou nos últimos sete anos e é esta, talvez, a principal marca ( para a História) do Governo Lula. É claro que a Globo, com seus Alexandres Garcias  e Willians Waacks, jamais entenderá esta realidade simples, dada sua submissão atávica aos interesses estratégicos dos EUA que  sãos  os mesmos do Capital Financeiro Internacional. Capital bandido e pai da atual grande crise  econômica que assola o mundo e arrebenta com os paradigmas neoliberais. Graças a Deus.
Na matéria abaixo editada ontem e que é a primeira parte desta, você terá mais detalhes sobre o acordo nuclear do Brasil com o Irã e outros  lances do contencioso diplomático  entre os governos Lula e Obama.

 0 3-03-10

A visita da velha senhora
Parte I
 

A última vez que Madame  Hillary Clinton veio ao Brasil, seu marido Bill era  o incontestado dono do mundo. Elegante e, principalmente simpático, o casal possuía aquele dom especial que deixa os vassalos a vontade. Tanto que os mais ingênuos sentiam-se como se fossem iguais ao senhor do Castelo. Creio que foi isso o que mais seduziu ao nosso Fernando Henrique que pagou o gesto elegante dos Clinton com lealdade absoluta. Lealdade esta que no mundo desigual dos negócios e do poder  é normalmente entendida como  submissão.
Nesta nova visita, a velha senhora vai encontrar interlocutores rústicos, talvez até mais sinceros, porém nem um pouco vassalos. Lula e seu chanceler Amorim (sem falar no Garcia) são indelicados o suficiente para lembrar a todo instante que o Castelo está em ruínas, carecendo de amplas reformas e até de aulas práticas de como gerir sua combalida economia doméstica. Enfim, toda nobreza arruinada já passou por estes constrangimentos. E quem imagina que exagero, leia, por favor, nos jornais de hoje, o  conselho de Lula a Obama: Você precisa criar um banco estatal como este nosso aqui do Brasil.
Entretanto, tirando a questão iraniana, a visita de Hillary é meramente protocolar. Cedo ou tarde ela teria que realizar este  périplo pelo Continente  e fará isto, talvez, com o olhar nostálgico de quem visita  antigas propriedades. Para cumprir o enrolation diplomático, a secretária de Estado e nosso chanceler assinarão documentos que falam  de livre comércio e especificam questões como a do algodão e do suco de laranja. Nada que não pudesse ser  discutido a nível de embaixadores ou até por telefone.
Mas a questão iraniana é séria. Obama  já engoliu uns duzentos sapos desde o dia  em que caiu na besteira de consagrar Lula como “o Cara”, porém fará o possível para demover o brasileiro da posição “extravagante” de não só  exigir que o Irã  desenvolva com liberdade seu programa  de pesquisas  atômicas, como inclui a ousadia de anunciar a assinatura, em maio, de um acordo de cooperação nuclear com aquele pais.
A este respeito Hillary dará alguns recados duros que provavelmente serão ouvidos em silêncio por Lula e Amorim. Eles sabem que os poderosos (e os EUA ainda o são) aturam algumas desobediências menores e  ingênuas irreverências, Mas “ainda não dá pra bater de frente com eles”.
Para provar que fala sério, a secretária de Estado desembarca em Brasília com antecedência de  apenas alguns dias em  relação a outra visita. A do japonês Yukiya Amano que dirige a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão ostensivamente manipulado pelos EUA e que  tem como missão concreta impedir a proliferação de armas nucleares.
A AIEA tem feito  novas e maiores exigência de inspeção às indústrias e laboratórios de pesquisas atômicas  do Brasil. Este pode ser um aviso de que a aproximação com o Irã pode custar uma escalda de constrangimentos em relação ao nosso programa nuclear que é pacífico. O problema é que cientistas e militares brasileiros envolvidos com energia atômica, estão convencidos de que, com Irã ou sem Irã, as seis potências que controlam o ciclo completo do enriquecimento do urânio não querem é novos concorrentes comerciais nesta área altamente lucrativa. O Brasil está a um passo de ingressar neste seleto clube.
É possível que meus  queridos leitores mais afeitos às novidades da campanha eleitoral, não tenham notado a matéria que encontrarão logo aí  abaixo e que  editei há cinco dias neste blog. Ela explica com mais detalhes  este triângulo desamoroso entre Brasil, EUA e Irã. Creio que vale a pena dar uma olhada nela.

27-02-10

Mais detalhes sobre o acordo nuclear Brasil/Irã

Durante sua vista a Teerã, em maio, o presidente Lula  assinará com seu colega Mahmoud Ahmadinejad, um documento que estabelece uma série de posições comuns e um rol de intenções na direção da cooperação entre Brasil e Irã. Entre os itens desta cooperação constará o da pesquisa nuclear para fins pacíficos. Para simplificar , nós jornalistas (no caso o Merval Pereira e eu que fomos os únicos a tratar do assunto) demos ao referido item,  o nome pomposo de Acordo Nuclear. Digamos, então, que é quase isso.
Mas leve o nome que levar, este item é a forma encontrada pelo Itamaraty para alcançar três objetivos; a- realizar um movimento diplomático que represente, a quem possa interessar,  uma aviso de que o Brasil não aceitará ingerências indevidas ( maiores dos que as tecnicamente  necessárias) no nosso  programa nuclear por parte da Agência Internacional de Energia Atômica, encarregada de inspecionar o desenvolvimento do dito programa, b- despoluir a visão  preconceituosa do Ocidente em relação ao desenvolvimento do programa nuclear iraniano que se encontra  em estágio semelhante ao do Brasil, e c- aproveitar o embalo para assinalar , mais uma vez a insatisfação do Brasil em relação a atual ordem mundial  “congelada” desde o fim da  Segunda  Grande Guerra.
Quanto ao item a, como mostrei na matéria de ontem ( ver logo ai abaixo desta), o governo brasileiro suspeita  que a Agência Internacional de Energia Nuclear esteja sendo usada menos no interesse da não proliferação de armas atômicas e mais na da  defesa de privilégios oligopolizados  dos  atuais detentores de tecnologias neste setor. O Brasil está próximo de juntar-se aos  sete países atualmente únicos donos dos “segredos” do ciclo completo do enriquecimento do urânio.
Quanto ao item  b, a diplomacia brasileira chama a atenção para o fato de que todo país tem direito a desenvolver livremente sua pesquisa científicas e não pode ser tolhido só porque há  suspeitas subjetivas sobre suas verdadeiras intenções. E lembra, a propósito, que  não houve o  mesmo  cuidado com relação à Índia, ao Paquistão e a Israel aos quais foi permitido construir o seu arsenal atômico, quando isso parecia compatível com os interesses estratégicos do Ocidente.
Quanto ao item c, não é novidade para ninguém que a linha mestra da diplomacia  brasileira, durante o Governo Lula tem sido a de abrir caminho (reconhecidamente árduo) para o “descongelamento” do atual Poder Mundial, o que passa por uma reforma da Carta da ONU e pela ampliação  do seu Conselho de Segurança com a inclusão do Brasil e pelo  mais seis países.
Como se nota, o Itamaraty não improvisa, como também não é novidade que a mídia brasileira sempre se exalte quando o País adota uma posição  digna e soberana. Isto porque ela está  atavicamente subordinada aos interesses estratégicos norte-americanos e do capital financeiro internacional.

Não deixe de ler a matéria logo aí abaixo. Ela é complemento  desta e  com esta se complementa.

26-02-10

O acordo  nuclear Brasil/Irã e  a
sintonia da mídia brasileira com
os objetivos estratégicos dos EUA

O Brasil poderá assinar, em maio durante visita do presidente Lula a Teerã, um acordo nuclear com o Irã, o país de Ahmadinejad, o mais novo diabo  adotado pela mídia  internacional. Isto significará o clímax da tensão nas relações Brasil/EUA que deixaram de ser boas desde o primeiro governo Lula e vem se agravando quase que de forma  programada. Os pontos de atrito vão-se multiplicando: Venezuela,  bases militares na  Colômbia, Honduras, Haiti , etc.
A opinião pública brasileira  está como que sendo pega de surpresa, pela razão de que  não foi  informada, ou antes, foi deliberadamente desinformada sobre este assunto pela nossa mídia inteiramente subordinada aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Neste sentido, uma  a uma, todas as  posições da diplomacia brasileira  na direção de um posicionamento independente foram minimizadas, criticadas ou ridicularizadas.
Ocorre que, de forma  bem visível a partir da crise de Honduras, a posição do Itamaraty está deixando de ser meramente de afirmação e independência para representar uma contestação e mesmo um confronto à política externa  americana que é  a de preservar a  hegemonia  mundial obtida ao longo do século passado.
No quadro restrito da política continental, a vitória da diplomacia brasileira foi completa e apenas a mídia brasileira ainda não viu que não só na America  do Sul, (onde a vantagem brasileira é absoluta) estamos nos saindo bem no Caribe e América Central, onde o Itamaraty disputa influência, palmo a palmo, com o Departamento de Estado.
E Obama não pode fazer nada a não  ser engolir  sapos em série, por uma razão simples: no atual quadro da política norte-americana para o Continente, desmontada por Bush, qualquer coisa é pior do que romper com O Brasil. Com outras  palavras: ruim com o Brasil, pior sem ele. Isto porque, habilmente, o Itamaraty embora parta para o confronto estratégico de longo prazo,  procura manter, no dia a dia, uma posição mais  moderada e de conciliação. Comparado com outros países, o Brasil fica parecendo um inocente bombeiro.
Quanto à questão nuclear, o acordo com o Irã não é apenas um ponto de afirmação brasileira como potência emergente protagonista da cena mundial. É, principalmente,  um instrumento de auto-defesa: nos últimos tempos a Agência Intencional de  Energia Atômica que  fiscaliza e coíbe as políticas nacionais de enriquecimento de urânio, vem apertando o cerco contra o Brasil exigindo inspeção in loco de  instalações  brasileiras  onde são desenvolvidas  tecnologias diferenciadas  e que, por isso, representam segredo industrial. Tanto cientistas como  militares envolvidos no nosso programa nuclear denunciam  que o Brasil está sendo indevida e injustamente  tolhido em sua política de desenvolvimento tecnológico com autonomia.
E registre-se que o Brasil é dos poucos  países  que dominam a tecnologia do enriquecimento do urânio,  ao lado de EUA, Rússia, China, França, Alemanha, Holanda e Inglaterra. Sendo que trabalhamos em cima do que são  consideradas as maiores reservas deste mineral no mundo. Suspeita-se, por isso, que a ação da Agência Internacional de Energia Atômica (no caso brasileiro) esteja  mais voltada para a defesa do atual oligopólio mundial  da indústria de energia atômica do  que propriamente no sentido de evitar a proliferação de armas nucleares.
Quanto ao Ahmadinejad, eu não sou nenhum maluco para sair por aí defendendo suas extrapolações e as bobagens que diz sobre o Holocausto. Mas tenho certeza de que   ele é apenas um projeto inviável de diabo perto dos  falcões americanos  que defendem a política continuada de  agressão  e expansão em nome  da “missão civilizadora” dos EUA. Sem falar nos animalescos e fanáticos  ortodoxos  israelenses que trucidam metodicamente o povo palestino, contrariando mil e uma  resoluções e advertências da ONU.

25-02-10

Por que a mídia torce tanto contra o Brasil
e alinha-se com o Departamento de Estado

O objetivo deste texto é o de esclarecer por que a mídia brasileira abriu tão pouco espaço e tratou com tanta má vontade a  criação da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, da qual ficam excluídos os Estados Unidos e o Canadá. Trata-se de um marco histórico que assinala a desativação de fato da OEA que, durante mais de um século, foi usada como instrumento de imposição da  hegemonia norte-americana no Continente. Cuba que fora excluída da OEA por ordem dos EUA, retorna agora,  meio século depois , ao convívio da comunidade latino-americana.

Algumas vezes tenho que ser repetitivo, pela  boa razão de que tanto no Twitter  como no blog estão sempre chegando novos olhares. É um freguesia crescente graças a Deus. Os leitores mais antigos terão que me perdoar.
Digo isso por que mais de uma vez já denunciei aqui a pérfida  posição de nossa mídia, sempre alinhada com os objetivos estratégicos dos Estados Unidos que não são, obviamente, os mesmos do Brasil. Na verdade – e este talvez seja o mérito histórico do Governo Lula – pela primeira vez, o Itamaraty conseguiu traçar e dar conseqüência  a uma política externa absolutamente independente. E não só independente como conflitante com o projeto hegemônico dos Estados Unidos.
Mas é preciso examinar tudo isto mais de perto: a hegemonia  norte-americana global e  continental que é a que mais nos incomoda , está – ou esteve  até a eclosão da  atual crise econômica –  inteiramente articulada com a hegemonia do capital  global de corte financeiro e especulativo que é o mais bandido e destrutivo de  todos os capitais.
Esta hegemonia dupla e ao mesmo tempo  unipolar ( sem contestação) foi obtida  a partir dos anos 80 (queda do Muro de  Berlin e derrocada soviética) com a implantação dos paradigmas neoliberais que estabeleceram que era crime contra a inteligência e a boa fluidez dos negócios permitir que o estado interviesse de alguma forma na plena liberdade de ação  e na soberana vontade do Mercado. Deu no que deu: os EUA de pires na mão junto ao enigmático estado chinês  ao qual deve  mais de um trilhão de dólares (um Brasil inteiro) e de cuja boa vontade dependente absolutamente.
É o Mundo Neoliberal que literalmente  veio abaixo e está aí, no chão, à vista de todos, menos da idiota e idiotizante mídia brasileira. E aqui chegamos ao ponto: esta mídia medularmente corrupta foi a primeira a ser cooptada pela grana e pelas idéias neoliberais. Por isso é pertinente dizer que ela é estruturalmente dependente daquele capital a que nos referimos, o financeiro.
Vai daí que toda mídia tem seus expoentes e estes, se quiserem usufruir os benefícios deste status, devem servir como cães pastores aos seus patrões que não sabem escrever mas sabem o que querem. Temos aí, então, um plêiade de beletristas absolutamente sintonizados com  o pensamento da “direção” da casa que, por sua vez esta sintonizada, no nível da vassalagem, com o Capital Financeiro e com o Departamento de Estado. Então, esta sintonia é tão fina que se  pegarmos um texto do Merval Pereira, por exemplo, que é o escriba-mor do Globo, teremos a sensação de  estarmos lendo um release (texto de divulgação) da Hillary Clinton.
Já que citamos Merval, merecem ser citados também Augusto Nunes, Diogo Mainardi, José Nêumanni Pinto, Antônio Calos Sardenberg, Willian Waack , Míriam Leitão e Alexandre Garcia entre outros menos votados. Não sei quanto a você caro leitor, mas eu pessoalmente concedo a todos estes exímios jornalistas o benefício da  dúvida. É possível que eles estejam realmente convencidos  do acerto daquilo que escrevem. Menos o Jabor. Deste emana um forte ranço de picaretagem porque está muito na cara que ele se faz de  porralouca para dizer  com liberdade poética o que nem os donos dos jornais tem coragem de dizer.

22-02-10

Serra, o calculista, está agora na mão de
Deus e do IBOP, até o Globo o ambandou

Cansado de brigar com a notícia, Ricardo Noblat fornece finalmente a seus leitores do Globo algo que se aproxima da verdade. Afirma em seu coluna de hoje que diante do “elefante Lula”, às “formiguinhas PSDB, DEM e PPS em fase terminal” (!) só resta assistir  à vitória tranquila de Dilma Rousseff.  Serras só ganha esta eleição diz o colunista global  se “ Dilma perder a eleição para ela mesma”.
É inacreditável, mas Noblal parece mesmo disposto a reconciliar-se com a evidência dos fatos.  Chegou até a revelar   algo que repetimos  há dois meses neste blog: Serra vai oferecer mais uma vez a vice-presidência a Aécio Neves que, mais uma vez, vai recusar.
Faltou apenas que este portento do jornalismo  político dissesse que  o principal problema das “formiguinhas” PSDB,  DEM , PPS e do próprio Serra é a obsolescência   do  seu discurso neoliberal. Seria pedir demais.
Eis, porém, a pergunta que não quer calar:  Noblat só descobriu estas verdades elementares agora e todas juntas, ou ele já as conhecia, mas matreiramente as sonegava de seus incautos leitores?
É  importante que os desamparados leitores do Globo examinem bem o pãozinho e o jornal que levam todas as manhãs para suas casas. Ambos podem estar adulterados. O jornal certamente está.

O que Noblat ainda não disse

Poucos adjetivos dizem tanto de uma pessoa  do que frio e calculista dizem de José Serra. Se não é, pelo menos até agora ele vinha se comportando como senhor de seu destino. Auto-confiante – “eu tenho nervos de aço” – nos últimos seis meses ele rejeitou todas as propostas honestas e todos os conselhos sensatos para que decidisse logo  se seria ou não candidato à presidência . “Nada feito – dizia ele – só vamos resolver isto em março. “Mas a campanha da Dilma já está nas ruas há meses, já podemos vê-la pelo retrovisor” insistiam seus correligionários aflitos. “Nada feito”, repetia ele, impávido.
Quando consentia em discutir o assunto, o submerso governador bandeirante apresentava o argumento tão impecável quanto óbvio: para quê nos expormos antecipadamente? Não precisamos virar vidraça antes do tempo.
Tudo mentira. O que Serra tinha e tem é uma coisa simples chamada medo. Não queria trocar a reeleição certa para governador pelas  incertezas de uma travessia  difícil até Brasília, enfrentando o vento lulista pela proa. Queria deixar uma ponte intacta para um possível recuo, caso as pesquisas de março lhe fossem adversas.
Quando criança, na Mooca, ele deve ter ouvido o conselho sábio de alguma tia velha. Desses conselhos que estragam nossa vida até o último dia: mais vale um pássaro  na mão do que dois a voar.
Pois agora quem não deseja mais vê-lo candidato sãos seus próprios correligionários, uma boa parte deles, pelo menos. Quando chegarem as pesquisas de março fechando o verão, é possível que algumas delas já apontem  um empate  técnico entre ele e Dilma, a desajeitada e pouco íntima dos palanques.
Se ainda houvesse tempo para uma manobra radical que juntasse na mesma chapa o come quieto Aécio Neves e o eclético socialista Ciro  Gomes, talvez ainda fosse possível mudar o enredo deste samba, o que , na minha opinião  não seria bom para o Pais. Mesmo muito bem maquiada e mesmo que signifique um avanço em relação a Serra, esta dupla ainda representa, na essência, o modelo neoliberal.
Mas é fato que há três meses, quando ainda havia tempo, Ciro declarou com todas as letras que só abandonaria sua candidatura à presidência para ser vice do governador mineiro. Ninguém (exceto, talvez, este blog) o levou a sério. A mídia fingiu que não viu, Serra e a tucanagem paulista  fingiram que não ouviram e o trem seguiu pelo ramal que conduz ao fim da linha. Os leitores do Globo, evidentemente, não foram informados de nada disso.
Seja como for, não há mais tempo. A mesma  candidatura de Serra  também já está  nas ruas. Virou vidraça sem se beneficiar do foguetório que a mídia  lhe teria proporcionado se tivesse  ocorrido o lançamento formal. E o pior é que, mesmo que o malandro  Montenegro  manipule e distorça o IBOP que é seu, se as outras pesquisas revelarem no próximo mês que suas chances são mínimas, o infausto governador paulista será abandonado por boa parte de seus correligionários. Correligionários estes que insistirão para que ele ceda a vez ao Aécio, como já cedeu há quatro anos para o Alckmin, quando temeu enfrentar Lula.  O problema  é que ele  agora já não tem condições morais para jogar a toalha. Seria a desmoralização total. Então, é possível  que ele fique sem o pássaro  na mão enquanto os outros dois continuam a  voar.
Há  outros adjetivos que também ornam  Serra. Tíbio e insípido, por exemplo. Talvez tenha faltado ao  menino lá dos tempos da Mooca, um tio boêmio, meio poeta e meio louco que lhe dissesse:  Navegar é preciso, chegar não é preciso Ou então: Deus não pediu para você vencer, pediu para você lutar.

Mais textos sobre o mesmo tema nas colunas Última Hora e Coisas da Política, neste blog.

 1-02-10

A prova da mentira covarde e descarada do Globo

Eles não cansam de mentir e desrespeitar seus leitores. Usam  como armas principais a omissão e a distorção. Quando passa  na padaria e na banca, logo de manhã, o freguês incauto  imagina estar levando para casa um produto íntegro. No caso  do jornal, se for O Globo, está  levando veneno puro.
O jornalão dos Marinhos, detentor virtual do monopólio da faixa de leitores de classe média no Rio,  trata seus leitores como massa de manobra e moeda de troca. Não há o mais mínimo respeito  à verdade  e aos códigos elementares da profissão de jornalista. Os delitos vão do  desrespeito ao consumidor à conspiração política, aquela que é tramada pelas costas e não no debate aberto e honesto, a ação política legítima.
Agora vejamos como, sofisticados e exímios, a direção e os empregados do jornal, conseguem  praticar  todos os delitos mencionados acima no exíguo espaço de algumas poucas linhas. Vamos  ler  a frase colhida da edição  de hoje (1-02-010) na página 21. Ela vem embutida  numa matéria contra  Chávez  que não é objeto de  notícia , mas de  campanha feroz por parte do diário:
“Depois  de tirar do ar cinco canais de TV a cabo do país – desencadeando uma onda de manifestações estudantis que tomou as ruas  de várias cidades e deixou dois estudantes mortos em choque com a polícia na semana passada – o presidente Chávez anunciou que vai pedir uma punição ao jornal “Tal Cual” alinhado à  oposição.
Primeira parte da mentira:  qualquer pessoa desprevenida ao ler estas   quatro linhas chegará à conclusão  automática  de que  as ruas  das cidades  venezuelanas foram tomada  por um multidão indignada de estudantes que combatem um homem mau.  Releiam, por favor, a frase  e  digam que exagero ou distorço.
Agora a versão verdadeira, publicada por jornais do mundo todo que ainda preservam um mínimo de dignidade: as ruas  de Caracas  foram tomadas  por uma multidão de estudantes que,  divididos em partes iguais, atacam e defendem o presidente  Chávez. Um deles, de apenas quinze anos, era chavista. Foi abatido  por um tiro desferido da janela de um edifício.
Nem é preciso dizer que o enunciado da notícia também é falso: as emissoras de TV a cabo não foram retiradas do ar de forma definitiva como o texto dá a entender. Elas foram suspensas, por poucas horas, como punição prevista na Constituição ( assim como no Brasil) a um desacato  ostensivo e ensaiado  às autoridades. O objetivo era este mesmo,  provocar uma comoção e levar os estudantes às ruas.
Esta é a radiografia, leitor amigo, de como você é iludido, traído na sua confiança se, por infelicidade, adquiriu o hábito de só ler o Globo.

25-12-09

Se pedirmos para os outros, Deus dará para todos.

Recebi a incumbência de difundir, neste dia de Natal,  a oração que você  lerá  logo abaixo.  Se, ao lê-la, você sentir que isto fará bem ao seu coração, como ocorreu comigo, então passe adiante. É, ceio eu , uma boa  forma de comemorar esta data e ingressar bem no Ano Novo

22-01-10

Pela segunda vez,
sempre delicadamente,
Lula tenta fritar Temer

 Presidente pede novamente uma lista tríplice para escolher quem o PMDB “indicará” como vice de  Dilma. Ressurgem os nomes de Hélio Costa. Henrique Meirelles e Sérgio Cabral.

Como todos (pelo menos os que lêem este blog) sabem, o presidente da Câmara Michel Temer (PMDB) foi abatido por uma bala perdida, há pouco mais de um mês, durante o tiroteio que se seguiu ao Escândalo Arruda. Nesta ocasião, o presidente Lula  fez uma proposta esdrúxula, sugerindo que o PMDB oferecesse uma lista tríplice para que ele e Dilma escolhessem  o candidato a vice da chapa governista.
Esta foi a forma educada  que o presidente encontrou para fritar Temer  a quem  o lugar já  havia sido prometido. A desculpa, fornecida  nos bastidores, era a de que o noivo  tinha pouco voto e pouca máquina até mesmo em sua terra, São Paulo, onde Quércia,  insaciável, já grudou em Serra de  uma tal forma que ninguém consegue desgrudar.
Mesmo sendo de  bastidor, a versão é falsa. A verdadeira (daí a bala perdida) é que Temer , de alguma forma foi alcançado pelas investigações da Polícia Federal que culminaram com o Escândalo do Panetone. Entretanto, Temer cujo rosto é tão duro quanto o de uma estátua de Júlio César, não precisou nem fazer cara de paisagem e continuou candidato como se na tivesse acontecido.
Isto obrigou o presidente a repetir a proposta esdrúxula e pedir, novamente, uma lista tríplice. Então, agora, como da primeira vez,  afloraram os nomes de Hélio Costa, que tem como alternativa ser candidato ao governo de Minas e  Meirelles que tem como alternativa  continuar sendo o presidente do BC no governo Dilma. Um terceiro nome, guardado com o  maior carinho no bolso do colete presidencial, é o de Sérgio Cabral. Com este , matam-se dois coelhos: Dilma dispara no Rio e o PT, finalmente, poderá lançar candidato próprio no estado.
Seja como for, as negociações são difíceis porque o PMDB sabe que Lula precisa dele,  o que é muito perigoso. E, realmente, o presidente precisa do partido, primeiro para garantir a governabilidade até o fim de seu mandato; segundo por causa da  grande máquina da velha agremiação, sobretudo na capilaridade dos municípios. Finalmente, em função do precioso tempo de TV.
Entretanto, o PMDB são três, todos fisiológicos. Um é o dos senadores, que pensam no longo prazo e  no poder e seus cargos; segundo, o dos deputados que sabem que  período eleitoral é época de se faturar alto e, por último, as lideranças regionais que não estão nem aí para a Dilma. Só raciocinam em termos de composição para as eleições  em seus estados.

21-12-09

Será que até O Globo está lulando?

 _ Se o clima fosse um banco eles já o teriam salvo (Hugo Chávez, presidente da Venezuela, sobre a reunião de Copenhague)

 A frase que o amigo acabou de ler aí em cima não foi pinçada  pelo autor deste texto. Creiam que ela   foi escolhida por Ricardo Noblat para abrir sua coluna  no Globo, esta segunda-feira. E é ainda mais  curioso o fato de  o dito do presidente venezuelano ter sido colocado ali de forma  gratuita. Na seqüência, o colunista trata de assunto totalmente diverso, o desempenho ruim de Dilma Rousseff como candidata, embora Noblat admita seu favoritismo em função da transferência da popularidade  do presidente para ela.

Este é um fato entre  muitos outros que podem ser alinhados, indicando  uma clara amenização da postura do jornalão em relação a Lula e até à sua  política externa que,  há poucas semanas, era o principal alvo da fuzilaria da Maison Marinho. O  que há então?

Há dois fatos principais. O primeiro é estratégico, porém meramente comercial ou empresarial: um passarinho que freqüenta  as varandas da Aldeia Global me contou que as vendas em banca do jornal estão caindo verticalmente. E pesquisas encomendadas indicam que isto não se deve às mídias  alternativas (principalmente a internética) que proliferam nos últimos anos. Na verdade, ao assumir  o monopólio virtual  da informação impressa para a classe media no Rio (o último concorrente, o Jornal do Brasil, está em coma induzido há  mais de um ano), o Globo negligenciou  um tipo de leitor que ocupa fatia importantíssima do mercado e, sendo de esquerda ou de centro-esquerda, com foco para os setores intelectuais, tem importância capital para a chamada “formação de opinião. Embora ocorra também em capitais como Porto Alegre  e Recife, o fenômeno  é um característica histórica do carioca. Por isto o Brizola se deu bem aqui.

Enfim, além de comprar menos jornal, este tipo de clientela que estamos analisando, mesmo quando insiste em ler o Globo, inunda a redação (da TV também) com cartas e e-mails de pura espinafração. Ora, nem mesmo um Martinho consegue trabalhar com desenvoltura diante deste tipo de pressão.

A outra razão é também estratégica, mas de longo alcance político: cansados de tentar, com o fôlego de seus próprios pulmões,  inflar o balão apagado da candidatura Serra, os Marinhos teriam  resolvido manter uma espécie de convivência pacífica com os fatos, deixando de omiti-los ou distorcê-los na tradicional forma drástica. Assim, em relação a Lula e  à candidatura Dilma, o jornalão teria  revisado sua posição radical, para  ficar mais próximo da contemporização.

Tudo para salvar pelo menos os dedos, como é o caso da linha macroeconômica seguida  pelo governo. Daí o entusiasmo com a candidatura de Meirelles como vice de  Dilma. O mesmo vale  para Sérgio Cabral adotado ostensivamente pelo Globo. Quanto ao terceiro possível candidato a vice na chapa governista, o ministro Hélio Costa, das Comunicações, apesar dos recentes desencontros por conta da discussão sobre a liberdade  de informação  em todos os níveis, é bom lembrar que ele  (o Hélio) além de forte candidato ao governo de Minas, já trabalhou na casa e, segundo as más línguas , ainda trabalha.

Mais informações sobre este tema na coluna Coisas da Política deste blog.

27-10-09

Quando o peão vira torre

Ignorado pela mídia do Sul, o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, é figura essencial na sucessão de Lula.

Jornalismo diário exige objetividade que requer foco. Foco em alguns aspectos ou nomes essenciais, os que contam. Na sucessão presidencial,  por isso,  tudo gira em tono de Lula, Serra, Dilma, Ciro, Aécio e Marina. Mas jornalismo político requer também perspicácia. Qualidade que permite, por exemplo, desvendar o que está  por detrás da noticia ou detectar a ação de uma eminência parda. Tudo isto para dizer que na dança sucessória rumo ao Planalto, esta faltando o nome de Eduardo Campos,  jovem  (46 anos) governador  pernambucano e  ex-presidente  (mas controlador de fato) do PSB, Partido Socialista Brasileiro.

Ancorado  na aprovação de sua administração e  na habilidade sertaneja herdada de Arraes, o pernambucano detém hoje, temporariamente é verdade, os barbantes  que amarram ou conduzem os  destinos  de todos aqueles que disputam a presidência. Vejamos:

1- Ele está por trás de todo este reboliço em tono do pré-sal e, à distância, torpedeia o esforço desesperado do governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro,  que não quer perder um tostão dos royalties do petróleo. Campos age em nome  de governadores nordestinos  e mais aqueles que  também estão de olho no pré-sal. Com isso, ele racha o PMDB de alto a baixo e cria dificuldades  para a manutenção do acordo mediante o qual este partido indicaria o vice na chapa de Dilma Roussef. Como se sabe este vice seria Michel Temer, presidente da Câmara e (licenciado) do PMDB. Neste exato momento, a partilha  do petróleo está sedo votada na Câmara.

2- Ciro Gomes também tem seu destino nas mãos de  Campos que pode decidir ou influenciar fortemente  sobre  suas  candidaturas (de Ciro) ao governo de São Paulo, à presidência ou como vice de Aécio. Qualquer uma destas hipóteses mexe, evidentemente, com  o assim chamado quadro sucessório.

3- Por enquanto  tudo são hipóteses. Há tempo para grandes quinadas até março quando haverá um afunilamento  e as candidaturas  começam a ser definidas para, finalmente, serem oficializadas  nas convenções partidárias ainda no primeiro  semestre.

No xadrez, peão vale quase  nada. Mas  há raros momentos em que esta peça simples  pode comer a rainha ou até o rei, atrás da torre. Nesta especial ocasião ela vale tanto quanto a própria torre. Quando isto acontece, reza a lenda, o anônimo peão é promovido a bispo. Este é o momento de Eduardo Campos. Prestem atenção nele.

De uns dias para cá Ciro Gomes  está meio chagado a  metáforas e  profecias. Ele tem dito que será  traído antes que o galo cante três vezes. É claro que se trata de mera coincidência, mas não deixa de ser curioso lembrar que o Galo da Madrugada  é um fenômeno essencialmente pernambucano.

Veja também matéria na coluna  Última Hora.

24-11-09

Fim de linha para Serra e
sinal amarelo para Dilma

Pesquisa mostra que Aécio e Ciro formam dubla do barulho.

Não tenho como não dizer que bem que avisei: há exatos três meses disse aqui neste blog que a candidatura Serra era um balão apagado em função da obsolescência de seu discurso neoliberal e atrelado à figura de FHC. E há três dias, para espanto de leitores incautos de classe  que ainda  acreditam em  uma mídia (cuja função essencial é jogar área em seus olhos), levantei a hipótese difícil, mas não impossível, da formação de uma chapa Aécio/Ciro Pois a pesquisa CNT-Sensus, divulgada ontem, mostra que se a eleição fosse hoje, esta combinação seria  imbatível. E esta é a luz amarela que  acaba de acender  no painel dos  estrategistas do Planto. Tudo ia bem enquanto a situação se encaminhava para uma bem planejada bipolarização entre o lulismo de recém adquirido  aroma  getulista, de um lado, contra o  evanescente neoliberalismo (Serra-FHC) de  ranço lacerdista. Era o “efeito plebiscitário” acalentado por Lula e que agora está ameaçado pela ação da dupla dinâmica Ciro/Aécio.

Os tucanos paulistas (Serra inclusive) foram os últimos a perceber isto, porque a memória afetiva e/ou inconsciente coletivo da terra dos bandeirantes, um estado  de elite intelectual historicamente anti-getulista, possui esta peculiaridade que  a diferencia do resto do país. Não por outra razão, aliás,  foi ali o  berço do PT e o túmulo eleitoral do Brizola.

Quanto à pesquisa em si, é possível destrinchá-la em poucos tópicos:

1- A queda anunciada de Serra ( de 7,7 pontos em relação a pesquisa anterior, para 31,8 %, só surpreende porque foi ainda maior do que a esperada. Além disso, 49,3% dos entrevistados declaram que não votam em ninguém apoiado por FHC.

2- O crescimento de Dilma para 21,3 % é lento, porém consistente, sobretudo se  consideramos que ainda não ficou claro ao eleitorado (por enquanto desmobilizado) que ela representa a continuidade – sem restrições – do governo Lula.

3- O crescimento de Ciro para 17,5 e de Aécio para 14,7%, já esperado, surpreende, no entanto, pela quantidade e a velocidade com que ocorreu. Isto deve ser  debitado à  bem articulada ação de ambos que, nas últimas semanas, conseguiram atrair para eles  os holofotes midiáticos.

4- O fato mais relevante  demonstrado pela pesquisa e  exaustivamente  antecipado por este blog é o de que, dependendo da  composição dos nomes submetidos aos pesquisados, fica claro que Ciro  apesar de  pertencer à base governista,  subtrai  muito mais votos de Serra do que de Dilma. A proporção e de oito para um. Isto explica por que Lula colocava tanto gás no balão de Ciro.  O complicador, para Lula é – como já vimos – a possibilidade da aliança Ciro/Aécio, o que rompe a tão desejada bipolarização plebiscitária.

Não deixe de ler as duas matérias logo aí abaixo desta. Elas complementam os raciocínios aqui expostos.

21-11-09

Ciro pode ser vice de Aécio

Ciro Gomes apresenta-se como alternativa para compor a chapa de Aécio e este retribui a gentileza, podendo apoiá-lo, liderando uma  dissedência do PSDB.

Eles só não anunciaram ontem, após almoço no Palácio das Magabeiras em Belo Horizonte, por uma questão de timing. Mas, com certeza, Ciro Gomes e Aécio Neves  farão isto antes de março, prazo final para a formalização de candidaturas, desincompatibilizações, etc.  E anunciarão que  há uma forte possibilidade de Ciro vir a ser o vice de Aécio. Porém, dependendo  de quem estiver  mais bem posicionado nas pesquisas, em março, é Aécio que apoiará Ciro. Este plano  vem amadurecendo  há meses, desde que os dois amigos (e eles realmente se dão bem desde os tempos em  que Ciro  era  uma da principais lideranças do PSDB) resolveram deixar de ser coadjuvantes. O objetivo é  desconcertantemente simples: a- romper a camisa de força a que ambos estavam submetidos, Ciro dependente da simpática compreensão do presidente Lula e Aécio subordinado à errática estratégia do tucanato paulista comprometido com a candidatura Será; b- tomar um banho de holofotes midiáticos até então voltados apenas  para Serra, Dilma e Marina e c -levar o projeto até as vias de fato, por que não?

Nas entrevistas de ontem em Belo Horizonte os dois pré-candidatos deixaram clara a intenção de caminharem juntos até a eleição do próximo ano. Palavras de Ciro: ”Se Aécio for candidato, minha candidatura não será mais necessária”. Palavras de Aécio: “É uma amizade de toda a vida, seria extraordinário se pudéssemos caminhar juntos”.

Os jornalões brasileiros não informam isto corretamente, porque perderam definitivamente a compostura  e assumiram sua função de meros manipuladores da opinião pública. É a isto que eles chamam de liberdade de imprensa. Seja como for e como este blog vem registrando há semanas,  há na área  governista ( mais precisamente na petista) um sério desconforto em relação a Ciro. Na  vertente oposicionista a situação é mais grave: há um racha declarado e já se partiu para o desaforo tanto em reação a Ciro como a Aécio. Algumas declarações: “Este encontro foi uma provocação”, resume Gustavo Fruet, uma das principais lideranças tucanas. “Ele (Ciro) é um desafeto do  PSDB,  diz que representamos o atraso”, desabafa a senadora Marisa  Serrano, vice-presidente da legenda. Finalmente, Sérgio Guerra, o presidente  do partido afirma, conciliador, que “Aécio tem o apoio do PSDB de Minas e acho natural que, como pré-candidato, procure apoio em todo lugar”. Há uma semana, Guerra  dissera que Aécio (na  comparação com Serra) “é mais  abrangente”, o que foi  percebido por uns como uma gafe e, por outros, como um recado enviado ao governador paulista. Este, aliás, é chamado  pelos desafetos como o Coiso. E foi assim que Ciro referiu-se a ele, ontem, após a reunião com Aécio.

Agora um breve retrospecto:

1-A candidatura Serra começou a fazer água, há meses, (fato registrado por este blog),  torpedeada  que foi por um fator externo: a Grande Crise Norte-Americana fez com que  o tucanato ficassem sem discurso, já que o usual, a defesa do estado mínimo e  do Mercado liberado, tornou-se escancaradamente obsoleto.

2-Percebendo isto, Aécio saiu na frente e atualizou seu discurso que adquiriu alguma conotação nacionalista, estatizante  e até de compreensão em relação aos movimentos sociais. Para ele isto não  foi difícil, sendo como é, neto de Tancredo Neves, conservador e getulista ao mesmo tempo.

3- Um dos principais mentores da nova postura de Aécio é César Maia  que controla virtualmente o DEM, mas não conseguirá que  este partido também rache de alto a  baixo.

Para que este artigo não se alongue a ponto de começar a aborrecer os leitores, deixaremos para amanhã a repercussões, não pequenas, nos arranjos , já em andamento, nas sucessões estaduais.

Mais sobre este assunto na matéria logo aí abaixo.

17-11-09

Aécio é tratado como a
novidade da sucessão

O encontro, hoje (17), entre Aécio e Ciro Gomes (como este blog  antecipou com exclusividade, há uma semana) pode mudar os rumos da sucessão. Aguardem.

Tucanos já sabem que Dilma alcançará  Serra até março do próximo ano.

 A direção nacional do PSDB está trabalhando com analises (não estamos falando de pesquisas) fornecidas pelos institutos – inclusive o IBOP de Montenegro – indicando que, se mantidas as atuais e respectivas altitudes e velocidades de cruzeiro, Dilma e Serra estarão empatados já no primeiro trimestre do próximo ano. São estes  dados que entravam o lançamento da candidatura do governador paulista que prefere tentar  um reeleição considerada fácil.

Entretanto, há um fato  novo que complica ainda mais a situação. Ele é resultado da recente ação rebelde do governador Aécio Neves (a Inconfidência Mineira) que confrontou com a alta hierarquia  tucana, controlada por São Paulo, e sua estratégia para a sucessão. Basicamente o governador  mineiro proclamou que não se submete aos prazos de Serra e  propôs um discurso  mais amplo. Leia-se menos anti-Lula. Como resultado, tucanos de outros estados, aliados do DEM e do PPS, bem como empresários  e até parte da mídia passaram a  fazer o  raciocínio caviloso mediante o qual Aécio tem um tripla vantagem em relação a Serra: a- rompe com a  camisa de força do discurso  neoliberal e pró estado mínimo que degrada irremediavelmente  a candidatura do governador paulista; b- facilita composições estaduais (informais e no nível municipal) com o PMDB, a começar por Minas, e c- pode dar zebra.

Ainda que tratada como zebra, a possibilidade de vitória é extremante otimista, até para Aécio que prefere candidatar-se ao Senado. Seja como for, ele exulta silenciosamente  como  geralmente ocorre em Minas, pelo  fato de não ser mais “o ilustre desconhecido das Alterosas” como era tratado com sarcasmo e truculência  pelos caciques do tucanato paulista. Com sua nova postura,  Aécio pavimenta  a estrada para sua candidatura  em 20014 quando Serra terá 72 anos e Alkmin  não é considerado ameaça.

Além disso, se Aécio mantiver  sua promessa  da candidatar-se ao Senado,  ele fica livre  para  ajudar,  informalmente, a candidatura de seu amigo Ciro Gomes, com quem  toca figurinhas desde sempre. Lembremos que há poucas semanas Ciro disse que  se Aécio for candidato ele  deixa de sê-lo. Mesmo que se trate de puro jogo de cena,  fica evidente  que eles  estão combinados. Em resumo, tudo favorece a candidatura  do ex-governador cearense que , sendo  lulista por adoção, nem por isso deixa de recolher votos à direita (votos serristas) incrustados,  basicamente na “ pequena burguesia” como se dizia antigamente. Não se deve subestimar  esta parcela do eleitorado  e seu efeito sanfona: quando incha ela  chega a ser  chamada de  maioria silenciosa, quando míngua, ainda  assim é considerada o fiel da balança.  É composta basicamente por pessoas que não gostam de  política, muito menos de políticos e, desinformada e moralista, vota por impulso ou na primeira novidade bem marqueteada que aparecer. Foi ela quem elegeu Collor em 89 e poderia ter dado a vitória a Ciro em 2002 se  a candidatura do cearense não tivesse sido  administrada por amadores e se o PT não tivesse abdicado da revolução a tempo.

Registre-se, por fim, que  um dos principais conselheiros e estimuladores de Aécio é César Maia (comandante de fato do DEM) que já foi subversivo, exilado, brizolista e, atualmente, procura desvencilhar-se da pecha de neoliberal. Tudo porque  voltou a sonhar com o governo do Estado, espera herdar os votos de Gabeira (que prefere  candidatar-se ao Senado), mas não quer ficar à direita de Cabral.

14-11-09

Com Aécio, PSDB e DEM tentam
salvar-se do naufrágio de Serra

O dia em que Aécio foi dormir Erasmo Carlos e acordou Júlio César.

Esta matéria pode ser considerada uma continuação da de ontem. O problema, querido leitor, é que nos habituamos a  não suportar a leitura de  mais que vinte linhas de cada vez. Então, que assim seja.

O jovem e insuficientemente conhecido governador Aécio Neves está assuntado. Ao rebelar-se contra a “ditadura”  do PSDB paulista e sua incompreensível estratégia de   protelação do lançamento da candidatura Serra, Aécio queria apenas deixa de ser o eterno coadjuvante. Queria apenas dizer que, como  bom mineiro, não gosta de ir na  garupa. Ou  só desejou, como  Erasmo Carlos,  gritar na beira da estrada: Eu existo!

Entretanto, após o grito, ele verificou apreensivo, que um bando de gente corria em sua direção. Pensou em fugir supondo que seria linchado por uma turba de serristas indignados com sua ousadia. Mas, não: eram tão somente antigos serritas, em debandada, que vinham para ele como quem corre para os braços do Salvador. O jovem Aécio  cruzara o Rubicão  meio que sem o saber. Agora, queira ou não, terá que ser general.

Político, já de sua natureza, não gosta  de  ficar muito tempo  na oposição. E menos ainda  quando todos estão vendo que seu discurso oposicionista está completamente furado  ou obsoleto, para fazermos uma concessão aos acadêmicos. Tucanos e demos  sabem que, mesmo com Aécio, a  possibilidade de derrotar Dilma ou Ciro é bem remota. Entretanto, pelo menos ficam livres do tal discurso obsoleto.

Mas que  obsolescência é esta? É a que advêm  dos seguintes  três fatos simples: a- a Crise Norte-Americana  demonstrou que  os paradigmas neoliberais eram uma tremenda furada  e que estados razoavelmente  musculosos são  imprescindíveis para consertar a esquizofrenia cíclica do Mercado; b- os brasileiro médio ( e Lula  o “analfabeto” viu isto antes que todos) é no fundo um nacionalista,  orgulha-se de suas estatais e  lastima suas recentes privatizações, e c- assim como Getúlio, como Jango, como Perón  e, se quiserem como Chávez e como Obama, Lula é populista sim, o que faz com que as elites torçam o nariz,  mas não impede que ele vença eleições com  os pés nas costas.

E foi assim que Aécio foi dormir Erasmo Carlos e acordou  Júlio César. Aliás, para os que  gostam de analogias e uma pitada de erudição, informamos que Aécio foi o general romano que derrotou Átila.

Veja, logo aí em baixo, a matéria da qual esta é continuação.

13-11-09

Se só tem tu…

A mídia, Globo à frente, começa a namorar Aécio. Poucos ainda acreditam  na viabilidade da candidatura Serra.

Se quiserem, podem dizer que é a vitória da matreirice mineira contra a arrogância e auto-suficiência paulista. E, em parte, é mesmo. Mas insisto em dizer que o que faltou  a Serra  foi  perceber a tempo que seu discurso, muito colado ao de FHC – que virou marco histórico do pensamento  neoliberal brasileiro -, é   um perfeito  desastre eleitoral, nestes tempos  bicudos (para os cara pálidas), quando   estamos ainda  na vigência da grande Crise Norte-Americana. Crise esta que , na verdade, é  a falência do  modelo que privilegiava o  Mercado em detrimento do Estado.

Seja com for, o governador Aécio Neves percebeu isto antes, pulou na frente antes  e   tirou  Serra da pista na primeira curva. O golpe de misericórdia  pode  estar sendo dado agora por atores coadjuvantes: setores do próprio PSDB, Brasil afora, cansados de servir de manobra para projetos estratégicos emanados de São Paulo; a parte majoritária do DEM, que vai de César Maia ao governador José Roberto Arruda, de Brasília e, finalmente, a  grande mídia que, a começar  pelo Globo, já está paquerando Aécio. Sentindo o cheiro do milho, os  empresários vem atrás.

E se matei a cobra, vejam o pau: em sua coluna de ontem, Merval Pereira, escriba-mor da família Marinho (até a semana passada ele ainda defendia Serra) comenta a pesquisa Vox Populi que mostra a queda de Serra combinada com a ascensão de Aécio e reproduz frase do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, para quem “a candidatura do governador mineiro “é mais ampla”, na comparação com a do paulista, evidentemente. Merval conclui afirmando que estas palavras do chefe tucano “ podem indicar novos ventos”.

Em sua edição de hoje  o noticiário  político do Globo é farto em elogios a Aécio e culmina, dando destaque, na coluna de  Ilmar Franco, à tese defendida por Aécio , de que o PSDB deve aproximar-se  dos movimentos sociais (MST incluso) como forma de  quebrar  o monopólio do governo desta área. “O PSDB não pode – diz o candidato – alimentar uma relação de ódio com estes setores”.

Veja, também,matéria logo aí abaixo.

12-11-09

O apagão do discurso tucano

Por que Serra começa a despencar nas pesquisas. A cúpula do PSDB está consciente de que se cair mais  5 pontos, o governador não lança sua candidatura. E está provado que Ciro retira muito mais votos de Serra do que de Dilma.

É ponto pacífico, para os dirigentes do PSDB, para o governador Aécio Neves e para a  ala do DEM comandada por César Maia, que José Serra não se lançará candidato à  presidência se chegar a janeiro com menos de 35 por centos  na média das pesquisas. Só Fernando Henrique Cardoso, inconformado, argumenta que não faz sentido  jogar a toalha quando se é líder nestas  mesmas pesquisas. Ninguém consegue convencer o ex-presidente de que 35 por cento ou um pouco mais é o limite máximo previsto para qualquer candidatura oposicionista (não apenas a de Serra) diante de uma eleição que, por malícia do presidente Lula, já se tornou plebiscitária. O que estará em  julgamento é o modelo  lulista (não confundir com petista), com aroma getulista contra o modelo tucano, leia-se neoliberal, com desagradável cheiro lacerdista.

Compreende-se o inconformismo de FHC: inteligente, ele suspeita  que seu governo ou seu estilo de governar, ou ainda sua ideologia (a dos tempos recentes em que ele esqueceu o que escreveu nos tempos remotos) sejam julgados não só no escrutínio das urnas, mas no da História, o que é desconfortável, insuportável mesmo, para quem aproxima-se dos  oitenta anos muito diferente do que era aos quarenta, exceto  no quesito vaidade.

Há meses venho insistindo neste blog que a grande crise norte-americana deserdou tucanos, tanto políticos como intelectuais, da medula de seu discurso: a idéia do Estado  mínimo e de todo o poder ao Mercado. Tudo isto desmoronou junto com os bancos do “Primeiro Mundo” e a General Motors encampada por Obama. Só FHC e o Jabor não vêm isto.

E por falar em Jabor, vale lembrar que  neste  naufrágio neoliberal  de  tucanos e aliados, restam os escolhos da nossa  galharda grande mídia acostumada a dar pito a  todos os que não  rezassem pela cartilha do Consenso de Washington  ( todo a liberdade para os capitais financeiros)  o que, aliás, está na raiz da grande crise norte-americana. E os escolhos?  O problema é que de tanto inculcar, na  parte incauta (alienada) da classe média brasileira,  a noção de que qualquer desvio nacionalista ou estatizante coloca em risco suas compras e a  Civilização Ocidental, ela, (a grande mídia) acabou pensando como sua vítima e não consegue articular-se para dar respaldo a uma  candidatura que  não seja cem por cento neoliberal. Tornou-se, assim, um obstáculo para políticos aliados,  mas que  desejam modernizar seus discursos.

Segundo o Vox Populi divulgado segunda-feira, Serra caiu quatro pontos (em relação à última pesquisa), para 36 por cento e Dilma, em ascensão,  aparece com 19 por cento (mais 4 pontos). Ciro Gomes, cuja candidatura ainda  não está  definida, aparece  em terceiro, com 13 por cento. O importante, porém, é registrar que  quando se  substitui Serra por Aécio Neves, este aparece com 18 por cento e Ciro pula para  20 por cento, o que comprova a tese que este blog defende, também há meses, de que Ciro retira muito mais votos de Serra do que de Dilma. Por isso, Lula  tem  boa vontade em  relação  a candidatura do ex-governador cearense.

Leia, também, matéria logo aí em baixo.

10-11-09

E agora José?

Aécio Neves anuncia  que não será o vice de Serra.   Já a  queda  do paulista  (- 4 % no Vox Popoli, para 36%), apenas confirma  tendência. Dilma sobe 4 pontos, para 19%. A rejeição da candidata, maior  do que a dos concorrentes, tem explicação singela: quem não gosta de Lula ( 30 % do eleitorado) não vota nela de jeito nenhum.

É dura a vida do político. Ele não pode ser afoito, tem que comer o mingau pelas beiradas, na manha. Mas também não pode ser frouxo e não pode amarelar quando o dever ou a boa oportunidade o chamam. A primeira parte da receita, o governador José Serra vinha cumprindo bem. A segunda nem tanto: não são poucos os tucanos que  lamentam  a claudicação de  seu candidato preferencial à presidência que não sabe se tenta conquistar o Planalto ou  se garante uma reeleição fácil ao governo de São Paulo. Sem falar na irritação da facção  dos Democratas, liderada por César Maia, que se prepara para abandonar o barco, desmanchando tradicional  parceria com o PSDB.

Para sermos justos, é preciso atribuir o mau momento de Serra mais  à fatalidade do que à covardia. Fatalidade que o pega sem discurso  adequado no momento em  que o presidente mais popular da História, impõem uma eleição plebiscitária que, como no passado,  confronta o populismo  de aroma getulista com o moralismo  fariseu de sabor lacerdista. O próprio FHC  percebeu isso, mas, com total inabilidade aprofunda  este viés  ideológico da questão. Sua última mancada foi comparar Lula a Perón, outro campeão de votos, assim como Getúlio.

Tudo isso, no momento em que pesquisas idôneas e uma profusão de teses acadêmicas  dão conta de que  a grande maioria do povo brasileiro é nacionalista, tem orgulho de suas estatais, lastima as  privatizações de passado recente  e  prefere a mão visível do Estado à mão invisível do Mercado como forma de  administrar a economia e  evitar  crises  brutais. Tão brutais como a atual que assola os Estados Unidos, a Europa e o Japão, onde teve vigência,  durante três longas décadas, o fundamentalismo liberal  que chegou a merecer o sugestivo apodo de A Vingança do Capital. São estes raciocínios elementares que  explicam  o fato de  José Serra  estar há um ano patinando na média de 37 por cento da preferência popular e fazem supor e que  este  é  seu teto máximo, eleitoralmente falando.

O governador Aécio Neves percebeu isto a tempo e, se  não saiu à francesa, pulou fora à mineira – como, aliás, este blog antecipou há 15 dias -, enterrando definitivamente o sonho  do tucanato paulista   de tê-lo  como vice na chapa de Serra. Entretanto, Aécio fez mais: deixou claro que o atual discurso do PSDB (leia-se de Serra) é um passaporte carimbado para  derrota eleitoral. E, com elegância, lastimou que  o partido não tenha  examinado  seriamente a  alternativa de sua candidatura que, segundo ele, por não estar contamina pelo excesso  neoliberal, seria imune à  “armadilha” plebiscitária  armada por Lula.

A este  respeito, a mídia  controlada por Serra, fingiu  só ter visto a parte em que Aécio critica  Lula, com muita parcimônia, diga-se, e  ignorou solenemente a essência do episódio: Aécio  largou a alça do caixão.

4-11-09

Com atraso, Noblat confirma: Serra pode não ser candidato.

Quando quer, Ricardo Noblat ainda consegue ser jornalista e transmitir a verdade a seus leitores. Em seu blog de hoje, embora repetindo, com outra arrumação de palavras, tudo o que dissemos  aqui neste blog, ontem, o porta-voz global  do neoliberalismo cumpre o dever elementar de  informar que entre reeleger-se com suposta facilidade  para o  governo de São Paulo  e correr o risco de ser derrotado na campanha presidencial ( por Dilma ou por Ciro), Serra fica com a primeira opção.

O experiente  jornalista só  não disse, mas nós dizemos por ele que a- agindo assim, Serra escancaradamente coloca seu interesse pessoal  acima, já não direi  dos interesses  do país, mas pelo menos do seu partido que está a deriva  em função de sua hesitação  ou, se quiserem, covardia; b- Serra  não teme tanto a máquina do governo na eleição (ele também conta com portentosa  máquina (Governo de São Paulo somado à grande mídia, aos grandes bancos e ao agronegócio): o que ele teme realmente é o  embate ideológico reavivado pela Crise Americana – que restabelece  a importância do papel do Estado para consertar a esquizofrenia do Mercado -, sabendo que seu discurso neoliberal, herdado de FHC,  está em franca obsolescência.

Nobala não explicou, também, por que razão  Aécio, o candidato natural para substituir Serra,  aceitaria ser derrotado  em seu lugar.

Compare os textos de Noblat http://twurl.nl/ocaeif ,  de hoje, com o de nosso blog, de  ontem http://bit.ly/1SuYMG . Leia também matéria da coluna Última Hora.

2-11-09

O pesadelo chinês

Este artigo foi escrito em abril, mas continua válido para explicar   por que os chineses querem livrar-se de seus dólares  em queda livre.  E  há também o Impasse Ecológico em que eles se meteram. Para melhor compreensão leia também “O dólar furado”, na coluna  Última Hora.

No artigo “O dólar furado” de 6-4, eu afirmava que os chineses estão empenhados em convencer seus principais parceiros comerciais a criarem uma nova moeda (cujo peso corresponderia à média dos valores das principais moedas conversíveis), com o objetivo de substituir o dólar na sua função de principal instrumento das trocas internacionais de mercadorias. Uma nova moeda de aceitação internacional, portanto. Isso porque os chineses têm fortes razões para suspeitar que o dólar, cedo ou tarde, perderá a qualidade de “ moeda padrão “, como se tivesse valor invariável. Tudo, em virtude da monumental crise americana, o que faz com que suas dívidas externa e interna atinjam patamares altamente preocupantes, mesmo em se tratando do maior sistema econômico do planeta. Enfim, como notou recentemente o presidente Lula, todos continuam correndo para as letras do Tesouro americano, como se esta fosse a aplicação mais segura do universo. Será? Se não houvesse nenhuma dúvida sobre isto, os chineses não estariam preocupados. Mas eles estão.

Em todo o caso, os americanos acusaram o golpe chinês e contra-atacaram. No último dia 23, o Washington Post publicou um anúncio de página inteira, onde o U.S. Business and Industry Council ( espécie de Confederação das Indústrias), exige que Obama denuncie a China como manipuladora de taxas de câmbio.

O problema é que os norte-americanos já devem aos chineses em torno de US$ 1,trilhão e a dívida cresce ao ritmo vertiginoso de 50 bilhões de dólares por trimestre. Que ela terá que ser paga, não há dúvida. Mas é importante lembrar que os chineses mantêm sua moeda artificialmente desvalorizada e, com isto, conseguem inundar o mundo com suas mercadorias. Assim, eles vão acumulando saldos fantásticos em sua balança comercial e ficam abarrotados de moedas estrangeiras, principalmente dólares que, por sua vez, são aplicados em letras do Tesouro americano. E Washington vai respirando. Enfim, tudo vai bem enquanto tudo vai bem. Mas esta máxima dos arautos do livre mercado transforma-se em uma bobagem como outra qualquer, quando o próprio mercado inverte os sinais e em mais um de seus sucessivos efeitos manada, torna-se fortemente vendedor. É o momento, como o presente, em que as notas verdes, tão desejadas até a véspera, transforma-se em batatas quentes nas mãos dos chineses e outros credores. Todos gostariam de se desfazer dos incômodos dólares, mas falam baixam e andam pisando em ovos, para evitar que a tempestade vire dilúvio. Em todo o caso, é preciso esclarecer que no Brasil o enfraquecimento do dólar é menos sentido, porque, por razões locais e muito particulares – o fluxo e refluxo de aplicações especulativas -, a moeda americana valoriza-se diante do real, sempre que a Bolsa cai.
Quanto aos chineses, é preciso dizer ainda, que a barateza de suas mercadorias deve-se também à bagatelização de sua mão-de-obra. Na verdade, o país de Mao é hoje o maior quadrilátero de extração de mais-valia do planeta.

Mais-valia, esta palavra esquecida na poeira do tempo, mas que continua significando a forma pela qual extrai-se do trabalhador um excedente de trabalho que não lhe é restituído em forma de salário ou outro benefício qualquer. O excedente é, por assim dizer, plasmando na mercadoria produzida e que não pertence ao trabalhador , seu produtor ,mas ao capital que assim – e só assim – acumula. Já para os trabalhadores chineses não há alternativa para seus ínfimos salários, posto que a outra saída seria permanecer no campo, onde a remuneração mal ultrapassa o nível da subsistência elementar. Em outro contexto valeria a pena levantar e estudar melhor a questão do Impasse Ecológico, em cuja direção a China caminha com determinação oriental. Este impasse se instalaria, quando os setecentos milhões de chineses que ainda vivem no campo fossem transferidos para as cidades, como aconteceu com toda sociedade industrialmente avançada, e começassem a sonhar com um carro (por que não dois?) na garagem.

18-9-09

Como conhecer um analfabeto político

Este texto deve ser lido de forma combinada com o que vem imediatamente abaixo dele.

Iniciamos  hoje a  série  Como Conhecer um Analfabeto Político que compõe o perfil desta figura muitas vezes simpática e com a qual convivemos diariamente  no  lar, no  trabalho e no bar. Envie sua colaboração.

1-   O analfabeto político não se cansa de  dar “uma cervejinha” pro guarda, depois   se indigna  com a corrupção policial.

2-   Na fila, ele amaldiçoa o caixa lerdo, mas em nenhum instante supõe que os banqueiros colocam à sua disposição um número insuficiente de caixas.

3-   Se grisalho, ele com certeza  foi defensor  da ditadura, mas  permite que apenas o Bolsonaro confesse isto por ele.

4-  É contra o aumento do salário dos trabalhadores, porque  eleva a inflação e o Custo  Brasil, mas também é  contra a Bolsa Família, porque  é populismo, paternalismo ou  é dar  a vara ao invés de ensinar a pescar . Quer que o povo se exploda.

5-  É contra as cotas, mas  descobre-se negro quando seu filho vai prestar vestibular.

6- Barbeia-se diariamente ao espelho supondo estar barbeando um Kennedy e morre  de ódio, quando, num lampejo de lucidez, vê apenas um Lula.

7-  Não está preparado  psicologicamente para suportar o sucesso, um novo patamar  na  sua vida e   na do País. Tem um pacto secreto com o fracasso  ou simplesmente   teme  uma situação nova. Por isso, o Brasil protagonista da cena mundial o assusta e o irrita. Faz com que ele torça contra.

8- Manda aumentar o muro de seu condomínio  e em nenhum momento estabelece uma relação de causa e efeito entre a violência  urbana, o inchaço da cidade e a ausência secular  de uma política consistente de reforma agrária, de fixação do homem à terra, como os  franceses fazem desde Napoleão.

9- Adora caçar políticos, sem perceber que estes, em  matéria de gatunagem, são fichinhas perto do banqueiros.

10-  Só se lembra da saúde pública quando é traído pelos planos particulares.

18-9-09

Por que os analfabetos políticos
pensam que Lula é analfabeto  

A figura do analfabeto político foi criada por Bertold Brecht para exprimir o burguês letrado, por vezes erudito, que absolutamente não consegue compreender a realidade que o cerca. Não confunda com o alienado que, eventualmente, pode ser  analfabeto de fato. Estamos lidando com uma figura que  exprime muito bem, por vezes em várias línguas, a  total  insipidez  de seus raciocínios.

Vejamos dois casos específicos: Ricardo Noblat e Diogo Mainardi, dois festejados  profissionais da mídia que pensam exatamente como pensam seus  patrões, proprietários de  vetustos veículos de imprensa. Ambos, com suas  tiradas, levam a burguesia brasileira ao delírio.  Não cuidemos de suas personalidades, para poupar o leitor mais apressado. Avancemos diretamente para seus pensamentos sínteses garimpados por nossa equipe após exaustiva pesquisa. De Noblat  recolhemos esta pérola com a qual ele retrata, com traços  de  artista e observado atento, a atual realidade brasileira que  provoca tanto espanto aqui  e tanta admiração lá fora: O presidente da República é um “trapalhão”. Mainardi foi mais específico ao dizer que “o Brasil tem este efeito: nunca consegue inspirar algo que  preste”.|

Nelson Rodrigues criou a frase lapidar ao dizer que “brasileiro tem complexo de vira-lata”. Pensamento que reflete do ponto de vista sociológico e  amplo ( coletivo), algo que  os analistas, definem (no âmbito individual) como  o pacto secreto com o fracasso. O equívoco de mestre Nelson, no entanto, foi o de supor que estava se referindo ao conjunto do povo brasileiro (cuja profissão é a esperança) quando na realidade exprimia um sentimento específico (negativista) das assim chamadas classes dominantes. Classes estas às quais ele pertencia e que jamais  suportaram ter  que ver ao espelho , no ato diário de barbear-se, não um europeu refinado  de olhos azuis, mas “um mulato tacanho”, como elas definem  pejorativamente  o povo, sem perceber,  porque são analfabetas políticas, que estão  se auto-definindo. Noblat e Mainardi gostariam de ver ao  espelho todas as manhãs  o Ted Kennedy. Mas ficam possessos por que  vêem o Lula.

30-10-09

País ultrapassa marco um histórico
A Direita/Jabor chora de esguicho

Com a adesão da Venezuela, MERCOSUL e UNASUL  tornam-se irreversíveis.

Como é comum na História, os contemporâneos  muitas vezes não  percebem que em determinado dia viveram uma situação histórica. No entanto viveram. Machado narra que no dia 15 de novembro de 1889, o conselheiro Aires, como de hábito, passeou pela Rua do Ouvidor até o  Largo de São Francisco. Dalí, ele percebeu que  a uns  duzentos metros, lá pelos lados do Campo de Santana, um turba agitava-se. Não deu importância e, como de hábito,  votou para casa , no Cosme Velho, onde almoçou tranquilamente. Depois, como de hábito dormiu. Só acordou, duas horas depois  quando o mordomo, agitado, veio dizer que a República tinha sido proclamada.

Ontem nasceu a União das Nações Sulamericanas, UNASUL (conseqüência natural e inevitável  da  consolidação, viabilização  material, do MERCOSUL. Isto foi possível com a adesão da Venezuela (praticamente garantida ontem pelo Senado brasileiro) ao mercado comum até agora composto apenas  por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Com o ingresso do país de Chávez,  constrói-se o pilar central de sustentação do bloco econômico que já  nasce  ostentando  títulos importantes: campeão absoluto na produção de  combustíveis fósseis e renováveis,  bem como na  produção de  proteínas tanto vegetais como animais. As duas principais moedas de troca deste Século

A partir de agora a adesão dos demais países do Continente, 12 ao todo, torna-se uma conseqüência  natural como  ocorre com os afluentes menores que, por declive, acorrem para o leito principal. Quando este ciclo se completar teremos uma formidável potência (reconhecida  por toda a mídia mundial à exceção da brasileira), com 17 milhões de  quilômetros quadrados e mais de 400 milhões de habitantes. É um porte suficiente para confrontar, sim, com os outros principais pólos de poder mundial: EUA, China e União Européia. Foi pensando disso que há um mês, Sarkozy e Lula assinaram acordo estratégico de cooperação mútua França/Brasil, Nossos jornais, como sempre, não viram, neste episódio, nada além da “polêmica” compra  dos caças franceses. No entanto, perceber isto, não  requer nenhuma acuidade  especial ou visão histórica estratégica, basta não ser tão alienado ou distraído quanto o conselheiro Aires.

Na seqüência de matérias  logo aí em baixo, você   terá  estes  temas melhor destrinchados. Veja também a coluna Pátria Grande. Antes, porém,  lembremos que neste momento a Direta urra de raiva  por não suportar a evidência de que finalmente o Brasil deu certo. Então, ontem, Jabor, esta instigante simbiose de Nelson Rodrigues  com Carlos Lacerda   disse literalmente, na Globo,  que    diante da derrota representada pela adesão da Venezuela, “só nos resta  sentar na calçada e chorar de esguicho”. Que não seja   por falta de lenço.

20-10-09

Uma visão nacionalista para a América do Sul e para a Amazônia

Veja quem é  e o que pensa o  novo ministro de Assuntos Estratégicos que toma posse hoje.

Há uma semana anunciamos neste blog, cremos que em  primeira mão,  a  nomeação  do novo ministro de Assuntos  Estratégicos, embaixador Samuel Pinheiro  Guimarães Neto. Repetimos a matéria, logo aí abaixo, para  que o leitor tome conhecimento  dos novos rumos, nacionalistas, desta importante pasta.

A estratégia  do País em mãos nacionalistas

Conheça a doutrina do futuro ministro de Assuntos Estratégicos

O futuro ministro de Assuntos Estratégicos, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães (ele foi convidado há três dias pelo presidente Lula), pertence a uma antiga linhagem de profissionais do Itamaraty considerada nacionalista ou antiamericana para os desafetos. Como secretário-geral do  Ministério das  Relações  Exteriores é o  principal  formulador   teórico da política  externa implantada desde o primeiro  mandato de Lula e que substitui a política  de FHC comandada pela turma do “alinhamento automático”  ou pró-americana  idealizada  pelo ex-chanceler  Celso Lafer. O comando da nova política, ficou, evidentemente, a cargo   de  Celso Amorim hoje consagrado internacionalmente e  admirado  até pela  mídia norte-americana. Quanto ao cargo de ministro de  Assuntos Estratégicos, ele está vago há  quase 90 dias,  desde a renúncia de Mangabeira Unger, aquele do sotaque engraçado, que deixou o assento para voltar a lecionar em Harvard, não sem antes ter um  desentendimento amazônico com Marina Silva.

Na verdade, esta vertente nacionalista  de nossa política externa só feio à luz em 2005 quando Lula, durante reunião em Buenos Aires com  o então presidente Néstor Kirschner, realizou importante inflexão  nas relações com os  EUA e declarou  inesperada  e unilateralmente que “retiramos da nossa agenda essa questão da ALCA”.  Essa  questão da ALCA era nada menos que  um projeto longamente  acalentado por Washington  que pretendia implantar um formidável mercado comum  que, sob sua tutela, iria do Alasca à Patagônia. Entretanto, desde a declaração de Buenos Aires, a prioridade absoluta do Itamaraty passou a ser o fortalecimento do MERCOSUL, como passo necessário para a constituição efetiva  da união sul-americana, a UNASUL.

De resto, o desdém e a forma  negativa e grosseira com que  a mídia brasileira trata  questões relacionadas com a integração da America do Sul  decorre do despeito de seus patrões externos inconformados com a frustração da ALCA. Sem ela, os EUA limitam-se a garimpar poucos e avulsos acordos bilaterais de livre comércio, como os que engatinham no Peru e na Colômbia.  E não é por acaso que esta mesma mídia  ataca  ferozmente  aos aliados  do Brasil e  poupa covardemente  o colombiano Uribe que marcha para seu terceiro mandato e o peruano Alan Garcia que  permite uma desvairada devastação  da  parte amazônica  de seu país. Devastação esta  promovida por madeireiras  norte-americanas.

Há 30 dias publicamos neste blog  trechos de um  documento do Itamaraty até então inédito e assinado pelo embaixador  Pinheiro  Guimarães. Vamos publicá-los novamente (veja logo aí abaixo)  em consideração aos  novos  leitores que a cada dia afluem ao Twitter e  ao blog. Estes textos revelam de forma  sintética o pensamento central do futuro ministro de Assuntos Estratégicos.

Eis o documento:

Para o embaixador Pinheiro Guimarães, “o MERCOSUL (a Argentina e o Brasil em particular) enfrentam três desafios de curto prazo no processo de articulação de  um papel autônomo no sistema mundial, multipolar, em gestação: A – Resistir a uma absorção na economia e no bloco político norte-americano, que está avançando rapidamente, de maneira disfarçada, por meio de negociações da ALCA e dos TLCs (tratados de livre comércio) e da dolarização gradual. Benfrentar uma possível intervenção militar externa na  Colômbia e eventualmente em toda a região amazônica. C – Recuperar o controle sobre as políticas, doméstica e externa, no momento sob controle do FMI (e da Organização Mundial do Comércio)”.

Segundo o embaixador, a construção “paciente, persistente e gradual da união política da América do Sul e uma recusa firme e serena de políticas que submetam a região aos interesses estratégicos dos Estados Unidos tem que ser objetivo  da nossa política externa e o MERCOSUL é um instrumento essencial  para  atingir esse objetivo”. E Pinheiro Guimarães ressalta que “MERCOSUL significa Brasil e Argentina, da mesma forma que União Européia  Alemanha e França e Nafta (Mercado Comum Norte-Americano) significa Estados Unidos e Canadá”, para acrescentar “que sem uma cooperação próxima entre Brasil e Argentina, a  ação coordenada no MERCOSUL  seria uma total impossibilidade”.

Uma visão nacionalista para a América do Sul e para a Amazônia

Veja quem é  e o que pensa o  novo ministro de Assuntos Estratégicos que toma posse hoje.

Há  dez dias anunciamos neste blog, cremos que em  primeira mão,  a  nomeação  do novo ministro de Assuntos  Estratégicos, embaixador Samuel Pinheiro  Guimarães Neto. Repetimos a matéria, logo aí abaixo, para  que o leitor tome conhecimento  dos novos rumos, nacionalistas, desta importante pasta.

10-10-09

A estratégia  do País em mãos nacionalistas

Conheça a doutrina do futuro ministro de Assuntos Estratégicos

O futuro ministro de Assuntos Estratégicos, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães (ele foi convidado há três dias pelo presidente Lula), pertence a uma antiga linhagem de profissionais do Itamaraty considerada nacionalista ou antiamericana para os desafetos. Como secretário-geral do  Ministério das  Relações  Exteriores é o  principal  formulador   teórico da política  externa implantada desde o primeiro  mandato de Lula e que substitui a política  de FHC comandada pela turma do “alinhamento automático”  ou pró-americana  idealizada  pelo ex-chanceler  Celso Lafer. O comando da nova política, ficou, evidentemente, a cargo   de  Celso Amorim hoje consagrado internacionalmente e  admirado  até pela  mídia norte-americana. Quanto ao cargo de ministro de  Assuntos Estratégicos, ele está vago há  quase 90 dias,  desde a renúncia de Mangabeira Unger, aquele do sotaque engraçado, que deixou o assento para voltar a lecionar em Harvard, não sem antes ter um  desentendimento amazônico com Marina Silva.

Na verdade, esta vertente nacionalista  de nossa política externa só feio à luz em 2005 quando Lula, durante reunião em Buenos Aires com  o então presidente Néstor Kirschner, realizou importante inflexão  nas relações com os  EUA e declarou  inesperada  e unilateralmente que “retiramos da nossa agenda essa questão da ALCA”.  Essa  questão da ALCA era nada menos que  um projeto longamente  acalentado por Washington  que pretendia implantar um formidável mercado comum  que, sob sua tutela, iria do Alasca à Patagônia. Entretanto, desde a declaração de Buenos Aires, a prioridade absoluta do Itamaraty passou a ser o fortalecimento do MERCOSUL, como passo necessário para a constituição efetiva  da união sul-americana, a UNASUL.

De resto, o desdém e a forma  negativa e grosseira com que  a mídia brasileira trata  questões relacionadas com a integração da America do Sul  decorre do despeito de seus patrões externos inconformados com a frustração da ALCA. Sem ela, os EUA limitam-se a garimpar poucos e avulsos acordos bilaterais de livre comércio, como os que engatinham no Peru e na Colômbia.  E não é por acaso que esta mesma mídia  ataca  ferozmente  aos aliados  do Brasil e  poupa covardemente  o colombiano Uribe que marcha para seu terceiro mandato e o peruano Alan Garcia que  permite uma desvairada devastação  da  parte amazônica  de seu país. Devastação esta  promovida por madeireiras  norte-americanas.

Há 30 dias publicamos neste blog  trechos de um  documento do Itamaraty até então inédito e assinado pelo embaixador  Pinheiro  Guimarães. Vamos publicá-los novamente (veja logo aí abaixo)  em consideração aos  novos  leitores que a cada dia afluem ao Twitter e  ao blog. Estes textos revelam de forma  sintética o pensamento central do futuro ministro de Assuntos Estratégicos.

Eis o documento:

Para o embaixador Pinheiro Guimarães, “o MERCOSUL (a Argentina e o Brasil em particular) enfrentam três desafios de curto prazo no processo de articulação de  um papel autônomo no sistema mundial, multipolar, em gestação: A – Resistir a uma absorção na economia e no bloco político norte-americano, que está avançando rapidamente, de maneira disfarçada, por meio de negociações da ALCA e dos TLCs (tratados de livre comércio) e da dolarização gradual. Benfrentar uma possível intervenção militar externa na  Colômbia e eventualmente em toda a região amazônica. C – Recuperar o controle sobre as políticas, doméstica e externa, no momento sob controle do FMI (e da Organização Mundial do Comércio)”.

Segundo o embaixador, a construção “paciente, persistente e gradual da união política da América do Sul e uma recusa firme e serena de políticas que submetam a região aos interesses estratégicos dos Estados Unidos tem que ser objetivo  da nossa política externa e o MERCOSUL é um instrumento essencial  para  atingir esse objetivo”. E Pinheiro Guimarães ressalta que “MERCOSUL significa Brasil e Argentina, da mesma forma que União Européia  Alemanha e França e Nafta (Mercado Comum Norte-Americano) significa Estados Unidos e Canadá”, para acrescentar “que sem uma cooperação próxima entre Brasil e Argentina, a  ação coordenada no MERCOSUL  seria uma total impossibilidade”.

10-9-09

Sarney e Chávez

Como conhecer um analfabeto político

Iniciamos  hoje a  série  Como Conhecer um Analfabeto Político que compõe o perfil desta figura muitas vezes simpática e com a qual convivemos diariamente  no  lar, no  trabalho e no bar. Envie sua colaboração.

1-       O analfabeto político não se cansa de  dar “uma cervejinha” pro guarda, depois   se indigna  com a corrupção policial.

2-      Na fila, ele amaldiçoa o caixa lerdo, mas em nenhum instante supõe que os banqueiros colocam à sua disposição um número insuficiente de caixas.

3-      Se grisalho, ele com certeza  foi defensor  da ditadura, mas  permite que apenas o Bolsonaro confesse isto por ele.

4-      É contra o aumento do salário dos trabalhadores, porque  eleva a inflação e o Custo  Brasil, mas também é  contra a Bolsa Família, porque  é populismo, paternalismo ou  é dar  a vara ao invés de ensinar a pescar . Quer que o povo se exploda.

5-      É contra as cotas, mas  descobre-se negro quando seu filho vai prestar vestibular.

6-      Barbeia-se diariamente ao espelho supondo estar barbeando um Kennedy e morre  de ódio, quando, num lampejo de lucidez, vê apenas um Lula.

7-      Não está preparado  psicologicamente para suportar o sucesso, um novo patamar  na  sua vida e   na do País. Tem um pacto secreto com o fracasso  ou simplesmente   teme  uma situação nova. Por isso, o Brasil protagonista da cena mundial o assusta e o irrita. Faz com que ele torça contra.

8-      Manda aumentar o muro de seu condomínio  e em nenhum momento estabelece uma relação de causa e efeito entre a violência  urbana, o inchaço da cidade e a ausência secular  de uma política consistente de reforma agrária, de fixação do homem à terra, como os  franceses fazem desde Napoleão.

9-      Adora caçar políticos, sem perceber que estes, em  matéria de gatunagem, são fichinhas perto do banqueiros.

10-   Só se lembra da saúde pública quando é traído pelos planos particulares.

8-10-09

Real valorizado e queda livre do dólar furado

Endividados até o pescoço, os EUA convivem com déficits fatais.

Parece um cenário de sonhos: o Brasil dá adeus à crise e poderá crescer, ano que vem, a níveis chineses de 7%,  a BOVESPA bombando e servindo de referência para as suas congêneres  do Primeiro Mundo. Por fim, capitais tanto especulativos  com produtivos “fugindo” para  esta parte abaixo do Equador em busca  de um porto a salvo das  ventanias que varrem a Europa e os EUA. Meus amigos lulistas dirão que  tudo  isto é mérito do presidente-torneiro que, a seu modo, vai alçando o País a alturas nunca  antes imaginadas. Tudo isto é verdade,  mas apenas pela metade. O dólar despenca não só por nossos méritos,  mas principalmente pelos  defeitos americanos, tanto que despenca no mundo todo.

Ao mesmo tempo, temos que aturar os  especialistas  burgueses que erram com especial contumácia , mas  não perdem a  pose e insistem em seus  palpites, sempre superficiais.  Seus dilemas, agora, consistem em saber  se o atual e  fantástico fluxo de dólares para o Brasil  (o que  provoca a valorização do real)  vai criar as bases de um desenvolvimento sustentado ou se estamos apenas inflando uma perigosa bolha especulativa. Todos acertarão e errarão um pouco,  porque estes dois ingredientes  estão atuando no fenômeno .

Para irmos ao fundo da verdade teríamos que dizer e sustentar que estamos vivendo o que chamo de crepúsculo do modo de produção capitalista. Mas  este tema não cabe neste espaço  nem neste momento e, de resto, ele é tratado  em vários artigos,  que podem ser encontrados  na coluna  Para Entender a Crise. Então, fiquemos com a parte mais superficial, sendo certo que nem ela  chega a ser tocada pelos “especialistas”, a de que estamos assistindo à deterioração do modelo norte-americano de desenvolvimento, paradigma do neoliberalismo e templo do consumismo desvairado articulado com a  destruição ciclópica da Natureza. A verdade simples é que   endividados  até o pescoço, os EUA  convivem com três  doenças  cuja combinação é fatal:  déficit na balança comercial, déficit orçamentário e endividamento vertiginoso do tesouro nacional que já alcançou os 12 trilhões de dólares,  oito vezes o tamanho do PIB brasileiro.  Com poucas palavras,  digamos que eles não  estão fazendo o dever de   casa e ainda não entenderam o  que tanto ensinaram ao resto  do mundo: em economia não há almoço grátis.

Para quem quiser aprofundar  um pouco mais estas questões  há um artigo logo aí abaixo,  O dólar furado que escrevi em abril,  a propósito da reunião dos G-20 em Londres, quando  pela primeira vez foi ventilada a idéia de se  substituir o dólar como   moeda de conversão universal  por outra  mais confiável. O artigo, me parece, continua atual.

O Dólar Furado

Quem leu minha coluna do último dia 2 de abril, há de lembrar que a conclui dizendo que Obama foi discretamente instado por seus colegas do G-20 , durante a reunião de Londres, a primeiro fazer a lição de casa e consertar a economia norte-americana para, só depois, tentar liderar a arrumação da economia mundial. Este fato, aliás, foi solenemente ignorado pela nossa grande mídia.
Entretanto, os grandes jornais brasileiros não puderam deixar de noticiar , ainda que às escondidas nas páginas internas, que , no dia seguinte à reunião, o presidente Lula proporia ao presidente chinês, Hu Jintao, a adoção de um mecanismo que permitisse a utilização das moedas de seus países no seu comercio bilateral. A proposta traz, implícita, a ideia de destronar o dólar como moeda irrestritamente aceita no comercio internacional. O mais surpreendente, porém, foi a pronta adesão de Jintao ao projeto, tanto que ele e Lula agendaram para as próximas semanas uma reunião entre seus respectivos ministros da fazenda, para tratar do assunto, em Pequim. Recorde-se que desde o ano passado Brasil e Argentina já haviam oficializado este mecanismo bilateral.
Em circunstâncias normais, a proposta de Lula aos chineses não seria levada muito a sério e receberia de seu interlocutor um sorriso oriental com o seguinte significado: será que você está com esta bola toda? Mas o chinês tem fortes razões para agarrar-se a propostas desse tipo. A primeira delas é a de que guarda em seus cofres uma quantidade exagerada de títulos tóxicos norte-americanos. Algo que se aproxima do trilhão de dólares. A segunda razão é ainda mais angustiante: as reservas chinesas em moeda americana já bateram na casa dos 2 trilhões de dólares e cresce à razão de 50 bilhões por trimestre, já que os Estados Unidos são , de longe, os maiores compradores de suas mercadorias. Por tudo isso, ainda em Londres, o presidemte do Banco Central chinês, Zhou Xiaochang, diria que seu país contribuiria para o fortalecimento do FMI (anabolizado na reunião do G-20, com uma injeção de um trilhão de dólares para fazer frente à crise mundial), com a condição de que as obrigações do Fundo fossem denominadas em uma nova moeda internacional. Esta nova moeda seria baseada nos Direitos Especiais de Saque do fundo, tradicionalmente garantidos por títulos do Tesouro americano, agora considerados insuficientes. Na verdade, os norte-americanos vinham bancando o Fundo, desde 1944, quando de sua criação em Bretton Wood e, por esta razão, sempre mandaram e desmandaram nele. O acordo de Bretton Wood pode ser descrito como uma reunião semelhante a esta do G-20 agora realizada em Londres. Com ela instalou-se uma nova ordem econômica mundial que garantiu, no Ocidente e sob a hegemonia americana, três décadas de forte crescimento econômico , dando início aos “anos dourados” do pós-guerra , sendo que, tanto naquela época, como se espera agora, a superação da crise inicial foi obtida graças a uma pesada intervenção estatal, inspirada em Lord Keynes, aquele brilhante economista inglês que ensinou aos burgueses de todo o mundo como consertar com a mão visível do estado, os estragos provocados pela mão invisível do mercado. Mas voltemos ao drama chinês.

“Quem amarra, amarrado está”, dizem os mestres de capoeira e a teoria cabe como uma luva nas relações entre credores e devedores. Há três semanas o presidente chinês já havia proposto a criação de uma nova moeda internacional, em substituição ao dólar. Este tema, com certeza, foi discretamente tratado nos bastidores da reunião do G-20. Tratar do assunto em público, mais do que uma gafe, seria uma catástrofe. Seja como for, Hu Jintao está tentando levar sua ideia adiante, já que as batatas estão cada vez mais quentes em suas mãos. Tudo porque os incautos chineses, abandonando milenar sabedoria, deixaram-se encantar pelo principal símbolo do poderio ocidental, um pedaço de papel tingido de verde.

Quanto a transformação do real em moeda conversível, isto soaria, num primeiro momento, como uma típica” malandragem carioca”, o famoso 171, imortalizado pela antiga lenda da venda de bondes a caipiras paulistas e mineiros. Mas o mundo está, digamos, de cabeça para baixo… Além disso, é preciso reconhecer que a moeda brasileira vem mantendo uma suficiente estabilidade, desde sua criação há quatorze anos pela dupla FHC-Malan. Também não há como ignorar as estatísticas que descrevem apenas oscilações suportáveis da moeda desde 1998, quando foi descongelada. Desde então , ela só uma vez bateu nas três unidades por dólar e raramente veio abaixo de 1,5 unidade. Com a inflação brasileira reconhecidamente sob controle, com confortáveis reservas em moedas estrangeiras e com uma balança comercial que ainda não compromete, parece ser esta a hora de os brasileiros começarem a levar a sério a sua própria moeda.
Mas a proposta de Lula a seu colega chinês não deixa de ser mais uma de suas espertezas. Afinal, ninguém pode dizer com segurança qual será o ritmo e a intensidade das oscilações da nossa moeda nos próximos meses. Enquanto isso, os especialistas são unânimes em afirmar que, cedo ou tarde , a China terá que permitir a valorização de sua moeda, mantida artificialmente abaixo de seu verdadeiro peso, para garantir o estupendo desempenho das exportações chinesas. Quem amarra, amarrado está.

1-10-09

Ciro semeia na terra de Serra  

Há dias  comentei neste blog que o bom desempenho de Ciro nas pesquisas ( empate com Dilma), praticamente soterrava as  aspirações presidenciais de Serra. Aí sobreveio a crise de Honduras e o assunto foi deixado lado. Vamos retomá-lo agora, em tópicos que é uma forma de  exercitarmos a capacidade de síntese:

1- Os últimos investimentos, em São Paulo, de Ciro, o Eclético, e de seu  eclético PSB  denunciam sua estratégia. Estamos falando  da  atração de  Paulo Skaf  (FIESP) e de Gabriel Chalita  que sai diretamente do PSDB  para o partido de Arraes. Um será candidato ao governo do Estado  outro  ao Senado. O partido fica contaminado e numa posição contraditória, mas a contradição e da vida e ainda mais da política, a vida vista por uma lupa. E a estratégia? A estratégia é comer na horta do Serra.

2- Vai daí que, como dissemos há dias, Ciro, pelo menos neste primeiro momento, retira muito mais votos de Serra do que de  Dilma. Mais lá na frente é possível  que ele subtraia mais votos de Dilma, principalmente no Nordeste. Mas o fundamental ele já terá feito:  inviabilizou Serra, cujo limite é o de 35% do eleitorado, o que corresponde  ao teto  dos votos  francamente oposicionistas.

3- Neste quadro evidentemente hipotético poderá ocorrer, então, que o eleitorado lulista, muito mais amplo que o eleitorado petista, tenha que escolher entre Serra e Dilma. Um luxo.

4- Tanto Serra como Dilma e  não esqueçamos de Marina, vão aprestar-se  ao eleitorado como continuadores  de Lula, sem os defeitos deste.

5- No caso específico de Ciro, com seu ecletismo funcional, ele recolhe contribuições de afluentes à esquerda e à direita. É evidente que, se eleito, ele não cruzará o Rubicão com destino ao socialismo. Mas isto o presidente Lula Vagas da Silva também não fez.

21-9-09

Os analfabetos políticos atacam de novo

Não conheço este advogado Toffoli. Então, prefiro imaginar que ele  seja tão bom ou tão mau jurista, tão honesto ou tão desonesto quanto, digamos,  o  ministro Gilmar Mendes,  presidente do Supremo. Mas é preciso registrar que ele foi escolhido pela grande mídia (esta fantástica usina de analfabetismo político), como a bola da vez. Cansados de  direcionar  a parte alienada da classe média para a caça ao Sarney o que , afinal, rendeu tão poucos dividendos políticos, os vetustos jornalões nacionais apontam   agora para Toffoli. O modo  como ele reparte os cabelos passou a ser relevante. A intenção evidente  é ganhar mais alguns pontinhos no IBOP para a candidatura Serra.  Existem mil e uma maneiras de se ganhar ou perder uma eleição. A máfia das sete famílias que  monopoliza a informação formal, preferiu esta. Vai perder.

E vai perder, apesar do brilhantismo de alguns  de seus profissionais que, vítimas do próprio veneno, tornam-se eles também analfabetos políticos. É o caso de Ricardo Noblat e Diogo Mainardi, dentre  muitos outros. Seus olhos não são mais olhos de ver. São olhos de distorcer. E quando se sentem impotentes, raivosos, insultam até o presidente.

Sobre o analfabeto político  vou  dizer ainda que  uma das suas características   é a absoluta incapacidade de ver o conjunto das coisas: ele  contempla uma única árvore, sem perceber que  esta perdido na  floresta. A outra característica é a  falta  de senso de proporção. Ele embaralha mi, com bi e com tri. Não vê,  por exemplo,  que os Sarneys da vida  – uma penca deles -, por mais ladrões que sejam (e são), jamais  roubarão tanto quanto um único  banqueiro.

Logo aí em baixo, o querido leitor encontrará outra matéria sobre o  analfabeto político.  A que deu origem à série.

17-9-09

Por que os analfabetos políticos
pensam que Lula é analfabeto  

A figura do analfabeto político foi criada por Bertold Brecht para exprimir o burguês letrado, por vezes erudito, que absolutamente não consegue compreender a realidade que o cerca. Não confunda com o alienado que, eventualmente, pode ser  analfabeto de fato. Estamos lidando com uma figura que  exprime muito bem, por vezes em várias línguas, a  total  insipidez  de seus raciocínios.

Vejamos dois casos específicos: Ricardo Noblat e Diogo Mainardi, dois festejados  profissionais da mídia que pensam exatamente como pensam seus  patrões, proprietários de  vetustos veículos de imprensa. Ambos, com suas  tiradas, levam a burguesia brasileira ao delírio.  Não cuidemos de suas personalidades, para poupar o leitor mais apressado. Avancemos diretamente para seus pensamentos sínteses garimpados por nossa equipe após exaustiva pesquisa. De Noblat  recolhemos esta pérola com a qual ele retrata, com traços  de  artista e observado atento, a atual realidade brasileira que  provoca tanto espanto aqui  e tanta admiração lá fora: O presidente da República é um “trapalhão”. Mainardi foi mais específico ao dizer que “o Brasil tem este efeito: nunca consegue inspirar algo que  preste”.|

Nelson Rodrigues criou a frase lapidar ao dizer que “brasileiro tem complexo de vira-lata”. Pensamento que reflete do ponto de vista sociológico e  amplo ( coletivo), algo que  os analistas, definem (no âmbito individual) como  o pacto secreto com o fracasso. O equívoco de mestre Nelson, no entanto, foi o de supor que estava se referindo ao conjunto do povo brasileiro (cuja profissão é a esperança) quando na realidade exprimia um sentimento específico (negativista) das assim chamadas classes dominantes. Classes estas às quais ele pertencia e que jamais  suportaram ter  que ver ao espelho , no ato diário de barbear-se, não um europeu refinado  de olhos azuis, mas “um mulato tacanho”, como elas definem  pejorativamente  o povo, sem perceber,  porque são analfabetas políticas, que estão  se auto-definindo. Noblat e Mainardi gostariam de ver ao  espelho todas as manhãs  o Ted Kennedy. Mas ficam possessos por que  vêem o Lula.

10-9-09

Pré-sal arruína aliança a

entre Lula e Sérgio Cabral

Lula retira pedido de urgência, mas fica magoado.

Uma das alianças políticas mais bem costuradas e frutíferas da política brasileira está sendo rompida por  causa do Pré-sal. Mais precisamente por causa da redistribuição dos royalties do petróleo que a partir  dos  novos marcos regulatórios propostos por Brasília, contemplarão também os demais estados e não apenas os estados produtores, embora estes mantenham uma situação privilegiada. Os primeiros sintomas da crise  ocorreram segunda-feira quando alguns assessores diretos do presidente começaram a dizer, em tom  jocoso, que  “o Cabral quer transformar o Rio num emirado árabe”. A resposta de Cabral foi aparentemente desproporcional. Passou a articular, abertamente, uma rebelião da bancada do PMDB na Câmara contra o pedido de urgência. Entre seus assessores, o governador diz que  os novos marcos regulatórios são nacionalismo barato.

Ontem à tarde (como este blog informou ontem mesmo) após várias trocas de telefonemas  entre os dois gabinetes, Lula parece ter decidido, então, retirar o pedido de urgência  para a tramitação do projeto de criação do marco regulatório do pré-sal, convencido de que o PMDB estava dividido sobre a questão. Mas exigiu do presidente da Câmara, Michel Temer, que  o assunto seja  resolvido  ainda  este ano, a partir de novembro.  Ao mesmo tempo a direção nacional do PT decidiu  iniciar imediatamente a campanha de mobilização  popular pela aprovação do projeto, nos moldes da campanha do “Petróleo é Nosso” dos tempos de Getúlio.  Na verdade ao fazer o pedido de urgência, Lula   havia corrido um risco calculado. Sabia que de uma forma ou de outra a campanha do  pré-sal ganharia as ruas.

Quem fica em posição delicada é o governador Sérgio Cabral a quem caberá o ônus  pelos contratempos sofridos pelo governo federal. Como primeiro resultado, haverá o fortalecimento da candidatura de  Lindberg Farias, prefeito petista de Nova  Iguaçu ao governo do estado. Dificilmente o PT  fluminense  concordará em retirar esta candidatura, um exigência de Cabral.

O passo em falso do governador do Rio parece ter sido dado  terça-feira,  quando, aconselhado por seu secretário da Fazenda, Joaquim Levy resolveu posicionar-se contra o próprio conteúdo do projeto federal. Ou seja, Cabral é a favor do atual modelo de exploração do petróleo que, entre outras coisas,  não prevê a obrigatoriedade da presença da Petrobras nas jazidas do pré-sal. Foi a gota d’água.

7-9-09

Como o Pré-sal

soterrou Serra

Se os  quarenta anos de análise política me autorizam a dizer alguma coisa, direi que são pequenas as chances de  José Serra  chegar como protagonista ao final  desta novela eleitoral. Foi soterrado pela camada do pré-sal. Ele, sua mídia irada e obsoleta e seus institutos de pesquisa subornados falsificaram tanto os fatos que perderam, eles próprios, o contato com a realidade. Perderam, sobretudo, a  sensibilidade para perceber que nestes tempos de  crise braba, caíram por terra, um a um, os principais paradigmas neoliberais que pareciam indicar o fim das ideologias (uma bobagem cantada aos quatro ventos) e a noção de que estado bom é estado pequeno.

Quando percebeu que a discussão sobre o pré-sal assinalava uma inflexão importante da verdadeira opinião pública (não a publicada pela  máfia das 7 famílias)  em direção ao velho e bom nacionalismo brasileiro e o orgulho ingênuo mas  consistente pelas  realizações nacionais, Serra tentou uma  jogada audaz ( mais ridícula que audaz) e apresentou-se como favorável ao pré-sal,  estatista e esquerdista. Haja cara-de-pau. Mas já era tarde. Como anunciei  há poucos dias  e comentei ainda ontem nas matérias que o leitor poderá ler logo aí em baixo, o eixo eleitoral gira, agora, em torno de Dilma  e Marina com  uma incógnita chamada Ciro Gomes. Se for assim, o mote da campanha girará em torno de quem dará melhor continuidade ao lulismo (não disse petismo). Marina, hábil, assinada em todos seus  pronunciamentos seu respeito, quase amor, pelo presidente e pelo seu ex-partido. A única  discrepância seria a questão ecológica. E sua estratégia é clara:  mostrar-se como um Lula de saias e sem vícios. Dilma terá como única  mas não pequena tarefa a  de ir tocando o PAC e mostrar que tem luz própria. Ciro, o Eclético, fará um pouco de tudo isto, sem tirar o olho do eleitorado conservador de Serra. Quanto ao lulismo, ele representa  80 por cento do mercado eleitoral e ninguém vai querer largar este osso.

6-9-09

Ciro Gomes entre

Dilma e Marina

Ciro Gomes garante que “mesmo constrangido” pelos apelos de Lula (que o quer candidato ao governo de SP), será candidato à presidência. Neste caso ele poderá  evitar a polarização entre Dilma e Marina. Como este blog informou  há três dias, as próximas pesquisas já apontariam um empate técnico entre Serra e  Dilma o que deverá ocorrer ainda este mês. A partir daí,  até pelo efeito do voto útil,  haverá a tendência  do crescimento das duas candidatas  e o esvaziamento de Serra. Consciente disso, o tucano mudou radicalmente sua estratégia, declarou-se a favor do pré-sal e tenta vender-se ( ver coluna de  Merval Pereira no Globo do dia 2), como “candidato de esquerda”. É ridículo, mas é verdade. Tudo isto, como  comentei  neste blog também há três dias, porque o lançamento da Pré-sal reintroduziu  a questão ideológica  na campanha eleitoral A coisa ficou tão feia para os tucanos que até o presidente do PSDB, Sérgio Guerra,  declarou-se estatista!

4-9-09

Oposição aturdida

Tudo o que Lula quer quer é que se crie, no Congresso, um impasse em torno da Petro-sal. Com isso ele evita que  aflorem temas menos simpáticos ao governo. Entretanto, a oposição está tão atordoada que, sem perceber, vai fazendo o jogo do presidente. Isto vem acontecendo, aliás, desde a instalação da CPI da Petrobras, em maio. Tanto esta CPI como a  aprovação da Petro-sal mexem com o inconsciente coletivo do povo brasileiro e seu viés nacionalista. Insensíveis a isto, a mídia e o tucanos vão ajudado o governo quando pensam que o atrapalham. Tudo, enfim, se resume no fato de que a mídia alienada e alienante, supõe que  é opinião publica a opinião por ela publicada.

27 Comentários leave one →
  1. 08/10/2009 12:38 pm

    Olá Chico!

    Eu gostaria de dar uma sugestão para o seu exclente blog: pq vc não posta as materias de forma “individualizada”, com títulos organizados emtags? Eu confesso que fico meio perdido quando quero achar algo que li.

    Tudo de bom!

    Bruno de Souza

  2. 14/11/2009 11:42 am

    Chico,
    Estive aqui e fiquei feliz com seus escritos.
    O nosso país precisaria de muitos chicos espalhados em seu território.
    Ou apenas um chico que chegasse em todos os lares e cabeças.
    Um forte abraço.
    Do seu seguidor do TWITTER Arimatéia Macêdo.

    • franciscobarreira permalink*
      14/11/2009 11:50 am

      Muito abrigado pelo estímulo. Um forte abraço.

  3. 15/11/2009 12:42 am

    Chico,

    Na minha opinião, se Aécio terá que se apresentar quase como um petista (dialogando com os mov. sociais, se dizendo a favor dos programas sociais), acho que entre o original (PT) e o falsificado (PSDB), ficamos com o original.

    Isso me lembra a imagem de Alckmin vestido com a camisa das estatais. Escrevi um texto sobre isso, dizendo que Alckmin naquele momento também tentava se passar por uma espécie de “pós-Lula”: a competência tucana + a manutenção petista das estatais.

    Esse papo de mudar de bandeira no caso de Alckmin foi desastroso.

    No caso de Aécio, não há opção, realmente.

    A chance de funcionar, creio eu que seja somente se o povo brasileiro for extremamente personalista – votar em Aécio pq ele é mais carismático e prometeu fazer um governo parecido com o de Lula.

    O Ciro vem nessa. Aposta na falta de carisma de Dilma. Mas o Ciro é lulista.

    Agora, o Aécio…

    Veremos até que ponto o povo brasileiro identifica o partido por trás de um candidato.

    Não sei… mas se o PSDB começar a ficar com um discurso muito “petista” corre um risco duplo: de o povo optar pelo original (PT) e de ser engolido, à direita, pelo DEMO. Enfim, corre o risco de ficar espremido entre o PT e o DEMO, o que seria fatal para os tucanos.

  4. 25/11/2009 4:19 am

    Aécio querer abandonar o barco liberalóide… é direito dele… É como o Maluf se dizer progressista hoje em dia. Acredita quem quer.

    Agora, o que me incomoda são duas coisas.

    Primeiro: O que é Ciro Gomes? Mereceria meu voto um político que diz que abdica em nome de um tucano privatista como Aécio?

    Segundo: jornalistas, como PHA, dizerem que Lula terá 3 candidatos em 2010: DIlma, Ciro e Aécio.

    Ora, se Aécio virar presidente… o Bornhausen, Agripesuíno Maia, Kassab, Alckmin, Yeda, Arthur Virgilio, Marconi Perillo… toda essa corja vai tomar de assalto o Estado brasileiro.

    Essa conversa de dizer que o Aécio não é do PSDB, mas do PSD de seu avô, é muito romântica mas, ao que me consta, ele está mais para “lacerdista” do que para getulista.

    Que os desavisados caiam nessas manobras do ‘Ser vs. Parecer’, tudo bem. Mas jornalistas e analistas… sinceramente…

  5. 07/12/2009 1:41 pm

    Sobre “A Hora e a Vez da Constituinte” e “Constituinte já”.

    O Presidente Lula vem conseguindo trazer aos brasileiros típicos a imagem de como deveria ser um legítimo governo de fato voltado a eles. O governo Lula certamente tanto incorpora relevantes características de tal governo quanto atua, como nunca antes, pela transição para o mesmo.

    Mais avanços do interesse nacional contra a oposição neoliberalista exigem mudanças mais profundas. A institucionalização de ações e pontos de vista, tanto os atualmente presentes quanto futuros em vindouro governo de esquerda sob Dilma, consiste em avanço decisivo.

    Que venha a nova constituição.

    Bravo Francisco Barreira, por favor continue conosco.

  6. Natalie permalink
    07/12/2009 7:25 pm

    Caro Francisco,

    não entendi por que seria necessário uma Constituinte para resolver, por exemplo, a bandalheira em que está o Congresso, ou a corrupção. Concordo contigo que a corrupção é generalizada, mas já temos instrumentos para lidar com ela. O que falta é vontade. Que Constituição teríamos que fazer para resolver todos os problemas que você aponta? Penso que a falta de solução não tem a ver com nossa Constituição, mas justamente com a não aplicação dela. Gostaria muito de continuar essa conversa com você. Se quiser, escreva para meu e-mail.

    Abraços e obrigada

  7. 08/12/2009 7:35 pm

    concordo em gênero número e grau, constituinte já!

  8. 12/12/2009 9:55 pm

    Nova constituição? Novas Leis? Permitam-me discordar, embora eu deva repeitar as demais opiniões.
    O que garante que os constituintes não serão os mesmos corruptos que estão aí? Acreditamos em contos de fadas ao imaginar que é possível a lei perfeita (ou a constituição perfeita), fruto de nossa tradição legiferante. Ou ainda, que é esta lei perfeita que resolverá os problemas da nossa sociedade.
    Estão aí os exemplos de traição às ideologias e princípios outrora defendidos. Há, o poder, ninguém resiste a ele.
    As leis devem emergir das tradições, costumes e práticas de um povo. Essa será uma boa lei, não aquela idealizada por quem quer que seja, esperando curar todos os males da humanidade.
    Precisamos de uma reforma na nossa ética social e uma revolução no ensino, que preparem as pessoas para pensarem e agirem de forma independente, mas respeitosa aos direitos universais da humanidade, e para exercerem plenamente a cidadania. Um povo destes não pode ser mantido inebriado e enganado, não pode ser mantido inerte. Só assim pode surgir uma boa constituição.
    É como no futebol: como você montaria o seu time? Não gostaria de ter os melhores jogadores? Como tornar o nosso povo melhor preparado para esse jogo? Creio que só há o caminho da boa educação (acho que já ouvi isso de alguém!).
    Enquanto isto, cobremos incisivamente dos governantes, condenemos veementemente os faltosos. Não pode haver impunidade.

  9. 14/12/2009 9:24 pm

    Uma nova constitinte não seria mal. Mas é péssima a ideia de ser ela conduzida pelos que estão aí – paciência. Penso que sua convocação deveria ter objetivos focados em grandes questões mais urgentes, algumas já citadas por você: Reforma Política, Pré-sal, ambientalismo, reforma tributária e Previdenciária.
    Blog: http://tinyurl.com/robcarlos

  10. LEN permalink
    25/12/2009 11:46 pm

    Parabéns pela oração Chico

  11. izidoro de castro permalink
    28/02/2010 2:16 am

    Chico, boa noite!

    Gostei imensamente de teus comentários. Lê-los, permite-nos um novo olhar, um “Observatório Crítico”

  12. 27/03/2010 11:04 pm

    Boa noite, Barreira!

    Admiro suas ideias, mas quanto ao seu pensamento sobre Ciro Gomes não ter discurso, e sua afirmação de que o mesmo defende o estado mínimo, vou ter que discordar de vc! Se olharmos sem paixões políticas, admitiremos, sem dificuldade, que Ciro Gomes é o único dentre os presidenciáveis que tem um verdadeiro programa de governo… Desde Rui Barbosa, aliás, não temos nesse país um candidato tão plenamente capaz de governar essa nação em todas as suas esferas! E sei que vc sabe disso! Basta acompanhar as entrevistas de Ciro ou entrar em seu site! O problema é que ele incomoda muita gente podre que vem apodrecendo também nosso Brasil! Penso que o povo brasileiro não pode mais deixar o bonde passar e ficar só com a esperança! Pense nisso!

  13. 31/03/2010 7:50 pm

    Chico Barreira: prossigo indicando aos tuiteiros do meu modesto terreno a leitura de suas magníficas análises. Magníficas e com certeza polêmicas, porque têm essência e fundamento. Rogo-lhe autorização para divulgar também os preciosos comentários em sites rondonienses, onde deixei um pouco de minhas raízes desde meados dos anos 1970, tempos de correspondente da FSP por lá.

  14. 28/06/2010 3:04 am

    Racha do DEM é imaturidade democrática.
    Incapacidade de acatar vontade da maioria.
    Retrocesso.
    – quem perde;
    – quem não consegue impor suas posições;
    – quem não consegue ficar no controle;

    Apela como adolescente rebelde, sai, vai ou monta um partido onde PODE dar as cartas.
    No caso, parece ser difícil para Cesar Maia ficar num partido onde não tem a última palavra.
    Então cria um onde as prerrogativas serão suas.

  15. Jose Trincheira permalink
    30/07/2010 7:14 pm

    (…) E isto, na mesma semana em que o Vox Populi confirmava a vantagem de cinco por cento de Dilma sobre Serra. (…)

    Barrera, cinco não, oito pontos! OITO !!

    Vox Populi: Dilma abre 8 pontos e lidera com 41%; Serra tem 33%

    http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4582842-EI15314,00-Vox+Populi+Dilma+abre+pontos+e+lidera+com+Serra+tem.html

    Grande abraço!

  16. 11/10/2010 2:09 pm

    Se Marina declarasse apoio a Serra seria como matar Chico Mendes pela segunda vez. Melhor Marina deixar o partido e seguir com sua luta do que apagar toda a sua história de vida.

  17. 04/12/2010 1:09 pm

    Amo este blog com seus textos

  18. 25/12/2010 1:51 pm

    O PSDB não dá mais para Aécio.

    Penso que o PSDB já não cabe mais em Áecio. PSDB de facto é Serra, FHC e companhia. Para mim partidos ideais para Aécio neves ir seriam o PSB ou o PV. PArtidos crescentes na pólitica nacional e que tem uma ideologia, grosseiramente falando, entre o PSDB e o PT. O pensar e o conjunto de ideias de Aécio cairiam como uma luva em um desses dois partidos.

    Como destaque poderia destacar a ideia que Aécio tem em aproximar o PSDB dos movimentos sociais e e sindicatos. O PSDB não tem mais moral perante essas entidades, Se afastou demais dessas entidades ao longo da história. Uma reaproximação soaria como algo falso isento de pretensões verdadeiras. O que não acoocntece com o PV e o PSB.

  19. 04/03/2011 1:31 am

    Chico, muito interessante seus textos de 27 e 28/02/11, sobre o capital financeiro e a crise atual do capitalismo!
    Vou enviar o link para alguns alunos/turmas, quando estivermos abordando essas questões (capitalismo, Estado, capital financeiro etc)!
    Vamos dialogando!!
    Parabéns!!

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