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Só Poesia

Esta coluna é só isso. Só poesia


O PIOR CASTIGO

Por
Ana Moura

Numa escala de zero a dez, sou sentimental nível dezenove. Hoje é o “Dia da Saudade” e refletir sobre ela, pareceu-me muito apropriado. 

A palavra saudade é um substantivo abstrato que existe apenas em português e gaulês. Sua origem é do latim “solitate” (solidão). E a saudade nos faz sentir assim, sozinhos.

Outros idiomas não conseguem traduzir seu significado pungente: te extraño (castelhano), J’ai regret (francês), Ich vermisse dish (alemão), homesickness e to miss (inglês) expressam o sentido, não o sentimento. 

Saudade está relacionada à tristeza, à melancolia, à falta de alguém, de algo ou de um lugar. Em suma, é um sentimento de privação. Trata-se de um desconforto, muitas vezes físico, pela impossibilidade de se reaver o que já se teve. Sempre digo “a pior saudade é a do que já não existe mais”. É um sentimento fisiológico e visceral, a única maneira de eliminá-lo é reencontrando o objeto de desejo.  Se existe algo delicioso é poder matar a tal da saudade!

Muitos autores da língua portuguesa, “última flor do Lácio, inculta e bela”, utilizaram com primazia a palavra em verso e prosa, mas um deles, genial e preciso, definiu o sentimento de maneira antropomórfica, falando de um pedaço amputado. Só quem viveu certas dores, poderá entender. 

Nesse “Dia da Saudade”, num momento em que três prédios ruíram no Rio de Janeiro, outrora Cidade Maravilhosa (ai, que saudade), em que a violência dizima a vida de jovens queridos, em que as relações humanas estão perdendo o afeto, deixo para vocês a obra prima de Chico Buarque, que fala tudo, absolutamente tudo, o que eu adoraria dizer sobre esse sentimento tão  bonito e humano. 
 
Pedaço de Mim
 

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

 Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais 
 
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu 
 

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

 Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus 
 
 
 

04-12-11

Pássaro livre

Por
Jaqueline Luz

Ando descalça sobre a estrada escura.
Mãos atadas, pés sangrando.
Continuo a caminhar.

Tanta história para contar
Tantas canções para cantar
Tantas lágrimas que caem.

Só em uma multidão.
Prece, vela e voz.
Milagres existem?
Então, desate esse nó?
Coração sangra.
Estou no vento,
Na tempestade,
Não tenho onde me agarrar.
Estou voando…
Na Claridade solar
e na luz da lua.
Viajo da primavera ao inverno,
Do norte ao oeste.

Nada me prende.
Sou pássaro livre,
Que voa para aprisionar.

22-11-11

Um herói chamado Gianecchini

Por
Ana Moura

Os heróis não têm medo da morte nem da feiúra. Heróis nascem da necessidade de viver ou de salvar os “fracos e oprimidos”.

Quando vi o Gianecchini, um dos homens mais bonitos e sensuais do Brasil, se expondo na TV, careca, inchado, falando de sua doença com a tranquilidade de um monge, sem nenhum receio de contar o que está vivendo e o que o espera nos próximos meses, eu o admirei. Ali não estava o galã, o ator, o homem que sofreu com o maior número de fofocas sobre astros na história recente, quem falava era o ser humano, abatido pelo infortúnio, porém forte diante de sua tragédia.

Não é possível saber o final de sua história, mas seja ela qual for, esse moço já deixou um legado acima da média, do esperado, do factível.

A vaidade costuma danificar os humanos, seja pela beleza ou pela falta dela, seja pelo talento reconhecido ou pela necessidade de reconhecimento. Fato é que a vaidade pode consumir muito de nossa existência, fazendo de nós pessoas pequenas e de valores medíocres.

Recentemente, assisti a uma entrevista desse artista, ele estava na minha cidade e a concedeu para uma rede de TV local. Nela ele falou muito sobre os preconceitos que sofreu ao longo da carreira, justamente por ser bonito. Além da eterna fama de homossexual, as críticas ao relacionamento com a Marília Gabriela, enfim, muita polêmica, totalmente desnecessária, afinal, vida pública não tem nada a ver com a privada.

Depois de passar por esse Inferno de Dante, nome de um de seus famosos personagens, ele finalmente obtém a condescendência daqueles que só o criticavam. Foi preciso deixar de ser sexy, para ser bem quisto e visto.

Nasce um herói que demonstra que um rosto bonito pode esconder uma alma idem!

15-09-11

Entre ruínas e retornos

 Por Cláudia Costa
 
As vezes nosso mundo despenca
Se desfaz completamente
E a gente
Enlouquece, entristece, adoece

Daí vem a vida
Essa insana travessa
Sai colocando a nossa volta
Pequenas coisas imensas
Em outras formas.

Quando finalmente
A gente consegue
Olhar novamente pros lados
Não entende nada…

O mundo ruiu,
Quebrou
E se transformou 
Nesse desconhecido
Onde você não se sente inserido
Não se reconhece.

Esquece!

Deixa de lado o passado
E abraça
Esse gigante inusitado
Que te espera.

Acredite…
É a sua melhor oferta.

17-08-11

Por
Cláudia Costa

Molhada

Trancada por dentro
A voz travada
O sorriso distante
A vida ao meio
 
Até caírem os pingos
Gelados, do dia sombrio
Fazendo coro
Com o maremoto
Que ela se esforçava
Para disfarçar.

Encharcada 
Libertou-se…
Misturou  tempestades
E tormentas

Deixou as águas de fora
Lavarem o corpo por dentro.
 
 
Eu te amo em vermelho
Porque toda vez que te vejo meus olhos brilham
Faíscas de sentimentos saem do meu ser
Nem eu sei explicar porque
Mas minhas fichas caíram
E percebi isso:
Te Amo assim, inteiro!

Amo de um jeito solto
Que sente uma saudade danada
Mas que vive bem, mesmo de longe
Só de lembrar da tua gargalhada.

Logo eu, que era gelada
Com você me aqueci
Assim, do nada.

Aproveitei o inverno
As brincadeiras
E me fiz de sol pra ti
Que se fez fogueira
Pra mim.

Nem imagino porque te amo
Mas amo sem pestanejar
Basta teu sussurro
E eu largo tudo
Pra te encontrar.

És um quê de espelho
Tens um mistério lunar
Um tom de vermelho
Que dana de me queimar

Eu, sempre atrevida,
Sempre gostei de brincar com fogo
Pular labareda
Olhar de esguelha
E saciar a vida.

Mas gata escaldada
Acha graça de Lobo Mau
E faz piada
Satiriza o tal amor

Contigo, derreti o gelo
Queimei em brasa
Me afoguei na emoção
Da nossa história inventada

Quebrei meus muros
Te trouxe pra perto
Aqui, pra dentro
Do meu mundo.

Somos dois teimosos
Que se adoram
Pelos lados mais sombrios.

Agora, quando lembro
Só penso no vermelho
Aquele, fogo
Que também derreteu comigo…

25-06-11

Confesso

Por Thatiana Vaz

Nunca fui sozinha, sempre tive minhas neuras e minha poesia pra me acompanharem

Nunca fui mesquinha, escrevendo palavras divido o que sei, sinto e aconteço sem cessar

Nunca fui tímida, só não olhava nos olhos de quem podia me cegar

Nunca fui indiferente, somente resistente diante dos que não sabiam amar

Nunca fui carente, talvez um pouco indolente, mas pra quê confessar?

Sempre tive cabelos longos pra esconder meu rosto quando a brisa soprar

Sempre fui superlativa, super ativa, super a deriva nesse alto mar

Mas posso afirmar que nunca fui compreendida com toda minha ciclotímia de me apaixonar…

Por coisas que somente EU consigo enxergar!

14-06-11

Minhas Marcas Roxas

Por Thatiana Vaz

O tempo nada significa diante da minha vontade de tê-lo ao meu lado mais uma vez, eu e esse desejo de morrer de paixão, de olhos brilhando e coração nas mãos.

Me chamem de boba, louca ou tola, porém nada importa mais pra mim do que ter esses sonhos do meu corpo depositados em teu abraço, entregues na tua boca,  em nossos passos, em nossos traços, tantas vezes raros, tanta vezes subseqüentes, tantas vezes malevolentes e tantas vezes resistentes.

Quero me afogar no teu sorriso, bem fundo, lá no fundo onde eu possa me perder e me encontrar inúmeras vezes em nossas madrugadas de sol. Porque você é possuidor do riso mais lindo, daquele riso contido e espalhado que me atormenta, que me acalenta, que me desnuda e me esquenta nos meus dias mais frios.

Porque você estimula minha dopamina, serotonina e endorfina, minhas neuras e minhas rimas, me fazendo ficar dentro e fora de mim.

Porque você fez da minha alma tua morada, do meu peito teu refúgio, da minha cama a tua estrada.

Porque sem você sou só meio, meio vida, meio morte, meio verso, meio sorte, meio rio, meio mar, me sinto perdida em algum lugar entre teus olhos e meu desespero.

O tempo está começando a deixar suas marcas em meu corpo, aquelas marcas roxas de saudades.

12-06-11

A saudade do sonho

Por Thatiana Vaz

Só eu sei o tamanho da minha Saudade!
Só eu sei o quanto dói em mim a tua ausência
Escrever foi uma forma que encontrei para que pudesse ler o que vai em meu coração
Queria ser do tamanho do meu silêncio com todos os seus becos estreitos e frios
Queria te dizer que tudo clareia em tua presença
Que tua falta me causa dor física
Que eu daria tudo pra ser aquela brisa que acaricia tua face quando dirige teu carro
Que a falta das hóstias dos teus beijos em meus lábios me deixam com a boca amarga
Que sinto falta do afago das tuas mãos
Dos teus sorrisos múltiplos
Do tom da tua voz
Do som da tua respiração acalmada e acelerada em meu ouvido
Queria dizer que sinto falta, que sinto muita falta, que jamais esqueço e nem quero, porque essa saudade de alguma forma me conforta e te traz pra mais perto de mim, pois ela me permite sonhar, e como já te disse antes… O sonho as vezes me dá o que a minha realidade me nega.

10-06-11

Sonhar e sonhar…

Por Thatiana Vaz

Nossas expectativas se renovam dia após dia, nos entristecemos, nascemos, morremos, pessoas vem, pessoas vão, encontramos a quem amar, perdemos quem amamos…
Ficamos felizes, sentimos mágoas, medo e dor, alegrias, euforias e desejos…
Vem um dia depois do outro com uma noite no meio, as horas passam, o tempo passa, amadurecemos, nos refazemos, nos reinventamos, renascemos e sempre sonhamos…
Taí a maravilha  de ser humano, de ver humano, de ser gente, de estar com gente, de erguer nossos olhos e sempre ter esperança, cultivar aquele punhadinho de fé dentro de nós mesmos e saí por aí espalhando pelo mundo.
Sonhar e sonhar e sonhar e depois de tudo sonhar de novo, cultivar sempre a vontade de um tempo bom que há por vir, derramar em nossas vidas segredos doces, magia na sinceridade, verdade em olhares, luz frente a problemas, delicadezas de palavras doces com singelezas de carinhos, ter nos olhos a certeza que sempre existirá afetos ritimados mesclados em saudade leve.
E os que foram? São nossos anjos, vivendo eternamente em nossos corações.

9 Comentários leave one →
  1. 10/06/2011 12:56 pm

    Que delícia e que honra estrear aqui na sua nova página amigo Francisco.
    Que nossa parceria seja consolidadora de uma amizade linda e permanente que está por vir!!

    beijos doces!

  2. 11/06/2011 12:00 am

    Chico e Thati,

    parabéns!
    Amigo, pela excelente iniciativa!
    Amiga, pelo texto comovente e sonhador :)

    beijos
    @aninha_p

  3. regina conceição gomes de barros permalink
    11/06/2011 1:40 am

    sabio no falar,humano para poetizar,esperiencias para espalhar,carinho para doar,esperança a dispertar,o que traz é bem vindo,enquanto existir quem as escreva ,significa que o mundo tem soluçãop!PAZ!!!

  4. 11/06/2011 5:19 pm

    Obrigada a todos, de coração! Mérito todo é do Francisco pela linda iniciativa!!
    Muito Sol na vida de todos nós!

    Thatiana Vaz
    http://petalasdesentimentos.blogspot.com/

  5. 12/06/2011 2:30 am

    Thatiana, o homem precisar sonhar sempre, nunca perdendo essa capacidade que é vital.

    Parabéns, ao Francisco pela iniciativa dessa coluna maravilhosa, ‘Só Poesia’, que inicia com expectativas de sucesso pela graciosidade da jovem Thatiana e sua capacidade de sonhar…

    Maravilhoso! Felicidades!

    @soniasalim

  6. 13/06/2011 11:39 pm

    Querida @soniasalim ,
    Sonhar é direito e dever de todos nós, é um bem imensurável que nos fazem melhores, que nos permitem galgar objetivos e tocar o que ontem seria impossível!
    Será sempre bem vinda em meu jardim, entre minhas pétalas e o Francisco é quem nos rega nos proporcionando esse espaço lindo!!
    beijos doces e acarinhados em teu coração!

    Thatiana Vaz
    http://petalasdesentimentos.blogspot.com/

  7. 19/08/2011 4:59 pm

    Querido amigo e Mestre das palavras (porque nos serve de inspiração, reflexão e admiração).

    Como leitora assídua do “Fatos”, parabenizo-o pela coluna poética em meio a tanta realidade crua e aproveito para expressar a minha honra e gratidão em também figurar aqui.

    Bom demais também foi encontrar aqui os textos da talentosíssima Thatiana Vaz, motivo a mais de honra e alegria.

    Muita luz e sucesso para todos nós!!

  8. 28/11/2011 5:58 pm

    parabens ,por este texto tao comovente…………….!!!!!!!!!!!!!

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