Pular para o conteúdo

Terceiro Setor

 22-11-11

A Grande Crise: Perguntas e respostas simples

Uma amiga do Twitter me enviou dez perguntas sobre a Crise Econômica. É para um trabalho escolar. Reproduzo aqui perguntas e respotas que podem ser úteis para outros estudantes.

Oi querida

Respostas

1- Quais motivos que você aponta para a crise na Europa?

A Crise da Europa é uma extensão da Crise America de 2008 que, por sua vez, é uma  crise Global do Capital Financeiro que afeta, nesta primeira fase, os países do Chamado Primeiro Mundo.

 2-Na sua opinião, por que motivo a Grécia, Espanha e Itália foram os primeiros países a sofrer a crise no continente europeu?

Porque estes são os países com as finanças internas mais desorganizadas, principalmente a Grécia e com uma dívida superior à capacidade de pagamento  no curto e médio prazos.

 3- Aém deles, quais serão os países europeus mais afetados?

A Hungria acaba de  pedir auxilio ao FMI e os bancos franceses, principais credores da Itália e da Grécia, também estão balançando.

 4- Em que medida e como a crise deve afetar os países da América Latina?

Na medida em que restringe nossa clientela para nossos  produtos tanto industriais, como principalmente,  primários, as commodities:  minérios, açúcar/álcool, soja, carnes, etc.

 5- A”marolinha” tem potencial para se transformar em um tsunami?

No Brasil o perigo é menor porque contamos com nosso mercado interno e com o intercâmbio crescente com  o MERCOSUL e, por enquanto, com a China. Quando e se  a China entrar em crise e restringir suas importações ai o tsunami  torna-se mais  provável.

6- Quais medidas o governo Dilma tem tomado para proteger o país?

Tem procurado aumentar o consumo interno, com redução dos juros e, mais recentemente, agiu com força no câmbio, para sustar a excessiva valorização do Real. Valorização esta que inibia nossas exportações e estimulava as importações, provocando desindustrialização e desemprego.

7-     Para a população, quais são os principais efeitos da crise?

Os óbvios:  Desemprego e falta de oportunidades. E estrangulamento ainda maior da infra-estrutura.

8-     Quais medidas seriam mais eficazes no momento para produzir resultados que minimizem os efeitos da crise? As experiências adquiridas em crises passadas podem contribuir para solucionar questões da conjuntura atual?

Não há muito mais que fazer além do que já está sendo feito.   Entretanto, falta, ainda, diminuir os gastos do Governo. É preciso gastar menos e melhor.

9-     Em sua avaliação, o mercado interno brasileiro tem potencial para alavancar de vez a economia nacional, tornando-se o pilar mais sólido de um crescimento sustentável de longo prazo no modelo americano?

Aliado ao MERCOSUL, sim.

10- O Brasil tem apresentado desenvolvimento econômico que o coloca como líder na América Latina. Em 73 ele apresentava quadro semelhante. A crise do petróleo afetou e atrasou a economia brasileira. Que comparativo faz hoje em relação a este período?

Em 73 nossa dívida era proporcionalmente maior. Não tínhamos grandes reservas monetárias como hoje (U$ 350 bilhões) E nossa indústria é, hoje, mais sofisticada e  diversificada.

Para ampliar  ou  ilustrar melhor as respostas, você pode ler e usar trechos das  colunas A Pátria Grande,  O Grande  Debate e Para Entender a Crise.

Abraços.

09-06-11

Nota da Redação

Neste importante artigo, Sandra Campos não fala  em  transfomações sociais e etruturais na forma como são defendidas por este blog. Nós entendemos, por exemplo,  que acima da  famosa Tropa de Elite existe uma oculta Elite da Tropa que, há séculos,  domina e eventualmente  massacra o povo.

 E não deixa de ser significativo que, neste exato momento, o Governo do Estado do Rio  usa sua  elite armada para prender,  de uma só vez, 400 bombeiros  mal remunerados.

Mas  a autora revela o esssencial: a necessidade de se compreender que a repressão é apenas um dos aspectos do combate à violência. E revela, sobretudo, que os aspectos mais importantes talvez estejam dentro de nós mesmos.

A vida imita a ate. Tropa de Elite ou Elite da Tropa 

Por Sandra Campos Pugno

O filme Tropa de Elite II, traz uma mensagem que poucos perceberam, e ela é importantíssima. Os números do crescimento da população carcerária brasileira que é assustador. Fiquei muito impressionada. Fui pesquisar os dados apresentados no filme e descobri que eles eram verdadeiros e isso afeta a todos nós Brasileiros, que devíamos estar desesperados.

O que mais me impressionou é que liguei para mais de dez pessoas que assistiram ao filme e ninguém se lembrava do que eu estava falando. Estes dados são passados logo no inicio do filme e é a parte mais importante e significativa do filme, que mostra uma realidade que temos que enfrentar. Não estou dizendo que temos que perdoar quem comete um crime, estou dizendo é que há muito mais a ser feito do que  simplesmente prender ou matar criminosos.

A vida imita a arte. Estamos matando e prendendo com  crescente competência. E  o crime cresce na mesma proporção.

Vamos aproveitar o sucesso do filme e a boa vontade dos atores para conscientizar todas as pessoas de bem, da situação que temos pela frente! Quando você ler esse artigo você também passará a responsável, como eu me tornei ao escreve-lo!

Dados apresentados no Filme Trepa de Elite II:

Em 1996 a população carcerária era de 148.000 presos – Em 2006 a população carcerária era de 400.000 presos mais que o dobro.

Segundo o alerta do filme, a população Brasileira carcerária mais que dobra, quase triplica, a cada 8 anos, enquanto que a população Brasileira, que é a soma de tudo, incluindo nós que estamos do lado de fora, dobra a cada 50 anos.

Seguindo estas estatísticas, a estimativa é de que no ano de 2081 a População Brasileira Total deverá ser 570.000.000 e a População Carcerária Prevista deverá ser 510.000.000 ou seja  90% dos Brasileiros estarão presos.

Fora da cadeia, sobram somente 60.000.000. Sei que ainda é muito, porém o número de presos é bem maior. Se o crime continuar crescendo e continuarmos deixando que outros se preocupem em nosso lugar, com certeza um dia não terá mais lugar para a nossa preocupação com este assunto, pois pode ser que passemos a fazer parte do assunto.

A população carcerária do Brasil cresceu quase 150% em uma década (http://www.expressomt.com.br/noticia.asp?cod=95200&codDep=2,). Hoje o Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo, atrás somente dos Estados Unidos, com 2.297.400 de pessoas presas, e China, com 1.620.000, a situação realmente é preocupante.

Sinceramente, eu jamais havia parado para me preocupar com essa situação. Nunca entrei em um presídio, nunca vivi a humilhação que as famílias passam para visitar um preso, porém não foi a família que cometeu o crime e com certeza não tinha que passar por tudo aquilo para visitar um parente. Se um filho meu fosse preso, com certeza eu daria minha vida, se possível fosse, para tira-lo de lá, pois a cadeia é o pior local do mundo em que um ser humano pode ser colocado.

Eu fui assaltada sete vezes e muitas vezes vi nos olhos das pessoas que me assaltaram que elas não tinham opção. Muitas vezes a pessoa é realmente empurrada para a vida do crime. Sei que este é um assunto muito complicado e que cada pessoa tem uma opinião diferente, porém o problema existe e não podemos nos omitir. Temos (sociedade civil) que nos unir com o poder público, direitos humanos, entidades de classe e, principalmente, as igrejas para acharmos uma solução antes que seja tarde demais, temos que cobrar uma solução, não adianta fazermos apenas um  movimento depois que as pessoas morrem vitimas do crime que faz vitimas todos os dias.

No Brasil ainda temos a triste e real estatística anual de 570.000 meninas entre 10 e 14 anos que são mães, que provavelmente vão ser mãe novamente e serão excluídas do mercado de trabalho. Os Pais destas crianças também são adolescentes, muitas vezes de classe social muito baixa e com pouca cultura, que vêem seus pais ganhando um salário mínimo cada um, saindo de casa às três ou quatro horas da manhã e retornando ao anoitecer, envelhecendo muito rápido com migalhas, passando necessidade.

Enquanto isso, o “bandido” tem poder, fica em casa, acorda ao meio dia, tem as mais lindas garotas do bairro, tem carro, tem tênis de marca, tem dinheiro para comprar coisas boas no mercado, vai ao shopping, cinema, lanchonetes com os amigos, esbanja comprando roupas de marca, sai para curtir o fim de semana na praia, tem dinheiro para esbanjar!

Quando este mesmo adolescente de família carente compara a renda de sua família, que é de R$ 1.300,00 e vivem passando necessidades, com agua e luz na eminência do corte, quando não tem um “gato” para ter a energia elétrica, na maioria das vezes moram de aluguel ou numa casa bem humilde, jamais vão ter um carro, a mistura é algo muito raro no prato da familia, o material escolar é o que vem no kit do governo, ele torna-se uma presa fácil para o crime, pois esse jovem tem sonhos e ele acha que o crime fará com que ele alcance mais rápido esse mundo, onde ele será o dono da verdade e quando ele entra é um mundo sem volta.

É aqui que entra o cooperativismo.   Através do cooperativismo estes mesmos trabalhadores podem trabalhar próximos às suas comunidades, levando uma vida mais tranquila e recebendo uma remuneração mais digna e compatível.  Desta forma, pais participarão mais da vida de seus filhos, mesmo estando trabalhando.  O cooperativismo é uma grande ferramenta de inclusão social e resgate da cidadania, como todos sabem, mas precisa de espaço para agir, precisa de apoio e incentivo da iniciativa pública, enfim, precisa da ação de grandes benfeitores para que consiga atingir estes necessitados, que muitas vezes desconhecem esta opção ou têm uma visão deturpada da mesma.

Bom, fazer um texto e ficar se lamentando atrás de um computador também não resolve muito, vou levantar da cadeira e mostrar os números a pessoas que como eu estejam dispostas a mudar a realidade!

Não sou dona da verdade, mas estou disposta a conhecer pessoas que saibam muito mais que eu. Acho que esportes, trabalho, educação, cultura, amor e, principalmente, Deus no coração desses adolescentes pode ajudar muito.

Vamos nos unir para fazer com que os dados apresentados no filme virem apenas ficção!

Não estou dizendo que a pessoa que comete um crime não deva pagar pelo que ela fez e não incentivo que ninguém faça nada de errado. Mas vamos incentivar as pessoas a não entrarem na vida do crime, e sobretudo, criar as condições para que o crime  não seja, muitas vezes,  a  saída mais fácil ou tentadora.

 26-04-11

Duas novas estatais no forno de Dona Dilma

Os leitores que seguem este blog  há mais tempo talvez lembrem que ainda no ano passado, durante a campanha eleitoral, dizíamos que no governo de Dilma Rousseff seriam criadas algumas estatais de grande porte, não pelo simples gozo do exercício estatizante mas como solução logística (pontual) ou por questões estratégicas.

Chegamos a citar, então, a ressurreição da Telebras, para implantação do projeto nacional de  banda larga, e da  empresa destinada a projetar e supervisionar a  construção das primeiras linhas do trem bala – logística pontual.

 E falamos também na criação de uma fábrica nacional de motores e uma empresa de  pesquisa tecnologica  avançada, porém articulada com a produção – questão estratégica.

Os dois primeiros exemplos citados já se consumaram (Telebras e Trem Bala) e agora, a viagem da presidenta à China foi o ensejo  para as prováveis viabilizações da fábrica de motores com autonomia tecnológica e de projetos, e a empresa de desenvolvimento científico e  tecnológico, a “Embrapa da Indústria”.

Ainda  em Pequim  a própria presidenta  Dilma anunciou o mega projeto  da empresa  Foxconn (taiwnesa, com vínculos chineses) que pretende  produzir no Brasil displays digitais utilizados na fabricação de celulares, tablets, computadores e TVs. O total dos investimentos  chega  a estonteantes 12 bilhões de dólares.

Mas aí vem o pulo do cado: os chinenes entrariam com apenas 40% desse total. O restante (a maior parte) fica por conta de eventuais parceiros privados brasileiros e do tadicional financiamento, de pai para filho, sempre concedido pelo bendito e inesgotável BNDES. Isto sem falar nas inevitáveis beneces do tipo doação de terrenos, isenção de impostos, etc.

Daí, a pergunta óbvia: se temos  sete ou  oito  bilhões de dólares para nos associarmos aos chineses da Foxconn, por que, sem prejuizo deste empreendimento, não  aplicamos soma igual em  desenvolvimento tecnológico,  para nos livramos da eterna dependência de tecnologias alheias?

O minsto Aloizio Mercadante, da Ciência e Tcnologia, que  acompanhou as negociações  na China, dá a dica e faz o anúncio: “Nós precisamos, agora, criar a Embrapa da indústria”, numa alusão à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

A vantagem dessa estatal é a de que além de ser rentável e, portanto, autofinanciável, ela articulará os  investimentos que o Estado já realiza com pesquisas, só que de forma pulverizada e desarticulada.

 Mas a principal função da estatal será a de promover uma ligação rápida e funcional entre os centros de pesquisa os setores de produção e serviços. Um dos grandes problemas da pesquisa brasileira e a dispersão somada à redundância.

Quanto à implantação de uma fábrica de motores genuinamente  nacional (não se trata de reinventar a roda como dizem alguns gaiatos  neoliberais) que nos livre do vexame de  sermos  o quarto  maior produtor e consumidor de automóveis e não possuirmos uma única  marca brasileira, a resposta veio igualmente da China.

Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, coloca a questão nos segutes termos: “Não queremos simplesmente a transferência de tecnologia, mas uma espécie de criação conjunta de produtos.”

E deu um exemplo pratico:”A indústria automobilística chinesa quer entrar no Brasil? Então, por que não produzir um carro sino-brasileiro?”

Neste caso específico, o governo pretende  estimular a  associação de capitais privados brasilerios aos empreendimentos chineses. Mas se não conseguir comover nenhum  dos nossos “capitães da indústria”, fará investimentos diretos, mesmo  que, mais tarde, se retire do negócio.

Afinal, a Embraer, por exemplo, se não tivese nascido estatal, não seria  a potência que  é  hoje. Provavelmente  nem existiria.

É claro que  quando se atinge  um nível de preconceito a ponto de inviabilizar qualquer raciocínio inteligente (como é o caso de antigos profissionais como Mírian Leitão, Carlos Alberto Sardenberg e Celso Ming) não adiata argumentar  que há casos em que  se justifica a intervenção estatal ou seu envolvimento direto, como a casos em que a privatização é   o remédio indicado.

Seja como for, da mesma forma que, de um lado, o governo prepara-se para privatizar alguns  aeroportos, de outra parte, este mesmo governo coloca no forno a massa de mais um estatal, a Ourobras, cujo nome já diz tudo.

09-04-11

A prioridade é derrubar a inflação

Este blog  infomou  há algumas semanas que a presidente Dilma Rousseff estabeleceu um piso  de tolerância para a  valorização do Real. Esta barreira psicológica ou subjetiva  era a de  R$ 1,60.

 Quando isso acontecesse, o governo jogaria pesado e adotaria o cambio semi-fixo: a Quarentena que  consiste em  reter no Banco Central,  por digamos  90 ou 120 dias,  os dólares (todos os dólares) que ingressam no Pais. É caro que, após  uma primeira triagem os capitais considerados  de investimento produtivo  seriam  gradativamente  liberados. Os especulativos continuariam retidos.

Esta seria  a única forma de o Brasil enfrentar a atual Guerra  Cambial, mediate  a qual EUA e China matém  suas moedas artificialmente desvalorizadas, prejudicando, numa concorrência desleal, seus parceiros comerciais.  Muito bem, ontem (sexta-8) o dólar foi cotado a R$ 1,57 e o gverno não anunciou a  Quarentena. Vejemos, por quê:

A primeria razão, óbvia, é a de que estamos num fim de semana. Mas  há outras mais consitentes.  A primeira é a de que Dilma Rousseff está embarcando para a China, onde discutirá com o presidente  Hu Jintao, entre outras questões, a Guerra Cambial. Nessas circunstâncias, seria pouco diplomático desembarcar em Pequim com uma medida de força já adotada.

A outra razão,  mais premente, é a inflação que disparou nestes primeiros três meses do ano, batendo nos  6,2%%, já  próxima do teto  máximo de 6,5% da meta  fixada pelo próprio governo.

Dilma sabe que  não pode deixar a inflação desgarar, mas não quer ficar, como Lula, refém da ação do BC que consistia  na eterna mesmice de  elevar a taxa de juros para esfriar o consumo.

Além do mais, hoje a situação é outra: o País exibe uma economia respeitada no Mundo e apontada como porto seguro para investimentos.  Isto não combina com a absurda taxa de juros de 12,5 %, a maior do Planeta.  Então, a elevação da taxa estimula ainda mais o ingresso de  capitais especulativos, o que valroriza mais ainda o Real. Temos aí o famigerado círculo vicioso.

Para romper esse círculo, o governo, embora admitindo elevação moderada dos juros, utiliza-se, em paralelo,  de  todo um arsenal de medidas  não muito ortodoxas e que escandalizam  especiliastas de mercado e colunistas de renome, na verdade picaretas a soldo do Capital Financeiro. Este setor já apostou na alta dos juos de na queda do dólar e pretende, agora, realizar seus lucros. É uma queda de braço.

Entre as  medidas  não ortodoxas,  duas já foram adotadas: a- o governo não permitiu que a Petrobras aumentasse o preço da gasolina, mesmo que isto  prejudique seus lucros e os de seus acionistas, para escândalo dos tais colunistas famosos: b- o governo vai adotar  medidas logísticas para  garantir estoques reguladores, ainda que isso represente uma intervenção no mercado. A idéia é a de  evitar a chantagem dos usineiros que na safra exportam mais do que podem e na entresafra elevam preços mais do que o necessário.

Além disso, o governo  (e este é o escândalo dos escândos porque copia o modelo argentido)  ameaça taxar as exportações de álcool, aumentado, com isso, sua arrecadação e  dividindo  o lucro (extra)  com os ambiciosos usineiros que  sempre  prometem, mas jamais cumprem seus  tratos com as autoridades. Geralmetne eles  “escondem“ o produto, fazendo com que a escassez seja maior do que a real, agindo, assim, como sonegadores ou meliantes comuns.

Finalmente, um aviso aos  leitores incautos:

Os  jornalistas renomados porém picaretosos   (exercendo uma espécie de terrorismo midiático) procuram fazer  crer que  Dilma  não se entende com Manetega que não etende  com Palocci e que as medidas adotas pelo governo são contraditórias.

 Bobagem e conversa fiada. As medidas do governo parecem contraditórias porque o problema (o círculo vicioso acima  mencionado) encerra  em si uma contradição. Daí a  adoção de medidas pontuais que,  em alguns casos,  vão em direções opostas.

Mas a verdade  é que há uma boa sintonia entre a presidenta e  seus dois principais ministros. Com Mantega  ela  tem  afinidade ideológica e de Palocci ela obtém  uma eficiente colaboração pragmática. Palocci, aliás, por ter se identificado com os economistas  mais ortodoxos, é usado como um penhor junto ao Mercado e sua mídia submissa. Então, ora ele se apresenta  como relações públicas e ora como garantia mesmo de que  o governo não vai extrapolar.

Quanto ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombine, ele está integrado à equipe (entrou para a turma) onde é ouvido e acatado.  De sua parte, cordato e compreensivo, fez com que o BC se tornasse mais flexível evitando pisar fundo no  acelerador da taxa de juros. O Mecado não o perdoa por isso.

07-04-11

O rito da morte do DEM, ex-PFL e ex-ARENA
                                                ou
O fim  das ideologias  proletárias e burguesas

1- Kátia Abreu sai  do DEM levando metade do partido para o PSD do Kassab.

2- ACM Neto quer expulsar Kassab do DEM, mas prepara as malas  para desembarcar no PSDB.

 No discuso de despedida do DEM, feito  ontem (6) do Senado, a porta-voz assumida do latifúndio,  senadora Kátia Abreu (TO) deu como certa a filiação de 40 deputados ao novo partido, desligados do DEM (a maioria), PSDB, PT e PPS, além dos governadores do Amazonas, Omar Aziz (PMN), e de Santa Catarina, Raimundo Colombo (DEM).

Se forem corretas a informações da senadora, é possível dizer que o DEM caminha realmente para a cova.  Segundo Kátia, até o líder do partido na Câmara dos Deputados, ACM Neto (BH), já está defendendo a fusão  com o PSDB.

Mas a morte do DEM (que a terra lhe seja leve) não representa apenas o fim de uma sigla de triste memória. A memória da tortura, da iniqüidade e da corrupção que foram as marcas principais da  Ditadura Militar. Representa, na verdade, o esgarçamento ou a irrelevância das ideologias, como temos procurado demonstrar em outros artigos deste blog.

Esgarçamento que, por sua vez, traduz mudanças exponenciais no modo de produção capitalista que, em sua fase terminal, se esvai, levando consigo seus dois principais personagens, a burguesia e o proletariado.

São cada vez menos nítidos os limites entre as classes sociais clássicas, as quais abandonam  com velocidade o Setor Produtivo para ingressar no Setor de Serviços ou no Setor Produtivo Dependente – micro-empresas.

Nessa nova situação, embora se considere empreendedora esta nova classe, ainda amorfa, depende absolutamente, é vassala, das grandes corporações sejam estatais, sejam os grandes monopólios privados, os quais tercerizem tarefas ao invés de empregar pessoas.

O réquiem antecipado

Na próxima quarta-feira, 13, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, reunirá seus aliados em Brasília para assinatura da ata de fundação do Partido Social Democrático (PSD). A ata é a primeiro documento jurídico para a formalização da legenda junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Este novo partido de Kassab, como temos dito neste blog, não e nada ou é  apenas um amontodo de oportunistas sem nenhum caráter político. O próprio prefeito paulistano, um simplório sem noção  do ridículo, proferiu a frase que  o imortaliza: “Nosso partido não é de centro, nem de esquerda, nem de direita”.

 Temos aí um retrato sem retoques de um  momento político. Mas, sobredo, de uma fase histórica que assinala a inutilidade das siglas enquanto  definição de ideologias. Ideologias estas que, enquanto derivadas do proletariado e da burguesia, se tornam irrelevantes.

Não deixe de ler também a coluna Constituinte Já que analisa estes temas  com maior profundidade.

23-07-10

Por
Jade Romero

Eventos e Recursos para o Terceiro Setor1- O Festival Latino Americano de Captação de Recursos 2010, ocorrerá na cidade de Recife – Pernambuco, durante os dias 01, 02 e 03 de Setembro. As inscrições estão abertas e devem ser realizadas no site: http://www.flac.dialogosocial.com.br/. O evento reunirá importantes contatos da captação de recursos de todo o país e América Latina.
2-O Programa Petrobrás Ambiental 2010 recebe projetos até o dia 19 de Agosto. Serão disponibilizados R$ 78 milhões para iniciativas de todo o Brasil. O site para conhecer o edital e enviar projetos é http://www.petrobras.com.br/ppa2010/home/.  As linhas de atuação do Programa são: a) Gestão de corpos hídricos superficiais e subterrâneos b) Recuperação ou conservação de espécies e ambientes costeiros, marinhos e de água doce c) Fixação de carbono e emissões evitadas.

09-07-10

Terceiro Setor: Tão grande e tão pouco conhecido

Por
Jade  Romero

Ao receber o convite do jornalista Chico Barreira para editar esta coluna – Terceiro Setor – logo me questionei: o que a sociedade entende por Terceiro Setor? Como é vista sua atuação? Isso porque, além de não haver consenso para a terminologia, existem correntes e mais correntes que se posicionam de maneiras distintas sobre as entidades privadas com finalidade pública.
De modo sucinto, vale relembrar que o Primeiro Setor é representado pelo Estado, o Segundo Setor é o Mercado e, por fim, o Terceiro Setor representa a Sociedade Civil.
O propulsionamento do Terceiro Setor ocorreu entre os anos 80 e 90 junto ao modelo neoliberal de governo, defensor do Estado Mínimo, fundado na alocação de responsabilidades para a economia e sociedade.
Portanto, o bem-estar social, teoricamente, seria fruto do desenvolvimento da economia e da sociedade, como responsável por atuar nas lacunas deixadas pelo Estado, utilizando recursos públicos e/ou privados.
O Terceiro Setor surge como fruto de um modelo político e, sobretudo, como esperança de resgate da solidariedade e da mobilização para a promoção do bem-estar social, que já não era mais assumido como prerrogativa do Estado.
Então se postula uma das maiores problematizações que envolvem o Terceiro Setor: Ausência de responsabilidade do Estado? Ou mobilização social? Este artigo não tem por objetivo esgotar tais questionamentos, mas esclarecer que, toda discussão que for realizada sobre a sociedade civil organizada e as organizações não governamentais, terá como pano de fundo essa problematização, que se estende e desemboca em outros termos constantemente debatidos: assistencialismo, responsabilidade social /empresarial /ambiental, marketing institucional, entre outros.
Para além da simples teoria, o Terceiro Setor, em parte, representa os interesses legítimos da sociedade e é responsável por articular políticas, de fato, Públicas. No entanto, a mobilização de recursos realizada pela sociedade civil organizada chamou atenção dos governos e das empresas, que passaram a se utilizar de organizações não governamentais para interesses dos mais diversos.
Esses interesses e a composição do cenário social que envolve o Primeiro, Segundo e Terceiro Setor, serão o objeto de análise desta coluna que se inicia no “Fatos Novos, Novas Ideias”. Os nossos objetivos são: a) Debater o conceito de Terceiro Setor; b) Discutir o atual cenário do Estado, Mercado e Sociedade Civil; c) Disponibilizar informações para instituições não governamentais, principalmente sobre mobilização de recursos;
Por fim me apresento: Sou Jade Romero, especialista em políticas públicas e atuo como captadora de recursos para o terceiro setor.

16 Comentários leave one →
  1. Jason Stone Link Permanente
    09/07/2010 2:54 pm

    Jade querida,

    Não me causou surpresa a qualidade de seu texto. Sintético, esclarecedor e com o ingrediente sedutor de querer ler um pouco mais. Vá em frente. O novo é e sempre será bem-vindo.

    Aquele abraço e boa sorte.

  2. NewagersProp Link Permanente
    09/07/2010 2:55 pm

    Parabéns pela iniciativa. Ficamos à disposição para contribuir.

    JBenites
    NewagersProp

  3. caico borelli Link Permanente
    09/07/2010 4:46 pm

    muito bom…
    parabens!!

  4. Lucia Mendes Link Permanente
    09/07/2010 7:14 pm

    Realmente como dito anteriormente não é nenhuma surpresa pra nós pessoas próximas que sabemos do seu potencial, esperamos que cada vez vc alce voos mais altos amiga!!Parabéns o texto está excelente!!

  5. Elenice Rosa Link Permanente
    09/07/2010 8:16 pm

    GOSTEI DA PROPOSTA. MUITO OPORTUNA. ACOMPANHAREI COM MUITO INTERESSE.
    DEU PRA PERCEBER QUE OS TEXTOS SERÃO MUITO OBJETIVOS E BEM ALICERÇADOS NA PRÁTICA E NA TEORIA.
    PARABÉNS!!

  6. Filipe Guerra Link Permanente
    09/07/2010 10:19 pm

    Brilhante, como em tudo o que faz.

  7. Ticiane Pontes Link Permanente
    09/07/2010 10:38 pm

    Amiga Jade,
    Quando li seu artigo lembrei-me de um minicurso que participei sobre: “Direitos Humanos e Terceiro Setor”; e o sentimento foi o mesmo, a vontade de aprofundar minhas leituras no tema citado. Conto com sua ajuda para conhecer mais o assunto.
    Desejo sucesso na sua coluna. Tenho sorte por ser sua amiga.
    Parabéns!

  8. 09/07/2010 11:23 pm

    Importante destacar que o fortalecimento das entidades do terceiro setor nesse período (quando surgiram mais de 40% das Fundações e Associações no país) se deve principalmente a CF de 88, que estimulou através do seu artigo 5 a democracia participativa, seja através do controle social realizado pelas entidades ou pelo trabalho de desenvolvimento, implantação e controle de políticas públicas realizado pelos Conselhos.

    Não vejo o terceiro setor tendo como função preencher as lacunas deixadas pelo Estado. Isso acontece, realmente e é na verdade preocupante.

    A função primordial do Terceiro Setor é realizar o controle do Estado e também das atividades das Empresas Privadas, a fim de garantir o chamado bem estar social.

    Abraço

    Adriana Torres

  9. 10/07/2010 1:46 pm

    Texto excelente!
    Extremamente interessante, didático e esclarecedor.
    Parabéns .

  10. 11/07/2010 10:14 am

    sim, em vez do Estado, organizações privadas, que sempre disponibilizarão recursos bem menores do que o Estado, e ainda, selecionando os beneficiados conforme a “necessidade”, quer dizer, em português claro, beneficiando apenas quem se submeter, não questionar e obedecer, fazendo pouco e multiplicando o pouco feito com muita propaganda, impressão causada muito maior que o benefício real:O)

  11. franciscobarreira Link Permanente*
    11/07/2010 12:29 pm

    CB
    Querida Jade
    Quando a convidei para manter a coluna Terceiro Setor, sabia que o tema era extremamente polêmico e, o mais das vezes, tratado de forma preconceituosa , conforme a visão ideológica de cada um. O objetivo é exatamente desmitificar isso. Creio que os teóricos e formuladores de esquerda e de direita, ainda não sacaram que a organização, eu diria de forma terceirizada, deste setor, pode ser utilizada tanto por um estado neoliberal puro, como por um estado robusto com tendência à esquerda.
    Mais do que isso: ainda não foi suficientemente percebido que o Terceiro Setor não foi invenção de um neoliberal esperto (Gramsci já falava dele) mas uma conseqüência natural de um modo de produção cambiante que vai mudando, por isso, suas relações entre o Estado e o Cidadão e entre o Capital e o Trabalho. De forma perigosamente sucinta, eu gosto de dizer que o Capitalismo está transitando para o Neofeudalismo, não apenas no que seria o retorno à barbárie (como pode se notado na questão ambiental) mas numa evolução destinada a compatibilizar as relações sociais com os novos meios de produção. Meios de produção estes, vertiginosamente concentrados, automatizados e cada vez mais excludentes da mão de obra tradicional.
    O mais importante, porém, é que com sua inteligência e sua objetividade, você está saindo ilesa do tiroteio. Parabéns.
    Francisco Barreira

  12. marta eugenia Link Permanente
    11/07/2010 4:23 pm

    Jade, Parabens pela coluna… arrasou..Vá em frente… que o seu sucesso é garantido!!!

  13. 12/07/2010 3:40 pm

    Virei assinante da coluna.

  14. Camilla Link Permanente
    01/09/2010 6:41 pm

    Hoje eu pude ler com calma o texto escrito pela Jade!

    Absolutamente esclarecedor, embora haja quem vá discordar de algumas colocações…

    Parabéns pela clareza e pela maneira como abordou cada parágrafo!

    Sds,

  15. 10/06/2011 3:53 pm

    Muito bom!

  16. Priscilla Dias Link Permanente
    22/11/2011 3:59 pm

    Parabéns pelo blog. Cada vez que leio, mais fico ansiosa pela próxima matéria.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 43 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: