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O Grande Debate

08/08/2010

Aqui o debate é realmente livre.

 10-10-10

Histórico das delinquências do jornal o Estado de S. Paulo

Por Fausto Barreira 

Defesa do golpe militar no Brasil em 1964, defesa da censura da Ditadura Militar em 1968, defesa do agronegócio e do assassinato dos sem-terra, esse é o histórico de delinquências do jornal O Estado de S. Paulo, que fica “enriquecido” com a recente demissão da psicanalista Maria Rita Kehl.

Procurarei, por meio da reprodução dos textos abaixo, mostrar que o jornal O Estado de S. Paulo tem uma trajetória de delinquência muito rica e que, não satisfeito com isso, procura adicionar novos fatos relevantes à sua já extensa “folha corrida”, demitindo uma jornalista que ousou discordar de sua linha editorial.

Segue trecho do artigo “A imprensa brasileira e a construção do consenso em torno do golpe” de Claudia Jawsnicker, em que ela descreve o papel da grande imprensa burguesa (com destaque para o Estadão) na articulação do golpe militar de 1964:

“Parte da grande imprensa viria a se constituir na principal portadora da mensagem contra a permanência de Goulart no poder, atuando na construção de um consenso para a intervenção militar. Em editoriais e artigos críticos ao governo federal, publicações como o Jornal do Brasil, O Globo e O Estado de S. Paulo combatiam a ameaça do comunismo, criticavam as alianças do governo com líderes de esquerda e procuravam mobilizar a opinião pública para o perigo das reformas políticas do governo. As críticas enfatizavam a ‘subversão da ordem e o avanço do comunismo’, anunciando, em tom alarmista, que ‘forças políticas comunistas tentariam tomar o poder no país’. ‘Muito se tem suportado este país para que o funcionamento do regime não sofra interrupções, mas agora chegamos a um ponto que seria loucura continuar transgredindo. Quando os principais responsáveis pela coisa pública se associam aos mais notórios agitadores e comunistas, para pregar contra a Constituição e contra o Congresso, não é mais possível a omissão de um único brasileiro, impõem-se a luta e a reação’, bradava um editorial de O Globo, às vésperas do golpe.

No Rio de Janeiro, três empresas jornalísticas cariocas conceberam um espaço organizado de crítica às idéias nacionalistas do governo federal por meio da criação do programa radiofônico diário: a Rede da Democracia, comandado pelas redes Tupi, Globo e Jornal do Brasil. O programa era repercutido pelo país através de centenas de emissoras afiliadas e os pronunciamentos dos programas eram posteriormente publicados nos respectivos jornais. Já em São Paulo, o empresário Ruy Mesquita, publisher de O Estado de S. Paulo, vinculado à UDN, organizava semanalmente reuniões conspiratórias com grupos de civis e militares de ‘oficialidade pequena’ para encontrar formas de conter o movimento esquerdista, como ele próprio assumiria em entrevista à Revista Lua Nova, em 1984: ‘Jango, pelas suas próprias condições culturais, era um incapaz. Era até uma boa pessoas para convívio social, mas completamente despreparado para algum dia ser presidente da República, muito menos num momento como aquele’, afirmou à revista o jornalista-empresário.”

O “Estadão” gosta de se dizer vítima da censura da ditadura. Cito, então, trechos de editorial do jornal, de 1968, época de recrudescimeto da repressão, em que dá aval explícito à censura:

“(…) Foi uma oportuna manifestação a que se registrou recentemente na Assembléia Legislativa, pela palavra do deputado Aurélio Campos, sobre os excessos que se tem verificado em representações teatrais no terreno do desrespeito aos mais comezinhos preceitos morais. O mundo teatral – tanto os atores e atrizes como os autores – vêm movendo uma campanha sistemática contra a censura, e como esta nem sempre é exercida por autoridades à altura de tão graves e, às vezes, tão delicadas questões, a tendência de muitos é cerrar fileiras entre os que combatem. O que na censura geralmente se vê é uma ameaça à liberdade, o que assume a feição particularmente antipática quanto à liberdade ameaçada é a artística. Carradas de razão, entretanto, teve o parlamentar acima referido ao assinalar, a propósito de peça teatral a cuja representação assistira, que a censura, longe de se mostrar rigorosa no escoimá-la de seus exageros mais escandalosos, o que revelou foi uma complacência que não pode deixar de ser severamente criticada.(…)”.

Ao contrário de hoje, quando os artistas de teatro e cinema se calam diante das posições fascistas do Estadão em troca de divulgação para suas obras, em 1968 a classe teatral em peso repudiou a defesa feita pelo jornal da censura da Ditadura Militar.

Segue trecho de entrevista do crítico teatral Sabato Magaldi em que ele relata a manifestação de repúdio dos artistas ao editorial do Estadão:

“Em 14 de junho de 1968, por exemplo, catorze artistas de São Paulo e quatro do Rio de Janeiro convocam a imprensa para anunciar que devolverão os prêmios ‘Saci’, concedidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, em protesto a um editorial sobre a “pendência entre a classe teatral e a censura”, considerada pelos artistas ‘totalmente favorável à censura ditatorial’.

No cerne da ‘pendência’ estão os cortes feitos no espetáculo ‘Primeira Feira Paulista de Opinião’, reunindo textos de vários autores. Mas toda a classe teatral assume o protesto. Cacilda Becker, Walmor Chagas, Fernanda Montenegro, Maria Della Costa, Sérgio Mamberti, Odete Lara, Jorge Andrade, Lélia Abramo, Etty Fraser, Ademar Guerra, Fauzi Arap, Augusto Boal, Flávio Império, Flávio Rangel, Gianfrancesco Guarnieri, José Celso Martinez Corrêa, Liana Duval, Paulo Autran e Tônia Carrero – a nata do teatro brasileiro – são os que devolveram os prêmios.”

O Estado de S. Paulo apresenta uma face “progressista” nos seus cadernos de Cultura (que agora está desmascarada com a demissão de Maria Rita Kehl) incentivando a música brasileira, o cinema de arte e o teatro de qualidade e com isso coopta artistas e intelectuais que se calam diante das posturas fascistóides do jornal como é o caso do editorial intitulado “Tapete vermelho para invasores” publicado no dia 02/03/2008 em que defende o assassinato de sem-terra.

Seguem os trechos mais policialescos do editorial:

“(…) O juiz substituto de Piranhas (AL), John Silas da Silva, expediu na quinta-feira mandados de busca e apreensão e autorizou a Polícia Civil a fazer uma devassa em fazendas e em acampamentos e assentamentos de sem-terra à procura de armas na região.

Essa decisão foi tomada depois do conflito de quarta-feira, que deixara oito sem-terra feridos. Centenas de pessoas ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST) haviam tentado invadir a Fazenda Lagoa Comprida e foram recebidas a tiros, disparados por pessoas a serviço do proprietário da fazenda, Jorge Fortes Gonçalves – que foi preso e levado à Delegacia Regional de Delmiro Gouveia.(…)

(…) Consideremos agora o seguinte: em qualquer propriedade urbana é permitido o uso de pessoas empregadas no serviço de segurança – contra invasões ou assaltos -, inclusive, quando autorizadas legalmente, portando armas de fogo. Por que deve ser diferente em se tratando de propriedade rural? Terá o dono da fazenda menos direito de defender o que lhe pertence? Se uma residência ou uma empresa é invadida ou assaltada na cidade, é hábito a Justiça mandar fazer uma investigação para saber se a vítima possui algum tipo de arma? Ou será que o parágrafo 1º. do artigo 1.210 do Código Civil Brasileiro não tem vigência alguma no campo, mas apenas nas cidades? Pois não resta dúvida de que o trabalho de segurança, contratado pelos proprietários urbanos, pode constituir uma “intimidação”, uma “ameaça” e até uma ação concreta (um tiro) contra eventuais invasores. (…)”

Enfim, colhemos a “pérola” que é o artigo de ex-ministro Mailson da Nóbrega em defesa livre mercado e do “direito” de propriedade dos desmatadores da Amazônia.

“Burocracia anticapitalista e antiagricultura

Mailson da Nóbrega
O Estado de S. Paulo
24/2/2008

O anúncio de restrições de acesso ao crédito pelos que descumprirem regras ambientais demonstra mais uma vez os contrastes do governo Lula. De um lado, uma política econômica responsável. De outro, visões anticapitalistas e a dificuldade de perceber danos de ações burocráticas ao potencial de crescimento. (…)

(…) O livre mercado não funciona sem as instituições que garantem direitos de propriedade e respeito aos contratos.(…)”

8-08-10

Ensino:o público e o privado no Brasil

Por
ÁlvaroBastos

Amigo, tenho acompanhado tudo que escreves no Twitter.

 Na questão da educação acompanhei e até participei de  todas as greves das últimas  duas décadas no Rio de Janeiro. Hoje, mais maduro reflito e vejo que apesar das grandes mobilizações  por melhores salários e em defesa da escola pública, elas, em muitos aspectos, acabaram servindo como instrumento da Direita  para a privatização da educação brasileira. Posso afirmar que apesar da existência da escola pública assitindo as populações da periferia, a classe média foi empurrada para as escolas privadas  por causa das greves longas da década de 80 e 90.

Este processo de privatização iniciou-se na Ditadura com os cursinhos que foram transformados criminosamente em escolões que levavam à aprovação no vestibular . Com a luta foram criados  vários sindicatos de educação  corporativos destruindo o sindicato único de professores por estado . Até 88, os professores não podiam se sindicalizar. Por isto  surgiram associações para encaminharem suas lutas corporativas e políticas .O resultado desta política plurarista foi o nascimento de  sindicatos de professores públicos e sindicatos de professores particulares em plena abertura.Eles se mantiveram contrariando a exigência constitucional de 1988 que estabelecia a unicidade sindical para sobrevivência de suas lideranças de várias correntes partidárias. Era tudo que os privatistas queriam. Greves na escola pública e nenhuma greve na escola particular. Participei do Comando de Greve contra as escolas particulares nos anos 90 no RJ. Me lembro que o dono do Anglo americano (Ney Suassuna) chamou a PM que colocou cachorros sobre nós. Todos os grevistas daquela escola foram demitidos junto conosco. Naquela época, reinvindicávamos 100% e ajustiça do trabalho deu 0% determinando o fim da greve. Sofremos marcatismo e ficamos desempregados. Mais de 5000 professores demitidos no final do ano com aviso prévio e os
 pelegos da diretoria  sindical tinham imunidade eterna de mandato sindical.

 Concomitantemente, o patronato cria o seu cartel chamado de sindicato  único de estabelecimentos de ensino particular . A partir desse  momento eles traçam uma política para influenciar e constituir maioria em todos os Conselhos de Educaão do Brasil.Muitas vezes de forma disfarçada,  ou apoiando representantes de escolas públicas nas secretarias de educação, mas que acabavam, lá na frente, após sairem do governo, ganhando um  grande emprego na iniciativa privada.Lembrem-se que não existe Lei da Quarentena  na educação. Assim eles premiavam aqueles que apoiavam  suas políticas públicas nas secretarias de educação com seus projetos neoliberais de terceirizações e mantinham seus pelegos nos sindicatos particulares acirrando o confronto ideológico e divisionismo no magistério . Começei a desconfiar disso quando fui escolhido por Brizola para acompanhar o  problema no Conselho estadual de Educação./RJ .

Conversei muito este assunto com o governador Brizola,depois com  Darcy e Bayard Boiteux (presidente do Conselho de Educação) e com o saudoso Diretor do PedroII/professor Shideak. Todos apoiavam minha  tese  e me apoiavam  na luta contra o que chamamos na época de Máfia da Educação.

Quando saímos do governo por causa da eleição de Marcelo Alencar do , um  novo Conselho de Educação foi nomeado onde  a hegemonia era claramente de políticas privatistas e neoliberais. A partir desta data  nunca mais o Conselho Estadual de Educação RJ teria a hegemonia de representantes da escola pública. Foi a festa. As raposas nomeadas para o galinheiro. Eles legitimaram a destruição dos Cieps; a transformação das escolas técnicas públicas em escolas de qualificações; diminuíram a grade curricular, isto é , o número de aulas das matérias exigidas por Lei e traçaram uma política de deixar a greve ser longa, para que os pais transferissem seus filhos das escolas públicas para as particulares. Posteriormente, veio a proposta de aprovar automaticamente no 1º grau (diferente da avaliação continudada de  Darcy RIbeiro)  e analfabetos chegaram as escolas secundárias determinando a  reprovação em massa.Isto estimulou   a violência a chegar mais rapidamente nas  escolas. Para isto  as políticas públicas  retiraram a autoridade  e desmoralizaram a figura do professor. Até em programas televisivos onde o professor era motivo de chacota construiram um senso comum contra a figura do professor .

Parte da lasse média  ficou assustada  com o caos e  não querendo ver seus filhos mistrados com alunos vindos  dos bairros pobres da periferia,   com costumes e cultura que não eram os desejados por eles . Isto determinou uma grande fuga e separação. Surge assim a escola  pública de pobres e escolas  privadas de ricos ou privilegiados. Criminalizaram a escola pública e ,nas comunidades, carentes  elapassou a ser escudo da troca de tiros entre policiais e bandidos.

 Não obstante , o projeto fixista e anticientífico entrou nas escolas públicas. A evolução genética foi praticamente abolida . E chegavam, agora, os alunos filhos de pentescostais que impediam e chacoteavam os professores que falavam da evolução  e da origem da vida . Tudo era  contra a bíblia  e era de satã . Satanizaram a escola pública como a igreja satanizou a sociedade na peste bulbônica na Idade média . A teocracia agiu com muito lobby e com o discurso de que assim vai diminuir a violência e o consumo de drogas entre os jovens. Resultado: o próprio professor de religião trabalhava a cabeça dos alunos contra o darwinismo e as leis da Ciência.

 A música foi retirada do currículo  esurgiram propostas de educar de acordo com arealidade e aulas de música desapareceram para dar lugar ao Funk da bárbárie e o Hip hop,substituindo a cultura nacional. Ao mesmo tempo a televisão , em especial a Globo, com suas novelas “Big_bostas da vida ” foram construindo a ética e valores de nossos alunos estimulando a barbárie, violência sexual e a vantagem a qualquer preço, a “Lei do Gérson “. Todos os seus filmes na maioria o tema  era sexo com estupro e morte.

 Era a cultura da Barbárie ou a satanização da sociedade nos canais.

Diante do exposto, temos a seguinte realidade : a educação pública para os miseráveis e a educação particular para os privilegiados. Não satisfeitos , querem agora a entrega de todos os recursos educacionais as Organizações Sociais e fundações . Para isto podem até substituir falta de professores por aulas televisivas ou de educação à distância .Por que? Ora nenhum jovem vai usar seus recursos para se formar no magistério para pegar um ônibus cheio para periferia e ganhar um salário de R$540,00 sem vale-transporte e refeição. No caso das jovens é ainda pior . Elas deixam de serem professoras educadoras para seguir a profissão da carreira de policial militar por causa do piso salarial e ascenção na carreira.

Por fim, posso afirmar que apesar da existência de milhares de escolas públicas e professores mal pagos, a Educação Brasileira de 1 e 2 Grau, quando não está  privatizada, está precarizada. Qual a saída :
1)Os filhos de :
Professores; juízes; desembargadores; políticos ; delegados;polícia federal;ministério público; tribunal de contas ;comandanttes da PM ; governadores ; prefeitos devem ser obrigados a estudar na escola pública.

2)Toda a educação brasileira  e escolas tem que ser federalizada (como na França) , isto é , de respponsabilidade da Presidência da Répública.Só assim nos livramos desses prefeitos e governadores que só pensam nos salários da Polícia e da Justiça.

ALVARO BASTOS  COORDENADOR DO MOVIMENTO DE EDUCAÇÃO DO PDT/RJ

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3 Comentários leave one →
  1. 08/08/2010 8:53 pm

    Companheiro Álvaro Bastos,
    uma grandiosa explanação e um profundo conhecimento de causa foram demonstrados em seu artigo.
    Gostoso de ler, nos faz acompanhar todo o movimento da educação brasileira para seus atuais estados: sucateado (educação pública) e de visão ao lucro (educação privada), Ambos com sequencial desvalorização do professor.
    Parabéns!

  2. 09/08/2010 10:22 pm

    Hoje mesmo ouvi ” Nós da classe alta somos os que pagam mais impostos e não usufruirmos dos sistemas públicos! Meu convênio é pago, as escolas dos filhos é paga” , isto foi dito com tamanha indignação, mas não era a indignação de quem compreende que os sistemas públicos estão largados e sendo usados apenas por “pobres” (maneira que esta a pessoa se referiu aos que usam os hospitais e escolas públicas) Isto foi com a intenção de que a classe alta deveria ter o direito de não pagar impostos, já que nem usufrui dos serviços públicos.
    Porém não pensam que estão pagando pelo privado justamente por não cuidarem do sistema público. Preferem pagar em dobro, impostos e privado ao invés de cuidar e lutar pelo o que é NOSSO. É muito difícil uma mudança, eu mesma não sei por onde começar, mas tenho a consciência que a educação estaria muito melhor se a classe média não tivesse migrado para as escolas particulares.

  3. 09/08/2010 10:27 pm

    Muito bom, como sempre os comentários de seu blog. Concordo em tudo, mas acho que faltou uma coisa só, que é o seguinte: além da federalização das escolas elas também devem ser em tempo integral, pois com essa medida tiraríamos nossos jovens das drogas e colocaríamos na escola, com merenda de qualidade e esportes. Com essas medidas simples garantiremos um futuro melhor para todos.

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