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A Nossa Amazônia

18/09/2010

Sobre a Amazônia inexplorada e incompreendida há muita  falação, no Sul e no estrangeiro, com linguagem  erudita e conteúdo  pseudo científico. Seja como for, já sabemos o suficiente para dizer que  se trata  da maior jóia natural do Planeta. E a estrategicamente mais rica. Como defendê-la e como  explorá-la sem   destruí-la ? Esta questão é a  razão de ser desta  coluna. 

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 27-12-10

Eclusas de Tucurui abrem  “porta” para o Amazonas
 
Por 
Marnice Lopes

As eclusas liberam a navegabilidade do rio Tocantins até a região central brasileira, o que representa diminuição de custos com transporte de produtos e insumos industriais da ZFM. Ganhos aumentarão com a ferrovia Norte sul em fase de conclusão.
A conclusão de duas eclusas da usina de Tucuruí(PA) inaugurada dia 30 de novembro, que liberam a navegabilidade do rio Tocantins , abre uma grande ‘porta’ para que a Indústria do amazonas atinja com menores custos os grandes centros consumidores do Brasil.Outra grande obra a ferrovia Norte-Sul, em processo final de conclusão da primeira etapa, ligando o Porto de Itaqui (MA) a Anápolis(GO) , amplia esse processo logístico e aumenta a competitividade das Industrias da Zona Franca de Manaus .
As eclusas obras gigantes de 1,6 bilhões permitirão as embarcações a transposição de um desnível de 75 metros entre o rio e o reservatório da usina e possibilitarão  a navegabilidade total do Tocantins até a região do alto Araguaia , no estado do mato grosso , pelos rios Tocantins e Araguaia. A navegabilidade de Tocantins estava interrompida há aproximadamente 34 anos desde 1976, quando as obras da usina iniciaram.
Para se ter uma idéia do que representa a operacionalização do complexo de eclusas estima-se que uma balsa pequena, com capacidade de carga de 2 mil toneladas , substitua o transporte de 67 caminhoes . estudos apontam que pela nova rota , a ser trafegada por comboios com capacidade de até19,1 toneladas, desafogará bastante as rodovias que interligam o estado do Pará ao restante do País. A economia com combustíveis no transporte de minérios e grãos das região Norte e Centro Oeste pode chegar a R$10 milhões por dia, bem como diminuir a poluiçao e outros impactos ambientais e minimizar custos com manutenção de estradas.para o amazonas a nova rota representará uma grande alternativa com diminuição expressiva de custo no transporte , não só de produtos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM) mas também de insumos industriais e produtos alimentícios produzidos no Planalto Central Brasileiro e nas regiões Sul e sudeste. Estima-se que os custos com transportes possam ser reduzidos em até 19%, quando da utilização do sistema rodo-fluvial e 40% quando da utilização do sistema ferro-fluvial, principalmente entre o amazonas e centro Oeste.
 
 

 23-10-10
Amazônia: a vulgarização do maior patrimônio da  humanidade
Por  Mara Alcântara

O que tem além daquele   teatro no meio da  Selva e da Zona Franca e porque a mulheres usam pouca roupa?
Esta é  síntese da curiosidade dos milhões de turistas que nos vistam todo ano. Talvez eles façam o mesmo tipo de pergunta diante de um tempo budista na Tailândia ou  das ruínas asteca no México. A indiferença blaze e boçal   dos turistas sejam eles de  onde forem é uma marca do nosso tempos. Eles viajam para carimbar passaporte (status), roubar suvenires nos hotéis e restaurantes e  para tentar realizar suas fantasias sexuais, nas terras consideradas liberadas e permissíveis. Exóticas.
Ontem fui correr na Praia da Ponta Negra, cartão postal da cidade e vi coreanos hospedados no Hotel Cinco estrelas logo ali ao lado,  quando desciam as escadas do calçadão para o lugar conhecido como “inferninho” e ali se acabarem  de tanto dançar com o que chamam de “piriguete”.  E por mais que conheça as coisas da vida, não deixo de me aborrecer com a idéia de que  os homens pensam que todas as nortistas são assim.

Mesmo  quando não nos vêem como  mulheres fáceis, tudo o que  eles  retêm em suas mentes é que somos exóticas e usamos pouca roupa. Outro dia,  um italiano idiota  puxou conversa e depois de  algum tempo declarou todo seu espanto: Você fala inglês! Onde aprendeu? Morou em outra cidade?
No mais  quase todos os  turistas imaginam que  a Zona Franca são apenas as lojas do centro da cidade, onde, como das ruas especializadas de São Paulo e da Ciudad del Leste, no Paraguai,   estão ali apenas para servir aos sacoleiros. Não sabem que a Zona Franca, acoplada ao Pólo Industrial e incrustada   em uma metrópole de  quase dois milhões de habitantes, é o cerne da economia do Amazonas e o  maior centro industrial e tecnológico da Região Norte.
Aqui  estão instaladas fábricas como CCE, Brastemp, Elgin, Evadin, Nokiao, Yamaha e Honda. E aqui são fabricados produtos elétricos e eletrônicos essenciais para as  indústrias do  Sul  brasileiro e mesmo para o MERCOSUL. Não existe um único automóvel fabricado na  Argentina que não tenha  um componente  produzido em Manaus.

O consumismo, a alienação e a ignorância são as marcas da indústria turística que transporta centenas de milhões de pessoas  de um lado para o outro do Planeta,  esmagadas como sardinha dentro de aviões pouco confiáveis. Tudo, com o  único propósito de  dar lucro à hotelaria, às produtoras de  combustível,  à jogatina e à prostituição. Será que viemos ao Mundo apenas para fazer isso?
E por nenhum instante passa pela cabeça não só dos turistas boçais como  dos políticos e  das autoridades  brasileiras que estamos sentados em cima da  maior, mais rara e mais cara jóia da Humanidade.  Detentora de descomunais  reservas estratégicas, tanto minerais como hídricas e de biodiversidade, a região não é  cobiçada  por acaso. Se querem  avaliar seu  preço,  multipliquem por mil o Pré Sal, que, aliás, é esgotável.
Mas tudo os que eles sabem dizer quando nos vem é: Poxa como você é exótica

18-09-10

Na Amazônia, o homem  vai  ter que
aprender a desenvolver sem destruir

Por
Marla Alcântara

Uma nação vive em  busca de liberdade, melhoria  da qualidade de vida e crescimento. O que é ser um país subdesenvolvido ou um país pobre? Você é pobre de quê?
Nasci num país do chamado  Terceiro Mundo. Mas quantos mundos existem? Três? Então somos da última categoria?

Sabe lá que idade eu tinha, mas escutava os adultos dizerem: carne de primeira, segunda ,terceira.  O Brasil é tão pobre e desclassificado assim? Agora somos emergentes. Mas estamos emergindo de onde para onde?

Penso nas riquezas visíveis na minha Amazônia e “tudo que é pobre se desmancha no ar”, cheia de frutos e sementes curandeiras. E penso nos pássaros de inúmeras e incontáveis espécies, talvez comandados pelo famoso canto do Uirapuru.

Se sou amazônida, como posso  ser pobre?

Se moro circundada pelo maior rio do Planeta e do mais belo encontros de outros dois? Se tenho em minha terra Boi Bumbá, Festival de peixe Ornamental, terra da Ciranda, Festa do Cupuaçú, e lindos hotéis de selva?

Não pense que sou ingênua e que não saiba que nessas mesmas cidades: Parintins, Barcelos, Manacapuru e Presidente Figueiredo não haja pobreza e gente sofrida. E como há…

Mas se me confronto  com o que é rico e o que é pobre, como posso morar e assumir que moro num país pobre? Se ele é pleno de reservas de tantos minerais tão estratégicos quanto cobiçados. Se é pleno de reservas indígenas que de canto, cura e cultura tem tanto?

E que dizer do capitalismo se alastrando floresta adentro? Falei dos hotéis de selva, que recebem tantos europeus, mas que são inacessíveis para o brasileiro e o próprio amazonense. E nós amazonenses também vamos nos alastrando pelo capitalismo e trocamos nossas comidas milenares pelo McDonald’s. E aprendemos a correr atrás da grana como qualquer povo “civilizado”.

Sim, estou inserida no sistema.  Mas quem disse que por isso perdi o direito de sonhar? Sonhar, por exemplo, com desenvolvimento  compatibilizado com a preservação. Se o homem não conseguir fazer isto na  Amazônia, não o fará em nenhuma outra parte do mundo.

Lembro agora  do pequeno canoeiro que leva turistas para conhecer o encontro das águas, mostra as  tribos indígenas  e ensina como segurar jacarés bebês, bicho preguiça, macaco e cobra. Isso para dizer que ele  está estudando inglês para bem atender sua clientela. Não é ele apenas que está aprimorando seus estudos. Há, na verdade, uma troca equânime de  conhecimentos e informações. Talvez o caminho seja por aí.

Está  na  hora de transforma a Amazônia  exótica numa solução, num exemplo para o Brasil e para o Mundo.

Como diria  Antoine de Saint-Exupéry, o essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração.

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5 Comentários leave one →
  1. Cammy L. Cavalcanti permalink
    20/09/2010 11:22 pm

    A conscientização humana é o primeiro grande passo para o desenvolvimento e consequente preservação da Amazônia.

    O grande entrave é que a destruição vem prevalecendo…talvez antes da conscientização, falte mesmo o real sentido de humanidade!

    Sds,

  2. 22/09/2010 5:35 pm

    sim querida, infelizmente essa conscientização de humanidade não existe!

    O rio, o pássaro, todos eles perdem valor! O q vemos de rios e igarapés com lixo por aí não tem conta!

    isso me lembra a música tema de Pocahontas! Depois escrevo p vc!

  3. Nathália Kahwage permalink
    23/09/2010 12:02 am

    Sou amazônida também, de Belém do PA.
    Moro em SP há um ano e meio e vejo o quão desinformado é a maioria dos que vivem aqui.. Mal sabem distinguir o Norte do Nordeste…
    E é com tristeza profunda que acredito que a cada dia que passa, fica mais clara a ideia de a Amazônia não passae de um grande “celeiro” para o desenvolvimento do resto do Brasil…
    Parabéns, pelo texto.
    Abçs

  4. 17/10/2010 4:08 am

    Marla, parabéns pela inspiradíssima matéria, fez-me sentir acrescida
    de algo precioso, rescendendo a florestas mágicas, rios de clorofila, pássaros
    e horizontes exóticos; o esplendor da natureza nos circunda,
    sinto-me circundada por uma paisagem ainda mais bela que a
    Jerusalém preternatural dos visionários com suas ruas feitas de
    pedras preciosas;
    Precisamos agora de um Governo voltado para as nossas
    riquezas naturais, uma política de valorização dessas coisas
    que aos brasileiros passam despercebidas, como denuncia
    Caetano em O Estrangeiro: “sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la,
    estrela, – o que é uma coisa bela? O amor é cego, Ray Charles é cego,
    Steve Wonder é cego, e o albino Ernesto não enxerga mesmo
    muito bem…”
    Precisamos de lentes novas .

    Muito muito grata por esta leitura tão rica em conteúdo e poesia.

  5. 16/02/2011 1:11 pm

    Concordo plenamento com o que está escrito, belo post

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