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Arte & Manha

08-10-12

Vitória indiscutível de Chávez cala boca da grande mídia

Ao obeter, ontem (o7),  mais de 54% dos votos em eleições livres e legítimas, cuja lisuara foi reconhecida pela própria oposição,  Hugo Chávez  cala a boca da grande mídia brasileira que é filial da grande mídia norte-americana. Na verdade, ambas estão subordinanas aos interesses estratégicos do Departamento de Estado. 

Elas sempre  procuraram desmerecer a democracia venezuelana, emboram  apoiassem  velada ou ostensivamente os golpes no Paraguai e em Honduras.

 Por outro lado, essa vitória eleitoral indiscutível fortalece definitivamente o MERCOSUL que emerge, assim, como um dos principais polos econômicos e geopolíticos do Planeta.

Como temos  afirmado neste blog, a América do Sul definitivamente unida e integrada (via MERCOSUL e UNASUL) será a 4ª maior potencia mundial, com uma vantagem excepcional: é absolutamente autosuficiente  em proteínas animal e vegetal, bem como em combustíveis fósseis ou renováveis. Dois itens estratégicos que faltam às nações do chamado Primeiro Mundo.

Esta é a razão pela qual as grandes potência, tento à frente os EUA fizeram  e fazem o possível para boicotar o MERCOSUL e desmoralizar a UNASUL.

Contam, para isso, com a parcialidade e a capacidade de distorsão da maioria dos grandes jornais  e TVs do Continete que comem na mão do Capital Financeiro e, com  disse acima, estão  articulados com o Departamento de Estado.

A matéria abaixo dá cotinuidade ao raciocínio desta.

 

 

01-02-10

A opinião pública (brasileiro médio) é diferente
da opinião publicada  pela grande mídia apátrida

Já disse várias vezes neste blog que os editoriais do Globo, do Estadão e da Folha poderiam ser assinados pela secretária de Estado Hillary Clinton. Os profissionais que produzem estes editoriais são pagos para nos fazer crer que a imprensa burguesa (do Capital) é a única livre, logo ela onde cada palavra e comprada a peso de ouro.

Por outro lado, os stalinistas desmoralizaram, ao longo do século passado, a Imprensa do Trabalhador, a que deveria ser símbolo de liberdade, ao utilizá-la com instrumento da ditadura.

Estamos, evidentemente, diante de um dilema. Dilema este agravado pelo fato de termos alimentado, durante décadas, a noção de que a Ditadura no Proletariado era uma inerência  da luta de trincheira contra o Capitalismo.

Não tenho a pretensão oferecer solução para esse impasse, mas ouso dizer que, embora de forma  empírica, o Movimento Chavista oferece um esboço de solução ao impor-se o princípio da disputa eleitoral e do respeito aos seus resultados.

A mídia burguesa  desconfia da “sinceridade institucional do chavismo”, mas não pode negar a evidência de que ele  submeteu-se, na última década, a inúmeros  desafios eleitorais e, mesmo derrotado em alguns, submeteu-se a seus resultados.

 Aliás, o único golpe de fato ocorrido na Venezuela, nos últimos dez anos, foi o praticado por partidos burgueses com apoio (intervenção grosseira em assuntos internos venezuelanos) por parte do Governo Bush.

Em outro artigo pretendo aprofundar um tema que corre em paralelo: quando no poder  os partidos reproduzem o grau de democracia interna que impõem aos seus militantes.

Seja como for, o chavismo se impõe, neste início de século, como o movimento socialista mais proficiente. Ele precisa ser mais apoiado e estudado com mais método pelos marxistas do Continente.  

21-07-12

No caminho tinha uma pedra chamada Russomanno

Este blog foi o primeiro a advertir, há meses, que  entre Lula e Serra, os dois principais protagonistas na campanha pela prefeitura de São Paulo, havia um fator intermediário chamado Celso Russomanno que vinha sendo solenemente ignorado pelos analistas.

Em linha gerais e sem afetação acadêmica, pode-se dizer que o eleitorado paulistano pende historicamente para um certo “populismo de direita”, na linha sucessória Adhemar, Jânio, Maluf e agora Russomnno. No Rio a tendência histórica  pende para o “populismo de esquerda” modelo janguista e brizolista.

Seja como for, o  dado de realidade é o de que embora  tenha um tempo exíguo no horário gratuito de propaganda eleitoral, Russomanno  que  interrompeu uma década de militância malufista para  aderir ao bispo Macedo, filiando-se ao diminuto PRB, é um político com muita visibilidade na mídia, graças a seus programas populares na TV.   Nesse sentido, o Ratinho pode ser analisado de forma análoga e já é um dos líderes  nas pesquisas sobre as eleições municipais de Curitiba.

 O PT aposta tudo no horário gratuito, quando Lula poderá, finalmente, apresentar Haddad ao eleitorado. Além disso, sabe-se que Russomano também sofre grande rejeição e enfrenta processos na Justiça. Entretanto, para o que nos interessa, é preciso considerara possibilidade de que ele vá para o segundo turno com Serra. Nesse caso, a situação seria um misto de fiasco e vitória para o  PT, porque ele teria chance  de enterrar  a carreira política do Serra (e de importantes tucanos paulistas) em seu principal reduto.

É claro que nessa hipótese, no segundo turno, tapando o nariz ou não, a militância petista teria que descarregar toda sua energia na candidatura Russomanno, aproveitando o fato de que ela tem larga penetração na periferia e rouba boa fatia de  votos serristas nos bairros de classe média alta. Sem falar nos votos evangélicos…

Enfim, ninguém é perfeito. E não se pode ter tudo na vida.

Os números

Russomanno é o único que vem crescendo nas pesquisas (Datafolha). Pulou dos 20% do mês passado pra os atuais 26%. Está em empate técnico com José Serra que está há meses estacionado nos 30% e é o campeão das rejeições (37%). Fernando Haddad (PT) está há dois meses  estacionado  na casa entre 6% e 7% empatado com Soninha do PPS. Chalita (PMDB) caiu para 6% (chegou a ter 10%). E Paulinho da Força (PDT) nunca a ultrapassou os atuais 5%.

12-7-12

Governo não consegue acelerar
crescimento e Mantega  balança

O que ainda sustenta Guido Mantega no cargo de ministro da Fazenda é a noção  folclórica e supersticiosa de que “não se  pode trocar a junta de bois no meio da ladeira”. Ele nunca foi o ministro dos sonhos da presidenta, mas vai ficando porque acata ordens sem discutir e porque sempre há algum problema mais premente no foco das preocupações presidenciais.

Ninguém ignora que Mantega é um gerente e administrador correto, mas ele está longe de ser formulador de políticas e estratégias, nem tem carisma para convencer  as audiências seletas ou ampliadas de que estamos no caminho certo.

Sob esses aspectos, a presidenta confia mais no presidente  do BNDES, Eduardo Coutinho e no próprio secretário-geral do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Mas Mantega vai ficando, ainda mais agora que estamos a apenas quatro meses das eleições e com o Mercado ouriçado com a crise européia ou global.

Por outro lado, a presidenta já está, segundo um de seus colaboradores mais próximos, convencida de que é preciso dar uma sacudida na Política Econômica se quiser salvar, depois de  outubro, os últimos 20 meses de seu governo.

Os números

Em maio último registrou-se um inesperado tombo no consumo nacional. Logo maio quando tradicionalmente,  em função do Dia das Mães,  há um alta nas vendas. Mas este é apenas mais um aviso. Todos os indicadores apontam  para um crescimento econômico  inferior ao do ano passado que foi pífio: 2,7%.

Os diagnósticos também são conhecidos: o governo obteve vitórias no varejo, mas  perde  a batalha no ataca. No varejo, soma a seu favor a queda da inflação, a queda da taxa de juros,  a manutenção do dólar  num patamar adequando (em torno de R$ 2) e auxílios pontuais e temporários a setores  mais aflitos da indústria e do agronegócio.

Mas a verdade é que (e aqui temos a batalha no atacado) o governo não consegue  realizar  o essencial para  manutenção de um crescimento sustentado: o investimento. A mais de uma década o Pais  não consegue investir mais que 19% do BIP  na produção e na infra-estrutura. A China investe 40% anualmente.

Enquanto isso, ultrapassamos a metade deste 2012, sem ter conseguido investir sequer 20% do que foi  planejado e  anunciado em janeiro.

Em parte, esse fracasso pode ser creditado a restrições na área ambiental e a problemas na esfera judicial. Mas há também a exasperante inércia burocrática e a imperdoável incompetência administrativa em todos os níveis. A máquina não anda.

Finalmente, falta o élan e o carisma a que nos referimos no início deste texto. Os deslanche de investimentos públicos e  privados (principalmente estes) dependem de fatores psicológicos, o efeito manada. Isso só obtém com uma boa bandeira e um comando carismático.  Mas depende, também,  de um bom projeto.

O governo do  PT é incomparavelmente superior ao governo tucano (neoliberal e apátrida), mas lhe falta  algo essencial.  Não basta ter um projeto de poder que isso ele já tem. É preciso um Projeto Nacional e Popular que galvanize e população. Sem ele, o Governo fica dependendo de medidas imediatistas, da mão para boca, para salvar sua popularidade  e se equilibrar nas oscilações do IBOPE. Só marquetagem não resolve isso.

A matéria abaixo dá continuidade ao raciocínio desta.

06-07-12

Agora Dilma só pensa na retomada do crescimento

Com inflação em queda (o menor índice desde agosto de 2010), garantido que ela não ultrapassará os 5% este ano, e com dólar “controlado” no ponto considerado ideal, em torno de  R$2, o Palácio do Planto vai agora concentrar suas forças  na tentativa de retomada do crescimento.  Via consumo e via investimentos.

O Banco Central  estima um crescimento em torno de 2,5% e  setores do Mercado e da mídia já falam em expansão inferior a 2%. Então, crescer pelo menos tanto quanto o ano passado, 2,7%, virou ponto de honra para a presidenta Dilma Rousseff e para o ministro Guido Mantega, da Fazenda. Afinal, estamos  a quatro meses das eleições municipais.

Há, em tono do tema, uma discussão acadêmica que corre em paralelo. Um bom número de especialistas considera que está esgotado o modelo tão bem sucedido em 2010 (crescimento de 7,8%)  que foi obtido com a expansão do crédito (queda dos juros) e estímulos ao  consumo a toda brida,  através da eliminação temporária de impostos federais para  uma vasta gama de atividades.

Houve então, o que chamam de Bolha de Consumo que agora não se sustentaria mais, porque as famílias já estão  endividadas além da conta e porque  não há mais, na indústria,  a capacidade ociosa de dois anos atrás.

Há certa razão nisso. Aliás, é elementar, para os economistas, a noção de que crescimento apenas à base do consumo, sem os concomitantes investimentos em produção e infra-estrutura, leva ao chamado Vôo da Galinha, ou  o conhecido Para e Anda. Não há sustentação.

A  favor do Governo pode-se dizer  que ele consegui  controlar a inflação, mesmo tendo elevado  bastante a massa salarial. Mas esta é uma discussão inútil, porque também se pode dizer que  a inflação cedeu graças à conjuntura (recessiva) internacional.

As estatais

E aqui ingressamos numa discussão política e ideológica: Somos um País onde a maior parte do empresariado, diante da mínima dúvida, prefere correr pra as aplicações financeiras, especulativas. Um País, onde, tradicionalmente, o Estado foi responsável pelos grandes investimos de riscos, estratégicos e de logo prazo. Foi assim, do início dos anos 30 ao final dos anos 70. Meio século em que o Brasil foi o campeão  mundial do crescimento econômico. De fazer inveja a chinês.

Defeitos, roubalheiras e escândalos há tanto nas estatais como nas privadas.  Desperdícios e desvios de recursos para fins não produtivos, idem. Então, não é por aí a discussão. O que se deve levar em conta é que o Governo do PT, precisa perder essa mania de defender as estatais nos bares e nos círculos acadêmicos, mas fica tímido nas esferas do governo.

Nessas  esferas, ele cede às pressões dos  neoliberais cujos paradigmas já desmoronaram no Mundo todo. Além disso, como tenho argumentado neste blog, os partidos da Base de Apoio ao Governo no Congresso são favoráveis às estatais, até por questões fisiológicas. Eles sabem que uma estatal de grande porte fale por muitos ministérios…

Temos reservas de 400 bilhões de dólares que  guardamos para garantir nossas dívidas e, principalmente, para preservar  nossa imagem junto às agências classificadoras de grau de investimento. Mas pelo menos um terço dessa grana toda que não rende nada, poderia ser aplicada (até o Delfim Netto já sugeriu isso) num Fundo de Desenvolvimento que custearia investimentos massivos e (estatais com eventual parceria privada) em infra-estrutura e indústrias estratégicas, principalmente as de tecnologia de ponta,  setor em que estamos defasados.

O importante é romper com cacoetes, preconceitos e vícios ideológicos impostos (de fora para dentro, diga-se) por trinta anos de predomínio do pensamento neoliberal. A economia francesa é mais estatizada que a brasileira e nem por isso a França deixou de crescer, quando as conjunturas forma favoráveis.

13-6-12

O Capital é incompatível com a Natureza 

A mídia e os especialistas neoliberais farão o possível, nesta Cúpula  Rio+2o, para tentar vender a idéia de que tudo estará resolvido se  for incutida  na opinião pública, nos dirigentes governamentais e nas empresas uma mentalidade  mais civilizada, mais moderna e, numa palavra, ecológica.

 Pura balela. Toda as soluções via reciclagem, por exemplo,  ou são paliativas  ou agravam o problema, na medida  em que estimula e até eterniza o verdadeiro problema que é a descartabilidade e sua  produção redundante ou perdulária.

A rigor, apesar da imagem simpática criada em torno dela, a reciclagem apenas nos remete do lixo ao lixo, num circulo vicioso destrutivo.

E quanto se discute candidamente como transformar garrafas pet (esta verdadeira praga cuja produção deveria ser  sumariamente proibida) em cadeiras, vassouras ou bibelos inúteis,  oculta-se o verdadeiro problema.

A água desperdiçada

 Hoje vou me limitar à questão da água, vitima também de campanhas piegas e  hipócritas visando a economia doméstica do líquido, o que representa menos de cinco por cento  do problema.

 No meu livro “O Impasse Ecológico, de 2004, eu já tentava advertir que o grande problema está na descomunal  utilização da água na produção agrícola a industrial. É lógico que quando esta produção é redundante ou perdulária, a utilização de gigantescas quantidades de água, é igualmente perdulária e redundante.  O pior  é que a água é hoje um “produto”escasso.

Vou reproduzir, aqui,  alguns parágrafos do livro, os quais deliberadamente não atualizei, para mostrar que há  dez anos o problema já era gravíssimo, mas só agora os  santarrões ecológicos de  última hora, começam  a  levantar a questão e, assim mesmo sob um prisma equivocado.

Eis alguns parágrafos do capítulo em que trato do desequilíbrio hídrico global provocado pelo modo de exploração capitalista:

“Embora o abastecimento de água venha se transformando num verdadeiro drama para muitas grandes cidades do Planeta, a verdade é que a maior parte da água oferecida é utilizada pela agricultura (50% da produção agrícola do Mundo provem de  áreas irrigadas) e principalmente  pela indústria.

Por exemplo:  a produção de uma tonelada de aço requer o emprego de 150 toneladas de água: o refino de uma tonelada de petróleo consome 180 toneladas de água: para se produzir uma tonelada de papel são consumidas 250 toneladas de  água.

Enquanto isso, segundo a ONU_INICRF, mais de 40 mil crianças morrem diariamente, no Mundo,  em função da falta de água ou de águas poluídas.

Os governos e os empresários já deixaram de encarar a água como um bem natural e gratuito. Ela tem valor econômico como qualquer commodity. O controle de mananciais hídricos passou a ser um problema não só econômico como de segurança e, portanto, estratégico e militar… “

Voltando  ao Rio+20. É fácil verificar que essas questões realmente essências serão “abafadas” pelos deslumbrados e festivos debates sobre como  ser  “ecologicamente  correto e bem comportado”.

Os setores um pouco mais sérios exigirão que os governos se comprometam com o cumprimento de metas na direção de uma “economia sustentável. Mas pouquíssimos dirão que tudo isso é uma inviabilidade enquanto estivermos   subordinados ao modo produção  capitalista.

E esta não é  uma afirmação gratuita. Na continuação desta matéria há um texto, que reedito sempre que necessário, explicando por que o Capital, sendo ele próprio um excedente de trabalho, não consegue  sobreviver sem a continuar  produzindo  excedentes inúteis.

A matéria abaixo dá continuidade ao  raciocínio desta. E  ao final dela, você encontrará o texto O Crepúsculo do Capital   a que me referi no parágrafo acima.

   

07-06-12

Uma pérola ecológica

É comovente o esforço de Miriam Leitão para se fazer passar  por ecologista de primeira hora. Ela desce ao detalhe na tentativa de  demonstrar sua preocupação com o tema e protestar contra o que chama de retrocessos.

Eis um trecho significativo de sua coluna desta quinta-feira (07):

“Tudo o que aconteceu em torno do Código Florestal também significa retrocesso. Os vetos (da presidenta Dilma) não mascaram o fato simples de que houve uma anistia. Quem desmatou ilegalmente, e foi flagrado, tem multa suspensa e terá que recompor apenas parte do estrago feito. Foi derrubada silenciosamente a Resolução do Banco Central que proibiu a concessão de crédito de bancos públicos ao produtor irregular do ponto de vista ambiental”.

É um libelo indignado contra essa vitória pontual da Bancada Ruralista no Congresso. Esperta, Miriam sabe que os ruralistas estão sujos perante setores importantes da opinião pública. E investe contra eles para ressaltar sua posição de ambientalista, coisa que nunca foi na vida, a não ser quando, recentemente,  aderiu  à campanha eleitoral de Marina Silva, como tantos outros serristas envergonhados.

Mas quando eu disse que ela desceu ao detalhe cometi um engano. Em verdade, ela não consegue ultrapassar o limite dos pequenos detalhes, tanto em Ecologia como em Economia, sendo que uma coisa depende da outra.

Miriam é absolutamente destituída de um mínimo de embasamento teórico. Apenas, como a maioria de seus coleguinhas de mídia, limita-se a papaguear os dogmas da teoria neoliberal impostos pelo Capital Financeiro.

Alguns “ecologistas”, tão novatos e oportunistas  quando Miriam só que um pouco mais espertos, já perceberam que é até ridículo falar em Ecologia sem mencionar a questão da produção e do consumo  redundantes e perdulários impostos pelo modo de produção capitalista. Eles sabem e dizem que a Natureza já deu o sinal de alerta: não comporta e não aceita mais tipo de produção.

Entretanto, uns ingênuos, outros hipócritas, afirmam que é preciso convencer os capitalistas e até as agências de  publicidade (olha só que gracinha) a se comportarem   de forma mais comedida e ecologicamente correta.

Isso, porém é uma  impossibilidade lógica e prática, porque o Capital é um excedente em si e só sobrevive e se nutre (acumula) produzindo excedentes inúteis. Sem isso ele esvaece e morre.  Sendo assim, imaginar um capital bem comportado, civilizado e preocupado deveras com a ecologia, é supor um vampiro vegetariano.

Como este tema é ingrato e de difícil compreensão para os não iniciados em teoria  marxista, uso sempre um texto em que procuro demonstrar, sinteticamente, como se dá o processo  de acumulação do Capital e porque ele já ingressou em sua fase termina.

Eis o texto:

O Crepúsculo do Capital

Todos comentam a atual crise econômica mundial, mas poucos percebem que  ela é, na verdade, uma crise do próprio  modo de produção capitalista. Trata-se de um  sistêmico que aponta para crescente  incapacidade  de o Capital acumular o seu próprio excedente. É a fase crepuscular ou terminal. Entender isso não é muito complicado desde que se saiba, preliminarmente: 

1-O Capital é, em  si, um excedente. Excedente  de trabalho (próprio ou alheio) que não é consumido e sim acumulado. 

 2-O Capital só obtém lucro efetivo na sua parte variável, dinheiro vivo reservado para pagamento de salários. É essa a parte do Capital que retorna ao bolso no proprietário, inflado pelas horas excedentes (não confundir com horas extras) de trabalho não pagas, a famosa mais-valia. 

3-A parte fixa ou constante do Capital, máquinas e equipamentos (e insumos também)  não fornece, a rigor, nenhum lucro ao capitalista. Isto, pela boa razão de que ela  transfere o seu próprio valor para o valor da mercadoria que ajuda a produzir. No caso dos insumos (energia e matérias-primas) esta transferência é instantânea. No caso de máquinas  a transferência pode levar anos. Mas, inexoravelmente, insumos, máquinas  ou  equipamentos se exaurem, cedo ou tarde, na produção das mercadorias. Entretanto, é  aqui, na sua parte constante, que o Capital  acumula. 

4-A última frase do item anterior não é gratuita: o Capital só materializa e fixa os lucros obtidos com a rodada anterior de exploração do trabalho, quando investe em novas máquinas e em mais terrenos e edificações. É assim e só assim que ele realiza sua acumulação ou, mais propriamente, sua reprodução ampliada. Pois é assim que ele amplia sua capacidade de explorar mais trabalho a partir  da mesma base inicial. 

 Agora reparem (e isto  é estampado diariamente pela mídia) que o Capital está em permanente revolução interna, sempre substituindo sua  parte variável (salários e mão de obra) pela parte  constante (máquinas e equipamentos). É a  automação vertiginosa que acomete o Sistema nesta  sua fase terminal. Quando as máquinas e equipamentos perdem densidade de valor ou simplesmente tornam-se descartáveis (substituídas em prazos cada vez mais curtos), o Capital vai, concomitantemente, perdendo sua capacidade de acumulação.  

Então, fica nítida a noção de que, principalmente nos países  tecnologicamente mais adiantados, o Capital (entendido aqui como o conjunto de capitais – o Sistema), vai despregando-se daquela parte que dá lucro, bem como daquela onde  ocorre a acumulação efetiva. 

Quando isto ocorre, o Capital toma três rumos: a– deixa de ser produtivo e transforma-se em capital de serviços que dá lucro, mas não realiza a acumulação clássica que só ocorre (como foi exposto acima) no capital efetivamente produtivo, industrial ou agrícola; b– ingressa  no cassino especulativo e passa a obter a  maior parte de seus lucros não mais no  chão da fábrica, mas  no departamento financeiro e c– migra para a periferia do sistema, os países em desenvolvimento, onde ainda é possível  obter altas taxas de mais-valia, em função da mão de obra barata. Neste último caso, China, Índia e Brasil são três excelentes exemplos. 

Enfim, creio que aí está  um pequeno, porém eficiente, roteiro para acompanhar a  atual crise com melhor capacidade de percepção dos fenômenos que são subjacentes a ela e vão muito além das baboseiras repetidas à exaustão pela mídia pobre e podre. 

Reparem, ainda, que o que foi dito aí em cima, não é simples literatura marxista dogmática e sim leitura correta dos antigos clássicos da economia como Adam Smith, David Ricardo  e Jean-Baptiste Say,  em cujos textos Marx colheu os fundamentos para  desenvolver sua teorias sobre a acumulação capitalista. Um processo que chega agora à sua fase crepuscular.

O Neofeudalismo

A esta fase crepuscular eu dou o nome de Neofeudalismo, a etapa superior do Imperialismo.

O Neofeudalismo tem como principal característica a  monopolização  e/ou oligopolização extremas e a nível mundial. Some-se a isso, a terceirização da produção.  As grandes corporações cedem a terceiros avassalados, sua marca,  suas invenções e modos de produção e venda.  Assim, passam   (eis aí o aroma feudal) a  auferir renda com algo que é de sua propriedade, sem se imiscuirem na produção propriamente dita.

Com isso, como já é visível a olho nu,  há uma total revolução das relações  do trabalho, somada ao crescente descarte de mão de obra, por conta da vertiginosa automação. Nasce aí o chamado desemprego estrutural.

E desemprego estrutural é  um eufemismo, um nome técnico  que se dá a algo brutal: a exclusão definitiva de populações  inteiras ao redor do Mundo. Populações que se  tornam excedentes e descartáveis  enquanto elementos  do processo produtivo.

 

28-05-11

Dilma quer nacionalizar o Santander

Em novembro do ano passado, com absoluta exclusividade, este blog informou que a presidente Dilma tinha interesse em nacionalizar o Banco Santander que, dez anos  antes,  havia  adquirido o Banespa.

 Ela não pretendia, entretanto,  que a operação se desse através da simples  compra do banco espanhol pelo Banco do Brasil. A idéia era evitar o gigantismo do banco estatal brasileiro, bem como ampliar as alternativas do Mercado.

Aliás, no dia 22 de novembro do ano passado, a presidenta recebeu  no Planalto ao presidente mundial do Santander, Emílio Botin. Foi o início das negociações.

Pelo esquema original, o governo daria  cobertura via BB, Caixa Econômica  ou BNDES, para que um grupo nacional adquirisse o Santander. Desde então as negocias não foram interrompidas até que, na semana passada, correu a notícia de que o BRADESCO havia fechado  o negócio com o Santander.

Do ponto de vista ideológico e íntimo,  Dilma moveu-se  em razão destes dois motivos:  fortalecer (este é o primeiro ponto) o Estado Brasileiro diante da evidente queda de braço que ela está movendo contra o Capital Financeiro em tordo dos juros e da questão cambial.

Em segundo lugar, contou o desejo íntimo e nacionalista de resgatar o velho e tradicional BANESPA, o que, por acréscimo, representa uma alfineta nos tucanos, com sua eterna mania de privatizar tudo, a começar pelos bancos.

Os Fatos

Até a semana passada o Mercado especulava que o Bradesco estava próximo de fechar a compra das operações do Santander no Brasil. O negócio para o banco espanhol, que já se desfez de operações no Chile e na Colômbia, passou a ser imperativo em razão do agravamento da crise bancária na Espanha, que tem exigido novos aportes de capital para fazer frente ao aumento da inadimplência. 

No domingo, entretanto, os bancos negaram a operação. Se confirmado, o negócio catapultaria o Bradesco da terceira para a primeira posição no ranking dos maiores bancos de varejo do Brasil, ultrapassando de uma só vez o Itaú Unibanco e o Banco do Brasil.

Pelos números de março, Bradesco e Santander, juntos, somariam R$ 1,2 trilhão em ativos e R$ 108,4 bilhões em patrimônio líquido, contra R$ 896,8 bilhões e R$ 72,5 bilhões, respectivamente, do Itaú Unibanco. Já o BB fechou seu balanço no primeiro trimestre com R$ 1 trilhão em ativos (por ora, é a única instituição latino-americana a atingir essa marca) e R$ 60 bilhões de patrimônio líquido.

O interesse do Santander

O negócio ajudaria a capitalizar a matriz, mas o os controladores do Santander dizem que, a principio, não tem intenção de deixar completamente suas operações no Brasil, que hoje respondem por mais de 30% do resultado global do grupo.

 A primeira informação que circulou no mercado dava conta do interesse do Santander de abrir mão de uma fatia entre 30% e 40% do seu capital no Brasil. Considerando as estimativas feitas por alguns executivos sobre o valor do banco (entre R$ 100 bilhões e R$ 160 bilhões, neste caso incluindo o ágio pago na aquisição do antigo ABN Amro/Real), a transação poderia chegar a R$ 64 bilhões.

O Banco do Brasil (apesar das restrições da  presidente Dilma) estava e está entre os principais interessados em adquirir parte da instituição espanhola. Mas as conversas esbarram na falta de acordo sobre preço.

 Por seu lado, o Bradesco e o Santander iniciaram negociações há pouco menos de oito meses, mas as conversas ganharam velocidade nos últimos dois meses. Uma das propostas era a troca de ações entre os bancos, que asseguraria ao Santander a liquidez necessária para capitalizar sua operação na matriz.

Se confirmado, o negócio ainda teria que ser aprovado pelo Governo. Comunicado sobre as negociações, o Planalto manifestou, de início, preocupação com o aumento de concentração de mercado. Na verdade, Dilma prefere a criação de um novo banco. Mas o Banco Central manifestou a alguns interlocutores o receio de que as dificuldades enfrentadas pelo Santander na Espanha possam contaminar as operações no Brasil. Por isso, não colocaria obstáculos a um eventual acordo.

22-05-12

Cachoeira  e  Márcio  Thomaz
Bastos. Malandros ou otários?

Há poucos dias comentei aqui neste blog que ao contrário do que supõe o consenso medíocre, nem tudo termina em pizza. É claro que há uma tendência natural para que os escândalos consecutivos, como camadas de um bolo, vão encobrindo uns aos outros. E os políticos, via de regra, se fiam nisso.

Mas há algo que eu chamaria de comoção popular que desmancha a regra tida como geral. Citei, no artigo anterior, o escândalo provocado pelo atentado contra Carlos Lacerda, que culminou com o suicídio do Getúlio. Houve, também, a campanha das Diretas Já, o Fora Collor, etc. O fato é que dá-se  um certo  momento em que a população efetivamente se choca e se mobiliza.

O Caso Cachoeira pode vir a ser é um desses fenômenos, quando ocorre um furor popular misto de curiosidade, indignação e até alguma admiração. É impressionante a vastidão do império que vinha sendo montado pelo marginal. Fica escancarada a vulnerabilidade do Estado, a desfaçatez de políticos e empresários importantes, todos tratados pelo bicheiro como elementos subordinados, à sua disposição.

Podem até fazer uma analogia com o caso Al Capone ou com a Operação  Mãos Limpas  contra a Máfia, na Itália. Mas Cachoeira e peculiar. A começar pelo fato de não ser bandido, até onde se sabe. É apenas um contraventor. E é isso que dá um toque brasileiro ao processo.

Sei não, se Cachoeira e Thomaz Bastos imaginam que podem ir protelando a coisa, até que apareça um escândalo maior, podem esperar sentados. Eles estão se comportando mais como otários do que como malandros.

16-05-12

Nós, o dólar e a Dilma da Dilma

Há uma cotação ideal do dólar para cada ramo de negócio. É a lei natural do Sistema. Primeiro o meu interesse, depois veremos como fica o coletivo. Para o governo, entretanto, em princípio o dólar mais valorizado favorece o País, tanto que  o Planalto e o BC fizeram o possível, este ano, para evitar uma excessiva valorização do Real em relação à moeda americana.

 A lógica é simples: dólar mais caro inibe as importações e estimula a exportações. Há um consenso de que a cotação ideal estaria na faixa  entre 1,85 reais e  a 2,05 reais por dólar.

Mas as coisas não simples assim. Primeiro, vem a questão da inflação. Os importados baratos ajudam na queda dos preços internos. E, evidentemente, importados caros inflam os preços.

 E a complexidade é ainda maior, quando se percebe que boa parte da indústria e do agronegócio dependem da importação de componentes e insumos para  poder produzir.

Com a globalização todas as economias de todos os países estão, por assim dizer, “contaminadas” por ingredientes estrangeiros. Setenta por cento dos componentes (em termos de preços) dos aviões da Embraer, por exemplo, são importados.

Já dissemos dezenas de vezes neste blog que uma das maiores ironias de nossa história recente é a de que, embora tenha alçado o País para um  patamar mais alto, em todo os sentidos, os dois governos petistas, conseguiram a façanha de comandar o País sem um Projeto  de Desenvolvimento (principalmente industrial)  Integrado.

A Dilma da Dilma

Falta ao tempero petista, algumas pitadas de juscelinismo: mais Grupos Executivos e menos Grupos de Estudos, até porque  os estudos estão aí à mão, só falta dar concatenação a eles. Mas falta, sobretudo, uma visão articulada da evolução industrial e tecnológica do País.

Os exemplos são fartos e gritantes, mas fiquemos apenas com estes três:

Possuímos o quinto maior parque automobilístico instalado e o quarto maior mercado consumidor do Planeta. Entretanto, grotescamente não possuímos uma única fábrica nacional de motores, seja privada, estatal ou mista, como queiram.

Possuímos a maior fonte mundial de biodiversidade (principalmente na Amazônia)  e não temos uma grande fábrica (de porte internacional) de medicamentos. Justamente um dos setores mais  lucrativos e que mais ensejam a articulação entre a acumulação  de capital e a pesquisa científica. E, nesse particular, temos  a necessidade de proteger   a referida  biodiversidade contra a pirataria escancarada  de que somos vítimas. Pirataria esta praticada por “respeitáveis” multinacionais, principalmente na Amazônia.

O mesmo, quase que com as mesmas palavras, pode ser dito sobre nosso mercado  cinematográfico e  sua respectiva indústria, totalmente dominado, desde sempre, pelas corporações americanas que, diga-se, são altamente protegidas (como estratégicas que são) pelo governo  de Washington.

Não importa, repito, que nossas  empresas eleitas como estratégicas (toda potência  mundial faz isso) sejam estatais, privadas ou mistas.  O que nos falta e visão de conjunto e estratégia de desenvolvimento. Dilma Rousseff é uma boa gerente, mas falta a ela, talvez, o tipo visão estratégica de seu antecessor. E lhe falta, principalmente, uma gerente para garantir a retaguarda que ela proporcionava a Lula. Dilma precisa, urgentemente, encontrar a sua Dilma.

01-05-12

Tudo pelo Socialismo ou tudo pelo IBOPE?

Creio que não há precedente na História. Não tenho notícia de que um presidente da República tenha  desancado de forma direta aos banqueiros, como o fez ontem (31) a presidente Dilma Rousseff.

Os banqueiros são, com razão, mal vistos pela sociedade. O mesmo vale para os políticos em geral, os partidos políticos e o Congresso Nacional. Dilma sabe disso como qualquer pessoa razoavelmente informada e bate forte em todos estes seguimentos. E usa como instrumentos a faxina (simulada ou não) e um jeito formalmente educado, porém de resultado desmoralizante, no trato com políticos e partidos.

Ao Congresso ela respeita formalmente. Mas aqui também o resultado é a humilhação e o rebaixamento. Não há um congressista que não se  queixe de que   o Legislativo foi transformado em mera repartição homologatória. Este é o estilo que ela, por intuição, adotou para garantir popularidade.

 E, no entanto ela fica aborrecida e distribui  boncas  homéricas quando se  sente “traída” por deputados ou senadores. Enfim, faz tudo o que o cidadão comum, da rua, gostaria de fazer ou que o  ocupante do Planalto fizesse.

Há circunstâncias, diga-se a bem da verdade, em que ela age em  nome do genuíno  interessa nacional,  como é o caso da Política Externa e da questão ecológica.

A própria mídia, atarantada, fica a meio caminho entre a crítica e o elogio pontual. No mais, procura obstinadamente mostrar as diferenças e intrigar Dilma contra seu antecessor e inventor.

Eu que sou  mais um cidadão da rua,  simpatizo com o jeitão da presidenta. Mas me inquieta não saber se ela faz o que faz obedecendo a uma estratégia ideológica no sentido de  encaminhar  o Pais para o  socialismo ou, pelo menos, para a construção de  um Estado forte e soberano.

Me inquieta, eu dizia, a suspeita de que ela faça tudo isso em função de um certo imediatismo, para manter-se no topo do IBOPE. Afinal, temos eleição a cada dois anos e quase não dá tempo para se pensar em mais nada.

17-03-17  atualizado em 18-03-12

Com apoio de Lula, Dilma enfrenta chantagistas da Base Aliada

A  “crise” Governo/Base Aliada evoluiu, nas últimas 24 horas, dentro do que era esperado e com  uma  elevação de tom  por parte da presidenta  Dilma. Seu recado através de assessores: Não negocio com chantagistas e podemos muito bem ficar até outubro sem a aprovação de nenhum projeto importante no Congresso.

Da parte dos parlamentares rebelados, ou chantagista, como queriam, ocorreram dois movimentos de sexta para sábado:  A bancada do PR na  Câmara  reuniu-se para começar, sem muita pressa, a discutir se acompanha os senadores do partido que  se passaram para a Oposição.  E o PTB mais o PSC informaram que também estudam a possibilidade de abandonar o Governo.

Somadas, as bancadas desses três partidos chega a 74 deputados num total de 513. Isto representa um desfalque importante, mas não chega a destruir maioria do Governo  na Câmara. Além disso, o Planalto sabe que boa parte dos parlamentares não seguirá a orientação  partidária. Ainda mais num ano eleitoral.

Finalmente, houve   a visita de José Sarney ao apartamento de Lula  em  São Bernardo,  sinal de que o PMDB sentiu que Dilma não está blefando.  Da conversa entre os dois ex-presidentes, tudo o que se sabe  é que Lula endossou a nova postura de Dilma em relação à Base Aliada.

Texto de 17-03-12

A grande mídia está demorando para entender que houve uma mudança radical no eixo e no método político do Palácio do Planalto. Em parte, esta metamorfose ocorreu ao sabor das emergências e improvisos, como é natural em política. Mas há também uma boa dose de planejamento a partir de uma decisão amadurecida.

Como este blog vem informando há mais de uma semana, a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula decidiram dar um “novo tratamento”  à Base Aliada que, extensa demais e viciada na  infidelidade calculada  (chantagem), estava fora de controle.

Em função disso, duas medidas drásticas foram adotadas: a substituição das lideranças da Base no Senado e na Câmara  e um recado duro para os partidos  mais descaradamente  infiéis. “Não vem que não tem”, foi o aviso dado pela própria presidenta.

A reação dos partidos mais atingidos foi a esperada pelo próprio Governo. O PMDB dera, na semana passada, dois sustos na presidenta, rejeitando no Senado uma nomeação de seu interesse pessoal, e, na Câmara, lançando um manifesto assinado por 50 deputados rebelados.

Diante do troco dado pelo Palácio do Planalto, o partido reagiu na sua forma habitual. Não passou recibo e falou em “ampliar os canais de dialogo”. A frase é de Renan Calheiros que ao lado de José Sarney e Romero Jucá, o líder destituído, compõe a Tróica que comanda o Senado.

Tanto é assim que Jucá foi imediatamente realocado para o posto estratégico de  relator da Comissão de Orçamento da Casa, de onde poderá enviar  torpedos contra o Planalto.

Já a reação do PR e do PDT aos quais Dilma vedou a pretensão de indicar, respectivamente, os  ministros dos Transportes e do Trabalho, foi estabanada e pouco séria. Veja a matéria logo ai abaixo, na sequência desta.

O Fiador

“Dilma está certa. Vale a pena esta luta, porque é a boa luta. O momento é de transformação”. Este foi o recado mandado pelo ex-presidente Lula ontem (16) através de seu amigo pessoal, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM),  novo líder do Governo no Senado.

Mesmo convalescente Lula recebeu o senador no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Foi a forma de ele demonstrar sua total sintonia com os novos métodos políticos  da presidenta. E, para mostrar que é um caminho sem volta,  lembrou que a situação atual é muito diferente da que ele encontrou ao tomar posse em 2003.

Na verdade, Lula e Dilma apostam em dois fatores principais. O primeiro é a crescente popularidade da presidenta que, segundo pesquisas  recebidas pelo Planalto, aumenta na razão direta de seu  embate contra  o fisiologismo. É uma espécie de segunda etapa da “faxina”.

O segundo é a convicção de que os partido da Base, a começar pelo PMDB, sofrem de graves fraturas internas e são inaptos para viver fora da sombra protetora do Governo, ainda mais num ano eleitoral.

 Isto posto, a tática que está sendo usada pelo Planalto é a do morde e assopra, com pequenos recuos quando necessário. Além disso, Dilma está compenetrada de que precisa receber pessoalmente um bom número de senadores e deputados, por mês. Aliás, ela começa a fazer isso na próxima semana.

O mais importante, porém, é que a Casa Civil já foi autorizada a liberar recursos para as emendas parlamentares. Com isso, os congressistas mais fieis começam a ver seus redutos  eleitorais  irrigados pelas verbas federais.

15-03-12

 Dilma  continua  enxugando  
e “enfrentando” a Base Aliada

Como em todo embate político, há imprevistos, reações exacerbadas e coisas do gênero. Mas, independente disso, Dilma Rousseff segue o plano traçado em comum acordo com o ex-presidente Lula e com o secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Como este blog informou há poucos dias, creio que em primeira mão, o plano consiste em enxugar a Base Aliada no Congresso, expurgando os partidos ou parlamentares irremediavelmente infiéis.

 Com isso, sobra espaço e cargos para contemplar os partidos escolhidos  como o Núcleo Duro da sustentação  do Governo: PT, PMDB, PSB, PCdoB e, acreditem, o PSD do Kassab.

É evidente que a expressão “núcleo duro” não tem qualquer relação com ideologia, mas com um comportamento fisiológico minimamente fiel e bem comportado. Exatamente o que não está acontecendo: o governo supunha ter uma folgada maioria  nas duas Casas do Congresso, mas penava (na verdade era chantageado) toda vez que precisava aprovar uma matéria importante.

Então, dando consecução ao plano traçado, a presidenta  chamou ontem (14) a Palácio, o  líder do PR no Senado, o  ex-governador  de  Mato Grosso, Blairo Maggi. E, sem rodeios, Dilma comunicou que o partido não indicaria o novo ministro dos Transportes, como pretendia. Se quisesse, poderia indicar dois ou três nomes para diretorias de estatais.

Vale lembrar que o PR é o partido do Antony Garotinho que conspira abertamente contra o Governo e recentemente insuflou a greve das PMs. Além disso, o partido é comandado pelo deputado Waldemar Costa Neto um hiper ficha suja que renunciou ao mandato para não se cassado  e está  metido em todas  as estrepolias com  cheiro de corrupção dentro do Ministério dos Transportes.

Muito bem: diante do anúncio da presidenta, Blairo saiu bufando do Palácio, chutou alguns baldes e fez o que lhe pareceu mais acertado: declarou que a bancada do PP no Senado estava em estado de oposição.

Essa posição, não fosse cínica será  uma pilhéria porque ninguém imagina que um partido possa ser Oposição no Senado e Situação da Câmara dos deputados. Além disso, não há noticia de que o PR tenha devolvido algum cargo que ocupa no Governo.

Seja como for, líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), disse que a bancada de 43 deputados se manterá independente e não seguirá a decisão dos senadores do partido.

O outro alvo de Dilma era o PDT presidido pelo grotesco Carlos Lupi, acusado de mil e uma falcatruas  dentro e fora do Ministério do Trabalho e que faz questão de comportar-se em público como um  autêntico palhaço.

Não bastasse isso, uma das principais lideranças pedetistas é o deputado Paulinho da Força (SP). Ele faz questão de tratar a presidenta de forma grosseira, não perde oportunidade para  criar problemas para o Governo e  acaba de aliar-se à candidatura de José Serra à Prefeitura de São Paulo.

Então, sem consultar a direção do PDT, na sexta-feira passada,  Dilma chamou o deputado Brizola Neto (RJ), seu protegido, e entregou a ele o Mistério do Trabalho

As lideranças do PDT também chutaram alguns baldes. Depois, da  forma mais cínica,  enviaram uma lista tríplice com nomes indicados pelo partido para o Mistério do Trabalho, como se  a presidenta já não tivesse escolhido. E incluiram, entre os  nomes, o de Brizola Neto.

 Ou seja, uma farsa grotesca. Esta gente já tinha perdido a compostura, mas agora está perdendo o senso de ridículo.

 O próximo  alvo do Governo deverá ser o PP, do Francisco Dorneles e do Maluf. Parece que, finalmente, o Planalto concluiu que não faz sentido premiar o partido com o poderoso Ministério das Cidades. Logo o partido que tem entre suas lideranças mais expressivas o militar reformado, deputado Jair Bolsonaro que  insulta permanentemente o Executivo e conspira contra ele.

A matéria abaixo complementa as informações desta.   

 

 

10-03-12

Dilma pretende enxugar Base
Aliada e exigir mais fidelidade

A presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho, estão determinados a fazer um expurgo nos partidos da Base  Aliada, para que  ela se torne “mais administrável e fiel”.

A expressão é do ex-presidente que transferiu para Gilberto Carvalho (hoje o homem forte do governo) parte do “assessoramento que dava à presidenta. Além disso, em função de sua doença, ele não poderá mais fazer o “meio de campo”, aquelas longas conversas com políticos  de todos os partidos, coisa que ele fazia com prazer  e que para Dilma é um grande sacrifício.

Independente dessas circunstâncias, eles concluíram que a Base Governista é ampla demais e está fora de controle. A “folgada maioria” do Governo no Congresso é ilusão que se esvai nas votações mais importantes.

Entretanto, o “enxugamento” só ocorrerá depois de Junho, quando já estiverem definidas as candidaturas e respectivos apoios dos candidatos às prefeituras das principais capitais, sobretudo São Paulo, tratada obsessivamente como altamente estratégica. Até lá,  os ministérios continuam sendo moeda de troca para a composição de alianças.

A idéia é criar um “núcleo governista” mais coeso e compacto reunindo PT, PMDB, PSB, o PDS do Kassab e o PCdoB  que já  não é considerado um  partido nanico e tende a crescer. Entra na lista, também, o PRB do bispo Macedo, que tem poucos parlamentares, mas tem a TV Record e uma razoável capacidade de apascentar a ouriçada bancada evangélica.

Todas essas siglas seriam contempladas com fatias maiores dos ministérios e estatais. Fatias estas subtraídas aos partidos mais problemáticos: PDT, PR, PP e PTB.

As conspirações e as intrigas, bem como as discrepâncias ideologias não seriam totalmente eliminadas, é claro. Mas, pelo menos se colocaria um pouco de ordem na casa e, na soma total, a diminuiçãode candeiras da Base Governista seria pequena, até porque os partidos excluídos também tem suas divisões internas.

De qualquer modo, não faz sentido dividir o Poder com um partido como o PP, por exemplo, que abriga um Jair Bolsonaro, oposicionista permanente e feroz ao Governo. O mesmo vale para o PTB de Roberto Jefferson (um serrista convicto) e para o PR de Antony Garotinho que recentemente estimulou a greve das PMs.

E, da mesma forma, o PDT do Paulinho da Força. Este  sempre que pode cria embaraços para o Planalto e acaba de fazer acordo com o esquema tucano justamente em torno das eleições em São Paulo.

No caso específico do PDT, note-se que o partido já estava desgastado  e praticamente ficou acéfalo  com a desmoralização de seu presidente, o incrível  Carlos Lupi. Parece, no entanto, que a presidenta Dilma está empenha em dar atenção pessoal  a alguns líderes pedetistas que tem peso político ou aos quais  ela estima.

 E o caso, por exemplo, do ex-governador gaucho  Alceu Colares ou dos deputados fluminenses Miro Teixeira e Brizola Neto.

Seja como for, a presidenta está resignada a conversar mais com os parlamentares aliados. No caso do PMDB e no âmbito do Senado, houve ali uma fragmentação de lideranças. No tempo do presidente Lula, bastava conversa com o Sarney (AP) e o Renan Calheiros (AL) que as coisas ficavam sob controle. Agora será preciso ampliar o leque de interlocutores.

Quanto à Câmara, aconselhada pelo vice Michel Temer, Dilma parece propensa a receber periodicamente um grupo de deputados de um mesmo partido. A ministra Ideli Salvatti, das  Relações Institucionais, ficaria encarregada de organizar, digamos quinzenalmente, pequenas caravanas de deputados.

 

 

 

06-02-12

Garotinho e Cesar Maia, unidos para  derrotar Paes

Há seis meses, Anthony Garotinho (ex-governador) e Cesar Maia (ex-prefeito)  pareciam condenados  à aposentadoria política  no Estado e na cidade do Rio.

Garotinho vive quase sufocado numa interminável guerra de liminares, consequência de condenações por delitos eleitorais em várias instâncias. E Maia saiu arrasado das eleições para  o Senado, em 2010, quando foi abandonado por seus aliados do PSDB e  estigmatizado por seus ex-pupilos do PV. Tudo isso em meio  à erosão de seu partido, o DEM.

 No entanto, Garotinho e Maia ainda sustentam razoável popularidade, até porque a concorrência é fraca. E agora resolveram somar forças para derrotar o prefeito Eduardo  Paes que tentará a reeleição em novembro. Maia já declarou que aceita ser candidato a vice-prefeito, numa chapa encabeçada por  Garotinho (PR).

Quanto a Eduardo Paes, um ex-tucano que  se passou para o PMDB, há um ano parecia imbatível, quando navegava na esteira do sucesso do governador  Sérgio Cabral .

 Hoje, porém, Cabral ainda luta para sair de seu inferno astral e Paes começa a perder densidade eleitoral por conta de seus próprios erros.

Cesar Maia, apesar de sua teimosia em ocupar um espaço ideológico de centro-direita, é  um político realista que produz análises lúcidas. E é ele quem aponta os três erros de Paes. Erros que, na tradição da política do Rio, são fatais: persegue servidores públicos, humilha os pobres – repressão pela repressão e intimidação -, e privatização da Educação e Saúde, cujos servidores são os  que têm contato direto com a população.

02-01-12

Aliança do PT com Kassab vai além da  imaginação

O Gilberto Kassab, uma invenção do José Serra, é um político desossado que se ajeita em qualquer vão com qualquer companhia. Seu Norte é o poder pelo  poder. E isso todos sabemos.

Mas, além disso, sua popularidade como prefeito de São Paulo é uma das mais baixas da história da cidade. Mesmo assim (isto é o Brasil), Kassab  é  paparicado pelos principais lideres políticos do País, a começar  pelo ex-presidente Lula.

Tudo porque, mesmo sendo o que, é Kassab  construiu em tempo recorde (isto é o Brasil) um partido, o PSD que não é nada além das três siglas mas que juntou, Deus sabe como,  a quarta maior bancada do Congresso , atrás apenas do PMDB, PT e PSDB.

Vai daí que estão adiantadas as negociações do PT com o PSD de Kassab em todo o País e em particular no Estado de S. Paulo, onde  Lula persegue obsessivamente  a  demolição da hegemonia tucana que  já dura vinte anos.

 Os últimos lances foram significativos: Kassab  doou um terreno no cento (em  recuperação urbanística) de  São Paulo, para que o ex-presidente edifique ali  seu memorial.  E Edinho Silva presidente do Diretório estadual petista, informa que estão adiantadas, em todo o País,  as alianças com o PSD,  com vistas as eleições municipais deste ano.

Segundo Edinho, essa aliança está particularmente bem encaminhada na região do ABC, berço do PT. Na proposta  formal de aliança para as eleições na Capital, Kassab ofereceu o nome do vice-governador Afif Domingos, para compor a chapa com novato petista  Fernando Haddad.

Afif, outra cria de Maluf, é tão execrado pela militância petista e suas organizações sociais quanto o próprio Kassab a quem perseguem pelas ruas da cidade, lançando sobre ele todos os xingamentoss imagináveis e alguns ovos podres.

 A chapa Haddad/Afif ou Afif/Haddad, parece, portanto, impossível e até surrealista. E realmente é.

Ocorre que Lula de cima de sua extraordinária popularidade, fica à vontade para  ser pragmático como todo grande líder populista. Perón, Getúlio e Brizola também eram assim. A frase predileta deles é: “Se ficarmos só com os bons, ficaremos com muito poucos”.

Mas Lula e Kassab sabem que o nome do vice-governador foi lançado em cena como mera  formalidade a ser cumprida. O verdadeiro candidato do PSD a prefeito ou a vice de Hadadd, na eventualidade de um acordo, é Henrique Meirelles, que no  fim do ano passado saiu do PMDB e  filou-se  apressadamente no PSD.

 Eu, particularmente, acho que o Meirelles, um esperto banqueiro internacional, vale tanto ou menos que o Kassab e o Afif.  Ocorre que, durante oito anos,  ele foi o todo poderoso presidente do Banco Central e, nesse período, recebeu  votos de confiança,  carinhos e louvores do ex-presidente Lula.

Pesadelo

Diz a lenda que o PT, na cidade de São Paulo, nunca passou de um teto em torno dos 30% dos votos no primeiro turno. Luiza Erundina venceu com uns 30%. Não havia segundo turno. Venceu Maluf.

 Marta Suplicy – depois de uns 30% no primeiro turno – venceu o segundo turno contra Maluf, mas com o apoio do governador tucano Mário Covas do PSDB. Se o adversário fosse outro, provavelmente perderia, como ocorreu contra Kassab, a quem derrotou no primeiro turno, obtendo os mesmos 30%, mas acabou derrotada no segundo turno.

Estes números são um pesadelo para Lula e para os petistas realistas que, em algum momento, talvez tenham que encarar o sapo Kassab para livrarem-se dos tucanos definitivamente.

 Não é fácil ser petista, numa cidade sui generis como São Paulo que possui um ponderável setor de classe média (alta e baixa) tão reacionário que chega às raias do fascismo. Essa fatia do eleitorado vota até em fratura exposta, mas não vota no PT.

22-01-12

Como Dilma vai usar sua popularidade?

O Datafolha deste fim de semana confirma o IBOP da semana passada e informa que a presidenta Dilma é campeã  de popularidade, sem carisma e sem alarde.

 Ela conclui seu primeiro ano de mandato com a aprovação plena de 59% da população que considera seu governo bom ou ótimo. Para 33% é regular. E apenas 6% diz que é ruim ou péssimo. Em artigo anterior já analisei esse fenômeno. Mas vale repisar, dois de seus fatores principais:

O primeiro é o que a população tem a percepção de que a economia “ainda” está  bem, gerando emprego e consumo.

 Cá entre nós, é um consumo perdulário, o que faz com que o crescimento não seja sustentável no médio  prazo. Mas para o que interessa neste texto, é preciso dizer que os marqueteiros, a presidenta e do ministro Mantega, da Fazenda, conseguiram passar a idéia de que continuamos crescendo apesar da crise internacional e sem deixar a inflação disparar. Para uma platéia pouco exigente, isso dá e sobra.

O outro fator é mais consistente e pode se transformar na marca essencial da presidenta. Estamos falando dos largos setores da classe média conservadora que votou no Serra, mas agora vê em Dilma, graças a uma faxina que não houve, um antídoto ao populismo lulista.

Essa gente, com uma alta dose de analfabetismo político, não vai além da superfície dos fatos e se satisfaz com uma “gerente” assídua e que parece bem mais atenta do que seu “avoado e extravagante” antecessor e inventor. Além disso, ficou parecendo que ela não vacila em fritar  os ministros que pisam na bola em termos éticos ou não têm um mínimo de compostura.

Que assim seja se assim lhe parece, como diria Pirandello. Mas é inegável o sangue frio e, por que não dizer, a maliciosa habilidade da presidenta caloura que conseguiu agradar a gregos e troianos, obtendo a aprovação de ferrenhos adversários de Lula, ao mesmo tempo em que se mantém absolutamente afinada com ele.

De minha parte, prefiro considerar que talvez estejamos à beira de um desperdício histórico. Encantada com a popularidade e sem querer se desfazer dela, até pelas necessidades eleitorais do PT e da base aliada, Dilma Rousseff provavelmente não cruzará o Rubicão.

E ao não fazê-lo ela a evita um confronto direto com a mídia apátrida (serva do Capital Financeiro Global) que a tem poupado. Entretanto,  a presidenta deixa de fincar uma estaca  ideológica da maior importância: a de que é possível e desejável construir uma grande potência econômica, com distribuição de renda, sem ferir o Estado Democrático, mas com intervenção direta e massiva do Governo.

O capital privado nacional nunca foi capaz de promover um desenvolvimento autônomo. Sempre preferiu a sombra dos subsídios governamentais ou a interação, como sócio menor, com o capital externo.

O Brasil só chegou onde está, graças à intervenção estatal. Desde Getúlio, passando por JK e Jango, até os governos militares, o Estado brasileiro investiu massivamente na economia e não só na área de infra-estrutura.  Exatamente por isso, dos anos 40 aos 80 do século passado,  fomos simplesmente  a nação que mais  cresceu no Mundo. Nesse longo período, exibimos taxas  anuais de crescimento iguais aos  ostentados hoje pela China.

Soterrada, intimidada, durante três décadas, pelos paradigmas neoliberais que hoje estão desmoralizados, a elite intelectual brasileira ainda não acordou para essa evidência e  tem dificuldade para propor de forma  ostensiva e articulada o fortalecimento do Estado Brasileiro.

Alguns intelectuais criticam as privatizações antigas, mas, curiosamente, não defendem novas estatizações. Daí essa timidez que não deveria combinar com um governo do PT, capitaneado por uma ex-brizolista.

Se as bases do PT e as organizações sociais não pressionarem, perderemos esta oportunidade  que dificilmente a História nos concederá novamente.

A matéria abaixo dá continuiade ao raciocínio desta.

16-01-12

PMDB maior aliado e maior problema do PT

Jânio, Dilma & Jk

Já comentei várias vezes neste blog que o esquema montado para garantir a governabilidade – primeiro a de Lula, depois a de Dilma -, é uma aliança conservadora que imobiliza o Governo e frustra o PT e seus eleitores. O partido, na verdade, vai-se desfigurando. E, mantido o atual ritmo, em breve estará tão social-democrata quanto o PSDB e tão fisiológico quanto o PMDB.

O PMDB e outros partidos conservadores da base aliada travam, por exemplo, o projeto petista de redução das horas semanais de trabalho, uma das principais bandeiras do partido.

 Da mesma forma são criadas dificuldades quase instransponíveis com relação e à preservação ambiental, à efetiva distribuição de renda via criação de impostos seletivos que onerassem os  mais ricos e o Setor Financeiro. Sem falar, além disso, na reforma agrária de verdade que jamais saiu do papel.

É claro que Lula, Dilma e os dirigentes mais lúcidos do PT conhecem muito bem essas circunstâncias, tanto que  estão preparando ação coordenada (um mutirão digamos) para  motivar os chamados movimentos  sociais (sindicatos MST, etc.)  e restabelecer com eles a antiga parceria .

 Com isso pretende-se contrabalançar a ação conservadora da base aliada. E, principalmente, conter, este ano, o avanço eleitoral do PMDB (poderosa máquina) que é imbatível   em eleições  locais, onde a influência ideológica é menor. Lembremos que nas eleições  municipais de 2008, o PMDB elegeu 1.207 prefeitos, contra 558 do PT.

 Paralelamente, numa jogada de marketing, expressamente recomendada pelos marqueteiros oficiais, Dilma está preparando uma ofensiva administrativa, vamos dizer assim,  para substituir  a imagem de gerente faxineira pela de gerente realizadora.

 A intenção é  tentar fazer  com que a mídia deixe de focar apenas os escândalos e  as crises ministeriais. Nas palavras de um dos marqueteiros, a presidenta precisa ser “menos Jânio e mais JK”.

 Outro objetivo é o de  neutralizar a possível  frustração com a reforma ministerial prevista para fevereiro  e que, de tão pequena, nem pode ser chamada assim.

Daí, a idéia de realizar por  três dias consecutivos, reuniões setoriais da presidenta com grupos de ministros,  para discutir os cortes de despesas no Orçamento e, principalmente, projetos prioritários para 2012, contidos em três palavras mágicas: “Aceleração do PAC”.

Os encontros  ocorrerão nas próximas quinta e sexta-feira e também no sábado. Serão, além disso, preparatórios para a primeira reunião ministerial do ano, marcada para o dia 23.

23-12-11

Revelações da Infância:
Eu sempre soube que há corrupção na cúpula do Judiciário.

O Ricardo Farias (vamos chamá-lo assim) é meu tipo inesquecível. Primo de meu pai, ele era o típico malandro simpático, mulherengo e corrupto. Tinha uma mulher no Rio, outra em São Paulo e outra em Curitiba. Mas mulher com filhos, sogra, cunhados e tudo. Era bem casado com as três.

E quando digo malandro, não imaginem um pé de chinelo com camisa listrada. Ele era um aparente milionário, sócio de ministros e generais. E assim como mulheres, tinha fazendas no Rio, em São Paulo e no Paraná. Nenhuma  completamente paga ou com escrituras cem por cento. Vivia enrolado, endividado, mas sentia-se feliz assim. Sua vida era um frisson permanente.

Por conta disso, vivia processando e sendo processado por dezenas de pessoas  e instituições. Travava uma batalha antiga contra o Banco do Brasil. A coisa foi parar no Supremo. O banco, vejam só, queria tomar uma de suas fazendas, só porque ele jamais pagara uma única parcela de um empréstimo milionário.

Numa manhã dos anos  cinqüenta, quando eu  não tinha nem dez anos e São Paulo ainda tinha garoa e era docemente provinciana apesar de  já salpicada por arranha-céus, meu pai foi ao centro da cidade e me levou com ele. Gostava de me levar a todos  os lugares, mesmo  quando ia tratar da renovação de títulos  com agiotas de sorrisos ferozes.

Naquele dia, passamos pela Praça da República. E ele  descreveu pela décima vez o tiroteio que houve ali, em 1932. A polícia matou três estudantes que protestavam. Era o início da Revolução Constitucionalista, contra o Getúlio.

Ele apontava com convicção para uma árvore e dizia: “O Miragaia morreu ali”. Era um dos estudantes fuzilados. E eu me emocionava de novo com aquela historia repetida.

Saímos da praça e contornamos o Colégio Caetano de Campos. Na rua que passa por trás do velho prédio, havia algumas agências de  automóveis importados. O (a gente dizia a) Mercedes era a coqueluche dos novos ricos paulistanos.

Então meu pai agitou-se, me pegou pela mão e  atravessou a rua correndo. Ele acabara de ver o Ricardo Farias saindo de uma das lojas, a bordo de uma Mercedes  reluzente. Quando nos viu, ele estacionou no meio da calçada mesmo e desceu do carro.

Gordinho, baixinho  e cabelos pintados, era inacreditável que tivesse tantas mulheres. Mas tinha. Então, ele apoiou o cotovelo direito sobre a capota da Mercedes  e  com a mão esquerda ficou esfregando (afagando) seu barrigão.

 Meu pai disse sem ser sincero:

_ Poxa Ricardo. Estou feliz por ver que você resolveu seus problemas. Já  está até de carro novo…

E o Ricardo com a cara mais séria:

_  Não, meu querido. Esse não é para mim.  É para um ministro do Supremo.

 27-11-11

Governo tenta manter crescimento em 2012

Em 2009 e 2010, o governo conseguiu contornar a crise econômica  global, baixando a taxa de  oficial de juros, liberando o crédito de forma violenta e abrindo mão, temporariamente, de alguns impostos. Basicamente foi uma saída através da expansão do consumo. Isto vale para uma emergência. Mas, na verdade, é uma bolha que não garante um desenvolvimento sustentado.

O que garante esse tipo sadio de crescimento é o aumento  da produção que, por sua vez, depende basicamente do grau de investimento. Não devemos nos iludir com  o crescimento  superior a 7% obtido em 2010. Ele partiu de um crescimento zero em 2009. A média dos dois anos é,  portanto, de 3,5 %  ou um pouco mais. E está é, aliás, a média  do crescimento brasileiro nos últimos  dez anos.

Não por acaso, a média do  investimento brasileiro (na soma governo e setor privado)  tem oscilado, nos últimos dez anos, entre 17% e 19%. Fica claro que com esse grau de investimento o País não tem como crescer além dos 3,5%. A China, por exemplo, vem crescendo nos últimos  vinte anos a taxas em torno de 10%. Mas sabem qual é a taxa anual de investimento chinesa?  Nada menos que 40%.

Dilma Rousseff que é  economista formada e seu ministro da Fazenda,  Guido Mantega, sabem muito bem disso. E, por conta disso, estão preparando, agora, um programa de investimentos  capaz  de garantir  um crescimento de 5% em 2012.

É um plano que privilegia muito mais o  investimento do que o consumo, até  porque é preciso estar de olho na inflação que está às portas dos 7% e vai ser aquecida com o choque de consumo provocado pelo aumento do salário mínimo, em janeiro: 14%. O maior em muitas décadas.

 Mas os juros oficiais continuarão caindo,  porque  o governo  precisa gastar menos com o pagamento de juros, (em torno de 220 bilhões de reais este ano) para poder investir mais. A taxa oficial (Selic) deve baixar para menos de 10% já no primeiro trimestre do próximo ano.

No pacote de investimentos (dentro de sua estratégia para alcançar uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto  de 5%, apesar da crise internacional) constam concessões de rodovias, os leilões dos aeroportos, investimentos da Petrobrás, a segunda etapa do programa Minha Casa Minha Vida e o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

A preocupação do governo é a de dar um sinal positivo ao setor privado. Assustadas com a crise econômica e com o baixo nível de atividade no País neste fim de ano, as empresas estão suspendendo e adiando planos de expansão.

Para animar os empresários, o governo deverá anunciar mais duas medidas de desoneração tributária. Uma vai cortar tributos de investimentos em equipamentos de infraestrutura de telecomunicações, como a instalação de cabos e fibras ópticas.

O Ministério das Comunicações  estima que essa desoneração  aumentará os investimentos em R$ 20 bilhões entre 2012 e 2016. Nesse período, o governo deixará de  arrecadar R$ 4 bilhões, neste setor.

 E haverá ainda corte tributário beneficiando a cadeia do etanol. Nesse caso, além da expansão do setor, o governo procura, concomitantemente, segurar a inflação, via barateamento dos combustíveis.

31-10-11 atualizado em 01-11-11

A doença de Lula e a podridão internética

Mesmo doente, o ex-presidente não  desistiu de apoiar a candidatura de Fernando Haddad, ministro da Educação, à prefeitura de São Paulo. Marta Suplicy, a favorita nas pesquisas, deverá anunciar  sua desistência.

Por outro lado, a doença do ex-presidente  Lula contribuiu para revelar de corpo inteiro, com todas as cores, a alma  cruel, podre e fascista  de boa parte das multidões anônimas ou que se sentem protegidas pela distância do contato físico.

 As baixezas cruéis  ditas na Internet  a propósito  do  infortúnio do doente são a forma  ampliada da imundície do espírito humano expressa nas portas anônimas dos fétidos banheiros públicos. Num certo sentido, a Intenet é o esgoto revelador da parte mais íntima  e podre da alma humana.

Hitler não teria feito as barbaridades que vez, se não tivesse a admiração solidária e quase anônima da maior parte da  classe média alemã e de  uma parcela dos trabalhadores cooptada pelo discurso populista  de direita (de Primeiro Mundo, racista e excludente) e pela maior oferta de empregos, depois de anos de guerras e penúrias.

 Os líderes não inventam seu seguidores, embora os    mobilizem (e eventualmente os multipliquem) interpretando e exacerbando um sentimento forte, pré existente, para  o bem ou para o mal.

A crueldade animalesca das classes médias não diferem muito desde a Alemanha   hitlerista, passando pela América do Tea Party  até o Brasil serrista do Bolsonaro. O bullying isolado contra uma única vítima ou contra coletividades minoritárias  é uma das principais característica dessa sordidez.

 Os trotes nas faculdades de classe média alta é outra característica sintomática, mas nada é  mais revelador desse tipo de gente (mais gado do que gente)  do que o preconceito (potencializado pelo medieval fundamentalismo religioso), o egoísmo consumista no limite, a futilidade arrogante e o denso analfabetismo político, esse jeito superficial e precário de ver as coisas.

Lutar  contra a  animalização da humanidade, via alienação consumista, o  egoísmo intrínseco de raiz puritana (o progresso individual como objetivo central, como proclamou Adam Smith), é a verdadeira  e urgente tarefa das esquerdas.

Entretanto, isso passa pela  prévia compreensão de que  a  tradicional duelo de classes (burguesia x proletariado) entrou em estado esvaecimento pela razão simples de que o modo produção que o engendrou  está obsolescente. É o que chamo de  Crepúsculo do Capital.

Isto deu margem a que incautos e precários teóricos neoliberais anunciassem “o fim das ideologias”. Na verdade, porém, o que há é uma reciclagem ideológica, em função da inauguração de um novo  modo de produção, o pós capitalista, cujos prolegômenos já estamos vivendo. Leia análise completa sobre isso na coluna O Grande Debate.

O esdrúxulo e o inquietante disso tudo é o de que  assistimos o florescimento do neo obscurantismo, no exato momento em que a humanidade atinge o ápice de seu desenvolvimento  tecnológico. E este é, aliás, o flagrante das duas faces do desenvolvimento capitalista: o máximo de tecnologia com o mínimo de consciência humanista.

A renúncia de Marta

Mesmo doente, Lula insiste na candidatura  de Fernando Haddad, ministro da Educação, à prefeitura de São Paulo. Em nome do ex-presidente, a presidenta Dilma Rousseff fez, durante sua estada em São Paulo, na segunda-feira (31), um apelo para que a senadora Marta Suplicy (que lidera as pesquisas) desista de sua candidatura. Marta, finalmente, cedeu.

O único candidato que  poderia ameaçar Marta é Gabriel Chalita (lançado pelo vice-presidente Michel Temer), o que não chega a ser um desastre para a estratégica lulista que prevê a facilitação de uma vitória  peemedebista   nas eleições do ano que vem, com a  contrapartida do apoio do PMDB a um candidato do PT para o governo do Estado em  2014.

Veja mais sobre a renúncia de Marta Suplicy na coluna Coisas da Política.

15-10-11 atualizado em 16-10-11

Ficha limpa é ótimo, mas um Mundo
sem  banqueiros  seria muito melhor

O Movimento Contra Wall Srteet  que na verdade é contra o  Sistema Financeiro de um modo  geral  e, no limite, contra o próprio Capitalismo, alastra-se pelo Mundo todo.  Como estava previsto, ocoreram, ontem (15), manifestações em 71 países e 950 cidades.  Na Itália, na Inglaterra e na Grécia já  há confrontos violentos com a política. Mas no Brasil a mídia procura só fala em vassouras e ficha limpa.

Reparem que a TV Globo e a CBN tentam estimular ao máximo as passeatas brasileiras  contra a corrupção,  um movimento de classe média que repete ciclicamente sua indignação espasmódica, difusa e sem  substância ideológica, o que elimina qualquer possibilidade de coerência.

Já vimos isso na campanha de Jânio, o “homem da vassoura” e na eleição de Collor, “o caçador de marajás”.  Jânio morreu mais rico do que JK, cujas “roubalheiras” prometia varrer. E Collor (“eu caçador de mim”) só não está preso porque  o brasileiro é realmente muito bonzinho.

A  classe média, porque  é em sua grande parte alienada, não tem competidores na sua capacidade de ver as coisas apenas na superfície e no  aspecto imediato.  É incapaz de articular um raciocínio de causa e efeito e, por impulso,  lança-se em campanhas que, na verdade,  são seletivas e visam apenas  a parte  visível do grande iceberg, também conhecido como Sistema.

O  elemento típico de classe média, é o analfabeto político que quer segurança, mas é insensível  diante da miséria alheia. Habitualmente dá propinas e  tenta  levar vantagem em tudo. Porém fica supinamente irritado,  chega à beira da ira, quando percebe que alguém está fazendo isso com  mais sucesso do que ele.

Enfim, a função da mídia é exatamente a de manter essa massa amorfa (que já é a maioria da população) em sua santa e entretida ignorância, alternando  marchas cívicas (vassouras ao ombro) com delírios no Rock in Rio.

É claro que a campanha da faxina poderá crescer. Mas isso dependerá, fundamentalmente,  do engajamento dos setores organizados da sociedade: movimento estudantil, sindicatos e  militância de esquerda dos partidos ditos de esquerda. Mas isso ainda está no terreno das hipóteses. E vai depender muito do desempenho da economia. A Internet avisa, mas não organiza.

Por ora, salientemos apenas  que a que a TV Globo e a CNB, bem como suas coirmãs da grande mídia,  que tanto estimularam a “Marcha das Vassouras”, evitam informar sobre o crescimento e os desdobramentos  mundiais do Protesto Contra Wall Street. Este sim, um movimento histórico que assinala  as primeiras sombras do que chamamos de Crepúsculo do Capital.

É claro que seria ótimo varrer  toda a corja de políticos corruptos, mas isso só será possível se forem varridos também seus patrões e corruptores, os banqueiros  e empreiteiros,   a verdadeira fonte do Caixa 2. Mas destes a mídia não fala, porque também come na mão deles.

Veja um resumo dos últimos acontecimentos dois últimos dois dias:

A empresa privada proprietária do Zuccotti Park, que serve de base para o movimento “Ocupar Wall Street”, resolveu adiar a limpeza do parque, que estava prevista para  sexta-feira, 14, informa a imprensa local.

Caso a companhia mantivesse os planos de limpar o espaço, os ocupantes teriam que se retirar, justamente no momento em que o grupo se expande e  articular uma manifestação internacional  que se intensificou neste sábado (15), 71 países e mais de 900 cidades.

A Brookfield Office Properties, dona do parque,  “acredita que pode entrar em um acordo com os manifestantes que se comprometerem a manter o parque limpo, seguro e disponível para uso público, em uma situação que respeite os moradores da região e o centro de negócios”, disse à Bloomberg o vice-prefeito de Nova York, Caswell Holloway. Foi ele quem anunciou a decisão da empresa de adiar a limpeza.

Apesar de os manifestantes terem sido autorizados a permanecer no parque, pelo menos sete foram presos, segundo a Reuters, quando centenas de pessoas do movimento faziam passeata no centro financeiro durante a manhã de sexta (14). O Departamento de Polícia de Nova York confirmou que houve prisões, mas não disse quantas.

Esta matéria é apenas um uma atualização e um comentário paralelo. Para entender melhor o que está  ocorrendo nos Estados Unidos leia a coluna O Grande Debate.

08-10-11

Por que Meirelles abraçou Kassab

Henrique Meirelles, o ex-todo-poderoso presidente  mundial do Banco de Boston e, depois, presidente do Banco Central brasileiro, é um espertíssimo homem de negócios e, em política, apenas um paraquedista vulgar: há oito anos ele era filiado ao PSDB  de Goiás e até ontem era filiado ao PMDB. Então ele é assim, troca de partido e de domicílio eleitoral, como quem troca de carro.

Mas ele só comprou esse carro quase  novo do  Kassab (olha só que perigo) filiando-se ao  recém criado PSD, porque foi convencido pelo vendedor de que nem  José Serra, nem Marta Suplicy serão candidatos à prefeitura de São Paulo no próximo ano. Serra porque não quer e Marta porque Lula não deixa.

Eles são, digamos assim, os últimos peixes grandes da  política paulistana, com popularidade (na verdade  nome mais lembrado pelos pesquisados) em torno de  30% e rejeição mais ou menos do mesmo tamanho,  o que é natural entre os veteranos.

A eleição fica, assim, nivelada por baixo. O pré-candidato  mais conhecido é Netinho, o pagodeiro comunista (PCdoB). Os outros, Gabriel Chalita (PMDB), Paulinho da Força (PDT), Bruno Covas (PSDB) e Fernando Haddad (PT) vão partir de escassos  cinco ou seis pontos  no IBOPE

Mesmo assim, as chances de Meirelles são mínimas, porque é antipático, tem cheiro de banqueiro e em política é um tremendo  de um otário. Vai gastar uma grana altíssima e em nenhum momento passará dos 10% da preferência  do eleitorado. Deus é grande. Enfim, me permitam dizer que eu particularmente quero que ele se dane, mas como comentarista  procuro dizer as coisas exatamente como elas são.

Entretanto, para que esse tema seja levando minimamente  a sério é preciso dizer que as eleições paulistanas são, em certa medida, um instantâneo do quadro político nacional.

 Os partidos de grande  e médio porte, com exceção do PT e  em menor escala do PSDB (que ainda finge que tem um projeto nacional), não significam absolutamente nada do ponto de vista ideológico ou programático. Misturam-se todos na geléia  geral nojenta do mais puro fisiologismo, mesclado  com a corrupção.”É tudo safado”, como diz  sinteticamente o eleior anônimo na fila do banco e no boteco da esquina.

Uma das saídas para esse impasse tragicômico seria a convocação de uma Constituinte, como temos defendido insistentemente nesse  blog.  Ela  daria à eleição o status de grande debate de idéias de  programas e até de ideologias  tanto as superadas  como as recicladas e rejuvenecidas. Daria uma sacudida num eleitorado (que já é majoritariamente de classe média) desarticulado e à beira da alienação plena.

Mas a mídia brasileira que manipula a opinião pública em favor de um neoliberalismo obsoleto e da lógica (axiomas implícitos) do Capital Financeiro, foge da Constituinte como o diabo da cruz,  e  dá força apenas  às campanhas hipócritas  e piegas do tipo Ficha Lima e  Faxina a Meia Bomba.

Meia bomba, porque fulmina  alguns políticos mais escancaradamente  corruptos, mas  joga para debaixo do tape o verdadeiro monturo da corrupção, os financistas como  Henrique Meirelles e as grandes empreiteiras (a origem do Caixa 2) que corrompem a tudo  e a todos. A começar pela própria mídia.

Sobre este mesmo tema, não deixe de ler a coluna  Constituinte Já, deste blog.

A matéria abaixo dá sequência ao raciocínio desta.

30-09-11

PSD de Kassab não presta, mas todos querem tirar uma cascinha

Cláudio Lembo, ex-vice-governador  de  São Paulo (ex-DEM)  é um dos principais articuladores  do PSD de Kassasb. Ele sempre  agiu mais nos bastidores do que no palco e explica,  apenas para os íntimos, a estratégia do novo partido.

Segundo Lembo, o novo partido terá que percorrer três etapas:  A primeira  é  o da neutralidade, necessária para conquistar, sem constrangimentos, a adesão do maior número possível de lideranças políticas expressivas.

 Como nasce, basicamente do espólio antecipado do moribundo DEM, de onde veio a maioria de seus deputado federais, o PSD não pode, imediatamente  entrar para a base aliada do governo. “Seria feio  e até escandaloso”, um adesismo explícito.

A segunda etapa é a das eleições municipais do ano que vem. O partido nasce grande (mais de 55 deputados federais e pelos menos dois senadores), mas enfrenta  os problemas comuns  aos recém nascidos: legenda pouco conhecida, sem raízes firmes e com tempo  escasso na TV, menos de um minuto.

Então, se até março ou abril do próximo ano, a presidenta Dilma  continuar com boa pontuação no IBOP e não der nenhuma guinada  brusca à esquerda, o PSD passará a integrar a bancada governista.

Afinal, ninguém e de ferro e um bom ministério, bem como  posições importantes na administração  direta ou nas estatais,  são fundamentais em um ano eleitoral. Se for assim, o partido terá o que oferecer (verbas e promessas de emprego) para os grandes, médios e pequenos caciques de sua rede municipal, onde tudo começa. O discurso com conotação ideológica e para o grande público (eleitorado genérico) será  nenhum ou o necessário para as circunstâncias e emergências.

Se  nas eleições municipais do ano que vem o partido conquistar mais de 500 prefeituras, incluídas aí pelomenos  duas ou três capitais, ele emergirá como a terceira maior força política, logo após o PT e o PMDB,  deixando  para trás o PSDB  em faze de esvaziamento. Começa, então, a terceira etapa.

Supervalorizado, o PSD servirá como alternativa para o Governo, caso o PMDB comece a criar muitos problemas.

Será útil também parar Aécio Neves que precisa  de um aliado importante  nas eleições presidenciais de 2014.

Por último, pode ser vital para José Serra, caso este se sinta alijado pelo  PSDB, mas mesmo assim decidido a concorrer  mais uma  vez à presidência, na sucessão de Dilma. Nesse caso ele, como último recurso, se filiaria  à nova legenda.

Passando da teoria à prática, veremos  como o  PSD está sendo cortejado  pelos três pólos citados acima:

Ontem (29), o líder do governo  na Câmara, Cândido Vaccareza, convidou  o líder  do PSD, Guilherme Campos (SP), para participar da reunião dos líderes da bancada governista.  Campos recusou  o convite, mas agradeceu a “atenção e o carinho”.

Há dois dias, o deputado federal Marcos  Monte, DEM, um dos principais aliados de Aécio Neves em Minas, anunciou seu ingresso no PSD.

E ainda ontem, o secretário de Educação da  Prefeita de São Paulo, Alexandre  Schnaider, subordinado a José Serra, também assinou a ficha de filiação ao partido de Kassab. Este, aliás, é o sinal definitivo de que  Serra não concorrerá à prefeiturta.

Enfim, todos falam mal do PSD. O mínimo que se diz dele é que é a soma dos defeitos  ideológicos do DEM com os  pecados fisiológicos do PMDB. Seja como for, todos querem casar com essa noiva leviana e promiscua.

A matéria abaixo dá  continuidade às informações desta.

28-09-11

PSD de Kassab já nasce muito ligado a Dilma

A senadora ruralista Kátia Abreu (TO), a  segunda figura  na hierarquia do PSD, logo abaixo do prefeito  paulistano Gilberto Kassab,  tem revelado a líderes governistas no Congresso e à própria  ministra Ideli Salvati, das Relações Institucionais, que o novo partido (que acaba de ser reconhecido e  aprovado  pela Justiça  Eleitoral) estará, em futuro próximo,  mais chegado à  base governista do que  se esperava inicialmente.

Esta leve correção na rota do PSD,  projetado para  ficar  eqüidistante entre  Governo e Oposição, deve-se à situação pessoal de seu criador. Neste momento, Kassab  emerge como liderança nacional reconhecida, mas, simultaneamente, enfrenta um queda  muito grande de sua popularidade, a mais baixa em muitos meses.

Isto quer dizer que ele dificilmente fará seu sucessor na prefeitura de São Paulo. Ou seja: ficará ao sereno até 2014, quando se canditaria ao governo do Estado.

Manter um partido das dimensões do PSD (mais de 50 deputados  federais, pelo menos dois governadores e dois senadores, além de dezenas de deputados estaduais e  centenas de prefeitos e vereadores)  não é  tarefa fácil sem  uma ajuda concreta do Governo Federal. Leia-se: pelo menos um ministério e dezenas de  altos empregos espalhados por toda a administração direta mais estatais.

Mesmo sendo absolutamente fisiológicos (ou até por isso mesmo) os políticos sempre mantém  vínculos de  lealdade e fidelidade com base  na amizade. É o caso de Kassab  em relação a José Serra, seu inventor.

Como, agora, está praticamente certo que Serra não disputará  a  prefeitura no próximo ano e os tucanos  estão embarcando na candidatura de  Bruno Covas, neto  do ícone Mário Covas, Kassab sente-se a com as mãos livres para  uma aliança com Dilma Rousseff que, segundo os estrategistas  do novo partido, “é do PT, mas não é o  PT”.

Pelo menos é isso que Kassab ouve  diariamente des seus  veteranos conselheiros  Cáudio Lembo, ex-vice-governador, e  Afif Domingos, atual vice-governador, ambos tradicionalmente  ligados aos tucanos, mas que preferiram mudar de ares.

22-08-11

O namoro de FHC com Dilma

Que há conversas de bastidores e gestos de aproximação  entre tucanos moderados e o governo  Dilma, não há dúvida. Este blog mesmo, há uma semana, detectou esse namoro. Foi no auge da crise entre Dilma e o PMDB do vice Michel Temer, no episódio da demissão do ministro da Agricultura, Wagner Rossi.

Rossi não era apenas uma indicação de Temer. Ele é seu sócio nos negócios e na política. Juntos eles conseguiram desmontar o antigo esquema do PMDB de São Paulo, mantido pelo falecido Orestes Quércia que não desgrudava do José Serra.

 Assim, foi eleito para a presidência do PMDB paulista, o Baleia Rossi, filho do  ministro defenestrado, e assim emplacou-se a filiação e a candidatura, à prefeitura paulistana, do ex-tucano  Gabriel Chalita.

Tudo isso com a simpatia e concordância à distância do ex-presidente Lula que presa obsessivamente a aliança PT/PMDB e que, de sua parte, lançou (também para a prefeitura paulistana) a candidatura do fraquinho Fernando  Haddad, ministro da Educação.

A idéia é favorecer, agora, a eleição de Chalita para  garantir o apoio do PMDB a uma candidatura do PT ao governo do Estado em  2014. Com a vantagem se evitar que a prefeitura caia nas mãos dos tucanos. Vai que o Serra resolve ser candidato?

Só a Marta Suplicy finge que não vê isso, porque ela quer ser prefeita agora e, quem sabe, governadora daqui  a dois anos e meio. Enfim, são coisas que não se dizem em público,  mas a Marta quase disse  ao comentar,  há uns quinze dias,  a preferência de Lula por Haddad: “Se é para perder, é uma boa escolha”.

Mas voltemos ao namoro de FHC com Dilma. O ex-presidente é arguto e bem informado. Sabe que a radicalização oposicionista e esse negócio de CPI da Corrupção apenas  fortaleceria ainda mais a relação  de Dilma com  Lula que voltaria ao campo de batalha com armas e bagagens.

FHC sabe também que a faxina é  tema caro à classe média, reduto que  os tucanos aos poucos  vão cedendo para o PT de Dilma. Portanto, reza a prudência: faxina sim, CPI não, até porque não há como restringir investigações (no tempo e no espaço) apenas ao governo federal e da era petista.  E o PSDB governa oito estados.

Por tudo isso, alguns analistas da grande mídia enganam-se ao supor que FHC protege Dilma, porque  considerar que é melhor enfrentá-la em 2014 do que a Lula que certamente se candidataria se sua sucessora estiver, então, muito enfraquecida. Este é um raciocínio menor  e que se perde nos meandros da imprevisibilidade.

O que FHC mira, num objetivo de mais curto prazo é, em aliança com Aécio Neves e  Geraldo  Alckmin, isolar os radicais tucanos do tipo Serra e Álvaro Dias que, por objetivos pessoais,  querem botar fogo no circo.

Quanto à Dilma, tratar bem ao  FHC, dá a ela ares de independência e de estadista. E como ela não confia minimamente em seu vice  Michel Temer, é sempre bom contar com a boa  vontade de setores da Oposição em casos de votação apertada no Congresso.

 11-08-11

A crise da crise:
Quebra dos bancos endividou
governos  que agora quebram

Saída para o Brasil é estreitar relações com a China e ampliar MERCOSUL.

Na economia real não há mágicas. É aquela velha história de que não existe almoço grátis. Em 2008, a partir do Lehman Brothers e por conta de uma desenfreada  e generalizada especulação com derivativos (mercados futuros ou fora da economia real),os bancos quebraram.

Para salvar o sistema financeiro, nos Estados Unidos e nos países periféricos da Europa, os primeiros a serem contaminados, os governos adotaram políticas pouco ortodoxas e endividaram-se além da conta. Foi assim nos EUA, no Japão, na Espanha, na Itália (já nem falamos de Portugal, Irlanda e Grécia) e agora  chegou a vez da França.

É isso ai. A Doce França transformou-se na amarga bola da vez. A crise generalizada deslocou-se dos bancos para os governos e  diz respeito à falta de  credibilidade e ao  crescente déficit orçamentário que leva a maior necessidade de endividamento.

As agências especializadas que rebaixaram a nota dos Estados Unidas e agora ameaçam fazer o mesmo com a França, não fazem isso por capricho, mas porque as contas públicas  destes dois países estão realmente descontroladas e à beira do calote.

Dizendo de forma mais técnica:

Entramos numa fase que não diz respeito mais ao medo e à rejeição em relação a títulos privados, mas a títulos públicos. Os Estados elevaram suas dívidas  além do limite para socorrer bancos e empresas importantes. Também soltaram dinheiro para evitar crises sociais e de olhos nas  urnas e  nas manifestações de rua, gastaram mais com seguro-desemprego e outras políticas assistencialistas. Agora, porém, são obrigados a  reduzir gastos e fazer cortes nos investimentos.

 Tentou-se salvar os bancos e evitar a recessão ao mesmo tempo. Resultado: os bancos não foram totalmente salvos e a recessão pegou forte, avariando ainda mais o déficit público.

É um beco sem saída? Para os países  do Primeiro Mundo parece que sim, até porque há, em paralelo, o problema do desemprego estrutural, provocado pelo avanço tecnológico, a substituição vertiginosa da mão de obra pela automação e novos métodos de produção ou de prestação de serviços. Mesmo quando a economia cresce, não crescem as vagas de trabalho.

Os bancos americanos e europeus estão agora sobrecarregados com títulos de dívida soberana (dos tesouros nacionais). Até recentemente, pensava-se que esses ativos eram  super garantidos. Acreditava-se piamente que um estado poderoso (ou médio) não quebra.

Mas eles quebram Na história recente, o primeiro a foi a Argentina em 2011 que saiu da crise com um calote olímpico, atribuído à “irresponsabilidade populista” de Néstor Kirchner. Mas o fato é que restabeleceu-se um bom nível de crescimento econômico, bem maior do que o do Brasil, por exemplo.

Entretanto, agora, são os países europeus neoliberais que aplicam calotes semelhantes ao argentino, só que com o nome “civilizado” de renegociação seletiva e consentida  Foi assim na Grécia e em Portugal e poderá se assim na Espanha e na Itália.

Todos sabem que Grécia e Portugal não têm como honrar todos os seus compromissos. E todos começam a desconfiar que Itália, Espanha e, agora, França, cuja dívida está ameaçada de rebaixamento, estão caminhando na mesma direção.

 A vez da China e da América do Sul

Resumo da ópera.  Haverá recessão brava nos países do Primeiro Mundo e o Brasil será afetado por ela via comércio exterior. Nossas exportações e nosso saldo na balança comercial (nossos principais trunfos) entrarão em declínio. Nesse caso  é necessário  conformar-se  com um crescimento econômico menor, em torno de 3%.

E para que a situação não se torne ainda mais grave, devemos estreitar ainda mais os laços com a China (parcerias estratégicas) e priorizar parcerias com nossos vizinhos da América do Sul, toldos eles ostentando bom grau de crescimento.

Por isso, temos dito em inúmeros artigos recentes, que  a  Grande Crise  Americana e Européia é uma chance de outro (histórica) para que  o Brasil consolide a UNASUL, União das Nações Sulamericanas e expanda o MERCOSUL para Oeste, na direção dos portos do Pacífico.

A China e o MERCOSUL já representam 50% do  nosso comércio exterior. Mas nossa mídia, incompetente e atrelada aos interesses estratégicos dos Estados Unidos, continua   ignorando ou desmerecendo nossos esforços para viabilizar a União Sulameirana.

A matéria  logo aí abaixo dá continuidade ao raciocínio desta.

06-08-11

And  now Joseph?

O rebaixamento dos EUA para o nível de um devedor ainda bom porém comum e sem a excelência de outros concorrentes, já era esperada, mas impacta como fato histórico, aquele que assinala, marca a data, o dia exato em que uma época acabou.

Este fim de época também possuiu seus três AAA:

1- A do fim da época dos paradigmas neoliberais impostos pelo Capital Financeiro globalizado que desde os anos 80 do século passado  subjugou os outros seguimentos (produtivos) do próprio Capital e impôs ao Mundo normas que apontam  para o Estado Mínimo e  para a liberdade  total para o  Mercado. Mercado que, como ficou demonstrado, não tem lógica a não ser a do animal faminto e insaciável, sem nenhum compromisso com o bem estar da Humanidade e o seu destino.

2- A queda de um “Império” arrogante e expansionista que de mistura com seu puritanismo original (o povo escolhido e, portanto, superior), não se arvora apenas em comportar-se como a Polícia do Mundo. Além disso infringe, cinicamente, todas as leis relativas ao Direitos Humanos a pretexto de defendê-los.  Há dois séculos, na sua gênese, os EUA já  proclamavam, pela voz de seus generais e seus heróis que “índio bom é índio morto”. Hoje, com outras palavras e outro ”inimigos” convenientemente selecionados, proclamam  a mesma coisa e agem da mesma maneira. De Hiroshima ao Vietnã. Do Vietnã à “Guerra Santa” contra os muçulmanos.

 3- A do ingresso do modo produção capitalista em sua fase crepuscular, quando o setor de serviços se sobrepõe ao setor produtivo, onde se explora o excedente de trabalho físico produtivo, mais conhecido como mão de obra.  Na mesma direção, com as mesmas conseqüências e de forma vertiginosa, o Capital, via novas tecnologias, vem substituindo essa mão de obra por novos equipamentos e sistemas. Quando ocorrem estes dois fatores, o Capital vai perdendo a capacidade de acumular  seu próprio excedente.

 Para completar, é preciso compreender que a exploração do trabalho se dá através de sua metabolização com a Natureza. Disso resulta que para cada parte de trabalho excedente explorado, corresponderá o consumo (inútil) de uma parte excedente de recursos naturais.

Daí a visível destruição ciclópica da Natureza, nesta fase crepuscular.  É o Impasse Ecológico, fenômeno que economistas burgueses bem como os ecologistas da mesma categoria, têm extrema dificuldade para entender.

Não deixe de ler, na Coluna Para Entende a Crise, matéria que explica com mais detalhes o que foi dito aí acima. Além disso, no meu livro O Impasse Ecológico,   procuro descrever, de forma mais aprofundada e meticulosa, o fenômeno  também mencionado acima.

A Crise

 Em seguida, você lerá resumo do noticiário distribuído pelas  agências, sobre  o rebaixamento da classificação dos EUA como pagador:

“Em uma ação inédita, os Estados Unidos sofreram o rebaixamento da avaliação de risco de seu crédito de longo prazo. A nota de risco de crédito dos EUA da agência Standard & Poor”s passou de AAA – a avaliação mantida nos últimos 70 anos e a mais elevada do ranking – para AA+.

A medida foi tomada três dias depois da sanção da lei que evitou a suspensão de pagamentos pelo governo americano que esboçou o plano de ajuste de US$ 2,1 trilhões nas contas públicas federais nos próximos dez anos.

A S&P havia notificado a Casa Branca sobre a decisão antes de anunciá-la, como sempre, de surpresa e após o fechamento dos pregões das bolsas americanas. O Tesouro americano argumentou à agência ter havido falha de US$ 2 trilhões nos cálculos sobre as projeções das contas públicas do país. Porém, nem o Tesouro nem a S&P se manifestaram publicamente sobre o possível erro de cálculo.

Por meio de um comunicado emitido na noite de ontem, a S&P advertiu sobre a possibilidade de novo rebaixamento, para AA, nos próximos dois anos, “se virmos que o corte menor das despesas em relação ao acertado, o aumento nas taxas de juros ou novas pressões fiscais durante o período resultam em uma trajetória mais elevada da dívida governamental do que a atualmente sugerida pela nossa base de dados”. “O panorama sobre a avaliação de longo prazo é negativo”, acentuou”.

A China

 A China, principal credora dos Estados Unidos e com 70% de suas reservas em moeda estrangeira em dólares, criticou duramente o governo americano depois que a agência de classificação de riscos Standard & Poor’s rebaixou a dívida americana nesta sexta-feira, pela primeira vez na História. Com US$ 1,16 trilhão em bônus do Tesouro dos Estados Unidos e US$ 3,2 trilhões de reservas em moeda estrangeira em dólares, a queda da dívida americana de AAA – a máxima qualificação possível – para AA+ gerou um forte mal-estar em Pequim.

A agência oficial chinesa Xinhua publicou neste sábado um duro editorial no qual assegura que a decisão da Standard & Poor”s é “uma fatura que os Estados Unidos devem pagar por sua própria dependência quanto ao endividamento e por suas brigas políticas sem visão de futuro em Washington”.

Não deixe de ler a coluna Para Entender a Crise, onde há mais  informações sobre este mesmo tema.

21-07-11 atualizado em 22-07-11

Europa salva a Grécia e os bancos
com o dinheiro dos contribuintes

Os governantes europeus, reundidos ontem (21) em Bruxelas, decidiram aprovar um pacote de  109 bilhões de euros para cobrir o “rombo” da dívida grega. É um calote histórico que recebeu  o apelido de “moratória seletiva”. Tudo, para evitar que o Continente  inteiro fosse contaminado.

Setenta por cento de toda essa grana será fornecida pelos próprios governos, principalmente os da Alemanha e da França. Ou seja, dinheiro dos contribuintes será usado para tentar solucionar uma crise onde os banqueiros são os  maiores responsáveis.

As orígens

Os neoliberais são realmente impagáveis, além de cínicos e hipócritas, é claro. Durante trinta longos anos (desde a derrocada da extinta União Soviética) eles impuseram ao Mundo seus dogmas expressos na cartilha do Estado mínimo e obediência cega às leis do Mercado.

Toda vez que o Governo tentava intervir para evitar alguma distorção, eles gritavam: estão usando indevidamente o meu, o seu, o nosso dinheiro.  Se dependesse deles tudo ia ficando tudo por conta do Mercado, inclusive a minha, a sua, a nossa saúde.

O Setor Financeiro, evidentemente, deitou e rolou, sem peias  ou qualquer tipo de regulamentação. Promoveram, enfim, fantásticas e absurdas alavancagens (na verdade dinheiro fictício em caixa,  para investimentos sem lastro) através de espertas  “engenharias financeiras”. Estas espertezas consistiam em  abusar dos chamados derivativos, ou seja: emitiam-se papeis sem lastro (negociados no Mercado futuro) para garantir  papeis  sem lastro emitidos no passado.

Com isso criaram uma descomunal bolha especulativa que tomou conta do Mundo. As bolhas, como se sabe, um dia estouram. E essa bolha gigante estourou num certo dia de setembro de 2008, a falência do Lehmon Brothers, nos Estados Unidos. Em seguida começaram a pipocar bolhas  pontuais na Europa: Islândia, Irlanda, Portugal, Grécia,  Espanha , Itália e por ai vai.

Para salvar a economia e os bancos, Obama jogou a cartilha  neoliberal para o alto e  interveio firme no Mercado, enquadrando bancos e financeiras e até encampando a General Motors (um símbolo nacional), antes que ela caísse nas mãos de europeus  ou até de chineses.

A Europa demorou um pouco mais para cair na real, porque  supôs que seus problemas eram pontuais e não sistêmicos. Agora, entretanto, percebeu que  a enrascada  é de todos e vai pesar no bolso das duas principais  locomotivas da Zona do Euro, Alemanha e França.

A primeira ministra alemã, Angela  Merkel  (de centro-direita) em um momento de lucidez  resolveu, ao comprometer-se com a solução do problema grego,  exigir que os bancos participassem solidariamente dos prejuízos: “Vocês sãos os principais culpados disso, agora devem arcar com o custo da solução, disse ela referindo-se ao  iminente calote grego.  Calote, aliás, que eles  chamam, sofisticamente, de  “moratória seletiva”.

Os bancos aceitaram o “sacrifício”, (entram com 30% do total) mas querem garantias. Na verdade eles trocarão  títulos gregos prestes a vencer por outros de valor um pouco menor, mas com juros mais baixos e prazos bem mais alongados.

 A proposta final foi de La Merkel que  apresentou aos ansiosos dirigentes europeus (eles estiveram reunidos ontem (21) em Bruxelas para discutir isso) a idéia de reforçar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF – na sigla em inglês) para ”garantir” o pagamento da dívida grega. O reforço, é claro, será efetivado com recursos públicos.

 Ou seja, se o governo grego não pagar, o Fundo reforçado arca com o prejuizo. E os banqueiros sorriem felizes, porque mais um vez serão salvos com o dinheiro do contribuinte, neste caso europeu. Ou como  os neoliberais  gostam de dizer: “o seu, o meu,  o nosso dinheiro”.

O calote

O que caracteriza o calote ou “moratória seletiva” é que na verdade está havendo uma troca de titulos antigos por novos, da seguinte forma:

O juro dos empréstimos será reduzido dos atuais 5,8% para 3,5%,  e os vencimentos dos empréstimos serão ampliados de 7,5 anos para no mínimo 15 anos e no máximo 30 anos. Houve também um aumento do período de carência que varia entre as diversas modalidades de crédito (dos governos, dos bancos privados e do FMI).

 10-07-11

O petróleo  e os civis da Líbia

Já  advertimos dezenas de vezes aqui, mas não custa repetir: Este blog absolutamente  não defende Muammar  Kadafi, um tirano esclerosado, apesar de sua origem genuinamente revolucionária, há  quarenta anos.

Entretanto, sempre  dissemos, também, que Kadafi não é muito melhor nem muito pior do que dezenas de outros tiranos  da África e do Oriente Médio, com os quais os EUA e a Europa  mantiveram estreita colaboração econômica, política e militar, nos últimos trinta anos.

Tudo isto para demonstrar  o inacreditável cinismo  e a repugnante hipocrisia das principais potências mundiais que continuam massacrando a Líbia em nome da proteção da população civil, quando, na realidade, estão escancaradamente participando de uma  guerra Civil separatista, alinhados com os rebeldes.

Os interesses dos  países mais ricos do Mundo vão desde os estratégicos e petrolíferos, até o simples  imediatismo eleitoral de seus dirigentes, como é o caso do presidente Nicolas Sarcozy, da França, e David Cameron, premiê da Grã Bretanha. Dois bandidos para a História.

A mídia submissa e  corrupta dá cobertura à farsa,  mas é impossível que o leitor brasileiro  de classe média não perceba o quanto é covardemente manipulado e tratado de forma quase infantil.

A mídia só lhe fornece notícias ou versões que interessam ao Departamento de Estado norte-americano e a seus  desmoralizados aliados europeus: Kadafi que tinha sido eleito  o inimigo número um da Humanidade, foi retirado das primeiras páginas dos jornais,  tão logo se percebeu que ele resistiria por tempo indeterminado e que pelo menos a metade da população líbia está a seu favor. Entrementes, a matança continua.

Depois de  mais de três meses de guerra, não há alterações no front e ninguém garante que haverá uma vitória militar sobre Kadafi.  Nessas circunstâncias, o primeiro a recuar foi  Silvio Berlusconi, o premiê italiano, envolvido em escândalos pessoais, crise econômica e pressionado pelo eleitorado. Agora  é ele quem acusa Sarcozy e Cameron de oportunismo e  ameaça  abandonar a guerra contra a Líbia.

 A Otan,  Organização do Tratado do Atlântico Norte, que comanda as operações em nome dos EUA e da Europa,  já admitiu que a guerra só terminará  quando a população de Trípoli se rebelar contra Kadafi, algo que não se sabe se e quando acontecerá.

Ou seja, a perspectiva é a de que  sigam os bombardeios (inclusive  contra objetivos não militares) e a destruição que  já causaram mais mortes e danos a civis do que aqueles que se pretendia poupar, até porque Kadafi  perdeu a capacidade de atacar as regiões rebeldes.

Veja as últimas notícias fornecidas ontem pelas agências internacionais e pelo correspondente, na Itália, do Estado de S. Paulo que, aliás,  deu pouquíssimo destaque à matéria:

 “A Itália anunciou ontem que reduzirá sua participação na operação militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia, colocando em evidência a falta de sintonia entre os aliados europeus em sua campanha contra o ditador Muamar Kadafi.

O volume de dinheiro destinado à guerra na Líbia por Roma será cortado. Nos três primeiros meses do conflito, foram gastos 142 milhões. Até setembro, o governo italiano destinará 58 milhões. O porta-aviões Garibaldi será substituído por um navio menor, o que significará o uso de mil soldados a menos. Os aviões serão substituídos por jatos que farão operações a partir das bases italianas.

“Eu era contra e sou contra a intervenção que terminará de uma forma que ninguém sabe”, declarou o premiê italiano, Sílvio Berlusconi, que por anos manteve uma boa relação com Kadafi e o estimulou a investir na Itália. Ele disse que a pressão para que se unisse à operação na Líbia “não foi dos EUA, mas de um grande país europeu”, referindo-se à França. “Fizemos perguntas muito precisas aos protagonistas da iniciativa – ou seja, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o premiê britânico, David Cameron”, disse. “A resposta foi que a guerra terminaria quando houvesse uma revolta da população de Trípoli contra o regime”, disse Berlusconi.

O premiê tem sido pressionado pela Liga Norte, partido que garante sua maioria no Parlamento, a sair do combate. Tanto por causa dos custos quanto pela onda de imigração para o território italiano. Berlusconi está sendo criticado desde que a Líbia decidiu dar contratos que estavam nas mãos de empresas italianas no setor do petróleo a companhias de China e Rússia, países que se opõem à guerra.

Na Europa, governos têm sido pressionados por seus Parlamentos a reduzir seu envolvimento no conflito, principalmente por causa da crise econômica que a região enfrenta. Quase quatro meses depois de lançada, a operação para derrubar o ditador líbio não parece perto de acabar”.

 Nos EUA, a Câmara dos Representantes manteve ontem por 229 a 199 votos o financiamento da campanha militar na Líbia, mas informou ao presidente  Obama que esta foi a última concessão. Também na  América, crescem as pressões para que se ponha fim à Guerra Suja da Líbia.

A matéria logo aí abaixo dá sequência ao tema desta.

27-06-11

O discreto chame terrorista da nova burguesia mundial

A “Civilização Ocidental” vai à guerra usando os métodos de Bin Laden

Se fosse um terrorista como o falecido Bin Laden e resolvesse  liquidar seu inimigo a quem você acusa de ser o verdadeiro  terrorista, o que você  faria. Pode deixar que eu respondo:  não obedeceria as convenções elementares, mataria civis indiscriminadamente e  tentaria assassinar o chefe adversário. Correto?

Agora outra perguntinha simples, o que os EUA e a OTAN estão fazendo na Líbia?  Resposta: De forma miniaturizada, mas nem por isso menos criminosa, eles agem com a desenvoltura terrorista (nenhuma preocupação com a vida de vítimas  inocentes) com que  Bin Laden agia até recentemente e como Richard Nixon agiu durante  oito anos no Vietnã.

Ates de prosseguir, vamos repetir o que temos dito insistentemente  neste blog. Ninguém está aqui para aliviar o lado de Kadaf. Ele é um  tirado sim e da pior qualidade, apesar de sua origem autenticamente revolucionária.

 Porém  ele  não só não é menos tirano do que a média de dezenas de estreitos aliados dos EUA e da Europa nos últimos trinta anos, tanto na África como no Oriente Médio. Além disso, há um ano ele  (Kadaf) era o queridinho íntimo de líderes como Sarkozy e Berlusconi.

O que há, portanto, é  uma  acanalhada e  hiper hipócrita   condenação seletiva por parte da potências ocidentais que, meio que aleatoriamente ou por  interesses estratégicos e  econômicos elegem o bandido da vez para ser caçado pelos  mocinhos, sem respeitar os mais elementares direitos humanos.

Isto sempre foi assim e a função  da grande mídia (braço publicitário do Sistema globalizado) é o de focar o bandido da vez, seguindo uma espécie de comando superior. O que espanta é a ingenuidade do  leitor burguês comum que não consegue perceber o quanto é e manipulado e tratado como verdadeira criança pela mídia calhorda.

Entretanto,  depois de lembrar que um filho e três netos  de Kadaf, durante a caçada, já forma exterminados como simples baratas, vamos  aos fatos mais recentes,  reproduzindo trechos do noticiário das agências  dos últimos três dias:

“Um alto comandante do Exército americano confirmou a um congressista dos EUA que as forças da Otan estão tentando matar o líder líbio Muammar Kadaf, segundo informações do periódico The Huffington Post, divulgadas nesta sexta-feira.

A informação contradiz as declarações da Casa Branca de que as ações da Otan não tinham intenção de provocar mudanças no regime líbio. “Se você remover Kadafi, certamente vai afetar o regime”, disse Mike Turner, político que integra o Comitê dos Serviços Armados do Congresso.

Mike Turner disse que ouviu do chefe do comando de Operações Conjuntas da Otan em Napoles, na Itália, almirante Samuel J. Locklear, que, desde o mês passado, as forças de segurança estão tentando matar Kadafi.

A autorização das Nações Unidas tinha três componentes: bloqueio, barrar zonas de voo e proteção civil. O almirante Locklear explicou que o escopo da proteção civil estava sendo interpretado como uma permissão para a remoção da cadeia de comando militar de Kadafi, incluindo ele mesmo”, disse Turner. Segundo o político, essa é a missão definida pela Otan.

Segundo o político, isso confirma que derrubar Kadaf já era o alvo, mas as declarações do militar mostram que a Otan está indo além  e pretende matar Kadaf.

O veto às negociações

 “Há dois dias – ainda segundo  relato das agências – insurgentes líbios tiveram contatos indiretos com representantes das autoridades de Trípoli e mencionaram a possibilidade de Kadaf permanecer na Líbia caso deixe o poder, afirmou Mahmud Shammam, porta-voz do Conselho Nacional de Transição (CNT, braço político da rebelião).

Ao ser questionado sobre a existência de contatos entre os insurgentes e o regime líbio em uma entrevista ao jornal francês Le Figaro, Shammam respondeu: “Sim, estão acontecendo contatos por meio de intermediários. Mas estas negociações jamais são diretas. Às vezes acontecem na África do Sul, às vezes em Paris, para onde Kadaf recentemente enviou um representante para conversar conosco”. “Nós falamos com eles sobre os mecanismos da saída de Kadaf”, acrescentou o porta-voz do CNT, reiterando que a participação do ditador e de membros de sua família em um futuro governo está “totalmente excluída”.

 Ainda esta semana, o ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, pediu na quarta-feira “uma suspensão imediata das hostilidades” na Líbia com o objetivo de organizar corredores humanitários para ajudar a população.

Essa proposta foi rejeitada imediatamente pela França, que considerou que uma trégua, inclusive com fins humanitários, permitiria a Kadaf “se reorganizar”.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, também se opôs à interrupção das operações, afirmando que a Aliança Atlântica “continuará sua missão porque se pararmos, inúmeros civis poderão perder suas vidas”.

Em suma: poderia haver uma solução negociada para  Líbia. Inclusive, a Turquia, o Brasil e a  África do Sul estão envolvidos  informalmente nestas negociações. Mas o comando da OTAN e principalmente Nicolas Sarkozy   e o premier britânico  David  Cameron, por puro interesse eleitoral imediatista, continuam  dando uma de  John Weine. E só vão sossegar quando exibirem  o escalpo de Kadaf (o índio assassino) em praça pública. E eles fazem isso não apenas porque  são políticos frios e hábeis, mas porque são animais mesmo.

 o4-06-11

Mídia  silencia,  mas  Dilma  já  atua
na negociação para pacificar a Líbia

Em parte por incompetência, em parte por pura calhordice, a mídia brasileira não deu uma única linha. Entretanto, a presidenta Dilma Rousseff, o presidente da África  do Sul, Jacob Zuna, e o primeiro ministro da Turquia, Receb Tayyip Erdogan estão trabalhando intensamente para obter uma  trégua na Guerra Civil da Líbia que já dura três meses.

Segunda-feira à noite, o presidente sul-africano telefonou para a presidenta brasileira dando detalhes do encontro que mantivera no, dia anterior, com Muammar Kadafi que estaria sinceramente disposto a negociar uma trégua  ou até mesmo o fim da Guerra.

Como os rebeldes separatistas  que controlam o Leste da Líbia, bem como os principais líderes europeus, se recuam  a negociar,  Jacob e Dilma decidiram levar a questão para dentro do Conselho de Segurança da ONU onde Brasil e África do Sul são membros não permanentes. A idéia é fazer com que o  Conselho  aprove  uma moção  propondo o início das negociações.

É preciso recordar que, há três meses, quando esse mesmo Conselho de Segurança  votou a resolução autorizando  os ataques aéreos à Líbia, Brasil, China, Rússia, Alemanha, Turquia e África do Sul abstiveram-se ou votaram  contra.

Mas a intermediação brasileira, na realidade, começou há um mês, quando o ex-presidente Lula conversou  a respeito com o presidente sul-africano e com o primeiro ministro turco.

Na semana passada, em Brasília, Lula, a presidenta e o assessor especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, decidiram que a presidenta deveria assumir oficialmente a parte brasileira nas negociações. Entre outras utilidades, a idéia visava criar uma notícia de impacto para contrabalançar a enxurrada de manchetes negativas em torno do Caso Palocci.

  22-05-11

Ana de Hollanda, frágil ministra
se  debatendo  na  Selva Cultural

A forma grosseira com que tentaram fritar a ministra Ana de Hollanda pelo menos demonstrou que nos bastidores da cultura os métodos são tão sujos quanto nos bastidores, por exemplo, do futebol ou da política. E, seguindo por esta analogia, se poderia dizer que o processo de fritura ainda está em andamento, tanto que a ministra precisou ser “prestigiada”, há três dias, pela Diretoria do Planalto Futebol Clube.

Para mim (perdão se levo a coisa para o lado pessoal) isto cria um  constrangimento, porque há semanas  pretendo fazer uma crítica à ministra, mas não queria me  imiscuir nessa  sujeirada de bastidor.Agora, porém, que ela está  prestigiada pela Chefia, vou expor minha divergência antes que seja tarde.

É uma crrítica de ordem conceitual que diz respeito a quase todos os países periféricos portadores de elites colonizadas que exibem um portentoso e genuino  sentimento de vira-latas.

Nestes países e estou falando daqui, portanto,  a Cultura (política cultural) é tratada como um nicho da Adminstração, onde,  com escassas verbas, cuida-se da preservação, por exemplo, de redutos heroicamente sustentados por nossos indios, pelos quilombolas ou pelos autores e intérpretes de nossa  MPB ou o que sobrou dela.

Os países centrais, embora  em processo falimentar, ainda têm força para sorrir superiormente e, através  dos órgãos compentes, distribuir uma verbinha ou outra para que a  periferia “preserve sua cultura”.

 É o caso da França que astutamente  procura  cultivar suas afinidades com nossos caipiras e, todos os anos, envia um  dinheirinho para que possamos pintar a fachada ou reformar o telhado da Casa França Brasil alí ao lado da Candelária, no Rio.

Falando sério, é evidente que tudo isso passa longe do que deveriam ser as atribuições de um Ministério da Cultura, digno desse nome. E não digam que estou menoscabando nossos índios  e quilombolas ou  nossa arte barroca. Se alguém fizer isso,  juro que meto-lhe um processo.

 O que estou dizendo é que a função do Ministério da Cultura é absolutamente estratégica e como tal deve ser tratada.

O Poder e a Cultura de Massas

Para manter sua hegemonia, os países centrais se utilizam da Cultura de  Massas ou,  mais precisamente, da Indústria Cultural de Massas. Quem conquista  a alma não precisa destruir o corpo do inimigo. Esta frase, que inventei agora, inspira-se em outra  usada por um big shot de Hollywood nos áureos tempos. “Onde chegam nossos filmes, nossos canhões tornam-se desnecessários”, dizia ele.

Os EUA não dispõem de órgãos burocráticos do tipo Embrafilme, mas  articulam todas as esferas de poder, incluindo forças policiais e as três  Armas, com a Indústria  Cultural de Massas. E gastam disso uma grana tão alta que supera o que empregam na manutenção de seus seviços secretos, por exemplo. O cinema, a  música e os seriados para a TV são os principais itens desse arsenal  destinado à conquista de mercados e de almas, via sustentação da imagem e  infiltração subliminar. No sentido inverso, as mesmas armas são usadas para manter a coesão interna.

Pois bem. Agora o Brasil emergiu. Os tucanos e sua mídia sórdida e apátrida detestam admitr isso É a velha síndrome do vira-latas. Mas,  queiram ou não, dentro de no máximo dez anos, seremos uma das cinco maiores potências do Mundo, por qualquer ângulo que se olhe.

Por isso, não sei se  me divirto com o ridículo ou lamento a grotesca falta de visão estratégica do governo em relação à Cultura. É um espanto que, pelo menos para este ano, a principal   ação do Ministério seja a construção de pequenas “pracinhas culturais” em dezenas de municípios do Interior.

E se alguém disserque sou contra estas singelas  pracinhas, juro que meto-lhe um processo. Tudo o que quero é chamar a atenção para a necessidade vital de se articular (sintonizar) nossa  Indústria Cultural de Massa  (via  MinC)  com os  miolo do poder nacional: a Economia,     a Diplomacia e  as Forças Armadas, sendo que no caso expecífico do Brasil, estas últimas ainda não estão suficintemente enquadradas.

 Será que nossa frágil  e  simpática ministra  Ana de Hollanda algum chegou a pensar nisso?

O Poder do Rambo e do Comando Delta

Para poupar tempo, espaço e sobretudo trabalhovou  reproduzir trecho de matéria que escrevi recentemente para outra coluna deste blog. Ele mostra como os EUA são exímios  na cooptação de mentes e corações, Mundo afora. É claro  que também são muito odiados, mas, nesse caso, não , sem respeitar fronteiras, Diritos Humanos ou o que seja, acionam sem vacilação seus  caças e suas bombas.

Eis o trecho da matéria:

Através do controle  da maioria dos instrumentos de comunicação de massa com prioridade para o cinema e as mídias nacionais submissas, os EUA conseguem manter um nível altíssimo de  penetração no coração e na mente do cidadão comum (Mundo afora) que sofre, assim, algo muito parecido com uma lavagem cerebral.

Este fenômeno, que  se aprofundou bastante após a derrotaca da União Soviética, faz com que gerações inteiras (tomemos o exemplo do Brasil) acreditem que  os americanos saíram-se vitoriosos da Guerra do Vietnã. Ou, pelo menos,  estas gerações “esqueceram” – apagaram da memória – que Tio San sofreu alí a maior sova militar de sua história.

Este, porém, ainda não é o ponto crucial. O que quero dizer é que desde os anos 80, gerações sobre gerações, foram sendo “convencidas” através de filmes ou séries de TV que, embora falsos do ponto de vista histórico e artisticamente precários, têm força suficente para incutir no coração e nas mentes (Mundo afora) um espécie de solidaridade emocional a heróis do tipo Rambo  ou do Comando Delta que, com nosso consentimento podem exterminar inimigos,  desrespeitando, sem nenhum escrúpulo, qualquer tipo de direitos humanos.

 Paralelamente, todos se solidarizam  e sofrem com a morte ou sofrimento de um único americano, na mesma medida em que literalmente gozam  com as cenas brutais e sangretas de destruição coletiva do “inimigo” previamente demonizado.

E para que não digam que  teorizo, vamos a um fato concreto: no final dos anos 90, o governo brasileiro promoveu uma campanha contra a violência do trânsito. A frase síntese utilizada era: Nosso trânsito faz mais vítimas, em um ano, do que toda a Guerra do Vietnã.

Durante semanas esta frase foi repetida  pela mídia. Até Faustão e Willian Waak destacaran estes números, com ar de inteligência.

Ocorre que menos que 60 mil formam as baixa apenas de soldados americanos durante a guerra. Morreram 45 mil, para ser preciso. Ou seja,  passou-se em silêncio sobre  quatro milhões de vítimas civis vietnamias. Elas formam “apagadas” das mentes e dos corações.

  15-05-11

“A esperança vai vencer o medo”

Empatado tecnicamente com a candidata de direita Keiko Fugimore, na reta final das eleições presidenciais peruanas, o candidato de equerda, Ollanta Humala, assume um lulismo explicito. O novo mote de sua campanha é idêntico ao usado pelo ex-presidente Lula  nas eleições de 2002: A esperança vai vencer o medo.

Humala sofre oposição maciça do Setor Finaceiro e de praticamente toda mída peruana. Em função disso, Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fugimore, vem crescendo nas pesquisas. Seu pai cumpre pena por crimes de corrupção e desrespeito continuado aos  direitos  humanos.

 Ela é apoiada ainda pelo ex-ministro da Economia, Pedro Pablo Kucznski, que tem dupla nacionalidade, peruana e americana. Ele é proprietário de sete empresas de porte médio nos Estados Unidos.

Na verdade, a classe média  peruana sobretudo os “emergentes”  de Lima beneficiadas pelo crescimento econômico dos últimos anos, parece disposta a  votar em Keiko, mesmo conhecendo  seu ideário de extrema direita e sabendo que ela poderá anistiar seu pai.

Ontem (14-05), Humalla teve que negar mais uma vez, reiteradas  denúncias, veiculadas pela mídia,  de que recebeu dinheiro de Hugo Chávez nas eleições de 2005. Na ocasião, ele foi  derrotado pelo atual presidente,  Alán Garcia,  aparentemente em função destas mesmas acusações.

Referido-se ao recebimento desse financimento, o candidato garantiu:

“É totalmente falso. Jamais aconteceu isso e não permitiríamos. (…) O que esses jornais buscam é plantar medo na população, mas a esperança vai vencer o medo”.

“A única coisa que fazem é confundir a população. Isso é mentira e eu rechaço totalmente essa calúnia”, afirmou o candidato, do Partido Nacionalista Peruano, um militar reformado.

A matéria abaixo dá mais  detalhes sobre o mesmo tema. 

05-04-11

Keiko Fugimore, de direita, alcança Ollanta
Humala, de esquerda, nas eleições peruanas

Com apoio maciço da mídia e do Setor Financeiro, a candidata  de extrema direita, Keiko Fugimore,  pode assumir a qualquer momento a liderança na corrida presidencial no Peru. Na última pesquisa divulgada ontem (04-05) ela já alcançou o candidato de esquerda Ollanta Humala, apoiado discretamente por Hugo Chávez e ostensivamente pelo ex-presidente Lula e pelo PT brasileiro.

No primeiro turno, há um mês, Ollanta, um miltar nacionalista reformado, obteve 31% dos votos contra 23% de Keiko. Ela é filha do ex-presidente Alberto Figimore que está cumprindo pena por  crimes de corrupção e desrespeito continuado aos direitos humanos. Pela última pesquisa, os dois candidatos então tecnicamente empatados com 38/39%.

Na verdade, trava-se no Peru, um importante lance geopolítico e diplomático. Os Estados Unidos investem tudo na candidata direitista para não perder, para o MERCOSUL, a hegemonia econômica  sobre os países da  costa do Pacífico da América do Sul.

Veja mais detalhes na matéria abaixo.

25-04-11 atualizado em 27-04-11

Peru: candidato de Lula e Chávez na
frente,  mas  a  vantagem  é  pequena

Keiko Fugimore, a candidata de direita decidiu ontem (26),  mudar susbstancialmente seu discurso e declarou, em entrevista ao jornal El Comercio de Lima, ter admiração pela política de crescimento econômico com inclusão social desenvolvida pelo ex-presidente Lula no Brasil. E foi além, dizendo que, como Lula, pretende trabalhar  pela construção da união sul-americana.

Na verdade, este é o discurso que vem sendo adotado pelo candidato de esquerda Olantta Humala que, inclusive, é assessorado por petistas. Além de elogiar Lula, o candidato nacionalista procura descolar sua imagem da do presidente venezuelano Hugo Chávez.

Texto  de 25-04-11

 Ollanta Humana, militar reformado, o candidato nacionalista de esquerda identificado pelo  próprio eleitorado como ligado a Lula e a Hugo Chávez, tem 42%  da preferência do eleitorado, segundo as primeiras pesquisas deste segundo turno da eleição peruana. Logo atrás, com 36%, vem a deputada Keiko Fujimore, conservadora, porém populista, e filha do ex-presidente Alberto  Fujimore que está preso por crimes de corrupção e violação grave dos direitos humanos.

Pode-se dizer que a sorte de Humala é estar enfrentando Keiko que lidera os índices de rejeição e é obrigada, diariamente, a jurar que não fechará  o Congresso, como fez seu pai,  nem dará liberdade a ele e a seus cúmplices. Num de seus discusos mais dramáticos, ela pediu perdão pelos delitos do velho Fujimore.

Não fosse por esta circunstância, se poderia dizer que Humala dificilmente venceria  estas eleições marcadas para o dia 5 de junho. Há cinco anos, ele também venceu o primeiro turno, com cerca de 30% dos votos (como agora), mas perdeu  na decisão final para o atual presidente  Alán  Garcia, um populista de centro que tem seu nome invariavelmente ligado a esquemas de corrupção.

Hoje, como há cinco anos, o Mercado, sua mídia e as forças de centro uniram-se contra Humala. Mas há três diferenças importantes: 1- as poucas lideranças expressivas que apóiam Fujimori, o fazem de forma reticente; 2- Humala tem o apoio do ex-presidente Alejandro Toledo, o principal líder do centro e que disputou o primeiro turno, obtendo 18% dos votos; 3- o candidato nacionalista conta também com o apoio de um ícone, o  conservador Mario Vargas Llosa (Prêmio Nobel de Literatura) que não esconde sua repulsa por Keiko Fujimore.

Por precaução, Humala procura apagar qualquer vestígio de suas ligações com  Chávez e tem declarado diariamente que “as eleições peruanas serão decididas  pelo povo peruano, sem interferências externas”.

O ponto forte de Humala são as regiões mais pobres com população predominantemente indígena. Na comparação, não geográfica mas social e eleitoral, estas regiões seriam semelhantes ao nosso Nordeste. Já o ponto fraco do candidato é a capital, Lima, cujo prefeito Luis Castañeda, que também disputou o primeiro turno, acaba de declarar seu apoio a Fujimore.

 Com 8,5 milhões de habitantese na Região Metropolitana, a capital peruana, na analogia  sócio-econômica e eleitoral,  seria a São Paulo deles. Há ali uma crescente  classe média (emergente) que vem se beneficiando do  últimos dez anos de alto crescimento econômico. Em Lima, Fugimori aparece na pesquisa com 43% dos votos e  Humala com 35%.

Um páreo duro e imprevisível, é o que se pode dizer dessas eleições  E diga-se, também, que ali está sendo disputado um importante lance geopolítico e diplomático:  de um lado o Mecosul, liderado pelo tripé  Argentina-Brasil-Venezuela que propõe a construção da  unidade e da identidade da América do Sul. De outra parte, temos os  Estados Unidos que pelejam para não peder a tradicional  hegemonia sobre as três Américas.

 E uma curiosidade: na pesquisa que estivemos analisando, 36% dos eleitores dizem acreditar que  a campanha de Humala é financida pelo PT brasileiro e 48% creem  que a grana vem da Venzuela.  Mas, estranhamente,  não há a  pergunta sobre quem financia a campanha de Fujimori.

A matéria abaixo complementa as informações desta.

16-04-11, atualizado em 17-04-11

Humala pode ser o Lula peruano, diz  representante da ONU

Ontem, sabado (16), Olantta Humala  obteve o apoio informal do ex-presidente Alejandro Toledo, o principal líder  de centro no Peru. 

Toledo também foi candidato nestas últimas eleições, obtendo 15% dos votos. A formalização do apoio ocorrerá nos próximos dias, quando o ex-presidente  se reunirá com seus partidários.

Com esse apoio, Humala dá um passo importante para derrotar, no segundo turno (5 de junho), a candidata de extrema direita, Keiko Fugimori.

Há quinze dias este blog  infomava a seus leitores que  Ollanta Humala, candidato nacionalista de esquerda à presidência do Peru,  deveria vencer o primerio turno e  adotara a estratégia de afastar-se de Hugo Chavez e  de ligar sua imagem  à de Lula.  O blog dizia, ainda, que a vitória de Humala representaria um sério revés para os EUA.

Por outro lado, há quinse dias, a mídia brasilera, incompetente e descaradamente subordinada  ao Departamento de Estado,  não infomava praticamente  nada a seus leitores. Apenas, em raras matérias, procurava “demonizar” Humala, dizendo que ele era “o Chávez peruano”.

Pois bem, ontem um graduado funcionário da ONU afirmou que  Humala representa uma boa alternativa democrática e poderá  inspirar-se no modelo de desenvolvimento brasileiro. Veja, abaixo, uma síntese do noticiário  das agências:

O diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para a América Latina, Heraldo Muñoz, declarou nesta sexta-feira que não se deve descartar que o candidato nacionalista Ollanta Humala pode se transformar no “Lula do Peru”. Humala, ex-militar e líder da coalizão de grupos nacionalistas e de esquerda Gana Peru, recebeu conselhos de assessores do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de moderar seu discurso radical e ampliar sua base eleitoral.

Perguntado se Humala poderia tornar-se um “Lula peruano”, Muñoz não descartou a hipótese. “Muitos pensavam que quando Lula fosse eleito faria um governo radical de um ex-dirigente sindical de esquerda. No entanto, Lula fez um governo pragmático de inclusão social, de crescimento econômico e de enormes transformações”, disse. Segundo ele, “não há como supor que a plataforma eleitoral de um candidato necessariamente implicará na maneira em que ele vai governar”.

Heraldo Muñoz também comemorou o fato de as eleições presidenciais realizadas no último domingo representaram um exemplo de “boa saúde” que goza a democracia na América Latina. “O resultado das eleições peruanas foi surpreendente. O pleito foi concorrido e teve muitos candidatos”, afirmou.

Ollanta Humala, vencedor do primeiro turno, enfrentará  agora, a candidata Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, preso por violações dos direitos humanos. O  segundo turno para definir o novo presidente peruano  ocorrerá  a 5 de junho.

Não deixe de ler a matéria logo aí abaixo. Ela dá mais detalhes sobre o processo eleitoral peruano.

11-04-11 atualizado em 12-04-11 e em 13-04-11

Mesmo fora do poder Lula chuta as canelas de Obama

Humala, mesmo sem Chávez, repesenta um revés para os EUA. Ele garante que não é chavista e  que se inspira no modelo brasileiro de desenvolvimento.

Alejandro Toledo, ex-presidente, e  Vargas Llosa (Nobel de Literatura) ex-candidato à presidência sinalizam que  apoiarão Humala no segundo turno. Eles são as principais lideranças de centro.

Ollanta Humala (de esquerda) e Keiko Fugimore (de direita), justamente porque representam os dois extremos ideológicos nestas eleições peruanas,  chegam ao segundo turno com  algo em comum: são os candidatos mais rejeitados pelo eleitorado. Humala  obteve,  no primeiro turno, 32% dos votos e Keiko 23%. Entretanto, ambos são rejeitados por  50% a 60% dos eleitores.

Nessas circusntâncias, é vital para os dois candidatos obter o apoio  daquele  que  representou  o eleitorado de centro,  o ex-presidente Alejandro Toledo que  chegou a liderar as pesquisas, mas  caiu muito nas últimas semanas,  terminando com 15% dos votos.

E, nesta disputa, Humala leva grande vantagem, porque niguém acredita que Toledo possa apoiar  Keiko. Quando muito, vai  declarar-se neutro.  Ele  foi eleito  em 2001,  fazendo  violentas acusações ao pai de Keiko, Alberto  Fugimori, a quem sucedeu e que  atualmente está preso por crimes de corrupção e desrespeito  aos direitos humanos.

Já  Humala é acusado de ser autoritário e  seguidor convicto de Hugo Chávez.  Entretanto, ele  renega  seu passado chavista e se diz adepto do modelo brasileiro (de mercado) com  desenvolvimento e simultânea distribuição  de renda. Para completar proclama sem constrangimento que sua estratégia eleitoral  será  a de “Paz  Amor”, a mesma  que  conduziu Lula ao poder em 2002.

Texto  de 11-04-11 :

A vitória de Ollanta Humala nas eleições presidências  de ontem no Peru (com boas  chances de ser confirmada do segundo turno a 5 de junho) pode significar a mais séria derrota da década para a diplomacia e os interesses estratatégicos dos Estados Unidos na América do Sul.

Humala  que foi escolhido neste primeiro turno por pouco mais de 30% dos eleitores é um militar (coronel da reserva) nacionalista   apoiado veladamente por Hugo Chávez e abertamente pelo ex-presidnte Lula, bem como  pelo PT que, inclusive, esta fornecedo assessoria à sua campanha.

 Sua tátita, muito parecida com a de Lula em 2002, “a esperança vence o medo” diz seu principal slogan, foi a de “renegar” o chavismo,  garantir o cumprimento de contratos e acordos, bem como insinuar que dará continidade  à atual política econômica que  vem garantido ao país altas taxas de crescimento. A idéia é seguir o modelo brasileiro de crescimento econômico com distribuição de renda.

Tudo isso é  mais a  garantia de que haverá total respeito à liberdade de imprensa. Sua preocupação, evidente, é a de contornar o medo e as desconfiaças  das classes médias  com maior renda.

Sua vitória nesse primeiro turno, se deve, entretanto, ao fato  de que  o crescimento econômico peruano foi obtido em concomitância com uma devastadora corupção em todos os níveis (tanto que  Alán Garcia, o atual presidente, tonou-se um dos mais impopulares da história) e uma concentração de renda  que se expressa  no altíssimo grau de  exclusão social. Para completar, está em curso uma criminosa destruição ecológica da Amazônia Peruana.

Para sorte do candiato nacionalista, seus dois principais concorrentes foram  Keiko Fugimore, filha do ex-presidente  Alberto  Fugimore (que cumpre  pena de prisão por crimes de corrupção e  de flagrante desrespeito aos diretos humanos) e  Pedro Plabo Kuczynski, ex-ministro da economia e  fortemente vinculado aos Estados Unidos. Ambos são os candidatos que  ostentam o maior índice de rejeição por parte do eleitorado.

Keiko, uma populista de direita, casada com um norte-americano, pretende, em rersumo, reabiliar seu pai e  implantar a pena de morte no Peru. Ela, que também passa  para o segundo turno obteve pouco mais 23%% dos votos.

Kuczynski, o PPK, que no início da campanha não era levado a sério, fala com um incômodo sotaque  americano, possui dupla cidadania e morava até recentemente nos Estados Unidos, onde é proprietário de um conjuto de médias e grandes empresas. Nas últimas semanas a classe média alta, com medo de Humala, descarregou  seus votos nele. Ele conquistou  20% eleitorado.

Os dois candidatos mais moderados (de centro) são  o ex-presidente Alejandro Toledo (de quem JPK foi ministro da economia) e Luis Castañeda, ex-prefeito de Lima. Segundo os analistas, eles teriam mais chances de derrotar  Humala no segundo turno, porque, embora menos votados, são também menos rejeitados. Neste primeiro turno obtiveram, respectivamtne, 15% e  11% dos votos.

Par a sair-se vitorioso no segundo turno, Humala precisa conseguir o apoio ou, pelo menos, a neutralidade destes dois candiatos derrotados.

Nesse sentido, foram sintomáticas as declarações de Toledo, ontem, ao reconhecer sua derrota:

“O país expressou sua raiva nas urnas, seu descontentamento por ter um crescimento econômico  que não distribuiu os benefícios. O eleitorado encontrou um candidato (numa referência evidente a Humala) que canaliza esse protesto”.

 A derrota estratégica dos EUA

Há dez anos, os EUA  ainda acreditavam que poderiam implantar uma zona de  livre  comércio  sob sua  hegemonia e que se instalaria do  Canadá à Patagônia. Era a  ALCA.  Em 2005, entretanto, os ex-presidentes  Lula e  Néstor Kichner, da Argentina, declararam formalmente seu rompimento com as negociações  em torno da ALCA e informaram que  a prioridade seria o fortalecimento do  MERCOSUL.

De lá para cá, Washington e Brasília vêm travando uma surda luta diplomática  na América do Sul. Aos poucos, como num efeito  dominó, o bloco do MERCOSUL foi  acumulando vitórias pontuais e  algumas etratégicas, como o ingresso da Venzuela , por exemplo. Entre as vitórias  pontuais consta  o afastamento do Equador que estava, até a eleição do esquerdista Rafael Correa em 2006, muito próximo da assinatura de um tratado de livre comércio com os EUA.

No mesmo período, a Bolívia aproximou-se do MERCOSUL e o Uruguai, que já  integra este tratado de livre comércio,  deixou de ameaçar sua retirada para aproximar-se de Washington.

Restaram assim para os norte-americanos,  o Chile, o Peru e a Colômbia. Desta forma, a possível  vitória de Humala,  pode representar um  importante desfalque. Dos 10 países latino-americanos do Continente, apenas dois ainda se sentiriam seduzidos pelos apelos de Washington. E mesmo assim de forma ambígua, como veremos  em uma próxima matéria.

A matéria logo abaixo  complementa as informações desta.

07-04-11

Humala imita Lula

Ollanta Humala, o candidato das esquerdas peruanas, lidera as pesquisas e já  garantiu sua passagem para o segundo turno nas eleições de domigo (10). Mas ele que conta, no momento, com 30% das intenções de voto, poderá,  nessa segunda etapa,  ter que enfrentar uma aliança de centro-direita.

Para evitar isso, Humata, um  oficial da reseva, apotado como aliado de HugoChávez, tenta descolar sua imagem da do presidente  venezuelano  e adotou uma  tática eleitoral (light) parecida com a usada por Lula nas eleições de 2002.

 Ele trocou a cmisa  vermelha por uma branca  e amenizou substancialmente  seu discurso. Mesmo assim continua sendo demonizado pela  mídia peruana, muito parecida com a brasileira, e é odiado pelos extratos mais elevados da classe média.

Para contornar  esses obstáculos, Humala contratou especialistas  ligados a Lula e ao PT. Ele não desmente que, desde janeiro, Luís Favre, ex-marido da senadora Marta Suplicy, e o petista Valdemir Garreta assessoram  sua campanha.

 A partir de então, a frase síntese de sua campanha passou a ser: ”A esperança vence o medo”

Na matéria abaixo você tem mais detalhes sobre mesmo tema.

06-04-011

Humala, favorito nas eleições do Peru,
é  acusado de  receber  ajuda  do  Brasil

Durante toda a campanha presidencial, o canditato do Partido Nacionalista, Ollanta Humala, (um militar reformado que liderou, há 14 anos, uma rebelião contra Albeto Fugimori), foi acusado, pela mídia e pelos candidatos de Centro e de Direita, de ser apoiado por Hugo Chávez.

Agora, quando ele lidera as pesquisas e  já garantiu sua passagem para o segundo turno, as acusações são de que ele  vem recebendo ajuda do Lula, do governo brasileiro e do PT. O primeiro turno será agora  no domingo, dia 10.

Humala não conseguiu derrubar Fugimori que, entretanto, teve que renunciar, em 2000 no início de seu segundo mandato,  acusado de corrupção e atos ditatoriais.  Ficou anos  exilado no Japão, mas atualmente está preso em Lima.

Curiosamente, Keiko, filha de Fugimori , é a segunda colocada nas pesquisas. Humala  está com 30% da preferência do eleitorado e ela tem 19%. De extrema direita, defende  a  instalação da pena de morte no Peru.

Na matéria logo aí logo abaixo, você encontra mais detalhes sobre a eleição.

04-04-11

Humala, o “chavista”, já garantiu
passagem  para  o  segundo  turno

O candidato do Partido Nacionalista, Ollanta Humala, que lidera as intenções de voto para a Presidência do Peru, consolidou-se no topo da preferência do eleitor, tornando-se o único candidato que tem seu lugar no segundo turno garantido, segundo as últimas pesquisas. Ele é apontado pela mídia local como  vinculado a Hugo Chávez, mas tanto ele como o presidente venezuelano procuram dementir isso.

Entretanto, nesse segundo turno, Humala, um esquerdista que moderou seu discurso nas últimas semanas, terá dificuldades para vencer. Ele está próximo dos 30% na preferência do eleirorado, mas existem três outros candidatos com pontuação em torno de 20%. São eles  a direitista  Kioko Fufimori, fillha dos ex-presidente deposto, Alberto Fugimori, do também  ex-presidente  Alejandro Toledo (centro) e de Pedro Pablo Kuczynski, ex-ministro da Economia, e também de direita.

Segundo as pesquisas, num mano a mano, Humata só venceria com  facilidade a Kuczynski.

Na matéria abaixo há mais detalhes.

31-03-11

Esquerda avança no Peru

O candidato “chavista” Ollanta Humala está liderando as pesquisas para as eleições presidenciais do próximo dia 10 no Peru. Mas o quadro é de indefinição. Os três principais candidatos têm, cada um, em torno de 20% da preferência do eleitorado.

Os outros dois concorrentes viáveis são Keiko Fugimori e Alejandro Toledo.  Keiko, apontada como a candidata da  extrema direita, é  filha do ex-presidente Alberto Fugimori (1990 a 2000) deposto e exilado sob a acusação de corrupção e abuso de poder.

Toledo, que governo o país de 2001 a 2006, é o candidato centrista, na linha do atual presidente Alán Garcia. Ambos, embora em partidos diferentes, contam com a simpatia explícita dos Estados Unidos e do Mercado.

Mesmo que vença  agora, Ollanta Humala terá que realizar difíceis negociaçõesis  para obter apoio  de outros cinco candiatos também  razoavelmente votados e, pricipalmente, de Toledo. Este, porém, provavelmente asumirá uma posição de neutralidade.

Humala, um oficial do Exército (reserva) tem um perfil parecido com o do presidente da Venezuela: ferenho nacionalista, liderou um levante contra  Fugimori. Agora, entretanto, procura amenizar seu discurso e descolar sua imagem da de Chávez.

Por seu  turno, o presidente  venezuelando, sempre muito falante,  adotou uma posição mais discreta. Há dois dias, na Argentina, disse que embora torça por Humala, não quer se  intrometer em assuntos internos do Peru.

E como num script bem ensaiado, Humala disse, ontem em Lima, referindo-se indirtamente a Chávez,  que “os assuntos e os problemas  do Peru serão resolvidos pelos peruanos”.

 29-03-11

Já gastamos U$ 5 bi, estamos destruindo um país,
 mas  isto  não  é uma  guerra. Ass. Barack Obama

Há muitas formas de se passar para a História. Por exemplo: ser o primeiro presidente negro de um país racista ou ganhar o Prêmio Nobel da Paz.  Barack Obama já possuía estes dois galardões, mas preferiu uma terceira via: o presidente mais tíbio da América do Norte e o homem que não diz coisa com coisa.

Toda  guerra é suja, embora umas o sejam mais que outras. Nesta, não há inocentes. De um lado temos um ditador ex-revolucionário desmoralizado e à beira da caduquice Mas, além disso, ele foi previamente demonizado pela mídia submissa ao Departamento de Estado. Da outra  parte,  potências  cobiçosas e opotunistas. No momento,  predomina a propaganda de guerra, onde a  verdade tem que ser  garimpada com cuidado e insenção.

Não  podem ser levadas  a sério as versões  dos porta-vozes  dos  dois lados em luta. Cedo ou tarde, porém, aparecerão as narrações fidedígnas descrevendo  a destruição de um país e o  uso (intencional ou não) do arsenal militar contra  simples moradores. Tudo isso será, então, lastimado e colocado na conta  dos acidentes e erros de cálculo.

 Obama em seu discurso de ontem disse que  “o povo líbio decidirá o seu destino”.  Sabemos que houve uma rebelião popular  a partir de  Benghazi e outras cidades mais ao Leste do país. Mas verficamos que na capital, Trípoli, e em algumas outras cidades, pelo memos parte da população defende o governo.  De que povo Obama está falando?

 Dizer que Kadafi “iria massacrar o povo” é o mesmo que dizer, como Bush, que Saddam iria usar  as tais  armas químicas que nunca existiam.

Potências decadentes (não é chavão nem força de expressão) dão seu último berro de um acanalhado colonialismo. Dirigentes escroques ou cafajestes como Sarcozy e Berlusconi  tiram proveito pessoal  em termos de prestígio eleitoral. E todos estão de olho no petróleo, no gás e nos mananciais de água escondidos sob as areias do Saara.

 Obama assumiu o poder  de uma nação habituada, há quase meio século, a ser o Xerife do Mundo. É um cacoete  considerado por ela  como um direito adquirido. Nos discursos de campanha,  parecia que  ele adotaria uma posição menos prepotente, mais moderada e cordata em relação a um Mundo que é , hoje, multipolar.

Por conta disso, já eleito, ele foi aplaudido e festejado  ao redor do Mundo e recebeu um Prêmio Nobel que era um  agradecimetno antecipdo (prematuro  na verdade)  pela  sua obra pacificadora. Que outro sentido teria a honraria? Mas, tíbio, o presidente acampou na beira do  deserto. Não teve ânimo para fazer a travesia. Colocou um anticlímax no seu próprio enrêdo.

Obama é um Bush sem a coragem de um Bush. 

A Doutrina Tiririca

No início do Seculo XIX, como presidente de uma potência emergente, James Monroe (1817-1825) elaborou a doutrina que levou o seu nome. Com ela, mandou-se um recado às potências européias: disputem suas guerras coloniais na África, na Ásia e na  periferia da própria Europa, mas não se metam nas Américas.

A frase síntese da  doutrina foi: “América para os americanos”. Porém é importante entender que   Monroe estava anunciando que, a partir daquele momento, os norte-americanos exerceriam sua hegemona, sem contestação, sobre as três Américas.

Nos últimos anos, mais precisamente a partir do Governo Reagan e da derrocada soviéica, rolou  uma nova doutrina que defendia a excepcionalidade do status  dos EUA que passaram agir praticamente como  polícia (e justiça em última instância) do Mundo.

Esta situação veio se impondo implicitamente, até que Bill Clinton imprimiu a frase síntese: “Os Estados Unidos  agirão  onde e quando  julgarem que seus valores e seus interesses  estejam sendo ameaçados”.

Ontem, em sua fala ao povo americano, Obama repetiu esta frase tem tirar uma vírgula. Só que para isso niguém precisa de um Prêmio Nobel.  Bastava o Tiririca imitando o Fernandinho Beira-Mar: “Tá tudo dominado”.

A matéria abaixo segue o racionio desta

28-03-11

A guerra da Líbia, iniciada para “salvar civis” vai  ser
tão mortífera quando as  do  Iraque e do Afeganistão

A maioria dos especialistas e jornalistas que fazem a cobertura in loco acredita que Muammar Kadafi está “tecnicamente derrotado” e sua sobrevivência é no máximo de algumas semanas.

Mas eles entedem, por outro  lado, que a Líbia  pós Kadafi  deverá fragmetar-se e  será praticamente ingovernável  sem a presença de forças  estrangeitas, no caso a OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte. A situação ali, para estes especialistas, será  muito parecida com as do Iraque e do Afeganistão.

 E isso explica porque Obama, esperto,  procurou, rapidamente, evitar o ônus de  assumir o comando  de uma guerra que ele insuflou, passando, rapidamente a direção das operações militares para seus aidados europeus.

O primeiro ministro Recep Tayyip Erdogan, da Truquia (país membro da OTAN), disse ontem (27) ao jornal britânico “Guardian” que está pronto para ser  mediador entre Kadafi  e o Conselho de  Transição Nacional (governo  provisório rebelde), mas  advetiu que “há um grande risco de que a Líbia se transforme no segundo Iraque ou em outro Afeganistão.

O poder  invisível de Kadafi

Mesmo antes da guerra, o exército  de Kadafi era precário, quase inexistente, assim como a própria burocracia estatal. O país é, na verdade, uma federação de tribos que até aqui eram fieis ao líder. Mas o que dá, verdadeiramente,  sustentação ao seu governo é uma intrincada, e imensurável rede de pequenos grupos de militantes criados à época da Revolução há 40 anos.

São os ”Conselhos de  Lejan Towric,” grupos de partidários  infltrados em todos os setores da sociedade e que juraram fidelidade à  Revolção ou ao líder. Por isso Kadafi fala tanto em distribuir  armas ao povo e que este povo lutará por ele.

 Quando preparava sua ofensiva contra Benghazi, há cerca de dez dias, Kadafi disse que não seriam as suas tropas que retomariam a “capital rebelde”, mas sua própria gente. Naquele estágio, parecia uma afirmação delirante , considerando o apoio em massa que a  os rebeldes tinham no seu berço e tradicional reduto oposicionista.

Entretanto, quando o comboio de 25 tanques, 24 caminhões, 3 ônibus e outros 32 veículos do exército de Kadafis  se aproximava da cidade há uma semana – antes de ser destruído pelo primeiro bombardeio francês -, os benghazis (rebeldes) tiveram a amarga compreensão do que Kadafi queria dizer. Células adormecidas dos “lejan thowria” que haviam desaparecido desde o início do levante, 30 dias antes, despertaram  e surgiram do nada para iniciar a luta nas ruas de Benghazi.

Na “Capital  Rebelde” os “lejan thowria” foram extermindos, mas ninguém sabe o que  poderá acontecer quando a luta se transfeir para as ruas de  Trípoli.

A matéria  aí abaixo dá continuidade a esta.

24-03-11

A mais deslavada pirataria do Ocidente

O objetivo do ataque à Líbia autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU era o de  implantar a Zona de Exclusão Aérea destina a impedir que  Kadafi (o íntimo aliado de ontem) transformado repentinamente no inimigo número um  Humanidade, como  se não houvesse outros ditadores na região todos devidamente apoiados pelo Ocidente, usasse sua aviação contra  alvos civis. Isto já foi alcançado, a aviação líbia está destruída. Mas as operações militares ao invés de se encerrarem, neste momento, se intensificam.

Agora o objetivo  não é mais o da  exclusão aérea, mas o de garantir a instalação de um governo separatistas em Benghazi, a Capital do Leste  e onde estão concentradas  as principais instalações petrolíferas.

 O  próximo passo é o reconhecimento de um governo provisório pelas principais potências ocidentais. Ontem (23), o presidente francês, Nicolas Sarcozy, recebeu em Paris, os representantes deste “Governo Provisório”.

Repete-se a velha e eterna história: primeiro o pretexto, depois a guerra de  ocupação e conquista (pirataria indisfarçada) que  ninguém sabe como ou quando terminará, nem quantos civis exterminará, ela que foi iniciada para “poupar” a vida de civis.

Neste meio tempo, Obama que sempre vacilou (praticamente foi Hillary Clinton, a durona secretária de Estado, quem detonou o processo bélico e não ele) livra-se  do ônus de liderar a guerra iníqua, transferindo o comando para  a OTAN, Organização do Tratado da Organização do Atlântico  Norte.

Veja  um resumo  no do noticiário das agências de  notícias:

“Aviões da aliança internacional já transitam sem nenhuma resistência pelos céus da Líbia após seguidos bombardeios contra o sistema de defesa antiaérea e as redes de comando e controle dos militares leais ao ditador líbio

Ainda em meio a um impasse político, a coalizão militar liderada por EUA, França e Grã-Bretanha, o Ministério da Guerra  breitânico  anunciou ontem (23) ter destruído a capacidade operacional da Força Aérea da Líbia. Segundo Londres, os aviões aliados transitam pelo país sem nenhuma resistência, nem mesmo de baterias antiaéreas, o que lhes permitiu atacar tanques e tropas fiéis ao líder Muamar Kadafi.

O balanço dos bombardeios foi divulgado na base de Gioia del Colle, na Itália, pelo general britânico Greg Bagwell. Segundo ele, as forças aliadas já sobrevoam os céus da Líbia sem serem ameaçadas.

Os cinco primeiros dias de ataques tiraram de serviço o sistema de defesa aérea e as redes de comando e controle. “Tiramos seus olhos e seus ouvidos”, afirmou Bagwell. “A Força Aérea líbia não existe mais.” Desde ontem, os aviões da coalizão se concentram em ataques ao solo, destruindo tanques e outros blindados, para reduzir o poderio militar de Kadafi e ampliar a segurança dos civis. Parte dos bombardeios foi dirigida a Misrata e Az Zintan, que estão sitiadas, além da capital, Trípoli – quartel-general das forças do ditador líbio.

Apesar da desorganização dos dissidentes em Benghazi, as notícias trouxeram otimismo ao Conselho Nacional de Transição, órgão provisório dos rebeldes.

Ontem, em Paris, Ali Zeidan, porta-voz do movimento, afirmou que a continuidade dos ataques abre a possibilidade de que Kadafi seja derrotado em dez dias. Embora a intervenção militar ocidental tenha alimentado o otimismo dos rebeldes, o ditador tem endurecido seu discurso nos últimos dias, relatando a seus partidários os avanços no que qualifica de “luta contra terroristas e imperialistas”.

A matéria abaixo dá contiuação a esta. Não deixe de ler.

23-03-11

Obama  ataca Líbia  em  nome do
Mundo. Só que o Mundo é contra

Eles não perdem essa mania. Vão atacando, bombardeando, prendendo e arrebentando, desde os sioux e mexicanos, até o Panamá, Iraque Afeganistão e, agora, a Líbia. E sempre agem como mocinhos, em nome da Humanidade, da Democracia e (por que não?) da Civilização Cristã.

Depois, invariavelmente, descobre-se que o que eles realmente queriam era construir o Canal do Panamá e, na atualidade,  manter o controle militar, no Oriente Médio e no Norte da África,  sobre o fluxo de gás e petróleo, bem como sobre os gigantescos mananciais  subterrâneos de água,  uma commodity  cada vez mais escassa e cara.

Há uma semana, quando se preparava para atacar, Obama mandou, em nome  do Mundo, um ultimato para Kadafi,  um resto  grotesco de ditador, nem  pior nem melhor  do que outros  ali da região. Mas era uma mentira deslavada. O Mundo não mandou recado nenhum a quem quer que seja nem, muito menos, nomeou  Obama como seu porta voz.

 Ao contrário, a maior parte do Mundo (sob o ponto de vista populacional econômico e até militar) mandou um recado, sim, mas foi para  Obama, advertindo  para que ele não dê início, na Líbia, a mais uma guerra iníqua. Entre as nações que adoraram está posição cordata estão   China,  Alemanha, Rússia, Índia, Brasil e Argentina.

O vacilo, as intriga e as baixarias

Há três dias, no Brasil, Obama ordenou o ataque. Entretanto, 48 horas depois, vacilou e preferiu transferir a responsabilidade para o OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que reúne Estados Unidos e Canadá, mais a metade ocidental  da Europa. Disso resultaram novos problemas:

A Alemanha que  pertence à  OTAN, mas é contra o ataque, retirou, do Mediterrâneo, seus navios militares. A Espanha forneceu aviões, mas exige que nenhum alvo civil seja atingido e o presidente francês, Nicolas  Sarcozy, ficou tiririca.

E ficou tiririca porque, da forma mais cafajeste não esconde que queria liderar a guerra  (foi  o primeiro a atacar)  pensando em melhorar sua imagem  junto ao público interno, com vistas às eleições do próximo ano. Mais um calhorda para a História.

Finalmente, Silvio Berlusconi, o pitoresco premier italiano, misto de político e gangster, enciumado, virou-se  contra  Sarcozy e, embora  tenha  cedido bases militares para o ataque, lastimou a sorte de seu amigo Kadafi. Há alguns meses, eles eram tão íntimos que chegaram  participar de homéricos bacanais.

Enfim este  é o “Mundo de

A matéria abaixo dá  continuidade a esta.

18-03-11, atualizado em 19-03 e em 21-03

Finalmente Obama vai à guerra

No fim da tarde desta segunda-feira (21), o Itamaraty divulgou nota  solicitando o fim dos bombardeios contra o território da Líbia. Horas antes, as chancelarias da Índia e da Truquia  emitiram comunicados semelhantes.

A cada ação corresponderá uma reação:

Ontem (19), em pleno centro do Cairo, cerca de uma centena  de jovens   muçulmanos cercaram o carro em que viajava o secretário-geral da ONU,  Ban Ki-mon, exigindo que a organização obrigue as forças  ocidentais a cessar os bombardeios que estão provocando vítimas civis na  Líbia.

A Rússia pediu, ontem (19), o fim do “uso indiscriminado da força” dos países estrangeiros que bombardeiam a Líbia. E o primeiro-ministro Vladimir Putin  comparou as ações ocidentais com as cruzadas  medievais.

Ainda ontem, o chanceler argentino Héctor Timerman, numa posição semelhante à brasileira, lamentou  o início dos bombardeios contra Trípoli, “quando ainda não haviam se esgotado os recursos diplomáticos”.

Ninguém sabe  se Kadafi  vai resistir e por quanto tempo. Mas a França já participa de ações militares  em território líbio. A notícia (neste sábado, 19) de que um caça francês atacou um blindado líbio, coloca a questão da interferência estrangeira a favor de um dos lados das forças  envolvidas em uma guerra civil declarada. Isto vai contra todos os princípios da Carta da ONU.

Finalmente, no fim da tarde Obama ordenou o bombardeio de Trípoli, a partir de  navios  americanos  no Mediterrâneo. Na manhã de domingo (20), as agências noticiaram que , em consequência, 64 civis forma mortos e  mais de uma centena  feridos. Este atos, independente, dos erros  e crimes do ditador Kadafi (que não é o único tirano da região), passarão para a História como  o último grande ato de de arrogância, perversidade e covardia das grandes potências ocidentais.

O Palácio do Planalto informou, ontem (19), que durante suas conversações, Dilma  Rousseff,  explicou a Barack Obama  a posição brasileira de abstenção (na ONU) em relação ao ataque à Líbia e insistiu  no raciocínio  de que  a guerra, alí, não é a melhor solução.

No dia 18, véspera dos ataques, o secretário-geral da Liga Árabe (que engloba 22 países), Amr  Musa, foi bastante claro: “O objetivo primordial é proteger civis e não invadir um país. Não queremos que nenhuma das partes vá longe demais”.

Isto esclarece a posição dos árabes: eles foram favoráveis a  instalação da zona de exclusão aérea destinada a impedir que  caças de Kadafi atinjam  alvos civis, porém rejeitam qualquer intervenção armada estrangeira. Eles temem a abertura de um precedente que, permita, no futuro, intervenções armadas  ao primeiro pretexto.

Texto de 18-03-11

O Conselho de  Segurança da ONU (reunido ontem, 17, à noite) finalmente autorizou Barack Obama a agir militarmente na Líbia. O Iraque e o Afeganistão são guerras herdadas. Mas está, agora, é uma guerra própria de Obama.

 E uma Guerra destina a incendiar o Norte da África  e o Oriente Médio, até porque que são crescentes as informações de que   há uma semana o Egito, que continua submisso aos EUA, vem fornecendo auxílio material e humano às tropas rebeldes que controlam  parte do leste da Líbia.

Além disso, neste momento, tropas  da Arábia  Saudita  que invadiram o Bahrein, há quatro dias, estão auxiliando forças de segurança locais a conter manifestações  de protesto nas ruas da capital Manama. Este episódio, em termos da  Carta da ONU, é absolutamente ilegal, mas a organização não se manifesta.

As  guerras de  Bush eram guerras sujas, mas limitadas no espaço geográfico e, de certa forma, tinham desdobramentos previsíveis. Já esta guerra particular de Obama não tem  espaço definido e envolve tantos personagens, simultaneamente, que  torna-se imprevisível no seu desenvolvimento e seu desfecho. Por ora, a única coisa que os especialistas garantem é que o preço do petróleo vai subir.

As duas matéias abaixo dão continuidde a esta. Não deixe de ler.

15-03-11

O cúmulo da hipocrisia

A ditadura sunita  que governa o Bahrein está massacrando os manifestantes da maioria xiita nas ruas  da capital Manama. As tropas do governo contam com apoio de soldados da  Arábia Saudita  e dos Emirados  Árabes que, ontem, ingressaram no país. Só nesta terça-feira (15) ocorreram  duas mortes e  mais de duzentos feridos forma internados no principal  hospital da cidade.

Entretanto, o presidente Obama, sempre tão preocupado com os direitos humanos em outros países, não dá uma única palavra. Também mantém  silêncio, a secretaria de Estado Hillary  Clinton que, ainda ontem,   fracassou da tentativa de obter dos G-8 (as sete maiores economias do Mundo mais a Rússia) uma resolução propondo  a intervenção militar na Líbia.

Detalhe: Os EUA mantém no Bahrein sua maior  base aero-naval  no exterior.

Veja o relato das agências de notícias:

Manama, 15 mar (EFE).- O Governo do Bahrein decretou nesta terça-feira estado de emergência no país para tentar aplacar os protestos políticos que vêm ocorrendo há um mês, informou a agência de notícias oficial bareinita, “BNA”.

A medida, que se estenderá por três meses, se soma à chegada de tropas enviadas na segunda-feira pela Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos para apoiar as forças de segurança do Bahrein na manutenção da ordem do país.

A decisão foi adotada pelo rei do Bahrein, Hamad bin Isa al-Khalifa, para enfrentar os distúrbios que, segundo ele, “puseram em perigo os bens e a vida dos cidadãos” desse país de 1 milhão de habitantes.

O monarca, segundo a agência “BNA”, ordenou ao comando das Forças de Defesa que adotem “as medidas necessárias para aplicar” o decreto de estado de emergência em todo o país.

Os militares bareinitas poderão recorrer às forças de segurança, à Guarda Nacional e a “outras forças, se necessário”, para fazer respeitar o estado de emergência.

O decreto lamenta que os distúrbios registrados no Bahrein tenham afetado a vida e os bens da população e indica que os hospitais se transformaram “em focos de terror e intimidação”.

O anúncio foi feito enquanto continuavam os choques entre manifestantes de oposição e forças policiais, que vêm ocorrendo desde 14 de fevereiro, inspirados nos movimentos populares da Tunísia e do Egito.

Nesta terça-feira, ocorreram duas mortes e dezenas de pessoas ficaram feridas nos enfrentamentos, disseram à Agência Efe fontes médicas.

A oposição de Bahrein, um país de maioria xiita governado por uma minoria sunita, exige a instauração de uma monarquia parlamentar, com uma nova Constituição que permita ao povo escolher um Governo e um Parlamento independente.

11-03-11 atualizado em 12-03-11  e em 14-03-11

Obama pôs lenha na fogueira, mas agora não
 se mexe enquanto Kadafi  asfixia os rebeldes

Sem condição, até agora, de  obter  cobertura jurídica (aprovação do Conselho de Segurança da ONU) e política (claro apoio da comunidade internacional) para atacar  a Líbia, Barac Obama está  imobilizado, enquanto as forças de Muamad Kadafi vão recuperando o território perdido nas primeiras semanas da  rebelião  que se transformou em guerra civil. Na verdade, as tropas de Kadafi  já estão se aproximando de Benghazi a “Capital” das forças rebeladas.

Obama queria que a Liga Árabe  (composta pelas demais ditaduras da região) participe das ações contra Líbia. A Liga Árabe, reunida  sexta-feira (11), declarou que  Kadafi perdeu legitimidade,  mas quer que a ação militar contra ele seja apovada pela ONU.  Entretanto, já ficou claro que o Conselho de Segurança da ONU, onde Rússia e China são membros  permanentes com poder de veto, não aprovará a ação amada.  Obama estaria, assim, num beco sem saída.

Veja o relato das agências de notícias sobre as úlimas movimentações na frente de combate e um retrospecto  do avanço de Kadafi  nos últimos  quatro dias:

Os soldados que se uniram à rebelião contra o ditador Muammar Gaddafi serão “perdoados” caso decidam se entregar, anunciaram nesta segunda-feira as Forças Armadas líbias na TV estatal.

O anúncio foi feito no momento em que as forças de Gaddafi avançam rumo ao leste em direção ao reduto rebelde de Benghazi, e ameaçam também a cidade de Ajdabiya. Logo nos primeiros dias da revolta contra Gaddafi, vários soldados se uniram aos rebeldes.

Neste domingo, moradores de Ajdabiya — considerada principal polo de comunicação na região– começaram a abandonar o local, informaram fontes revolucionárias.

A ofensiva das tropas fiéis a Gaddafi, que há 41 anos exerce o poder no país, suscitou o medo entre os líbios, que veem como a tropa se aproxima por terra, mar e ar.

“Várias famílias abandonaram a cidade, mas a maioria ainda permanece lá”, disse à Efe um membro da comissão de imprensa dos rebeldes Bara al Khatib, que ressaltou que foram intensificadas as medidas defensivas e de segurança, enquanto os rebeldes ainda resistem em Brega.

Texto de 13-03-11

As forças leais ao ditador Muamar Kadafi continuam a avançar na direção leste da Líbia. De sexta para sábado as kataeb (“brigadas”) leais ao coronel tomaram as instalações do complexo petroquímico de Ras Lanuf, 670 quilômetros a leste da capital, Trípoli. Durante a manhã deste sábado, 12, elas forçaram os combatentes rebeldes a recuar 20 quilômetros para leste, a um ponto equidistante entre Ras Lanuf e Al-Gayla.

Debaixo de bombardeio aéreo, foguetes, disparos de tanques e de fuzis, muitos rebeldes fugiram para o deserto, ao sul. Durante a tarde, a cidade de Brega, 50 quilômetros mais a leste, também foi atacada. O local também é um estratégico terminal petrolífero líbio.

Líderes rebeldes desconfiam de que Kadafi está recebendo  auxílio da vizinha Argélia e também de países distantes. E pedem que navios com destino à Líbia sejam inspecionados.

Texto de 12-03-11

O Exército rebelde líbio se retirou da cidade petrolífera de Ras Lanuf, no leste do país, após um forte bombardeio de forças leais a Muammar Kadafi nesta quinta-feira, 10. Os ataques começaram de manhã, vindos do oeste, onde fica Bin Jawad – também sob disputa – e do deserto do Saara, ao sul.

Uma lancha com artilharia das forças de Kadafi atacou a cidade pelo Mar Mediterrâneo. Os rebeldes tentaram contra-atacar, mas foram obrigados a se retirar após um novo ataque com foguetes. O hospital da cidade foi esvaziado. A mesquita local foi atingida por dois foguetes.

Em Bin Jawad, a situação é incerta. Rebeldes a ocuparam ontem, depois de uma sangrenta batalha. Mas aparentemente as “kataeb”, brigadas de elite que apoiam Kadafi, receberam reforços, talvez de Sirte, a cidade natal do ditador.

Nos últimos dias, forças leais a Kadafi têm lançado ataques contra os rebeldes para retomar o controle de cidades estratégicas no leste da Líbia e nos arredores da captal, Trípoli. Os principais combates acontecem em az-Zawiyah, Ras Lanuf e Bin Jawad.

As forças leais ao ditador líbio Muamar Kadafi estão bombardeando os últimos focos de resistência nas cidades de Ras Lanuf, uma cidade portuária petrolífera no leste do país, e Brega. Eles avançaram com tanques pelo deserto ao sul, foguetes e tropas pelo oeste, e desembarcaram de lanchas na costa mediterrânea, a norte. O objetivo de Kadafi é chegar a Benghazi, a principal cidade controlada pelos rebeldes, a 300 km a leste de Brega.

Texto de 11-03-11

Temos dito sempre neste blog que Muammar Kadaf é um ditador brutal e desgastado. Entretanto, ele  não é  muito pior nem melhor que a penca de ditadores que os EUA vem sustentado no Oriente  Médio e  no Norte da África, nos últimos trinta anos.

Já dissemos, também que Obama, tentou  usar  Kadafi, um aliado íntimos  dos principais líderes europeus  até pouco tempo atrás, transformando-o, repentinamente, no inimigo público número 1 da Humanidade.

E ele fez isso para livrar-se do peso de ter que explicar sua omissão diante da cooperação estreita de seu país com aqueles outros  ditadores citados. Cooperação que ficou escancarada, agora, a com as rebeliões em série na região.

Mas o estratagema de Obama  não daria certo, porque logo ele notou que  não poderia cometer o mesmo erro de seu antecessor, George W  Blush que, com suas  agressões unilaterais,  causou grande dano à imagem e à diplomacia  americanas.

Diante disso, Obama manerou seu discurso e passou a dizer que só agiria militarmente na Líbia se obtivesse a aprovação e a parceria da comunidade internacional. Entretanto, logo ficou claro que a agressão militar não seria provada pelo Conselho de Segurança  da ONU, onde Rússia e China,  são membros permanentes e com  poder de veto.

Recorreu-se, então à OTAN, Organização do  Tratado do Atlântico Norte, uma organização militar que reúne os EUA e seus parceiros europeus.  Ocorre, que reunidos ontem, os membros da OTAN não aprovaram a ação militar, apesar dos  esforços e argumentações  da França  e do Reino Unido.

Diante dessa situação decepcionante, o Departamento de Estado resolveu convocar as próprias ditaduras árabes para atuar militarmente contra a ditadura de Kadafi. Resvalou-se, aqui, no ridículo e no grotesco.

Mas foi o que aconteceu: ontem, em visita ao Egito e à Tunísia, a secretária  estado Hillary Clinton  conclamou a Liga Árabe a realizar a exclusão aérea  contra a Líbia. A exclusão aérea é um ato de agressão militar.

Entretanto,  a Liga Árabe que reúne exatamente as ditaduras quase todas obedientes aos EUA, também não parece disposta a partir para esta aventura. Pelo menos a Síria, por razões ideológicas, e a Argélia porque não quer se meter em encrenca com o vizinho Kadafi, já informaram que são contra a ação militar.

 Mas  é fundamental que se registre  que o método agora utilizado pelos  EUA é em tudo e por tudo igual ao  utilizado,  há cem por França e Inglaterra  que, de olho (entre outras coisas) no petróleo da região,  ocuparam  militarmente  os países árabes e, depois, lançaram uns contra os outros, bem como tribos contra tribos.

 Por mais alienada que a pessoa seja, não é possível e ela nunca tenha ouvido falar em Laurence da Arábia, cuja biografia resultou no filme que  ganhou o Oscar e lançou Peter O’Toole para a fama. O filme é um libelo contra esta  mistura asquerosa de  colonialismo com imperialismo, exímios na arte de dividir para dominar.

A matéria logo aí abaixo, dá continuidade ao raciocínio desta.

08-03-11 atualizado em 09-03-11

Líbia: As opções e os dilemas de Obama

Nos últimos dias a Casa Branca passou a considera uma hipótese nova e inquietante: E se  Kadafi vencer ou resistir por muito mais tempo do que se esperava?

Só ontem Barack Obama parece ter conseguido unificar  a linguagem oficial  de seu Governo em relação à Líbia. Até a secretária de Estado Hillary Clinton, que falava mais grosso que o presidente, adotou o tom mais moderado: “Os Estados Unidos querem que a comunidade internacional defenda uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia”, disse nesta terça-feira. Para ela, “é importante que essa não seja uma iniciativa isolada dos Estados Unidos”.  

“Queremos – acrescentou – ver o apoio da comunidade internacional. Eu acho que é muito importante que esse não seja um esforço puxado pelos Estados Unidos, porque ele vem do próprio povo da Líbia. Ele não vem de fora, ele não vem de alguma potência ocidental ou de algum país do Golfo que diz ‘isso é o que você deve fazer'”.

 Concluiu dizendo que é importante que a ONU, e não os Estados Unidos, decida o que deve ser feito sobre a Líbia.

Isto revela que o governo norte-americano finalmente se compenetrou de que  não pode assumir posições unilaterais  “de polícia do Mundo” porque , sempre que age assim a opinião pública mundial acaba voltando-se  contra ele.

E isso pode, talvez, ser entendido como um marco histórico.  A famosa  época da “Multipolaridade” tão teorizada nos meios acadêmicos, apresenta-se  agora como algo concreto, efetivo.

Além disso, Washington sabe que as intervenções no Iraque e Afeganistão enfureceram os muçulmanos em todo o Mundo.

E há mais: a Casa Branca foi informada oficialmente que a Rússia, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, com poder de veto, se opõe a uma intervenção militar estrangeira na Líbia.

A China, que também tem poder de veto,  firmou posição idêntica à russa: “Acreditamos que a soberania da Líbia, sua integridade territorial e sua independência devem ser respeitadas”, disse em Pequim uma porta-voz do Ministério do Exterior chinês.

O que ajudou a recolocar na agenda a questão da “exclusão aérea” foi o apelo de um dos líderes rebeldes, Mustafá Gheriani, porta-voz do Conselho Nacional, o governo provisório armado precariamente na zona controlada pela rebelião: “Se a comunidade internacional não estabelece uma zona de exclusão aérea, Kadafi não vai render-se”.

Mas assessores militares e analistas respeitados, colocam em dúvida a eficácia  da exclusão aérea  para derrotar Kadafi. Ele, segundo esses especialistas, continuaria com a superioridade militar.

 Então, a hipótese que  começou com  a  ser considerada, nos últimos dias, é essa: É se Kadafi, ganhar ou resistir por muito mais tempo do que se espera. Esse é o ponto, porque um presidente americano não pode  sair por aí dizendo “saia já” para o presidente de outro país, se não estiver em condições de fazer com que o outro efetivamente saia.

A partir dessas considerações, Obama resolveu recuar e manerar seu discurso.

Texto de 08-03-11

Barack Obama conseguiu, com facilidade e rapidez, convencer ao Mundo Ocidental que seu novo inimigo número 1 é Muammar Kadafi que,  há dois meses, era amigo íntimo de alguns dos principais líderes europeus e membro  da Comissão de Direitos  Humanos da ONU.

A reviravolta pragmática foi obtida graças aos préstimos da  mídia (não só a norte-americana) globalizada e subordinada ao Capital Financeiro. Por intermédio deste, os meios de  informação ficam atrelados aos  interesses estratégicos, permanentes, dos EUA.

Na verdade, para Obama, Kadafi caiu do céu e o livrou da saia justa de ter que explicar por que foi omisso em relação a dezenas de ferozes  ditaduras árabes que os EUA vinham sustentando há dezenas de anos. Isso ficou  bem claro com as rebeliões da Tunísia, do Egito e as que se seguiram. Mas tudo isso foi eclipsado com o advento do “sanguinário  Kadafi”.

Entretanto, agora que estaria com a faca e queijo na mão, Obama vacila e emite sinais contraditórios. Ora parece disposto a agir imediatamente, ora recolhe-se a uma atitude prudente.

Ocorre que  Kadafi,  embora  grotesco,  desgastado e degenerado, ao contrário dos  outros ditadores, resolveu reagir. Isto porque ele se considera  um líder revolucionário, herdeiro do pan-arabismo nacionalista de Gamal Abdel Nasser. Com isso instalou-se, na Líbia, uma guerra civil, cruenta como todas as guerras.

Obama assumiu a liderança do movimento Delenda Kadafi, mas  quer evitar a todo custo o envio der soldados. Ele sabe que isso, além dos resultados  duvidosos, pode  galvanizar um movimento anti-americano em toda a região. Para completar, seus serviços de informação  ainda não sabem  bem quem  são  e o que  pretendem os líderes rebeldes e/ou separatistas.

Então, o que temos visto é que num dia Obama emite sinais beligerantes e  no outro, seu porta-voz  ou algum subordinado apressa-se em esclarecer que não é bem assim. Vejamos:

Há três dias  Obama  mandou recado  para  auxiliares e colaboradores  de Kadafi,  dizendo que eles também serão punidos por crimes de guerra ou contra a Humanidade.

 Nos dias seguintes ocorreram a amenizações. Então:

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, reiterou na segunda-feira que qualquer intervenção na Líbia exigiria um amplo apoio internacional. “Neste momento há um sentimento de que qualquer ação deva ser o resultado de sanção internacional”, afirmou durante uma viagem ao Afeganistão. 

A Casa Branca afirmou, também nesta segunda-feira, que armar rebeldes é uma das muitas opções que os Estados Unidos estão considerando para lidar com a crise na Líbia. A declaração do porta-voz Jay Carney foi feita logo depois de o presidente Barack Obama ter reconhecido que a alternativa de uma intervenção militar no país norte-africano está sob análise.

Segundo o porta-voz da Casa Branca, o governo americano se movimenta rapidamente para avaliar as opções, mas ressaltou que os EUA não querem se colocar à frente dos eventos.

“A opção de dar assistência militar é uma das que está na mesa, porque nenhuma opção foi removida da mesa”, disse Carney. No entanto, ele afirmou que enviar tropas para a Líbia “não está no topo da lista neste momento“.

 Na mesma linha, o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, confirmou nesta mesma segunda-feira que o Reino Unido prepara um projeto de exclusão aérea para a Líbia. A exclusão consiste em abater aviões  militares lívios no espaço aério líbio. E, respondendo às perguntas de deputados, assegurou que os rebeldes líbios “já pediram explicitamente esta zona de exclusão”, mas garantiu que a medida “deve estar sujeita a muitas condições”.

“Deve haver uma necessidade demonstrável que todo mundo possa ver, deve haver uma base legal clara para esta zona de exclusão aérea e deve haver um apoio claro da região, do Oriente Médio, do Norte da África, assim como do próprio povo da Líbia“, disse o ministro.

Em suma entre o discurso e a ação, há uma larga distância.

A matéria logo aí abaixo dá sequência ao raciocínio desta.

04-03-11 e atualizado em 05-03-11

Obama quer tudo, menos que Lula
se meta em sua  luta  contra Kadafi

O governo da Líbia autorizou a Venezuela a formar uma missão que faça a mediação entre o líder líbio Moamar Kadafi e os separatistas do Leste do país africano, para que seja encontrada uma solução pacífica do conflito civil , afirmou nesta sexta-feira (4), o chanceler venezuelano Nicolás Maduro. Os rebeldes são apoiados  pelos EUA e pela União Européia.

O convite do presidente Hugo Chávez, feito há três dias, para que o ex-presidente Lula  atue como mediador na questão entre as potências ocidentais e  Moamar Kadafi não tem chance de receber  apoio  dos EUA ou  respaldo oficial da ONU. Ainda assim poderia  acontecer  informalmente ou de modo semi-oficial, através da Cúpula das Nação da América do Sul e Repúblicas Árabes.

Obama não quer nem ouvir falar em Lula, de quem recebeu  caneladas e cotoveladas durante dois martirizantes anos. Ainda mais agora que ele  está conseguindo  transforma Kadaf no inimigo número um da Humanidade. E obteve e isso graças, graças à submissão dos parceiros europeus (que  há trinta dias  ainda eram íntimos  do líder líbio) e da  mídia globalizada.

Seja como for, Obama  vai tirar  todo o proveito político disso e sabe que Lula ainda tem potencial (articulação e audiência) para  atrapalhar ou mesmo comprometer  seu  projeto belicista.

Entretanto, independente do destino de Kadafi ou da Líbia que já está envolvida numa guerra civil, a questão do Norte da África e do Oriente Médio continua periclitante para a diplomacia  norte-americana.

Se efetivamente participarem dessa guerra civil, os EUA correm o risco de galvanizar um sentimento nacionalista e anti norte-americano em toda a região. Como dissemos em matéria anterior, a Internet  que revelou a um só tempo as brutalidades e as fragilidades das ditaduras árabes é a mesma Internet que está difundindo a noção de que  os Estados Unidos  sustentavam  quase todos esses regimes.

A verdade é que a situação está fora de controle  em praticamente todos os países, com exceção, talvez, da Arábia Saudita. Mas mesmo aí já  há manifestações populares estimuladas por líderes religiosos xiitas. E o Irã tenta  comunicar-se com  todas as facções em todos os países da região, tentando estimula o sentimento antiamericano.

Hillary Clinton, secretária de Estado norte-americana, viu isso com toda a clareza e relatou o aos senadores americanos. Veja um resumo de seu relato, segundo as agências de notícias:

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta quarta-feira que o Irã fará “tudo o que puder” para influenciar nos protestos populares que ocorrem nos países árabes e, para isso, segundo ela, a República Islâmica estaria em contato direto ou indireto com grupos opositores no Egito, Iêmen e Bahrein.

“O Irã fará tudo o que puder para influenciar no resultado das revoltas” e “nós temos que fazer tudo o que pudermos para impedir que isso aconteça”, declarou Hillary em uma audiência no Senado, onde apresentou o orçamento do Departamento de Estado para o ano fiscal 2012.

Para ela, as autoridades iranianas agem assim “mesmo não tendo relações com a oposição”, e tendo uma relação adversária com sunitas, com a Irmandade Muçulmana e com outros grupos que não são de sua escolha”.

Hillary disse ainda que Teerã “aproveita as relações” com seus representantes do movimento islâmico palestino Hamas e do grupo xiita libanês Hezbollah para se comunicar com a oposição em países árabes.

A matéria abaixo  continua o raciocínio desta.

01-03-11 atualizado em 02-03-11

Obama se mete numa enrascada pior do que
a  que  Bush  se  meteu  ao  invadir  o  Iraque

Ontem (2-3)  o Mercado Global foi afetado (queda das bolsas e aumento do preço do petróleo) em função da notícia de que a Arábia Saudita deslocou uma coluna de tanques em direção à fronteira do Bahrein, onde a situação também é explosiva. 

A mídia, porém, só tem olhos para  Kadafi eleito o bandido da vez para ser  caçado pelos mocinhos do Ocidente. Entrementes, ainda ontem, um líder  religioso xiita foi preso na Arábia Saudita, único país da região que  ainda não tinha sido afetado pela crise. 

Ao declarar, unilateralmente, o espaço aéreo da Líbia como “Zona de Exclusão”, Obama cometeu, na prática, uma ato de agressão militar.  Zona de  Exclusão é um eufemismo que significa simplesmente o seguintes: Os Estados Unidos se autorizam a abater qualquer avião militar líbio que levante vôo no espaço aéreo de seu próprio país.

Este  início das atividades militares em território alheio, sem declaração formal de guerra, acarreta algumas conseqüências importantes. Mas, além disso, outros problemas atormentam os norte-americanos, neste momento. A saber:

1- Do ponto de vista jurídico e diplomático, o abate de aviões líbios poderia ter justificativa se eles fossem usadas contra  protestos de civis, nas ruas. Entretanto, se ficar caracterizado, como é o caso da Líbia, que o que há é uma guerra civil, com territórios ocupados e  bem demarcados, pelo Governo, de um lado e, de outro, por seus adversários, então o ataque aos tais aviões caracterizam, irremediavelmente, que  os EUA estão intervindo  a favor de uma das partes do conflito.

2- Embora  a mídia dê destaque quase absoluto ao conflito líbio, neste exato momento,  a situação no Bahrein se deteriora. Ali, os  americanos instalaram sua  maior base aero naval na região. E ali,  a situação se deteriorou neste fim de semana. Depois de  obterem várias concessões do governo, os manifestantes, predominantemente xiitas,  continuam nas ruas, exigindo agora a queda do regime do rei Hamad  bin Issa, ou a instalação de uma monarquia constitucional, com um primeiro-ministro eleito.

3- A mídia também não informa com clareza que a Internet  que mobilizou as população e fragilizou os governos é a mesma Internet que  agora está sendo usada  para   enfatizar que os Estados Unidos sustentavam todas essas brutais ditaduras, exceto a da Líbia. Em vários países (Bahrein e Iêmen, por exemplo) já há manifestações  anti norte-americanas.  E alguns governantes, para sobreviver, provavelmente adotarão  discursos nacionalistas.

4- Na invasão do Iraque  os  protestos e críticas ocorreram  principalmente na mídia. Desta vez, porém, caso seja consumado o ataque à Líbia, haverá manifestações de discordância por parte de países  com inquestionável grande audiência no Mundo, como  China, Índia e Brasil.

A matéria abaixo é continuação desta.  Não deixe de ler.

26-02-11 atualizado em 27-02-11

Obama vê em Kadafi o seu Saddam e vai
 à guerra para vencer as eleições de 2012

A situação desde sábado (27) é pouco diferente da de sexta (26). Então, apenas acrescentamos os três tópicos abaixo que, acreditamos, expõem a grande farsa que está sendo montada em relação à Líbia, em tudo semelhante à  montada,  há dez anos, para justificar a invasão do Iraque.

A Hipocrisia.

Muamar Kadafi é um ditador degradado e caduco, mas,  até ontem,  frequentava  e era frequentado pelas principais lideranças européias. Além disso, ele não é muito melhor nem muito pior do que a grande penca de ditadores corruptos e sanguinários que nos últimos 30 anos foram sustentados a peso de ouro pelos Estados Unidos, no  Norte da África e no Oriente Médio.

Por que  Obama não bloqueou os bens de Osni Mubarak, o ditador egípcio e sua família?

A Covardia

Só um alienado não vê que cedo ou tarde essa onda (ânsia) de cidadania, temperada com  o desejo de melhor qualidade de vida material, chegará à China.

 O que faria Obama, então? Iria cartear a mesma marra que carteia contra Kadafi? Mandaria bloquear os bens dos  corruptos e tirânicos líderes  do Partido  Comunista e do Exército chineses?

A Molecagem

Bush de pele escura, Obama não engana mais ninguém e está aplicando o manjadíssimo golpe do perigo externo ou da missão universal  para tentar  recuperar  o prestígio perdido junto ao eleitorado.

Talvez dê cerro. Mas, podem apostar, o Jabor este capacho da Globo que é capacho do Capital Financeiro e do Departamento de Estado, vai dizer que a invasão da Líbia é necessária para salvar a Civilização Ocidental, mesmo que, como no Iraque, ocorra  ali um banho de sangue.

Não é possível que as pessoas não se lembrem do ataque ao Iraque. E por falar nisso: onde estão as armas  químicas do Saddam que foram o principal pretexto para o início da guerra?

Texto postado em 26-2:

A estratégia é tão calhorda quanto a de seu antecessor  George W.  Bush.  Com a popularidade despencando e  enfrentando uma crise econômica  sem solução, Barack Obama segue a tradição belicista norte-americana  e está preparando a intervenção militar na Líbia E fará isso, unilateralmente, com ONU ou sem ONU, com aliados ou sem eles.

O pretexto  é “plausível “ para a mídia submissa e manipuladora.  Muamar  Kadafi é realmente  um ditador grotesco,  embora tenha origem  revolucionária  nos distantes nos 60 e  malgrado, até ontem, fosse aliado até amigo íntimo de alguns líderes europeus.

Uma guerra, em seu início triunfal, invariavelmente, infla a populariade dos presidentes. Se, porém, o conflito  for demorado e custar muitas vidas de soldados americanos, aí o panorama se inverte. Trata-se, portanto, de um risco calculado.

E a guerra é também tentadora porque o esforço bélico  estimula a economia (aumento de encomendas e gastos do governo). Os economistas dão a isso o nome de “Keynesianismo Militar”.

A estratégia militar é clara: depois de romper com Kadaf, Obama  poderá, a qualquer momento, reconhecer  “como legitimo” um governo  instalado pelos rebeldes em  Benghazi. Em seguida, pode  ser instalada  ali uma cabeça de ponte. Com  isso, os EUA instalam-se militarmente no cento nefrálgico  do Norte da África,  isolando a Leste a Tunísia e o Egito e, a Oeste, o Marrocos e a Argélia.

É prematuro dizer que o processo já foi desencadeado, mas os  preparativos para a guerra são indiscutíveis. Veja, abaixo, a sequência de  comunicados oficiais  e de ações da Casa Branca:

 Em comunicado oficial, o presidente Obama declarou, ontem (25), que as contínuas violações dos direitos humanos, o tratamento brutal voltado aos líbios e as ameaças geraram uma ampla condenação da comunidade internacional.

“O governo de Muamar Kadafi violou normas internacionais e a decência comum e tem que responder por suas ações”, assinalou Obama.

O presidente dos EUA assegurou que as sanções econômicas e bloqueio de bens se dirigem ao regime de Kadafi e pretendem proteger os ativos que pertencem aos líbios, e não ao coronel e a seus parceiros e familiares.

Obama assegurou ainda que daqui para frente os EUA seguirão coordenando de perto suas ações com a comunidade internacional, de maneira bilateral e multilateral, como na ONU (Organização das Nações Unidas).

“Apoiamos firmemente os líbios em sua exigência de que sejam respeitados os direitos universais e em sua reivindicação de um governo que responda a suas aspirações. A dignidade humana não pode ser negada”, assinalou.

Obama assinou, nesta sexta-feira (25), uma ordem executiva para congelar todos os ativos de Muamar Kadafi, sua família e membros de seu regime. Essa é a primeira sanção de uma série anunciada pelos EUA.

Na ordem, Obama afirma que “Kadafi, seu governo e seus estreitos colaboradores tomaram medidas extraordinárias contra os líbios, incluindo o emprego de armas de guerra, mercenários e uma violência sem sentido contra civis desarmados”.

Não deixe de ler a matéria  abaixo. Ela dá continuidade ao racikocínio desta.

25-02-11

Obama  não  perde a  mania e  já pensa
em uma intervenção armada na Líbia

O cinismo e a hipocrisia da diplomacia norte-americana não têm limites. Durante três longas décadas os EUA sustentaram, a peso de ouro, no Norte da África e no Oriente Médio, mais de um dezena de sórdidas ditaduras.

Tudo para garantir sua hegemonia nessas regiões  e estabelecer uma couraça protetora para o expansionista e racista Estado de Israel,  o único que pode agir na  ilegalidade e não obedecer a nenhuma decisão da ONU, graças aos constantes vetos dos  Estados  Unidos no Conselho de Segurança da  ONU. Um escândalo e um jogo de cartas  marcadas.

Entretanto, as sublevações em cascata que vêm ocorrendo há dois meses, a partir da Tunísia e do Egito, deixam claro que a situação ficou fora de controle. O papo de transição pacífica e controlada para a democracia não se sustenta nos fatos.

 Ninguém garante que em qualquer dos países sublevados não se instale, via eleitoral ou não, regimes simpáticos aos xiitas iranianos  ao  Talibã, ou mesmo  à Al-Quaeda.

Então danem-se a democracia e a moderação. Os últimos informes das agências de notícias mostram claramente as inteções intervencionistas de  Obama.

E não se venha com a conversa  de que é para evitar  o mal maior. Em primeiro  lugar é preciso deixar claro que  a coisa só chegou a esta situação explosiva, porque o mal maior já foi feito. Pelas razões  expostas no segundo parágrafo deste texto, o caldeirão árabe e  islâmico foi mantido durante décadas como se fosse uma  panela de pressão. E, tanto em Física como em Sociologia, o resultado disso é explosão.

Não serve, também, o pretexto de que uma invasão seria necessária para  garantir o fornecimento  de  petróleo e gás.  A Líbia produz  2 milhões de barris diários, volume que tanto a Arábia Saudita quanto a Rússia já informaram que estão em condições de suprir.

Veja, abaixo, a escalada belicista de Obama. O objetivo estratégico  é  o de“dar um recado” é o de tentar, com a presença armada na Líbia, evitar uma  “escalada extremista” nos vizinhos Egito e Argélia, as duas maiores nações do Norte da  África.

“O presidente dos EUA, Barack Obama, conversou com líderes da França, da Itália e do Reino Unido sobre as possibilidades que os países do Ocidente têm para lidar com a crise na Líbia, informou nesta quinta-feira, 24, a Casa Branca, por meio de comunicado. O grupo prepara uma resposta contra a violência que tomou conta do país.

Obama teria discutido a coordenação dos “esforços urgentes para responder aos desenvolvimentos e assegurar que haverá uma responsabilização apropriada” pelo que está acontecendo no país do norte da África, diz a nota. O líder americano conversou com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e os primeiros ministros italiano, Silvio Berlusconi, e britânico, David Cameron.

A série de telefonemas já havia sido anunciada anteriormente. Os governos novamente mostraram-se preocupados com a situação na Líbia, onde a população está nas ruas há 11 dias pedindo o fim do regime do coronel Muamar Kadafi, que já dura 41 anos.

Segundo a Casa Branca, os “líderes discutiram a gama de opções que tanto os EUA e os países europeus estão preparando para responsabilizar o governo líbio por suas ações, assim como planos de ajuda humanitária”. Fontes do governo americano disseram que essas possibilidades incluem sanções e a imposição de uma zona de restrição aérea sobre

 18-02-11

 Entenda por que Pedro Simon é o “campeão da ética” no Senado

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) notabilizou-se por ser mais ético do que seus pares. Todos são éticos. Mas ele é um pouco mais. Sempre que pode ele tenta realçar essa diferença com grandes e, mais frequentemente, pequenos gestos. Como ninguém reclama, o cetro lhe caiu bem e assim foi ficando.

Esta semana, nosso irretocável senador marcou mais alguns pontos abrindo mão da aposentadoria que recebia como ex-governador. E dá uma explicação comovente para o fato de  ter cometido este grande gesto, só agora no fragor do escândalo que não comove, porque é apenas mais um no mundo político. Mas, enfim, é um escândalo.

Nos diz candidamente o imaculado senador que só requereu agora a suspensão da  despropositada aposentadoria, porque dela não mais necessita, uma vez que os senadores obtiveram substancial aumento de seus vencimentos.

Então ficamos sabendo que a ética do senador só vale quando é indolor: Se não há prejuízo importante, sejamos éticos!

Como já vimos, a ética dos senadores não é um valor absoluto. Há gradações, sendo que a de Pedro Simon está no topo. Creio que o mesmo se pode dizer da hipocrisia: a do senador gaucho também é mais graduada que a de seus pares. É mais fina e sutil.  E suspeito que é por isso que os antigos,  pensando em pessoas assim, diziam: “Trata-se de um finório”.

14-02-11

Iêmen: balança mais uma ditadura mantida pelos EUA

Depois das rebeliões contra as ditaduras  na Tunísia, no Egito e na Argélia (parcialmente controlada)  chega a vez do Iêmen cuja capital Sanaa teve suas ruas centrais tomada por manifestantes (dezenas de milhares) desde quinta-feira.

Os manifestantes exigem a saída imediata do ditador Ali Abdullah Saleh, um dos mais fiéis aliados dos Estados Unidos. Ele promete deixar o poder em 2013, quando estão previstas eleições.

Uma das mais pobres nações árabes, situado ao Sul da Península Arábica, o Iêmen é a mais nova dor de cabeça para a diplomacia norte-americana que há trinta anos sustenta quase uma dezena de ditaduras na região.

Não deixe de  ler, sobre o mesmo tema, a matéria logo abaixo.

12-02-11

Argélia é a bola  da vez: Mais um baque
para a hipócrita diplomacia americana

Uma rebelião popular parecida com a do Egito pode ter começado  esta manhã na  Argélia, a segunda maior República Árabe do Norte da África. Se a situação se agravar estará confirmada, assim, a previsão do “Efeito Dominó” que devastaria as ditaduras da Região. Aliás, tudo começou há um mês na Tunísia, próxima ao Egito, onde o  ditador  Bin Alí, (pró-Ocidente) foi deposto no último dia 14, após uma semana de rebelião popular. Ele dominava o país há 23 anos.

Durante trinta anos  o Governo Americano, algumas vezes associado a europeus, sustentou a  peso de ouro uma vasta coleção de sórdidas  ditaduras no Norte da África e Oriente  Médio. Entretanto, para a imprensa  ocidental e especialmente para a  medíocre e submissa mídia brasileira, aparentemente, só existia uma ditadura na Região, a do Irã.

Este blog, como já ficou claro dezenas de vezes, não concorda nem deixa passar em branco as sandices  verbalizadas por Mahmoud Ahmadinejad, nem muito  menos  tolera o anacronismo e as crueldades da Ditadura Iraniana dos Aiatolás.

 Mas é preciso mostrar com clareza a cínica postura da mídia brasileira que, atrelada aos interesses estratégicos norte-americanos, há  décadas  desinforma seus leitores não revelando que em todo o Oriente Médio e no Norte da África, há esse grande número de ditaduras tão ou mais degradantes do que  a do Irã.

A diferença é que estas ditaduras não são “demonizadas”  e até são sustentadas e  bajuladas  por  americanos e europeus, com a condição de que, cooptadas,  não reajam ao extermínio do povo palestino e fechem os olhos para criminoso expansionismo de Israel convertido, hoje, num  estado escancaradamente  racista e segregacionista.

Na verdade, os EUA e a aliados europeus sabem que se  houver  abertura  democrática em toda a região, os nacionalistas muçulmanos vencerão praticamente todas as eleições. O primeiro aviso ocorreu  no já longínquo 1992, exatamente na Argélia, quando, com apoio velado do Ocidente, deu-se um golpe e instalou-se  uma ditadura militar, no momento em ficou claro que  as eleições seriam vencidas pela FIS, Frente de Libertação Islâmica, cujo nome já diz tudo.

Como a diplomacia do Ocidente em relação a árabes e  mulçumanos era uma farsa agora desmascarada, resta saber se  Barack Obama  tem cacife para controlar a situação.

03-02-11

A função conservadora do PMDB

Estamos tão habituados a ver o PMDB apenas como um aglomerado de fisiológicos que não percebemos sua real função ideológica e social, a  de contenção conservadora e uma barreira a qualquer tentativa de  direcionar  o País para o socialismo.

Isto quer dizer que a eleição  de Dilma Rousseff não representa por si só um avanço  consistente para a esquerda, embora tenhamos, com sua  campanha, superado  e enterrado alguns paradigmas neoliberais do tipo estado mínimo e etc.

Dizendo de forma  simples: o Governo possui hoje  maioria  inédita na história da República, cerca de 70 % da cadeiras, tanto na Câmara como Senado. Teoricamente, poderia  aprovar o que bem entendesse. Mas não bem é assim.

E não é porque, se somarmos  a deputados  e senadores do PT, parlamentares de outros partidos  com  posição ideológica semelhante (PSB, PDT,  e PCdoB)  o número cadeiras no Congresso fica reduzido a 30%.

Ou seja: Dilma pode  aprovar  tudo o que quiser, desde que seus seus projetos sejam ideologicamente compatíveis com o Grande Centrão composto pelo PMDB e demais partidos de cento e de direita que compõem a grande base de apoio ao Governo.

Outro dia Cesar Maia observou bem em seu blog que, segundo pesquisa recente do G1,  a grande maioria dos  parlamentares que apóiam o Governo, defende simultaneamente os chamados valores conservadores (contra o aborto, contra a liberação  das drogas, etc.) e são a favor  de  uma democracia do “tipo ocidental” e sem “desvios chavistas”, vamos dizer assim.

 Por outro lado, esses mesmo parlamentares (e não só eles como também os da Oposição), segundo a mesma  pesquisa, surpreendentemente, absorveram na integra o discurso  petista em relação a salários, aposentadorias, remuneração de servidores e benefícios  sociais de um modo geral. Isto quer dizer que por aí a coisa anda, até mais ligeiro do que o Governo gostaria. Mas não vai muito além disso.

É claro que algumas conquistas importantes serão ampliadas e consolidadas  no atual governo, como  é o caso  da integração sul-americana e o da nossa política externa soberana e criativa. Nesse sentido, fica  escancarada (para desespero do Jabor)  a   excelência da atuação do Itamaraty, no momento em que a diplomacia norte-americana,  a qual antagonizamos, acaba de naufragar nas águas do rio Nilo.

Mas  os  militantes de esquerda, tanto dos partidos como da  organizações sociais, precisam   ter clareza de que se  não houver mobilização e pressão permanentes, os avanços serão  pífios. A atual maioria no Congresso  apenas garante a governabilidade mínima da Administração Dilma.

Entretanto, nem tudo é notícia ruim. Há um aspecto promissor em todo esse  contexto: o caminho está aberto para  ampliação  do Estado e de sua eventual ação no processo de socialização, através  da criação de novas, estratégicas e poderosas estatais. Tanto no PMDB, como nos demais partidos conservadores, não há ideologia que resista à nomeação da diretoria de uma grande estatal.

O problema é que as esquerdas brasileiras (ideologicamente paradas no tempo) não têm um projeto coerente.

As duas matérias abaixo complementam o raciocínio desta.

25-01-11

Michel  Temer  e Antônio Palocci disputam espaço  no Planalto

O nosso Super-Palocci  não entrou com o pé direito na chefia da Casa Civil da Presidência. Saudado pela mídia e pelo Mercado como o ”ponto de  equilíbrio” na  transição Lula/Dilma e como garantia  de que  a presidenta não  faria  um inflexão importante  à esquerda, ele não está dando conta de suas múltiplas  tarefas no novo cargo.

Palocci perdeu gás, logo no início, quando ficou claro que  ele  apitaria pouco ou nada na política econômica.  Esta área  é comandada  pessoalmente pela presidenta, assessorada por Guido Mantega  (da Fazenda) e com palpites eventuais de Luciano Coutinho, o velho estruturalista  (leia-se anti-neoliberal), presidente do BNDES.

Depois, na semana passada, o “super-ministro”, bateu pino quando foi desfenestrado pelas  lideranças sindicais que se recusaram a  discutir com ele a questão do reajuste do salário mínimo. Nesse  caso, a presidenta teve que convocar às pressas  Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria-Geral da Presidência, que  interrompeu suas férias para  assumir as negociações com os trabalhadores.

Finalmente, este fim de semana, aconteceu o pior: Palocci  bateu de frente com as principais lideranças  do PMDB, porque  interferiu pessoalmente, ao invés de agir como mediador, na  nomeação da direção da EMBRATUR, Empresa Brasileira de Turismo, subitamente  valorizada,  em função da Copa do Mundo  e das Olimpíadas.

Aliás, o pessoal  da segurança e dos serviços do Palácio do Planalto já registrou que é muito maior a afluência de políticos ao gabinete do vice-presidente Michel Temer, do que à Casa Civil da Presidência.

A matéria abaixo complemente o raciocínio nesta.

22-01-11

O adversário mora ao lado

O vice-presidente Michel Temer é bem falante, articulado,  mas  não é  muito simpático. Pelo menos não conseguiu angariar as simpatias do presidente Lula e da presidenta  Dilma Rousseff. Vejam que diferença em relação  ao valente  ex-vice-presidente José Alencar.

Não é só uma diferença de empatia pessoa. O que há, são comportamentos políticos totalmente diversos. Alencar foi, durante oito anos, o coadjuvante ideal pra o presidente. E mesmo quando soltava os cachorros em cima do Henrique Meireles e seus juros criminosamente altos, no fundo ele estava dizendo o que Lula queria, mas não podia dizer. Numa  palavra: Alencar é confiável.

Quando Alencar diz uma coisa, todos acreditam. Ontem  em Porto Alegre , onde foi homenageado com um pomposo almoço oferecido pelo governador Tarso Genro, Temer, que é presidente licenciado do PMDB, disse que o partido está satisfeito com a parte que lhe cabe no latifúndio governamental. Mas ninguém acreditou.

E acreditou-se menos ainda quando ele  garantiu que PMDB e  PT não estão travando uma  batalha campal pelo controle dos porões do Ministério da Saúde, onde se escondem aquelas  polpudas  verbas controladas pelo segundo escalão como é o caso da FUNASA, Fundação Nacional da Saúde.

Lula e Dilma definitivamente não gostam de Temer. Tanto que fizeram o possível, há um ano, para que o PMDB indicasse  outro nome para ser vice na chapa da então candidata. Magoado, porém  sorridente, Temer finge não saber nada disso. E diz que defende os interesses do governo, já  que é parte dele. Ao mesmo tempo, entretanto, instiga os  gulosos deputados do partido a fazerem pressão por mais cargos e mais verbas.

 Acredito que esta história não vá acabar bem. Dilma não é Lula, um emérito engolidor de sapos. Quando ela se aborrece, sai de baixo. Que o diga Fernando Haddad, ministro da Educação, que por causa de  mais uma  inacreditável trapalhada em sua Pasta, teve quer adiar suas férias e recebeu da chefe  uma  um pito  como já não se via desde os tempos do ginásio. Sabe aquelas broncas que a gente escuta do outro lado da rua? Pois é.

 20-01-11

Kassab sai do DEM em Março e filia-se ao PMDB em Abril

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, vai filiar-se ao PMDB em Abril  Ele já  acertou esta dada com o vice-presidener Michel Temer que, além de presidente nacional (licenciado) do PMDB, assumiu o controle de fato da agremiação em São Paulo, após o falecimento de Orestes Quércia.

Kassab será, natualmente, a principal liderança do novo PMDB paulista e canditato  certo ao governo do Estado em 2014. Ele e Temer pretendem construir o que chamam de Terceira Força, para acabar com a bipolarização PSDB-PT.

Em Março,  o prefeito sai do DEM que nesse mês realiza sua convenção para renovar sua direção, mas poderá , também, deliberar sobre sua fusão com um novo partido ligado a Aécio Neves e que reunirá gente  do PSDB e de um punhado de outras siglas.

Para não chegar com as mãos abanando, Kassab quer carregar para seu novo partido, uma boa parte dos atuais 70 prefeitos do DEM paulista e  lideranças do PTB e PPS tradicionais aliados dos tucanos no Estado.

Interinamente,o partido será  dirigido pelo deputado estadual Baleia Rossi (ele não  é sócio do Twitter), filho do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, ambos leais a Temer. Com isso fica assegurado o projeto de coloar  a sigla nas mãos de Kassab.

09-01-11

Affaire  “Peluzo x Battisti”.  As supremas trapalhadas da nossa Justiça.

Ninguém ignora que a função do Supremo Tribunal Federal, como ápice de nossa  trapalhona,  morosa e  injusta Justiça, é complicar um  pouco  mais as coisas que  já vêm complicadas  lá de baixo.

Mas desta vez o insigne ministro Cezar Peluso abusou do direto às tradicionais e supremas trapalhadas.  Não me cabe entrar no chamado mérito da questão, todavia me oriento pelo elementar bom senso.

 Se Battisti é um bandido comum, o STF teve oportunidade de julgar isso e se desejasse,  remetê-lo para a Itália. Entretanto a Egrégia e Trapalhona  Corte entendeu que cabia ao presidente da República tomar a decisão final.

O presidente, certo ou errado, exerceu  sua função soberana inerente ao seu cargo e que envolve também a soberania nacional. Entendeu que Battisti é um perseguido político e concedeu-lhe asilo. E ponto final.

Entretanto, por razões que só a enroladíssima  Justiça  pode explicar,  o processo voltou ao STF e caiu nas mãos  de um  ministro que  foi voto vencido  nesse mesmo processo.  E tal ministro (estou falando aqui do  resultado prático) decidiu que o processo deve ser reaberto.

O advogado de Battisti considera que tal decisão corresponde a uma usurpação de funções entre os  poderes da República, o que significa “um verdadeiro golpe de estado”.  Eu diria que é apenas mais uma palhaçada.

Todos sabem que o Supremo dá a última palavra. E ele já a deu. Então, se este caso for reaberto, eu me sentirei no direto de recorrer ao Supremo contra todas as decisões anteriores desse mesmo Supremo.

06-01-11

O fantasma de Lula: Dilma assumiu
a  presidência. O governo  ainda não

Todos sabem como é complicado governar um pais continental, caminhando para os 200 milhões de habitantes e que carrega a pecha de ser um dos mais injustos do Mundo. A reação vai de cada um: Getúlio deu um tiro no peito, Jânio tomou um porre, tentou dar um golpe e renunciou, JK dançou e sorriu o tempo todo e Lula tirou de letra.

Dilma, com apenas quatro dias de  presidente, já enfrenta quatro crises de bom tamanho: a– a Rebelião do PMDB que pode vir a ser Rebelião da Base Aliada; b– a  Crise Militar (há quanto tempo não se  falava nisso); c– a Crise Diplomática (Battisti), e d– a Crise Cambial.

Talvez seja cedo para dizer isso, mas  arrisco adiantar que  com esses quatro episódios já se pode estabelecer um padrão de comportamento da presidente: o silêncio e a delegação.

 A questão política no Congresso e nos partidos (não me venham tapar o Sol com a peneira), já está sendo administrada direta e pessoalmente pelo Antônio Palocci, chefe Casa Civil. E deverá ser assim, em todas as crises daqui para a frente.

A Crise Diplomática fica por conta do Itamaraty, do Supremo e do Ministro da Justiça.

A Crise Cambal tem, com certeza, a participação teórica da presidente que entende  do assunto e  esta preocupada com sua evolução. Mas toda a comunicação é feita pelo Banco Central e por Guido Mantega, ministro da Fazenda.

Na Crise Militar, como ela estourou dentro do Palácio do Planto, já que o general José Elito Siqueira é chefe do Gabinete de Segurança, subordinado diretamente à presidência, não houve outro remédio, senão chamar o militar para uma conversa.

Nessa área, entretanto, o mal já está feito há algum tempo. O próprio presidente Lula delegou  a solução das questões delicadas da caserna para o ministro Nelson Jobim, da Defesa. Foi um grave erro, porque esse pessoal deve ser respeitado e provido dos recursos profissionais  necessários, mas não deve haver o  menos ruído político neste setor. No mais, o ministro tem simplesmente que comandar os militares em nome do presidente.

Cada soldado, graduado ou não, tem o direito, como cidadão, de dizer o que quiser e de votar em quem bem entender, mas lhe é vedado fazer discurso político  e polêmico em nome da  Corporação. A Corporação deve obediência ao Chefe da Nação. Nesse sentido, qualquer conciliação ou concessão habilidosa, de bastidores (a especialidade de Jobim), são descabidas.

E, mais uma vez, não tapemos o sol com a peneira: a verdade é que ainda pululam, no assim chamado meio castrense,  gorilas  enrustidos e renitentes. Se for dado o mínimo de guarida a seus argumentos fascistas e indecentes como os usados pelo indigitado general Elito, eles vão crescer e teremos uma crise atrás da outra.

Dilma Roussef é uma mulher  determinada e corajosa, como  comprova o enredo de sua vida, inclusive na recente campanha quando , no momento  em que foi preciso, ela falou por ela e com a firmeza necessária.

Mas há um fator psicológico elementar, corriqueiro, que não pode ser desprezado.  Da  mesma forma que um professor perde o controle da classe para o ano todo se perdê-lo na primeira semana de aula, um presidente inviabiliza seu mandato, se não fizer valer sua autoridade e sua personalidade nos primeiros dias de governo.

Finalmente, há a Sombra de Lula. Todos  e ele também, parecem antever  o momento  em que como Capitão Marvel  descerá em Brasília para salvar sua pupila.  Isto seria a morte política de Dilma Rousseff.

Eu estou até pensando em sugerir ao meu amigo  Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência  para Assuntos Internacionais, (posto que já ocupava no governo passado), que leve Lua para uma longa viagem pela  África e pela América do Sul. Aliás, o projeto do ex-presidente era exatamente este: cuidar União Sul Americana e de Suas relações com a  África.

O Guarujá é muito perto. E Lula ainda não desencarnou do inquilino do Alvorada.

31-12-10

Battisti ou Berlusconi. Quem é o fora da lei?

A Itália vive um dos momentos mais grotescos de sua história.  Seu povo, como todo povo, já deu mostras de heroísmo em certas ocasiões e de covarde submissão em outras. Hoje é mansamente governado por um gangster corrupto, fascista, vicioso, amoral e, ainda por cima, cartola de futebol. Um bandido sem nenhuma dúvida, chamado Silvio Berlusconi.

De outro lado, temos César Battisti hoje denominado terrorista  pela mínia, mas que  há 30 anos  pegou em armas para, como guerrilheiro, combater um sistema montado na  iniqüidade, na corrupção mais assombrosa e no conluio de três forças poderosas: o Capital Financeiro, a Máfia e o Banco do Vaticano, a maior  lavanderia européia de  dinheiro criminoso.

Em suma, Battisti fez, há três décadas, exatamente o que fez nosso bom Fernando Gabeira, hoje queridinho da burguesia de Ipanema, mas que já foi considerado terrorista pela mídia e pelo Departamento de Estado, tanto que, até hoje, não consegue obter visto para visitar os Estados Unidos, cujo embaixador no Brasil ele delicadamente seqüestrou.

E nem sei se é de bom tom lembrar que até hoje, por ter agido, há quarenta anos, como Gabeira e como Battisti, Dilma Rousseff é tratada como “terrorista’ pelo segmento mais direitista do eleitorado do Serra. É claro que isso é feito de forma covarde através do anonimato da Internet, como é claro também, que, como presidente eleita do Brasil, ela receberá amanhã, na posse, um beijinho da Hillary Clinton.

Nunca é demais, entretanto, dizer que a função elementar da mídia brasileira – corrupta e  atrelada aos interesses estratégicos norte-americanos – é desinformar a classe média  brasileira, até o limite da infantilização.

Ela faz isso, via manipulação e omissão de fatos, sua especialidade. Mas, convenhamos, sua  tarefa é facilitada  pela  natural  tendência desse seguimento mediano da sociedade no sentido de alienar-se em torno de seu umbigo, sua piscininha e suas compras.

E não é demais lembrar também que durante décadas, os vietcongs foram denominados pela mídia como perigosos terroristas, até que, literalmente,  jogaram os invasores norte-americanos  no  mar.

 Foi uma das maiores surras militares da História. E, desde então, os “terroristas” passaram a ser referidos como “rebeldes insurgentes” ou como guerrilheiros. A mídia é falsa como uma nota de trinta reais. Ninguém sabe o que ela vai dizer amanhã.

Covarde, nossa elite jornalística já não sabe se trata Battisti como  terrorista ou como guerrilheiro. Estava aguardando o desfecho da novela e foi surpreendida pela brutal e desproporcional reação do governo fascistóide italiano que ameaçou e  insultou o governo braseileiro. Diante da crise diplomática, nossos  versáteis editorialistas e colunistas temem tomar partido.

Então ficamos assim: o presidente Lula já assinou o decreto concedendo asilo e o Supremo Tribunal Federal, como é de sua função, vai enrolar ainda mais o caso. Berlusconi se quiser que reclame com o Papa, mas Battisti tão cedo não volta para a Itália.

16-12-10

Enquanto Serra se esconde por causa do WikiLeaks
 Aécio  aparece  como  líder da  Oposição Moderada

Aécio Neves não perde a oportunidade para insistir na sua tese de “refundação do PSDB”. É uma espécie de senha para marcar sua posição como renovadora e a de  José  Serra como obsoleta.

Ontem, em São Paulo, na festa de entrega ao presidente Lula do Prêmio “Brasileiro do Ano”, o neto de Tancredo repetiu o bordão. E completou com um raciocínio moderado e conciliador lembrando que se  é justo homenagear os responsáveis pelo bom momento que o País vive, seria injusto não reconhecer que as bases para a atual prosperidade, foram  construídas no governo de FHC.

O adeus ao neoliberalismo

Nas conversas que vem mantendo com aliados, inclusive com o  novo governador paulistaa, Geraldo Alckmin, com quem  mantém um discreto acordo  de cooperação,  Aécio  não poupa críticas ao  discurso de Serra durante  a campanha eleitoral  que, segundo ele, confinou o PSDB  numa incômoda posição conservadora, de direta mesmo. Posição esta, antes ocupada pelo DEM, ex-PFL que foi empurrado para o abismo.

Para Aécio, o partido precisa recuperar  espaços nos sindicatos e movimentos sociais, readquirindo (daí a palavra refundação) suas características originais  que são sociais-democratas, ou seja, de centro-esquerda. Segundo ele, os tucanos fizeram um trabalho correto, quando o objetivo central era o combate à inflação. Agora, porém, as prioridades  são outras e o discurso deve ser outro.

13-12-10

PCdoB quer manter Orlando Silva nos Esportes, mas
 Dilma precisa  de  mais mulheres  no seu  Ministério

Se depender da direção do PCdoB, Orlando Silva será  mantido no Ministério dos Esportes, a cota da partido. Entretanto, Dilma Roussef  ainda não consegui completar “a cota de um terço” de mulheres no seu Ministério.

Por conta disso, três líderes comunistas de peso, passaram a  ser cotadas  para o lugar de  Orlando. São elas a campeã de votos Manuela D´Ávila, deputada pelo Rio Grande do Sul; Luciana Santos, ex-prefeita de Olinda, e Jandira Feghali, ex-deputada federal e atual secretária de Cultura da Prefeitura do Rio.

A bela Manuela, já disse que prefere não ser ministra, porque isso prejudicaria seus planos para a disputa da prefeitura de  de Porto Alegre  em 2012. Entre Luciana de Jandira, as chances seriam quase equivalente, com leve vantagem para a carioca, justamente pelo fato de que  o Rio será sede das Olimpíadas e onde  haverá a final da Copa do Mundo.

Mas Orlando Silva não ficará ao léu. Seria  indicado por  Sérgio Cabral, governador do Rio, para o pomposo cargo de  Autoridade Olímpica que  administrará todos os preparativos para  o evento.

O que preocupa a direção do PCdoB é que o nome de Orlando Silva terá quer ser aprovado pela  Assembléia Legislativa do Rio. Então, fica a sensação de que o partido está trocando o  absolutamente certo pelo apenas provável.  É como se diz: em política e em rio de piranha, jacaré  nada de costas.

07-12-10

Aécio e Alckmin isolam Serra e saem à
 procura de  um  discurso  para  o PSDB

Aécio Neves voltou com a corda toda de suas férias de  trinta dias na Europa. Ontem em São Paulo, almoçou com seu novo parceiro, o contido governador eleito Geraldo Alckmin, reuniu-se com  outros tucanos locais e disparou suas duas frases prediletas: “precisamos refundar o partido” e “precisamos fazer uma oposição moderna, propositiva”.

Com a idéia de “refundação”, ele quer  que todos entendam que o programa e o discurso do partido, moldados nos anos 80, precisam ser reformados  porque o Mundo é  outro, sobretudo depois da Grande Crise Americana.

E todos entendem isso, porém não apenas isso: entendem também que  Aécio quer com isso demonstrar que José Serra tem que pendurar as chuteiras, porque, durante os dois anos em que foi candidato à presidência, não conseguiu encontrar o discurso adequado.

Mais tímido e menos inventivo, Geraldo Alckmin concordou com cada palavra de Aécio movendo a cabeça no sentido afirmativo. Porém, fez também sua parte. Agindo com rapidez, mesmo antes de assumir, reduziu a uma ínfima parte a presença e a influência de serristas  em seu governo.

Quem não entendeu nada foi  Roberto Freire presidente do PPS (ex-Partido Comunista) que  decidiu transformar seu partido em linha auxiliar do PSDB e viver pessoalmente à sombra de José Serra, tanto que transferiu seu domicílio eleitoral de Pernambuco para São Paulo.

Enquanto Aécio e Alckmin costuravam o pacto anti-Serra, Freire  declarava que a briga entre   tucanos paulistas e mineiros não tem sem sentido e é provinciana, sem perceber que essa disputa não existe mais. Foi substituída por uma aliança entre mineiros a paulistas que querem ver Serra pelas costas.

Mais esperto, o ex-presidente Itamar Franco, eleito senador pelo PPS e com total apoio de Aécio, dizia ontem em Minas que realmente as Oposições precisam adaptar-se  às novas realidades e ser mais “propositiva”.  E alfinetou: “Eu cansei de avisar ao Serra que sem discurso adequado, ninguém vence uma eleição de âmbito nacional”. 

04-12-10

E Lula quer pregar uma peça em Marina Silva

Muito ao seu estilo, o presidente Lula está preparando uma para  a ex-companheira Marina Silva. Ele está insistindo para que Dilma Rousseff  dê, indiretamente, um ministério para o PV. Com isso cria-se uma saia justa entre  os verdes e Marina veria aranhada sua imagem de independência.

Tudo o que a presidente tem a fazer é manter o atual ministro da Cultura, Juca Ferreira, um importante líder do Partido Verde ao qual continua filiado. Para dar um empurrãozinnho, Lula levou Juca a tiracolo, em sua última viagem ao Nordeste, há três dias. Se o ministro não se desfiliar do PV, atualmente ele está na estranha categoria de “licenciado”, Marina teria que engolir o sapo ou pedir a expulsão do correligionário inconveniente.

Leia também a matéria  logo abaixo.

28-11-10

 As grandes diferenças entre Dilma e Lula

Só os ingênuos de esquerda ou de direita, do PT ou de fora dele, poderiam  imaginar que  o  governo de Dilma seria uma continuação mansa e linear do governo de Lula.  De uma mulher de personalidade forte, você  pode-se esperar lealdade,  mas não obediência calada. Antes mesmo de tomar posse, Dilma  já proclamou pacificamente sua independência e antecipou a diferença.

A primeira e principal modificação já está  ocorrendo em relação à Política  Econômica. Há dez dias dissemos neste blog que “Dilma  manteria os mesmos nomes (leia-se Mantega, Luciano Coutinho e Paulo Bernardo) para realizar  grandes mudanças”. E e isso aí.

Economista formada, Dilma não tem o medo pânico que Lula tinha pelas reações do Mercado. Por isso, ela pode  livrar-se de Henrique Meirelles, sem muita cerimônia e vai inovar e muito, nessa área.

Vai inovar, por exemplo, forçando uma política de baixa imediata da taxa de juros.  Para isso ela já está ensaiando uma alteração (na verdade  um aprimoramento) dos índices de medição da inflação, para que o BC não se veja obrigado a elevar os juros, toda  vez que o preço do  feijão sobe na feira.

A outra alteração substancial será em  relação ao Câmbio Fixo. Se a Balança de  Pagamentos (todo o dinheiro e  que entra e sai do Pais) se tornar deficitária e o Brasil começar a torrar suas reservas para honra compromissos, Dilma  não vacilará em restabelecer o Cambio Fixo, para impedir que  a supervalorização do Real destrua setores inteiros da nossa economia, não apenas os ligados às exportações.

 O primeiro sinal foi dado pela Balança Comercial (resultado da compra e venda de mercadorias)  que já está deficitária.

 Para se ter idéia do problema  da  Balança de Pagamentos, basta dizer que os brasileiros vão gastar no exterior, este ano, 15 bilhões de dólares, com sua viagens turísticas. Não há economia que aguente uma sangria como esta.

Outro item importante, revelador da mudança, é o do que aponta para o fim da gastança. Ninguém ignora que o governo gasta muito e gasta mal. E é sintomático que em seu primeiro  pronunciamento, a nova ministra do Planejamento, Miriam Belchior,  tenha afirmado que “podemos fazer mais com o mesmo”. Esta mudança só será possível porque ao contrário de Lula que não sabe dizer não, Dilma sabe e diz. Ou pelo menos vai dizer no primeiro ano de governo, enquanto dura a lua de  mel, pós eleitoral, com a opinião pública.

Finalmente, saindo da área econômica, haverá uma mudança pontual, porém muito  importante, nas relações exteriores. Será mantida e acentuada a política de contestação da hegemonia norte-americana  no Continente e de  fortalecimento a todo custo da  coesão  política e integração econômica da América do Sul. Mas haverá uma mudança radical em relação ao Irã. Dilma condenará com veemência a  forma insana  com que os  aiatolás tratam as mulheres daquele  país.

  Sobre o mesmo tema, leia mais na matéria abaixo.

24-11-10

A guerra de vida ou morte de Dilma contra os juros altos

“Firme, mas flexível” parece o tipo da expressão que jornalistas sacam para não dizer nada de forma elegante. Mas, às vezes, ela realmente exprime uma situação de fato. Vejam o caso do novo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Ele ainda nem foi anunciado (o que deverá ocorrer hoje), mas já está sendo descrito como  alguém firme e flexível.

E ele terá que ser assim, porque a política econômica de Dilma também será  firme e flexível. Firme  no combate a inflação, mas flexível em relação ao dogma de que juros  altos são  o único remédio contra uma febre inflacionária. Firme na defesa  do livre comércio, mas flexível em relação à  política cambial que, eventualmente, poderá adotar o câmbio fixo para evitar uma  valorização exagerada e  maligna do Real.

O termômetro, a febre e a aspirina 

Agora  vamos recorrer a uma imagem bem simplesinha: todos sabem que a aspirina é um dos melhores remetidos contra a febre e quase todos sabe que  ela “afina o sangue” como se diz popularmente e, em doses excessivas, provoca  hemorragia. Então, quando o termômetro acusa um início de febre (a inflação) todos  recorrem a uma dosagem razoável de aspirina, o aumento razoável da taxa de juros.

Quando, porém, por fatalidade ou incompetência  dos médicos, tem-se o quadro em que para debelar a febre injetam-se doses cavalares de aspirina, digamos juros anuais e de 10% (como é o caso do Brasil), quando no resto do Mundo  a taxa  média  e de 2% ao ano, então fica evidente que estamos diante de um disparate ou  uma armadilha.

Lula que tem medo pânico das reações do Mercado, por causa do susto que levou logo no início de seu primeiro mandato, deu carta branca para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles que, banqueiro esperto, deitou e rolou.

Entretanto Dilma, a economista, decidiu enfrentar essa  armadilha rompendo o círculo vicioso : o Brasil tem juros altíssimos porque a inflação crônica e renitente insiste sempre em reaparecer. E sempre reaparece porque  os juros, a partir de um certo patamar, passam a atuar como pesados custos para a produção, a distribuição e o comércio. Custos estes que são repassados para o consumidor. A solução é óbvia, mas de difícil execução. De um lado, a firmeza na redução drástica dos gastos dos governo e, na outra ponta, a redução acelerada dos juros, a flexibilidade.

A primeira providência era despachar o Meirelles e isso foi feito com alguma habilidade política.  Agora, se a presidente, o Guido Mantega (mantido no Ministério da Fazenda) e o  Alexandre Tombine vão conseguir o equilíbrio perfeito entre a firmeza e a flexibilidade, isto só Deus saberia dizer.

Leia também a matéria da coluna Pérolas & Pílulas. 

19-11-10

Salário mínimo vai ficar em torno de 570 reais

Todos os anos é a mesma coisa, mas a mídia finge que não sabe e faz suspense só para vender  jornal.  A coisa funciona assim: o presidente chama o pessoal da economia e pergunta até onde pode ir sem comprometer as contas do governo.  Quando a resposta é, digamos, 570 reais, ele propõe  550 e começa a negociar. No final “concederá” algo próximo dos tais 570 que é menos que os 600 prometidos por Serra, mas é mais do que  ele está obrigado a dar.

A rigor, se não fosse por causa do “déficit” da Previdência, o governo  gostaria de ser  muito mais generoso no aumento do mínimo.

Esta seria uma forma de dividir, com os empresários, o custo  da  inclusão social e da expansão do mercado interno. Mas como está preso à  questão previdenciária (na verdade um calote gigantesco  aplicado contra os aposentados), o Executivo descarrega na Bolsa Família que não passa de um complemento  salarial e um precário auxílio desemprego.

Prova disso é que a presidente Dilma acaba de resolver, em “despacho” com a ministra Márcia Lopes, do Bem Estar Social, uma substancial  ampliação do Bolsa  Família. Além de  elevar piso do benefício, ela vai estendê-lo  às  750 mil famílias  que não tem filhos em idade escolar.

O objetivo é eliminar até 2014  os últimos vestígios da miséria absoluta.E tudo isso ao custo anual de 15 bilhões de reais, menos da metade do que o governo gasta com o custeio elementar  na área da Saúde. Quanto maior o salário, menor a nessecidade do Bolsa  Família.

14-11-10

As novas estatais de Dilma Rousseff

Há pouco mais de um ano (Setembro de 2009), em pronunciamento pouco divulgado, a então  chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff,  afirmava a propósito do pré-sal: “Queremos ampliar o papel econômico e geopolítico do Brasil no cenário internacional”.

 Pouco depois o governo enviaria ao Congresso projeto de alteração da legislação sobre  a exploração dos petróleo (o marco regulatório e o sistema de partilhas) e anunciava criação de uma nova estatal destinada a  garantir o controle absoluto do governo nesta questão estratégica.

Estratégica é a palavra chave e tem a ver com visão de futuro e defesa dos interesses permanentes do País. Isto é que diferencia a presidente eleita de um José Serra, por exemplo. E esse fato foi decisivo  para que ela vencesse a eleição, ao contrário do que supõem os analfabetos políticos que atribuem sua vitória à melhor qualidade de seu marqueteiro.

As novas estatais estratégicas

Tudo isso para dizer ainda no primeiro ano de seu mandato, Dilma Roussef anunciará a criação de pelo menos mais duas gigantes estatais de altíssimo valor estratégico: a Ourobras e a Embrafarma, não obrigatoriamente com estes nomes.

O leitor há de lembrar que nos últimos dias da campanha, Dilma anunciou que se eleita  iria  propor a alteração da legislação sobre a exploração de minas e jazidas. Trata-se do primeiro passo para a criação da Ourobras, uma obsessão  que vem dos tempos  em que ela era  ministra das Minas e Energia e, seguindo a trilha aberta por Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras, sonhou criar, nesta área, uma estatal  do porte de uma  Petrobras.

A nova gigante  do governo cumpriria três objetivos  essenciais: a– eliminar a balburdia  que reina  na  exploração do subsolo brasileiro, onde convivem, de um lado, atividades clandestinas  e francamente  ilícitas com uma situação, por outro lado, onde  jazidas são legalmente  registradas, porém inexploradas por seus proprietários; b– eliminar as atividades altamente predatórias, do ponto de  vista ecológico,  praticadas  por garimpos legais  ou ilegais e c– cancelar  o fabuloso contrabando de ouro, diamantes e pedras preciosas  que domina a  Amazônia provocando prejuízos estratosféricos e  colocando em risco a soberania  nacional nessa na região.

O foco principal da Embrafarma será ainda a Amazônia, onde se  pratica  uma indescritível pirataria internacional por parte de multinacionais produtoras de fármacos e  cosméticos e  que literalmente assaltam nossa flora e nossa fauna, extraindo princípios  ativos  que  posteriormente  são patenteados. Então ocorre a  cena  grotesca, quando somos obrigados a pagar royalties por algo que nos foi furtado.

Esta nova estatal pesquisaria e produziria remédios aproveitando a infra-estrutura  dos laboratórios  do governo já existentes. Mas, na Amazônia, provavelmente seria protegida pelo regime de monopólio.

Ainda há outras estatais no forno ou em estudos, como é o caso da Fábrica Nacional de Motores, destinada não à produção de veículos, mas  à pesquisa e  eventual fabricação de motores de  última  geração tecnológica: o caro elétrico, por exemplo. Mas seu principal  objetivo é o do fornecimento  para a indústria  aeronáutica que, nesse item, depende  cem por cento de empresas  estrangeiras, o que afeta a própria segurança nacional.

 E cogita-se, também de uma  empresa destinada a  fazer uma ligação mais ágil entre  os   centros de pesquisas, estatais e/ou universitários com a  indústria de um modo geral,eliminando, assim, um dos nosso principais gargalos, o da  crônica  defasagem na área de e novas tecnologias aplicadas.

Resta dizer que, para o governo, a criação destas novas estatais é altamente tentadora por razões puramente políticas: servem para  reconquistar e  mobilizar a militância de esquerda e contribuem (por que não?) para acomodar melhor os partidos da base governista no Congresso. Melhor criar estatais necessárias e lucrativas, do que  ficar inventando  novos ministérios só para saciar a fome fisiológica  dos  partidos.

  11-11-10

Confirmado  no  Ministério da Fazenda,
Mantega mostra como domar a inflação

 Depois de  viajar 20 horas ao lado de Dilma  Rousseff  entre  Brasília e  Seul, com escala em Frankfurt, Guido Mantega falou ontem, na capital coreana,  como Ministro da Fazenda  do novo  governo.

E revelou que o combate à inflação não será tão ortodoxo como tem sido até agora: haverá uma sutil “administração de preços” via subsídios, isenções e  certo controle na liberação de aumentos de tarifas e combustíveis. A fala  de Mantega, também em Seul, sobre  a substituição do Dólar por  uma  moeda padrão mais confiável, está na coluna Coisas da Política.

Em síntese, Mantega antecipou que  Dilma  pretende  dar “um tapa” na inflação, logo no primeiro ano, para  ter tranquilidade  nos  três anos seguintes. O tapa consiste na combinação de três elementos essenciais: a- imediataqueda dos juros, queria Meirelles ou não;  b– fartos subsídios, através do BNDES a setores onde  ocorram  eventuais estrangulamentos, como  alimentos e matérias primas, por exemplo, e c “administração velada”  de alguns  preços. Assessores do ministro juram, no entanto, que essa administração será temporária e por um espaço curtíssimo de  tempo, “apenas o suficiente para baixar a febre”.

E há aqui duas outras revelações importantes. Uma, a de que  está  realmente havendo um repique inflacionário que precisa ser contido antes que se alastre. Mas  esta contenção não deverá se feita  à custa  do cancelamento do desenvolvimento.

A outra  é a de que  haverá uma mudança estrutural no Ministério do Planejamento que, atualmente administrado por Paulo Bernardo, limita-se a  encaixar verbas fictícias num Orçamento de mentirinha que precisa ser formalmente aprovado pelo Congresso todos os anos.

E é praticamente certa a ida  do atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho (um estruturalista defensor  do estado forte), para o Planejamento. Paulo Bernardo iria para a Casa Civil. Nesse  caso, com Luciano, o  Ministério readquire suas funções  originais, as de   planejar e coordenar políticas estratégicas globais. Por exemplo: compatibilizar, em setores  vitais,  a ação (investimentos) do setor  privado, do Tesouro Nacional e das estatais, tanto das atuais  como  da boa  penca de novas a serem criadas. Mas isto é uma outra história que fica para uma outra vez.

o6-11-10 atualizado em  07-11-10

Aécio consolidada posição de principal líder da
Oposição e  Serra  provoca  tumulto  na França 

Em menos de umasemana Aécio Neves  consolidou sua condição de principal líder da Oposição, já fala em “refundar o PSDB” e se sente tão a vontade que  até já abriu uma outra frente de  luta, trabalhando abertamente por sua candidatura à  presidência do Senado.

 Hoje (7-11), diante da violenta reação de José Serra, ele recuou, disse que não quer ser presidente do Senado e embarcou para a Europa, onde  descansará e ficará fora do tiroteio, por três semanas. Veja detalhes na coluna Coisas da Política.

Na sexta-feira (5-11), como que amargando um eterno pesadelo, José Serra  provocou o maior tumulto em Biarritz, na França, onde, durante  conferência  sobre as relações entre Europa e América Latina, criticou a política  externa brasileira. Não foi atingido por bolinas de papel,  mas sofreu um  fulminante “por que no te calas” por parte de  um representante do México.

Quanto a Aécio até março, quando haverá convenção para eleger a  nova direção do PSDB, ele continuará batendo sempre nas mesmas teclas: a- Serra é um guerreiro e sempre haverá lugar para   sua liderança dentro do partido, b– o partido em sua  “refundação” não deverá te vergonha de seu passado, mas precisa apresentar um projeto para o País uma alternativa de  governo.  Para elaborar este projeto, seria criado um Conselho de Notáveis  integrado por FHC, Tasso Jereissati e  Serra. Como se vê, ele  gosta de salpicar suas jogadas com uma ou outra pitada de ironia.

Paralelamente, Aécio  vai reforçando suas alianças com os tucanos anti-serritas, principalmente no Nordeste. Ele sabe que  os paulistas e seus aliados paranaenses não  entregarão o osso com facilidade.

Os novos partidos 

Aécio busca a presidência do Senado não só pela projeção do cargo em si, mas porque  aposta que  haverá reforma política no próximo ano, com a “abertura de uma janela” constitucional que permitiria  a reestruturação partidária com as extinção  de legendas consideradas inviáveis e a criação de novas, inclusive através de fusões. E ele  espera ser,  sem  sair do PSDB, o patrocinador de um desses novos partidos, principalmente o que deverá surgir a partir dos escombros do DEM.

Para a presidência do Senado,  Aécio conta com o apoio natural da aliança  oposicionista e de  mais alguns  insatisfeitos da  base  do governo.  Insatisfeitos estes que não se conformam  com  o anunciado rodízio  entre PT e PMDB, que  se perpetuariam no controle  Câmara e do Senado.

O mineiro já  teve  sua candidatura no Senado lançada  pelos Gomes,  Ciro e seu irmão  Cid, governador do Ceará. Ambos são seus  parceiros de longa data,  embora militem, hoje, no PSB. Mas em suas contas, poderiam apoiá-lo, também descontentes do PDT, PP, PR e até do fiel governista PCdoB. Seja como for, com estes dos  projetos, o da presidência do PSDB e do Senado, o neto de Tancredo já assegurou as manchetes dos jornais para os próximos cinco meses.

O pesadelo de Serra

Quanto a José Serra ele até que não ia mal em sua palestra em Biarritz. Acusou  Lula de praticar populismo de direita, tanto na política social como da econômica. E a platéia engoliu tudo mansamente, até porque  provavelmente não sabia que durante toda a campanha,  Serra alegou que  Lula  apenas deu continuidade  às políticas (populistas de direita?) de FHC, tanto no social como no econômico.

Mas  quando ele  resolveu criticar nossa atual política externa,  reconhecida  lá fora como o ponto alto do Governo Lula, a platéia começo a se mexer de um jeito meio esquisito até que um mexicano mais exalado deu  o grito: “Por que no te  calas”. Foi um tal reboliço que  a segurança teve que intervir, quando sentiu que a troca de desaforos ia descambar para o bofetão.

Serra ainda não acordou para a realidade após  sua derrota. E enquanto ele não fizer isso, vai vivendo seu amargo pesadelo.

 

31-10-10

Marina  desmente apoio e faz severa crítica a Serra 

Não usem o meu nome para o vale-tudo eleitoral” disse a ex-candidata, em nota oficial.

Há  dois dias, como você  verá  na matéria  logo em seguida a esta,  a Assessoria de Imprensa de Martina Silva, já havia desmentido veementemente  seu apoio a  José  Serra. Na sexta-feira (29) à tarde , durante caminhada com correligionários pelo centro de  São Paulo, a ex-candidata voltou a desmentir o apoio e fez severas critica a José  Serra.

Mas a mídia que não primeiro turno abriu tanto espaço para a  candidata do Partido Verde, agora não publica  uma única de suas palavras. Esta  é a verdadeira  censura exercida pelos donos corruptos dos grandes jornais.

Veja a palavras de Marina, segundo o jornal Correio do Brasil:

– Ele não tem programa, subestimou a Dilma, se preparou para ficar fazendo só o embate como se ele fosse falar e o mundo fosse estremecer. Quando não deu certo, começou a fazer um festival de promessas – afirmou.

Marina também criticou as contradições entre a imagem construída por Serra e propostas de criar  novos ministérios e duplicar o Bolsa Família.

– Criticava o inchaço da máquina pública e sai da campanha prometendo dois ministérios, isenção de impostos para tudo quanto é lado… eu não sei como é que isso se realiza. Então vai perder perdendo – prevê

27-10-10 atualizado em 28-10-10

Marina elogia Dilma  e desmente apoio a Serra

Vinte e quaro horas após dizer que Dilma  ficou mais próxima das exigências ecológicas  do Partido Verde, Marina Silva desmentiu apoio a Serra divulgado pela Internet. Veja no fim da matéria o desmentido oficial.

Embora oficialmente mantendo sua neutralidade, Marina surpreendeu terça-feira (26) o mundo político, com a inusitada declaração de que  a resposta de Dilma Rousseff aos itens exigidos  pelo PV como condição de apoio,  foram  mais consistentes  que  a de José Serra.

Isto agora, há quatro dias da eleição, terá,  provavelmente, efeito muito pequeno. O eleitorado da ex-candidata já está mais  ou menos sedimentado  e quem ia votar  em Serra, dificilmente mudará de opinião, até porque a manifestação de Marina foi  discreta,  não correspondendo a um apoio  ostensivo  à  petista.

Mas o episódio revela o grau de animosidade entre Marina e a cúpula do PV (leia-se  Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis). Como  descrevemos neste blog, durante toda a semana passada , houve intensa e  pouco amistosa disputa entre a ex-candidata e os dois principais líderes do partido. Finalmente, na  Convenção de domingo (17), Marina impôs sua tese de  neutralidade, contra Gabeira que defendia o apoio a Serra.

Nesta Convenção, ficou decidido que apesar da vitória da tese da neutralidade, os vencidos poderiam apoiar um dos  dois  candidatos ao segundo turno,  desde que não usassem os símbolos do partido. Ficou combinado também que os principais líderes da agremiação deveriam abster-se de  apoiar um dos dois candidatos. Gabeira, põem, rompeu o acordo e saiu por  aí apoiando Serra, sendo, aliás, flagrado ao lado do  tucano, há três dias,  no momento em que este  tombou ferido por uma bola de papel.

Nesse sentido, pode-se  fazer a leitura de que o  pronunciamento Marina, ontem, levemente simpático à Dilma,  tivesse o propósito de  fazer uma represália a Gabeira, já  que o clima entre eles  é de franca  hostilidade. Mas pode ser, também, que, maquiavelicamente  a candidata verde tenha  procurado  se  desvincular não só  da  derrota de Serra, como do conservadorismo rancoroso e odiento que ele passou a representar neste final da campanha.

Seja como for, cresce dentro do Partido Verde a  sensação de que ou Matina  assume o controle  absoluto do partido, neutralizando as  influências de Gabeira e Srikis, ou, cedo ou tarde, ela começará a articulação de um novo partido, menos desmoralizado e mais  apto  a conduzi-la na campanha  presidencial de 2014.

O Desmentido

Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, Marina Silva criticou setores do PSDB que “promoveram iniciativas fraudulentas” ao envolvê-la em suposto apoio à José Serra. “Não usem o meu nome para o vale-tudo eleitoral” afirmou ex-candidata.

23-10-10

Semana de terror e  baixaria  como
nunca houve na história deste País

Agora é tudo ou nada:  a Direita tem sete dias não só para correr atrás  dos 12 pontos que Dilma tem de dianteira, como para reverter um tendência que até a metade desta semana era de crescimento da petista. As únicas  armas que restam a Serra e Globo são o episódio da bolinha de papel e mais algum escândalo  novo ou requentado.

Parece não ser suficiente. A bolinha  já rendeu o que tinha  que render e  novos escândalos não têm efeito imediato. Entre  sua divulgação e a assimilação pelo eleitor (a hora em cai a ficha) geralmente leva mais que uma semana.

Lula: cabo eleitoral e para-raio

Avaliando tudo isso, a cúpula  petista decidiu reintroduzir o presidente Lula com toda  a força na campanha, com  o objetivo óbvio de dar um reforço, mas sobretudo, para  servir de para-raio, nesta face final e mais acirrara. Ao dizer que Serra  montou uma farsa  em torno da bolinha de papel, Lula comprou a briga e poupou Dilma que pode, assim, dedicar-se mais às  metas de seu programa.

Não é comum que um presidente faça isso. Mas não foi fazendo coisas comuns que ele  chegou à presidência. De resto, Serra e a direção tucana caíram na armadilha e passaram a  confrontar diretamente  com Lula, coisa que eles  tentaram evitar durante meses a fio. Agora  querem até processar  o chefe da Nação.

Resta apenas esclarecer que Lula  tomou chá de sumiço na primeira semana do segundo turno, porque os marqueteiros petistas  chegam à conclusão de que  Dilma precisava sair da sobra do chefe, se mostrar mais e, sobretudo, mostrar  autonomia. Mas na hora do perigo o chefe voltou e votou rapidinho.

17-10-10

O ódio, o sentimento de posse e a
vulgar  ingratidão da casse  média

O presidente Lula faz uma leitura correta quando diz que  as elites o odeiam e transferem este ódio para Dilma. Mas  há algo além disso. Há um ódio difuso e generalizado por tudo o  que vem  de baixo e ameaça   não apenas  seus privilégios, mas suas posses elementares. A burguesia, (na verdade o rosto do Capital) como classe que controla  o processo de produção e o processo político que ela chama de democrático, mas sobre o qual ela detém  o controle absoluto, odeia tudo que ameace  essa hegemonia.

Tudo que conteste esse poder absoluto  que impõe como cláusula pétrea, a posse da  terra e dos meios de produção, é considerado crime contra o gênero humano, subversão pura e terrorismo. Era assim na Idade Média, quando a rebelião dos servos era apontada como uma rebelião contra Deus. Foi assim  na escravidão moderna, quando a rebelião  dos  negros era considerada uma  anomalia e a subversão  da genética.

Luiz  Fernando Verrisimo diz que o ódio das  elites contra Lula é  sinal de que  elas não se  conformam com o fato de um operário, um sapo barbudo, ter ficando com a princesa.  É uma explicação  inspirada e inteligente. Mas há muito mais do que isso.

Há o medo que é  o principal acicate do ódio e do rancor. No fundo eles sabem que são privilegiados e injustos.  Alguns de seus rebentos percebem  isso claramente e solidarizam-se com os colonos da fazenda (hoje bóias frias), com operários e com os excluídos. Na verdade, 99,9% dos homens que  teorizaram e  lideraram as revoluções  nos Séculos XIX e XX,  de Marx a Che Guevara, tiveram seus berços na classe média.

Me vem à lembrança, agora, esta  historinha dos aos 50: Getúlio, então presidente, pediu ao Ricardo Jafet, a quem ele colocara na presidência do Banco do Brasil, que promovesse uma reunião (tipo bate papo informal) com os principais empresários de São Paulo.

Javet  cumpriu ordem, houve a reunião é, à noite, Getúlio escreveu em seu diário: “Burgueses idiotas. Eu querendo ajudá-los e eles ainda fazem cara  feia”. Se lula tivesse um diário poderia dizer o mesmo, quase que com as mesmas palavras, apesar das diferenças de época e do feitio pessoal de cada um. Os burgueses sevaram-se em seu governo, mas não deixaram de odiá-lo. Gente ordinária.

Mas  o que importa é dizer que, ao optar por ser um partido de massas (de centro-esquerda e não revolucionário), O PT foi obrigado a  sintonizar-se  com as  aspirações, valores e com a  ideologia (porque não) da classe média, hoje  largamente majoritária neste Brasil emergente, pelo menos de Minas para o Sul.

É claro que um partido de centro esquerda,  social democrata que foi no que o PT se transformou, é muito melhor que a Direita fascistóide em que se transformou  o PSDB em aliança com o DEM. Mas este não é o cerne  da questão.

Tudo isso para  dizer que quem governa com e para a classe média  não pode esperar  nada dela: reconhecimento, compreensão e muito menos gratidão. E isto explica, em parte, porque 80% dos eleitores aprovam  Lula, mas só 50% votam na Dilma. Egoísta, utilitarista e hipócrita, a burguesia tem como  Norte a grana. O resto é perfumaria. E é certo que  os estratos inferiores da classe média (a pequena  burguesia) macaqueia  os modos, gestos, roupas  e jeito de comer, dos extratos superiores. Da mesma forma que estes últimos macaqueiam os hábitos, costumes, etc.,  das elites européias e norte-americanas. E por ai vai.

Isto que  dizer que há que procurar novos  caminhos revolucionários, mais além do leninismo que foi bom há cem anos, mas que atualmente não faz o menor sentido, até porque, nesta fase crepuscular do capitalismo, burguesia e proletariado, vão  perdendo paulatinamente as características de personagens  centrais do processo. A teoria marxista precisa se atualizada (não reformada).  Mas nossos “teóricos e formuladores” ainda  se  limitam a repetir palavras de ordem do velho Lênin.

Enfim, com todos os seus defeitos, o chavismo  é pelo menos uma tentativa materialmente consistente de se encontrar um caminho alternativo para o  socialismo do Século XXI.  Aliás, é preciso recordar que no início do Governo Lula, no lançamento do  Fome Zero se realizou uma tímida tentativa  de implantação de um “poder paralelo” com a criação de Conselhos de Base no municípios, distritos e  sindicatos. O objetivo era o de distribuir  as cestas básicas.

Mas poderia ter sido um plano piloto para a implantação dos Conselhos nas universidades e grandes empresas, o  mesmo  valendo para as áreas de segurança. Tudo consiste em derrotar a “democracia burguesa” em seu próprio terreno, desmoralizando a sua farsa. Grande parte disso já foi feito na Venezuela, o que poderá garantir a irreversibilidade do processo.

O problema  é que a própria militância petista   raramente pensa em aprofundar esses temas cruciais. A maioria, infelizmente (e isso é bem visível no Twitter) limita-se a  igualar-se   aos serristas e cair na  vala comum dos xingamentos e da  disputa grotesca  para aferir  qual dos lados possui mais ladrões. Não só a sociedade brasileira como o próprio PT estão passando por um  cruel processo de despolitização.

14-10-10

Baixaria  da campanha revela  a luta de
vida ou morte entre Esquerda e Direita

O Brasil não será o mesmo depois destas eleições.  Perdoem a frase feita, mas ela parece feita sob medida para descrever a batalha  plebiscitária que estamos  vivendo  neste preciso momento. E caem por terra, dois axiomas que, nas duas últimas décadas, povoaram as mentes das elites brasileiras, tanto a econômica como a acadêmica: um desses axiomas garantia  que as ideologias estavam mortas,  o outro nos descrevia a irrelevância da política.

Tudo blá  blá  blá de PhD alienado e encantado com as teorias neoliberais. Agora já podemos revisitar esta verdade simples: enquanto houver classes sociais, haverá ideologias. Quanto à irrelevância da política, ela realmente fazia sentido quando a eleição presidencial significava apenas uma mudança de guarda, porque o verdadeiro controle  continuava nas mãos do Capital Patrão.

Antes havia lógica em dizer que tanto fazia eleger Dilma ou Serra, desde que o Meirelles, ou equivalente, continuasse  apontando o rumo. Não  é mais assim: o Estado brasileiro recuperou o terreno a que sempre teve  direito e que  foi usurpado pelo Mercado a partir dos anos  80.

Como tenho dito à exaustão neste blog, o eixo ideológico nacional pendeu para a esquerda, tanto que ninguém  mais  a não só a Míriam  Leitão e o Carlos  Alberto Sardenberg (que perderam a noção do ridículo) tem coragem  para defende o  estado mínimo e a obediência cega  às leis do Mercado.

Exatamente por isso, a  Direita, que reúne em si o braço político e braço armado do Mercado, reage, nestas eleições, de forma tão violenta e baixa. E é por isso que, como disse no início deste texto, o Brasil não será o mesmo depois deste 31 de Outubro. Se  Dilma vencer o Estado consolida a ocupação do espaço  reconquistado. Se Serra vencer, o confronto prosseguirá  após as eleições, com o País irremediavelmente dividido e,  provavelmente, bem mais violento.

A baixaria medieval

Corrupção, mentiras e contradições  existem com fartura  nos dois lados. Os dois exércitos dispõem, portanto, de munição  suficiente  para levar esta escalada do “bateu levou” até os limites da carnificina. E fica  impossível, para  o analista, dizer quem levará vantagem, porque, quando  você  estimula o fator emocional de uma  campanha  a níveis foram do normal, não há como avaliar a reação igualmente emocional  da chamada Maioria Silenciosa.

Silenciosa porque não possui posição ideológica bem delineada ou sedimentada. Por  conta disso, ela transita da  esquerda para a direita e vice versa, conforme a intensidade  dos ventos produzidos  pelos marqueteiros de cada  candidato.

É claro que  a esta altura é impossível contar com o julgamento imparcial de grande parte dos leitores, eles também envolvidos pelo tom emocional. Mas  a lógica é implacável  e nos indica que quem iniciou esse processo de baixaria  foi o Serra.  Ao PT que  dez dias antes da eleição estava   certo de que venceria no primeiro turno,  o que menos interessava  era fazer marola. Tudo consistia em deixar o marco  singrar suavemente em direção às urnas da consagração.

É lógico, também, que  o contendor em desvantagem tem todo o direito de elevar o tom  na tentativa de virar  o jogo. O problema é que este tom  foi  “elevado” da forma mais baixa torpe e covarde. A calunia, o sussurro pelas costas, o anonimato são as eternas armas dos canalhas. E estes formam  os expedientes utilizados.

Desde a Idade Média não se via tanto ódio e ódio religioso ainda por cima. Tampouco se via  tanto atraso mental e tanto  preconceito  misturados com a mais perfeita hipocrisia. Como Deus é brasileiro, talvez um dia Ele possa remediar  tamanho mal que está sendo feito ao País. Mas  Serra, conhecido  até por seus correligionários, pelos  seus métodos  tortuosos de fazer política, desta vez superou-se e passará à História, como símbolo da mais baixa baixaria.

11-10-10

Debate: No  varejo,  houve  empate.  No
atacado e no emocional, Dilma venceu

É sempre bom lembrar  três aspectos  essenciais a respeito de debates eleitorais: o primeiro é o de que, a menos que  haja nocaute  ou uma  extraordinária gafe, a tendência do público  é a de  fazer um julgamento parcial.  Assim, no caso que estamos analisando, quem é de Serra  acredita sinceramente  eu ele venceu e o inverso vale para quem é de Dilma. O segundo  aspecto é o da mensagem ou seja, quem passou melhores idéias e projetos. Em terceiro vem  a questão emocional que ontem , na BAND foi decisiva: quem balançou os  corações?

Podemos, por óbvio, pular o  primeiro item. No segundo  houve empate, já que  ambos seguiram o  script   dos marqueteiros e ofereceram  todas as soluções possíveis e imagináveis para  as três questões que, hoje, preocupam mais o brasileiro:  segurança, saúde e educação. No terceiro item, o  do coração, Dilma quase nocauteia Serra. Surpreso com a  tática agressiva (mas neste caso justificada) da adversária, depois que levou o primeiro direto no queixo, Serra não conseguiu mais sair das cordas.

Como mulher e mulher  ofendida, ( realmente a campanha contra a petista, nos últimos dias é uma das peças mais perversas e sujas da história da política brasileira) Dilma partiu para o ataque munida de uma emoção autêntica,  deixando o tucano  na posição incômoda de caluniador cínico.

O  momento mais forte e que deve ter calado no emocional dos espectadores  foi quando Dilma  repetiu  cada palavra de Mônica, a mulher de Serra, sobre a questão do aborto: “Ela (Dilma)  e a favor da morte de criancinha”. Em seguida,  a candidata oficial  demonstrou que tanto ela como Serra  são a favor de que se trate o abordo como uma questão de saúde e proteção  da mulher. A partir daí, a pauleira  foi tão grande que até o Escândalo  Eunice (um escândalo de bom tamanho) passou despercebido.

Com isso, possivelmente, as questões do aborto e do Efeito  Evangélico ou Xiita como eu prefiro chamar, ficaram  superadas. E, no  debate,  os temas centrais passaram a  ser as questões estratégicas: as privatizações e a comparação  entre os  governos Lula e do  FHC.

O  importante é que a eleição (exorcizada do Fator Marina), voltou a ter um viés  plebiscitário. Que Brasil queremos: o da auto estima elevada e respeitado, como nunca, lá fora, ou o do complexo  de vira latas. E questões centrais como a das privatizações e do tamanho do Estado, passam a ser temas  privilegiados.

Aliás, numa  demonstração de que este   blog   tem razão quando diz que o Brasil deu uma  guinada  à esquerda , basta lembrar que os tucanos (Serra inclusive)  que há oito anos consideravam ridículo e imoral combater as privatizações, hoje juram de pés juntos que  não vão privatizar  nada  e até  pretendem fortalecer as estatais.

No mais, houve empate na troca de golpes convencionais. E os  espectadores isentos, se os há,  puderam concluir tranquilamente que ladrões  existem , é muitos, de ambos os lados. Mentiras idem.

Veja mais sobre o mesmo tema, na matéria abaixo e nas colunas Última Hora e Coisas da Política.

06-10-10

O Efeito Evangélico, o Eixo
Ideológico  e  o voto  verde

Creio que e não  exagero se disser que fui dos primeiros jornalistas a anunciar dois fenômenos que iriam, nas duas últimas semanas, mudar a história do primeiro turno: um foi o crescimento vertiginoso de Marina, que como cheguei a dizer, desmoralizaria as pesquisas que não conseguiram captar essa ocorrência. O outro foi o Efeito Evangélico (ou simplesmente religioso) que furtou, nos últimos dias, os três ou quatro pontos de que Dilma necessitava para  liquidar a fatura  já em 3 de Outubro.

Com efeito, no início de setembro, nem o tucano mais otimista acreditava que seria  possível evitar a vitória de Dilma no primeiro turno. Mas é preciso esclarecer que esses dois fenômenos que  beneficiaram Marina têm origem e percursos diferentes.

O primeiro era uma movimento da classe média anti-petista dos  grandes centros urbanos que se passou de Serra para Marina. O segundo tem seu foco  no eleitorado radicalmente religioso, de  baixa  renda e com alguma predominância  feminina. Este último,  embora de volume menor, foi o realmente decisivo, porque transferiu votos diretamente de Dilma para Marina.

Os votos verdes

Tudo isso, para dizer que é um equívoco supor que tais fenômenos vão continuar intercedendo nesta campanha do segundo turno. E isso pela boa razão de que eles são coisas do passado, assim como a própria candidatura  de Marina.

Então é possível imaginar que os votos   que  Marina capturou de Serra voltem para Serra e  que os votos que capturou de  Dilma voltem para Dilma , desde que esta  consiga  convencer que acredita  em Deus e é contra o aborto. Se for assim, Dilma continuaria tendo  mais votos que  Serra.

Entretanto, há um resíduo. Resíduo este composto de um eleitorado genuinamente verde e com predominância de jovens. Digamos que este seguimento represente algo como cinco milhões de votos.

O apoio do PV a um dos  candidatos ajuda pouco, porque  a agremiação esta divida e desmoralizada em  função das picaretagens  em séria realizadas por seus dirigentes que, aliás, já declaram apoio a Serra, mas foram  desautorizados por Marina. Então, fica claro que um apoio formal da ex-candidata faria muita diferença. Daí a corrida de petistas e tucanos em busca de um compromisso formal que ela, provavelmente, não assinará.

Na falta desse compromisso de Marina, resta aos candidatos provarem que são verdes desde criancinha. Serra saiu na frente  é já declarou que São Paulo é o  estado mais ecológico do Hemisfério Sul. Entretanto, os petistas têm dois trunfos importantes:  um é Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente e um ecologista respeitado no mundo todo. O outro  é o sucesso do Brasil na reunião de  Copenhague, onde  Lula foi o chefe de estado mais aplaudido, em função de seu discurso avançado e coerente.

O Eixo Ideológico

 Há, porém, um fator que é subjacente a todos  os outros e, porventura, o mais decisivo. Tenho dito neste blog que a partir da Grande Crise Norte-Americana (setembro de 2008) seguindo uma tendência mundial, boa parte da classe média brasileira, principal habitat dos formadores de opinião, deslocou-se a esquerda.

Não foi, evidentemente, uma guinada para a esquerda revolucionária, mas houve o arquivamento do discurso neoliberal  e todo aquele papo de estado mínimo e  de obediência cega às leis do Mercado.

Surgiu, assim, uma visão mais edificante do País e de suas realizações. Um orgulho genuíno pelo sucesso  do País no exterior e  pelos  feitos de  algumas de nossas estatais mais emblemáticas. Ficou para trás o  Brasil paralisado  e paralisante, o do complexo de vira latas. E é mais que evidente que  Lula e Dilma representam o Brasil novo e líder continental, enquanto Serra representa o Brasil velho e preconceituoso m relação aos  seus vizinhos.

É preciso reconhecer que há nisso tudo uma a contradição curiosa. A de que Dilma tem como provar para o Mercado que sua  política econômica, previsível, é mais confiável do que a de Serra, um tiro no escuro.  Seja como for, há um mês estávamos assistindo uma eleição plebiscitária, entre Esquerda e Direita, até que, em Setembro, o  Fenômeno Marina, embaralhou as cartas. Este  foi o primeiro e talvez principal  favor da candidata verde ao Brasil  velho e conservador.

Entretanto, como Marina não está mais no  páreo e  ela não tem condição de direcionar a  totalidade de seus votos para esta ou aquela direção, renasce o debate plebiscitário. Debate que pode ser assim descrito, de forma  esquemática  e simplificada: Queremos o Brasil novo de Lula e Dilma ou o Brasil velho de FHC e Serra?

Se a campanha do PT conseguir massificar esta mensagem, Dilma vence sem dificuldades. Porém, se ela cair na besteira de se limitar a repetir frases ditadas por marqueteiros  e que seriam aquelas que o eleitor quer ouvir, seu discurso se  igualaria ao de Serra: mais segurança, mais educação e mais saúde. Aí as coisas podem se complicar, porque o tucano tem mais desenvoltura  diante das câmaras.

Veja mais sobre o mesmo tema, nas colunas Última Hora e Pérolas & Pílulas.

28-09-10

Marina atropela no final e PT ameaça jogar
no  ventilador os escândalos  de José Serra

O  principal fenômeno neste final de campanha é sem dúvida a  arrancada de Marina Silva. Na média das pesquisas  e dentro da margem erro, ela já está a  menos de  dez pontos de José Serra. Ele na faixa dos 23/24, ela  na faixa dos 15/16. A sorte de Dilma, como temos demonstrado neste blog, é que  a candidata do PV tira muito mais votos do tucano  do que da sua ex-colega do PT.

E como este  blog vem comentado há algum tempo, a posição  de Marina só não é melhor por causa das trapalhadas  e  falta de ética dos  principais líderes do Partido Verde,  Fernando Gabeira  e Alfredo Sirkis  que , no Rio, dividiram o palanque do partido  entre  Marina e Serra  que pagou metade do aluguel.

Além de vergonhoso, isto é algo inédito  até na política brasileira. É comum um candidato à presidência ser apoiado  por dois  candidatos a governador no mesmo estado.  Mas alguém já viu um candidato a governador  apoiar ostensivamente dois presidenciáveis ao mesmo tempo?

Se  Gabeira e Sirkis  tivessem sido um pouco mais decentes e inteligentes, Marina que  já ultrapassou Serra por  pequena margem no Rio, poderia estar muito na frente. E poderia ter alavancado a candidatura do próprio Gabeira que se  arrasta, desmilinguida. Aliás, a coisa está feia por estes lados. Os assessores de Marina  mal falam com a direção do PV. A bronca  é geral.

E no Metrô não vai  nada?

Não sei se o leitor reparou que  no debate da  Record, segunda-feira,  o Serra estava  calminho, dando uma de bom moço. Evitou agredir Dilma ou manifestar sua  “indignação” com a quebra de  sigilo e com os escândalos da Casa Civil. É que ele (Serra) foi avisado  de que   Dilma  contra-atacaria. Então, a parte da promotoria, desta vez. ,ficou por conta do Plínio e da Marina que está começando a botar as manguinhas de fora.

A direção do PT, com um olho no Serra e  outro nas pesquisas,  vinha preferindo manter  a chamada postura olímpica. Dilma evitava  agredir os concorrentes, obedecendo à teoria (mais superstição do que teoria) de que quem  bate acaba perdendo mais pontos do que aquele em que ele bateu.

Mas se  em algum momento  o comando do petista sentir que há  ameaça de segundo turno, então  vai usar seu estoque  de  “escândalos”. O primeiro da lista é do Metrô paulista.

Na verdade é um  escândalo real, porém requentado. Mas quem liga para isso? Vamos a ele:

 Tudo começa com  notícia da Folha de dias atrás, anunciando que o Ministério da Justiça vai encaminhar  à Suíça e à França pedidos de quebra do sigilo bancário de pessoas e empresas suspeitas de ter recebido propina da Alstom.

Esta multinacional francesa produz trens do metrô de São Paulo e é líder em fabricação de equipamentos para usinas elétricas. A empresa está envolvida em escândalo de favorecimento para vencer concorrências do governo do Estado durante as gestões de Geraldo Alckmin e Mário Covas.

Com o pedido de novos documentos suíços, os investigadores brasileiros decidiram estender o período até o ano passado, já na gestão do ex-governador  José Serra.

A Folha revela ainda que  em junho e agosto passados, a Suíça bloqueou contas atribuídas a Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e Jorge Fagali Neto, irmão do presidente do Metrô. Ambos negam ter contas bancárias fora do país. Também está na lista o executivo francês Jean-Pierre Courtadon, que ajudou a Alstom a ativar um contrato de R$ 98 milhões com a Eletropaulo em 1998.

Estadão esconde a conexão Serra/Alstom

Já o provecto  O Estado de S. Paulo aparentemente é  mais fiel a Serra. Na semana passada, publicou que  três executivos da Alstom  foram  presos no Reino Unido. Entretanto, pelo seu  critério jornalístico, não  havia necessidade de esclarecer os eleitores  sobre as relações da Alstom com  cúpula do PSDB. Apenas, candidamente, registrou que os três  presos  no Reino Unido são acusados de  também subornar  “ funcionários públicos brasileiros”.

Se além de quatrocentões, os Mesquitas (donos do Estadão) tivessem um mínimo de vergonha, permitiriam que  seus profissionais da redação fornecessem aos leitores a informação elementar  de que os  Irmãos Metralha franceses,  presos em Londres, são os mesmos envolvidos nos escândalos dos governos Covas, Alckmin, Serra e  do  honorável e tão injustamente trancafiado  José Roberto Arruda, ex-governador de Brasília, que  se não estivesse em cana, seria o vice de  José Serra.

Só para  constar:  os bandidos   franceses presos em Londres são acusados de  subornos envolvendo  6,8 milhões de  dólares.

Mas informações sobre o mesmo tema, na matéria logo abaixo e nas  colunas  Última Hora e Coisas da Política.

24-09-10

Chumbo grosso: Veja,  Folha e  Globo  articulam
“Denúncia Bomba”, na última semana.
Mas  Marina Silva empata com Serra  no Sudeste

A candidata verde já  ultrapassou o tucano no Rio e em Brasília. No Sul é a que mais cresce. Paralelamente, Lula e Dilma oferecem mimos à iniciativa privada e o presidente vai à Bolsa de Valores.

Num último e desesperado esforço para levar  a eleição para  o segundo turno, o Triângulo das  Bermudas ou o Eixo da Maldade como  vêm sendo chamados Veja , Folha e Globo,  gastará sua bala de prata com novo mega escândalo envolvendo Casa Civil, Correios e Minas e Energia.

Seria  ingênuo ou desonesto dizer que  isso não  prejudicará  Dilma Rousseff, mas é possível afirmar que o abalo não será suficiente para impedir que ela vença no primeiro turno, por duas razões simples: 1- O público mais sensível a esse tipo de  notícia, na sua  maior parte, já não iria mesmo votar na petista. 2-Este mesmo público, radicado principalmente na classe média, vai acelerar ainda mais a sua transferência de Serra para Marina. Com isso, na soma  total, o bolo oposicionista não cresce.

Como resultado disso e como este blog vem cantando a semanas,  Marina Silva encosta definitivamente em José Serra que, na  Guerra dos Escândalos, como acusador, suja-se tanto quanto pretende sujar  Dilma Rousseff. No final, a diferença entre  a verde e o tucano será inferior  a 10 pontos e Marina  já aparecerá, nas pesquisas deste final de semana, empatada com  Serra na Região Sudeste  e à frente dele  no Rio e em Brasília.

Como que acusando o golpe,  Lula e Dilma  estão reagindo às denúncias  do Triângulo, de forma direta e pouco usual. Em oito anos  jamais nenhum dos dois tratou esta  parte da mídia como se trata a um desafeto, mas agora estão fazendo isso. Concomitantemente, nas  últimas entrevistas e no horário gratuito  a candidata e o presidente  estão dando ênfase  à aliança  do governo com a iniciativa privada. E o ponto alto deste discurso será o comparecimento de Lula à Bolsa de Valores de São Paulo,  onde  a Petrobrás realiza  uma das maiores operações do mercado financeiro em todo o Mundo.

Em compensação, José Serra e seu marqueteiro, duas  birutas de aeroporto, mudam novamente  de estratégia.  No horário gratuito, o tucano abandonou sua caricatura de Lacerda que acusava  frontalmente Dilma e  a responsabilizava por todos os escândalos. Preferiu voltar a falar de sua  origem  humilde e na promessa de salário mínimo de 600 reais. Tudo isso, com a cara mais santa e séria.

Poucas vezes se viu uma eleição tão suja.

Veja  mais sobre o mesmo tema nas colunas  Última Hora e Coisas da Política.

20-09-10

Trapalhadas de Gabeira  impedem Marina de alcançar Serra

José Serra consagrou-se nestas eleições como o político mais trapalhão da História. Mas logo atrás, bem coladinho, aparece Fernando Gabeira. É inacreditável o que  o líder verde conseguiu fazer em  poucos meses, não só para destruir sua própria candidatura ao governo do Estado do Rio, como para perder a chance de transformar  seu partido e a candidata Marina em real alternativa de oposição a Dilma Rousseff.

Tudo começou onde geralmente começam os grandes problemas: falta de grana. Lá atrás, em 2009, Gabeira e Alfredo Sirkis, que divide com ele a liderança do  PV, literalmente alugaram a legenda, no Rio, para  José Serra que, por esse tempo, dizia que não era candidato, mas já estava gastando por conta. Pelo acordo, os tucanos forneceriam boa parte do material de campanha e, principalmente, pagariam (é aqui que os custos são grandes) a elaboração dos filmes para o horário gratuito na  TV.

Vai daí que surgiu Marina Silva e o PV abriu as  portas para ela, escondendo, atrás da geladeira, seu presidente nacional, o Zequinha Sarney. Logo depois, a  antiga  guerrilheira ecológica converteu-se  na  Cinderela da política nacional e apresentou aos sócios, seu  noivo, digo, seu vice, um otário de  dois bilhões de dólares, presidente da Natura.

A partir desse ponto, as coisas tornam-se vertiginosas e rocambolescas: como em cenas de  Vaudeville, Gabeira aparecia de manhã,  de braços com Serra, no Mercadão de Madureira e, à tarde,  levava Marina para conhecer os morros cariocas. Houve até um dia,  justamente  na festa de lançamento  oficial dos candidatos do PV  (foi num clube em Niterói), que Serra teve  que ficar na esquina escondido,   esperando Marina sair, para só então entrar no recinto, ainda a tempo de ser  filmado ao lado de Gabeira. Oscarito e  Zé Trindade não fariam melhor.

Um dia  Serra  cansou de engolir sapo e cortou a verba para os tais filmes do horário gratuito  e Gabeira, desesperado, mandou uma banana pra ele. A história foi assim, em público, sem tirar nem por.

Marina  já ultrapassou Serra no Rio, que ainda é uma importantíssima caixa de ressonância nacional. Se sua  candidatura tivesse sido tratada com um mínimo de compostura, dignidade e ética, ela  talvez tivesse ultrapassado Serra na  corrida eleitoral, mesmo contando com apenas um minuto na TV.

O incrível, porém, é que todos estes personagens tragicômicos apostam  agora suas últimas fichas  nos  escândalos em série  divulgados, de forma concatenada,  pela mídia. Não percebem que todos os limites foram ultrapassados, a desmoralização é geral e ninguém engana mais ninguém.

Só me admiro que  o pessoal da CBN que em sua charges  gosta de  comparar Lula com o Odorico Paraguaçu, ainda não tenha comparado Serra com o Zeca Diabo e Gabeira com o  Dirceu  Borboleta.

10-09-10

O Caso Verônica pode  voltar-se contra Serra

Polícia Federal confirmou que Verônica Serra e seu marido, Alexandre  Bourgeois, estão intimados para depor.

Antes de mais nada quero reafirmar o que disse nos dois artigos anteriores sobre este mesmo tema: nada justifica a quebra   de sigilo bancário de quem quer  que seja.  Este é um malfeito que o ministro Mantega, da  Fazenda, e o governo como um todo, terão que  consertar, punindo os culpados, eliminando as possibilidades de que  ele volte a ocorrer e  explicando-se à Nação.

Isto posto, podemos analisar a temeridade  e a e leviandade com que  José Serra está conduzindo o assunto a ponto de se poder dizer, como de  fato se diz nos bastidores  da  política, que ele “jogou a própria filha no ventilador”.

A  filha, Verônica Serra, está no exterior e  por lá deve ficar até as eleições. Mas um dia terá que voltar e, nesse dia terá que depor  na Polícia Federal, ela e seu marido Alexandre Bourgeois que com ela  trabalha há  anos, num setor que genericamente chamamos de altas finanças. E, ainda por cima, internacionais.

Mas os constrangimentos já começaram: Na quarta-feira (8), a direção do PSDB em São Paulo informou que a Polícia Federal avisou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo que estava tentando chamar Verônica Serra  e seu marido, para depor sobre a quebra de sigilo de seus dados fiscais. O partido alegava que, até então, nem Verônica nem seu marido foram notificados diretamente pela PF.

Ao mesmo tempo, a Secretaria de Segurança confirmou que o secretário, Antonio Ferreira Pinto, foi procurado pelo superintendente da PF, Leandro Daiello Coimbra, de forma informal, em uma consulta telefônica. Coimbra comentou que tinha necessidade de ouvir Verônica e Alexandre. Segundo a assessoria da secretaria, este é um canal normal entre autoridades. O secretário não levou a informação adiante porque não teria legitimidade para interceder.

Segundo a PF, o contato feito com o secretário teve o intuito de evitar constrangimento à filha de Serra. A polícia alega que tentou convidá-la a depor, por ela ser parte afetada no caso. Como não surtiu efeito, resolveu intimá-la. Essa intimação ainda não foi entregue, pois, segundo a PF, Verônica está no Exterior.

E aqui cabem duas explicações técnicas: Alexandre Bourgeois não teve o seu sigilo  bancário vulnerado. Sua ficha cadastral é que  foi acessada , uma prática igualmente ilegal, mas que transformou-se numa verdadeira praga alimentada pelas próprias instituições  financeiras  e  pelo grande  varejo que lidam com credito ao consumidor.

Na verdade  há um intenso comércio clandestino (compra e venda) de fichas cadastrais cuja posse facilita a vida  de quem vai emprestar dinheiro ou vender a crédito. Provavelmente esta intermediação, no nível mais rasteiro, é o meio de vida do office-boy Ademir Estevam Cabral, filiado ao PV, segundo as primeiras notícias. Ele agiria como intermediário na compra e venda das tais fichas.

Estamos, portanto, diante de um típico caso policial que terá um desfecho policial. Ocorre que José, Serra, a direção do PSDB e sua  mídia atarantada resolveram transformar isso numa  arma (a única e última aliás) a ser usada na tentativa de levar as eleições para  o segundo turno.  Entretanto, não haverá esse segundo turno e  até a Marina Silva  já  está  achando que se  houver ela  é que irá disputá-lo com a Dilma.

Segundo a máxima (cínica) dos  marqueteiros políticos, “o voto entra pelo bolso, alimenta o estômago e termina no coração”. Se  for assim, com a  economia bombando, é  muito provável que, do ponto de vista eleitoral,  este dolorido Caso Verônica não  dê resultado nenhum. Mas fica o constrangimento  e a evidência (para quem leu meus dois artigos anteriores) de que através de sua filha, José Serra desfruta, há muito tempo, de total intimidade com  as assim chamadas altas finanças do Pais, um antro de  ladrões.

Lendo as duas  matérias logo aí abaixo e a coluna Coisas da Política você terá uma visão  mais ampla do Caso Verônica.

06-09-10

O Caso Verônica – Parte II

De todos os ramos do jornalismo, o que menos me atrai é  o setor de Polícia. É a área em que, mesmo involuntariamente, ficamos muito perto de cometer injustiças, pré julgamentos  de conseqüências trágicas e envolver pessoas inocentes em atos considerados criminosos.

Por outro lado,  sempre disse, como jornalista  voltado para a política e para a sociologia,  que o Setor Financeiro  transformou-se, de forma global, numa  associação para o crime. Todos sabem  que  é aí que  fortunas são feitas do dia para a noite, através de métodos monotonamente iguais:  tráfico de influências, sonegação fiscal  evasão de divisas e refúgio em paraísos fiscais.

Pois bem. Hoje sou obrigado  a enveredar pelo jornalismo  policial para lembrar que,  no dia 8 de junho de  2008,  foi preso Daniel Dantas, um dos mais poderosos empresários brasileiros e que nada de braçada no  mundo financeiro. E com ele foram  em cana os seguintes milionários acusados de associação para o crime:  sua irmã  Verônica Dantas e mais Dório Ferman, Carlos Rodemburg, Naji Nahas e Celso Pitta entre outros menos votados.

Esta cena  me  vem à memória, por uma razão simples: no início de sua carreira Daniel Dantas, uma espécie cria de  Antônio Carlos  Magalhães, foi  por este apresentado, em 1995, a Persio Arida, presidente do Banco Central. Estamos no primeiro governo de FHC. Persio introduziu o jovem baiano no assim chamado mundo dos negócios e, em 1998, um ano após deixar a presidência do BC,  já ocupava, sem nenhum constrangimento, um cargo na diretoria  do Gupo Oportunnity,  fundado por Dantas e sua irmã Verônica.

Nesta mesma época,  Verônica  Dantas  foi sócia, numa empresa paralela,  de Verônica Serra,  filha do então todo poderoso ministro do Planejamento, José Serra, que capitaneava o processo de privatização em massa das estatais brasileiras, um dos maiores episódios de corrupção  generalizada  da História deste País. E, pura coincidência, Daniel ficou com a parte do leão na área das Telecomunicações.

Como diria  o  saudoso  Ibrahim  Sued, em  sociedade tudo se sabe. No mudo do crime também. E não é difícil perceber que a alta sociedade brasileira e o mundo do crime vêm a dar na única e mesmíssima  coisa.

Tudo isso, para  repetir o que  disse  na meu artigo de ontem:  mesmo que fosse a  maior bandida do Planeta,  Verônica Serra não poderia ter tido seu sigilo  bancário  vulnerado a não ser que houvesse  autorização judicial. O ministro  Mantega, da Fazenda e o governo  brasileiro como um todo estão na obrigação de investigar este escândalo real,  punir os culpados e consertar o mal feito.

Mas a mídia golpista também teria a obrigação de  informar seus incautos leitores sobre todos os ângulos e aspectos que envolvem o escândalo. Entretanto, ela não faz isso pela  boa razão de que come na mão do Setor Financeiro ou seja, do crime organizado.

A matéria logo aí abaixo complementa o raciocínio e as informações desta que você acabou de ler.

04-09-10

O Caso Verônica

Quero iniciar este texto apresentando ao leitor Verônica Serra, pivô do  mais novo “escândalo” destas eleições. Recorro, para isso, a  uma matéria assinada  por Ivan Martins para a revista Isto É Dinheiro, publicada há exatos onze anos:

A mulher mais importante da Internet brasileira

Por Ivan Martins

“Quantas mulheres importantes existem na Internet brasileira? Se você está com dificuldade em lembrar de um nome, anote este: Verônica Serra. Ela tem 30 anos e diz que já ganhou na rede mais dinheiro do que sonhava ganhar a vida inteira. Ativa e bem relacionada, a moça pilota do Itaim, como sócia, o escritório latino-americano da International Real Returns (IRR), uma empresa de administração de ativos com US$ 600 milhões de capital europeu. Nos últimos 13 meses, essa advogada com MBA em Harvard ajudou a criar 12 empresas de Internet (oito delas fora do Brasil) e montou uma teia de relações que a coloca no centro do nascente setor de capital de risco brasileiro.

No seu currículo estão sites conhecidos como Zoyd, Decidir e Superbid. “Ela é uma das pessoas mais argutas que eu conheço”, opina o empresário Marcos de Moraes, sócio fundador do portal ZipNet, que andou discutindo negócios com a jovem capitalista. “Seu trabalho se destaca do resto do mercado pela qualidade dos projetos.” Ah, sim: Verônica é a filha mais velha do ministro José Serra, da Saúde, mas acredita que isso não tem importância no seu ramo de negócios. “Quem está na Internet não tem nada a ver com a área dele”, afirma. “Por ter feito o que fiz, tão cedo, as pessoas percebem que não há relação de favorecimento.”

Encerrada a transcrição, quero acrescentar que o Capital Financeiro, que assenhoreou-se  do Mundo  nas últimas décadas, não tem limites geográficos nem morais. Trata-se, sem  nenhum  exagero ou sentido figurado, do Crime Organizado incrustado  no Modo de  Produção  Capitalista. Ainda agora, no auge da Crise Norte-Americana  vimos  alguns dos mais poderosos magnatas de Wall Street  saírem  algemados de seus  faraônicos escritórios  diretamente para a cadeia.

E não é possível deixar de dizer que a inocente jovem senhora, envolvida até a raiz dos cabelos com o crime organizado das finanças era, realmente, quando a matéria da Isto É  foi publicada, filha  do Ministro da Saúde, o que, segundo ela, a isentava  de qualquer suspeita de favorecimento. Mas esta mesma senhora inocente, alguns poucos meses  antes, era  filha  do Ministro do Planejamento, principal  arauto e articulador da onda de privatizações, uma das páginas mais corruptas e indecentes de nossa História.

No entanto, creiam, quero chegar à parte conclusiva  do raciocínio, dizendo  que mesmo que fosse uma mistura de Paulo Maluf  com Joaquim Roriz  e, de quebra, José Roberto Arruda, todos aliados de seu inocente pai, Verônica Serra, em hipótese alguma, poderia ter  tido sua sigilo bancário quebrado, a não ser por decisão judiciária.

O escândalo da Receita Federal, não é forjado. É real. O Ministro Mantega, da Fazenda, e o governo como um todo, têm a  obrigação de  investigar tudo isso até as últimas consequências, punir culpados e  consertar o mal feito. Quanto ao fato de esse problema real estar sendo explorado por  Serra, este arremedo de Lacerda, e sua mídia golpista,  isto está destrinchado na coluna  Pérolas& Pílulas deste blog.

29-08-10

O Dia Seguinte

Surge desta eleição que ainda não houve, um Brasil mais a esquerda, mais nacionalista e mais estatal.

Desde a divulgação no sábado (28) de que  Dilma  saltou 24 pontos na frente de Serra, o  País vive a inusitada sensação de que já existe um governo em fase de  articulação e montagem, quando ainda falta um mês para as eleições. Já se especula até sobre o novo Ministério, mas este é tema que trataremos ainda hoje, porém em outra coluna do blog.

Aqui, vamos  falar da nova geografia política brasileira, a partir desta descomunal derrota da Direita, a maior desde a eleição de Getúlio, 1950. Para começar, diremos que o PSDB não acaba, posto que  tem possibilidade de manter-se  no governo de três estados importantes, São Paulo, Paraná e Minas, onde Antônio  Anastasia, o candidato de Aécio Neves, conseguiu empatar com o favorito Helio Costa (PMDB), em quem Lula  apostou todas as fichas. Esta é a única surpresa desagradável para os petistas.

Então, o PSDB não acaba, nem muda de nome. Mas vai ter que muda de dono. Os paulistas que sempre o dominaram (arrogantemente, aliás) vão ter que passar o comando para Aécio ou dividir o poder com ele. Tudo, com vistas às eleições de 2014, para a qual o mineiro desponta como candidato natural das oposições, mesmo que Geraldo Alckmin  vença em São Paulo.

Se não for assim, como temos dito há muito tempo, o partido racha. Já  está crescendo no forno um novo partido, reunindo os frangalhos do DEM – que deve se dissolver -,com   tucanos descontentes, principalmente de Minas e do Nordeste.

O DEM se  desmancha, porque ainda não se recuperou do Efeito Arruda e provavelmente não fará nenhum governador. Seu principal líder, o ex-prefeito carioca Cesar Maia, corre o risco de não se eleger para o Senado. Como se sabe, são duas vagas em disputa e no Rio, a situação é a seguinte:  Marcelo Crivela (do bispo Macedo) 33%, Cesar Maia (DEM) 30%  e  Lindberg Farias (PT) 24%. Há um mês a vantagem de  Maia sobre o petista era de 15 pontos.

O fato concreto, porém,  é que com novo partido ou sem ele, a  Oposição terá que reciclar seu discurso.  O Estado mais  robusto, capaz de corrigir os destemperos cíclicos do  Capital, está no cerne deste novo discurso. O velho papo da excelência  paradigmática das leis do mercado, caiu por terra junto com a Bolsa de Nova York  em setembro de 2008. Tanto a Direita como a Esquerda precisam acordar parar o Século XXI.

27-08-10

Folha e Globo abandonam Serra e  dão mais espaço para Marina

A Folha de S. Paulo rompeu, há três dias,  com José Serra através  de um violento editorial onde critica  o tucano por  não  assumir discurso verdadeiramente  oposicionista. O Globo não chegou a tanto, mas é visível que o jornal   passou a tratar Serra com má vontade e abriu mais espaço para Marina Silva.

Em sua coluna de hoje, Meval Pereira, uma espécie de porta-voz  da família Marinho,  foi buscar na França o depoimento do legendário líder estudantil Daniel Cohn-Bendit que  abalou o governo  de Charles de Gaulle  nos anos  60 do século passado. E em sua mensagem, o  líder franco-alemão, hoje convertido em um dos principais líderes do Partido Verde na  Europa, revela-se  grande admirador de Marina e não economiza críticas ao presidente Lula.

Transcrevo dois parágrafos da coluna:

“ Cohn-Bendit considera Lula o representante de uma esquerda atrasada que esteve em voga há 30 anos na defesa do produtivismo a todo custo”

“E ficou contente ao saber que Marina repetiu sua frase na quarta-feira em  Porto Alegre, dizendo que  Lula representava uma esquerda  que não dava a devida importância às questões ambientais”.

É claro que, mesmo que Marina cresça bastante daqui até as eleições, dificilmente isso poderá evitar que Dilma seja  eleja, já no primeiro turno. Isto porque, como Marina  calibrou seu discurso para  disputar eleitores na mesma área de Serra, cada volto a mais  para ela é, quase automaticamente, um voto a menos para o tucano. O resultado é  soma zero  para os votos oposicionistas.

Seja como for, a naturalidade com que a mídia desloca seu apoio de Serra para Marina, é a evidência de que não há,  do ponto de vista  ideológico, nenhuma diferença essencial  entre os discursos de ambos.

20-08-10

Lula já pensa em 2014 e quer fragilizar Aécio em  Minas

Podem reparar que  daqui  até à eleição, o presidente Lula e Dilma ainda serão vistos muitas vezes  em Minas. Será o estado  que eles mais visitarão e há duas razões para isso. Todos concordam (esta é a primeira) que  a maioria das eleições presidenciais é decidida ali. E, embora  Dilma (a mineira) tenha disparado entre seus conterrâneos, mantendo-se mais de 10 pontos  à frente  Serra, quanto  mais melhor, para evitar  o segundo turno. A outra razão é que Lula pretende fragilizar Aécio.

Tanto Lula quanto Aécio sabem que o verdadeiro confronto entre eles se dará em 20014, quando o petista estará  tentando  voltar  à presidência, ou  empenhado em reeleger Dilma, o que é o mais provável. Então, ele sabe  que Aécio,  este ano, se elegerá  senador com facilidade, porém se não conseguir fazer seu sucessor,  sua campanha presidencial já nasce capenga.

Pela média das pesquisas,, Antônio Anastasia , o candidato de Aécio está 20 pontos atrás de Hélio Costa,  o candidato do PMDB e, portanto, de Lula. Hélio, entretanto, tem fama de “cavalo  paraguaio”, aquele que disparara” na saída, mas perde na última hora. E o drama de Aécio concentra-se no fato de que ele não pode parecer  que está fazendo corpo mole em relação à candidatura de Serra, mas sabe que  sua  chance de emplacar o Anastasia é estimulado  a chapa espúria Dilmasia  que reune  Dilma e Anastásia no mesmo voto. Como Serra já está perdido mesmo…

A matéria logo aí baixo complemente o racioínio desta.  

17-08-10

Se Serra for derrotado no primeiro turno, o PSDB racha ao meio

Mais de uma vez tenho dito aqui, creio  até que pioneiramente, que está em gestação um  novo partido de centro-direita que deverá reunir os descontentes do PSDB  (que são muitos) com os remanescentes do DEM que deverá sair  em frangalhos destas eleições e doido  para mudar de nome e endereço. O catalisador da nova agremiação  será  Aécio Neves.

Como também já disse anteriormente, Aécio não vê  perspectivas de  ser, dentro de  quatro anos, o candidato natural  do PSDB à presidência da  República, sua principal e legítima aspiração. A eleição de Serra (hipótese que parece descartada) seria um grande  empecilho  para este  projeto do mineiro,  porque  nada garantiria, nem as promessas do próprio, de que  não seria candidato à reeleição em 2014.

Entretanto, a eleição quase certa de  Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo representa, desde já, uma  obstáculo ainda maior ao projeto pessoal do mineiro.  É claro que o paulista é  candidatíssimo à presidência.

E quando falamos de  mineiros  e paulistas  no  âmbito do PSDB, estamos falando de dois  bicudos, digo tucanos, que não se  beijam. A animosidade entre  estas duas linhagens, sempre lembrada por este blog,  é crescente e,  na semana passada, transformou em bate boca diante do público. Os paulistas acusam abertamente Aécio de fazer corpo mole em relação à candidatura de Serra que vai levar uma surra de  criar  bicho, nas  Minas  Gerais.

Mas a discórdia  vai mais além deste  episódio e é bem mais antiga. Ela remonta a velhas mágoas e queixas de tucanos nordestinos (perguntem ao senador Tasso Jereissati, do Ceará) que  sempre foram colocados em segundo plano pela “oligarquia tucana de São Paulo,  também conhecida como  “os italianos”.

Autoritária, truculenta e centralizadora – parece que estamos falando do Serra -, essa oligarquia, segundo os  queixosos, jamais  deu muita atenção aos seus correligionários do Nordeste. Muitas vezes,  ficava  claro que  a parceria principal era  tecida com os líderes  do PFL (DEM) do Marco Maciel e do  ACM, rebentos indiscutíveis da  Ditadura Fascista. E os tucanos   ainda reclamam quando a gente diz que eles são de centro-direita.

Seja como, a derrota de Serra que se desenha catastrófica, aprofundará estes desentendimentos que, provavelmente, evoluirão para o racha. Quando e se isto acontecer,o PSDB correrá o risco de  transformar-se num partido quase regional, de São Paulo para baixo, onde os tucanos ainda conseguem ecoar  sua ausência de discurso. A provável vitória no Paraná e o desempenho razoável  no Rio Grande do Sul  e em Santa Catarina, confirmarão este quadro.

Quadro  que se completa com a criação  no novo partido a que nos referimos acima. Cesar Maia, líder de fato do DEM e que provavelmente se elegerá senador pelo Rio, nunca escondeu seu projeto de criação de um novo partido que substituirá o DEM, atualmente internado na UTI, desde o infarto sofrido com a  revelação de que seu único governador, o  José Roberto Arruda, é o que é.

Quanto ao Aécio, bom mineiro, não vai sair já do PSDB, mas estimulará no que puder, a criação do novo partido. É sua única alternativa real. E enquanto não se decide, continuará com um pé em cada canoa.

04-08-10

Sem grana, Gabeira mandou uma banana para Serra

Nesta  segunda-feira  (2-8) o verde  Fernando Gabeira ficou vermelho de raiva e disse com todas as letras: “Estou pronto para dar uma banana para eles”. Entre estes  “eles” está incluído José Serra.

Agora, vejamos a razão do destempero: em baixa do IBOPE, Gabeira está sendo abandonado por  prefeitos e políticos importantes dos partidos aliados que preferem apoiar, por baixo do pano, a reeleição do governador Sérgio Cabral que deverá levar esta já no primeiro turno. Mas isto é o de menos. O que  fez o candidato, símbolo da ética burguesa na política, ficar  fora de si, foi a notícia de que não receberia mais a grana alta, prometida  pessoalmente por Serra, para  bancar os custos dos programas do horário gratuito na TV.

Não é segredo para  ninguém que Gabeira e  Alfredo Sirkis, os dois  manda-chuva do PV  haviam convertido o palanque  da sigla no Rio, em  balcão, onde se  negociou,  a céu aberto, uma vaguinha.

Pode-se dizer tudo ia bem.  O PSDB prometeu o envio de uma cifra substancial e a dupla Gabeira/Sirkis  declarou-se  serrista desde criancinha, fingindo  que nem  possuía, em seu partido, uma candidata  à presidência da república, Marina Silva, até então, uma gata borralheira.

Vai daí que, como nos contos de fada, Marina arrumou um noivo, digo um vice, de  dois bilhões  de dólares, o Príncipe encantado da Natura. Transformada em Cinderela,  a ex-lutadora da floresta, recebeu  espaço na Globo  e  o apoio de  verdes  de araque  como a Míriam Leitão. Foi quando  cresceu o olho grande  dos  donos do balcão.

Não satisfeitos com  os adiantamentos do dono da Natura, um bobo alegre, os donos do balcão, Gabeira e Sirkis,  partiram  para cima de Serra,  decididos a arrancar mais algum, agora que o palanque verde estava valorizado.

Foi quando assistimos, há coisa de um mês atrás, a uma cena grotesca:  na festa de lançamento oficial de sua  campanha (a homologação dos candidatos), o PV  submeteu Serra, seu antigo patrono, ao vexame de  aguardar, na  porta,  a saída de Marina, para só então entrar no recinto. Não era conveniente que ambos  fossem vistos juntos, embora mais tarde, separadamente,  fossem filmados com Gabeira ,  todos cínicos e sorridentes.  Era a avacalhação definitiva.

Agora, porém, o comando  nacional da campanha tucana,  resolveu  dar  o território fluminense  como definitivamente perdido para o inimigo. Ou se, não vale mais  a pena investir tempo e dinheiro no Rio. Além disso,  a grana já está ficando curta para o próprio Serra. Então,  o PV foi comunicado que seu mensalinho seria suspenso. Sobrou para Gabeira dar uma banana e ele deu.

Eu acho que consigo entender o Gabeira e o Sirkis: quando eram guerrilheiros (valorosos  guerrilheiros , aliás) eles não  levavam  a sério a moral burguesa. Depois, grisalhos e barrigudos, aburguesaram-se, mas  continuaram não levando a moral burguesa a sério.

31-08-10

O que vai sobrar da Direita  brasileira, depois da derrota histórica que se desenha

Se  ainda se pode   dar um mínimo de crédito ao  IBOPE  e supor que  Marina Silva caiu  dos  10% em que estava estacionada  há meses  para  os anunciados 7%, então será possível  considerar a possibilidade de que Dilma Rousseff  seja eleita  já no primeiro turno.

Se tal hecatombe  acontecer, a Direita terá sofrido a maior derrota  da História  e o quadro partidário  começará  ser redesenhado imediatamente. A primeira baixa será  a do DEM, esta esdrúxula  herança “democrática” da Ditadura Militar.

O próprio comandante de fato do partido, o ex-prefeito  carioca  Cesar  Maia, vinha,  desde o ano passado,  arquitetando um reciclagem, mediante a qual  o DEM desapareceria  enquanto  sigla , mas preservaria a estrutura  (máquina) que sobrasse do desastre  eleitoral, juntando-se  à   uma  série de partidos menores de  ideologia indefinida e, principalmente, à uma  importante fatia dissidente do PSDB.

Esta fatia dissidente, nem seria  preciso dizer, tem  o grosso de suas tropas concentradas  nas Minas  Gerais  de Aécio Neves e no Ceará de Tasso  Jereissati, sendo que ambos alimentam fundadas esperanças de, no momento exato, obter a adesão de Ciro Gomes que, em situação desconfortável  no PSB do astuto governador pernambucano Eduardo Campos, age de forma avulsa. Neste  exato momento, Ciro reatou  o antigo namoro  com Dilma Rousseff, com a benção de Lula. Mas o futuro a Deus pertence.

Ciro terá que escolher entre o ostracismo e  a aceitação de  um ministério no governo de Dilma, sabendo, desde já, que por este caminho, sua candidatura não prosperará. Aécio estará preocupado, num primeiro momento, em articular sua candidatura à presidência do Senado e a  desinfetar-se de qualquer  vestígio neoliberal. Em seguida, vai tentar aparar arestas em São Paulo, porque sabe que, da mesma  forma que ele  estimulou, em Minas, um rancor surdo contra os tucanos paulistas, estes provavelmente  estimularão um rancor aberto contra ele.

Sem discurso e sem lideres nacionais (a menos que Geraldo Alckmin  e Beto Richa o sejam), o PSDB corre risco  de transformar-se em reduto paulista- paranaense da Direta Neoliberal, com a benção de Hillary Clinton.

28-07-10 atualizado em 29-07-10

Ciro  perdoa Lula, apóia Dilma e só não
será  um super ministro se não quiser

Ontem (28-7), anunciamos aqui que Ciro Gomes havia se reconciliado plenamente com o presidente Lula e com Dilma Rousseff.  Hoje (29-7),  haverá o encontro entre ele a  a petista, o que assinalará o início de seu engajamento na campanha.

Depois de  quase dois  meses de amuo, Ciro Gomes  finalmente  reconciliou-se plenamente- com o presidente  Lula e nesta segunda-feira (26), em Fortaleza, proclamou bem alto seu apoio a Dilma Rousseff. Ontem, no Recife, ao lado do governador pernambucano Eduardo Campos, a  candidata petista   devolveu o carinho, dizendo  de sua profunda  admiração por Ciro.

Termina, assim,  uma das novelas mais previsíveis desta campanha eleitoral, tanto que  teve seu desfecho antecipando por este blog, há dois meses. Tudo começou, quando o presidente Lula pediu ao  governador  Eduardo  Campos  (presidente do PSB, ao qual Ciro é filiado) que  convencesse  o amigo comum a retirar sua candidatura  à presidência.

Na verdade, lá, bem atrás, recuando no tempo,  veremos que Lula  via com bons olhos a candidatura de Ciro que roubava um bom punhado de votos  de José Serra.  Entretanto, há dois meses, Lula  vislumbrou a possibilidade de eleger Dilma já no primeiro turno. Então, a candidatura do  cearense tonou-se inconveniente.

O governador Eduardo Campos cumpriu  a risca a ordem, digo o pedido, do presidente,  e simplesmente  implodiu a  candidatura de Ciro que, enfurecido, saiu (vocês devem estar lembrados)  atirando  para todos os lados, inclusive contra o próprio pé.

Vai daí que Ciro  passou uns tempos na Europa esfriando  a cabeça e voltou bem mais manso. Foi quando Lula, que detesta perder amigos, pediu  a Eduardo Campos  para que sondasse Ciro e  armasse um encontro  entre ele  ( Lula) e o amigo agastado.

Não houve  o encontro, apenas um  telefonema  que  agendou um tête à tête que deverá ocorrer  antes das eleições. Seja como for,  as coisas estão apaziguadas e Ciro  pôde ter certeza de que  só não será um dos principais  ou principal  ministro de Dilma, se não quiser.  Estes pormenores não são ditos em público e,  por ventura, nem em particular. Mas  os  políticos tem um jeito especial de fazer com que eles se tornem implícitos.

Tudo em família

Quanto às eleições no Ceará, todos concordam  em que: a– Cid  Gomes (PSB) e irmão de Ciro, pode reeleger já no primeiro turno, b- o senador tucano  Tasso Jereissati  também se reelegerá com facilidade, sendo  o mais votado, e c- Dilma baterá Serra, no Estado, por uma diferença em torno de 10%.

Na verdade,  a direção nacional do PT  esperava uma vitória mais ampla. Entretanto, os petistas locais estão até satisfeitos. Explica-se: a administração de  Fortaleza,  a cargo  de  Luizienne Lins (PT) não goza , no momento,  de  uma apoteótica aprovação  popular. Além disso, o Estado, embora governado pelos  irmãos “socialistas”, Cid e Ciro,  ainda é controlado na Assembléia  Legislativa   e em grande parte dos municípios,  pelo PSDB de Jereissati.

E isto é possível, porque Jereissati é inventor e padrinho político dos  irmãos Gomes, sendo que as duas famílias se entrelaçam  na amizade e nos negócios, dividindo, numa boa, o condomínio oligárquico do Estado. Nessas  circunstâncias, está  ocorrendo um fato curioso:  ao contrário do que os políticos habitualmente fazem,    Jereissati e os Gomes, quando em público, fingem estar rompidos.

17-07-10.

Nau sem rumo. Serra  desautoriza o formulador
de seu programa e diz que Lula e FHC são iguais

Eu gostaria, sinceramente,de fazer um matéria elogiando o Serra. Não que eu precise, mas  será  a prova de que embora comente os fatos diários da  política, eu não os invento. Então me ocorreu que  eu deveria  reconhecer que o Serra é um bom gerente , como o Jânio e o Adhemar também o foram.  Muito bem: O Serra é um bom gerente. Esta dito.

Agora, raciocinem comigo: o gerente,  em alguns aspectos  essenciais é como o piloto de um avião ou o comandante de um navio. Correto?(Esse Correto? é uma homenagem ao jeito Serra de  se expressar). Então, prosseguindo,  parece desnecessário dizer  que ou se dá ao comandante um trajeto pré estabelecido  e se exige que ele o cumpra, ou colocamos  nosso destino nas  mãos  do referido comandante. Correto?

Se for assim, as notícias não são boas para  nós que estamos  fazendo esse exercício de boa vontade em relação ao Serra:  ontem (sexta-16) no Recife, ele disse para uma rádio  local, literalmente, que “FHC  e Lula são igualzinhos”. Nem foi preciso  esclarecer se essa igualdade ocorre mais para o lado dos defeitos ou das qualidades. São igualzinhos e pronto.

E hoje pela  manhã, este blog foi informado de que Serra desautorizou o  principal formulador do seu programa de governo. Trata-se de Francisco Graziano, engenheiro agrônomo, economista e ecologista (como todos são hoje,  até a Míriam Leitão). A explicação lacônica é a de que o eclético formulador “não está conectado” (?) com o candidato. Entretanto, segue-se uma  informação ainda mais  inquietante: o programa  de governo  do tucano, a ser divulgado na campanha e  registrando no TSE, é um aglomerado de pronunciamentos do próprio  Serra.

Voltamos ao ponto de partida. Dias ímpares, Serra diz que não é nem nunca foi neoliberal. Dias pares critica a criação de estatais e o excesso de intervenção em alguns setores. Nos feriados e dias santos anuncia que  domesticará  o Banco Central e intervirá no câmbio. Finalmente, como fez na última quinta-feira em São Paulo, elogiou o exemplo do mercado comum europeu, no  exato momento em que informava que pretende  flexibilizar (implodir) o MERCOSUL.

Enfim,  para os que compraram  passagens para este navio, é preciso informar que o comandante é ótimo, mas não tem a menor noção de  como nem para onde vai levar os distintos  passageiros.

Sobre o mesmo tema, leia a coluna Pátria Grande.

05-07-10

Não se iluda: a direita raivosa
não venderá barato a derrota

Nos meus textos mais recentes, tenho procurado alertar não apenas os partidários de Dilma Rousseff, como também o pessoal mais à esquerda, que esta não é uma eleição comum, do tipo troca de guarda. Não tanto porque o PT, o Lula e a própria  Dilma  quisessem ou planejassem isso, mas porque os fatos  históricos o estão determinando.

Estamos falando da  Grande  Crise Norteamericana e a derrocada dos seus paradigmas  o que está determinando o fim de uma época, a do domínio neoliberal, capitaneado por FHC (em nome do Capital Financeiro) e que articulou, durante as duas décadas perdidas, um discurso pseudo modernizador com as práticas mais antigas de  uma  “elite” medularmente corrupta e  nostálgica da escravatura.

Se fosse  só por Fernando Henrique e sua tucanos démodés, não haveria problema. Ocorre  que o  está em jogo é a própria estrutura de poder do Estado Brasileiro e sua inserção  na complexa e cambiante política mundial: toda vez que  o Departamento de Estado, o Departamento de Defesa e os  falcões estrategistas e lobistas da guerra que jamais abandonam a  Casa Branca, começam a agir de forma concatenada ocorrem, invariavelmente, os  seguintes eventos, não só no Brasil, como, é claro, ao redor do Mundo:

1- A CIA , com seus métodos terrorista, recebe carta  branca para agir.

2- A mídia venal e apátrida  torna-se alarmista, agressiva e estimula a radicalização do discurso francamente conservador. A discussão política descamba para a  demonização do adversário,  o rancor e a baixaria mais escabrosa.

3- Ocorrem as infiltrações e começam a pipocar as ações de agentes provocadores. O denuncismo vira indústria.

4- Os  valores da Civilização Ocidental transformam-se  em axiomas. Discuti-los  será pecado mortal. E isso insinua que, em casos mais graves,  a ação violenta se justifica.

5- No caso específico do Brasil, chega-se então, ao ridículo de se admitir, por exemplo, que é  perfeitamente razoável  a aproximação com um ditador  feroz, desde que isso seja feito pelo presidente dos Estados Unidos e em nome de seus interesses estratégicos. Em suma: Obama pode, o Lula não.

Como pretendo voltar ao assunto mais vezes e para não cansar os leitores, por ora, vou  citar apenas três episódios significativos  e que caracterizam  um surto ou uma escalada da violência de direita.

Em 1962, em plena maré montante da mobilização popular pelas reformas de base,  promovidas João Goulart, um jornalista aventureiro, Alexandre von  Baumgarten,  invadiu o famoso Congresso Nacional da UNE que se realizava no  Hotel Quitandinha, em Petrópolis.  Ele entrou calmamente pela porta principal do salão de convenções, caminhou até o palco e atirou  um embrulho  que trazia entre o braço e  cintura.  Era a bomba que inaugurava o terrorismo político na segunda metade do século passado. Depois vieram a infiltração do cabo Anselmo, etc. e etc..

Na segunda metade dos anos 70, Ernesto Geisel, para conseguiu manter a sua tímida  e desacreditada abertura “lenta, gradual e segura” teve que demitir um  comandante de Exército torturador, um chefe da Casa Militar conspirador e um ministro da Guerra golpista.

Em 1982, quando a abertura já era irreversível (eleição de Brizola no Rio e de Arraes em Pernambuco), ocorreram os atentados a bomba no Rio Centro,  na OAB e  no  Memorial de Volta Redonda. Estes atos terroristas  foram  ordenados por agentes, na verdade oficiais graduados, que, na sequência, assassinaram o  já  mencionado  Baumgarten, numa histórica queima de arquivo.

Tudo isso para dizer que quando pressente uma mudança no eixo do poder real mais para a esquerda,  a Direita abandona o seu jeitinho udenista  de defender  a Democracia e adota o jeitão, igualmente udenista, de apelar para a força bruta.

Hoje, em sua imensa maioria, os oficiais da ativa  das nossas  Forças  Armadas são  legalistas e  profissionais exemplares. Portanto, não  há  a menor possibilidade de que se repita um golpe  como  o  que ocorreu em 64. Mas  convém ficar atento e não aceitar povocação, porque a articulação dos radicais de direita pode criar um clima de tensão desnecessário, acima do normal e dividir emocionalmente a Nação.

30-06-10- atualizado em 01-07-10

Marina empacou nos 10%. Dilma galopa nos  40%.
Nesse ritmo não passaremos do primeiro turno

A última pesquisa Vox Populi confirma a tendência de  expansão acelerada da candidatura de Dilma Rousseff, mas oferece duas surpresas grandes: no eleitorado  de renda mais baixa está ocorrendo uma insuspeitada  transferência de votos diretamente de Serra para Dilma. E Marina, que  calibrou seu discurso para  herdar votos de classe média  de Ciro e de Serra, ainda não alcançou esse objetivo, exceto no Rio e em Brasília. Se a candidata verde não  conseguir romper o  fenômeno da bipolarização Dilma/Serra, a fatura pode ser liquidada  já no primeiro turno.

A candidata verde não confirmou até agora as previsões de um rápido crescimento. Está, há 60 dias, estacionada na faixa entre 9 e 11 por cento. Em contrapartida,  Dilma cresceu mais e mais rapidamente do que se esperava. O que aconteceu?

No fim da tarde desta terça-feira (29) foram divulgados os primeiros números  da última pesquisa Vox Populi:  Dilma 40%, Serra 35% e Marina 8%. Outros dados importantes  são os que indicam  vantagem de Dilma na pesquisa espontânea, quando não são aprestados nomes ao entrevistado (Dilma 26% – Serra 20%) e  no enventual  segundo turno, onde a petista obteria 44%, contra 40% do tucano.

Procuro sempre lembrar aos leitores que,  quando a gente se mete a fazer previsões eleitorais, é preciso levar em conta dois fatores essenciais: a tendência e a dinâmica. A primeira você obtém observando dados estatísticos consolidados, ou seja, se verificamos que  na média das últimas, digamos cinco pesquisas, Serra manteve-se sempre na casa  entre os 35 e 40 por cento, isso  expressa, evidentemente, uma tendência à estagnação. Aplicando os mesmos raciocínios e dados, verificaremos que a tendência de Dilma tem sido o da expansão. E se você me disser que isto e óbvio, eu lhe direi que isso ficou óbvio, agora, depois de bem explicadinho.

Já a dinâmica é um subfator da tendência que a explica melhor porque exprime sua velocidade. Aí as coisas começam a ficar mais complicadas ou sofisticadas. E exige a experiência  ou a boa intuição de um especialista que, além disso, precisa estar antenado.

Por exemplo: há gafes ou escândalos (fabricados ou não) que podem alterar o ritmo de certa tendência de certo candidato. E há também  desastres com a proporção de um   Waterloo  que  assinalam  a franca decadência ou  mesmo a inviabilização de determinada candidatura. Exemplo: a intimidade, exibida  para milhões de pessoas, entre Serra e  Roberto Jefferson, um bandido confesso da  baixa política. Esse  erro clamoroso  de Serra,  será  apontado  pelos historiadores como o principal episódio responsável pela deblaque  de sua candidatura.

Tudo isso para dizer que me equivoquei, pelo menos parcialmente, em relação  ao desempenho de Marina Silva. Eu imaginei e disse que ainda este mês que vai terminando, ela  ultrapassaria os 15%. Isso provavelmente não acontecerá. Embora acima dos 10%, a candidata verde, ainda não  teria ultrapassado a marca por mim  prevista. É um equívoco pequeno, mas é forçoso explicá-lo.

Vamos lá: neste mês de junho, ocorreram dois fatores que, inquestionavelmente, surpreenderam todos os observadores. Os mais atentos e argutos, imaginavam que  os votos que Serra  estava perdendo no Sudeste e no Sul (este é o primeiro fator) seriam transferidos para Marina  que estrategicamente posicionou-se de forma a disputar eleitores – num primeiro momento –  na  mesma clientela do tucano, a  classe média. Entretanto, e esta é a grande surpresa, os votos que Serra vem perdendo, nessas regiões, estão sendo transferidos diretamente para Dilma.

Então o que há é que, no Sul e no Sudeste, principalmente No Rio e em Minas, mas também no Rio Grande do Sul, o eleitorado  menos informado, da faixa   inferior a  três salários mínimos, começou a “conhecer” Dilma e a indentificá-la com a continuidade do lulismo. Então, à  medida em que  esse fenômeno se alastra, mais votos de Serra são transferidos para a  petista, nesse setor de baixa renda. E isto  leva à conclusão de que não funcionaram os discursos de Serra e de Marina, propondo uma espécie de lulismo sem lula.  Dilma, por outro lado, expressa o lulismo com Lula que é, aparentemente, o que o povão quer.

Outro fator  que me  levou  ao equívoco em relação  a Marina,  diz respeito à dinâmica. Eu notei  que ela já  está com  mais de 20% no Rio e  mais de 15% em Brasília. São duas grades cidades que, como ex-capital e como capital, possuem a capacidade de antecipar, na vontade de seu eleitor, uma tendência do eleitorado nacional.

Ocorre que, como a eleição ainda está bipolarizada, a dinâmica desse processo ainda não se manifestou. Entretanto, me parece que, a partir de agora, com a queda, que deverá acentuar-se, da preferência por Serra no eleitorado   com renda superior a cinco salários mínimos, os votos perdidos pelo tucano deverão  fluir,  com maior  velocidade para Marina.

24-06-10

O IBOPE mente: Marina já passou dos 10%

O presidente do IBOPE,  Carlos Augusto Montenegro, tem a ficha mais suja do que as do Maluf e do Garotinho juntas. Deveria ser  impugnado pela Justiça Eleitoral, porque, afinal, ele interfere e muito, na vontade do eleitorado. Já narrei, neste blog, várias passagens de sua vida pregressa. O importante  é deixar claro que ele é useiro e vezeiro na manipulação de pesquisas e atua, quase sempre, mancomunado  com as Organizações Globo.

Mas, para encurta a conversa, vamos direto ao assunto: na média  dos outros institutos de pesquisa, Marina Silva já está com mais de 10, há um mês. No Rio, ela já está com 20%. Em Brasília, com 15%. Então, é impossível que ela esteja apenas com os 9% apontados  pelo IBOPE divulgado ontem, ainda mais que, segundo esse instituto, ela esta estacionada nesse número há três meses. Isto não existe.

E claro que para a Dilma Rousseff  seria ótimo se essa versão do  IBOPE fosse verdadeira. Ela poderia levar já no primeiro turno. Mas é pura fantasia. Fantasia esta que será desmanchada  nas próximas  semanas, à medida em que as  outras pesquisas  forem anunciadas.

Se me perguntarem por que o Montenegro está entrando nessa, eu só poderia arriscar  alguns palpites. Por exemplo: seria  a última tentativa de ajudar  Serra. Isto porque se Marina  atingir os 15%, o voto útil passa a  beneficiá-la com a migração  dos eleitores que não votariam em Dilma de jeito nenhum  e vêem, na candidata verde, uma alternativa menos feia e odienta do que o tucano.

Também pode ser pura teimosia: há seis meses  Montenegro disse que a eleição poderia ser resolvida no primeiro turno. Ele pensava, provavelmente em Serra. Agora, há menos de  um mês, ele repetiu a dose dizendo que  só  haveria segundo turno se Marina  ultrapassasse  os 10%. Então, escondido por trás  da margem de erro, ele  está procurando  “segurar” Marina na casa do dígito único.

Mas, cá entre nós, o provável mesmo é que seja a compulsão clássica dos  mentirosos. É isso, o Montenegro  mente por compulsão.  

15-06-10 (atualizado em 16-06-10)

A midia diz que aumento de 7,7
para aposentados foi demagogia

A  parcialidade e a desonestidade da mídia estão cada vez  mais escancaradas.  A Folha e o Globo estamparam manchetes idênticas dizendo que Lula concedeu aumento aos funcionários, apenas porque estamos em ano eleitoral. Covardemente  os dois jornais (mais balcões do que jornais), sem o menor respeito para com seus  leitores, deixam de informar que os  três principais candidatos à presidência aplaudiram a medida. Serra, aliás,  foi o mais entusiasmado.

Vejamos:  Dilma disse que “Lula tem compromisso com os trabalhadores e com os apostados”:  Serra já havia dito que  apoiaria qualquer  decisão  porque “Mantega é um homem responsável e o presidente Lula está cuidando da questão” e Marina afirmou que aprova, “mas é preciso saber de onde vêm as receitas , em função do déficit  da Previdência”. A medida  beneficia 8,5 milhões de pessoas.

No fim da tarde de terça-feira (15), a Presidência da República informou que o presidente Lula  acatou  a alteração  da Medida Provisória do Executivo pomovida pelo Congresso. Com isso ,na prática, foi concedido um aumento de 7,7% aos aposentados com vencimentos superiores a um salário mínimo. O benefício é retroativo a janeiro deste ano. Por outro lado, o presidente vetou a parte  que estabelecia o fim do Fator Previdenciário que há mais de uma década vem achatando os vencimentos dos previdenciários. Veja  nos textos abaixo, os argumentos de Míriam Leitão, contrários ao aumento, e a resposta dos  aposentados.

Movimento Dignidade aos Aposentados e Trabalhadores do Brasil É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.

Introdução

Prezado jornalista Heródoto Barbeiro,
Na qualidade de sua ouvinte diária na rádio CBN e sua admiradora, estou encaminhando a carta anexa.
Sei que em seu programa opiniões divergentes e diálogos sobre a questão da previdência são apresentados.Por isso a confiança em lhe enviar esta mensagem.
Se puder ou quiser, encaminhe-a a citada jornalista, solidária em outros tempos já passados.
Infelizmente ML não é mais aquela.
Quanta indignidade tem sido veiculada na mídia em geral, mas principalmente nas organizações Globo, contra a Previdência e os aposentados. Até dá para pensar que aí tem coisa oculta!!!
Agradeço sua atenção
Cordialmente
Miriam Dias Pacheco

 Carta aberta à Jornalista Miriam Leitão – Rede Globo 21/05/2010

Miriam Leitão e os Aposentados e Trabalhadores Brasileiros

São Paulo, 21 de maio de 2010.

Sra. Miriam Leitão, sendo uma conceituada jornalista Global, vimos ontem (20/05), V.Sa. reiteradamente e ardorosamente defender através da imprensa escrita, televisiva e de rádios (várias) que o Presidente Lula da Silva deve vetar o fim do Fator Previdenciário e o aumento dos aposentados, alegando ser um absurdo e uma irresponsabilidade do Congresso brasileiro. Disse peremptoriamente que toda nação irá pagar por esse absurdo. Cita para embasar seu raciocínio números absurdos da economia gerada à Previdência e relacionados à prática do fator. Predispõe-se à contínua cantilena do “déficit” do RGPS; numa discussão vazia e nula de qualquer crédito, transparecendo apenas uma inconsequente conversa de botequim – sem a ética e moralidade mínima a permear os interesses de 8,4 milhões de famílias de aposentados e de 48 milhões de trabalhadores, que são na verdade os maiores contribuintes do Orçamento da Seguridade Social desta nação com mais de 190 milhões de habitantes.

Em todas suas matérias escritas ou faladas, tem demonstrado conhecimento nulo em previdência social brasileira ou de qualquer outro país do mundo. Ontem, fez questão de comparar o Brasil com a Inglaterra, Dinamarca, Noruega, Itália, França etc..;países estes onde são fixadas idades mínimas para a concessão de aposentadorias. De fato é verdade, porém lá a idade é fixada aos homens é de 60 anos, por exemplo, mas a expectativa média de vida supera 80/81 anos aqui é de 72,2 anos. Lá a saúde pública é gratuita ou no máximo coparticipada. Inclui-se nesta assertiva o atendimento médico hospitalar; odontológico; e medicamentos e onde pessoas com mais de 70 anos nem da coparticipação (que já é baixa) são cobradas. A título de exemplo, todos os franceses ao irem a uma consulta médica pagam a taxa simbólica de €1,00; uma mulher grávida paga apenas a primeira consulta. Na Itália a coparticipação na aquisição de medicamentos é limitada a €36,00/mês e a depender do medicamento e a condição social do cidadão, ou doença é totalmente gratuito. Em todos os países da Europa Ocidental estas regras estão alinhadas especialmente no tratamento privilegiado aos cidadãos com mais de 70 anos, e aqui sequer há saúde pública. Além “destas pequenas diferenças” os aposentados que V.Sa. afirma não serem dignos de um irrisório aumento de 2%, além da inflação dos doze meses anteriores, perderam metade do valor real de suas aposentadorias se comparadas aos reajustes concedidos ao salário mínimo desde setembro de 1.991.

Certos jornalistas em nosso país são patentes “papagaios de piratas”; mencionam fontes de informações tentando calçar suas “matérias” (ou verdadeiros “press releases”) de aparente fidedignidade daquilo que dizem relatar. Sra. Leitão V.Sa. citou o IBGE (?) que calculou que o Fator Previdenciário economizou durante sua existência (?) R$ 40 bilhões (declaração enfática na TV Globo). – Não é preciso ser economista para simplesmente refutar esta informação, e que sua emissora de alcance nacional impostou à nação, basta apenas ser alfabetizado. A própria Previdência Social, divulgou várias vezes; além do relatório do Deputado Pepe Vargas (PT/RS – relator na CFT) que a economia gerada pelo fator previdenciário foi de R$ 10 bilhões em 10 anos; ou seja, R$ 1 bilhão por ano; ou ainda 0,6% dos dispêndios globais do RGPS. Frisa-se, dispêndios totais onde estão inclusos os benefícios assistenciais como LOAS e RMV; além dos Encargos Previdenciários da União , uma vez estes retirados tal economia cai a aproximadamente 0,4% ao ano do total de dispêndios do Regime.

Antes de falar da precocidade da aposentadoria do brasileiro, Vsa.foi indagada por uma apresentadora do jornal Global, – “ – com a queda do fator agora as pessoas poderiam requisitar a aposentadoria com 40 anos de idade”. Sinceramente nem sei se houve resposta à indagação tão absurda que lhe foi formulada; pois o meu bom senso não me permitiu ouvir.

O fator previdenciário, e como se sabe, leva em conta a expectativa de vida; ou seja, em outras palavras a ampliação da expectativa de vida de um cidadão corresponde a um desembolso por maior tempo do Regime Previdenciário. Este “fenômeno” acontece em todos os países, mas por aqui se tornou elemento trágico para usurpar os direitos dos trabalhadores de forma mais do que proporcional ao que se possa dar nexo causal ao dito “fenômeno”. Exemplificando, atualmente nossa população de idosos acima de 60 anos pouco supera 10% do total, nos países citados por V.Sa. tal participação situa-se entre 23% (Noruega) a 31% (Alemanha e Itália). Nestes países, a possibilidade de um cidadão chegar aos 60 anos de idade varia de 6,3% (Suécia) a 7,8% (Inglaterra); enquanto isso no Brasil – 20,4%. Por lá os gastos com saúde pública per capita variam de U$ 2.686 (Itália) a US$ 4.763 (Noruega); e no Brasil US$ 367. Tudo isto sem contar a concentração de renda; posto que sistema Previdenciário e de Cobertura Social – de qualquer país – visa minimizar as discrepâncias Nos países sugeridos pela senhora, os 20% da população mais rica: Alemanha 23,7%; Itália 36,3%; Suécia 34,5%; França 40,2%; Inglaterra 43,2%; Noruega 35,3%; Dinamarca 32,6%; e no Brasil os 20% mais ricos detém 64,1% da riqueza da nação e os 10% mais pobres só tem 0,7%. Enfim a senhora comparou alhos com bugalhos aos quatro cantos do país de forma soberba esbanjando sabedoria intrépida jamais vista. Apenas para lhe colocar, o RGPS atua com mais preponderância sobre 80% da população brasileira; creio que a senhora sabe quantos habitantes isto significa – talvez mais do que todos os demais países da América do Sul juntos. A renda per capita desta parte da população (excluída os 20% mais ricos) é de aproximadamente US$ 3.600/ano (Turcomenistão). Já os mais ricos possuem uma renda per capita de US$ 45.800/ano (França).

Sra. Leitão, assim como a suas matérias, muitos analistas e também enganadores da opinião pública, sequer têm idéia de que o RGPS talvez seja o maior sistema previdenciário com potencial de distribuição de renda do planeta. Basta tão apenas um simples cálculo e verá que se distribuirmos o total gasto pelo RGPS em 2009 – R$ 225 bilhões pelos 150 milhões de habitantes a que correspondem estes 80% brasileiros de segunda classe; o RGPS foi responsável, em média por mais de 55% da renda média per capita de U$ 3.600/ano. Obviamente se incluirmos os RPPS, a influência dos Regimes Previdenciários brasileiros seria maior ainda; mas os RPPS são privilegiadíssimos. Alías tão privilegiados que são estranhamente omitidos das suas considerações “sobre déficits”.

Em 2009 o RGPS, em seu subsistema URBANO, registrou saldo previdenciário negativo, de R$ 2,6 bilhões – ou seja, R$ 138/por segurado/ano (18,9 milhões de segurados). O RURAL registrou saldo previdenciário negativo de R$ 40,3 bilhões – ou seja, R$ 4.950,00 por segurado/ano (8,1milhões de segurados). Já o RPPS – FEDERAL, e que atende apenas 1.068.000 mil inativos e pensionistas, registrou um DÉFICIT, e a ser coberto pelo Tesouro de R$ 60,2 bilhões – ou seja, R$ 53.300,00/ex- servidor/ ano. O que equivale a 3,4 vezes a renda per capita brasileira. Sra. Leitão, a guisa de seu interesse, e na busca de outros gastos, e que como declarou ironicamente na Rádio CBN: “nós é que pagamos por esses absurdos”(referia-se a sociedade como um todo), – saiba que no Brasil coexistem 992 RRPS (servidores públicos) além do federal; e sem as agruras do fator, sem a angustia de reajustes, pois a eles concorre a benesse de equiparação com os colegas da ativa. Interessante, pois isto só existe no Brasil e nunca vi um crítico ao RGPS registrar isto na TV ou na mídia. Isto não dá audiência?

É uma sandice afirmar, e com fez V.Sa que a sociedade vai pagar pelo que o Congresso decidiu na medida 475. Nós já pagamos; aliás, paga-se todos os dias, pois nem mesmo uma jornalista Global pode ignorar o que existe na Constituição – Orçamento da Seguridade Social, e onde se configura o financiamento tripartite:- empregados; empregadores, e contribuições específicas (CSSL e COFINS). Estas últimas garantem, e com sobras, o superávit da cobertura social do Regime brasileiro. Tantos outros quanto a senhora desdenham a Constituição e acham e noticiam desinformando a nação, que usar recursos destas fontes para a Previdência é usurpar o Tesouro ou até irresponsabilidade do Congresso.

Senhora, irresponsabilidade social e cívica é permitir calado e sem se contrapor àqueles que a guisa de interesses contrários à Cobertura Social criaram uma legislação secundária que permite um “desvio legal” de 20% destas contribuições que se destinavam diretamente à Previdência; irresponsabilidade moral é saber que o atual governo tem retirado além do que a DRU permite (os citados 20%) para utilizar em outros Ministérios e até para pagamento da Dívida Pública. Sra. Leitão estamos falando de centenas de bilhões; e muito maior imoralidade ou até falta de vergonha é dar isenção previdenciária, e que está prevista em 2010 pela SEPLAN, em quase R$ 20 bilhões, e saber que nessa farra inclui-se até times de futebol profissionais. Incompetência declarada é de quem administra o sistema previdenciário, e coloca em seus relatórios que existe uma sonegação visível prevista de R$ 40 bilhões para este ano. E quanto será a sonegação invisível? E depois alega que o Regime não pode gastar mais R$ 1,8 bilhão ao ano.

Desta forma, com estes desvios, chamam aquilo que é o resultado operacional ou saldo previdenciário de déficit como sendo um resultado derradeiro. Transmite-se assim para a nação que a Previdência está falida.

Em suma, uma especial e proposital distorção que serve de pano de fundo para que o governo possa retirar recursos do Orçamento da Seguridade para outras dotações (inconstitucional), e que cada vez mais me convenço que isto se trata de um profundo e obscuro jogo de interesses de poderosos contra os direitos da nação que destoam de discursos dos populistas, pois são atos orquestrados em desprover o orçamento da seguridade social em desvios para outras rubricas do orçamento da União, e até para pagamento da dívida pública conforme já comprovado. Neste contexto, e próprio de algo bem planejado e que já assistimos no início dos anos 90, com cânticos da recuperação econômica enquanto se desferia um autêntico golpe contra a economia popular no sequestro das poupanças; no embalo público contra as benesses dos servidores nomeando a todos de “marajás”, e assim se assistiu com complacência a desestruturação de áreas fiscalizatórias além de abrir caminho a toda sorte de oportunistas e a corrupção altamente organizada e desenfreada.

Naquela ocasião a dar sustento para eleger a corja que se instalou no Poder, não se dispensou o poder da mídia; assim como quando ela retirou seu sustento a camarilha caiu. Nada difere do atual momento, passaram-se vinte anos e muitos dos atores são os mesmos, mas ocupando personagens interpretados por outros. E quem, como naquela época, e ainda hoje desinforma, e/ou veicula falsas ou meias verdades e com fingida e soberba assertividade não passa de lesa pátria, e que no caso da cobertura social solapa os interesses dos mais humildes ou no mínimo de quem contribuiu para a Previdência Social por mais de três décadas, e que não merece ouvir bobagens como comparar a realidade brasileira com a de países do primeiro mundo.

Sra. Leitão aqui no meu país  é que eu pago meus impostos e a minha Previdência, aqui quero meus direitos. Tem sorte V.Sa. em estar no Brasil do que nos países que citou, pois na Itália, na França, Inglaterra e por muito menos do que V.Sa. “chutou em suas matérias” provavelmente haveria um grande movimento de protesto na porta da emissora que lhe emprega.

Evidentemente não farei comparações generalizadas e absurdas da classe jornalística brasileira para com outros países, e isto em qualquer sentido, pois aqui certamente há excelentes e condignos profissionais cientes da importância de seus ofícios, e não papagaios de piratas ou leitores de press releases travestidos de jornalistas.

Oswaldo Colombo Filho

Economista

São Paulo – SP

26-5-10

O desabafo dos professores paulistas

Por Maria A. de Paula Rempel

Chico Barreira
Bom dia meu excelente jornalista!
Mais uma vez quero agradecer a oferta de um espaço no se blog para falar de questões referentes ao magistério público paulista.
Confesso que a princípio fiquei feliz pela atenção recebida. Mas num segundo momento, fiquei insegura por dois motivos. Primeiro porque não me considero a altura para escrever a  um jornalista do seu extraordinário talento. Segundo porque não tenho autorização para falar em nome da nossa categoria. Isso cabe à presidente do sindicato dos professores (APEOESP), sra Maria Izabel Azevedo Noronha. Mas, posso falar sobre mim , meu ofício e de todas as mazelas que a categoria vem enfrentando desde que o PSDB assumiu o poder. Como cidadã que faz parte dessa categoria tão sofrida, acredito ter embasamento concreto e legítimo para denunciar os feitos desse partido que tanto prejudicou a todos nós professores.
Ingressei no Magistério Público em 1990. Nessa época, a figura do professor ainda era respeitada e merecia créditos pela sociedade. O professor era ouvido. Isso ocorreu até o PSDB assumir o governo do Estado de São Paulo. Desde então vivemos a decadência da carreira. Arrocho salarial e desvalorização da profissão. Pior, sofremos uma verdadeira campanha, encabeçada pelo PIG contra a nossa categoria. Principalmente pelo Globo e Folha de São Paulo. Esses sempre deram um vasto espaço ao PSDB para que o mesmo ridicularizasse a figura do professor e transferisse a  responsabilidade da decadência da escola pública para o mesmo. Ficamos tão desacreditados que, na minha avaliação, não temos mais respaldo  da sociedade para efetuar uma greve bem sucedida. Greve essa que considero justa  e legítima em todos os sentidos. Hoje nosso salário base chega a dois salários mínimos. Não temos materiais didáticos adequados p/ realizar nosso trabalho e nem o apoio das famílias para acompanhar os estudos de seus filhos. Lições de casa vão e voltam sem serem realizadas.  Fruto da política do PSDB que promove o aluno ano a ano mesmo que ele não esteja preparado a mudar de série. Diante disso, há um comodismo confortável para os pais que necessitando trabalhar e sem tempo para dedicar aos estudos de seus filhos, delegam a escola toda a responsabilidade em educá-los. Há exceções é verdade.
A coisa piorou  depois que José Serra assumiu o governo do Estado de São Paulo.Governo truculento, autoritário e arbitrário, nunca sentou para conversar com os representantes da categoria.  Não deu aumento nenhum. Criou regras novas que pioram ainda mais a vida do professor. Criou um sistema de avaliação por mérito, onde o professor receberia aumento depois de prestar uma prova e tirar notas boas, mas…apenas  vinte por cento desses receberiam aumento, isso se houvesse recurso disponível. Ou seja, oitenta por cento da categoria ficaria de fora mesmo que passasse na avaliação.
Não sou contra avaliações, sou contra a isso estar atrelado a aumento de salário de maneira discriminatória, o que fere a constituição trabalhista. Penso que primeiro deveria ter um reajuste de salário para repor as perdas salariais de anos, para depois implementar o sistema de avaliação, não para vinte por cento, mas para os cem por cento da categoria, onde todos que fossem bem sucedidos na avaliação, recebessem o tal aumento.
Outra coisa que vemos diariamente nos meios de comunicação é questão de dois professores em sala de aula. Isso não existe. O que existiu foi a presença de estudantes de pedagogias, enquanto estagiários, em sala de aula e apenas na primeira série. Os mesmos recebiam uma bolsa de estudos do governo enquanto auxiliavam o professor da primeira série. Mas, não havia estagiários em todas primeiras séries e tão pouco nas demais. Na minha escola, por exemplo, existia até o ano passado um estagiário apenas. Hoje não existe nenhum.
O tal bônus de que tanto fala o Serra, de 6 mil reais aos professores, também não é verdadeiro. Talvez diretores, supervisores  até possam ter recebido essa quantia, professor não. Essa propaganda veiculada pelo Globo onde  se diz que os professores receberam bônus e que a educação vai bem é mentirosa. Minha escola por exemplo recebeu cem reais de bônus. Motivo? O ano de 2008 ela ultrapassou a meta estabelecida pela Secretaria de Educação que já era muito alta ,dada a realidade dos nossos alunos que são muito carentes. Foi uma vitória, não apenas pelo bônus, mas pelos nossos alunos. Em 2009  a meta foi elevada pela mesma secretaria, minha escola não atingiu, mas  manteve a mesma meta, não subiu, mas também não caiu. Logo, não merecemos bônus segundo José Serra. Mas… para “ adoçar” a nossa boca, ele mandou cem reais.
Por essa e outras razões sou contra a política de bônus, a favor de salário digno.
Professor deveria ganhar salário digno, pois, tem como responsabilidade formar pessoas, cidadãos críticos e conscientes.  Ninguém se forma médico, advogado ou qualquer outra profissão sem antes passar pela educação fundamental de 1ª a 8ª série e ensino médio. Então eu te pergunto: Por que não valorizar a profissão do professor? Precisamos ganhar bem , freqüentar teatros, cinemas e eventos culturais. Mas como realizar tudo isso c/ um salário ínfimo que mal da para pagar as contas?
Meu bom jornalista, vou confessar-lhe uma coisa: se hoje tivesse dez anos a menos, mudaria de profissão. Não por falta de prazer em lecionar, mas pelas dificuldades enfrentadas que já viraram rotina no nosso trabalho. Violência, salário precário, falta de incentivo e desmoralização na mídia. Não temos mais o respeito que tínhamos. Isso foi destruído na gestão de José Serra. Até a polícia ele já colocou para atacar os professores que faziam um movimento pacífico, tendo como armas, a palavra e a vontade de trabalhar dignamente.
Não é atoa e já é do conhecimento de todos que estão faltando professores no país. Principalmente no Estado de São Paulo.
Tenho orgulho em ser professora, mas não aceito essa desvalorização imposta pelo PSDB e Serra. Quero a minha dignidade de volta.

09-12-09

Filme que mostra
chacina de mendigos é
boicotado pela crítica

por Fausto Barreira

Baseado em fatos reais, o filme desvenda um fato pouco conhecido: a “Operação mata-mendigos”, que ocorreu no RJ entre 1962 e 1963. O filme, muito atual, mostra o governo, a imprensa e interesses imobiliários por trás dos assassinatos dos moradores de rua. Como se vê, a política de “higienização” das grandes cidades é antiga.

Assisti numa sala pequena, no único horário da tarde, ao filme “Topografia de um Desnudo”. O filme dirigido por Teresa Aguiar baseia-se numa peça de teatro do chileno Jorge Díaz e não teve nenhuma menção de críticos na grande imprensa. Trata-se da adaptação de uma peça de teatro e versa sobre o massacre de moradores de rua no governo de Carlos Lacerda (um dos líderes civis do golpe de 1964) entre os anos de 1962 e 1963.

Teresa Aguiar é diretora de teatro em Campinas. No final da década de 1970, assistiu a uma peça, em um festival universitário da Colômbia. Há vinte anos ela resolveu transformar a ideia da peça em um projeto de cinema e hoje, aos quase setenta anos, apresenta seu primeiro longa metragem: “Topografia de um Desnudo”.

Rio de Janeiro, anos 1960. A cidade se prepara para receber a visita da rainha Elizabeth. Num clima de tensão social e política que antecede o golpe militar, uma jornalista investiga a morte de moradores de rua e se envolve num perigoso jogo de interesses. Baseado em fatos reais, desvenda um lado pouco conhecido da História: a “Operação mata-mendigos” que ocorreu no Rio de Janeiro entre 1962 e 1963 e um dos motivos era a necessidade de “limpar” a cidade para a visita da rainha.

No filme, a diretora expõe o intrincado jogo do governo do estado da Guanabara, de setores da imprensa e de especuladores imobiliários interessados em um grande empreendimento num lixão onde habitavam moradores de rua. Intercalando cenas realistas com imagens oníricas, Teresa Aguiar conseguiu criar um painel convincente das articulações e dos crimes da elite carioca, ao mesmo tempo em que soube dar muita humanidade aos personagens dos moradores de rua.

Com atores importantes como Lima Duarte, Gracindo Júnior e José de Abreu o filme foi massacrado. Segundo um dos poucos espectadores presentes na plateia, o qual participou das filmagens há alguns anos, o filme, nessa época, já estava sendo feito há dez anos e não conseguia nenhum patrocínio, apesar de ter sido aprovado pela Lei Rouanet. Vê-se por aí como funciona a censura do capital.

O filme é atualíssimo, pois mostra a gênese dos programas de “higienização” das grandes cidades brasileiras, que têm como expoentes Gilberto Kassab em São Paulo e Eduardo Paes no Rio de Janeiro, nos quais as populações pobres são expulsas de locais que interessam aos planos de “revitalização”, ou seja, à especulação imobiliária.

Sabe-se também que por trás do mensalão do DEM do Distrito Federal está o vice-governador, Paulo Otávio, dono do jornal Correio Brasiliense e da maior construtora de Brasília.

Pode-se assistir ao trailler do filme no YouTube.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

eliminando, assim, um dos nosso principais gargalos, o da  crônica  defasagem na área de e novas tecnologias aplicadas.

Resta dizer que, para o governo, a criação destas novas estatais é altamente tentadora por razões puramente políticas: servem para  reconquistar e  mobilizar a militância de esquerda e contribuem (porque não?) para acomodar melhor os partidos da base governista no Congresso. Melhor criar estatais necessárias e lucrativas, do que  ficar inventando  novos ministérios só para saciar a fome fisiológica  dos  partidos.

 

 

 

 

E cogita-se, também de uma  empresa destinada a  fazer uma ligação mais ágil entre  os   centros de pesquisas, estatais e/ou universitários com a  indústria de um modo geral, eliminando, assim, um dos nosso principais gargalos, o da  crônica  defasagem na área de e novas tecnologias aplicadas.

Resta dizer que, para o governo, a criação destas novas estatais é altamente tentadora por razões puramente políticas: servem para  reconquistar e  mobilizar a militância de esquerda e contribuem (porque não?) para acomodar melhor os partidos da base governista no Congresso. Melhor criar estatais necessárias e lucrativas, do que  ficar inventando  novos ministérios só para saciar a fome fisiológica  dos  partidos.

 

 

 

9 Comentários leave one →
  1. Laurita Lemes permalink
    31/05/2010 12:20 am

    Professora Maria A. de Paula Rempel,

    gostaria de dizer-lhe que não só os professores paulistas sofrem com o governo PSDB. Também Aécio e governos anteriores não querem qualidade. Trabalham com números;por isso, promoção automática no Ensino Público em MG tb.

    Concordo com tudo o que escreveu e afirmo que os professores brasileiros deveriam fazer um movimento único. Precisamos nos unir em um grande encontro, talvez sem a interferência do sindicato.

    Abraços,
    Laurita

  2. Murilo Cavalcanti permalink
    06/06/2010 10:23 pm

    É lamentável mesmo. A democratização da educação pública que deveria atender com ensino de qualidade, resume a um ensino de quantidade. Interessa apenas, quantos alunos estão matriculados. E sem aprendizagem satisfatória, vão rolando séries acima e chega-se ao Ensino médio sem o básico; sem a alfabetização social (termo que designo a inserção do aluno à sua sociedade, e não somente de conhecimentos acadêmicos).
    Verdade que a educação no Brasil avançou muito nos últimos anos “lulistas”, mas falta muito. temos um crescimento filosófico em que saímos do inerte para o cinético…embora esse cinético apresente baixo rendimento, ou seja, sua dinâmica é insatisfatória. Mas podemos criar meios que reduzam atritos e aumentem a eficiência do sistema.
    Nós temos capacidade para mudarmos essa realidade. Isso já ocorreu na economia, com a retomada do investimento e o impulso ao desenvolvimento socioeconomico. A educação terá recursos suficientes para promover essa doce revolução, basta que continuemos no ritmo de transformações da essência da promoção social.

  3. 04/08/2010 2:03 pm

    Toda atencao e pouca para os planos satanicos dos USA. Eles estao vivendo uma fase incrivel de decadencia moral e de etica. Um povo racista elegeu um meio negro, filhos de agentes da CIA, so para revivier seu odio mais profundo. Dentro do pais algo muito parecido com odio tipo Hitler avanca sem muita obstrucao. mais e mais os retrogados do seculo passado em publico atacam negros e latinos. Estao havendo movimentos politicos para mudarem leis que protegem estes grupos. A economia esta toda obstruida em nome deste plano Hitler de desmoralizar o presidente eo os que, mesmo so na superficie advogam por uma sociedade mais justa e menos racista. Barak Obama nao tem nem peito nem apetite para confrontar este movimento de odio. Aliais esta se comprotando como um deles, muitas das vezes. E so acompanhar como ele demitiu sua funcionaria negra rapidinho baseado em sabotage de um videotape. Em fim, seria preciso estar mais adentro do que se passa internamente nos USA. Eu estou mais interada por viver aqui. Tenho certeza que este moviemnto de odio bem baseado em Hitler esta alastrado na Colombia, e dali p o Brasil e outros paises de centro esquerda e um pulo.
    Os brasileiros deveriam ter a obrigacao de se informarem bem a respeito de: Blackwater. Um grupo chamado: The family. Este pode se ler no livro de Jeff Sharlet. Os movimentos da CIA.
    Tem mais: Nao tenho provas mais aposto que Serra foi um que se crrompeu com a CIA nos anos 60’s. Foi comprado bonitinho, aposto. nao tenho provas porque nao se pode provar segredos, mais se acompanharem bem sua trajetoria e souber conectar os pontinhos o retrato das evidencias circinstaciais nao da outra coisa.

  4. 11/11/2010 11:43 am

    Luciano Coutinho é aquele que propôs que a Oi (a Oi!) implantasse a banda larga universal no Brasil. Para isso a empresa necessitaria de um pequeno empréstimo do BNDES. Acho que era R$ 40 bi.

    Não acho que o sr. Coutinho seja adepto de um estado forte. Parece mais adepto do deus mercado.

  5. robertocarlosrangel permalink
    16/11/2010 9:20 am

    Bom dia, caro Chico Barreira > https://fatosnovosnovasideias.wordpress.com/arteemanha/

    Sobre as “novas estatais”, assunto de seu mais recente artigo: PONTO para o novo governo. De fato são aspectos da nossa economia que veem sendo tratados em segundo plano, há muitos anos. A questão amazônica, principalmente, é um verdadeiro escândalo a céu aberto.
    No entanto, aguardo movimento/intenção por parte do próximo governo, já que Lula e a própria Dilma foram bastante relapsos quanto ao assunto, na direção de acabar com a eterna roubalheira praticada por empresas(bancos) de cartões de crédito e as TELES, que exploram a telefonia, internet, etc…
    A economia de grande parte das famílias brasileiras, justo aquelas que gozam de crédito e algum prestígio escorre há décadas pelo ralo ganancioso e enfadonho de instituições que cobram o quanto e o que querem pelos serviços prestados a milhões de brasileiros. Tudo está estampado aos olhos de quem quiser ver, e não consegue mais enganar ninguém o discurso de que os juros são tais devido ao risco das operações de crédito no mercado brasileiro.
    Quanto as TELES, já é de conhecimento público que os brasileiros pagam as mais altas tarifas telefônicas do mundo. Sendo um dos mercados que mais crescem nessa área de tecnologia, o Brasil parece destruir e desmoralizar leis básicas da “economia de mercado”, como a de “oferta e procura”, que, em qualquer economia minimamente decente – se possível existir – reduz e regula a prática de preços de bens e serviços.
    Finalmente, e tomara que algo seja dito o quanto antes pelo futuro governo, a questão da EDUCAÇÃO. Já que você tão bem falou da virtude estratégica desse futuro governo, há de concordar tratar-se da revolução que ainda não foi feita nesse país. Chega de subterfúgios! Nunca estivemos em situação econômica tão favorável para por em prática, em caráter de urgência, um plano de recuperação da Educação Brasileira, antes que alguns garimpeiros se apoderem dos recursos e meios advindos do jorro de certas riquezas subterrâneas do Brasil. Bons ventos! Que não sejam apenas para uns poucos…

  6. Aprilo permalink
    26/03/2011 1:28 am

    Para o sr Roberto Carlos Rangel:

    “…aguardo movimento/intenção por parte do próximo governo, já que Lula e a própria Dilma foram bastante relapsos…”:

    para minha família, Lula e a própria Dilma não foram relapsos – votamos neles em confiança -, porque a partir do governo Lula, economicamente minha família conseguiu de volta o que foi perdido no governo desgovernado do Fernando Henrique Cardoso;

    “…A economia de grande parte das famílias brasileiras, justo aquelas que gozam de crédito e algum prestígio escorre há décadas pelo ralo…”:

    nesse parágrafo, culpo plenamente o (des)governo do Fernando Henrique Cardoso que por 8 anos conseguiu defasar os salários da minha família – qualquer brasileiro sabe que o achatamento salarial foi determinado no governo Fernando Henrique Cardoso -, levando-nos a economizarmos, não nos permitindo investir em absolutamente nada, foram os piores anos de nossas vidas;

    “…Quanto as TELES, já é de conhecimento público que os brasileiros pagam as mais altas tarifas telefônicas do mundo…”:

    foram privatizadas, e o Fernando Henrique Cardoso nos prometeu tarifas mais baixas, e competição nesse mercado o que não aconteceu, e minha família nos sentimos enganados, enquanto isso a telefonica espanhola age em são paulo a seu modo ignorando as necessidades do cliente;

    “Sendo um dos mercados que mais crescem nessa área de tecnologia, o Brasil parece destruir e desmoralizar leis básicas da “economia de mercado”, como a de “oferta e procura”, que, em qualquer economia minimamente decente – se possível existir – reduz e regula a prática de preços de bens e serviços”:

    consequência da má privatização ocorrida no governo Fernando Henrique Cardoso – porque o dinheiro da privatização escorreu para o ralo de alguém, lembro até que existe a CPI da privatização -, inclusive fomos convidados a vendermos nossas ações das teles;

    “Finalmente, e tomara que algo seja dito o quanto antes pelo futuro governo, a questão da EDUCAÇÃO. Já que você tão bem falou da virtude estratégica desse futuro governo, há de concordar tratar-se da revolução que ainda não foi feita nesse país. …”:

    – depois de anos seguidos, 8 anos, o Fernando Henrique Cardoso destruindo a EDUCAÇÃO, ainda ele se diz professor, é uma vergonha – maior exemplo de destruição é a USP, tem até petição dos professores da USP pedindo mobilização da população, mas sabe como é né, paulista/paulistanos não saem prá protestar (por que, queria saber) -, é demorado a reconstrução, porque até mesmo os alunos, desde a infância à faculdade, ficaram abandonados, ao léu, e se tornaram rebeldes devido à destruição.

    Quanto ao protesto lembro que os alunos da cidade de são paulo estão protestando contra aumento das tarifas de transporte – transporte que eu chamo de transporte de gado nessa cidade considerada a maior cidade da américa latina: uma vergonha -, e a Justiça deu um prazo prá Kassab explicar, que seja uma explicação BEM razoável.

  7. Tania Guimaraes permalink
    18/04/2011 3:30 am

    Tomara que nem Lula nem ninguem no Brasil caia nesta divisao usando o Peru para criar antipatias entre imagens de Lula e imagens de Chavez. E coisa de golpistas

  8. 24/08/2011 3:02 am

    Excelente a análise que faz Chico sbre as razões da aproximação de FHC a Dilma. Onde a maioria enxerga matreirice em separar Lula e Dilma, Chico vê uma estratégia no sentido de isolar o radicalismo personalista da política daqueles que parecem não ter mais nada a perder no atual (efututo) quadro político, Serra e Dias.
    O eixo da análise no que concerne às eleições também me aprece fundamentalmente correto: manter uma armistício com as classes médias altas obtendo uma eventual meia vitória com Chalita agora para chegar, depois, ao Palácio dos Bandeirantes

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