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Coisas da Política

12-10-12

Serra e sua mídia vão usar mensalão
para tentar vencer Fernando Haddad

Este primeiro  IBOPE do 2º turno divulgado hoje (12-10) revela números impressionantes : 48% para Haddad que é conhecido do eleitorado há apenas quatro semanas e 37% para José Serra que é conhecido há 40 anos.

Desde logo, dois fatores saltam aos olhos: a enorme rejeição contra Serra, que beira os 40, e a extrema capacidade do presidente Lula de inventar  e eleger personagens pelos quais não se daria nada eleitoralmente falando, os conhecidos “postes”.

Entretanto, está eleição ainda não está ganha. Para compensar sua própria rejeição, Serra vai bater muito forte e explorar dois tópicos capazes de estimular rejeição contra Haddad:  o mensalão e a “cartilha gay” vinculada ao PT.

E aqui dois fatores precisam ser esclarecidos: A rejeição contra Serra não  se prende apenas a fatos ligados à sua personalidade e qualidade política. O eleitorado o rejeita principalmente porque ele abandonou pela metade os últimos cargos que exerceu. A ambição é maior que o compromisso.

Contra Haddad pesa, eventualmente, sua relativa inexperiência administrativa, pelo menos em relação a Serra. As “trapalhadas” do ENEM são outro ponto fraco.

A verdade é que a Batalha Paulista será uma batalha nacional e poderá representar o enterro político de Serra. Nesse caso é bom lembrar que os principais interessados nesse enterro são Aécio Neves e Geraldo Alckmin…  Sem falar no imenso peso que Serra tem que carregar representado pela altíssima rejeição do prefeito Gilberto  Kassab.

Enfim, os marqueteiros de Haddad já sabem que ele não deve “cair no jogo” de Serra  e precisa  se caracterizar como candidato propositivo.

Tudo isso é fácil dizer na teoria. Na verdade, o eleitorado paulista (e esta é um tendência futura para todo o eleitorado brasileiro) já não vota ideológica nem logicamente. Qualquer demagogo ou líder de seita barato pode envenenar determinado candidato com seus preconceitos perversos e neofascitas. FHC foi um dos primeiros tucanos a perceberem isso e, calhordamente, aconselhou o PSDB a tirar proveito disso.

Esse neofascismo, alias,é um fenômeno global das classes médias emergentes. Prima pela pelo egoísmo, pela arrogância ignorante e pela exclusão. Ele é muito encontradiço na história contemporânea  da Europa e, no Brasil, caracteriza-se, também, pelo consumismo    perdulário que beira a animalidade.

Faltou dizer que a grande mídia está com Serra. Ela come na mão do Capital Financeiro e, por conta disso, está alinhada automaticamente com os dogmas neoliberais. Dogmas esses que são o matérial acadêmico e pedante do neofascismo.

A matéria abaixo dá continuidade ao raciocínio desta.

 

 

05-10-12

Um Supremo  ideologicamente
neutro  não seria desde  Mundo

Mídia impõe seu neo lacerdismo aos deslumbrados  ministros do STF

É admirável como o Globo e seu picareta mor, Merval Pereira, literalmente usam o STF para realizar sua vendeta pessoal contra o PT e suas principais lideranças.  Mais admirável ainda é a forma como o Supremo se deixa docilmente manipular.

O veterano ministro Celso de Melo, oráculo dos “juristas” da grande mídia, não passa de um  esdrúxula e nostálgica  reminiscência do velho lacerdismo golpista. Melo faz lembrar a velha Banda de Música udenista, símbolo da hipocrisia moralista burguesa e de desapego pelos instrumentos estratégicos, vitais, para o desenvolvimento.

 Eles queriam ver Getúlio e Juscelino na cadeia, mas, sobretudo, queriam asfixiar no nascedouro nossos principais alavancas para um desenvolvimento autônomo: Companhia Siderúrgica Nacional, Vale, Eletrobrás, Petrobrás, etc. Além de hipócrita o discurso udenista (apesar do brilho belletrista seus oradores) foi essencialmente oligárquico e adepto do “Brasil essencialmente agrícola”.

O neo lacerdismo

É compreensível, mas lamentável, que os implumados ministro do Supremo se deixem  manipular e se submetam à pauta da grande  mídia. Receberão, em troca, uma fugaz popularidade entre os remanescentes udenistas do nosso eleitorado.  

Mas esta não é a raiz principal da questão: exceto no exemplo deploravelmente infantil de nossos supremos ministros, qualquer pessoa medianamente informada e articulada sabe que o mensalão  ou qualquer nome  que se queira dar, não ocorre na forma  como tem sido descrita pela mídia.

Na verdade, ele não é obra isolada do Zé Dirceu ou de um partido político minimamente progressista. O “mensalão” é uma forma de governar ou “garantir a governabilidade”. Ou será que ainda existe alguém suficientemente  ingênuo para  não ver que se não fosse assim, FHC não teria reinventado a reeleição neste País?   

O Globo, o Merval e outros picaretaços da mídia, pulam agora sobre a jugular do ministro Lewandowski como se ele fosse a suprema vergonha do judiciário nacional. E usam a “sabedoria” de Celso de Melo, o raivoso e sectário neo lacerdista, como se ela fosse a quintessência da jurisprudência.

Não percebem que agindo assim estão fomentado uma generalizada insegurança jurídica, porque não faltará quem, com base no voto de Melo, impetre mandato invocando a nulidade das lei aprovadas nos últimos anos ,”à luz da edica e da Constituição”.

Durante embate mantido  na última seção do Supremo, Melo reconheceu que não lhe passara pela cabeça a idéia de que a corrupção mensaleira de que ele acusou os deputados, poderia ter ocorrido também entre os senadores…

O lacerdismo nunca valeu nada, mas agora perdeu até o senso do ridículo.

Que isso alerte aos partidos que se dizem revolucionários. Não basta nomear, para o Supremo,  especialistas competentes e ideologicamente neutros, para depois ficar aguardando por sua gratidão ou lealdade. É preciso nomear “especialistas” comprometidos com as mudanças idealizadas.

Um Supremo ideologicamente neutro não seria deste Mundo.

Leia mais sobre o mesmo tema nas colunas Arte e Manha e Pérolas & Pílulas.

18-08-12

O PT perdeu o foco inicial, mas representou  avanço
fundamental na questão da união da América do Sul

A luta pelas Malvinas, o ingresso da Venezuela  no MERCOSUL e a solidariedade ao Equador são exemplos de uma missão histórica.

No dia 14, na coluna Coisas da Política deste blog, comentei a situação de impasse em que se encontram o PT e o Governo Dilma. Eleitoralmente, eles conquistam fatias crescentes da   nova e da antiga classes medias. É o varejo, Mas no atacado, no percurso estratégico de longo prazo, PT e Dilma estão contribuindo para a sedimentação de uma sociedade mais conservadora.

Vítimas da objetividade imediatista de marqueteiros competentes  mas  sem compromisso ideológico, o PT e  a presidenta estão-se dissolvendo  na geléia  geral  da política eleitoral. Com isso, dissolvem-se, também, os próprios méritos do PT que, no entanto, representa um importante avanço histórico.

Para ficar com apenas dois tópicos desse avanço, lembro a política externa soberana e de contestação à hegemonia norte-americana no Continente. E menciono a queda  de braço contra o Mercado (Capital Financeiro), através de uma  política macroeconômica considerada  heterodoxa e focada na queda da taxa de juros.

Lula com seu carisma e espontaneidade, conseguiu através do lulismo  praticar um discurso que sensibilizava as infinitas facções  petistas e que existem desde sua fundação. Dilma é  aplaudida como boa gerente até pela classe média conservadora, mas não possui, evidentemente,  características  que fizeram de Lula uma das principais líderais mundiais deste século.

 O resultado prático disso é o de que, com Dilma, o PT fica no mesmo nível dos demais partidos e vencerá ou perderá eleições  conforme for  considerado eficiente ou não. Entretanto, para sua sorte, (e como eu disse no artigo do dia 14) não  deverá haver surpresas e Dilma deve se  reeleger em 2014 pelo simples fato de que seus possíveis adversários a começar por Aécio Neves, são muito fraquinhos, bisonhos mesmo.

A Pátria Grande

A mim me parece evidente que a América do Sul está vivendo um frisson nacionalista e de aumento de sua auto-estima. Este sentimento casa-se com a noção de que juntos somos uma das principais potências do ponto de vista geopolítico global.

Falta, é claro, um discurso  conectado entre as diversas nações, o que é natural já que  cada uma possui peculiaridade história na origem, bem como desenvolve um enredo particular no dia a dia de sua política eleitoral ou econômica.

 Mas falta, sobretudo, uma atualização ideológica. A maioria dos nossos “teóricos”  estacionou na fase leninista das Teses de Abril. Num momento em que  a classe sociais tradicionais estão  se esgarçando em função  da automação vertiginosa  que já nos  introduziu no pós capitalismo, (ver coluna Para entender a Crise, no blog) é preciso  compatibilizar os princípios marxistas com  a questão genérica dos diretos humanos, definitivamente incorporada ao inconsciente coletivo.

E preciso, sobretudo, desmitificar  a tese que  os direitos humanos são inerentes  o capitalismo.  É uma balela, Na verdade  o Capital (enquanto processo social) tem mais afinidades  com o fascismo do que com a democracia. Aliás, procuro lembrar sempre frase de  Franklin Roosevelt nas eleições presidenciais de 1936: “ Agora sabemos  – disse ele –  que o Capital Organizado é tão  perigoso quanto o Crime Organizado”.

Enfim, enquanto não conseguimos forjar de forma definitiva à ideologia que norteará a união institucional das nações da América do Sul, é bom saber que a mídia apátrida tem que se curvar à esta nova e fundamental geopolítica global: Quando agridem ou cometem truculências como a que os ingleses estão cometendo agora contra o Equador, as potências decadentes mas ainda arrogantes  receberão o troco não de um país isolado, mas de um continente  inteiro e coeso.

Leia  também a coluna Pátria Grande neste blog.

A matéria abaixo dá continuidade ao raciocínio desta.                                             

14-08-12

O PT perdeu o foco. Mas ainda há tempo para
a construção de um Projeto Nacional Popular

No momento, a mídia apátrida e americanófila trava uma batalha crucial contra o PT, o Zé Dirceu e o Lula. Nesse esforço, faz o possível para afastar Dilma de seu inventor. O Jabor, sem noção do ridículo, se declara dilmista. Mas ela, a mídia, também está meio perdia, não tem uma estratégia razoável.

Nesse momento a  principal arma da mídia é o Mensalão do PT, que juridicamente jamais existiu, pelo menos não com esse nome, uma fantasia inventada por Roberto Jefferson, o corrupto confesso.

Seja como for, o que se pretende é, num inacreditável  pré-julgamento, constranger os ministros do Supremo a não só condenarem os principais líderes do PT como a fazerem isso antes das eleições de outubro.

O problema é que, sob pena de desmoralização total, a mídia não pode deixar de falar nos “Mensalões” do PSDB e do DEM. E, principalmente, não pode deixar de dar cobertura ao “Escândalo do Cachoeira “ que atinge muito mais ao PSDB e ao PMDB do que ao PT.

De sua parte, o PT que, com mensalão ou sem ele, tem culpa do cartório por causa dessa maldita necessidade de compra de parlamentares para garantir a governabilidade,  se entrega a essa lavagem de  roupa suja em púbico e, como diz nosso titulo, perdeu o foco.

Mas que foco é esse?

E a meta original do PT e que agora, trinta anos depois, deve ser articulado com o projeto da união da América do Sul que  já está em curso e é irreversível. Simples assim. Só que as coisas simples no enunciado são complicadas na execução.

Exemplos dessas complicações:

O Governo e a Presidenta tornaram-se reféns dos marqueteiros políticos que, por  sua vez guiam-se pelas chamadas pesquisas de opinião. Pesquisas estas que, entretanto, refletem principalmente  a “opinião pública” expressa pelo Willian Bonner, o picareta mor.

 Mas essa “opinião pública”, elitista hipócrita e prenha de meias verdades editada pela mídia, não tem nada a ver com o verdadeiro pensamento do povo. Povo este que tem nojo  dos políticos, mas cai na lábia dos candidatos e mistura mesalão com cachoeira, só pensa em emprego e ascensão social  e “vende” seus voto em troca de  vantagens imediatas. O povo, vejam que curioso, é menos moralista e hipócritsa do que o Bonner.

 Seja como for e graças ao PT,  esse povo  caminha célere para a despolitização ampla e irrestrita que é a matriz do sentimento fascistóide da pequena burguesia.

Então temos esse círculo vicioso desgraçado: porque está cada vez mais parecido com os outros partidos, o PT tem projeto de poder, mas não sabe mais exprimir um Projeto Nacional Popular, nem mesmo através do lulismo.

Como isto não deve ser entendido como uma fatalidade histórica, cabe à verdadeira militância (esqueçam os cabos eleitorais) esporear seus “líderes”, para que eles  voltem à trilha natural e digna.

De resto, não se preocupem com a reeleição de Dilma. Ela vai conseguir isso, porque apesar das circunstâncias externas a economia está andando e o Aécio, o candidato oposicionista da vez, é um monumento à insipidez.

18-07-12

O Rio prepara uma surpresa eleitoral

Os holofotes estão voltados para as eleições municipais de São Paulo e Belo Horizonte.  Nos redutos de José Serra e Aécio Neves, o PT, com Fernando Haddad e Patrus Ananias, desenvolveu uma estratégia nacional e de longo prazo. Na verdade, estão sendo travados, nessas duas capitais, os primeiros embates da sucessão de Dilma Rousseff em 2014.

Mas é no Rio de Janeiro onde haverá mais emoção, por conta de uma “surpresa” que  o eleitorado carioca parece estará aprontando. Por enquanto, ninguém discute  o favoritismo do atual perfeito Eduardo Paes (um ex-tucano) que conta com pensado  apoio político e suporte financeiro do governador Sérgio Cabral e do Palácio do Planalto. A mídia também está ele.

Entretanto, o eleitorado carioca de extrato mais popular continua sendo o mais politizado do País. E, ao longo da história, surpreendeu os candidatos das chamadas elites, tidos como favoritos.

Foi assim em 1965, quando o fulgurante Carlos Lacerda estava no auge deu sua popularidade (na Zona Sul da Cidade) mas não conseguiu fazer o seu sucessor. Foi derrotado pelo  insípido Negrão de Lima, candidato do PTB  e das esquerdas.

Em 1982, ainda com um militar na Presidência, mas já em plena abertura, Leonel Brizola, com um partido recém fundado,  sem  recursos e sem mídia, precisou de apenas dois debates  na TV para fulminar os  favoritos naquelas eleições: Miro Teixeira do PMDB e Sandra Cavalcanti do PFL (hoje DEM).

Algo semelhante parece estar acontecendo  agora: Marcelo Freixo do ainda pequeno PSOL, mas que tem enfrentado com coragem os  milicianos e seus Esquadrões da Morte, já está comendo pelas beiradas do eleitorado,  nas conversas de botequim e nas filas de banco. As pesquisas ainda não revelam isso. E quando revelam são  maliciosamente ocultadas pela mídia.

Seja como for, na reta de chegada, a partir do próximo mês, não será possível ignorar o crescimento de Freixo e o apoio massivo que ele vem recebendo da grande maioria da militância do PT. Esse fato, em si, já é um fenômeno político  da maior importância.

Se Freixo for para o segundo turno, haverá a tradicional polarização esquerda x direita que no Rio ainda subsiste. E então Paes, embora favorito, vai expor o ponto fraco: seu  jeito Zona Sul  (com ranço lacerdista) de ser e agir.

01-07-12

As fatais contradições do PT

Na falta de um projeto nacional e popular, substituído pelo pragmatismo da governabilidade, o PT enfrenta seu maior desafio e sua maior contradição nesta eleição para a Prefeitura de São Paulo. E a vitória nesta capital é o objetivo prioritário de Lula e da direção nacional do partido.

Há, aqui, duas ou três pedras no caminho. A primeira chama-se Efeito Maluf que provocou mais estragos do que se supôs inicialmente. Uma foto permitida numa hora errada ao lado de um  procurado pela Polícia Internacional foi, sem dúvida, um erro de avaliação de Lula e, francamente, excesso de arrogância, do tipo: comigo ninguém pode, por isso eu posso tudo.

E só piora as coisas argumentar que Serra teria feito o mesmo, além de ter-se aliado a Roberto Jefferson que é igual ou pior do que Maluf. A outra pedra tem a dupla feição de Erundina e Marta Suplicy, duas mulheres “sacrificadas” em algum momento pelo partido e que agora misturam, na mesma panela, a ideologia, a ética e o rancor.

O terceiro obstáculo, talvez o mais sério, leva o nome de  Celso Russomanno. Há meses este blog vem dizendo que este candidato, hoje do PRB do bispo Macedo,  militou  15 anos no PP de Maluf e é tão conservador e populista quanto este.  Ou seja, leva votos nos Jardins (bairros de classe média alta) e na periferia.

É verdade que Russomanno retira mais votos de José Serra do que de Fernando Haddad, mas foi o único que cresceu na última pesquisa em relação à anterior. Está na casa na casa dos 21%, contra os 30% de Serra e 8% de Haddad, estacionados. Seu maior problema é o pequeno espaço no horário gratuito de TV.

Sem projeto

Mas o que dissemos acima diz respeito a detalhes de uma novela eleitoral na capital mais importante do País. É preciso não perder de vista um fenômeno de importância ainda maior: a  contradição  essencial que descaracteriza o PT e provoca  o inusitado de uma situação em que Dilma Rousseff, porque é bem aceita pela casse  média alta paulistana, passa a ser um cabo eleitoral de Haddad,  quase tão importante quanto o próprio Lula.

E Dilma é bem aceita pela classe média, porque realiza um governo considerado (com ressalvas) competente e é tolerada e eventualmente elogiada pela grande mídia. Mas, acima de tudo, ela navega na imundície da política legislativa e partidária, não só blindada, como  com a fama de faxineira. Ela é, enfim, a glória da marquetagem política que, no seu caso, é inegavelmente competente.  

Na economia, como não há nenhum tipo planejamento, a coisa é feita da mão para a boca, mas incansavelmente, por Dilma (a ministra de fato) e seu  auxiliar Guido  Mantega. É possível, assim, que se assegure, até as eleições de outubro, um crescimento medíocre (2,5%), mas aceitável diante das circunstâncias externas.

Dá para segurar esse rojão até 2014? Aí depende. Mas é impossível não notar a ausência de um Projeto Nacional e Popular (que está na origem do PT), para dar sustentação e  legitimidade ao projeto de poder.

Vale lembrar, agora que a união sulamericana efetua um avanço histórico, que os outros protagonistas  desse evento, a Argentina  do casal Kirchner  e a Venezuela de Chávez, possuem seu projeto nacional e popular.  Eles têm, entretanto, características próprias e outras raízes históricas, então não cabe  copiar seus modelos.

Mas cabe registrar a lacuna. Ou o PT resgata, na efetividade dos atos, seu projeto original (que é nacional e popular) ou vai disputar as eleições presidenciais de 2014 em pé de igualdade com políticos puramente burgueses como Serra, Aécio ou Eduardo Campos.

21-05-12

O discreto analfabetismo político da burguesia

Não vou desenvolver nenhuma tese sociológica. Apenas, jornalisticamente, pretendo chamar a atenção para este fato deveras curioso: a parte da burguesia que decidira ser politicamente correta, exercer sua plena cidadania e gritar contra a corrupção, descobriu, finalmente, que por trás de cada político ou magistrado  corrupto há uma constelação de empresas corruptas.

Foi um passo gigantesco. Lembro que há dois anos eu pelejava junto a minhas amigas e amigos burgueses do Twitter, para convencê-los  de que não fazia sentido caçar apenas o Sarney (lembram-se da furiosa campanha  do “Fora Sarney”?) senão caçássemos, simultaneamente, os empreiteiros  e os banqueiros  que estão  por trás dos corruptos mais visíveis.

Recordo, também,  que cheguei a propor uma  barganha e disse: Tudo bem, eu também vou caçar o Sarney, mas você  vão me prometer que depois vão me ajudar a caçar pelo menos um banqueiro. Enfim, são coisas do Twitter.

Mas, como eu dizia, é preciso reconhecer que houve um grande passo à frente. Hoje há uma consciência generalizada de que não basta caçar políticos e magistrados corruptos. É preciso atirar, também, nos seus corruptores, as empreiteiras e os banqueiros.

Mas é com um certo desaponto que noto o seguinte: esta grande legião de burgueses que finalmente alcançara a compreensão elementar do que seja um mínimo de cidadania, ainda não consegue estabelecer uma relação de causa e efeito entre a corrupção dos políticos e as empresas que os financiam. Será tão difícil entender que um banqueiro que dá centenas de milhões de reais para a campanha de um político vai querer esse dinheiro de volta e com muito lucro?

A solução óbvia é o financiamento público das campanhas. O que não deve assustar ninguém. Afinal, já existe há cessão de horário gratuito nas rádios e TVs. Como concessionárias de um serviço público, estas empresas são obrigadas, pelo Estado, a divulgar gratuitamente  a propaganda eleitoral.

Mais um passo à frente

O financiamento exclusivamente público de campanhas eleitorais foi a recomendação que mais votos recebeu na 1ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social (Consocial), encerrada neste domingo (20), em Brasília, com 80 propostas votadas eletronicamente por cerca de 1,1 mil delegados que participaram do evento.

Conforme a proposta, um valor limitado e igual para todos os partidos deve ser estabelecido a partir de um fundo público, “sendo passível de suspensão dos direitos políticos aquele que usufruir de financiamentos privados e com multa para empresas, pessoas físicas e/ou entidades que financiarem essas campanhas”. A sugestão acrescenta que “deve haver efetiva fiscalização e redução do número de partidos políticos, com dados disponibilizados nos portais de transparência”.

A proposta integra o eixo da prevenção e do combate à corrupção, que recebeu o maior número de recomendações na preparação da Consocial: mais de 5,7 mil propostas desde as consultas municipais; 28% do total recebido.

A burguesia é charmosa, mas também é meio lerda. Talvez sejam necessários mais alguns anos para (talvez com o uso de uma verruma) fazer com que ela perceba aquela relação de causa e efeito entre  a corrupção dos políticos e  financiamento privado de suas campanhas.

17-05-12

Vai sobrar Cachoeira para todo mundo

No País das impunidades via Pacto de Elites, nos habituamos com a velha máxima de que “isso não vai dar em nada”. Realmente, quase sempre é assim, mas nem sempre.

 Há casos em que poderosos despencam, como foi o caso de Fernando Collor, defenestrado da Presidência e, mais recentemente,  Antônio Palocci,  que duas vezes (com Lula e com Dilma) foi poderosa Eminência Parda  e, nas duas vezes, despencou.

 E lembremos que Getúlio foi levado ao suicídio, em função de investigações sobre o atentado contra o então jornalista Carlos Lacerda. Portanto, não generalizemos. É difícil acontecer (tanto que Adhemar e Sarney saíram ilesos), mais acontece.

O caminho para o infortúnio das eminências pegas de calça na mão, muitas vezes é fortuito. Um porteiro bisbilhoteiro, um motorista vingativo ou a fim de grana e mulheres ou maridos mal amados. Por aí começam os vazamentos fatais. 

Entretanto, o método mais seguro, quase cientifico, é o famoso “siga o dinheiro” sábio conselho dado pelo Garganta Profunda, um alto funcionário do Governo americano. Foi o que ele disse aos dois repórteres do Washington Post, no famoso Caso Wathergate  que culminou com a renúncia de Richard  Nixon.

Inspirado nesse episódio, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) que,  chegou a ser filiado ao PT  por curta temporada e que deve possuir algum rancor recôndito, repete a máxima: sigam o dinheiro.

No Caso Cachoeira, isto é mais válido do eu nunca. Porque o bicheiro aplica e lava sua altíssima grana em setores os mais  amplos e variados. Da Coréia do Norte à Construtora Delta.

Os três mais vulneráveis

Como os três maiores partidos do Congresso, PMDB, PT e PSDB, têm gente importante envolvida no escândalo, os céticos (na verdade ingênuos) insistem na tese: isto não vai dar em nada. Ou seja, imagina-se que haverá um acordo, na moita, entre as três legendas para uma espécie de Operação Abafa dentro da CPI que rola no Congresso.

Pura bobagem. Ainda que Governo e Oposição consigam blindar alguns setores que lhes sejam vitais, pelo menos três governadores já foram para o espaço: Marconi Perillo  (PSDB-Go), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ). É irrelevante que eles venham a depor, ou não, na CPI.

As partes que já se tornaram públicas das investigações mostram que Perillo e Agnelo, tratavam (de negociatas ou não) diretamente com o Cachoeira. E Cabral é amigo íntimo (desde criancinha sem força de expressão) de Fernando Cavendish, sócio do Cachoeira na Construtora Delta. Delta esta que é dona de 70 por cento (em termos de volume de grana) das obras no Estado do Rio.

Seja com o for, o mais prejudicado é o PMDB, porque Cabral estava pintando como possível candidato a vice-presidente (na chapa de Dilma ou de Lula) em 2014. E não seria impossível que ele tentasse candidatar-se à própria Presidência.  

25-04-12

Os caminhos tortuosos de  uma CPI. Ou o que
 PT pretende jogando Cachoeira no ventilador

As velhas raposas felpudas, do tipo Dr. Ulysses e Tancredo advertiam sempre que CPI é um negócio que a gente sabe como começa, mas ninguém sabe como termina. Como astutos  políticos e audazes equilibristas que transitavam com naturalidade da elite econômica e oligárquica para os setores populares e até revolucionárias , eles tinham uma visão claramente leopardista: é preciso mudar ”revolucionar” para que tudo continue como está.

E o PT como se encaixa nisso tudo? Transformou-se, ele também, num intermediário habilidoso entre  as elites e sua própria base social original?

Em parte sim. Na prática o PT é hoje uma social democracia em aliança ostensiva com o que há de mais podre no centro-direita e na direita. Sempre se dirá que este é “o preço da governabilidade”. Mas o partido está longe de considerar que isso é um ônus intolerável.

Nesse quadro o bandido Cachoeira, sem deixar de ser folclórico, é altamente revelador da ousada estratégia adotada por Lua e Zé Dirceu, na qual Dilma Roussseff  pegou carona a  contragosto. Esta estratégia tem duas parte distintas, porém interligadas e consecutivas . A primeira é mostrar que a corrupção política é uma praga generalizada, doença endêmica.

A segunda, que justifica ideológica e moralmente a primeira, é a de que é preciso mexer fundo nessa pocilga  para que haja uma espécie de  purgação ou atuação da opinião pública, para que, finalmente, possa haver uma mobilização popular defendo um Plebiscito  ou uma Constituinte meia sola, capazes de promover a Reforma Política “redentora”.

Não sei se seria pedir demais  aproveitar este rolo todo  para que se obtenha, via mobilização popular, um Plebiscito ou uma Constituinte  meia sola que  garantissem algum avanço na direção do  socialismo ou, pelo menos, de um Estado mais robusto.

Meu lado otimista crê nessa possibilidade. Já meu lado cético admite que esse negócio de governabilidade  é uma balela. O que há de fato é que nos últimos nove anos o PT foi lindamente chantageado (se deixou chantagear) pelos eternos 400 picaretas um dia denunciados por Lula.

16-03-12

Copa, cerveja, trapalhadas, Dilma e Lula

Nessas trapalhadas e idas e vindas sobre a venda de cerveja nos estádios durante Copa, se você quiser ter uma visão nítida do problema, basta perguntar: quem é o solicitado e quem é o solicitante.

É fácil ver que o Governo Brasileiro  solicitou à FIFA o direito de sediar a Copa de 2014. E a FIFA, enquanto entidade de Direto Privado, concedeu esse privilégio mediante condições. Entre essas condições plenamente aceitas pelo Governo Brasileiro está a chamada “Garantia 8 “ que reza: “não existem nem existirão restrições legais ou proibições sobre a venda, publicidade ou distribuição de produtos das afiliadas comerciais, inclusive alimentos e bebidas, nos estádios ou em outros locais durante as competições.”

Agora, nossos demagogos, hipócritas e fariseus de plantão, se fizerem muita questão, podem exigir que o Governo proíba a venda de cerveja nos estádios, o que desmoralizaria o Brasil como parceiro comercial e pode levar a FiFA a, legitimamente, transferir a Copa para outro país.

Aliás, os que defendem a proibição da venda de cerveja em dez estádios durante 20 dias, deveriam exigem a extensão da proibição para o entorno desses estádios. Caso contrário, descambaremos para o terreno da palhaçada pura e simples.

Seja como for, ontem (15) setores do Governo, parece que situados na Casa Civil da Presidência, deram origem a uma tremenda trapalhada, emitindo sinais de que o Governo teria cedido aos moralistas e resolvera transferir a responsabilidade  da proibição para os governos estaduais. A questão teria sido retirada da “Lei da Copa” em votação na Câmara.

Ainda ontem e com autorização da presidente Dilma, o ministro Aldo Rebelo, dos Esportes,  garantiu que tudo isso não passa de um mal entendido e que a liberação da cerveja será mantida no bojo a Lei da Copa. Mas o quiproquó foi instalado, tumultuando ainda mais as relações entre o Governo e o Congresso.

E até o José Serra, sempre pronto a baixar o nível da discussão eleitoral, já se declarou contra a venda de cerveja. Ele faz isso, para manter-se sintonizado com a mentalidade de setores da classe média rasos de raciocínio e informação.

É uma gente contígua ao fascismo e Serra sabe disso, mas cultiva o namoro porque esse segmento representa pelo menos 35% do eleitorado. É uma desgraça com a qual temos que conviver.

Entretanto ainda há algo que precisa ser dito sobre o episódio da cerveja na Copa.

A presidenta Dilma é centralizadora e zelosa de sua autoridade, ninguém duvida disso. Porém às vezes ela como que se intimida e procura não se expor. Deixa os eventuais desgastes para o Congresso ou para seus subordinados. É o que está acontecendo agora em relação à Copa. Uma declaração sua, sem deixar margem à dúvida, teria evitado toda essa trapalhada.

E certo também que ela não tem a presença de espírito, o carisma e a espontaneidade de seu antecessor. Lula teria resolvido tudo isso, com duas piadas e uma frase de efeito.

01-03-12

Trocaram  peixes por um punhado de
pastores e um Russomanno de quebra

No início da tarde de ontem, o senador pastor Marcelo Crivella, intimamente ligado ao bispo Macedo, chamou os jornalistas a seu gabinete e informou com naturalidade que acabara de receber um  telefonema da presidenta Dilma.: “Ela  disse que eu sou o novo ministro da Pesca”, arrematou ele com a expressão divertida.

Em seguida, compenetrado como se requer de um senador pastor, reconheceu que o cargo visa contemplar seu partido, o PRB, sempre leal ao Governo, com um lugar ao Sol do Planalto.

Mas foi evasivo, para não dizer completamente falso, quando negou que toda essa arrumação improvisada, de última hora, tem como objetivo, ajudar o PT paulista a assimilar o golpe eleitoral desfechado pelos tucanos, com o lançamento da candidatura de José Serra.

“Sou membro da Bancada Evangélica e me orgulho disso, mas não posso responder por ela. Respondo apenas pela bancada do meu partido”, argumentou Crivella, cuja bancada no Senado  conta apenas com ele mesmo. Na Câmara, o PRB possui escassos dez deputados.

Já a Bancada Evangélica esparrama-se por vários partidos, possui 70 deputados e três senadores. Muitos são singela e honestamente retrógrados. Mas há entre eles caça níqueis da pior espécie, exploradores ardilosos da ingenuidade dos humildes e chantagistas (achacadores) do Governo. E há até alguns progressistas entre eles.

De uma fora ou de outra, é evidente que o Governo e o PT contam com Crivella para apascentar esse agrupamento tão sortido em suas eventuais iras verdadeiras ou forjadas. Mas voltemos a São Paulo.

É aqui que o bicho pega porque além de perder para o Serra o apoio (mais logístico do que pessoal) do prefeito Gilberto Kassab, o lulismo precisa pelo menos neutralizar o conservador e “ficha duvidosa” Censo Russomanno que recentemente trocou o partido do Maluf pelo do Bispo Maedo. Depois de Serra que dispara nas pesquisas, Rusomanno é o segundo mais bem votado, com o dobro das intenções de votos atribuídos a Fernando Haddad.

É claro que, como estamos a oito meses da eleição, estes números poderão ser revertidos, como foram, aliás, na eleição de Dilma para a Presidência.

 Entretanto, não podemos esquecer que São Paulo, por razões que não cabe esmiuçar aqui, é um dos principais redutos do reacionarismo neolacerdista que o Serra faz questão de encampar em seu discurso.

Vai daí que o discurso lulista terá que levar em consideração essa sinuca que se não for de bico é para profissionais: como denunciar Serra como um neolacerdista retrógrado e, ao mesmo tempo, conquistar os votos de pelo menos parte dos neolacerdistas.

Leia mais sobre o mesmo tema na coluna Pérolas & Pílulas.

 A matéria abaixo dá continuidade às informações desta.

16-02-12

Segura o Kassab!

Viram como a política é dinâmica? Há três dias, os petistas de São Paulo ainda faziam aquela cara que a gente faz quando é obrigado a tomar um remédio amargo. Era a reação deles contra o acordo que o ex-presidente Lula teceu para  que o prefeito paulistano Gilberto Kassab apóie a candidatura de Fernando Haddad à sua sucessão.

Agora, esses mesmos petistas rezam para que Kassab cumpra o acordo e não pule para o colo de seu padrinho, José Serra, que ameaça candidatar-se, mais uma vez, à prefeitura de São Paulo.

Kassab é hábil, mas, sobretudo é um cara de pau e, sem escrúpulo, faz às claras o que a maioria dos políticos faz pelos cantos escuros. Ele não esconde que quer o poder pelo poder.

Ontem, convocado, foi a Brasília e falou com a presidenta Dilma, pela terceira vez em menos de dez dias. No encontro,  sem testemunhas e  fora da agenda, deve te recebido pressões sutis e promessas tentadoras. A principal delas, além da liberação de verbas para facilitar seus  últimos meses de administração, é a de apoio à sua candidatura ao Senado em 2014.

É tudo o que ele queria ouvir. Mas até ele sabe que há um compromisso de honra com seu padrinho José Serra. Se este sair candidato, Kassab terá, no mínimo, que manter neutralidade formal.

Ao perceber que o namoro Lula/Kassab era para valer, o governador Geraldo Alckmin procurou Serra, seu correligionário e inimigo íntimo e mostrou que o PSDB corria o risco de  sofrer uma derrota histórica em São Paulo.

Pessoalmente, como disse ontem neste blog, reluto em acreditar que Serra caminhe para esta aventura eleitoral. Além de magoado com o partido, ele ainda persegue obsessivamente a Presidência da República. Se vencer ficaria amarrado ao mandato de quatro anos.Uma nova renúncia seria desmoralizante. Se perder praticamente encerra sua carreira.

Seja como for,ele tem muitas chances de passar para o segundo turno. As últimas pesquisas  mostram que está em um patamar de 20 % do eleitorado, o dobro do que possuem seus principais concorrentes: Celso Russomanno, Gabriel Chalita e Fernando Haddad. Mas pesa contra ele uma rejeição de 35%.

No segundo turno, o eleitorado normalmente fica dividido quase que meio a meio. A diferença entre os candidatos raramente passa dos 10%. É a chamada polarização. Se o seu adversário for Haddad, o tucano terá pela frente toda a máquina do Governo Federal, uma grande coligação de partidos e Lula e Dilma, pessoalmente nos palanques. Uma parada indigesta.

E não é só isso. As mesmas pesquisas mostram que o eleitorado anseia por renovação. Aliás, pensando nisso, os marqueteiros do PT pretendem, explorar a juventude de Haddad e o fato  de ele ser mais técnico (acadêmico se quiserem) do que político.

A matéria abaixo  dá continuidade às informações desta.

13-02-12

Ninguém gosta do Kassab, mas
ele  tem  a  chave  da  Prefeitura

“Se só tem tu, vai tu mesmo”

Há sapos e sapos. E o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, uma cruza de Serra com Maluf, é um dos mais indigestos. Masoex-presidente Lula e os militantes do PT paulistano sabem, por outro lado, que o partido não tem (jamais teve) mais que 30% dos votos  na capital paulista. São os chamados “voto duros” no PT. Ou votos de cabresto como se dizia antigamente.

Da  mesma forma, todos sabem que o partido sofre uma rejeição histórica em torno de 30% do eleitorado, É um pessoal de classe média (alta e baixa) que vota no Belzebu mas não vota no  PT. Vamos combinar que em São Paulo, uma gigantesca cidade de serviços, o trabalhador clássico (o Zé Marmita de nossa fantasia nostálgica) há muito tempo é minoria.

E lembremos que há 20 anos Luiza Erundina (não havia, então, segundo turno) elegeu-se prefeita com esses mesmos e fatídicos 30% dos votos. Dez anos depois, foi a vez de Marta Suplicy que venceu o primeiro turno com 30%. No segundo turno, ela derrotou um Maluf já desmoralizado e, além disso, contou com o apoio do então governador tucano Mário Covas.

Uma aliança com o PSD de Kassab pode representar a conquista de parte dos 30 a 40% dos votos indefinidos ou inconseqüentes que são sempre os que decidem as eleições. São votos, enfim, que escapam  à alternativa do anti e do pró petismo.

Vai daí que os marqueteiros já têm até uma frase síntese para a campanha de Haddad, um socialista reiterado, novato em eleições: ”Uma cara nova para São Paulo” Para isso, no entanto, é preciso eclipsar  Kassab. E ele topa ser eclipsado.

Depois de selado o acordo, Kassab saberá ser suficientemente cara de pau e pragmático para não subir no palanque do petista, permanecendo na penumbra da retaguarda, de onde  fornecerá a grana dos amigos e a máquina da Prefeitura. Em troca, receberá o que mais precisa: tempo na TV para eleger uma boa bancada de vereadores.

Há dez anos, quando Lula resolveu convidar José Alencar para ser seu vice na campanha presidencial, a militância estranhou e chegou a vaiar aquele industrial conservador, filiado ao obscuro PR. Com o tempo, porém, o “bom velhinho”, ficou tão amigo e leal que até parecia um filiado ao PT.

Lula, antes de se acertar com o Kassab, procurou o Gabriel Chalita, um ex-tucano, amigo do governador Geraldo Alckmin. Hoje, filiado ao PMDB, ele tem boas chances de chegar ao segundo turno nas eleições paulistanas.

Chalita não topou ser o vice de Haddad, mas ficou combinado que os dois candidatos se poupariam durante a campanha e se aliariam num eventual segundo turno.

Por outro lado, o acordo com o PSD de Kassab trás embutida a possível candidatura de Henrique Meirelles, como vice de Haddad. Meirelles, outro ex-tucano, estava filado ao PMDB de Goiás, mas, na última hora, transferiu seu título para São Paulo e filou-se ao PSD.

Eu, particularmente, acho o Meirelles pior e mais pernicioso do que o Kassab. Mas, afinal, ele  foi durante oito anos o todo poderoso presidente do Banco Central, sendo prestigiado e até adulado por Lula. Não faz muito sentido vaiá-lo ou vetá-lo agora.

 Lula esta ansioso, em parte por causa da doença e, em parte, por que sabe que sem Kassab  o PT não chega lá. E sabe também que não há mais tempo nem alternativas para se costurar outra aliança. Ninguém precisa beijar o Kassab na boca, mas vai ser necessário dar uns tapinhas  nas costas dele e acabar com esse negócio de vaias. É pegar ou largar.

 A matéria abaixo dá sequência ao raciocínio desta.

11-02-12

Mas que PT é esse, gente?
Sem aborto  e com Kassab

Em dois discursos, com espaço de duas horas  entre eles, a presidente Dilma expôs, ontem (10), o dilema e a essência de seu governo. Logo de cara, disse espertamente que recebe “heranças diárias” do ex-presidente Lula, “uma referência nacional e internacional”.

É uma forma, bem ao estilo dos marqueteiros, de transformar um  limão numa limonada. Quando os tucanos e a mídia falam em “herança do Lula” querem dizer que ela herdou problemas e um jeito de governar do qual fez parte. Porém, dando uma de desentendida, a presidenta responde que é uma honra receber essa herança.

Mas esse é apenas  um detalhe quase folclórico da questão. Em outro tópico de sua fala, Dilma Rousseff, com alguma sutiliza, rendeu-se mais uma vez à Ditadura Conservadora da Governabilidade, um monstrengo que desfigura ainda mais o PT original é um trava no  na engrenagem da evolução social do País.

Foi assim que a presidente ao empossar, Eleonora Menicucci, sua antiga companheira  de lutas, na Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, disse singelamente que a nova integrante do Governo pode ter sua opinião sobre o aborto, por exemplo. Mas não pode  dizer isso em público e muito menos oficialmente. É como se o Ministro do Meio Ambiente não pudesse defender (publicamente) o Meio Ambiente. Enfim.

Na outra cerimônia, a do aniversário do PT, Dilma, deve ter espantado até o cara de pau Gilberto Kassab que compareceu ao evento para ser vaiado pela militância e para oferecer-se como novo integrante da Base Governista.

E não só isso: quer também costurar  uma aliança entre seu PSD malufo-fisiolóico e o PT paulistano, para a eleição de Fernando Hadadd à prefeitura de São Paulo.

E então Dilma disse singelamente que os partidos da Base Governista têm agido “com lealdade e eficiência”.

Infelizmente, caímos aqui, numa grossa inverdade: os partidos fisiológicos e/ou conservadores da Base de Apoio do Governo, não são leais nem eficientes. Ao contrário, desde os picaretas mais notórios que buscam ostensivamente cargos e grana, aos dinossáuricos pastores evangélico, passando pelos ruralistas da moto-serra, todos constrangem e chantageiam o Planalto. São exatamente aquela  trava na engrenagem a que nos referimos acima.

Os líderes carismáticos, quando populistas de esquerda, tipo Lula, Brizola e Perón, sempre conseguem convencer a militância de esquerda que “a coisa não anda” se não houver pelo menos um flerte com a Direita. É o que podemos chama de “pragmatisco de cúpula”, que exige cega confiança do militante no seu comandante.

Se Dilma estiver com essa bola toda em temos de carisma, ótimo. Talvez “alguma coisa ande”.  Mas se ela for apenas uma gerente  interessada e meticulosa, que cobra cumprimento de metas e cronogramas, então o PT e o País perderão o passo da História.

04-02-12 atualizado em 05-02-12

A represa parece remanso tranquilo, mas vai transbordar

Sábado (04-01), à tarde,  o governador Geraldo Alckmin admoestou o jornalista militante do PSDB, Edson Marques (membro da direção municipal do partido), e rejeitou o texto por este divulgado, insuflando a  militância tucana a reagir físicamente contra os militantes de esquerda.

 Estes militantes de esquerda, há três semanas, vêm provocando constrangimentos ao governador que, em função disso, chegou a cancelar vários compromisso oficiais.

No texto abaixo, postado ontem (04), procurei mostrar que está sendo armado, em São Paulo, um clima de confronto físico entre militantes de esquerda e de direita.

 E registro, agora, a idiotice ou malícia dos politicólogos  e cronistas neoliberais que nos  últimos anos vinham tentaram impingir a noção de que “as ideologias estão mortas”.  

Na verdade,  o que eles pretendiam era consagrar a noção de que não existia mais nada além dos paradgmas neoliberais. Como se sabe, todas estas baboseias foram ao chão depois da Crise Econômica Mundial iniciada,  em 2008, nos Estados Unidos e que é, antes de mais nada, a Crise do Neoliberalismo e  sua tentiva de  submeter  tudo e  todos aos caprichos do Capital Financeiro.

Texto de 04-02-12

Na superfície, Dilma Rousseff troca gentilezas com Geraldo Alckmin e Lula flerta com  Gilberto Kassab, supondo a possibilidade de um arranjo que poderá resultar no  apoio do PSD do prefeito paulistano à candidatura do petista Fernando Haddad.

Sob as águas aparentemente sossegadas da represa, violentas correntes de rancor, ódio e incompatibilidade ideológica se confrontam. Em alguns momentos estes confrontos afloram, como é o caso do assédio físico que militantes de esquerda (não só do  PT) estão movendo contra Alckmin e Kassab.

Os políticos parecem ter sangue de barata. Muitos talvez tenham, mas também  se deixam dominar  pelo rancor e, por baixo no pano, estimulam seus seguidores a partirem para o confronto. É uma situação análoga à do futebol, onde cartolas corruptos e indecentes  condenam a violência nos dias de jogo, mas, por baixo do pano dão todas as condições materiais para que  os imbecis furiosos das torcidas organizadas se arrebentem nas ruas e nos estádios.

Estou dizendo isso,  porque o Estado de S. Paulo publica hoje (04-01)  “mensagem de  integrantes  do PSDB” aos militantes do partido  conclamando  à defesa do governador Geraldo  Alckmin, na base do “bateu levou”. O texto  diz ainda: “colocou a mão a cobra vai piar”

O autor da mensagem é o  tucano Edson Marques que é jornalista e mantém um blog na Internet.  Segundo ele, tucanos do Jardim Helena, na Zona Leste da Capital, souberam que integrantes do PSOL , PSTU e PT programaram uma manifestação contra a ação da Polícia Militar no Pinheirinho durante visita que o governador Alckmin fará, também hoje, ao Parque Ecológico do Tietê.

O presidente municipal do PSDB, Julio Semeghini,  disse que  o recado do blogueiro não é uma mensagem oficial do partido e que não concorda com o texto.

Mas a convocação está feita.

A radicalização                   

Tenho  repetido aqui neste  blog (inclusive em texto postado ontem  na coluna Arte & Manha) que os trinta anos de hegemonia neoliberal que  assolou o Planeta, exacerbaram, em  nome da liberdade do empreendorismo isolado e do sucesso individual, um individualismo animalesco. Há toda uma geração fascistóide, consumista e inteiramente refratária a qualquer sentimento universal de genuina fraternidade e solidariedade social.

 Uma parte ponderável da classe média paulistana (alta e baixa),  é o exemplo pronto e acabado do que dissemos acima. E é nesse caldo de cultura que os tucanos pretendem, ao que parece, arregimentar sua tropa de choque.

Diante de tudo isso, sou abrigado a vaticinar que a campanha eleitoral deste ano, em São Paulo, será pontuada por cenas de pugilato.

Não sei se o ex-presidente  Lula conseguirá  levar adiante sua ousada e até extravagante tentativa de aliança com o PSD  de Kassab. Na hipótese de que isso aconteça, a militância do PT deverá poupar o prefeito. Mas não se pode dizer  o mesmo dos militantes do PSOL e do PSTU.

 Além disso, a verdade  é que os  ânimos estão exaltados pelo fascismo implícito no jeito como são tratadas as vítimas do crack e pelo fascismo explícito como foram tratados os  moradores do Pinheirinho. Sendo assim, é impossível não supor que todas as militâncias de esquerdas, ai incluídas as do PT, continuarão acossando o governador.

Cedo ou tarde os políticos terão que descer  de suas falsas boas maneiras e partir para as acusações recíprocas.

Quem olha a superfície do remanso  imposto pela imensa barragem que é  a  base governista no Congresso – composta por partidos  tão díspares -, não imagina que vivemos uma época de radicalização ideológica e política.

20-01-12

Delenda Chalita

O PSDB paulista, dividido, possuía dois projetos divergentes  para a eleição da prefeitura de São Paulo. Os serristas sempre defenderam uma aliança com o prefeito Gilberto Kassab, cria e amigo do Serra.

Os aliados do governador Geraldo Alckmin queriam forçar Serra a candidatar-se à prefeitura  paulistana. Como ele recusou, estão, agora, sem candidato viável e sem rumo. O Plano B dos alckministas é um convite ao fracasso: uma aliança com o desmilinguido DEM.

 Já o Plano B dos serristas  a aliança com Kassab,  também não resolve. Primeiro  porque quem manda no partido é o governador. Segundo porque Kassab está no fundo do posso em temos de popularidade.

O resultado é que os dois candidatos que saíram na frente  e com poderosos esquema em suas retaguardas já deverão despontar como favoritos nas próximas pesquisas. O primeiro é  Gabriel Chalita (ex-secretário tucano da Educação) lançado pelo PMDB. O outro e  Fernando Haddad que está abandonando o Ministério da Educação para subir no palanque.

Chalita estreou, ontem, com  toda a pomba, apresentando-se como principal atração no programa gratuito de seu partido em  rede nacional.  Já Haddad, há dias, vem sendo coberto de mimos e elogios por parte da presidenta Dilma que inventa eventos em série só para apresentá-lo  ao grande público.

Por  razões plausíveis, os tucanos  não botam muita fé  em Haddad que jamais disputou uma eleição. Então os tucanos decidiram concentrar seu fogo contra Chalita que tem mais traquejo  político-eleitoral e desfruta de  um bom número de “votos cativos” junto aos setores  conservadores (carismáticos) da Igreja  Católica.  Mas, acima de tudo, ele  é o herdeiro natural dos  votos daquela parte da classe média que votaria em Serra. Não é pouca coisa.

Como resultado de tudo isso, já ocorreram os primeiros disparos. O trabuqueiro foi  Walter Feldman, ex-secretário de Esportes  e Lazer da Prefeitura e ex-tucano que abandonou o PSDB por ter brigado com Alckmin. Reconciliado com o governador, ontem ele  descarregou sua arma contra Chalita: “É um superficial e um demagogo barato”, disse.

17-01-12

Requião aponta “maracutaias” no Paraná

O senador Roberto Requião (PMDB), ex-governador do Paraná, revelou como funcionava uma verdadeira maracutaia no setor  hidrelétrico durante gestões anteriores à sua e alerta para o perigo  de que elas voltem a ser praticadas.
Requião explica que as irregularidades ocorreram em relação às PCHs – Pequenas Centrais Hidrelétricas – que costumam ser construídas em rios de pequeno e médio porte que possuem desníveis durante seu percurso e têm capacidade instalada inferior a 30MW.
O senador  peemedebista  lembrou que a Copel (Companhia Paranaense de Energia) tinha um mapa de todos os rios do Paraná com todas as possibilidades de construção de usinas hidrelétricas e que houve vários pedidos de concessão nas gestões que o antecedederam à  frente do Governo paranaense.
No entanto, acrescenta, “a maioria destas pessoas não pretendia construir uma usina. Queria apenas ter a concessão para poder vendê-la depois. Mesmo assim, mais de 200 licenças foram distribuídas”
Na época, o Brasil possuía um programa de financiamento do BNDES para obras de infra-estrutura que financiava até 80% do valor das hidrelétricas.” Então, a Copel entraria, com estes ‘amigos do poder’, como sócia minoritária. Eu acabei com isso. Aprovei uma lei da Assembléia Legislativa que a Copel só poderia participar como majoritária”, afirmou Requião.
E conclui:” Como a obra seria 80% financiada pelo BNDES, empreiteiras fariam a obra praticamente com investimento zero e posteriormente a Copel compraria a energia gerada. “O cálculo, à época, é que em seis anos a usina se pagaria e o dono da usina ficaria ganhando ao longo da sua vida inteira sem ter despendido um único Real” .

11-01-12

 Lula descaracteriza o PT.
 Mas Aécio dilui Oposição

Sinal dos tempos: Arnaldo Jabor elogia Dilma escancaradamente, a filha de Lula assessora Gabriel Chalita e, para completar,  Aécio Neves  impede o PSDB de abrir uma  CPI contra o ministro Fernando Bezerra, do PSB que é da base aliada do governo.

Os elogios de Jabor não merecem  muitas considerações porque ele  é apenas um gaiato, pau mandado, que procura jogar Dilma contra Lula. Mas os dois outros tópicos são importantes.

Lula, o pragmático, graças ao lulismo, um fenômeno com aroma neogetulista, tem muito mais  massa critica política e eleitoral do que o PT. O partido resiste o quanto pode e boa parte de sua militância, bem como das correntes mais  à esquerda, procura manter acesa a chama ideológica inicial. Mas são todos atropelados pelo rolo compressor lulista.

 Como resultado, o ex-presidente amarrou, parece que definitivamente, um amplo acordo nacional com o PMDB de Michel Temer e de José Sarney. Acordo este que garantirá a governabilidade da presidenta Dilma nos próximos e três anos e, quem sabe, sua reeleição em 2014.

E não pode deixar de ser destacado que o ex-tucano  Gabriel Chalita, hoje candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo, acaba de contratar a filha de Lula,  Lurian Cordeiro Lula da Silva, como sua assessora especial. E em não se diga que ela entrou nisso à revelia do pai. Ao contrário: recorre a ele frequentemente,  nas emergências ou para pedir conselhos.

Chalita, como  informamos há tempos nesse blog, fechou com Lula um acordo mediante o qual ele será apoiado pelo PT na eventualidade de um segundo turno nas eleições paulistanas. Em troca, ele e Michel Temer apoiarão  um candidato do PT (Mercadante, talvez) para o  governo do Estado em 2014.

Quanto a Aécio, o que pega é sua total incapacidade de  fazer oposição. Conciliador e dado a  ousadas articulações de bastidores, jamais se opos fortemente a alguém, exceto no caso de José Serra, a quem prejudicou nas eleições  presidências de 2010.

De resto, não quer bater de frente com Dilma Rousseff e muito menos agredir seu amigo pessoal  Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB. Por isso, Aécio já avisou que não endossa o pedido de CPI nem atitudes mais agressivas (como querem os serristas) contra  Fernando Bezerra , ministro  da Integração, filiado ao PSB e atualmente o foco principal dos holofotes midiáticos.

Sabemos que essa pressão da imprensa nem sempre prospera e, independente disso, Aécio  projeta uma composição com Eduardo Campos para a eleição presidencial de 2014.

03-01-12

Ciro Gomes com um pé no Ministério

Há exatamente um mês, informamos em primeira mão neste blog que  Dilma Rousseff pensava em convocar Ciro Gomes para compor seu ministério depauperado pela ineficiência e apatia de uns e a faxina de outros. A presidenta trabalhou com Ciro, quando era chefe da Casa Civil e ele ministro da Integração. E gosta dele. Sabe que é polêmico e pavio curto, mas acha que ele é dinâmico, criativo e leal.

Agora, a  idéia que amadureceu na imperial cabeça de nossa presidenta é a de que  colocar Ciro no Ministério da Ciência e Tecnologia de onde sai o pouco criativo Aloízio Mercadante que ocupará a Pasta da Educação, para sair de lá, provavelmente, como candidato ao Governo do  Estado de São Paulo em 2014.

A nomeação de Ciro passa pela necessidade de se desatar um nó: a resistência do governador pernambucano Eduardo Gomes que é presidente  do PSB (partido ao qual Ciro é filiado), tem pretensões presidenciais e vê o cearense com seu concorrente.

Na verdade, desde a anunciada saída de Mercadante, Campos começou a fazer pressão para  reconquistar o  Ministério  da Tecnologia que foi de seu partido durante o Governo Lula.  Hoje o PSB está reduzido ao Ministério da Integração (cota do governador Eduardo Campos) e ao acanhado e inoperante Ministério dos Portos, ocupado pelo desconhecido Leônidas Cristiano, uma indicação dos irmãos Cid (governador do Ceará) e Ciro Gomes.

Fica evidente, então, que Dilma não poderá satisfazer a Ciro e a Campos ao mesmo tempo, a menos que aumente a cota de ministérios do PSB que ficaria com três pastas. A da Tecnologia, a da Integração (atual alvo  das críticas da mídia) e a dos Portos, onde Leônidas Cristiano seria substituído por um indicado do governador pernambucano.

Mas o mais curioso é que tanto Ciro como Campos são amigos  pessoais de Aécio Neves e vivem flertando politicamente com ele.  Em 2009, Ciro chegou a se oferecer como vice numa chapa presidencial encabeçada por Aécio. E Gomes nunca afastou a possibilidade de uma composição com o mineiro.

De qualquer forma, Dilma (com a concordância de Lula) parece decidida e ter Ciro por perto, nem que seja apenas para evitar que ele se aproxime perigosamente de Aécio.

Quanto ao PT, há nele uma parte que vê com agrado a vinda de Ciro o que evitaria que a tão propalada reforma ministerial fosse um fiasco. A outra parte (paulista), tenta preservar o Ministério para si, emplacando Newton Lima, deputado petista, ex-prefeito de São Carlos e ex-reitor da Universidade Federal dessa cidade.

22-12-11

Constituinte já

O ex-presidente Lula estava determinado, no início deste ano, a viajar pelo País defendendo a  idéia de convocação de uma Constituinte  (que poderia ser restrita a alguns temas específicos)como  único meio de  proporcionar a tão reclamada reforma política.

Depois, os compromissos externos, os  “focos de incêndio” do Governo Dilma e, finalmente, a doença,  fizeram com que o projeto fosse adiado ou  levando em banho-maria. Agora, entretanto, animados com a popularidade da presidenta e no embalo da campanha eleitoral    do próximo ano, Lua e as principais lideranças do PT pretendem votar à carga e  propor a convocação da Constituinte.

Pouca gente notou, mas o  presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), voltou a sugerir, no início desta semana, um plebiscito ou a instalação de uma Assembleia Constituinte para discutir a reforma política e estabelecer regras mais claras para o funcionamento dos partidos políticos e o financiamento de campanhas eleitorais.

Para Maia, o tema não avançou na Câmara por falta de acordo na comissão especial que tem a responsabilidade de discutir e propor alterações, referindo-se à comissão criada no primeiro semestre com a missão de produzir uma proposta de consenso.

Por quase seis meses, a comissão tentou levar à votação um parecer do relator da matéria, deputado Henrique Fontana (PT-RS), mas, por falta de acordo, a votação acabou ficando para o ano que vem, provavelmente para a segunda quinzena de fevereiro.

Na verdade, tudo o que Lula e o PT precisam é convencer o vice-presidente Michel Temer e o seu PMDB de que eles levarão vantagem com a Constituinte, uma vez que como as legendas muito pequenas  seriam extintas, o partido de José Sarney poderia herdar boa parte dos deputados e prefeitos desses  mini partidos.

Para o PT as vantagens são óbvias, desde que ele consiga implantar o financiamento público das campanhas, para não depender tanto do poder financeiro, o que o coloca numa espécie de vala comum. Mas o importante mesmo seria a adoção da lista fechada de candidatos (indicados pela direção partidária), o que corresponde ao voto de legenda puro.  Como é o único partido grande que mantém um mínimo de coerência ideológica e possui um eleitor “cativo” ou não fisiológico, o PT poderia, finalmente, avançar para além dos eternos 30% do eleitorado.

13-12-11

Serra e Aécio: um desamor sem fim

Sem vocação para  manter-se na liderança das oposições a partir da Tribuna do Senado, local natural para criticar o Governo e apresentar-se como alternativa, Aécio Neves  aproveita qualquer brecha política para meter o bedelho e conseguir, assim, algumas linhas na mídia. Não é fácil manter  uma candidatura à presidência, com tanta antecedência e  sem representar um novo projeto para o País.

Vai dai que  neste fim  de semana Aécio resolveu meter-se na campanha  eleitoral para a prefeitura de São Paulo e mais uma vez sugeriu  que José Serra, seu aqui rival, seja o candidato  do PSDB.

“A candidatura do Serra a prefeito é o sentimento da grande maioria do partido, por sua liderança, pelas candidaturas que já teve. Ele é extremamente competitivo” disse o mineiro.

“Mas não podemos forçar ninguém a ser aquilo que não quer, embora  no fundo, haja uma esperança de que ele seja o candidato.” concluiu ele com suas  velha e enfadonha ambiguidade, cheia de poréns e entretantos. Uma caricatura do avô Tancredo.

Serra está decidido a não ser candidato, já que uma derrota seria o fim de sua careira e uma vitória o prenderia quatro anos à cadeira de prefeito. Há seis anos, ele abandonou o mandato pela metade para candidatar-se ao governo do Estado, mesmo tendo jurado que não o faria. Se fizer isso de novo, em 2014,  será sua desmoralização definitiva.

Qualquer coisa que Aécio diga  irrita profundamente ao Serra. Mas desta vez ele não replicou. Limitou-se a dizer que não é candidato. Além disso, ele também luta para não ficar fora da mídia. Então, qualquer coisa que digam dele sempre ajuda.

 25-11-11

Bolsonaro  não vale nada, mas Dilma
não precisava  ouvir suas  crapulices

Jair Bolsonaro é o lixo do lixo político. Pior: é o residuo  podre (detrito) da História Suja escrita pela Ditadura Militar.  Mas ele não é uma figura excêntrica e isolada, posto que representa  o pensamento de parte ponderável das próprias Forças Armadas. Elas estão conformadas e profissionalizadas, mas há essa parte não convencida e recalcitrante.

Do mesmo modo, o deputado indecente representa o pensamento de setores inteiros da classe média. Inculta, pragmática, egoísta e analfabeta política. É um seguimento que dá conta do pensamento fascista  enrustido e atualizado.

O fenômeno da despolitização e/ou alienação crescentes das classes médias, em todo o Mundo,  não pode ser totalmente descrito neste espaço. Mas tem a ver, em linhas gerais, com as substanciais mudanças no modo de produção (com características pós-capitalistas ) que dilui as classe sociais e dá a sensação de certo esvaecimento ideológico.

Entretanto, o que há  é o esvaecimento de  ideologias que predominaram até  a derrocada da União Soviética. Ideologias onde a luta classes (burguesia x proletariado)  era, mais do que nunca, o “motor da História”.

 Hoje, com a diluição dessas duas classes protagonistas, ocorreu  o concomitante esgarçamento de suas ideologias. Mas as ideologias, não feneceram, apenas estão em fase de transfiguração. E a tarefa urgente das esquerdas é exatamente  o de  conceituar melhor esse processo.

Seja como for, é visível o conflito entre uma  sociedade que se moderniza vertiginosamente – e exige sadia liberação sexual – e  o recrudescimento de sentimentos  fascistóides e preconceituosos. Sentimentos estes inflados, em boa parte, por seitas pentecostais que parecem tentar reimplantar o obscurantismo medieval na modernidade.

Bolsonaro (e aqui votamos ao tema  inicial deste texto) representa, na forma mais grotesca, esse obscurantismo em confronto com os gestos generosos de  proteção às minorias ou setores  indefesos e ofendidos.

Por outro lado, é preciso reconhecer que os dois governos petistas representam um avanço em ralação a tucanagem. Bastam dois exemplos: uma política externa soberana e articulada e uma política econômica mais distribuitivista e menos submissa à ortodoxia neoliberal e ao Capital Financeiro. É muito pouco, porém. Sobretudo se nos lembrarmos do projeto petista inicial.

E não é difícil perceber que o PT e seu governo,  submetem-se com certa doçura às chantagens conservadoras de  sua extensa aliança garantidora da “governabilidade”. Fator que serve de pretexto para o seu próprio esmorecimento ideológico.

E a pergunta final: vale a pena manter-se em aliança com partidos  como o PP de Bolsonaro? Um partido que além dele reúne as viúvas corruptas da Ditadura Militar, como o Maluf, entre outras.

Dentro de três anos o PT estará lutando novamente para manter-se no poder. Se  mantiver essa postura tão negligente no aspecto ideológico e tão complacente com o fisiologismo vai ficando cada vez  mais semelhante à concorrência, os demais grandes partidos. E então, tudo dependerá do desempenho da economia…

11-11-11

Se houvesse eleição agora, Dilma venceria no
primeiro turno  tanto  a Serra quanto a Aécio

Na última das pesquisas periódicas  e exclusivas que Carlos Augusto Montenegro, presidente do IBOPE, fornece à direção do PSDB e à  Rede Globo que, evidentemente, não são divulgadas, Dilma Rousseff venceria tanto Serra como  Aécio, já no primeiro turno. A vantagem sobre o paulista e um pouco maior do que a  obtida sobre o minério. Nos dois casos a presidente teria entre  54 e 58 por cento dos votos.

Segundo a análise de Montenegro, a vitória de Dilma se deve não apenas à aprovação de seu governo, como também  à já crônica falta de discurso do PSDB, com o agravante de que seu principal aliado, o DEM, está desaparecendo como partido e ninguém sabe para que lado penderá  o PSD recém fundado pelo  prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Outro problema é o da indefinição sobre quem será o candidato. Oficialmente  a direção do PSDB diz que o “candidato natural” é Aécio Neves. Mas  em  nenhum momento  José Serra declarou que não é candidato.

Seja como for, Serra afia suas palavras batendo no governo bem mais forte do que Aécio e procura derivar seu discurso levemente para a esquerda, pelo menos na parte econômica. Em suas palestras ele insiste sempre na tese de que o Governo demorou para agir e quando agiu o fez tibiamente em relação ao câmbio, permitindo que o Real ficasse  muito valorizado e por muito tempo.

Já Aécio que ainda não encontrou  o tom adequando a seu discurso (e talvez jamais encontre), tenta suprir essa deficiência percorrendo  País,  numa caravana que pretende    ser de mobilização para as eleições municipais do ano  que vem. Mas o propósito real é o de  mostrar  Aécio como o líder de todos os tucanos e candidato implícito à presidência.

Há 30 dias,  o senador mineiro colocava-se à disposição do partido” para enfrentar Lula ou Dilma em 2014”. Agora  ele prepara um roteiro que começa pelos estados do Sul e termina, em dezembro, no Nordeste.

O  pré-candidato tucano quer, durante as visitas aos estados, mesclar reuniões políticas com palestras nas cinco regiões do País. “Minha ideia é, sem pressa, começar a falar um pouco do que pretendemos e pensamos para o Brasil”, diz ele.

 07-11-10

 Fernando Hadadd  precisa ser conhecido na
periferia e  superar  bronca  da classe média

O ex-presidente Lula e o marqueteiros do PT vão ter que provar que são do ramo mesmo: têm  exatos 12 meses para  transformar Fernando Haddad, o insuficiente Ministro da Educação, num candidato capaz de obter algo como 2,7 milhões de votos na enigmática cidade de São Paulo.

Há seis meses, Fernando nem sonhava com sua candidatura e pelejava para  estoicamente enfrentar a ira da presidenta Dilma inconformada com as sucessivas trapalhadas em seu Ministério. Ele só se manteve ministro por interferência direta do ex-presidente de Lula.

Entretanto, apesar dos  já tradicionais furos anuais do ENEM, Haddad é bem avaliado nos meios acadêmicos. Era, inclusive, respeitado pelo ex-ministro tucano da Educação, Paulo Renato, recém falecido, com quem mantinha  boas relações.

Além disso, domina o linguajar acadêmico (é mestre em Economia e doutor em Filosofia)  e nos debates intelectualizados  geralmente  sai-se muito bem, defendendo determinadas teses sofisticadas. É culto e articulado. De resto, como palanqueiro, é uma  incógnita e como político profissional (de careira) é um calouro.

No Ministério, além do ENEM, ele administrou totalmente voltado para as universidades. Não foi um mal trabalho, mas política e estrategicamente falando, faltou a ele  o essencial: em nenhum momento se sentiu  funcionalmente  ou  intelectualmente instigado  a articular com governos  estaduais e municipais, um projeto global para a eliminação do grande  gargalo na educação brasileira.

Gargalo que não se  localiza, como supõe, no funil elitista do ingresso  nas universidades, via vestibular ou grana. Gargalo que se situa escancaradamente no precaríssimo ensino fundamental, uma gigantesca e funesta  fábrica de analfabetos funcionais.

A solução evidente, é o aumento da  carga horária e a valorização do professor,  não apenas pelo aumento salarial, como também pela melhoria de sua formação que é igualmente precaríssima. Só um  autista não percebe que os primeiros três anos escolares são cruciais para nossas funções cognitivas e para nossa formação  profissional e existencial.

Entretanto, em que pesem as  toneladas de sociologia inócua já publicadas sobre o assunto, o  Sistema Educacional Brasileiro dedica a esses três primeiros anos  de nossa vida escolar, o que ele tem de pior. Temos ai, então, a razão e o fundamento de nosso  famoso apartheid social.

 Leonel Brizola e Darcy foram os dois únicos políticos brasileiros a se debruçarem sobre este tema de forma articulada e generosa.  Mas tudo que eles construíram há  vinte anos, foi meticulosamente  destruído pelos calhordas que os sucederam.

Na eleição o papo é outro

Com a adesão do ex-casal Suplicy (a senadora Marta e o senado Eduardo) a candidatura de Fernando Haddad passa a ter o apoio de 90% das bases petistas na Capital.  É um bom começo, mas a caminhada até urnas  é longa e árdua.

O ministro candidato tem pouco mais que 3% da preferência do eleitorado. Sua sorte é que, com a saída do páreo de Marta e de José Serra, os demais candidatos também são raquíticos em termos de IBOPE.

 Como principal concorrente de  Haddad, tempos, ironicamente seu possível aliando no segundo turno, Gabriel  Chalita  (PMDB) considerado “boa pinta “ como ele e, coincidentemente,  também especialista em educação.  Se as crianças e os jovens paulistanos  continuarem mal servidos em termos de escolas, não será por falta de “especialistas”.

Enfim, os dois principais obstáculos a serem enfrentados por Fernandinho será, primeiro, o total desconhecimento de seu nome pelas chamadas camadas populares, onde, porém, Marta Suplicy  tem boa penetração. O outro obstáculo é a barreira psicológica que separa  grande  parte do classe média do PT, além da visão crítica  (estimulada pela mídia)  que ela tem  em relação à sua  gestão no Ministério.

O provável candidato tucano, Bruno Covas (neto  do ex-governador)  por  enquanto não é um nome, é  apenas um sobrenome, dada a insipidez de seu currículo. Eleitoralmente é, muito fraco, portanto. Com isso, quem deve colher a maior parte dos votos de classe média é mesmo Chalita, um ex-tucano, aliás.

A matéria  abaixo dá continuidade às informações desta.

 04-10-11

No xadrez paulistano, o menos vale mais

Constrangida  pelos insistentes pedidos do ex-presidente  Lula e da própria presidenta Dilma Rousseff,  a  senadora Marta Suplicy renunciou, ontem, à sua candidatura à prefeitura de São Paulo.

Como entender que ao se preparar para  uma  importantíssima eleição, como a da prefeitura de  São Paulo, um partido, o PT, troque uma candidata, Marta Suplicy que conta com 30 pontos no  IBOPE,  por um candidato, Fernando Haddad, que possui apenas três pontos e vive às voltas com as complicações do ENEM?

Vamos por partes: Primeiro, lembremos que Marta foi prefeita  da Capital paulista entre 2001  e 2005 e há anos está estacionada  na casa dos 30 pontos do IBOPE, mais ou menos empatada com o também-ex-prefeito José  Serra. Outro ponto comum entre os dois é o de que eles são  igualmente os mais rejeitados  junto ao eleitorado paulistano, o que pode ser considerado natural para quem  já foi prefeito.

Entretanto, Marta já foi derrotada duas vezes  nas últimas eleições paulistanas. Uma vez para Serra, quando tentou reelege-se e uma segunda vez para  Gilberto Kassab, apoiado por Serra. Isto, de certa forma traumatizou os petistas paulistas e criou algo próximo de um estigma contra a senadora.

 Além disso, embora  bem votada nas periferias, Marta definitivamente não agrada uma parte ponderável da densa classe média paulistana, sobretudo a dos jardins e adjacências  Este é um fenômenos que afeta ao PT como um todo,  mas tornou-se mais  grave  em relação à ex-prefeita, quando, nos tempos de Ministra do Turismo ela emitiu a frase histórica dirigida a viajantes amontoados nos aeroportos: “Relaxa e goza”. Um bela frase, por sinal.

Apesar de todos  esses percalços, Marta era, contudo (além de Aloizio Mercadante  que não chegou a entrar no páreo) a única candidatura petista  com “bagagem eleitoral” suficiente  para enfrentar José Serra.

 Pois bem e esta é a  segunda parte: quando  ficou suficientemente claro que José Serra não seria candidato à prefeitura,  ex-presidente Lula sentiu-se mais à vontade para desenvolver seu projeto de “Renovação de Lideranças”, na verdade um biombo.

Os leitores deste blog devem estar lembrados que há  dois meses comentamos neste blog a articulação  de Lula para consolidar uma aliança nacional com o PMDB, visando não só à governabilidade de  Dilma Rousseff, como estabelecer, desde já, um acordo para sucessão  ou reeleição dela. Tudo isso, passa, evidentemente, por um acordo PT/PMDB em São Paulo.

Lula conversou, então, com o vice-presidente  Michel Temer e com  Gabriel Chalita  recém filiado ao PMDB, mas  já cotado para ser o candidato do partido à prefeitura paulistana. Nestas   reuniões (e isto é o que o biombo da renovação esconde) selou-se uma espécie de acordo eleitoral.

Neste acordo, Lula ofereceu  o apoio do PT a Chalita  num eventual segundo turno, deixando quase implícito que o PT, com Fernando Haddad, não teria condições de vencer o primeiro turno. Em troca Chalita (e o PMDB evidentemente)  apoiariam  um candidato petista ao governo do Estado, em 2014.

Isto  pode parece tortuoso e complicado, mas talvez  seja a fórmula mais fácil  para o PT conseguir desbancar os tucanos do governo de São Paulo, onde estão aboletados há 20 anos.

Quanto à Marta, consta que no encontro com Dilma Rousseff na  manhã de segunda-feira (30-10) em São Paulo, ela teria recebido  a promessa, caso renunciasse, de receber um ministério na reforma prevista  para janeiro do ano que vem.  Mas isto  pode ser mera especulação já que  foi privada  a reunião das duas, a bordo do avião presidencial prestes  a voar para Brasília. Uma especulação até que bem plausível, entretanto.

25-10-11 atualizado em 26-10-11

Dilma garante Ministério para o PCdoB,
 mesmo com a queda  de  Orlando  Silva

A demissão do ministro Orlando Silva, do Esporte, foi decidida esta manhã durante longa reunião (começou às 9 horas), no gabinete do secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho, no Palácio do Planalto. Presentes o próprio ministro demitido  e o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo.

Como informamos ontem, o Ministério continuará sob controle do PCdoB, sendo que o nome preferido  pela presidente Dilma Rousseff para ocupar  o cargo é o deputado Aldo Rebelo (SP). Mas por enquanto deverá assumir, interinamente,  por 24 horas, o secretário-executivo da Pasta, Waldemar Manuel Silva e Souza.

Texto de 25-10-11

No fim desta tarde de terça-feira (25), um fato novo praticamente selou a sorte do ministro Orlando Silva, do Esporte:

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia determinou a abertura de inquérito para investigar o envolvimento do ministro do em suposto desvio de dinheiro público do programa Segundo Tempo, que visa incentivar a prática esportiva entre crianças e adolescentes.

Cármen Lúcia também requisitou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a remessa em 48 horas ao Supremo do inquérito a respeito de possíveis irregularidades cometidas pelo atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), quando era ministro do Esporte.

Diante disso, a presidente Dilma Roussef convocou, para uma reunião  no Palácio do Planalto, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo. A partir desse momento ficou claro que a situação de Orlando Silva tornou-se insustentável. Tudo indica, contudo, que a Pasta continuará em mãos do PCdoB.

Até a manhã de hoje, esperava-se que Orlando Silva fosse mantido pelo até janeiro. Isto porque, por volta de 17h de ontem (24), de Manaus, a presidente Dilma Rousseff telefonou ao ministro do Esporte, Orlando Silva, para informar que, do ponto de vista dela, a crise estava superada já que realmente  não existiam as tão anunciadas “provas” contra ele. Eram gravações  com a voz do próprio ministro que o envolveriam  nos esquemas de corrupção da Pasta.

Embora o Palácio do Planalto não confirme oficialmente o telefonema (e também não desmentiu) há uma grande possibilidade de que ele seja verdadeiro, conforme a versão divulgada  hoje, informalmente, pelo PCdoB e pelo Ministério do Esporte, através de diversos canais (blogs, sites, etc.) na Internet. Seria uma insensatez e um suicídio político  simplesmente inventar um telefonema presidencial.

Sendo assim,  ministro parecia garantido pelo menos até janeiro, quando deverá ocorrer uma  ampla reforma ministerial. E  é preciso destacar que a presidenta ligou para Orlando tendo ao lado na menos que o ex-presidente Lula que viajou com ela para Manaus. Lula defende que o Ministério deve permanecer nas mãos do PCdoB.

É preciso salientar  que a mídia continuou especulando contra o ministro para manter o escândalo da vez, embora ainda não existam provas cabais contra Orlando Silva.

Seja como for,  com a abertura do inquérito contra o ministro no STF, sua situação ficou insustentável.

As pressões

Entretanto, ninguém podia garantir a permanência de Orlando Silva no Ministério, a partir de janeiro. Porque há a questão do fogo amigo. Todos sabem eu o Ministério  é cobiçado  pelo PT e pelo PMDB. O próprio presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, denunciou isso, com todas as letras.

Há também fortes pressões da FIFA e da CBF que travam violenta batalha  jurídica e comercial contra o Governo Brasileiro, por questões menores, mas pelas quais rola uma grana alta: venda de cerveja nos estádios durante a Copa, bem como o cancelamento de  meia entrada para  estudantes e idosos.

Há, portanto, interesse em fragilizar Orlando Silva, com o objetivo, no mínimo, de criar constrangimentos para Dilma Rousseff. E como em política  ninguém é de ninguém, já se especula (e aqui é mera especulação mesmo) que caso caia o Orlando  e o Ministério  permaneça com o PCdoB, os nomes  mais cotados para  substituí-lo são  os das deputadas  federais Jandira Feghali, do Rio, e Luciana Santos, ex–prefeita de Olinda.

A matéria abaixo dá continuidade às informações desta.

23-10-11

Orlando Silva ainda balança

A conversa revelada nesta semana pela revista “Veja” mostrando que o PM delator, João Dias Ferreira, teria recebido auxilio de funcionários do Ministério do Esporte para “enganar a fiscalização”, não é suficiente para derrubar o ministro Orlando Silva, mas mantém o assunto na manchete dos jornais.

Na avaliação do Planalto, a gravação não é a bala de prata que atinge o ministro, mas compromete a imagem geral dele, do Ministério e do PCdoB. Então, a pergunta inevitável: Por que a presidenta Dilma deu uma sobrevida ao agonizante Orlando Silva?

Resposta: Por que ela precisa de tempo para encontrar uma solução que evite um rompimento com os comunistas aos quais ela é grata e não quer melindrar. E, sobretudo, porque ela não quer deixar registrada a evidência de que ela age condicionada pela pauta e pelo time da mídia.  Quem decide se demite e quando demite é ela e não os jornais.

Seja como for, e como há a previsão de uma reforma ministerial em janeiro, a aposta é a de que Orlando tenha que suportar mais 70 dias de agonia. E é certo que o Ministério do Esporte sairá das mãos do PCdoB. Há evidências suficientes de que a Pasta está envolvida em iregulariades desde a gestão de Agnelo Queiroz, hoje no PT e governador de Brasília. Nesse tempo, aliás, Orlando Silva era o seu chefe de Gabinete.

As principais lideranças do PCdoB, a começar por seu presidente Renato Rebelo, regiram rápido, com veemência e coragem. Não fugiram do assunto e defenderam a imagem do partido, inclusive em seu programa no horário gratuito TV. Tiveram, nesse sentido, um desempenho bem melhor do que o de outros partidos da base aliada cujos ministros foram recentemente defenestrados. Mas, com tudo isso, o Mistério do Esporte  deverá trocar de mão em janeiro.

A petulância e  a intempestividade do sociólogo Emir Sader, que  na última quinta-feira  “demitiu” Orlando Silva pelo Twitter, também contribui para que o Planalto adisse  sua decisão. Como Sader é  amigo e assessor do ex-presidente Lula, Dilma não poderia simplesmente assinar em baixo de uma decisão emanada de seu  antecessor e padrinho.

O que há de fato

A Veja transcreve diálogo de uma reunião, que teria ocorrido em abril de 2008 entre  o PM João Dias, Charles Rocha, então chefe de gabinete da Secretaria-Executiva do ministério, e  Fábio Hansen,então chefe de gabinete da Secretaria de Esporte Educacional.

Na conversa o policial reclamava com os servidores de um ofício do Ministério do Esporte encaminhado à Polícia Militar do DF descrevendo supostas irregularidades em convênios firmados com ONGs de João Dias dentro do programa Segundo Tempo, que tem o objetivo de promover atividades esportivas em comunidades carentes. O documento informa a cobrança de um ressarcimento de R$ 3 milhões pelos supostos desvios.

Após horas de reunião, Fábio Hansen e Carlos Rocha parecem chegar a uma solução, de acordo com a  revista:

“A gente pode mandar um ofício desconsiderando o que a gente mandou,” sugere Rocha. “Você faz três linhas pedindo a prorrogação do prazo”, completa Hansen, para então sugerir que o pedido de prazo seja feito “com data anterior à publicação”, o que configuraria fraude, segundo a reportagem.

 De sua parte, o Ministério do Esporte, em nota oficial questionou a apresentação da conversa e diz que pedirá à Polícia Federal para incorporar a gravação à investigação em andamento sobre o suposto esquema de desvio. Investigação esta que teria sido solicitada pelo próprio ministro Orlando Silva.

Com já dissemos em outros textos deste blog, este é um conjunto de ações que pode ser considerado corriqueiro nas administrações federal, estaduais e municipais, desde sempre e incluindo aí os Poderes Legislativo e Judiciário. Mas adquiri proporções de grande escândalo, quando  ocorre uma gravação e a mídia  concentra seus holofotes.

Por isso Orlando deve cair, enquanto colegas seus de Ministério, tão vulneráveis quanto ele, continuarão impávidos e refestelados em suas fofas poltronas na Esplanada.

No entanto,  seria bem mais fácil  e bem menos hipócrita, se recorrêssemos a uma  Constituinte restauradora e moralizadora. Constituinte que considere a angústia por mais ética  que já ronca na Internt e nas ruas, bem como leve em conta a necessidade de compatibilizar a vida do  cidadão do  Século XXI com o novo modo de produção que está sucedendo à obsoleta fórmula capitalista.

Para isso, as esquerdas precisariam pensar grande, estrategicamente e não apenas nas eleições do ano que vem.  Mas aí já é quer demais.

Além disso, quando se fala em Constituinte, a mídia foge do assunto como o diabo da cruz. Essa mídia que é tão corrupta quanto os políticos que ela acusa e que, como eles, come na mão do Capital Financeiro, a coluna mestra de toda a corrupção e fonte  principal  da generalizada Caixa2.

A matéria abaixo dá continuidade  às informações desta.

17-10-11 atualizado em 19-10-11, em 20-10-11 e em 21-10-11

Podres Poderes

 Dilma Rousseff cancelou  a reunião que teria com Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB, assim que voltasse da África e  só às 20 horas desta sexta-feira (21) recebeu em Palácio o ministro do Esporte, Orlando Silva,  para que ele desse explicações pessoais.

Com isso, está acontecendo exatamente o que ela menos deseja: a mídia e o Twitter então fazendo a pauta presidencial e demitindo e nomeando ministros a torto e a direto.

Seja como for, exatamente às 21 horas, Orlando Silva saiu  do Gabinete Presidencial, de  peito estufado, dizendo que a técnica, digo a presidenta, garantiu que ele “está prestigiado”.

Horas antes,  Orlando Silva fora “demitido”  por Emir Sader  sociólogo amigo  e assessor do ex-presidente Lula. Sader decidiu aproveitar o embalo e também demitir, do Ministério da Cultura, sua desafeta, Ana de Hollanda. E para o  lugar da irmã de Chico Buarque  ele “decidiu” nomear  a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Emir resolveu  ainda que os  comunistas não podem ficar fora do governo.

 Ainda pelo Twitter, Jandira  imediatamente desmentiu Sader,  dizendo que seu partido está firme ao lado de Orlando Silva. Entretanto, pode ser até que a bola de cristal do sociólogo esteja certa, sobretudo se ela  se chamar Lula. Neste caso, como fica a autoridade da presidenta?

 Na quinta-feira (20), Rabelo não conseguiu falar com a chefe do Governo. Reuniu-se  com a chefe da Casa Civil,  Gleisi Hoffmann, com o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho e  a ministra das Relações  Institucionais, Ideli Salvatti. Eles garantiram que o PCdoB “não seria crucificado”, o que é  apenas o óbvio. Mas ninguém garante a permanência do Orlando Silva.

De concreto, temos que até a FIFA já deixou oficialmente de reconhecer Orlando Silva como  seu interlocutor para assuntos da Copa. E, por outro lado, temos que o PM  delator,  João Dias Ferreira, origem e pivô de toda esta história, apesar dos anúncios bombásticos  ainda não apresentou uma  única prova que envolva o ministro com as falcatruas do Ministério. A anunciada gravação comprometedora simplesmente não existe.

Entretanto, vai ficando claro que as falcatruas existem e envolvem malversação de recursos através do Programa Segundo Tempo, uma versão esportiva do Bolsa Família. Estes recursos são fartamente distribuídos para ONGs de fachada ou de gestão duvidosa.

 Esta é uma prática generalizada e comum a todos os ministérios e governos estaduais. Ocorre que, no momento, todos os holofotes estão voltados para Orlando Silva que dificilmente se safará deste massacre.

Texto de 20-10-11

Segue a novela da fritura do ministro Orlando Silva, do Esporte. Então, vamos  no popular: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. No caso são três, a política, a esportiva e a policial. Esta última depende (vejam que história) de um contrato de exclusividade que o denunciante, o sargento PM João Dias Ferreira, tem com a revista Veja.

 Por isso ele só mostrará,  na  próxima  semana, no Congresso, a já famosa  gravação que comprovaria, cabalmente, o envolvimento do ministro, no esquema de corrupção.

Registre-se, aqui, o jeito Veja de  fazer jornalismo que, por ventura, é tão mafioso quanto  o esquema que ela pretende denunciar. Mas o fato é que o  sargento réu confesso e acusador adiantou ao deputado ACM Neto (DEM-BA) que a gravação não deixa  margem a qualquer dúvida. Então, ficam todos aguardando a edição da  revista  deste fim de semana, para saber como ou de que lado ficar.

Pelo viés político, o Palácio do Planalto como sempre agiu em todo processo de fritura, nega tudo  até a consumação do ato. Mas há nuances: a primeira é a de que Orlando Silva garantiu à chefe Casa Civil, Gleisi Hoffmann,  que  sua voz não aparece em nenhuma gravação.

O governo tende a acreditar nisso. Mas, além disso, a presidente  Dilma não que ser cruel com o PCdoB,  partido  leal e que ela respeita. Tanto que, assim que voltar de Angola, receberá para uma conversa, o lider do partido, Renato Rebelo. Não confundir com o deputado trapalhão  Aldo Rebelo que, embora comunista, aliou-se aos ruralistas na questão do novo Código Florestal.

O PCdoB pode  não ter uma  penca de deputados tão grande  quanto as  do PT e do PMDB, mas controla, por exemplo, a UNE, que entre outras coisas, participou decisivamente da campanha pelo monopólio estatal do petróleo e criação da Petrobrás. E, mais recentemente, liderou o movimento  (Caras Pintadas) que resultou na queda de Collor.

Renato, por sua vez,  diz  que seu partido é pequeno mas brioso. E fala abertamente em fogo amigo, acusando o PT e  o PMDB de cobiçarem o Ministério do Esporte.  Disso, cremos nós, pode  resultar que o ministério continue nas mãos do PCdoB, mesmo que  Orlando Silva caia.

Por enquanto,  à moda dos cartolas do futebol, o Planalto continua negando qualquer  processo de fritura  de seu técnico, digo, ministro.

Como já agora a luta se dá em campo aberto,  Orlando Silva, em todos os depoimentos no Congresso e declarações à imprensa, insinua que a corrupção do Ministério, se existe, teve origem na gestão de Agnelo Queiroz, ao tempo  em que este era membro do PCdoB. Depois, como se sabe, Agnelo filou-se ao PT e acabou eleito  governador do Distrito Federal.

Finalmente, a parte esportiva e pessol:a Dilma, ao contrário de Lula, não se dá bem com o ainda poderoso, mas em rápido processo de desmoralização, presidente da  CBF, o Ricardo Teixeira que,  por sua vez, também anda  às turras com seus sócios mafiosos da FIFA.

Orlando Silva teria demorado a perceber  a mudança de clima,  não notando que Dilma estava, já  há algum tempo, decida a enfrentar as exigências, que considera absurdas,  da FIFA em relação à Copa do Mundo.

 E mais do que isso: a presidenta, certa ou errada, acha que a coisa está sendo levada para o lado e pessoal. E atribui a uma picuinha ou retaliação dos dirigentes da FiFA a posição “discricionária” contra o Beira Rio (Porto Alegre) que já foi excluído da  Copa das Confederações (2013) e cujas obras estão atrasadas,  mas não mais atrasadas do que as do Maracanã e do Itaquerão em São Paulo.

Texto de 19-10-11

Pode-se dizer que começou a  fritura: por decisão da presidente Dilma Rousseff, o ministro do Esporte, Orlando Silva, não será mais  o interlocutor do governo nas negociações da Copa do Mundo de 2014 e na tramitação da Lei Geral do Mundial no Congresso.

As decisões relacionadas com a Copa serão centralizadas  nas mãos da presidenta e da chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Como este blog informou há dois dias, Orlando Silva depende de sua própria sorte e da capacidade de articulação de seu partido, o PCdoB. Não poderá contar com a blindagem do Planalto.

 Na verdade, Dilma sempre se aborreceu com “a excessiva proximidade” entre o ministro e a Confederação Brasileira (CBF). Desde o início, a presidenta se recusava a satisfazer certas exigências  da entidade, por considerá-las privilégios descabidos.

De qualquer forma a agonia do ministro pode ser longa:  como há a previsão de uma reforma ministerial em janeiro, PT e PMDB que estão de olho na  vaga, preferem que ele seja defenestrado daqui a dois meses. Se sair agora, Dilma teria que substituí-lo por outro elemento do PCdoB.

E todos  argumentam que, como o partido tem poucos representantes do Congresso, o Ministério do Esporte, subitamente valorizado pela Copa e pelas Olimpíadas, passou a representar “muita areia para o caminhãozinho comunista”.

Texto de 17-10-11

Não é possível afirmar que o ministro dos Esportes, Orlando Silva, vai cair hoje ou manhã. Mas que ele está pela bola sete, lá isso ele está. É a velha história do fogo amigo e, ainda por cima, fogo cruzado. Setores do PT e do PMDB cobiçam este ministério pelo qual há três anos não se dava nada, mas que virou umas das principais jóias da Coroa em função da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

Em qualquer hipótese, é necessário reconhecer que,  ao contrário dos colegas de  infortúnio que o antecederam na  já longa lista de ministros fritados, Orlando Silva agiu rápido e com veemência. Além de negar as acusações  contra ele (envolvimento direto em atos de corrupção) desclassificou os acusadores e atecipou-se a convites e convocações, colocando-se à disposição do Congresso Nacional para prestar esclarecimentos.

O orçamento da Pasta ainda é relativamente pequeno, 2,5 bilhões de reais, mas cresceu 30% de 2009 para cá. Além disso, o ministro dos Esportes reúne condições para manipular  e ser intermediário de vultosos recursos  provenientes de outros setores ligados à infraestrutura, como Transportes, Cidades, etc. E é certo que nenhum outro ministério estará, nos próximos três anos, tão exposto aos holofotes, para  o bem ou para o mal.

Quando o Ministério era pequeno e desimportante, ele foi dado a um partido pequeno, o PCdoB que se contenta com pouco e é um dos mais fiéis da base aliada. Ou era, até que o deputado trapalhão Aldo Rebelo (PCdoB-SP) resolveu, na qualidade de relator do novo Código Florestal, bandear-se para o lado  da bandidagem rural-desmatadora.

Rebelo e seu relatório foram fulminados por Dilma Rousseff que, advertida a tempo por Marina Silva (ninguém menos), percebeu que o modelo proposto por Rebelo exporia seu governo ao ridículo e à maldição dos ecologistas, aqui e no Mundo.

O desgaste

O fato concreto é que, desde então, as relações Planalto/PCdoB sofreram um processo de desgaste. Mas, voltando ao caso do ministro Orlando Silva, não será apenas e por causa deste desgaste que ele cairá. Se cair, será  por conta da  cobiça do PT e do PMDB e principalmente  por conta de seu desempenho considerado  medíocre e indolente.

Corrupção, como sabemos, é encontradiça em  todos os ministérios. Ninguém escaparia, se a faxina fosse geral e irrestrita, mas o que faz um ministro cair e ou não, é o grau do escândalo, segundo a pressão, maior ou menor, da mídia. Isto, é claro, somado ao nível de fragilidade política e pessoal  do ministro alvo. Experimente derrubar o ministro Edson Lobão, das Minas e Energia, para ver se é fácil.

O Podres Poderes no Brasil e no Mundo são muito mais fétidos do que supõe nossa  indignada filosofia. Sendo certo que o Capital Financeiro é a coluna mestra  desde, digamos, Império do Mal. Mas sigamos adiante.

Seja como for, a situação do nosso frágil ministro dos Esportes é realmente periclitante. É isso o que cansam de ouvir as paredes da Chefia da Casa Civil, ocupada por Gleise Hofffman e da  Secretaria Geral da Presidência, ocupada por Gilberto Carvalho. Ambos podem ser considerados os braços direito e esquerdo de  Dilma Rousseff.

 A verdade é que, apesar dos  pronunciamentos para o grande público exalando segurança  e otimismos,  nada  preocupa  e irrita mais a presidenta do que o abissal  atraso no cronograma das obras para a Copa e para a as Olimpíadas. Obras que vão dos estádios aos  aeroportos, passando pelo metrô,  por vias expressas, etc..  Sem falar no trem bala. É óbvio que Orlando  Silva não é responsável  isolado  por tudo isso, mas cada  crise gera seu bode expiatório.

Entrementes, há uma outra sala, também no Planalto, onde o ministro dos Esportes também é muito falado. É a do Ministério de Assuntos Estratégicos, ocupada  pelo ex-governador Moreira Franco  (PMDB-RJ) e  sócio do vice Michel Temer, nos negócios, na política e nas  fofocas.

Por  absoluta falta do que fazer e por índole, Moreira não faz outra coisa senão conspirar. A grande diferença em relação  a  Gleisi  Hofffman e Gilberto Carvalho é que  Dilma Rousseff não gosta dele. Tanto que em dez meses, jamais o convocou para um despacho ou simples conversa.

Sem blindagem

Quanto ao fogo amigo, lembremos que no último dia 8 O Globo  já noticiava que o PT e o PMDB  conspiravam para desestabilizar o ministro dos Esportes. Poucos dias depois, vazava a informação sobre investigações em curso  nos órgãos  do próprio Governo e a Veja publicaria (dia 14) entrevista de um dos investigados, o sargento PM João Dias Ferreira, ex-militante do PCdoB.

 Ferreira acusa  Orlando Silva de ser o esteio de um vasto esquema de corrupção no Ministério.  E desce ao detalhe, informando que entregou dinheiro ao ministro, na  garagem do edifício ministerial. Dinheiro este acondicionado numa prosaica caixa de sapatos.

Se o PM não for um maluco ou um vulgar e fantasioso delator, Orlando Silva terá que explicar o inexplicável, com o agravante de que  não conta  com um mínimo de blindagem por parte do Planalto.

Quem está feliz da vida é o ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP).  Até a semana passada, a bola da vez era ele. Mas como escândalo é como bolo de aniversário, onde um camada vai encobrindo a outra, já não se fala mais dele.

 o7-10-11

A bola da vez?

Em seu retorno da Europa, neste fim de semana, a presidenta Dilma Rousseff volta a enfrentar  um problema  que tornou-se  rotineiro: a possívelqueda de mais um ministro. Da Bulgária e da Turquia ela recomendou ao secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e à ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que o imbróglio  relacionado com o ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP), deve ser tratado como assunto interno do partido.

 “A crise  é deles e não do Governo”, foi a frase  que Salvatti deixou escapar depois de uma conversa com a presidenta.

Na avaliação de Dilma e seus principais assessores, a questão da faxina  que  não deve ser tratada com esse nome,   precisa ser apresentada como algo natural corriqueiro, uma obrigação natural da chefe do Executivo. É uma forma hábil de não abandonar a vassoura que rende bons pontos no IBOPE e, ao mesmo tempo, não melindrar os partidos da base aliada.

No caso específico  de Negromonte, ele está realmente sendo vítima de  fogo amigo. Boa parte de seus companheiros de partido querem derrubá-lo.  Seja como for, Dilma Rousseff   sempre foi a favor da permanência na Pasta, do antigo ministro Márcio Fortes, também do PP. E Negromonte limita-se a dizer que fica “enquanto merecer a confiança da presidenta”.

Retrospecto

Integrantes da bancada do PP, reunidos quarta-feira (05) em Brasília, avaliaram como “insustentável” a situação do ministro das Cidades, Mario Negromonte, segundo  notícia  veiculada  quinta-feira pela Folha de S. Paulo.

No domingo,  domingo anterior, o jornal já havia publicado matéria mostrando  que “Negromonte passou a ser tratado na Esplanada dos Ministérios como se fosse um fantasma”

E realmente ele deixou de ser chamado para reuniões sobre os preparativos para a Copa 2014, tem recebido menos recursos do que outros grandes ministérios e não influi mais na elaboração dos principais programas da sua área, como o Minha Casa, Minha Vida.

 Segundo a Folha, Emendas ao Orçamento apresentadas pelo ministro das Cidades, Mário Negromonte, quando exercia o mandato de deputado pelo PP-BA, beneficiaram empresas de pessoas ligadas a ele.

As emendas – afirma o jornal – foram destinadas a obras e evento no município de Glória (BA), administrado por Ena Vilma Negromonte, sua mulher. Com recursos do Turismo, a prefeitura contratou, por R$ 98,5 mil, cinco bandas para a festa de São Pedro, em julho.

De seu lado, a ministra Salvatti não esconde que  “boa parte” dos 41 deputados do partido quer a saída de Negromonte.  Eles reclamam que não são atendidos e não têm suas emendas liberadas na própria pasta. O ministro contaria com o apoio de apenas dez integrantes da bancada.

21-09-11

Dilma  reconstruiu sua figura política:
Não é a pupila, mas a sócia leal de Lula

O histórico discurso de Dilma Rousseff na abertura da 66ª Assembléia  Geral da ONU,  assinalou, entre outras coisas importantes, o seu grito de independência política. Até aqui, conviviam dentro do mesmo espectro político, a Doutrina Petistas e a Doutrina  Lulista. Esses dois pólos terão que conviver agora  com a  Doutrina Dilmista.

Para dizer de forma  simplificada, o dilmismo incorpora o populismo de tom getulista – adotado por Lula com as devidas adaptações e atualizações -, com  um toque de gerente moralista que reconquistou para o PT  boa parte do eleitorado de classe média que o abandonara  a partir do Escândalo do Mensalão.

Absoltamente bem pensado e bem escrito, o discurso de Dilma calou a própria Oposição. Todos  se renderam  à harmonia perfeita entre  a  emoção e a lógica didática. Mas, para o que nos interessa, destaque-se que o  pronunciamento foi de quem tem consciência de seu próprio poder e declara que não precisa de luz emprestada.

Não creio que Lula se senta diminuído  ou melindrado com as asas criadas por sua pupila, sua invenção.  Escaldado  e pragmático, ele  sabe, por exemplo, que só asfaltou seu caminho para a presidência, quando deixou de  disputar com Zé Dirceu, o poder interno no PT. No Planalto, segundo projeto (pacto) implícito, jamais  formalizado,  eles governariam praticamente a quatro mãos. Só não foi assim, porque Dirceu tombou na trincheira da governabilidade comprada.

Em relação à Dilma, Lula será sempre paternalista e protetor. Mas vai sendo, gradativamente, mais recatado, comedido, na hora de impor soluções ou nomeações. Se  for assim, em contrapartida ele será  sempre louvado e blindado. Sendo  certo que Dilma  cede de bom grado os espaços da articulação político eleitoral.

De resto, o sucesso de ambos vai depender da Economia. Até aqui tudo  vai bem,  mesmo com o recrudescimento da crise externa. Se conseguir chegar a 2014 com inflação sob controle e crescimento médio do PIB entre 3,5% e 4%, pode-se dizer que o País  realizou a travessia.  E, se tiver saúde e vontade,  Dilma se reelege com facilidade, até porque a  Oposição está sem rumo, sem discurso e sem líder carismático.

Pode parecer precipitado falar desde já em  sucessão de Dilma,  mas dentro de  18 meses, ou um pouco mais, não se falará de outra coisa nos meios políticos. E um ano e meio passa voando.

08-09-11

O Sexo e o Verde

A irritação da senadora Marta Suplicy com a cúpula do PT (leia-se José Dirceu)  e com o ex-presidente Lula  é tão furiosa que  e ela tem demonstrado isso com tanta intensidade nos círculos mais íntimos, ou nem tanto, que a ex ministra Marina Silva  já sonha em tê-la como companheira na  sua empreitada  para a construção de um novo partido.

Marta é líder absoluta de todas as pesquisas entre os possíveis candidatos à prefeitura de São Paulo. Por isso, embora  seja  também a campeã  das rejeições, ela não consegue ou não quer entender a estratégia de Lula (finalmente aceita  pela principais  lideranças  do partido) no sentido de “sacrificar” a prefeitura  paulistana, em troca do apoio do PMDB a uma candidatura petista ao governo do Estado em 2014.

Pelo projeto lulista, o PT apresentaria agora  a candidatura do novato e inviável Fernando Haddad, ministro da Educação.  Como há possibilidades concretas de que o PMDB  do vice Michel Temer chegue ao segundo turno através de Gabriel Chalita, este, em recente reunião com Lula, comprometeu-se a apoiar um candidato do PT ao governo do Estado em 2014. Desde que, é claro, seja apoiado agora.

E nessa estratégia está embutida, também  a manutenção da governabilidade de Dilma Rousseff,  o que passa por uma aliança solida e leal com o PMDB.

Marta irritou-se tanto com este “maquiavelismo barato” de Lula  que chegou a denunciá-lo  há duas semanas quando disse que e “se é para perder”, a candidatura de Haddad é uma  a melhor escolha”.

As quatro Marias

Por seu turno, a ex-ministra  Marina Silva, passa por um mau momento político. Há dois meses, ela abandonou o Partido Verde, decepcionada com  o fisiologismo e  o baixo nível de sua direção. Mas está começando a perceber que sua surpreendente  votação na campanha presidencial no ano passado foi conseqüência de  “um estado de espírito do eleitorado”, algo impalpável e difícil de ser transformado  em máquina partidária.

Daí a necessidade de  alianças, sobretudo à esquerda, para  que seu movimento (ou novo partido) que mistura  ecologia com ética política não caia  no vazio do simples moralismo  pequeno burguês,  desarticulado.

Daí seu namoro com  Heloisa Helena, atualmente sem mandato, além de  contestada e isolada  no PSOL, partido que ela fundou. E vai no mesmo sentido  o flerte da candidata verde com a ex-prefeita  paulistana, Luiza Erundina que não vê a hora de abandonar o Partido Socialista, dominado, hoje em São Paulo, pelo presidente da FIESP,  o inacreditável Paulo Skaf que só não é completamente ridículo, porque é multimilionário.

E daí a tentativa de aproximação, super discreta, com Marta Suplicy.  A dIvulgação, agora, de um acordo entre ambas, sepultaria definitivamente a candidatura da sexóloga.

Como curiosidade, vale lembrar que os  principais casos de defecção  na história do PT, foram liderados por  mulheres.

As duas matérias abaixo dão sequeência ao raciocínio desta.

 28-08-11

Dilma, em sintonia com Lula, também estimula Chalita

Há dois dias comentamos nesse blog e  demos  alguns detalhes do encontro entre o ex-presidente Lula e o deputado Gabriel Chalita (PMDB), candidato à prefeitura de São Paulo, no próximo ano (ver matéria logo abaixo desta).

E ficou claro, então, que o projeto de Lula é o de facilitar a eleição do pmedebista, agora em  2012, para garantir o apoio do seu partido a um candidato PT, ao governo do Estado  em 2014.

Ontem, a estratégia se confirmou com a informação de que a presidenta Dilma, em sintonia com Lula, também estimulou Chalita a sair candidato à prefeitura  paulistana. Foi  durante o jantar de confraternização entre a presidenta e  as principais lideranças do PMDB, oferecido pelo vice-presidente Michel Temer, há cinco dias.
Os candidatos potenciais do PT à prefeitura, principalmente Marta Suplicy, bem como boa parte da militância, relutam em aceitar ou mesmo acreditar neste fato consumado.

Mas é um fato consumado, porque, mais além da prefeitura de São Paulo e mesmo do governo do Estado, o que está em jogo e a estabilidade do Governo Dilma, a famosa governabilidade. Sem um acordo com O PMDB, na verdade um pacto que não dê margem a dúvidas e suspeitas, Dilma terá enormes dificuldades para governar.

 E a situação é tanto mais complicada, quando se sabe que, por razões externas, o País terá um crescimento  medíocre  até 2014. Os excepcionais  7,8% do ano passado  não se repetirão. Tanto Dilma quanto  o ministro da Fazenda, Guido Mantega,  acreditam que a média  anual de crescimento  ficará entre 3 e 4%.

A matéria abaixo dá continuidade ao raciocínio desta.

26-08-11

Lula fecha acordo com o PMDB, pensando em 2014

O encontro de ontem entre o presidente Lula e Gabriel  Chalita, o virtual  candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo, no ano que vem, comprova a estratégia que descrevemos neste blog  há três dias.Veja matéria logo abaixo desta.

Por incompetência  ou  malícia, a grande mídia não faz a suficiente articulação  entre as eleições municipais, principalmente a de São Paulo, e  o projeto  petista (lulista) de longo prazo. Projeto que procura garantir a governabilidade de Dilma e preservar a aliança com o PMDB com vistas às eleições presidenciais de 2014.

Para que se feche o raciocínio é preciso notar o grande jantar de confraternização promovido pelo vice-presidente  Michel Temer,  há dois dias em sua residência oficial, reunindo a presidenta  Dilma  e as  principais lideranças do PMDB. E acrescente-se a forma cortês com  que  Dilma tratou o ministro Wagner Rossi, da Agricultura (PMDB), no episódio de sua demissão, em função dos escândalos  em sua Pasta.

 Por último, mas não menos importante, note-se o esforço recente de Dilma para reduzir a faxina ao mínimo necessário, evitando sempre criar constrangimento para aliados. Ela inovou, digamos assim, com a fórmula “faxina light”.

Quanto ao encontro entre Lula e  Chalita que é um  aliado de Temer, à saída eles fizeram  as declarações de praxe, com  votos  de simpatia e elogios recíprocos, Lula reafirmou  sua preferência pela candidatura do ministro da Educação Fernando Haddad, eleitoralmente  muito fraco, mas que ele inventou pra isolar Marta Suplicy. De seu lado, Chalita reafirmou sua candidatura  pelo PMDB.

Lá dentro, só entre eles, posso garantir que a conversa  foi mais ou menos essa:

Lula _ Se o Fernando não for para o segundo turno, nos apoiaremos você. E, em 2014, você apóia o nosso candidato ao governo do Estado. Fechado?

Chalita _ Fechado.

Sobre o mesmo tema leia também a coluna Última Hora. A matéria logo aí abaixo dá continuidade à que você acabou de ler.

23-08-11

Lula dobra Marta que  não  será candidata
em São Paulo. Talvez ministra, mais tarde

Embora tenha saído “candidatíssima” da difícil reunião de ontem, com o ex-presidente  Lula, Marta Suplicy sabe que não disputará a prefeitura de São Paulo no ano que vem. Mas recebeu a promessa de que poderá vir a ser ministra e,  se os Deuses e o IBOPE permitirem, será a candidata do PT ao governo do Estado em 2014.

Com o este blog anunciou ontem, ver coluna Arte & Manha, o ex-presidente Lula tem um projeto linear e claro para as eleições paulistanas. Ele quer reproduzir ali a dobradinha PT/PMDB que  possibilitou a vitória de Dilma Rousseff  no ano passado.

A diferença é que  em São Paulo, o PT talvez tenha que fazer o papel de coadjuvante, apoiando, no segundo turno, o candidato do PMDB, Gabriel  Chalita. O ex-presidente sabe que seu candidato preferido, Fernando Haddad, dificilmente passará do primeiro turno.

Entretanto, ele raciocina que se Marta for a candidata, ela seria derrota no segundo turno pelos tucanos, como já foi uma  vez,  por Gilberto Kassab, o atual prefeito. Isto, por conta  de sua grande rejeição junto ao eleitorado.

 O que parece certo é que não haverá prévias nem no PT nem no PSDB, onde  as coisas caminham para a candidatura do senador Aloysio Nunes, com o apoio de José Serra,  do governador  Geraldo Alckmin e, possivelmente, de Kassab.

Nas eleições de 2010, para o Senado, Aloysio conseguiu, na Capital, 30,44% dos votos válidos, enquanto Marta Suplicy obteve 22,59%.

Ainda ontem, na reunião com Marta e outras lideranças petistas, na sede do Instituto Lula, o ex-presidente deixou claro que defende um nome novo para a disputa em São Paulo. E endossou as palavras da presidente Dilma Rousseff que, na semana passada, defendeu a permanência de Marta  no Senado.

Não deixe de ler a matéria da  coluna  Arte & Manha que complementa o raciocínio desta.

13-08-11

A doutrina profilática de Dilma Rousseff

“Um governo que se deixa capturar pela corrupção é altamente ineficiente. É inadmissível diante de tão pouco dinheiro que temos para fazer as coisas. Então, por uma questão não só ética e moral, mas de eficiência, você é obrigado a tomar providência”.

Frase de Dilma Rousseff em entrevista a Carta Capital desta semana.

Profilaxia é termo mais adequado à saúde, mas se considerarmos que  a corrupção  provoca danos ao corpo social até maiores do que os provocados  pelas epidemias ao corpo humano individual, cabe dizer que a presidenta, a partir de uma improvisação  inicial,  nos casos dos  escândalos “Palocci” e “Ministério dos Transportes”, adotou a faxina ou a profilaxia, como método do governo e doutrina política.

E ela fez isso, porque logo notou que o termômetro do IBOP lhe  garantia uma   situação confortável em termos de popularidade. Além disso, como “gerente” percebeu que a moralidade, afinal, se traduz numa  ponderável economia de recursos necessários para as  Olimpíadas, o trem bala e  a eliminação dos gargalos logísticos de nossa emperrada infra-estrutura. Sem falar nas Contas Públicas que devem estar  equilibradas, em tempos de crise econômica global.

O eixo ideológico

E aqui caímos na velha questão do eixo ideológico que  discutimos tanto neste blog (Veja matéria de ontem na coluna  Constituinte Já). É uma questão crucial, porque, com sua doutrina e  seu discurso renovado, a presidenta faz o PT avançar ainda mais em  áreas da classe média dantes exploradas  preferencialmente pelos tucanos.

Já  vimos que o PT desde o segundo mandato de Lula, vem ocupando os espaços eleitorais do PSDB, transformando-se em autêntico partido da Social Democracia e  empurrado o partido de FHC mais para a Direita.

 É claro que a social democracia petista está reciclada e adequada  ao nosso populismo lulista e tropical, bem como às novas circunstâncias ditadas   pela  crise econômica mundial que  desmoralizou os  paradigmas liberais do tipo Estado Mínimo e outros. Mas é inequívoca uma mudança no eixo ideológico petista que perdeu o ímpeto revolucionário de sua infância.

Como a roda da  História não para, abre-se espaço à esquerda, para quem se dispunha a reerguer as velhas e sempre juvenis bandeiras das utopias generosas do socialismo.

 Não é fácil desvencilhar-se das antigas teses leninistas que foram tão adequadas para seu tempo mas que, hoje, são obsoletas e prejudiciais. Os próprios “teóricos” da esquerda tonaram-se precários a ponto de  não perceberem que o modo de produção capitalista vive a sua fase crepuscular. O que construiremos no lugar dele?

Ridicularizada pela mídia burguesa e  pouco estudada pelas esquerdas, a Revolução  Venezuelana,  já nos oferece algumas alternativas, se  não nos deixarmos ofuscar pela exuberância de Chávez e seus exageros  de palanque. Mas  ninguém, como os bolivarianos, chegou tão perto de um movimento compatível com o chamado Socialismo do XXI.

Quanto  à doutrina  profilática de Dilma Rousseff,  ela  poderá  (não esqueçamos que, no fundo, tudo depende do sucesso da Economia) ajudar  o PT a vencer as eleições  municipais do ano que vem e as presidenciais de 2014. Porém, o PT vai inevitavelmente se reaproximar do neolacerdismo (a UDN de macacão como dizia o Brizola) e, concomitantemente, se afastar do seu marxismo  com terço na mão, que caracterizava uma de suas vertentes iniciais.

 “Avante faxina” já virou palavra de ordem (mais eficiente que a campanha da Fixa Limpa) nos quadros da moral  burguesa, exatamente  como dos tempos  do Brigadeiro, do Lacerda, do Jânio e … do Collor. Os burgueses não aprendem e nem querem aprender, são hipócritas. O problema  é que, do outro lado, já não se fazem marxistas como antigamente.

Além da coluna Constituinte Já, não deixe de ler também  a coluna Pérolas  & Pílulas.

As duas matérias logo aí abaixo, dão continuidade a esta.

07-08-11

Marta rebela-se contra Lula que pensa em 2014

Marta Suplicy, a senadora ex-prefeita de São Paulo está aborrecida com Lula e demonstrou esse aborrecimento ontem: ”Se ele está  pensando em não ganhar a eleição, mas apenas em criar um novo nome, pode caminhar nessa direção”. Ela está, aqui, se referindo  ao apoio do ex-presidente à candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, à prefeitura de São Paulo.

Tecnicamente, Marta tem toda a razão, já que é muito mais conhecida do que Haddad que não possui qualquer cacoete eleitoral é uma boa vidraça para a mídia, em função dos constantes problemas no ENEM.

Quanto à alegada rejeição de Marta (em torno de 18%) ela não chega a ser dramática, pode ser neutralizada e até é natural para quem é muito conhecido e já ocupou a Prefeitura. É provável, portanto, que a ex-prefeita tenha atirado no evidente, mas acertou no oculto ou nas intenções ocultas  de Lula.

E se ele realmente pretende lançar um candidato azarão, na media certa para perder?  E se seu objetivo for propiciar a vitória de Gabriel Chalita, do PMDB de  Michel Temer, para obter, em troca, o apoio dos dois para um candidato do PT ao governo do Estado em 2014?

No Rio, um acordo semelhante já foi feito e o PT nem vai lançar candidato. Apoiará a reeleição do atual prefeito Eduardo Paes (PMDB) ligado ao governador Sérgio Cabral. Em troca deverá receber o apoio dos dois (velado ou não) à candidatura de um petista ao governo do Estado em 2014. Este candidato provavelmente será o recém eleito senador Lindberg Farias.

Mas Lula não pensa apenas em São Paulo e Rio. Sua principal preocupação e a aliança   nacional com o PMDB, considerada vital para a governabilidade.

Lula acerta tudo, lá por cima, com  Temer e Sarney, mas quando a “soldadesca” não colabora, começa a inventar prévias para escolha de candidatos ou simplesmente rebela-se, as relações da cúpula PT-PMDB azeda.

Reparem que depois que o PT, principalmente em São Paulo, começou a falar em prévias, Michel Temer disse, num evidente contra-ataque, que está aberto pra uma composição eleitoral com o PSDB do governador Geraldo Alckmin.

Marta não é ingênua e sabe muito bem disso todo, mas não quer deixar passar a chance, possivelmente a última, de voltar a ser o que já foi.

 02-08-11

Faxina continua porque PT está
de  namoro  com a classe  média

O PT vive sua crise de crescimento e de rompimento com os sonhos da infância e puberdade. Convertido pelo lulismo em partido populista de centro esquerda, a sigla criada para romper com a moral, a ética e o modo de produção burgueses, converteu-se em sustentáculo disso tudo, sob a capa de uma Social Democracia, adaptada a um pais emergente e aos novos rumos da economia mundial, onde o Estado voltou a disputar espaço  com o Mercado estabanado e desastrado.

Sob este aspecto, o PT vive seu momento de ouro: por obra do oportunismo, da astúcia e da audácia de Lula, a agremiação católica e revolucionária dos anos 70, abandou a batina e as armas e, pelo caminho burguês, cumpriu três requisitos para transformar-se em poderosa máquina eleitoral e de poder.

Imaginem, querida leitora e  caro leitor, uma pirâmide, a  do poder, com três faces: a do crescimento econômico sem inflação, a da inserção social das  camadas mais pobres e a do orgulho nacional, inflado  pelo reconhecimento internacional e por símbolos de  status, como olimpíadas, trens bala e coisas  do gênero. Tudo isso, não me perguntem como, foi conquistado nos últimos oito anos.

Mas nem tudo são flores: para governar e construir alianças eleitorais que o mantenham no poder, o PT aliou-se ao que há de mais podre na política brasileira desde sempre, os partidos descaradamente corruptos e fisiológicos (o PMDB é o maior, mas não é o único evidentemente) que não são invenção recente, mas que hoje desempenham  papel essencial, na medida em são redutos conservadores. Por conta disso, o PT fica atado a um relativo conservadorismo.

Conservadorismo  que domina largas faixas das  classes médias de todo o Mundo e de todos os tempos. Conservadorismo que se baseia na visão egoísta e empreendedora em proveito próprio do “cidadão livre”,  sem nenhum compromisso com  as causas comuns da humanidade, nem muito menos com as reivindicações das classes assalariadas. Tudo isso  recheado por  muita hipocrisia (ou restabelecemos a moralidade ou nos locupletemos todos) e pela visão superficial do processo político e social.

É nesse mar que a nau petista e vai continuar navegando. E é com este espírito que ela se prepara  para os embates eleitorais do ano que vem, sob a influência espiritual e pragmática  de Lula e Zé Dirceu.

E a faxina, iniciada no Ministério dos Transportes, vai continuar por estas duas razões simples. 1- É uma exigência da classe média e de sua mídia hoje cortejadas pelo Governo.  2- Dilma, por que não tem o carisma nem a desenvoltura de Lula, terá que seguir desempenhando o papel de gerente competente e atenta aos princípios da ordem e dos bons costumes.

É claro que tanto ela como o PT correm alguns riscos, na medida em que a faxina se aproximar dos porões do próprio Palácio do Planalto  e na medida em que os antigos “400 picaretas do Congresso”, hoje convertidos em sustentáculo do Governo, comecem a  se sentir ameaçados de fato. Aliás, eles já estão mal humorados.

Quanto ao PSDB, já que cedeu para o PT a bandeira da social democracia e o espaço eleitoral de boa parte da classe media alienada e imediatista, vai ficando cada vez mais confinado aos redutos da Direita e ao discurso neolacerdista. É um discurso ridículo e anacrônico, mas não completamente inócuo do ponto de vista eleitoral. Boa parte da sociedade brasileira ainda pensa, hoje, exatamente como pensavam os lacerdistas, há sessenta anos.

08-07-11

Marina sai destruindo o PV

Marina Silva anunciou, ontem em São Paulo, sua saída  do PV. Foi durante evento que reuniu 300 pessoas e serviu para  que ela anunciasse,  ao mesmo tempo, o embrião de seu novo partido que  ganhou o nome provisório de  Movimento Brasil  Sustentável.

Os dois principais nome nacionais do PV, Fernando  Gabeira e Alfredo Sirkis (ambos do Rio) compareceram à cerimônia.  E deixaram clara  a disposição de acompanhar Marina na aventura  de criar uma legenda capaz de sustentar sua candidatura à presidência, novamente, em 2014. Gabeira participou agtravés de video comferência.

 Eles só não saem agora, porque  estão presos a compromissos  relacionados com as eleições municipais do ano que vem. O novo partido não ficará pronto a tempo de disputar estas eleições. Assim mesmo, Sirkis anunciou que  estava desligando-se da vice-presidência e demais cargos que ocupa no PV.

Na verdade, ao livrar-se  do PV e de seu incurável fisiologismo, Marina tenta ampliar  o alcance eleitoral  da nova legenda que, escorada nos 20 milhões de votos  por ela obtidos na campanha presidencial, pretende incluir os evangélicos  (conservadores inclusive) e jovens descontentes com a “velha política”. Daí o nome do evento desta tarde: “Encontro Para Uma Nova Política”.

Com isso, os  atuais dirigentes  do PV, Luiz Penna  (ele está na presidência há onze anos) e Zequinha  Sarney, ficarão apenas com o bagaço do partido.   Este foi o resultado da longa e desgastante  luta interna (disputa de  maior espaço na direção) que eles travaram contra Marina nos últimos dez meses.

Além de Marina, Gabeira e Sirkis, compareceram ao evento, os empresários Guilherme Leal (que foi candidato a vice na chapa da ex-senadora) e Roberto Klabin. Leal também comunicou seu desligamento do partido.

Presentes também: o ex-candidato ao Senado por São Paulo Ricardo Young, o ex-candidato ao governo de São Paulo Fábio Feldmann, o ex-coordenador da campanha do PV à Presidência da República João Paulo Capobianco e o ex-presidente do diretório do PV paulista Maurício Brusadin. Todos acompanharão Marina na  fundação do novo partido.

O anúncio do desligamento da ex-senadora petista estava previsto inicialmente para  última terça-feira, 28, mas Marina resolveu adiar seu pronunciamento para o retorno de sua viagem à Alemanha, onde participou do congresso do Partido Verde alemão que é uma espécie de pioneiro e líder  mundial  dos Verdes, além de ser, de longe, o  membro mais rico da família.

Após a matéria abaixo, há mais textos sobre Marina.

o1-06-11

O  IMPROVÁVEL  ENCONTRO  ENTRE
BRIZOLA E AS “VIÚVAS DO LACERDA”
A revolução molecular em curso

Por
Leticia Coimbra

Foi numa palestra do C.A.M – Centro de Atualização da Mulher – no Colégio Notre Dame, em Ipanema, coração da Zona Sul carioca. O público era composto de senhoras de classe média/alta, algumas visivelmente antibrizolistas de franzir o senho e dizer “tchau” ao invés de “muito prazer” na hora da apresentação ao vereador cujo nome dizia tudo: Leonel Brizola Neto…

Eu só pensava: “meu Deus, isso é coragem ou loucura? O que estamos fazendo aqui? Tomara que o meu jovem amigo não seja trucidado”…

Surpresa: Leonel Brizola Neto, pouco a pouco, com humildade, simplicidade, verdade e conhecimento de causa  explicou tintim por tintim o que era a vereança e porque tinha escolhido este caminho espinhoso. Contou às antenadas senhoras da elite carioca TUDO o que está acontecendo no Rio de Janeiro e que irá mudar os rumos da cidade para o bem ou para o mal. Respondendo uma a uma, falou sobre todos os temas sem ideologizar, mas não se furtando a mostrar que defendia o que era melhor para a cidade e para a maioria de seus habitantes. Fez isso sem afrontar ninguém, com respeito, e pouco a pouco foi desarmando as mais belicistas entre aquelas que no passado eram conhecidas como “as  viúvas de Lacerda”.

Pouco a pouco, com uma educação e simpatia impecáveis, além de um pacifismo de monge budista, o jovem vereador foi conquistando o interesse e o respeito daquela platéia da 3ª idade, super esperta, que muitos nem sabem que existe. E elas, diga-se de passagem, também deram um show, pois se mostraram abertas a ouvir. Foram até lá conhecer o neto de Brizola, ouvi-lo falar sobre “questões urbanas”, uma até em cadeira de rodas com acompanhante… A maioria dos políticos nem se interessaria em conversar com senhoras que não são “o público alvo”, umas 30, que nem precisam mais votar e que por isso são vistas pelos mais pragmáticos como “cartas fora do baralho”.

Com sua gentileza e prontidão ao convite, o vereador Leonel Brizola Neto mostrou que não pensa assim. Neto amoroso de Leonel Brizola e de Neuza Goulart Brizola, por parte de pai, e de Alfredo Daudt e Dóris Daudt, do lado materno, o vereador carioca foi educado admirando e curtindo a experiência e sabedoria dos mais velhos. Isso é raro e fez a diferença na tarde de hoje. Com certeza as senhoras do Notre Dame, que fazem pilates e estudam História da Arte no C.A.M, empresa de Ana Maria Medrado, focada na atualização da mulher da terceira idade, vão contar para as amigas, filhos e netos que o neto do temível Brizola as surpreendeu positivamente, pois aplaudiram com entusiamo e com palavras de incentivo como “continue assim”, ou “vê se cuida direitinho desta questão dos bueiros”, em alusão às  explosões de bueiros ocorridas recentemente no Rio. O vereador é relator na Câmara Municipal de uma CPI que estuda o caso, mais uma privatização desastrosa em nosso país…

As alunas de História da Arte do artista plástico, jornalista e professor Yale Renam, autor do convite ao vereador Leonel Brizola Neto, do PDT, vice-presidente da casa de leis do Rio de Janeiro e líder do bloco de esquerda, quebraram um estigma. O vereador Leonel também. As revoluções começam assim, de maneira quase silenciosa, molecular, e com poucas testemunhas. Eu fui uma delas…

12-6-11

Marina sai mesmo do PV

Por
Francisco Barreira

Há pelo menos três meses este blog vem informando  que era uma questão de tempo:  Marina Silva sairia do Partido Verde e fundaria novo partido para disputar novamente as eleições presidenciais de 2014.

Agora é praticamente oficial. Ela decidiu antecipar sua saída do PV para não ter que participar  dos conchavos do partido  em função das eleições  municipais do próximo ano. Ela confessa que até aceitaria algum acordo estratégicos, visando o fortalecimento da sigla.  Mas o que está acontecendo é fisiologismo puro.

 O partido consegue a façanha de apoiar (ocupando cargos) simultaneamente o Governo Federal, o governo de  Geraldo Alckmin em São Paulo e a prefeitura paulistana comandada por Gilberto Kassab.

Quanto aos acordos eleitorais,  tudo gira em torno de  vantagens: cargos, tempo na TV e dinheiro mesmo para o financiamento de campanhas.

Marina teme que o PV chegue desmoralizado às eleições de 2014, sem condições de dar suporte  à sua candidatura. Segundo a Folha de  S. Paulo, a ex-ministra do Meio Ambiente (Governo Lula) tem discutido abertamente a possibilidade de sair do PV em breve.

Marina quer deixar a legenda para ter liberdade de apoiar candidatos de diversas agremiações em 2012, desde que tenham real compromisso com a causa verde.

Sua idéia é montar, já no próximo ano, uma nova agremiação à qual ela deu o nome provisório de Partido da Causa Ecológica.

O ex-deputado Fábio Feldman, ligado a Marina e que foi candidato ao governo de SP em 2010 pelo PV, será um dos primeiros a deixar a legenda, antes mesmo da ex-ministra. Guilherme Leal, dono da Natura e seu companheiro de chapa na campanha presidencial do ano passado, também vai acompanhá-la. O mesmo vale para João Paulo Capobianco que foi secretáio-executivo do Ministério do Meio Ambiente, ao tempo em que  Marina era ministra.

Este blog está informado, também, de que Marina fará o possível para atrair Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis para seu novo partido. Eles são as principais expressões nacionais do PV e controlam a máquina partidária no Rio. Atualmente, ambos relutam, mas é possível que mais lá na frente, juntem-se a ela.

16-05-11 atualizado em 20-05-11

Aécio consolida controle sobre a Direção Nacional do PSDB

Às vésperas da Convenção Nacional do PSDB, José Serra ainda tenta reagir ao predomínio de Aécio Neves e, timidamente, aprestou a candidatura de Alberto Goldmann para a secretaria-executiva  do partido.

 Goldman, que foi seu vice-governador e lhe é fiel,  representa uma candidatura  avulsa, já que os outros cargos fazem parte de uma chapa única  construída pelo consenso das principais lideranças partidárias.

Na verdade, o que houve foi um acordo entre Aécio Neves e Geraldo Alckmin que somados  controlam   a maioria do partido e isolaram Serra.

Se conseguir emplacar seu candidato, na Convenção do próximo dia 28, Serra revelará que  ainda possui algum prestígio. Entretanto Aécio está forçando a barra e não abre mão  da recondução do atual secretáio–executivo, o deputado mineiro Rodrigo de Castro, seu  leal seguidor. O cargo é o mais importante depois da presidência, porque cuida  da máquina patidária ou da cozinha, como eles dizem.

O mais importante, porém, é que parece não haver dúvida de que o atual presidente nacional do partido, deputado Sérgio Guerra  (PE) será reeleito por aclamação. E ele é unha e carne com Aécio.

 Guerra parece tão certo da vitória que chega a demonstrar uma ponta de arrogância. Vejam  esta sua declaração de dois dias atrás: “Nossa chapa (para a Comissão Executiva) jamais vai configurar a colagem de grupos antagônicos. Não serão os grupos que vão formar a nova chapa. Serão as forças do partido e suas bases de maneira que nós possamos ter ao final uma Executiva de total unidade”.

O que ele quer dizer com isso é que a candidatura de Goldmann não tem chance de prosperar. Na verdade, Aécio está passando sobre Serra como um rolo compressor.

Texto de 15-05-11

Aécio Neves adiantou-se nos últimos quinze dias, articulou como nunca e garantiu uma posição confortável com principal, senão único, líder das Oposições de centro-direita. Ele foi auxiliado pelo fato de que seu principal corrente, José Serra, neste mesmo período, manteve  uma luta fratricida  contra o governador Geraldo Alckmin, pelo controle do Diretório Municipal do PSDB e, em seguida, do Diretório  Estadual.

Nos dois diretórios, Alckmin emplacou a presidência da Executiva, mas Serra colocou  pessoal de sua confiança em cargos importantes.

Mas, voltando a Aécio: sua consagração ocorrerá agora no início de Junho, quando  deverá ser reeleito o atual presidente, deputado Sérgio Guerra (PE) seu antigo aliado. Serra ficará com a direção do Conselho Político da Executiva, órgão criado há pouco mais de um mês especialmente para ele, como uma espécie de prêmio de consolação.

Tudo isso foi meticulosamente  construído por  Aécio e Guerra, com apoio tácito de Alckmin e da maioria dos governadores tucanos.

A fusão com o DEM e com o PPS que a mídia divulga hoje, é uma  idéia antiga que Aécio cultiva desde os tempos em que forçava a barra para  disputar a candidatura do  partido à presidência da República, mesmo sabendo que Serra era o candidato natural.

Todo o que queria, então (estamos em meados de 2009) era ampliar seus espaços e adquirir projeção nacional. Desde então, Sérgio Guerra é seu sócio nesse projeto.

Agora a idéia ressurgiu, em função da crise mortal do DEM e da criação do PSD do prefeito paulistano  Gilberto Kassab, um potencial aliado de Serra.

O projeto, entretanto, esbarra no fato de a fusão (por questões jurídicas) exigir a criação de uma nova sigla. E a maiora dos líderees tucanos não aceita mudar as  letrinhas da legenda.

Além disso,  algumas liderenças do DEM, a começar por seu presidente, o senador  Agripino Maia (RN) rechaçam a fusão  por entenderem que, por conta da desproporção de volumes, o partido simplesmente desaparecerá no interior do PSDB. É o que Maia chama de “morte inglória”.

Seja com for, o projeto de Aécio só deverá deslanchar depois das eleições municipais do próximo ano. Sendo assim, o importante a ser registrado como notícia é que no atual quadro, Aécio assumi a liderança incotestável das Oposições de centro-direita.

E José Serra terá que se contetar com a posição de coadjuvante, a menos que consiga criar um fato novo do tamanho da morte de Osana bin Laden.

O Desquilibrio de Forças

Com a definição dos 213 nomes do novo Diretório Nacional, os tucanos conseguiram fechar uma chapa única, durante as negociações deste fim de semana.

 Foram mantidos os números dos delegados de São Paulo (44) e de Minas (23), mas a presidência (Ségio Guerra) fica com Aécio Neves. Além disso, Tasso Jereissati, um antigo desafeto de Serra, que não conseguiu reeleger-se senador pelo Ceará vai participar da Executiva.

Em compensação, Márcio Fortes (RJ) mantem-se como tesoureiro do partido. Ele foi o responsável pela arrecadação de recursos para a campanha de Serra, no ano passado.

A matéria abaixo  acrescenta mais informações a este mesmo tema.

03-05-11

O PSD  de  Kassab  já destruiu  o DEM, mas
seu verdadeiro alvo é a implosão do PSDB

Numa luta sem quartel  ou de gato e rato, Aécio assedia o partido de Kassab feito sob medida para  Serra.

Há uma semana, na matéria “A morte anunciada do DEM”, este blog comentava que a saída do governador catararinese Raimundo Colombo, para ingressar no PSD de Kassab era a pá de cal sobre o esqueleto do partido que, quando ainda se chamava  PFL, jogava um papel decisivo na  política brasileira.

Ontem, como anunciara, o governador saiu e saiu acompanhado pelo deputado federal Paulo  Bornhausen (SC) que é nada menos que o vice-presidente nacional  partido. Restam agora ao desmilinguido DEM apenas a governadora Rosalba Ciarlini, do Rio Grande do Norte, que também está balançando, quatro senadores e menos de 20 deputados federais dos 42 que form eleitos no ano passado.

Já o partido de Kassab nasce com dois govenadores (Colombo e  Osmar Aziz do Amazônas), cinco vice-governadores, a senadora rural Kátia Abeu (TO) e 43 deputados federais.

Mas o estrago maior é nos  estados.  Só em  Santa Catarina, Colombo trás em seu bonde três deputados federais, sete estaduais, 43 prefeitos, 53  vice-prefeitos  e uma batalhão de vereadores. Ele trará, enfim, o DEM inteiro.

Em São Paulo, Kassab contou com a adesão  importante do  vice-governador Afif Domingos (DEM), mas ele preferiu arrombar o paiol dos tucanos:  Nos  últimos dez dias desembarcaram no PSD seis dois  treze vereadores tucanos da Capital e  deputados federais e estaduais ameaçam fazer  o mesmo. E notem que todos, curiosamente, são ligados  a José Serra.

No entanto, a colheita maior deverá ocorrer no Interior, onde, segundo Kassab, mais de 80 prefeitos, a maioria do PSDB, estão fazendo  baldeação para o seu partido.

Aécio/Serra:  A luta sem fim

Há  muito tempo este blog  vem dizendo isso, mas agora  ficou escancarado que Serra está inflando o PSD  de Kassab, seu afilhado político, para, num primeiro momento, fragilizar ainda mais o atordoado governador Geraldo Alckmin.

 Mas seu objetivo de longo alcance é o de construir uma alternativa, caso no futuro  resolva chutar o  balde e romper  com o PSDB  ou simplesmente implodir o partido, se a sigla cair dócil no colo de Aécio Neves.

Entretanto, assim que percebeu a jogada, Aécio correu atrás do prejuízo e se articulou com Jorge Bornahusen, o ex-governador de Santa Catarina, ex-presidente nacional do DEM e  pai de Paulo Bornhausen citado acima.

Foi o velho Bornhausen quem, por questões de sobrevivência poltica, armou o féretro do DEM, desbachando o governador Colombo, seu filho Paulo Bornhausen e  todo o resto, para o  PSD do Kassab.

Neste momento ele negocia com Aécio e depois de um encontro ontem (02-05) em Umberlândia, saiu dizendo: “Todos os que têm pretensão política devem manter as portas abertas. Acho inteligente a posição de Aécio de evitar críticas ao PSD”.

Na verdade, Aécio está corrigindo um deslize anterior: na semana passada, o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), que é seu fiel escudeiro, fez ásperas críticas ao partido de Kassab.

Como se vê, esta briga Aécio/Serra não tem fim e agora está sendo travada no interior do PSD,  esta nova arena que ainda nem foi inaugurada.

A matéria abaixo complementa as informações desta.

01-05-11

Aécio  contra-ataca  e  fusão
 PSDB/DEM pode ser adiada

Mais além das estratégias e táticas polítícas, Serra, Aécio e Alckmin parecem agir movidos por um grande rancor acumulado ao longo dos anos, o que pode ser fatal para o PSDB.

Na defensiva e silencioso desde que atrapalhou-se numa  madugada boêmia no Rio, Aécio Neves age  febrilmente nos bastidores para conter  a investida oportunista de José Serra que, jogando pesado,   aposta tudo na fusão   PSDB /DEM  e  numa  tabela  com o PSD de  Gilberto Kassab.

Aécio, através de dois fiéis escuderios e um alido enventual,  age no sentido contráio: quer protelar a fusão (consierada inevitável) e investe na idéia da “união compulsória”, um pacto formal  entre  os dois partidos, que se comprometeriam a priorizar  alianças  entre si, nas principais cidades do Pasís, durante as eleições municipais no ano que vem.

Os  escudeiros de Aécio são  o atual presidente nacional  do PSDB, Sérgio  Guerra que pleiteia a reeleição na Convenção de  Junho, e o ex-prefeito carioca, Cesar Maia que até recentemente controlava o DEM, através de seu filho Rodrigo Maia.

O aliado enventual é o atual presidente da sigla em vias de exinção, o senador Agripino Maia (RN) que considera a fusão como um verdadeiro suicídio não só para o DEM como para o próprio PSDB.

Com a fusão, adverte Agripino, abre-se uma janela jurídica que possibiletará a mudança de partido sem risco de perda de mandato. Ou seja, pode ocorrer uma debanda e não apenas  em direção ao PSD.

 Já Sérgio Guerra investe contra o partido de Kassab, ora  minimizando sua importância, ora criticado sua inconsistência ideológica e programática. “Um pau para toda obra”, diz ele.

Indiferente a tudo isso, José Serra (veja matéria  na coluna  Constiuinte Já) segue atirando tanto em Aécio quanto em Alckmin. Contra o governador paulista ele usa atiradores de expressão local, como os ex-deputados  Walter Feldman e Ricardo Montoro. O primerio  é ligado à família Covas e o outro é filho de Franco Montoro, um dos mais ilustres fundadores do PSDB. Ambos, de malas prontas para o PSD, apontam o dedo para a “incompetência e a deslealdade” de  Alckmin.

No nível nacional (contra  Aécio) Serra dispõe de um atirador bom de briga e sem papas na língua, o recém eleito senador tucano  Aloizo Nunes Ferreira.

Neste fim de semana, Aloizio mandou bala e farpas contra Sérgio Guerra. Uma de suas frases irônicas desferidas pelo Twitter: “O presidente do PSDB emerge de um longo mutismo com disposição de combate. Contra o PT? Não. Contra um aliado: Gilberto Kassab”.

Como se vê como temos dito dete blog, Serra entende que o PSD de Kassb (seu afilhado político) é uma alternativa para que, numa emergência, possa dar continuidade à sua carreira política.

Em outras palavras: Serra chegou  no limite. Se não lhe derem no PSDB o espaço que julga merecer como ex-governador paulista e como o homem que obteve 45 milhões de votos, enfrentando o presidente  mais  popular da História, ele pode perfeitamente se mandar e deixar que o partido se exploda.

Tudo isso, temperado com muito rancor e ódio.

Não deixe de ler também, sobre  o mesmo tema, a coluna Constituinte já.

22-04-11

Uma questão delicada: como o novo partido
de Kassab  liderá  com os movimentos  gays?

Este é um assunto que precisa ser tratado com toda a seriedade e circunspecção: há uma corrente que garante que o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, é gay. Se é  correta  ou não esta versão, isto não deveria afetar em nada a criação do novo partido, o PSD, articulado pelo alcaide da maior cidade do País.

Se não houvesse tanto preconceito contra os gays, esse tema poderia ser tratado com naturalidade ou mesmo considerado irrelevante. Na Europa, é cada vez maior o número de políticos, parlamentares e ministros de Estado, que revelam sua homossexualidade. E continuam sua vida pública sem maiores percalços. No Brasil isto ainda é impensável, mas chegaremos lá.

Nas eleições para a prefeitura de São Paulo, há três anos, a senadora e sexóloga  Marta Suplicy,  então candidata, levantou esta questão: queria saber se  Kassab tem filhos, se é casado e, enfim,  qual é sua orientação sexual. Não se tratava, segundo ela, de invadir a intimidade   do cidadão Kassab, mas de informar aos eleitores quem é realmente o homem público em quem iriam votar.

São quetões delicadas e polêmicas, mas me parece fora de dúvida que o eleitor tem o direito de saber, por exemplo, como o PSD que está sendo gestado por Kassab, se posicionará em relação aos movimentos gays.

E mais: há no Congresso projetos de lei que, para dizer de forma simplificada, instituem  o casamento  entre homessexuais. Que orientação o novo partido dará às suas bancadas em relação a esse tema?

No Rio, em todas as eleições, o deputado Fernando  Gabeira é vítima de odiosa e acanalhada campanha de difamação feita na moita, covardemente, na  base do anonimato das esquinas e da Internet, do “ouvi  dizer”.  Ele perde milhões de votos por causa disso.  E nas últimas eleições presidenciais, o mesmo método foi largamente utilizado, pelos mesmos setores, da forma mais ignóbil.

Mas tudo isso torna-se agora mais relevante e momentoso, diante  da notícia de que o deputado estadual Samuel Malafaia  está deixando o PR, do também evangélico Antony Garotinho, para  ingressar no PSD de Kassab. O parlamentar foi o tercerio mais votado no Estado do Rio e não poderia ser diferente: ele é irmão do popularíssimo pastor Silas Malafaia que, aliás, trava diariamente batalha de vida ou morte contra os movimentos gays.

A matéria logo abaixo dá mais detalhes sobre este  mesmo assunto.

19-04-11, atualizado em  20-04-11

O novo partido de Kassab pode não
valer nada, mas já  destruiu  o DEM

A crise do DEM estende-se também  ao Paraná, onde o deputado Gustavo Fruet ameaça deixar o partido e filiar-se ao PSD de Kassab, para garantir a possibilidade de disputar as eleições para a prefeitura de Curitiba no ano que vem.

O governador Beto Richa, PSDB, estava tentando costurar uma aliança mediante a qual o DEM apoiaria o candidato tucano.

Já dissemos muitas vezes que do ponto de vista ideológico e programático, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e seu novo partido não valem um  tostão furado. Mas (sinal dos tempos) a nova legenda já nasce com força suficiente para destruir o DEM, arrebentar o PPS e provocar uma grave crise no PSDB paulista.

Vamos por partes: O DEM já perdeu para o PSD de Kassab a senadora rural Kátia Abreu (TO) e uma penca de deputados federais.  O pior é que está em vias de perder, nas mesmas circunstâncias, o governador Raimundo Colombo, de Santa Catarina, o que seria a pá de cal.

Diante de tão grandes e simultâneas infelicidades, as principais lideranças do DEM discutem as seguintes alternativas, todas péssimas: extinção pura  e simples,  sobrevivência como partido diminuto  e fusão com o PSDB.

Para essas lideranças a fusão é  o que menos interessa.  Dada a atual disparidadee de tamanho e de importância entre os dois partidos, se forem fundidos, eles  temem que, na nova situação, estarão mais para índio do que para cacique.

O PPS (ex-Partido Comunista) que  recentemente  optou por ser uma espécie de linha auxiliar do PSDB, também está sendo destroçado pelas defecções em direção ao  PSD. Seu presidente, Roberto Freire, sem muitas  alternativas, resolveu  questionar na Justiça a  legalidade da forma pela qual  Kassab está criando a nova sigla.

Finalmente, o PSD de Kassab está no cento de uma das  piores crises do PSDB paulista. Nada menos  que seis dos vereadores tucanos da Capital,  de um total de treze, desligaram-se do partido e estão de mudança para a nova legenda do prefeito. Entre  os migrantes está o presidente, da Câmara, José Police Neto.

Entretanto, esta é uma briga que vem de longe. Há três anos, estes vereadores,  por ordem  de José  Serra, o Santo,  apoiaram Kassab que  tentava a reeleição e viraram as costas para  Alckmin que petendia ser prefeito.

Daí o rancor de Alckmin em relação a seu antecessor  que sempre o tratou com casca e tudo. E daí sua aliança com Aécio Neves, empenhados ambos, em  impedir que Serra volte a se candidatar à presidência da República.

Enfim, este partido de Kassab não vale um tostão furado, mas serve para quase tudo.  Serve para Serra atrapalhar a vida de Alckmin e enventualmente usar a sigla para se candidatar ao Planalto em 2014. E serve para  que  o Governo Federal  o use como instrumento de fragilização do PSDB paulista.

15-04-11
Delenda Kadafi:
A última Guerra Neocolonial

Perderam a vergonha e o senso comum. Antes justificavam a guerra como necessária para salvar civis inocentes, agora  dizem que  estão lutando pelo futuro da Líbia. Mas quando foi, nos últimos mil anos, que eles pensaram por um segundo nos civis e no futuro da Líbia?

Agindo descaradamente como lobistas de seus aviões e outras armas ou como espertos  politiqueiros de olho nas próximas eleições, Obama, Sarkozy, o pilantrinha francês, e  Cameron, o cínico premiê britânico, escreveram, a seis mãos (que ridículos)  um artigo que está sendo publicado hoje na  França. O título sujestivo: “Com Kadafi a Líbia não tem futuro”.

O subtítulo poderia ser: O último berro de um neocolonalismo que está sendo atropelado pela  História.

Como  já disse  várias vezes, mas é bom repetir sempre, não estou aqui para defender este Kadafi, um ditador grotesco  nem melhor nem pior que  dúzias de tiranos que, há trinta anos,  vem sendo cinicamente sustentados pelos  EUA e pela Europa, na África e no  Oriente Médio.

 Mas não posso deixar de lembrar que foi em defesa da Civilização e do  futuro da África e do Oriente Médio que esta corja colonial e neocolonial vem, nos últimos 500 anos, destruindo,  com método e esmero, este continente e esta  região.  Enfim, são canalhas para a História que não esquece nem perdoa.

o2-04-11

Bolsonaro, Tiririca e o discurso ambíguo das esquerdas

Há, desde logo, um ponto em comum entre Tiririca e Bolsonaro: o estigma. Bolas da vez da mídia e dos “formadores de opinião”, estão  sendo caçados assim como  em algum momento Maluf e Sarney o foram, o que não impediu que eles estejam aí, firmes e fortes. No momento, os  “politicamente corretos” só têm olhos e munição para o “palhaço” e  para o “fascistão”.

O problema  é que  esses  nossos inquisidores modernos são  mais políticos do que corretos e, donos da verdade, estabeleceram uma espécie de  código parecido com o das  boas maneiras de antigamente: isso pode , isso não pode.

 Parece que essa Ditadura Politicamente Correta surgiu nos EUA (anos 80) onde  intelectuais  de esquerda (liberais) fizeram um index das principais posições ou manifestações retrógradas da Direita Republicana cada vez mais envolvida com um fascismo implícito, misturado com negociatas e um fanatismo religioso (fundamentalista) da pior espécie.

O resultado  disso tudo é que, na falta do inimigo comunista visível para combater,  os  EUA continuam agindo como Polícia do Mundo e um presidente  negro e democrata usa  a DPV ( Ditadura Politicamente Correta) para agredir militarmente  a nação que bem entender.

É claro, portanto, que não concordo com o enfoque que está sendo dado aos casos  Tiririca e  Bolsonaro. Talvez eu esteja sendo rigoroso demais com nossos bons PCs (Polticamente Corretos). Acontece que eles recorrem demasiado aos clichês. E tenho ojeriza ao clichê, esta arma predileta dos ignorantes, dos preguiçoso e dos hipócritas. O fato é que tudo fica  na  superfície dos fatos. Mas vamos adiante.

O Tiririca sofreu um ataque inicial, desferido por preconceituosos e presunsosos “educadores” que se indignaram com o fato de ele ter sido indicado para a Comissão de Educação e Cultura da Câmara, sem notarem que a arte circense  é uma importante manifetação cultural.

Atualmente ele está sendo alvo de novas investidas a partir da mídia hipócrita e de alguns colegas santarrões, só porque ele fez  rigorosamente o que todos (eu disse todos) os outros parlamentares fazem:  nomear assessores  para cargos de confiança, sem fixação de horas diárias trabalho.  É como se o palhaço não pudesse ter acesso às espertezas do resto da curriola.

Quanto a Bolsonaro, os PCs já escancararam quase  tudo. Só ainda não disseram que  um sujeito que usa uma  peruca como a dele não pode ser  normal e que, no fundo,  ele tem ódio de negros e homossexuais porque teme ou  suspeita seus filhos sintam atração por eles.  São explicações fáceis de encontrar em qualquer manual de vulgarização dos conceitos freudianos. Mas falvez não seja politicamente correto dizer essas coisas.

Entretanto, o que realmente está pegando é que as esquerdas do PT e o PSOL, por exemplo, estão tratando estes episódios de forma enviezada, quase leviana.  Parece que todos querem apenas pegar carona para exibir seu bom-mocismo, suas posições politicamente corretas. Ningúem toca no fundo das questões.

No caso do Tiririca, o enfoque é meramente moralista. O líderes mais midiáticos do PSOL viram-se, dedo em riste, para o palhaço, bem à moda da velha UDN  que, na sua origem, coabitava, com os socialistas, a antiga  Esquerda  Democrática.

Tiririca (e aqui falo do fenômeno político e não do deputado ou do palhaço profissional) provavelmente não repetirá, em 2014, a votação do ano passado. Sua eleição deu sequência a um hábito arraigado do eleitorado paulista e que remonta ao Macaco Tião e ao Cacareco. Trata-se de um modo debochado (mais alienado que debochado) de manifestar um eventual protesto ou, simplesmente, um jeito  estranho de não respeitar o próprio voto.

Já em relação ao Bolsonaro, é necessário dizer claramente  que ele não destoa muito do pensamento e do sentimento que permeia  parte de uma sociedade que rapidamente  se torna preponderantemente  de classe média.

Aliás, de classe média  baixa, de recente ascensão social e que vai adquirindo, como que por atavismo,  as caracterísicas  ideológicas clássicas da  chamada pequena burguesa: egoísta, inconsequente, preconceituosa e  insensivel à solidariedade de classe. Para completar, parece sentir atração irresistível pelas seitas fundamentalistas que oferecem curas individuais no lugar das  sociais e reinauguram  o obscurantismo na modernidade.

Este é o resultado inexorável da inclusão paternalista, concentida sem a mobilização e a decorrente  conscientização social, o que conduz  à irrelevância das ideologias.

De outra parte, não se pode ignorar, também, que Bolsonaro, com seu discurso grotesco, interpreta um forte e persistente sentimento no interior das Forças Armadas. É impossível determinar o grau e a extensão desse posicionamento corportivo, mas também político e ieológico. É certo, porém, que não se trata de uma minoria insignificante.

Estes setores  defendem  abertamente não só o golpe  de 64 como a subseqüente ditadura corrupta e ignóbil. E tudo isso revela a existência de um gorilismo latente, temporariamente  contido por um profissionalismo que,  justiça seja feita, foi sinceramente adotado. Entretanto, sempre foi óbvio que, em algum momento, algumas lideranças saudosistas  tentariam colocar as  maguinhas de fora.

 O “Fator Bolsonaro” não é apenas a expressão de uma extravagância pessoal. A luta  contra ele (processos e refutações, etc.) deve  estar articulada, portanto, com a luta (mobilização) contra o fascismo remanescente.

A matéria  logo aí abaixo em relação com esta.

27-03-11

Dilma defende os Direitos Humanos
 lá fora, para  poder  defendê-los aqui

Sôfrega na tentativa de encontrar discrepâncias entre os governos de Lula e de Dilma, a mídia está dando grande destaque ao que considera uma mudança  na política externa: “a correção de rumo” do Itamaraty  em relação aos Direitos Humanos, principalmente no caso do Irã.

Foram até buscar depoimentos e análises de ex-chanceleres de FHC, como Celso Lafer, por exemplo. Tudo para  demonstrar que a “criatura” estaria se voltando contra o “criador”.

Como, entretanto, nossa mídia, além de manipuladora e corrupta, está ficando cada vez mais  incompetente e medíocre, o que ela não viu foi que o novo tratamento dados  aos Direitos Humanos lá fora, corresponde a um passo idêntico, simétrico, em relação a esse tema aqui no País.

Lula, bem ao seu estilo, meio que sobrevoou o tema delicado, tanto externa como internamente.  Dilma, bem ao seu estilo, vai encarar. Estamos falando da Comissão da Verdade que colocará luz sobre os crimes vis da Ditadura Militar, bem como sobre seus autores e  cúmplices. Não haverá punições, dadas as características da “anistia” brasileira, mas a claridade e o arejamento reconciliarão o País  com a sua História.

A habilidade de Dilma, no caso, foi a de, ao adotar uma  atitude proativa no Exterior, legitimar moralmente e imprimir coerência  a uma  atitude idêntica no Brasil.

A mídia brasileira não  divulgou  ou divulgou mal, mas  em entrevista  à principal TV portuguesa, concedida dia 23,  a presidenta defendeu, a instalação da Comissão da Verdade, órgão do governo que ficará responsável pelo  esclarecimento de crimes como assassinato, tortura e desaparição forçada.

Durante a conversa, que durou cerca de 45 minutos a ser exibida no domingo (27), Dilma afirmou que “é muito importante” que o Congresso aprove o projeto de lei que instaura a Comissão da Verdade.

O texto, encaminhado pelo ex-presidente  Lula ao Legislativo em maio do ano passado, está parado na Câmara dos Deputados desde então.

18-03-11, atualizado em 19-03, em 20-03 e em 21-03

Obama  faria, na Cinelândia, seu
        Comício da Virada. Mas
prostestos o obrigaram a desistir

E no Chile, mais protestos: Veja noticiário das  agências:

Várias centenas de pessoas marcharam no domingo pelo centro de Santiago do Chile em protesto pela visita nesta segunda-feira do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a quem exigiram que peça perdão pela responsabilidade de seu país no golpe militar de 1973.

A manifestação – convocada por sindicatos, organizações de estudantes e partidos de esquerda – transcorreu sem incidentes e terminou com um ato festivo no centro de Santiago, onde era visível um forte desdobramento policial para guardar a área onde acontecerão os atos oficiais da visita de Obama.

Postado às 17,20 hs. de 20-03:

Eu estive lá e posso afirmar:  Entre as 14,30 e as 15,30 horas, quando recebeu seu maior público, havia  na Cinelândia  entre 400 e 600 pessoas. A imensa maioria de manifestantes contra Obama.  Todos foram mantidos, por uma muralha de cerca de  100 sodados do Exército, a 15o metros da entrada do Teatro Municipal. 

 Apenas um pequeno grupo de pessoas escolhidas, que chegou num ônibus especial, teve  acesso  às proximidades da  entrada do Teatro. Este grupo aplaudiu o presidente à sua chegada. Até às 16 horas, na praça, não houve violência. 

Na verdade, o esfaziamento do evento foi promovido pelo próprio governo. Quando formam informados (veja dois parágrafos abaixo) de que haveria manifestações contárias de proporçõeos  incovenientes, o governador e o prefeito, desestimularam a ida  à Cinelância, bloquado acesos e interditando quase a metade da praça para que todos ficassem  mais distantes do Teatro. Finalmente,  desmontaram os telões que deveriam transmitir o pronciamento de Obama.

Enfim, o grande showmício da Cinelandia,  arquitetato para ser o ponto alto de toda a viagem  do presidente pelo Continente o inicio da sua “virada” na tentativa de reverter a  queda de aprovação nas pesquisas,  foi o mais perfeito fiasco.

 Sobraram o acinte de ele ter autorizado o ataque à Líbia a partir do território brasileiro e a função de caixeiro viajnte que é inerente aos presidentes de menor estatura. Neste parte de negócios, houve alguns progressos pontuais, mas  a parceria estratégica do Brasil continua sendo com o MERCOSUL.

Texto postado pela manhã do dia 20:

Nas primeiras  horas deste domingo (20), o governador Sérgio Cabral foi informado que um número  entre 500 e 1.500 manifestantes contra Obama deverá estar presente  na Cinelâdia em frente ao Teatro Municipal, em cujo interior o presidente  discursará. A informação foi passada ao secretário de Segurança, José Maria Beltrame, por elementos de inteligência da própria secretaria e do Comando Militar do Leste.

Para os especialistas, esse número é o suficiente para criar uma situação de grande constrangimetno político e diplomático, sobretudo se  houver confronto com  os agentes da segurança, com simpatizantes de Obama ou simples curiosos que estarão lá para vê-lo pelos telões.

O fato de Obama ter ordenado o ataque à Líbia, ontem, a partir  de Brasília, exacerbou os ânimos. É possível mesmo que  a Prefeitura  do Rio bloqueie  a própria praça, isolando as proximidades do teatro e não instale os telões que trasmitiriam  o discurso. Pelo menos  quatro partidos, PSOL, PSTU, PCdoB  e PCB  pretendem levar sua militância para a praça, onde se juntarão aos sindicatos liderados pelos petroleiros e bancários. Até o Diretório fluminernses do PT estimula discretemte seus filiados, apesar das ordens contrárias da Direção Nacional do partido.

Veja, abaixo, os textos  postados  nos dias anteriores:

E Obama ainda cometeu a petulância de ordenar o ataque à Líbia a partir do Brasil, entre um pão de queijo e um cafezinho. No fim da  tarde (sábado 19), navios americanos, no Mediterrâneo, lançaram  mísseis contra  Trípoli.

Foi, para ele, uma  infeliz coincidência. Mas o fato é que Obama está desembarcando  nesta manhã de sábado (19) em Brasília, poucas horas depois de ter dado, como Senhor do Mundo e da Guerra, um ultimado a Kadafi, o bandoleiro da vez, pronto para ser abatido (justiçado) pelo mocinho.

Palavras de Obama, na TV americana, ontem, depois de ter sido autorizado  oficialmente  pela ONU a usar suas poderosas armas: “O Mundo fez um claro alerta a Kadafi”. O resto está implícito. Como o bandoleiro  não  ouviu  as advertências será sumariamente eliminado.

Ocorre que o Mundo  não fez nenhuma advertência ao grotesco ditador líbio e  continuaria  a ignorá-lo  solenemente, se  a mídia globalizada, este  braço essencial do Império, não o tivesse colocado sob o foco  principal de seus  potentes refletores.

Este mesmo Kadafi, há dois meses, era  membro dos Comissão de Direitos Humanos da ONU e freqüentava a intimidade de alguns dos principais líderes europeus. Foi ele quem apresentou ao Berlusconi a jovem prostituta  (menor de idade)  que fez com que o premier italiano se  enrascasse mais uma  fez na Justiça.

Aliás, foi Kadafi quem, num recente bacanal familiar, ensinou ao governante-gangster a dança do “ula-ula” ou coisa parecida que consiste na mútua esfregação de bumbuns. É claro, portanto, que  o famigerado líbio é velho conhecido de  seus atuais e repentinos algozes  e não virou bandido da noite para o dia.

 É claro, também que,  neste exato momento mais de uma dezena de  outros ditadores,  nas vizinhanças, um pouco mais ao Sul,  a Leste e a Oeste, estão cometendo atrocidades contra civis em tudo e por tudo iguais às perpetradas por  Kadafi. Mas fazem isso na  penumbra, a salvo dos bem calibrados  e seletivos holofotes da mídia  acanalhada.

Só um infantil não percebe  a brutal manipulação da mídia globalizada, na verdade  um serviço de divulgação, informação e contra-informação, muito  bem azeitado, e sob controle estrito do Capital Financeiro. Capital este que é, hoje, o sócio maior do Império.

No mais, os objetivos estratégicos são claros: surpreendidos pela onda de rebeliões no mundo árabe, os EUA, agora coadjuvados pela Europa,  procuram controlar a onda, dando sustentação  a governos títeres  “de transição”. Governos estes invariavelmente montados com os restos das ditaduras caídas.

O  objeto concreto  é o de manter o controle militar  da região  e, assim, garantir o fluxo normal do abastecimento de petróleo e gás.

Obama é simpático e bem falante.  Mas parecia, no início, bem mais do que isso. Poderia, quando foi eleito, tronar-se o símbolo de um novo tempo.  Fracassou, no entanto.  Hoje, sempre simpático e bem falante, está reduzido a relações públicas de um Sistema  anacrônico, obsoleto e tecnicamente falido, mas com fôlego suficiente para continuar, durante as próximas décadas, destruindo a Natureza e os melhores sentimentos humanos.

Por isso, Obama terá que ficar cada vez mais longe  do público, de qualquer tipo de público e confinado a recintos fechados cada vez mais restritos. Essa a razão essencial do cancelamento do grande showmício programado pra a Cinelândia. O presidente terá que refugiar-se no interior do Teatro Municipal. Mas, de todo modo, os protestos deverão ocorrer.

 Ontem mesmo, as primeiras imagens relativas à visita de Obama e que estão percorrendo o Mudo, mostram cenas de pugilato e fogo  nas ruas centrais do Rio. E será assim, crescentemente, por onde ele passar, em qualquer parte do Planeta.

Texto de 18-03-11

Às 19 horas de ontem, quinta-feira (17), o chanceler  brasileiro, Antônio Patriota foi informado por um alto funcionário do Departamento de Estado, que o presidente Barack Obama havia desistido da ambiciosa idéia de realizar uma grande showmício em pleno centro do Rio de Janeiro.

O showmício certamente contribuiria para melhorar os índices de popularidade do presidente, em baixa, no momento em que a campanha para sua sucessão está nas preliminares. Obama fará apenas um discurso no Interior do Teatro Municipal, na Cinelândia.

Atônito Patriota informou imediatamente à presidenta Dilma sobre o cancelamento. Em  seguida, Gilberto Carvalho, secretário-geral da presidência, passou a notícia ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, já que o  governador  Sérgio Cabral não foi encontrado num primeiro momento.

Como a informação de Washington, sobre o cancelameto, ocorreu quase que simultaneamente com o anúncio da decisão do Conselho de Segurança da ONU que autorizou a ação armada contra a Líbia, foram inevitáveis as ilações de que os dois fatos então relacionados entre si. Obama já possuía a informações de que ocorreriam , no Rio,  importantes manifestações de protesto.

Segundo um assessor de Gilberto Carvalho, o Palácio do Planto recebeu  com grande  alívio a noticia do cancelamento do showmício na Cinelândia. A presidente Dilma e a Direção Nacional do PT haviam desautorizado energicamente a participação de militantes do PT fluminenses nos protestos.

Mas todos tinham consciência de que é impossível evitar esse tipo de evento, até porque  além do PT do Rio, estão engajados o PSOL,  os principais sindicatos e importantes organizações do movimento social.

Os organizadores do protesto  acreditam que reunirão, durante o discurso de Obama, mais de  cinco mil pessoas, no antigo  Buraco do Lume,  reduto do PT e do PSOL,  que fica  a menos de duzentos metros do Teatro Municipal, na Cinelândia. Para esses organizadores, “com o ataque à Líbia, Obama  deixa cair, definitivamente sua  mascara de pacifista”.

A matéria abaixo dá continuidade a esta. Não deixe de ler.

17 03-11

Obama quer  fazer na Brizolândia o seu Comício da Virada

Barack Obama é antes de tudo um marco historico, o negro que chegou à presidência dos EUA. Em menor grau, Lula e Dilma, são marcos da história brasileira, o primeiro  operário presidente e primeira presidenta. No mais, Obama é simpático, carismático e, ouso dizer, bem intencionado.

 No entanto, isto não basta. Há meses nosso   Obama ( é com todo o respeito como é linda sua  mulher Michelle) está vivendo  seu inferno  astral  que parece não ter fim. A primeira desgraça é a econômica. Todos sabem que a esta crise é do Bush, mas passaram-se dois anos desde a posse   do “salvador” e não se vê luz no fundo do túnel.

Os EUA, além de não conseguirem reverter  a economia para um mínimo de crescimento sustentável, amargam uma dívida estonteante que beira, os 15  trilhões (eu disse tri) de dólares, maior que seu próprio Produto Bruto. Para completar, padecem  de um doença econômica fatal, a do  déficit duplo, o da Balança Comercial e o Fiscal (despesas maiores que a arrecadação).

 Qualquer outro pais nesta situação (e nós  brasileiros já sofremos isso na pele) já estaria internado na UTI do FMI, sofrendo o sortilégio das restrições e dos remédios amargos Lá isso não acontece. O problema  é “resolvido  com a emissão desenfreada de títulos do Tesouro e de dólares, como se está fosse uma fonte infinita ou a galinha dos ovos de ouro. Mas  não é. Um dia a casa

Os EUA só podem cometer essas extravagâncias  ou heterodoxidades, porque ainda são a potência   hegemônica do Mundo, inclusive e principalmente no campo militar, e porque  o dólar ainda é aceito como moeda (padrão) de aceitação universal.

Na prática, porém,  o que ocorre é que de forma  cada vez mais  visível,  esses dólares emitidos aos borbotões  derretem-se em nossas mãos. O que quer dizer  que seus emissores estão  astuciosamente, pagando cada vez menos pelo que comem e devem.

Mesmo assim, o eleitorado  americano, que como todo eleitorado vota com o bolso, não ertá nada satisfeito. E nosso bom Obama  esta de mão atadas, porque o Capital Financeiro, que deu origem à crise, continua controlando as alavanca centrais da macroeconomia.

 O presidente   podia ter peitado os banqueiros e financistas  quando da eclosão da crise  e eles estavam desmoralizados, fragilizados. Mas ele,  apenas um liberal bem intencionado, não fez isso e agora é tarde.

Há setenta anos,  outro presidente, este sim um ícone americano, Franklin Delano Roosevelt , também enfrentou uma crise tão dramática quanto a atual. Só que, ao contrário de Obama  também encarou os banqueiros adotou uma série de medidas a partir da maior atuação do Estado na implantação de políticas de amparo aos excluídos e justiça social. Políticas que a direita calhorda sempre classifica pejorativamente  como “populistas”.

É verdade que, na época (1937), a correlação de forças era diferente.  Roosevelt  teve a percepção e a coragem de cunhar esta frase que os historiadores e analistas se apressam em empurrar para baixo do tapete: “ Agora sabemos que o Capital Organizado é tão Perigoso quanto o Crime  Organizado”.

Mas o drama de Obama não termina aí. Os americanos, como todo mundo,  defendem a paz e se horrorizam com as consequências da guerra. Mas exigem  de forma implícita que seus princípios e sua  “legalidade” seja  imposta ao Planeta. E não gostam, como todo mundo, de levar desaforo para casa.

Resultado:  diante da situação  caótica  das relações internacionais, principalmente  no Oriente Médio e Norte da África, o  americano médio considera que Obama está se comportando como um frouxo, embora  boa parte da opinião mundial veja nele um continuador da política belicista e intervencionista de Bush.

O Comício da  Virada  na Brizolândia (foi ali que Leonel Brizola reuniu multidões, nas duas vezes em que se elegeu governador do Estado do Rio) pode  ou não dar certo. Obama é um grande  orador e o esquema que está sendo montado, corresponde aos tradicionais showmícios, quando artistas populares “esquentam” o público até a aparição triunfal do grande astro.

 Se der certo, o presidente  já tem pronta a primeira peça  publicitária de sua campanha à reeleição em  2012.

Dilma  foi contra  a idéia o comício, Sérgio Cabal, o governador e Eduardo Paz, o prefeito, oportunistas estão de olho na promoção da cidade e  se entusiasmaram  com o evento.

 Mas se a manifestação  que está sendo organizada contra  a visita de Obama, e que ocorrerá a  poucos metros do  grande showmício,  conseguir reunir mais de mil pessoas e for filmada, a peça promocional vai por água abaixo.

08-03-11

Aécio e Alckmin fecham o cerco contra Serra

O último lance dos parceiros  Geraldo Alckmin e  Aécio Neves, para   estrangular de vez a carreira de José  Serra, é a idéia das prévias para escolha do  presidente do PSDB, a ser eleito na convenção de Maio. O candidato de ambos é o atual presidente Sérgio Guerra (deputado por Pernambuco) e fiel aliado de Aécio. O outro candidato é o próprio Serra.

Tanto o governador paulista quando o ex-governador mineiro sabem que vencerão as prévias com facilidade. Então, preferem  resolver a questão logo, para evitar que as fissuras aumentem e o partido  chegue a Maio, à beira de um racha.

Para dourar a pílula, oferecem  a  Serra a possibilidade de o partido passar a ser dirigido por um colegiado, do qual ele ( Serra ) participaria. Mas o secretário-geral do colegiado seria  Sérgio Guerra…

Enfim inimigos

A guerra doméstica entre  Alckmin e Serra que sempre foi surda, discreta, agora escancarou:

Da ponte Santos-Guarujá ao aluguel de blindados para a sua escolta, Alckmin, determinou a revisão de várias medidas herdadas da Administração Serra.

Antes, as diferenças entre os dois se restringiam a fofocas nos respectivos círculos íntimos. Mas agora a ”guerra” é pública. E o ponto máximo de fervura foi atingido na semana passada, quando o WikiLeaks revelou que o atual secretário estadual de Cultura, Andrea Matarazzo, dissera, ao tempo em que  era ligado a Serra, que  Alckmin  pertencia ao Opus Dei e era oriundo do “baixo clero tucano”.

Foi o que bastou para que os alckmistas, ressentidos (“este é jeito que o Serra  sempre nos tratou”), passassem a manifestar publicamente suas broncas em relação ao ex-governador.

26-02-11

Tiririca é educador. Os “educadores” são palhaços

Os conceitos de Educação e Cultura, muitas vezes se fundem e confundem. No contexto de determinada cultura indígena, por exemplo, um  cacique ou um simples ancião é culto e até erudito, embora analfabeto sob o prisma  de outras “culturas” dominadoras, arrogantes e impositivas.

O deputado Tiririca é um artista profissional de grande sucesso e membro do sindicato de sua categoria. Solicitou e foi indicado como membro (apenas como um dos membros) da Comissão de Educação e Cultura da Câmara que, ao contrário do que pensam  alguns “educadores”, não é apenas ou preponderantemente um espaço para cuidar de currículos escolares ou vagas  e genéricas atividades culturais  e pedagógicas. Ela cuida ou deveria cuidar, também, da Cultura em si.

Como político, o deputado Tiririca (o único aliás de quem se pode dizer que não comprou um único voto para se eleger) demonstrou tirocínio, descortino e habilidade, qualidades essenciais  à boa cultura e à boa educação. E fez isso, firmando uma posição e ocupando um espaço  correspondente à significância de sua fantástica votação de mais de um milhão de votos. Votação esta que alguns doutos analfabetos políticos tentaram vilipendiar.

Há outro conceito que se insinua entre a cultura e a educação, o das boas maneiras. Com seu protesto contra a indicação do deputado Tiririca, alguns preconceituosos “educadores” revelaram  não possuir, genuinamente, nem cultura, nem educação, nem, muito menos, boas maneiras. O preconceito é a fonte suprema da falsa cultura e o germe do fascismo.

22-02-11

Esta briga entre Serra e Aécio promete grandes emoções

Há dias dissemos neste blog que José  Serra esta fazendo um  leitura mais correta do que a de Aécio Neves sobre o novo papel e o novo espaço da Oposição no Brasil. A verdade é que o jeitomineiro, maneiroso e light, está dando lugar  ao método truculento, cortante e grosso como o  que se chegou a  vislumbrar na campanha  presidencial.

Se quiserem salpicar um pouco de sociologia nisso, podem dizer que o  espaço social democrata (centro esquerda) defendido por Aécio com sua idéia de “refundação” do partido, já foi devidamente ocupado pelo PT e seus aliados fisiológicos e/ou de centro.

Sobra assim para a Oposição o quadrado de centro-direita ocupado por Serra durante  campanha eleitoral. E, diga-se, muito bem ocupado, tanto que  ele obteve 44 milhões de  votos, mesmo enfrentado o presidente mais popular da História e o corpo mole  de  alguns  “amigos” como o próprio Aécio.

A verdade simples é que chegamos lá  e nos transformamos numa sociedade  preponderantemente de classe média. Mas de casse média baixa, pequeno burguesa e  que, grosso modo, se caracteriza pela  xenofobia, racismo, preconceito,  egoísmo,  analfabestismo político e, em  alguns países,  consumismo desenfreado.

Ela é em tudo semelhante, aliás,  às suas similares  norte-americana  e européia. Repare a forma grosseira com que Serra se referiu a  bolivianos e paraguaios durante as eleições, bem como o jeito animalesco com que alguns de seus eleitores, mais ao Sul, se referiram aos nordestinos.

Há nisso, muitos pontos de contato com a forma com que americanos tratam mexicanos ou hispânicos  e, por seu lado, europeus tratam imigrantes indesejados, principalmente  árabes ou africanos. São temas que requerem estudos mais cuidadosos e aprofundados.

Seja como for, podemos dar  adeus à nossa velha direita oligarca, erudita e românica. E golpista, também, quase me esquecia de dizer. Era uma  direita que tinha como expoentes um  Carlos Lacerda  e um Nelson Rodrigues.

 Hoje  tudo mudou. Os reaças atuais  não se furtam, evidentemente, a um   bom namoro com o populismo tosco do Serra. Mas perderam o glamour.  Imagine que seus principais expoentes, agora são o Caiado, o Jabor e  a Lúcia Hipólito.

A matéria abaixo é continuação desta. Não deixe de ler.

20-02-11

Serra prepara-se para derrotar Aécio
 na  Convenção dos tucanos em Maio

Na última semana  ocorreu  uma reviravolta no arraial tucano e a reeleição do atual presidente do partido, deputado Sérgio Guerra, já não é tida como certa, como há um  mês. A Convenção está marcada para o  dia 29 de maio e o  candidato concorrente é nada menos que José Serra.

 Tudo começou há 20 dias, quando Aécio, percebendo que Serra lançaria sua candidatura, antecipou-se e colheu assinaturas de praticamente a totalidade 53 deputados federais tucanos a favor da candidatura de Sérgio Guerra. Muitos foram pegos de surpresa e nem sabiam que Serra era candidato.

Então, os mais leais seguidores do ex-governador paulista, como Alberto Goldeman (seu ex-vice) e o senador tucano Aloysio Nunes  reagiram violentamente, denunciando  “o golpe baixo” e anunciando que se antes tinha dúvida, agora não tem mais e Serra será candidato.

 Já Geraldo Alckmin, sempre dúbio  ele que nos  perdoe) alegou  que  “nem sabia que o Serra era candidato” e por isso autorizara seus liderados a assinar a  carta de apoio a  Guerra.
Agora, porém, os serristas, mostrando surpreendente capacidade de recuperação, conseguiram que pelo menos 19 dos 53 deputados retirassem o apoio ao candidato de Aécio.

Além disso, no episódio da votação do salário mínimo, grande parte do tucanato não gostou do método aeciano de  fazer oposição. Como ele, assim como o Governo, não queria que a questão se transformasse num longo debate nacional, onde Serra pontificaria com sua proposta de  R$ 600 reais, ele negociou o regime de urgência para votação e aliou-se aos sindicalistas  em tordo da emenda propondo R$ 560.

Na verdade, isso pegou muito mal (malando demais se atrapalha, como se diz) e Aécio saiu desgastado da parada. Serra ganhou novo fôlego e já está percorrendo o País  para conquistar o voto dos delgados à Convenção, coisa que o Aécio não pode  fazer, pelo menos não com a mesma intensidade, dados seus compromissos no Senado. E, também  porque que, afinal, o candidato não é ele e sim o Guerra. Só que o Guerra, sozinho, não dá conta do recado.

Votam na  convenção 200 delegado estaduais e mais as bancadas do partido na Câmara e no Senado. E é nessa hora que um delegado desses, muitas vezes um obscuro vereador do interior, arruma sua vida. No tempo do Malauf, um emérito comprador de delegados, cada voto na Convenção valia no mínimo R$ 2 milhões. Hoje não deve ser muito menos.

Seja como for, se vence esta convenção  e tonar-se presidente do PSDB,  nada impedirá  que  Serra volte a ser candidato em 2014.

13-02-11

Mercado não acredita em Mantega. E
quer que Dilma garanta o aperto fiscal

“Agora sabemos que o Capital Organizado é tão perigoso quanto o Crime Organizado”
Franklin D. Roosevelt, em 1937.

O Mercado, esta figura suprema que simboliza a chamada democracia capitalista, é um gigantesco cassino comandado por um bando de big shots  corruptos, apátridas e inescrupulosos.

 Eles são  os responsáveis por essa  fantástica  Crise Americana e Européia (uma crise do Sistema), mas agem como se ela fosse um problema dos governo, a ser  resolvida com o dinheiro publico.  E dizem, através de provectas instituições a seu serviço, tipo FMI, o que tal ou qual  país deve fazer (a lição de casa) para sair da crise. As  dívidas e os juros devem ser pagos pontualmente.

Você pode romper como Mercado e bater de frente com ele. Como Roosevelt , “O Populista” ou como Kirchner, “O caloteiro”. Ou ainda como a chanceler alemã Ângela  Merkel  que, cansada de  bancar as crises que se alastram à sua volta (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha  e Itália,) exigiu que os grandes bancos  arquem  com uma parte do prejuízo.

Mas se  você decidiu conciliar com o Mercado, como foi o caso do presidente Lula e parece ser o caso da presidenta Dilma, então é preciso  dançar a música que ele toca.  São alguns poucos passos, fáceis de aprender.

Então:

1- O Mercado não gosta de surpresas ou guinadas bruscas.

2-  O Mercado gosta de  homens fortes na Fazenda (os Tzares da Economia) tipo Delfim, Simonsen ou Palocci. Firmes, confiáveis, leais.

 Mantega não é nada disso. Para o Mercado, ele “não tem o pulso firme e é gastador e desenvolvimentista”. Não adianta, portanto, que ele anuncie um corte de 50 bilhões de reais no Orçamento. Ainda mais quando, logo em seguida, a inocente ministra Miriam Belchior, do Planejamento, garante que os investimentos e os recuso do PAC serão poupados.

O Mercado sorri com o canto da boca: “Que mágica é essa?”

E é nessa hora que  jornalistas especializados tipo Míriam Leitão, Celso Ming e Carlos Alberto  Sadenberg que estão a soldo de uma mídia que está a soldo do Capital Financeiro, começam a  levantar dúvidas sobre os números do governo.

O Mercado é cruel. Ele já aposto na inflação em alta e juros idem.  Apostou pesado (derivativos e contratos futuros) e não que ser frustrado. Nesse momento, para ele, o pior é o melhor.

A presidente Dilma resolveu que ela mesma comandará a economia.  Mantega é visto como seu mero assessor. Então, já que é assim, ela mesma terá  que dizer  ao  Mercado e ao povo que os cortes no Orçamento são para valer.

Melhor dizer isso agora e não depois, como quem se justifica. E poderia aproveitar para explicar  porque o salário  mínimo  não pode ser maior. De qualquer forma ela pagará um ônus  por isso.

Mas se quiser deslanchar nos três anos seguintes, ela terá que sacrificar boa parte de sua popularidade neste primeiro e crucial ano.

Leia mais sobre o mesmo tema na matéria abaixo e na coluna Para Entender a Crise.

02-01-11

Governo vai  ter que negociar a
redução da jornada de trabalho

Sindicalistas e parlamentares da base aliada (Governo)  introduziram, logo no primeiro dia de funcionamento do Congresso, o debate  sobre a redução  da jornada de trabalho. Pelo que  Antônio Palocci, chefe da Casa Civil, revelou a mais de um deputado, o Governo considera que a discussão do tema é inevitável, mas prefere  que o impacto de qualquer decisão a respeito só ocorra em 2012,  já que  a prioridade absoluta é conter a inflação neste presente ano.

O tema  foi habilmente colocado na mesa pelo Paulinho da Força, deputado do PDT-SP  e presidente da Força Sindical. Ele misturou, nas negociações,  a redução das horas de trabalho com as questões do aumento do salário mínimo e de  redução do Imposto de Renda  para as faixas menos remuneradas. Seu lema sussurrado nos bastidores: ”Nesse rolo todo, alguma coisa o Governo vai e que dar”.

Paulinho recebeu a adesão imediata de deputados, sindicalistas ou não, do PT.  Afinal ele calculou, e calculou bem, que seria inimaginável um partido dos trabalhados, ser contra ou indiferente  à redução da  jornada de trabalho, cláusula pétrea de toda agremiação que se diga defensora  dos assalariados.

O “rolo todo” a que a que se refere o Paulinho, cruza estas três  propostas: redução  da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, fixação do salário mínimo acima de R$ 545 e correção da tabela do Imposto de Renda (para baixo) em índices superiores a 4,5%.

O PMDB, sempre na dele, anunciou que só fará o que o governo quiser. “Nós estamos fechados com a posição do Palácio do Planalto nessa questão do salário mínimo”, disse o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).

Já o fleumático presidente do PT, José Eduardo Dutra, não vê problemas em torno da aprovação de proposta que reduza a jornada de trabalho. “É uma determinação de nosso Congresso. Não é uma questão de governo, mas de partido”, disse ele. “Quando a Constituinte reduziu a jornada semanal de 48 para 44 horas, disseram que o mundo ia acabar. Não acabou”, concluiu ele.

O Governo, mais pragmático que fleumático, já mandou recado, via Antônio Palocci, pedindo moderação e responsabilidade. E esse discurso recebeu a adesão de pelo menos três novos senadores do PT: Tião Viana (AC), Lindberg Farias (RJ) e José Pimentel (CE), que se arriscam até a fazer um discurso moderado sobre o tema.

José Pimentel, que tem origem no movimento sindical, acha que “esse debate da redução da jornada tem que ser tratado entre trabalhadores e empresários. E  Lindberg sentencia: “Não há clima no momento para a redução da jornada de trabalho”.

25-01-11

Aviões, navios  e economia

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, tem uma explicação singela para dois problemas complexos  na área militar e na diplomacia: a presidenta Dilma está adiando  para o segundo semestre a decisão sobre a  compra  tanto dos  caças franceses Rafale, como  de 11 navios patrulha  da Marinha, simplesmente porque pretende lançar as despesas  no orçamento de 2012, facilitando assim, a tarefa prioritária de  sanear as finanças  de 2011 e dar um tapa definitivo na inflação.  Faz sentido.

As negociações com a Itália para aquisição de navios para a Marinha com transferência de  tecnologia, envolvem quantias superiores a  8 bilhões de reais. O incidente diplomático criado com o asilo político concedido  Cesare Biattisti teria, assim, se transformado no pretexto ideal, para que o governo protelasse despesas.

Quanto aos  36 jatos franceses (envolvendo recursos de até 7 bilhões de dólares, há , além de fatores diplomáticos, uma explicação técnico-jurídica: Embora seja do presidente da República a decisão final  que leva em conta  interesses também  estratégicos e não apenas técnicos ou econômicos, ficaram falando  alguns relatórios de setores da  Aeronáutica. E, segundo  o Ministério da Defesa, é importante a  anexação desses pareceres ao processo, para lhe dar transparência.

 Seja como for, Jobim chegou a falar sobre o assunto em público e foi claro: “Os recursos para essas aquisições só deverão ser incluídos  no Orçamento de  2012. Não há mais tempo hábil para que uma decisão seja tomada no primeiro semestre do ano em curso”.

Na matéria abaixo  há mais informações sobre o mesmo tema.

18-01-11

Dilma encontra-se com Lula para esclarecer
“adiamento” da compra  dos  jatos franceses

O adiamento da decisão sobre a compra dos jatos Rafale envolve uma jogada diplomática  às vésperas do encontro entre a presidenta brasileira e  Barack Obama, em Washington. Mas o negócio com a França  ainda  é o mais provável.

O inesperado encontro entre a presidente Dilma e o presidente Lula, no fim da tarde de domingo, teve como único objetivo o de esclarecer a questão da compra dos  jatos franceses Rafale-Dassault que já estava decidia, embora não oficializada.

 Dias antes os jornais noticiaram que o negócio voltara à estaca zero e que Dilma iria reavaliar a compra. Surpreendido, Lula pediu explicações e  ambos decidiram conversar pessoalmente, dada a importância do assunto, já que não há segurança  nas  comunicações eletrônicas. Então, ao retornar de Porto  Alegre para Brasília, a presidenta fez escala em São Paulo.

O Estado de São Paulo  noticiou, na segunda-feira, que Lula e Dilma trataram de assuntos diversos, inclusive os das nomeações para o segundo escalão do governo. É possível que, em parte, tenha sido assim, mas este blog está em condições de informar que  o tema principal foi a compra dos  jatos. E mais: segundo fonte graduada do Ministério da  Defesa, “houve apenas um adiamento da formalização da compra, mas não é verdade que todo o processo voltou à estaca  zero”.

As notícias, não desmentidas pelo governo, de que as compra seria reavaliada, começaram a circular depois da audiência concedida por Dilma na semana passada ao senador republicano John McCain, derrotado por Barack Obama nas últimas eleições. McCain como todo político americano de prestígio é um grande  lobista e veio ao Brasil tão somente para vender os   jatos   militares da Boeing.

Durante a audiência, a presidenta ponderou que o principal  entrave era  a questão da transferência de  tecnologia,  item no qual os franceses  são liberais e generosos, enquanto os americanos são intransigentes.

Entretanto, deve ter sido aconselhada  a deixar as coisas assim meio no ar até seu encontro com Obama, em março, lá em Washington. Seria diplomaticamente inábil dizer um não definitivo aos jatos americanos, antes mesmo de falar com seu ansioso colega.

 Seja como for, McCain, cheio de esperanças, saiu da audiência com Dilma  afirmando que “tanto o presidente dos Estados Unidos como o Congresso vão deixar claro que haverá uma transferência completa de tecnologia” se o governo do Brasil decidir adquirir o F-18 da Boeing.

 Dilma, porém, precisa de garantias e promessas adicionais muito maiores ou do tamanho necessário para  eliminar receios de  membros das Forças Armadas e do Ministério de Defesa, favoráveis à oferta francesa, embora ela seja a mais cara.

E aqui voltamos à nossa fonte do Ministério da Defesa que apresenta um argumento definitivo: a compra dos jatos, sejam os franceses Rafale ou os F-18 americanos ou ainda os Gripen NG, da sueca Saab, correspondem a recursos da ordem de 4 bilhões de dólares. Entretanto, as negociações com a França fazem parte de uma Aliança Estratégica de longo prazo e que envolvem transferência de tecnologia também  para o programa  de submarinos nucleares da Marinha, entre outros.  No total estas negociações somam mais de 20 bilhões de dólares.

E para concluir: como parte dessa aliança estratégica, a França se compromete a defender a  inclusão do Brasil como  membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Não se trata, portanto,de uma questão relativa apenas ao preço dos aviões.

13-01-11

Governo cria estatal para administrar
hospitais.  A mídia  não  divulga nada

Dentro da tendência que vem sendo apontada há meses por este blog, o governo federal acaba de criar mais uma estatal. Esta é destinada à administração de hospitais federais, a Empresa Estatal de Gestão Hospitalar – EBSERH.

Seu objetivo e dinamizar e modernizar a administração de quase duas dezenas de hospitais universitários federais. Por isso, a nova estatal – criada através de medida provisória enviada ao Congresso, em um dos últimos atos do governo Lula -, está subordinada ao Ministério da Educação.

Estranhamente, a mídia simplesmente ignorou o fato que é tão mais importante porque abre, técnica e legalmente, a possibilidade de que os hospitais federais sejam  remunerados pelos serviços prestados. Embora no Artigo 3 a medida  provisória fale em  prestação de serviços de saúde gratuitos à comunidade, juristas de peso entendem que nada impede, por se tratar de uma sociedade anônima (cujo estatuto ainda vai ser estabelecido), que a  nova  empresa assine contratos, por exemplo, com Planos de Saúde e seja remunerada por seus serviços. 

07-o1-11

Brasil de Dilma no rumo do Câmbio Fixo

Há um mês, quando Dilma Rousseff ainda preparava sua equipe de governo, este blog  antecipou para seus leitores que tanto a  presidente quanto o seu futuro ministro da Fazenda, Guido Mantega, estavam convencidos de que o Brasil teria que recorrer ao câmbio fixo para enfrentar o que ambos  chamavam de a Guerra Cambial.

Guerra esta, deflagrada pelos dois gigantes da economia, EUA e China que, para manter seus mercados internos e conquistar mercados externos, manipulam o câmbio, mantendo suas  moedas artificialmente rebaixadas.

Dilma chegou a dizer, para assessores, que  é um absurdo  ver o Mundo aceitar passivamente essa manipulação do câmbio por parte das duas grande potências. Em público ela disse: “Eles estão manipulando o câmbio, mas  nós (os emergentes) não vamos  pagar essa conta”.

Agora este  blog está em condições  informar que as medidas adotadas ontem pelo Banco Central para deter a crescente   valorização do Real foram as última do arsenal ortodoxo do Governo.

As próxima providência oficial, provavelmente ainda  neste semestre, será a adoção do câmbio semi-fixo, algo que medeia  a ortodoxia  e a heterodoxia da chamada  macroeconomia. Será adotado o sistema de quarentena que, embora não altere formalmente o câmbio flutuante, provoca um resultado prático semelhante ao do câmbio fixo, congelando as cotações por um determinado espaço de tempo.

A quarentena, dizendo de forma simplificada, funciona assim: Aquela parte de dólares que ingressa no País com fins especulativos (aplicações financeiras) fica retida no Banco Central por, digamos, 90 dias. Isso elimina, temporariamente, a procura por reais e a necessidade de compras de dólares pelo BC.

 Compras que foram a essência da administração Henrique Meirelles. No último ano, o BC comprou 41 bilhões  de dólares, na tentativa risível  de  segurar sua queda. Foi um crime contra o patrimônio do País, porque compramos um ativo que sabidamente estava em queda continuada e irreversível. Qualquer investidor individual que fizer este tipo de aplicação está fadado à falência. Por isso, a primeira providência de Dilma Rousseff  foi livrar-se do indigitado ex-presidente do BC.

As ações macroprudenciais

Nenhum economista com alguma veleidade se considera realizado se não introduzir no vocabulário  do economês uma ou duas  palavras novas ou extravagantes.  Alexandre  Tombini , o novo presidente do BC, já imprimiu sua marca contemplando  os especialistas com o que ele chama de “ ação macroprudencial” para evitar as disparadas do Real para  cima e do Dólar para baixo.

As medidas  macroprudencais, anunciadas ontem por Tombini, visam reduzir o poder de fogo dos bancos que estavam apostando violentamente  na queda do dólar e, com isso,  aceleravam ainda mais o derretimento da moeda americana e a correspondente valorização indesejada do Real.

 Pra fazer isso, o BC  estabeleceu que os bancos terão que recolher, sob a forma de compulsório, 60% do correspondente à sua posição “vendida” no mercado de câmbio que exceder US$ 3 bilhões ou o seu patrimônio de referência. Trocando em miúdos, isto quer dizer que os bancos maiores não podem vender ou prometer vender acima de 1,8 bilhão de dólares e os bancos  e financeiras menores não podem comprometer, nessas operações, mais do que 60% de seu patrimônio declarado.

Ontem mesmo, o BC informou que as apostas dos bancos na queda do dólar alcançaram o nível recorde de US$ 16,8 bilhões.  Estas são chamadas posições “vendidas”, que podem ser consideradas “apostas” dos bancos na depreciação do dólar em relação ao real.

Entretanto, os especialistas são unânimes em dizer que as providência “macroprudenciais” do Tombini são paliativas e de curto prazo. Funcionariam apenas  como sinalização  ou efeito psicológico. Passado o susto, com depósito compulsório ou sem ele, o Mercado voltará a apostar da queda do dólar, o que, aliás, não é um fenômeno local, mas sistêmico e universal.

Observe-se, porém, que a medida do Banco Central enseja um benefício paralelo, promovendo um enorme enxugamento do mercado. É menos  dinheiro circulando, o que trava o crédito e desestimula o consumo. Ou seja, ajuda a derrubar a inflação.

Seja como for, o Mercado já fez a leitura de que o Governo estima que o preço ideal do dólar  se situe na faixa  entre 1,70 e 1,80 reais. É o nível com calibre adequado porque, de um lado,  não  destrói irremediavelmente  nossa capacidade de exportar e, de outra parte, permite a compra de bens de consumo  estrangeiros a preços reduzidos, o que representa um bom tapa na inflação.

O certo é que ninguém mais duvida que o Brasil de Dilma caminha na direção  do câmbio fixo.

01-01-11

As novas estrelas da Era Dilma

Parte I

O telescópio político já detectou  quatro novas estrelas no universo dominado, agora, por Dilma Rousseff.  Seus nomes: Sérgio Cabral,  Gilberto  Kassab, Jaques Wagner e  Eduardo Campos. Hoje falaremos apenas dos dois primeiros.

Cabral  teve o mérito de  não ficar preso à “masturbação sociológica” da  Cidade Partida e adotou logo a “solucionática” da ocupação dos morros cariocas resgatando  a dívida centenária de omissão do Estado. E quando falo em ocupação, não me refiro,  evidentemente, apenas  à ação policial e militar.

Na área da Saúde, Cabral  terminou o jogo no empate:  implantou o bem bolado programa das Unidades de Pronto  Atendimento, mas a população são  chegou a  sentir grande melhora.

Quanto à educação, seu grande fiasco, o governador sambista (ele diz bem no pé) poderá recuperar-se  caso tenha a humildade de resgatar o programa implantado por Leonel Brizola  nos anos 80 (o melhor já realizado no Brasil) e criminosamente destruído por seus sucessores, Moreira Franco, Marcelo Alencar e Antony Garotinho. Verdadeiros bandidos, pelo menos  nessa área.

 Aos 48 anos, Cabral sabe que são pequenas  as possibilidades  de o PMDB lançar candidato  à presidência e mínimas as chances de que o candidato seja ele. Então ele aposta todas suas fichas na hipótese de ser o vice de Dilma, na reeleição, ou de Lula, no retorno. E não me  perguntem o que o Michel Temer acha disso.

Tem luz própria?

  Todo mundo diz que  o engenheiro Gilberto Kassab (52anos) é  mero fruto das circunstâncias, não tem luz própria.  Acrescentam que ele não tem competência para traçar seu próprio caminho, sendo mero resultado das articulações de seu  inventor, José Serra, que um dia, precisando de um nome do DEM para ser candidato a vice-prefeito na sua chapa, o escolheu aleatoriamente.

Mesmo que tudo isso não fosse uma bobagem dita com ar de inteligência, a verdade é que  Kassab  é peça importante  no cenário político, pelo simples fato de ser prefeito da  maior cidade  não só brasileira como do Hemisfério Sul.

 Além disso, ele sabe perfeitamente traçar seu destino, tanto  que já resolveu  abandonar o DEM, uma sigla maldita e em vias de extinção. Ele deve ingressar no PMDB, situando-se em campo oposto ao dos tucanos.

 A explicação é simples: como prefeito de São Paulo ele só pode aspirar, daqui para a frente, o Governo do Estado ou a presidência da República. E sabe que seus  principais adversários em 2014, caso  almeje o Palácio dos Bandeirantes, serão Geraldo Alckmin tentando reeleger-se ou  José Serra tentando voltar.

18-12-10

Plínio, o moralista, na versão 2011

Como aconteceu com Heloisa Helena há  quatro anos, Plínio e Marina serão colocados pela  mídia corrupta e utilitarista numa espécie de limbo ou  empurrados  para o território da invisibilidade.

 Como objetos inúteis ficarão nesse quarto de desejo até que possam ser utilizados em novas missões manipuladoras. Em 2010 Marina e Plínio serviram para levar as eleições para o segundo turno. Agora para que servem?

Isto vem a propósito da recente tentativa do velho lutador Plínio de Arruda Sampaio que,  rebelde aos  82 anos,  não se conforma com o limbo e volta à carga, desta vez como arauto da moralidade  na política. Na campanha ele foi o Quixote contra o Sistema Capitalista.

Plínio tem capacidade e crédito para desempenhar ambos os papéis. Mas isto vem a propósito de um problema maior: as esquerdas brasileiras de dentro e de fora do PT, como é o caso do PSOL e do PCdoB, ainda não conseguiram calibrar um discurso adequado.

 E ficam espremidas entre o discurso também falido do neoliberalismo (com tintura moralista) e o discurso neopopulista encampado pelo lulismo e pelo “Centrão” petista. Como sabemos, o populismo de terceiro mundo (diferente do populismo fascista  europeu e de primeiro mundo) tem aroma nacionalista e vocação para aliar-se  taticamente com a extrema esquerda. Mas, na essência, não é revolucionário.

Como estamos na entressafra eleitoral, talvez esse seja um bom momento para uma análise da questão, sem  emocionalismo, sem sectarismo, sem broncas pessoais e sem caça às bruxas.

 Creio que a tarefa mais difícil para os formuladores e teóricos de esquerda é desvencilharem-se dos dogmas e chavões leninistas. Não é fácil, porque  o leninismo estava tão certo em sua época que provocou uma das maiores e  mais bem sucedidas revoluções da  Humanidade.

E deu certo porque Lênin, inspirado talvez, num texto genial de Rosa Luxemburg, fez o diagnóstico correto, demonstrando que o Capitalismo  estava  evoluindo para sua  etapa  superior, o Imperialismo. A exploração do Trabalho passava a ser realizada de  forma articulada em todos os recantos do Planta.

O que nossos teóricos ainda não viram é que vivemos a fase crepuscular do  Capital, quando, por ironia e justiça, ao atingir o ápice do uso tecnológico na produção de mercadorias, ele perde a capacidade de acumular seu próprio excedente.

 Nesse crepúsculo, o Imperialismo vai sendo substituído pelo que chamo de Neofeudalismo, onde a exploração do trabalho se dá de forma terceirizada e preponderantemente  no Setor de Serviços, local onde a mercadoria não tem substância (matéria) e, por isso, não pode ser acumulada.

E nessa fase terminal do modo de produção capitalista, seus dois principais personagens, a burguesia e o proletariado, entram também em processo de  esvaecimento. Por tudo isso, é tarefa essencial de todo teórico  marxista revolucionário, tentar dissecar essa nova era, antes de lançar  palavras de ordem bizarras, antigas de mais de um século.

14-12-10

E o Serra ia mesmo entregar o petróleo para os gringos

WikiLeaks revela que Serra  prometeu a empresas petrolíferas  americanas   mudar o atual modelo de exploração do Pré-Sal (partilha) pelo sistema  antigo, de concessão, estabelecido no tempo de FHC.

Ninguém é obrigado a entender que países emergentes, aqueles que não estão  no epicentro político e econômico do Mundo, precisam adotar políticas precavidas, vulgo nacionalistas. Isto é necessário  para preservar seus recursos naturais, seu mercado interno e o valor de sua força de trabalho.

Mas essas medidas de precaução são indispensáveis sobretudo do ponto de vista estratégico, para evitar que questões relacionadas com seu próprio destino sejam resolvidas alhures e não em seu próprio território e por sua própria gente.

A Direita Brasileira sempre foi apátrida, americanófila e, quando necessário, golpista e torturadora.  Ela e sua mídia indigna sempre defenderam, muitas vezes de forma superficialmente plausíveis, os  interesses anti-nacionais.

Foi assim há sessenta anos, quando diziam que a criação da Petrobras e a instituição do monopólio estatal do petróleo eram “ bobagens e infantilidades”  sem respaldo  econômico e técnico. Algo, enfim, que comprometeria o próprio desenvolvimento da indústria petrolífera brasileira.

Agora, com argumentos similares, tentam desmoralizar o sistema de partilha, diferente de concessão, o que garante o controle, pelo governo e pela Petrobras, das  enormes reservas  do pré-sal. Petrobras, aquela  “tolice infantil” dos anos 50 do século passado que agora, vejam só,  será, em cinco anos, a  maior  petrolífera do Planeta.

A parte alienada de nossa classe média animalescamente consumista e egoísta, adora – sempre superficial – fazer  coro com os que torcem contra o Brasil, de  Jabor a  Augusto Nunes. E macaqueiam, nas filas de banco, frases de efeito e lugares comuns tipo “o governo muito faz quando não atrapalha”, sem notar que  quando a coisa não dá certo,  nossos intrépidos e empreendedores  capitães de indústria, correm trêmulos como criança para o colo desse mesmo governo.

 Serra calibrou seu discurso visando esse tipo de gente. Entretanto, esperto, evitava exageros. Então, quando, durante a campanha, era acusado de ser contra o atual sistema de exploração do pré-sal, ele se fazia de indignado , punha-se de pé e, com natural hipocrisia, cantava o Hino Nacional.

Ocorre que  esta semana o WikiLeaks divulgou documentos em que Serra aparece prometendo a  funcionários  a e  empresários americanos que, se eleito,  mudaria esse sistema de exploração voltando  à posição anterior, mais  favorável   aos  interesses externos. Eis uma de suas frases: “Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron.

  Como dízimos no início, ninguém é obrigado a  ser nacionalista, mas deve dizer que não o é, até porque ser nostalgicamente lacerdista não é pecado nem crime.  Serra não fez isso, não revelou sua verdadeira posição. E não fez isso porque é dissimulado. Vocês dirão que esse  adjetivo  é  pequeno ou generoso  para definir o personagem.  Até concordo. Mas não quero comprometer o estilo por causa de um mau defunto.

02-12-10 atualizado em 03-12-10

 Dilma  explora  divisão  do  PMDB
 e cozinha Temer em banho-maria

Última forma: Dilma Rousseff já perdoou  Sérgio Cabral e o ministro da Saúde poderá ser  mesmo Sério Côrtes, atual secretário, na área, do governo do Rio. Trata-se de uma escolha pessoal (técnica) da presidente. Mas a oficialização do convite foi suspensa, porque, na terça-feira, empolgado, Cabral antecipou-se e divulgou o nome. Está acertado também que se confirmado, Côrtes não  entra na cota  da presidência. O PMDB continua, assim, com direito a mais cinco ministros. 

Texto de 02-12:

No seus tempos de imperador, o presidente Lula ensinava que em relação ao PMDB era preciso escolher bem os interlocutores :“não adianta ficar falando com  todo mundo”. Então, no Senado ele  falava com José Sarney, Renan Calheiros e Romero Juca; na Câmara falava com Michel Temer e  Geddel Viera Lima (ex-ministro da Integração). Por fora, dava trela para o promissor Sérgio Cabral, governador do Rio. Dilma ainda não é imperatriz,  mas já está fazendo a mesma coisa.

Ou quase a mesma coisa já que há uma sutil diferença em relação a Michel Temer: ela conversa horas seguidas com seu vice, delega poderes para  que ele negocie, depois faz o que bem entende. Ela sabe que o PMDB são vários e que Temer comanda apenas uma das facções em permanente disputa.

Então, na dança dos ministérios a situação mudou muito pouco apesar das tentativas do   Temer  de  conseguir um ministério a mais, o de sua cota, que ele daria para seu amigo Moreira Franco. Em resumo, o PMDB do Senado ( Sarney e Renan) indicam  dois ministros (um deles, Lobão nas Minas e Energia, já foi aceito) A Câmara indica  outros dois, sendo certo que Agricultura é um deles. O Ministério da Defesa (Jobim mantido) entra na cota da presidência.

A verdade, porém, é que, tirante o jogo de cena, o PMDB já atingiu seu principal objetivo: abocanhar o cobiçado Ministério das Cidades, atualmente arrendado ao PP que vai perder a boca. Esse Ministério é extremamente valioso não só por suas polpudas verbas, mas porque lida diretamente com  as prefeituras dos mais de cinco mil  municípios brasileiros que,  dentro de um ano, estarão  envolvidos nas  campanhas eleitorais para eleição de seus prefeitos.

A novela da Saúde estava resolvida  com a indicação de Sérgio Côrtes, secretário da Saúde do Estado do Rio. Entretanto, a afoiteza de Sérgio Cabral que cometeu a gafe imperdoável de anunciar o fato sem autorização da presidente, pode te melado o jogo. Talvez ainda seja  possível consertar a bobagem de Cabral, mas para isso terá  que chamar o Imperador para que ele, mais uma vez,  atue  como bombeiro.

Sobre o mesmo tema, há mais detalhes na matéria abaixo.

01-12-10

PMDB  de Sarney Renan e Temer rebela-se e Dilma Rousseff
recua  dizendo que  ainda  não escolheu  o ministro da Saúde

O tempo fechou esta tarde em Brasília. Depois de uma desastrada reunião, segunda-feira, com a presidente, quanto tentou, sem êxito, emplacar o nome de seu amigo Moreira  Franco para o Ministério das Cidades, o vice Michel Temer,  foi surpreendido, à noite, pela noticia  de que  por, sugestão do governador Sérgio Cabral ( também do PMDB), Dilma Rousseff  convidou  Sérgio Côrtes  para o Ministério da Saúde. Côrtes é  secretário de Saúde  do Estado do Rio.

Ato contínuo, Temer manteve-se reunido  durante toda a terça-feira com os senadores  José  Sarney e Renan  Calheiros que com ele compõem o  triunvirato do PMDB. À noite ele saiu atirando: O seu partido não abre mão de cinco ministérios, sendo dois da cota do Senado, dois da  cota da Câmara e  um de sua própria cota E mais: os dois nomes já indicados, Nelson Jobim (Defesa) e  Sérgio Côrtes, devem ser  considerados  da cota presidencial.

Para evitar  um agravamento  desta primeira rusga entre ela e Temer  que poderia evoluir para uma crise – ou, apenas para  ganha tempo -, Dilma voltou atrás  nesta tarde (quarta-feira) e  simplesmente declarou: “Eu ainda não escolhi o Ministro da Saúde”.

A declaração foi feita no início de uma reunião, em  Brasília, com autoridades da Saúde, presente, inclusive, o ex-ministro Adib Jatene. Um dos objetivos dessa reunião era, exatamente, o de colher subsídios para a escolha do novo ministro.

Coma palavra, agora, o governador Sérgio Cabral que , na  manhã de terça-feira,  anunciou a escolha de Sérgio Côrtes.

Mais  detalhes na matéria logo abaixo.

30-11-10

Triângulo:  Querendo ser  ministro,  Moreira Franco
 provoca primeira rusga entre Dilma e Michel Temer

Ontem à noite em longa reunião com Dilma Rousseff e Antônio Palocci, na Granja do Torto, o governador Sérgio Cabral, argumentou sobre a inconveniência da nomeação de Moreira  para qualquer ministério e, de quebra, saiu de lá com a promessa de nomeação de Sérgio Côrtes, seu secretário na área, para o Ministério da Saúde. Na verdade o ministro que  sai, José Gomes Temporão ( PMDB) também  havia sido indicado pelo governador fluminense.

Wellington Moreira Franco, que cobiça o polpudo Ministério das Cidades, é, de longe, o político mais desmoralizado do Rio, mais até do que o Garotinho. Se há alguma unanimidade política, esta é a de que ele foi o pior governador  fluminense de todos os tempos.

 Nascido para a política pela mão de seu sogro, o almirante Amaral Peixoto que, por sua vez, era genro do Getúlio, Moreira chegou a eleger-se prefeito de Niterói pelo antigo MDB, nos  anos 70. Depois, durante o Governo Figueiredo, ingressou na ARENA, então rebatizada com a sigla PDS. Em 86 reingressou no PMDB e elegeu-se governador em nome do combate à violência.

 No meio do mandato, veio a desmoralização, quando descobriu-se  que um dos principais chefes do  crime organizado do Rio, conhecido como “Professor”, era nada menos que o personal  trainer, do governador, com quem passava  horas em palácio, treinando.

Desde então, Moreira padeceu um certo ostracismo, até ser nomeado, em 2008, para a  Vice-Presidência  de Fundos e Loterias da Caixa Econômica Federal.

Agora, Temer, que gosta porque que gosta  dele, quer vê-lo nada menos do que no comando do  tal Ministério da Cidades, uma da principais  jóias da coroa, usada, atualmente,  pelo PP, um partido de ultra direita que tem como expoentes, Francisco Dorneles, o homem que tentou melar a  Lei da Ficha  Limpa e o deputado Jair Bolsonaro, um alucinado que tem como lema bater no filho que revele tendência gay.

 Depois dos ministérios dos Transportes e das Minas e  Energia, o das Cidades é  o que  permite a maior roubalheira : superfaturamento, caixa 2, etc.. Daí ser cobiçado por partidos puramente fisiológicos como o PMDB.

 Entretanto, ao tentar encaixar o nome do nefando Moreira,  tudo o que  Temer consegui  foi arrumar  sua primeira rusga com Dilma, com quem convivia às mil maravilhas, desde a campanha eleitoral.

Resumo da ópera: ao ouvir a proposta de nomeação de Moreira, Dilma teria dito “mas nem morta”. Depois, polidamente, argumentou que não poderia, de forma alguma, atritar–se com o governador Sérgio Cabral que detesta o genro do almirante. Cabral, em função da recente  Batalha do Rio contra os traficantes, tornou-se a principal figura nacional do PMDB, suplantando o próprio Temer.

26-11-10

Caiu a ficha e Lula manda  Nelson Jobim
coordenar  pessoalmente  auxilio ao Rio

De olho  na Copa  do Mundo, nas Olimpíadas e  na imagem internacional do País, o presidente Lula está acompanhando em tempo integral  a “Batalha do Rio”. Finalmente caiu a ficha e tanto o governador Sérgio Cabral quanto o Planalto  estão compenetrados de que o combate  à violência do Tráfico alcançou um novo  patamar, do qual não poderá haver recuso, sob pena de desmoralização do Estado e  entrega, literalmente, “do ouro para o bandido”.

 Concluiu-se também  que  a batalha será longa. E a preocupação é tão grande que o presidente que está em Georgetown, capital da Guiana, participando de reunião da  UNASUL,  é  informado, várias vezes por dia sobre a situação no Rio,  por  Gilberto Carvalho,  chefe de Gabinete da Presidência.

Ainda ontem, Lula mandou Nelson Jobim, ministro da Defesa, articular pessoalmente  o auxilio das Forças  Armadas ao governo fluminense. O ministro chegou ao Rio está manhã e mantém contato permanente com o governador Sérgio Cabral.

Pelo menos no momento, não serão cedidos soldados,  Apenas os  necessários para dirigir equipamentos: carros blindados e  helicópteros. Serão fornecidos (emprestados) também aparelhos eletrônicos de precisão, destinados  à visualização noturna e  escuta.

O exemplo a ser seguido é o da Marinha que ao forneceu, ontem,  blindados estacionados do Quartel dos Fuzileiros Navais, situado, aliás, nas proximidades da Vila Cruzeiro que seria, em seguida  invadida pelo BOP. E isso fez toda a diferença porque este equipamento pesado rompeu com facilidade os obstáculos colocados pelo Tráfico nas entradas da comunidade e colocou  os policiais no alto do morro  em pouco tempo, o que surpreendeu o adversário.

O Exército vai  colocar soldados  na rua a partir de  hoje,  para  mostrar “presença  ostensiva”. Mas não está prevista a participação desses soldados  na  ocupação de comunidades.

21-11-10

Kassab já age em São Paulo como filiado ao PMDB

Nessa semana, o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, passou agir com a desenvoltura de quem já está filiado ao PMDB. Ele tem pressa, porque quer iniciar o próximo ano com maioria na Câmara Municipal, antes baseada na aliança  entre seu partido, o DEM e o PSDB. Agora, ele precisa constituir sua própria maioria e está em conversas adiantadas com lideranças do PMDB, evidentemente,  mas também do PSB e até do PT e  do PCdo B.

Ele não tem como  livrar-se  imediatamente do DEM porque,  constitucionalmente,  só pode fazer  isso em caso de extinção da legenda – o que ele espera que aconteça nos próximo três meses -, ou alegando incompatibilidade com o programa do partido.

Agindo de  forma coordenada com o vice-presidente  Michel  Temer  (que é também presidente   nacional do PMDB ) e com o aval insinuando, digamos assim, do presidente  Lula, Kassab arma-se para enfrentar seus aliados da véspera, o tucanos, contra os quais disputará as eleições para o governo do Estado em  2014.

Por seu lado, o PSDB lançará Geraldo Alckmin à reeleição ou, quem sabe, tentará ressuscitar José Serra, o inventor e ex-padrinho de Kassab. E é exatamente por isso, por saber que não haveria vaga para ele, que o prefeito paulistano preferiu seguir seu próprio caminho.

Mas o de fator decisivo para sua opção pelo PMDB, foi  a enorme máquina do partido no Interior do estado, há 30 anos controlada por Orestes Quércia que sai de cena, abatido por problemas  graves de saúde. Finalmente, não está excluída a hipótese de sua aliança com o PT para a disputa de 2012, quando será eleito o seu sucessor na prefeitura de São Paulo.

17-11-10

O Mercado já “fez a leitura” de que
pode  haver  mudanças no câmbio

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo e José Eduardo Dutra, presidente, do PT, por  razões de confiança pessoal e por força de suas funções, são interlocutores privilegiados da presidente Dilma Rousseff.

E eles já “deixaram escapar”, em conversas reservadas, que  a presidente trabalha  com a hipótese (apenas uma hipótese) de  ter que alterar a política de câmbio no Brasil, em função da “Guerra Cambial” desencadeado pelos Estados os Unidos e a China. Há uma frase atribuída  à sucessora e herdeira de Lula que não deixa margem a dúvidas: “Se eles (EUA e China) não fazem o dever de casa, não seremos nós que iremos pagar esta conta”.

Ora, entre os grandes empresários, não há nenhuma criança inocente e eles já  “anotaram” que o próximo governo poderá adotar medidas  heterodoxas em relação ao câmbio. Em miúdos: retorno  temporário ou “emergencial” ao câmbio fixo.

 Mas parece claro que  não pessa pela  cabeça de Dilma, desvalorizar,  nossa  moeda o que comprometeria  o combate à inflação e diminui o poder de compra da população, arduamente  conquistado. Tudo o que se pretende é impedir uma disparada para cima.

 Com duas bandas bem largas para cima e para baixo, seria permitida alguma flutuação, mas, em última instância o governo, através do Banco Central, estabeleceria  o valor do Real em relação ao Dólar. Se quiseram podem dar a isso o nome de  Câmbio-flex, nem flutuante, nem totalmente fixo. Na verdade ocorreriam apenas “intervenções pontuais”.

Por outro lado, o Governo, Lula especialmente, tem um medo quase religioso em relação às reações do Mercado. Isto decorre do susto que o presidente levou ao assumir em 2003, quando o Mercado, desconfiado, agiu de forma esquizofrênica. Desde então, ele decidiu não cutucar a onça com vara curta.

Mas com Dilma é diferente, porque, em primeiro lugar, ela é economista e sabe, ou acha que sabe, entender melhor as reações da onça. Em segundo lugar, porque o Mundo mudou muito nos últimos oito anos. Todos os dogmas neoliberais que apontavam para a obediência  cega às leis do Mercado, deixaram de ser levados à sério pela comunidade internacional.

E mais do que isso. No fundo, no fundo, os empresários, por diferentes razões, têm saudades da manipulação do câmbio. Não há dia que não apareça nos jornais algum líder   empresarial, exportador ou não,  dizendo que  a “cotação ideal” do Real deveria ser esta ou aquela.

É claro que quando ele diz isso, está insinuando que o Governo devia mexer no câmbio. E já  é  generalizada, a noção de que, em função da sobrevalorização do Real, o País está se  desindustrializando e  “voltando a ser mero exportador de matérias  primas”.

Pois bem: quem exige providências do Governo, sabe perfeitamente que isso só é possível se  copiarmos a manipulação cambial executada pelo Santo Obama e pelo “comunista” Hu Jintao, presidente da China super capitalista.

Aliás, vocês devem estar lembrados que Serra, economista e sintonizado com a FIESP, não escondeu de ninguém, durante a campanha, que iria mexer no câmbio e passar por cima  da autonomia do Banco Central.

A matéria abaixo complementa o raciocínio desta. Veja também a coluna Pérolas & Pílulas

15-11-10

Custo Brasil: Dilma Roussef vai desonerar as folhas
 de  pagamento e  isentar o pedágio  para caminhões

O Ministro Paulo Bernardo, do Planejamento que ou fica onde está ou vai para a chefia da Casa Civil, recebeu a primeira incumbência da futura presidente. Ele vai coordenar um programa compacto e de resultados rápidos, contento uma série de medidas  simples a serem  executadas imediatamente com o  objetivo de  “ dar um tapa na inflação” (que termina este ano em ameaçadora ascensão) e, ao mesmo tempo,  abater o chamado “Custo Brasil”.

Além disso, o pacote servirá para compensar o prejuízo dos exportadores (e do País)  acarretados pela  atual sobrevalorização do Real que, na verdade, é uma  desvalorização  universal e continuada  do Dólar.

A rigor, a maioria das medidas  estavam engavetadas no Planejamento desde  o primeiro Governo Lula e acabaram  esquecidas pro razões políticas ou conjunturais. Paulo Bernardo lembra, com certa malícia, que  sempre que se sugeria  a adoção de uma dessas  medidas  pontuais, alguém argumentava  que  ela  deveria vir no  bojo, por exemplo, de uma reforma tributária ampla. E assim, não se fazia nem uma coisa nem outra.

Carga pesada

De todas as providências, a mais importante é a de mais difícil execução, porque envolve problemas políticos e jurídicos. A idéia é isentar caminhões do pagamento de pedágio.  Mas  como existem direitos adquiridos, contratos com as concessionárias teriam que se repactuados. Além disso, um grande número de rodovias com pedágios são estaduais, principalmente em São Paulo.

 Entretanto a presidente  parece decidida  a  enfrentar  as dificuldades, porque os  benéficos seriam enormes:  O  pedágio representa  mais de 20% dos custo dos fretes. Sem ele, esses  fretes seriam obrigatoriamente reduzidos  e o custo final menor das mercarias  seria repassado para o consumidor.

 E há ainda uma vantagem adicional:  as baias dos pedágios  que deixassem de se usadas pelos caminhões seriam transformadas em balanças, por onde passariam obrigatoriamente todos os veículos de carga. Isto eliminaria o excesso de tonelagem por eixo, a principal causa da degradação das estradas.

Muito Simples

As medidas  destinadas a  desonerar as empresas, vão desde a ampliação do Super Simples – que facilita a  incorporação, ao mercado formal, da verdadeira multidão  dos chamados empreendedores informais -,  até a substancial redução da folha de pagamentos de todas as empresas. Essa é  a principal  reivindicação do empresariado em todos os níveis.

Tudo isso  deverá ser feito em conexão com a “administração temporária” dos preços dos combustíveis, através de subsídios e da  “cooperação tácita” da Petrobras. Estuda-se, também a redução de impostos sobre a produção e distribuição de energia elétrica.

A maioria das medidas deverão ser formalizadas pelo Ministério da Fazenda e negociadas com os Ministérios do Trabalho e da Previdência, mas a coordenação será feita, nesta fase de transição  e mesmo depois dela, por Paulo Bernardo.

Quanto aos rumos da macroeconomia de longo alcance e de maturação lenta, eles vão  ser debatidos “amistosamente”, dentro do próprio governo : de um  lado, Antônio Palocci defensor  da  obediência às leis do Mercado e de outro,  Luciano Coutinho,  presidente do BNDES, que defende um Estado  mais robusto e mais intervencionista.

A matéria  logo abaixo  tem conexão com o texto que você acaba de ler. Sobre o mesmo tema leia também as colunas Última Hora Pérolas & Pílulas.

10-11-10 atualizado em 11-11-10 e em 12-11-10

O dólar definitivamente furado

Atenção! Na quinta-feira (11), em Seul, o ministro da Fazenda, Guido Mantega  formalizou a proposta  de criação de uma nova moeda padrão em substituição ao Dólar. Hoje sexta-feira (12), após o encerrametno da Reunião dos G-20, ele reafirmou que o Mundo “caminha para a adoção de  uma coleção de moedas  no lugar da moeda americana” e  concluiu: “Acumular dólares dá pejuizo”. A posição brasileira  foi antecipada no dia 10, com exclusividade, por este blog.

Em suas primeiras declarações em Seul (dia 11), Dilma Rousseff também criticou  a “desvalorização forçada” da moeda americana. Mas ao que tudo indica, ela  será poupada da parte mais dura da polêmica.  Só Lula e Mantega insistirão na troca do dólar  por uma moeda padrão mais confiável.

De resto,  até o norte-americano Paul Krugman, premio Nobel  de Economia, criticou, ontem, a política  econômica de Obama . Suas palavras:

“Os graves defeitos do modelo americano de administração e desenvolvimento econômico levarão à recessão de sua economia nacional no longo prazo. (…) A depreciação do dólar vai totalmente contra os interesses dos credores, indicando um recuo na disposição do governo americano de honrar o pagamento de suas dívidas. As análises mostram que a crise enfrentada pelos EUA não pode ser solucionada por meio da depreciação da moeda. Ao contrário,é provável que uma crise generalizada seja detonada pela política do governo americano de promover a contínua depreciação do dólar contrariando a vontade dos credores”.

A História

O Mundo Financeiro e os próprios norte-americanos já concluíram que o Dólar tornou-se  imprestável como  moeda padrão. Por isso, nesta reunião dos G-20 (as vinte maiores  economias do Planeta), que se inicia  hoje em Seul, será proposta a criação de uma nova moda padrão. O Brasil e a China já  haviam sugerido , há oito meses,  que esta  nova moeda, de transição e usada apenas nas transações comerciais entre  países, fosse administrada (emitida) pelo  FMI.

Nas primeiras três décadas do século a  Grã Bretanha  vai cedendo o posto de  primeira potência mundial para os  Estados Unidos. Com o fim da Guerra, em 45, os EUA  emergem como a maior potência indiscutida. A partir de 1949, quando detona  seus primeira  bomba atômica,  a ex-União  Soviética contesta militarmente essa hegemonia norte-americana, até derreter no início dos anos  80, vítima  de sua própria ditadura burocrática e idiotizada.

Em 11 de Setembro de e 2011 (início da  Grande Crise), vitimas de sua cobiça desenfreada e da leitura equivocada da  teoria econômica liberal, os Estados Unidos  consumaram sua decadência e  sua  hegemonia passou a depender exclusivamente de seu descomunal arsenal militar. Mas o Mundo já vive uma fase de poder multipolar.

Isto, para dizer, em poucas linhas, que o Dólar perdeu as condições mínimas elementares para  se manter como  moeda padrão aceita universalmente como valor  de referência nas trocas comerciais. O Dólar está definitivamente furado, porque  perdeu fidúcia que no jargão bancário quer dizer, simplesmente, credibilidade.

Em que diz isso, querido  leitor, não sou eu, mas nada menos  que o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick que em artigo do último dia 8, no Financial Times propôs a volta do Padrão Ouro ao sistema monetário internacional. A proposta, diga-se, além de inusitada é ingênua, porque qualquer especialista sabe que todo o ouro do Mundo, fundido em barras, cabe nos porões de um cargueiro de porte médio. Ou seja , por uma  simples questão de volume, o ouro é incompatível com tão  gigantesca  tarefa.

Aliás, está  incompatibilidade foi declarada pelos  próprios  norte-americanos, quando, em 1971, Richard Nixon, rompeu  unilateralmente com  o Padrão Ouro  e reconheceu implicitamente que as reservas  americanas do metal, depositadas no famoso Fort Knox  não eram suficientes para dar lastro à moeda em circulação.

Sobre o mesmo tema, leia também as colunas Última Hora e Para Entender a Crise. 

 07-11-10

Serra contra-ataca e Aécio recua: diz
que não quer  presidência do Senado 

Depois de  ter  autorizado e  articulado o lançamento de seu nome para a presidência do Senado (um sonho antigo), Aécio Neves recua é nega ser candidato. Mas só uma criança acreditaria que Ciro Gomes e Cid, seu irmão e governador reeleito do Ceará pelo PSB, seriam levianos a ponto de  lançar a candidatura de  Aécio, sem ter combinado isso antes com ele.

 O anúncio foi tão sério que preocupou o presidente  Lula: À última,  Cid Gomes foi incluído na comitiva presidencial que vai a Seul  para  participar da reunião  do G-20,  Grupo das vinte maiores economias do Mundo. Veja também, neste blog, a coluna Arte & Manha.

Então o leitor concluirá: quer dizer que o Aécio está mentindo.  E eu serei obrigado a concordar. Na verdade, está é uma das táticas mais utilizadas pelo  ex-governador mineiro. Ele lança um balão de ensaio, depois desmente  e  embarca para a Europa, onde descansará em silêncio por  duas ou três semanas. Ele já vez isso algumas dezenas de vezes.

O importante, porém, é saber que a razão do recuo  foi  a violenta reação de José Serra, que pela boca seu leal escudeiro, o governador Alberto Goldman, rechaçou, ontem,  as duas iniciativas e Aécio feitas na véspera, o lançamento de sua candidatura  à presidência do Senado em nome de uma  “ação  cooperativa” entre todas as forças políticas e  o lançamento  também de sua candidatura à presidência do PSDB, na Convenção de março. A bandeira de Aécio e a de uma  Oposição “construtiva e propositiva”.

Além de  criticar indiretamente a posição do novo governador, Antônio Anastasia, eleito por Aécio, e  que  mostrou-se simpático à  idéia de  reedição da CPMF, Goldman atacou fortemente a idéia  aeciana  de eventuais pactos  ou coalizões entre  a Oposição e  partidos da base governista.

Veja, abaixo,  as declarações  de Goldman  distribuídas, esta manhã (7-11) pela Agência Estado:

“Ao contrário do que disse o ex-governador de Minas Gerais e senador eleito Aécio Neves, o governador de São Paulo, Alberto Goldman, do grupo político de José Serra, disse ontem que o PSDB vai ser oposição ao governo Dilma Rousseff e só as matérias de interesse da população terão os votos tucanos no Congresso Nacional. “Não tem coalizão. Oposição é para fazer oposição”, disse ontem em entrevista ao Estado. “A oposição precisa se opor com toda combatividade. Não é fazer de conta. Não é meio termo.”

Já Aécio defende a construção de uma agenda pela aprovação das reformas políticas e tributária e a participação dos governadores do PSDB num projeto de poder.

O governador paulista quer um PSDB nacional mais forte, e admite fragilidade ao lidar com o segmento mais popular da sociedade. Afirmou que o grupo paulista e o mineiro estão em pé de igualdade, pois elegeram o governador e um senador cada. Disse ainda que a legenda em São Paulo não perde espaço e nacionalmente está mais forte do que nunca.

Como será a oposição no terceiro governo seguido do PT. Será mais forte, mais fraca?

Oposição tem de fazer o papel de oposição. Quem perde a eleição fica fora do governo, analisa o governo. Nós não temos nada a ver com o passado velho, do velho PT contra tudo e contra todos. Podia ser a melhor coisa ou a pior coisa para o povo que eles iam ser contra. Vamos fazer diferente. Não pensamos assim. Fui líder e vice-líder da oposição no primeiro governo Lula na Câmara. E teve várias matérias que ajudamos o governo a aprovar. Matéria muito específica sobre legislação de florestas. Que tinha a (ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata do PV) Marina, ela se empenhou muito para fazer. Eu que ajudei a provar. Eram matérias que a gente achava corretas. Aquilo que a gente acha que não está correto tem de se opor mesmo. Se opor com toda combatividade. Não é fazer de conta. Não é meio termo.

Essa responsabilidade da oposição pode facilitar uma coalizão com o governo federal?

Não tem nada de coalizão. Oposição é para fazer oposição. O povo determinou que você fizesse oposição, que não fosse governo. Isso não significa que o povo quer que a gente aja ao contrário dos interesses do País.

O PSDB de São Paulo sai enfraquecido desse pleito?

Não. Há um certo tempo o PSDB de São Paulo não elegia um senador. Agora elegeu um senador, elegeu o governador. Teve maioria dos votos para a Presidência da República em São Paulo. Aqui ganhamos todas. O que vamos querer mais? Em São Paulo, fizemos toda a lição de casa”.

  02-11-10

Agora é para valer: Serra decidido  a
 encarar Aécio “antes que ele cresça”

A  Aécio, só resta enfrentar uma  luta desgastante contra Serra (que não tem nada a perder) ou partir para a organização de um novo partido. .                                                                                                

Serra gosta de dizer que tem nervos de aço. Isto eu não posso garantir. Mas tenho certeza de que  ele não desiste fácil  e é frio e calculista. Prova disso é mais esse round de sua  eterna peleja com  Aécio Neves. Antes mesmo da abertura das urnas (como se dizia antigamente) ele resolveu sair batendo em Aécio, “antes que ele cresça”.

Esta frase, quem deixou escapar foi  Alberto Goldman  governador paulista (vice de Serra) que  com  Roberto Freire, outro ex-comunista, formam a dupla de área absolutamente fiel  ao chefe. E a frase espalhou-se até ser repetida  várias vezes  na  reunião informal do Alto Tucanato, no Edifício Praça da Bandeira em São Paulo, onde todos  se reuniram, na noite de domingo, para ouvir o  pronunciamento do líder derrotado.

O mais exaltado era o senador recém eleito  Aloysio Nunes Ferreira, que repetia  entre dentes “ vamos bater antes que ele cresça”, mas  quem  acabou  batendo, via Internet e com plena  autorização de Serra,  foi Xico Graziano, amigo de trinta anos e coordenar do programa de governo do candidato tucano. Xico fez um pergunta simples: “Perdemos feio em Minas, por que será?”

Na verdade esta é um misto de pergunta e denúncia que  trás embutida  a resposta igualmente simples: perdemos porque  fomos traídos por Aécio  que sempre fez corpo mole  e jamais desejou a vitória de  Serra. E ele nos traiu porque,  se Serra fosse eleito, o mineiro  perderia a oportunidade de emergir deste segundo turno como o principal líder das   oposições, cimentando, assim, o caminho para sua candidatura à presidência em 2014.

A resposta, de Aécio foi imediata e veio pela voz do deputado Narcio Rodrigues, presidente do PSDB local e seu fiel escudeiro, mantido sempre por perto, para  ocasiões em que é preciso dizer ou fazer coisas desagradáveis. Foi Narcio, por exemplo, quem  organizou a famosa vaia sofrida por Serra, em Belo Horizonte,  há três meses, quando, ao lado de Aécio, participava da festa de inauguração do novo Centro Administrativo do Governo de Minas.

A estratégia

Desde que, em setembro do ano passado  resolveu,   deixar de concorrer com  Serra pela indicação  como candidato à presidência pelo PSDB, Aécio traçou um plano que consistia em minar as forças do adversário. Isto com dois objetivos: ou bem Serra  desistia da candidatura e  continuaria mais quatro anos governador de São Paulo, ou bem ele (Aécio) ficaria livre  para,  numa hipótese mais radical, liderar uma dissidência e partir para a criação de um  novo partido.

Neste plano, Aécio contou, desde o início, com a cooperação de alguns tucanos dissidentes ( de Minas e do Nordeste) e do ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, que controla o DEM, através de seu filho Rodrigo Maia. Cesar estava e está particularmente interessando na criação de um novo partido, através da fusão de dissidentes tucanos com o DEM que , como ele imaginava, sairia destroçado das eleições, por causa, entres coisas, do Escândalo Arruda.

A partir de então, Aécio e Serra   participam de um pas de deux onde  bailavam harmoniosamente  para o público, mas sutilmente se agrediam  atingindo preferencialmente os respectivos fígados. Foi assim quando Aécio deu prazo até dezembro (do ano passado) para que Serra  anunciasse sua candidatura, mesmo sabendo que  o paulista  só faria isso em março de 2010 , quando terminaria o prazo (o da desencoimpatibilzação) que o obrigava a renunciar ao governo de São Paulo.

Foi assim, também, durante meses a fio, em que Aécio sempre se recusava a ser o vice de Serra, mas  deixava  sempre, no ar, um fio de esperança. E, finalmente, foi assim, no episodio da escola do vice de Serra, que pela lógica devia ser mesmo o senador paranaense Álvaro Dias, o que fortaleceria os tucanos no Sul, o seu  principal reduto. Mas isso não foi possível, por que Cesar Maia e os tucanos nordestinos criaram  um  escarcéu tão grande que Serra foi  obrigado a um recuo  desgastante, aceitando a candidatura desse Índio da Costa que é  pouco menos que um  idiota.

A reação

A tudo Serra suportou com seus “ nervos de aço”, às vezes até com  um sorriso  amarelo. Mas agora que não é mais candidato, resolveu reagir e atacou Aécio quando este menos esperava  e  já se preparava para usufruir  sua  vitória estratégica e eleitoral. Pelas palavras de Xico Graziano, Serra disse ao mineiro: Nem vem que não tem. Não vou te dar, de mão beijada, a liderança de um partido que, afinal, elegeu oito governadores e saiu destas eleições com 43 milhões de votos.

O jogo está feito.  Para Aécio só resta  continuar brigando com Serra , só que agora o ônus do desgaste  é todo seu. Ou então partir logo para a organização de um novo partido.   

A matéria abaixo é uma sequência desta.

01-11-10

 Na sua fala de derrotado, Serra bate no PT e em Aécio

Em sua primeira fala de derrotado, logo após a proclamação oficial da vitória de Dilma Rousseff, José Serra  não conseguiu (ou não quis) esconder a mágoa e o rancor. “Aos que pensam que me derrotaram”, disse ele num  arremedo de Getúlio, para em seguida ameaçar: “saibam que este é apenas o começo do começo”.

A partir daí, o tucano fez um discurso de líder oposicionista que promete ser vigilante e bater forte. Entretanto, Serra atingiu o cume da veemência quando silenciou. Foi no final,  quando fez uma série de  agradecimentos pessoais. Seus agradecimentos foram efusivos e emocionados até para Geraldo Alckmin de quem foi adversário político durante largo tempo. Mas para  FHC e  para  Aécio Neves ele dedicou o silêncio.

Cutucado pela filha a seu lado, ele ainda fez  uma referência negligente ao o ex-presidente, “ele deve nos  estar vendo pela  TV”. Quanto a  Aécio ficou o recado silencioso: não pense que vou te entregar o partido e a liderança da Oposição, de mão beijada.

Minutos antes, em Belo Horizonte, Aécio falou também como principal líder oposicionista e,  naquele seu jeito de mineiro esperto que já está ficando muito manjado, elogiou e alfinetou Serra ao mesmo tempo: “Ele está de parabéns porque lutou bravamente e com muita competência” para arrematar, em seguida: “A Oposição não pode  envergonhar-se de seu passado. Eu tenho orgulho do governo de Fernando Henrique Cardoso e  não tenho medo de dizer que o País deve muito às privatizações do passado”.

Difícil encontrar uma indireta tão direta como essa. Aécio, evidentemente, fez uma alusão  à indefinição e à incongruência   do discurso de Serra durante a  campanha. Em todo o primeiro turno Serra  ignorou FHC e relutou em criticar Lula. E, no segundo turno, grotescamente  tentou  parecer mais defensor das estatais do que  sua adversária.

Há meses este blog acompanha o entrevero  Serra versus  Aécio e em alguns momentos chegamos a antecipar  alguns lances. Na verdade, daria para escrever um romance  ou serviria de tema  para  uma nova série Tom e Jerry. Mas, concretamente, a vantagem é toda de Aécio que  fez seu sucessor em Minas e obteve uma consagradora  votação para o Senado. Além disso, tirante os paulistas (que o consideram um traíra), ele  não tem inimigos dentro do PSDB.

E foi exatamente por isso que, notando o reinício das hostilidades, o presidente nacional do  partido, o senador pernambucano Sérgio Guerra, saiu em defesa de  Aécio, dizendo ontem mesmo que o governador mineiro “é um dos nosso melhores  quadros e precisa ser prestigiado”.

Vai começar tudo de novo.

As duas matérias logo abaixo, dão sequência a este tema.

 30-10-10

 Debate morno, não altera tendência:
 Dilma  segue  12/14 pontos  na frente

É a velha história: quem é de Serra diz que ele venceu o debate e quem é de Dilma diz o oposto. Portanto, não percamos tempo  com pesquisas sobre quem venceu o debate de  ontem, da Globo. Chatíssimo, por sinal. Pareceu  até  jogo combinado. “Não me venha  de  Paulo Preto que eu não vou de Erenice”. E não houve mortos nem feridos.

Sendo assim, segue  a tendência que, na última  semana,  foi de estabilização. Como caranguejos, os dois andaram para o lado, ou seja, não perderam nem ganharam novos eleitores  e, pelo lógica, persiste a diferença de  12 a 14 pontos  a favor de Dilma registrados (na média) pela unanimidade  dos principais institutos de pesquisa. Além disso, os  indecisos somam, agora, menos de cinco por cento e a rejeição de Serra  é  10 pontos superior à da petista.

Só quem não acredita  nesses números é o próprio  Serra que contratou  pesquisas particulares  que custaram uma fortuna e  garantem que há empate técnico. O tucano tem  fé inquebrantável nisso e aposta no que ele  chama de  “voto escondido”,  mais conhecido como voto enrustido.

Este fenômeno  já ocorreu algumas vezes e é o  que derruba as pesquisas.  Na mistura da Psicologia com a Sociologia, pode-se dizer que um determinado número de eleitores  (digamos dez por cento)  guarda só para si sua verdadeira  intenção de voto.  O  que conspira contra a teoria (esperança ) de Serra é que esses “enrustidos” tanto podem ser  a  favor dele, como a favor de Dilma. E viva a imponderabilidade.

Por falar nisso, é bom desfazer um equivoco generalizado: as pessoas tendem a confundir aprovação de governo com fidelidade eleitoral. Entretanto, uma coisa é você, por sensatez,  reconhecer que Lula  fez um governo, digamos, bem sucedido. Mas, outra coisa, bem diferente (Quem disse que somos coerentes?) é votar em  quem  Lula indicar.

Enfim, chega de análise fria e lógica. Eu também tenho  o direito de dar um palpite. E o meu é o de que  Dilma vence  com uma vantagem de 15 pontos.

Sobre o mesmo tema, veja matéria logo abaixo e a coluna  Última Hora.

28-10-10

Dilma está eleita. Mas destino de  Serra
e  Aécio está sendo decidido em Minas

Dilma e Serra pretendem encerrar  a campanha com  grandes comícios em Belo Horizonte.

Eu sei que vocês vão dizer que é frase de efeito. Mas não é não: os caminhos da pólítica são realmente tortuosos. Vejam, por exemplo, a situação do Aécio Neves. Ele precisa mostrar que está (e efetivamente está) fazendo um esforço danado para tentar virar o jogo em Minas e  assegurar ali, uma vitória para José Serra. Porém, ao mesmo tempo, ele deseja ardentemente que seu colega paulista não se eleja presidente.

No primeiro turno, Dilma venceu em Minas com uma vntagem de um milhão e setecentos mil votos sobre Serra. Ao mesmo tempo, Aécio elegeu-se senador com mais de quatro milhões de votos, fez seu sucessor, o “poste” Antonio Anastasia e, de quebra, ainda ajudou Itamar Franco a retornar ao Senado. É uma contradição ou não é?

Tanto é que os tucanos paulistas que há muito combatem Aécio nos bastidores e sempre desconfiaram dele, chegaram a  afirmar no final do primeiro turno: “Curioso, lá em Minas o Aécio arruma voto pra todo mundo, menos  para o Serra”.

O braço direito

Agora vamos nos fixar na figura do deputado Nárcio Rodrigues que além de presidente do PSDB mineiro é o braço direito de Aécio, seu homem de confiança Pois bem: há quatro meses esse Nárcio armou um tremendo  escarcéu em Minas. Xingou Serra de tudo quanto é nome feio e organizou a famosa vaia contra o paulista que estava ao lado de  Aécio, durante a inauguração do novo Centro Administrativo do Governo Mineiro.

Agora é o mesmo Nárcio Rodrigues quem está  coordenando a campanha do Serra em Minas… Aí vocês vão dizer: “Não é possível. Então é tudo uma farsa?” E eu respondo: o pior é que não é que não é. Aécio e Nárcio desejam realmente que Serra seja bem votado em Minas. Isto provaria que eles não são traíras e estão ajudando lealmente o tucano paulista. Tudo isso, porque Aécio já fez suas contas e sabe que, com Minas ou sem Minas, Serra jáperdeu esta parada e ele (Aécio) precisa cuidar da sua vida. Ou seja: credenciar-se como novo líder do PSDB e das  oposições de  um  modo geral, asfaltado assim,  o caminho que  o levaria a ser um candidato forte à presidência em 2014.

Pra ver que a política é realmente tortuosa. Tanto que  aos poucos  vai ficando verossímil  a versão de  que  todo esse rolo envolvendo o jornalista  Amaury Ribeiro Junior  e  o escândalo da quebra do sigilo bancário de pessoas ligadas a José Serra é , na verdade, uma  guerra  entre  os próprios tucanos.

A Policia Federal está investigando a hipótese  confessada  pelo próprio Amaury Ribeiro Junior (que na  época   trabalhava  para  O Estado de Minas, subordinado a Aécio), de que investigava Serra,  por razões ligadas a uma represália. É que  pouco antes,  Aécio descobrira estar sendo investigado pelo deputado/delegado Marcelo  Itagiba (PSDB-RJ), aliado de Serra.

Revistas consideradas sérias como CartaCapital e Isto É acreditam nessa versão. Eu, por mim, apenas  recomendo ao leitor que veja tudo isso com muita cautela e procure informações  em mais de uma  fonte (nunca dependa só de uma).  Seja como for, podemos concluir que a política convencional (com ou sem fica limpa, esta primorosa mistura de ingenuidade com a hipocrisia) é realmente tortuosa. E não só tortuosa, como completamente suja.

25-10-10

Uma semana para virar uma página da História

Os contemporâneos geralmente não notam  que então vivendo um momento histórico. A queda da Bastilha, um  presídio quase desativado onde só havia três detentos, foi considerada um episódio menor, de baderneiros, no dia em que ocorreu. Só  mais tarde  virou símbolo e data nacional da França. Assim está acontecendo com as atuais eleições brasileiras.

Na mídia, nos botecos e nas filas de banco, só se fala, conforme o  freguês, da última baixaria  da turma  do Serra ou da turma da Dilma. No entanto, caso Dilma vença, o que parece mais provável, o Brasil vai virar uma  página importante de sua história. Melhor dizendo: vai iniciar uma  fase nova de sua trajetória.

Na verdade, o  governo Lula pode ser considerado como de transição. Nossa política externa tornou-se  independente e altaneira  e o  Estado  readquiriu algumas de suas  prerrogativas,  perdidas durante o tempo em que vigeu  o dogma do Estado Mínimo, sem capacidade de reação estratégica e  totalmente submisso ao Capital Financeiro. Nesse período  a primeira e fundamental  função de nossa peça orçamentário era (através do superávit primário)  pagar os juros de da dívida impostos  e fixados  pelo próprio Capital Financeiro. Neofeudalismo puro.

Mas  estamos, agora,   apenas esboçando as  primeiras reações. O Meirelles, ou equivalente, ainda vai ficar por aí por um bom tempo. Até que o Estado, através do fortalecimento das  estatais e da criação de outras tantas de igual importância, readquira sua capacidade de direcionar  seus investimentos para os setores realmente estratégicos.

Reaprendendo a mobilizar

A maioria  parlamentar com que  Dilma deverá  governar é suficiente apenas para reformas superficiais: a política, a tributária e  a previdenciária que  terá que estar acoplada  à reforma trabalhista. Não vai passar disso.

E é bom lembrar que Getúlio também tinha maioria no Congresso, mas o levaram à morte,  porque ele elevou o salário mínimo a  níveis inéditos, criou a Petrobrás, a Siderúrgica Nacional e a  Eletrobrás.

Reforma agrária, nem pensar. Por muito menos derrubaram o João Goulart.

Tudo isso para dizer que a hora é de  mobilização, coisa da qual o PT se desacostumou e os sindicatos (voltados para o resultado imediato) esqueceram. E a juventude não tá nem aí.  Na verdade, formam  vinte anos de  lavagem cerebral (fizeram uma faxina até no Juca de Oliveira), de anestesia ideológica e de alienação assumida.

Me alegrou ver  o Milton Temer,  um importante líder do PSDOL desfilando em Copacabana com a  camiseta da  Dilma. A esquerda começa a perceber a importância do momento  que esta vivendo. Momento importante e muito difícil, porque o Brasil ingressa agora  no rol dos países em cuja composição social predomina a classe média. Este é o grande desafio teórico pra os verdadeiros revolucionários.

21-10-10

A classe média deixa de acreditar
em Serra e decreta  a sua  derrota

Realmente  é ingrata a vida  dos políticos: José Serra e seus  marqueteiros sabiam, desde o início, que tinham um pedreira pela frente. Precisavam encarar o lulismo e  sua extrema  popularidade  junto aos setores pobres de população. A primeira tentativa foi aquela  de “ser mas não ser”, ou seja, ser tucano sem ser anti-Lula. Ninguém entendeu nada e não deu certo.

A segunda tentativa quase ia dando  certo, mas ele exagerou na dose e o  mingau desandou. Tudo consistia em prometer tudo para todos:  salário mínimo de  600 reais, 10% de aumento para aposentados, fortalecimento das estatais (!), proteção simultânea das matas e dos desmatadores. E  o que mais coubesse na cabeça de um  publicitário esperto.

A parte mais feia,  foi quando ele resolveu surfar na onda  do preconceito e  do ódio religiosos, algo que jamais  fora visto nestas terras abençoadas por Deus e que por cupidez e  ignorância, quase foram transformadas  numa Belfast tamanho família. Gente indigna.

Esqueçamos, por instantes, o  Fenômeno Marina, com a promessa de que ainda falaremos dele. Por  ora, vejamos no que deram as estratégias descritas  acima. Deram em que, o pessoal da classe média superior, mesmo os mais renitentes adversários do lulismo (embora beneficiários do Governo Lula), percebeu que “Serra é ainda menos confiável que Dilma e  capaz das baixarias mais insuportáveis”. Finalmente, descobriu-se que ele também tem o seu Paulo Preto escondido de baixo da cama.

O ricos abandonam Serra

Não pense que exagero amigo leitor. Dilma alcançou estes  onze ou doze pontos de vantagem registrados ontem  pelo e IBOPE e pelo Vox Populi,  porque Serra se desmoralizou, perdeu credibilidade entre os eleitores de renda mais alta e instrução superior. E se olharmos por dentro da pesquisa CNT/Sensus, também de ontem, vamos ver que  foi exatamente nesta faixa que Dilma cresceu nada menos que 18 pontos em uma semana, passando de  amargos 15% para  33%,  enquanto Serra, nesta mesma  faixa,  caiu de confortáveis 70%, para 54%.

Nas demais faixas,  ambos permaneceram estáveis, com leve tendência de crescimento para Dilma, o que  revela que o PT conseguiu sustar a tempo (e Deus sabe como) o fenômeno Evangélico ou Xiita. Nesse capitulo, a coisa ficou mais ou menos assim: Silas Malafaia, o inimigo número um dos gays, continuou com Serra. O Bispo  Macedo (Universal) ficou com Dilma, por causa do  Marcelo Crivela  e otras cositas mas. E a terceira  potência deste setor bilionário da fé, o missionário R.R. Macedo,  parece  estar  neutro, mas piscando um olho para Dilma. O missionário R.R., aliás, é  cunhado (casado com a irmã) do bispo  Macedo.

Quanto à Marina, ela  tem pouco o que dizer  ou fazer agora. Seus votos já foram  quase todos transferidos: a maioria, algo como 60%, foi para Serra, o que explica o  crescimento deste na primeira semana do segundo turno. Perto  de 30% foram para Dilma e os restantes 10% ainda  pairam no ar. Porém,  mesmo que  todos eles pousassem  no quintal do tucano, isso não seria suficiente  para que ele eliminasse a vantagem de Dilma.

E quanto ao PV, a esta altura tanto faz para que  lado ele venha a pender, porque a sigla  atingiu o grau máximo de  desmoralização. Desmoralização esta que teve inicio quando seus dois principais líderes,  Fernando  Gabeira e Alfredo Sirkis  arrendaram  seu palanque no Rio e em  boa parte do Brasil,  exatamente em duas metades: uma para  Serra, outra para  Marina. Isto é algo inédito, mesmo  em se tratando do Pais do Carnaval e dos  Maluf.

A sensação que ficou é a de que  o PV tem vocação para ser  PMDB, mas  ainda não adquiriu a prática.

14-10-10

Marina consegue dobrar a direção do PV e
pode derrotar a tese de apoio a José Serra

Num  duro diálogo com a direção nacional do Partido Verde (a reunião durou mais de seis horas) e onde chegou a mencionar  a possibilidade de seu afastamento, Marina Silva conseguiu uma vitoria parcial: na convenção   que decidirá  se o partido se manterá neutro ou apoiará um dos candidatos que disputam o segundo turno, poderão votar também  elementos de fora da agremiação,  todos integrantes da equipe da ex-candidata  ou  participantes do Movimento Marina Silva, uma entidade supra partidária.

Com isso cresce a expectativa em relação  à Convenção de domingo (17) em São Paulo. Até agora, era dada com liquida e certa a vitória da tese de apoio à  candidatura de José Serra, defendida publicamente por  Fernando Gabeira e Alfredo  Sirkis, os dois principais líderes do partido e que já anunciaram  publicamente  sua preferência pelo tucano.  Com a ampliação do número de delegados, este resultado passou ser duvidoso.

Abre-se, assim, a possibilidade de vitória da tese de Marina, a da neutralidade, porque  a ala  que defende o apoio a Dilma Rousseff, sabendo que suas chances são pequenas, poderá somar forças com Marina e derrotar os serristas. Com o acréscimo dos extra partidários, uma situação  esdrúxula em se tratando de um Convenção  (e que revela o  grau de degradação  a que chegou o PV) deverão votar, no domingo, cerca de 200 pessoas.

A decisão foi tomada pela  Executiva do PV que se reuniu nesta quarta-feira (13) em Brasília, quando o partido decidiu,  por imposição de Marina Silva, ampliar as consultas para decidir o seu caminho no segundo turno, que só será definido  da Convenção de domingo.

Participaram da reunião  de ontem  os 53 integrantes da Executiva Nacional. No domingo, além deles e  dos delegados estaduais, estarão presentes candidatos a governador e ao Senado pelo partido, os 15 deputados federais eleitos, conselheiros do PV e pessoas de fora do partido (o acréscimo exigido pela ex-candidata), como integrantes do movimento Marina Silva, pessoas que auxiliaram na elaboração do programa de governo e um grupo de lideranças religiosas que apoiou a candidatura.

Apesar da indefinição, o PV já sinaliza que vai liberar as pessoas que não concordarem com a definição do partido para fazer campanha para um ou outro candidato, outra situação esdrúxula: “O partido assegura um direito da minoria, caso não seja unanimidade. Temos uma cláusula que assegura, aos que não foram maioria, manifestar posição. Mas no apoio  a candidatos  que não os indicados oficialmente, não poderão ser usados símbolos do partido”, informou  Fernando Gabeira, sem notar que, na prática, é impossível evitar  a utilização desses símbolos.

A Religião e a Contradição

Após a reunião de ontem Marina Silva reafirmou que, na Convenção, lutará pela tese  da neutralidade. E aproveitou para reafirmar sua posição contrária à legalização do aborto. Ela lembrou que chegou a ser  taxada como conservadora e argumentou que o debate sobre o tema discutir o mérito e não apenas rótulos: “É a primeira vez que vejo temas comportamentais assim tendo uma força tão grande na campanha eleitoral. Eu fui transparente com o eleitor e espero que este tema (aborto) seja tratado de forma responsável”.

Em seguida, porém, o presidente do PV, José Luiz Penna, discordou da  candidata e afirmou que o estado laico está “estremecido”. “A forma laica de ser do Brasil anda muito estremecida, começa a haver manifestações muito estranhas”, comentou.

E seu comentário tem razão de ser, porque  a legalização do aborto  faz parte do Programa do Partido, devidamente  registrado em cartório eleitoral. Esta é mais uma contradição que talvez  faça Marina  pensar na criação de um novo partido (ver matéria aí em baixo, na sequência desta).

O Novo Partido

E por falar em novo partido, seu embrião é  exatamente  o Movimento Marina Silva (supra partidário) e que conta  desde já com a adesão do ex-vice de Marina, Guilherme Leal, dono da Natura e de dois bilhões de dólares. Ele já declarou que se Marina sair do  PV ele sai junto.

Então, com o embrião referido acima, com seus 20 milhões de votos e com  a grana da Natura (mais alguns trocados evangélicos) não é de se duvidar que  Marina consiga  montar um partido que lhe dê condições de disputar a presidência em 2014. É por isso que ela falou tão grosso com Sirkis e Gabeira, os principais serristas, que tornam-se notáveis, agora, pela sua inesgotável capacidade de engolir sapos.

 12-10-10

Na  convenção  do PV, dia 17,  Marina vai  liberar  seus
eleitores para votar de acordo com suas consciências

Um dos colaboradores mais próximos de Marina Silva adiantou a  este blog que  na convenção, de domingo dia 17, ela adotará a posição da neutralidade do  PV em relação  às duas candidaturas  que disputam o segundo turno. Seja qual for a decisão  do  partido, a candidata que  obteve 20 milhões de votos no primeiro turno,  fará  declaração, provavelmente através de um texto previamente redigido,  na qual libera seus eleitores para votar “ de acordo com suas consciências”.

Marina sabe de antemão que sua posição não é majoritária, já que o partido está dividido  em três correntes com forças mais  ou menos equivalentes: os que adotarão a tese da neutralidade, o que  querem apoiar Serra e os  dilmistas. Para agravar a situação, muitos delegados (convencionais) chegarão para votar já com uma posição  oficial adotada em seus  estados, como é o caso da delegação  de Brasília, onde o PV já está em  campanha  ao  lado do PT, em torno da candidatura de Agnelo Queiroz para o governo da Capital.

Entretanto, o grupo aparentemente  mais forte é o da  direção nacional do partido,  controlada por Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis que já declararam publicamente seu apoio a José Serra. É exatamente com esse grupo que Marina  tem maior  dificuldade de diálogo. Na verdade, já há um virtual rompimento que vinha sendo desenhado desde a campanha do primeiro turno, quando  Gabeira  e Sirkis cometeram, no Rio,  a proeza de apoiar simultaneamente Marina e a Serra.

A hipótese da renúncia ao partido

Mesmo sendo uma das hipóteses consideradas, é muito pouco provável que a  ex-candidata se afaste do partido já  neste domingo. Só  se o  tempo fechasse de vez e desabasse, durante a convenção, o temporal das  ofensas e das  desfeitas. E isso  não deve acontecer, mesmo   levando –se em conta que  os  opositores de Marina, principalmente  Alfredo Sirkis, estão muito exaltados. Estóica,  ela inspira-se em Gandhi para  manter-se  serena em qualquer circunstância.

Entretanto, o divórcio é considerado inevitável. As pessoas que cercam Marina e  merecem sua confiança argumentam  que se for  vitoriosa a tese de  apoio a Serra ou a  Dilma, inevitavelmente o PV participará de um destes  dois governos,  contemplado com  pelo menos dois  ministérios, o do Meio Ambiente e o da Cultura, segundo as negociações em curso. Neste caso a candidata verde ficaria refém do futuro  governo.

E é exatamente isso o que  ela não quer, porque está convencida de que criou-se, nestas eleições, espaço para um novo partido com cara nova  e com um “jeito novo de fazer política” como ela diz e que ainda segundo ela,  já cativou grande parte da juventude do País. Seja como for, esta nova agremiação transcende ao Partido Verde, porque, obviamente,   não ficará presa apenas  à  agenda  ecológica.  E mais uma vez nas palavras de Marina, “ vale a pena   perseguir a  utopia da Terceira Via”.

Segundo seu colaborador de confiança,  a frase chave para  se chegar  à síntese   do pensamento da   ex e futura candidata à presidência é a seguinte: Estamos vivendo um processo que caminha em duas pernas. A perna  partidária e a  perna  da sociedade”.

Metáforas à parte,  Marina está convencida de que o PV,  pelo menos enquanto  for  controlado por Gabeira e Sirkis, não é o melhor veículo para conduzi-la  a uma nova  campanha presidencial em  2014.

Para ter uma visão completa deste assunto, não deixe de ler  a matéria abaixo e as colunas Pérolas & PílulasArte & Manha e Última Hora.

09-10-10

Fator Evangélico  atrapalha Dilma. Mas os
votos de  Marina não  vão todos para Serra

O comando da campanha petista já  constatou que o estrago  do Fator Evangélico  que prefiro chama de Cristianismo Xiita está sendo maior do que  se avaliava inicialmente. A campanha anônima destinada  a indispor Dilma Rousseff com este seguimento fundamentalista da sociedade brasileira  solapou  o cacife eleitoral da candidata em setores de baixa renda  do Centro Sul  e com maior incidência no voto feminino.

A verdade é que o estrago só não foi maior porque o fenômeno só ganhou força  nos últimos dias do primeiro turno. Mas há uma  certa angústia,  já que não se sabe se o processo estancou ou ainda está em curso. Só as primeiras pesquisas poderão dar alguma indicação.

A candidata está enfrentando o problema como pode, mas  sabemos como é difícil lutar contra um processo tão insidioso e sujo. Talvez fosse necessário arrancar declarações bem fortes e nítidas a favor de Dilma, por parte de  alguma estrela midiática do mundo evangélico ou  católico carismático.

Não é tarefa fácil, mas  o Marcelo Crivella  (Igreja Universal) poderia  quebrar esse galho. O pastor R.R. Soares também é acessível, até porque ele  está batalhando para conseguir seu próprio canal de TV. E  até o Garotinho não deve se descartado. Afinal, nesse seguimento, trava-se, talvez, a batalha decisiva. E quando é assim não se pode desprezar nenhum fator.

Por  outro lado,  é preciso  separar  essa questão fundamentalista  da do  aborto. Elas aparentemente são ligadas,  mas suas raízes são diferentes e a sociedade , como um todo, é francamente a  favor da  descriminalização desse  procedimento que, de uma forma ou de outra, já esteve  presente  ou muito próximo de cada família brasileira.

Lula  x FHC

A notícia boa para o lado de  Dilma Rousseff é a de que o votos de Marina não fluirão, na proporção que se imaginava inicialmente, em direção a José Serra. E isso merece um esclarecimento: no início de sua trajetória como candidata, até atingir os 10%, Marina captou o que chamo de “votos envergonhados” em  de José  Serra. São aqueles setores de classe média  que têm ojeriza  pelo PT e iriam votar  no tucano, tapando o nariz. A estes, Marina ofereceu a possibilidade de votar contra Dilma, sem, digamos assim, sujar suas mãos.

Nas  últimas semanas da campanha, contudo, a candidata verde  teve um crescimento exponencial em função de seu próprio carisma. Então ela  cresceu não em função de seu discurso conservador calibrado  para atrair os votos de Serra, mas porque ela convenceu  uma  boa parte do eleitorado, principalmente entre jovens, de que ela representa um jeito  diferente ou mais limpo de fazer política. Isto, evidentemente, não é verdade (até porque  o PV é um dos partidos mais fisiológicos e sujos do País) mas foi nisso que seus lei eleitores acreditaram. É pouco provável que tais eleitores votem em Serra.  Possivelmente tomarão o caminho da abstenção ou do voto nulo.

Por conta  de tudo o que foi  dito até aqui, fica evidente que  Dilma Rousseff deverá (e já começa a  fazer isso), basear sua estratégia na  comparação  Lula/Dilma contra Serra/FHC e  a questão das privatizações. Se for assim, a eleição  readquire  sua conotação plebiscitária e  mobilizará a militância do PT, do PCdoB e, parcialmente, do PSOL, os únicos partidos que contam com esse recurso adicional. Vão pesar, também,  as mensagens  tentando    galvanizar o voto da e na mulher.  A votação de Dilma e Marina somadas indicam que o País  aceita ou prefere ser  governado por uma presidente.

01-10-10, atualizado em 02-10-10

Dilma pode se eleger no primeiro turno?

No último Vox Populi anuniado hoje, no fim da tarde, (considerados só os votos válidos) Dilma  caiu de 55% para  53%, nas últimas 24 horas. Serra desceu de 31% para 30% e Marina subiu de 13% para 16%. Por estes números, a petista se elege no primerio turno.

Pelo IBOPE, anunciado no início da noite,  Dilma tem 51%, Serra 31% e Marina 16%. Já pela DataFolha temos:  Dilma > 50, Serra > 31% e Marina >17%.

O debate de quinta-feira na Globo, insosso,  não ofereceu nenhuma surpresa ou cena forte capaz de mudar substancialmente o ânimo do eleitorado. Sendo assim e faltando poucas horas para as eleições, é mais possível que  Dilma Rousseff se eleja no primeiro turno. Mas não há garantias disso.

Na média de todas as pesquisas ( inclusive o Tracking do Vox Populi) dos votos válidos, a candidata do PT  mantém-se até  à noite de sábado na faixa de 52/53%, Serra fica  com 28/29 e Marina com 16/17. Os votos válidos são aqueles  que se obtém após a  exclusão dos  nulos  e em branco. E é este o cálculo que a Justiça Eleitoral faz para determinar se  o candidato  vitorioso obteve  50% mais um dos votos, a maioria absoluta.

Se estes números estão corretos, Dilma  teria que perder de dois a três pontos nestas últimas horas para  que houvesse um segundo turno. Na verdade, como analisamos em  artigos anteriores,  Dilma chegou a ser ameaçada, desde o início desta semana, por  um avanço de Marina  Silva em cima  de um segmento específico de seu eleitorado: o voto feminino,  preponderantemente evangélico e de  baixa renda.

Com efeito, por conta  desse fenômeno, Dilma chegou a perder 4 pontos na Região Sudeste, a  maioria deles no Rio de Janeiro, estado  em que Marina mais cresceu. Entretanto, este movimento aparentemente foi estancado e, por sorte  da petista, era restrito a esta Região.

Sendo assim, ela pode compensar esses quatro pontos perdidos, com seus avanços na Região Sul  e no Nordeste. Os petistas conseguiram  apagar o  foco do incêndio evangélico e impedir que ele se alastrasse,  passando os últimos dois dias da campanha promovendo encontros  da candidata com pastores e sublinhado, no horário gratuito e  nas entrevistas,  seu respeito  a todas as religiões e, sobretudo, sua posição  contrária ao aborto. Esta foi a tecla principal.

O voto útil da Oposição

Ontem, alguns analistas sérios opinaram que  Marina perdeu o ímpeto de  crescimento e  Serra  teria avançado um ponto.  Este é um fenômeno comum a todas as eleiçoes, quando os adversários do candiato favorito (no caso Dilma) descarregam seus votos  naquele que consideram ter mais  chances de derrotá-lo.

Nesse caso, o que estaríamos  assistindo  é uma disputa entre Serra e Marina, pela  conquista do voto útil. Mas as pesquisas não confirmaram esse crecimento  de Serra na última hora. Marina é que seguiu avançando.

Os Números e as Regiões

Para vencer no primeiro turno, a candidata do PT precisa obter 50% dos votos válidos mais um.

Quando é analisado o total de intenções de voto (sem a exclusão dos  votos  nulos e em branco), Dilma alcança, na média das pesquisas  48%/49%, com queda de  dois nos últimos cinco dias. José Serra fica com  27%/28% e Marina com 15/16%. Dilma mantém quatro pontos de vantagem em relação à soma de todos os adversários.

No Sudeste, onde Dilma chegou a ter 48% das intenções de voto há dez dias, o índice chega agora a 42/43%. Serra caiu para 26% e Marina atingiu os 15/16% . O maior avanço de Dilma foi no Sul, onde ela passou de 46% para 49%. Nessa região Serra passou de 36% para 32% e Marina se manteve com 6%. No Nordeste a petista segue na liderança disparada: 64%. Serra tem 18% e Marina 7%. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, foi Marina quem disparou, passando, em uma semana, de 10% para 16%. Serra se manteve nos 27% e  Dilma  veio de 50% para 47%.

Mais informações sobre o mesmo tema, nas colunas Última Hora, Pérolas & Pílulas e Arte & Manha.

23-09-10

O Brasil é governado pelo lulismo, não
pelo PT. Com quem Dilma governará?

Já nem vou  falar da mídia incompetente e emporcalhada, mas a verdade é que mesmo  pesquisadores e intelectuais sérios ainda não sacaram que Dilma não representa a continuação do lulismo. Ao contrário, ela é a ruptura. Como assim?

Assim como, meu querido e perplexo leitor, ocorre em toda sucessão em que um líder carismático tenta perpetua-se  espiritualmente no poder,  impondo  um candidato que tirou do nada, ou, se quiserem, do bolso no colete.  Dizendo de outra forma: o lulismo, fenômeno  recente, fruto de uma emergência, ainda não tem (e talvez jamais venha a ter) organicidade e uma estrutura ideológica  minimamente definida.

Disso resulta  que Dilma não vai herdar uma doutrina  ou uma estrutura organizada, mas apenas uma arrumação política (basicamente a aliança do PT com o PMDB) que ela  terá que manter e administrar por conta própria e sem nenhuma  orientação do tipo Manual do  Consumidor.

Digo por conta própria, porque é uma infantilidade supor que  Lula vai continuar no Governo ou até fisicamente no Palácio, tipo José Bonifacio, nomeado tutor do menino imperador. Isto não existe nas relações políticas, nem nas relações humanas.  Em dois meses um não conseguiria  olhar para a cara do outro.

Mas é preciso não embaralhar as coisas. Nada do que foi dito  aí em cima, deve servir  para ocultar que o lulismo  representa  uma  histórica mexida  em nossa  evolução econômica e social.  Não só porque incorporou à pequena burguesia  emergente,  vinte ou trinta milhões de brasileiros, mas porque mudou o sentimento  nacional em relação à sua capacidade presente e à sua perspectiva de futuro. O Brasil de Lula,  remoçado e pujante, com política externa soberana, derrotou  o Brasil  com complexo de vira latas dos tucanos.

Tudo isso, para dizer que o Brasil de Dilma, será exatamente isso, o Brasil de Dilma e não um puxadinho do Brasil de Lula. E isso quer dizer que poderão ocorrer turbulências, mas pelo que se  conhece  da candidata petista  ela  consolidará  a recente  inflexão do Pais para a esquerda.

Pressentindo  isso, a Direita irredutível e golpista bota a faca nos dentes e  já faz contra Dilma, uma oposição muito mais feroz do que a que fez contra Lula em 2002.  A organização das esquerdas na base, nunca foi tão necessária como agora. Imagino que   as correntes mais radicais do PT e o PCdoB,  jogarão um papel importante nesse  processo.

O PSOL, por enquanto, só está vendo a banda  passar.

17-09-10

Sem Lula  o PT conseguirá administrar
sua aliança com o Centrão Fisiológico?

Como será o Brasil sem Lula? Ou: como, sem Lula, O PT manterá o arco de alianças que garante a governabilidade?

São perguntas muito abrangentes que comportam uma série de nuances que não cabem num artigo de pouco mais de 20 linhas, o máximo que o leitor médio suporta  ler de cada vez. O jeito, então, é simplificar de forma radical, separando apenas aqueles elementos de raciocínio absolutamente essenciais.

E aqui já vou dizendo logo quais são esses raciocínios: 1- Lula, um exímio negociador e líder nato, faz política  como se fosse um pêndulo. Getúlio e Perón também eram assim. Dilma não é  e não será  assim. 2- Dentro do próprio PT já há uma clara  disputa pelo controle do Governo, de sua política de alianças e, enfim, do seu Norte Ideológico.

Para seguir dentro desse espírito simplificador, que o leitor  mais simpático poderá chamar de esforço de síntese, diremos que dois  homens representam estas forças em confronto  dentro do partido que  se manterá no Governo com poderio renovado  por um consagrador banho de urna: De um lado José Dirceu, de outro, Antônio Palocci.

Dirceu há anos vem  sendo acusado, pelas  alas mais radicais do partido,  de praticar um pragmatismo exagerado a ponto de desfigurar a sigla. Na verdade, entretanto, ele é um dos garantidores de que PT ao transformar-se efetivamente num partido de massas, não se converterá  em mera agremiação populista. E é certo que, dentre os mais influentes  do partido, ele é o que tem o pensamento e ação mais próximos  do leninismo clássico e vê  com clareza como e quando é possível  avançar, sem voluntarismos  ou doenças infantis. São as chamadas correlações de forças.

Agora, Zé Dirceu  acha  que é hora de avançar e disse isso claramente em debate na Bahia, esta semana.  Com isso, criou o primeiro mal estar entre os aliados dos  do PT, principalmente  no PMDB que, por razões diferentes, também pretende “avançar”,  abocanhado  fatias maiores no novo governo.

Já Palocci, ironicamente, há  pouco mais de uma década   era um  tremendo de um radical  de esquerda, trotskista ligado à  Libelu (Liberdade e Luta). Hoje  ele  é o “Delfim Netto do PT”. Seu pragmatismo evoluiu para a adoção sincera da noção de as  leis do Mercado não podem ser contrariadas. Em todo caso, como bom pragmático, ele poderá  adaptar-se ao  humor  ideológico do  novo governo e aceitar algumas teses nacionalistas e  de intervenção  do estado na  economia.

Enfim, já que a  idéia  e sintetizar, diremos que toda a disputa   entre essas duas peças  chave no jogo do poder, já está concentrada na  escolha do Chefe da  Casa Civil de Dilma Rousseff. Queimados pela mídia,  nem  Dirceu, nem  Palocci podem assumir o cargo imediatamente, mas já estão  mexendo os pauzinhos para que  o escolhido  jogue no seu time.

14-09-10

Com o fim do DEM e  possível  racha do PSDB
a Direita tenta libertar-se do neoliberalismo

Como este blog vem antecipando há meses, pode ocorrer uma grande mexida na atual arrumação partidária ainda este ano. O DEM deverá desaparecer  e deverão surgir  um ou dois novos partidos de centro-direita. Tudo depende  dos encontros e desencontros de três nomes chaves nesse processo: Aécio Neves, Cesar Maia e  Gilberto Kassab.

Aécio que se elege senador com  votação consagradora, se conseguir, além disso,  eleger o insosso  Antonio Anastasia   para o governo de Minas, sairá desta eleição extremamente fortalecido e até já sonha com a presidência do Senado. Ele não tem grandes inimigos declarados, a não ser  dentro do próprio PSDB, onde  trava há  muito tempo uma queda de braço com a direção paulista da agremiação. Esta, de sua parte,  já  o acusa abertamente de traíra por ter feito corpo mole  na campanha do Serra, que perderá  para  Dilma em Minas, por uma diferença em torno de  três milhões de votos.

Seja como for, é o novo pólo individual na área oposicionista. Jogando como jogavam  Getúlio e seu avô Tancredo, vai tentar comandar o PSDB, mas, ao mesmo tempo,  pretende atuar como eminência parda  no novo partido que  surgirá  dos escombro do DEM, mais  dissidências mineiras e  nordestinas do PSDB. O importante, é que ele  vai dar o tom dos  discursos  dos dois partidos afastando-0s da cantilena neoliberal.

Cesar Maia, ex-exilado, ex-brizolista, é o homem  que inaugurou um novo tipo, mais profissional, na administração  da prefeitura do Rio de Janeiro. Entretanto, passa por uma fase de decadência em sua carreira, em função, de ter acordado tarde  para o fato elementar de que o discurso neoliberal  ruiu  com a Bolsa de Nova,  no fatídico setembro de 2008.

Porém, como  comanda de fato  do DEM através de seu filho Rodrigo Maia, ele terá voz e vez  nas negociações para a  criação do novo partido. No quadro da aliança com o PSDB ele joga com Aécio, portanto contra Serra e os paulistas.

O prefeito paulista Gilberto Kassab é intelectualmente o mais fraquinho dos três. Mas é habilidoso e como administrador da maior cidade do Hemisfério Sul, não pode ficar fora  das  negociações. Seu projeto evidente é chegar ao  governo do Estado de São Paulo e sabe que não terá chances em 2014, se Geraldo Alckmin  se eleger  governador agora. Daqui  a  quatro anos,  Alckmin vai querer reeleger-se,  ou o Serra vai querer  voltar.

Se ele realmente abandonar o DEM, uma de  suas alternativas  de Kassab seria  o PMDB,  onde se relaciona  muito bem com o pessoal da  direita dessa  legenda, tipo Delfim Netto e Miguel Colasuonno.

08-09-10

A decadência moral e técnica  dos jornalões brasileiros

Manchete da Folha de S. Paulo desta terça-feira, 7 de setembro: TER desmonta a versão do PT sobre  falso procurador. Tudo bem, o País é livre e cada um passa seu recado da forma que achar melhor. Mas para  não se desmoralizar, um grande jornal tem que perseguir fanaticamente alguns  critérios jornalísticos elementares Por exemplo: ser intelegível, ser objetivo, ser imparcial e não  distorcer a notícia.

Pois a Folha  conseguiu em  menos de  140 toques (parece até coisa do Twitter) conspurcar esses quatro sagrados mandamentos. Vejamos:

1- 99,9 por cento dos leitores não entenderam nada do que  jornal quis dizer com essa manchete. Não foi, portanto, intelegível.

2- Mesmo que  a nefanda  manchete fosse intelegível, ela foge ao critério elementar da objetividade: em que o fato de determinado cidadão praticar um crime, implica automaticamente na evidência de que este  crime  foi praticado em conluio ou  por ordem expressa da  Direção do partido ao qual ele é filiado. A linguagem popular  ensina que isso é procurar  pelo em ovo.

3-A parcialidade é evidente, na  medida em que em que procura transformar um rabo de sardinha numa  cabeça de  baleia (a inversão da proporcionalidade  real dos fatos),  só para ajudar a combalida campanha de José Serra.

4- De tão distorcida, como foi demonstrado acima, a matéria torna-se  francamente mentirosa. Na verdade, o TER não desmontou coisa nenhuma, apenas  comprovou tecnicamente a versão da direção do PT, segundo a qual Antônio Carlos  Atella Ferreira (envolvido na  quebra de sigilo de contribuintes da Receita Federal) chegou realmente a filiar-se ao partido, mas, por razões  técnicas, a filiação não foi homologada pelo Tribunal e a legenda   não insistiu  no pedido de filiação, enviado as correções que seriam necessárias.

Estes são os fato, na forma como que realmente  aconteceram. Tentar transformar isso na principal machete do jornal, só poderia redundar numa grande  traplhada.

Não é, portanto, preciso dizer mais nada: a Folha de S. Paulo, dirigida por um moleque incompetente, o filho do Seu Frias, transformou-se num pasquim inintelegível , sem objetividade, parcial e mentiroso.

05-09-10

Aécio e Marina despontam como dois
principais pólos da Oposição no Brasil

Não deixa  de ser um progresso. Pelo menos enterramos de vez o  decrépito discurso neoliberal. Ele já vai tarde, com Serra e os escombros do PSDB. Míriam Leitão  Carlos Alberto Sardemberg, vão falar para as paredes já que ninguém com um mínimo de senso comum ainda acredita  que o Mercado tem solução para tudo   e que os interesses doe acionistas (geralmente especuladores fugazes) são  mais importantes que  os interesses permanentes (estratégicos) da Pátria.

As últimas pesquisas já apontam para o resultado inexorável da eleição. E apontam, principalmente, na direção dos dois nomes principais que aglutinarão em  torno de si os discursos oposicionistas contra o governo de Dilma Rousseff: Aécio Neves e Marina Silva.

Como havíamos antecipado há dias, estes últimos trinta dias deverão ser o de crescimento  acelerado de Marina Silva, para quem  vão-se transferido (fenômenos do voto útil) os eleitores que não acreditam mais em   Serra. Como dissemos há dias, Marina  já rompeu a barreira dos 10%. E como  Montenegro ( IBOPE) admite, sua tendência é de crescimento daqui para a frente.

Com outras palavras, as pesquisas deste de fim de semana, foram as últimas em que IBOPE e DataFolha puderam fazer este derradeiro obséquio aos tucanos, apontando , dentro da margem de erro e  já no limite da desmoralização,  que ainda existe uma bipolarização  Dilma/Serra. Não há mais isso: o eleitorado está  claramente dividido em três  pólos independestes. No Rio e em Brasília que, como digo sempre antecipam uma tendência nacional, Marina já está ultrapassando Serra. A verde só não chegará na frente do tucano, porque não teve tempo para expandir-se  no Sul e no Nordeste.

O meu prognóstico pessoal é o de que Dilma cresça menos agora, já que, descontados os votos nulos e  brancos, ela  atingiu o  patamar de 55%. Serra  e  Marina ficarão  brigando na faixa entre os 15% e os 25 %.

Os novos pólos oposicionistas

Quanto a estes novos pólos oposicionistas, temos  em primeiro lugar Aécio Neves que além  de disputar  com chances de vencer, o controle do PSDB  cujos mandatários paulistas esgotaram seu tempo histórico, estimulará  a criação  de mais um partido, reunindo o que sobrou do DEM, descontentes  tucanos de Minas e do Nordeste e  algumas lideranças  avulsas    de partidos menores.

Seu discurso, escoimado do neoliberalismo ultrapassado, será legalista, defensor dos  direitos individuais, da mídia sem peias e da propriedade privada, principalmente a da terra. É claro que tudo isso, com alguma tintura nacionalista (que agora  está na moda) e  vagas preocupações com a justiça social e a distribuição de renda. Seria uma retomada parcial  do discurso da Social Democracia  que funcionou  até à  década  de 70 do século passado. Nada que Willy Brandt, Jimmy  Carter e o Ted Kennedy não e pudessem assinar.

O discurso de Marina, apesar  do  tom verde desbotado que ela assumiu desde que se associou  ao Gabeira e à Natura, não deixa de ser instigante. O verde é moda em todo o Mundo. E embora,  ingênuo e piegas quando não ataca  de frente a questão central,  o modo de produção capitalista, serve ao menos como introdução à discussão.

Aliás, as esquerdas tradicionais, estão ridiculamente atrasadas em relação a esse tema crucial. Ainda não perceberam que a ecologia levada às últimas, reais e lógicas conseqüências é tão revolucionaria quanto a luta de classes. Na verdade,  são as duas faces da mesma  moeda: a  anacrônica propriedade particular dos meios de produção.

Na matéria logo aí abaixo, você  terá mais detalhes sobre a recente evolução do eleitorado.

 02-09-10

Os últimos 30 dias  serão de crescimento de Marina

Carlos Augusto  Montenegro, o homem do IBOPE, já antecipou para seu verdadeiro  patrão, o Globo, que Marina Silva  finamente  rompeu a barreira dos 10% onde estava estacionada há quatro meses. Nas próximas  pesquisas ela deverá aparecer numa faixa entre 12 e 15 %. Serra continua em queda.

A queda vertiginosa de Serra, que em  um mês despencou  dos  37% para algo em torno de 25%, deveu-se  a um fenômeno que surpreendeu aos analistas, sobretudo pela sua intensidade: a transferência  de boa parte de seus votos diretamente para Dilma.

Isso ocorreu basicamente na faixa de eleitores que  recebem menos de três salários mínimos  e junto ao eleitorado feminino. Estes dois seguimentos são os últimos a se ligar nas eleições e a definir seus votos. Há um mês quando  interrogados pelos pesquisadores, iam logo dizendo o nome mais conhecido  e com imagem razoável, o de Serra. Isto, na verdade, representava, em  boa parte, uma distorção das  pesquisas, em função  da metodologia usada.

Quando o interesse pela eleição foi crescendo, sobretudo, após o horário gratuito, ocorreu muito rapidamente o seguinte movimento em três etapas: a– descobriu-se que Dilma  existia; b– que ela era a candidata do Lula e  tão  “ boa administradora” quanto o Serra, e c– é a candidata  dos mais pobres, o Eixo Ideológico.

A partir daí, o programa de Serra  que já não tinha nenhum discurso lógico e, falsamente, procurava não identificá-lo como candidato anti-Lula, passou  a invocar seu passado humilde  e sua “identificação” com os mais pobres. Tarde demais.

Agora, nesta reta final,  Serra  começa a  derreter também junto ao seu principal reduto, o da classe média. Aqui, a beneficiada está sendo Marina Silva que, desde o início direcionou seu discurso mais para a direita, justamente  para pescar nas mesmas águas onde o tucano recolhe seus votos. Há uma  semana que o mote da campanha do PV passou  ser: com Marina no segundo turno.

Provavelmente, se Serra continuar derretendo, deveremos assistir ao crescimento de Marina. No Rio e em Brasília, duas cidades que antecipam uma tendência nacional, ela já está em empate técnico com o tucano. E começa a crescer em São Paulo. Nitidamente, o eleitorado decepcionado com Serra, mas que não tolerara o PT, está optando por Marina. É o voto útil das oposições. Até mesmo as denúncias do PSDB em relação à quebra do sigilo bancário (um escândalo real, mesmo sem  as injunções políticas), a esta altura  ajudará  mais a Marina do que a Serra.

Nestas eleições modorrentas, com resultado praticamente  antecipado e onde a  possibilidade de um segundo turno é pequena, resta a emoção  da disputa pelo segundo lugar.

A matéria logo aí abaixo, complementa o raciocínio desta.

28-08-10

Uma eleição histórica, marcada pelo confronto entre Esquerda e Direita.

Há dias, informamos, em primeira mão neste blog, que o IBOPE anunciaria uma vantagem de  Dilma sobre  Serra, superior  a 20 pontos. Não é bem assim: Ela já está 24 pontos à frente, segundo  números que serão divulgados hoje. Desde a vitória de Getúlio em 1950, jamais o povo brasileiro havia mostrado sua preferência de forma tão nítida. É um verdadeiro plebiscito.

Tucanos e  Demos, a nova Direita brasileira, pagaram o preço de terem  imaginado que as ideologias estavam mortas. Nunca estiveram tão vivas e, nestas eleições,  o Brasil faz importante inflexão à esquerda.

O crescimento de Dilma foi tão avassalador que não deixou espaço para  que Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) pontuasse na pesquisa. Além disso, a diferença  da petista para Serra já é maior do que a diferença deste para Marina: 19 pontos.

 Os novos números

Após dez dias de exposição dos candidatos à Presidência no horário eleitoral, Dilma Rousseff abriu 24 pontos de vantagem sobre  José Serra. Se a eleição fosse hoje, ela venceria no primeiro turno, com 59% dos votos válidos.

Segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo que será divulgada hoje, Dilma chegou a 51% das intenções de voto, um crescimento de oito pontos em relação ao levantamento anterior do mesmo instituto, feito às vésperas do início da propaganda eleitoral.

De lá para cá, Serra passou de 32% para 27%. Marina Silva, do PV, oscilou de 8% para 7%. Somados, os adversários da petista têm 35 pontos, 16 a menos do que ela.

A performance de Dilma já se equipara à de Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 2006. Na época, no primeiro turno, o então candidato petista teve 59% dos votos válidos como teto nas pesquisas. Mas, então, a  campanha estava  bipolarizada entre  o petista e Alckmin.

Geografia do voto. Dilma ultrapassou Serra em São Paulo (42% a 35%) e tem o dobro de votos do adversário (51% a 25%) em Minas Gerais – respectivamente primeiro e segundo maiores colégios eleitorais do País.

No Rio de Janeiro, terceiro Estado com a maior concentração de eleitores, a candidata do PT abriu nada menos do que 41 pontos de vantagem em relação ao tucano (57% a 16%).

Na divisão do eleitorado por regiões, Dilma registra a liderança mais folgada no Nordeste, onde tem mais que o triplo de votos do rival (66% a 20%%). No Sudeste, ela vence por 44% a 30%, e no Norte/Centro-Oeste, por 56% a 24%.

A Região Sul é a única em que há empate técnico: Dilma tem 40% e Serra, 35%. A margem de erro específica para a amostra de eleitores dessa região chega a cinco pontos porcentuais. Mas também entre os sulistas se verifica a tendência de crescimento da petista: ela subiu cinco pontos porcentuais na região, e o tucano caiu nove.

Ricos e pobres. A segmentação do eleitorado por renda mostra que a candidata do PT tem melhor desempenho entre os mais pobres. Dos que têm renda familiar de até um salário mínimo, 58% manifestam a intenção de votar nela, e 22% em Serra.

Na faixa de renda logo acima – de um a dois salários mínimos -, o placar é de 53% a 26%. Há um empate entre a petista (39%) e o tucano (38%) no eleitorado com renda superior a cinco salários.

Também há empate técnico entre ambos no segmento da população que cursou o ensino superior. Nas demais faixas de escolaridade, Dilma vence com 25 a 28 pontos de vantagem.

A taxa de rejeição à candidata petista oscilou dois pontos para baixo, mas se mantem praticamente a mesma desde junho, próxima dos 17%. No caso do candidato tucano, 27% afirmam que não votariam nele em nenhuma hipótese.

A disparada da candidata apoiada pelo presidente Lula disseminou a expectativa de que ela vença a eleição. Para dois terços da população, a ex-ministra tomará posse em janeiro como sucessora do atual presidente. Apenas 19% dos eleitores acham que Serra será o vitorioso.

Mulheres. Com boa parte de sua propaganda direcionada à conquista do eleitorado feminino – dando destaque à possibilidade de uma mulher assumir pela primeira vez a Presidência -, Dilma cresceu mais entre as mulheres (nove pontos) que entre os homens (cinco pontos).

Na simulação de segundo turno, a vantagem de Dilma entre as mulheres é agora praticamente a mesma que entre os homens, um fato inédito na campanha. O próprio Lula sempre teve mais votos entre os homens.

A pesquisa mostra que 57% dos eleitores já assistiram a pelo menos um programa do horário eleitoral.

Segundo o Ibope, 50% dos brasileiros preferem votar em um candidato apoiado pelo presidente, e 9% tendem a optar por um representante da oposição. Do total do eleitorado, 88% sabem que Dilma é a candidata de Lula.

O governo do presidente é considerado ótimo ou bom por 78% dos brasileiros. Outros 4% consideram a gestão Lula ruim ou péssima.

26-08-10 – atualizado em 27-08-10

Dilma está eleita. Serra destruiu sua carreia. E o PSDB
só não racha se entregar o comando para Aécio Neves

Em  apenas um mês,  Dilma passou de 37% (21 de julho) para os atuais 49%. Serra, no mesmo período, caiu de 36% para 29%. Marina  permanece com 9%.

Entretanto, o fato de Dilma ter superado o tucano em  São Pualo e no Paraná , seus redutos considerados inexpugnáveis,  fez  a cúpula do PSDB concluir que não há mais nada  a fazer. “Como convenser o eleitorado do Pais  de que ele é melhor adminstrador, se está sendo derrotado em seu próprio Estado”, lamentou um alto dirigente do partido.

O DataFolha antecipou-se e anunciou o que o IBOPE deverá revelar neste fim de semana: Dilma já está 20 pontos à frente de Serra. A pouco mais de um mês da eleição é praticamente impossível reverter o quadro, ainda mais que a tendência é de  ascensão  da petista  e  de queda acentuada  do tucano. Parece certo que, ao final, Serra estará mais próximo de Marina,  terceira colocada, do que da líder.

No mais, vale enumerar algumas conseqüências da grande derrota, algumas antecipadas por este blog:

1- Se não entregar o comando para Aécio Neves e  submeter-se  à sua  estratégia com vistas às eleições  presidências de 2014, o PSDB racha de  alto a baixo. As seções de Minas e de parte do Nordeste se rebelarão.

2- Se continuar  nas mãos da cúpula paulista que sempre  o dominou, o PSDB  corre o risco de transformar-se num partido regional, forte apenas de São Paulo para o Sul.

3- A derrota de Serra  foi tão fragorosa que  inevitavelmente afetará o ânimo dos  seus partidários e aliados, até em São Paulo, onde  Geraldo Alckmin (PSDB) é o favorito. Com isso, é possível que Aloizio Mercadante (candidato ao governo pelo PT) chegue ao segundo turno.

4- O DataFolha revela ainda uma impressionante virada no Rio Grande Do Sul. Há um  mês, Serra vencia por 46% a 34%, Agora ele tem 39% e Dilma 43%.

5- Em Minas,  Dilma tem 48% contra  29% de Serra. Não é preciso dizer mais  nada.

Leia também as duas  matérias logo aí abaixo.

24-08-10

O desastre de Serra é tão vasto  que  até o que
parecia  impossível  pode acontecer: Mercadante
no segundo turno e Richa derrotado no Paraná

A pesquisa  CNT/Sensus  divulgada hoje confirma os números do IBOPE que  serão divulgado ainda esta semana, apontando Dilma 20 pontos à frente de Serra. Veja  nossa matéria na coluna Pérolas e Pílulas. Entretanto, o dado essencial é o que demonstra   que é remotíssima a possibilidade de  ocorrência de um segundo turno. Isto pela razão de que a soma de votos de Serra e de Marina  é bem inferior ao total de  votos de  Dilma Rousseff.

E não é válido o  raciocínio de que o crescimento de Marina Silva poderia jogar a disputa para o segundo turno. Embora  os marqueteiros verdes e tucanos tenham extrema dificuldade para entender isso, a verdade é que, como dizemos há meses neste blog, Marina  e Serra disputam  a mesma jazida eleitoral e aplicam, na essência, um  discurso  muito semelhante, já que é destinado ao mesmo público. Disso resulta que o eventual  crescimento de  Mariana vai se dar  às custas de um esvaziamento de Serra,  sem ameaçar, portanto, a posição de Dilma.

A prova matemática do que dissemos acima está nos números de um hipotético segundo turno, segundo o Sensus. Dilma teria 54,9% e Serra 34%. Agora, vejamos os dados do primeiro turno: Dilma 46%, Serra 28,1% e Marina 8,1. Temos, então, que a  soma dos fotos de Serra e Marina, são muito semelhantes  ao que o tucano obteria no  turno. Ou seja, os votos de Marina por pertencerem ao  mesmo compartimento anti-lulista do eleitorado, fluem naturalmente para Serra.  Com outras  palavras: Serra e Marina intercambiam votos  entre si, sem  alterar em nada  a votação de  Dilma.

Para finalizar. Como Serra nitidamente está despencando (Nesta pesquisa Sensus  ele caiu mais 3,5 pontos em relação à última), isto cria um abatimento psicológico muito grande no arco oposicionista. Como resultado,  situações  que pareceriam absurdas há um mês,  podem tornar-se realidade. Por exemplo:  Aloizio Mercadante (PT) pode  conseguir  chegar ao segundo turno em São Paulo. E no Paraná, o tucano Beto Richa, franco  favorito  há  três semanas, pode ser derrotado por  Osmar Dias (PDT) que só entrou no páreo na última hora  e meio contra sua própria vontade.

A situação é tão crítica que o Geraldo Alckmin (PSDB) que ainda se mantém  como favorito em São Paulo, já  está procurando descolar a  sua imagem  da  de Serra.

Sobre o mesmo tema, veja matéria logo ai abaixo e na Coluna Pérolas e Pílulas

22-08-10

Por que Serra, o mais experiente, continua caindo
mesmo depois dos debates e do horário gratuito

Tenho sido insistente, mas  é preciso bater na tecla de que nestas eleições, mais do que em ocasiões  anteriores, o fator determinante é o  eixo ideológico. E isto decorre de causas mais amplas e complexas,  como também de fatores corriqueiros. Comecemos pelo mais complicado:

Há quase trinta anos, com a derrocada do sistema e  de parte das utopias soviéticas, o Capital e seus arautos conservadores redescobriram o liberalismo. Então, pegaram tudo o que já tinha sido dito a respeito, acrescentaram o prefixo neo e saíram pó ai, marrentos e donos da verdade, tripudiando sobre os  poucos que não se renderam às magnificências de Sua Majestade o Mercado. Foram tão arrogantes que, imprudentes,  chegaram a proclamar, com Fukuyama, esta suprema imbecilidade: As ideologias estão mortas.

Vai daí que Sua Majestade teve um piripaque, acometido que foi  por uma daquelas convulsões   que o acometem  de  tempos em  tempos, por razões  genéticas. São as crises cíclicas do Capital, diagnosticadas pelo  Dr. Marx  há 150 anos. Um mal para o qual todas as ciências do Mundo não encontram remédio. É uma questão genética, como eu dizia.

Para  encurtar a conversa, basta dizer que o estrondo provocado pela queda do Muro de  Berlim e  de tudo o que ela representava,  foi tão grande que até gente  razoavelmente inteligente como o FHC e o Cesar Maia passou a acreditar  nas bobagens do Fukuyama e  imaginaram que as regras do  mercado e a eficiência administrativa   eram  os ingredientes  básicos e suficientes  do elixir da saúde eterna. Foi quando…

Foi quando  em setembro de 2008, com estrondo  não menor do que o da queda do  famigerado muro berlinense  a economia (plena) de mercado, espatifou-se  na maior crise do Sistema, desde 1929. Então,  todos  estes  caga regras  liberalóides que vão de Friedman a Míriam  Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, ficaram literalmente sem discurso.

E veja querido leitor, com que arte e graça eu retomo o fio do raciocínio inicial de nossa conversa, para dizer  que é por isso que,  nas presentes eleições, o que vai valer é o eixo ideológico que, na simplificação extrema  fica reduzido à  conservadores x progressistas ou candidato dos ricos x candidato dos  pobres.

Então, mesmo sendo  mais experiente, apesar  de seu traquejo diante das câmeras e apesar, ainda, de evitar bater em Lula, Serra continua despencando nas pesquisas: ele já foi marcado como o candidato “conservador e dos ricos”. Para esse mal não tem remédio, até porque em termos de  marquetagem não ideológica, os outros candidatos tem  profissionais  do mesmo nível.  E, sob este aspecto, o jogo fica mais ou menos  empatado.  A sorte de  Serra  é a de que Marina  está ficando cada vez mais parecida com ele.

Leia também a matéria lolgo ai abaixo. Ela complementa esta.

15-08-10

A Direita, aturdida, já não faz oposição à candidata,
mas à presidente, como se Dilma já estivesse eleita

A matéria da  Época   sobre a militância de Dilma na luta armada é  um dos exemplos de como Dilma será  combatida desde o primeiro dia de seu mandato. A mídia americanófila vai tentar demonizá-la,  assim como fez com Chávez, na  Venezuela.

De tanto idiotizar parte ponderável  da casse média, a mídia, numa ação reflexa, acabou igualmente  idiotizada. Ela não percebe, por exemplo, que aqueles que não a lêem, a imensa maioria dos brasileiros e a  quase totalidade das camadas mais pobres, tem uma admiração difusa  e mística por líderes como Chávez e Fidel.

E se a Datafolha saísse por ai perguntando sobre quem é a favor do paredon para ,  estupradores, exploradores e políticos corruptos, verificaria que  a imensa maioria é a favor. Tudo  isso, de forma  imprecisa e sem definição ideológica, mais ou menos na linha  dos “justiceiros” Datena e Wagner Montes, não por acaso campeões de audiência.

Seja como for, a política brasileira, após décadas de  letargia e predomínio, sem discussão, dos paradigmas neoliberais, já ingressou numa fase aguda de discussão ideológica, por enquanto, é claro, mais concentrada entre os chamados formuladores e os formadores de opinião.

Fútil e incompetente

A direita brasileira sempre foi mais alienada e fútil do que  politicamente  competente. Exceto em alguns setores militares, principalmente do Exército,  onde chegou a vicejar  uma teoria nacionalista com viés fascista (general Albuquerque  Lima  nos anos 70), ela jamais conseguiu desenhar um projeto para o País, digno deste nome. De resto, na média, os burgueses brasileiros fúteis e  intelectualmente  precários, jamais passaram por angustia maior do que a  de ter que decidir, se levariam a família, nas férias,  para Miami ou Bariloche.

Mesmo assim, eles  governaram o País durante duas décadas acanalhadas por obra e graça de conspirações e interferências diretas da CIA e do Departamento de Estado americano. Isto hoje  está mais do que comprovado com a liberação de documentos secretos e com os depoimentos, há dez anos, do embaixador  americano no Brasil, Lincoln Gordon( 63 a 67) e do general  Vernon Walters, agente da CIA que atuou no País nos anos 60 e era íntimo amigo do grotesco “marechal-presidente” Castelo Branco.

E se pensam que isto é coisa de um passado remoto, lembrem-se que há apenas  oito anos, a CIA e o Departamento de Estado tentaram depor o presidente Hugo Chávez que ainda  não completara  dois aos de  mandato. Quem o salvou foi presidente  Lula que, rapidamente, criou o movimento “Amigos da Venezuela” que mobilizou a opinião pública do Continente contra o golpe.

 Agora, sem projeto e sem discurso, a candidatura de Serra é o retrato disso, a Direita brasileira, passa, sem transição amortecedora, da ironia barata do Jabor e do Mainardi  para ódio furibundo dos impotentes. Cuidado com ela.

Texto atualizado em em 11-8-10

E o Plínio, quem diria, já está na Globo

Hoje (10-10), o Globo dedica  o principal artigo de sua página de opiniões a um longo elogio ao desempenho de Plínio no Debate da BAND. Sob o título” Mais Plínio”, o texto assinado por Luiz Garcia diz simplesmente que no embate entre Dilma e Serra, vencerá o que conseguir ser “mais Plínio do que o outro”.

Ontem (7-08), o próprio candidato informou  pelo Twitter (E por onde mais poderia fazer isso?), que  foi convidado  pela Globo para participar do debate que  vai ao ar dia 30 de setembro. Logo em seguida, a Globo informou que Plínio será um dos entrevistados na bancada do Jornal Nacional.

Devo confessar que me sinto um pouco  como pai desta criança. Um “pouco pai” é meio forte,  mesmo nestes tempos em que a família, graças a Deus, adquire os formatos mais inusitados. Mas é como me sinto e  os sete mil tuiteiros que me seguem  permanentemente, mais  os que me honram com sua  visita eventual  ao meu blog, são testemunhas de que  há exatos quatro meses, dei o primeiro brado cívico (brado cívico também é forte) dizendo que  a mídia indigna  não falava  do Plínio.

Como o Plínio não me segue, vai ficar sem saber desta  importante circunstância  histórica  que envolve sua candidatura. Mas ele reconhece a importância do Twitter como meio de divulgação,  tanto que agradece  aos “tuitadores  e outros divulgadores”.

De resto, Plínio brilhou  no debate da  BAND,  porque é que único que não tem  marqueteiro, graças a Deus. Todos os outros foram  vítimas desta raça idiota e idiotizante que pasteuriza tudo e faz com que  Dilma, Serra e Marina possam se trocados indistintamente,  uns pelos outros, como as figurinhas que  agente trocava antigamente.

Aliás, o próprio  Plínio sublinhou isso ao dizer a certa altura: “Vejam como eles são  iguais, verdadeiras Polianas Tudo a favor do bem , tudo contra o mal. O que isto quer  dizer? Absolutamente nada”.

As outra duas vezes em que o candidato do  PSOL  mais brilhou, foi quando  chamou Serra de  hipocondríaco, “que só fala da Saúde” e quando fulminou Marina: “Você é uma ecocapitalista e não sabe pedir demissão”.

Estou certo de que  o pessoal do PSOL  não vai gostar  do jeito  como eu trato  destes assuntos. Minha sorte é que a maioria deles nem vai tomar conhecimento. Por que,  mesmo depois do sucesso de Plínio, continuam  só se comunicando entre eles mesmos e, por arrogância e incompetência, não seguem ninguém, supondo, talvez, que assim parecem mais importantes. Na prática, falam para as paredes.

Quanto à  minha observação sobre a família, quero dizer que ela chegou  assim, hipócrita e  impraticável  ao  século XXI, em função de um processo multimilenar que começou com o sedentarismo de parte das gentes e culminou com  a apropriação, por particulares, da Natureza ou dos meios de produção, o que vem a dar no mesmo.

E se agora esta família inviável se desintegra, é porque, por   igual, o atual modo de produção começa a desintegra-se. Graças a Deus.

Tudo isso está muito bem explicadinho nas colunas O impasse Ecológico e Para Entender a Crise, exatamente as  duas que o distinto público parece fazer questão de não visitar.

Leia mais sobre Plínio na coluna Pérolas & Pílulas

06-08-10

Debate: Serra e Plínio foram bem. Mas só Plínio ganhou votos

Acredito que  meu caro leitor entenda que  embora  eu tenha uma posição ideológica definida, neste espaço procuro fazer  uma análise isenta.

Para definir o vitorioso num debate político, precisamos   analisar e cruzar, de forma ponderada, os seguintes três  quesitos: a– postura e desempenho, b– discurso, c– coerência.

No quesito a está embutida, ainda a categoria aparência, sendo famosa a constatação de que  no primeiro grande  debate via TV da História,  Kennedy, jovem  de boa  aparência e bem barbeado teria suplantado, por este  motivo  fútil, a um Nixon  bochechudo e que, mal maquiado,   parecia não ter feito a barba. Talvez seja apenas folclore, mas  os historiadores superficiais adoram  esse tipo de  detalhe, conhecido como “O Nariz de Cleópatra”. Seja como for, se tivermos dois  candidatos absolutamente empatados em todos os demais quesitos, é possível que a simples aparência faça a diferença.

Então, sem mais conversa fiada, vamos  à  análise:

Quesito a. O Desempenho

Serra e Plínio, foram, de longe os melhores. Falaram com naturalidade  e simpatia. Plínio, mesmo quando agressivo,  não foi antipático. É como se ele tivesse o direito, pela idade e pelo boicote que sofreu por parte da mídia. Serra, por seu turno, procurou ser ameno, educado, apaziguador. E conseguiu isso.

Ainda neste quesito, Marina e Dilma foram sofríveis. A primeira porque não  cuidou bem  da aparência (que aqui não se trata  de beleza  mas de  ser adequada), bem como pareceu ter esganiçado a voz, mais além do que já estávamos habituados a ouvir. Dilma, por seu lado, em nenhum momento pareceu à vontade. O tom da voz a respiração presa, denotavam ansiedade  ou insegurança.  Mas o principal defeito foi  o de raramente olhar diretamente para a câmara, sendo que, muitas  vezes, parecia  estar lendo uma cola passada por assessores.

Quesito b. O discurso

O ponto mais fraco de Serra, a falta de discurso, ficou escancarado no debate. Depois de duas horas,  ninguém ficou sabendo, com clareza, se ele é contra ou a favor do Governo Lula, nem mesmo  no seu  ponto essencial, a política  econômica. E foi horroroso  quando, ao final, ele, um  fervoroso  arauto da privatização da Vale, declarou-se defensor (no passado, embora) da Petrobras e da Reforma Agrária.

Neste quesito, Plínio  mostrou-se claro, cristalino. Depois do programa, pode-se  não concordar  com uma vírgula do que ele disse, mas não se pode  alegar que não se entendeu o que ele  falou. O discurso de Marina, incoerente, será discutido no  quesito seguinte.  Quanto a Dilma,  não se pode dizer que sua fala  foi brilhante, mas pelo menos ela disse a que veio.

Quesito c. A coerência

Aqui  naufragaram Serra e Marina. O primeiro, porque, na falta de discurso, defendeu questões pontuais, porém de forma  contraditória  Ele só foi claro e objetivo no  capítulo da  da Saúde, item em que duelou e derrotou Dilma. Finalmente, Marina quase  ia conseguindo vender seu discurso ambíguo com o qual  pretende conciliar a acumulação capitalista com  preservação  da Natureza, mas foi impiedosamente massacrada por Plínio  que a fulminou com esta frase: “ Você acabou de dizer que aprovou a transposição  das águas do rio São Francisco e a construção de Belomonte. Seu problema é que você não  sabe pedir demissão”. A questão do rio São Francisco e a construção da hidrelétrica de Belomonte são pontos sobre os quais não há acordo com os ecologistas radicais, porém respeitados.

Resta dizer que as pesquisas  sobre  o desempenho dos  candidatos no debate, não podem ser levadas muito a sério, porque  os pesquisados tendem a aprovar o comportamento  daqueles que  eles já  escolheram para votar. E isto representa uma  insanável distorção, mesmo quando  ainda  existam  muitos eleitores indecisos. Todavia, querido leitor, se você, não concorda com esse argumento, faça uma experiência com  você mesmo: confesse que  quando desaprovei seu candidato, você murmurou “este sujeito é um idiota”. Porém  quando  elogiei seu favorito, você não consegui  conter um breve sorriso.

05-08-10

Montenegro  joga  a  toalha: Dilma disparou.
E Sensus confirma a diferença  de 10 pontos.

Montenegro já admite, agora abertamente  e não apenas em seus informes antecipados para a Globo, que Dilma já está  12 pontos na frente de Serra. Pelo  Sensus:  Dilma 41,6% , Serra 31,6%, Marina 8,5% e Plínio 1,7%.Veja também as principais armas dos candidatos para  o debate de hoje na BAND.

Como dissemos ontem,  Plínio de Arruda Sampaio deverá  levar  vantagem no debate.  atuará como livre atirador,  será poupado pelos adversários, mas  vai dizer que  eles são farinha do  mesmo saco.

Dilma, que  há uma semana  vem-se preparando para o debate, pretende mostrar que é boa gerente e  sabe tudo sobre a administração e seus números. Para jogar  Serra nas cordas,  perguntará se ele é a favor ou conta o MERCOSUL  e se vai ou não alterar  o  atual  sistema de autonomia relativa do Banco Central. Ganhará pontos  se não parecer arrogante  e se não aceitar provocações. Será a mais visada pelos debatedores.

Serra fará críticas pontuais ao governo “que gasta muito e gasta mal”.  Acentuará que  o  PT não tem compromisso com a Democracia, citando Chávez e o Irã.  Tentará parecer compreensivo e apaziguador.

Marina, a mais fragilizada, dadas as contradições  de seu discurso, explorará o lado emocional,  aparecendo como vítima de preconceitos: mulher, negra e alfabetizada aos 16 anos.  Poupará Serra e Plínio. Defenderá o desenvolvimento  ecologicamente sustentável e denunciará  a destruição da  Amazônia, com destaque  para a construção da usina de Belomonte.

03-08-10

Montenegro já informou a Globo  que  Plínio  ultrapassou  os 2%

Dois pontos nas pesquisas podem parecer uma insignificância. Mas com eles  Plínio perde a condição de “candidato invisível” e poderá chegar aos 5%.

Mais de uma vez contei, aqui, a história de Carlos Augusto  Montenegro, o dono  do IBOPE e um tradicional fraudador  e manipulador de pesquisas. Não vou repetir aqui detalhes de  sua vida pregressa, para não cansar os leitores. Basta dizer que ele  atua como uma   espécie de agregado e moleque de recado da  Família Marinho.

Uma de suas funções é a de antecipar para as  Organizações Globo,  números e tendências de pesquisas ainda  em andamento. Com isso, a Globo  consegue  antecipar jogadas e prevenir seu aliados, repassando informações para o comando da  candidatura tucana. Então, ocorrem vazamentos e nós  jornalistas conseguimos antecipar   alguma coisa para os leitores.

Tudo isso, para dizer que Montenegro já informou  aos Marinhos que  na próxima  pesquisa  presidencial, Plínio de Arruda Sampaio  deverá aparecer com dois pontos no IBOPE  Dois pontos parecem uma ninharia, mas já é o suficiente para que a mídia calhorda deixe de ignorá-lo. Na  verdade e esta  é apenas minha opinião pessoal, Plínio poderá  crescer rapidamente até os 5%, limite histórico  (eu não disse insuperável) da votação do PSOL.

Se isto não acontecer, será  por conta da  inenarrável incompetência das principais lideranças do PSOL, vítimas do  seu  próprio  hermetismo  e de um discurso ideológico caduco.  Parece que  o último livro  que elas leram foi “Imperialismo, a Fase Superior do Capitalismo”. Nem percebem que já estamos em pleno Neofeudalismo, a fase superior do  Imperialismo.

Para que esta matéria seja melhor  compreendida, o leitor deveria ler também a que está logo ai abaixo,  da qual esta  é uma atualização.

01-08-10

Tucanos apostam tudo na transferência de votos de
Marina para Serra. Plínio pode ser o fiel da balança

Durante meses, mas muitos meses, venho dizendo neste blog que Marina disputa  votos na mesma faixa eleitoral de Serra e que, portanto, retira mais votos do tucano do que de Dilma. E mais: num  eventual segundo turno,  a maioria dos votos da verde, migrarão para o paulista.

Hoje  já há um consenso razoável  a este respeito. Ontem, porém, num comício na Zona Norte do Rio, o ex-prefeito Cesar Maia, um especialista em pesquisas e análises eleitorais, escancarou: “cada voto dado a Martina agora, será um voto para Serra no segundo turno”.

Já comentamos aqui, (veja coluna Pérolas & Pílulas deste blog) que para não  correr riscos  no segundo turno, Dilma deveria  procurar esvaziar a candidatura de Marina. Mas como fazer isso, sem ataques frontais à candidata do PV, o que  seria um tiro no pé? Na nossa matéria do dia  26 na coluna citada acima, fizemos a  sugestão ousada no sentido de que o esquema lulista procure inflar a candidatura de Plínio de Arruda Sampaio.

A lógica do raciocínio é a mesma:  Plínio  retira muito mais votos de  Marina do que de Dilma. Seus eleitores (os de Plínio), na sua maioria, já não iriam mesmo votar em Dilma, mas  poderiam votar em Marina ou até em Serra, tapando o nariz. É preciso  entender que o eleitorado  dele, não se restringe, obrigatoriamente ao eleitorado do PSOL, que é  reduzido  em função do hermetismo do partido e de suas mazelas sectárias.l

Então, se Plínio chegar  ao fim do primeiro turno  com  uma votação próxima dos 5%, isto  contribuirá para a fragilização da candidatura de Marina e, por tabela, a de Serra. Além no mais, não há hipótese de que  Plínio aconselhe seus eleitores, a votar em Serra.

De minha parte, torço par que  ocorra este avanço  do  candidato do PSOL, por três razões cruzadas e coerentes: a- para  que haja um mínimo de reconhecimento, ainda que tardio, ao lutador permanente e político exemplar; b– pra que não haja  o menor risco de  os tucanos voltarem ao poder, e c- para  que o eixo ideológico da campanha  penda ainda mais para a esquerda.

25-07-10

Mais  além de rodízio de cargos, esta eleição
significa uma importante batalha ideológica

Assistimos a uma fase tão crucial como a  do  pré 64. Como já  não conta  com um golpe militar a Direta  parte para o jogo pesado e sujo.

Creio que até mesmo os políticos, em sua grande maioria, ainda não perceberam a importância histórica  da presente eleição presidencial. Com ela, se eleita a candidata petista, o Brasil dá um passo importante na consolidação de um deslocamento ideológico para a esquerda. A ambigüidade ainda  persistirá, mas certamente será  bem menor do que a do governo Lula.

Esta menor ambigüidade ou melhor nitidez ideológica será possível porque o governo  Dilma contará com o respaldo do lulismo ou do  neopopulismo encarnado  pelo atual presidente o que garante a mobilização  das massas.

Na verdade, boa parte da ambigüidade de Lula deve-se ao fato de  que ele não possuía este respaldo quando assumiu há  oito anos.  Sem hipocrisia, é necessário notar que,  para governar,  ele teve que somar ao apoio do PT e de outros partidos de esquerda menores, a aliança com partidos fisiológicos ou de centro, os quais ele literalmente comprou, parte com pagamento em espécie (cargos), parte com concessões programáticas, principalmente na macroeconomia.

Como este blog tem dito há meses,  a grande novidade do  atual quadro político é este neogetulismo de Lula,  coadjuvado por  um certo neobrizolismo  do próprio PT. E esta  talvez seja uma boa  razão para que  a velha militância petista, cansa de  guerra, jogue   seu bloco na rua. Isto pode fazer toda a diferença.

Quanto à Direita cada vez mais neolacerdista, ela já esta  partido para a baixaria  e para o xingamento  vulgar.  Mas não falo apenas dessa raia miúda.  Falo da  Direita  organizada, sempre articulada com o Departamento de Estado norteamericano, com o Capital Financeiro globalizado e com a mídia apátrida e barata.

É esta Direita que parte agora para o jogo pesado da pressão  externa  (vide Colômbia), do denuncismo  a toda brida e da distorção de pesquisas,  o que faz com tradicional maestria. O exemplo clássico  desse tipo  de delito foi  a manipulação não só das pesquisas como da própria apuração, numa época em que  a contagem era  manual e pouco confiável. A manobra quase frustra a eleição de Leonel Brizola para o governo do Rio, em 1982. Só não deu certo porque foi  descoberta e denunciada por Cesar Maia, então  um jovem militante do PDT.

Os atores do golpe formam  As Organizações (Criminosas) Globo e o bandoleiro Carlos Augusto Montenegro, do IBOPE. A eles junta-se, agora, um tanto desajeitada, a Folha de São Paulo.

Sobre  as  últimas pesquisas, leia  matéria completa na coluna Última Hora, deste blog.

17-07-10

Aécio já pensa na presidência do Senado,
com vitória de Dilma  ou vitória de Serra

Gostemos ou não de Aécio Neves, não há como negar que ele é esperto. Puxou realmente  por seu avô Tancredo.  E Tancredo dizia, aliás,  que o bom político finge que improvisa, mas, em silêncio, calcula tudo com um ano de antecedência. É claro, digo eu, que  o inesperado apronta das suas. Mas para isto existem os planos B e  C, etc.

Vamos aos  fatos. O leitor fiel deve estar lembrado que  há  quatro meses  venho dando notícias  de que, por inspiração de  Aécio ou tendo a ele como foco aglutinador, setores do  DEM  e do próprio PSDB (nas suas seções de Minas e do Nordeste) amadurecem a idéia de criação de um novo partido. A nova agremiação  preencheria as  seguintes três principais finalidades: a– salvar o desmilingüido  DEM da  extinção iminente:  b– acomodar  melhor  as lideranças do PSDB, principalmente  nordestinas e mineiras que não se conformam com a   maneira  truculenta e inábil com que o tucanato  paulista administra  a  agremiação, e c– garantir uma legenda forte , sem ranço neoliberal e  totalmente afastada de FHC,  para sustentar a candidatura  de Aécio à presidência em 2014.

Já  dissemos  também nesse blog, que, embora  Aécio não seja um traíra, os fatos concretos fazem  com que ele não lastime  uma eventual derrota de José Serra. Pela razão de que, se vencer, daqui a  quatro anos o paulista será a alternativa natural do PSDB, como candidato à reeleição. Além disso, Geraldo Alckmin  se for, então, o governador de São Paulo, será  também  uma alternativa muito forte para  a disputa  presidencial.

Acresce que, como todos sabem, campeia em Minas a chapa Dilmasia, reunindo informalmente adeptos de Dilma Rousseff  e de Atonio  Anastasia, o candidato de Aécio à sua sucessão. Para o ex-governador, a vitória de  Anastasia  é importante, mas o que conta  mesmo para ele é obter um vitória consagradora  para o Senado. Por conta disso, são de total cordialidade, quase confraternização, as relações de  Aécio, com Fernando Pimentel, o candidato do PT ao Senado. Como serão eleitos dois senadores, para  o neto de Tancredo, do pronto de vista estritamente  político, tanto faz que  a segunda  vaga  seja  ocupada  pelo petista ou por seu  amigo Itamar Franco (PPS) que apóia  Anastasia.

Ponderando  tudo isso, as raposas  felpudas do  PMDB, deixaram escapar, neste fim de semana que, se for fundado um novo partido, poderá  ser dada  preferência  para que  Aécio ocupe a presidência do Senado.  Para estas raposas, a disputa pela  cadeia  hoje ocupada por Sarney, será uma briga de foice entre  o PMDB e o PT que deverá ampliar muito o número de cadeias na chamada Câmara Alta. Nesse caso, Aécio surgiria como o tertius. E  não pensem que este  é um assunto remoto para  um futuro distante. Dentro de  noventa e poucos dias, anunciados os resultados da urnas,  este vai ser o  tema das grandes discussões nos bastidores.  Mais importante, só a composição do novo Ministério.

Para se ter idéia de como o tema é palpitante, reparem que  o presidente Lula e a direção nacional do PT dão total prioridade, nas composições estaduais com partidos aliados, para a obtenção de vagas de candidatos do PT ao Senado. Mas esta frase recente de Lula diz tudo:  “Um senador vale por três governadores”.

14-07-10

Novas estatais de Dilma Rousseff.
O lado  estratégico do problema

Há quatro meses anunciamos neste blog que a criação de novas estatais fazem parte da estratégia de campanha  e, evidentemente, dos planos de governo de Dilma Rousseff. O anúncio, como dissemos, seria  feito aos poucos, conforme as conveniências eleitorais. Duas das companhias que anunciamos, na época, já se  materializaram: A Telebras , ressuscitada para dar conta da expansão territorial da banda larga e  a do Trem Bala, nascida ontem. A  nova empresa  do governo ligada aos  seguros, anunciada há dois dias, não estava nas nossas contas.

As  próximas três a serem anunciadas, durante a campanha ou logo após a eleição, são as seguintes: A – Ourobras, destinada e explorar metais nobres e pedras preciosas (com monopólio de  alguns deles) e  sustar, assim, o descomunal contrabando  e a dilapidação indescritível  de  nossos recursos naturais, principalmente na vastidão amazônica. B – Embrafarma,  voltada para as pesquisas e a sintetização de princípios ativos do nosso gigantesco patrimônio  genético (vale  mais do que o pré-sal) igualmente dilapidado e escancaradamente furtado, ainda uma vez  na Amazônia cobiçada e sem fronteiras.

Há pelo menos mais cinco no forno, mas  a terceira nova estatal (na verdade uma empresa com participação minoritária porém privilegiada do governo), que mencionaremos  hoje , visa dar ao Brasil autonomia na produção de motores (turbinas) para  a indústria aeronáutica, podendo estender seu atendimento a outros setores de transporte.

É ridículo que o Brasil  possua  a quarta maior  empresa mundial produtora de aviões  e  ocupe o quarto lugar na produção e no consumo de  automóveis ,sem ter uma única fábrica nacional de motores.

Um dos projetos em estudo é  o do desenvolvimento  do carro elétrico já em fase de teste comercial  nos EUA e no Japão. Para o governo e para Dilma, seria imperdoável se perdêssemos mais esse torneio tecnológico. Mas o sinal de alerta acendeu, quando os EUA proibiram a venda de aviões militares  brasileiros  para determinados países. É que as turbinas são fabricadas lá.

Entretanto, e isso os tucanos não entendem de jeito nenhum, o que importa é a visão estratégica: quando e onde a iniciativa privada não tem  interesse ou não dá conta do recado, o governo tem que agir, para não comprometer os interesses estratégicos do País, a sua própria soberania

Só a Miriam Leitão não vê que Obama estatizou  parcialmente e ajudou, no limite,  a sua indústria automobilística, para impedir que ela caísse nas mãos de europeus (até russos) e japoneses.

Um dos projetos em estudo é  o do desenvolvimento  do carro elétrico já em fase de teste comercial  nos EUA e no Japão. Para o governo e para Dilma, seria imperdoável se perdêssemos mais esse torneio tecnológico. Mas o sinal de alerta acendeu, quando os EUA proibiram a venda de aviões militares  brasileiros  para determinados países. É que as turbinas são fabricadas lá.

 

4-07-10

Uma  certa dignidade que os burgueses jamais terão

Já contei aqui e conto de novo, trecho da vida pregressa de  Carlos Augusto Montenegro, dono do IBOPE. Foi em 1982 quando sua empresa, mancomunada com outra organização criminosa, a Globo, manipulou  as pesquisas de toda a campanha eleitoral para o governo do Estado do Rio. Distorceram até o resultado da boca de urna.

Quando viram que, mesmo assim Leonel Brizola seria eleito, eles  começaram a manipular o próprio resultado da urnas! Isto numa época em que a apuração e armazenamento dos resultados duravam semanas e eram pouco confiáveis. Então, esses bandidos iam “elegendo” o Moreira Franco, na moita.

Quem descobriu a  tramóia e a denunciou foi  Cesar Maia, então jovem militante do PDT e que está aí para não me deixar mentir. Já daquela época,  Maia era  entendido nesses negócios  de computação e descobriu que o programa da apuração estava viciado. Como justa recompensa, ele recebeu, de  Brizola, a presidência do Banco do Estado. Foi o começo de sua carreira.

Conto esta história em consideração aos muitos eleitores de Serra que me honram com sua leitura. Espero que eles compreendam, enfim, que quando digo que as pesquisas são manipuladas, tanto pelo bandido Montenegro  quanto a Datafolha, este balcão seboso, não é por que, no momento eles mentem a favor de Serra. Amanhã eles farão o mesmo a favor de Dilma, assim que se conformarem com o fato de ela será  a nova dona do Poder e da grana.

E se querem uma  pequena  mostra do que estou dizendo, basta  ver a recente recepção oferecida a Dilma em um dos salões mais chiques de São Paulo. Compareceu a la crème de la crème, as esposas dos principais magnatas brasileiros e até artistas  globais de  passado serrista ou malufista.  Pode-se  dizer que, além disso, predominou no party , uma profusão de prostitutas de luxo. Todos babaram diante da  nova Dilma toda produzida, ou fingiram babar.  É provável que algumas  dessas esposas virtuosas tenham desabafado para  o marido, no fim de  noite, enquanto depositavam as jóias  no toucador: ”Você me apronta cada uma! Ter que ficar paparicando aquela terroristazinha filha da puta”.

Mas a grana fala mais alto e ela se submete ao sacrifício. Não sei se já disse  que burguês corre atrás da grana como a vaca corre atrás do capim Para a  ruminante, o capim e seu Norte, sua razão de ser. A grana é o capim do burguês. Eles jamais  terão um mínimo de dignidade.

Em tempo. Sobre as pesquisas, resta dizer o óbvio, depois de analisada a tendência de cada candidato. Serra chegou aos 39% e ao empate com Dilma, porque  vem perdendo votos. Há seis meses, segundo o mesmo IBOPE, ele tinha 42%. Dilma, no sentido inverso, vem crescendo. Há seis meses ela tinha apenas 10%.

2-07-10

Por que  Dilma disparou, Serra caiu e Marina estacionou

Não adianta ficar batendo na tecla de que os institutos de pesquisa mentem e manipulam. Se  o Datafolha diz que Dilma e Serra estão empatados ( 38% a 39%), então ótimo. Fica combinado assim. Como, no  mesmo período o IBOPE e o Vox  Populi  informam que Dilma está entre 4 e 5 pontos à frente, o jeito e fazer a média dos três institutos, para  concluirmos, que, digamos, a petista está 3,95% à frente do tucano.  Não vamos brigar por causa disso.

Entretanto, e como eu sempre digo neste blog, o importante é analisarmos a tendência de cada candidato. Se fizermos isso, veremos que  nos últimos  seis meses, Serra caiu  quatro pontos, Dilma subiu dez e Marina cresceu três, mas está estabilizada há 90 dias. Daí, o título desta matéria. Agora, vamos tenta entender por que   e como os candidatos chegaram a esta situação:

Sem discurso adequado, em função da falência do neoliberalismo, José Serra priorizou a montagem de esquemas  e arranjos estaduais, onde o que pesa é o prestígio de líderes locais e  as máquina partidária. Por isso, ficou dependendo, por exemplo, de Aécio  (Minas), Gabeira  (Rio) e Álvaro Dias (Paraná). Já Marina abandonou seu discurso histórico  para disputar, com Serra, os votos da  mesma faixa eleitoral.

Neste ponto, quero dizer que o ex-prefeito Cesar Maia é dos poucos políticos que procura entender seu métier mais além  dos meros cacoetes profissionais, geralmente  confundidos com  a  demagogia. Para raciocinarmos com ele, tomo a liberdade de  reproduzir um parágrafo de seu blog,  postado ontem, onde analisa a atual campanha presidencial:

“O PSDB priorizou as campanhas estaduais, entendendo a campanha nacional como fincada em seu partido. Ou seja: fortalecendo suas próprias campanhas regionais, fortaleceria a campanha nacional. Com isso, ao contrário do PT, que incluiu os aliados em seu projeto nacional, o PSDB entendeu que os aliados se sentiriam contemplados com uma forte candidatura nacional que abriria espaço para eles ampliarem suas bancadas”.

Esta talvez tenha sido uma forma educada com que ele procurou explicar o fato de o PSDB, embora possuindo um candidato que há um ano já  gozava de respeitáveis 40% de ibope, chega ao fim deste semestre, e entra na reta final da campanha, atrás de Dilma Rousseff que  há um ano não tinha, nas pesquisas, mais do que um traço (_).

Trocando em miúdos: O PT apostou no  na popularidade de Lula e sobretudo do seu discurso neogetulista (e este é o ponto!) capaz de sensibilizar as grandes massas, a partir dos formadores de opinião. Esse discurso, dizendo de forma simplificada, reúne dois ingredientes essenciais que estão  arraigados no inconsciente popular: soberania nacional e justiça social.

Os tolos da objetividade neoliberal (a lógica do Mercado)  supõem que o que move as massas é o desejo de ascensão social. Este  desejo exige, é objetivo, mas  imaginar que só ele conta é uma bobagem como  outra qualquer.

E por acreditarem nos profetas do fim da História   e na abolição da luta de classes, os  neoliberais caboclos  ficaram sem discurso ou antes,  o esquartejaram  para  transformá-lo numa série  de tópicos isolados e sem articulação: vou combater a violência e o tráfico; vou priorizar a educação e a saúde, e blá  e  blá  e blá. Qualquer marqueteiro  de quinta  tem essa receita na ponta da língua. E os marqueteiros de Serra são de quinta.

Enfim, por falta de uma teoria  que estabeleça o tema  central da campanha, aquele que realmente conta,  Serra ficou, como dissemos acima, dependendo dos arranjos locais.

Quanto a Marina, tão sôfrega na tentativa de herdar os votos de Ciro e de Serra (concentrados na classe média) ela acabou trocando uma biografia rica pelos cosméticos da Natura e abandonou o discurso  ecologicamente correto e articulado com a crítica ao modo de produção capitalista, por uma fala engrolada que parece ditada pelo Al Gore  ou  pela Miriam Leitão. Seja como for,  ela  ainda pode crescer,  em função da derrocada de Serra.

É claro que Dilma se beneficia  com o fato de a economia  brasileira estar bombando, no momento em que dois terços dos principais países do Planeta estão patinando na estagnação. E, evidentemente, é importante conhecer  as técnicas que conduzem  à  montagem de uma boa campanha. Mas sem discurso, ninguém chega lá.

Leia mais sobre o mesmo tema nas colunas  Arte & ManhaPérolas & Pílulas.

27-06-10

E para a burguesia, nada? Calma, pessoal. Temos a
Marina. Estava verde, mas amadureceu rapidinho.

Mas o Elio Gaspari é mesmo o foca mais bem pago deste País, talvez do Mundo. Em sua última coluna (Globo) com aquele seu jeitinho professoral,  descobriu e nos ensinou que a Marina Silva tira mais votos do Serra do que da Dilma, “ao contrário do que se pensava” (?). Eu fique pasmado, porque venho dizendo isto  neste blog  há pelo menos quatro meses. E não só eu: todos o que entendem minimamente de política, sabem que é assim.

Nem ia perder tempo com essas frescuras do Elio, mas volto ao assunto, porque a candidatura  do Serra foi para o buraco (na verdade a fossa do Roberto Jefferson) e  não podemos deixa que os habitantes da  Barra da Tijuca e dos Jardins Paulistanos  fiquem sem candidato, não é mesmo?

E a Marina está  aí é para isso mesmo. Trocou a Natureza pela  Natura e vamo que vamo, com dois bilhões de dólares na mochila. Como principais apoiadores ela conta com a Mirian  Leitão e o Gilberto Gil. A fessora  Míriam  foi reciclada  para a Ecologia, depois que  se descobriu,  graças à Grande Crise Norteamericana, que ela não entendia nada de  Economia. E Gil, igualmente reciclado do Tropicalismo Pop para o Mundo Fashion,  está  encarregado de  animar os comícios de Marina, com realce e muita purpurina.

A grande mídia, na verdade um cartel que exerce, de fato, o monopólio da informação, perdeu o tato e ficou insensível por causa da falta de concorrência. Agora, porém, foi sacudida  pela voz difusa da Internet e acordou para realidade, percebendo que, ao contrário do que supunha, a opinião por ela  publicada não era a opinião pública. O Cala a boca Galvão é a prova disso. Então, eles estão correndo atrás do prejuízo e até o Serginho Groisman, aquele da  Vida Alienada na Madruga, já está  tocando samba em seu programa. É fantástico.

Enfim,  esse pessoal estava ficando sem altenativas, até que descobriu, em Marina, um jeito de remediar as coisas. Basta verifica o espaço que os principais jornais estão dedicando à Cinderela Amazônica, para concluir que ela já entrou em campo. Eles querem evitar, pelo menos, que o jogo acabe no primeiro tempo.  Até o Gaspari  já viu isso.

Sobre o mesmo tema, leia também a coluna  Pérolas e Pílulas.

22-06-10

Ciro rompe com Tasso Jereissati e
apóia Dilma já no  primeiro turno

 Espero que o leitor entenda que não é arrogância  nem impertinência, mas  não posso deixar de registrar que o Globo, sempre atrasado e manipulador,  confirma, hoje, a notícia que adiantei neste blog há exatamente um mês: Ciro Gomes apoiará Dilma Rousseff  ainda no primeiro turno.

O encontro entre o ex-candidatoà presidência e a petista deverá ocorrer na primeira semana de julho, em Fortaleza, quando Ciro formalizará o apoio.  Dilma fará, então, seu primeiro comício já no palanque de Cid Gomes  (PSB), o irmão de Ciro que tenta a reeleição para o governo do Estado.

Para que tudo isso fosse possível, Ciro e Cid tiveram que enfrentar um grande constrangimento pessoal, o de romper politicamente com o senador tucano Tasso Jereissati que  já foi governador  e é nada menos que o padrinho político dos dois irmãos.

Tasso, a bem da verdade, agiu como um gentleman. Deixou os irmãos à vontade e anunciou que o PSDB lançará  candidato ao governo do Estado, enquanto ele (Tasso) tentará a reeleição para o Senado. Em compensação Ciro e Cid apoiarão, informalmente, o padrinho. Na política, quando se quer, tudo se arranja, até porque, o argumento de Ciro é irrespondível: ”Imagine se o Lula sobe em outro palanque que não o do Cid”.

19-06-10

Com impugnação de Garotinho, Cabral
pode se reeleger já no primeiro turno

O ex-governador Antony Garotinho  foi  alcançado pela Lei da Ficha Limpa e, mesmo que recorra da impugnação, sua candidatura  ao governo do Estado do Rio, pelo PR, está prejudicada. Com isso, só haveria  segundo turno se o PDT lançasse a candidatura de Wagner Montes. Nesse caso, Dilma Rousseff  ficaria com dois bons palanques no Estado.

Leonel Brizola não merecia isso. No momento em que uma ex-brizolista tem  grandes  chances de ser eleita presidenta e o  PT de Lula  na prática brizolou, o seu velho PDT dirigido por gente  sem  tutano e sem imaginação, vai-se transformando  numa miniatura de PMDB e gira em torno do poder não por ideologia , mas  como as mariposas  giram em torno da lâmpada. No entanto, o partido possui quadros e militância  valorosos, de que é exemplo o Brizola Neto.

Agora mesmo, por puro fisiologismo,  o partido está perdendo uma chance de ouro para  reafirmar-se  como uma das principais forças políticas  do Rio. Bastaria lançar  Wagner Montes como candidato ao governo.

Dono de um programa de TV (do tipo bem popular) líder de audiência, Montes só perde  nas pesquisas para o próprio Cabral e, na  Baixada Fluminense (segundo colégio eleitoral do Estado), com seus  bairros de baixa renda circundando a Capital, ele é líder absoluto. Mas provavelmente  esta é uma candidatura gorada. As coisas já foram acertadas lá por cima.

16-06-10

Dilma dispara em Minas e recebe adesão  dos que
apóiam candidato de Aécio ao governo do Estado

A última pesquisa Sensus, divulgada no fim de semana, mostra que Dilma Roussef  já  está bem na frente de José Serra em Minas. Este fato acelerou ainda mais um fenômeno que  se tornara comum no Estado: a dobradinha Dilmasia, reunindo informalmente  as candidaturas de Dilma e de Antônio Anastasia (PSDB), candidato de Aécio Neves ao governo mineiro.

A mesma pesquisa   revela que Hélio Costa, PMDB, a quem  os PT mineiro apóia  com  má vontade, leva uma enorme vantagem  sobre Anastasia: 49,5 % contra 20,7 %. Estes resultados são funestos para José Serra que pretendia vencer bem em Minas para compensar a vantagem de  Dilma no Rio e no Norte-Nordeste.

Ainda  nesse fim de semana, a direção nacional do Partido Socialista Brasileiro, de Ciro Gomes, autorizou o Diretório de Minas  a oficializar a dobradinha até então clandestina, apoiando Dilma para presidente e Anastasia para governador. Para completar, o PRB do vice José Alencar anunciou, terça-feira, que fica com Dilma no plano nacional e com Anastasia para suceder Aécio. Até parece coisa combinada.

E mais um dado importante: em Minas, Marina Silva   tem o seu pior desempenho, 7%, contra sua média nacional entre 10% e 12%.Veja os  números completos no final da matéria.

Ninguém, segurar o Dilmasia em Minas.

Todos sabem que, para Serra, a última esperança é Minas. Nos cálculos dele e de todos os estrategistas dos demais candidatos, se ele não sair de Minas com uma vantagem superior a três milhões de votos, não terá como compensar a grande dianteira que Dilma Rousseff tem sobre ele  no Rio e no Norte-Nordeste.  Os votos serristas de São Paulo e do Sul não são suficientes.

Se for assim, a situação do tucano é realmente crítica. Vejamos por quê:

Aécio Neves (sempre ele) não que ter sua imagem associada a de um traíra, mas, convenhamos, ele também precisa pensar na vida dele, na carreira  dele. Então,  em seus cálculos,  a última coisa que pode acontecer é  não eleger  seu sucessor, o Antônio Anastasia que não chega a ser um poste, mas  também não tem luz própria. Resultado,  o fenômeno Dilmasia, Dilma/Anastasia , está-se  alastrando em Minas como tiririca no pasto.

O herdeiro de  Tancredo não estimula o Dilmasia, mas também não o condena  clara e peremptoriamente. Não fosse ele neto de quem é. Já   Anastasia (o baixinho como os amigos o chamam), próximo da sofreguidão, defende  a dobradinha  espúria publicamente e a plenos pulmões.

Contundo, há ainda outro raciocínio a ser considerado:  Aécio vem dizendo há meses que pode esperar durante quatro anos, mas oito é demais. Isso traduzido que dizer que a vitória  de Dilma é a mais conveniente para ele  que, poderia  assim,  se apresentar, em 2014, como o candidato natural do PSDB, se até lá ainda estiver filiado a esta legenda. Entendendo o recado, Serra garante que, se for eleito agora, não tentará a reeleição daqui a quatro anos. Mas quem acredita em político?

De qualquer forma há em Minas, principalmente entre os tucanos, um forte sentimento  anti-Serra, estimulado pelo próprio Aécio, quando ainda disputava  com o paulista a indicação  para a candidatura à presidência.

Do lado dos dilmistas, o Dilmasia caiu do céu. Os petistas que engoliram  mas não digeriram   a candidatura de Hélio Costa (PMDB), imposta por Lula, agora estão aderindo abertamente à dobradinha venenosa.

E, de mais a mais, ninguém segura o humor espontâneo e irreverente do eleitorado.  Os dois homens mais populares em Minas são Lula e  Aécio. Em 2002  e 2006, sempre em partidos opostos, eles   foram eleitos para a presidência e para o governo do Estado. Por que seria diferente agora?

Foi pensando nisso, que o  Partido Socialista Brasileiro, do Ciro Gomes, resolveu acabar com a conversa fiada.  Após a convenção de ontem que oficializou   o apoio  a Dilma Roussef, o presidente nacional do partido,  governador Eduardo Campos (PE) autorizou  o Diretório mineiro a, também oficialmente,  apoiar a petista e o tucano Antonio Anastasia, tudo junto e misturado.

Os números

A pesquisa Sensus  mostra a consolidação da vantagem da candidata do PT sobre  José Serra em Minas. Ela aparece com 37,3% contra 32,1% do tucano. Considerando a margem de erro de 2,5 pontos percentuais, a petista, ainda assim, mantém a dianteira.

A candidata do PV, Marina Silva, aparece com 7,3%. Outros 20,6% dos entrevistados disseram que vão votar em branco ou nulo ou se disseram indecisos. Os demais oito concorrentes à Presidência não ultrapassaram a marca de um ponto.

O levantamento anterior, de maio, apontava empate técnico entre Dilma e Serra no Estado. A diferença entre eles, que era de um ponto em favor da petista, cresceu para 5,2.

Demonstrando que a população mineira já conhece a candidatura, Dilma lidera também no cenário espontâneo. Ela recebeu menção de 24,3% dos eleitores contra 18% de Serra e 4,2% de Marina. No entanto, 44,5% disseram ainda estar indecisos ou pretendem votar em branco ou nulo.

Na simulação de segundo turno, o tucano mantém a liderança, mas com valor inferior à margem de erro. Ele aparece com 41,7% e a petista, com 40,5%.  Isto revela  que os eleitores  de Marina provavelmente  transfeririam  seus votos para o tucano.

04-06-10

Até FHC já está com medo de José Serra

A mídia, sintomaticamente, deu  pouquíssima cobertura à reunião de ontem (quinta-feira – 3) convocada por Fernando Henrique, para, na ausência de José Serra, discutir os problemas da campanha. Compareceu em peso a Cúpula Tucana, com destaque para Aécio Neves e o presidente nacional do  PSDB, senador Sérgio Guerra.

Convencidos de que  não há  mais manipulação da mídia e dos institutos de pesquisas capaz de ocultar que  Dilma Rousseff já está bem na frente de José Serra (ver as duas matérias, na sequência desta aí abaixo) o cardeais tucanos decidiram  mudar o rumo da campanha, a começar pelo discurso do próprio candidato.

À saída da reunião  organizada por FHC todos disfarçaram,  focando para a imprensa apenas a questão da escolha do vice. Mas o principal assunto discutido foi o das as alterações necessárias para tentar melhorar  o quadro negativo da campanha de Serra. Na verdade, foi feita uma lista de queixas e sugestões. O item número um foi o da falta de comunicação e o isolamento do candidato que decide tudo sozinho. Na sequência, criticou-se e   foram pedidas explicações sobre o gesto considerado perigoso de  lançar parte do eleitorado contra a Bolívia e seu presidente. Tanto o presidente do partido, Sérgio Guerra, como o senador cearense Tasso Jereissati, podem confirmar cada palavra deste parágrafo.

Mais para o final da reunião, sarcástico,  Aécio sugeriu o nome de Jereissati  para vice.  Logo este  que não gosta de Serra  e já disse dezenas de vezes que seu nome “não está a disposição”. Mas chegou-se ao consenso de que o vice, seja do DEM ou do próprio PSDB,  deve ser um nordestino e de que ele precisa ser apresentado imediatamente, para evitar mais desgastes.

A maioria dos tucanos não quer  dar um cheque em branco para o DEM, com medo de que se repita o Episódio Arruda que, antes do escândalo, estava praticamente escolhido  como    vice  de Serra.  Seja  for,  o nome mais cotado do partido aliado é o do deputado baiano José Carlos Aleluia. Se for do próprio PSDB,  o  indicado deve ser Sérgio Guerra, um pernambucano. Esta candidatura, aliás,  é patrocinada pelo ex-governador de Pernambuco, Jarbas  Vasconcelos (PMDB) que tenta retornar ao governo.

2-06-10

José Serra em queda acentuada. Cresce muito
possibilidade de segundo turno Dilma/Marina

Pesquisa do IBOPE no Rio confirma tendência de  queda de José Serra.

O leitor que me acompanha nesta jornada quixotesca pelo Twitter (só não digam brancaleônica ) sabe que valorizo muito as pesquisas eleitorais do Rio e de Brasília. Como ex-capital e capital, estas grandes cidades tem  a peculiaridade de exprimir, no seu eleitorado, uma tendência nacional.  Se for assim, a última pesquisa do IBOPE  abala ainda mais a candidatura de José Serra: entre os cariocas (capital) e fluminenses  ( interior do Estado), ele já aparece  catastróficos 17 pontos atrás de Dilma. Em Brasília, na média  dos demais institutos , a diferença é de 5 pontos a favor da petista.

Como, porém, Montenegro (o dono do IBOPE) não perde a mania de manipular, ele, para evitar a desmoralização, já fez as contas de chegar em relação a Dilma e Serra, mas para proteger o tucano, continua tentado segurar Marina num nível mais baixo do que o real. Então temos:  Dilma 44%, Serra 27% e Marina 10% (pesquisa relativa ao Estado Rio).

Os 10% de Marina vão por conta da manipulação. Na média de todos o outros  institutos, ela já está com 18% no Rio e 16% em Brasília. Agora, se o querido leitor tiver a bondade de comparar estes números com os que  antecipei, ontem, para o IBOPE nacional (ver matéria logo aí abaixo) constará  que a única discrepância é em relação a Marina que, na minha modesta opinião já deve ter  ultrapassado  os 15% em todo o País.

Na reta de chegada  das campanhas, os candidatos passam  a agir, com  cega superstição, em função das pesquisas. Ao invés de tentar alterar essas pesquisas,  como camaleões, vão se adaptando  às  tendências reveladas. Vejam o caso de Marina: nos últimos 60 dias ela focou a classe média e, com um discurso conservador,  posicionou-se de forma a herdar os votos do expelido Ciro Gomes, bem com os que se desprendem do decadente Serra.  Bem sucedida nesse intento, ela agora tenta refluir para o lulismo, rendendo-se ao avassalador neopopulismo do presidente. “Eu ainda me inspiro em Lula”,disse ela, ontem, com a cara mais santa.

Ainda sobre o IBOPE do Rio, vale destacar que o ex-prefeito Cesar Maia  (DEM), estigmatizado preconceituosamente por seus ex-companheiros Fernando Gabeira  e Alfredo Sirkis (PV)   está dando a volta por cima. Como candidato ao Senado, ele provavelmente  terá mais  votos do que Gabeira para governador.

A matéria logo aí abaixo é complemento desta.

01-06-10

Tucanos já sabem que a persistir tendência,
Dilma e Marina vão para o segundo turno.

O indefectível Montenegro  (IBOPE) já adiantou à  Globo, e por extensão à cúpula tucana, que não são boas as notícias para José Serra.  O resultado da última pesquisa, iniciada  dia 28 e que será divulgada sexta ou sábado, mostra  claramente que o tucano continua em queda, que  Dilma amplia a vantagem sobre ele que já vê Marina pelo retrovisor.

Isto, traduzido em número (que evidentemente não podem ser absolutamente precisos ) indica que  Dilma Rousseff  já estaria  oscilando em tono dos 40%,  que Serra fica mais próximo dos 30%  e  que Marina bate nos 15%. Por curiosidade, querido leitor, arquive este texto e cheque dentro de  três dias.

Na prática, o que temos é que a última e desesperada iniciativa  de Serra (ver matéria logo aí abaixo) de realizar uma manobra radical  à direita investindo furiosamente contra  os bolivianos, tratados por ele assim como Israel  trata os palestinos, não deu os resultados esperados: ele não conseguiu   com sua posição ultra direitista sustar a sangria de seu eleitorado em São Paulo e mais ao Sul onde  é mais forte, mas vem sofrendo constantes  perdas.

Dilma, no episódio, não perdeu nem ganhou já que procurou manter-se distante  da polêmica. Quem ganhou mesmo foi Marina, cuja estratégia   é apresentar-ser como uma opção  para o voto da classe média antilulista e que ia  sufragar Serra, tapando o nariz. No caso boliviano, Marina  limitou-se a desviar do carro que  rodou à  sua frente e , com isso, conquistou algumas posições.

Como tenho dito em textos recentes, não creio que haja tempo nem disposição suficientes, mas  há um grupo de tucanos e   demos  (confesso que não sei qualificar os  dirigentes do DEM) que ainda sonham levar o nome de Aécio Neves à convenção do PSDB do próximo dia  12. Eles acreditam que trocando o nome de Serra pelo do mineiro, talvez ainda se consiga salvar alguma coisa  desse incêndio.

Carlos Augusto Montenegro, presidente do IBOPE, como faz habitualmente,  encaminhou ao cliente diferenciado, uma espécie de briefing com analises de conjuntura e que , de certa forma, antecipam resultados de pesquisas em curso. Quando ocorrem (e geralmente ocorrem) vazamentos que se espalham rapidamente, aos jornalistas  cabe separar  o que é dedução lógica do que é ilação ou simples  boato.

A matéria logo aí abaixo é complemento desta.

30-05-10

Serra radicaliza discurso de direita para
tentar salvar votos em São Paulo e  Sul

Com a informação de que nas próximas pesquisas Dilma Rousseff já aparecerá bem na dianteira (mínimo de 5%  – Vox Populi)José Serra, sob intensa pressão de seus  próprios correligionários, resolveu apostar em um discurso mais à direita, para tentar salvar pedaços de seu eleitorado que começam a despencar em São Paulo e no Sul. Entre os paulistas, sua vantagem ainda é bem grande, mas  nos  estados sulistas, a situação já é de empate técnico com a petista.

Em matérias anteriores já esclareci aos leitores que os institutos de pesquisa fornecem a seus clientes preferenciais algumas analises que, muitas vezes, antecipam   pesquisas futuras. Muitas cartadas  políticas são executadas em função disso. Porém, como efeito secundário, essas informações acabam vazando, dando origem a uma série  especulações.

Seja como for, suspeitando que  poderia estar em curso um movimento dentro de seu próprio partido para ressuscitar a candidatura de Aécio Neves à presidência, Serra tenta  desesperadamente evitar maiores quedas nas pesquisas pelo menos até 12 de junho, dada da convenção em que seu nome  será homologado.

Há nas camadas  inferiores da classe média  – e por ventura nas superiores também -, um resíduo de nacionalismo chovinista que pode ser inflamado a qualquer momento desde que se eleja um inimigo ou simples desafeto externo.  Some-se a isso o fato de a violência  ser  hoje uma das principais angustias do brasileiro médio. Então, o tucano tenta  sintetizar, num discurso único e ultra direitista, estes dois fenômenos distintos. Tal é a razão de ele ter escolhido a  pequena Bolívia como pode expiatório.

A desonestidade da argumentação  fica patente quando se sabe  que é a Colômbia e não a  Bolívia, o principal fornecedor de drogas para o Brasil e para o Mundo. Entretanto, sobre este país governado por Álvaro  Uribe, o principal aliado dos Estados Unidos na América do Sul,  Serra  não diz uma única palavra.

É o silêncio capcioso  que distorce os fatos e foi  largamente  usado  no passado pelos racistas brancos dos estados sulistas dos Estados Unidos.  O mesmo método é  utilizado, hoje , pelos ultra direitistas  israelenses.  Sempre que  há um problema social grave ou quando ocorre um crime isolado, porém hediondo, os dedos fascistas  apontavam ou apontam automaticamente para os negros ou para os palestinos, mesmo que existam evidências em contrário. Neste momento, o dedo duro de Serra  está apontado para os bolivianos.

Com esta  opção covarde, criminosa e  perigosa,  porque coloca em rico uma tradição brasileira de  generosidade, cortesia e tolerância, Serra não salvará sua candidatura, mas passa para a História como alguém que, por ambição, se  deixou envolver numa grande patifaria.

A matéria lolgo aí abaixo é complemento desta. Sobre o  mesmo tema, leia ainda a coluna  O Impasse Ecológico.

28-05-10 – atualizada em 29-05-10

Não há  tempo para trocar Serra por Aécio.  Mas há
os que ainda sonham com a renúncia do  paulista.

Com a informação, hoje (29), de que,  na próxima pesquisa, Dilma  já aparece cinco pontos na frente de Serra, os principais líderes do PSDB, não apenas os dissidentes, já pensam seriamente na renúncia do candidato. Assim, o que parecia uma hipótese remota (ver texto abaixo) começou a ser vista como um solução concreta.  Ao mesmo tempo,  a corrente que sempre defendeu a candidatura de Aécio Neves, ameça lançá-lo para concorrer com Serra na conveção do próximo dia 12. Veja detalhes na coluna Pérolas  & Pílulas.

Um dia para ficar na história: no exato momento (quarta-fetra, 27) em que Aécio colocava um ponto final (triste) na novela  de sua candidatura  como vice de Serra, este  colocava  uma pá de cal  em sua própria candidatura, agindo, no episódio boliviano, de forma baixa e  incompatível  com a de um chefe de Estado.  Como resultado, talvez, destas duas circunstâncias, começaram a pipocar, em Minas e no Nordeste os primeiros boatos, digamos assim, de que renascera na brasa dormida em alguns corações  tucanos, a esperança de que ainda seria possível (o prazo fatal é dia  12 de junho) trocar Serra por Aécio. Afinal se os próprios serristas diziam que Aécio jogava um papel vital como vice, por que não  alçá-lo como cabeça de chapa?

É claro que, como cronista político, não posso deixar de registrar  este fato. Mas o faço com as reservas necessárias, em respeito ao leitor. De concreto temos que:

O senador cearense, Tasso Jereissati,  cujo ódio por Serra tem quase a  mesma intensidade  do rancor que Aécio alimenta pelo paulista,  nunca escondeu que sua chapa  ideal era  Aécio para presidente  e Ciro Gomes (seu  afilhado e sócio no Ceará ) para vice.  O tempo é curto, mas Tasso, provavelmente ainda vai tentar. Sua frase predileta:  Não tenho medo da cara feia do Serra.

O candidato tucano ao governo de Minas, Antônio  Anastasia (lê-se como azia), apesar de todo o apoio de Aécio, está muitos pontos atrás de Hélio Costa (PMDB-PT).  Por conta disso, ele,  que não rasga dinheiro,   defende  quase abertamente a composição espúria, por  baixo do pano, com Dilma Rousseff. É a famosa chapa pirata Dilmasia que se  alastra como tiririca no pasto, lá pelo  interior das Gerais.  Aécio, é claro, condena esta prática  enviesada. Mas sabe como é político…  Para  Anastasia e, para o PSDB mineiro, livrar-se de Serra é, pois, como livrar-se de um fardo.

O DEM do Rio de Janeiro, capitaneado por  Cesar Maia que anda mal  nas pesquisas, mas é de longe o mais inteligente deste grupo de conspiradores, livrar-se de Serra reúne a dupla vantagem de ganhar, com Aécio, um bom palanque  para sua campanha ao Senado e, ao mesmo tempo,  livrar-se de duas verdadeiras pragas na sua vida:  Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis,   os dois caciques do PV no Rio que conseguiram a proeza de lançar Marina Silva sem romper acordo anterior com Serra. Ambos tratam Cesar como a um monte de lixo.

Todos estes personagens estiveram envolvidos na tentativa, de três meses atrás, para impor Aécio como candidato no lugar de Serra.  Tentativa esta que  contou com a simpatia discreta do presidente nacional do PSDB, senador  Sérgio Guerra,  hoje o coordenador da campanha de Serra.

Eu, pessoalmente, acho que não há  mais tempo. Mas meu palpite é o de que eles ainda vão tentar.  Enfim, a solução ideal para todos, inclusive para ele, seria a renúncia de Serra.

27-05-10

Chega de especulação: Aécio é candidato ao Senado

Confirmado o que este blog vem antecipando há três meses. Aécio não será vice de Serra. Só o Globo ainda  tentava puxar  o mineiro para o lado de Serra. E, independente da fria análise política, não se pode abstrair completamente  o sentimento humano. Nesse ponto, a verdade é  Aécio não só não gosta de Serra, como  tem uma tremenda bronca em relação a ele. E ponto  final.

Veja mais detalhes na  matéria aí abaixo.

25-05-10

Agora é definitivo. Aécio não será vice de Serra e manda
recado: não aceito pressão, nem serei o bode expiatório

Semana ruim para o tucano: por pressão de Pedro Simon, o ético, PMDB gaucho, antes serrista, vai apoiar Dilma. Também no Ceará, apesar da mágoa, o governador Cid Gomes (PSB) irmão de Ciro, fica com a petista.

Como prevíamos em nosso blog de ontem (ver página  Pérolas & Pílulas), Aécio Neves adiou  seu retorno da Europa, anunciado  para este início de semana. Tudo para  não ter que ouvir o milésimo pedido de Serra e diz o milésimo não.

Entretanto, seu homem de confiança e  porta-voz informal nas questões delicadas, o presidente do PSDB mineiro, Nárcio Rodrigues, foi absolutamente claro, ontem, dizendo que   Aécio manterá sua candidatura ao Senado e  sua prioridade é fazer seu sucesso em Minas. Além disso, não aceitará, em qualquer hipótese, ser responsabilizado por um eventual fracasso de Serra. E Rodrigues  conclui, num desabafo: Aécio não serviu para ser  candidato a presidente e agora  é apontado como o salvador da Pátria. Isto não está certo.

O chefe do PSDB  mineiro não disse isso abertamente, mas parece que o que mais irritou Aécio foi  a leitura da coluna de Ricardo Noblat. Na sua coluna de segunda-feira  no Globo, o jornalista (?) tenta ser irônico, mas acaba pedindo de joelhos para que Aécio salve Serra. Isto foi considerado pelo ex-governador mineiro como uma  extrapolação inaceitável.

Por curiosidade, vamos reproduzir o trecho inicial do texto noblatiano:

Em que estrela te escondes, Aécio Neves? Em que águas tépidas mergulhas? Em que braços roliços te aninhas?  Não reverbera ao teu redor a aflição dos que sofrem a transfusão de votos entre Lula, o doador e Dilma Roussef, a receptora? Achas que farás teu sucessor em Minas enquanto tudo mais desmorona? E o que  de ti dirão depois, Aécio?

É o que eu tenho dito. Este pessoal  do e da Globo  já tinha perdido a noção de responsabilidade  em relação a seus  leitores. Já tinha perdido o pudor  profissional. Agora perde o senso do ridículo.

22-05-10

Para evitar desmoralização, institutos empatam com a verdade: Dilma dispara

Datafolha ainda registra empate entre Dilma  e Serra, mas admite que em um mês  a petista deu um salto de sete pontos e o  tucano recuou três.

Quem acompanha este modesto blog  sabe que tenho dito  repetidas vez que, no Brasil,  quase todos os institutos de pesquisa são venais e manipuladores. O mais escrachado é o IBOPE do Montenegro, que funciona como linha auxiliar da Globo. O Datafolha é mais sutil  e ardiloso, mas não menos enganador. Tenho dito também que  para  não se desmoralizarem,  eles mentem  o máximo que podem nas fases bem distantes da eleição. Depois,  com a aproximação do pleito,  vão fazendo conta de chegar.

Conta de chegar. É o que está acontecendo neste momento. Não só pela aproximação das eleições, como porque até os leigos  já estavam  percebendo que as pesquisas não batiam com a  realidade. Vai daí que o Datafolha  foi obrigado admitir , neste sábado (22-05)  que em apenas um mês Dilma Rousseff  avançou sete pontos e Serra caiu três.  Serra baixou de 42 (pesquisa de 17 de abril) para 37 e Dilma veio de 3O para  37. Nesse ritmo poderia até não haver  segundo turno. Mas haverá.

E haverá segundo turno porque outro dado que vinha sendo manipulado começa a aproximar-se da verdade, também: os institutos , enquanto  puderam, seguraram Marina Silva  na casa abaixo dos 10%.  Isto porque, os  que são do ramos sabem que se ela ultrapassasse esta barreira, haveria segundo turno, o que era ruim para  Serra quando ele estava na frente. Segundo o pouco confiável – mas, neste caso, por isso mesmo insuspeito –   Datafolha, a candidata verde atingiu os 12%. Eu ousaria dizer que ela já passou dos 15%. Mas deixa pra  lá.

Agora fica fácil entender (Veja matéria da coluna Pérolas & Pílulas) porque O Globo começou a executar a sua baldeação: pulou do bonde Serra com ele ainda andando e  trepou na charanga verde patrocinada  pelos  cosméticos Natura.  Eu só não sei do que é que vocês estão rindo.  Parece piada, mas é a pura verdade.

18-05-10

Marina, quem diria, encontrou seu  companheiro de 2 bilhões de dólares

Parece comédia romântica dos anos 60: “Procura-se um milionário”. Mas a vida imita a arte e a ex-diarista, alfabetizada aos 16 anos, encontrou o seu.  A apresentação do consorte, domingo passado,  foi  na casa de shows  mais chique de Nova Iguaçu, à beira da Via Dutra. Parecia uma festa de debutantes. Infelizmente o Agnaldo Rayol,  com quem a Cinderela  dançaria a primeira valsa, não pode comparecer.

Ainda assim, os verdes cariocas estão exultantes. E não é para menos: além do milionário, Marina já conquistou 18% do eleitorado do Rio de Janeiro (sua média nacional é de 8%), o suficiente para arruinar de vez as chances de José Serra no estado. Sim, porque  a clientela eleitoral da nova versão de My Fair Lady é a deslumbrada classe média “politicamente correta” que descobriu como é bom  defender o verde sem precisar falar de reforma  agrária. Esta gente, para evitar mais  quatro anos de lulismo, ia de Serra ou de Ciro. Agora vai de Marina.

É por isso que sempre dissemos neste blog que Marina, num primeiro momento, herdaria a maior fatia dos eleitores de Ciro. Em seguida avançaria sobre o eleitorado de Serra. Se o fenômeno carioca se reproduzir  nos demais estados, o tucano não vai nem  para o segundo turno.

É claro que a ex-guerreira dos  seringais está cada vez mais longe de Chico Mendes  e mais perto de Miriam Leitão que resolveu ser  verde  para não precisar explicar a  Crise Norteamericana  que  arruinou o discurso neoliberal que ela trazia na ponta da língua.

O noivo, digo, o vice veio a calhar: é do ramo dos cosméticos, que já produziram efeito no visual da candidata, agora bem  mais fashion, o que inspirou o ex-ministro Gil, animador do evento, a cantar  Realce.Como nos contos de fada tudo é perfeito, o príncipe encantado é dono de uma empresa chamada Natura. Seu nome? Vocês acham que isso é importante? Peraí, eu escrevi num pedaço de papel… Achei! É um tal de Guilherme Leal.

16-05-10

A pesquisa Vox Populi é anterior ao programa do
PT na TV. A vantagem de Dilma já é maior que 3%

O primeiro fator importante a ser considerado   nesta pesquisa do Vox Populi é o de que ela foi concluída na tarde de  quinta-feira, dia 13. Antes, portanto,  do programa do PT levado ao ar à noite e considerado até pela mídia tucana como de excelente qualidade. E todos sabem que após um programa desse tipo, em rede nacional, o candidato dá um salto nas pesquisas. É lógico, então,  supor que , na verdade, Dilma já está mais de 3% à frente de Serra.

Outro fator  diz respeito ao segundo turno, onde Dilma venceria  por dois pontos, 40% a 38%. Isto quer dizer que nem nesta segunda fase, quando a bipolarização é inevitável, Serra conseguiria atingir os 40%. Isto parece confirmar que, atualmente, o voto de centro-direta está  confinado  na casa dos 30%. Para escapar desta limitação fatal é que Serra elogia tanto o presidente Lula e  tenta desvencilhar-se de sua tradicional discurso neoliberal.

Finalmente há que considerar os 8% obtidos, na pesquisa, por Marina Silva. A maioria dos especialistas garante que esta porcentagem é suficiente para assegurar a realização do segundo turno. Isto é ruim para  Dilma que está na frente, mas pode ser considerado péssimo  para  Serra. Porque, como já  dissemos várias vezes neste blog, depois de ter sido a principal herdeira  dos votos do excluído Ciro Gomes, a candidata verde deve começar a avançar, agora, sobre os votos de  José Serra.

Isso, pelo  boa razão de que Marina disputa com Serra os votos da mesa freguesia, o da classe média  anti-lulista e, sobretudo, anti-petista. A estratégia de ambos é a de poupar o presidente, enquanto descem o pau no seu partido. Montenegro, o picareta do IBOPE, fala por  ambos quando diz que “o eleitorado até gostaria de ter mais quatro anos de Lula, mas não quer mais quatro anos de PT”. Numa ação reflexa, isto obrigará Dilma a ser cada vez mais “ a candidata do presidente” ou do  lulismo que é algo muito  mais amplo do que o petismo.

Não deixe de ler a matéria logo ai abaixo. Ela complementa os raciocínios até aqui expostos.

15-05-10

Dilma recupera pontos nas pesquisas. Globo
procura reinventar Aécio como vice de Serra

 No fim da tarde de sábado, foram divulgados os resultados da VoxPopuli/Band. Pela primeira vez Dilma aparece na frente de Serra: 38% a 35%. O Globo já sabia. Veja matéria abaixo.

Apesar dos percalços junto à Justiça Eleitoral (foi um risco calculado), o programa do PT,  exibido quinta-feira na TV, foi tão bem feito que o pessoal do Globo já foi avisado que nas próximas pesquisas  Dilma Roussef deve recuperar os dois ou três  pontos que  perdera em relação a Serra, há quinze dias, no episódio da saída de Ciro Gomes da disputa presidencial. É que a maioria dos  votos do ex-governador cearense foram transferidos para Serra e para Marina Silva.

É fato conhecido e corriqueiro que Carlos Augusto Montenegro, o dono do IBOPE e  uma espécie de agregado da casa, informa aos Marinhos, com alguma antecedência, o resultado provável  das pesquisas em andamento. De posse destes dados, o Globo começa a direcionar o seu noticiário.

Então temos que no Globo de  hoje (Sábado–15), Merval   Pereira, o porta-voz oficial da casa, informa seus correligionários tucanos que , depois de um imobilismo de três semanas, graças ao programa, Dilma deve voltar a crescer nas pesquisas. E aconselha aos ditos aliados  políticos que “terão que ser respondidas nos próximos programas da oposição”, as “distorções” apresentadas no programa do PT tais como “a paternidade do programa Luz para Todos que nada mais é do que a reciclagem do Programa  Luz  no Campo, do governo FHC”.

Eu confesso que, em meus  quarenta  e tantos anos de jornalismo, raramente vi parcialidade tão descarada e engajamento na campanha eleitoral de forma tão acintosa e ilegal. O inacreditável  é que, num provável  ato falho, Merval  usou, na sua coluna, o seguinte título: “Ilegal, e daí?”

Mas vamos em frente: na mesma  edição deste sábado, o Globo  anuncia em chamada de primeira página que Aécio Neves “já reavalia” sua negativa  de  ser vice de José Serra. O motivo da notícia  inusitada é o de que, como todos sabem, os tucanos  sempre depositaram  suas reais esperanças  de evitar a derrota, na possível dobradinha puro-sangue Serra/Aécio.

Agora vejamos  em que se  baseia o jornalão para  afirmar que  “Aécio já reavalia” sua posição: na página três, o colunista gaiato da casa, Jorge Bastos Moreno, nos informa que o ex-governador teria dito  em  off para uma jornalista italiana, que ninguém sabe quem é, que não quer carregar  o peso de ser apontado como o responsável pela derrota de Serra. Com isso, pelo menos ficamos sabendo que sem Aécio a derrota de Serra é inevitável.

E na página 10, o jornal  atucanado informa , sempre  no condicional, que na avaliação de “alguns aliados” (?)  o anúncio , às vésperas das convenções de junho, de que Aécio seria o vice de Serra, poderia desestabilizar a candidatura de Dilma. E estes mesmo aliados “admitem” que antes de embarcar para a Europa, Aécio “teria dado sinais”(?) de que “ainda não tomou uma decisão final sobre seu futuro”

Quero dizer  aos meus queridos leitores que os picaretas de antigamente sabiam fazer um servicinho bem melhor do que este.

Seja como for, o que se sabe, sem precisar colocar  no condicional, é que Aécio tem  sua eleição para o Senado absolutamente garantida. Mas quem garante que a simples inclusão de seu nome na chapa vai proporcionar a vitória de Serra?

04-05-10, atualizado em o5–05-10

Dilma  confirma Michel Temer como seu vice e parte
para cima do PP de  Dornelles que namora José Serra

Mas a atenção dos petistas está voltada para a  evolução da candidatura de Marina Silva.
Em relação ao que antecipamos ontem neste blog, a única novidade é a de que  o PMDB  suspendeu a “reunião de confraternização” que realizaria dia 10, para indicar Michel Temer. Como ele já foi convidado, seria chovder no molhado.  O Globo de  hoje, quarta-feira, vê o cancelamento como uma possível dificuldade  de relacionamento entre PT e PMDB em Minas.  Bobagem. O que o jornal quer é jogar água no chopp. A questão mineira já está resolvida: o PT apoiará Hélio Costa, candidato ao governo pelo PMDB.

O presidente Lula decidiu antecipar-se à própria convenção   do PMDB e consagrar imediatamente  a chapa Dilma e Michel Temer, presidente da Câmara e (licenciado) do PMDB. O objetivo é evitar surpresas e  fazer com que o comando da  campanha de Dilma fique mais livre e desembaraçado para tratar dos acertos com os partidos de menor porte, mas importantes  nas articulações regionais e na aplicação do tempo na TV.
O alvo imediato é o PP de Francisco Dornelles que faz parte da base governista, mas resolveu fazer jogo duro. Dornelles, o ex-leão da Receita no tempo Ditadura, finge que pode apoiar Serra que  já tem o apoio decidido de outro pepista, Paulo Maluf, o super ético. É pura chantagem, mas  convém  não brincar com fogo. Para domar o leão, já foi convocado o governador Sérgio Cabral, do Rio, que contemplou o PP  com a Pasta da  grana e dos grandes escândalos, a Secretaria de Transportes do Estado, a cargo  do afoito Júlio Lopes que um dia ainda vai dar muito o que falar.
Mas tudo isso são trocados. No que o comando petista está de olho mesmo é na evolução da candidatura de Marina Silva. Já se sabia que ela herdaria a  maioria dos votos  do excluído Ciro Gomes, mas não se esperava um crescimento tão rápido da candidata verde. Lula, Dilma e Marco Aurélio Garcia (o coordenador da campanha) já  se convenceram de que haverá segundo turno  e apostam no avanço de Marina sobre os votos de José Serra, o principal prejudicado em todo este imbróglio.
Todo o cuidado é no sentido de evitar confrontos que possam aprofundar magoas. Supondo que Dilma e Serra passem para o segundo turno, em quem Marina descarregará seus votos?

Veja mais sobre o mesmo tema na coluna Última Hora.

29-04-10

A mídia pode até brigar com Chávez, mas não pode brigar com a notícia

É a velha história: malandro demais se atrapalha. Algumas vezes, já comentei com o leitores  deste blog que de tanto iludir seus leitores, a mídia calhorda acaba iludida, na suposição de que a opinião por ela publicada é a opinião pública. Está longe de ser assim.

Caso típico ocorre em relação ao presidente Hugo Chávez, da Venezuela: há anos o Globo vem tentando ridicularizar e demonizar este líder que, bem ou mal, até  há alguns  meses atrás (antes da crises econômica e energética que está abalando o país vizinho), era tão popular entre os venezuelanos quanto Lula o é entre os brasileiros. Mesmo agora, Chávez ainda conta com 51% de  aprovação para o seu governo.

Nem vamos falar que o jornal-balcão não deu uma linha sobre as comemorações , esta semana,  dos 200 anos da vitória de Simón Bolívar sobre o Império Colonial Espanhol, fazendo surgir a  independente Grã Colômbia, integrada por Colômbia, Venezuela e Equador. Nestas comemorações, milhões de pessoas foram às ruas de Caracas e  outras grandes cidades venezuelanas para celebrar o libertador e reafirmar apoio à Revolução Bolivariana de Chávez. Nem uma linha  na Maison dos Marinhos.

Entretanto, quando dez gatos pingados vão às ruas para protestar  contra o governo, o jornalão indigno  estampa em manchete da primeira página. É por isso que eu digo que  O Globo tem o direito de não gostar de Chávez, mas , como veículo que cumpre a função social elementar de informar, não pode brigar com a notícia . E esta é a mais sórdida de todas as censuras, a de um jornal corrupto que desinforma deliberadamente os seus leitores.

E tudo isto para nada. Porque, como vimos no inicio deste texto, a opinião publicada pelo Globo e outros jornalões está a quilômetros da verdadeira opinião pública. O resultado é um tiro que  sai pela  culatra. Vejamos um exemplo prático:  o Globo desta quinta-feira (29), estampa na primeira página e  no alto da página 3 que Hugo Chávez (em vista a Brasília) externou seu apoio a Dilma Rousseff. O objetivo óbvio é o de  prejudicar a candidata. Só que…

Só que os editores idiotizados  pelas próprias e reiteradas tentativas de idiotizar seus leitores, não percebem que a parcela da população que não gosta de Chávez é aquela que já não iria mesmo votar em Dilma. A outra parcela (largamente majoritária) é composta pelo pessoal da esquerda que gosta do bolivariano e  o chamado povão que sabe pouco sobre ele, mas alimenta uma vaga simpatia, semelhante à que dedica ao Fidel  e ao Che. É comum ouvir-se pelas esquinas da vida, muito diferentes das de  Ipanema e de Miami, que o “Brasil só vai tomar jeito quando  um cara desses meter o paredon aqui”.

26-04-10

Serra preocupa-se, agora, com o crescimento de Marina

Creio ter informado, há alguns meses, aos leitores deste blog, que os insitutos de pesquisa constuma brindar  seus  melhores clientes com analises  informais, baseadas na pesquisas , mas que não devem ser confundidas com elas. São projeções feitas por quem é do ramo. Vai dai que vazou entre tucanos e seus aliados do Rio de Janeiro, a informação de que  uma dessas projeções recebidas pelo Alto Comando da candidata Serra, em São Paulo, indica, para as próximas semanas, um crescimento exponencial da candidatura de Marina Silva.

Isso foi o que bastou para que Fernando Gabeira, o candidato verde ao governo do Estado do Rio, outrora subserviente a Serra, adotasse uma postura independente e passasse a agir como se estivesse com a faca e queijo na mão. Ele agora quer  impor a vereadora verde Aspásia Camargo como candidata ao Senado, dificultando ainda mais as negociações entre PV, DEM e PSDB que visavam garantir um palanque  para Serra no Rio.

Mas esta não é a principal preocupação dos tucanos. O que realmente os deixou de penas arrepiadas  foi a ameaça representada por Marina em si. A perspectiva é a de que nas próximas semanas ela seja a principal  beneficiada com a saída de Ciro Gomes do páreo. Ela herdará a maioria dos  eleitores  do socialista rejeitado por seu próprio partido. Em seguida, e esta é a razão do arrepio, ela  começa a avançar sobre os votos do próprio Serra.

Se for assim, a mídia marota deverá colocar  Marina na geladeira, como aliás, vinha fazendo com  Ciro, desde o momento que em que descobriu, com meses de atraso, que ele subtraia  muito mais votos de Serra do que de Dilma. São estes votos que agora estão escorregando de Ciro parar Marina.

Na coluna  Para Entender a Crise,você  encontrará matéria com mais detalhes sobre as razões que levam Marina e Serra a disputar os votos da mesma frequesia, a da classe média.

23-04-10

José Serra volta de Minas preocupado com o fenômeno Dilmasia

José Serra voltou de Minas, onde participou de reunião com lideranças do Interior  e da solenidade de  entrega da Medalha do Inconfidente,  sem poder queixar-se de Aécio Neves. O  ex-governador, de barba crescida a la PT desempenho sem falhas seu script. Foi  todo elogios ao tucano presidenciável  e fez todas as juras de fidelidade e amor ao PSDB.Mas houve umanota dissonante.
 Ela ficou por conta do   de Antonio Anastasia, candidato ao governo por indicação de Aécio e que  ao usar da palavra nas duas vezes  em que esteve ao lado de Serra, esqueceu-se (sem querer querendo?) de  elogiar o ansioso ex-governador paulista. Gafes e esquecimentos desse tipo são comuns e saem na urina, como se diz.
Ocorre que não faz uma semana que este mesmo Aastasia foi acusado de promover, por baixo do pano, uma dobradinha espúria, a da aliança pirata entre a sua candidatura e da petista Dilma Rousseff. A manobra, semelhante às que já ocorreram no passado da  política mineira, ficou conhecida como Dilmasia.
Não imaginem que o “Baixinho” – é uma alcunha carinhosa só usada pelos amigos –  faz  isso por inata vocação para a traição.  É que a necessidade obriga. Podem acreditar. Para Aécio é fácil  elogiar ou deixa de elogiar  Serra ou Dilma ou quem quer que seja.  Ele praticamente já está eleito senador, mercê de sua alta aprovação como governador do Estado.
Mas e o “Baixinho”, digo, o Anastásia? Ele  sabe que a parada é duríssima: tem que enfrentar Hélio Costa, candidato do PMDB e da TV Globo e solerte ex-repórter do Fantástico, época em que especializou-se em invadir  CTIs para entrevistar pacientes terminais. Ainda mais agora que o PT mineiro, obrigado por  Lula, desistiu da candidatura própria para  apoiá-lo, Costa é considerado favorito absoluto. Então, Anastasia  agarra-se ao Dimasia como a uma  taboa de salvação.  Sejam benevolentes com ele.
Mas em matéria de alianças heterodoxas, essa não é a única que  afeta a  candidatura de José  Serra. Parece uma praga. Pois acreditem, nada menos  que o presidente nacional do PSDB e coordenador geral da campanha tucana, o respeitado senador Sérgio Guerra, foi  praticamente obrigado por seus correligionários pernambucanos a desistir de sua candidatura à reeleição.
Ele já avisou que  será candidato apenas  a deputado federal. E sabem por quê? Vou contar apenas para os não leram  este blog há quatro dias atrás: porque a maioria dos diretórios tucanos do Interior de Pernambuco  e grande parte dos candidatos à Assembléia Legislativa pelo PSDB   já estão com um pé no lulismo e aderiram  à campanha  para a reeleição do atual governador  Eduardo Campos.  Por sua vez, este que é também presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro, de tão fiel a Lula, abandonou à própria sorte  o desventurado  Ciro Gomes que seria o  candidato natural do partido à presidência. Sejam benevolentes com eles.

18-04-10, atualizada em 19-04-10

Serra volta hoje a Minas para evitar fuga de tucanos

A viagem assinala o  reencontro com Aécio, o primeiro depois do famoso beijo da semana  passada, durante o lançamento da candidatura presidencial dos tucanos.  E marca, também, a tentativa de aproximação com Itamar Franco, peça chave no tabuleiro mineiro. Serra tem  procurado marcar um encontro, mas o ex-presidente está esquivo, movido, como sempre, pelo ódio que alimenta contra FHC. O certo é que Itamar não comparecerá hoje ao encontro  de Serra e Aécio com lideranças do Interior. A direção do PSDB aguarda ansiosa pelo evento que, segundo ela, servirá de teste para aferir a real disposição de  Aécio em ajudar Serra. Quer dizer quer o beijo não adiantou nada?

 Uma semana depois do beijo de gratidão sapecado no rosto de Aécio Neves, José Serra precisa voltar a Minas para  tentar apagar focos de incêndio nos arraiais  tucanos do Interior do Estado. É que  nestes rincões  persiste uma perigosa tendência para o arreglo entre partidários de Antonio Anastasia, candidato ao governo estadual indicado por Aécio, e adeptos ( geralmente de partidos menores) que apóiam a candidatura  presidencial de Dilma Rousseff.
Esta união espúria já conhecida como Dilmasia pode ser mortal para Serra, sobretudo porque ocorre num estado considerado vital para sua campanha. A direção nacional do PSDB conseguiu, há uma semana, enquadrar o governado Aécio que, de público, jurou todas as juras e prometeu engajar-se na candidatura daquele a quem detesta na intimidade. Recebeu, em troca, o famoso beijo. Mas aqui cabe um retrospecto:
O fenômeno Dilmasia  não é de geração espontânea. Ele  fermentou, longamente, durante os  meses recentes em que foi sendo alimentado um certo rancor  tucano e mineiro em relação a Serra que, inábil  e prepotente, menosprezou e foi  indelicado com os que defendiam as prévias eleitorais e  uma maior visibilidade para a candidatura de Aécio à presidência, tudo isto temperado por criticas  ao discurso “obsoleto” do governador paulista e de seu mentor, o FHC, sigla que vai se  assemelhando cada vez mais à  marca de algum agrotóxico.
Tudo isto culminou, vale recordar, com a estrepitosa vaia recebida por Serra, há exatamente um mês em Belo Horizonte,  durante cerimônia organizada e presidida por  Aécio. Na ocasião, até o vetusto  O Estado de Minas caprichou  no editorial dizendo que Minas não tem vocação para a  garupa, enquanto fazia duras críticas à ditadura paulista no comando do PSDB.
Assim, portanto, esta tendência para unir votos de Anastasia com os de Dilma não é obra de nenhum criativo fofoqueiro político. Prova disto é que Serra esta viajado amanhã, segunda -feira, para Minas, onde cumpre roteiro que culmina com um uma grande reunião, em Belo Horizonte, com dezenas de prefeitos e líderes interioranos que até recentemente estavam  engajados na candidatura de Aécio à presidência e que, na seqüência, transformaram-se em caldo de cultura para o Dilmasia.

13-04-10

Sérgio Guerra está mais próximo de ser o vice de José Serra

A dissidência do PMDB (pró-Serra) fica reduzida ao insaciável Orestes Quércia, em São Paulo.

 O senador pernambucano Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, comunicou ontem a seu colega e conterrâneo, senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que está propenso a não tentar a reeleição e dedicar-se, tempo integral, à coordenação da campanha de José Serra. Com isso ele fica liberado para uma eventual convocação para ser o vice na chapa tucana. Depois de Aécio Neves que definitivamente  não quer ser  vice de ninguém,  ele (Guerra)  compõe o figurino ideal: nordestino , nacionalista e ex-brizolista,  é tudo o que Serra precisa para melhorar sua posição no Nordeste, seu ponto mais fraco, e  evitar a imagem de neoliberal incorrigível.
Mas a decisão de Guerra acarreta outra conseqüência importante: o ex-governador Jarbas Vasconcelos (que anda meio magoado com Serra) já avisou que não concorrerá ao governo de seu Estado se não tiver o apoio decidido do PSDB local. E isto só é possível com a candidatura de Guerra ao Senado, porque parte do PSDB local (vejam só  como são os políticos) já está engajada na  campanha à reeleição do atual governador, Eduardo Campos , que é também o presidente do Partido Socialista Brasileiro e que apoiará Dilma assim que Ciro Gomes desistir de sua candidatura à presidência para ser, provavelmente,  o vice  da petista.
Como resultado desses movimentos  no tabuleiro, esvai-se o sonho  tucano de  obter uma dissidência importante  no PMDB rebelde, se é que existe tal monstrengo. Além de Jarbas em Pernambuco, havia o governador Luiz Henrique de Santa Catarina – que já foi apaziguado pelo lulismo – e  Orestes  Quércia  em São Paulo. Só sobrou este último  que não desgruda de Serra de jeito nenhum  e , durante a campanha,  será  um peso tão pesado de se carregar, quanto Sarney  vai ser para Dilma.

09-04-10

Opinião pública de quem, Cara Pálida?

Semana passada, comentamos aqui a tola pretensão de Alfredo Sirkis, presidente do PV fluminense, que fez Fernando Gabeira, candidato ao governo do Estado, romper com uma estratégica aliança com o ex-prefeito Cesar Maia, só porque este está “com a imagem suja” junto aos formadores de opinião da classe  média (leia-se Zona Sul do Rio).
O equívoco eleitoralmente fatal de Sirkis, um valente ex-guerrilheiro (hoje ex-terrorista na visão  neoliberalizada daqueles tais formadores de opinião) é o de supor que a atual geração de “intelectuais atucanados” que medram nos meios acadêmicos e nas colunas  de jornais tipo Globo e Estadão, conseguem estabelecer uma correia de transmissão direta com o  chamado povão.
Não é assim. E não é por que  esta ligação só ocorre, quando os tais formadores de opinião estão sintonizados ou pelo menos atentos aos chamado ronco das ruas, maneira  de se  referir às aspirações  e  aos sentimentos  fortes da parte pobre e sem educação formal da população que percebe e sente, e deseja, mas não consegue externar ou conceituar suas percepções e seus desejos.
Há aí, portanto, uma  rua de duas  mãos. Os  hipotéticos formadores de opinião só o são realmente, quando percebem  (captam) as aspirações populares  e as verbalizam em raciocínios aparentemente sofisticados ou inspirados, mas que são, na verdade, simplificações e palavras de ordem.
Exemplo clássico é o da eleição de Leonel Brizola para o governo do Estado do Rio, em 1982. Até julho daquele ano, faltando pouco mais que dois meses para as eleições (em outubro), ele, absolutamente boicotado pela mídia e vítima de preconceito por parte da classe média,   amargava números medíocres, inferiores a 10% nas pesquisas, à  época manipuladas mais do que nunca.
Entretanto, mal teve acesso ao horário gratuito, portanto público (daí o  horror das elites à TV Pública), num exíguo espaço de tempo, ele deixou para trás  os campeões das pesquisas, a lacerdista Sandra Cavalcanti  e Miro Teixeira tido como herdeiro de Chagas Freiras que simbolizava a corrupção política.
O que houve? Brizola era um mago capaz de, num estalar de dedos, transformar uma derrota fragorosa, numa retumbante vitória? Nada disso. Inegavelmente brilhante, seu  maior mérito foi, contudo,o de conseguir, assim que teve acesso à mídia (naquele pequeno espaço público),  interpretar corretamente e a seu favor,  o tal ronco das ruas, até então abafado pela mídia corrupta e manipuladora.
Tudo isso para dizer que de tanto iludir seus incautos leitores, a mídia venal  acaba iludida com a sua versão falsificada a ponto de supor que  é pública a opinião  por ela publicada. Não é não. Se fosse assim, Serra  teria sido eleito já em  2002. Não foi então e não será agora, porque o ronco das ruas aponta na direção oposta.

05-04-10

Pobre Serra. Ninguém segura o FHC que, toda
vez que fala, faz ele perder uns 200 mil votos

Não foi uma boa semana para os tucanos: o Vox Populi, com sua  última pesquisa, desmascarou a farsa grotesca montada pela Datafolha para fazer parecer que , com o lançamento  de sua  candidatura pelo não menos grotesco José Luiz Datena,  Serra deu um salto e, de repente, ficou nove pontos na frente de Dilma. Uma  mentira deslavada , desmentida em menos de 48 horas. Mas o pior de tudo foi que o Fernando Henrique voltou a falar.
Na semana passada, divulgamos neste blog  o desabafo de um importante senador tucano do Norte do País: “Toda vez que o FHC  fala, o Serra perde uns 200 mil votos”. E ele não exagera, tanto assim que toda a estratégia  da campanha do ex-governador paulista, está baseada no tripé que manda não bater em Lula, não falar em FHC e  dizer que é melhor gerente do que Dilma para dar  “continuidade ao atual processo”. Tudo isto, para evitar uma  comparação (bipolarização ideológica entre os governos Lula e FHC), o seria o desastre completo.  Pois não há quem consiga enfiar isto na cabeça do ex-presidente tucano.
Avisos e indiretas não faltam. No domingo, como que enviando um telegrama, o Globo  estampou em sua primeira  página, referindo-se aos últimos discurso dos dois candidatos: “Dilma cita Lula 96 vezes e Serra fala 4 de FH”. Tudo em vão, a incontinência verbal  do pai do neoliberalismo brasileiro é sangria desatada.
No mesmo domingo, em seu artigo no Globo e no Estado, FHC cobrou um maior  engajamento de Aécio Neves na campanha de Serra. Supondo  estar  sendo sutil, ele usou a metáfora da importância histórica da união entre mineiros e paulistas. Na prática, foi como reabrir uma ferida. Todo mundo sabe que Aécio detesta Serra e  que – tanto na eleição de 2005, com o próprio Serra   e cinco anos depois com Alckmin -, Aécio cuidou de si e despachou seus correligionário para as urtigas.
Aliás, o que mais se comenta na coxia tucana é a  possibilidade de Serra ser cristianizado em Minas. E cristianizar, como se sabe, é  um verbo de invenção mineira, até hoje muito conjugado ali. Ele significa que determinado partido lança oficialmente  um candidato e depois  o abandona à própria sorte.
O segundo surto verborrágico de Fernando Henrique é a síntese de seus distanciamento  (alienação física e mental ) em relação à realidade brasileira. Ele acusa  Dilma (o que aliás não é verdade) de pretender implantar um capitalismo à moda da China. Ora, excluída a  discussão acadêmica, tudo o que  trabalhadores  e empresários querem é a expansão do emprego e dos lucros em ritmo chinês. É claro que ninguém gosta da ditadura e da poluição dos novos mandarins, mas não deixa de ser tentador imaginar que há alternativas (via Estado democrático porém indutor  e investidor) para as duas décadas perdidas de estagnação econômica que foi tudo o que  o País obteve com sua adesão ao neoliberalismo.

01-04-10- atualizada em 02-04

Briga entre Gabeira e Cesar Maia pode
deixar José Serra sem palanque no Rio

 Na quarta-feira, Fernando Gabeira (candidato ao governo do Rio pelo  PV) rompeu com Cesar Maia, (candidato ao Senado pelo DEM) a quem passou a considerar como uma má companhia e disse preferir não dividir o palanque com ele. Ontem, quinta-feira, Rodrigo Maia, filho de Cesar e presidente  nacional do DEM, exigiu  da direção direção nacional do PSDB o cumprimento do acordo mediante o qual os tucanos só apoiariam  Gaberia se este aceitasse a aliança com Cesar.
Mas já é tarde: Hoje, sexta-feira, Gabeira diz que  não volta atrás e Cesar disparou:” Era uma aliança de diferentes que tinha como objetivo uma alternativa ao governo do Estado. Agora Cabral ganha  no primeiro turno”. E a isto é preciso acrescentar, dizemos  nós, que sem esta aliança, Serra  fica sem palanque no Rio.
Acompanhe a crise desde o seu início:

 Está feia a coisa na Guanabara:  instigado por Alfredo Sirkis, chefe verde do Rio, Fernando Gabeira decidiu romper como ex-prefeito  Cesar Maia, cacique do DEM fluminense e eminência parda do DEM nacional  “comandado” por seu filho Rodrigo. Havia um acordo mediante o qual PV , Democratas e PSDB fariam campanha juntos e montariam um palanque multiuso. Quando Serra viesse ao Rio, Gabeira ficaria indisposto e as honras da casa seria feita por  Maia e pelos tucanos. Na vez de Marina, o ex-prefeito pediria licença para ir lavar as mãos e os  tucanos sairiam à francesa.
Com o rompimento, o PSDB  do Rio, muito fraquinho e que apóia Gabeira para o governo do Estado, fica dependendo exclusivamente de Maia  para sustentar a campanha de Serra em terras fluminenses.  E ocorre que o ex-prefeito não tem a menor boa vontade em relação a Serra. Pelo contrário, comandou a conspiração que pretendia indicar Aécio Neves como candidato à presidência no lugar do governador paulista.
O autor de toda esta confusão, vereador Alfredo Sirkis  já foi íntimo colaborador  de Cesar Maia. Têm razão os que dizem  ser a intimidade o fermento de grandes ódios futuros. Dado a análises de conjura  muito sofisticadas, Sirkis desenvolveu a teoria de que a imagem de  Maia  estaria, no momento, muito ruim  junto “aos formadores de opinião de classe meia” (leia-se  Zona Sul do Rio), berço da candidatura Gabeira. Vai daí que a contaminação dessa imagem ruim não  compensaria o maior tempo  na TV, nem a melhor estruturara do DEM  no Interior e nas área mais populares da Capital.
Eu que não entendo nada de política desconfio (apenas desconfio) que teorias deste tipo apontam na direção da derrota fragorosa. Isto porque nas periferias da Capital e na Baixada Fluminense, as área mais carentes do Estado, a popularidade de Lula  é  enorme. Então, sem as amarras de um acordo formal por cima, o DEM pode muito bem apoiar Dilma por baixo do pano. Enfim: são brancos, que se entendam. Só tenho pena do Serra que já teve o apoio dos verdes e de boa parte da classe media do Rio e agora fica com um palanque pífio.
Ver também matéria logo abaixo.

30-03-10

O ibop de Serra está congelado entre  35%
e  40% desde 2002. O que falta é discurso

O que faz o status e um bom salário: Merval Pereira desinforma seus leitores, dizendo que Serra pode  ganhar no primeiro turno. Perdeu o senso do ridículo.

É patética a tentativa de Merval Pereira, a voz oficial do  Globo  de festejar o “avanço” de  José Serra  na pesquisa  Darafolha divulgada segunda- feira. A verdade simples é que  o tucano caiu um ponto em relação à mesma pesquisa de dezembro. E o mais grave:  ele está congelado na prateleira dos 35 a 40% desde 2002!
Merval e outros expoentes do jornalismo, que usam seu espaço  profissional para fazer marquetagem oficiosa  da candidatura Serra, insistem em fingir que fazem uma “leitura técnica” das pesquisas e, em função disso, foram obrigados a dizer agora o que afirmamos neste blog  há  seis meses:  Ciro Gomes subtrai  mais votos de Serra do que de Dilma.
Palavras do Merval: “Com sua saída  (do Ciro Gomes) quem se beneficia é justamente Serra, que herda 4 pontos, indo  a 40%. A candidata Dilma ganha 3 pontos, indo a 30%”.E a conclusão grotesta: “quando Ciro não está na disputa (isto) faz com que Serra tenha possibilidade de vencer no primeiro turno”.
Em nenhum momento passa pela cabeça de Merval (ou talvez ele  não queira que passe  pela cabeça  dos leitores) que o patamar de 40%, do qual Serra não sai há oito anos (!), só pode ser explicado pelo viés ideológico, mediante o qual se pode dizer que o limite do candidato é o limite  dos votos do  Centro  quando  aliado à Direita.
Não escapa  ao porta voz do Globo a percepção do “efeito discurso” ou posição ideológica.  Prova disso  é que ele freqüentemente  argumenta em sua coluna  que  Dilma teria dificuldades para ir além dos 30%, porque este é o “limite tradicional” do eleitorado genuinamente petista. Fica claro, assim, que ele usa, ou não, o viés ideológico, conforme as   necessidades  do seu proselitismo. O que ele não  percebe (ou não quer que os leitores percebam) é que o potencial de Dilma não se limita ao eleitorado petista e/ou de esquerda. Na verdade ela tem à sua diposição os votos contidos num  fenômeno muito mais amplo,  o lulismo. Fenômeno, este que, segundo a  mesa Datafolha, atinge  os estonteantes 70% do eleitorado.
Muito espetinho esse Merval…
Então, desembaralhada as coisas que o espertinho  deliberadamente embaralhou, já podemos compatibilizar a análise técnica com  o viés ideológico: A Datafolha informa que a aprovação do governo Lula  (fonte do lulismo) chega aos 76% e que 70% deste seguimento está propenso a votar  em quem Lula indicar. Finalmente constata  que apenas 51% do eleitorado  já tem  noção clara de que  Dilma é a candidata do presidente.
Fica visível, assim, que Dilma tem muito mais  capacidade (potencial) de expansão do que Serra.  A velocidade com que se dará esta expansão,  depende agora basicamente dela e dos seus marqueteiros.

Não deixe de ler a matéria logo aí abaixo. Ela complementa os raciocínios desta.

28-03-10

Segundo  a Datafolha, Serra “avança” sem sair do lugar.

O amigo leitor que me acompanha nesta  jornada  blogueira  há quase um ano, sabe que  procuro sempre advertir  sobre os dois quesitos mais importantes (não únicos evidentemente) para uma análise correta de pesquisas eleitoras. São os fatores tendência e dinâmica.
Então, se pegarmos os números da Datafolha  divulgados ontem, verificaremos que Serra mantém, sem nenhuma dúvida, a  tendência de não ultrapassar seu limite técnico (fatídico, se quiserem) que se situa entre 35 e 40 por cento dos eleitores. As pequenas oscilações para  cima ou para baixo, são  conseqüências de episódios pontuais que não alteram a tendência. Já a dinâmica determina a velocidade com que  ocorrem as alterações de tendência.  Ainda no caso  de Serra, a velocidade é zero. Ele está estacionado nesta mesma tendência há mais de um ano.
Quanto a Dilma Rousseff, sua candidatura registra uma inequívoca tendência de crescimento, com surpreendente velocidade nos últimos dois meses (dinâmica). Entretanto a serem verdadeiros os dados  da  pesquisa em foco (tradicionalmente manipulados quando  divulgados em datas prudentemente distantes das eleições), verificamos que sua velocidade  de crescimento diminuiu. Isto se deve a dois fatores. O primeiro, meramente estatístico: quando se inicia de um ponto muito baixo como foi o caso da ministra, a velocidade é ou parece ser muito maior. Depois de um  certo nível, há  sedimentação e diminuição do ritmo.
O segundo fator é mais sério e  prende-se a  uma persistente e forte  resistência de amplos setores da classe media  à candidata. Nem tanto por ela, mas pelo fato  de sua candidatura ter sido lançada  sob o signo do avanço para a esquerda.
Populismo e nacionalismo são bons  combustíveis eleitorais para a conquista dos setores majoritários, compreendidos pela população mais pobre e pelos setores intermediários identificados com o chamado ideário esquerdista, seja nostálgico ou não. Entretanto…
Entretanto, há largos setores da classe média  emergente, sempre engrossados pela afluência de novos consumista em pela escalda social, (a pequena burguesia clássica) para os quais comunismo, nacionalismo e populismo “é tudo a mesma coisa”. É claro que na sua conceituação mais precisa estes fenômenos são  antagônicos, mas vá explicar isso, no espaço de dez minutos de TV e em pleno ano eleitoral…
Em favor da ministra  pensam outros quistos importantes, como por exemplo, o da transferência. Até recentemente o picareta Montenegro (IBOP) dizia que  Lula não conseguiria transferir sua fantástica popularidade para ela.   As últimas pesquisas mostram o contrário. Mostram que  está transferência é possível e está em pleno curso.
Quanto aos itens  carisma, imagem e empatia,vou repetir o que disse em artigo recente: a candidata pode não ser uma Bastemp, mas poste é o que ela não é. Os marqueteiros e esteticistas fizeram um bom trabalho.
É hora de concluir  este texto que já vai muito longo: a necessidade de  atacar Serra em seus dois principais redutos, a classe média e a Região Sul, valoriza, em tese, as candidaturas a vice (de Dilma) do governador,  Roberto Requião, do Paraná (PMDB) e do  “socialista” e ex-tucano Ciro Gomes, que se não se converteu ao lulismo, pelo menos é sempre citado como um leal amigo do presidente (leia matéria sobre ele na coluna Pérolas & Pílulas).
Finalmente é preciso dizer que boa parte de todos estes tópicos vai ser resolvida no horário gratuito de TV. Daí importância do PMDB que  detém a maior  fatia deste espaço. Como o discurso de Dilma é muito  melhor, mais popular, do que o de Serra,  fica mais fácil partir para o apoteótico abraço. Ou como se diz  na noite e  nas esquinas cariocas: É nois, é gente, é geral.
Das pesquisas divulgadas ontem os números que realmente interessam são estes: Serra tinha 37% em dezembro veio para 32% em  fevereiro e agora está com 36%. Dilma tinha 23% em dezembro, passou para28% em fevereiro e agora está com 27%.
Veja também matéria logo aí baixo.

26-03-10 – Atualizada em 27-3

O renovado dilema tucano: FHC falará ou não no
lançamento oficial da candidatura  de José Serra
 

Ontem, sexta-feira, surpreendentemente modesto e compreensivo, Fernado Henrique disse que comparecerá ao lançameto e “se conviado falará, mas muito pouco”.  Seja como for, Serra está determinado a não bater em Lula e  a falar o mínimo de FHC. Toda sua estratégia consite em repetir que é  mais experiente e melhor gerente do que Dilma.

O estóico e discreto presidente nacional do PSDB, senador  Sérgio Guerra, enfrenta nestes dias uma das  piores  situações de sua longa carreira: inaugurar a candidatura oficial de José Serra, com ou sem o retrato de  Fernando Henrique Cardoso. Com outras palavras,  isto quer dizer que os tucanos não sabem  o que fazer com FHC na festa de lançamento  da campanha presidencial do partido, no próximo dia 10 em Brasília.
E aqui temos,  em choque frontal, problemas políticos contra legítimos e antigos sentimentos de respeito e amizade. A última coisa que Guerra e Serra gostariam de carregar na consciência é o peso de cometerem  ingratidão  e desrespeito em relação ao ex-presidente. Ocorre que, desgraçadamente, a unanimidade dos analistas e marqueteiros garante que se  o governador paulista quiser ter  mínima chance de vitória, ele precisa desvincular seu nome do de FHC.
A estratégia tucana e  clara: durante a campanha, Serra não deve  bater em Lula, nem, muito menos, estabelecer  comparações entre o atual governo e o de FHC. Convencido disto, Serra segue a risca o conselho e procura apresentar-se como alguém que, sem ser contra Lula, é mais competente e testado do que Dilma Rousseff.  Ainda ontem, ele subiu ao palanque em São Paulo ao lado de Lula e Dilma  (o pretexto foi a compra pelo governo federal  de  650 ambulâncias) e falou muito de sua atuação como ministro da Saúde. Sobre seu chefe de então, FHC, nenhuma palavra.
É claro que todos  seriam poupados de   grandes constrangimentos   e legítima dor moral se  o próprio Fernando Henrique fosse mais discreto. Mas esta  não é a principal característica  do mais vaidoso de nossos sociólogos.
Na semana passada ele protagonizou cena grotesca ao receber, com estardalhaço, em sua casa, o ex-governador de Brasília, Joaquim Roriz, apontado como matriz e origem dos escândalos que culminaram com a prisão e destituição de Arruda. Este episódio levou  alguns dos principais  líderes tucanos a  declarar  abertamente que  FHC não  está autorizado a fazer acordos em nome do partido,para, em seguida, desabafar : “ Toda vez que ele abre a boca, o Serra perde 500 mil votos”.
Veja mais na matéria  logo ai abaixo.

24-03-10

Tucanos em polvorosa:
“Toda vez  que FHC se mete
Serra perde 500 mil votos”

Essa  frase de um dos mais graduados caciques do PSDB mostra bem o  constrangimento do staff de campanha de José Serra e dele próprio. Ela foi dita em função da mais recente e desastrada aparição de  Fernando Henrique, todo sorridente ao lado de Joaquim Roriz o sócio fundador da padaria  produtora dos panetones que levaram Arruda à falência.
E para este mal não há remédio:  o ex-presidente tem dito para quem quiser ouvir que não passará para História como o patinho feio. Na semana passada já havíamos advertido neste blog  que um dos maiores problemas de Serra era encontrar  alguém que  “amarasse o guizo”, analogia usada  para falar da  necessidade de  convencer FHC  de que a candidatura tucana só terá alguma chance se o eleitorado  for induzido a comparar Serra  a Dilma. A comparação entre os governos de Lula e  de Fernando Henrique seria um desastre.
Castigo e embaraços vem a cavalo. Toda a cúpula do PSDB ficou irritadíssima com a visita de Roriz a Fernando Henrique, anteontem. E o pior  e que  correu a versão de houve, no encontro, uma articulação para que  o ex-governador de Brasília apóie  Serra que  está sem  palanque na Capital.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio não se conteve e disparou:  Serra pode sobreviver sem palanque em Brasília e Fernando Henrique não  é a  pessoa credenciada para fazer ou desfazer acordos.
Quanto ao simpático e estóico presidente do PSDB, o senador pernambucano Sérgio Guerra, ele reza todas as manhãs para que  Serra não se lembre  dele quando tiver que escolher seu vice que será preferencialmente  um nordestino. O senador cearense, Tasso Jereissati,  que chegou a ser  lembrado, disse lisamente que seu nome não está à disposição. Como presidente do partido, Guerra não poderá dizer a mesma coisa.

18-03-10

Mesmo com  as manipulações do Montenegro, o IBOP
não esconde que Dilma pode vencer  no primeiro turno

Não é a hipótese mais provável, mas as projeções indicam que é possível.

Quem conhece um mínimo de análise de pesquisas eleitorais sabe que projeções são feitas com base em duas coordenadas principais: tendência e dinâmica. Com estes dados na mão, você joga no computador e ele  dá o resultado em segundos. Então, com isenção e sem manipulações tomemos os dados anualizados de José Serra  para mostrar que sua tendência é de estagnação com viés de queda. Em um ano  ele passou de 45 (onde ficou estacionado por bom tempo) para 38 pontos. A dinâmica nos indica que o processo de queda acentuou-se e acelerou-se nos últimos três meses.
Vejamos os dados de Dilma: Nos últimos seis meses (antes disso, sua candidatura era uma hipótese  a espera de confirmação) ela evoluiu de escassos 8 pontos, para os atuais 33. A tendência e a dinâmica lhes são altamente favoráveis. Mas não quero que meus amigos petistas e lulistas saiam por aí  soltando foguetes. A tendência e a dinâmica sãos as coordenadas principais (a estrutura do edifício, se ele fosse um raciocínio) mas não são os únicos elementos a serem levados em conta.
Antes de prosseguir, descartemos a imponderabilidade: falecimento de um dos candidatos ou gafes supinamente desastradas do tipo “relaxa e goza”. Isto feito,  já podemos incluir mais duas coordenadas, a alvenaria: graus de conhecimento e de  rejeição. Aqui, veremos que Serra já  havia, há um ano, atingido altos graus de conhecimento, o que o beneficiava temporariamente. Dilma era pouquíssimo conhecida e, neste caso, há um dado  que lhe é altamente  favorável. O de que  existe total  compatibilidade entre o aumento de seu grau  de crescimento com a diminuição da rejeição. Ou seja,  ele vem sendo assimilada pelo eleitorado à medida em que tona-se mais conhecida.
E aqui topamos com a primeira grande mentira de Montenegro, o dono e manipulador do IBOP: durante  todos estes meses ele   apontou  “o alto grau de rejeição” como  inviabilizador da candidatura Dilma. Não era nada disso. Ele apenas confundiu deliberadamente desconhecimento com rejeição.
Voltemos à construção do raciocínio: é a hora da instalação dos equipamentos ou condutos que chamaremos de  transferência.  Este era o cavalo de batalha de Montenegro e  seus patrões serristas. Eles investiram tudo na  difusão da noção de que Lula não conseguiria transmitir a energia de seu estonteante prestígio “para um poste”. Os números do próprio IBOP mostram exatamente o oposto. Mostram que esta capacidade de transferência é praticamente ilimitada e só não ocorreu plenamente, porque o “poste” ainda não é plenamente conhecido .
Vejamos: De dezembro, última pesquisa (IBOP) para esta,  o índice de rejeição de Dilma caiu de 41 para 27 por cento. No mesmo período, o grau de conhecimento da candidata evoluiu de 32  para 42 por cento. E a mesma pesquisa é obrigada a confessar que 53 dos brasileiros prefere votar  em candidato apoiado por Lula, sendo que 33% afirmam que levarão em consideração  a opinião do presidente na  hora de votar. Finalmente, apenas dez por cento afirmam  que preferem um candidato da  oposição. Ou seja, a tendência e a dinâmica da candidatura Dilma apontam para o seu crescimento. Quanto mais rapidamente ela se tornar conhecida ( dinâmica), mais rapidamente Lula transfere votos para ela (tendência).
A questão Ciro Gomes merece este pequeno parágrafo: há seis meses  tenho afirmado neste blog que Ciro retira  mais votos de Serra do que de Dilma (ele e Serra disputam a  mesma clientela da classe média). Os espertalhões da mídia enfim renderam-se a esta evidência e  resolveram calar  sobre o assunto.  Mas, notem bem. Eu só disse que Ciro retira mais votos de Serra do que de Dilma. Eu não disse que ele  não retira votos da candidata. Então,  é possível afirmar que se Ciro continuar no páreo, a eleição vai para o segundo turno. Se Ciro sair, tudo vai depender do desempenho de Marina Silva. Quanto a Serra está mais que provado que ele não passa dos 40%.
Considerações finais ou, se quiserem,  acabamento e decoração: Merval Pereira, (a palavra oficial do Globo)  é manipulador, mas não é bobo. Agora, ele agarra-se à tábua  salvadora, segundo qual, ao atingir  a casa dos 30 por cento, Dilma  obteve a fatia  do eleitorado que corresponde aos votos do PT  e/ou das esquerdas.  Neste caso, ela estaria próxima do seu limite de crecimetno. Bobagem pura. E bobagem porque  Dilma  não beberá apenas na fonte do PT e/ou esquerdas. Ela será abastecida por uma adutora  chamada lulismo   que representa  70 por cento do eleitorado. Como Merval não é bobo, fica  evidente que ele está manipulando, como sempre.

12-03-10

José Serra: como  aniquilar a própria candidatura

Poucas vezes na História  um político  do chamado primeiro time cometeu tantos erros num espaço tão curto de tempo,  a ponto de conseguir destruir sua própria candidatura à presidência. Arrogância e  teimosia  que na verdade  encobriam o medo de trocar uma reeleição certa para o governo paulista por uma perigosa aventura em direção ao Planalto, fizerem com que José Serra despencasse nas pesquisas. Pior: começou a ser boicotado por importantes líderes de seu PSDB e da direção  do  principal aliado, o DEM. Todos estes setores não escondem sua preferência  pelo nome de Aécio  Neves que nega  ser candidato à presidência, mas não com a mesma convicção com que sempre se recusou a ser vice de Serra.
Com as prévias deste fim de semana que devem apontar já a  ultrapassagem de Dilma Rousseff sobre ele, o governador paulista assiste inerte ao desmoronamento de sua candidatura e, de forma inacreditável, não altera sua tática: só anunciará formalmente que é candidato na primeira semana de abril. E não mudou, tampouco, a forma  autoritária e  truculenta de lidar com seus  correligionários e aliados.
Na quinta-feira, um de seus aliados mais importantes, o senador Jarbas Vasconcelos, ex-governador de Pernambuco (PMDB) também estomagou-se com o Jeito Serra de fazer política e mandou pelos jornais  um recado que pode ser considerado o prolegômeno de um rompimento: “Diante desse quadro dispenso meu encontro com o governador Serra. Eu pretendia ter uma conversa política com ele, mas, por enquanto, sua maior preocupação é administrativa com São Paulo. Como tomei conhecimento disso pela imprensa, também resolvi responder pela imprensa”.
Vasconcelos é o mais respeitado e popular representante do PMDB  no Nordeste. Se perder seu apoio, Serra fica desfalcado  de sua principal peça no tabuleiro eleitoral da região dominada pelo lulismo. O pior é que, há duas semanas, ele  já perdera para Dilma o apoio de Pedro Simon do PMDB gaucho. Assim, no partido do Dr. Ulisses, Serra só conta agora com a adesão  do insaciável  ex-governador  Orestes Quércia e  uma possível composição com o combalido governador Luiz Henrique  de Santa Catarina.

Leia mais  sobre o mesmo assunto na matéria logo aí em baixo.

10-03-10

Serra, desconfiado, exige  garantia de
que não haverá disputa na convenção

Embora Aécio não abra o jogo, há a possibilidade (do ponto de vista legal e também político) do lançamento de uma candidatura, à convenção  do PSDB, concorrendo com a de Serra.

Depois do enorme constrangimento sofrido em Minas, na última  quinta-feira, quando foi estrepitosamente vaiando numa solenidade em que compareceu ao lado de  Aécio Neves, José Serra botou as  barbas de molho, ligou o desconfiômetro e passou a exigir, como condição para o lançamento de sua candidatura, a garantia de que não haverá disputa na Convenção do PSDB (provavelmente em julho) quando os candidatos são oficializados.
A preocupação do angustiado governador paulista é  natural e  justa: depois do episódio de Minas quando, a bem dizer, os conspiradores vieram à toda e mostraram sua armas, ficou claro que havia um  muito bem articulado movimento, envolvendo lideranças importantes do PSDB e a direção nacional do DEM que pretendiam e pretendem, lançar, no lugar da de Serra, a candidatura de Aécio  Neves à presidência. ( ver matéria,  do dia 7 , nesta coluna,  logo ai embaixo)
As razões dos conspiradores são igualmente naturais e justas: a candidatura de Aécio pode não ser uma garantia de vitória contra uma Dilma já embalada, mas  evitaria a derrota acachapante. Além  disso, seria um justo castigo (em política também há dessas coisas) para a forma  egoísta, incompetente, arrogante ou francamente grosseira com que Serra conduziu até agora os negócios da sucessão presidencial.
Negar a conspiração, seria ridículo: as vaias contra Serra foram seguidas de  palavras de ordem do tipo “Minas na Presidência”, sem falar nas declarações  em seqüência  e muito bem  articuladas (ensaiadas) de  Rodrigo Maia (presidente do DEM), de  Tasso Jereissati e Ciro Gomes (antigos e ferozes desafetos de Serra) e do próprio Aécio que nunca negou  suas discordâncias com o modo paulista de  conduzir a questão sucessória.
Mas o que eliminou qualquer margem de dúvida foi o editorial do vetusto  “O Estado de Minas” que  chegou às bancas, no mesmo dia em que  Serra era vaiado, defendendo a candidatura de Aécio: “Minas a reboque não”, gritava o editorialista  do jornal.
Este é o sumário da  conspiração.  Agora, não me perguntem se ela vai dar certo, porque eu não sou nenhum bruxo. O certo é que, como eu informei ontem nesta coluna, Aécio fez seu lance e agora vai aguardar em silêncio. “Vou submergir durante um mês”, diz ele  pelos jornais de hoje. De qualquer forma, ele já está no lucro:  garantiu um posição de liderança  em um PSDB cujo discurso  pretende reciclar, assim que se consumar a derrota de Serra.

09-03-10

Os dias decisivos na vida de José Serra

Semana ruim: além de encarar  a nova pesquisa que poderá mostra a ultrapassagem de Dilma Rousseff, José Serra está enfrentando uma rebelião aberta de parte do PSDB e do DEM que preferem a candidtura de Aécio Neves.

Serra vive dias decisivos para o seu destino político. Ele não terá apenas que confirmar se é ou não candidato à presidência. Isto já foi feito pelas circunstâncias da vida que o empurraram para dentro de um ringue diante  do qual ele  ficara parado, vacilante, durante tempo demasiado. Seu problema é muito mais sério: é o de ter que anunciar formalmente que é candidato no exato momento em que a nova pesquisa CNI/SENSUS deverá confirmar a tendência de queda de sua candidatura já anunciada pela Data/Folha, na semana passada, em concomitância  com o avanço de Dilma Rousseff, numa velocidade que surpreendeu até o mais otimista dos petistas.
Mas não pense o querido leitor que só isto. O infausto governador  bandeirante terá agora que convencer seus correligionários do PSDB e parceiros do DEM de que ele é realmente o candidato ideal para as Oposições. Sua  inexplicável obstinação em não declarar-se candidato e a forma  ao mesmo tempo truculenta e obliqua com que trama nos bastidores, fez germinar  sérias  dúvidas.  A maioria das principais lideranças do DEM (Cesar Maia à frente) e talvez a metade do PSDB já imagina que Aécio Neves (que deverá crescer nestas próximas pesquisas) seria a melhor solução.
Como tenho informado aos leitores deste blog, há, nesses dois partidos, uma rebelião aberta contra Serra. Já há manifesto circulando (veja  matéria de dois dias atrás  nesta mesma coluna) e Aécio, sem evidentemente declarar-se candidato, também não se deu ao trabalho de desmentir  informações de que é. Na verdade, ele aguarda na cômoda posição de quem já cedeu a vez a Serra. Não é culpa sua o colega paulista não  aproveitou a deixa para entrar em cena.
Enfim, pode-se dizer de forma simples e esquematizada que, de Minas para o Norte, a maioria dos oposicionistas prefere o astuto mineiro. Até o presidente do PSDB, o senador pernambucano Sérgio Guerra, não vê com antipatia a candidatura de Aécio, embora tenha  que ser discreto em função do cargo.
A vantagem do neto de Tancredo é dupla: ele já convenceu a tucanos  e denguistas (ou dengosos, sei lá)  de que seu discurso é mais  adequado para enfrentar o lulismo. Mais adequado porque menos marcado como neoliberal do que o de Serra e,  sobretudo, desvinculado do de FHC.
Mas, além disso, ele (Aécio) não sofre da mesma agonia de Serra em relação  a prazos para deixar o cargo e escolher o tipo de candidatura. Este terá que deixar o Palácio dos Bandeirantes, se quiser disputar a presidência, mas não precisa fazer isto, se resolver concorrer à reeleição como governador. Já Aécio, em segundo mandato, sai agora no início de  abril e tem tempo, até junho (data provável da convenção partidária) para  decidir se  será candidato ao Senado ou à presidência.
Para não dizer que Serra não tem nenhum aliado forte em Minas e no Nordeste lembremos o ex-governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, que nos tempos do velho MDB era considerado “autêntico”, um bloco que se diferenciava daqueles emedebistas que, por baixo do pano, colaboravam com a Arena, partido da  Ditadura, que mais  tarde reciclou sua sigla para  PFL e, mais recentemente para DEM.
Pois bem, Vasconcelos, muy amigo, em entrevista , neste domingo ao Globo, descreveu a candidatura Serra  com a forma que um bom repórter descreveria o naufrágio do Titanic: “Estamos sendo atropelados pelos fatos”. Em seguida manifestou a esperança de que Aécio, “pelo bem do Brasil”, ainda aceite ser candidato como vice de Serra. Ingenuidade ou habilidade de velha raposa?
Agora eu pergunto ao  meu atento leitor: se você fosse candidato ao governo de Pernambuco preferiria  subir  num palanque ao lado de Serra ou de Aécio?  Não vale responder: nenhum dos dois.

Leia mais sobre o mesmo assunto na matéria logo aí abaixo.

07-03-10

Globo descobre o  óbvio: Aécio  é candidatíssimo
à presidência. É só José Serra sair logo da frente.

Cansada de brigar com a notícia e após descobrir que do mato do Serra não sai  coelho, a Maison Marinho resolveu fazer o favor de  fornecer a seus leitores um mínimo de verdade e informação correta. Ao fazer isto ela  divulgou o que  tenho noticiado neste blog há mais de um mês. O mérito não é meu que sou apenas um velho repórter político. O que há é que o Globo é a síntese do banditismo jornalístico e da desinformação deliberada.
Em sua edição de hoje, o Globo noticia, na página 2, que o staff de Serra começou a desconfiar  das verdadeiras intenções de  Aécio e a supor (imaginem só!) que o astuto mineiro está “tentando empurrar” o arrogante paulista  “para fora do tatame presidencial”.
Tudo isto que só agora os incautos leitores do Globo estão sabendo  foi urdido há exatos três meses, pelo próprio Aécio, em confabulações com  Ciro Gomes e Tasso Jereissati (seus fraternos amigos cearenses) e mais Cesar Maia (o dono de fato do DEM), além do próprio presidente do PSDB, senador pernambucano  Sérgio Guerra que, discreto, (durante as sucessivas reuniões)  apenas  balançava a cabeça e murmurava: “vou fazer de conta que não ouvi nada disso que vocês estão falando”.

O diagnóstico

O diagnóstico preliminar dos  conspiradores era o de  que Serra com sua prepotência e decorrente incompetência, estava  pondo tudo a perder: enquanto Lula pulou na frente antecipando a campanha, carregando nas tintas ideológicas e transformando a eleição num plebiscito, a Oposição assistia a tudo paralisada pelo teimosia do  submerso governador paulista que , monocórdio, repetia que só decidiria sobre sua candidatura em março.
Nesta época, o  presidente nominal do DEM Rodrigo Maia ( filho do chefe Cesar) deu  o primeiro aviso: “ Estamos no pior dos mundos, sem discurso e sem candidato”.

A ação

Ao diagnóstico, seguiu-se imediatamente a ação: Ciro foi a Minas, xingou  Serra de “o Coiso” e declarou que gostaria de ser o vice de Aécio. Jereissati começou a falar mal da  “ditadura” imposta pela cúpula paulista do PSDB e Aécio deu  um ultimato a Serra, exigindo um definição até janeiro.
Janeiro chegou, Serra continuou enrolando e Aécio, com maestria, executou a segunda parte do plano: saiu do páreo com elegância, “renunciou”  à candidatura presidencial, deixou claro que não seria vice e denunciou a falta de discurso, bem como a  estratégia equivocada do partido.
A última parte da conspiração (que virou luta  aberta e declarada) foi realizada há dois dias, em Belo Horizonte, durante a inauguração  (como parte da homenagens a Tancredo no seu centenário), quando Serra foi estrepitosamente  vaiado pelos tucanos mineiros quer exigiam “Minas na presidência”.
Aécio agora vai apenas aguardar. Já avisou que pode  estudar a hipótese de sua candidatura à presidência, desde que ela venha no bojo de  um movimento nacional  (no âmbito oposicionista, é claro) e que “tenha cheiro de povo”. Há exatos vinte anos, seu avô Tancredo saiu do palanque das Diretas Já para uma vitoriosa  eleição presidencial indireta.

Mais detalhes sobre o mesmo tema na matéria aí embaixo.

0-6-03-10

Metrô do Globo. Próxima Estação: Aécio Neves

O Globo não tem o menor respeito por seus leitores aos quais  trata como inocentes carneirinhos, oferecendo um noticiário  inteiramente distorcido e manipulado da primeira à ultima linha. Isto quando  não omite absolutamente os fatos. Por estas razões, o insuspeito governador Carlos Lacerda, em uma de suas brigas com a família Marinho por questões ligadas à especulação imobiliária,  gritou pela antiga TV Tupi de Assis Chateaubriand, outro bandido do jornalismo: “Isto não é um jornal. É um balcão!” E fez isto  sacudindo o repelente veículo diante das câmaras,  gesto que  Hugo Chávez  recentemente  imitou.
Tudo bem que  não há democracia sem imprensa livre. O ideal, aliás, é que ela fosse pública, porém  completamente independente  do governo temporário e eventual. Isto é perfeitamente  possível e  o caminho  foi ensinado pelo Capital Financeiro Global que, em nome de seu livre trânsito, proclamou a independência   dos bancos centrais. Nenhum social-democrata chiou.
Ora, senhores “democratas”, se o Capital pode ter livre trânsito, porque a Verdade ( também conhecida como realidade dos fatos ou liberdde de informação) não pode. Por que esta tão defendida  senhora, tão ofendida pelos que a defendem,  tem que ficar   seqüestrada  por seis ou sete  famílias que controlam o oligopólio da informação e a tratam como mercadoria exposta num balcão?
Os ingênuos são apenas ingênuos, mas os hipócritas são canalhas que consideram natural e “inerente à democracia” que um punhado de famílias corruptas, mafiosas, “façam a cabeça” de  gerações após gerações,  até  chegarmos ao ponto em que , de tão apartados (alienados) de nossa cultural e  de nossos objetivos estratégicos, quase perdemos o sentido de nosso própria nacionalidade.
Tudo isto para dizer que como bons  atacadistas e varejistas da notícia, os Marinhos já abandonaram a Estação Serra do Metrô  e preparam-se para desembarcar na Estação Aécio Neves. Preparem-se incautos leitores para receber uma mercadoria nova em suas casas.

Leia na matéria logo aí abaixo, mais informações sobre  este mesmo tema.

05-03-10

A candidatura manca de José Serra

Depois de ser vaiado em Minas por adeptos da candidatura de Aécio Neves, o governador paulista enfrenta agora um série de pronunciamento de lideranças do PSDB e do DEM contrárias  à sua candidatura. A principal manifestação vem assinada por Saulo Queiroz, tesoureiro do DEM  e que já foi dirigente do PSDB. Trecho do documento: “A pesquisa Datafolha divulgada neste fim de semana apenas reforça aquilo que já era evidente: Dilma é franca favorita na disputa com Serra”.

José Serra relutou tanto em lançar sua candidatura à presidência que seus correligionários, inicialmente ansiosos , depois francamente irritados, praticamente o emburraram para dentro do ringue do qual ele agora  não pode simplesmente sair, sob pena de desmoralização  completa. Resultou disto uma candidatura manca tirada a fórceps e que já nasce contestada dentro de  seu próprio partido e de seu principal aliado, o DEM.
Neste cenário de crise despontam três alternativas, eliminando-se desde logo a possibilidade de que Aécio Neves venha a ser  o vice na chapa tucana:
1-Serra, com auxílio de correligionários interessados em vê-lo pelas  costas,  encontra um pretexto adequado ( falta de união do partido, por exemplo) e, com ajuda de um documento igualmente ajustado às circunstâncias, renuncia, como que  num gesto de grandeza e reagrupa suas tropas para lutar por sua reeleição ao governo de São Paulo. Entre os que  defendem esta saída honrosa, estão os senadores Tasso Jereissati, ex-presidente do PSDB e o  Sérgio Guerra, o atual presidente. O primeiro age ostensivamente como militante da dissidência que prefere a candidatura de Aécio Neves; o segundo com a discrição que o posto exige. Além disso, Cesar Maia, presidente de fato do DEM, comanda nos bastidores a  luta contra o governado paulista.
2-Aécio Neves, insuflado pelos anti-serristas do PSDB e do DEM decide  disputar a indicação na convenção (bater chapa, como se diz) enfrentado Serra caso este  não renuncie. O governador mineiro pode até seguir este  caminho, já que tem pouco a perder. Mas só fará isto se for criada nacionalmente  uma onda, “com cheiro de povo” como ele diz, exigindo a sua candidatura. A prévia deste movimento pró-Aécio  pode se vista ontem em Belo Horizonte, durante a festiva inauguração do novo Centro Administrativo do governo mineiro. Neste ato, a multidão vaiou Serra e aclamou o neto de Tancredo.
3-A remota possibilidade de Ciro Gomes vir a ser o vice de Aécio. Para isso, o ex-governador cearense filiado ao PSB, teria que convencer o presidente de seu partido, governador pernambucano Eduardo Campos, a desfazer acordos já selados com o presidente Lula (o poder) e com Paulo Skaf, presidente  da FIESP (o dinheiro).  Por estes acordos os pragmáticos socialistas estão amarrados à candidatura de Dilma Rousseff .

Na matéria abaixo, você terá mais  detalhes sobre este mesmo tema.

04-03-10

Rebelião do PSDB é aberta: uma forte
corrente quer Aécio no lugar de Serra

Alguns próceres patidários, como se dizia antigamente, já estão até  tentando encontrar um saída honrosa para o desafortunado governador bandeirante. A grande incógnita, porém, é sobre se ainda  há tempo para  armar a chapa Aécio-Ciro, esta sim, capaz de  remexer todo o tabuleiro sucessório.
 Hoje, no início da tarde, Serra passou pelo constrangimento de ser vaiado pelo público, durante inauguração do novo Centro Adminstrativo do governo mineiro, em Belo Horizonte. Ao seu lado, igualmente constrangido,  Aécio Neves  ouvia a multidão: “Brasil pra frente, Aécio presidente!”

 José Serra começa a colher o que plantou com sua esdrúxula estratégia da moita e do imobilismo. E inova na  política e na física, demonstrando que a inércia também provoca tempestades. Mas deixemos de vans filosofias: a rebelião tucana tem como um de seus principais líderes o senador cearense Tasso Jereissati que guarda em seu fígado  brocas antigas contra José Serra que nas disputas internas o atropelou mais de uma vez, lá no passado. “Deixemos que ele (o Serra) sofra mais um pouco, depois convocamos o Aécio”. Esta frase solta por Tasso durante  as  intermináveis reuniões conspiratórias realizadas ontem  em Brasília, define bem o clima interno no maior partido da Oposição.
Há dois meses, Ciro Gomes durante reunião com Aécio Neves em Belo Horizonte  lançou outra frase  igualmente elucidativa: “ Perguntem ao coiso” disse ele referindo-se a Serra. Finalmente ouçamos o  astuto governador mineiro que não falou nada além das amenidades públicas,  mas mandou falar, e grosso, pelo editorial de ontem do jornal O Estado de Minas: “Fazem parecer obrigação do líder mineiro, a quem há pouco negaram espaço e voz, cumprir papel secundário” E arremata: “Minas a reboque não!”.
Resumo da ópera: ao longo dos últimos meses José Serra desconstruiu, metodicamente tijolo a tijolo, sua candidatura à presidência. Como explicar isto: excesso de cálculo, egoísmo, falta de coragem? Um pouco de cada coisa, talvez. São itens que ele terá que perguntar ao travesseiro se  não achar melhor ir direto ao divã. Mas parece claro  que suas aspirações estão arruinadas.
Faltaria dizer algumas palavras sobre o  agonizante DEM, cujo principal líder, Cesar Maia é, desde o início, dos principais mentores da  conspiração. O ex-prefeito carioca sonha com a candidatura de Aécio  à presidência, o que faria com que ele  (Cesar) pudesse voltar a sonhar com sua candidatura ao governo do Rio. Isto criaria problemas para a reeleição do governador Sérgio Cabral e, na mesma medida, para a campanha de Dilma no estado.
Mas o núcleo da questão continua sendo a de se saber da disposição de Aécio para encarar um campanha eleitoral que já está perdida com Serra, mas sem garantias de que a mudança de nomes  seria a chave do sucesso. De qualquer forma, a idéia deve estar tentado o neto de Tancredo, porque ele tem pouco a perder. Mesmo que não vença Dilma, ganha um partido, o PSDB (que ainda não é de se jogar fora) todinho para ele que emerge como novo líder tucano.  Se não der certo  ele, mais bem equipado, tenta de novo em 2014.
E ainda há uma incógnita chamada Ciro Gomes. O eclético cearense sempre disse que toparia ser o vice de Aécio. O problema é que ele é filiado ao PSB, cujo presidente, o esperto governador pernambucano Eduardo Campos, pulou na frente e amarrou  acordos com Lula (o poder) e o a FIESP de Paulo Skaf (o dinheiro). Parece não haver mais tempo para desamarrar tudo isto.
Entretanto, não há dúvidas de que a chapa Aécio-Ciro é o cenário dos sonhos de  Tasso Jereissati, compadre político de Ciro no Ceará. E não só para ele: o próprio presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra poderia, com este novo esquema, encontrar um modo de injetar gás em sua difícil campanha  para reeleição em Pernambuco.

Não deixe de ler a matéria logo aí abaixo. Ela complementa e é complementada por esta.

02-03-10 com atualização em 03-02-10

As bases do PSDB e do DEM sentem-se
traídas e começam a rejeitar José Serra

Aécio recusa pela milésima e última vez ser vice de Serra. Quanto à sua candidatura à  presidência,  não respondeu, porque também não lhe perguntaram. Mas manda, por assessor de confiançaum recado duro aos serristas: onde já se viu vice ser mais importane que o titular. Evitemos, pelo menos, a  exposição ao ridiculo.
Para o assessor de Serra, o PSDB  não pode ser expor ao ridículo de passar à História defendendo a noção de que a escolha do vice é mais importante do que do cabeça de chapa. Seria a confissão de que a  sigla não possui discurso ou não acredita nele.
Finalmente Aécio deu apoio à candidatura  a vice do senador cearense Tasso Jereissati, o que foi entendido como uma resposta sarcástica aos apelos dos  mensageiros de Serra.
Na verdade, dizemos nós, Aécio já escolheu seu rumo: ele não quer ser o pós-Lula e sim o pós-Serra. Aos 51 anos, quer credenciar-se para ser  candidato à presidência, daqui a quatro anos, liderando uma oposição “reciclada e com discurso atualizado
Ainda ontem,  tucanos famosos lançaram manifesto  (na Internet ) pedindo que  Aécio aceite ser vice.  Nem assim Serra saiu da toca, o que confirma sua “chantagem sentimental”, para definir de forma delicada sua ameaça de renúncia, caso Aércio não aceite participar de sua chapa.

Se fossem realizadas agora as famosas prévias do PSDB, tão anunciadas e tão proteladas, para a escolha do candidato à presidência, é  provável que Aécio vencesse Serra. E não apenas porque o governador paulista inaugurou sua fase descendente nas pesquisas, mas pela falta de confiança que ele passou a inspirar nas bases do partido.
O paciente e dedicado presidente tucano, senador Sérgio Guerra (PE), já detectou isto. E de suas conversas com o amigo e também senador Tasso Jereissati (CE), surgiu a idéia do lançamento da candidatura deste último à vice-presidência. É apenas uma operação tapa-buraco, destinada a segurar temporariamente a debandada que já se prenuncia nas bases tucanas e do DEM no Nordeste, onde a popularidade do presidente Lula é fulminante, para dizer o mínimo.
Como se sabe, março é a data limite (em função dos prazos impostos pela legislação eleitoral)  para amarração de alianças interpartidárias. Com a indefinição,  o egoísmo calculista de Serra e o mutismo enigmático de Aécio, o PSDB está entrando neste mês decisivo sem time escalado. É o pior dos cenários.
Guerra, por temperamento,  não comenta em público, mas Jereissati, faz questão de lembrar, irritado, que já viu este filme. Trata-se do “Renúncia – A origem da série”, exibido há exatos quatro anos, quando Serra, na última hora, desistiu de sua candidatura à presidência, “cedendo a vez” ao insosso Geraldo Alckmin “Marcado para Perder” para um presidente Lula que, fragilizado, tentava a reeleição.
Serra preferiu, na época, a eleição fácil para o governo de São Paulo. Agora, cansados de esperar  um explicação de seus analistas políticos para esta “desconstrução” que Serra  realiza, com certo método, de sua carreira política, os editores do Globo foram, ontem, consultar  alguns analistas freudianos. Um deles, Luiz Alberto Py, foi direto ao ponto: “Serra sempre foi cauteloso. Agora, manter essa cautela e não assumir a candidatura, pode parecer covardia. Quando uma pessoa não sabe abrir mão de suas características para se adequar às circunstâncias, ela perde o contato com a  realidade”.

Sobre o mesmo tema,  leia matéria logo aí abaixo e  na coluna Última Hora deste blog.

28-02-10

Datafolha mostra que com ou sem Ciro,
Dilma poderá vencer no primeiro turno

A evolução dos números (ver no pé desta matéria) apontam possibilidade de vitória da petista no primeiro turno. Tucanos já pensam em descartar Serra e lançar a chapa Aécio-Ciro, a última esperança. Ciro já disse que topa. Aécio está pensando.

Convenhamos: Dilma não é um poste, mas também não é nenhuma Brastemp. Então como explicar que, partindo do porão das pesquisas, ela tenha alcançado o empate técnico com Serra, num espaço tão curto de tempo? Não há outra resposta senão a de que o Serra é que é um tremendo roda presa.
Entretanto, nem sempre foi assim. Durante quase dois anos, o governador paulista  manteve invejáveis 40 pontos nas pesquisas, mesmo sem se declarar candidato à presidência. Agora  o Noblat e outros  badalados analistas de superfície, vão  elencar os principais erros táticos e estratégicos de desafortunado tucano. Dirão em primeiro lugar  que ele demorou demais  para  lançar sua candidatura, demonstrando insegurança ou medo explicito; pode ser também praga do Aécio a quem  Serra esnobou e  enrolou até o limite da descortesia. E pode ser  correta a versão de Lúcia Hipólito, a mais nova rainha do rádio: ele está vivendo o seu inferno astral.
Evidentes  baboseiras. O que esta gente não diz por ignorância ou por medo do patrão é que  Serra e seu  parceiro Fernando Henrique foram pegos na contra-mão da História. Por empáfia, negligência ou teimosia não fizeram a  leitura correta ( ou não fizeram leitura nenhuma) da Grande Crise Norte-Americana que , em menos de um ano derrubou, um a um, todos os paradigmas  do neoliberalismo. Derrubada  esta que permite a Lula e a Dilma dizerem com toda a naturalidade que  vão construir um estado forte sim, com novas  e grandes estatais sim e nacionalista sim.
Foi este modelo ( podem  dizer populista que ele não fica ofendido) que ensejou o Milagre Brasileiro de meados do século passado, quando crescemos continuamente a taxas hoje só consideradas possíveis na China.  Se quiserem podem  dar a tudo isto o nome de  “desenvolvimentismo induzido pelo estado”. Não me perguntem se é o caminho ideal. Eu só direi que é melhor que a via neoliberal que não nos deu nada além de duas  décadas perdidas. E é este cenário que possibilitou a Lula montar uma sucessão com forte tintura ideológica e, por isso,  plebiscitária.
Todo mundo já  entendeu  ou está começando a entender isto. Até parte dos tucanos e do DEM. Só Serra e FHC não viram nem entenderam. Minto: eles estão na boa companhia de Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg que vão citados aqui como representantes de uma  mídia cooptada pelo pensamento neoliberal, uma armação do capital  financeiro sem pátria  que  queria absoluta liberdade para  criar, como bem entendesse, todas as  bolhas e praticar todos os assaltos especulativos ao redor  do Mundo. Deu no que deu.
Quase ia esquecendo os números das pesquisas:
As entrevistas foram realizadas dias 24 e 25 de fevereiro. Segundo a Datafolha, Dilma cresceu 5 pontos percentuais, para 28 por cento, em relação ao levantamento feito em dezembro do ano passado. O movimento de Serra foi exatamente o inverso:  caiu de 37 para 32 por cento.
A pesquisa ouviu 2.623 pessoas maiores de 16 anos. Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, os dois candidatos estariam no limite do empate técnico.
Lembremos que no início do mês, pesquisa da CNT/Sensus já apontava a evolução crescente de Dilma. Na ocasião, ela avançara 6,1 pontos percentuais em cenário de primeiro turno, com quatro candidatos, na comparação com a pesquisa anterior, de novembro.
Nesse levantamento, Dilma chegou a 27,8 por cento das intenções de voto, enquanto Serra passou de 31,8 por cento para 33,2 por cento. Considerando a margem de erro de 3 pontos, o resultado da pesquisa, já indicava empate técnico.
A manter-se a atual tendência e em função da grande rejeição ao nome de Serra, Dilma poderia vencer no primeiro turno, mesmo que Ciro  consiga lançar sua candidatura.

Não deixe de ler a  matéria imediatamente aí abaixo  que é um complemento desta.

27-02-10

A dança das cadeiras. Todos querem a de centro-esquerda

O eleitorado nacional já foi mais conservador. Hoje, ele está quase inteiro concentrado no espaço que vai da extrema-esquerda ao centro. O discurso conservador ou francamente de direita só alcança, se alcançar, vinte por cento dos brasileiros. Estão,  todos os candidatos à presidência ficam disputando  este  pedaço ideal  que chamaremos de  centro-esquerda ou “cadeira mágica” Vejamos:
O PT ocupou quase todo este espaço  ao encontrar a fórmula ideal  que combina nacionalismo, populismo e, quando necessário, um discurso acadêmico de esquerda. Dilma, a neobrizolista, é  a sua porta-bandeira.
Ciro Gomes,  descartado por seu próprio partido (PSB) que se  deixou seduzir pelo generoso charme da FIESP (e bota grana, quero dizer charme, nisso) fica um pouco mais ao centro num discurso eclético onde  declara-se lulista, mas denuncia a corrupção decorrente do pacto de governabilidade entre  o PT e o PMDB. Ao mesmo tempo, reconhece, ecleticamente, que ele também não conseguiria governar sem  o partido de Orestes Quércia e Pedro Simon.
Marina Silva, ao contrário, afasta-se de Lula, tentado, talvez, aproveitar o vácuo deixado por Ciro  e conquistar alguns  votos da classe media que odeia Chávez e a  Revolução Cubana. Chico Mendes deve estar se revirando no túmulo.
Aécio Neves e os setores rebeldes do PSDB e do DEM, também dão os últimos retoques no novo discurso centro-esquerdista e renegam o neoliberalismo ou qualquer evocação ao lacerdismo. “Eu até que sou estatista” diz, com certa graça, Sérgio Guerra, o presidente  dos tucanos.
Enfim todos  procuram sentar-se na “cadeia mágica” ou na que esteja mais próxima dela. Só o Serra continua de pé, sem cadeira e sem discurso. Dizem que é por causa do Fernando Henrique.

23-02-10

Na Oposição, todos cobram de Serra uma solução

Serra e Aécio se reúnem nos próximos dias, apenas para tirar fotos.

Poucas vezes a oposição brasileira esteve tão baratinada como agora. Em meio à balbúrdia e às lamentações diante da constatação, como num choque de realidade, de que a eleição presidencial está praticamente perdida, pode-se, no entanto, distinguir dois sinais, emitidos de todo o País, em direção a São Paulo e a Minas. Contra São Paulo de Serra partem apenas  queixas e cobranças. Para Minas de Aécio voltam-se as esperanças ou meras ilusões de que algo ainda pode ser feito.
Serra que já gastou a última carta do último trunfo tenta reunir-se com Aécio, mesmo sabendo que o mineiro  não aceitará ser seu vice. O objetivo agora é  o de apagar o incêndio e vender para o grande público  a idéia de que  os dois maiores estados  da federação marcharão juntos e com discurso afinado na  campanha eleitoral. Isto Aécio pode conceder e concederá, até porque é apenas jogo de cena.
Mas o que está por trás desta opereta é uma luta de foice pela  liderança de uma Oposição que, embora  batida e abatida nesse momento, representa  um patrimônio que gira em tono dos  cinquenta milhões de votos potenciais. Não pensem, entretanto, que esta batalha será travada apenas no terreno da politicagem e dos lances de esperteza. Subjacente (pouco perceptível) mas determinante, o que estará  sendo debatido e disputado e o novo  eixo ideológico do arco oposicionista.
No arco situacionista, o PT já encontrou sua nova matriz , o brizolismo com sotaque de Lula, para dizer da forma mais simples. Quanto à Oposição, se quiser guardar ainda  um último resquício da social democracia, ela terá que voltar aos bancos escolares para  reaprender tudo o que  desaprendeu quando, há duas décadas, no auge  na onda liberal, Fukuyama decretou o fim da História e das ideologias*, uma grossa besteira aceita por algumas academias e proclamada aos sete ventos pela mídia global alienada e alienante. A idéia que pretendiam vender era a de que, a partir daquele ponto,   o Capital comandaria o processo sem contestação e eternamente.
Agora sim, se quiserem reaprender, os sociais democratas tupiniquins deverão esquecer todo o besteirol que  FHC escreveu desde sua conversão ao neoliberalismo. Lição número um: a  luta de classes (disfarçada ou não) é o motor da História e, pois, da política. Partido que não represente uma classe ou um conjunto delas não representa coisa nenhuma. Quem faltar a esta aula, depois só vai saber discutir   quem é mais  feio ou mais ladrão ou mais bonito, se o Sarney ou o Collor.
A diferença entre Aécio e  Serra, é a de que  o primeiro já percebeu que é preciso livrar-se urgentemente da camisa neoliberal. Já o outro, só ontem  conseguiu deixar de olhar para  próprio umbigo.

*Alguns autores já notaram que e a burguesia e o proletariado, principais protagonistas desde o advento do capitalismo,  estão esvanecendo. Isto se deve ao fato de que o Capital, também ele, já entrou em sua fase  crepuscular. Mas nada disso representa os fim das classes sociais, de suas lutas e de suas ideologias. Quer dizer apenas que outras classes ocuparão o lugar das que saem de  cena.

Leia mais sobre o mesmo tema nas colunas Última Hora e Pérolas & Pílulas deste blog.

20-02-10

Com Dilma, a “brizolista”, o PT
reencontra seu eixo ideológico

Com a consagração, hoje à noite, da candidata Dilma Rousseff, encerrando seu Congresso Nacional, o PT cumpre etapa decisiva de uma estratégia  muito bem bolada e executa com maestria por um Lula maduro e autoritário que não vacilou um instante em pisar no pescoço do partido toda vez que julgou necessário.
Desgraçadamente ou não, a política é feita assim de  momentos épicos e golpes baixos que caminham em paralelo. Mas o resultado da opera é  positivo: com Dilma que deverá arrancar agora em marcha  batida rumo a vitória, o Brasil como que se reencontra com sua história. História esta que fora  seccionada, em 1964, pela  histeria lacerdo-fascitóide que uniu a Igreja à moda antiga, a classe média fútil e egoísta, o latifúndio e militares medíocres porém metidos a salvadores da pátria. Tudo isto  orquestrado e financiado por  um vizinho ambicioso, expansionista e desleal, os Estados Unidos da América do Norte.
Este reencontro poderia ter  ocorrido com a redemocratização, em 1985, mas foi protelado pela  aliança de antigos  sabujos da Ditadura, repentinamente  convertidos em “liberais” (eles estão aí até hoje) com um PMDB incauto ou esperto demais que começou, neste ponto, a arregaçar suas manguinhas fisiológicas.
Quando parecia que as coisas iam melhorar, tivemos que enfrentar a  longa noite neoliberal com a Ditadura do Mercado comandada pelo mais bandidos de todos os capitais, o financeiro que cooptou, no Brasil, os sociais democratas de araque personalizados por FHC. Toda esta gente está ido agora  para o saco plástico do lixo da história descartável de uma sociedade  idem.
Não esperem a revolução. Neste mato petista não há mais deste coelho.  Mas esta Convenção do PT é histórica porque  assinala a consolidação de um tipo de social democracia adequando ao mundo emergente. Socialismo moreno como Getulio intui na fase conclusiva de sua vida e Brizola tentou implantar. Socialismo nacionalista e populista, uma “aberração” denunciada por alguns “marxistas puros”, pouco antes  de converterem-se ao neoliberalismo.
Enfim, o PT deixa   definitivamente de ser um partido preponderantemente de  quadros, para ser preponderantemente de  massa. Não voltará jamais a ser revolucionário, mas recolocou o Brasil num viés de centro-esquerda, coisa que não se via  por aqui há quase 60 anos.
A bandeira da revolução fica com o PSOL e o PSTU, hoje esnobados por Lula. Entretanto, é curioso notar que  a consolidação do lulismo, esta versão atualizada do getulismo, ocorre em tono da consagração de Dilma Roussef, uma ex-brizolista.

Leia mais sobre o mesmo tema na coluna Última Hora deste blog.

18-02-10

Há tucanos querendo rifar Serra

 Numa última cartada para evitar a vitória do lulismo, parte  importante do PSDB tentará  convencer o governador mineiro, Aécio Neves, a lançar seu nome na convenção do partido, não como candidato a vice de Serra, mas como candidato a presidente, concorrendo com Serra.

 Discretamente, a cúpula do PSDB, incluído seu presidente Sérgio Guerra, começa a estudar  a possibilidade de uma alternativa à candidatura de José Serra que consideram previamente derrotada. Esta alternativa tem nome e sobrenome: Aécio Neves que  passou o Carnaval em Las Vegas enquanto  Serra  convertido em tradicional carnavalesco  esfalfava-se   atrás de trios elétricos e outros blocos no Nordeste.
Menos discretos, líderes importantes, como o senador cearense Tasso  Jereissatti,  defendem abertamente a candidatura do astuto mineiro, convencidos  pelas últimas pesquisas de que Serra, já bateu no teto de suas possibilidades eleitorais: a faixa que vai dos 35 aos 40 por cento dos votos.
Ao mesmo tempo, como principal e eterno parceiro do PSDB, o DEM já emitiu sinais claros de que apóia a alternativa  Aécio. O presidente do partido, Rodrigo Maia, na verdade porta-voz do  verdadeiro presidente, seu pai Cesar Maia, insinuou, durante o Carnaval, que  o ex-prefeito carioca  poderá lançar sua candidatura ao governo do Rio, caso  o governador mineiro aceite ser candidato à presidência.
O raciocínio dos conspiradores tucanos não é complexo e se desdobra em dois tempos: a– Aécio não ficaria, como Serra, encurralado na vertente  reacionária e neoliberal desta eleição plebiscitária claramente  demarcada por um eixo  ideológico (lulismo contra o  neolacerdismo, na versão simplificada), e b– a eventual candidatura de Cesar Maia ao governo do Rio “arrebentaria”  com o esquema montado pelo governador  Sérgio Cabral (PMDB) para reeleger-se e  provocaria, no estado, um estrago formidável na candidatura de Dilma Rousseff.
Tudo isto explica, porque, nos últimos dias, Cabral elevou o tom até o limite da descortesia, ameaçando romper com Dilma, caso  ela continuasse namorando o Garotinho às escondidas, em busca de um segundo palanque no Rio.
Por outro lado, todo mundo sabe (pelo menos todo mundo que  leu meu blog nos últimos três meses)  que Ciro Gomes  chegou a “estudar com carinho” a possibilidade de vir a ser o vice de Aécio…

Leia mais sobre o mesmo tema na coluna Última Hora deste blog.

16-02-10

A encruzilhada de Chávez e
da Revolução Venezuelana

Não conheço suficientemente a política venezuelana,  seus meandros e sutilezas, para falar  dela com a desenvoltura com que falo, por exemplo, da política brasileira. Entretanto, tenho me  empenhado para aprender o máximo e o mais rapidamente possível tudo o que diga respeito a este querido país vizinho e irmão. País que, ademais, é absolutamente essencial para  a coesão  e fortalecimento da UNASUL, União Sulamericana que eu  chamo de Pátria Grande.
Sem embargo, creio já saber o suficiente para  dizer  que a Revolução Bolivariana de Chávez está vivendo seu momento crucial. Em outras palavras , vive um momento de tensão e fragilização provocando por estas  três principais circunstâncias: a– queda importante da popularidade  do presidente que ainda se situa na casa dos  50 por cento, mas que já foi bem maior; b– crise energética e de desabastecimento parcial de gêneros de primeira necessidade, acossados, ademais, por um inflação já superior aos 20%, e c– uma crise  no interior  do próprio governo (sistema revolucionário) que dá  a sensação de que Chávez periclita, o que anima a oposição por enquanto concentrada basicamente na classe média e atiça o Departamento de Estado  Norteamericano, sempre interessado em fomentar a desunião  no Continente.
O simples fato de que Chávez mudou  dezesseis ministros em menos de um mês  diz o suficiente do tamanho da crise, sobretudo porque as alterações incluíram o vice-presidente e o Ministro da Defesa. O mais desconsertante, porém, são os giros de 180 graus do presidente que ora ameaça avançar na política de estatização, ora parece  cortejar o capital externo convidado-o a  investir no País. De  forma análoga,  ora ele ameaça ora afaga setores da classe média.
Dois fatos recentes acentuam ainda mais as posições contraditórias: a recusa  de receber um suprimento de energia habilmente oferecido por seu vizinho e desafeto,  o presidente Uribe da Colômbia e, simultaneamente, a denúncia de que ele estaria tentando, por vias oficiosas, uma  reaproximação  com o presidente Obama.
Eu arriscaria dizer que boa parte destes movimentos contraditórios pode ser explicada por uma manobra ousada que consiste em ceder punhados importantes de seu governo e de seu poder pessoal para  setores revolucionários mais radicais, obtendo, com isso, aval para realizar uma política de distensão interna e externa, necessária para garantir bons  resultados eleitorais  nas eleições presidenciais do  próximo ano. Pode-se dizer, com outras palavras, que o núcleo do pode revolucionário (Exército aí incluído) deslocou-se mais para a esquerda, liberando  o presidente para ações menos revolucionárias e mais compatíveis com as necessidades eleitorais.
A inflexão à esquerda ficou nítida há  quinze dias, com a posse do  novo vice-presidente, Elias Jaua, um jovem bem mais radical que seu antecessor e do  ministro da Defesa, general Mata Figuera que  no discurso de posse foi logo dizendo que  o movimento bolivariano  é irreversível. “No hay otro camino  sino el revolucionário”, para usar suas exatas palavras.
Quanto à oblíqua aproximação com Obama, vou me servir de um texto   postado no Twitter por Roger Michelena, um cidadão venezuelano que  merece todo o meu crédito:
“La Chevron es una de las cuatro mayores empresas petroleras a nivel mundial. En su currículum está el haber apoyado a los fascistas españoles durante la guerra civil, haber hecho sustanciales negocios con los nazis, financiar conflictos armados en África, una destrucción ambiental de proporciones espantosas en Ecuador… No es casual que Chávez le haya pedido a los emisarios de la Chevron que intercedan ante Obama para que este visite la Faja del Orinoco”. (o principal rio venezuelano)

14-02-10

Ciro não será governador nem presidente, mas,
se quiser, poderá ser o super-ministro de Dilma

A mídia nefasta e americanófila não sabe mais o que fazer com Ciro Gomes. Ora o ataca, quando supõe que ele poderá ser candidato ao governo de São Paulo, o que prejudica os tucanos, ora o defende e o instiga quando imagina que ele  poderia ser candidato à presidência e, neste caso, prejudicaria Dilma.
O curioso  é verificar  que, de tanto mentir e distorcer a notícia – traindo, assim, a confiança elementar de seus leitores -, os profissionais dos grandes jornais acabaram emburrecendo com o próprio veneno e não percebem ( Mas não percebem!) que, exceto no Nordeste e mais especificamente no Ceará, Ciro retira muito mais votos de  Serra do que de Dilma. E vou explicar pela  milésima e última vez que  este fenômeno acontece pela  boa razão de que Ciro e Serra, disputam a mesma clientela eleitoral, a da classe média.
As pesquisas mais recente demonstram isso claramente: nas alternativas  (perguntas) em que não é apresentado o nome de Ciro, aumenta a vantagem de Serra sobre Dilma.
Então, perguntará o leitor mais  atento: Por que é que Lula  não quer que Ciro seja candidato à presidência? Porque, respondo eu, o presidente e seus estrategistas (sejam lá eles quem forem)  estão convencidos – em função da  velocidade com que  Serra cai e Dilma sobe -, de que a candidata não perde mais para o paulista e  há até a possibilidade (muito remota é claro) de que ela vença no primeiro turno. Entretanto, para que este futuro risonho se materialize, é fundamental que a estratégia central do projeto oficial não sofra desvios importantes.
Esta estratégia, como é sabido, foi montada em cima  da disputa ideológica e  plebiscitária. De um lado, “nós lulistas-getulistas, nacionalistas e progressistas; do outro, os  neoliberais lacerdistas”. A candidatura Ciro tumultua, levanta areia  do fundo do rio e não permite que se tenha a visão cristalina desta posição radical das duas forças em confronto. Se for perdido este dualismo essencial, pode  haver dispersão do eleitorado e  outras candidaturas  como a do próprio Ciro e até a da Marina podem crescer. Neste cenário, as chances de Serra continuariam pequenas, mas o Planalto já  não teria a situação sob seu estrito controle. É neste sentido que as eleições chilenas serviram de alerta.
Ciro perdeu a oportunidade de ser candidato ao governo de São Paulo com alguma chance, quando chegou a contar com a submissão do PT local à vontade presidencial (quase disse imperial) de que o partido fosse, pela primeira vez, coadjuvante numa eleição para o Palácio dos Bandeirantes. Em política há o momento psicológico ideal para que se realize determinada jogada. Quando isto não é feito, fica difícil remontar as mesmas circunstâncias.
De qualquer forma a imprensa obtusa apostou mal na possibilidade de Ciro agastar-se com Lula. O eclético socialista pode ter o pavio curto, mas ainda não está rasgando dinheiro. A prova disso é a de que, quando  Fernando Henrique saiu em campo, na semana passada, para tentar salvar a candidatura de Serra, Ciro foi lacônico e preciso: “O que ele tem é inveja do Lula”. Frases simples como esta, podem render um bom ministério no futuro.
Sobre o mesmo assunto, veja matéria logo aí abaixo.

12-02-10

Bartolomeu Mitre, Carlos Lacerda,
FHC e o hiper-pilantra Montenegro

Um dia ainda hei de contar neste blog a história completa de Bartolomeu Mitre, um dos fundadores do pensamento liberal argentino. Jornalista, historiador e político (qualquer semelhança com o Lacerda não é mera coincidência) ele uniu-se às potências européias e ao poderoso exército do Império Brasileiro para  derrubar, em 1852, o fundador da República Argentina, general Juan Manoel de Rosas, a quem acusavam de  tirania.
Só não o acusavam também de populista, porque, este conceito ainda não havia sido burilado pelos marxistas, nesta época. Quanto ao poderoso exército do Império, ele era constituído de  quatorze mil negros escravos, comandados por duzentos e cinqüenta oficiais afrancesados.
Com a derrota de Rosas, a Argentina, primeiro com Mitre, depois com Domingo Faustino Sarmiento, subordina-se de forma estratégica ao Brasil escravagista, numa aliança que conduziria, em seguida, à  Guerra do Paraguai, nome oficial do massacre quase total do povo guarani.
Quanto a Mitre, os brasileiros  ficaram-lhe tão gratos que até colocaram seu nome num dos  principais marcos urbanos do Leblon, um dos  bairros mais aprazíveis do mundo, até os anos 60. Nesta década, o governador Carlos  Lacerda, um liberal  aliado estruturalmente  à maior potência do Planeta, decidiu liberar o gabarito do bairro (quatro andares) que em pouco tempo foi literalmente  destruído pela especulação.
Agora veja o querido leitor com que arte e graça eu juntei estes dois importantes nomes da história do liberalismo no Continente, Mitre e Lacerda,  para culminar com a  síntese perfeita de ambos: Fernando Henrique Cardoso.
Como expoente máximo do liberalismo brasileiro, desde o dia em que decidiu  esquecer  e  exigiu que todos esquecessem o que um dia escrevera e como fiador da aliança  estrutural entre os liberais  brasileiros e o capital  financeiro internacional, FHC apresentou-se esta semana, através de artigo supervalorizado pela mídia, como tábua de salvação da  combalida candidatura de Serra à presidência.
Tudo consiste em tentar  substituir a bipolarização ideológica  entre o lulismo/getulismo representado por Dilma Rousseff e o discurso neoliberal falido que  impregna a candidatura de José Serra. A idéia era substituir  as idéias por  simples números comparativos entre os governos de Fernando Henrique e Lula, fazendo com que a discussão ideológica passasse  para um segundo plano.
O Globo, sempre preparado para participar de uma boa tramóia, entrou de cabeça no negócio e há uma semana só pauta e dá manchetes  com matérias que induzam à comparação meramente numérica dos dois governos. E até o brilhante Chico Caruso, deixou-se levar pela farsa  e também ele , há uma semana, repete a charge em que  aparecem lutando Lula e  FHC, como se ambos tivessem o mesmo tamanho e peso eleitoral, o que é um disparate: Lula possui  80 por cento de aprovação e Fernando  45 por cento de rejeição, aquele em quem “não voto de jeito nenhum”.
Mas não é só isto. Para dar certo, esta  estratégia teria ainda que  estar articulada com a tese de que “Lula já esgotou sua capacidade de transferir votos para Dilma” uma evidente bobagem (ver matéria do dia 8 logo aí embaixo) que o super picareta Carlos Augusto Montenegro encarregou-se de difundir no mesmo dia em que FHC publicava seu artigo.
Como camelô rasteiro e barato, Montenegro não vacilou em colocar em risco  seu nome que vale pouco como também o do seu IBPOP que, afinal, ainda tem boa clientela. O que espanta é que  Serra  e os altos dirigentes do PSDB tenham acreditado  que tão espantosa esparrela pudesse dar certo. Enfim, quando bate o desespero a gente começa a acredita em qualquer coisa.

9-02-10

O Brasil pequeno e o pacto estrutural
da mídia com um certo neoliberalismo

 Quem tem o ensino elementar completo ou até quem não tem, sabe que  as elites brasileiras são muito menores que o povo em todos os sentidos. Esta pequenez se expressa  tradicionalmente na  negação do popular genuíno e  dos feitos do próprio País como um todo. Ainda agora, me divirto vendo a dificuldade   da nossa mídia em aceitar  fatos elementares, à vista de todos, como o de que o Brasil    passou a ser, nos últimos cinco anos, protagonista da cena mundial e a disputar com os Estado Unidos a hegemonia continental, com foco especial para a América do Sul, onde levamos nítida   vantagem.
Sempre que pode, a mídia torce contra, procura dizer que “ainda  não estamos com esta bola toda” que seria mais prudente persistirmos na  conduta sensata do alinhamento automático, a cooperação com o Departamento de Estado, ponto culminante da  política externa de FHC.
Há, enfim, uma tendência generalizada no sentido de menosprezar nossos feitos e nosso potencial. E tudo que não atenda aos interesses estratégicos  globais dos EUA é apontado como populismo barato, mania de grandeza ou  temeridade. Nas revista luxuosas, reluzentes e vazias, bem como nos jornalões  pesados, desinformados e decadentes, pontificam os beletristas de sempre: Augusto Nunes, Diogo Mainardi, José  Nêumanne Pinto e Merval Pereira, sem falar  em Jabor, o bobo da Corte Global e o principiante  ainda desajeitado Nelsinho Motta.
Mas se quisermos  reduzir  o pensamento total de  toda esta  gente, basta citar o título do livro que um colega nosso, tuiteiro  acaba de lançar com estardalhaço na mídia: “Máximas de um País Mínimo”. Eles não  percebem, coitados, que são o mínimo de um País que  será o máximo assim que deixar de carregá-los nas costas.
Ontem, comentei aqui que Carlos Augusto Montenegro, o homem do IBOP, é mestre na manipulação de dados, desde os tempos  em que associado à Globo, tentou em 82, roubar literalmente uma eleição ganha pelo Brizola. E volto a falar dele para dizer  que suas manipulações só alcançam algum sucesso porque ele age mancomunado com a mídia. Aliás este artigo sobre o Montenegro, foi reproduzido pelo Blog do Atheneu, cujos titulares esqueceram-se de  dar o devido crédito.
O importante, porém, é  registrar que a vetusta mídia  brasileira não vacila em associar-se no crime com o pilantra Montenegro,  porque ela está presa a um pacto estrutural  com a teoria neoliberal. Teoria esta que vive seus dias finais, desde que começou a ruir com a eclosão da Grande Crise Norteamericana de Setembro de 2008.
Sem vontade e capacidade para reciclar-se, a mídia  prefere teimar. Ocorre, e este é o X do problema, que o que está por trás deste  pacto neoliberal é a submissão desta mesma mídia ao Capital Financeiro Internacional. Capital bandido, sem compromisso com a produção e que só acumula promovendo bolhas especulativas numa ponta e exclusão social na outra. Exclusão esta que tem o apelido técnico de “desemprego estrutural”, o descarte definitivo do trabalhador.

8-02-10

A pilantragem e o analfabetismo
político de um certo Montenegro

 Manipulador e inidôneo, Carlos Augusto Montenegro é o mais esperto homem de pesquisas do Brasil. Com seu IBOP a tiracolo ele fatura alto junto às empresas e intromete-se nos desvãos do poder para meter-se em altos negócios. Entretanto creio que nas suas relações com  o poderosos o que conta mesmo para ele é esta coisa incomensurável de  simplesmente estar convivendo com cabeças coroadas. Isto, muitas, vezes  é a razão da  existência para um rapaz de origem humilde.
Disto extraio que o Homem do IBOP não  tem  o objeto apenas  financeiro como  motivação para suas manipulações. Ele gosta de viciar o ambiente por onde transita, porque no fundo  odeia os narizes empinados que  freqüenta. E esta é uma morbidez comum  a muitos rapazes de  origem humilde que “chegaram lá”. Outro, muito parecido, é o Roberto Jefferson.
Entretanto, nosso rapaz é esperto, bem sucedido, porém ignorante. Não tem verniz suficiente para entender, por exemplo, que  se Dilma Rousseff chegar à presidência, não será  apenas porque  o presidente Lula conseguiu  transferir para ela tantos ou quantos  votos, mas porque soube encarnar um discurso adequado para as circunstâncias. Circunstâncias estas que exigem um estado mais bem aparelhado (forte, enfim) para corrigir as esquizofrenias  cíclicas  de um Mercado que, solto,  age como o animal que é  na sua essência.
Então, nos vem o Montenegro com sua conversa fiada de que Lula chegou ao teto de sua capacidade de transferência de votos para a candidata. Isto poderia ser verdade  se o presidente estivesse tentando eleger um poste. Mas não se trata disso. Trata-se de uma eleição já fortemente demarcada pelo conteúdo ideológico dos candidatos. De um  lado o lulismo que não é apenas o prestígio pessoal do presidente, mas  um projeto   intuitivo (vá lá) de valorização dos setores mais populares  e  do País como  um todo, do seu amor próprio. Amor próprio se transfere?  Já vimos,  há muitas décadas, um fenômeno análogo, o do getulismo que transcendia a  figura do velho caudilho: de um lado os getulistas, do outros os retrógrados e anti-nacionais.
O rapaz do IBOP deveria considerar que o que já atingiu o teto, foi a  capacidade de o Serra e a tucanagem obterem votos sendo retrógrados e anti-nacionais.

X – X – X

Mudando um pouco de assunto quero lembrar aos analfabetos políticos do Globo  e da CBN que não adianta bater na tecla de que  Aécio ainda pode vir a ser o vice de Serra. Existem  trinta razões para que isto não aconteça. Mas três são determinantes: o Aécio não gosta do Serra, o Aécio não gosta do Serra e o Aécio  não gosta do Serra.

Leia mais sobre estes temas na coluna Para Entender a Crise.

2-02-10

O PMDB aceita tudo, até o Meirelles,
só não aceita  ficar longe  da caneta

 Está-se criando uma falsa discussão em torno do Henrique Meirelles que, do ponto de vista estratégico, é  a melhor solução para compor a chapa de Dilma Rousseff, como candidato a vice. Sobre esta questão estratégica  falaremos logo mais adiante.    Primeiro, estudemos a hipótese levantada, parece que pelo Gaspari, de que a cúpula (?) do PMDB não engoliria de jeito nenhum o nome do presidente do  Banco Central.
Então, vejamos que PMDB é este e que cúpula é esta. Como dissemos neste blog  na semana passada, o PMDB na realidade são três, todos fisiológicos: a– o dos senadores cuja  maioria  é  manobrada por Sarney e  por Calheiros e que pensa no logo prazo, na manutenção das fatias já conquistadas do poder: b- o dos deputados (leia-se  BaixoClero), cujos corações e mentes estão focados exclusivamente  na oportunidade de faturar alto nestas eleições, e c– o dos governadores e  líderes estaduais que topam  qualquer negócio para não perder terreno em suas capitanias, sendo, portanto, irrelevante o nome do vice de Dilma. Nesta última categoria situam-se os éticos, como Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos que  não vacilam em trocar alianças com o PSDB da Yeda Crucius ou o DEM do Arruda e do Marco Maciel. E não  nos esqueçamos do Quércia, o insaciável, que  não largará de Serra,  enquanto  não arrancar dele a última pepita.
Então, que PMDB é este, um partido que aceita em seus quadros  o Delfim, o Colasuonno e o Tuma (este último  não se filiou porque não quis)? Que PMDB é este  que não se oporia à candidatura de Meirelles  ao governo de Goiás, mas  repentinamente não  aceita o nome do banqueiraço para compor a chapa com Dilma?
Sabemos que  regatear e fazer-se  de difícil,  faz parte do currículo desta carreira  tida com as mais antiga do mundo, a dos políticos profissionais. Sendo assim, alguém consegue imaginar que, com a Dilma em ascensão, com risco de eleger-se no primeiro turno, lá pelo final do semestre – quando as coisas realmente se decidem nas convenções partidárias-,  o ínclito PMDB dirá para Lula  que prefere ficar fora a aceitar o Meirelles? Fala sério!
Fiquei devendo a questão  estratégica:  Dilma, porque estes temas estão na moda e porque são consentâneos com sua origem brizolista,  vai levar para os palanques um discurso moderadamente nacionalista e estatizante. Isto faz parte do projeto de  marcar posições ideológicas para bipolarizar  a campanha. Sendo assim, é preciso  tranqüilizar o Mercado e seus ouriçados investidores. Neste sentido, Meirelles é o cala-boca ideal. Melhor que ele só o Delfim. Aliás, por que  não encaixar o Delfim como vice?

1-02-10

Com uma semana de atraso, Noblat rende-se à verdade

 Pela pesquisa Sensus  que confirma, hoje,  a Vox Populi da semana passada, a diferença  de Serra para Dilma cai para  sete por cento.  E ambos estão empatados, na casa dos nove por cento, na chamada “espontânea”, quando não se oferece nenhum nome ao entrevistado.

 Levou uma semana, mas o  esperto colunista do Globo, Ricardo Noblat  foi obrigado a  dizer a seus incautos leitores algumas verdades simples que  já tinham vazado por fontes alternativas de informação, como este blog, por exemplo, entre muitos outros. A saber:
A última  pesquisa  Vox Populi que os grandes jornais, da forma mais acanalhada, esconderam a sete  chaves, revela  a  queda forte de Serra e a ascensão de Dilma. Porém, e este é o fato importante, mostram com nitidez que, como venho dizendo há meses, Ciro retira muito mais votos de Serra do que  de Dilma (ver matéria abaixo). Isto pela  boa razão de que ambos, no Centro-Sul do País, disputam terreno na mesma praia eleitoral, a da classe média. E disto decorre,  como também já dissemos várias  vezes, que Ciro é útil ao esquema governista  tanto como candidato à presidência, como ao governo de São Paulo.
Há  alguns meses, Lula pensava que Ciro candidato a presidente  era útil para evitar uma eventual vitória de  Serra no primeiro turno. Agora, ao contrário, ele prefere ver seu versátil amigo cearense  disputando o governo de São Paulo, para evitar que o tucano  Geraldo  Alckmin vença no primeiro turno.
Mas vejam o malabarismo que o Noblat  faz, coitado, para  revelar estas verdades simples que , por lealdade  ao patrão,  ocultou durante sete dias, Eis as últimas linhas, melancólicas, de sua coluna de hoje no Globo:
“Lula parece convencido de que a eleição acabará liquidada no primeiro turno com vitória de Dilma. Tem motivos para pensar assim. Um deles: o fato de Aécio Neves (PSDB) governador de Minas Gerais, recusar o lugar de vice na chapa de  Serra. Outro motivo: pesquisa recentes  encomendadas por bancos registram a queda da vantagem de Serra sobre Dilma. Ela ficou abaixo dos dez pontos percentuais”
Estas “pesquisa recentes” são as  da Sensus que confirmam as da Vox Populi que divulgamos há dois dias  neste blog (ver matéria abaixo) e que o Globo, calhorda como sempre, fez seus profissionais sonegarem dos leitores. Veja também matéria  na Coluna  Pérolas & Pílulas.

30-01-10

Lula quer dizer a Ciro que não veta
sua candidatura, apenas não a deseja

 Ciro Gomes que acaba de retornar da Europa já  recebeu recado de assessor direto do presidente  dizendo que Lula quer falar pessoalmente com ele. A preocupação do Planalto é com a forma como foram reveladas (ver, logo abaixo, matéria de ontem) as conversações entre  o chefe do governo e o governador  pernambucano, Eduardo Campos.
Lula quer esclarecer que não houve, no jantar com  Campos, qualquer veto a qualquer pretensão de Ciro. Tudo teria sido apenas “uma análise de conjuntura”, quando o próprio governador admitiu que sem o apoio federal a candidatura de Ciro à presidência  seria inviável. As razões desta inviabilidade: escassez de tempo  na TV, precariedade da máquina (PSB) e, principalmente, falta  de simpatia (e obviamente apoio) por parte de Lula. Como também é óbvio, esta “analise de conjuntura” corresponde ao sepultamento das aspirações presidenciais de Ciro.
O presidente detesta perder amigos e adora tentar convencer  as pessoas de que  as coisas não são o que parecem. Muitas vezes, as pessoas, por educação, dão-se  por convencidas e, por sua vez,  Lula crê que realmente as convenceu. Assim, se  houver  a conversa Lula e Ciro, é provável que , para rodear, eles falem muito sobre a necessidade de parar de fumar. Ciro deixou o vício recentemente. Ao final, constatarão que continuam amigos. “Assim é se assim lhe parece”, ensinava Pirandello.

Pesquisas

 E o que é que os grandes jornais falaram sobre a última pesquisa Vox Populi? Absolutamente nada. Mas que gentinha mais ordinária é essa?
Mas nem o professor Noblat que gosta tanto de comentar  pesquisas? O que é isto minha gente!
Tudo bem. De uma forma ou de outra, ficamos sabendo que e o Serra despencou definitivamente, escorregando dos 39% de dezembro para  34% agora. E Dilma sobe,  no mesmo período, de 18% para 27%. Mais ou menos como o esperado.
Contudo, o que eu queria chamar atenção é para  os seguintes números: na simulação da eleição com Ciro na disputa,  Serra cai, como vimos, de 39 para 34 ( cinco pontos).  Já na  simulação sem Ciro, ele cai de 46% para 38% (oito pontos). Cai mais, portanto. Para Dilma, ocorre o inverso. Ela sobe – com Ciro – de 18% para  27% ( nove pontos). E, sem Ciro,  ela sobe  de 21% para 29% (oito pontos). Sobe menos, portanto.
Isto prova, mais uma vez, o que temos dito há meses neste blog: Ciro retira mais votos de Serra do que de Dilma. Portanto,  ele  ajuda o esquema governista, tanto como candidato à presidência,  quanto se for candidato ao governo de São  Paulo. A escolher.
O curioso é que  profissionais analistas da “grande” mídia só agora começam a se dar conta disso. E até o Ipob Montenegro, o maior  manipulador de pesquisas deste país, já passou estas informações para seus clientes tucanos.
Resta dizer que esta midiazinha brasileira, tão escancaradamente mentirosa e omissa, não está em condições de dar aula de democracia e de liberdade de expressão para quem quer que seja, nem para o Chávez.

29-01-10

Ciro será candidato a governador  de SP ou
à presidência, conforme o interesse de Lula

 Quem é do ramo sabe que Ciro tira mais votos de Serra do que de Dilma.

 Não fosse a crise de hipertensão que  viria logo depois, o presidente Lula só teria boas recordações do jantar, quarta-feira, com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Ali ficou acertado que Ciro Gomes, filiado ao PSB, do qual Campos é presidente, deverá ser  candidato ao governo  de São Paulo, se isto for conveniente  à  candidatura  presidencial de Dilma.
Em algum momento Lula  chegou a imaginar que  Ciro poderia ser útil também como candidato à presidência. Mas isto foi há três meses. Agora, como as candidataras devem  estar lançadas até março, o presidente  decidiu  que prefere ver Ciro disputado a eleição  contra Geraldo Alckmin, na terra de Serra.
Todo isto porque Lula, Campos e o próprio Ciro sabem que este último tem a melhor parte de sua clientela eleitoral exatamente onde  Serra também garimpa seus votos: a classe média. Só os  especialistas do Globo ( Noblat à frente) não sabem disso ou, por dever de oficio, fingem não saber.
É claro que Ciro, um homem de  personalidade forte, segundo consta, poderá não aceitar  ser  o adversário de Alckmin, seu conterrâneo de Pindamonhangaba (é curiosa a vocação de certas cidades). Neste caso, terá que se contentar com sua candidatura a deputado federal por São Paulo, já que, ano passado, fez a gracinha de  transferir seu título para lá.
Em suma como  meus leitores de boa memória (e todos a têm) são testemunhas, há dois meses  escrevi aqui deste  humilde blog que  era preciso prestar atenção no emergente governador Eduardo Campos. Jovem e arrojado ele administra com  competência a herança política de Miguel Arraes e foi o pivô da  crise  do pré-sal no Congresso, onde consegui mobilizar  quase todas as  bancadas estaduais contra a pretensão do governador do Rio, Sérgio Cabral, que  não aceita ser menos que o único sheik do petróleo brasileiro. Neste mesmo artigo dizíamos que Campos era dono do destino de Ciro Gomes. Pois este destino foi oferecido ao presidente Lula, na bandeja, durante o jantar de quarta-feira.
Meu velho amigo Tão Gomes Pinto, que também não me deixa mentir, gostou  tanto deste bendito artigo que, depois de  elogiá-lo  no Twitter, ainda o editou em seu blog, o que muito me honrou.

25-01-10

Agora Ciro já admite conversar sobre o governo de S. Paulo

 Mudam as nuvens no céu e muda a política cá embaixo, às vez de repente. Agora  Ciro Gomes, o eclético cearense de Pindamonhangaba, já aceita conversar sobre sua candidatura  ao governo de São Paulo.
As razões ou hipóteses para esta mudança de atitude, são três a– pode ser apenas mais um blefe, destes comuns na política, aplicados  para aturdir o adversário ou  pelo simples gosto lúdico de blefar: b- Ciro ficou acabrunhado com as últimas pesquisas que mostram a ascensão de Dilma e  sua estabilização (dele Ciro) com tendência de queda, a indicar que  já está ocorrendo a  tão propalada bipolarização na corrida presidencial, no fundo desejada por Lula e por Serra, e c- como a candidatura de Serra já está nas ruas ou seja, já é irreversível embora não anunciada, Ciro fica, simultaneamente, mais fraco como candidato à presidência e mais forte como candidato a governador.
A mídia confunde as coisas ao informar que a direçãodo PT insiste para que Ciro seja candidato a governador, por temer  a divisão do campo situacionista, como aconteceu no Chile. Ou seja, não quer vê-lo concorrendo à presidência. Esta é uma  parte, a menor, da verdade. O que ocorre é que Ciro é o candidato que o PT não tem para enfrentar o tucano Alckmin, franco favorito, em São Paulo. E agora, a outra parte, a maior, da verdade: Ciro disputa, rigorosamente o mesmo perfil de eleitor perseguido pelos tucanos. Então,   a maioria dos votos obtidos por ele são subtraídos, conforme o caso, de Serra, na corrida presidencial ou de Alckmin, na disputa estadual.
Em suma, o socialista de origem tucana, é útil tanto num caso como no outro . Comparar com a situação do Chile é bobagem, porque lá o candidato vitorioso da Direita,  Sebasstián Piñera, mantinha uma estúpida vantagem, já no primeiro turno, sobre  Eduardo Frei, o candidato, situacionista mais bem votado. Não há possibilidade  de que  isto se repita no Brasil, primeiro porque, como vimos, Ciro divide mais o voto tucano do que o voto do lulismo; segundo, porque já há a bipolarização, como também já vimos.
Então, o que temos é que neste momento, Ciro  é considerado muito mais útil como candidato a governador de São Paulo, o verdadeiro calcanhar  de Aquiles do lulismo. No jargão da velha esquerda, a burguesia  paulista (incluídos aí os emergentes  recém chegados ao consumismo no volante de um carro usado) é, de longe, a mais reacionária do País. Para não ver um “comuno-populista” no governo, ela vota em qualquer coisa, do Jânio a Schwarzenneger, passando por Maluf. É claro que há, incrustada, na classe média paulista, uma forte tendência esquerdista. Mas ela é minoritária e, de qualquer foram, já não ia mesmo votar no Ciro, Se  deixar de  acompanhar  Dilma, será para apoiar  Marina ou  Plínio de Arruda Sampaio.
Enfim, estamos aqui falando e falando de Ciro, mas ele mesmo ainda não disse  nada. Só avisou, por uma assessor, que aceita conversar sobre qualquer hipótese. Enquanto isto, continua flanando pela Europa. Parece que ontem ele passou  por Lausanne (Suíça), a caminho de Paris. Concluir que este eterno viajante pode dividir as esquerdas, só se for na cabeça do Noblat , o desinformado ou do Merval Pereira, o maquiavélico.

21-01-10

Para não dizer que não falei de canhões
Parte II


No artigo de ontem que o amigo lerá logo aí abaixo deste, prometi que abordaria  hoje o modo pelo qual a mídia tem tratado a questão da anistia e da tortura, fazendo, maliciosamente, com que  torturadores e torturados sejam vistos como equivalentes. Vamos  cumprir o prometido, porém no próximo artigo porque, antes, é necessário eliminar um mal entendido, para que ele não se transforme num qüiproquó. Então:
É preciso que fique absolutamente claro que as Forças Armadas, de hoje e de ontem, em seu conjunto, como instituição, não podem ser  responsabilizadas pelos crimes de tortura cometidos por elementos doentios.
A generalização só interessa aos pescadores de águas turvas  (como nossa mídia medíocre e intrigante) bem como aos próprios torturadores que tentam se esconder por de trás da honra da instituição.
Nossa Forças Armadas, e para simplificar fiquemos apenas com o exemplo do Exército, não só hoje, como ao longo de sua história  sempre estiverem sintonizadas com os legítimos anseios  do povo brasileiros, pela boa razão de que, ao contrário do que ocorre  em outros cantos, inclusive em países vizinhos, nossos militares jamais se permitiram constituir como uma casta incrustada na sociedade.
Como toda instituição que recolhe seus elementos  nas mais diferentes  esferas da Nação, o Exército, de certa forma, pode ser considerado como espelho desta mesma sociedade, que, como é óbvio, é heterogenia e plasmada com  diversas tonalidades.
Num sumaríssimo levantamento histórico  para que o raciocínio se complete no curto espaço deste artigo, podemos apontar, como principais, os seguintes matizes ideológicos encontradiços  no Exército, nos últimos 80 anos:
A tendência  autoritária  de tonalidade fascista  de  que  é exemplo Olímpio Mourão Filho.
A tendência genuinamente democrática e legalista  que tem como exemplos  Henrique Teixeira Lott,  Jair Dantas Ribeiro e   Pery Bevilaqua.
A tendênciai nacionalista da mais fervorosa  à apenas moderada  onde se encaixam  Estilac Leal,  Albuquerque Lima e Ernesto Geisel
A tendência socialista ou  marxista, onde se notabilizaram Luiz Carlos Prestes,  Agildo Barata Ribeiro  e Carlos Lamarca.
Como se vê, tudo o que há na  sociedade brasileira, pode ser encontrado, nas  devidas proporções,  dentro do Exército. Se conseguirmos ver deste modo, fica mais  fácil eliminar preconceitos e ódios passadistas  ou injustificados. Eu pessoalmente  tenho o maior orgulho de nosso Exército. Me  emociono como criança durante seus desfiles e me comovo com o sincero esforço que todos os seus quadros tem feito, desde a redemocratização, para enquadra-se  de forma  profissionalmente  exemplar e com honra  na suprema hierarquia nacional, cujo poder emana do povo.
Tudo isto para voltarmos à questão central: a tortura seja ela praticada por bandidos da esquerda  do centro ou da direita, é um crime animalesco,  mundialmente reconhecido  como hediondo e imprescritível.

 20-01-10

Para não dizer que não falei de canhões
Parte I

 O crime de tortura é imprescritível para que ninguém jamais ouse cometê-lo

 Esta história da  “crise  militar” e da “reinterpretação da anistia”  começou  sendo mal contada pela  grande mídia e continua sendo utilizada com espírito de  intriga e fomento de  um certo mal estar  entre  os militares. Nos últimos dias ela foi como que abafada pelo noticiário  em torno da ação brasileira, principalmente militar, no Haiti. Mas, cedo ou tarde, o tema voltará à tona. Então, vamos tentar  esclarecer alguns tópicos básicos.
1- Não houve, no Brasil, uma anistia  recíproca que é aquela que ocorre quando duas facções em luta sentam-se à mesa, negociam e assinam um trato.
2- O que houve foi uma  esperta  auto-exclusão por parte dos comandantes militares que sustentavam a Ditadura. Como não foram derrubados, mas, prudentemente, foram se retirando aos poucos, de forma “lenta, gradual e segura”, quando houve o desenlace a coisa já estava tão frouxa que até o Sarney animou-se a desgrudar da japona verde-oliva à qual se atracara como craca de navio e aceitou ser vice de Tancredo, o homem que enterraria definitivamente o Sistema, usando matreiramente  o principal instrumento “pacífico” deste, a eleição indireta.
3- São situações evidentemente sui generis, o que faz com que a “anistia” de  Figueiredo (previamente desenhada por Geisel) seja  igualmente diferenciada e difícil de ser enquadrada nos compêndios jurídicos e constitucionais. Ocorre que ela  (a anistia) não é só isto. Ela é também um episódio histórico, político e sociológico.
4- Então, do ponto de vista histórico, podemos dizer que ela é uma página ainda não virada. Não por que as esquerdas, boa parte dos juristas e eu não queríamos,  mas porque a História não quer. E ela é senhora de seu destino. Politicamente a  questão pode ser levada em banho-maria, mas até quando? Sociologicamente é o que veremos a seguir.
5- Em primeiro lugar é preciso dizer que etimologicamente a anistia aproxima-se mais do esquecimento, porque divide  sua raiz latina com a palavra amnésia. Vista assim, ela afasta-se de seu outro significado, o do perdão. O esquecimento é um ato    sobre o qual não temos  controle absoluto. Já o perdão é um ato de vontade explicita.
6- Diante disso, pergunta-se: a sociedade brasileira está disposta a perdoar a tortura e os torturadores?  Creio que não. Como creio, também, que esta página da História só será virada quando estes crimes e seus praticantes forem admitidos e expostos como tais. Quanto ao julgamento e eventual punição, isto compete soberanamente à sociedade e à suas leis.
Amanhã discutiremos a questão  de como a mídia mistura deliberadamente as coisas, pretendendo, através de um maniqueísmo precário, estabelecer uma absurda equivalência entre torturadores e torturados.

16-01-10

O Pagode Global bagunçô geral  

Vitimados pela realidade dos fatos, ninguém consegue mais dizer coisa com coisa na Aldeia Global. Há dois dias, como comentamos aqui nesta coluna (veja matéria logo abaixo desta), Merval Pereira reeditou o Samba do Crioulo Doido ao admoestar o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, gritando de dedo em riste: que história é esta de mudar a política econômica do Lula? O senhor está proibido de  tentar se posicionar  à esquerda do PT. Primeiro, porque isto não são modos para um menino de boa família e, segundo, porque o Dr. Marinho e eu não queremos.
Outros dois ditadores de regra globais, o Jabor e o Sardenberg, também já não sabem o que dizer. Jabor, de repente, descobriu que “há uma crise do Capitalismo” (o que será isto meu Deus!) e o outro só recentemente, parece que em Copenhague,  foi apresentado ao Impasse Ecológico. Até então, crendo fervorosamente na infinita sabedoria do Mercado, ele  nem de leve suspeitava que a manter-se o atual modo de produção e de consumo, será impossível evitar, não apenas o aquecimento global como, mais na frente,  uma catástrofe ambiental de  proporções, não por acaso, chinesas.
Finalmente a nossa  boa amiga, a indefectível Miriam Leitão exprimiu, ontem, em um parágrafo curto, toda a perplexidade (já no galope de transição para a alucinação) de todos os agentes globais. Eis o parágrafo, bem na abertura de sua coluna:
“O senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, disse que o partido não pretende, se for eleito, mudar metas de inflação, nem câmbio flutuante, nem autonomia do Banco Central. Isso parece a você o oposto do que ele disse à “Veja”? Também achei. Ele garante que os fundamentos da política econômica serão os mesmos, mas os pesos serão diferentes. Entendeu? Nem eu”.
Esta entrevista de Sérgio Guerra à Veja é o ponto alto da crise existencial em que estão mergulhados  os tucanos e sua mídia. Habituados durante décadas  a  espargir,   através do monopólio, de fato, das informações,  os axiomas implícitos, as verdades divinamente absolutas  dos paradigmas neoliberais, eles não estão psicologicamente  e menos ainda intelectualmente preparados para entender a crise eclodida em setembro de 2008 nos Estados Unidos e que é o prelúdio da erosão de todo o Sistema.
O Capital está-se tornado obsoleto como ditador de um certo modo de produção, primeiro, claramente, em função do Impasse Ecológico. Segundo, porque ele próprio está perdendo a capacidade de acumular, em função do vertiginoso desenvolvimento tecnológico. Esta é sua contradição central. Com a automação, ele expele mão-de-obra, única fonte de sua acumulação que é a apropriação do excedente de trabalho direto. Sem conhecimento elementar da teoria marxista, os economistas  burgueses ficam totalmente despreparados para andar neste terreno e não percebem que a introdução vertiginosa de novas tecnologias, além  de  ensejar  o drama social (desemprego estrutural) exaure, no seu interior, a própria  seiva e razão de ser do Capital.
Enfim, estes temas estão mais bem desenvolvidos numa fartura de artigos (na verdade trechos do meu livro) na coluna Para Entender a Crise, deste blog. Porém se você não tem saco para este tipo de leitura, confie em mim e vamos em frente.
O que se pode dizer, para concluir, é que aturdidos  pelos  fatos novos e novas idéias que dão nome, aliás, a este blog e que afloraram  da grande Crise  Norteamericana, tucanos e sua mídia ficaram sem discurso, sem programa e , por conta disso, sem eleitores. O primeiro a perceber tal calamidade foi  Aécio Neves que (mineiramente ou à francesa) já pulou para fora do barco. Agora, Serra e Guerra queimam as mufas na tentativa de  atualizar seus  próprios jeitos de pensar e de agir. Coisa difícil de se conseguir da noite para o dia.

Leia também a matéria de hoje na  coluna Última Hora.

 14-01-10

O Samba do Globo Doido

 De tanto falsear os fatos, a grande mídia perdeu, ela própria, a noção da realidade.

 Merval Pereira talvez não seja muito conhecido do grande público. Mas é ele quem dá o tom da linha editorial do jornalão dos Marinhos. Por isto eu o chamo de escriba-mor da Organização. Nada do que ele diz destoa  do que pensa o patrão. Sem o espalhafato do Bial que  chamava o Roberto Marinho de companheiro, Merval serve bem, mas procura não igualar-se ao chefe nem ofuscá-lo. É o escravo da casa perfeito. Ou era, coitado, porque o  naufrágio da nau neoliberal, a única  em que ele conseguia navegar, deu um nó em sua cabeça. E ele ficou, digamos, meio que de miolo mole.
Os primeiros sintomas surgiram recentemente em sua coluna diária na página 4  do Globo  onde ele  aos poucos foi deixando de  informar ou comentar o fato político para dizer  aos tucanos e  ao  próprio Serra, o que  deviam ou não deviam fazer para  derrotar a Dilma. Trata-se, creio, de uma obcecação.
Mas a moléstia declarou-se definitivamente, ontem, na Rádio CBN, onde  Merval  faz diariamente um comentário político informal (do tipo coloquial), durante  três ou quatro minutos. Indignado, ele passou uma descompostura no senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB e em toda a cúpula do Tucanato. Tudo por que, também desesperados, eles tem  anunciado,   nos últimos dias, que  a política econômica de Serra, será mais esquerdista (?) do que a de Dilma. E  até prometem  mexer no câmbio, como se o câmbio fixo  (valorizado) da dupla FHC-Malan não tivesse sido a causa  do brutal endividamento brasileiro no final dos aos 90.
Aliás, tenho dito  sempre que a mágica besta  desta dupla foi a de ter transformado, uma inflação galopante numa dívida galopante. Como em economia não há almoço grátis, eles tentaram saldar a dívida jogando os juros nas alturas – o que estancou o desenvolvimento – e através das privatizações a toda brida, o que praticamente desmontou o estado brasileiro. Mas isto  é outra história.
Voltemos ao  nosso bom Merval:
Ao passar a descompostura no Guerra  ele gritou: Isto está virando o Samba do Crioulo Doido. Onde já se viu! O PSDB sempre foi um partido de centro-esquerda (?) A esquerda já está ocupada pelo PT e outros partidos menores.
Aparentemente,  o escriba-mor deixa de entender o Mundo, quando as pessoas não fazem  exatamente o que ele e os Marinhos dizem que deve ser feito. Napoleão também era assim.
Enfim, eles são brancos, que se entendam. Nós aqui em nosso blog, eu e meus fiéis e assíduos leitores, temos comentado até em artigos recentes, que embora esquerdista na sua origem, a Social Democracia, foi derivando (no mundo todo) para a direita, até transformar-se num partido liberal ou, francamente conservador, a partir da hegemonização das teses  neoliberais, no final dos anos 80.
Vimos  também que no  Brasil, com Lula, o PT, sem desguarnecer a sua esquerda, ocupou o espaço deixado, ao centro, pelo PSDB. E fez isto abdicando da revolução, adotando uma política macroeconômica ortodoxa e transando de forma desenfreada com a maioria fisiológica do Congresso.
Isto posto, alguém precisa avisar o Merval, antes que uma internação seja inevitável, que  nem ele, nem o Globo, nem todo a  corrupta mídia brasileira tem o dom de mudar  o fato político ou estancar a marcha da História. Isto, pela boa razão  de que , ao contrário do que  supõem, a opinião por eles publicada passa muito longe da  verdadeira opinião pública.
Eles não percebem isto porque, de tanto distorcerem os fatos, acabam acreditando nas próprias distorções. Mas já  deviam ter ligado o desconfiômetro, quando deputados corruptos, medíocres e abusados  começaram a dizer, com toda a convicção, que se lixam para  a opinião pública, referindo-se , na verdade, à linha editorial dos jornais.
Mesmo sendo tão imbecis quanto ladrões, esses deputados  notaram a diferença entre a opinião pública que os  elege em seus rincões  e a opinião publicada pelos grandes jornais que apenas reflete os interesses de  seus proprietários, de sua classe e de seus associados.

8-1- 010

O Brasil pós-Lula
será ainda
o país do lulismo

Setores do PSDB, Aécio Neves  e do DEM, César Maia, procuram reciclar seus discursos,  na tentavida de adaptação à nova realidade.

 Quero reivindicar com todas as letras que, a bordo desde modesto blog, fui dos primeiros a usar a expressão lulismo não como algo que exprimisse apenas o conjunto de pessoas que simpatizam com o presidente, mas como um fenômeno político e social que expressa, neste inicio do século, um fenômeno análogo ao que o getulismo representou no pós-guerra do século passado.
Quem leu meu artigo de ontem sobre este mesmo tema e que pode ser encontrado logo aí abaixo deste, sabe – se concordou comigo – que o lulismo representa, hoje, uma força eleitoral tão imbatível, como o foi o getulismo de 60 anos atrás e em cuja onda JK elegeu-se, tendo Jango (o herdeiro político de Getúlio) como vice.
E vale lembrar que Juscelino elegeu-se “contra” São Paulo, então governado pelo populista conservador Jânio, o da vassoura, que garantiu, no Estado, uma enorme vantagem de votos para Juarez Távora, o candidato udenista. Não foi suficiente.
Mas tudo isto trata apenas da superfície eleitoral. O importante a destacar é que a vitória de JK representou um grande avanço, no sentido de que consagrou a noção de que o Brasil devia industrializa-se, se necessário via investimentos estatais diretos. E as grandes massas deveriam ser incorporadas ao processo político.
Os adversários, querendo ou não, acabaram representando o conservadorismo do Brasil essencialmente agrícola, contra o voto dos analfabetos e contra o monopólio estatal do petróleo. Mais do que isso, representavam o pais dos coitadinhos e do complexo de vira-lata. Parece brincadeira, mas o teóricos do conservadorismo de então defendiam, na imprensa e na academia, a noção de que a industrialização era um desserviço e que o País deveria dar enfase (especializar-se em nome da eficiência econômica) à exploração de seu potencial agro-pecuário.
Não é preciso enumerar aqui as analogias com a situação que vivemos hoje. Os defensores do país agrícola de ontem são os céticos de hoje em relação às nossas possibilidades de agirmos como protagonistas da cena mundial. Não simpatizo com a Isto É, mas sou obrigado a reproduzir aqui sua capa desta semana: “Yes nós somos potência”.

7-1-010

Se  quiser pode achar que a disputa
é entre Serra e Dilma, mas o há é uma
guerra entre a Direita e a Esquerda
Parte II

O grande mérito do presidente Lula foi a continuidade. Não houve ruptura na macroeconomia e nas políticas sociais. Houve continuidade e aprofundamento”.
Aécio Neves  

A mídia brasileira, esta incomensurável forja de de analfabetos políticos, acabou comendo do mesmo bolo envenenado que serve a seus leitores e tornou-se, ela própria, analfabeta, num curioso processo de interatividade. Vai daí que ela e os que se pautam por ela, não conseguem ver que não estão mais brigando com o PT e seu presidente Lula, o que já é algo indigesto, dada a popularidade do filho de Dona Lindu. Na verdade, o embate transferiu-se para o campo ideológico, porque no segundo Governo Lula emergiu um fato político-social que os intelectuais tucanos e seus epígonos na imprensa ainda não conseguiram distinguir No entanto, é um fenômeno simples que está aí à vita de todos: o lulismo.
O fenômeno é tão novo que até meu computador ainda não aceita a palavra. Problemas na atualização do dicionário, já que as coisas andam muito rapidamente hoje em dia. Seja como for, o lulismo extrapola do PT e do simples governismo. Ele incorpora, como definitivamente suas, largas faixas da população (sitadas sempre como presas fáceis do populismo) e que se estendem por enormes contingentes que vão desde setores excluídos do proletariado que os marxistas antigos chamavam de lupem até a chamada classe C/D que reúne os recém ingressos na sociedade de consumo que tem como porta de entrada as Casas Bahia. Estes novíssimos emergentes são filhos da retomada do desenvolvimento, conjugada com distribuição de renda – Bolsa Família, crédito mais frouxo e mais barato e aumento real do salário mínimo.
A História, é sempre bom insistir, não se repete, a não ser como farsa. Mas ela nos oferece analogias saborosas, como esta: o lulismo está para o tucanismo, assim como o getulismo estava para o udenismo. Esta é a desgraça eleitoral de Serra , a de entrar no páreo montado no Brigadeiro e não no Getúlio. E é esta a razão que faz com que Aécio (veja frase no cabeçalho da matéria) sonhe ser o líder de uma nova corrente que, sem deixar de ser conservadora, possa colaborar com o neo-gelulismo instalado no Poder. Essa mania ele a herdou de seu avô Tancredo (um dos mais leais colaboradores de Getúlio) que há vinte e cinco anos realizou a proeza de transformar uma eleição indireta numa apoteose popular.
Em todo o caso, inspirada em algumas teses recentes de antigos sociólogos tucanos, a mídia tem procurado, ao admitir o sucesso de Lula, limitar seus méritos ao de um simples continuador da obra de FHC. Não fica claro, já que é assim, porque durante sete anos Lula foi tão criticado por esta mesma mídia e estes mesmos sociólogos. É verdade que foi mantido o traço original da macroeconomia e a permanência de Meirelles, um tucano nato, no Banco Central acentua a tese do continuismo. Mas a parte mentirosa (e muito maior) da análise está na omissão de três fatores essenciais: a– a política externa brasileira – a mais competente e soberana desde Getúlio – e que rompeu definitivamente com o histórico alinhamento automático com a o Departamento de Estado Norteamericano, apanágio de FHC; b– Lula mandou para a lixeira o papo furado de Estado Mínimo e obediência irrestrita às “leis” do Mercado, e c– criou-se um política (irreversível) de cooperação com nossos vizinhos, fazendo surgir a UNASUL, algo que mesmo os intelectuais de esquerda ainda não visualizaram bem e destinada a transformar a América do Sul, ainda nesta década, no quarto maior pólo econômico do Planeta e o maior abaixo do Equador.

6-1-010

Se  quiser pode achar que a disputa
é entre Serra e Dilma, mas o há é uma
guerra entre a Direita e a Esquerda

Parte I

 O Globo e o que resta da intelectualidade neoliberal, aturdidos pela popularidade de Lula, tentam embaralhar as coisas, fazendo supor que o lulismo é mera continuação do tucanismo. A diferença seria  apenas de tonalidade.

É a treva! Uma das idiotices mais bem difundidas nestas três décadas de furor neoliberal foi a de que acabaram-se as ideologias. E até um brincalhão, o Francis Fukuiama, muito promovido pela mídia, chegou a cunhar a frase célebre: É o fim da História. Tudo bobagem: o que ele supunha ser o fim da História  é, na verdade, o início de uma fase que deve assinalar o fim da passagem do modo de produção capitalista por ela. Como assim?
Vamos por partes:
No fim dos anos 80, muito empolgados com a queda do Muro de Berlin e a derrocada do sistema soviético, os teóricos neoconservadores decretaram o fim da utilidade prática dos partidos de esquerda. Como não haveria mais nenhuma revolução a fazer, estes partidos  deveriam se limitar a uma política  assistencial – ou assistencialista, conforme o gosto. E o foi o que a maioria dos partidos social democratas, mundo afora, fizeram.
Ocorre que, ao contrário do que supõe a ingenuidade neoconservadora, a História, evidentemente, não tem fim, nem a luta de classes, pelo menos enquanto houve classes sociais O que há é uma mudança na composição destas classes e na característica do choque entre elas. Esta parte, as esquerdas tradicionais também não perceberam, tanto que continuam supondo que os dois personagens centrais do embate  ainda  são a burguesia e o proletariado, sem  notar que houve uma substancial mudança no  modo global de produção e na sociedade  terrestre que  esta deixando de ser  puramente industrial  e capitalista, para ser preponderantemente de serviços e pós capitalista. Mas este tema terá que ser mais bem explicado no próximo artigo.
Enfim, o enredo mais recente é do conhecimento de todos: com a eclosão da  Grande Crise Norteamericana de setembro de 2008, caiu o mundo  neoliberal. Todos, banqueiros à frente, correram para o colo do Estado. Que Estado? Eles não queriam que ficasse tudo por conta do Mercado? Bem, é a discussão que se reinstala. A velha e boa discussão ideológica. E é ela que vai pautar as eleições deste ano. Não  em função apenas da arte e da manha  de Lula  que  pretende transformar a eleição num plebiscito: segue o lulismo ou não? A discussão ideológica está de volta por que, assim como a  que da Muro de Berlin assinalou  a obsolescência do modelo  soviético, a espetacular explosão da bolha especulativa norteamericana assinala, não apenas o fim do modelito neoliberal, mas  principalmente, o ingresso do modo de produção capitalista em sua  fase crepuscular.

4-1-010

Marina: Não falem deste Serra perto de mim

A candidata verde ficou indignada diante do convite para  ser vice  na chapa presidencial do governador bandeirante.

Foi apenas uma sondagem, no jargão politiquês. Mas o suficiente para deixar  a candidata verde, Marina  Silva, vermelha de raiva. Para ela, o simples fato de admitir que poderia negociar sua candidatura a vice  na chapa de José Serra, mostra  a total insensibilidade e “falta de senso de realidade”  da direção do PV, partido ao qual ela se filiou recentemente, num movimento comandado pela raiva  e pela ambição, duas más conselheiras.
A raiva que ela alimenta até hoje, é a de sentir-se  traída e desprestigiada por Lula, seu velho companheiro de 30 anos de  luta. A ambição é um sentimento  menos deletério, desde que não seja desmedida, isto é, seja realizável. E a própria mídia incensou Marina  quando de sua saída do Ministério do Meio Ambiente, seguida do rompimento com o PT e a  filiação ao PV. Acreditava-se, na época, que isto equivalia a  um  torpedo disparado em direção ao centro do casco da nau governista. Não ocorreu nada disso. Como antecipamos há meses neste blog, Marina  subtrai votos do governo, só no Acre. No resto do País ela apenas divide o campo oposicionista, ou seja, tira votos do Serra.
A aqui voltamos ao inicio da história: por que Serra convidaria Marina para ser sua vice? E por que a cúpula do PV (leia-se Gabeira e Alfredo Sirkis) levou o recado  até  a indignada candidata?
Comecemos por Serra, o Bandeirante da Mooca: depois de passar um ano ignorando, até o limite da descortesia, os apelos de  seu colega  mineiro Aécio Neves (que queria ao menos ser ouvido na questão sucessória) Serra passou a cortejar   seu hoje desafeto, oferecendo-lhe mundos e fundos, até o limite da descompostura. A resposta de Aécio foi pior que o não. Foi o silêncio profundo.
Continuamos raciocinando com Serra: fora da chapa  puro sangue (com Aécio), a solução natural seria busca um vice no DEM , único partido com volume e status suficientes na ala oposicionista. Ocorre que com o catastrófico Escândalo do Arruda (que já estava escalado para  ser o vice do tucano), qualquer nome indicado por esta agremiação, não seria um vice, seria um peso insuportável. Foi quando ocorreu a idéia de “sondar” Marina. A resposta, este fim de semana, foi um sonoro não, acompanhado do argumento de que isto equivaleria a um “suicídio político”.
Agora vejamos pelo lado de Marina: aparentemente, tanto ela quanto  Gabeira e Sirkis já concluíram que a filiação ao PV e o lançamento informal da candidatara presidencial foi uma precipitação. Com o fim do  oba-oba  promovido  pela mídia serrista e com a “revelação”, em Copenhague, de que Lula e Dilma são ecologistas desde criança, Marina perdeu (para fins eleitorais) a exclusividade  desta bandeira. A outra, a  de propor  um lulismo “de mãos limpas”, ficou liminarmente comprometida   já na sua filiação ao PV,  presidido por Sarney Filho e cujos principais dirigentes comem na mão de César Maia no Rio e de Serra em São Paulo. Sem falar na facção que, inacreditavelmente, continua comendo na mão de Lula.
Em verdade a aliança de Marina já foi selada. Será com sua ex-companheira de PT, Heloisa Helena, presidente do PSOL. Com isto, a candidata verde não chega à presidência  mas, pelo menos, resgata a imagem de mulher  guerreia e honesta que é o que ela sempre foi.

Veja, na  coluna Última Hora, matéria de hoje (5-1) sobre o acerto de Serra com Itamar  Franco para compor a  chapa presidencial.

27-12-09

Um panetone que caiu do céu.

O que é a Política. Há três meses o Distrito Federal era considerado um reduto inexpugnável da Oposição. O prestigiado governador José Roberto Arruda apresentava-se como candidato favoritíssimo à reeleição  e muito cotado para compor, como vice,  a chapa de José Serra. Bastou o Escândalo do Panetone para que a coisa mudasse da água para o vinho e, agora, o candidato  favorito ao governo de Brasília é o comunista (apesar do nome de cardeal) Agnelo Queiroz, do PCdoB.
Um acordo fechado este fim de semana entre partidos de centro-esquerda, deverá apresentar como candidato ao governo, o monsenhor Agnelo, ex-ministro dos Esportes. O ex-governador Cristovam Buarque (senador pelo PDT) tentaria a reeleição. A outra vaga  do Senado será preenchida pelo PT. O PMDB vai ser instado a apoiar a candidatura do comunista, como  parte do acordo que contempla,  entre outros itens,   a indicação do candidato a vice na chapa d Dilma Rousseff e o apoio do PT e do PCdoB à  reeleição  do governador Sérgio Cabral, no Rio.  Entretanto, boa parte do partido namora o ex-governador  Joaquim Roriz, a  quem Arruda  acusa de ser o fundador da padaria fornecedora dos panetones.

Agora Serra só pensa em Aécio

Na matéria imediatamente abaixo desta, você, verá o difícil aprendizado de Dilma.

Durante  quase todo  este ano de 2009, o governador Aécio Neves pediu, quase ao nível da súplica, que o governador José Serra lhe desse um tratamento que fosse um pouco além da cortesia formal. Como governante do segundo maior colégio eleitoral do País e como tucano que não se deixou marcar pelo discurso neoliberal de FHC ele  queria que as decisões do PSDB, em termos  de sucessão não obedecessem exclusivamente aos interesses e ao timing da candidatura Serra. Pediu previas e elas não aconteceram, pediu que as decisões não fosse proteladas até março  e Serra o ignorou  olimpicamente.
Vai daí que ocorreu aquela história mineira de dar um boi para  não entrar na briga e uma boiada para não sair. P da vida, Aécio anunciou, há 15 dias, com estardalhaço, que  não seria candidato à presidência e, principalmente, não seria o vice de Serra. Concorrerá apenas a uma cadeira no Senado.
Desde este dia a varanda da casa dos Neves vive cheia de  líderes tucanos (os  principais do País) e mais aliados e satélites, tipo DEM e PPS. Todos pedem de pés juntos que ele seja o vice de Serra. O próprio Serra lhe manda diariamente  apelos humildes  e promessas escandalosas. Diz que renuncia, desde já, a qualquer idéia de reeleição e garante que fará de Aécio  uma espécie de vice-rei que terá tudo o que quiser no governo e mais alguma coisa.
Aécio provavelmente não cederá. Primeiro por que ele realmente não gosta do Serra e, depois, porque sempre  teve na sua cabeça que se fosse para perder  teria que ser como candidato à presidência. Na garupa a derrota é dobrada.

26-12-09

Dilma, a candidata, terá que
andar com seus próprios pés

 Atraído pelo chocalho de lata, que minha mãe agitava diante de mim, lá ia para a frente, cai aqui, cai acolá; e andava, provavelmente mal, mas andava, e fiquei andando.
Machado de Assis

 Os primeiros 90 dias de 2010 serão crucias para Dilma  Rousseff. Ela  terá que demonstra que é capaz de andar com os próprios pés para credenciar-se a receber, como candidata à presidência, a transferência em temos de votos, da portentosa popularidade do presidente Lula. Março é o prazo limite para o lançamento de candidaturas. Tropeços, como o de Copenhague, são considerados naturais, mas se se repetirem com muita freqüência, será um Deus nos acuda.
A Oposição aposta (mais torce do que aposta) tudo nos tropeços da ministra. Se eles forem raros, superáveis e naturais para uma fase de aprendizado, não haverá mais nada que  ela (a Oposição) possa fazer. Os  próprios  tucanos reconhecem que ao atingir a marca de 23 pontos  (último Datafolha), a partir de  um desconhecimento quase completo por parte da população como o que era registrado há seis meses, a ministra consolidou sua candidatura.
Se, portanto, a ministra provar que  é capaz de andar com  os próprios pés, sobra  para José Serra este pepino de proporções africanas: ser candidato mesmo a contragosto. O governador paulista pretendia protelar a decisão sobre sua candidatura  até março. Então ele decidiria (dependendo das pesquisas) sair rumo à presidência ou estacionar na cômoda reeleição para o governo do Estado. Entretanto, graças a uma habilidosa e mineiríssima rasteira do governador Aécio Neves,  Serra terá  que segura  este pepino de proporções africanas: ser candidato mesmo sabendo de sua rarefeita  chance de vitória, só para que  as oposições  em geral não fiquem completamente sem palanque,  nos níveis nacional e estaduais.
Quanto a Dilma, seus marqueteiros apressam-se em preparar peças e esquemas que demonstrem que a fase do chocalho de lata ficou pra trás. A ministra já está andando e tem até idéias próprias, como por exemplo, a de transformar a Petrobras Biocombustíveis, a novíssima estatal, nascida para ser gestora do biodiesel, numa empresa voltada também para a ação social. O que se pretende é fazer com que, no Norte e Nordeste principalmente, a companhia seja instrumento de fixação do homem à terra e de  estímulo à agriculta familiar. Isto, na prática, significa avançar no projeto de reforma agrária, de uma forma que não deixe ouriçada certa parcela da classe média que tem ojeriza  ao tema,  por causa da demonização do MST.
Mas aqui já estamos avançando em tema de matéria a ser inserida no blog  nos próximo dois dias.

23-12-09, atualizado em 24-12

A missão de Ciro é a de
conter Serra em S. Paulo

 Enquanto isto, Serra oferece mundos e fundos a Aécio para que este seja seu vice: a– acabar com a reeleição; b– o vice-presidente seria uma espécie de primeiro-ministro, controlando, por exemplo, toda a área social, Bolsa Família, etc. Mas Aécio permance irredutível. Diz que será apenas candidato ao Senado.
O problema de Serra é que o  Aécio saiu de cena gritando tanto    que ele (Serra) ficou virtualmente lançado candidato à presidência, “malgré lui”.
Já o PT agarra-se à  expectativa de que  com  maior divulgação, Dilma comece a receber, em maior escala, a adesão daqueles que declaram votar em  quem Lula indicar. A última pesquisa do Datafolha mostra claramente que esta parte está situada nos setores mais  humildes da população (algo como 20 milhões de votos) que mal sabe quem é Dilma ou ainda não sacou que ela é a candidata do Lula.

Os jornais continuam especulando inutilmente sobre a possibilidade de Ciro Gomes ser candidato ao governo de São Paulo ou a vice na chapa de Dilma Rousseff. Não será nem uma coisa nem outra. Como já informamos há mais de um mês aqui neste blog, o eclético ex-governador cearense desempenha, no tabuleiro jogado por Lula, a missão fundamental de conter a votação de Serra, em São Paulo.
Pode até ser que mais lá na frente, Ciro venha, como candidato à presidência, representar uma ameaça para Dilma. Mas neste exato momento a única preocupação do Planalto é  impedir que Serra deslanche em São Paulo. Se a eleição fosse hoje, segundo o Datafolha, a vantagem do tucano sobre a ministra seria  a de  preocupantes dez milhões de votos. Esta vultosa diferença pode, certamente, ser contrabalançada  com as votações maciças da candidata oficial no Rio e no Nordeste. A mesma Datafolha prenuncia isto. Mas  o ideal seria cortar as asas de Serra, dentro de seu próprio reduto.
Já em Minas, onde Lula venceu Serra em 2006, o Planalto conta com o “corpo mole” do governador Aécio Neves. Acredita-se que ele não apoiará, evidentemente,   um candidato não tucano, nem mesmo o seu dileto amigo Ciro Gomes, mas dá-se como  certo que  não  moverá um palha par ajudar  seu colega paulista.
A dificuldade dos analistas dos jornalões  para compreende a equação é  a de que eles ainda não percebem que, pelo menos neste momento, Ciro tira muito mais votos de Serra do que de Dilma, sobretudo em São Paulo. É que o ex-governador cearense (de Pindamonhangaba), aliás um ex-tucano, possui um eleitorado com perfil muito parecido com o do seu desafeto governador dos paulistas, a quem ele chama de o Coiso.

19-12, com alterações em 21-12

Apresentamos Sérgio Cabral,
o vice dos sonhos de Lula

 Outros nomes  cogitados para substituir a candidatura “bichada” de Miguel Temer  na chapa de Dilma Rousseff são o do presidente do Banco Central, Herique Meirelles e do Ministro Hélio Costa, das Comuncações.

Meirelles sofre tremendas restrições dentro do PT e dos aliados à esquerda. Entretanto , como o presidente não dá ponto sem nó, sua candidatura  tem a utilidade suplementar de acalmar o mercado, indicando que o recente discurso presidencial mais à esqueda, não  vai a ponto de alterar a política econômica. Tudo mais ou menos combinado:  a CartaCapital lançou o presidente do BC no sábado e o Globo, no domingo (20), dá manchete de  primeira  página com  entrevista do dito cujo.

Quanto a Hélio Costa (um ex-astro Global), ele vem de uma importante vitória nas convenções do PMDB mineiro que fica sob seu inteiro controle. Como forte candidato ao governo do Estado, Hélio garante, agora, um aliança com o PT local,  que  era tudo o que Aécio Neves não queria, Isto explica, aliás, o recuo do governador tucano, que conforma-se definitivamente com uma candidatua ao Senado. Seja como for, Hélio está, também, no planos de Lula.

A situação de Sérgio Cabral está descrita no texto abaixo:

 O leitor habitual deste  blog  já está, creio eu, acostumado a colher aqui notícias (principalmente na área política) que só serão, quando forem, publicados nos grandes jornais  brasileiros vários dias ou até semanas depois. É o conhecido furo jornalístico. Isto se deve, para não ser falsamente modesto, aos méritos deste velho profissional. Mas só numa pequena porção. Na maior parte dos casos, o que há é que os jornalões brasileiros  tornaram-se lerdos, mais preocupados que estão em induzir o leitor do que  informá-lo de forma limpa e correta.

Este preâmbulo  foi necessário porque a informação sobre  o Cabral (título desta matéria) eu não as colhi como habitualmente faço, nos chamados bastidores da política. Elas são fruto de uma raciocínio lógico (dedução se quiserem) a partir de pequenas dicas  fornecidas por mais de uma fonte do  Planalto e da cúpula do PT. É como se eu tivesse surpreendido, digamos, um  assessor direto do  presidente, no momento em que ele pensava alto. Então, vamos lá:

1- Episódios  recentes, inclusive mas não principalmente este, como o Escândalo Arruda,  mostraram que  Michel Temer, o presidente da Câmara, não é o vice ideal para  Dilma Rousseff. O raciocínio central é o  de que seu ponto fraco é exatamente São Paulo,  onde a maioria do partido, a começar por seu presidente, o  implacável e insaciável Orestes Quércia está (por razões  que  gente como o Arruda conhece) ostensivamente ligado à candidatura de  José Serra. Enfim todos sabem que Temer está sendo devidamente fritado, desde o famoso lance da Lista Tríplice.

2- A aliança com o PMDB continua sendo considerada estratégica, em função da extensão da presença do partido, bem distribuída, por todo o território nacional e por causa dos preciosos minutos de TV (propaganda gratuita) que a legenda agrega à candidatura oficial. E é estratégica também, convém lembrar, em temos de governabilidade, posto que ainda há treze meses de administração Lula a serem percorridos.

3- O chamado Plano B de Lula que seria o lançamento de Ciro Gomes como vice de  Dilma deve ser descartado, porque a candidatura à presidência do eclético ex-governador cearense é para  valer, como este  blog  informou há mais de  um mês. Mesmo assim, Ciro continua sendo útil ao Planalto, porque sua  candidatura presidencial, principalmente em São Paulo, retira muito mais votos de  Serra do que de Dilma.

4- Tudo isto posto, os olhos presidenciais adquiriam aquele brilho peculiar quando um assessor, como que casualmente,  acendeu a luz: E por que não o Cabral?  A candidatura do amigo carioca de Lula  tem múltiplas vantagens: a– acaba com a desgastante briga pela grana do pré-sal; b– contrabalança, com maciça votação no Rio, as vantagens de Serra em São Paulo e talvez em Minas, onde não se espera, aliás,  que Aécio mova uma palha para ajudar seu companheiro tucano e c– abre caminho para que o PT lance candidato próprio no  Rio, onde, pela primeira vez na História, o partido tem reais chances de vitória.

5- Este item c é particularmente grato ao silencioso e contrito Gilberto Carvalho que no círculo mais íntimo da  assessoria de Lula é o que melhor conhece as veredas cariocas. Embora  oriundo do PT paulista ele morou muitos anos no Rio. E ele sabe que é com o coração sangrando que Lula mantém a promessa feita a Cabral de não permitir o lançamento  da candidatura petista em suas praias.

6- Caso o PT lance candidato, o favorito é Lindberg Farias, prefeito de Nova Iguaçu, a terceira maior cidade do Estado. Esta candidatura seria absolutamente imbatível, até porque contaria com o apoio do PMDB, obviamente, além do PDT e do PCdoB, duas importantes forças políticas no Estado.

7- O vice-governador do Rio, o Pezão, é o que ficaria mais feliz com esta história. E não me perguntem seu verdadeiro nome, um dos segredos mais bem guardados da pitoresca cena carioca. Só sei dizer que ele ganharia  nove meses como governador, a menos eu quisesse continuar como vice ao lado do  candidato petista. Mas, principalmente, como fiel escudeiro de Cabral e como amigo de muitos anos de Lindberg, ele deixaria  a incômoda  posição de algodão entre cristais. Diz ele que dói muito.

É claro que a candidatura Cabral é apenas, por enquanto, uma simples cogitação, uma das inúmeras hipóteses do arsenal presidencial. Mas é uma hipótese.

16-12-09

Cansado de brigar com os fatos, o Globo,
quem diria,vê o Brasil como protagonista

 Enviado de Obama elogia política externa brasileira, inclusive na manutenção do diálogo com  o Irã.  

Confesso meu espanto. É preciso alguma coragem e uma inabalável cara de pau, para dizer hoje  exatamente o oposto do que você dizia ontem. É o que o Globo está fazendo: em sua conversinha diária com o aturdido Sardenberg, na CBN, Merval Pereira, o intérprete oficial  da  Maison Marinho, fez com que seus leitores e ouvintes ficassem finalmente sabendo  que o Brasil  alçou a condição de  protagonista da cena  mundial e, principalmente, divide com os EUA, a liderança no  espaço latino-americano, com  indiscutível preponderância brasileira  do Canal do Panamá para o Sul. Exceto para assinantes do Globo e outros jornalões do mesmo jaez, nada disso é novidade e – como meus queridos e fiéis leitores são testemunhas – é exatamente isto o estamos dizendo neste blog, há alguns  meses.

Mas não deixa de surpreender a guinada brusca efetuada  por  Merval. Um repentino acesso de  honestidade profissional? É pouco provável.  Há uma corrente que defende a idéia de que os Marinhos receberam uma espécie de pito do Departamento de Estado Norteamericano. “Menos, menos”, teria dito alguém com sotaque carregado, “se continuar assim vocês  vão acabar  criando um atrito sério entre  nossa diplomacia e a brasileira. E se  nosso dialogo com o Brasil deteriorar será um Deus nos acuda. Quem serão nossos interlocutor com a América do Sul?  O colombiano Uribe, e o peruano Alan Garcia? Um desastre! Um desastre!”.

E, oficialmente, foi isto que Arturo Valenzuela,  subsecretário de Estado para  as  Américas, um posto logo abaixo ao de Hillary Clinton (a Secretária de Estado), veio dizer em Brasília a Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula  para assuntos  internacionais. Para o público, não disse coisa muito diferente: os EUA confiam  no bom senso da política  externa brasileira. Até mesmo em relação ao Irã “com quem  é sempre  bom  manter uma porta aberta ao diálogo”.

E foi isto,  com palavras muito parecidas,  o que Merval disse  na conversa com  o atônito Sardenberg que até  a véspera  supunha que era de bom tom dizer que a política externa brasileira era uma sucessão de trapalhadas. Para dar força a argumentação, Merval concluiu destacando que ao fazer (na véspera) a dura advertência  aos países que se aproximam do Irã,  a Secretária de Estado dos EUA referia-se  apenas aos países que  obedecem  à linha de Chávez.  “Veja – disse ele –  que Hillary Clinton  não mencionou o Brasil”.

A explicação para tanto malabarismo pode ser encontrada na notícia que o próprio Globo publicou, meio envergonhado, escondida na página 30 da edição de segunda-feira: “Enviado de  Obama (Valenzuela) elogia política de diálogo de Lula com o Irã”.

Os leitores do Globo um dia ainda terão plena percepção do quão calhordamente são ludibriados diariamente pelo jornal que deveria, como obrigação elementar, fornecer-lhes notícias fidedignas. Mas, e as demais estrelas do jornalismo global? O que dirão a seus incautos leitores, Noblat, o ingênuo irreverente ou Jabor, o bobo da emergente corte burguesa que  se estende da Barra da Tijuca e dos Jardins paulistanos, até algum shopping  de Miami? E o que dirá a seus  espectadores,  William Waack com aquele  seu jeitinho de  congregado mariano que  peca atrás do altar?

14-12-09

A merda e a “merda” de
Luiz Inácio Vargas da Silva

 O casamento, se houver, entre  Dilma e o PMDB fica para junho.

A primeira “merda” já faz parte do folclore lulístico. Até pegou bem. Afinal, com seu jeito peculiar, o presidente reafirmou o desejo de tirar o povo da dita cuja, tanto no figurado, como no literal, porque  ele  falava da precariedade do sistema sanitário.

Passemos, pois, para a segunda merda, esta também cometida na terra do Sarney: Lula sugeriu que  o PMDB enviasse uma lista tríplice para que alguém (ele, evidentemente) escolhesse o vice na chapa de Dilma. Este é o tipo da merda que obriga a gente  a parar para pensar, porque nunca na história deste País, um partido fez publicamente tal  exigência a um aliado.

Então pensemos ou digamos logo que há três hipóteses possíveis para este evento excretor: a– trata-se de um episódio irrelevante onde Lula, em momento de euforia, que  inibe a ponderação, deixou escapar mais esta; b– o presidente esta inseguro sobre a capacidade de Michel Temer carregar consigo a maior ou a melhor parte deste partido que após a morte do Dr. Ulysses transformou-se num descomunal balcão e c– Lula possui informações de que a Operação Caixa de Pandora (a que pilhou Arruda) possui elementos que  invalidariam a candidatura Temer.

No caso da hipótese c, é evidente que no lodaçal da política brasileira  praticamente não existe político probo, haveria apenas políticos  divididos entre os que já foram  ou ainda não foram pilhados. Quando pilhados, simplesmente descarta-se. Assim o PSDB e o DEM fizeram com o Arruda, que seria o vice de Serra e assim o PT estaria fazendo com Temer que é presidente da  Câmara e licenciado do PMDB, mas não está livre dos arapongas. E quem está?

No caso da hipótese b, Lula teria convencido Dilma, ansiosa para casar logo, que seria melhor  levar o namoro com o  PMDB em banho-maria, primeiro porque se o objetivo é arrebentar Serra em São Paulo, o candidato ideal a vice e Ciro Gomes e não Temer. Segundo, porque o atual noivo não é confiável. E terceiro, porque a melhor parte do dote, os estados  do Sul, parece estar perdida. No Paraná e  no Rio Grande do Sul, cresce o movimento (no PMDB) pela candidatura própria. E em São Paulo, reduto de Temer, o partido acaba de reeleger para a presidência regional, nada menos que a nata de sua parte mais podre, o inabalável Orestes Quércia que apóia o candidato tucano. Aliás, pode-se dizer que ele está para Serra, assim como Sarney está para Lula.

E ainda tem gente escandalizada só porque o presidente usou a palavra merda…

9-12-09

Ferido em seus brios, Serra, o
calculista, bota o bloco na rua

 Mais cedo do que se esperava, ouso dizer que nos próximos dias, o governador José Serra anunciará finalmente o que todos os seus aliados (menos Aécio Neves e César Maia) esperavam e  exigiam: será candidato à presidência da República.

Não creiam que o motivo foi  o escasso pontinho que ganhou no último IBOP. Na verdade, apesar de seus proclamados nervos de aço, Serra não suportou a pressão, consta que até de amigos íntimos e familiares. Em suma: o homem de brio falou mais alto  e o governador não quis passar para a história política ( folclore), como um frouxo. Não quis que dissessem que ele correu da raia, mesmo  liderando (há mais de dois anos) todas as pesquisas de opinião; não quis que dissessem que ele  fugiu no momento em que  seu provável parceiro na chapa presidencial (Arruda) caiu em desgraça, e não quis, finalmente, que o acusassem de não encarar  as  obrigações do homem público, trocando a missão pela  vantagem particular: uma reeleição considerada fácil para o governo do Estado.

São subjetividades, dirão. Mas quem foi que disse  que político é robô? Em todo caso, há,  razões objetivas:

Mesmo que sofra uma provável derrota para o lulismo, Serra terá algo próximo de 40 por cento dos votos, segundo a sofisticada  assessoria acadêmica dos tucanos. Isto é capital suficiente para  ele se credenciar como uma espécie de líder continental, neste momento em que a política interna brasileira se confunde com a externa (por isto o Noblat está sempre dando uma de foca) e o Brasil vira protagonista continental de primeira  grandeza.

Sem  admitir que seu discurso é neoliberal, Serra quer credenciar-se, no entanto, a ser um  dos principais  senão o principal defensor da” democracia burguesa” ( as aspas são nossas), contra o avanço de um certo “populismo nacionalista com  alto potencial de autoritarismo”, as aspas são de um sociólogo tucano assessor de Serra. Autoritarismo este  que é simplificadoramente  chamado de bolivarianismo.

Recorde-se que Serra é avesso à política de integração sulamericana com a assimilação dos bolivarianos. Basta lembrar que  ele criticou fortemente o presidente Lula, quando este  relevou a ousadia de Evo Morales,  durante a nacionalização das empresas petrolíferas na Bolívia, em episódio conhecido como a Crise do Gás.

Serra, segundo o mesmo assessor tucano, tem consciência de que São Paulo possui um diferencial histórico e sociológico em relação ao restante do País, principalmente daquela parte que vai do Rio para o Norte. Neste sentido, o Estado, assim como em 32 (esta ilação é nossa) seria  um baluarte democrático contra  o que os intelectuais paulista, mesmo os de origem esquerdistas, chamam de recrudescimento do autoritarismo populista com aroma  getulista e peronista.

Voltando à subjetividade: Serra provavelmente imagina que nem só os presidentes, os que chegaram lá, fazem história. Muitas vezes vultos  que não chegaram ao Catete ou ao Planalto,  recebem consagração maior, como  é o caso de  Ruy, Lacerda e Ulysses. Mas agora já estamos ingressando no perigoso terreno da mera especulação.   É hora de concluir o texto, não sem antes dizer que  entre o Getúlio e o Brigadeiro, eu fico com  Getúlio. Se Serra quer ser o Brigadeiro, que seja.

8-12-09

Merval Pereira e a sua arte de iludir
com o tom cinzento da meia verdade

Ele não quer que seus leitores, a classe média ingênua, saiba que Arruda  era não só a cereja reluzente e tentadora que enfeitava o bolo democrata, como a noiva prometida para ser vice na chapa de José Serra, esta flor de pessoa, que agora precisa ser blindada.

Na conversa amena de cinco minutos que mantém todas as manhãs, na CBN  com seu partner Sardenberg, Merval Pereira, o escriba-mor da Família Marinho exibe toda sua habilidade em ocultar a verdade essencial, através de meias verdades circunstanciais. Assim, nesta segunda-feira, entre piadinhas sobre Flu, Fla e São Paulo, ele se disse preocupado com a ocupação da Câmara Distrital de Brasília. Sutil e prudente, ele não usou as palavra agitadores ou vândalos, mas disse que se trata do “mesmo tipo de gente” que no passado não se revoltou com o mensalão do PT. Opa! Eis aí a meia verdade bem encaixada. É  fato, em parte, que lá estão jovens militantes do PT ao lado e outras organizações de esquerda ou nem tanto. Mas a outra metade da verdade que ele ocultou é a de que  lá estão, por exemplo, militantes do PSOL, que apartou-se  do PT justamente por causa do mensalão, sem falar que há no PT uma jovem militância  que  nunca contemporizou com o “pragmatismo progressista” da cúpula.

Mas por que  tanta patranha. Pelo simples gosto de mentir? Não: Merval é pago para proteger Serra, blindá-lo contra a evidência de que  ele e seu partido (já  não bastassem as denúncias contra Azeredo), tem um vínculo indissolúvel com o escândalo do Arruda, único governador do DEM – que agora se esfacela – e  que já  estava praticamente escolhido para ser seu vice na chapa presidencial.

O Globo tenta desviar o foco, tenta evitar a todo custo a proliferação de noticias de que  o fruto do roubo escancarado praticado pelo  governador de Brasília (um maçom com cara de pastor)  não era consumido  em seu círculo restrito. Ao contrário, era  generosamente distribuído  para outras seções estaduais do DEM e para  seu eterno sócio maior, o PSDB.

O Globo sabe usar seus soldados, Jabor o “porralouca” e Noblat o desinformado irreverente, sevem para entreter o público, desviar a atenção. Mas quanto se trata de induzir maliciosamente, então Merval é convocado. Ele é mestre nisso e, festejado, o único com direito a freqüentar, eventualmente, a sacrossanta residência dos Marinhos, último refúgio da mentira absoluta.

Veja, também, na  coluna Pérolas & Píluas, A hora e a vez da Constituinte.

6-12-09

Ainflexão de Lula à esquerda – Parte II
ou
Arsenal de estatais à disposição de Dilma

Antes de mais nada, uma correção: na matéria de ontem cometi uma precipitação que pode levar a um raciocínio distorcido. Da forma como coloquei a informação, ficou parecendo que Dilma Rousseff  iria, necessariamente, usar o anúncio de novas estatais durante a campanha eleitoral. Mas não é isto. Na verdade  ela usará  se e quando ela e seus    marqueteiros entenderem que isto é conveniente. Afinal, é fácil entender que se e importante consolidar a adesão dos setores  nacionalistas e mais à esquerda, é fundamental não assustar o eleitorado mais ao centro e, sobretudo, os investidores.

Então: as novas estatais estarão à disposição da candidata, mas  será evitada a  conotação de que está em marcha um estatização galopante da economia. As novas estatais servirão para resolver problemas pontuais, onde for evidente a ausência deliberada ou incapacidade da iniciativa privada, principalmente, em função da preservação da Região Amazônica. Preservação ecológica (uma cobrança internacional) e preservação em termos de segurança nacional, uma exigência dos nacionalistas, muitos de direta, e da Forças Armadas. Seja como for, quem determinará cada movimento tático de avanço e recuo, será o presidente  Lula Vargas da Silva, um especialista  nesta área.

Vamos às  novas estatais:

1- Já está sendo ressuscitada a velha e boa Telebrás que nos anos 70 unificou, deu organicidade e revolucionou tecnologicamente  (microondas) a telefonia no País, até então  entregue à iniciativa privada e uma da mais caóticas no mundo. Na ressurreição, a  empresa vai dedicar-se  à difusão e exploração da banda larga com objetivos sociais.

2- Em fase final de planejamento, a empresa que cuidará dos estudos técnicos, concessão e  supervisão da construção e futura  exploração das linhas do trem bala.

3- Criação da Ourobras, menina nos olhos do Ministério da Minas e  Energia desde os tempos que era comandado por Dilma. Objetivos: segurança da Amazônia, preservação da floresta e de área indígenas e  dar combate ao descomunal  contrabando de ouro, diamantes e pedras preciosas na região.

4- Empresa destinada a pesquisar (coordenar pesquisas já existentes) e industrializar  diretamente ou através de terceiros, fármacos obtidos de espécies amazônicas, hoje vítimas de espetacular saque internacional.

A matéria abaixo complementa os raciocínios desta. Não deixe de ler.  E veja, também, na coluna  Pérolas & Pílulas, a Constituinte como solução para a crise política.

5-12-09

A  inflexão de  Lula para a esquerda

Parte I

 Dilma Roussef já está peparando seu arsenal de novas estatais. Elas serão anunciadas no desenrolar da campanha conforme a conveniência de cada  etapa. As principais atuarão, a saber: no setores de  pesquisas e lavra de pedras preciosas e minerais estratégicos; na fabricação de  motores para fins militares, principalmtne aviação; na pesquisa e produção de fármacos a partir de espécies amazônicas (monopólio); na administração da concorrência para a construção do trem bala e futura supervisão do seu funcionamento.  A não ser no caso da mineradora,  a maioria ainda esta  em fase  inicia de elaboração de projeto. Mais detalhes , na matéria de  amanhã , neste blog.

Nesta reta final de seu mandato, de olho na eleição de Dilma, mas pensando em sua biografia também, o presidente Lula volta-se para a esquerda. Pode ser apenas esperteza, pode ser vaidade (“Quem disse que eu sou continuação do FHC?”), mas pode ser um acerto de contas com a consciência. Eu não saberia como escolher uma destas hipóteses, talvez nem o presidente saiba. Mas que, nesta fase conclusiva de sua carreira, ele está se reencontrando com o  jovem líder metalúrgico, lá isto ele está.

Machado de Assis dizia que o menino é pai do homem, querendo dizer que o que somos hoje já estava formatado nas nossas calças curtas. Não vi o filme da família Barreto, mas quem viu deve ter ficado com esta sensação. Enfim, para o que nos interessa, temos um belo ano pela frente. Um ano de intensa disputa  ideológica (a eleição plebiscitária). Lula puxou o adversário para este terreno que lhe é favorável. Agora está   tirando conseqüências de sua estratégia.

Atarantados (por isto me divirto lendo o Merval Globo Pereira), os adversários do presidente, na política e na mídia, preferem supor que os atuais lances ousados  na área diplomática – Honduras e Irã – são meras jogadas para o público interno, uma espécie de satisfação dada  por Lula a seus aliados mais à esquerda. Em tempo: o presidente visitará Teerã no primeiro  semestre no ano que vem.

É isso, mas não é só isto. Na arena interna também haverá avanços. Com o desmonte dos paradigmas neoliberais, por conta da Grande Crise Norteamericana, o governo sente-se liberado para retomar uma retórica levemente nacionalista e uma consistente ampliação das atribuições e ações diretas do Estado. Assim, a Petrosal será apenas a primeira de uma série de estatais inauguradas ou restauradas (anabolizadas) a ser apresentada ao distinto público. Há três vantagens ai: a– amplia-se efetivamente os instrumentos do Estado para consertar o desconsertos do Mercado, sua esquizofrenia cíclica e seus  efeitos manada; b– é bom para se ganhar eleição, e c– é melhor ainda para se  acomodar a base fisiológica do governo, que ninguém é de ferro.

Só não esperem novidades na macroeconomia. Meirelles ou seu substituto no Banco Central continuarão com plena autonomia no manejo do câmbio e dos juros. Lula só dará algum palpite ou pressionará, se o ibop de Dilma não for satisfatório.

Como, hoje em dia, não conseguimos deixar de bocejar quando ultrapassamos a vigésima linha de qualquer texto, vamos deixar a segunda parte desta crônica para amanhã. Antes, porém, um aviso importante: não deixe de ler a matéria “A hora e a vez da Constituinte”, (Coluna Pérolas & Pílulas), neste blog. Os raciocínios ali expostos então plenamente articulados com os deste presente artigo.

21-11-09

Cesare Battisti fica no Brasil

É a solução que mais combina com a imagem de Lula no exterior.

Parlamentar do bloco governista com livre trânsito na Presidência da República garantiu esta manhã a este blog que Cesare Battisti fica no  Brasil e deverá responder em liberdade  a processo por falsificação de documentos. Como se sabe, a palavra final é do  presidente, em função de esdrúxula decisão do Supremo.

As razões ou cálculos de Lula:

1- Esta é a solução mais compatível com a  imagem do presidente no exterior, a de um político internamente moderado, mas solidário com causas internacionais  bem apimentadas.

2- Um desentendimento com Silvio Berlusconi não chega a preocupar porque, inversamente à de Lula, a imagem externa do primeiro-ministro italiano é simplesmente deplorável.

3- Devolver Battisti   significaria criar  um caso com a ala mais radical do PT, que tende a crescer nesta fase de eleições internas, além de aumentar o mal  estar já existente  com relação ao ministro Tarso Genro, da Justiça, provavelmente o colaborador direto com quem o  presidente tem, no momento, o diálogo  menos afinado.

4- Eleitoralmente, ou, se quiserem, eleitoreiramente falando, com a extradição, Lula não ganharia um único voto da  Direita, mas perderia um  punhado  deles da Esquerda.

5- O bater boca já em curso entre o ministro  Tarso Genro e altos funcionários do  governo italiano, bem como com a própria imprensa  daquele  país (em grande parte controlada por Berlusconi),  daria à extradição  uma conotação  de derrota. Genro  fala em “fascismo galopante” na Itália e é tratado pelos italianos como um trapalhão.

17-11-09

Aviso ao leitor

A matéria abaixo está sendo repetida a pedidos. Ela estaria  superada, porque, nesta semana, Obama tirou a máscara e  passou a apoiar abertamente o golpe em Honduras. Mas,  na sua essência, ela continua válida.

Noblat: o bagaço de um profissional

Creio que a maioria das pessoas ainda não percebeu que o Brasil está passando por uma fase histórica de transformação. Não importa se o mérito é de A ou B, o que me interessa é a evidência de que estamos deixando para trás o país dos coitadinhos, do complexo de vira-lata. E não posso deixar de registrar que, por ironia, aqueles que deveriam, por obrigação profissional, estar vendo e descrevendo esta nova realidade, a negam  com furor.

Poderia citar aqui uma penca de jornalistas profissionais de certo  brilho que alugam  suas penas para  patrões que vendem sua alma para o capital sem pátria. Mas  vou ficar apenas com Ricardo Noblat que de forma sintética e patética exprime esta faceta da grande mídia brasileira que está sendo esbagaçada pelos fatos.

E para  não gastar muita vela com mau defunto  neste feriado finado vou  reproduzir apenas o título (O Que Maria levou) e  este  pequeno trecho do artigo de  Noblat, no Globo de segunda-feira, sobre a crise de Honduras: Publicações internacionais de peso disseram que o Brasil aumentou sua presença na América Central em detrimento, por exemplo do México. E que atuou de forma mais ativa do que os Estados Unidos. Mas isto foi antes do fim da crise. Ela acabou sob o signo de Barack Obama.

Vejam como  ele é esperto e ardiloso. Com esta frase que exprime, digamos, um quinto da verdade, ele tenta  eclipsar a verdade intera: a– por publicações de peso, leia-se a mídia internacional em peso; b– o Brasil não aumentou sua presença apenas na América  Central e sim em todo o Continente  Americano  e, de quebra, passou a protagonista  ( na soma deste com outros episódios) da cena global, além de confirmar sua liderança incontestada na America do Sul; c– golpe de Honduras foi tolerado, senão  estimulado veladamente  pelos EUA que não  queriam ver  florescer  mais uma república  bolivariana em sua seu ex-quintal; d– o mundo só ficou  de olho no golpe que estava sendo descrito como preventivo e  empurrado com  barrida até ser “legitimado” com as eleições do próximo dia 29, quando o Brasil agiu de forma mais ativa (enfim uma verdade inteira na boca de Noblat) protegendo Zelaya em nossa embaixada em Tegucigalpa; e– o signo de Obama,  no caso, é  o de quem  remediou para evitar o desastre completo.

É assim que, com  mentiras inteiras ou  partículas de verdade, a mídia  marota pretende ocultar  o que já  está escancarado: o Brasil  tucano, de FHC e sua  subserviência  grotesca à cartilha neoliberal, é coisa do passado. Até os aliados de Serra sabem disso e começam a  abandonar o barco, menos alguns ratos que , contrariando o ditado, ficaram presos no porão.

10-9-009

O homem-mercadoria descartável

Vou tentar dizer em menos de  25 linhas:

O Capital (enquanto sistema global) é uma gigantesca coleção de mercadorias, úteis e inúteis. Todas estas mercadorias, independente de sua maior, menor ou nenhuma utilidade, possuem um duplo caráter: a–  seu valor de uso (não confundir com utilidade), sua materialidade, sua estrutura corpórea, que provém da Natureza  em metabolização com o homem, através do trabalho; b–  seu valor de mercado, aquele que, independente de sua utilidade, é produzido com o fim único de realizar lucro. De todas as mercadorias, a  mais importante é o Trabalho,  a essência do homem, geralmente vendido a razão de tantas  ou quantas horas diárias.

Não é difícil entender que   ao vender, alienar, seu trabalho enquanto sua essência, o homem, por igual, aliena-se. E aqui a palavra alienação tem também um duplo caráter,  o que diz respeito a  sua venda e a que diz respeito ao despregar-se de sua essência e, assim, perder contado com a realidade – a alienação psicossocial ou coisificação.

Agora, o Capital (sistema como um todo) para acelerar sua acumulação, acelera o seu giro produtivo. Ele faz isso diminuindo o ciclo de vida das mercadorias, tornando-as  descartáveis. Ao produzir e consumir mercadorias descartáveis no  único interesse da acumulação do capital, o homem  torna-se , ele próprio, descartável e deixa der estar no centro, na lógica, das coisas por ele mesmo produzidas. Porém, alienado, ele não consegue ver isto.

11-9-09

Homem-mercadoria descartável  – Parte II

O que faz  com que o homem se aliene do ponto de vista psicossocial é a venda, como valor de mercado, de sua própria essência, sua força de trabalho. Ele não realiza este trabalho, a razão de tantas ou quantas horas diárias, porque considera que isto é realmente necessário para a humanidade  como um todo. Ele faz isto (e passa toda  sua vida fazendo isto), simplesmente porque é pago para fazer isto. Assim, desde que  lhe paguem ele se sente à vontade para fazer qualquer coisa (de preferência considerada legal).  Individualmente é possível que muitas pessoas encontrem na sua labuta diária, uma sensação gratificante de estar sendo útil. Ótimo. Só que não estamos discutindo aqui situações individuais. Estamos procurando analisar a situação  do homem genérico, atrelado ao Sistema (modo de produção capitalista). Sistema este que tem como função única a sua própria acumulação, independente do que seja bom ou ruim para a humanidade. Mas não é só isto: o Sistema impinge a  todos  nós  aquilo que chamo de axioma implícito mediante o qual todos partimos do pressuposto de que  o atual modo de produção é o mais consentâneo com as reais necessidade do homem e, por isto, seria supra-histórico, imutável. Assim, em vez de discutirmos as razões (objetivos) do processo, discutimos apenas a sua eficiência.

Se você acha que  assim está bom. Ótimo, Deus lhe ajude. Porém, se  numa fração de segundo, num breve lampejo, você cogitar que embora individualmente cada um dos seres humanos apenas cumpra suas obrigações (suas tarefas diárias remuneradas), a humanidade como um todo  está destruindo, literalmente, o seu habitat, a mãe Terra, ou seja, está se autodestruindo, então, talvez  você esteja recobrando sua consciência adormecida nas cinzas do coração e da mente. E este é o momento de  voltarmos  à tese inicial, mais bem desenvolvida no  artigo anterior: o Capital (sistema como uma todo),  esta  fantástica coleção de mercadorias ( úteis ou inúteis) não tem como compromisso (não  encontra em sua lógica essencial) promover o bem ou a melhoria da qualidade de vida do homem genérico. O único compromisso do Sistema, já vimos, é com sua própria acumulação. Mas não é só isto: ele só obtém sua acumulação destruindo  todo o seu entorno, a começar pela Natureza. Abra sua janela e veja. É por isso que  digo, não com a preocupação de ser espirituoso, mas  para ser verdadeiro, que  supor um capitalismo  bem comportado, civilizado e não destrutivo, é supor um vampiro vegetariano.

30-10-09

Agora é definitivo: Zelaya vai reassumir.
Vitória completa da diplomacia brasileira

O presidente Lula foi informado ontem à noite em Caracas, por telefone, pelo próprio Zelaya, do que  parecia ser, naquele momento, o desfecho favorável da crise  hondurenha.Haverá eleições em 29 de novembro e  Zelaya chefiará um “governo de reconciliação nacional”. Todos reconhecem que  não fosse a atuação brasileira, a situação seria “empurada com a barriga” até as eleições, Zelaya não reassumiria e o golpe  de Micheletti, com apoio velado dos EUA, seria bem sucedido.

Pressionado por diplomatas americanos, o presidente golpista Roberto Micheletti assinou, ontem à noite,  o acordo que prevê o retorno de Manuel Zelaya ao poder, através do consentimento do Congresso, onde  ele tem maioria. Com isto eliminou-se o impasse, já que anteriormente Micheletti pretendia que a decisão final fosse da Suprema Cote, a mesma que  sugeriu a deposição de Zelaya  em julho último.

Thomas Shannon, o chefe da delegação dos EUA que há dois dias  mediava o diálogo entre Zelaya  e Micheletti  deu um ultimato, ontem, para que  o golpista  tomasse uma decisão. No fim da noite  de ontem ele pode, então, anunciar que a decisão final caberá ao Congresso. Shannon, aliás, já foi indicado por Obama para a embaixada dos EUA no Brasil. É óbvio, portanto, que ele manobrou para encontrar uma solução que  prestigiasse a posição brasileira.

Com isto,  torna-se francamente  vitoriosa a posição do Itamaraty que sempre se recusou a reconhecer o governo golpista de Micheletti e abrigou (deferente de dar asilo) em  nossa embaixada em Tegucigalpa ao presidente legítimo Manuel Zelaya.

Veja nas matérias logo abaixo  todos os detalhes da crise desde o seu início.

25-10-09

Micheletti, Zelaya, Obama, Lula e bananas

Como se situam, na crise hondurenha, o Departamento de Estado, o Itamaraty e  os bolivarianos.

Os principais expoentes neoliberais  da mídia brasileira  do tipo   Jabor, Mainardi e Noblat  ainda pensam na América Latina como se fossemos uma enorme coleção de repúblicas bananeiras.   No episódio  hondurenho esta nata do  jornalismo tupiniquim escancarou toda todo  este seu jeito chinfrim de mentir  e  distorcer os fatos, apenas  para tentar demonstrar que o  Brasil “não está com esta bola toda”. Então, se o leitor concordar,  passaremos por cima disto. Vamos tentar analisar o que realmente está sendo decidido em Tegucigalpa. Como já está  se tornado um hábito, vamos  fazer isto em tópicos:

1- Desde os tempos de Floriano, passando por Getúlio, a diplomacia brasileira não falava grosso como está falando agora em Honduras. Pela primeira  vez  em décadas o Itamaraty está jogando pesado. Mas não faz isto como num arroubo juvenil e sim de forma ponderada e com o método de quem,  há anos, vem construindo uma política  consistente  destinada a atingir dois objetivos simples e agora  notórios: a– alçar o Brasil como protagonista da cena mundial, b– consolidar o País como potência  regional incontestada na  America do Sul e ouvida  em toda a América Latina.

2- O Itamaraty, uma de nossas instituições  mais proficientes, não improvisa. E não está  improvisando em Honduras. É segredo de Polichinelo que  o Brasil possuía, antecipadamente, informações sobre os movimentos de Zelaya,  antes de o presidente deposto bater às  portas de nossa embaixada  na capital hondurenha. E, quando resolveu agir, fez duas exigências: Zelaya não poderia extrapolar e Chávez teria que sair de cena. O hondurenho empolgou-se  e deu suas derrapadas, mas  o venezuelano comportou-se de forma exemplar. Parecia uma  freia no claustro.

3- O Brasil não abona nem se deixa levar pela política bolivariana de Chávez. Mas a tolera, assim como, por exemplo, os EUA toleram – dentro de certos limites -, Israel, seu aliado  preferencial no Oriente Médio. O Itamaraty enfim, adota como objetivo estratégico e permanente o fortalecimento do MERCOSUL, degrau e esteio da política, também estratégica de  consolidação da  união sul-americana, a  UNASUL. Neste sentido, a Venezuela, por sua pujança e  situação geográfica, compõe,  junto com a Argentina  e o Brasil, a coluna mestra da integração continental.

4- Os mais respeitados analistas internacionais e a própria mídia  americana   apontam o Brasil como importante contrapeso à influência  dos  EUA no Continente.  O primeiro governante europeu a perceber isto e a agir em função disto foi Nicolas Sarkosy.

5- Como diz mestre Onça,  meu velho  professor  de capoeira, quem amarra amarrado esta. Neste sentido, Obama está preso à sua promessa de mudança significativa  na política externa americana. Em Honduras,  bem que ele gostaria  (e o  Departamento de Estado agiu  nesta direção) de que Micheletti permanecesse do poder até  novembro, quando o “golpe preventivo” contra o  bolivariano Zelaya fosse “legitimado”. Não deu cetro. E não deu certo porque  o Brasil agiu  de forma   surpreendentemente impositiva. Enfim, Obama tem a força, mas não pode fazer nada. Ainda mais agora que foi eleito pelos deuses escandinavos como a mais nova pomba da paz.

Na matéria logo abaixo detalhes da negociações.

14-10-09

Honduras: 90% das negociações concluídas
e solução poderá ser anunciada ainda hoje

No fim da tarde negociadores informaram oficialmente que o acordo foi fechado.  Zelaya  deve reassume. . O presidente legítimo não pleiterá  uma Cosntituinte. Micheletti e o general golpista  Romeo Vásquez devem ser anistiados.

Filigranas: No inicio da noite, o governo agonizante de Micheletti informou que ainda falta decidir se  o Congresso ou a Suprema Corte autorizarão a restituição do  governo a Zelaya.

A grande mídia silencia, num total desrespeito a seus  leitores  e espectadores.

Como detém o virtual monopólio na  área de  jornais impresso  voltados para a classe média do Rio, O Globo só noticia o que  quer, sem  cumprir a função elementar de   informar seus leitores. Sendo assim,  a crise de Honduras que poderá ter seu desfecho ainda hoje  não mereceu uma única linha  do jornalão carioca. E nisto vai não apenas a tradicional  arrogância da família Marinho, como também o despeito pelo fato de as coisas não terem acontecido como ela  esperava. No lugar do  fracasso anunciado  há poucos dias em manchete, o que houve foi o absoluto sucesso da  posição brasileira contra o golpe. Posição esta que  alçou definitivamente o Brasil como protagonista  da cena  mundial.

Enfim, os representantes  da OEA  que  atuam como mediadores entre o golpista Roberto Micheletti e o presidente deposto Manuel Zelaya, consideram que já foram cumpridos  90 por cento  dos tópicos destinados a selar  um acordo. Falta apenas um, o do retorno de Zelaya ao governo:  quando e em que  condições. Isto  poderá ser resolvido ainda esta manhã. Mas a mídia  silencia irresponsavelmente.

Os  outros pontos importantes já acordados são os seguintes: anistia recíproca, realização de  eleições se possível  ainda  em novembro,  mas com a condição de que  Zelaya reassuma imediatamente. Finalmente, o  presidente deposto se compromete a não fazer campanha  por  um plebiscito com vistas  a convocação de uma Constituinte.

Mais informações na matéria  logo  aí em baixo.

13-10-09

Honduras: agora que a solução está próxima, a mídia cala

Jornais silenciam para não reconhecer seu erro e para não repercutir o sucesso do Brasil.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, se declara otimista e  anuncia que está voltando para  Honduras de onde saiu há três dias, após o inicio das negociações entre  Roberto Micheletti, o presidente  golpista e  Manuel Zelaya, o presidente deposto e abrigado na embaixada  do Brasil. Ao mesmo  tempo, as representantes  das duas partes,  Vilma Morales ( Micheletti) e  Mayra Mejia ( Zelaya) declaram que  60% das negociações já foram concluídas. Em suma, o desfecho  favorável da crise pode ocorrer a qualquer momento. No entanto, maliciosamente, a mídia brasileira esconde tudo isto de seus leitores.

Os grandes jornais e redes de TV não querem dar o braço a torcer, justamente  porque torceram contra o sucesso da diplomacia  brasileira em Honduras. E agora? Onde estão os  Willian Waack ( Jornal da Globo) da vida que  diziam que  o Brasil dificilmente  sairia da “enrascada em que se  meteu?”  Enrascada  que o mundo diplomático  reconhece, hoje, como um “golpe de mestre”. Onde estão Jabor e Alexandre Garcia que defendiam a “legalidade” do golpe de Micheletti?

Objetivamente, as negociações estavam, hoje de manhã, no seguinte pé a– haverá anistia recíproca; b– só haverá eleições depois da restituição do poder a Zelaya, c- não se fala mais em plebiscito ou constituinte, e c– Zelaya chefiará um governo de coalizão e reconciliação  nacional. Neste meio tempo, a Anistia Internacional acusa Micheletti  de não cumprir a promessas de suspensão  do estado de sítio e de violento  cerceamento à imprensa.  Mais uma vez a mídia cala, mas sabemos que se as acusações fossem contra  Chávez,  a notícia estaria em todas as primeiras páginas.

Veja também matéria logo aí abaixo.

710-09

Antes que a mídia comece a deturpar
os fatos para ofuscar vitória brasileira

O golpe em Honduras  foi derrotado, o Brasil assume sua maturidade e passa a protagonista na cena  mundial. A revista Time aponta o  País como principal contrapeso  à influência americana no Ocidente.

Ao negociar, em seu próprio país,  com o homem  a quem  destituiu,  Micheletti deixa de ser o presidente de fato. Há, segundo fonte d o Itamaraty,  um vazio de poder.  Este vazio fica carcterizado quando dois presidentes, dentro de um mesmo território, buscam reconhecimento inernacional. Por isso, apesar das ameças e do prazo dado por Micheletti, o Brasil jamais  considerou Zelaya como exilado . Ele é  hóspede da embaixada brasileira. Ainda esta tarde , o   secretário-geral da OEA,  José Miguel Insulza, disse que a crise  insitucional só será resolvida com a restituição do poder a Zelaya.

As negociações entre Zelaya,  o presidente golpeado de Honduras e Roberto Micheletti, o usurpador golpista, começam hoje, às 13h30, em Tegucigalpa,  com a supervisão de representantes da OEA. Este simples fato já  representa uma  crucial vitória da diplomacia brasileira que desde  o primeiro momento , há  três meses,  denunciou o golpe contra Zelaya e  em nenhum momentos  admitiu  como legítimo o governo impostor. Na  mesma medida, representa  uma  derrota  para  o Departamento de Estado norte-americano  que,  por igual, desde o primeiro momento agiu de forma dúbia, tergiversou e, na surdina,  deu sustentação aos golpistas, embora, de fachada, os  condenasse.

Estes são os fatos e deles se pode extrair que houve, o que, aliás, é  reconhecido pela diplomacia global,  uma inequívoco fortalecimento da diplomacia brasileira pelos seguintes três motivos: a– o Brasil agiu de forma positiva  e transparente, em contraste com a posição  ambígua dos EUA; b– o episódio coloca definitivamente o país como protagonista da cena mundial e como líder indiscuível da América do Sul, com larga influência em toda a América Latina; c– isto representa o cume de uma política meticulosamente  traçada e executada pelo Itamaraty desde o primeiro governo Lula e d– estamos vivendo um  marco histórico   que assinala  o fim de uma  era, a do  golpismo do gorilismo e da tutela norte-americana sobre todo o Continente.

É preciso não perder  este foco que é o central de toda a questão porque, a partir  deste momento, para não  reconhece seu equívoco e sua derrota,  a mídia  marota  vai tentar colocar  questões periféricas como se  fossem essenciais. Este é seu instrumento habitual e covarde. Neste sentido , toda concessão que Zelaya fizer ( afinal, estamos diante de uma negociação onde serão tratados  temas como a anistia recíproca, por exemplo) vai ser apontada como evidência de  que nem todos os objetivos foram alcançados. Ora, o que ela quer ocultar é exatamente que o  principal objetivo foi alcançado: o golpe foi derrotado.

Na matéria que você  lerá  logo aí abaixo, todos estes raciocínios  são ampliados e poderão ser melhor compreendidos.

6-10-09

Cai a máscara da mídia torpe

Raramente uma imprensa em, seu conjunto, foi tão vil e incompetente.

O governo golpista de Honduras  está em processo de dissolução.  O retorno de Zelaya ao governo  é questão de poucos dias. Desde ontem, o presidente golpista, Roberto Micheletti, vem desmentido a própria  imprensa brasileira  que o defendeu com  ardor. “Expulsar  Zelaya foi um erro”, diz ele,   para  em seguida anunciar que os que cometeram excessos serão punidos. Vai sobrar para o general Romeo Vásquez, chefe das Forças  Armadas, que  seqüestrou  Zelaya na madrugada de 28 de junho e o  despachou de pijama para  a  Costa Rica. Mas tem que sobrar também para a  torpe mídia brasileira que desde o primeiro momento, há 90 dias, contrariando a  opinião pública mundial, tentou  justificar o golpe como se fosse  preventivo (mesmo argumento  usado para derrubar João Goulart). O “argumento” era o de que  as  eleições previstas para novembro “legalizariam” o golpe. Sorrateiramente, com mão de gato, os EUA  condescenderam com  toda a farsa. Deveria  sobrar para Obama também.

Enfim, ninguém  com um mínimo de acesso à informação tem mais o direito de se deixar enganar pela mídia brasileira. Detentora de um oligopólio (as sete famílias mafiosas), há décadas ela manipula, oculta e falseia os fato através de sua poderosa  indústria  de  informação de massa. Com isto,  acabou supondo – numa situação reflexa – que a opinião por ela publicada é a  verdadeira opinião pública dos brasileiros. Felizmente não é.

Resta, de forma simbólica,  montar a  galeria de alguns dos principais artífices de toda essa farsa. Eles são superiores, diferenciados, em termos de analfabetismo político. É claro que há muitos mais além deles e é exato que todos são apenas paus- mandados. Como, porém,  são  emblemáticos, vamos à  galeria, mais ou  menos nesta ordem:  Arnaldo Jabor,  Diogo Mainardi, Ricardo Noblat, Merval Pereira, Alexandre Garcia, José Nêumanne Pinto e Willian Waack.

Não deixe de ler a matéria, logo  aí  abaixo, que complementa  estas informações e raciocínios aqui expostos.

5-10-09

O mundo paralelo da mídia
e seus tucanos tresloucados

Só domingo, 4-10, Obama  decidiu agir em Honduras, dando prazo (72 horas) para Micheletti negociar. Mas a mídia vai dizer que foi ele quem salvou a Democracia.

Zelaya vê solução em  cinco dias.  Micheletti admite  que errou ao expulsar o presidente deposto, suspende estado de sítio e promete punir quem se excedeu.  Na verdade, tudo isto só foi possível graças  a posição firme da diplamacia brasileira que praticamene deu um basta no golpismo e no gorilismo no Continente, duas pragas patrocinadas, desde sempre, pelos  EUA.  Em suma: o Brasil deu o golpe no golpe.

Dois episódios paralelos e simultâneos, ambos emblemáticos, expõem de   maneira formidável o desencontro  entre a mídia brasileira e a nossa realidade: as enormes vitórias  do País conquistadas na Dinamarca (Olimpíadas) e em Honduras ( fim do golpismo e do gorilismo no Continente). Nas duas conquistas a ação  do Brasil foi exemplar, exímia.

No  que toca as Olimpíadas, a mídia não  tinha como esconder  o sucesso nem como  não contagiar-se, mesmo  a contragosto, com a euforia popular. Ainda assim,  não disse o principal. Ela não disse: sim nós podemos. Sim, estamos dando adeus ao complexo de vira-latas.

No caso de Honduras, a mídia já admitiu  que os golpistas estão em vias de ser derrotados. Mas de forma calhorda e sorrateira evita a verdade simples, a de que a derrota da gorilagem e dos serviços  secretos  norte-americanos   só foi possível graças a atitude  ativa  e proficiente da  diplomacia brasileira. Não fosse isto e  os golpistas, secretamente apoiados pelos EUA, estariam empurrado  o impasse com  barriga até as eleições de novembro, quando o golpe seria “legitimado”.  Só ontem,  constrangido pela  opinião mundial, Obama agiu efetivamente, dando prazo de 72 horas para que Micheletti negocie com  os representantes da OEA.

Esquizofrenia é uma palavra forte. Mas não há outra para definir o atual estágio da grande mídia  brasileira e  de suas elites encasteladas no reduto tucano, última trincheira calabarista e do pensamento neoliberal que  durante três longas  décadas imperou como uma avenida unidirecional de pensamento, desgraçou a periferia do sistema empurrada para a marginalização e a miséria (vide África) e, por fim, detonou o seu próprio núcleo central com a  colossal crise norte-americana. Crise que não é apenas financeira, mas do modo de produção capitalista em seu conjunto.

Em seguida, argumentado em tópicos para melhor fluidez do raciocínio,  vamos tentar analisar  sinteticamente estes episódios que estão mudando o rumo da nossa História:

1- O complexo de vira-latas, inspirada  criação de mestre Nelson Rodrigues, não é, apesar do  gênio do autor, um fenômeno   característico do povo brasileiro, como ele  supunha. É algo  circunscrito às elites que  pretendem, assim, distinguir-se do que ela  chama periferia. Já dissemos neste blog que  a burguesia nacional, embora  parda ( vide Roberto Marinho, seu símbolo maior), sempre desejou ver-se diariamente ao espelho como um Kennedy, mas desespera-se  e fica furiosa, por que tudo   o que vê é o Lula. É este descolamento entre o desejo secreto e a realidade que conduz à esquizofrenia.

2- Quando repetimos, neste blog, que a função essencial da grande mídia é apontar na direção errada, não  estamos  insistindo em uma frase de efeito. O que  queremos dizer é que  o Sistema precisa deseducar seus súditos, precisa desinformar e produzir uma descomunal profusão de analfabetos políticos, aqueles que devem ser competentes para  ajustar-se tecnicamente  e produtivamente ao  maquinismo global, mas   intelectualmente devem ser incapazes de  questionar este mesmo maquinismo. É assim, só assim que  Capital Global  (sistema) exerce  seu domínio.

3- O método corriqueiramente  utilizado pela mídia  nesta missão inglória é o da descontextualização  e da banalização daquilo que realmente é importante , somadas  à  indução ao egoísmo ao egocentrismo, ao popular “tô nem aí”. Numa palavra: a alienação massiva construía metódica e continuamente o que resulta nos conhecidos consumismo e falta de solidariedade social.

4- Como resultado disto,  num movimento reflexo, a grande mídia  passa a  acreditar em suas  próprias  armações, invencionices e deturpações e induz seus leitores (pequena minoria da sociedade) ao  tipo de demência, aqui denomina como analfabetismo político. É o que queremos dizer, quando repetimos sempre neste blog que  a mídia supõe que a opinião pública é a opinião por ela publicada. Mas felizmente não é. Seja como for, a tucanagem e sua mídia  acabam acreditando na  versão, na ilusão por elas  criadas. Passam a viver num mundo à parte, altista ou esquizofrênico.

Enfim,  estes são temas para discutirmos na continuação deste artigo em  outra oportunidade. Fiquemos por aqui, já que – e este talvez seja  um outro efeito de tudo o que estivemos discutindo acima -, fomos habituados a bocejar sempre que  ultrapassamos as primeiras  vinte linhas  de qualquer texto.

3-10-09

Zelaya vai reassumir  

O presidente deposto Manuel Zelaya e o golpista  Roberto Micheletti já  chegaram a um acordo. O primeiro reassume com o compromisso de realizar eleições das quais não participará e o segundo renuncia, retomando sua cadeira no Parlamento. A situação do general Romeo Vásquez, comande  das Forças Armadas e autor material do golpe que depôs  Zelaya  há três meses,  ainda tem sua situação indefinida, mas é certo que  deixará o comando. Provavelmente  será reformado. Mas há uma anistia geral sendo negociada, paralelamente.

Segundo nossa fonte no Itamaraty, empresários e a embaixada americana também  deram  seu OK ao acordo. Estaria faltado apenas a redação de um  protocolo de compromisso com relação a realização da eleições e sua data. Aguarda-se, também a chegada do presidente da Costa Rica,  Oscar Arias e dos  representantes da OEA (ainda hoje) para que o acordo seja  formalizado. E só isto. Se não ocorrer nenhum fato novo, absolutamente  inesperado, Zelaya será reconduzido ao governo.

A mesma  fonte descarta a versão fornecida à imprensa pelo deputado Raul Jungmann (da turma do contra) segundo a qual Zelaya se submeteria  a um processo por violação da Constituição. Esta hipótese  fica eliminada  em função da anistia recíproca (esquecimento) que está sendo negociada.

Nas duas  matérias que se seguem a esta, logo aí abaixo,  há mais detalhes sobre o acordo e sobre  esta importante  vitória da  diplomacia brasileira.

1-10-09

Crise em Honduras  pode
estar perto do desfecho

A crise institucional de Honduras criada há três meses com o golpe  conta o presidente  Manuel Zelaya  parece  caminhar para o desfecho.  Alta fonte da diplomacia  brasileira informa que os  dois  principais requisitos para  o término do impasse já foram alcançados: o presidente Zelaya concorda  em reassumir o cargo  com o compromisso de convocação urgente de eleições às quais não concorrerá. O presidente  Roberto Micheletti, içado ao poder pelo golpe, concorda em cancelar  todos os atos ditatoriais  impostos por seu governo e, em seguida, renunciar ao cargo, retomando sua cadeia vitalícia no Parlamento.  Não há indicação sobre a situação do comandante da Forças  Armadas, general Romeo Vásquez que  executou o golpe.  Provavelmente, como parte do acordo, não será  punido. Quando muito será reformado.

A oficialização do acordo estaria aguardando apenas a chega ao país do presidente   de  Costa Rica,  Oscar Arias    ou dos  embaixadores  da OEA que estão a caminho. Se confirmadas estas informações, a diplomacia brasileira, que agiu contra o golpe, terá obtido  uma de suas  mais expressivas vitórias e a mídia  brasileira,  que sempre torceu contra,   estará pagando o maior  mico de sua história.

Mais  textos sobre Honduras logo aí em baixo e na coluna Última Hora deste blog.

29-9-09

Honduras:  impasse começa  a ser removido

O general Romeo Vásquez chefe das Forças Armadas de Honduras (comandante do Estado Maior Conjunto) assumiu de fato, nas últimas  horas,  as negociações para que se encontre uma solução institucional  para a crise aberta há três meses com a deposição do presidente Manuel Zelaya. Isto representa o esvaziamento quase completo do poder do presidente golpista  Roberto Micheletti e pode antecipar  um desfecho.

Uma fonte da diplomacia  brasileira explica que  a  posição do general  não surpreende já que é uma conseqüência natural da ausência de mediadores para a crise,  umas vez á que o presidente da Costa Rica, Oscar Arias  (mediador anterior) se recusa a viajar para Honduras e os representantes da OEA, incumbidos da missão pela ONU,    ainda não chegaram ao país. Mas a fonte adverte que o general também é parte do problema.

Desde ontem à noite, pressionado pelo  Parlamento, pela própria ONU e provavelmente pelo  Forças  Armadas, Micheletti já havia baixado o tom: prometeu cancelar  os recentes atos ditatoriais e garantiu a  inviolabilidade da embaixada brasileira. No fim da noite de ontem,  pela TV,  ele chegou a mandar um abraço ao presidente Lula.

A mesma fonte chama a atenção para o fato de a  Secretária de Estado,  Hillary Clinton, durante conversa por telefone, ontem,  com  chanceler  Amorim ter  reafirmado sua concordância com a tese brasileira de que o retorno de Zelaya ao seu país  serviu para  quebrar o impasse anterior. Zelaya, diz a fonte, já concordou em  não  candidatar-se a um novo mandato, caso reassuma o  governo.

Neste contexto a declaração do  representante dos  Estados Unidos na OEA, embaixador  Lewis Amselen,  de que a  volta de Zelaya  foi inoportuna e de que  a sua segurança depende “daqueles que proporcionaram estes regresso”, é interpretada em primeiro lugar como  uma falta de  unidade do  discurso  diplomático americano no episodio. Em segundo lugar  deixa implícito que o  Brasil  tem o o direito de exercer  defesa, inclusive armada, de sua embaixada ( que é  considerada  território nacional) em caso de invasão ou ameaça disto. Esta noção  elementar vem  sendo sistematicamente  pouco valorizada pela mídia nacional. Se a embaixada brasileira for atacada, o país pode retaliar  imediatamente,  da forma mais adequada e com os aliados que considerar convenientes. É um elemento básico  do Direito Internacional.

Na coluna Última Hora deste blog,  há  mais informações sobre a crise hondurenha.

22-9-09

Dilma quer indicar seu vice, do PMDB, até outubro

Ciro cresce, mas não é ainda o Plano B de Lula. Veja comentário em matéria  de ontem, logo abaixo desta.

Primeiro a  notícia: como antecipamos neste blog, o governo está mobilizado para não  permitir que sua aliança com o PMDB  (necessária  para a governabilidade e para a sustentabilidade de sua candidata) passe por um processo de esgarçadura. Então ele  corre para atender  a principal  reivindicação do partido aliado, a indicação, até  outubro, do  vice na chapa de Dilma  que poderá ser o presidente da Câmara,  Michel Temer. Dilma está pessoalmente empenhada nisto. O presidente do partido, Berzoine (leia-se Zé Dirceu),  faz o chamado “doce”, mas acabará cedendo. Lula quer assim.

Agora um comentário necessário: é inacreditável, mas  os jornalões de um modo geral e o Globo em  particular tem confirmado, com dois  ou três dias de atraso, tudo o que revelamos aqui neste modesto blog a  respeito da sucessão presidência, como o leitor que nos acompanha habitualmente já deve ter notado.  Mas vejamos alguns casos recentes: há  dez dias dissemos que o PMDB  indicaria o vice de Dilma e que um dos favoritos seria Michel Temer, presidente do partido.  Dizíamos  ainda  que  os herdeiros do Dr. Ulisses  deram um prazo,  até outubro, para que   o governo resolvesse  a questão. Hoje, o Globo repete tudo isto em sua editoria política e o Estado publicou, domingo, entrevista de Temer cobrado publicamente uma decisão do governo. Dizer que o mérito é meu, seria empáfia. Então prefiro acredita que seja defeito dos jornalões: como exercem uma espécie de monopólio da informação formal, eles  perderam o tesão pela notícia e limitam-se a  armar pautas  que direcionem a opinião pública nesta ou naquela direção. Usam o leitor incauto ao invés de servi-lo. Além disso, embora arautos, da porta para fora, da liberdade de expressão, estes veículos vêm exercendo internamente um crescente  controle ( censura mal disfarçada) sobre seus profissionais.

Sobre o crescimento de Ciro Gomes nas pesquisas, a verdade é que sua cndidatura nordou-se irreversível. Neste caso, queira  ou não o PT, ele  é uma epécie de  Plano B imposto pelo destino.  É claro que os petistas jamais admitirão isto. Contudo, em política, jamais  é um advérbio bastante relativizado.  Tudo dependerá do que Lula , os marqueteiros  e a própria   Dilma consigam fazer  para aprumar sua candidatura.

21-9-09

Ciro não é o Plano B de Lula

O surpreendente avanço de Ciro Gomes  nas pesquisas que, como informamos ontem, o coloca em empate técnico com Dilma, não  o transforma automaticamente no Plano B do lulismo. O presidente Lula aparentemente gosta e confia nele. Mas não se pode dizer o mesmo do alto comando petista.  Por ora ele mais ajuda do que atrapalha, porque recolhe em partes mais  ou me nos iguais, votos tanto de Dilma como de Serra. Como o presidente e o PT acreditam que Dilma ainda vai crescer quando sua candidatura for “efetivada e  profissionalizada”, neste momento Ciro impede que Serra extrapole de sua vaga cativa  na casa dos 35/40% do eleitorado.

Do ponto de vista imediato, o maior problema criado pelo avanço de Ciro é a possibilidade de que ele atrapalhe as negociações  de Lula com o PMDB. Há uma semana, como  também anunciamos aqui, o partido de Sarney deu prazo, até o fim do mês,  para  que fosse selado o acordo  em torno da indicação pelo  partido do vice na chapa de Dilma. Agora  é possível que as velhas raposas herdeiras do Dr. Ulisses tenham perdido a pressa.  Neste caso, toda as costura em tordo da aliança eleitoral PT/PMDB que engloba  o vice de Dilma e os apoios recíprocos em vários estados, teria que começar da estaca  zero. Mas tenho o palpite de que O PMDB vai continuar exigindo uma solução imediata para o caso. E por uma boa razão: se o presidente se comprometer terá que cumprir para   não perder a governabilidade. Já seus parceiros poderão a  qualquer momento pular fora ou fazer corpo mole. Eles trocam o certo pelo garantido.

Na matéria imediatamente abaixo, o leitor encontrará a matéria de ontem sobre o Eeito Ciro.

20-9-09

Ciro soterra Serra

No Rio, Garotinho chega muito próximo de Cabral. Isto elimina qualquer  pretexto técnico ou político  para justificar o não lançamento da candidatura de Lindberg Farias ( PT) ao governo do  Estado.

Há um mês, e meus poucos porém fieis leitores hão de lembrar, disse aqui neste blog que eram diminutas as possibilidades eleitorais de Serra e que Ciro Gomes seria  o único candidato capaz de  barrar a eleição de uma presidenta no ano que vem. Pois a pesquisa que será divulgada amanhã, aponta um grande crescimento de Ciro, já tecnicamente  empatado com Dilma  na casa dos 20 por cento. Serra mais à frente, bate nos 40 pontos.

Duas observações: a- o crescimento de Ciro ocorre  uma semana após a apresentação do programa  do PSB na TV. Esta vantagem pode, portanto, ser neutralizada quando outros candidatos apresentarem seus programas; b– o fato de Serra ter atingido os 40 pontos, pode assinalar que ele está no  seu limite técnico, determinado pela sua acentuada rejeição e pelo fato de  o eleitorado  anti-lula estar confinado num horizonte de  apenas 35 por cento dos votos. Quando, no desenrolar da campanha,  houver a inevitável polarização governo/oposição os votos de  Serra refluirão para  seu leito normal e previsível.

Agora já podemos desenvolver o raciocínio central da  questão: o segredo do sucesso de Ciro está em que entre os candidatos do campo lulista ele é o único que navega com naturalidade  no eleitorado tucano. Isto quer dizer que ele se coloca na posição privilegiada  de um rio que recolhe afluentes à esquerda e à direita. Ou seja, ele retira votos tanto de Dilma quanto de Serra. Seria importante ver, quando as pesquisas  forem divulgadas de forma completa a relação de votos Serra/Ciro em São Paulo e nos estados do Sul,  principal reduto serrista. Esta proporção determinará a capacidade de Ciro subtrair votos de Serra.

Quanto à ministra Dilma, ela precisa deslanchar, mostrar que tem luz própria e , com a saúde recuperada, não limitar sua campanha a correr o país  pela mão do presidente, inaugurado obras. Ela tem que dizer quem é  e   quais são suas principais metas. Ou até mais: precisa mostrar como sua ambição pessoal se mistura com um projeto nacional. O eleitorado gosta disso. “I have a dream”.   

16-9-09 

Lula pode decidir amanhã, os destinos de

Sérgio Cabral, Michel Temer e Lindberg.

O presidente Lula terá  que decidir até sexta-feira, antes de sua próxima viagem ao Rio, se restabelece ou não sua aliança com Sérgio Cabral. Aliança quase rompida pela atitude intempestiva do governador que se posicionou não apenas contra a urgência da aprovação da regulamentação da exploração do pré-sal, mas contra própria regulamentação que considera prejudicial ao Estado do Rio. Há, entretanto, uma circunstância  paralela  que fragiliza ainda mais a posição  do governador: o presidente e a cúpula do PT ( leia-se Zé Dirceu, o pragmático), já concluíram que  é inevitável o anúncio antecipado da concessão ao PMDB, do posto de vice na chapa de Dilma Rousseff.  Este acordo garantirá, nestes quinze meses restantes, a governabilidade (maioria no Congresso) e a sustentabilidade da candidata oficial (máquinas  estaduais e tempo na TV). No PMDB, um dos nomes mais cotados para compor a chapa de Dilma é o de  Michel Temer, presidente da Câmara e do partido.

Se for assim, esta “solução por cima e no atacado”, desembaraça situações conflitantes em diversos estados, onde PT e PMDB, definitivamente não se entendem. No caso do Rio, por exemplo, o governador Cabral (que pleiteia  o apoio do PT)  perde  quase  todas suas moedas de troca: fica sem ter como barganhar, já que com ele ou  apesar dele o PMDB vai inteiro (pelos menos oficialmente) com Dilma. Isto abre caminho para o lançamento no Rio de uma candidatura do PT. O candidato petista mais provável é  o prefeito de Nova  Iguaçu, Lindberg Farias que poderia fazer com que, após mais de uma década, o PT fluminense se reconcilie com as urnas.

Para  mais detalhes desta novela, leia matéria logo aí   em  baixo.

14-9-09

Temer faz tudo para

ser o vice de Dilma

Ele já arrancou de Lula a promessa da vice-presidência.

Como promessas são apenas promessas,  ele vai insistir.

É difícil falar de PMDB sem que a palavra escroqueria  venha imediatamente à ponta dos dedos que bailam sobre o teclado. Mas é com ele que o presidente Lula Vargas da Silva governa e é com ele que  Dilma  será , ou  não, eleita presidenta. Isto tudo é para  dar uma idéia do  trabalho que Lula e o Berzoini, presidente nacional do PT, estão  tendo para garantir ao mesmo tempo a governabilidade de Lula e a sustentabilidade  da candidata.

Tudo passa, neste quebra-cabeça, pelas  sucessões estaduais onde geralmente PT e PMDB são bicudos que não se beijam, embora sejam aliados no nível nacional. Não cabe aqui inventariar este mar de problemas. Para  simplificar, fiquemos apenas  com dois exemplos, o Acre e o Rio Grande do Sul, onde as candidaturas petistas de Tião Viana e Tarso Genro são consideradas irreversíveis e inegociáveis.  Na maioria dos outros estados está tudo em aberto  e impera um desesperador toma-lá-dá-cá. O PMDB, conhecedor de sua força, espera  que o presidente use sua mão imperial para  impor  aos  petistas estaduais alianças desfavoráveis com o aliado indigesto. Em outros casos, a coisa se acomodará com dois  palanques para Dilma , como é o caso da Bahia. Entretanto, metade ou mais desses impasses  seriam solucionados se  houvesse desde já, embora não publicamente, um acordo em torno da candidato a vice de Dilma. E se esse candidato  for do PMDB ele já tem nome e sobrenome, Michel Temer, presidente da Câmara e do partido do Dr. Ulisses e do Delfim Neto. Aliás, ouso dizer que isto tudo ficou mais ou menos acertado, semana passada, durante a crise sobre  o pré-sal (urgência da tramitação). Temer, hábil e prestativo,  ajeitou as coisas. Provavelmente ganhou aí a (a promessa da) vice-presidência.

No caso específico do Rio, onde o PT, infelizmente, tende a transformar-se num partido de gabinete, tudo parecia caminhar para candidatura única  do governador Cabral (PMDB). Entretanto, ele recentemente pisou na bola, exatamente no mesmo  episódio do pré-sal que beneficiou Temer. O governador, precipitadamente, posicionou-se contra não apenas a urgência da votação dos  marcos regulatórios do pré sal, mas contra os  próprios marcos. Nem Serra ousou fazer isto. É verdade que Lula  engole sapos descomunais. Mas este ainda está entalado na garganta. Se for assim, abre-se espaço para  o lançamento da candidatura, ao governo do  Estado, do petista Lindberg Farias, prefeito de Nova Iguaçu. Esta seria a primeira oportunidade, em anos, de o PT fluminense reconciliar-se com as urnas.

10-9-09

Por que Dilma pode

crescer e Serra não

Uma análise mais ponderada da última pesquisa do Instituto Sensus divulgada terça-feira revela que a situação de Dilma é muito mais favorável que a de Serra, pela simples razão de que ele está espremido na estreita faixa de  30  cento  do eleitorado que exprime um sentimento oposicionista em relação  a Lula e ao seu governo. Não tem como crescer, a menos que deixe de ser oposição ou a  popularidade lulista sofra uma queda fantástica e improvável. Além disso, ele  terá que dividir  seu pequeno espaço com candidaturas como as de  Heloisa e Marina Silva. Como tenho tido insistentemente,  a candidata verde divide a área oposicionistas, apesar de seus ingentes esforços para não agredir Lula e o PT.

Quanto a Dilma ela beneficia-se com a comprovada transferência  do prestígio de Lula para ela e por um fato revelando na pesquisa, mas pouco estudado pelos analistas: ela cresceu substancialmente entre os eleitores de renda mais alta e de curso superior que se incluem entre  os chamados formadores de opinião. Nas fases preliminares da disputa eleitoral que é a que estamos vivendo agora. Este aspecto é crucial.  

Já comentamos  anteontem (ver matéria logo aí em baixo) que  Serra e Dilma, segundo o Instituto Sensus, evoluiram muito pouco em relação  a pesquisas anteriores. A rigor, dependendo da  pesquisa  passada a ser comparada, Dilma perdeu em torno de  três pontos o que  deve ser atribuído aos fatores Sarney, Lina e Gripe Suína. Fatores estes  cujos efeitos  já cessaram e podem ser  amplamente compensados pelo fator Pré-sal, que  terá efeitos duradouros e crescentes. Pelo lado de Serra, registre-se  que sua principal dificuldade, que começa a tornar-se dramática, é a de  ele  estar  empacado há muito tempo na casa entre 35 e 40 por centro.  Na comparação com pesquisas do  segundo semestre de 2008, Serra não cresceu e Dilma cresceu até 70 por cento. Como a pesquisa de ontem  registrou que  20,8  por cento  votam em quem Lula indicar e 31,4 por cento tendem a fazer isto, fica evidente que o potencial de crescimento de Dilma  é muito grande, sobretudo se o governo mantiver bem aquecidas as caldeiras ideológicas (Pré-sal à frente) que, ao que tudo indica, vão dar o tom nesta campanha.

Por que expressa o pensamento oficial da família Marinho, é importante acompanhar a coluna de  Merval Pereira  no Globo. Hoje, por exemplo, depois de  valorizar algumas fragilidades de Dilma, ele   foca todo o  raciocínio   na noção de que, em sua   evolução, a candidatura Marina pode tirar votos de Dilma. Isto revela a descrença de  que a candidatura Serra desencalhe. Os olhos oposicionistas estão voltados agora para outras candidaturas. A propósito, neste artigo Merval  destaca o fato de Marina ser  petista histórica e  símbolo da luta ecológica,  o que aponta como pontos fracos de Dilma. Mesmo sem reparar   na contradição de raciocínio  do exímio escriba  global – que trata como histórica uma candidata que  não é mais do PT e até concorre com ele -, é preciso lembrar que  Marina,  com seu provável  crescimento nas pesquisas,  vai retirar mais votos de Serra do que de Dilma, na medida em que  for vista pelo eleitorado oposicionista como uma alternativa  mais simpática para enfrentar o lulismo.  Hábil, a candidata verde evitar  criticar Lula e o PT, que juntos representam  mais de  70 por cento do mercado eleitoral. Neste caso, caberá ao PT e a Lula  enfrentá-la como a adversária que é. Ou seja, remetê-la  para o campo oposicionista. Importante não esquecer que lulismo e petismo são coisas diferentes. E isto não é mera sutiliza, é uma questão central.

7-9-09

Pesquisa mostra que Serra

e Dilma não evoluiram

A Pesquisa Sensus divulgada hoje mostra leve queda  de Dilma e da aprovação de  Lula em relação a maio (pico da popularidade do presidente)  por conta dos fatores Sarney, Lina e Gripe Suína. Note-se que   não foi  captado o efeito pré-sal, que deverá compensar este recuo. No mais, Serra permanece estável desde maio, o que demonstra que os fatores que prejudicaram Dilma, acima citados, não o beneficiaram. A pesquisa espontânea, importante quando os candidatos são conhecidos em graus muito diferentes (Serra é bem mais conhecido que Dilma), aponta  indefinição do quadro: Lula 21,2 – Serra 7,7 – Dilma 4,8. Diferença Serra/Dilma: 2,9. A pesquisa espontânea é aquela em que  pergunta-se apenas: Em quem você votaria para presidente?

Esta é apenas a primeira pesquisa do mês. Seja como for, Serra  pode respirar  aliviado porque, pelo menos não recuou. Isto não impede, contudo, que Aécio continue pressionado o Comando Serrista e a direção do PSDB para que  haja um tratamento mais igualitário entre a candidatura  do governador paulista e  a  dele, Aécio.

Veja pleito de Aécio na matéria logo abaixo.

Tucanos dão prazo para  Serra

mostrar sua viabilidade eleitoral

O Alto Comando Tucano esteve reunido informalmente durante todo o feriadão  para apagar o  “incêndio mineiro” provocado pela ameaça do governador Aécio Neves  de “botar a  boca no trombone”, para, como  informamos ontem neste blog, apontar os “erros estratégicos” do comando serrista. Aécio queixa-se de que, no interesse  exclusivo da candidatura do governador paulista cometeram-se equívocos extraordinários, a partir da instalação da CPI da Petrobras, “um tiro no pé”, até a falta de percepção de que Lula,  muito sabido, estava introduzindo o espectro ideológico na campanha eleitoral. Como resultado, recriou-se  artificialmente, ou não, uma analogia histórica entre Getúlio (Lula) de um lado e a velha UDN (tucanos) de outro. O resultado eleitoral, todos sabem, sempre foram favoráveis a Getúlio.

Aécio lembra sempre que seu avô Tancredo, embora  apontado muitas vezes como conservador, manteve-se  ao lado de Getúlio nos momentos cruciais, tanto que herdou a caneta de ouro  com a qual o  velho caudilho assinou sua carta-testamento. Não ter percebido esta ligação entre passado e presente, num momento  de  pré-sal ( reedição da campanha do petróleo é nosso) e  forte distribuição de renda, via Bolsa Família e aumento real do salário mínimo, foi um erro imperdoável, atribuído à arrogância e/ou auto-suficiência  de Serra. Por tudo isto,  o governador mineiro exige ser tratado como protagonista e não como apagado coadjuvante, de uma novela  cujo  capítulo final era do conhecimento de todos. Ou seja,  ninguém duvidava que  Serra seria o candidato tucano. Conversas sobre prévias e quejandos eram só  para boi dormir.

Ficou acertado que nenhuma  solução drástica seria tomada até  a divulgação das próximas pesquisas.  Isto pode parecer  conversa de político tentando empurrar o problema com a barrica. Mas não é não: na verdade Serra foi colocado diante da situação angustiante de ter  que comprovar sua viabilidade eleitoral, para poder continuar mantendo a máquina do partido (e o esquema midiático) a seu exclusivo serviço. Tudo isto num momento em que não vai beml nas pesquisas. Como Ciro Gomes anunciou ontem, “há  dúvidas sobre  quem será o candidato tucano”. E acrescentou: “na minha opinião será o Aécio”.

7-9-09

O Globo abandona Serra

e  fica entre Ciro e Aécio

Este feriadão está sendo tormentoso  para os tucanos e seus associados, a família Marinho e Montenegro/Ibop. Eles mantém contato permanente com o alto comando do PSDB. E mais: o calmo e ponderado Aécio Neves  esteve ou ainda esta a um passo  de uma desabafo público. Ele não se conforma com o que chama de camisa-de-força serrista que no interesse exclusivo do governador de São Paulo conduziu o barco tucano ao naufrágio, sem permitir que outros interessados (no caso ele Aécio), dessem  o menor palpite na estratégia a ser seguida. Para correligionários, o governador mineiro  aponta diversos equívocos desastroso do comando serrista, a começar pela instalação da CPI da Petrobras. Afluem bombeiros de todos os estados. Mas Itamar, que não gosta de Serra,  põe mais lenha na fogueira.

Convencida do desastre  de Serra,  a família Marinho deu a última chance  ao paulista, quando convocou seu escriba-mor, Merval Pereira, para a tentativa esdrúxula de vestir Serra, à ultima hora, com a camisa do esquerdismo e do estatismo. Em sua coluna do  dia dois passado ( como destaquei aqui neste blog), Merval  disse claramente que Serra esta à esquerda de Dilma e  é  contrário a autonomia do Banco Central. No domingo o Globo abriu espaço para Ciro e  Aécio lançarem suas candidaturas. Hoje, em sua  coluna da página de opiniões do Globo, Paulo Guedes, homem de confiança da casa, depois de  levantar a bola para Ciro e Marina,   destaca a frase do ex-governador do Ceará: “Tenho dúvidas  sobre quem será o  candidatoo do PSDB. Mas acho que será o Aécio”.

6-9-09

Homem-mercadoria descartável

O Capital (enquanto sistema global) é uma gigantesca coleção de mercadorias, úteis e inúteis. Todas estas mercadorias, independente de sua maior, menor ou nenhuma utilidade, possuem um duplo caráter: a–  seu valor de uso (não confundir com utilidade), sua materialidade, sua estrutura corpórea, que provém da Natureza  em metabolização com o homem, através do trabalho; b–  seu valor de mercado, aquele que, independente de sua utilidade, é produzido com o fim único de realizar lucro. De todas as mercadorias, a  mais importante é o Trabalho,  a essência do homem, geralmente vendido a razão de tantas  ou quantas horas diárias.

Não é difícil entender que   ao vender, alienar, seu trabalho enquanto sua essência o homem, por igual, aliena-se. E aqui a palavra alienação tem também um duplo caráter,  o que diz respeito a  sua venda e a que diz respeito ao despregar-se de sua essência e, assim, perder contado com a realidade – a alienação psicossocial ou coisificação.

Agora, o Capital (sistema como um todo) para acelerar sua acumulação, acelera o seu giro produtivo. Ele faz isso diminuindo o ciclo de vida das mercadorias, tornando-as  descartáveis. Ao produzir e consumir mercadorias descartáveis no  único interesse da acumulação do capital, o homem  torna-se , ele próprio, descartável e deixa der estar no centro, na lógica, das coisas por ele mesmo produzidas. Porém, alienado, ele não consegue ver isto.

Homem-mercadoria descartável  – Parte II

O que faz com que o homem se aliene do ponto de vista psicossocial é a venda, como valor de mercado, de sua própria essência, sua força de trabalho. Ele não realiza este trabalho, a razão de tantas ou quantas horas diárias, porque considera que isto é realmente necessário para a humanidade  como um todo. Ele faz isto (e passa toda  sua vida fazendo isto), simplesmente porque é pago para fazer isto. Assim, desde que  lhe paguem ele se sente à vontade para fazer qualquer coisa (de preferência considerada legal).  Individualmente é possível que muitas pessoas encontrem na sua labuta diária, uma sensação gratificante de estar sendo útil. Ótimo. Só que não estamos discutindo aqui situações individuais. Estamos procurando analisar a situação  do homem genérico, atrelado ao Sistema (modo de produção capitalista). Sistema este que tem como função única a sua própria acumulação, independente do que seja bom ou ruim para a humanidade. Mas não é só isto: o Sistema impinge a  todos  nós  aquilo que chamo de axioma implícito, mediante o qual, todos partimos do pressuposto de que  o atual modo de produção é o mais consentâneo com as reais necessidade do homem e, por isto, seria supra-histórico, imutável. Assim, em vez de discutirmos as razões (objetivos) do processo, discutimos apenas a sua eficiência.

Se você acha que  assim está bom. Ótimo, Deus lhe ajude. Porém, se  numa fração de segundo, num breve lampejo, você cogitar que embora individualmente cada um dos seres humanos apenas cumpra suas obrigações (suas tarefas diárias remuneradas), a humanidade como um todo  está destruindo, literalmente, o seu habitat, a mãe Terra, ou seja, está se autodestruindo, então, talvez  você esteja recobrando sua consciência adormecida nas cinzas do coração e da mente. E este é o momento de  voltarmos  à tese inicial, mais bem desenvolvida no  artigo anterior: o Capital (sistema como uma todo),  esta  fantástica coleção de mercadorias ( úteis ou inúteis) não tem como compromisso (não  encontra em sua lógica essencial) promover o bem ou a melhoria da qualidade de vida do homem genérico. O único compromisso do Sistema, já vimos, é com sua própria acumulação. Mas não é só isto: ele só obtém sua acumulação destruindo  todo o seu entorno, a começar pela Natureza. Abra sua janela e veja. É por isso que  digo, não com a preocupação de ser espirituoso, mas  para ser verdadeiro, que  supor um capitalismo  bem comportado, civilizado e não destrutivo, é supor um vampiro vegetariano.

 

-9-09

Pelo andar do carro, disputa

ficará  entre Marina e Dilma

Tinha resolvido  dar um tempo e não falar de prévias  hoje. Mas meus poucos  leitores são exigentes e não posso perdê-los. Vamos às prévias.

Sabemos que as possibilidades eleitorais de José Serra são diminutas, sobretudo depois do ingresso de Marina na disputa (um feitiço contra o feiticeiro) e do lançamento da Petro-Sal. Lançamento este que introduziu a questão ideológica na campanha presidencial, coisas do Lula que adora passar rasteira em quem o julga parvo.

Entretanto, faltam quatorze  meses para a eleição e seria estultice dizer que o presidente e seu comboiado PT já podem respirar aliviados. Então, considerando-se as dificuldades de Serra, o quadro que se apresenta  no momento é  o de uma disputa entre Dilma e Marina. Confesso que a entrevistas de Marina ao Jô – primeira etapa da pauta global  para promovê-la -, ficou aquém das minhas expectativas. Ela vai precisar passar por um profundo e delicado banho de marquetagem que, sem descaracterizá-la, acrescente algo externo à sua beleza interior. Como, digamos assim, Dilma também não tem uma imagem primorosa, deixemos por ora as questões técnico-eleitorais, embora elas não sejam irrelevantes e analisemos apenas o espectro partidário, midiático e ideológico.

Lembro que há uma semana, fui dos primeiros a notar que Marina tiraria mais votos de Serra do que de Dilma (ver artigo do dia 26-8-09 nesta coluna). Entretanto, pela mesma lógica, porém na ordem inversa, quando o eleitorado  sofrer a contaminação do chamado voto útil, os votos de Serra migrarão quase todos para Marina que passaria, assim, a ser o grande empecilho para o continuísmo petista. É impotante considerar que  a candidata verde recolhe os votos indignados (classe média) povocados pelo apagão ético, sem apresentar-se frontalmente contra Lula.

Nesta equação restaria apenas  a incógnita  chamada Ciro Gomes. Se ele conseguir sair candidato à presidência, o que não é tarefa fácil, haverá mudança geral do quadro e o candidato “socialista” teria  condições de  sorver votos  à esquerda e, principalmente, ao centro e à direita. Ele é eclético.

4-9-09.

Como  Direita e  Esquerda se

posicionarão  nestas eleições

Rebrotam as idéias após três décadas de profunda desertificação neoliberal

 

Há três meses havia sérias dúvidas sobre a capacidade de que Dilma, uma candidata ainda sem luz própria, pudesse ser bem sucedida apesar da enorme popularidade de seu patrono e inventor. Do outro lado, via-se um candidato poderoso, governador do estado mais populoso e rico, com boa imagem de administrador e, sobretudo, contado com o apoio decidido dos três pilares do Sistema, as oligarquias financeira, latifundiária e midiática. O Super Serra parecia imbatível.

Agora que  as  pesquisas estão indicando uma Dilma cada vez mais próxima de Serra, mesmo que o provável empate técnico não seja alcançado já nesta semana (mas o será, certamente, até o fim deste mês), é o momento de analisarmos como Direta e Esquerda se alinharão nestas eleições. Entretanto a grande novidade a ser destaca é a da reintrodução da questão ideológica no debate eleitoral.

Esta reintrodução, eu diria, foi obra mais da  necessidade do que do talento de Lula. Seja como for é a matéria-prima com a qual jornalistas, analistas e militantes terão que lidar. Na verdade este fenômeno (o da rebrota ideológica) não está circunscrito as eleições brasileiras, ele é conseqüência direta da crise iniciada nos  EUA, supostamente financeira, mas que é do Sistema como um todo. É, sobretudo a derrocada  do império absoluto do Mercado e seus  paradigmas neoliberais. É, finalmente, a oportunidade de  as esquerdas irem buscar no fundo do baú, do Raul que seja, suas eternas e generosas utopias.

Por tudo isto, soam incompreensíveis a defecção individualista e verdemente oportunista de Marina e a anacrônica teimosia udeno-moralista do PSOL que, cego pelo rancor, creio, alinha-se no episódio da Pré-sal com que há de  realmente podre na  política brasileira.

Lula intuiu e nisto consiste todo o seu mérito, que  era o momento de fazer uma re ligação  do presente com o melhor passado da política brasileira. Neste sentido, seu empenho pelo fortalecimento da UNASUL e o lançamento da  Pré-sal  sinalizam o fim da era tucana de modernização subalterna e de desmonte da capacidade operacional do Estado Brasileiro. Desmonte este promovido  de forma tenaz  por FHC, via privatizações indecentes.

3-9-09.

As prévias empurram

Serra para a esquerda

Vazaram, ontem à noite, informações de que em algumas das próximas prévias,  Dilma e Serra já aparecem  em empate técnico, ou muito próximo disso, numa faixa entre 22 e 30 por cento. Não é nada oficial. Na verdade são consultas informais que clientes importantes normalmente fazem junto aos institutos. Montenegro  (IPOB), por exemplo, muitas vezes , antecipa tendências, informalmente, inclusive pela imprensa. Feitas  estas ressalvas indispensáveis, o que há de concreto  é que  a direção do PT está soltando foguetes.

O mais importante, para os marqueteiros de Dilma é que os resultados das próximas prévias ainda não  refletirão o fato novo representado pela  lançamento do Pré-sal, que certamente beneficiará a candidata do governo.  Estas prévias apontarão apenas as alterações do quadro  verificadas pelo Efeito Marina que, como este blog antecipou há uma semana, retira muito mais votos de Serra do que de Dilma, muito ao contrário do que supunham os serristas. O Efeito Pré-sal, ainda nãofoi metabolizado pela opinião pública plena.

Em primeiro lugar quero advertir que os institutos – que nunca foram santos -, em  fases preliminares, ou seja,  ainda distantes  das eleições (quando sua creditibilidade ainda não está em jogo) não são imunes a leves ou até pesadas manipulações. Isto posto podemos analisar  as novas perspectivas eleitorais:

A primeira observação é a de que Serra, seus marqueteiros e a mídia aliada subestimaram absolutamente o fator ideológico. Anestesiados ainda  pela fase áurea dos paradigmas  neoliberais, quando estavam  no governo e quando parecia que  havia uma esgarçadura dos limites  entre direita, centro e esquerda, os tucanos adotaram como  lema  político a frase síntese de seu líder maior: esqueçam o que eu escrevi.

Entretanto, Serra – mais inteligente que seus marqueteiros e sua mídia – provavelmente já percebeu o grave equívoco e esta correndo atrás  do prejuízo, o que equivale à tarefa hercúlea de tentar trocar os pneus com o carro em movimento. Se for assim, pode-se dizer que ele já subiu no muro e aguarda a oportunidade para descer pelo lado esquerdo.

Há dois inícios importantes de que o raciocínio acima é correto. O primeiro é o de que Serra evitou criticar o Pré-sal. Porém o mais revelador é o artigo de Merval (Globo) Pereira de ontem,  para o qual  chamei atenção  ontem mesmo neste blog. Hoje, com mais calma estou  reproduzindo dois sutis parágrafos deste artigo:

“O certo é que, (estamos transcrevendo Merval) durante a campanha presidencial, haverá bastante espaço para a discussão de um projeto de país, mas a tentativa de Lula de jogar a disputa para o campo plebiscitário sobre seu governo pode levar a um falso embate ideológico, pois até o momento só existem candidatos de esquerda na sucessão presidencial, e certamente será difícil para Dilma jogar Serra e Marina para sua direita”. O parêntese e os grifos são nossos.

“O viés estatizante que emergiu (continuamos transcrevendo Merval) da solenidade do pré-sal, se predominar na campanha, vai dificultar  uma outra tática que já se esboçava no governo, a de explorar o que seria o “risco Serra” na economia, a fama do governador de São Paulo de ser intervencionista e centralizador, não dando espaço para um Banco central autônomo, por exemplo”.

Agora é só somar dois mais dois. Quando Merval, o escriba-mor da família Marinho,  chega a tentar de forma patética, como a vista acima, transformar Serra num candidato de esquerda  o que há, para dizer o mínimo, é um embananamento geral nas hostes serristas.

2-9-09

O desmonte de Serra

e o fim do Tucanato

Parte II – A virada de FHC

Este artigo é, obviamente, continuação da Parte I que você encontrará, logo abaixo, na sequência deste.

 

O leitor fiel que me  acompanha nestes exercícios diários de raciocínio aberto, sabe que, por cortesia e esperteza, procuro jamais ultrapassar as  25 linhas. Nestes tempos de descartabilidade e pressa, mal suportamos ir além da vigésima linha. Por isso, deixei para hoje uma parte importante do artigo de ontem. O momento da evolução tucana, em  que FHC ( “esqueçam o que escrevi”), vira definitivamente a casaca.

Os tucanos já estavam namorando Collor, queriam o governo, mas desistiram, quando o  Fora Collor ganhou as ruas. A sorte, porém,  lhes sorriria em seguida, quando Itamar, por admiração e amizade, convidou FHC par chanceler. À frente do Itamaraty, paparicado por cabeças coroadas do Primeiro Mundo, ele foi cooptado pelo pensamento neoliberal dominante expresso, como numa cartilha, pelo Consenso de Washington. Hábil, recomendo pelos ícones  ortodoxos do FMI que monitorava nossa economia, o futuro presidente consegue, então, alçar o Ministério da Fazenda. Ali, cercado pela nada da nata dos economistas caboclos recém convertidos ao neoliberalismo, realiza uma inegável proeza: elimina o estigma da inflação latente ( com surtos violentos de tempos em tempos) que nos martirizava desde os tempos de JK. Seria  estultice negar a competência da equipe  (Malan e Cia.)  que elaborou com brilho e implementou com proficiência o Plano Real.

Mas havia um porém, ou melhor dois: a nossa avassaladora dívida externa  construída pelos militares e a questão cambial.  A dívida nos atrelava aos  ditames dos credores representados pelo FMI, já o cambio engessado (a âncora cambial) arrebentaria por dentro a nossa economia.

A âncora cambial (real forte) combatia a inflação, via barateamento das importações e melhorava a visualização da relação entre a divida externa e  o nosso  PIB que, expresso em dólares, parecia maior do que realmente era. Cedo ou tarde teria que ocorrer a desvalorização violenta e o fim da farsa.  A dívida só poderia ser resolvida mediante uma palavra chave que soava como sinfonia para nossos credores: privatização a todo brida, para, com os recursos obtidos, amortizar o débito crescente.  E foi assim que, despido dos últimos vestígios de social-democrata, liberal assumido, FHC, numa das mais vergonhosas páginas de nossa História, começa a proceder ao desmonte deliberado da capacidade operacional do Estado Brasileiro. Mas, como  já batemos no limite das vinte linhas, isto é tema para o nosso próximo artigo, amanhã.

1-9-09

O desmonte de Serra

e o fim do Tucanato

Parte I

 

Em termos objetivos só se pode falar em fase terminal do Tucanado,  no que ele signifique de espaço ideológico/eleitoral relevante, quando e se ele  perder o controle dos três estados incluídos entre os cinco mais importantes do País: SP, RS e MG. Entretanto, o desmonte estrondoso e prematuro da candidatura Serra representa, neste momento, um inaudito abalo em seus alicerces. Em breve, acadêmicos, especialistas e jornalistas  estarão preenchendo infinitas toneladas de papel para explicar o fenômeno.

Seria pretensioso e leviano de nossa parte inaugurar desde já os debates, digamos assim. Entretanto, do ponto de vista estritamente jornalístico, vale registra, flagrar, o exato momento em que o Tucanato começou a ruir. E não é impossível estabelecer, desde já, uma pauta mínima, para as discussões que se seguirão. Então:

Em termos meramente político-eleitorais, o PSDB nasce em São Paulo, quando uma safra muito grande  de líderes expressivos com boa musculatura biográfica e intelectual, concordaram  que  velho PMDB do Dr.  Ulisses  estava-se transformando num território com muito cacique e pouco índio. Mais do que isto, escrupulosos ma non troppo, estes principais lideres decidiram que não dava mais para conviver com o fisiologismo barato de Orestes Quércia, um trator  iletrado que invariavelmente ganhava todas as convenções, ou seja, controlava a máquina do partido. Foi então que estes ícones da social democracia começaram a conspirar, contra o chefe, o” Dr. Diretas Já” que, velha raposa, namorava a lisura e o intelecto dos futuros tucanos, mas não escondia sua predileção pelo menino travesso,  Quércia, o Italianinho, que o poupava dos serviços sujos. Por falta de espaço, vão aqui os nomes de apenas  três dos principais conspiradores: Franco Montoro, Mário Covas e Fernando Henrique  Cardoso. Assim nascia o PSDB.

Não me julgue, querido leitor, um leviano. Se conto as coisas assim de forma tão  curta e apressada é para poupá-lo de um texto longo do qual todos fugimos  hoje em dia. E, afinal, estou tão somente propondo uma pauta elementar para futuras e fartas discussões.

Então, sempre, dentro do mesmo espírito de concisão, diremos que no campo  ideológico, o PSDB sofreu inicialmente  dois reveses: a– não conseguiu herdar a esquerda  do velho MDB que ou permaneceu no partido, ou migrou para o PT;  b– não conseguiu filiar-se à II Internacional Socialista, órgão que congrega, mais ou menos sob a tutela alemã, os partidos sociais democratas mundo afora. Antes dos tucanos, chegou o espertíssimo Brizola, que, amigo de Willy  Brandt, conseguiu que a  ficha de seu PDT fosse abonada primeiro.

A parte mais saborosa que diz  respeito a metamorfose ocorrida durante o  governo FHC “esqueçam o que eu escrevi”, quando um partido nascido social democrata  virou  comando supremo do processo liberal/conservador que promoveu a  modernização subalterna do  País, fica para a Parte II deste artigo. Por  enquanto, vou apenas reproduzir  trecho  de um outro artigo, onde assinalo o momento em que  os sociais democratas alemães cometeram a primeira grande traição contra a classe trabalhadora:

A 15 de janeiro de 1919, Rosa Luxemburg é presa em Berlin, ao lado de outros integrantes da Liga Espártaco, por ela fundada para marcar a posição marxista-revolucionária, em oposição às lideranças da Social Democracia Alemã. Estas lideranças já haviam cometido “a grande traição” de agosto de 1914, quando abandonaram as posições internacionalistas anti-guerra e, em seguida, contribuíram para abortar a revolução alemã de 1918. Finalmente, estas mesmas lideranças, já agora no governo, adotaram a linha revisionista de Bernstein e caminharam abertamente na direção da “democracia burguesa” que , no plano externo, disputaria posições imperialistas e/ou colonialistas com as demais potências mundiais. Estes sociais democratas alemães são, digamos, bisavós de nossos tucanos. A plumagem é a mesma. E foram particularmente cruéis (Freud explica) com a ex-companheira Rosa Luxemburg: três dias após sua prisão ela foi morta a coronhadas. Ela tinha então 49 anos e seu corpo, lançado a um canal, só reapareceria quatro meses depois.

31-8-08    

Um trator chamado Marina

e o fiasco do poderoso Serra

São as ironias da História. Bastou um gesto de uma mulher frágil franzina, de jeito tímido e aparência humilde, para varrer do mapa eleitoral um homem poderoso, algo arrogante e governador do mais  rico Estado da União. Em outro artigo poderemos estudar o porquê do fiasco de Serra que é  menos dele do que do Tucanato e de tudo o que  isto representa em termos de modernização subalterna, o calabarismo.

Como não suportamos ler  mais que 20 linhas de cada vez, fiquemos hoje só com o fenômeno Marina. Em primeiro lugar vamos deixar claro que se há alguma analogia com o fenômeno Obama, ela é  tênue e não justifica  que avancemos por esse caminho. Marina é um fenômeno brasileiríssimo e representa uma resposta cabocla, morena, a um  anseio  que transcende ao moralismo hipócrita e  epidérmico da classe média. Creio que o brasileiro médio – de todos os níveis, portanto -, adquiriu, em diversos  graus  de consciência um profundo asco pelo assim chamado mundo político, mais precisamente, a superestrutura institucional. Dos políticos mais conhecidos, salvam-se pouquíssimos, entre eles o presidente Lula, ainda assim, todo respingado de lama. Dizendo de forma simplificada, ele só  salvou-se porque conseguiu conciliar razoável sucesso macroeconômico com pequena distribuição de renda.  Pequena  porém inédita, neste país campeão da iniqüidade.

Marina  ainda não é popular. As próximas pesquisas vão demonstrar que  é conhecida apenas por uma minoria de brasileiros.  Exceto no Acre,  o povão sabe dela  tanto quanto do Aiatolá Khomeini. Mas entre os formadores de opinião, à esquerda, ao centro e à direita, ela já reuniu cúmulo-nimbo suficiente para desencadear um vendaval. Marina é a primeira resposta consistente à  chamada crise moral. O fato de ser ecologicamente correta, mulher e não branca pode ajudar, mas não  é  essencial.

Mas toda esta fortaleza corresponde, outra ironia, a uma fragilidade que pode ser fatal: o excesso de ambigüidades ou, se quiserem, o fio da  navalha. Sendo assim  vou repetir meus próprios argumentos de artigo recente  quando abri um parágrafo para elencar as principais ambigüidades da candidata:

A– Ela está  usufruindo  o espaço que a mídia interesseira porém néscia lhe  abriu supondo que sua  candidatura prejudicaria Dilma, mas este espaço  vai diminuir na medida em que diminuam os votos de Serra. B– Ela lança-se por um partido novo , mas que, ao contrário do PT ainda infante e apesar do nome, já está bichado pelas bactérias  inerentes a todo partido burguês. C– Ela se apresenta como sucessora de Chico Mendes, mas aceita o apoio de  Míriam Leitão  que capitaneia um legião grotesca de  empresários  neoverdes, entre eles um bandido ecológico chamado Blairo Maggi.  Ela diz ter sido criada em meio a utopias disseminadas  pelo antigo (o jovem), Lula e… por Fernando Henrique Cardoso.  D– Ela não afirmar claramente ser criacionista, mas coloca  este disparate teológico no mesmo nível do evolucionismo. Enfim, ela só está onde está porque reúne duas qualidades essências não só no político como no ser humano: tem, a um só tempo, fibra e flexibilidade. Mas  haja fibra  e haja flexibilidade.

30-8-09

As  contradições de Marina

e as dificuldades de Dilma

Este artigo pode e deve ser lido como uma continuação do artigo de ontem, “O momento auspicioso de Marina Obama Silva”, que você encontrará, logo abaixo, na sequência deste.

Em pesquisa de dois dias atrás feita pelo Vox Populi para o PT, há dois dados animadores para Dilma: seu grau de rejeição é bem menor do que o de Serra e ela ainda é desconhecida por  40 por cento dos entrevistados. Em resumo, ela  ainda tem um bom potencial de crescimento. Estas são as boas notícias para a candidata do governo. A má não chega a ser uma notícia porque é uma constatação antiga. Ela não tem luz própria. Personalidade forte até que ela tem. O problema está na gênese de sua candidatura que foi lançada  por vontade pessoal do  presidente. Tão pessoal que exalou certa fragrância imperial. Há História esta prenha de casos em que um governante muito popular impõe e viabiliza seu sucessor. “Eu elejo um poste”, disse Jânio e elegeu Carvalho Pinto. Ao longo de sua carreira, Brizola também elegeu vários postes que invariavelmente o traíram. Mas isto não vem ao caso.  O que quero dizer é que por não ter nascido de parto natural, a candidatura Dilma carregará este  peso até as urnas.

Com Marina a coisa é bem diferente. Ela é senhora de seu destino. Para o bem ou para o mal só depende de seu tino. O PV apenas carrega o andor. E mais: até dezembro ela é senhora  de seu tempo (oportunidades). Só fará  e dirá o que quiser, quando quiser. Depois de dezembro, lançada a candidatura, ela poderá se tornar escrava dos marqueteiros. Mas eu duvido. Enfim, o potencial de crescimento de Marina é muito maior  do que o de sua concorrente. Mas tudo tem seu limite.

O limite de Marina está também na gênese de sua candidatura, nascida em meio a uma portentosa ambigüidade. Ela é apoiada, hoje, por tudo aquilo que imaginávamos ser a  antítese de  seus projeto político e de vida: uma mídia calabarista , imediatista e corrupta desde sempre; um partido ainda frágil, mas já bichado pelas bactérias comuns a todos os partidos burgueses; um conjunto grotesco de empresário  “verdes”  arregimentados à pressas com o fim exclusivo de  ganhar dinheiro com este novo filão, o ecológico, e uma classe média alienada e ávida de encontrar um cômodo salvador da pátria, vezo que a fez amarrar seu barco em coisas do tipo Jânio e Collor.

Resumo da ópera: O que infla o ibop de Marina, hoje, são seus potenciais defeitos e não suas reais qualidades. Se ela ceder – ao, digamos assim, mundo mau que a cerca-, o que é potencial provavelmente vai tornar-se efetivo. Se reagir e  mantiver a integridade original, não se elege.

Meus poucos  porém fieis leitores  devem estar cobrando uma palavrinha sobre o Serra. Tudo bem:  creio humildemente que ele não chega ao segundo turno.  Foi atropelado  pelo trator Marina.

29-8-09

O momento auspicioso

de Marina Obama Silva

Este artigo pode e deve ser considerado como continuação de outro, “Por que Marina mina Serra”, publicado aqui há dois dias e que pode ser encontrado na continuação deste.

Como este autor  modestamente previu  há algum tempo, Marina retira muito mais votos de Serra do que de Dilma. Na verdade ela racha ao meio o território anti-lulista. Porém, e nisto consiste toda a sua esperteza, ela não se lança como candidata anti-lulista . A estratégia está lançada: ela quer ser o Lula ainda mais moreno, de saias, sem os defeitos deste e com consciência ecológica. Haja fôlego, Mas vamos por partes.

Então, num primeiro momento,  Marina abala terrivelmente a candidatura  Serra. Isto já é visível a olho nu e ouso antecipar que, salvo descarada manipulação, nas próximas pesquisas o tucano já aparecerá abaixo dos trinta pontos, colado a Dilma que, por  enquanto, ainda não sofreu fortes tremores em seus alicerces. Por enquanto.

Não é difícil prever também que veremos este filme até dezembro: Marina crescendo, Serra  descendo e Dilma estacionada ou com crescimento medíocre. 2010  a Deus pertence.

Serra, digamos, é carta fora do baralho, o futuro de Dilma (se ela não for apenas o chapéu que guarda lugar para o dono da cadeira) está nas mãos de seu patrono, o presidente Lula Vargas da Silva; Marina depende só dela, E de suas ambigüidades.

Que ambigüidades?

Vejamos só as principais, posto que são incontáveis: a– Ela está  usufruindo  o espaço que a mídia interesseira porém néscia lhe  abriu supondo que sua  candidatura prejudicaria Dilma, mas este espaço  vai diminuir na medida em que diminuam os votos de Serra. b– Ela lança-se por um partido novo , mas que, ao contrário do PT ainda infante e apesar do nome, já está bichado pelas bactérias  inerentes a todo partido burguês. c–  Ela se apresenta como sucessora de Chico Mendes, mas aceita o apoio de  Míriam Leitão  que capitaneia um legião grotesca de  empresários  neoverdes, entre eles um bandido ecológico chamado Blairo Maggi.  Ela diz ter sido criada em meio a utopias disseminadas  pelo antigo ( o jovem), Lula e… por Fernando Henrique Cardoso.  d– Ela não afirma claramente ser criacionista, mas coloca  este disparate teológico no mesmo nível do evolucionismo. Enfim, ela só está onde está porque reúne duas qualidades essências não só no político como no ser humano: tem, a um só tempo, fibra e flexibilidade. Mas  haja fibra  e haja flexibilidade.   

28-8-09

Momento difícil nas

Relações Brasil-EUA

Enquanto a Nação caçava o Sarney tão distraída, eles se instalaram na Amazônia.

Em artigo anterior revelamos que as relações entre Lula e Obama sofreram um impacto negativo. Foi em Quito, há cinco dias, quando o presidente brasileiro anunciou que convidaria seu colega norte-americano para uma reunião com todos os chefes de governo sul-americanos, para explicar a questão das  bases militares na Colômbia. Até aí tudo bem .Ocorre que Lula fez isto (e este foi um  modesto furo jornalístico com que brindamos nossos leitores) sem combinar antes com Obama. Isto , se não foi uma gafe, foi algo inusual nas relações entre países amigos. Ninguém, no contexto diplomático, faz um anúncio destes, sem uma consulta prévia. Três dias, depois, confirmando o furo, Lula  ligaria para Obama e, só então, faria o convite pessoalmente. E Obama recusou, sem muitos rodeios.

No mesmo artigo, publicamos (foi outro furo) um documento do Itamaraty que não é secreto, mas que não havia ainda  transitado para  a imprensa. Neste documento, de cinco anos atrás e de circulação interna, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do  Ministério das Relações Exteriores (nada menos) advertia claramente para o perigo de uma intervenção militar norte-americana na Amazônia. Vamos repetir trecho do artigo  em que revelamos o documento:

Para o embaixador, “o MERCOSUL  (a Argentina e o Brasil em particular) enfrentam três desafios de curto prazo no processo de articulação de  um papel autônomo no sistema mundial, multipolar, em gestação: A – Resistir a uma absorção na economia e no bloco político norte-americano, que está avançando rapidamente, de maneira disfarçada, por meio de negociações da ALCA e dos TLCs (tratados de livre comércio) e da dolarização gradual. Benfrentar uma possível intervenção militar externa na  Colômbia e eventualmente em toda a região amazônica. C – Recuperar o controle sobre as políticas, doméstica e externa, no momento sob controle do FMI (e da Organização Mundial do Comércio)”.

Segundo o embaixador, a construção “paciente, persistente e gradual da união política da América do Sul e uma recusa firme e serena de políticas que submetam a região aos interesses estratégicos dos Estados Unidos tem que ser objetivo  da nossa política externa e o MERCOSUL é um instrumento essencial  para  atingir esse objetivo”. E Pinheiro Guimarães ressalta que “MERCOSUL significa Brasil e Argentina, da mesma forma que União Européia  Alemanha e França e Nafta (Mercado Comum Norte-Americano) significa Estados Unidos e Canadá”, para acrescentar “que sem uma cooperação próxima entre Brasil e Argentina, a  ação coordenada no MERCOSUL  seria uma total impossibilidade”.

Tudo isto pra concluir, sem patriotadas e outras neuras, que nem só de flores vivem as relações Lula-Obama. Os espinhos ficam, como é natural, por conta dos interesses estratégicos (permanentes) dos seus respectivos países que são, evidentemente,  diferentes e até conflitantes. Então, os EUA aspiram  a manter a tradição secular de domínio militar, político econômico  sobre  as três Américas. Eles estavam tão habituados com isto que    esta situação de predominância incontestada lhes parecia  natural, como um presente de Deus. Já o Brasil, emergente, aspira manter uma liderança em relação à vizinhança mais próxima. Liderança esta que será natural (aceita naturalmente)  em primeiro lugar  em função do volume. Sob qualquer ângulo (território, população, PIB), somos a metade ou um pouco mais  do que toda a América do Sul. Em segundo lugar esta liderança só será aceita se fluir com leveza, sem imposições, com coerência e, sobretudo, com concessões pontuais. E é exatamente isto que o governo Lula vem fazendo de forma, eu diria, exímia. A grande mídia e boa parte da classe média não vêm isto, por puro complexo de vira-latas. Ou, se quiserem, um pacto secreto com o fracasso.

É preciso dizer ainda que a posição brasileira foi marcada definitivamente, em 2005 numa reunião entre Lula e Kirchner em Buenos Aires. Ele disse, então, como quem não quer nada, que  resolvera tirar a ALCA der sua  agenda. A ALCA, para quem não lembra, era o mercado comum continental que os  EUA tentavam impor e que engoliria o MERCOSUL. Com a ALCA,  todo o Continente  passaria à condição de uma espécie de México tamanho família.  No entanto, a partir daquela frase de Lula na capital argentina, não se falou mais em ALCA e o Brasil realizaria uma profunda inflexão em sua política externa. O resultado está ai a vista, o País jamais foi tão respeitado em todos os continentes. Mais uma vez, só o complexo de vira-latas impede que alguns setores vejam isto. Na verdade, com seu jeito peculiar (e bota peculiar nisto), Lula colocava em execução a estratégia definida por Pinheiro Guimarães.

Enfim, hoje  em Bariloche, os presidentes sul-americanos  estarão reunidos para discutir a questão das bases americanas na Colômbia, implantadas “de forma sorrateira”, segundo frase entreouvida nos corredores do Itamaraty. A mídia, The Globe à frente, vai dar muito mais destaque às sujeiras do Sarney, às tolices do Suplicy  ou o que mais tiver à mão para cumprir sua função elementar: apontar na direção errada.

Enquanto a Nação tão distraída…

27-8-09

O caminho tortuoso de Marina – Ambigüidades

Este artigo pode e deve ser considerado como uma continuação do de ontem, “Por que Marina mina Serra”.  

Para os sonhadores, bons sonhos. Mas em política não há lugar para castidades, nem retidões absolutas. Na vida também não. Os filósofos e o PT que o digam.

Vejo Míriam Leitão e toda a grande mídia que nunca foi santa apaixonarem-se   por Marina. Vejo importantes jornais americanos e europeus repentinamente descobrirem a candidata verde como uma solução madura para derrotar o lulismo. E vejo a parte superficial e imediatista da classe média  encantar-se a primeira vista com ela, exatamente como atraiu-se fatalmente por Collor, há 20 anos. E infiro disto que a confederação anti-lulista acionou seu Plano B. Se Serra der chabu, como parece que vai dar, ”vamos de Marina”.

Marina que pode até ser santa, mas não é tola, previne-se. Aceita com reservas o oba-oba da imprensa, não bate de frente com Lula e exige do PV, uma mudança completa de guarda-roupa e  a tutela de dez novos dirigentes escolhidos por ela. Foi um estréia impecável.

Entretanto, já que estamos falando de uma candidatura viável à presidência é justo que  imaginemos como seria seu governo. Seria o governo da Marina heroína da selva, sucessora  de Chico Mendes e defensora na linha de frente  dos povos, das entidades, da biodiversidade e da soberania amazônicas? Ou seria o governo inspirado em  Al Gore e  em Miriam leitão  com sua legião de  empresários recém conferidos ao verdismo? O inacreditável é que entre estes neo-santos empresários  consta o nome de um certo Blairo Maggi, misto de governador e devastador (o maior do Planeta)  e um dos principais responsáveis pela saída de Marina do Ministério. Enfim, seria o governo do Zequinha Sarney, presidente do PV e  de homens de  passado nobre como  Gabeira e Sirkis que resolveram  amarrar o ocaso de suas carreiras , às carreiras  de Serra e de Cesar Maia?

Marina pode até  ser santa, mas não é tola. Ela sabe que não há capitalismo civilizado, bem comportado, não destrutivo. A destruição e da essência do Capital. Só destruindo ele acumula. Ela sabe que a ocupação capitalista (desenvolvimentista) da Amazônia será o martírio da floresta. Por isto ela saiu do governo.

Não estou dizendo que Marina não vai ser presidenta. Não estou dizendo que ela não tem mais carisma que Dilma e Heloisa Helena, suas principais concorrentes. O que estou dizendo é que sua candidatura nasce de uma fantástica, de uma inenarrável  ambigüidade.

26-8-09 

Por que Marina mina Serra

Em três artigos  nos últimos dias procurei analisar o dilema (situação estratégica no atual momento político) de três personagens centrais, Serra, Marina e o PT. Eles vivem um momento crucial de suas trajetórias. Supus que o assunto estava esgotado, tanto que  avancei para temas  mais áridos porém fundamentais como é a questão da produção pela produção que  leva o homem a construir sua própria descartabilidade.Vejo, porém, que faltou clareza sobre as razões que me levam a acreditar que a candidatura Serra transformou-se numa canoa furada. Vamos a elas:

Os twitteiros expressam hoje, majoritariamente, um seguimento da classe média brasileira que, digamos cordialmente, não consegue compreende um milímetro abaixo da superfície dos fatos.  Esta situação, espero em Deus, é transitória, mas é a que está vigendo. Então é natural que a maioria dos que navegam nestas correntezas vertiginosas das frases curtas suponham  que a opinião publicada pela mídia controla  por escassas  sete famílias expressa a verdadeira opinião pública. Não é assim. E porque não é assim, episódios dramáticos ou patéticos como os que envolveram  nas últimas horas os senadores Mercadante e Suplicy,  embora possam traumatizar a militância petista, não alteram em um milímetro, os ibops de Serra, de Marina e de Dilma. O que provocará oscilações importantes nestes ibops são as seguintes circunstâncias: a– a queda ou ascensão do prestígio do presidente Lula; b– a capacidade de a candidatura Marina  tirar votos, de Dilma de um lado e de Serra de outro; c– a capacidade de a candidatura Serra expressar um desejo de mudar o que está aí posto.

Então: a– não há  o mínimo vestígio de que o prestígio de Lula tenha sido ou venha a ser atingido pelos escândalos em série criados na usina serromidiática; b– o episódio Marina e sua candidatura  podem fragilizar o universo petista, mas não provocaram  e  possivelmente não provocarão nenhum abalo no universo lulista (um fenômeno análogo ao do getulismo e que ainda não foi destrinchado pelos especialistas à mão da grande mídia), que é o que eleitoralmente conta; c– Serra não expressa  mudança a não ser  na direção de um passado que tem como único e exclusivo saldo o fato de ter abolido o estigma inflacionário da cena brasileira, o que não é pouco, mas é insuficiente, até porque Lula não comprometeu este aspecto macroeconômico.

Tudo isto bem ponderado me parece suficiente para afirmar que Marina retirará, daqui até o desfecho nas eleições de 2010,  muito mais votos de Serra do que de Dilma, já que ambas, ao contrário de Serra, apontam para o futuro e para um universo ideológico mais palatável para a verdadeira opinião pública brasileira. Marina só vai começar a minar a candidatura Dilma se (e esta é uma hipótese que  soa absurda  pelo menos neste momento) ela (Marina) apresentar-se como uma  espécie de continuação do lulismo, sem os defeitos deste.

Homem-mercadoria descartável  – Parte II

Advertência: para melhor compreensão deste texto, o ideal é que se leia, antes, o texto abaixo dele, do qual, este,  pode ser considerado uma continuação. Fica a seu critério.

O que faz com que o homem se aliene do ponto de vista psicossocial é a venda, como valor de mercado, de sua própria essência, sua força de trabalho. Ele não realiza este trabalho, a razão de tantas ou quantas horas diárias, porque considera que isto é realmente necessário para a humanidade  como um todo. Ele faz isto (e passa toda  sua vida fazendo isto), simplesmente porque é pago para fazer isto. Assim, desde que  lhe paguem ele se sente à vontade para fazer qualquer coisa (de preferência considerada legal).  Individualmente é possível que muitas pessoas encontrem na sua labuta diária, uma sensação gratificante de estar sendo útil. Ótimo. Só que não estamos discutindo aqui situações individuais. Estamos procurando analisar a situação  do homem genérico, atrelado ao Sistema (modo de produção capitalista). Sistema este que tem como função única a sua própria acumulação, independente do que seja bom ou ruim para a humanidade. Mas não é só isto: o Sistema impinge a  todos  nós  aquilo que chamo de axioma implícito, mediante o qual, todos partimos do pressuposto de que  o atual modo de produção é o mais consentâneo com as reais necessidade do homem e, por isto, seria supra-histórico, imutável. Assim, em vez de discutirmos as razões (objetivos) do processo, discutimos apenas a sua eficiência.

Se você acha que  assim está bom. Ótimo, Deus lhe ajude. Porém, se  numa fração de segundo, num breve lampejo, você cogitar que embora individualmente cada um dos seres humanos apenas cumpra suas obrigações (suas tarefas diárias remuneradas), a humanidade como um todo  está destruindo, literalmente, o seu habitat, a mãe Terra, ou seja, está se autodestruindo, então, talvez  você esteja recobrando sua consciência adormecida nas cinzas do coração e da mente. E este é o momento de  voltarmos  à tese inicial, mais bem desenvolvida no  artigo anterior: o Capital (sistema como uma todo),  esta  fantástica coleção de mercadorias ( úteis ou inúteis) não tem como compromisso (não  encontra em sua lógica essencial) promover o bem ou a melhoria da qualidade de vida do homem genérico. O único compromisso do Sistema, já vimos, é com sua própria acumulação. Mas não é só isto: ele só obtém sua acumulação destruindo  todo o seu entorno, a começar pela Natureza. Abra sua janela e veja. É por isso que  digo, não com a preocupação de ser espirituoso, mas  para ser verdadeiro, que  supor um capitalismo  bem comportado, civilizado e não destrutivo, é supor um vampiro vegetariano.

Há quinhentos anos, para construir uma catedral ou para fabricar um par de botas, o homem pensava na  eternidade. Hoje, porque o Sistema quer (precisa) girar mais rápido, para  mais rapidamente acumular, o homem é constrangido a produzir  coisas, desde um abridor de latas até cidades inteiras, que tenham um ciclo de vida cada vez mais curto. É o império da descartabilidade. Alienado, rendido ao axioma implícito do Sistema, o homem não percebe que assídua e honestamente, no seu dia-a-dia, vai laborando para que ele próprio seja descartado

 

24-8-09

O homem-mercadoria descartável

Vou tentar dizer em menos de  25 linhas:

O Capital (enquanto sistema global) é uma gigantesca coleção de mercadorias, úteis e inúteis. Todas estas mercadorias, independente de sua maior, menor ou nenhuma utilidade, possui um duplo caráter: a–  seu valor de uso (não confundir com utilidade), sua materialidade, sua estrutura corpórea, que provém da Natureza  em metabolização com o homem, através do trabalho; b–  seu valor de mercado, aquele que, independente de sua utilidade, é produzido com o fim único de realizar lucro. De todas as mercadorias, a  mais importante é o Trabalho,  a essência do homem, geralmente vendido a razão de tantas  ou quantas horas diárias.

Não é difícil entender que   ao vender, alienar, seu trabalho enquanto sua essência o homem, por igual, aliena-se. E aqui a palavra alienação tem também um duplo caráter,  o que diz respeito a  sua venda e a que diz respeito ao despregar-se de sua essência e, assim, perder contado com a realidade – a alienação psicossocial ou coisificação.

Agora, o Capital (sistema como um todo) para acelerar sua acumulação, acelera o seu giro produtivo. Ele faz isso diminuindo o ciclo de vida das mercadorias, tornando-as  descartáveis. Ao produzir e consumir mercadorias descartáveis no  único interesse da acumulação do capital, o homem  torna-se , ele próprio, descartável e deixa der estar no centro, na lógica, das coisas por ele mesmo produzidas. Porém, alienado, ele não consegue ver isto.

O dilema do PT

Agora que, na minha modesta opinião, Serra pode ser considerado um adversário com pouquíssimas  chances (ver meu texto do dia 21 o Dilema de Serra) parece oportuno analisar o dilema  do partido que esta hoje  no centro da crise política. Enfim, Sarney com muita habilidade e, concordemos, com algum tutano, jogou a crise que  era sua  para cima do PT e ela caiu na cabeça do Mercadante. Tudo isto para dizer que o rosto, triste e agoniado  exibido pelo senador no discurso em que renunciou à renúncia, é  o retrato do próprio PT.

Esta certo César Benjamin quando diz que ao assumir o governo, em 2002, o PT mandou a revolução às  favas e aninhou-se no condomínio burguês do poder. Eu diria mesmo que  esta decisão já estava tomada pela cúpula do partido (leia-se Lula-Dirceu) antes mesmo de  iniciada a campanha eleitoral. E diria ainda que  desde a segunda derrota para  FHC, o partido já se transformara em arena de  acirradas disputas  entre incontáveis correntes, mas, para  o que importa aqui, besta dizer que a majoritária (poderíamos dizer bernsteineana?) passou a ditar as regras que culminaria, com a vitória, a posse com sobressaltos menores que os esperados e a conquista da governabilidade que começou com a inusitada nomeação de Meirelles para o Banco Central e culminou com o mensalão.

Nada disso é novidade, mas serve para refrescar a memória e acender as lamparinas do raciocínio. Então, o que, temos? Temos um partido social-democrata perfeito e acabado, que mantém ainda, por nostalgia, tradição e porque fica bem, algum vínculo com movimentos sociais revolucionários  ou quase. Não estou aqui para dizer se  este  quadro é bonito ou feio, estou aqui para dizer que este é o quadro. Se concordarmos com isto,  fica mais fácil  ver que  os outros não têm o direito de cobrar do partido mais do que ele pode dar. Até porque, para o Sistema,  o PT já deu as garantias de respeito elementar às regras democráticas burguesas. Ou seja, deu sua própria essência revolucionária. E o partido, finalmente, pode, se quiser, deixar de apresentar-se  como aquilo que já não é. Lula e seu partido não têm absolutamente nada de  subversivos. Gostariam de ser desenvolvimentistas, mas para isto seria  necessário salpicar mais algumas  pitadas de JK sobre e  cabeça de Lula. E são generosos com os humildes, assim como Getúlio e Jango o foram.

Finalmente, é preciso, creio, ter lucidez e honestidade para ver que, sendo o que realmente é, um partido-social democrata atrelado às regras institucionais burguesas, o  rebento  de Lula (que ele não vacila  em usar e humilhar) esta a quilômetros de distância dos demais partidos burgueses, sobretudo do calabarista PSDB, cuja vitória eleitoral representaria um retrocesso histórico  irrecuperável. Na política externa, vale destacar,  Lula  está fazendo mais do que Floriano, Getúlio e Jango que já haviam feito muito. Gosto de dizer que o Amorim é o Rio Branco destes novos tempos.

Enfim, o dilema do PT é o de  encontrar ânimo para recolar sua imagem na do Lula e apresentar-se  diante do distinto público como ele realmente é. E lamba os beiços, porque o público até que esta gostando. E seria também de grande utilidade apresentar-se,  pelo menos desta vez, com um plano mínimo de governo.

Na seqüência, você poderá ler “O dilema de Marina” e “O dilema de Serra”.

O dilema de Marina

Sempre respeitei Marina Silva como heroína não só das causas ambientalistas,  como da Amazônia em si, seus  povos e suas entidades. Agora temo que ela se vulgarize no verde superficial e picaretoso. Porque é vulgar e picaretoso não estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o modo de produção e de consumo capitalistas e  a  atual devastação ciclópica de recursos naturais escassos- a Natureza em si.

É compreensível a mágoa de Marina  e é preciso respeitar seu desejo de continuar sua luta onde ela supõe que as condições sejam mais favoráveis. Mas é  desastroso se ela estiver sendo usada por gente cínica, hipócrita e cobiçosa. Os fabricantes de cigarro são tão acanalhados que chegam ao desplante de embalar seus produtos com  fotos horripilantes de suas conseqüências. É com este tipo de gente, em graus variados, que Marina vai ter que convive agora, dividir seus projetos e sonhos.

Há ambientalistas ingênuos que supõe  a reciclagem como a solução de todos os nossos problemas, quando ela apenas nos remete do lixo ao lixo e perpetua , estimula, o problema central: a produção vertiginosamente crescente de produtos descartáveis. Marina vai esclarecer esta questão crucial (na verdade uma descomunal mistificação) durante a campanha presidencial?

Desgraçadamente são mínimas as possibilidades de sucesso nesta nova trilha de Marina. Quando seus atuais parceiros, a começar pela mídia calabarista, alienada e alienante, descobrirem que ela não é uma inocente útil, a descartarão liminarmente, sem chance de reciclagem.

Veja logo abaixo, “O dilema de Serra”.

20-8-09

O dilema de Serra
 

O Estado Maior da  campanha  Serra esteve reunido informalmente, via Internet, madrugada a dentro, para avaliar os estragos no casco da nau capitânia, provocados por três fracassos concatenados, ocorridos no curto espaço de 24 horas: a– o “fiasco” do Escândalo Lisa, que não ofereceu os resultados esperados, primeiro por que apesar de  parecer sincera, a ex-secretária da Receita não apresentou provas, e, segundo, porque aturdida pela vertiginosa sucessão de escândalos a “opinião pública” não chegou a focar suficientemente no episódio; b– a divulgação da pesquisa Vox Populi, expondo um Serra estacionado nos 30 por cento, vendo já a Dilma  pelo retrovisor; c– o lançamento hábil da candidatura Marina, num momento crucial que  pega um PT fragilizado pelo  Efeito Sarney e um Serra que não consegue fazer sua candidatura deslanchar.

Por estranho que  pareça ao leigo, o que mais preocupa ao staff serrista é o sucesso de Marina. Seu desligamento do PT e virtual lançamento da candidatura, retira muito mais votos  do tucano do que  de Dilma, pela boa razão de que ela ( Marina) divide o assim chamado “campo oposicionista”. Com palavras simples: será maior o número de eleitores que  abandonará Serra para eleger Marina, do que aquele que abandonará Dilma.

Talvez seja este o momento para analisarmos o dilema de Serra, a começar pelo fator ideológico sempre subestimado, sobretudo durante o tsuname neoliberal  que assolou o mundo nas últimas décadas. Entretanto a ideologia ainda tem peso importante. Ela não é tudo, mas, numa eleição presidência, pode fazer a diferença.  Este o calcanhar de Aquiles  dos tucanos, porque, queiram eles  ou não  a maioria da população  brasileira guarda subjacente (no seu inconsciente coletivo) um forte conteúdo nacionalista, que remonta aos tempos getulistas. Agora mesmo a  CPI da Petrobras,  o primeiro  “escândalo” da série articulada por Serra e sua mídia, acabou sendo um tiro no pé , na medida  em que esbarrou no velho e bom nacionalismo brasileiro, do qual a estatal é o símbolo maior. Ora, no quesito nacionalismo Serra  perde de  dez a zero para qualquer outro candidato, até porque os tucanos  adquiriam, graças à fúria privatizante  e desnacionalizadora de FHC, uma indelével marca calabarista.

Enfim, são temas instigantes que  mereceriam mais atenção. Contudo, como todos nós começamos a bocejar assim que  qualquer artigo  ultrapasse a marca fatal das vinte  linhas, vamos  concluindo este, não sem antes dizer que o Fenômeno Serra é típico da  metabolização  alienada e alienante entre a grande  mídia e a classe média. Num primeiro momento,  a mídia  se utiliza da descontextualização e da desinformação maciça para reduzir largos setores da classe média a uma inocência quase infantil. Num segundo momento ela (a mídia) se compatibiliza com a infantilidade. E isto que faz com que ambas suponham  que opinião pública é a  opinião publicada pela mídia controlada por escassas sete famílias.

20-8-09

Datafolha “confessa” manipulação

 

O companheiro Diego Calazans matou a  charada e descobriu o porquê da discrepância de  sete pontos (37 contra 30) atribuídos a Serra pelo  Datafolha e pelo Vox Populi: o Datafolha simplesmente manipulou  o resultado aumentando incoerente e indevidamente o peso de São Paulo na pesquisa.

Vejamos o que o próprio Diego diz: ”O Datafraude diz que entrevistou 4.100 pessoas do país inteiro, sendo 2.052, mais de 50 %, em um estado que tem 22,34% da população. Desse total (1.092) da cidade de São Paulo que tem 28,7% da população do Estado. Considerando que Serra é paulista, ex-prefeito da  capital, atual governador e tem sua base eleitoral aqui. Isto é o que os americanos chamam de “smoking gan”, a  arma do crime ainda na mão do criminoso”

Continuamos lendo Diego: ”Imaginemos que ao invés de Serra, o Datafraude quisesse beneficiar  Aécio, que fazer? Simples, exatamente a mesma coisa, só que com Minas substituindo São Paulo. Se fizermos uma pesquisa onde  mais da metade dos eleitores sejam mineiros, a votação de Aécio vai estar brutalmente superestimada. Até o mundo animal sabe disso”.

19-8-09

Tchau Serra. Teremos presidenta

Estacionado  nos 30  por cento, campeão da rejeição e literalmente  imobilizado por três mulheres, José Serra começa a dar adeus ao sonho presidencial. Administrador competente e político hábil  que também sabe jogar pesado, ele até que  fez o que pode, mas as circunstâncias lhe são totalmente adversas: a- um presidente como nunca houve  outro tão popular , em fim de mandato; b- três candidatos (Ciro, Marina e Heloisa) que quando crescem  o fazem retirando  votos tanto de Dilma  quanto de Serra, meio a meio, e c- uma população que não quer  graves alterações de rumos, a não ser na questão ética. Mas neste quesito, há a sensação de que ninguém é melhor do que ninguém.

A comprovação do que aqui vai  sendo dito poderá ser obtida  muito em breve  com novas pesquisas já incluindo o nome de Marina. A de ontem,  Vox Populi, não  incluiu a candidata verde.

Abstraída a crise institucional, que poderá agravar-se  nesta sucessão vertiginosa de escândalos, o quadro é todo  desfavorável a Serra, porque todos os indicadores apontam numa retomada do crescimento econômico ainda neste segundo semestre, com  deslanche pleno no próximo ano quando se  alcançará o céu de brigadeiro, com desenvolvimento acelerado, sem inflação.  O País não via  isto desde os anos 70. E uma pequena informação de bastidores: no último encontro com Meirelles, há dez dias, Lula foi incisivo e disse lá com suas  palavras, algo como “agüentei teus juros altos durante oito anos, agora deixa comigo e  vai cuidar de sua carreira política”.

Quanto à crise institucional que abstraímos acima para não tumultuar o raciocínio, o certo é que se ela  beneficiar a alguém, não será  certamente ao Serra. Aliás, se houver algum estrategista entre os tucanos, eu gostaria de  saber que é. Para jamais contratá-lo. E quanto à presidenta, escolha você, leitor amigo, entre uma das três disponíveis.

 

11-8-09

O tsname e o chapéu

Há meses cogitei que a candidatura Dilma poderia ser um chapéu. Não ventilei a idéia em consideração ao presidente que, afinal, provou por atos sua palavra de desapego ao terceiro mandato e, principalmente, em respeito à ministra Dilma e ao seu sofrimento na doença. Este último empecilho, creio, foi eliminado pela forma valente com que ela superou e supera as dificuldades inerentes à doença. Ela é uma candidata como qualquer outra ou qualquer outro.

Resta dizer aos  muito jovens ( Santo Deus, é preciso explicar tudo!) que chapéu é uma forma figurada de dizer que certa cadeira, embora vazia, está apenas aguardando o seu dono. Mas isto é do tempo em que se ia  ao cinema e se usava chapéu. Vamos adiante: o que mais se critica no presidente (principalmente por parte do PT) é  a precipitação da campanha presidencial, com o lançamento prematuro da candidatura Dilma. Ora, esta candidatura resolveu dois problemas, o da cizânia dentro do partido e, (por que não?),  deu tempo para que Lula  cogitasse sobre a conveniência ou não  de sua  nova reeleição – o chapéu. Foi um golpe de mestre.

Chamo Marina de Tsname por causa desta maldita mania de   dar apelido a todas as coisas. Mas ainda não se sabe se ela será candidata e se for, não há total garantia de que arrase eleitoralmente os adversários.  A candidata do PSOL também parecia um furação e deu no que deu. Além disso, tudo depende  da arrumação partidário, do arco ideológico e até do tempo na TV. Há uma infinidade de variáveis

A principal variável, creiam, é a vontade do próprio presidente. Há alguns dias – e este é um furo deste humilde blog – ele confidenciou a um de seus principais conselheiros que tudo o que quer, após passar a faixa, é viajar (que novidade!) pela America do Sul, consolidando ou mesmo tornado irreversível a união econômica e política do Continente. A UNASUL, nos moldes da União Européia, é sua obsessão, seu principal projeto biográfico. Por isto ele odeia com a mesma intensidade a subserviência de Uribe em relação aos EUA e o estabanamento de Chávez, um macaco em loja de louça.  Mas é  sobretudo  em função deste projeto maior que – estadista de macacão – ele suporta  os desaforos e inconveniências  do Lugo e do Morales.  Ele considera que  as atuais concessões ao Paraguai  e à Bolívia, são merrecas diante dos benefícios que a  unidade sulamericana trariam para  a indústria brasileira, coisas que  The Globe, a FIESP a Miriam Leitão e o Noblat, absolutamente não conseguem perceber. È o complexo de vira-latas.

Enfim se Marina for mesmo Tsuname, se a candidatura Dilma começar a fazer água ou se o presidente, durante um churrasco se aborrecer do alto de seus 80 por cento de aprovação, pode ser que um terceiro mandato comece a tomar forma. Um dos caminhos para isto, talvez o  mais barato e o mais popular, seja  a convocação de uma constituinte, plena ou  de meia-sola. Em seu bojo talvez se pense, mais uma vez, no parlamentarismo – a solução Putin. O PT é que não vai querer largar este osso.

Até a próxima.

10-8-09

O eixo da política
externa  de Lula

No nosso artigo de ontem, “O xadrez entre os dois Caras”, revelamos que não há só flores no relacionamento entre Lula e Obama. Os espinhos ficam por conta dos objetivos estratégicos dos seus países que não podem, evidentemente, ser idênticos. Informamos, então, que a partir de 2005 houve uma drástica inflexão na política externa brasileira. Abandonamos definitiva e ostensivamente a noção de que nossa economia poderia estar de alguma forma engatada (subordinada) à economia norte-americana. A alternativa era e é o fortalecimento do MERCOSUL, com Chávez ou sem Chávez, com Uribe ou sem  Uribe. Mas o ideal é que seja com ambos.

Hoje, com a mesma preocupação com a brevidade (é uma cortesia do autor), vamos tentar demonstrar que O Itamaraty continua não improvisando. Ao contrário, cada passo corresponde a um objetivo estratégico maior, traçado com muita antecedência. Prova disso são os trechos de documento (de cinco anos atrás), cujo autor, embaixador Samuel |Pinheiro  Magalhães é nada menos que secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores. O texto,”O papel internacional do MERCOSUL” não é sigiloso, mas  de circulação restrita aos meios profissionais-diplomáticos.

Para o embaixador, “o MERCOSUL  (a Argentina e o Brasil em particular) enfrentam três desafios de curto prazo no processo de articulação de  um papel autônomo no sistema mundial, multipolar, em gestação: A – Resistir a uma absorção na economia e no bloco político norte-americano, que está avançando rapidamente, de maneira disfarçada, por meio de negociações da ALCA e dos TLCs (tratados de livre comércio) e da dolarização gradual. B – enfrentar uma possível intervenção militar externa na  Colômbia e eventualmente em toda a região amazônica. C – Recuperar o controle sobre as políticas, doméstica e externa, no momento sob controle do FMI (e da Organização Mundial do Comércio)”.

Segundo o embaixador, a construção “paciente, persistente e gradual da união política da América do Sul e uma recusa firme e serena de políticas que submetam a região aos interesses estratégicos dos Estados Unidos tem que ser objetivo  da nossa política externa e o MERCOSUL é um instrumento essencial  para  atingir esse objetivo”.

E Pinheiro Guimarães ressalta que “MERCOSUL significa Brasil e Argentina, da mesma forma que União Européia  Alemanha e França e Nafta (Mercado Comum Norte-Americano) significa Estados Unidos e Canadá”, para acrescentar “que sem uma cooperação próxima entre Brasil e Argentina, a  ação coordenada no MERCOSUL  seria uma total impossibilidade”.

Isto tudo demonstra, creio eu, a forma leviana, irresponsável e  desonesta com que a grande mídia  _ The Globe  à frente –  impingem  desinformações deliberadas, superficiais, fazendo o leitor incauto supor que  o Itamaraty improvisa ou usa dois pesos e duas medida, além de dar cobertura a governos populistas. Lula não dá preferência a nada disso, apenas,  com visão de estadista  que surpreende aos que vêem nele apenas um ex-operário, cumpre, habilmente, uma estratégia bem ponderada, que tem como objetivo central eliminar a  atual assimetria no dialogo Norte-Sul. Na verdade, nos últimos tempos, o presidente tem se limitado a apagar incêndios sem perguntar se o incendiário é Chávez ou Uribe.

Continuaremos amanhã. Mas a matéria logo abaixo tem conexão com esta.

 

12-8-09

O  xadrez  entre
os dois Caras

No pequeno artigo de ontem, “O Tsuname e o Chapéu” revelei (foi um modesto furo jornalístico deste blog) que o presidente Lula pretende dedicar-se, em tempo integral, assim que  concluir seu mandato, à consolidação   da integração da América do Sul a ponto de torná-la irreversível. Integração esta que, na sua visão, não deve ser apenas econômica, mas também política e até militar. Exatamente  nos moldes da bem sucedida, embora muito mais heterogênea, União Européia.

Este tema (o da união sul-americana) é um dos mais mal tratados pela mídia brasileira, na sua  eterna metabolização alienada e alienante com a classe média. Ambas, quer por ignorância, que por americanofilia, quer por complexo de vira-latas, não conseguem ver, mas a absolutamente não conseguem ver, que o Brasil, se já é hoje uma  potência intermediária razoavelmente respeitada, a partir do momento em que promover a integração do Continente (na qual ele exercerá uma liderança natural) será respeitado como potência de fato e de direito.

Esta potência, a UNASUL, com  seus 17 milhões de quilômetros  quadrados e seus 400 milhões de  habitantes exercerá uma hegemonia natural em termos de comércio internacional pelo fato simples de que, além de possuir um parque industrial (o brasileiro) moderno e diversificado, deterá a liderança absoluta em termos de produção de combustíveis (fósseis ou  renováveis) e de proteínas animal e vegetal. Tudo isto sem falar do potencial  hidrelétrico na vastidão amazônica, etc. e etc.

Alguém, espero em Deus, ainda  deve lembrar que durante todo o governo FHC, o Brasil oscilou entre  o fortalecimento do MERCOSUL (embrião da UNASUL) e a ALCA um mercado comum que os EUA pretendiam implantar nas três  Américas. Assim que assumiu, Lula, enquanto ia fortalecendo o MERCOSUL até desaguar na criação da UNASUL, foi empurrando com a barriga as negociações com a ALCA e, em 2005, declarou simplesmente, na maior cara-de-pau, que  a ALCA não estava mais em sua agenda. Foi o momento da  inflexão da política externa brasileira e especialmente de seu relacionamento com os vizinhos sul-americanos. A partir disso, os próprios americanos deixaram de perseguir este mercado comum amplo e passaram a negociar tratados  bilatérias, obtendo algum sucesso na Colômbia e no Peru.

Como todos nós, desgraçadamente, estamos  habituados a bocejar assim que  passamos  das  primeiras vinte linhas de texto, esta fascinante história do  xadrez  Brasil-EUA . História que a mídia, no seu dia-a-dia, deliberadamente deturpa ou omite de seus leitores-, terá que  continuar amanhã, quando serão revelados os três  nomes  chaves de nossa política externa. Antes, porém, vamos contemplar  nossos parcos leitores com mais um furo jornalístico: Anteontem,  no Equador, ao propor a vinda de Obama  para uma reunião com presidentes  sul-americanos onde explicaria as  bases militares na Colômbia, algo inexplicável, Lula  pegou seu colega americano absolutamente de surpresa. Ou seja, não houve consulta prévia, como é comum e até obrigatório em situações graves como esta, quando há um mínimo de parceria entre dois governantes. Sem acusar o golpe, Obama engoliu mais este sapo. Ele sabe que se azedarem suas  relações com o Brasil, vai desandar o doce de suas relações com todo o Continente.

Até a próxima.

11-8-09

O tsname e o chapéu

Há meses cogitei que a candidatura Dilma poderia ser um chapéu. Não ventilei a idéia em consideração ao presidente que, afinal, provou por atos sua palavra de desapego ao terceiro mandato e, principalmente, em respeito à ministra Dilma e ao seu sofrimento na doença. Este último empecilho, creio, foi eliminado pela forma valente com que ela superou e supera as dificuldades inerentes à doença. Ela é uma candidata como qualquer outra ou qualquer outro.

Resta dizer aos  muito jovens ( Santo Deus, é preciso explicar tudo!) que chapéu é uma forma figurada de dizer que certa cadeira, embora vazia, está apenas aguardando o seu dono. Mas isto é do tempo em que se ia  ao cinema e se usava chapéu. Vamos adiante: o que mais se critica no presidente (principalmente por parte do PT) é  a precipitação da campanha presidencial, com o lançamento prematuro da candidatura Dilma. Ora, esta candidatura resolveu dois problemas, o da cizânia dentro do partido e, (por que não?),  deu tempo para que Lula  cogitasse sobre a conveniência ou não  de sua  nova reeleição – o chapéu. Foi um golpe de mestre.

Chamo Marina de Tsname por causa desta maldita mania de   dar apelido a todas as coisas. Mas ainda não se sabe se ela será candidata e se for, não há total garantia de que arrase eleitoralmente os adversários.  A candidata do PSOL também parecia um furação e deu no que deu. Além disso, tudo depende  da arrumação partidário, do arco ideológico e até do tempo na TV. Há uma infinidade de variáveis

A principal variável, creiam, é a vontade do próprio presidente. Há alguns dias – e este é um furo deste humilde blog – ele confidenciou a um de seus principais conselheiros que tudo o que quer, após passar a faixa, é viajar (que novidade!) pela America do Sul, consolidando ou mesmo tornado irreversível a união econômica e política do Continente. A UNASUL, nos moldes da União Européia, é sua obsessão, seu principal projeto biográfico. Por isto ele odeia com a mesma intensidade a subserviência de Uribe em relação aos EUA e o estabanamento de Chávez, um macaco em loja de louça.  Mas é  sobretudo  em função deste projeto maior que – estadista de macacão – ele suporta  os desaforos e inconveniências  do Lugo e do Morales.  Ele considera que  as atuais concessões ao Paraguai  e à Bolívia, são merrecas diante dos benefícios que a  unidade sulamericana trariam para  a indústria brasileira, coisas que  The Globe, a FIESP a Miriam Leitão e o Noblat, absolutamente não conseguem perceber. È o complexo de vira-latas.

Enfim se Marina for mesmo Tsuname, se a candidatura Dilma começar a fazer água ou se o presidente, durante um churrasco se aborrecer do alto de seus 80 por cento de aprovação, pode ser que um terceiro mandato comece a tomar forma. Um dos caminhos para isto, talvez o  mais barato e o mais popular, seja  a convocação de uma constituinte, plena ou  de meia-sola. Em seu bojo talvez se pense, mais uma vez, no parlamentarismo – a solução Putin. O PT é que não vai querer largar este osso.

Até a próxima.

10-8-09

Além dos limites

 Este blog recebeu do senador  Álvaro Dias a seguinte mensagem que me apresso em  publicar,  principalmente  porque nela  o parlamentar revela compostura e alta dose de humildade:

Meu Caro Francisco,

Concordo,plenamente,com a sua preocupação.Acho que essa crise no Senado já extrapolou todos os limites do razoável,além do prejuízo que trás à sociedade com a paralisação da votação de importantes projetos para o Brasil.Por isso defendi da tribuna o fim da crise,sem contudo,deixar de lado a apuração das denúncias contra todos os envolvidos, conforme pode ser visto na noticia abaixo da Agencia Senado sobre o meu pronunciamento.

Alvaro Dias
www.senadoralvarodias.com

Blog:
www.blogalvarodias.com

6-8-2009

Esta matéria diz respeito à reunião do G-8 de dois anos atrás.

Lula fez um papelão na reunião do G-8

Por Fausto Barreira

Lula, no G-8, não reagiu às chantagens da multinacional TyssenKrupp e adotou postura retrógrada ao procurar vender a idéia de que o crescimento econômico do Brasil é prioritário em relação à defesa do meio ambiente

“Convidado de luxo” do G-8, isto é, aquele que não decide nem participa das decisões dos “grandes”, Lula fez um papelão na Alemanha ao não reagir às chantagens do presidente mundial da siderúrgica ThyssenKrupp que, sem nenhuma cerimônia, exigiu do governo brasileiro que acabasse com a greve dos funcionários do Ibama para que as licenças ambientais para a construção de hidrelétricas no rio Madeira fossem agilizadas (ver notícia abaixo). Mas mais vergonhosa foi sua atitude de eximir o Brasil de qualquer responsabilidade na redução da emissão do gás carbônico na atmosfera o que, na verdade, se constitui numa demonstração de cabal submissão ao grande capital assegurando aos investidores que, no Brasil, as portas estão escancaradas para a entrada de indústrias poluidoras.

Leia notícia de O Estado de S. Paulo de 07/06/2007 sobre o diálogo de Lula com o presidente da TyssenKrupp:

MÚLTIS RECLAMAM DO IBAMA A LULA

ThyssenKrupp recorre ao presidente para que greve no órgão não atrase investimentos de 3 bilhões de euros no Brasil

Jamil Chade
Enviado especial
Berlim

Investidores alemães cobraram do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma solução para a greve do Ibama, que está atrasando a autorização de licenças ambientais e pode afetar os planos de alguns dos maiores projetos recebidos pelo País nos últimos anos no setor siderúrgico.

Ontem, em Berlim, o presidente mundial da siderúrgica ThyssenKrupp, Karl Kohler, esteve com Lula e apontou para a questão das licenças ambientais. A empresa é responsável pelo maior investimento alemão hoje no País, de 3 bilhões de euros, em uma siderúrgica no Estado do Rio de Janeiro. (…)

(…) “Estamos ainda dentro do prazo das obras, mas precisamos das licenças do Ibama. Trata-se de um investimento enorme, que vai criar 18 mil empregos e energia que o Brasil precisa. Queremos começar a produção em 2009. Todos sabem que é um investimento importante para o País?, disse Koller.

“Posso entender que, em grandes projetos, seja difícil uma pessoa aprovar licenças em um órgão. Mas queremos concluir o projeto dentro do prazo, não queremos atrasos. Precisamos de atenção e do apoio do presidente para acelerar (as licenças)” disse ele. (…)

(…) Segundo Koller, Lula respondeu que iria lidar com a questão “em curto prazo”. (…) (fim da citação)

Quanto à emissão de gás carbônico na atmosfera, discutida no G-8, o Brasil e a China lideraram um bloco contrário a que os países emergentes adotem qualquer política de contenção sob o argumento de que, historicamente, foram os países ricos os responsáveis pela degradação ambiental do planeta. Cito frase de Lula: ?Os países ricos precisam assumir a responsabilidade de ajudar a despoluir o planeta que eles poluíram?.

O Brasil em outras épocas também assumiu posições polêmicas em relação ao meio ambiente. Em 1972, foi realizada, na Suécia, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, mais conhecida como Conferência de Estocolmo, e o representante brasileiro era o ministro do planejamento João Paulo dos Reis Velloso. Estávamos em plena ditadura militar e o ?milagre? brasileiro estava no auge. O Brasil, juntamente com a China, defendeu a tese de que não era importante discutir questões ambientais naquela época e que para o Brasil e a China o que importava era que não houvessem óbices para o crescimento econômico. Deve-se ressaltar que o crescimento econômico do Brasil, naquela época, como hoje, baseava-se em intensa destruição dos recursos naturais, em sistemas industriais muito poluentes e na intensa exploração de mão-de-obra barata e pouco qualificada. (Aliás, esse é o modelo atual de crescimento econômico da China, que é considerada a maior poluidora do mundo.)

Que, de 1972 a 2007, passando por muitas conferências e até um acordo internacional (o de Kyoto), nada tenha sido feito para reverter a situação de degradação do meio ambiente não é de surpreender: dentro da lógica do sistema capitalista não há a menor possibilidade de encontrar soluções para esse e para outros problemas cruciais para a sobrevivência da humanidade. Lula não passa de um “peão” no tabuleiro das grandes decisões estratégicas dos países ricos e de suas grandes empresas. Seu papel é apenas o de “agilizar” os negócios dessas empresas no Brasil.

2-7-09

Esta crise não é dele

No meu texto de ontem (1-7-09) “ A nau dos insensatos e a renúncia da velha raposa”, antecipei, quase que em detalhes, a recusa do senador Sarney em aceitar a solução, boa para todos, menos para ele, de pedido de licença da presidência do Senado. Se a comissão de petistas que passou a tarde na casa do velho senador tivessem lido com atenção à minha matéria, teria poupado a ela e ao Sarney o cansaço e o constrangimento. Mas é inútil , o PT – desgraçadamente para ele e para o País – esta ficando cada vez mais medíocre e imediatista como os demais partidos da política pequena. E Mercadante está cada vez mais parecido – pelo menos nos métodos e e na crescente escassez de cabelos – com o Calheiros, o mesmo que conduziu a velha raposa maranhense ao atual negrume do fundo do poço.

Quanto, há vinte dias, Sarney disse que a atual crise não era dele, pareceu arrogância, esperteza ou altismo. Mas não era não. Ele estava certo. A crise é do Senado (de cada um dos senadores) este sim acometido, no seu conjunto, de excesso de esperteza, que só atrapalha, e de arrogância, o que resulta da perda de contato com a realidade – o altismo.

Pois só a psicanálise seria capaz de explicar a incapacidade de um conjunto de 80 homens – individualmente tão inteligentes – para perceber que sem Sarney, serão eles que deverão dar satisfações à opinião pública ou, mais precisamente, à opinião publicada pelas sete famílias que controlam nossa grande mídia. Porém a pergunta é: quantos destes 80 espertos senhores terão coragem para olhar nos olhos do Agaciel Maia e seus associados.

Mas, como eu dizia, Sarney tem razão. Quando ele afirmou que não fora eleito para para administrar a dispensa do Senado estava pensando, como Gramsci, que existe uma política grande e outra pequena. Esta trata dos conchavos e da nomeação de parentes, aquela é a que muda o rumo das coisas e do mundo. Enfim, se querem saber, Sarney só está preocupado, agora, com sua biografia. Quando esteve, nos últimos dias, rascunhando sua carta-renúncia (carta testamento, se quiserem) ele, um intelectual, deve ter remexido na memória em busca de boas frases como as de Machado e Pessoa, seus autores prediletos, para ilustrar um documento que, pela gravidade das circunstâncias, terá que ser forte, de um lado e, de outro, gracioso, para ornar com o autor Mas, por desgraça, só uma frase (de Machado) insistia em atormentar seus pensamentos : “Se tiver que se sujar, suje-se com grandeza” ( no original, “suje-se gordo”).

Até a próxima.

1-7-09

Sarney já redigiu a carta-renúncia

A nau dos insensatos e a
renúncia da velha raposa

Há algumas semanas, por ocasião da aprovação do requerimento para instalação da CPI da Petrobras , me referi ao Senado como a nau dos insensatos. Muitos senadores entenderam, então, que eu fazia uma defesa intransigentes da estatal, como se esta fosse intocável. Na verdade, porém, eu estava apenas querendo dizer que os membros da Câmara Alta estão totalmente dissociados daquilo que eu chamo de inconsciente coletivo e/ou memória afetiva do povo brasileiro. E esta continua sendo a triste realidade, tanto que, agora, imersos na maior crise de sua história, os senadores supõem que oferecendo a cabeça de Sarney numa bandeja conseguirão a remissão de seus pecados. Não é assim. O povo, absolutamente saturado, não quer o sangue de Sarney, quer a água sanitária de uma faxina geral. Em suma, com Sarney ainda se poderia tentar salvar os dedos ao custo de alguns anéis. Sem Sarney, salve-se quem puder.

Imediatistas e trêmulos como coelhos ou comerciantes às portas da falência, nossos senadores não vêm que Sarney não solicitará licença temporária como eles querem. Sarney ou não fará nada ou renunciará não só à presidência, como, provavelmente, ao cargo de senador e ao que lhe resta da carreira política. Ele sabe que só um gesto extremo poderá evitar o naufrágio de sua biografia.

Um dos poucos parlamentares que ainda lhe são fiéis confidenciou a este blog que o ex-presidente já rascunhou, provavelmente no último fim de semana, uma espécie de carta testamento, na analogia com o documento legado por Getúlio.

O presidente Lula que é mais esperto que todos os senadores juntos já fez o seu lance e nada de braçada. Se Sarney ficar, terá na presidência do Senado alguem tão fiel como nunca antes na História. Se Sarney cair, sobrará um Senado nu e de joelhos. Sorte que o presidente da República não tem vocação para caudilho, nem para líder revolucionário sem embasamento ideológico, como tantos colegas seus no Continente.

Seja como for, o PT, última esperança de Sarney, é chegado a conspirações e, sob a coordenação de Mercadante – um especialista – pode, a qualquer momento, retirar o último pedaço de chão sob os pés do presidente do Senado.

20-5-09

A nau dos insensatos
ou
O Corvo ataca de novo

Meia-noite de 15 para 16 de maio.

Interpretando bem o papel de quem vive um momento histórico, o líder tucano, Arthur Virgílio, emerge da penumbra do Túnel do Tempo no Senado para aparecer de corpo inteiro diante dos holofotes da TV Globo. Ah, os holofotes! Então anuncia , em nome da Oposição, que o Governo não conseguiu evitar a instalação da CPI da Petrobras. Ele afeta serenidade, porém percebe-se que está no limite da tensão, quando diz que a CPI não busca o escândalo, mas apenas apurar fatos que precisam ser apurados. Me pareceu aquele maluco de filme que sai do porão de sua própria casa, carregando uma bomba com o pavio já aceso e que , sem conseguir evitar um tique nervoso – que mais parece uma tentativa de morder o lóbulo da própria orelha-, balbucia que não pretende machucar ninguém.

Isoladamente, cada um dos membros do Senado, pode, com um pouco de boa vontade, ser considerado uma pessoa equilibrada. No conjunto, entretanto, os senadores são o oposto da sensatez. Isto, porém, não é um pecado, é uma inerência. Acontece com todos nós que,quando agimos em grupo, muitas vezes parecemos crianças que não sabem com o que estão brincando. O problema é que os senadores resolveram proceder assim, num momento crucial, exatamente quando foram eleitos a Geni da vez por nossa solerte grande mídia, logo ela, cuja facção mais antiga e conservadora só apresenta-se em público fantasiada de noviça, embora todas saibam que ela nunca foi santa. Outro problema é que nem todos os senadores são vítimas deste, digamos, apagão de bom senso. Alguns deles estão calculando o tempo todo e imaginam se colocar o Governo em sinuca não é um bom expediente para arrancar mais nomeações ou outras vantagens não publicáveis.

Seja como for, esta investigação sobre possíveis desvios da Petrobras (Roberto Jefferson que é tão arguto quanto inescrupuloso já vaticinou que esta será a CPI do século) provavelmente será, na prática, um poderoso torpedo que, teleguiado, deverá atingir em cheio o casco da candidatura de José Serra à Presidência da República. Repentinamente ameaçado de ver-se transformado em uma espécie de brigadeiro Eduardo Gomes ,o governador tucano deve estar arrancado o seu penúltimo fio de cabelo.

E como estamos às bordas do túnel do tempo, me vem à lembrança uma frase do Carlos Lacerda, quase perdida no longínquo ano de 1949. Quando , Getúlio Vargas, de seu exílio voluntário em São Borja, lançou-se candidato à Presidência, o Corvo ( é assim que Lacerda era chamado por alguns de seus desafetos) disse com toda a naturalidade: “ele não pode ser candidato. Se for, não pode eleger-se. Se eleito não pode tomar posse. Se empossado não pode governar”.

O energúmeno ( é assim que Lacerda era chamado por outra outra parte de seus desafetos) foi profético. Exatos cinco anos depois, a 24 de agosto de 1954, Getúlio deu um tiro no peito, deixando, entre outros, o legado da Petrobras. O povo foi às ruas e Lacerda refugiou-se na embaixada americana. Enfim, voltando ao presente, se o negócio é incendiar o circo quem precisa do Chávez, se há tantos neolacerdistas à mão? É claro que a Petrobras não é intocável, mas é sensível. E, em política, é preciso saber selecionar prioridades e oportunidades.

Creio sinceramente que o presidente Lula jamais considerou objetivamente a hipótese de um terceiro mandato. Mas suspeita-se que os tucanos, de trapalhada em trapalhada, conseguirão finalmente fazer com que, docemente constrangido, ele fique por mais quatro anos. Afinal, como se diz corriqueiramente, sabemos como uma CPI começa, mas não se sabe como ela termina… Entretanto, isto agora é irrelevante. O palco já está iluminado e os papeis começam a ser distribuídos. Quem vai ser Getúlio? Quem vai ser Lacerda?

Dizem até que para fazer as vezes da famosa Banda de Música udenista, já foram contratados o Jô e suas meninas.

Em tempo: como até O Globo apressou-se, já no dia 16, a condenar a inciativa “atabalhoada” de instalação da CPI, é possível que esta se encaminhe diretamente para a pizzaria da esquina. Neste caso, a candidatura Serra não vai a pique, embora não escape de sofrer sérias avarias.

Até a próxima.

20-5-09

Bem-vindo Jabor

Este blog faz questão de ser o primeiro a dar boas-vindas a Arnaldo Jabor, neste seu retorno ao mundo, depois de uma longa noite de deslumbramento no estágio neoliberal. Ele, segundo especialistas, está recuperando a consciência de forma “progressiva e consistente”, deixando os amigos mais chegados muito otimistas. O Nelsinho Motta continua internado.

 

26-5-09

Para perder
o complexo
de vira-lata
Meu coração bate mais forte dentro de um Chevrolet
Zé Rodrix

Este é um balão de ensaio. Há seis meses atrás eu não ousaria escrever estas linhas, mesmo advertindo ao leitor que estou fazendo apenas um exercício descompromissado de raciocínio. Mas, convenhamos, o mundo mudou desde setembro do ano passado. Ficamos todos mais pobres, porém adquirimos o direito de pensar mais livremente, sem temer estar infringindo algum dogma neoliberal. Enfim, imaginemos, apenas imaginemos, que nosso pais, aproveitando uma rara oportunidade oferecida pelo Mercado, a chamada galinha morta, resolvesse fazer uma oferta para assumir o controle acionário da General Motors do Brasil, cuja matriz norte-americana deverá entrar em processo pré-falimentar nos próximos dias. Então, para que o raciocínio flua sem intermitências, vou enumerar as razões que me levam a crer que este seria um bom negócio:

1- De volta da China, passando pela Turquia, o presidente Lula, mostrou mais um vez, dia 21 último, seu inconformismo com nosso complexo de vira-lata. Suas palavras:”Eu não poço fazer a Copa do Mundo, eu não posso abrir agências de bancos em outros países. O Brasil precisa parar de pensar como pobre”. Agora, nossas palavras: Por que o Brasil não pode ter uma ( só uma única) indústria de automóveis de capital e tecnologia nacionais? Logo o Brasil que abriga nada menos que l6 indústria internacionais, fabricando aqui dezenas de tipos diferentes de veículos. Logo o Brasil que possui a quarta maior indústria automobilística do mundo e o sexto maior mercado. A capacidade instalada está em torno de 3,5 milhões com um consumo próximo dos 2 milhões. Logo o Brasil que possui uma tradição mais que cinquentenária na produção de carros e detém tecnologia provada para produzir aviões.

2- Os neoliberais toscos defendem o Mercado acima de todos as coisas. No entanto não enxergam que este bendito mercado é uma patrimônio a ser preservado. Todos os países, pelo menos os que deram certo, fizeram isto e continuam fazendo isto neste exato e preciso momento. Então, mercado pode ser aberto – todos fazem isto – , mas só como instrumento de barganha.

3- Até um ginasiano sabe que a tecnologia (detenção de matrizes e processos) é a chave do desenvolvimento. Sabe também que, modernamente, o desenvolvimento tecnológico e de processos é indissociável de uma perfeita articulação entre os centros de pesquisa e o chão da fábrica. Como utilizar todo o potencial que o mercado e a indústria de automóveis nos oferecem se o último modelo bolado e desenvolvido integralmente no Brasil, foi a Brasília amarela dos anos 70?

4- Não é no mínimo risível verificar que o Brasil produz e/ou consome mais veículos Volkswagen e Fiat do que Alemanha e a Itália e , no entanto, paga um caminhão de royalties para fazer isto?

5- Um fato que interessa particularmente aos trabalhadores é o da enorme diferença, quantitativa e principalmente qualitativa, entre os salários pagos na matriz em relação aos das subsidiárias no exterior. A diferença chega a 40% e ela decorre não apenas do fato de os salários europeus, por exemplo, serem superiores aos brasileiros, mas da utilização maior dos cérebros de obra – pesquisa, criação e desenvolvimento – em relação à tradicional mão de obra. Isto sem falar na maior concentração, na matriz, dos salários e bônus das gerências e da diretoria. Finalmente, há os chamados lucros de caixa, a administração financeira dos resultados extraídos do setor produtivo, mas que não voltam para ele em forma de mais salários e investimentos em maquinaria.

6- Nos anos 90 do século passado, rolou nos meios acadêmicos, a teoria do desmonte da capacidade operacional dos estados nacionais. Era a fúria privatizadora. Mas o importante a destacar desta teoria é que, como, com a privatização ocorreu também a desnacionalização de setores interior, tanto na indústria como nos serviços, decorreu disto uma falta de sincronia entre os interesses estratégicos do estado e os das grandes corporações globalizadas. A ação do estado em termos de programação de seu próprio destino, ficou limitada à política monetária e cambial .Quem governa, na pratica, é o Banco Central, cada vez mais autônomo. Com isto, desenvolveu-se, já neste século, uma outra teoria, a da irrelevância da política. Para o capital financeiro sem pátria, esta irrelevância é o chamado mamão com açúcar. E ele estaria lambendo os beiços até hoje se não tivesse, por excesso de gulodice, desembocado na grande crise de setembro do ano passado.

7- Até a grande mídia, sempre negativista, já está reconhecendo que o Brasil é hoje um dos principais focos de investimentos, produtivos e especulativos. Prova disto é o dólar em queda livre, em função de seu maciço ingresso no país. Por isto é fundamental que o Brasil sinalize sua absoluta preferência por capitais voltados para a produção. É isto aliás, o que o presidente Lula vem repetindo à exaustão nesta sua viagem China, à Arábia Saudita e à Turquia, o que não impediu que a indefectível Míriam Leitão classificasse a fala presidencial como mera incontinência verbal. Por tudo isto, este seria o momento psicológico ideal para que brasileiros assumissem o controle da GM do Brasil. Longe de ser uma bravata ou uma extrapolação, seria a demonstração concreta de que o país está readquirindo o controle de seu próprio destino. E além disso, está sinalizando que prefere o capital produtivo no lugar do rentista.

8- Como a GM possui instalações também na Argentina, esta seria uma excelente oportunidade para se promover maior integração do setor automotivo no âmbito do Mercosul.

9- Recorde-se que há cinquenta anos, quando foi consolidada por Juscelino , mais da metade da indústria automobilística era controlada pelo capital nacional. Só depois que Romi, VEMAG, Willys Overland do Brasil e Fábrica Nacional de Motores provaram que era possível fabricar automóveis aqui, é que a maioria das multinacionais começou a afluir.

10- Como se trata de um setor evidentemente estratégico, não seria nenhum absurdo se entidades estatais ou ligadas ao estado, como BNDES, Banco do Brasil e fundos de pensão das estatais participassem da operação, exatamente como aconteceu recentemente com a Votorantim, a Sadia e a Perdigão , para evitar o tombo destas empresas cambaleantes. O setor governamental entraria com no máximo 50 % dos recursos. A outra parte seria obtida com a participação de empresas de setores industriais afins, como o siderúrgico o de autopeças e mais a rede distribuidora da GM no Brasil. A gerência do negócio caberia a um executivo privado.

Agora, alguns números: A coisa está tão feia para as montadoras norte-americanas, que a Fiat está em vias de levar a Chrysler na mão grande ou com apenas duas simples letras P&D, pesquisa e desenvolvimento, a tecnologia que os italianos possuem para produzir carros charmosos, porém menores, mais baratos e econômicos, uma exigência do Obama e da nova realidade americana. No entanto a Fiat, quem diria, esteve às portas da falência há menos de sete anos atrás. Foi salva pelo governo italiano e por uma fatura de 1,5 bilhão de dólares , pagos , quem diria, pela GM. Foi uma multa por quebra de compromisso, relacionado com a promessa de compra. Na época , a americana é que pretendia comprar a italiana. O mundo gira.

As negociações entre Fiat e Chrysler seguem seu curso, mas como de graça a gente toma até injeção na veia, os herdeiros de Dom Agnelli, já disseram que aceitam assumir também as subsidiarias inglesa e alemã da GM quase falida, desde que os respectivos governos dêem uma mãozinha. E, no embalo, a montadora italiana acaba de anunciar, nesta segunda-feira 25 de maio, seu interesse pela GM brasileira, a mais lucrativa de todas.

Ainda na segunda-feira 25, o Tesouro dos Estados Unidos anunciou ter fornecido à GM mais 4 bilhões de dólares “para despesas operacionais”. No total, o contribuinte americano já contribuiu com 19,4 bilhões de dólares para que a montadora não feche. Mas ela vai fechar se a partir de junho se não arrumar, no mercado, mais 7,6 bilhões. Nestas circunstâncias, a venda da GM brasileira pode significar a diferença entre a falência definitiva ou não, da matriz. Quatro analistas consultados informalmente, disseram que é quase impossível deduzir o preço justo de uma braço de uma empresa à beira do precipício. Além disso, há muitas variáveis . Por exemplo: entram ou não , no negócio, a filial argentina ou pelo menos uma das onze fábricas do grupo que serão fechadas nos EUA. Há também o aspecto subjetivo. Quanto vale a marca Chevrolet? Seja como for, parecem plausíveis os números mínimos de 2,5 bilhões de dólares e máximos de 4 bilhões. Supondo que metade do pagamento seja a vista e que 50 por cento dos recurso sejam obtidos junto aos sócios privados ou mesmo com a venda pulverizada das ações da nova empresa, temos que a GM do Brasil seria nacionalizada com o aporte, pelo governo, de menos de um bilhão de dólares. Isto é muito menos do que o contribuinte brasileiro já doou , nos últimos seis meses, ao setor automobilístico através do não recolhimento de impostos . Setor, aliás, onde não há uma única empresa de capital majoritário nacional. E a título de comparação diga-se que para participar do aumento de capital da Brasil Foods ( Perdigão + Sadia), o BNDS vai desembolsar dois bilhões de dólares.

Mas este, como dissemos no início, é apenas um balão de ensaio, um exercício descompromissado de raciocínio. Em todo caso, se quisermos começar a perder o complexo de vira-lata, como quer o presidente Lula, não custa nada fazer uma sondagem junto à gigante quase falida. É bem possível que entre fazer negócio com brasileiros e entregar uma jóia para a Fiat, ela fique com a primeira hipótese. E ninguém precisa ficar com medo do que vão dizer a Míriam Leitão ou o Ricardo Noblat. Eles são meio chatinhos, mas perderam (os fatos fizeram com que eles perdessem) a efetividade. PS – Nesta quinta-feira, 28 de maio, a situação da GM americana evoluiu de forma a tornar necessário este acréscimo ao texto acima:

Obama dá o exemplo: entre agir com coragem e inserir o Estado na solução do problema e, de outro lado, deixar tudo por conta do Mercado, assumiu em torno de 70 % da ações da GM, impedindo assim o fechamento ou a entrega para estrangeiros, deste verdadeiro ícone da indústria automobilística. Para isto, o Tesouro norte-americano vai arcar com nada menos que 50 bilhões de dólares. Mesmo assim, a empresa ainda terá, nesta fase de recuperação, que se desfazer de várias de suas partes, principalmente no exterior.

Enquanto isso, aqui no Brasil continuamos permitindo que cem por cento de um fantástico mercado, capaz de produzir e consumir perto de três milhões de veículos anuais, seja explorado por empresas não nacionais, fazendo com que capitais e tecnologia, sejam acumulados apenas no exterior e apenas lá sejam formados os chamados cérebros de obra. Enfim, a menos que tenha havido alguma consulta ou início de negociação que não veio a público, todos, Executivo, Legislativo, empresariado, sindicatos e a parte tida como mais esclarecida da população, continuamos agindo como autênticos vira-las. Será esta uma vocação incontornável?

Francisco Barreira

4-6-09

Por que valei da Petrobras
As utopias estão voltando

O meu artigo sobre a CPI da Petrobras “A nau dos insensatos” , de 16-4-09, deve ser considerado como um impulso ou um cacoete deste velho jornalista habituado à crônica política. Isto porque ele foge ao objetivo do meu blog que é o de discutir e aprofundar temas ligados à atual crise econômica global e ao impasse ecológico que se avizinha. E pretendo ir além disso. Pretendo chamar a atenção para o fato de que as velhas utopias que povoaram de generosidade a infância e a juventude daqueles que nasceram em meados do século passado , estão muito mais próximas do que se imagina.

Escrevendo como numa crônica, e não como num texto acadêmico, eu poderia dizer que uma das mais gratas daquelas utopias – a cada um segundo suas necessidades – já estaria técnica e materialmente ao alcance de nossas mãos, se dependesse apenas do estágio tecnológico e do grau de acumulação do capital global. A nossa Bolsa Família, tão elogiada mundo afora, é um bom exemplo. Se conseguirmos imaginá-la em escala global (e esta é a vantagem que uma crônica nos dá), veríamos que se ela fosse aplicada pela comunidade internacional, ao Continente Africano, isto não abalaria minimamente o processo de acumulação capitalista e, ao contrário, proporcionaria o acréscimo, quase imediato de seiscentos milhões de novos consumidores, tão necessários para que as economias industrializadas do Primeiro Mundo saiam da atual crise. Ouso dizer que se fosse vivo, Lord Keynes daria este conselho aos aturdidos governantes americanos, europeus e japoneses, os quais falam demasiado em globalização, mas não exergam um palmo além de suas fronteiras nacionais quando se trata de defender interesses econômicos imediatos e restritos. Além disso, estes dirigentes são aconselhados por economistas neoliberais que vêem na crise apenas o seu aspecto financeiro, que é mero sintoma. Eles não percebem, assim, os fatores subjacentes que desencadearam a crise: fatores que apontam para uma situação generalizada de superprodução, característica das famosas crises cíclicas tão bem examinadas por Marx há cento e cinquenta anos e tão bem esquecidas pelos que supõem que tudo se resolve com a elasticidade (infinita?) do crédito e consequente criação de bolhas de consumo na verdade supérfluo. Aliás, quanto mais esticado (anabolizado) for este consumo artificial, maior será o tombo quando a crise se declara.

Estes são temas áridos, eu bem sei. Mas é impossível não ver, mesmo para um leigo, que o consumo vertiginoso e redundante de produtos totalmente alienados (deslocados) das reais necessidades do homem provocam não apenas as tais bolhas de consumo, mas, principalmente, acarretam, na outra ponta, uma destruição ciclópica de recursos naturais cada vez mais escassos – o impasse ecológico.

Um esclarecimento final: ao me referir à produção redundante de mercadorias, estou falando da atualíssima questão da descartabilidade, quando objetos dos mais diferentes usos, são fabricados para ter uma vida útil mínima ( um ciclo de existência drásticamente mais curto), proporcionando, assim, um giro mais rápido do capital ( mercadorias são prematuramente descartadas para que mercadorias idênticas ocupem seu lugar), capital este que ao acumular mais depressa, provoca, concomitantemente, um saque descomunal – descomunalmente inútil – contra a Natureza.

 

Pérolas & Pílulas

Deu no blog do Barreira:

1- Finalmente temos uma estatal produzindo carros no Brasil. É a GM controlada pelo Obama.

2- Já que a CPI vai ser instalada, ela não pode deixar de apurar porque a Petrobras, durante os oito anos de governo FHC praticamente só contratou navios e plataformas com estaleiros estrangeiros. Enquanto isto a outrora poderosa indústria naval brasileira amargou, no período, sua pior crise, oferecendo apenas desemprego aos quase cem mil metalúrgicos especializados do setor.

3- Seria injurioso dizer que o Serra quer privatizar a Petrobras. Mas que ele defendeu com unhas e dentes a privatização da Vale, lá isto ele defendeu.

1-6-09

Publicamos aqui as mensagens enviadas pelos senadores Cristovam Buarque e Jarbas Vasconcelos:

27 maio 2009

Prezado Francisco,

Cresci comemorando o dia 3 de Outubro (dia da criação da Petrobrás), como uma data tão importante para o País quanto, por exemplo, 21 de Abril, 13 de Maio, 7 de Setembro ou 15 de Novembro. A Petrobrás, aprendi ainda em casa, de meu pai, era um marco decisivo, uma inflexão positiva da história do Brasil.

Com a idade e a experiência, minha admiração só fez crescer, graças ao potencial científico, tecnológico e econômico que fez dessa empresa um orgulho nacional. Minha defesa de um meio ambiente equilibrado, minhas idéias sobre o desenvolvimento sustentável, minha opção quase religiosa pelos pobres, e o fato de que o produto da Petrobrás termina sendo apropriado pela parcela rica da população como combustível para seus carros, traz-me uma preocupação, mas não diminui meu orgulho de nacionalista diante deste ícone de nosso potencial.

Foi por causa dessa formação de toda a vida e desse respeito que assinei a CPI da Petrobrás. Seus dirigentes atuais não têm dado as devidas explicações às sistemáticas denúncias sobre licitações manipuladas ou ausentes, promoções de eventos injustificadas e politização de seus quadros dirigentes. Com a CPI, eles seriam obrigados a se explicar. Mas haveria desde logo um risco perigoso: a Instituição ficaria sob suspeição durante meses, trazendo riscos que não interessam ao Brasil.

A proposta de adiar a instalação da CPI para depois de depoimentos da Direção da Petrobrás, diante de comissões do Senado, proposta feita por senadores da oposição em uma reunião da Mesa diretora, no dia 14 de maio de 2009, seria a maneira de fazer a Empresa se explicar de uma maneira rápida. Ou, caso a atual direção não se explicasse, forçar o governo a demiti-la, ao mesmo tempo em que a CPI seria implantada.

Nestas condições, mantive minha assinatura, esperando a convocação e o depoimento do Presidente e demais diretores da Petrobrás. Quando, entretanto, vi que este caminho acordado seria impedido, e a CPI seria implantada, não quis que meu nome servisse a isto. E retirei minha assinatura, com a mesma convicção com que a coloquei. Esta retirada não impediu que a CPI fosse instalada. Assim, não posso ser responsabilizado pela sua instalação, nem pela sua suspensão. Espero, agora, que a CPI seja feita com a seriedade necessária. Nem abafar nem politizar. Que não se faça nem mais uma CPI pizza, nem uma CPI partidária.

Estas considerações estão no documento com o qual retirei minha assinatura, que lhe encaminho em anexo. Obrigado por sua manifestação e espero continuarmos debatendo o assunto.

Abraço,

Cristovam

1 junho 2009

Prezado Francisco,

Encobrir ou ignorar os abusos dos atuais dirigentes da Petrobras é repetir o erro cometido pelo Governo dos Estados Unidos, de fazer vista grossa com relação aos excessos das empresas financeiras. Irregularidades devem ser investigadas. Seja de quem for. As dificuldades de caixa enfrentadas pela Petrobras nos últimos meses são decorrentes exatamente da ineficiência do comando da empresa. Ignorar esses problemas denunciados pela própria Imprensa é jogar o lixo para debaixo do tapete. Reafirmo o que disse no meu discurso: a Petrobras não é do PT; não é do Governo Lula. É dos brasileiros que colocaram dinheiro do recolhimento de impostos para construí-la nas últimas décadas. Corrigir os rumos da Petrobras é a única forma de preservar a empresa para o futuro. Infelizmente, a arrogância do Governo e da atual direção da empresa abriu espaço para irregularidades e abusos de poder. Se não existe nada de errado, que a CPI comprove isso. A Petrobras sairá maior do processo. Além do mais, quem apontou problemas na Petrobras são instituições do próprio Governo Federal, como a Receita Federal, a Polícia Federal, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União.

Atenciosamente,

Jarbas Vasconcelos

2-6-09

O outro lado da Petrobras

Este blog recebeu o seguinte texto de Fausto Barreira

Petrobras faz parceria estratégica com elites corruptas na Nigéria

Na Nigéria, o petróleo, ao invés de prosperidade, leva miséria, destruição do meio ambiente, corrupção e revolta da população. A Petrobras, por sua vez, faz uma parceria estratégica com as elites corruptas que governam o país em seu próprio benefício

A África tem cerca de 10% das reservas de petróleo; assim esse continente se tornou o local de atração de investimentos de grandes multinacionais do setor, como Petrobras, Shell, Exxon Mobil, Total e Agip Texaco.

Na Nigéria, o petróleo, explorado principalmente no delta do rio Níger, representa atualmente 95% das receitas de exportação. Ao invés de levar prosperidade, o petróleo só serviu para enriquecer as elites corruptas do país, a exemplo do ex-vice-presidente, Atiku Abubakar, que é acusado de desviar cerca de 125 milhões de dólares da renda proveniente do petróleo.

É com essas elites corruptas que o governo brasileiro e a Petrobras alardeiam a formação de uma parceria estratégica. A Petrobras planeja investir, até 2008, 2,1 bilhões de dólares no desenvolvimento da produção de dois campos de petróleo na Nigéria, que poderão render à companhia cerca de 110 mil barris de óleo por dia. O volume corresponde a quase 60% da produção atual de petróleo da companhia no exterior (168 mil barris diários em 2004) e faria do país a principal unidade estrangeira da empresa em produção. O investimento previsto é o maior já realizado pela estatal fora do país, informou o gerente-geral da Petrobras na Nigéria, Samir Awad, ao Globo Line

Segue trecho de texto do gerente-geral da Petrobrás na Nigéria:

”Grande produtora a partir de 2008

A Petrobras iniciou suas atividades na Nigéria, no oeste da África, em 1998, nas águas profundas do delta do Rio Níger. Desde então, cresceu a sua participação na exploração e produção de petróleo no país, que deverá trazer importante contribuição para a produção internacional da Petrobras, com a entrada em produção dos campos petrolíferos gigantes de Agbami e Akpo, a partir de 2008. A participação da Empresa nessas operações acrescentará cerca de 105 mil barris de óleo equivalente (boe) diários à produção da Petrobras no exterior. Isso tornará a Unidade da Nigéria uma das maiores produtoras do Sistema Petrobras fora do Brasil, a curto e médio prazos.

Futuro promissor

O campo de Agbami tem reservas totais que podem chegar a 1 bilhão de barris de petróleo leve e de excelentes características. O campo se estende para o Bloco vizinho OPL 217 e foi unificado com o Bloco OPL 216, formando, assim, uma parceria que inclui a Petrobras, a Chevron-Texaco e a Statoil, tendo como concessionárias as nigerianas NNPC e Famfa. O campo se encontra em fase de implementação do projeto de desenvolvimento e o início da produção está previsto para 2008.

A carteira de ativos formada com sucesso pela Petrobras na Nigéria permite o estabelecimento de um cenário de crescimento e de atuação de longo prazo no país. A Companhia aguarda oportunidades de ampliar a sua participação no país, participando de novas licitações a serem lançadas pelo governo nigeriano.” (fim da citação)

Enquanto a Petrobras, de maneira ufanista, propagandeia seus investimentos na Nigéria, a população do delta do rio Níger desencadeou uma insurreição contra as multinacionais que exploram de maneira predatória a riqueza do país. A exemplo do que ocorre no Equador, a prática da Petrobras na Nigéria é criminosa, por sua cumplicidade com as elites corruptas e por sua associação com as grandes empresas multinacionais do petróleo que espoliam, há décadas, o país.

Fausto Barreira

 

Em suas primeiras declarações em Seul, Dilma também criticou  a “desvalorização forçada” da moeda americana. Mas ao que tudo indica, ela  será poupada da parte mais dura da polêmica. Só Lula e Mantega insistirão na troca do dólar  por uma moeda padrão mais confiável.

De resto,  até o norte-americano Paul Krugman, premio Nobel  de Economia, criticou, ontem, a política  econômica de Obama. Suas palavras:

“Os graves defeitos do modelo americano de administração e desenvolvimento econômico levarão à recessão de sua economia nacional no longo prazo. (…) A depreciação do dólar vai totalmente contra os interesses dos credores, indicando um recuo na disposição do governo americano de honrar o pagamento de suas dívidas. As análises mostram que a crise enfrentada pelos EUA não pode ser solucionada por meio da depreciação da moeda. Ao contrário, é provável que uma crise generalizada seja detonada pela política do governo americano de promover a contínua depreciação do dólar contrariando a vontade dos credores”.

32 Comentários leave one →
  1. franciscobarreira permalink*
    25/08/2009 6:30 pm

    Diego. Tenho dificultades para mexer no meu blog. Vou pedir ajudar e assim que puder corrijo o malentendido.Obrigado

  2. 10/09/2009 11:49 pm

    Chico, realmente a grande mídia fez a análise mais conveniente, é verdade que a tendência de Dilma é crescer a medidas que as pessoas a identificarem com a candidata do Lula, aquela que dará continuidade ao seu governo. Quando começar a campanha e lula for para as ruas pedir votos para ela, já era …
    abs,

    Parabéns pelo BLOG

  3. Antônio Augusto permalink
    10/09/2009 11:51 pm

    Francisco, Parabéns pelo seu blog, RT no Twitter, sugiro apenas que vc divida um pouco os textos, pois esse último por exemplo, ficou grande demais.

  4. Augusto permalink
    22/09/2009 2:01 pm

    Francisco,

    Em seu texto “Além disso, embora arautos, da porta para fora, da liberdade de expressão, estes veículos vêm exercendo internamente um crescente controle ( censura mal disfarçada) sobre seus profissionais”,
    você diz a verdade.

    Você sabia que alguns dos principais jornais do País são grandes sonegadores de impostos e também devedores do INSS? Isto ninguém comenta. Essa impunidade deve acabar.

  5. 07/12/2009 9:46 am

    Parabéns pelas elucidações. Informativo e fomentador de um bom debate. Gostei muito do conteúdo e da objetividade. Sobre a temática, trouxe-nos assuntos importantíssimos como a questão da gestão dos recursos e riquezas da Amazônia por estatais e o fortalecimento de uma política Nacional com vistas a investir numa maior produção petrolífera.

    Parabéns, Chico

  6. robertocarlosrangel permalink
    18/01/2010 1:27 pm

    “O pagode global bagunçô geral” – É ótima definição de uma certa doença crônica que mantém mas imbeciliza o “globolismo” – essa é minha -, onde o amigo limpa feridas e arranhões da casca podre que tenta encobrir terríveis exudações… Já vi isso antes ou é impressão minha?
    Alguém já teorizou que o poder leva a ultraesquerda a migrar um pouco ao centro e à ultra-direita também. FATO!

  7. José Lara permalink
    02/02/2010 5:32 pm

    Começou bem a argumentação mais quando falou que “a Dilma corre risco de se eleger no primeiro turno” já acabou com o texto!

  8. Clesio permalink
    09/02/2010 8:25 pm

    Gostaria de receber os posts via email

  9. robertocarlosrangel permalink
    11/04/2010 1:37 pm

    Quanto à “Opinião pública de quem, Cara Pálida?” – Chego a pensar que Tucanos e demais debista e tetistas, já cientes da pauleira que terão que enfrentar, diante de uma espécie de derrota anunciada, terão que lançar mão da vulgaridade e da baixaria contra o adversário maior que é quem deixa o governo e não o(a) que quer entrar. O Lulismo, que já cança a todos, precisa apenas cuidar de aparar arestas e ferpas levantadas a rebite no show incoveniente e horrível que terá luz na mídia enlouquecida. Assim fica fácil perder e ganhar. Ruim mesmo é para o nosso povo, carente de ideias e atitudes que possam fazer a diferença. Me perdoem os possíveis entusiastas de plantão dos bons ventos momentâneos, mas, nossa Educação – por exemplo – não saiu do canto. Uma pena, Sr Lula. Depois de FHC agora foi o senhor quem perdeu uma ótima oportunidade…, se é que me entendem…
    Blog: http://robertocarloscosta.wordpress.com

  10. 02/06/2010 4:06 pm

    Pto sem retorno. Aécio não Salva PSDB.
    Pense. O modo de fazer política do PSDB contribuiu sobremaneira para construção de Lula.
    E eles não sabem como desconstruir. O discípulo há muito superou seus mestres.
    Só Jesus na causa.
    Muita água ainda há de correr pela ponte.

    Se Montenegro manipula números de Serra/Marina, o que dizer dos números dos partidos preconceituosamente chamados de “nanicos”?
    Lembrem. Em estatística ninguém morre de fome.
    “Se há duas pessoas e duas laranjas e uma das pessoas comeu ambas as laranjas, na média cada pessoa comeu uma laranja.” e “Num lago com profundidade média de meio metro, só Estatístico morre afogado.”

    A verdade é que na dimensão humana, no que se refere às próximas eleições ainda habitamos o universo das adivinhações. Enquanto isso, tudo o que todos podem fazer é especular e jogar para galera. É claro que haverão especulações abençoadas ou mais fundamentadas. Ou simplesmente palpites de sorte.

    Tem um fator psicológico quase sempre renegado. Dilma representa do arquétipo da mãezona dominadora e protetora. E também o brasileiro mediocre… a maioria. Muita identificação pode decorrer daí. Os que (inconscientemente) querem proteção e dominação projetarão suas aspirações nela. Os medíocres projetarão seu sucesso nela. Na definição então se foge do campo das ideologias. Pode ser que seja aí, sem querer que Lula acertou com Dilma.

    Não deixem de apreciar esta iluminada reflexão sobre Crise de moral, costumes, modos e de Gerações:
    http://www.vooz.com.br/blogs/estudantes-de-direito-enfrentam-crise-da-geracao-37000.html

    Paz. Vida Longa e Próspera.

  11. Paula Rempel permalink
    09/08/2010 8:46 pm

    Parabéns mais uma vez Chico pelo excelente artigo sobre o debate dos presidenciáveis na Band. Vc foi a primeira pessoa que eu ouvi falar sobre a candidatura de Plínio A Sampaio. Realmente o PSOL peca por não seguir ninguém, principalmente você que, na minha opinião é um dos melhores jornalistas. E de fato, ele ( Plínio), se saiu muito bem no debate da Band, isso além de lhe render votos, lhe rendeu um convite da Globo.
    Abraços companheiro,

    Paula rempel

  12. 27/08/2010 10:06 pm

    Gosto muito de ler os artigos deste blog sempre tão lúcidos.

    Não sei se você leu meus twitters, mas tão logo o José Serra escolheu o Indio da Costa como vice, cedendo a pressões do DEM, dei meu prognóstico que ele cairia nas intenções de voto. Foi a pior escolha que Serra fez em sua vida. Ele devia ter enfrentado o DEM, escolhendo alguém do PSDB para ser seu vice, ou alguém melhor do próprio DEM.

    A escolha de Índio da Costa foi desastrosa para Serra.

  13. 14/01/2011 5:13 pm

    Eu não entendo. Os economistas vivem insistindo que a valorização do real é algo ruim, o que eles querem então uma inflação? Ora bolas com a valorização do real em relação às outras moedas o poder de compra do cidadão brasileiro em relação aos produtos estrangeiros aumenta. Aumentando, permite a compra de ferramentas de trabalho para o trabalhador autônomo (empreendedor individual) ou mesmo os pequenos empresários, o que significa mais pessoas tendo trabalho, fazendo circular o dinheiro e gerando renda e impostos – isso é coisa ruim? Ao invés de gritarem para os consumidores O DOLAR ESTÁ EM BAIXA E O REAL EM ALTA, É HORA DE APROVEITAR E COMPRAR ELETRO-ELETRÔNICOS E APROVEITAR OS PREÇOS BAIXOS CIDADÃO!!! – não, eles e seus patéticos jornalistas que os seguem como os gurús infalíves (sendo que na verdade são especialistas em errar o que sempre prevêem) mostram sempre notícias que parecem visar reproduzir idéas dos grandes empresários mostrando assim o lado inútil para o cidadão da notícia!

  14. Felipe / Piauí permalink
    27/01/2011 1:37 am

    Leio com assiduidade seu blog e gostaria muito que vc pudesse escrever um artigo sobre a força política do Nordeste no Governo Dilma e que, dentro desta leitura, pudesse confirmar ou desmistificar a verdadeira importância do senador Wellington Dias neste Governo. Mesmo deixando um rombo de caixa de quase 1bilhão de reais ao sucessor, Wilson Martins (PSB), WDias (PT) continua suas bravatas e da a entender que Dilma não toma uma decisão sem despachar com ele.

    Por favor, ponha-nos à luz da verdade!

  15. Livia Tavares permalink
    23/02/2011 12:56 am

    Adorei os comentarios gostei mesmo , sou joven mais me enteresso bastante sobre os assuntos do nosso pais que realmente anda um desastre amei mesmo , esse blog e vou sempre dar uma lida !

  16. 27/02/2011 1:39 am

    Gostei muito de seu artigo sobre o Tiririca. Sou professora e ando cercada de pseudo-educadores, que acham que cultura é só o que eles conhecem.

  17. 04/03/2011 1:38 am

    Chico, brilhante esse texto sobre o Tiririca!!
    Penso que precisamos refletir muito acerca do significado de sua eleição!!
    Ela nos diz muito sobre como os brasileiros estão reagindo aos tradicionais políticos que se sucedem no poder!
    E aponta tbm perspectivas interessantes para o futuro, penso eu!!

    E essa sua sacada foi brilhante: além do conceito de cultura e educação, existe o de “boas maneiras”, aliás bastante escasso hoje em dia!
    E é o preconceito o responsável por essa “ausência” de “boas maneiras” em vários grupos, como o que vc cita acerca de certos “educadores”!
    Texto muito bom mesmo! Claro e objetivo!!
    Parabéns!!
    Abraços!!

  18. Janes Rodriguez permalink
    07/08/2011 6:48 pm

    Falar em “tradicionais trapalhadas do ENEM” é não reconhecer o gigantismo do programa face aos irrisórios contratempos que aconteceram. Sendo que o primeiro foi uma notória sabotagem acontecida dentro da gráfica da Folha de São Paulo. Por falar nisso, em que deram as investigações? Por favor… poderia ter evitado esse lapso.

  19. 19/10/2011 7:36 pm

    BOA TARDE

    Todos os dias passo pelo blog para me atualizar. Um forte abraço

  20. 13/11/2011 12:18 am

    Retornamos ao Texto “aos criticos…” publicado neste blog/http://diaadiaemfatosefotos.blogspot.com/, ao que nos parece um jogo, mais na verdade é um movimento em que a sociedade através de seus representados, sejam eles, no Congresso Nacional e nas AL dos Estados, em confronto de idéias e interesses, com um suposto de que fere aos interesses dos Governos Estaduais e Federal, em meio aos grandes projetos. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Pará, Bahia, não se manifestam porque???? Será que os interesses “delles” não estão sendo tocados? Não se altera e não mexem nas grandes refinárias, nos grandes portos? No Pará e nas Minas Gerais as grandes jazidas repassam ROYATES para toda a nação? Qual é o interesse em criar mais dois Estados no Pará?

    Gostaria de saber sua opnião politica e analitica com relação aos ROYATIES, um forte abraço http://diaadiaemfatosefotos.blogspot.com/

    “Aos criticos de plantão que mantém o status quo da sonegação e fazem da nação um cabide e jogo de interesses. O povo quer é aplicação dos recursos. Atentem para a situação da USA E UE. A história esta sendo reescrita pela força do povo; pois o que esta em jogo é nossa soberania e a tirânia de alguns, não dura muito.”

    TIAO MORAIS
    parando por aqui, pois não sou de ferro e vou comemorar meus 4.9
    12/11/11
    tiaomorais@hotmail.com

  21. 13/11/2011 8:43 pm

    Dilma, parabéns!!

  22. Miriam Pacheco permalink
    08/10/2012 2:03 pm

    Chico,
    Sabes bem que não fui, não sou,e nem serei lacerdista (a menos que fique com Alzeimer!!!!).
    Só que fica fácil taxar as pessoas que tem opinião contrária com adjetivos desqualificativos. Sinto muito mas, um erro (PSDB) não justifica outro (PT) nem o maquiavelismo de que os fins justificam os meios. A coligação com os piores elementos da nação foi o caminho para manter a governança. Porque o Lula afastou o Ze Dirceu? Porque nenhuma voz dos próceres do PT se ouviu para defende-lo? O Delubio assumiu tudo . Teria ele tanta massa cinzenta assim para bolar sozinho um projeto de poder?
    O antigo PT subiu ao PODER com o lema da ETICA (não confundir com moralismo lacerdista) na politica. Eu acreditei, assim como todos aqueles brasileiros de boa fé (ou inocentes) que elegeram e reelegeram o Lula e elegeram a Dilma.(apesar de eu não ser petista).
    Os ministros do STF na sua maioria foram indicados pelo PT e sua maravilhosa base de apoio. Entretanto, o ministro relator foi indicado, até onde estou informada, pelo Frei Beto, quando era assessor do Lula. Me parece fora de suspeita.

    Não acredito que tenha havido projeto de nação. Senão a educação já teria melhorado, assim como a Saúde e os arquivos da ditadura abertos, a reforma agrária iniciada entre tantos temas, p.e., relacionados com a economia . Era isso que eu esperava mas, acredito
    que o que houve foi um projeto de Poder.
    Concordo que a força da Globo é enorme, talvez imbatível. Mas eu não estou ao lado dela.
    Pode até parecer em alguns momentos, como p.e. a divulgação maciça do Mensalão.

    Vamos deixar de culpar sempre os mesmos: A CIA, a Globo e daqui a pouco as Forças ocultas, a teoria da conspiração. Vamos olhar para nós mesmos e para as nossas responsabilidades, senão o melhor e pendurar a chuteira e deixar tudo por conta do Obama (ou do Mitt.)
    Beijos
    Miriam

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