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Última Hora

09-06-12
Estatal estratégica para a construção naval militar
A mídia subordinada aos dogmas neoliberais impostos pelo Capital Financeiro, não divulgou, porque tem preconceito contra as estatais. Mas o Governo encaminhou ao Congresso, na semana passada, Projeto de Lei  criando a AMAZUl, estatal  destinada a agilizar a construção de submarinos no Brasil em articulação com a industria nuclear brasileira, já que uma  das embarcações terá  propulsão atônica.
 O projeto visa, também, consolidar o bilionário acordo Franca-Brasil para a construção de submarinos com transferência de tecnologia.
A iniciativa foi  viabilizada rapidamente, graças ao empenho pessoal do ministro da Defesa Celso Amorim que tem visão estratégica, a contrário de muitos outros colegas seus de Ministério, inclusive petistas.
A nova estatal será responsável pelos projetos relacionados com o programa nuclear brasileiro, com a construção e manutenção de submarinos da Marinha e com o fomento da indústria nuclear nacional. Batizada de Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (Amazul), a empresa poderá captar recursos no mercado doméstico e internacional e adquirir participações minoritárias de empresas privadas ou empreendimentos ligados ao seu objeto social.
A denominação Amazônia Azul é uma sugestão de oficiais da Marinha que comparam a riqueza do chamado Mar Territorial brasileiro (onde se insere o Pré-Sal) com a as riquezas amazônicas.
 A AMAZUL que surgirá a partir da cisão da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), terá sede em São Paulo e poderá contar com cerca de 2 mil funcionários. . De acordo com a estratégia nacional de defesa, a área do Pré-Sal deve ser protegida pelos submarinos da Marinha – entre eles os de propulsão nuclear. A Amazul ficará subordinada ao Comando da Marinha.
“A criação da Amazul é essencial. Ela possibilita a contratação de cientistas, pesquisadores e engenheiros”, garante uma fonte do Palácio do Planalto.
Há ainda, segundo esta fonte, uma questão de segurança: a criação da Amazul limitará o acesso a informações estratégicas e acabará com o compartilhamento de locais de trabalho entre o pessoal ligado a questões nucleares e desenvolvimento de submarinos e as outras áreas de atuação da Emgepron.
A estatal Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) foi criada em 1982 para promover a indústria naval brasileira. Inicialmente, seu pessoal era basicamente dedicado ao programa nuclear da Marinha. No entanto, com o decorrer do tempo, a empresa passou a incorporar mais empregados para desempenhar outros serviços demandados pela Força. Hoje, além do setor nuclear, a Emgepron atua na modernização dos equipamentos e embarcações da marinha, no desenvolvimento de sistemas navais e de guerra eletrônica, na produção de munições e nas realizações de estudos sobre o mar.
Daí a necessidade de criação de uma nova  empresa voltada prioritariamente para a construção de subimarinos  e para os desenvovimento de programas nucleares.
“A criação de uma empresa que possa proporcionar aos seus empregados condições semelhantes àquelas existentes no mercado de trabalho foi a alternativa encontrada para a manutenção do pessoal existente e a contratação de novos especialistas, o que nos permitirá preservar o conhecimento já alcançado”, destacaram, na exposição de motivos enviada à presidente Dilma Rousseff para fundamentar o projeto de lei que cria a Amazul, os ministros da Defesa, CELSO AMORIM, do Planejamento, Miriam Belchior, e da Fazenda, Guido Mantega.
“Temos vivenciado, nos últimos anos, a redução da força de trabalho por demissão voluntária (na busca de melhores condições salariais), às vezes para o próprio governo (carreira de ciência e tecnologia). Vale acrescentar que as mesmas dificuldades encontradas para a manutenção de especialistas é sentida também para o recrutamento de novos profissionais”, acrescentaram os ministros no documento.
 
 
 
 
 
29-05-12
Enfim, um apoio concreto ao cinema nacional
 
O Governo deverá anunciar nos próximos dias a regulamentação final da Lei 12.599/2012 que  institui o  RECINE, Regime Especial de Tributação para o Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica.
A Indústria Cinematográfica é absolutamente essencial. Como sempre criticamos, neste blog,  esta incrível omissão do Governo que não conseguia ter uma visão estratégica  e uma atitude prática na defesa dessa indústria, reconhecemos que o erro governamental foi  corrigido, embora com cinqüenta anos de atraso.
A Lei 12.599/2012 foi sancionada no dia 23 de março pela Presidenta Dilma Rousseff. Derivada da Medida Provisória 545/2011, aprovada no Congresso Nacional, a lei institui o Programa Cinema Perto de Você e o  RECINE.
Com a implantação do RECINE, fica suspensa a cobrança dos tributos federais sobre os investimentos na construção e modernização de salas de exibição no País, o que representa um grande impulso para o setor.
Estima-se que, com o RECINE, os custos totais de implantação de uma sala de cinema serão reduzidos em cerca de 40%. A condição para a que o empresário se beneficie é a de que ele estabeleça cotas, priorizando a exibição de filmes nacionais.
Os recursos virão do BNDES e da Caixa Econômica Federal e a novas salas de exibição serão digitalizadas.
Embora o Brasil seja o maior mercado latino-americano (R$ 1,44 bilhão faturados em 2011), o cinema nacional fica com apenas dez por cento do total arrecadado pelas salas de exibição totalmente dominadas pelo poderoso lobby  do cinema norte-americano.
 
 
 
 
15-05-12
Dilma  Rousseff  está  conduzindo  mal  a
questão da integração da América do Sul
 
Não há envolvimento emocional ou, o que é pior, há falta de visão estratégica. Lula e seu então chanceler, Celso Amorim, tinham ambas as coisas: envolvimento emocional e visão estratégica. Sabiam que o tamanho da economia brasileira é desproporcional  em relação aos demais países do Continente,  inclusive a Argentina.
Sendo assim, adotaram a política (muito criticada, aliás, pelos tucanos e pela mídia atrelada ao Departamento de Estado), no sentido de manter contato (envolvimento) pessoal com os  governantes vizinhos. Criou-se, com isso, um espírito de real fraternidade de envolvimento prático com a unidade continental, como jamais houve na história.
 Na verdade, a construção, da União Sulamericana seria um feito de proporções históricas comparável a da  formação da União Européia. Dilma Rousseff, aparentemente, não percebeu isso. Não está agindo, neste caso,  com a elevação de um estadista, como a situação requer.
Para piorar a situação, o atual chanceler, Antônio Patriota, demonstra claramente que trata do assunto de forma profissional e responsável, mas sem nenhuma emoção ou engajamento. Como resultado, este tema central da política brasileira está reduzido a pequenas atitudes pontuais e a grotescas atitudes de retaliação. Isto não levará a nada, a não ser ao fim de um grande sonho que já estava se viabilizando.
Pensando pequeno  
O Estado de S. Paulo publica, hoje (15), significativa matéria sobre o assunto, revelando a forma medíocre e sem propósito com que  o assunto (a União Sulamericana) vem sendo tratado.. Abaixo, um resumo da matéria:
“O Brasil está dificultando a entrada de alguns tipos de alimentos e bebidas vindos da Argentina. É uma tentativa de pressionar o governo do país vizinho e sócio do Mercosul a reduzir as barreiras sofridas pelos produtos brasileiros no mercado argentino.
Na terça-feira da semana passada, a aduana brasileira passou a exigir licença de importação para pelo menos dez novos produtos, como vinho, farinha de trigo, maçã, batata e uva-passa. Esse tipo de medida é conhecida como licenciamento não automático de importação.
A medida vale para mercadorias vindas de qualquer lugar do mundo, mas os produtos foram escolhidos a dedo para incomodar os produtores argentinos. Procurado pelo Estado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior não comentou o assunto.
As barreiras argentinas estão provocando prejuízo expressivo para os exportadores brasileiros. Em abril, as vendas do Brasil para a Argentina caíram 27% em relação ao mesmo mês de 2011. O resultado aborreceu o governo brasileiro, porque ajudou a piorar o desempenho das exportações, que já sofrem com a queda do preço das commodities, a crise na Europa e a desaceleração na China.
Além das licenças não automáticas, que vêm sendo largamente utilizadas, a Argentina passou a exigir no início de fevereiro que as empresas entreguem uma “declaração juramentada antecipada de importação”. Depois de entregar o documento, os importadores devem aguardar uma autorização para trazer o produto.
A medida provocou desabastecimento de alguns produtos, como eletrodomésticos, nas cidades argentinas. A maior preocupação do governo da presidente Cristina Kirchner, no entanto, é com a saída de dólares do país e o rombo na conta-corrente.
Reação. Não é a primeira vez que o Brasil tenta reagir às barreiras argentinas burocratizando a entrada de produtos. Em maio de 2011, o País colocou os carros em licenciamento não automático e chegou a barrar veículos argentinos na fronteira entre os dois países.
Como os carros representam a maior parte do comércio entre Brasil e Argentina, a medida quase provocou uma crise diplomática e foi resolvida após a interferência das chancelarias dos dois países. Desde então, o Brasil tem evitado um confronto direto com a Argentina.
Os veículos continuam em licenciamento não automático, mas o Brasil respeita o prazo de 60 dias estabelecido pela Organização Mundial de Comércio (OMC) e os empresários dos dois lados da fronteira já se acostumaram com os novos prazos.
Em outubro do ano passado, foi a vez de chocolates, balas e confeitos entrarem em licenciamento não automático na aduana brasileira. A medida prejudicou grandes fabricantes argentinos, mas não chegou a mobilizar o governo Kirchner. O governo brasileiro também não comentou oficialmente a barreira
Agora os produtos afetados mais importantes são o vinho e a farinha de trigo. Segundo Ciro Lilla, vice-presidente de vinhos da Associação Brasileira de Bebidas, que representa os importadores, os vinhos têm entrado e saído de licenciamento não automático desde o ano passado.
“Ninguém sabe qual é o critério para colocar ou tirar o vinho do licenciamento. Estamos escaldados e os importadores fazem
15-05-12

Dilma  Rousseff  está  conduzindo  mal  a
questão da integração da América do Sul

Não há envolvimento emocional ou, o que é pior, há falta de visão estratégica. Lula e seu então chanceler, Celso Amorim, tinham ambas as coisas: envolvimento emocional e visão estratégica. Sabiam que o tamanho da economia brasileira é desproporcional  em relação aos demais países do Continente,  inclusive a Argentina.

Sendo assim, adotaram a política (muito criticada, aliás, pelos tucanos e pela mídia atrelada ao Departamento de Estado), no sentido de manter contato (envolvimento) pessoal com os  governantes vizinhos. Criou-se, com isso, um espírito de real fraternidade de envolvimento prático com a unidade continental, como jamais houve na história.

 Na verdade, a construção, da União Sulamericana seria um feito de proporções históricas comparável a da  formação da União Européia. Dilma Rousseff, aparentemente, não percebeu isso. Não está agindo, neste caso,  com a elevação de um estadista, como a situação requer.

Para piorar a situação, o atual chanceler, Antônio Patriota, demonstra claramente que trata do assunto de forma profissional e responsável, mas sem nenhuma emoção ou engajamento. Como resultado, este tema central da política brasileira está reduzido a pequenas atitudes pontuas e a grotescas atitudes de retaliação. Isto não levará a nada, a não ser ao fim de um grande sonho que já estava se viabilizando.

Pensando pequeno  

O Estado de S. Paulo publica, hoje (15), significativa matéria sobre o assunto, revelando a forma medíocre e sem propósito com que  o assunto (a União Sulamericana) vem sendo tratado.. Abaixo, um resumo da matéria:

“O Brasil está dificultando a entrada de alguns tipos de alimentos e bebidas vindos da Argentina. É uma tentativa de pressionar o governo do país vizinho e sócio do Mercosul a reduzir as barreiras sofridas pelos produtos brasileiros no mercado argentino.

Na terça-feira da semana passada, a aduana brasileira passou a exigir licença de importação para pelo menos dez novos produtos, como vinho, farinha de trigo, maçã, batata e uva-passa. Esse tipo de medida é conhecida como licenciamento não automático de importação.

A medida vale para mercadorias vindas de qualquer lugar do mundo, mas os produtos foram escolhidos a dedo para incomodar os produtores argentinos. Procurado pelo Estado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior não comentou o assunto.

As barreiras argentinas estão provocando prejuízo expressivo para os exportadores brasileiros. Em abril, as vendas do Brasil para a Argentina caíram 27% em relação ao mesmo mês de 2011. O resultado aborreceu o governo brasileiro, porque ajudou a piorar o desempenho das exportações, que já sofrem com a queda do preço das commodities, a crise na Europa e a desaceleração na China.

Além das licenças não automáticas, que vêm sendo largamente utilizadas, a Argentina passou a exigir no início de fevereiro que as empresas entreguem uma “declaração juramentada antecipada de importação”. Depois de entregar o documento, os importadores devem aguardar uma autorização para trazer o produto.

A medida provocou desabastecimento de alguns produtos, como eletrodomésticos, nas cidades argentinas. A maior preocupação do governo da presidente Cristina Kirchner, no entanto, é com a saída de dólares do país e o rombo na conta-corrente.

Reação. Não é a primeira vez que o Brasil tenta reagir às barreiras argentinas burocratizando a entrada de produtos. Em maio de 2011, o País colocou os carros em licenciamento não automático e chegou a barrar veículos argentinos na fronteira entre os dois países.

Como os carros representam a maior parte do comércio entre Brasil e Argentina, a medida quase provocou uma crise diplomática e foi resolvida após a interferência das chancelarias dos dois países. Desde então, o Brasil tem evitado um confronto direto com a Argentina.

Os veículos continuam em licenciamento não automático, mas o Brasil respeita o prazo de 60 dias estabelecido pela Organização Mundial de Comércio (OMC) e os empresários dos dois lados da fronteira já se acostumaram com os novos prazos.

Em outubro do ano passado, foi a vez de chocolates, balas e confeitos entrarem em licenciamento não automático na aduana brasileira. A medida prejudicou grandes fabricantes argentinos, mas não chegou a mobilizar o governo Kirchner. O governo brasileiro também não comentou oficialmente a barreira.

Agora os produtos afetados mais importantes são o vinho e a farinha de trigo. Segundo Ciro Lilla, vice-presidente de vinhos da Associação Brasileira de Bebidas, que representa os importadores, os vinhos têm entrado e saído de licenciamento não automático desde o ano passado.

“Ninguém sabe qual é o critério para colocar ou tirar o vinho do licenciamento. Estamos escaldados e os importadores fazem algum estoque para momentos como esse”, disse Lilla. Em 2011, a Argentina exportou US$ 63,4 milhões em vinhos ao Brasil, 18% mais que em 2010 e o equivalente a 1,94 milhão de caixas.

No caso da farinha de trigo, a maior parte dos embarques é feita no primeiro trimestre, após a colheita do produto na Argentina.

 15-04-12
Para que serve um banqueiro?
Desde os tempos bíblicos ou imemoriais sempre houve um banqueiro (às vezes misto de grande comerciante) associado aos faraós ou qualquer outro tipo de dinastia poderosa. E é assim até hoje. Troque a palavra dinastia por “sistema global”  e verifique como realmente nada mudou.
A outra  pergunta é: Quanto custam os banqueiros?
Segundo o jornal O Estado de São Paulo (matéria publicada em 29-04, baseada em dados oficiais), os brasileiros gastam R$ 194,8 bilhões por ano com pagamento de juros de empréstimos bancários.
 Isso equivale a dizer que, se todas as 54 milhões de pessoas com conta em banco hoje tivessem buscado crédito no sistema financeiro, cada uma teria um gasto anual de R$ 3,6 mil. Essa cifra corresponde à despesa só com juros, sem considerar a amortização do empréstimo principal.
Os dados mostram que, para as linhas analisadas, o gasto com juros cresceu 60% em três anos. Em março de 2009, a despesa anual com juros das linhas de crédito analisadas era de R$ 121,5 bilhões e, em março deste ano, atingiu R$ 194,8 bilhões. No mesmo período, o saldo das operações de crédito correspondentes cresceu 85%: de R$ 264,5 bilhões em março de 2009 para R$ 490,7 bilhões em março deste ano.
Os gastos do Governo
Segundo dados da FIESP,  Federação das Indústrias do Estado de  São Paulo. também divulgados ontem, 29-04, a decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual permitirá ao governo gastar R$ 721 milhões a menos com juros até a próxima reunião do colegiado, marcada para os dias 17 e 18 de janeiro. O número foi calculado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Caso a Selic permanecesse em 11,5% ao ano entre esta quinta-feira (1º) e a reunião de janeiro, o governo teria que pagar R$ 17,329 bilhões em juros aos seus credores. Agora que a taxa desceu para 11%, o custo será de R$ 16,608 bilhões.
Ou seja, o Governo gasta em tono de  R$ 17 bilhões por meses (perto de R$ 200 bilhões por ano (10 fezes os gastos com a Bolsa Família) só para transferir  o dinheiro do Tesouro Nacional para  bolso dos banqueiros via pagamento de juros. Não admira que as famílias dos banqueiros vivam tão bem.
 Nem estamos  falando aqui em amortização da divida e nos limitamos,  para não  complicar os cálculos, a mencionar apenas gastos do Governo Federal, embora saibamos que  Estados e Municípios também pagam juros.
Também não quero me estender sobre o comportamento venal dos profissionais (especialistas) da midia venal que fazem o impossível para inculcar em nossas mentes que  o instrumento essencial, senão o único, para o bom manejo da macroeconomia é a política de juros.  Entretanto, é evidente é que  este é um instrumento essencial pra a transferência  no meu do seu do nosso dinheiro (como e gostam de dizer) para o bolso dos banqueiros.
Na verdade, o que pretendo é  dizer uma coisa  simples embora de aparência complexa: os banqueiros sempre foram desnecessários e agora  mais do que nunca.
O Capital Financeiro (eufemismo para contornar a palavra agiotagem) é inútil até para o verdadeiro Capital, o produtivo, posto que é  apenas na produção (exploração de excedentes de trabalho) a única forma que ele encontra para  acumular, reproduzir-se de forma ampliada.
E este raciocínio torna-se crucial neste exato momento, porque (embora os “especialistas” neoliberais façam questão de não notar) já  ingressamos na fase pós capitalista  que eu chamo de  o   Crepúsculo do Capital.
 Como  construir  esta nova sociedade, mais fraterna, menos egoísta e mnos impregnada da boçalidade  burguesa? E como sintonizá-la  com o verdadeiro  sentido da Humanidade como um todo? Esta é a grande discussão que cedo ou tarde envolverá os meios acadêmicos e a própria mídia.
 
 
 
01-02-12
Dilma foi a Cuba e não disse o que a Globo queria
 Dilma Rousseff e Raúl Castro em Havana
 Para quem gosta de complicar ou percorrer caminhos tortuosos de raciocínio, este texto não serve. Par a quem tem preguiça de raciocinar e apenas repete chavão, também não serve. Para os demais deve servir.
A Globo, que aqui representa o que resta do pensamento neoliberal que um dia controlou este País, imaginou que era possível apartar Dilma do Lula, do PT e de suas raízes. Apostou tudo nisso e chegou a mimosear a presidenta com uma cobertura jornalística complacente ou francamente favorável.
E Dilma vai a Cuba é diz que o conceito  de  Direitos Humanos é algo sério demais para ser manipulado com objetivos político-ideológicos imediatistas. E reafirmou a sadia tradição diplomática brasileira de não intervenção e  de respeito à soberania alheia.
A presidenta disse em Havana (um pronunciamento histórico) que todos  temos telhado de vidro, inclusive  quem vive atirando pedras, os EUA, único país  mencionado. E mencionado  na sua principal  ferida, a Base de Guantánamo, logo ali ao lado, um símbolo universal de desrespeito aos Direitos Humanos, tanto que, há quatro anos, Obama prometeu- durante a campanha eeitoral – extingui-lo. Se não cumpriu a promessa, o problema é dele.
É impossível não ver a hipocrisia dos que defendem diretos  humanos em Cuba e  passaram décadas sem  notar o total desrespeito  a eles no  Norte da África e no Oriente Médio, onde tiranos aliados e convenientes  eram armados  para massacrar seus povos, até que a população ocupou a Internet e as ruas.
 E uma perguntinha simples: por que os EUA não impõem, em nome dos direitos humanos,  um embargo econômico à China?
Creio que já fui, em inúmeros outros textos, suficientemente claro sobre o que considero  anacrônico no leninismo e no trotskismo.  Incapaz de perceber   esse anacronismo, a militância de esquerda, pouco afeita à leitura dos textos do próprio Marx, limita-se a repetir chavões  e palavras de ordem de 120 anos atrás.
 Canso de dizer neste blog que o leninismo foi historicamente fundamental  no início do século passado, mas  hoje é imprestável  como instrumento de análise e ação diante de  uma nova realidade. Realidade esta, onde o que chamo de Neofeudalismo transformou-se na etapa superior do Imperialismo. E onde o modo de produção capitalista entra em sua fase terminal.  A esse processo dou o nome de Crepúsculo do Capital.
Tudo isso me deixa à vontade para dizer que só um ingênuo, elevado ao último grau de alienação,  não percebe que se realmente quisesse o povo  cubano já teria derrubado seu governo, como tantos  outros povos derrubaram, desde o  Muro de Berlin até  a Primavera Árabe. Ainda mais que os cubanos sabem que poderiam contar com apoio material imediato dos EUA que estão logo ali, a menos de 150 quilômetros de distância.
Então por que não derruba?
A Ditadura
Talvez fosse sofisticado demais dizer que embora anacrônico, posto que segue sendo fielmente leninista, o regime cubano não é uma ditadura clássica como a entendem as mentes ocidentais e cristãs que são hoje, eventualmente, hegemônicas. Mas que não são as únicas e poderão não se hegemônicas amanhã. Do ponto de vista leninista que é o que conta na Ilha, o que a há ali não é ditadura e nem mesmo governo. Há uma revolução em processo.
 Seja como for, os cubanos não derrubaram, nem pensam em derrubar o regime. Do ângulo  estritamente prático, talvez não queiram derrubar porque  na média global (eu disse na média geral meu querido leitor neoliberal) não são tão pobres. E, certamente, não possuem  bolsões de miséria como os exibidos por outros povos, inclusive o brasileiro.
Talvez, também, porque  há quarenta anos as terras e as habitações foram estatizadas   e distribuídas de forma que ninguém é Sem Terra  ou Sem Teto. É verdade que não há todas as liberdades e comodidades como as que existem aqui, embora não para todos. Como também é verdade que um episódio como o da invasão do Pinheirinho seria impensável em Cuba.
 Há, também, o fato de que os cubanos usufruem de mais segurança, melhor educação e melhor saúde do que a maioria dos outros povos, incluídos aí os do Primeiro Mundo. E ninguém ignora que a mortalidade infantil em Cuba é menor do que a dos Estados Unidos.
 Há muita verdade e muita mentira sobre Cuba, ditas sempre em tom emocionado. Mas é preciso admitir que talvez haja alguma verdade na frase publicitária exposta em centenas de grandes cartazes nas ruas e estradas da Ilha: “Esta noite, milhões de crianças, ao redor do Mundo, vão dormir na rua. Nenhuma delas é cubana”.
 
12-01-12

Quando o intelectual não é competente

Duas questões cruciais: a distribuição de renda e o colapso do ensino.
Desde Paulo Freire até uma plêiade de intelectuais e dedicados estudiosos, todos sempre souberam e sabem como melhorar a qualidade do ensino e não ignoram que a melhoria dessa qualidade é uma  das formas mais eficientes de distribuição de renda. Acrescente-se que é também a melhor forma de  dar cidadania e melhorar a competitividade do País.

Entretanto de todos os tão badalados países emergentes, o Brasil é o que ostenta a pior qualidade de ensino. Vergonhosa sem nenhum exagero. Que fenômeno é esse?

Se quisesse ir no popular  diria que falta vergonha na cara. Mas como devo parecer elegante, direi que ainda não  houve uma adequada decisão política por parte dos governos, nas esferas  federal, estaduais e municipais.

Só Leonel Brizola, mancomunado com Darcy Ribeiro, ousou, a partir de 1982 no Estado do Rio, aplicar mais de  15% do orçamento estadual, no ensino básico. E é claro que não era  apenas uma questão de verbas:  havia toda uma filosofia pedagógica destinada  a assegurar  a todas as crianças, dos 6 aos 14 anos, uma educação articulada nas suas  várias esferas e em período integral.  Surgiram então, em cada município e bairro, os CIEPs, Centros Integrados de Ensino Público.

O horário das aulas estendia-se das 8 às 17 horas, oferecendo, além do currículo regular, atividades culturais, estudos dirigidos e educação física. Os CIEPs forneciam refeições completas a seus alunos, além de atendimento médico e odontológico. A capacidade média de cada unidade era para mil alunos.

 Quem quiser que critique o Brizola que ele não foi nenhum santo, mas só um fanático idiotizado não reconhecerá que ele foi inovador e proficiente no setor da educação básica.

Ocorre que depois do velho caudilho, todos (eu disse todos) os seus sucessores, na forma mais covarde e acanalhada, destruíram  não só os CIEPs, mas cada tijolo da filosofia  implantada por Darcy Ribeiro.  Esses sucessores são bandidos para a História e, sendo assim, faço questão de nomeá-los: Moreira Franco,  Marcelo Alencar, Antony Garotinho e Sergio Cabral. Enquanto destruíam a obra de Brizola, eles construíram meticulosamente o atual descalabro  do ensino fluminense.

Cobrem deles o fato de nossos jovens mais carentes estarem sendo jogados nos braços dos traficantes, depois de terem sido furtados nos anos vitais do seu início de existência, quando se constrói o principal de sua capacidade cognitiva. Nesse período, lhes furtaram  o ensino de qualidade, a oportunidade de emprego , a esperança e o futuro.

De Haddad a Mercadante

E tudo isso vem a propósito do fato de que a tal plêiade de intelectuais e dedicados estudiosos chegou finalmente ao consenso óbvio de que o principal gargalo no ensino brasileiro não está no ingresso às universidades e seus famigerados vestibulares.

 Este gargalo, o da deliberada e criminosa precariedade do ensino público de base é, seguido pela reforma agrária que jamais foi feita, a principal causa da fratura social do País. Enquanto isso não for corrigido, milhões de brasileirinhos e brasileirinhas, como diz a presidenta, continuarão à margem na verdadeira inserção (ascensão) social.

Está prevista para os próximos dias a substituição, no Ministério da Educação, de  Fernando Haddad por  Aloísio Mercadante. Dois intelectuais de peso. Mas parece que não haverá mudanças substanciais.

Haddad  é bem intencionado e conseguiu progressos na área universitária e na implementação do ENEM que, apesar das notórias trapalhadas, representa um grande avanço na democratização do ensino superior e técnico. Mas ele sequer esboçou um plano nacional de educação articulado que contemplasse o ensino básico, como se isso não fosse obrigação do Governo Federal.

Mercadante infelizmente é portador de uma  certa  arrogância e  não menor inaptidão para as tarefas práticas, um vezo comum aos intelectuais  brasileiros. Nada depõe mais contra sua passagem pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (e nisso  ele tem a companhia solidária de seu colega Fernando Pimentel,  da Indústria e Comércio) do que o seguinte vexame  internacional:

O Brasil é o quinto maior produto de automóveis do mundo e o quarto maior consumidor. Temos uma capacidade instalada para produzir quatro milhões de veículos por ano. Há 17 multinacionais atuando no Brasil, algumas há mais de  cinqüenta anos. Entretanto, até hoje imploramos por transferência de tecnologia e não possuímos uma única fábrica genuinamente nacional de motores. Mercadante e Pimentel não foram capazes de pelo menos  esboçar algo parecido com uma política industrial.

                                        Os trunfos de Aécio, Serra e Marina

24-12-11 atualizado em 25-12-11

Pressionado por pré-candidatos e pela ala contrária à aliança com o peemedebista Gabriel Chalita, o presidente do PSDB paulista, Julio Semeghini, reagiu ontem, à sugestão de Aécio Neves que propôs  uma aliança com o PMDB  paulista “para derrotar o PT”. Essa aliança envolveria também o DEM.

Semeghini disse que uma aliança envolvendo PSDB e PMDB para a sucessão de Gilberto Kassab na capital “não tem chance”, embora seja possível um acordo com o DEM.

Texto de 24-12-11

Para facilitar o raciocínio, vamos abstrair o raciocínio de que o PMDB  venha a lança candidato próprio à sucessão de Dilma Rousseff em 2014. Nesse caso, o partido do vice-presidente Michel Temer e do eterno José Sarney, continuaria compondo com o PT, oferecendo um candidato  a vice.

Pela oposição há, desde já, três candidatos certos: Aécio Neves, José Serra e Marina Silva. Aécio é o candidato natural do PSDB. Controla o partido e até se dá ao luxo de dizer que se submeterá às previas, coisa que Serra, quando era o favorito, jamais aceitou.

Aécio tenta construir, desde já, uma aliança com o Partido Socialista Brasileiro do governador pernambucano Eduardo Gomes, de quem é amigo pessoal e que  já  se insinuou como candidato em 2014. Exatamente o mesmo, aliás, pode ser dito  em relação a  Ciro Gomes que continua filiado ao PSB.

 E é exatamente esta ameaça latente que faz com que o ex-presidente Lula e a presidenta tentem amarrar (renovando)  antecipadamente  a aliança com o PMDB que, assim, fica dando cartas e jogando de mão.

Serra, um obstinado, se não conseguir, como é provável, ser o candidato tucano, acionará seu Plano B, filiando-se o PPS (ex-Partido Comunista) de seu fiel escudeiro, o deputado Roberto Freire. Tão fiel que transferiu seu título de Pernambuco para São Paulo, só para ficar mais perto do chefe.

Serra se considera dono dos 45 milhões de votos obtidos em 2010 e entende como um absurdo histórico o fato de ele ainda não ter chegado à presidência, projeto  constrói com método e rasteiras, há 30 anos.

 E seu Plano B, tem um acréscimo importante: o apoio do PSD de seu pupilo Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo. O PSD já nasce como uma grande máquina eleitoral: a  quarta bancada do Congresso e mais de 1600 prefeitos, sem falar  no bom  tempo gratuito  de TV. Por seu turno, Kassab já declarou dezenas de vezes que  apoiará o governo de Dilma Rousseff, no que ele precisar, mas, em 2014, marchará com Serra.

Como Serra, Marina Silva prepara-se  para voltar à carga em 2014 e também acredita que é dona dos surpreendentes  20 milhões de votos  obtidos em 2010. Ela imagina, também, que é a líder natural não só da militância verde como do incipiente movimento internético contra  corrupção.

Sua tarefa é complicada porque  abandonou o Partido Verde, por não suportar  o fisiologismo e as baixarias da direção da agremiação. No momento, ela está em plena campanha para  construção de um novo partido que contemple ao mesmo tempo a questão ecológica e uma  nova postura ética.

E aqui respondo a pergunta que, com certeza, o leitor está fazendo: Não é cedo para falar nas eleições de 2014? Não é, porque estas eleições municipais do ano que vem são o aquecimento e a arrumação de alianças para a eleição presidencial.

Tanto  é assim que Aécio Neves meteu seu bedelho nas eleições paulistanas e aconselhou o PSDB local a apoiar a candidatura do peemedebista  Gabriel Chalita  (um ex-tucano), “como forma de infringir uma derrota ao PT paulista”. Na verdade, o que ele quer é minar a aliança nacional PT/PMDB. Chalita foi atraído para o PMDB pelo vice Michel Temer.

O curioso é que José Serra também pensa assim e na intimidade diz que os pré-candidatos tucanos são muito fraquinhos. Mas não pode dizer isso publicamente, para não ficar ainda mais isolado em sua própria casa.

18-12-11

Os mistérios de Dilma

Com a economia em declínio e tendo perdido sete ministros por suspeitas de corrupção, mesmo assim, Dilma Rousseff comete a façanha  de concluir sua primeiro  ano de mandato ostentando recordes de popularidade. Nem FHC no auge seu sua popularidade, nem Lula conseguiram isso: governo avaliado como bom e ótimo por 56% da população e aprovação pessoal de 72%, segundo a pesquisa  CNI/Ibope, da semana passada.

Para tentar desvendar esse mistério  é necessária um consideração preliminar: a opinião pública não é (está longe de ser) a opinião publicada pela grande mídia. Na verdade, 90% dos brasileiros não lêem os jornalões nem as luxuosas e reluzentes revistas semanais. Os 10% restantes, onde se localizariam os “formadores do opinião”, lêem. Mas estão divididos, meio a meio, pelos “eleitores tucanos” que acreditam piamente e pelos ”anti-tucano” que,  por principio,  acreditam que  “tudo não passa de  armação da mídia vendida”.

A TV aberta, por prudência, uma característica das concessionárias,  pega  leve. Não vai tão fundo e tão insistentemente como os jornais que, na maior parte das vezes, forçam a barra e manipulam informações. De resto,  os principais canais  são complacentes ou elogiam a política econômica.

 A TV Globo, se quisesse realmente fustigar a presidenta,  poderia debater a  questão da corrupção improvisando mesas redondas ou entrevistas com  personalidades pró e contra, em programas de grande audiência como o do Faustão e  do Luciano Huck. Mas nem pensa em fazer isso.  Ela não quer transformar a discussão em uma luta de vida e morte entre o PT (e o que resta das esquerdas) e o Sistema.

A Record, tudo o que quer é um passaporte especial para o bispo Macedo. E o Sílvio Santos se faz de morto, porque acaba de ser salvo, pelo Governo, de uma falência fraudulenta.

A Guerra dos Marqueteiros

 Sendo assim, tudo fica tecnicamente resumido a uma  guerra de marqueteiros onde os do Governo então dando um baile, como o do Barcelona sobre o Santos. E o Sistema  não  estremece nem perde a pose. Está incrustado no Governo. Ou melhor, submeteu o PT, aprisionando-o  a uma maioria (aquela que garante a governabilidade) não apenas  conservadora e fisiológica mas sórdida nos métodos, onde a chantagem explicita  é  o menor dos pecados.

Do ponto de vista técnico (de marquetagem), os profissionais  a serviço do Planalto souberam capitalizar para a presidenta dois  aspectos importantes:   o primeiro, mostrando que  ela é a gerente atenta e incansável  a serviço da população. A outra (e esta foi improvisada no meio da tempestade) a de que ela não tolera “malfeitos”.  Se não que se fritado, não roube.

O chamado povão médio  incorporou de forma intuitiva essas duas versões marqueteadas e tem uma bom imagem da presidenta, sendo que no Brasil o chefe de Governo tem um corte imperial. Dilma não é arrebatada nem arrebatadora como o Lula, mas faz ou parece fazer o que dela se espera.

 Seja com for, quanto à corrupção, o povão está habituado a aceitar passivamente o axioma de que “não tem jeito mesmo, esses políticos são todos iguais”. E vida que segue, tanto que a pesquisa revela  que dos sete ministros fritados, só dois são lembrados na pesquisa: o Carlos Lupi (Trabalho) porque foi o último e o mais  escandaloso na sua canastrice, bem como Orlando Silva (Esportes) ligado ao futebol. Futebol, este eterno tema central (ao lado na bunda da mulher que passa) das conversas de botequim, este locus fundamental para a formação de opinião.

Fora disso, temos alguns setores ingênuos ou hipócritas de classe média ensaiando, via Internet, imaginárias marchas faxineiras que jamais ultrapassam os limites da virtualidade internética, até porque não faz o menor sentido varrer ou prender políticos deixando  banqueiros, empreiteiros e  os barões da mídia livres leves e soltos.

É a Economia, idiota!

E aqui caímos em mais um aspecto técnico. O brasileiro médio, como dizia o Dr. Ulysses, é antes de tudo um habitante de sua cidade e de seu bairro. Só em circunstâncias extremas ou nas eleições presidenciais, ele age e pensa como habitante do País.

 Assim sendo, ele raramente cobra do presidente (um imperador eleito) soluções para  seus problemas do seu dia a dia. Ultimamente as principais demandas são em relação à Educação a Saúde e a Segurança. Educação e Saúde o eleitor cobra do prefeito e do governador. A segurança é cobrada quase que exclusivamente do governador.

Neste jogo, o Imperador ou a imperatriz saem incólumes e a pesquisa  revela exatamente isso: o eleitor que aponta  Saúde, Educação e  Segurança como seus principais problemas é o mesmo que se encontra entre os 72% que aprovam Dilma.

Na verdade, do presidente ou presidenta, o eleitor exige basicamente que ele honre o cargo e o nome do País e que proporcione mais empregos e oportunidades de negócio, de preferência sem inflação e com distribuição de renda.

E ficamos nisso. Enquanto não desonrar o cargo e transmitir a sensação de que está (ou estará  em breve) promovendo empregos e oportunidades, “apesar da crise mundial”, a Imperatriz, vai se mantendo no topo da popularidade. Como dizem os americanos: É a economia, idiota!

02-12-11 atualizado em 05-12-11

O PDT  fritou Lupi para não ser fritado

Antecipando-se à reunião da cúpula do PDT,  marcada para hoje (descrita nos parágrafos abaixo) quando seria sugerida sua demissão, o ministro Carlos Lupi, do Trabalho, entregou seu pedido de demissão à presidenta Dilma. A carta do demissionário foi entregue na tarde de domingo (4-12)Como este blog anunciou há cinco dias, assumiu interinamente, o secretário executivo do Ministério,  Paulo Roberto dos Santos Pinto.

Texto de 02-12-11

Presidente nacional (interino) do PDT, o pouco conhecido deputado André Figueiredo (CE) era, até a semana passada, considerado o homem de confiança de Carlos Lupi que licenciou-se da presidência do partido para poder ser ministro do Trabalho. Pois até o André Figueiredo já acha que Lupi deve demitir-se do Ministério, para que o  partido não vá para o buraco junto com ele.

 E a hipótese fica ainda mais provável se a presidenta Dilma,  que antecipou seu retorno de Caracas para Brasília exatamente para resolver a situação do Lupi, decidir encaminha uma solução negociada para o problema. Dilma só protelou sua decisão, para não ser atropelada em sua autoridade pelo Conselho de Ética  da Presidência, órgão  subordinado a ela e que recomendou publicamente  a demissão.

Se Dilma optar por  essa transição mais branda e negociada, o destino de Lupi pode ser selado, não pelo Governo e sim na reunião de avaliação política convocada pela cúpula do PDT para  esta segunda-feira.

 O presidente interino da sigla, embora diga acreditar na  inocência de Lupi, considera que é melhor  ele  deixar já o cargo, “para conter o desgaste político ao partido, ao governo federal e a ele próprio”.

 André Figueiredo defende a tese de que o partido não indique substituto agora e aguarde a reforma ministerial em janeiro. “Vamos continuar no governo, mas independe se no mesmo ministério ou em outro. Vamos aguardar o convite da presidente e então discutir internamente nomes.”

Entretanto, os pedetistas têm esperanças de que, com a saída de Lupi, Dilma  indique para substituí-lo, Paulo Roberto dos Santos Pinto,  atual secretário executivo do Ministério que seria mantido pelo menos até janeiro.

A matéria abaixo complementa  as informações desta.

01-12-11

Lupi está frito e o PDT também

Para não  ser atropelada pela Comissão de  Ética da Presidência e ceder parte de sua autoriade, Dilma Rousseff  decidiu, esta manhã, manter  Carlos Lupi no Ministério do Trabalho por  mais alguns dias, talvez. E solicitou à Comissão mais   informações para justificar a demissão. Tudo isso, porém, apenas prolonga a agonia do ministro.

É um triste fim. O trabalhismo que nasceu com Getúlio, prosperou com Jango e chegou ao apogeu com Brizola e seu PDT, fenece agora com a figura grotesca de Carlos Lupi. Por ironia, seu patrimônio ideológico e político, o nacionalismo e o populismo de esquerda, foi herdado, na sua essência,  pelo lulismo, a verdadeira face do petismo.

O  golpe de misericórdia que desceu como um cutelo  no pescoço de Lupi, ministro do Trabalho e presidente  “licenciado” do PDT foi a decisão da Comissão de Ética Pública da Presidência que, por unanimidade,  recomendou sua demissão, ontem (30-11).

Nesse caso, a presidenta  Dilma fica em sinuca, porque se desmoraliza se não demitir o ministro desastrado e pouco confiável, mas perde um naco de sua autoridade se obedecer automaticamente  a recomendação da Comissão, órgão criado para assessorar o  chefe do executivo e não para “determinar” o que ele deve ou não fazer. Por isso, ela decidiu manter Lupi, sem absolvê-lo, porém.

“A Comissão entendeu que ele (Lupi) não  explicou satisfatoriamente sobretudo as acusações sobre a série de convênios irregulares firmados com pessoas de seu partido”, afirmou ontem, Sepúlveda Pertence, presidente da Comissão.

Disso tudo resulta que, como falta apenas um mês para a tão anunciada reforma ministerial, Lupi será aconselhado a demitir-se pelos assessores da presidenta e  obrigado a realizar esse gesto  por seus  próprios companheiros de partido que  entregarão sua cabeça, na esperança de manter a posse da Pasta do Trabalho.

O PDT, nos tempos do Brizola, chegou a ser a quarta maior bancada do Congresso e  governava três estados importantes: Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro. Hoje é uma caricatura miniaturizada disso. Além  das estrepolias e deslizes do falastrão Lupi, o braço sindical do partido (a Força Sindical) onde fulguram o leviano  Paulinho da Força  e Luiz Antônio Medeiros,    o inventor do “sindicalismo de resultado” é um poço de irregularidades. Ali, em articulação com o ministério, come solta a venda de licenças para a abertura de novos sindicatos.

Caso  Lupi renuncie, deverá  assumir o secretario geral do ministério, Paulo Roberto dos Santos Pinto. Em janeiro, durante a reforma, Dilma avaliará se vale a pena deixar a Pasta nas  mãos do  combalido PDT.

23-11-11

Santander pode ser parcialmente nacionalizado

O Palácio do Planalto não está indiferente e aparentemente até estimula  a movimentação de um grupo de empresários brasileiros  (não apenas do setor financeiro) que já bateu às portas do Ministério da Fazenda e do BNDES com um a proposta bilionária de  compra de até 20% das ações do Santander, no Brasil.

É o primeiro passo para a nacionalização parcial da parte brasileira do maior banco espanhol que, no momento, passa por dificuldades. Em novembro de  2000, os espanhóis compraram o BANESP, então o  quinto maior banco  nacional.

O projeto vem de encontro, também, a intenção do Governo de fazer melhor uso de nossas reservas cambiais, cerca de 350 bilhões de dólares, cujo “carregamento” (manutenção) fica  muito caro para o País.

Coincidentemente, a presidenta Dilma Rousseff concedeu, ontem (22), longa audiência ao presidente mundial do grupo espanhol, Emílio Botín.

Segunda feira,  o Santander colocou à venda  7,8% de sua unidade chilena, em mais um dos desinvestimentos tendo em vista reforçar os seus rácios (garantia de solvência) de capital próprio.

A venda vai permitir ao banco elevar seus ativos financeiros em  cerca de US$ 1,1 bilhão. Mas ainda faltam US$ 9 bilhões para equilibrar seu caixa.

O banco tem de cobrir um déficit de  6,47 bilhões de euros para atender novos requisitos de capital  impostos pela Autoridade Bancária Europeia no mês passado.

A direção do Santander na Espanha tem dito que irá reter lucros e vender ativos para alcançar um rácio de capital de 10% da organização até junho de 2012.

A desnacionalização

Em 20 de novembro de 2000, com o lance espetacular de R$ 7,05 bilhões, equivalente a um ágio de 281% sobre o preço mínimo de R$ 1,85 bilhão, o Banco Santander arrematou o Banespa, e assumiu o terceiro lugar no ranking das instituições privadas do País. No mais aguardado leilão de privatização desde a venda do Sistema Telebrás, era difícil encontrar alguém que não tivesse ficado de queixo caído, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, depois de aberta a proposta do Santander. A oferta simplesmente estava bilhões de reais à frente dos concorrentes. O lance do segundo colocado, o Unibanco, foi de R$ 2,1 bilhões, com ágio de 13,5% sobre o preço mínimo, e o do Bradesco, de R$ 1 860 bilhão, com ágio de 0,53%. O Itaú não apareceu.

Com os R$ 7 bilhões do Banespa, o volume dos investimentos feitos pelo banco espanhol no Brasil deve ter superado, na época, os R$ 9 bilhões, pelas estimativas da consultoria Austin Asis. O Santander não divulgou esse valor. Mas somente em aquisições, o banco espanhol já desembolsara R$ 257 milhões pelo Banco Geral do Comércio; R$ 500 milhões pelo ex-Noroeste; e cerca de R$ 1,2 bilhão pelo Grupo Meridional, que incluia o Banco Bozano, Simonsen.

 

17-11-11

E se o Serra resolve se candidatar
para  a  prefeitura  de  São  Paulo?

Todos os raciocínios partiam do princípio de que  José Serra só pensa em voltar a ser candidato à Presidência da República  em 2014. Por isso o ex-presidente Lula tinha tanta confiança em  transformar o ministro da Educação, Fernando Haddad, um desconhecido do grande público, num candidato viável à prefeitura de São Paulo. E o PMDB paulista, comandado agora pelo vice-presidente  Michel Temer, já considerava seu candidato, Gabriel Chalita, como favorito.

De repente, uma indiscrição do prefeito Gilberto Kassab recolocou o problema. E se Serra resolver ser candidato?  A dica de Kassab ocorreu em conversa, na semana passada, com um interlocutor do Palácio do Planalto, quando  afirmou que poderia apoiar  e se compor com o Governo Federal em tudo e em todo canto menos em São Paulo  se o Serra for candidato.

Depois disso,  Lula chamou Chalita para tentar convencê-lo  a ser o vice de Haddad. Chalita recusou. Afinal, há um mês o presidente reconhecera que ele era o candidato mais forte e até garantiu o apoio do PT num eventual segundo turno.

Serra, na minha modesta opinião, não será candidato. Se perder é seu enterro político. Se ganhar, ninguém o perdoaria se, pela segunda vez, abandonasse  o mandato de  prefeito pela metade, para ser candidato a um posto mais elevado. Há seis anos ele abandou a prefeitura para ser candidato ao governo de São Paulo, mesmo tendo registrado em cartório uma declaração de que não o faria.

Mas ele  deixa os botos fluírem. É uma forma de se manter na mídia, contornando os esforços que Aécio Neves e Geraldo Alckmin fazem para empurrá-lo para fora do palco.

14-11-11

Haddad,  quem  diria, já  é  um
candidato viável em São Paulo

A direção do PT paulista está eufórica. Algumas pesquisas informais, precárias e amadoras, é claro, revelam no entanto, um crescimento vertiginoso  da popularidade do ministro Fernando Haddad, da Educação.

 Há um mês, embora defendido por Lula, ele mal passava dos três pontos nas pesquisas. Bastou, porém, que a  mídia  passasse  a tratá-lo como candidato quase formalizado do PT  e não apenas como o “homem do ENEM”, para que ele crescesse e aparecesse.

 E some-se a isso,  as posição do candidato a favor dos estudantes mais à esquerda da USP, bem como o fato de  todos  os pré-candidatos petistas terem renunciado, a começar por Marta Suplicy.

 Não tive, até agora, acesso a nenhuma  pesquisa formal, mas  ousaria  dizer que Haddad pelo PT, ao lado de  Gabriel Chalita, um ex-tucano instalado agora do PMDB, já estão ponteando a preferência do leitorado, seguidos de perto pelo ex-deputado Celso Russomanno,  um populista de direita que migrou do PP do Maluf para o PRB do bispo Macedo. Todos oscilando entre 12% e 8%

A posição de Chalita se deve ao fato de ele representar, em  grande medida,  o pensamento do paulistano que votaria no José Serra. Além disso, ele  tem muito prestígio junto ao eleitorado feminino. Seus eleitores, provavelmente  não sabem que há um acordo de mútua  ajuda  entre Chalita e o PT para a eventualidade de um segundo turno. Mas, mesmo que soubessem, isto não faria muita diferença.

Por tudo isso, Chalita arrebenta com as possibilidades de vitória de um tucano nas eleições do ano que vem. Tanto o novato Bruno Covas, neto do ex-governador, como o veterano  José Aníbal, além de outros menos cotados, não têm chance  de enfrentar os favoritos citados acima. Além disso, sem José Serra, o PSDB paulistano dificilmente contará com o apoio do prefeito  Gilberto Kassab.

Quanto  a  Haddad, é preciso assinalar que seu crescimento rápido tem um limite. Ele terá facilidade para chegar aos 30% da preferência popular. Este é, contudo, o teto do eleitorado “cativo” do PT. Daí para  frente ele enfrentará crescente rejeição.

 Rejeição esta que não é apenas contra Marta Suplicy como se supunha  e se alegava para defender a necessidade de “renovação”. Trata-se de uma aversão ao próprio PT e que domina  largas camadas da classe média paulistana.

Enfim, daqui para frente  entram  em cena os marqueteiros  e tudo fica muito dependente do desempenho dos candidatos e das sortes e azares de uma campanha. O fato de sair na dianteira com tanta antecedência não é garantia de sucesso na chegada.

10-11-11

Marina luta para não desaparecer da mídia e da política

Por onde andará Marina Silva? A grande tragédia do político moderno é o ostracismo midiático. Sem partido e sem  cargos importantes a ex-senadora petista e ex-ministra de Lula luta por um lugar ao sol, digo, aos holofotes.

Marina tem dois tempos  na sua rica trajetória política. A primeira, a  da moça  amazônida humilde, analfabeta até os 16  anos que com Chico Mendes, com o PT e com o movimento genuinamente ecológico, chegou com méritos a ministra de estado.

Como ministra, não traiu seus princípios e lutou não só contra  o bandidos deliberados da destruição ecológica, como contra a ignorância e a insensibilidade  de parte do Governo e do próprio PT em relação à essência da questão preservacionista. Dizendo  de outra forma: muita gente, no Planalto, era ecológica, desde que isso não  entravasse o desenvolvimento.

Esgotada pelas batalhas perdidas neste ambiente ambíguo,  assumiu a posição radical: abandou o Governo e o PT e  lançou-se candidata à Presidência da República. Aqui começa a segunda etapa de sua trajetória.

Até o terço final da campanha, Marina não saiu dos  5% da preferência popular. Entretanto, nas últimas semanas, inflada pela mídia, deu uma disparada e chegou ao final do primeiro turno com uma surpreendente soma de 20 milhões de votos.

No inicio a  mídia a inflou  na suposição  de que ela  roubaria votos de Dilma ou do PT, mas logo a abandonou, quando se deu conta de que  ela retirava mais votos de Serra do que da candidata petista. O que ocorreu?

Ocorreu que além dos votos  ecologistas e de parte de  igrejas evangélicas, Marina foi descoberta por uma certa juventude  já revoltada, mas sem substância ideológica.  Mas o principal fluxo de votos recebidos pela candidata verde veio de setores da classe média, “arrependidos” ou “envergonhados”.

A parte arrependida  foi aquela que votou em Lula mas decepcionou-se com o jeito petista de garantir a governabilidade a qualquer preço. A parte envergonhada é aquela que se considera progressista, na linha  dos que votam (no Rio, por exemplo) em  Fernando Gabeira e na  juíza Denise Frossard. Essa gente votou em Marina para não ser obrigada  a votar em Serra.

Agora, sem cargo e sem  partido, já que não suportou o fisiologismo explícito do PV,  Marina, para escapar do ostracismo, conta apenas com a grana alta de seu ex-companheiro de chapa,  Guilherme Leal (dono da Natura) e com o apoio logístico e financeiro de  algumas ONGs  internacionais, principalmente alemãs.

Ela sabe que precisa surfar nessa onda de protestos contra a corrupção e a velha política envolvendo jovens principalmente da classe média. Por isso mesmo  deu o nome de “Movimento  para uma nova Política” para o embrião do novo partido que pretende criar.

Continua sendo pouco. Porque ao desvincular-se de sua origens petistas autenticamente revolucionárias  ela mistura-se a um movimento pequeno-burguês meramente  moralista e assume a postura, entre ingênua e oportunista, dos que supõem  que é possível ser ecológico, sem combater o modo de produção capitalista, mais ou menos  na linha do Al Gore e  até da  Miriam Leitão, vejam só.

Entretanto, incansável, ela  procura participar de todos os eventos importantes da política nacional. Foi o caso, por exemplo, de sua  presença na  da Vigília Cívica sustentada, terça-feira (8), no Congresso, onde está  sendo  encaminhado para votação o criminoso novo texto do Código Florestal que beneficia abertamente os  desmatadores de carteirinha.

Ocorre que nessa  vigília, os estudantes (que finalmente  voltaram a agir) roubaram a cena  quebrando o pau, dentro da Câmara,   com os seguranças da Bancada Ruralista. E ninguém notou a presença de Marina.

03-11-11

Problema: crescimento econômico será  bem menor  

Há dois meses a principal preocupação da presidenta Dilma Rousseff e do ministro  Guido Mantega, da Fazenda, deixou de ser a inflação. Eles não dizem isso em público, é claro, mas nos gabinetes do ministro e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, calcula-se que se não houve uma recuperação mínima neste terceiro  trimestre,  o crescimento brasileiro neste 2011, mal chegará aos 3%.

A Agricultura e os Serviços ainda salvam os números  que estão sendo puxados para baixo pela queda do ritmo do crescimento industrial. Isso explica as duas ações concatenadas tomadas pelo Governo e pelo Banco Central, nos últimos  60 dias.

De um lado, reduziu-se o IPI (Imposto sobre  Produtos Industrializados) de alguns setores e  foram criadas barreiras para conter o ingresso de veículos importados, o que já estava afetando a produção nacional e o nível de emprego do setor que ainda  é o carro chefe  de nossa indústria.

De outro lado, foi feito o possível para conter a excessiva valorização do real: baixa dos juros,  obstáculo ao ingresso  de  capital especulativo e compra pesada de dólares pelo BC. Com isso, o Governo venceu a queda de braço contra o Mercado (que apostava no dólar em baixa) e foi possível   estimular um pouco  os setores exportadores.

Finalmente, o Banco Central surpreendeu a todos (sobretudo aos que exigiam sua autonomia  ostensiva) e agiu em  sintonia com o Planalto, baixando os juros com inesperada violência. E é certo que haverá, ainda este ano, nova queda da taxa Selic  de pelo menos  0.5%

Quanto à inflação, que já bateu nos 7%, mas dá alguns sinais de arrefecimento, o Governo faz figa e espera que a recessão mundial pressione para baixo os preços (globalizados) das commodities do tipo carnes, trigo, soja, milho e petróleo, fazendo com que essa baixa se reflita no mercado interno.

Alguns números:

Crescimento em 12 meses da Industrial comparando base outubro de 2010 e base setembro de 2011. Indústria Geral: Caiu de 11,8% para 1,6% \ Bens de Capital: caiu de 22,5% para 5,5% \ Bens Intermediários: caiu de 12,8% para 1,4% \ Bens Duráveis: caiu de 16,3% para 0,8% \ Bens Semi e Não Duráveis: caiu de 5,8% para 0,7%.

16-10-11

Grande e medíocre

Há meses temos dito neste blog que  os ministros  Fernando Pimentel, da Indústria e Comércio e Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia,  então entre os colaboradores mais bisonhos da equipe da presidenta Dilma Rousseff.

Ninguém ignora que ambos possuem um passado de militância digno, bem como um elevado dote intelectual.  Mas, como ministros, são o retrato da incompetência, inaptidão e falta de visão estratégica.

É ridículo e escandaloso que o Brasil não possua  uma única fábrica  nacional de veículo e motores, mesmo ocupando, no ranking  mundial, o quarto maior  parque industrial e mercado consumidor deste setor.

As recentes medidas protecionistas (aumento de impostos para importados e estímulos para a nacionalização de componentes dos  veículos já produzidos aqui) foi uma iniciativa do Ministério da Fazenda, preocupado, com o desemprego industrial interno e um possível rombo na nossa  Balança Comercial. A participação dos ministérios da Tecnologia e da Indústria e Comércio, nesse programa,  foi de última  hora, improvisada, pífia.

Nesse contexto, é preciso lembrar que mais de uma vez fomos proibidos, pelos Estados Unidos, de exportar aviões para determinados países. Isto ocorre porque, embora a EMBRAER seja a quarta maior produtora de aviões do mundo, ela importa as turbinas. Se possuíssemos uma fábrica nacional de motores, já poderíamos ter desenvolvido nossa  própria tecnologia.

A mídia calhorda e incompetente é porta voz das multinacionais e em nenhum momento noticia ou comenta este aspecto da questão.

Agora vejam a oportunidade histórica que estamos perdendo,  no exato momento em que o Mundo todo está de olho em nosso mercado interno: a presidenta Dilma e o ministro Mantega, da Fazenda,  têm dito que “não permitiremos o uso de nosso mercado interno, para que os outros saiam da crise”. O problema é que é que o resto da equipe é bisonha, muito  fraquinha.

No entanto, recursos não faltam. Lembremos que há  três meses o BNDES estava dispostos a desembolsar quatro bilhões de reais para evitar a desnacionalização do Grupo Pão de Açúcar, nossa maior rede varejista.

 Com a metade disso, o banco poderia patrocinar a criação de uma fábrica nacional de motores e veículos, estimulando empresários da área de autopeças e  das redes  distribuidoras a se   unirem em torno  desse projeto. Foi assim que, há 60 anos, JK implantou  a indústria automobilística nacional que,  no início, era 50% controlada por capitais nacionais. A partir dos  anos 70, ocorreria a desnacionalização  acelerada.

Neste momento, já produzimos e consumimos mais de  quatro milhões de veículos por ano. Estamos em  quaro lugar no ranking mundial. Mas em três anos, alcançaremos a marca de  seis milhões e atingiremos o terceiro posto. Veja, abaixo, trecho da matéria  publicada hoje (16), pelo Estadão:

“As novas fábricas de automóveis que serão construídas até 2015 e a ampliação das já existentes vão adicionar ao mercado brasileiro uma capacidade produtiva similar a do Canadá, de 2 milhões de veículos ao ano. Apesar do significativo número de novas marcas que chegarão ao País, como as chinesas Chery e JAC, metade desse volume virá dos projetos de expansão das quatro maiores fabricantes atuais.

Fiat, Ford, General Motors e Volkswagen prometem adicionar quase 1 milhão de automóveis com ampliação de suas linhas ou construção de novas fábricas. Diante da ameaça asiática, as montadoras veteranas vão se esforçar para garantir suas posições no mercado brasileiro, um dos mais cobiçados no setor automobilístico mundial pelo fato de continuar crescendo em meio a uma crise global, ainda que mais lentamente.

A indústria local tem capacidade para produzir 4,3 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus por ano, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Com os projetos já anunciados, esse potencial vai a 6,3 milhões, dependendo da quantidade de turnos de trabalho em cada fábrica. Um crescimento de 46,5%.

A estimativa das fabricantes e das empresas de consultoria é de um mercado doméstico de 4 milhões de veículos em 2014, chegando a 5 milhões em 2018 e 6 milhões em 2020, incluindo importados. Grande parte dos planos anunciados vislumbra o consumo interno e alguma exportação a países da América do Sul”.

10-10-11

Aécio tem vontade, mas não tem discurso.
Meirelles tem dinheiro, mas não tem peso

E Marina tinha discurso, mas o abandonou

No domingo (09), o Estadão publicou entrevista em que  Aécio Neves reafirma sua disposição de ser candidato à presidência em 2014, “enfrentando Lula ou Dilma”. Um bravata quase infantil, cujo objetivo é tão somente o  de antecipar-se, para garantir seu  primeiro lugar na fila dos candidatos tucanos.

Vinte e quatro horas antes, os jornais noticiaram o ingresso de Henrique Meirelles  no PSD  de  Gilberto Kassab. A intenção do enjeitado  ex-presidente do Banco Central é candidatar-se  à prefeitura de São Paulo no que vem. Um projeto igualmente infantil, vinculado ao seu sonho de ser, a qualquer preço, alguma coisa grande na política. Pode haver, também, um desejo de vingança contra a presidenta  Dilma que,  contrariando Lula, o defenestrou do BC.

Mas as  notícias sobre Aécio e  Meirelles  têm em comum o fato de que a criação do PSD do Kassab, um administrador medíocre, mas um político competente, desequilibrou completamente  o quadro oposicionista que já não ia bem das pernas.

O PSD nasce podre, mas nasce grande, quase do tamanho do PSDB. Kassab conseguiu atrair 56 deputados federais, dois senadores, dois governadores e mais de 600 prefeitos. É uma obra. Obra realizada com os destroços do desmilinguido DEM que perdeu para a nova  sigla quase metade de seu efetivo. E obra realizada, também, às custas do próprio partido tucano que, além de ceder valiosos quadros, principalmente em  São Paulo, perdeu importância como  nau  capitânea da desbaratada esquadra oposicionista.

O problema de Aécio é o conhecido o problema da Oposição: falta de discurso. Como a Crise Americana acabou como papo de Estado Mínimo e submissão religiosa às leis do Mercado,  o PSDB que era o bastião tupiniquim do neoliberalismo, ficou meio sem rumo. Não consegue oferecer alternativas. Limita-se, então,  a apontar os defeitos da administração petista que são muitos, mas não o suficiente para abalar as popularidades de  Lula e de Dilma.

O problema de Meirelles  é o de que, embora banqueiro espertíssimo  e voraz, em  política é um grande  otário que vai gastar  uma fortuna nessa eleições, sem jamais alcançar sequer 10% da preferência eleitoral. Ele está simplesmente sendo enrolado por Kassab e duas velhas raposas  egressas do DEM e que hoje pontificam no PSD, o ex-vice-governador Cláudio Lembo e o atual vice-governador  Afif Domingos.

E aqui juntam-se as duas pontas: Meirelles já está comendo na mão do  Kasseb e Aécio terá que fazer isso em algum momento até 2014, porque só com o PSDB enfraquecido e o DEM quase extinto ele não chegará à presidência. Precisará do apoio do PSD. E Kasseb, que não é de direita, nem de esquerda, nem de centro, poderá apoiar Aécio, mas também poderá apoiar Dilma. Apoiará quem der mais.

O que nem o hábil Aécio Neves, nem as raposas  que assessoram Kassab  e nem os  otários de todo tipo consideram é que as eleições de 2014, poderão não repetir a velha dicotomia  PT/PSDB.  Será, provavelmente, uma  disputa entre  o PT e o novo.  Novo  que  consiga interpretar o desejo de avanço, mesclado com nojo de tudo o que aí está. Marina Silva, quase conseguiu  isso nas eleições do ano passado. Mas apesar do discurso aparentemente novo estava  e está amarrada ao dinheiro da Natura e ao ranço preconceituoso e medieval de algumas seitas pentecostais.

Ela chegou, no passado, a compreende que  a política realmente Verde  e o Impasse Ecológico poderiam ser instrumentos de mudanças capitais no próprio Sistema. Hoje, porém, seu discurso é muito parecido como de Al Gore e da Míriam Leitão  que, por malicia ou ignorância, acreditam que há solução pra o Drama Ecológico  dentro do modelo de produção capitalista, desde que, repentinamente, todos os capitalistas   fiquem bonzinhos, educados e ecologicamente bem comportados.

Nem passa pela cabeça deles que o Capital só acumula destruindo  todo o seu entorno, a começar pela Natureza. A história do modo de produção capitalista é a história da  destruição ciclópica dos (de todos) os recursos naturais (Veja, na coluna  O Grande Debate, o desenvolvimento mais detalhado deste tema).

Perguntem à Marina o que ela  acha sobre a crescente onda de protestos populares nos Estados Unidos. Onda que se volta  contra o Sistema como  um todo e não apenas contra o desemprego provocado Grande  Crise Econômica  (Ver mais detalhes também na coluna  O Grande Debate). Ela  não saberá dizer nada, assim como a Míriam Leitão e o Al Gore não sabem.

03-10-11, atualizado em 05-10-11

O  “Outono Americano”,  protestos  parecidos  com  os  da
“Primavera Árabe”, está em curso, mas  mídia não noticia

A mídia brasileira, indigna e incompetente como sempre, continua escondendo de seus eleitores e espectadores. Mas o “Movimento dos Indignados”, também conhecido como “Outono Americano” ou “Ocupe Wall Street”, iniciado em Nova York  há  15 dias, alastra-se agora pelas maiores cidades americanas. Ontem, os protestos chegaram a Toronto, no Canadá.

 Os principais gritos de guerra, das centenas de manifestantes,que estão acampados  a poucos metros do Centro  Financeiro de Nova York, são contra o desemprego, a desigualdade social e a ganância dos  banqueiros.

Ontem (04), o presidente do Banco Central Americano (FED) Bem Bernak, provocado pelo senador Bernie Sanders, do Estado de Vermont, disse que “como toda gente  não estou satisfeito com o que está acontecendo na economia” que já acumula  8 milhões de desempregados. Ainda ontem, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, fez declarações no mesmo sentido.

E não não foi só isso: o bilionário George Soros e o consagrado economista Jeffrey Sachs,  solidarizaram-se com o movimento, dizendo que o Governo está pretendendo sair da crise prejudicando os mais pobres e  beneficiando os bancos fraudulentos, exatamente os que provocaram a crise.

Neta terça-feira, milhares de manifestantes percorreram as ruas próximas ao Centro Fianceiro  de Chicago, com as caras pintadas como vampiros e fingindo comer dinheiro, numa alusão aos financistas.

 Texto de 03-11-10

Não chega a ser, ainda, um movimento de massas como o da “Primavera  Árabe” que revolucionou parte do Norte da  África e do Oriente Médio, mas já provocou a prisão, este fim de semana, de 700 manifestantes junto a Ponte do Blooklyn, em Nova York. Ontem  a metade dos detidos  foi libertada, porém responderá a processo.

É um movimento tratado com displicência pela mídia americana, mas alastra-se rapidamente e recebe a adesão de trabalhadores,  desempregados, estudantes e intelectuais. Diferente da Primavera Árabe que reivindica liberdade e mais oportunidades ou do movimento brasileiro  que  quer resolver o problema a vassouradas, os americanos batem duro no Sistema e denunciam  que o Governo é controlado pelo Capital.

Auto proclamado “Movimento dos Indignados” já e sendo denominado também com o “ Outono Americano” e reúne diariamente centenas de pessoas   nas adjacências de  Wall Street. Eles prometem ficar nas ruas o tempo que for necessário e já há movimentação semelhante em outras cidades importantes como Los Angeles, Washington e Boston ou em centro menores, como Mineápolis e Seattle.

Sem negar sua inspiração na Primavera  Árabe, os  líderes do movimento, ainda desconhecidos do grande público, já organizaram centrais de computadores e trabalham febrilmente através do Face Book e do Twitter. E lançam esta semana seu primeiro jornal.

Segundo  Richard Timoth, um desses lideres,  o movimento  interpreta os 99% da população que são manipulados pelos mais ricos, apenas um por cento, mas que controlam as finanças, as  grandes corporações e, com seus lobbies, manobram as alavancas do Poder.

Outra militante, Chelsea Potter, de 20 anos, declara-se revolucionária, mas com a bandeira do Amor, numa evocação aos movimentos hippies dos anos 60/70. Há um há também  muitos adeptos dos movimentos ecológicos, todos  contra a “chamada velha e tradicional política”.

 Este blog sempre argumentou, em seus artigos que, como  nação mais poderosa e tecnologicamente mais avançada  do Planeta, os Estados Unidos dariam origem (inicialmente de forma anárquica) a movimentos revolucionários com a proposta de mudança do modelo político e social,  para torná-lo  compatível  com o nascente  novo modo de produção.

 As informações desta matéria foram colhidas no texto de Rafael Mathus Ruiz, correspondente  de La Nacion (Buenos Aires) em Nova York.

 A matéria abaixo tem relação com esta  que você acaba de ler.

25-09-11

O Mensalão de todos e de sempre

O Ministério Público de São Paulo deverá pedir amanhã (26) a abertura de inquérito para investigar a declaração do deputado estadual Roque Barbiere (PTB) de que colegas da Assembleia Legislativa de São Paulo (certa de uma terço da casa) enriqueceram vendendo emendas parlamentares e fazendo lobby para empresas, principalmente empreiteiras.

 Esta denuncia tratada como rocambolesca pela mídia, em função de seu autor que não é levado  muito à sério por seus parceiros, entretanto parece ser verdadeira e envolve diretamente o Governo de Geraldo Alckmin e sua base aliada: PSDB, DEM, PPS, PTB, etc.

Rocambolesca ou não, é mais uma (apenas mais uma) denúncia  que confirma o que já sabemos à saciedade: que a maioria dos políticos (não apenas os parlamentares) come nas mãos  de  empreiteiros e banqueiros,  entre outros grandes setores empresarias. Não será, pois, uma simplificação gratuita dizer que nosso Sistema Político come na mão do Capital Organizado, na verdade uma quadrilha cuja ação está na raiz de toda nossa tradicional corrupção.

E é exatamente isso que nossa  grande mídia que tanto quanto os políticos como na mão  do Capital Financeiro, principalmente, procura  camuflar, ocultar de seus leitores.

Como numa onda, essas denúncias se sucedem  desde os tempos de FHC  (a compra de deputados para  conseguir seu reeleição), do Mensalão Tucano do  governador minério Eduardo Azeredo, passando pelo Mensalão do PT denunciado pelo corrupto confesso  Roberto Jefferson, até o  Mensalão do DEM  que culminou com a destituição do governador José Roberto  Arruda que já estava escalado para  ser o vice de José Serra na campanha presidencial. Enfim, as telhas de vidro estão democraticamente bem distribuídas.

Como vem e vão, como numa sequência infindável de ondas, essas denúncias acabam se diluindo  e deixam de ser focadas  pela opinião pública, a menos que a mídia  eleja uma delas para  dar maior destaque.

Fica a sensação de que  o “Mundo Político” está podre. E os santarrões hipócritas ou os ingênuos de sempre, passam a marchar, vassouras ao ombro, em nome de faxinas, fichas limpas e coisas do gênero. Curioso que não se fala em  ficha limpa para que empreiteiros e banqueiros  exerçam sua funções.

A mídia joga seus holofotes quase que exclusivamente sobre os políticos, como quem  olha  a labareda, mas  não vê a  brasa. Enfim, jornais e TVs  vão só até o ponto em que não se comprometam a estrutura  do Sistema. Com  isso, o Capital Organizado  continua  elegendo  (eis aí a questão do Caixa 2 e do financiamento privado de campanha) em torno de 70 a 80 por cento dos  parlamentares em  todos os níveis,  enquanto os tabalhadores, a  imensa maioria da população, ficam sempre em minoria.

Contra  isso que é a essência do problema, a mídia não esbraveja e cala quando se defende  a convocação de uma Assembléia Constituinte, única  forma de se eliminar, ainda que parcialmente, as distorções  e calibrar melhor  a representatividade do voto, consolidando a verdadeira democracia.

Nas eleições presidenciais de 1936, Franklin  Delano Roosevelt  disse com todas as letras:”Agora sabemos que o Capital Organizado e tão perigoso quanto o Crime Organizado”. Ele sabia do que estava falando.

A matéria abaixo, embora  escrita há dez dias,  tem relação com  que você acaba de ler.

15-09-11

O  novo  ministro  do Turismo  não entende
nada do assunto, mas parece ter ficha limpa

A novidade na nomeação do novo ministro do Turismo, deputado Gastão Vieira, é a de que a presidenta Dilma adotou, finalmente, o critério elementar de checar a vida pregressa  do indicado para o posto.

Uma rápida consulta pelo PC da  Casa Civil ou da própria Presidência é suficiente para indicar se o candidato tem ficha  suja. Mas inacreditavelmente, isto não era feito ou, pior: a Presidência  ignorava os mal feitos do passado.

Desde a tarde de ontem, mesmo antes de o ministro  defenestrado, Pedro Novais, apresentar   seu pedido de demissão, o vice-presidente  Michel Temer, em febril atividade para  não perder o controle da situação (é ele quem  oficialmente apresenta as indicações do PMDB) trouxe alguns nomes à consideração da presidenta. Todos  foram recusados em função  da sua ficha que apontava farto material para novos escândalos via imprensa.

 Dessa  peneirada, salvou-se  então o deputado Gastão Vieira do PMDB-MA e ligadíssimo à família Sarney. Ele não entende absolutamente nada de Turismo, mas   este não  é um empecilho, porque a presidenta  provavelmente  também não entende a importância da Indústria Turística. Ou entende,  mas  teve que sacrificá-la, em nome da governabilidade.

Quem é Gastão

No quinto mandato como deputado federal, o advogado e mestre em direito Gastão Vieira (PMDB-MA), 65 anos, tem longa trajetória na área de educação e dedicou-se, em geral, a assuntos regionais. Por duas vezes, ele se licenciou para assumir as secretarias estaduais de Educação e Planejamento, no Maranhão. Na última ocasião, em 2009, foi secretário durante a gestão da governadora do Maranhão, Roseana Sarney .

Apontado como simpático e de temperamento fácil, Gastão Vieira transita com facilidade entre os colegas no Congresso Nacional. O novo ministro é descrito pelos parlamentares como discreto e distante das articulações de bastidores e políticas. Gastão Vieira preferiu se engajar em negociações técnicas relativas à educação, cultura e seguridade social.

Suas ligações com São Paulo são marcantes: ele teve em 2009 um cargo na diretoria da Fiesp e, na sua campanha a deputado, no ano passado, recebeu duas doações de peso, ambas no valor de R$ 100 mil – uma do Colégio Objetivo e outra da Rádio Mix FM.

Os vetados

 Antes da escolha  de Vieira, o PMDB ofereceu  à presidenta uma lista de nomes. Todos, porém, esbarraram em problemas do passado. O deputado Manoel Júnior, por exemplo, foi prefeito por três vezes do município paraibano de Pedras de Fogo. Ele, foi acusado, perante  a CPI do Extermínio na Câmara, de ser mandante de um assassinato.

Outro nome defendido pela bancada foi o do deputado Marcelo Castro (PI), o preferido do líder do partido, Henrique Alves (RN). Mas sua indicação  esbarrou no fato de ter sido citado na “Operação Voucher”, da Polícia Federal, como autor de emendas parlamentares suspeitas. Daquele tipo em que o dinheiro saí dos  cofres públicos, mas extravia-se pelo caminho e não chega  ao  objetivo proposto.

Como se vê, não é fácil governar. E governar e fazer faxina ao mesmo tempo é praticamente impossível, quando se tem como principal  aliado um partido como o PMDB.

A matéria  logo aí abaixo  complementa as informações desta.

 14-09-11

A faxina “espontânea”

O ministro do Turismo, Pedro Novais, estregou no fim da tade, sua carta de demissão à presidenta Dilma. A grande  novidade dessa nova etapa da faxina é que ela foi espontânea:  o próprio PMDB, seu partido, exigiu que ele se demitisse, para evitar  mais desgastes para a legenda que, por motivos análogos perdeu, há um mês, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi.

Quanto à presidenta Dilma ela usou o mesmo  método das degolas anteriores: só  demitiu depois de um pedido formal do próprio degolado e não  fez críticas que pudessem  vazar para o grande público, mas fez ver ao ministro “bola da vez” e a seu partido, que  sua situação era insustentável.

É uma posição hábil e cômica que até agora vem dando certo, porque a presidenta  fica  com os méritos da faxina e os pontinhos no IBOPE daí decorrentes. Além disso, a faxina  aumenta efetivamente a eficiência da máquina administrativa. A Casa Civil da  Presidência estima que a limpeza nos ministérios   dos Transportes (cota do PP) e da Agricultura, (cota do PMDB) podem representar uma economia de 30 bilhões de reais até o fim  do mandato de Dilma.

O presidente do PMDB, Valdir Raupp – ligado ao vice-presidente  Michel Temer -, comunicou  ao ministro que ele  precisava demitir-se, mas tomou todos os cuidados para não melindrar José Sarney, o padrinho de Novais.

Esses cuidados eram necessários porque  Temer ( que domina o PMDB da Câmara) não queria que  a manobra parecesse uma revanche sua contar Sarney (que domina o PMDB do Senado) e que não mexeu uma palha para ajudar Wagner Rossi, o ministro degolado da Agricultura. Este é amigo intimo e sócio político  do vice-presidente.

 De seu lado, a Oposição perde mais um tambor para bater contra o governo  e aguarda  novo escândalo para voltar à carga. E fica numa sinuca de bico, porque  já está claro que  de escândalo em escândalo e de faxina e em faxina, quem saiu no lucro é a presidenta. A Oposição e a mídia levantam a bola e Dilma faz o gol.

A ficha suja de Novais 

Desde que assumiu a pasta, em janeiro, Novais virou foco constante de denúncias. Na última, publicada nesta quarta pelo jornal Folha de São Paulo, o Planalto soube que o ministro usa um servidor da Câmara, Adão dos Santos Pereira, como motorista particular da mulher dele, a aposentada do serviço público Maria Helena de Melo.

Nesta terça-feira, 13, reportagem da  mesma Folha de S.Paulo mostrou que o ministro teria usado dinheiro da Câmara para pagar o salário da governanta  de seu apartamento em Brasília.

Ontem, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou  que poderão ser investigadas as suspeitas e que o episódio, por se tratar de suposto caso de improbidade, não é protegido pelo foro privilegiado.

 A denúncia de pagamento irregular surge pouco mais de um mês depois da operação da Polícia Federal que denunciou o desvio de recursos do ministério. Ao todo, 36 pessoas foram presas, oito delas integrantes da pasta. Novais também ficou marcado pela denúncia feita pelo Estadão, em dezembro de 2010, de que pediu à Câmara o ressarcimento por despesas em um motel de São Luís (MA).

A matéria abaixo dá continuidade ao raciocínio desta.

 25-08-11

O dedurismo  e o fogo amigo são as
conseqüências  imediatas da faxina

Isto agora já é politicamente impossível, mas mesmo que a presidenta Dilma quisesse estancar o processo de faxina nos ministérios, ela seria impedida pela bola de neve do dedurismo e do fogo amigo que rola dentro do próprio governo e da base aliada no Congresso.

No início, como no primeiro grande escândalo (o do ministério dos Transportes), a mídia ainda era usada como instrumento de ataque aos parceiros ou vizinhos  no loteamento do governo. Agora, porém, o tiroteio se dá no meio da rua à  luz ia dia. A coisa pode ficar fora de controle e isso preocupa a presidenta.

Para Gilberto Carvalho, secretário-geral da presidência (ele representa no Planalto o pensamento do ex-presidente Lula) essa “onda faxineira” deve durar até os primeiros meses do ano que vem, quando, então,  as atenções vão  estar mais voltadas para as eleições municipais.

 O tiroteio

A presidenta sabe que não pode mais estacar o processo que até lhe rende bons pontos  no IBOP, mas procura agir com severidade sempre houver extrapolações e ficar claro que a faxina esta sendo usada apenas para desocupar lugares  cobiçados por facções inimigas, porém  integrantes de um mesmo partido.

Mas  ela revela a seus e assessores que sua real preocupação é com a Economia.  Dilma e o ministro  Guido Mantega, da Fazenda,  sabem que a  nova onda da  Crise Global está apenas começando. E, já neste ano, o Brasil crescerá menos que 4% por cento, bem menos que os quase 5% previstos no início do ano.

Para o ano que vem o crescimento não deverá ultrapassar os 3%, mesmo que   o BC baixe os juros, o que praticamente já foi anunciado por Mantega. Por isso, o Planalto quer evitar marolas  na base governista do Congresso. Ela é indispensável no momento em que se pretende conter gastos.

Quanto ao tiroteio, Dilma ficou particularmente irritada com a divisão na bancada do Partido Progressista (PP) na Câmara. Nesta quarta-feira (24) foi divulgada a entrevista do ministro das Cidades, Mario Negromonte, em que ele faz ameaças a colegas de legenda, dizendo que poderá divulgar a “folha corrida” dos parlamentares que estão contra ele na Câmara.

E é assim que da faxina chegamos ao tiroteio e do tiroteio à baixaria.  Ainda ontem, revelou-se que três dias depois das eleições de 2010, o ministro das Cidades, Mário Negromonte  – na época parlamentar que tentava a recondução ao Congresso -, usou o dinheiro da Câmara para ressarcir despesas com uma empresa de taxi aéreo que, coincidentemente, é a mesma que prestou serviços para a campanha dele à reeleição de deputado federal.

O gasto de R$ 52,4 mil em verba indenizatória declarado pelo então deputado Negromonte com o fretamento de aeronaves em outubro é quase o dobro dos R$ 28 mil desembolsados em março, segundo mês em que o então parlamentar mais gastou com esse tipo de despesa.

Seja como for, no Planalto é dado como certo que Negromonte não se sustenta. Como também não deve se sustentar o provecto ministro do Turismo, Pedro Novaes (PMDB) uma tragicômica indicação de José Sarney.

Na avaliação do Governo, Novaes que já compareceu duas vezes ao Congresso para dar explicações, não só não explica nada como  se complica cada vez mais. O que há, de fato, é uma  inacreditável roubalheira praticada pela cúpula do Ministério e pela EMBRATUR, a ele subordinada.

Novaes alega  que os responsáveis são elementos que ele herdou da administração passada. Ou seja, do governo Lula. A emenda saiu  pior do que o soneto..

Mas o que deverá derrubá-lo mesmo é a confirmação das denúncias de que quando deputado federal, Novaes apresentou emenda ao Orçamento da União para destinar R$ 1 milhão do Ministério do Turismo para a construção de uma ponte em Barra do Corda (450 km ao sul de São Luís). A obra não foi realizada e o dinheiro foi embolsado por uma empresa fantasma sem endereço fixo, evidentemente.

Para completar, a presidenta Dilma finalmente descobriu que o  Ministério do Turismo é muito importante. O Turismo (mais entretenimento) é o segundo maior negócio do Planeta, logo após a Indústria Bélica. No ano passado gastamos U$ 20 bilhões com nossas viagens ao exterior, o dobro do que o Governo gasta com a Bolsa Família.
E só neste mês de julho último, a classe média torrou U$ bilhões lá fora. Esta mesma  classe média que reclama da falta de dinheiro porque o Governo cobra muito imposto.

A matéria abaixo dá continuidade ao raciocínio desta.

20-01-11

A  hora  e a vez da Constituinte 

O pacto da governabilidade é conversa  pra boi dormir.

Se Lula e Dilma estão satisfeitos com suas biografias e acham que o que já fizeram ou estão fazendo é o suficiente. Tudo bem. Fica combinado assim. Do ponto de vista da democracia burguesa e do modo de produção capitalista eles não fizeram pouca  coisa. Pode-se dizer até que fizeram muito mais do que os tucanos.

Mas é só isso. Foi para isso que o PT nasceu, cresceu e chegou ao poder? Os políticos hábeis gostam de dizer que, para as circunstâncias, fizeram o que foi possível. Será verdade ou eles foram cooptados pelo Grande Capital.

 Perón que voltou ao poder, nos anos 70, pela mãos  da massa esquerdista que foi às ruas, em seguida foi complacente com a Direita argentina. Quando os líderes da Juventude Peronista reclamaram, ele sentenciou: “Meus filhos se ficarmos só com os bons ficarmos com muito poucos”.

Este é o papo da “governabilidade” usada  pelo PT no Governo. E não estamos falando do pacto com os eternos 400 ladrões do Congresso. Eles continuarão lá, com ou sem faxina. Estamos falando do pacto com o Capital, o pai de todos os ladrões.

Se o leitor me desse o prazer de ler as colunas Constituinte já  e  Perolas & Pílulas verá ali as justificativas para a convocação de uma Constituinte e, sobretudo, concordará, ou não,  com a afirmação de que vivemos  o momento histórico e preciso para esta convocação.

A bola  da vez

Agora passemos os olhos pelos jornais da manhã:

 Folha:

“Recursos assegurados pelo ministro do Turismo, Pedro Novais, para uma obra no Maranhão beneficiaram uma cidade sem nenhuma vocação turística e uma empreiteira fantasma, cuja sede fica em um conjunto habitacional na periferia de São Luís, a capital do Estado, informa reportagem de Dimmi Amora, Andreza Matais e Felipe Seligman, publicada na Folha deste sábado.

No ano passado, quando exercia o mandato de deputado federal, Novais apresentou emenda ao Orçamento da União para destinar R$ 1 milhão do Ministério do Turismo à construção de uma ponte em Barra do Corda (450 km ao sul de São Luís).

O Estado:

“A presidente Dilma Rousseff deu demonstrações ontem  (19) de ignorar a inquietação do PT nos bastidores com o impacto político da “faxina” iniciada em julho em ministérios e autarquias federais. Dilma afirmou que o governo federal irá continuar a combater os “malfeitos” na máquina pública e ressaltou que a base aliada no Congresso Nacional também não concorda com a existência de irregularidades na administração federal. Parte do PT, conforme reportagem do Estado publicada ontem, teme que as medidas carimbem o governo Lula como corrupto”.

Por esta leitura rápida, fica mais  do evidente a rotina e os cacoetes do governo bem como a reação da base aliada: Pautada pela mídia, Dilma continuará faxinando, até porque isso lhe rende bons pontinhos no IBOPE e os ladrões do Congresso, vão, temporariamente,  pegar leve para  não dar na vista, mas exigem isonomia (os banidos também têm dessas coisas) é que  o tratamento seja igual para todos. “Se  demitiram aqui, vão ter que demitir e prender lá também”.

Quanto ao ministro do Turismo, é claro que ele é  bola da vez e deverá ser defenestrado  apesar  de ser  uma indicação de seu padrinho e sócio José Sarney. Eles são iguaizinhos. Passaram dos  oitenta anos, sem terem aprendido nada e sem serem alcançados pela dignidade. Para eles, meter  mão no erário público  é  corriqueiro e direito legítimo  de quem  conquistou o Poder. No fundo,  eles não se consideram desonestos.  Sabem que, como todos os seus pares, apenas  seguem o rito dos poderosos.

 E o PT? O PT talvez  já tenha superado a fase do deixar roubar  para poder governar. Cedo ou tarde ele vai começar a meter a mão também. Ninguém é de ferro  e essas coisas fazem parte do exercício do poder.  O  Caso Palocci foi apenas o primeiro sintoma importante.

Tudo isso para dizer que é  mais do que evidente que o rumo original do PT só poderá ser retomado por  sua militância mais aguerrida  e mais à esquerda.  A maioria desanimou ou sonha fazer parte do seleto grupo  que já sentou-se à mesa do Poder.

E se não  der para dar um passo a mais na direção do socialismo com o PT e com o PSOL que  já nasceu mais para moralista burguês do que para revolucionário, sempre será possível fazer isso sem eles. Toda vez que uma corporação política se desloca para o centro ou para a direita, abre  espaço para o surgimento de uma Nova Esquerda.  Afinal, fazer revolução é reiniciar todos os dias.

Constituinte já.

15-08-11

Vitória de Cristina Kirchner garante sustentação do MERCOSUL

A presidente Dilma Rousseff ligará nesta manhã  de segunda-feira (15) para sua colega argentina, Cristina Kirchner, que obteve ontem retumbante vitória (mais de 50%)  nas eleições primárias   que credenciam os candidatos para  as eleições presidenciais de 23 de outubro próximo.

O telefonema de felicitações da presidenta brasileira revela o quanto a diplomacia brasileira está empenhada  na expansão e no fortalecimento do MERCOSUL, bem como na consolidação da UNASUL, União das Nações Sul-Americanas, reunindo os as 12 repúblicas do Continente.

 Não é para menos: o  MERCOSUL, tão ignorado ou desmoralizado pela mídia brasileira corrupta e atrelada aos interesses estratégicos dos EUA,  recebe, hoje,  25% de nossas exportações. Esta no mesmo nível dos EUA e da Europa e apenas um pouco abaixo da China.

Com a vantagem de que para nossos vizinhos vendemos preferencialmente produtos  industrializados  e serviços sofisticados, enquanto que para os outro parceiros importantes somos meros fornecedores de matérias primas, as commodities.

Ainda neste fim de semana, em Buenos  Aires, a  UNASUL reuniu os ministros de Fazenda das 12 republicas. Eles decidiram criar um fundo soberano de proteção do Continente  contra as turbulências da crise global e a volatilidade  dos capitais especulativos. Decidiu-se, também,  estimular o uso de moedas locais nas transações  entre vizinhos, substituindo  gradativamente o uso do dólar. Veja matéria na coluna Pátria Grande.

Como se sabe, o MERCOSUL e a UNASUL  têm como coluna básica de sustentação  o eixo Argentina-Brasil-Venezuela, as principais economias do Continente, não computada aqui a Colômbia.

No início da constituição do eixo, os ex-presidentes da Argentina e do Brasil, Néstor Kirchner e Lula, e mais o venezuelano Hugo Chávez, se utilizaram  de um discurso fortemente ideologizado e anti-americano.

Agora, entretanto, passando da retórica à prática, MERCOSUL e UNASUL viabilizam-se como importantes instrumentos de proteção das nações do Continente e em símbolo do que pode vir a ser, brevemente, considerado o quarto pólo  do poder global.

A América do Sul unida,  que chamados de Pátria Grande, possui um território só inferior ao da Rússia, uma população só inferior às da China e Índia e um Produto Bruto equivalente ao da Alemanha, mas já em fase de ultrapassagem.

A vitória de Cristina

A presidenta, Cristina Kirchner, superou todas as expectativas (inclusive as dela) e obteve uma vitória esmagadora nas eleições primárias, realizadas neste domingo,  confirmando seu favoritismo para o pleito presidencial do dia 23 de outubro.

Segundo dados oficiais, com 80% das mesas apuradas, a presidente, que é da Frente para a Vitória (peronista), recebeu mais da metade dos votos, mais de 30 pontos percentuais à frente do segundo colocado, o deputado Ricardo Alfonsín, da União Cívica Radical (UCR), que tinha pouco mais de 12%.

O ex-presidente Eduardo Duhalde, da União Popular, contava com 12%. Duhalde (também peronista) foi antecessor do ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2008) na Casa Rosada.

Dos dez candidatos que participaram das primárias para a Presidência, três não conseguiram a votação mínima exigida de 1,5% e não disputarão o primeiro turno da eleição presidencial de outubro.

Agora que se fala tanto em reforma política no Brasil (nos preferimos a convocação de uma Constituinte), talvez fosse interessante estudar está fórmula argentina  das eleições  primárias.

Seria como uma primeira peneirada que excluiria das eleições definitivas uma infinidade de candidatos e partidos sem nenhuma expressão político e ideológica, mas que  poluem  o horário gratuito e dificultam a obtenção da famosa governabilidade.

A matéria abaixo tem relação com esta que você acaba de ler.

5-08-11

 De Jobim a Amorim, o que muda na Defesa Nacional

Nas questões de Estado, é elementar que a política de defesa deve ser compatível com a política diplomática.

É impossível determinar com precisão o momento em que Nelson Jobim decidiu deixar o governo. Mas ele deixou clara essa intenção em dois episódios nos últimos quarenta dias. A primeira, no aniversário dos 80 anos de seu amigo FHC, quando usou frase de Nelson Rodrigues para dizer o que pensa do governo petista: “Os idiotas perderam a modéstia”. A segunda, há quinze dias, quando confessou, sem necessidade, ter votado em José Serra nas últimas eleições.

As razões que o levaram a querer deixar o governo dizem respeito à sua ansiedade de homem inquieto, ambicioso e arrogante. Ele deve ter concluído que permanecer sob o comando de Dilma Rousseff não renderia mais nenhum dividendo para sua carreira política e suas pretensões. Quis sair por cima. Sai pela porta lateral, sem desmoralização, mas sem nenhum triunfo.

O eixo anti-norte-americano

Jobim chegou a ministro, em abril de 2007, quando, pela primeira vez, o então presidente Lula preocupou-se seriamente com a questão militar.  Foi no auge da Crise da Aeronáutica, nascida em virtude dos desastres com os aviões da Gol na Amazônia e da TAM em Congonhas. Na ocasião, colocou-se em dúvida nossa segurança aérea e a capacitação dos nossos controladores de vôo, todos militares.

O então ministro Waldir Pires, um janguista histórico, perdera o controle da situação e Jobim assumiu a Defesa com  ares de salvador da Pátria. Não chegou a tanto, mas é inegável que realizou um bom trabalho. Pelo menos a questão militar deixou de frequentar as páginas principais dos jornais, a não ser quando o próprio Jobim fazia declarações ousadas ou deliberadamente polêmicas.

Entre a eleição e a posse de Dilma, Jobim mostrou claramente que queria continuar no cargo e calibrou bem seu discurso afinado com o tom nacionalista, pró união sulamericana e  contra a hegemonia norte-americana  no Continente.

Vejam declarações de Jobim, no Rio, em novembro do ano passado, falando para uma platéia de oficiais do Exército:

“Nossa visão é a de que podemos ter relações com os EUA, mas a defesa da América do Sul só quem faz é a América do Sul. (…) Os direitos do Brasil aos fundos marinhos até 350 milhas do litoral, onde está nosso pré-sal, decorre de convenção internacional. Ou seja, só é possível conversar com um país que respeite essa regra. (…) Não pensamos em nenhum momento em termos soberanias compartilhadas. Que soberania os Estados Unidos querem compartilhar? Apenas as nossas ou as deles também?”

Este é o Jobim candidato a continuar ministro no governo de Dilma. Agora vejamos a ambigüidade do Jobim que jamais deixou de pensar como pensam os tucanos, o que foi revelado indiscretamente pelo Wiakileakis, obrigando o Ministério da Defesa a emitir uma nota de esclarecimento divulgado pela agências também em novembro:

O ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, contestou nesta terça-feira (30/11) a informações contida em telegramas trocados entre o então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, e Washington, divulgados pelo Wikileaks. Nas mensagens, Sobel afirmou que Jobim disse que o então secretário-geral do MRE (Ministério das Relações Exteriores), Samuel Pinheiro Guimarães, “odeia os EUA e trabalha para criar problemas na relação entre os dois países”.

“Segundo nota oficial, Jobim, que está em visita oficial à Polônia, ligou para Guimarães, atualmente ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, e afirmou que “realmente em algum momento conversou sobre ele com o embaixador, mas disse que o tratou com respeito e classificou Guimarães como um nacionalista, um homem que ama profundamente o Brasil”.

E aqui chegamos  ao X da Questão. Samuel Pinheiro Guimarães é realmente um nacionalista fervoroso e foi o formulador da política externa, totalmente encampada por Lula  e executada  com competência pelo chanceler Celso Amorim, salvo no caso da aproximação com o Irã, onde  houve um evidente exagero.

Agora Amorim, a quem Lula afeiçoou-se, assume o ministério abandonado por Jobim, o que recoloca as coisas no seu devido lugar. Ou seja: restabeleceu-se uma perfeita compatibilidade entre a Defesa e a Diplomacia do Estado Brasileiro.

24-07-11

Lula só pensa em conquistar
São Paulo e Paraná  para o PT

O ex-presidente Lula conseguiu, como sempre, dobrar as resistências de setores petistas e “impôs” a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, à prefeitura de São Paulo,  no ano que vem. A Marta Suplicy (sobretudo esta) e o Aloizio Mercadante, os outros dois principais candidatos, não gostaram. Mas a vida é assim.

O raciocínio de Lula é simples, como devem ser os bons raciocínios políticos: como o PT deve seguir absoluto no Norte e no Nordeste, a disputa desloca-se para o Centro –Sul do Pais. Supondo-se que no Centro-Oeste, em Minas e no Rio Grande a situação permaneça  mais ou menos empatada, o importante seria eliminar a hegemonia do PSDB em seus dois principais redutos, São Paulo e Paraná.

E foi este mesmo raciocínio simples feito por José Serra, durante a  campanha presidêncial, quando escolheu o  senador paranaense  Álvaro Dias para seu vice. Seus aliados, principalmente no DEM (influenciados maliciosamente  por Aécio Neves) não quiseram entender isso e exigiram a indicação do vice.

 A escolha depois de mil trapalhadas recaiu sobre  o inacreditável Índio da Costa.  Tudo isso contribuiu, mesmo  sem ser o fator principal, para o naufrágio de Serra.

E  foi igualmente o mesmo raciocínio feito recentemente por FHC quando, em polêmico artigo redigido em sociologuês, sugeriu que  os tucanos  abandonassem o discurso para os pobres (leia-se Nordeste, na simplificação) e se dedicassem mais  à classe média (leia-se Centro-Sul) para não entregar o ouro para o PT.

Como se vê, são raciocínios simples. Mas nem sempre eles são aceitos pacificamente. Na verdade, Lula sabe que Haddad  tem menos densidade eleitoral que o ex-tucano Gabriel Chalita que será lançado pelo PMDB. Mas aposta que uma  composição  de ambos, no segundo turno, seria imbatível. E, por aí, já fica alinhavada  também a composição PT-PMDB para o governo do Estado em 2014. No Paraná, haverá acerto semelhante  só que   entre PT e PDT.

Mas não é só isso, evidentemente. Como os americanos dizem: “É a economia idiota!”. Então nada disso dará certo se Dilma não encontrar o ponto ideal, a sintonia fina, do máximo de desenvolvimento com o mínimo de inflação.  Em números, isto quer dizer que será um bom resultado se o País crescer quatro por cento ao ano, na média  até 2014, com a condição de que a inflação não ultrapasse a casa dos cinco a seis por cento.

E desculpem, mas ainda não é só isso. Como este blog vem analisando há algum tempo, Lula e Dilma ensaiam um movimento de pinça para asfixiar a  o PSDB e aliados.  Por um flanco,  a presidenta  avança sobre o eleitorado crescente de classe média, com seu  modelito de gerente  eficiente e austera. A faxina no Ministério dos Transportes (que já rendeu preciosos pontos no IBOP) é o melhor exemplo disso.

 No ouro flanco Lula,  o palanqueiro de sempre,  segue  falando  para o povão,  principalmente no Nordeste, para  garantir  os votos que fizeram a diferença na eleição de Dilma.

Entretanto,  a novidade  é a de que para enfrentar esse tipo de manobra, o discurso-vaselina de Aécio Neves  vale muito  pouco.  A saída para os tucanos é bater cada vez mais forte. E nisso José Serra é bem melhor.

A matéria aí abaixo dá continuidade ao raciocínio desta.

18-7-11

O Milagre Petista

Não é fácil ser oposição nessa quadra da vida brasileira. Se esta oposição for atucanada, então sai de baixo.  No  essencial, a fonte de todos os problemas desta derrapada  (melhor dizer capotagem ) da dupla PSDB-DEM é o fato de ela ter ficado sem discurso durante o segundo governo Lula, sobretudo a partir do Setembro Negro de 2oo8.

É a data que assinala o início visível  da Grande  Crise Capitalista. Crise esta que  derruba, um a um, todos os paradigmas neoliberais. Paradigmas estes que nos acachaparam durante trinta anos, desde a derrocada da extinta União Soviética. E o discurso tucano era todo ele baseado exatamente  nesses axiomas implícitos que  submetiam tudo e todos às leis do Mercado.

E agora que gastei  todo o sociologuês nestes  dois curtos parágrafos, já podermos dizer que Lula e Dilma Rousseff estão estrangulando  a já combalida oposição brasileira num verdadeiro movimento de pinça, já que  política é a extensão da guerra ou vice-versa.

A coisa funciona mais ou menos assim: de um  lado a presidenta  contempla  as demandas do crescentes  eleitorado de classe média que por não fazer,  nos embates eleitorais, uma leitura  sob o prisma da luta de classes,  prioriza  absolutamente os quesitos  eficiência  administrativa e a moralidade pública.

Aos poucos,  Dilma cuja luz emanava direta e exclusivamente do astro Lula, seu gerador político, vai carregando suas próprias baterias, procurando andar com sua próprias pernas. E não é exagero dizer que este  modelo (gerente atenta, inclusive em relação aos desvios de comportamento) já foi  bem assimilado por parte da classe média  e sua mídia.

De seu lado, Lula, sempre irrequieto e doido para não sair do centro dos acontecimentos, ganha as ruas ou, mais precisamente, trepa no palanque onde deverá permanecer nos próximos quatro anos, garantindo uma boa audiência junto ao povão e à ansiosa militância petista.

 Não sei dizer se ambos combinaram esta estratégia, mas parece evidente que ela faz bem a ambos. Digamos que houve um acordo tácito ou ocorreu  como uma solução que fluiu espontaneamente.

Para os socialistas revolucionários, isso é muito pouco.  Mas é melhor que aguentar um governo tucano ou francamente neoliberal e atrelado (submisso) à estratégia global norte-americana.

 Entretanto, o sonho da revolução petista ainda que pacífica, morreu.

Não chega a ser uma  catástrofe, porque o Brasil petista possui, inequivocamente  uma  política externa soberana (batalha com eficácia pela união sulamericana como forma de  combater a hegemonia dos EUA) e desmoralizou  o papo neoliberal do estado mínimo.

 Pode-se dizer que o petismo (mais  lulismo que petismo) representa uma  versão  com pitadas populistas e rescendendo a país emergente, se comparado com a  autêntica Social Democracia  que governou parte da Europa e a Austrália  no pós-guerra.

 A mesma  Social Democracia  que não mudou o nome, mas ficou politicamente conservadora e liberal na Economia,  a partir dos anos 80. Aliás, neste exato momento eles estão (não só os gregos) pagando o preço de sua sôfrega adesão à globalização capitaneada pelo Capital Financeiro.

Quanto ao PT, o que mais admira é que ele entra em seu nono ano de poder sem ter um único projeto nacional ou  programa concatenado de governo. Há  história deste oito anos e meio é a história dos malabarismos e da improvisação até aqui  bem sucedidos. Por isso a grande maioria dos ministros de Dilma, tanto quando  os de Lula,  terem esta característica: são  habilidosos na baixa política, porém  bisonhos no planejamento e na administração.

Este é o verdadeiro milagre do PT que nos obriga a admitir que  ruim com ele pior sem ele, até por que as escassas alternativas são inválidas. Como o PSOL, por exemplo, que não consegue  formular  uma  atualização ideológica compatível com os novos tempos e, pelo menos na voz de sua líderes mais midiáticos, parece reviver, grotescamente, o velho moralismo lacerdista.

Além do aggiornamento  ideológico, as esquerdas precisam recuperar a velha ética socialista que não tem nada a ver com a ética   ingênua e/ou hipócrita do jeito burguês de fazer política. O jeito característico de uma gentinha, analfabeta política até a medula, que exige ficha limpa dos  políticos, mas não exige o mesmo de seus verdadeiros eleitores, os  banqueiros e  os empreiteiros.

A matéria logo aí abaixo dá continuidade ao raciocínio desta.

13-07-11

Um rombo de 10 bilhões

Com a limpeza no Ministério dos  Transportes, controlado pelo PR,  Dilma quer  juntar os recursos para a construção e  ampliação dos aeroportos.

Como este blog informou na semana passada, o novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, é, há cinco anos, o homem de confiança de Dilma Rousseff, dentro do  MT, desde os tempos em que ela era chefe Casa Civil da Previdência. Ele sempre teve acesso direto a ela e se reportou diretamente a ela, independente dos despachos do ministro Alfredo Nascimento demitido há dez dias.

Quando decidiu desmontar  “a máquina de sucção” instalada  dentro do Ministério, Dilma já pretendia indicar Passos (a quem  trata informalmente como Paulinho) para titular da Pasta ou  pelo menos mantê-lo  no posto de Secretário Executivo.

O importante era destituir o ministro Nascimento e o “quarteto” instalado na cúpula do MT: Mauro Barbosa da Silva, chefe de gabinete; Luis Tito Bonavini, assessor de gabinete; José Francisco das Neves, presidente da  Valec (construção de ferrovias), e Luiz Antonio Pagot, diretor geral do Dnit, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.

A forma como Nascimento foi “fritado” e o  depoimento  melancolicamente manso, ontem no Senado, de  Pagot (o “homem bomba” protegido pelo poderoso  Blairo Maggi, ex-governador de Mato Grosso) mostra que a operação  sempre esteve sob controle e foi muito bem sucedida.

A presidenta e o novo ministro avaliam que com a limpeza e os novos métodos (mais transparentes  e simplificados) poderá haver uma economia de até 10 bilhões de reais nos próximos três anos. É grana suficiente, por exemplo, para dar um jeito em todos os aeroportos até a Copa e as Olimpíadas.

 Segundo Paulo Sergio Passos, o governo quer implantar mecanismos nas licitações de obras de transportes que reduzam os aditivos nos contratos. Os aditivos são acréscimos aos contratos originais que aumentam o valor das obras. Suspeitas de irregularidades nesses dispositivos contratuais estão entre as denúncias que levaram ao afastamento da cúpula do ministério e à saída do ex-ministro Alfredo Nascimento (PR).

O novo ministro  indica que o governo pretende fazer as contratações por meio de “preço global ou preço fechado”, baseado em um projeto executivo, mais detalhado do que o projeto básico hoje usado nas licitações. “Quando você contrata uma obra por preço global é diferente. Você define o objeto que quer, dá todas as especificações, com base em um projeto executivo muito bem especificado. E aí vou pagar por aquele objeto um valor fechado, isso evita os aditivos”,  diz Passos.

Hoje, as licitações são feitas a partir de um projeto básico, com poucos detalhes. Com isso, ao longo da obra, o orçamento acaba aumentando por conta de aditivos feitos para cobrir custos que não estavam anteriormente especificados. Além disso, disse Passos, os pagamentos levam em conta os preços unitários de cada item, como cimento, brita e outros. “Medimos e pagamos de acordo com o quantitativo unitário, item a item que compõe a obra”,  acrescenta.

No regime de preço global, defendido pelo  novo ministro, o contrato é fechado com base no custo geral do projeto, e não fica sujeito  às variações de custo das matérias-primas. A mudança defendida por Passos também aumenta, segundo ele, o controle sobre o custo, porque ao fazer a licitação baseada em um projeto executivo, rico em detalhes e estudos de engenharia, o governo terá uma ideia mais realista do custo final.

Sobre as recomendações da presidenta, Passos informa:”Ela disse que espera que eu faça todos os ajustes necessários para que não se tenha nenhuma dúvida sobre a retidão dos procedimentos da pasta. Faremos mudanças importantes e decisivas”.

Como assume o cargo sem o apoio total do PR, partido ao qual é filiado, Passos diz que ”é preciso não confundir a gestão administrativa da pasta com os aspectos da relação política que envolve os partidos. Eu não misturo as duas coisas”.

Enfim, com esse  episódio, mais do que  naquele que resultou na “fritura” de Palocci, Dilma Rousseff procura imprimir seu modo próprio de governar. Se vai dar  certo  ou se isso  poderia  provocar algum atrito com o ex-presidente Lula, o tempo dirá. Mas isto é uma outra história que fica para uma outra vez.

As matérias logo aí abaixo dão sequência ao tema desta.

12-07-12

Como os ratos não rugem, Dilma não levou a sério ameaças do
PR e nomeou  seu  favorito  para o Ministério dos Transportes

Nesta segunda- feira, após receber telefonema do senador Blairo Maggi, ex-governador de Mato Grosso, a presidente  Dilma Roussef convenceu-se de que as ameaças de retaliação por parte do PR eram meros “blefes da malandragem” e nomeou para o Ministério dos Transportes, o “técnico” Paulo Sérgio Passos que  era o seu favorito.

 Paulo Sérgio é filiado ao PR (Partido da República), mas era considerado os  olhos e os ouvidos da presidente no Ministério. Como secretário-executivo, já ocupava interinamente o posto, desde a demissão do ministro Alfredo Nascimento  e de todos seus principais auxiliares. Menos o próprio  Paulo Sérgio.

No telefonema,  Maggi explicou as razões (negócios particulares) que o levavam a não aceitar o convite para assumir o Ministério e garantiu que seu elemento de confiança e afilhado político, Luiz Antônio Pagot, “não é um homem bomba”.

Durante toda a semana, correu  a notícia de bastidor de que Pegot, inconformado com sua demissão, faria um depoimento bomba, hoje, na Comissão de Infraestrutura do Senado que está investigando as razões da demissão de Nascimento  que,  ao sair no Ministério, reassumiu sua cadeira de senador.

Maggi  garantiu à presidenta que Pagot fará uma exposição “basicamente técnica”, mostrando como funciona a burocracia  interna do ministério, “como as coisas eram administradas”.

Ao convidar Magg para assumir o ministério, Dilma pretendeu dar uma  satisfação ao PR, considerado  importante na base de apoio ao Governo. Mas, principalmente, ela queria saber  até que ponto eram verdadeiras as ameaças atribuías a Pagot.

Na conversa com  o bilionário ex-governador de Mato Grosso, ficou claro para a presidenta que tudo não passava de bravata  de dois  espertalhões, os deputados Valdemar Costa Neto considerado o verdadeiro dono do partido ou “chefe da gang” e Antony Garotinho.

Este último está cada vez mais desmoralizado  desde que deixou o governo do Estado do Rio e a prefeitura  de Campos, cargos que, aliás, eram ocupados, como preposta, por sua mulher Rosinha Garotinho.  Nos dois casos, o casal deixou atrás de si um rastro de escândalos.

Uma das qualidades exigidas  dos governantes é a de saber distinguir se os rugidos ouvidos ao longe são de  leões mesmo ou apenas simulações de pequenos roedores que não querem perder a boquinha na administração.

As duas matérias logo aí abaixo dão sequência ao tema desta.

08-07-11

De respeito mesmo, parece que no PR só tem o Tiririca
Mesmo assim, o partido endurece o jogo contra Dilma

Inacreditável, mas rigorosamente verdadeiro: embora esteja mais para quadrilha organizada e confraria de picaretas do que para partido político, o Partido da República  (PR) resolveu peitar o Governoe redobra exigências e exige satisfações.  Este é o grau de avacalhação (a palavra é dura, mas é adequada) a que chegaram as relações do Planalto com sua base aliada. Tudo em nome da governabilidade.

Convidado pela presidente Dilma para ocupar o lugar do demitido Alfredo Nascimento no Ministério dos Transportes, Blairo Maggi, ex-governador de Mato Grosso e atual senador, faz doce, pede  tempo para pensar, diz que está mais preocupado com seus negócios e, finalmente, manda o recado: exige uma satisfação em relação ao “mal tratamento” sofrido por seu protegido Luiz Antonio Pagot, diretor do Dnit, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.

 Este, por sua vez, está na cota de demitidos da cúpula do Ministério.  A demissão só não teria sido formalizada porque, oportunamente entrou de férias, segundo ele, por recomendação da chefe da Casa Civil da Presidência, Gleisi Hoffmann. Esta, porém, nega ter feito tal sugestão.

Pagot  segue , assim, como moeda de troca. E prossegue a novela cada vez mais enrolada, exatamente como quer e recomenda Valdemar Costa Neto, o verdadeiro dono PR e presumível agenciador de todas (quase todas) as negociatas operadas no Ministério. Sua estratégia resume-se nesta máxima: “O negócio é deixar a onda passar”.

Enquanto isso, prestigiado pelo chefe Maggi,  Pagot enche o peito e fornece uma pequena mostra do que pretende dizer caso  seja chamado a depor na Comissão de  Ética do Senado  que deverá investigar Nascimento: “O diretor de Infraestrutura do Dnit, Hildebrando Caron (filiado ao PT), é responsável por 90% das obras”.

Há quem diga que Dilma  não recuará de sua decisão de demitir Pago.  E  há quem acredite que, assim com Lula fez tantas vezes, ela engolirá  mais este sapo.

Tudo isto está mais para crônica policial que política. Por isso mesmo, cabe a pergunta:  Vale a pena para o Governo e para o PT  chafurdar nesse lodo de corrupção e chantagens? Tudo é feito em nome da governabilidade. Mas que governabilidade é está?

Ainda há uma meta ou algum vago projeto socialista que  justifique  tantos meios escusos e tanta concessão fisiológica a partidos como o PMDB e o PR que são escancaradamente instrumentos de uma pacto conservador, tanto do Grande Capital (principalmente o Financeiro e o Agrário) como de certas seitas fundamentalistas e  espantosamente retrogradas?

Do jeito como as coisas ficaram arrumadas, não é o PT e o Governo que usam a aliança no  seu interesse. Eles são usados. Tanto que a mídia, serva obediente do Capital Financeiro, está cada vez mais dilmista.

A grande distorção da política brasileira e que deveria estar sendo denunciada pelo PT e  servindo de argumento para a convocação de uma  Constituinte é  a de que o Grande Capital, através dos partidos fisiológicos e dos ideologicamente de direita, ocupa mais de 70 % das cadeiras  do Congresso. De que valeram, afinal, os 50 milhões de votos obtidos pro Dilma?

o5-07-11 atualizado em 08-07-11

O “Jeito Dilma” de fritar “companheiros”

Na quarta-feira à noite,  a presidenta Dilma Rousseff convidou o senador do PR e ex-governador de Mato Grosso,  Blairo Maggi para assumir o Ministério dos Transportes no lugar de Alfredo Nascimento que ainda nem tinha sido demitido oficialmente. Blairo pediu 48 horas para pensar  e para consultar as lideranças do partido.

O ex-governador matogrossense  é  um dos dez maiores latifundiários do Brasil, o maior produtor individual de soja do Mundo e um aos  maiores desmatadores do de todos os tempos. Pelo menos em Mato Grosso, ninguém pode dizer que abateu tantas árvores quanto ele.

Ao convidá-lo para substituir Nascimento, a presidenta  mirava três objetivos:

 1- Não travar as negociações, com o PR, considerado um aliado importante com seus 42 deputados e seis senadores.

2- Precaver-se  contra as ameaças de Luiz Antônio Pagot, amigo íntimo e homem de  confiança de Maggi. Ao saber que seria demitido do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), um dos maiores focos de corrupção do  MT, ele circulou pelo Senado,  terça-feira, dizendo-se magoado com o Governo e  insinuando que  não deixaria  barato o desaforo.

3- Eliminar, através  de um fato consumado e da nomeação de um senador, qualquer possibilidade de articulação por parte do inescrupuloso deputado Valdemar Costa Neto, secretário-geral do PR e que age como dono do pedaço, sendo considerado  a principal  peça de  todas as negociatas, num ministério recordista nesta modalidade.

Valdemar, aliás, é do tipo que não esquenta,  calejado que está com todos os tipos de escândalo. Na quarta-feira ele dizia, fazendo graça para os amigos, que ainda não sabe, mas vai descobrir, se as informações sobre as falcatruas estão sendo passadas para imprensa pelo Palácio do Planalto ou por elementos do próprio PR.

O agonizante ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, pediu demissão quarta-feira à  tarde. Mesmo assim, agora que volta a ser senador, dispôs-se comparecer às várias Comissões do Senado, inclusive a de
ÉEtica, para tentar explicar a inexplicável e escancarada roubalheira que  há sete anos ocorre debaixo de seu queixo, no Ministério.

A presidenta Dilma  cumprirá a promessa de nomear um substituto filiado e indicado pelo PR, partido do Nascimento e do Garotinho que há pouco mais de um mês, como autêntico chantagista, referiu-se a Palocci como “uma  jóia de 20 milhões de reais.

 Mas ela não esconde sua preferência por Paulo Sérgio Passos, um técnico que como secretário-geral,  está ocupando interinamente o cargo de ministro.

Como este blog revelou, há três dias, as informações sobre irregularidades no MT vazaram para  a imprensa diretamente  do  Palácio do Planalto.  Na verdade, a presidenta Dilma tem “a maior bronca” contra Nascimento desde os tempos em que era chefe da Casa Civil, via tudo, mas,  em nome da “governabilidade”, não podia fazer nada.

A agonia de Nascimento foi semelhante à sofrida por Palocci, há dois meses.  Diariamente aparerciam novas acusações e escândalos. Quarta-feira foi a vez do filho de Nascimento, Gustavo, um jovem que aos 27 anos  já acumulou uma fortuna de 50 milhões de reais, a partir de uma pequena empresa criada  há dois anos.

O maior problema  do ministro defenestrado  foi o de ser  torpedeado  não apenas pelo  Planalto e pelos demais partidos da base governista que estavam de olho no seu cargo, como também por seus  próprios colegas do PR que queriam livrar-se dele para ver se salvavam o Ministério.

Para se ter idéia da determinação da presidenta em fritar o ministro e seus auxiliares , basta ler estas  poucas linhas veiculadas pela Folha de S. Paulo também na quarta-feira:

 “O governo informou na terça-feira que o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), Luiz Pagot, será exonerado do cargo ao voltar de férias. Ele e outros integrantes do governo ligados ao PR são suspeitos de irregularidades em obras do setor, segundo reportagem da revista Veja. Um dos nomes que a presidente Dilma Rousseff já chegou a cogitar para substitui-lo é o de Hilderaldo Caron, ligado ao PT e um dos diretores do Dnit.

A decisão de exonerar Pagot foi tomada ainda na quarta-feira em reunião de Dilma com os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Pagot foi ao Senado na terça-feira para se reunir com senadores do PR. Ele disse estar “magoado” com o Governo”.

Texto de o5-07-11

Analistas e pesquisadores  (historiadores em perspectiva) já detectaram a diferença essencial entre Dilma Rousseff e Lula: ela  pretende ser bem menos complacente com os desvios de conduta ou corrupção escancarada dos “companheiros” que compõem a base aliada do Governo.

Lula governou sob a síndrome da necessidade de governabilidade a qualquer  preço. “Se o que temos para governar é esse lixo, governaremos com esse lixo”. Ou seja, fazia-se vista grossa ou mesmo tentava-se abafar os escândalos dos indispensáveis aliados no Congresso. Na prática, criava-se uma lealdade mafiosa, ainda que  o chefe não sujasse as mãos.

Seja como for, Lula jamais se conformou com o fato de  ter sido derrotado, por um único e mísero voto  na  questão do Imposto do Cheque. Uma questão que beneficiou aos banqueiros, mas que a mídia marota conseguiu vender como uma vitória dos contribuintes.

Entretanto a questão  é mais sutil e grave. Nas conversas íntimas da qual só participam os colaboradores mais  próximos, o próprio Lula e algum  marqueteiro ocasionalmente convocado  para consultas, chegou-se ao consenso  de que já está colando no PT a imagem de um partido que, mesmo que  não meta as mãos na massa, faz qualquer negócio para governar.

E não é uma imagem pintada apenas pela sempre belicosa mídia  ou pelos oposicionistas de profissão. É algo que como  uma verruma está penetrando nas mentes da opinião pública ampla, aquela que inclui o que não são leitores habituais dos grandes jornais. E é aí que as imagens transformam-se em manchas que jamais serão extintas. Ficam perenes no eleitorado e na História.

Adhemar de Barros e Paulo Maluf, mesmo na hipótese de que jamais tivessem metido a mão em um único tostão, imortalizaram-se como ladrões e não há nada  que possa ser feito contra isso.

Se subirmos o tom para alcançarmos o sociologuês, diremos  que a presidente Dilma, Lula e seus colaboradores mais íntimos sabem que será um desastre se a referida imagem  negativa do PT prosperar, sobretudo em meio a um eleitorado onde predomina cada vez mais a classe média recheada  anualmente por  novas levas de emergentes.

E este seguimento social, que já é majoritário, tradicionalmente distancia-se da luta clássica de classes (capital x trabalho) e supervaloriza no seu conceito  e no seu voto, ainda que com boa dose de ingenuidade ou  hipocrisia, os valores morais e éticos.

Vai daí que Dilma Rousseff  pretende acrescentar ao seu  modelito bem sucedido de gerente competente e exigente, um outro: o de fiadora da moralidade pública, pelo menos no âmbito do Governo. O ministro  José Eduardo Cardozo, da Justiça, é  um os principais defensores desta postura.

A fritura em si

E  é nesse contesto que se dá a atual fritura do ministro Alfredo Nascimento, dos Transportes, representante do PR no bolo governamental. Todos sabem que ele não é flor  que se cheire, nem muito menos  o verdadeiro dono do partido, o deputado  Waldemar Costa  Neto, um escroque sob qualquer ângulo que se olhe: ele só não está preso porque é deputado e só não foi cassado na legislatura passada porque renunciou ao mandato.

 Neste fim de semana, Dilma Rousseff analisou, com auxiliares, possibilidade  de afastar Alfredo Nascimento do cargo de ministro. Alguns nomes para substituí-lo chegaram a ser selecionados. E lembremos que foi ela  quem  levantou a suspeita de superfaturamento no Ministério e exigiu de Nascimento o afastamento (na verdade demissão)  de seus principais auxiliares.

Entretanto, nas últimas 24 horas a presidenta recuou e confirmou sua confiança em Nascimento através de nota oficial. A desculpa oferecida em off aos jornalistas foi a de que ela ainda está estudando uma forma de contornar uma possível crise com o PR que, afinal, possui seis senadores e  mais de 40 deputados. É, sem dúvida, uma peça importante na base governista porque, além disso, lidera um bloco de mais sete partidos menores, somando um total de 64 parlamentares.

Há também a versão de que Waldemar Costa Neto teria ameaçado botar a boca no trombone, assim como Roberto Jefferson fizera no episódio do “Mensalão”. O estrago seria grande.

Mas a análise mais justa é que indica o seguinte: este é o jeito tortuoso que a presidenta adotou para livrar-se de Nascimento. E notem que há certa semelhança com o desfecho sofrido por Antônio Palocci que foi “prestigiado” até  o momento mesmo em que subia ao patíbulo.

E tudo isto começa a fazer mais o sentido quando crescem as suspeitas (mais evidências que suspeitas) de que os detalhes sobre as picaretagens da cúpula do Ministério dos Transportes (o quarteto demitido) foram fornecidos à Veja pelo Planalto.

À la Thatcher

É famosa a entrevista da ex-primeira ministra britânica Margareth Thatcher que, anos depois de deixar o governo, confessou que sempre que queira “fritar” um ministro mandava um assessor de confiança  vazar os malfeitos do  infeliz para um órgão de imprensa importante.

E ela tinha o cuidado de fazer uma espécie de rodízio. Ou seja: nunca vazar duas vezes para o mesmo veículo, para não criar privilégios ou desconfianças.

Qualquer semelhança com a “fritura” do ministro Nascimento não é mera coincidência.

07-6-11 atualizado em 09-06-11 e em 10-06-11

Chávez e Dilma eufóricos com vitória de Humala

Um fato inédito na História:  A menos de 24 horas do anúncio  oficial de sua vitória,  um presidente  eleito visita outra nação. Foi o que fez  esta manhã (09-06), o novo presidente do Peru, Ollanta Humada que desembarcou às 9 hs em Brasília e, em seguida, se reuniu durante duas horas, com a presidente Dilma, no Palácio do Planalto.

Após a reunião, Humala informou que o combate ao narcotráfico e a segurança na fronteira entre os dois países foram os principais temas do encontro. Mas, na verdade, a presidenta prometeu apoio, caso o Peru mergulhe numa crise financeira, em função da desconfiança do Mercado em em relação ao programa econômico do novo presidente.

Hoje (sexta-feira,10) Humala se reuniu, em São Paulo, com ex-presidente Lula, a quem  informou que pretende associar o  Peru ao MERCOSUL,  inicialmente na qualidade de Membro Associado (sem direito a voto) o mesmo status do Chile e da  Bolívia. Este é o primeiro passo para que  o país adquira, em seguida, a condiçãode Membro Pleno, como aconteceu recentemente com a Venezuela.

Leia nos textos abaixo, por que a vitória de Humala é um grnde revés para a diplomacia norte-americana.

Texto de 07-06-11

A mídia brasileira chega às raias da sordidez. Ela não é obrigada a gostar de Hugo Chávez. Mas tem a obrigação profissional de saber que ele é uma das principais lideranças do Continente. Por conta disso, tinha o dever de informar seus leitores, com a amplitude adequada, a vista do presidente  venezuelano ao Brasil.

Entretanto, os jornalões  decadentes meio que ignoraram a  visita de Chávez  e desonestamente sonegaram informações importantes que deveriam repassar  à sua  clientela. O pouco que foi noticiado referiu-se apenas a burocráticos acordos comerciais e de ocupação de espaços   na fronteira entre os  dois países.

E os leitores ficaram sem saber, por exemplo, que durante as duas horas em que se reuniram, ontem de manhã no Palácio do Planalto, Dilma e Chávez gastaram a maior parte da conversa comentando e festejando a eleição de Ollanta Humala  para a presidência do  Peru. E no almoço, a partir das 13 horas, no Alvorada, chegaram a brindar essa vitória.

Para  Marco Aurélio Garcia, Assessor Especial da Presidência para Assuntos Internacionais, a vitória de Humala, altera radicalmente o desenho geopolítico do Continente: Os Estados Unidos ficam desfalcados de uma de suas principais alianças  político-comerciais e, de outro lado, o MERCOSUL mais  UNASUL, União  das Nações  Sulamericanas, avançam para Oeste e atingem  a Costa do Pacífico. Este fato abre novas e grande expectativas  em termos de rotas comerciais.

Aliás, em seu pronunciamento após o encontro, Chávez sintetizou  a nova situação com a seguinte frase:

“Neste momento de triunfo no Peru, felicitamos  seu povoe seu presidente eleito. Que nos unam nesse amanhecer de uma nova era, que não é época de mudanças, senão uma mudança de época.”

Ainda ontem pela manhã, Dilma ligou para  Humala e o felicitou. Na conversa, ficou praticamente acertado que o novo presidente peruano poderá visitar o Brasil antes mesmo de sua posse marcada para Julho.

 06-06-11

Uma vitória para a História

Frase de Mario  Vargas LLosa, Prêmio Nobel de Literatura, ao saber da  vitória de Ollanta Humala: “Conclui o meu trabalho”. Embora conservador, Vargas LLosa considerava  a vitória de Keiko Fugimore,  a adversáia de Humala, como um tribunfo do fascismo sobre a democracia.

Com a vitória confirmada oficialmente  nesta madugrada de segunda-feira, do novo presidente do Peru, Ollanta Humada, um  nacionalista de esquerda apoiado por Hugo Chávez e  Lula, os Estados Unidos sofrem uma enorme  derrota estratégica na América do Sul.

Até a véspera da eleição, todas as pesquisas apontavam empate técnico entre Humala e  Keiko Fugimore, a candidata de direita apoiada  pela grande mídia peruana e pela maioria do empresariado.

Keiko é filha do ex-presidente Alberto Fugimore, que cumpre pena de  vinte anos por crimes de corrupção e desrespeito continuado aos direitos humanos.

Na média das pesquisas de boca de urna, o candidato nacionalista, um militar reformado, obteve 52,6% dos votos, contra 47,4%. Entretanto, no resultado oficial a vantagem foi bem  menor,  apenas 3%.

O  Departamento de Estado defendia com unhas e dentes a aliança política e comercial com Lima, para evitar que o MERCOSUL e a UNASUL, União das Nações Sulamericanas, se estendessem pela Costa do Pacífico.

UNASUL e MERCOSUL, são iniciativas lideradas  por Brasil, Argentina e Venezuela, justamentamente com o objetivo de quebrar a histórica hegemonia norte-americana no Continente.

Humala promete um governo de conciliação nacional e um modelo, “inspirado no Brasil”,  de crescimento econômico com distribuição de renda.

26-05-11.

Guerra  Tucana sem fim:
À véspera da Conveção, Serra luta para não
ser apenas  uma sombra  dentro do  partido

Uma coisa a gente precisar reconhecer: o Serra não desiste. Até à véspera da Convenção Nacional do PSDB (que se instala sábado, 28) ele ainda luta para recuperar espaços, para  não ficar totalmente à sobra. Suas possibilidade são pequenas porque ele  enfrenta um esquema poderoso montado por Aécio Neves e Geraldo  Alckmin. Seu objetivo é o de sempre, voltar  a ser cadandato à presidência  em 2014.

Aécio e Alckmin armaram para deixar Serra isolado  na presidência do Conselho Político da Executiva, um orgão decorativo criado especialmente ele. Mas o persistente ex-governador paulista, acompanhado por alguns fiéis aliados, quer indicar o novo secretário executivo, aquele que cuida do dia-a-dia do partido, E  pretende, ainda, ser o presidente do Instituto Teotônio Vilela.

Este insituto, sim, é uma tribuna importante para que Serra exponha sua maneira de fazer  oposição, indique rumos. É, enfim, uma forma de ele não desaparecer do noticiário.

Entretatanto,  Aécio já tinha reservado este cargo para seu amigo, o ex-senador cearence, Tasso Jereissati, por sinal um desafeto do tucano paulista.

 Quanto ao cargo de secretário executivo, Aécio não abre mão da eleição do deputado mineiro Rodrigo de Castro, seu fiel escudeio. Para concorrer com ele, Serra indou Alberto Goldmann que foi seu vice-governador.

Enfim é em torno destes dois cargos que haverá disputa, talvez voto a voto, na Convenção de  sábado. A única coisa certa é que o atual presidente, deputado Sérgio  Guerra (PE),  será reeleito. Ele  é homem de confiança de Aécio Neves.

06-05-11

A reversão das expectativas

A inflação brasileira acaba de bater nos 6,51% anuais, ultrapassando, assim, o teto da meta fixado pelo próprio governo que é de 6,5%. O Mercado, silenciosamente, festeja porque seus especuladores apostaram nisso e agora estão faturando. Os consumidores começam a ficar ansiosos. E o Governo? Ao Governo cabe reverter as expectativas, para evitar que o processo inflacionário ingresse no rítimo de auto-alimentação e  fuja de controle.

 Neste artigo procuramos mostrar por que o Mercado e sua mídia torcem a favor da inflação e por que o Governo ainda não foi capaz de vencer esta queda de braço.

Existem três tipos de inflação embutidas numa só: a– De demanda, a mais manjada ; b– De custos ou estrutural e c– Inercial ou psicológica.

A de demanda é combatida excencialmente com o aumento da taxa de  juros o que inibe (deveria inibir)  o consumo e deveria estimular a poupança. Mas na prática a teoria é outra, como veremos.

A de custos se combate com aumento da eficiência do sistema como um todo, tipo eliminação de gargalos e apagões na infrestrutura do País. Entretanto também há o remédio da diminuição tanto de impostos como de salários que podem ser comprimidos de forma direta (arrocho) ou indireta que é o descarte de mão de obra via automação. Mas o instrumento mais cômodo e eficiente é o da valorização cambial: com a moeda valorizada, compra-se a menor preço (via importação) mercadorias para o consumo direto, bem como  matérias primas e componetes para a indústria.

 A inercial ou psicológica é contida pela eliminação de indexações que ensejam reajustes automáticos, principalmente de aluguéis e tarifas de serviços públicos. E a economia brasileira ainda está contaminada por antigas indexações. Mas o verdadeiro combate é feito mesmo no gogó: os agentes do governo devem convencer o Mercado e o públco consumidor de que a inflação está sob controle e, no futuro, ela será menor do que no presente. No fundo é uma questão de creditibilidade.

A queda de braço

No momento o Governo trava uma queda de braço com o Mercado (leia-se Setor Financeiro) e seus agentes. Este setor fez duas grande apostas  e  investiu pesado nelas: o aumento dos juros e a conseqüente desvalorização do dólar. Isto porque os juros altos atraem mais  capitais (em dólar) especulativos. E claro que para os banqueiros, a simples alta de juros já é um ganho. Mas eles querem levar o pacote todo e faturar suas apostas especulativas.

É aí que entram em ação os tais agentes, basicamente analistas de mercado e colunistas especializados da grande mídia. Todo santo dia eles procuram inculcar no público, a noção de que a inflação está fora de controle e o Governo não mostra competência para domá-la novamente ou, como eles dizem, traze-la de volta para o centro da meta.

Seria possivel dizer que, no conjunto, esse pessoal é um bando de inocentes úteis. O problema é que eles são úteis, mas não são inocentes. Agem maliciosamente, ou pela grana alta que recebem, ou por questões  ideológicas e partidárias. Para eles a única forma eficaz e confiável de combate à inflação  é a elevação dos juros e corte das despesas (e atribuições) do Estado.

Por outro lado, vamos combinar que o Governo também não é inocente. Ele gasta muito e gasta mal. E, em 2010, um ano eleitoral, passou das medidas. Entretanto seu calcanhar de  Aquiles é a comunicação.

E isto é consequência de uma opção estratégica da presidenta Dilma que, como economista, decidiu comandar pessoalmente esse setor vital. Como, porém, ele fala pouco através da mídia, fica a sensação de que não há  uma voz de comando.

Quem fala pelo Governo na hora de dizer como a inflação esá sendo eficientemente combatida? O ministro Guido Mantega, da Fazenda,  Alexandre Tombini, presidente do Banco Central ou Luciano Coutinho, presidente do  BNDES?

O grande público não sente firmeza, mesmo considerando que, muitas vezes, esta firmeza é ilusória. Não se percebe a existência de um condutor, como  nos tempos do  Roberto Campos,  Delfim Netto ou, mais recentemente,  Antônio Palocci.

E o discurso do Governo é ambíguo, na medida em que ora garante  que a inflação é  sua preocupação máxima, ora assegura que  não foram ambadonadas as metas de  crescimento econômico e de maior oferta de empregos. Seria mais intelegível e honesto dizer que  este ano o Governo tira  o pé do acelerador  para voltar a pisar fundo dentro de 12 meses. As pessoas comuns podem  perfeitamente entender e aceitar isso.

Seja como for, o Governo já abandonou os planos  de adoção do câmbio semi-fixo a Quarentena que seguraria, por 90 ou 120 dias o fluxo (entrada e saída)  de capitais externos. E resolveu deixar as coisas como estão, porque  o Real valorizado é importante instrumento de combate à inflação. Isto quer dizer que  a idústria brasileria vai ter que suportar a concorrência  brutal de mercadorias importadaas que estão destruindo  seguimentos inteiros do setor.

Tudo o que o governo fará, até o ano que vem, é socorrer as empresas que já estão ingressando  na UTI,  fornecendo o oxigênio  do crédito subsidiado e da isenção fiscal.

Inflação ultrapassa o teto da meta.

No mais, e como se esperava,  o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) divulgado hoje revela que a inflação, nos  últimos  12 meses  foi de 6,51%, ultrapassado, por  pequena fração, a meta de 6,5%. E como os juros continuarão  subindo, dificilmente  o crescimento econômico  vai superar os 4%,  bem abaixo dos  5% previstos pelo Governo no início do ano.

Mas é verdadeira a informação  de Mantega e de Tombine  de que  “o pior já passou”. Os  reajustes automáticos do primeiro trimestre já ficaram para trás e a  nova safra agrícola, que é farta, vai forçar a queda dos alimentos e dos combustíveis nos próximos meses.

O custo dos juros e o lucro dos especuladores.

Prometemos, nos primeiros parágrafos acima, mostrar como os juros são um pesado fardo para a economia como um todo. Para cumprir o prometido, transcrevemos  o pequeno texto de José Paulo Kupfer, o  honesto e competente colunista  do Estado de S. Paulo:

“Eu mesmo já falei mais de uma vez, aqui no blog, sobre o superávit fiscal primário do primeiro trimestre deste ano, confirmado, nesta sexta-feira, pelo Banco Central. Esses quase R$ 40 bilhões de superávit, que representam 4,2% do PIB, é um número forte, embora com origem principal no aumento da arrecadação.

As receitas subiram 12%, no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o primeiro trimestre de 2010 e devem fechar o ano com crescimento perto de 10%, pelo menos o dobro da variação do PIB. Em outras palavras, a carga tributária vai aumentar mais um pouco.

Faltou comentar, nos textos aqui no blog, o peso das despesas com juros no conjunto das contas públicas.
O mínimo que se pode dizer é que um fardo e tanto. Os gastos com juros da dívida pública, por conta da evolução da inflação e da taxa de juros nos últimos tempos, foram bater, no primeiro trimestre de 2011, quase em R$ 60 bilhões (R$ 15 bilhões a mais do que no primeiro trimestre do ano passado). Ou seja, os juros comeram todo o superávit primário e ainda deixaram sobra para engordar a dívida. Em 12 meses, os gastos com juros elevaram-se a mais de R$ 200 bilhões, equivalentes a 5,5% do PIB.

Ainda assim, o déficit público nominal registrado no primeiro trimestre representa 2,7% do PIB. Nem chega aos 3% do PIB estabelecidos no Tratado de Maastricht como limite para os países que aderissem à União Européia. E nem chega perto dos déficits que os países desenvolvidos, com raras exceções, passaram a carregar depois da crise de 2008”

Para concluir, dizemos nós que a partir de um certo  nível, como é o caso da taxa de juros no Brasil, a   maior do Mundo com seus  12%,  representa um incremento da  inflação de custos,  porque  tanto  produtores como comerciantes, transferem este pesado ônus para o preço final dos produtos ou seja, para o consumidor.

20-04-11, atualizado em 21-04-11 e em 23-04-11

Aécio,  muito  esperto,  reaparece
como comandante das Oposições

Mas houve a ressaca e o dedo de Serra

José Serra já avisou a seus correligonários mais próximos e leais que não há hipótese de ele vir a se candidatar à prefeitura de São Paulo nas eleições do ano que vem. Ele considera que ainda não perdeu a parada para Aécio Neves, na luta renhida que  os dois vêm travando  pelo comando do PSDB e pela liderança das Oposições.

Voltar à prefeitura, representaria o insuportável ônus psicológico de  passar de cavalo a  burro, somado ao prejuízo poltico de ter que assumir uma posição subaltena, dependente dos favores dos governos estadual e federal.

Então, ele aceitará a presidência do Conselho Político do partido, órgão recém criado pela Executiva Nacional, com aval dos oito governadores tucanos. É um prêmio de consolação que lhe foi oferecido, com a condição de que ele não dispute a presidência da legenda, na Convenção de Junho. Sendo assim, será reeleito o atual presidente, deputado Sérgio Guerra (PE),  leal a Aécio.

Mas a grande verdade é que Serra criou ânimo novo com a derrapada boêmia que Aécio cometeu  na  noite carica, semana passada. O ex-candidto a presidência aposta que a marca de playboy e bon vivant colou no ex-governador mineiro. E considera que isto será inevitavelmente usado pelos adversários políticos.

Sendo certo, acrescentamos nós, que Serra, na moita, também explorará  o deslize sempre que puder.

Texto de 21-04-11

O incidente boêmio na madrugada carioca (domingo, 17) não ficou tão barato para Aécio Neves como se supôs inicialmente. Depois  da minimização do episódio e das manifestações ostensivas de solidariedade por parte  de aliados e dos principais caciques do PSDB, começaram a sugir, daqui e dali, algumas críticas e  admoestações plantadas na mídia, a partir, por coincidência, de São Paulo.

Reparem neste texto, uma pérola venenosa e levemente provinciana:  “O estilo “bon vivant” do senador Aécio Neves preocupa líderes da oposição que temem o impacto de eventuais deslizes no potencial político do mineiro, apontado como uma das apostas para suceder a presidente Dilma Rousseff.” (O Estado de S. Paulo, um jornal que é Serra de carteirinha)

O texto que parece ditado pelo próprio Serra, acrescenta: “Em conversas reservadas, aliados consideraram  que houve um”vacilo” do senador. Para os aliados, os três anos que faltam para as eleições serão tempo suficiente para o senador abandonar o “jeito zona sul”.

E a conclusão: “Esses correligionários do tucano esperam que ele “aprenda a lição” e que não cometa mais esse tipo de erro. Confiam ainda que ele adote um estilo de vida mais discreto e sem se envolver em episódios polêmicos e escandalosos, ficando afastado de festas e noitadas”.

Este é o chamdo “fogo amigo”, porque o inimigo PT não perdeu a oportunidade para explorar o  episódio. Pena que alguns dirigentes e parte da militância tenham descambando para a desnecessáia baixaria, como notou o senador petista  Lindberg Farias, do Rio.

Um dia, talvez, esse pessoal compreenda que uma alfinetada inteligente e sutil vale por mil palavrões e xingamentos.

Texto de 20-01-04

A gente tem que reconhecer: este Aécio é esperto que é danado. Não se deixou abater pelo incidente de domingo quando foi pilhado pela Lei Seca e, de cara lavada, apareceu no Senado, na terça-feira (19) logo cedo. E já foi falando como comadante das Oposições.

Olha só a pose do cara: “Vamos, depois da Semana Santa, sentar com a direção do DEM e começar, de forma muito clara, através das direções nacionais, essa é a questão nova, a definir já as alianças para 2012″.

 Foi assim, como líder inconteste do PSDB e seu candidato natural à presidência da República, que Aécio determinou, em seu discurso no Senado, como o PSDB deve agir em relação ao DEM.  Desde logo,  ele descartou a possibilidade de fusão com esse partido aliado que, desmilinguido, está em vias de exinção.

Ao defender o início imediato dos diálogos, Aécio avaliou que, em eleições anteriores, os dois partidos saíram prejudicados quando disputaram entre si. “Nós achamos que esse é o momento de anteciparmos as coligações, identificarmos onde o DEM for mais forte, nós vamos de democratas, onde o PSDB for mais forte, nós vamos de PSDB, mesmo se for necessário que haja intervenções nacionais”, afirmou.

Para o esperto senador, o objetivo é apresentar candidaturas coligadas em todas as cidades com mais de 200 mil eleitores. “Nós decidimos não avançar em qualquer conversa de fusão, que está aí na imprensa hoje, vamos antecipar coligações”, conclui como quem dá uma ordem.

Só não me perguntem o que o José Serra está pensando disso tudo.

A matéria logo aí abaixo complementa as informações desta.

 18-04-11

Blitz no Leblon:
Tucanos minimizam episódio e se solidarizam com Aécio

Parlamentar  ligado ao presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE) informa a este blog que o espisódio “corriqueiro” envolvendo o senador Aécio Neves na madrugada de  domingo do Rio, não  “afeta em nada” os rumos da Oposição.

Traduzindo, isto que dizer que pelo menos para a direção nacional do PSDB (Guerra  é o mais  leal aliado de Aécio no plano nacional), o ex-governador mineiro continua sendo o “o candidato natural” do partido para a sucessão de Dilma Rousseff em 2014.

Aécio Neves teve a carteira de habilitação apreendida por estar com o documento vencido e por se recusar a fazer o teste do bafômetro numa Operação Lei Seca na Avenida Bartolomeu Mitre, no Leblon, bairro nobre e boêmio da Zona Sul do Rio de Janeiro.

O senador mineiro, acompanhado pela namorada, foi parado por uma blitz às 3 hs da madrugada deste domingo (17). Ele tem apartamento no Rio, onde passa praticamente todos os fins de semana.

Já em Belo Belo Horizonte, na tarde de domingo, Aécio recebeu a solidariedade de praticamente todos os caciques do PSDB, incluive dos oito governadores. Para a direção  tucana “foi uma demonstração de força”.

O que niguém sabe ou se sabe não informa é se José Serra está incluído entre os líderes que se apressaram em dar apoio moral e político a Aécio. O palpite deste blog é o de que o ex-governador  paulista não procurou Aécio.

E não procurou por um mínimo de escrúpulo e pudor. Todos sabem que eles se odeiam  na intimidade e estão permanentemente  acionado  armadillhas um contra o outro. Aécio  convenceu o partido de  que a fila andou e ele é o candidato  da vez em 2014.

Mas Serra  não desiste e quer ter  mais uma  oportunidade, alegando que obteve 45 milhões de votos,  mesmo enfrentando o presidente mais popular da História.

Ocorre que ambos (assim como todos os políticos e, de resto, todos nós) têm duas caras, a pública e a privada. O Aécio ou o Serra da intimidade são diferentes (e como são!) da imagem pública construída por eles mesmos e pela marquetagem.

Então, se for necessário, Serra virá a público solidarizar-se com  Aécio, mas na sua intimidade exulta com o incidente do Lebon, que  injetou um novo ânimo  nele (Serra) e no seu projeto político.

Enfim, se houve prejuízo maior, foi o de que  os tucanos  não podem mais fazer alusões às reais ou hipotéticas bebederias de Lula. Eles também têm o seu “bebum” em casa.

Aliás, a grande vantagem de Lula em relação aos adversários é que nele a dicotomia entre o ser privado e a entidade pública não é tão grande, pelo menos em relação às questões etílicas. Ele nunca escondeu que é chegado a um copo, embora o ingrediente tenha mudado substancialmente de trinta anos para cá.

17-04-11

Aécio é retido em Blitz da Lei Seca e  perde carteira

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) teve a carteira de habilitação apreendida por estar com o documento vencido e por se recusar a fazer o teste do bafômetro numa Operação Lei Seca na Avenida Bartolomeu Mitre, no Leblon, bairro nobre e boêmio da Zona Sul do Rio de Janeiro. Aécio foi parado na blitz às 3 hs desta madrugada de domingo (17).

A recusa do teste de bafômetro é considerada uma infração gravíssima, representa 7 pontos na carteira e vale multa de R$ 957. Dirigir com a carteira de habilitação vencida também é uma infração gravíssima e representa 7 pontos. A multa de R$ 191,54.

De acordo com a Secretaria de Estado de Governo do Rio, Aécio Neves  não teve o carro (um Land Rover) apreendido, pois apresentou um condutor habilitado, e foi liberado.

Por mais que isto venha ser mimizado, é claro que um episódio como este representa um duro  golpe  poltítico para o virtual candidato  das Oposições à sucessão de Dilma Rousseff em 2014.

A situação é tanto mais constrangedora, quando se sabe que Aécio (52 anos) teve, na última década, seu nome várias vezes envolvido em notícias ou simples boatos sobre uso excessivo de  álcool e outros estimulantes.

A assessoria de imprensa de Aécio Neves informou que o senador não sabia que a carteira de habilitação estava vencida. De acordo com a assessoria, o tucano tinha saído da casa de amigos e voltava para sua residência, no Leblon, com a namorada.

12-04-11

Marina com um pé fora do PV

A ex-senadora Marina Silva  não está para brincadeiras e deu prazo até o final deste mês para que a atual direção nacional do PV realize a convenção necessária para que haja  eleições em  julho, destinadas à renovação da cúpula partidária.
Ela está realmente disposta a partir para a aventura de criação de um novo partido, até porque não tem nenhum garantia de que o  PV se mobilizará para iniciar, desde já, uma nova caminhada em direção à presidência da República.

Para ela, esta é a única coisa que faz sentido no atual estágio de sua carreira, depois de ter  obtido  20 milhões de votos nas eleições do ano passado, sem contar  com  a retaguarda de um grande partido e com pouco tempo de TV.

Neste domigo  (10), ela esteve no Rio para tentar, mais uma vez, convencer Fernando Gabeira a seguir com ela nesta nova caminhada. Mas Gabeira vacila. De olho nas eleições para a prefeitura no ano que vem, ele teme que uma nova  agremiação  não tenha tempo para adquirir a musculatura necessária para lançar e dar sustenção a uma candidatura (a dele ou a da deputada Aspásia Camargo) em tão curto espaço  tempo.

Seja como for, as declarações de Marina são de quem  já está de malas prontas. Ela disse simplesmente que não  está disposta a subir em palanques, em 2012, para ajudar a eleger vereadores e prefeitos verdes, se o seu partido não realizar neste ano em curso um processo interno de abertura democrática.

Não é preciso ser nenhum especialista para perceber que esta é uma declaração de guerra ou de adeus. Na verdade, Marina fez seus cálculos e chegou à conclusão de que não faz sentido alguém com a sua projeção, iclusive internacional, ser constrangida a fazer carreira dentro do partido como se fosse uma novata, submetendo-se aos caprichos de dirigentes para os quais “antiguidade é posto”.

No entanto, esta é a posição do atual presidente, José Luiz Penna. Há onze anos no posto, e porque controla a Executiva, ele  conseguiu prorrogar seu mandato por mais um ano. Por isso não quer nem ouvir falar em eleições internas. Sarcástico, ele se utiliza, em relação a Marina, da  filosofia  do Romário: “ Chegou agora é já  quer sentar perto da janela”.

Marina defende-se lembrando que, ao filiar-se ao PV,  ano passado, recebeu a promessa de  que “seriam realizadas mudanças em toda a estrutura partidária, com a realização de debates, convenções e eleições internas, tão logo findasse a corrida presidencial”.

Marina conta com  a compreensão e o apoio moral de Gabeira  e de Alfredo Sirkis, deputado federal pelo Rio  e uma das principaiss expressões nacionais do partido.

Entretanto, se realmente resolver partir para a constituição de um novo partido, Marina, por ora, só conta com o apoio concreto de dois nomes de peso: o do  milionário Guilherme Leal,  dono da Natura e que foi seu vice na  chapa que disputou as eleições presidenciais e de João Paulo Capobianco que foi o cordenador  de sua campanha.

07-04-11

 No início não queria, mas agora Lula
 já quer atuar como medidor na Líbia

Há  dois meses, quando eclodiu  a crise na Líbia, Hugo Chávez sujeriu que o ex-presidente  Lula atuasse como mediador. Este, porém, esquivou-se,  provavelmente  por  temer o fogo pesado da mídia (nacional e intenacional) tutelada  pelo Departamento de Estado. Midia esta que há um ano o acusou de se meter onde não devia, quando, ao lado da Turquia, tendou mediar a crise entre o Ocidente e o Irã na questão das pesquisas nucleares.

Lula sabe como funciona esta mídia apátrida e vendilhona. Mídia que come na mão do Capital Financeiro (é totalmente dependnte dele) e, por conta disso, atrela-se aos interesses estratégicos dos Estados Unidos.

Existem, ao redor do Mundo, dezenas de ditadores um pouco mais ou um pouco menos ferozes do que Kadafi. Mas eles  ficam na  penumbra, não são flagrados pelos  holofotes como  “o bandido da vez a ser caçado” em  mais uma periódica cruzada ocidental. Ao contrário, são tratados a pão de ló como bons sócios que são.

Quando, entretanto,  um desses bandidos, volutariamente  ou por acidente,  pisa nos sacrosantos calos ocidentais, então toda a fúria do demo vira-se contra eles. E tem início o processo de demonização por parte da mídia submissa.

É inacreditável como esta farsa  grotesca  se repete  rotineriamente tendo como cenário mais recente, as explosivas regiões do Norte da África  e do Oriente Médio.

Os leitores incautos e/ou alienados, mundo afora,  então incorporam-se automaticamente à fúria dos mandatários ocidentais. Em seguida, porém, com a mesma facilidade, esquecem  rapidinho. Ficam entretidos, no intervalo, com o BBB enquanto não entra  o novo bang-bang.

Como analfabetos políticos  que são, nem desconfiam  que estão sendo  manipulados como se fossem crianças.

 Ocorre, entretanto, que a situação na Líbia não está transcorrendo exatamente como pretendia Obama (este Bush sem a coragem de um Bush)  e de seus sócios  europeus, estes notórios pilantras como Sarcoszy e Berlusconi que há menos de quatro meses eram amigos ítintimos de Kadafi. Mas ítimos mesmo, do tipo que frequenta festas íntimas e bacanais.

Como temos dito neste blog, Kadaff, apesar de sua origem revolucionária nos anos 60 transformou-se num arremdo  de líder, decadente  e à beia da caduquice. Não se trata, portanto de defender essa figura grotesca.

Mas, como estávamos dizendo, Lula parece ter  mudado de opinião e agora está disposto a  agir  como mediador na Líbia.

Veja um resumo do notiário (de ontem) das agências a respeito dessa mediação:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou disposição ontem  (6-7) para intermediar uma solução para o conflito na Líbia. Depois de palestra remunerada no Fórum de Líderes do Setor Público, promovido em Washington pela Microsoft, Lula garantiu não ter sido designado para a função pela presidente Dilma Rousseff, mas disse ter interesse em ajudar.

“Ninguém me chamou. Não sei se ninguém quer. Se a minha presidente ou alguém achar necessário e disser que o Lula pode contribuir, eu contribuiria tranquilamente”, afirmou.

O Brasil tem mantido uma posição discreta em relação ao conflito na Líbia. No Conselho de Segurança da ONU, votou a favor da condenação do regime líbio por violações dos direitos humanos e se absteve na resolução que aprovou a intervenção militar. Nenhuma atitude voluntária de intermediação foi apresentada pelo Planalto ou pelo Itamaraty.

Em dezembro de 2003, em visita oficial à Líbia, Lula  teria se referido ao ditador Muamar Kadafi como “companheiro e amigo” durante jantar em sua homenagem do qual participaram Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, e Mohamed Ben Bella, líder histórico da independência da Argélia.

Questionado sobre o tratamento  que teria dado ao ditador, Lula se defendeu. “Não fale uma sandice dessa. Conheço as pessoas e sei como me referir a elas”, disse. “Jamais falaria isso por uma razão muito simples: porque eu tenho discordância política e ideológica (com Kadafi).”

25-03-11

Fux, o ministro “Ficha  Suja”

Não cometerei a asneira de  opinar sobre o mérito jurídico da questão. Todavia me oriento pelo bom senso. E vejo que cinco doutos e impecáveis ministros do Supremo Tribunal Federal entendem uma coisa e outros cinco, igualmente impecáveis e doutos,  interpretam essa mesma coisa de forma diametralmente oposta. Impossível não constatar que a matéria é das mais controversas.

Dizendo de forma intelegível o que se discute é se a lei da Ficha Limpa representa uma mudança  das regras com o jogo já em andamento. Metade dos supremos juristas entende que sim. Por isso eles vêem aí uma iconstitucionalidade.

 A outra metade dos mesmos elevadíssimos juízes interpreta de forma exatamente oposta. Para eles, a  lei é anterior às convenções partidárias, quando os partidos lançaram seus candidatos e quando se deu início, verdadeiramente, ao jogo.

Do mesmo modo, metade dos magníficos juristas entende que a lei não aplica uma punição, mas, tão somente, um requisito de elegibilidade (como a idade mínima, por exemplo). Nesse caso não caberia falar em retroatividade (as punições não podem retroagir). Entretanto e mais uma vez, a outra metade dos elevados ministros, pensa exatamente em sentido contrário.

Vai daí que coube a um certo ministro de nome  Luiz Fux dar o voto de desempate, exatamente no dia de sua estréia  na Suprema Corte.

Como douto que é, ele preferiu  seguir rigorosamente as chamadas tecnicidades da lei e votou  contra a aplicação imediata  da fixa limpa, ou seja votou, na prática, a favor dos fichas sujas.

 Se, por outro lado, essas tecnicidades fossem insofismáveis, ele teria convencido aos cinco ministro que defendem a  aplicação imediata lei. Porém nenhum deles mudou de opinião e de voto. O tema, pois, continua controverso.

Todos sabem ou deveriam saber que o Supremo  sobre ser o mais alto tribunal é um templo político no  melhor sentido da palavra.  Aí só cabem os juristas que chegaram bem próximos da sabedoria porque  entendem não só  da boa  norma jurídica mas de sua conexão  com o quadro social e econômico e psicológico da comunidade. Que  percebem  o espírito a lei, mais além da  simples letra da lei.Traduzam tudo isso por “ronco das ruas” e fica mais fácil entender.

Fux não ouviu o ronco das ruas que era e é ensurdecedor. Preferiu dialogar com as traças dos alfarrábios. É uma posição legítima, mas trás consequências e marca fortemente o personagem.

Há três séculos um cidadão bem intencionado e ingênuo  entendeu que o Brasil seria melhor colonizado pelos holandeses do que pelos portugueses.

 A História mostrou que como colonizadores os holandeses foram tão cruéis e acanalhados quanto os portugueses. A Indonésia  é exemplo gritante disso. Seja como for, o inocente e equivocado  Calabar adquiriu a pecha eterna de traidor.

Este é o risco que corre nosso auto suficiente  e recém empossado supremo ministro Fux. Certas ou erradas suas tecnicidades, ele corre o risco de ficar conhecido pelo  apodo de “Ministro Ficha Suja”.

 22-03-11

Novo partido de Kassab serve para tudo:
apoiar  Dilma,  Alckmin  e  Serra em 2014

Já falamos em artigos recentes sobre o caráter  de  Gilberto Kassab e Afif Domigos, os  dois principais fundadores do  recém lançado PSD, Partido Social Democrático: são dois pilantras da política  e  crias de Paulo Maluf, cuja trajetória eles copiam à perfeição.

Tanto o vice-governador Afif quanto o prefeito paulistano Kassab são tão caras de pau e cínicos que perderam a noção do ridículo. Não percebem que ninguém os leva a sério, a não ser os políticos da mesma raça.

Convencidos de que estavam sendo habilidosos, quando estavam sendo apenas grotescos, após o lançamento do partido, segunda-feira, disseram com todas as letras e um pequeno espaço de tempo pelo meio: ”Daremos  total apoio à presidenta Dilma Rouseff” e “continuaremos dando sustentação ao governador Geraldo Alckmin”.

 Para completar, Kassab , em seguida, não negou que apoiará José Serra se ele for candidato à presidência em 2014. “Minha aliança com ele  é  inquebrantável”, disse.

Enfim, dois trastes para a História.

A matéria abaixo dá continuidade ao raciocínio nesta.  Não deixe de ler.

14-03-11

De Gilberto Kassab espera-se tudo. Até
mesmo  o  retorno  aos  braços de Serra

Gilbert Kassab não é tão fútil ou inconsequente como podem deixar parecer suas promessas de casamento para várias lideranças políticas ao mesmo tempo. Ele é apenas um carreirista vulgar que aprendeu rápido as manhas da política rasteia e vulgar. No mais, é desossado e vazio, ideologicamente falando.

Seu berço é o da ultra direita corrupta e torturadora de Paulo Maluf, seu primeiro mestre. Mas como um papel em branco ele aceita tudo, sem assimilar nada. Aceita até ingressar no Partido Socialista, ser companheiro da Luiza Erundina e dar sustentação, no Congresso, ao governo do PT.

Não me obrigue, querida leitora, a dizer que ele é um verme. Não é. É apenas mais um político como tantos que há por aí.

Com a diferença  de que é um político que governa a maior cidade do Hemisfério  Sul e um dos cinco maiores orçamentos do Pais. Além disso, tem, ou tinha a até recentemente, um bom índice de aprovação. O eleitorado paulista não é, notoriamente, muito exigente.

Com esse capital ele passou a programar, com naturalidade, sua evolução política que não poderia ser outra senão a conquista do governo do Estado.

 Mas esse caminho estava vedado para ele, se continuasse atrelado ao DEM  que se comportava  como linha  auxiliar do  PSDB e submisso às suas estratégias. Ou seja: em 2014 a preferência seria de Geraldo Alckmin, tentando a reeleição ou de Serra tentando a ressurreição.

Então, Kassab articulou com seu sócio Afif Domingos, atual vice-governador do Estado, uma manobra visando assumir uma posição  de força no comando nacional do DEM.  Se desse certo, ele  exigiria apoio à sua candidatura  ao Palácio dos Bandeirantes.

Se não, ele se mandaria carregando o mais que pudesse dos destroços do  desmilinguido partido, inclusive o próprio Afif.

Fundar um  partido era, neste esquema, apenas um estratagema para driblar a ameaça de  perda  do mandato por  troca de legenda. Então, esse seu Partido da Democracia Brasileira, seria  só  um vagão de baldeação para o PMDB do vice-presidente  Michel Temer, ou a o PSB presidido pelo governador  pernambucano Eduardo Campos, os dois pretendentes mais cotados.

Com a bênção do Palácio do Planalto, o escolhido foi Campos. E até a semana  passada parecia tudo resolvido, apesar das reações  adversas de alguns socialistas paulistas, como  a ex-prefeita Luiza Erundina.

Eis senão quando, o volúvel Kassab descobre que tinha em suas mãos um partido já de bom tamanho:  uma multidão de prefeitos em todo o País e até a  prefeita  Dárcy Vera, da importante Ribeirão Preto em São Paulo.

Tudo isso e mais cerca de uma dezena de deputados federais do DEM e outros vinte provenientes   de partidos menores e até do PSDB. Finalmente, fala-se na filiação da senadora  rural  Kátia Abreu (DEM-GO). A ameaça de debandada é tão grande que a direção  do DEM fez um apelo desesperado ao governador  Geraldo Alckmin para que ele ajude a evitar uma sangria desatada.

O melhor da história para Kassab é que, mesmo com esse naipe de direitistas, seu partido pode participar da base governista no Congresso, desde que não se exija uma fidelidade de  cem por cento. Esse grau de lealdade só é exigido à medida a agremiação for beneficiada com  cargos em mistérios e estatais.

Enfim, tudo isso levou o ambicioso prefeito dos paulistanos a cogitar que talvez seja melhor permanecer solteiro. E como Kassab  não perde oportunidade, mesmo agora, para  reiterar suas  juras de amor por José Serra, não é nenhum absurdo supor que eles podem estar juntos, caso o  tucano  parta para uma nova aventura presidencialista  em 2014.

Como  Serra não é homem de abandona a raia, se a coisa  se encaminhar, no ninho tucano, para a  oficialização da candidatura de Aécio Neves, é provável que ele  precise de uma sigla  de peso para lançar seu nome que, em seguida, receberia a adesões de dissidentes do PSDB, do sempre fiel PPS  do PV do Gabeira e até do que restar do DEM.

Como se vê, o casamento  de Kassab com Eduardo Campos ainda está marcado, mas já não é tão certo como era há uma semana.

 04-03-11

 As três utilidades de Kassab para o Governo

Com o ingresso do prefeito paulistano, Gilberto Kassab, no Partido Socialista Brasileiro, o que parece ser apenas uma questão de tempo, o Governo obteve  três vitórias táticas, a saber:

1- Ampliou sua base de apoio no Congresso, já que Kassab carrega consigo algo como dez deputados federais extraídos  do DEM  desmilinguido.

2- Racha definitivamente, em São Paulo, a aliança dos tucanos com  um importante setor da extrema direita (malufista e corrupta). Lembremos que o atual vice-governador paulista, Afif Domigos, acompanha  Kassab, como parte do dote. Essa aliança  é que garantiu, nos últimos 20 anos, a hegemonia do PSDB no Estado.

3- O governo obteve tudo isso, com a vantagem suplementar de fazer esse arranjo a partir  de um partido, o PSB,  que ainda não é tão grande nem incomoda ou chantageia tanto quanto o PMDB. É possível que no futuro, os “socialistas” façam isso. Mas, por enquanto, a carga do caminhão fica mais bem distribuída.

Disso tudo decorre que o vice-presidente Michel Temer foi um dos grandes derrotados nessa dança com o Kassab. Afinal, foi ele quem  seduziu  e  inoculou a  idéia do adultério, mas quem consumou o ato foi o presidente nacional  do PSB,  o governador pernambucano  Eduardo Campos.

Que o PT conquistou uma aliança que pode dar bons frutos eleitorais, não há dúvida. Mas com o gosto amargo da descaracterização ideológica. Enfim, são coisas da vida. Desde que assumiu o Poder Federal, o PT não para de avançar sobre espaços e alianças do PSDB.

Entretanto, pagará, com certeza, o custo do desgaste moral ou da imagem.  É possível imaginar que chegará o tempo em que o eleitorado não saberá mais distinguir entre  tucanos e petistas.

Por enquanto, em São Paulo, há um equilíbrio: o PSDB exibe como sua maior autoridade local  o governador Geraldo  Alckmin, alguém que  pertence ou pertenceu ao Opus Dei. E o PT não conseguirá esconder que seus novos amiguinhos são o Kassab  e o Afif.

Certa vez  me disseram que um dia eu ainda poderia ver o Marco Maciel na base  governista. Achei, então, que era uma piada. Não acho mais.

24-02-11

Depois de duas semanas ainda é tensa relação entre Argentina e  EUA

Prossegue o impasse diplomático entre  Argentina e os EUA, iniciado há 15 quando autoridades de Buenos Aires apreenderam no interior de um avião militar norte-americano, estacionado  no Aeroporto de Ezeiza, farto material considerado “suspeito”. Basicamente: armas não declaradas, aparelhos  de escuta e entorpecentes.

Desde então, o Departamento  de Estado vem exigindo a devolução imediata do material  apreendido e os argentinos exigem explicações para a existência, no avião, de itens não declarados oficialmente. O aparelho militar, um cargueiro,  estava sendo usando por uma missão americana que participaria  de um programa de treinamento  de policiais argentinos.

Os principais jornais de Buenos Aires, no início, atribuíram  a ação  do governo argentino  a uma espécie de represália da presidente  Cristina Kirchner  contra Barack Obama, pelo fato de ele “passar por cima” da Argentina,  no giro  que fará pela  América do Sul em março. Ele voará direto do Brasil para o Chile. Agora, entretanto,o incidente está  adquirindo proporções mais sérias.

Ontem, o porta-voz Departamento de Estado,  Philip Crowley , colocou mensagem no Twitter, dizendo simplesmente: “Queremos que nos devolvam nossas coisas”, o que foi considerado um deboche.

Em reposta o Palacio San Martin, sede da diplomacia argentina, divulgou nota, dizendo  que nada acontecerá enquanto  as autoridades norte-americanas  não apresentarem as explicações exigidas . Anteriormente, o chanceler  Héctor Timerman chegara a mencionar a possibilidade de que  o material fosse incinerado.

Postado originalmente em 06-12-10

O ódio do Bobo da Corte

Arnaldo  Jabor não chega a ter o brilho de um Nelson Rodrigues ou de um Carlos Lacerda,  mas defende bem o script  da Direita Brasileira, fazendo-se de bobo da Corte Global o que lhe permite dizer qualquer coisa, por conta da irreverência.

Não é que o pobre Jabor e a acanalhada Direita Brasileira odeiem o Lula pelo que ele é. O ódio é pelo que Lula representa E ele representa o Brasil que finalmente deu certo. O mulato que não acha importante falar  inglês (já houve tempo que parecia  que não poderíamos respirar se não falássemos francês) e não vive  animalescamente, apenas para um dia levar seus pobres rebentos à  Disney Word, fazendo, de passagem, suas comprinhas em Miami.

Um mulato boêmio, malemolente, que  não acha tanta graça assim nesses Beatles, e não sabe o que é  é Pop. E o que é Pop? Mulato empreendedor e indomável que construiu uma das maiores, mais generosas e respeitadas potências do Planeta. Um mestiço sem raça, graças a Deus, e que troca esse tal de  Sting (o que é Sting?) pela Calcinha  Preta devidamente misturada com o Luar do Sertão.

Há noventa anos, Lima Barreto, um dos maiores escritores brasileiros, internou-se num hospital para tratamento de doenças mentais que existe até hoje no Engenho de Dentro (Rio). O médico que o atendeu uma anta preconceituosa de classe média, igualzinha à que existe até hoje e que poderia chamar-se Jabor, escreveu na ficha: “Mulato, alcoólatra, aparentes quarenta anos. Diz que é escritor”.

E Jabor, aquele médico preconceituoso atualizado, descreve Lula: mulato, cachaceiro, malemolente, pensa que é estadista e que vai continuar influindo. E vaticina: “Nada disso, Lula. Vá para casa e tome sua pinguinha serena, ao lado de dona Marisa”.

O coitado do Jabor, como o médico idiota que examinou Lima Barreto, não consegue ver que Lula é estadista sim e não vai para casa, não. Vai continuar influindo e viajado pelo País, pelo Mundo e, principalmente, pela América Sul, onde consolidará aquilo que transformou-se no verdadeiro projeto de sua vida: a construção da União Sul-Americana, a Pátria Grande.

Jabor, Lacerda e Nelson Rodrigues não entendem isso. Não entendem que o Brasil e esse mulato sem curso superior podem dar certo. Eles e nossa ridícula classe média alienada carregam a herança cultural dos senhores de engenho e dos fazendeirões do café.

 Seu raciocínio síntese é o do “complexo de vira lata”. Mas eles se colocam fora disso. Acham que o complexo é só da negrada e dos mestiços sem rumo e sem prumo na vida. Eles não, eles se consideram iguais aos europeus e americanos: vestem a mesma roupa, comem a mesma comida  e curtem a mesma música. Entretanto, no fundo, eles são vassalos e, como diz o Chico Buarque, falam grosso com os bolivianos e fino com os americanos. Gentinha da pior qualidade.

18-02-11

Com Kassab , PMDB ia se casar. Mas o PSB
 pode  ficar com ele na  hora  de ir pro altar

Os jornais registraram fartamente o recente namoro do cortejado prefeito paulistano, Gilberto Kassab, com o PSB, segundo maior aliado do Governo Dilma. A primeira conseqüência desse movimento no tabuleiro, foi a reação do vice-presidente Michel Temer que até aqui  vinha costurando com sucesso o ingresso do prefeito no PMDB.

Temer imediatamente atraiu para si o presidente da FIESP, Paulo Skaf, filiado ao PSB que evidentemente também não gostou do namoro  de Kassab com seu partido ainda mais que  não  foi consultado e, sequer avisado.

Skaf veio para o PBSB  atraído por Ciro Gomes que há dois anos chegou a pensar em candidatar-se ao governo de São Paulo. Depois os ventos mudaram e  ele voltou a focar sua atenção no Ceará  e no Nordeste.

Quanto a Kassab, que já decidiu abandonar o DEM, tudo o que  ele quer é cacifar-se para a sucessão de Geraldo Alckmin em  2014 e só aceitou o namoro com  Eduardo Campos, o astuto governador pernambucano e presidente nacional  PSB, depois que recebeu sinal verde do Palácio do Planalto, onde  é tratado como velho correligionário.

Então o que realmente está por trás de tudo isso é o desejo de Lula, de Dilma e da Direção Nacional do PT de transformar o PSB em seu principal, aliado fortalecendo-o sempre que possível. Nada substitui, evidentemente, o maior número de deputados e senadores do PMDB. O problema  é que o governo não quer  depender apenas de alianças fisiológicas ou de lealdades pessoas.

Quer um aliado com um mínimo de afinidade ideológica, com quem possa contar em alguns embates futuros. E, sobretudo, quer amarrar os socialistas, desde  já, para o esquema eleitoral de 2014, antes que eles comece a namorar com o Aécio Neves.

Como a política é um mar de contradições,  quem sofre e  é a militância do PT paulista que sempre  fez oposição ferrenha a  Kassab e sabe que a máquina político-eleitoral da Prefeitura (administrações  regionais etc.), aquela que realmente interessa, está nas mãos de ex-arenistas ultra direitistas.

E há resistências no PSB paulista também. Descontente com o poder que o prefeito poderia ter no comando do partido em São Paulo, o deputado  (ex-tucano) Gabriel Chalita já avisou que pode deixar a sigla. Ele era a principal aposta do PSB para disputar a Prefeitura de São Paulo em 2012. Na eleição de 2010, foi o segundo deputado federal mais votado no Estado, com 560 mil votos. Só ficou atrás do Tiririca (PR).

14-02-11

Serra avisa que não passará de cavalo a burro

Agora que não há mais dúvidas  de que Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, deixará o DEM dentro de no  máximo um mês, os tucanos ligados a Aécio Neves e a Geraldo Álckmin tentam  “empurrar” Serra para uma candidatura à prefeita paulistana  no ano que vem.

Seria uma solução ideal para eles que não querem ver Serra na presidência do PSDB (a Convenção  será nesse primeiro semestre) nem muito menos pretendem deixar que ele se candidate novamente à presidência da República. Entretanto, Serra já mandou seu recado: Não pretende passar de cavalo a burro.

Os principais e mais fieis companheiros do ex-governador, como Alberto Goldman (que foi seu vice), o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP) e o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire,  falando em nome de Serra, alegam que  não  pode ser tratado como carta fora do baralho, um homem que obteve 44 milhões de votos, mesmo enfrentado o presidente  mais popular da história.

E o próprio Serra considera que ao candidatar-se, no  ano passado, partiu para o sacrifício, pois todos concordam que sua reeleição para o governo de São Paulo era tranqüila.  O argumento é um tanto forçado, mas é o que ele usa.

Em todo caso, Serra continua articulando sua candidatura à presidência do partido devendo enfrentar o atual presidente, deputado Sérgio Guerra (PE) que conta com o apoio ostensivo de Aécio e enrustido dos líderes e delegados  ligados a Alckmin.

A determinação de Serra é tão grande que não descarta (no limite) a possibilidade de, se derrotado na convenção, fundar um novo partido juntando os serristas tucanos (oposição dura)  mais o que sobrar do DEM em vias de extinção e partidos menores.

Ele está convencido de que há espaço  no eleitorado para um partido de centro direita no estilo europeu, com algumas pitadas (este acréscimo é nosso) de populismo. Daí a bronca contra os bolivianos (imigrantes indesejados) e a proposta de salário mínimo de R$ 600.

Para Serra estes seriam ingredientes suficientes para  derrotar Dilma Rousseff em 2014, desde que até lá,  como ele  imagina, a  avassaladora  popularidade de Lula tenha arrefecido.

Dentro desta mesma lógica de raciocínio, o discurso de Aécio (refundação do PSDB mais à esquerda) é que ficaria sem espaço, espremido num quadrado de centro-esquerda já ocupado pelo PT e seus aliados.

Nesse caso, para ter chances em 2014, o ex-governador mineiro teria que atrair para si algumas siglas que hoje estão com Dilma, como o PMDB  ou o PSB, cujo presidente  Eduardo Campos é, aliás, seu velho amigo.

Leia mais sobre o mesmo tema na  matéria logo aí abaixo.

 10-02-11, atualizado em 11-02-11

No aniversário do PT, Serra
também quer ser populista

O presidente Lula foi homenageado, ontem em Brasília, na  festa dos  31 anos do PT, no exato momento em que o partido luta para que o novo salário mínimo  não ultrapasse os minguados  R$ 545. Quem também circulou por lá foi o José Serra, disposto a defender no Congresso Nacional, com brio, um salário de R$ 600.

Nem  545, nem 600 resolvem o problema do trabalhador e da distribuição  de renda brasileira, uma das mais iníquas do  Mundo. Mas  se a situação  fosse a inversa ou se ainda estivéssemos nos tempos do FHC, a proposta de Serra  seria metralhada  pela mídia como mais uma asquerosa e  irresponsável manifestação do mais barato populismo.

Então falemos um pouco sobre esse bendito populismo: gente como Míriam Leitão e Carlos Alberto Sadenberg que estão a soldo de  uma mídia que está  a soldo do Capital Financeiro, usam essa palavra para definir tudo aquilo de que eles não gostam ou não entendem.

Há dez anos Néstor Kirchner salvou  a Argentina da pior crise econômica  de sua história. Ele fez isso, recusando-se a pagar a imensa dívida nacional nos termos impostos pela agiotagem internacional.

Exigiu que o débito fosse negociado em  termos equânimes. Graças a isso a Argentina cresceu, na última década  à base de 7% anuais, o dobro do desempenho brasileiro no mesmo período. Entretanto, Miriam e Sardenbeg , laçam isso  na vala comum de um populismo genérico que eles  não sabem definir.

Agora é Ângela  Merkel, a austera chanceler alemã, quem chama  os banqueiros para  conversar,  e usa  argumentos  semelhantes aos de Kirchner: Não é justo que a população e o setor produtivo arquem  sozinhos  com todo o ônus decorrentes dos desmandos especulativos do mundo financeiro. Desmandos que provocam, na Europa, ruínas em cascata deste a Grécia até a Itália, passando por Irlanda, Portugal e Espanha.

Sardenberg e Míriam simplesmente omitem isso de seus incautos leitores. Provavelmente porque, para serem coerentes, teriam que dizer que Merkel, como Kirchner, é uma  populista caloteira.

Falemos mais sobre o populismo: o que os arautos do neoliberalismo, não sabem, eles que usam essa  expressão a torto e a direito, é que ela tem origem na crítica marxista aos regimes  e líderes que com seu paternalismo e/ou magnetismo carismático,  transformavam-se   em estorvo à revolução. Com seu assistencialismo recheado de entretenimento, eles  desviam o proletariado da luta de classes.

Em meados do século passado, com a Guerra Fria, alguns desses líderes do Terceiro Mundo, desde que fossem nacionalistas, (Nasser, Sukarno, Ben Bella, etc.) passaram  ser  estimulados como instrumento de luta anti-imperialistas. Mesmo assim, o relacionamento dos Partidos Comunistas com eles sempre foi ambíguo.

Mas é preciso deixar sempre  bem demarcada a diferença   entre esse populismo terceiro-mundista    e o europeu ou americano que são patrimônio da ultra-direita, racista e obscurantista.

O dia em que o PT brizolou

Deslocando tudo isso para nossa presente situação, veremos que vivemos um “momento populista”, na medida em que o partido socialista revolucionário que chegou ao poder, optou pela via democrática e gradativa (reformista) e obtém sua governabilidade aliando-se a partidos fisiológicos de centro.

 Nitidamente, o partido originalmente  vanguardista  e de quadros, (mesmo sem jamais ter admitido isso) transformou-se num partido efetivamente de massas. Isto ocorreu, quando seu líder e fundador, sem renegar o projeto socialista e sem desmontar  totalmente a estrutura de quadros do partido, recuperou adaptou  a seu modo e, por fim, incorporou o velho  e sempre latente populismo getulista. Esta era, aliás, a proposta brizolista dos anos 70. E é por isso que costumo dizer em meus textos recentes que o PT brizolou.

Entretanto, ainda estamos na superfície do fenômeno. O que cancelou o modelo revolucionário  leninista que predominou até os anos 70, com mil vaiáveis, sempre com a mesma essência, não foi a derrocada soviética como os historiadores apressados procuraram assinalar. Pelo menos não foi só isso.

O que inviabiliza o leninismo clássico é o fenômeno, ainda pouco estudado pelos próprios marxistas, do esvaecimento do modo  de produção capitalista que já  ingressou em sua fase crepuscular. Fase esta que assinala o esvaecimento concomitante  das duas classes que eram  protagonistas centrais do processo, a burguesia e o proletariado.

No atual estágio da microeletrônica, caracterizado pelo vertiginoso processo de automação e descarte de mão de obra,  o Capital vai perdendo a capacidade de acumular seu próprio excedente. Ele recorre, então,  à  aceleração de seu próprio giro,  o que ele obtém através da descartabilidade,  que representa um brutal saque contra a Natureza. Enfim, há mais de uma dezena de artigos onde analiso isso em profundidade e que podem ser encontrados nas colunas  O Impasse Ecológico e Para Entender a Crise.

Seja como for, o PT, no governo, realizou a proeza  (populista ou não) de, em  oito anos, elevar  uma multidão de excluídos  para os primeiros degraus da sociedade de consumo. A brasileira é hoje uma sociedade predominantemente de classe média ou mais precisamente, de classe média baixa, pequeno-burguesa. Como evitar que essa massa gigantescas  seja obscura egoísta, leviana e animalescamente  consumista? O PT não estaria criando hoje a sociedade serrista e fascistóide  de amanhã?

Para evitar o processo de auto-destruição capitalista que envolve os elementos naturais e o próprio homem,  o Estado terá que agir como mediador entre a extração do excedente de trabalho e sua reprodução ampliada, acumulação, tendo em vista apenas as reais necessidades do ser  humano. Mas ele só fará isso se for  inquestionavelmente  democrático. E é certo que,  do ponto de vista global e no limite, esse processo conduzirá à extinção do próprio Estado.

É claro que este é apenas o enunciado. Ainda esta semana, continuaremos a desenvolver este tema.

08-02-11

Querem jogar Dilma contra Lula

Ninguém com um mínimo de informação leva o Jabor a sério e quem conhece a âncora da CBN, Lúcia Hipólito, sabe que ela é peça  importante do esquema picaretoso da rádio que  tira dinheiro do Governo do Estado do Rio e da Prefeitura  carioca, mas mantém uma linha oposicionista ao Governo Federal.

Esta linha oposicionista é determinada pela família Marinho que está sempre às ordens do Capital Financeiro, mas leva em conta, também, que a audiência da rádio e composta majoritariamente por uma classe média rancorosa e serrista. Então, sempre que podem  Lúcia e Jabor, descem o pau em Lula, como sempre, mas procuram poupar a presidenta Dilma.

 No início, deram a ela um crédito de confiança, o que é normal. Mas nos últimos dias  eles partiram para o elogiou escancarado que pode ser sintetizado nessa frase de Lúcia:  De repente os brasileiros descobriram  que e é possível ter no Palácio do Planalto alguém que  trabalha como todos  nós e faz as coisas sem estardalhaço.

No seminário sobre Políticas Públicas que o PT realizou em Brasília na semana passada, Luiz Sérgio, ministro das Relações Institucionais, disse a ministros e parlamentares do partido que eles devem defender o governo da presidente Dilma Rousseff sem se esquecer do legado deixado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Levantei – disse  Luiz Sérgio – uma preocupação na bancada do PT, a de que o processo de disputa política é permanente e o partido, acima de tudo, deve ter a preocupação de defender o governo da presidenta Dilma, mas uma defesa que não pode  esquecer o que foi feito até aqui. Temos que reafirmar, o  orgulho  pelo que foi o governo de Luiz Inácio Lula da Silva”.

Em seguida, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) foi direto ao assunto. Disse  que a preocupação do ministro ocorre porque há setores da Oposição que estão tentando provocar um mal-estar dentro do PT realçando as diferenças entre Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

“Há alguns setores da oposição ao nosso governo que executam um movimento que, ao elogiar o governo Dilma e realçar as diferenças que são reais, procuram fazer desse elogio uma espécie de critica ao governo do presidente Lula”, explicou.

a mesma linha, o presidente nacional do PT, Eduardo Dutra, disse ontem que o ex-presidente Lula, será sempre nosso grande conselheiro.

As carpideiras já falam em viúvas do Lula e choram por elas, gente que estaria perdendo espaço na atual administração. São só fofocas por enquanto, mas  para  que a intriga  não frutifique, tudo detende de uma única pessoa, o ex-presidente Lula. Ele dará o tom. Cada palavra sua pode ser  água ou gasolina lançada sobre a fogueira ainda pequena mas abanada pela Oposição com grande entusiasmo.

28-01-11

Aécio e Alckmin mordem  Serra, depois assopram

São uns santos.  Na segunda-feira e na terça houve intensa articulação no retângulo (meio torto) que incluiu São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Recife. Frenética troca de telefonemas e e-mails. Parecia uma operação de guerra.

Finalmente, na quarta, eles puderam apresentar um documento com  a assinatura de 54 deputados federais e suplentes do PSDB, apoiando a candidatura do ex-senado Sérgio Guerra (adversário de Serra) que quer  reeleger-se presidente  da agremiação. Ao final os comandantes da operação, Aécio Neves e  Geraldo Alckmin,  exultavam. Tinham conseguido barrar a  tentativa de José Serra  que pretendia, elegendo-se presidente do PSDB, na convenção de maio,  dar novo gás à sua trajetória política.

Pois acreditem: na quinta-feira. Tanto Aécio quanto Alckmin disseram que não tinham nada  a ver com isso. Aécio, bem ao seu estilo, mandou seu pau mandato, o deputado mineiro Paulo Abi-Ackel, dizer que  é cedo para se discutir a eleição do novo presidente tucano, mas que, em todo ocaso,  Serra tem o direito e todos os méritos para pretender o cargo. Já Alckmin, ainda mais cara de pau, disse que “eu nem sabia que o Serra era candidato”. São uns santos.

Serra, reagiu como pode, contando  com  os poucos aliados que lhe restam. Ontem, saíram  em sua defesa o deputado baiano, Jutahy Júnior, além de seus dois fiéis escudeiros em São Paulo: o ex-governador Alberto Goldman e o senador recém eleito  Aloysio Nunes Ferreira. Ambos disseram para quem quisesse ouvir que Aécio e Alckmin aplicaram golpe baixo em Serra, acionando  um rolo compressor.

A verdade é que  o documento de apoio  a Sérgio Guerra, foi assinado por quase todos os deputados das bancadas mineira e paulista do partido na Câmara, naturalmente subordinadas  à liderança de seus respectivos governadores.  Dos paulistas, o deputado Vaz de Lima foi o único que não assinou.

A matéria abaixo é  continuação desta, não deixe de ler.

27-01-11

O cerco a Serra

O ex-senador e atual deputado pernambucano Sérgio Guerra, sempre jogou com Aécio Neves contra José  Serra. Mas como presidente nacional do PSDB, durante a campanha eleitoral, ele agiu com lisura e fez o melhor que pode para ajudar o tucano  paulista. Agora, porém, ele volta a aliar-se ostensivamente  a Aécio para evitar qualquer possibilidade de recuperação política do candidato derrotado à presidência da República.

Em suma: com o apoio de Aécio, de Geraldo Alckmin e de Tasso Jereissati (outro feroz anti-serrista) Sergio Guerra é candidato à reeleição para  a presidência do partido. O objetivo é o de eliminar qualquer possibilidade de recuperação político-eleitoral de José Serra.

O golpe que se pretende como de misericórdia foi dado ontem quando Aécio e aliados paulistas (ligados a Alckmin) obtiveram assinatura de 54 deputados federais e suplentes em apoio à candidatura de Guerra. E, para completar, decidiu-se que Tasso  Jereissati, que não conseguiu reeleger-se senador pelo Ceará, será o novo presidente da Fundação Teotônio Vilela. Este posto fora oferecido a Serra que, orgulhoso, recusou.

 Esses dois lances representam a resposta fulminante à tentativa de Serra que há três dias lançou sua candidatura no Paraná, com o discreto, para não dizer copnstrangido, apoio  do governador Beto Richa. Todos sabem que se conseguisse a presidência do partido o tucano paulista tentaria disputar novamente a sucessão presidencial em 2014.

Kassab, o amigo de Dilma

 Enquanto isso, o prefeito paulistano Gilberto Kassab, outro aliado de Serra que o abandona, está com a bola cheia, depois que foi tratado como se fosse velho aliado pela presidenta Dilma Rousseff, na festa de aniversário de São Paulo, dia 25.Ele se prepara ingressar no PMDB  em março,  pelas mãos do vice-presidente Miguel Temer. É  o primeiro passo para sua tentativa de  conquista do govrno do Estado.

Antes, porém, ele terá que se desvencilhar  de seu partido, o DEM. Sua expectativa  é a de que, neste meio tempo, a sigla se desintegre, ou pela extinção ou pela fusão com um dos atuais  partidos  ou outro a ser fundado.

O presidente do DEM, deputado  Rodrigo Maia, filho do ex-prefeito carioca Cesar,  promete  resistir bravamente. Ele acredita que o partido não será extinto, apesar de ter perdido, nas últimas eleições, 9 de seus 52 deputados e 8 de seus 13 senadores. E avisa que  moverá uma batalha judicial contra Kassab,  caso ele deixe o partido de forma injustificada.

Quanto a isso, o prefeito de São Paulo diz estar tranquilo. Sua assessoria jurídica garante que a lei pune parlamentares que  abandonem as legendas pelas quais foram eleitos, mas  ela não alcança os chefe de Executivo.

A matéria abaixo acrescenta  outras informações sobre o mesmo tema.

22-01-11

Serra não desiste: quer ser presidente do PSDB

Em visita ontem  a Curitiba, José Serra conquistou o apoio (ainda informal) do governador tucano Beto Richa à sua candidatura à presidência  do PSDB  nas  convenção de março.  O paranaense  não negou seu apoio, primeiro por gratidão, se é que isso existe em política e, em segundo lugar, porque ( é uma herança que recebeu de seu pai José  Richa, fundador do partido) não confia muito em Aécio Neves, nem em Geraldo Alckmin.

Simultaneamente os principais escudeiros de Serra, o ex-governador Alberto Goldman (que foi seu vice) e Roberto Freire, presidente  nacional do PPS, intensificaram  os contatos, País afora, defendendo a candidatura de Serra, com base  em dois  argumentos fortes.

O  primeiro: “Muito bem – dizem eles –  a fila andou , como admitiu o FHC, e Aécio é o candidato natural à presidência em 2014. Mas é lógico e é justo deixar no sereno ou abrir mão de uma liderança como a do Serra com toda a sua história dentro do partido e  com os quase 45 milhões de votos que obteve no ano passado?

O outro argumento resvala na intriga: a de que  Aécio só pensa  em sua candidatura e, em nome dela,  não vacila em sacrificar o PSDB , no todo ou em parte, tanto que está patrocinado a criação de e um novo partido com os restos do moribundo DEM e alguns tucanos descontentes com a “Ditadura  Paulista” dentro da agremiação.

Serra, este santo homem, uma for de pessoa, não participa desse tipo de  baixarias, e limita-se a dizer que é preciso fortalecer  as oposições, onde elas foram fragilizadas, quase destruídas, como é o caso do Nordeste e de alguns estados do Norte.

Há aí um contraponto.  Enquanto Aécio fala em refundação, pensando  em um discurso partidário  mais ao centro e levando  em consideração os novos tempos ditados pela  Grande Crise Americana que é a crise do Neoliberalismo, Serra insiste  no discurso duro, mais à direita,  e  quando fala em recriação está pensando apenas no aspecto prático, orgânico.

Aécio, no momento,  acha mais funcional simplesmente ignorar Serra e vai construindo suas alianças  dentro e fora da seara tucana. Já Alckmin, cujos vôos intelectuais são bem mais baixos, mas que também quer ver Serra pelas costas, vai fazendo seu trabalhozinho silencioso. Ele  eliminou em sua administração praticamente todos os  vestígios do Governo Serra.

 E, para não dizerem que exagero,  destaco que ontem, o novo sectário de Desenvolvimento Social do Governo Alckmin, Paulo Alexandre Barbosa, criticou  duramente  o ex-governador  José Serra. Ele disse que foi um erro, reduzir (na verdade foi quase extinto) o programa  Escola da Família, criada  na gestão anterior de  Alckmin.

 Texto postado originalmente em 06-12-10

O ódio do Bobo da Corte

Arnaldo  Jabor não chega a ter o brilho de um Nelson Rodrigues ou de um Carlos Lacerda,  mas defende bem o script  da Direita Brasileira, fazendo-se de bobo da Corte Global o que lhe permite dizer qualquer coisa, por conta da irreverência.

Não é que o pobre Jabor e a acanalhada Direita Brasileira odeiem o Lula pelo que ele é. O ódio é pelo que Lula representa E ele representa o Brasil que finalmente deu certo. O mulato que não acha importante falar  inglês (já houve tempo que parecia  que não poderíamos respirar se não falássemos francês) e não vive  animalescamente, apenas para um dia levar seus pobres rebentos à  Disney Word, fazendo, de passagem, suas comprinhas em Miami.

Um mulato boêmio, malemolente, que  não acha tanta graça assim nesses Beatles, e não sabe o que é  é Pop. E o que é Pop? Mulato empreendedor e indomável que construiu uma das maiores, mais generosas e respeitadas potências do Planeta. Um mestiço sem raça, graças a Deus, e que troca esse tal de  Sting (o que é Sting?) pela Calcinha  Preta devidamente misturada com o Luar do Sertão.

Há noventa anos, Lima Barreto, um dos maiores escritores brasileiros, internou-se num hospital para tratamento de doenças mentais que existe até hoje no Engenho de Dentro (Rio). O médico que o atendeu uma anta preconceituosa de classe média, igualzinha à que existe até hoje e que poderia chamar-se Jabor, escreveu na ficha: “Mulato, alcoólatra, aparentes quarenta anos. Diz que é escritor”.

E Jabor, aquele médico preconceituoso atualizado, descreve Lula: mulato, cachaceiro, malemolente, pensa que é estadista e que vai continuar influindo. E vaticina: “Nada disso, Lula. Vá para casa e tome sua pinguinha serena, ao lado de dona Marisa”.

O coitado do Jabor, como o médico idiota que examinou Lima Barreto, não consegue ver que Lula é estadista sim e não vai para casa, não. Vai continuar influindo e viajado pelo País, pelo Mundo e, principalmente, pela América Sul, onde consolidará aquilo que transformou-se no verdadeiro projeto de sua vida: a construção da União Sul-Americana, a Pátria Grande.

Jabor, Lacerda e Nelson Rodrigues não entendem isso. Não entendem que o Brasil e esse mulato sem curso superior podem dar certo. Eles e nossa ridícula classe média alienada carregam a herança cultural dos senhores de engenho e dos fazendeirões do café.

 Seu raciocínio síntese é o do “complexo de vira lata”. Mas eles se colocam fora disso. Acham que o complexo é só da negrada e dos mestiços sem rumo e sem prumo na vida. Eles não, eles se consideram iguais aos europeus e americanos: vestem a mesma roupa, comem a mesma comida  e curtem a mesma música. Entretanto, no fundo, eles são vassalos e, como diz o Chico Buarque, falam grosso com os bolivianos e fino com os americanos. Gentinha da pior qualidade.

17-01-11

Brasil e Argentina não usarão mais o
Dólar em suas transações comerciais

O secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, comunicou ontem  aos atacadistas e  redes de varejo locais que o governo vai adotar rigorosas medidas de controle e restrições das importações. Segundo ele, serão poupadas apenas as mercadorias provenientes do Brasil, nos marcos da  consolidação do MERCOSUL.

Em seguida, anunciou que a partir de agora serão aceleradas as providências para eliminar, no curto prazo, o uso do Dólar nas transações comerciais entre Argentina  Brasil. E este, aliás, será um dos principais temas das conversações entre as  presidentas Cristina Kirchner e Dilma Rousseff,  nos próximos dias  30 e 31, em Buenos Aires.

Ao mesmo tempo, do outro lado do Mundo, em uma de suas raríssimas  entrevistas à imprensa, o presidente chinês, Hu Jintao, disse ontem ao Washington Post , com toda a naturalidade, que a  “Era do Dólar é coisa do passado” E confirmou que a China se prepara  para transformar o Yuan em moeda de troca internacional, ressalvando que isso será feito de forma gradativa.

14-01-11

Kassab  já  atua  como  líder do PMDB em
SP e avança sobre os redutos de Alckmin

Saiu melhor do que a encomenda este Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo. Há alguns meses ninguém dava nada por ele, “mera invenção” do José Serra que um dia o tirou do bolso do colete, quando precisou de um vice para compor sua chapa de candidato a prefeito da megalópolis.

Com a desenvoltura de quem comprou sua carta de alforria, Kassab,  embora ainda filiado ao DEM (um fantasma da velha ARENA que teima em vagar por ai) já atua como líder do PMDB paulista, com a cobertura do vice presidente Michel Temer.

Ele pretende levar para seu novo partido (cuja ficha assinará em março) a maior parte dos 70 prefeitos da sua antiga e moribunda sigla. E mais: já está avançando, célere, sobre os redutos e aliados do governador Geraldo Alckmin, contra quem deverá  disputar as eleições de 2014, conforme seu projeto de ocupar o Palácio dos Bandeirantes.

O ataque a Alckmin se dá em forma de pinça. De lado, ele tenta aliciar elementos do PTB e PPS, tradicionais aliados do PSDB paulista e, de outra parte, declara nas conversas íntimas que  “só não será candidato se o Zé Serra for”.

Esta frase é um primor de malícia, digna de um velho político, sem desfazer dos jovens maliciosos. Porque lança a desconfiança e amplia a discórdia no ninho tucano. Tanto que entre o pessoal do Alckmin, já há quem suspeite que o Serra está  por trás desses últimos  lances ousados de  Kassab.

De resto, o astuto prefeito paulista foi tranqüilizado pelos especialistas em legislação eleitoral e sabe que não corre risco de perder o mandato se trocar de legenda. Há uma farta jurisprudência do STF indicando que, ao contrário dos parlamentares, cujos votos pertencem ao  partido, os chefes de cargos no Executivo são donos de sua própria votação e podem  se transferir, com ela, para onde  bem entenderem.

09-01-11

Com  o aval  de FHC, Aécio  começa a
construir alianças no PMDB e no PSB

Aécio Neves deve estar assustado. Venceu a batalha pela  hegemonia das Oposições  muito mais rapidamente e com menor esforço do que esperava. Seus dois principais concorrentes,  José Serra e Geraldo Alckmin, ainda não jogaram a toalha. Mas isto não é mais necessário. O apoio explícito de Fernando Henrique Cardoso às pretensões  do astuto mineiro elimina qualquer possibilidade de reação por parte dos tucanos paulistas que representavam o único foco de resistência.

Com o caminho aberto (FHC já declarou  que “a fila andou” e agora é a vez de Aécio), o neto de Tancredo começa a transar alianças para atrair  o PMDB e  o PSB.  Com este último, as conversas são antigas e consolidadas. Ninguém ignora que  Ciro Gomes e seu irmão Cid, governador do Ceará, são fraternos amigos  do ex-governador minero. Há um ano, Ciro chegou a oferecer-se como vice se Aécio fosse o candidato tucano no lugar de Serra.

Mas o próprio presidente nacional do PDB, o governador pernambucano Eduardo Campos, tem excelentes relações com Aécio. Agora mesmo, há  menos de um mês,  eles  almoçaram juntos  em Brasília, poucas  horas antes de Campos ir ao encontro de Dilma, para discutir a composição do ministério.

Tanto PMDB como PSB, para dizer de forma simplificada, deixaram-se  seduzir por  Lula, seu jeito bonachão e sua  espantosa popularidade, mas odeiam a forma sutil como a de trator  com que o PT trata seus aliados. Seja como for, já nas eleições municipais do ano que vem,  veremos os resultados das investidas de  Aécio.

Então  estamos diante de uma situação esdrúxula e  perigosa para a estabilidade política  do Governo Dilma: os dois principais  partidos  de sua base de sustentação namoram abertamente com o líder da Oposição que , malandramente,  fazendo o gênero light, não se  opõe  abertamente  à presidente. Apenas vai colocando cascas de banana  por  onde ela terá que  passar. Aliás, foi assim, usando métodos muito parecidos, que ele minou a candidatura de José  Serra, cuja vitória não lhe interessava.

 05-01-11

PMDB perdeu o Ministério da  Saúde, de
bobeira, e agora  corre  atrás do prejuízo

Na primeira “crise” do Governo Dilma, Antônio Palocci que, modesto, disse no domingo (2-1) que seu serviço, na Casa Civil, era interno e burocrático, foi  clamorosamente desmentido pelos fatos em menos de 24 horas. Já na segunda, a pedido da presidente,  estava atuando como bombeiro na crise entre o governo e seu principal aliado.

 O PMDB, furioso com a perda, para o PT, das verbas do Ministério da Saúde  está criando problemas na  Câmara.  A última ameaça foi a de votar por um aumento do salário mínimo superior aos 540 reais propostos  pelo Governo.

 É a velha história: malandro demais se atrapalha. Há um mês, nas primeiras negociações, o partido tinha os cinco ministérios que tem hoje e mais o da Saúde. Foi quando uma ou duas raposas metidas a espertas resolveram endurecer o jogo e como não gostam de Sérgio  Cabral, resolveram  “queimar”o nome já escolhido por  Dilma, Sérgio Côrtes,  indicado pelo governador do Rio.

E vou logo dizendo o nome e o sobrenome de uma das raposas, Michel Temer que, reparem, até se parece um  pouco com o  astuto mamífero,  misturado com  o  velho Stewart Granger.  Nos bastidores, aliás, Temer recebeu o apodo de “Belo Brummel dos Trópicos”.

Pois bem: as felpudas raposas  desenvolveram o raciocínio de que não valia a pena bancar o Cortês já que ele pertencia à cota do Cabral que  atua em  faixa própria. O importante, raciocinavam, era garantir os postos  estratégicos  do segundo escalão, aquele que controla  as verbas. Querem saber que verbas: 45 bilhões de reais da Secretaria de Atenção à Saúde e seis  bilhões da FUNASA, Fundação Nacional de  Saúde. Sem falar na verba de 12 bilhões  dos Correios subordinas ao Ministério das Comunicações, que passou às mãos do PT. Mas isto é uma outra  história.

O problema, justamente, é que o PT não é bobo nem nada, aprende rápido e já tem o seu próprio criatório de raposas. Nesse passo, o Ministério da Saúde acabou ficando com o promissor Alexandre Padilha (38 anos), bom médico e esperto na política. Entretanto, tudo ia bem, até que os petistas avançaram sobre as verbas  do segundo escalão. Aí o bicho pegou.

Como todo partido  fisiológico e sem escrúpulos, o PMDB vive de  chantagens, regateios e ameaças. E nunca se sabe se Michel Temer, o presidente do partido (agora licenciado), atua  em  função dos interesses do Governo ou  em causa própria.

Agora, além de boicotar a proposta de salário mínimo do Governo, o PMDB ameaça melar o acordo para a eleição de um petista para presidência da Câmara. Não fique ruborizada amiga leitora. Eles são chantagistas mesmo.

 Por essas e por outras, é que a presidente e o Lula não gostam do Michel Temer. Tanto que, meses atrás, fizeram o possível para evitar que ele fosse o vice na chapa de Dilma. E Lula, esta flor de boas maneiras, chegou à grosseria de pedir que o PMDB enviasse uma lista tríplice para que ele escolhesse o vice de Dilma.

Temer, entretanto, resistiu aos desaforos e, tenaz, manteve sua candidatura. No máximo chegou a dizer, na época, que “o PMDB não aceita prato feito”. A tenacidade, como sabem os que já passamos dos sessenta, é a melhor arma quando o alvo é a política ou uma moça bonita.

Finalmente e avançando pelo terreno das altas fofocas, diremos que a presidente deveria saber que qualquer comentário feito em salões de beleza ou em casas de costureiras espalha-se e  amplia-se vertiginosamente.

 Mas agora já é tarde, por um desses dois caminhos, este blog ficou sabendo que Dilma Rousseff (para dizer de forma amenizada) realmente não morre de simpatias por seu vice.

28-12-10

Cristina Kirchner não vem à posse de Dilma Roussef,
 para manter status de sócia principal do MERCOSUL

A Casa Rosada confirmou ontem  (27) à noite, oficialmente, que a presidenta  Cristina Kirchner não comparecerá à posse de Dilma Rousseff. Ela será representada pelo chanceler Héctor  Timerman. E será, possivelmente, o único chefe de governo da América do Sul  ausente da  cerimônia.

Como não houve nenhuma explicação oficial, os jornais argentinos especulam que ela estaria exausta e desejosa de passar o  primeiro dia  do ano com familiares em  sua terra natal, Rio Gallegos, no  Extremo Sul argentino. Entretanto, no Itamaraty suspeita-se que  há “algum melindre ainda não perfeitamente identificado” na atitude  da viúva de Néstor Kirchner.

Já Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, tem uma explicação mais plausível e lógica: Cristina e Néstor comungavam com  Lula o ideal de ir muito além do simples Mercado Comum e transformar a América do Sul numa federação parecida com a União Européia. Seria a Pátria Grande, cujo primeiro idealizador foi, aliás, Juan Domingo Perón. Então, ela quer deixar  claro que não é  apenas mais uma seguidora, mas a principal sócia do Brasil nesse  projeto de união continental.

A verdade é que a vinda de  praticamente todos os presidentes do Continente (até ontem só Rafael Correa (Equador) e Bharrat Jagdeo, da Guiana, não  tinham confirmado a  presença) estava adquirindo a característica de um beija-mão, o que  não seria bom para ninguém.

Para evitar que as relações entre Dilma e Cristina sejam marcadas por um início mal humorado, o Itamaraty está programando uma viagem de Dilma a Buenos Aires logo no início de seu governo. Na oportunidade, ela visitará o túmulo de Néstor Kirchner para as devidas homenagens. E é possível que Dilma já tenha combinado isso com a própria Cristina. Consta que, ontem mesmo, a argentina ligou para a colega brasileira, explicando as razões de sua ausência.

Leia mais sobre o mesmo tema na coluna A Pátria Grande.

20-12-10 atualizado em 21-12-10

Ministérios: Indefinição de Ciro embola o meio de campo

No início, Ciro queria a presidência do BNDES. Depois pareceu conformado com seu retorno ao Ministério da Integração Nacional. Finalmente reivindicou o Ministério da Saúde. Por conta disso, Dilma atrasou em uma semana o arremate de seu futuro governo. Ontem (20), a presidente deveria ter anunciado os últimos ministros,  mas Ciro não foi incluido e ele anunciou que  não pretende, no momento, participar do Governo. Os nomes para os Ministérios da Integração e dos Portos (cota do PSB), continuam em aberto. 

A verdade verdadeira é  que durante todo o fim de semana e até  a manhã  de ontem, através de seu irmão Cid Gomes (governador do Ceará), Ciro tentou obter o Ministério da Saúde.

 Para não ceder,  já que  esta  pasta  corresponderia a muita azeitona na empada  de  um não petista  candidato declarado à pesidência, Dilma teve que improvisar e, na última hora, tansferiu Alexandre  Padilha da Relações Istitucionais para a Saúde. Em seguida alegou que esta era uma exigência do PT.

À tarde, informado pelo irmão do insucesso das negociações, Ciro simulou não estar interessado em participar do Governo e plantou, no blog do Nobat, a infomação de que continuaria na Europa, com seu filho caçula Iuri, para “aprimorar o conhecimento de algumas línguas”.  Pura conversa mole para boi francês dormir. 

Quem mistérios tem Ciro Gomes? Como ele sozinho consegue emperrar a formação do ministério de Dilma Rousseff, se ele pertence a um partido, o PSB, que cresceu ultimamente  mas ainda é de segunda  linha e dentro do qual ele não tem clima?

Não é mistério: Ciro é dono, individualmente, de algo como 10 milhões de votos, dez por cento do eleitorado nacional que podem ser ampliados para vinte ou trinta por cento, dependendo das circunstâncias. E não é só isso: ambíguo, ele consegue, simultaneamente, ter livre trânsito nos palácios petistas e no eleitorado tucano.

Não é pouca coisa. Mas infelizmente para ele, não é suficiente: egocêntrico, não é homem de partido nem de esquemas a não ser o dele mesmo. Assim, sua capacidade de mobilização é pequena. Não consegue surfar ondas coletivas e fica dependendo das que ele mesmo cria.

No mais, é dono de boa fortuna pessoal e familiar. Além do que, como bom articulador de esquemas financeiros e de poder, apropriou-se do Ceará governado por seu irmão Cid, tornando-se o coronel absoluto do  Estado,  face a aposentadoria compulsória de seu padrinho, o bilionário tucano Tasso Jereissati.

Mas o Ceará é apenas a plataforma de lançamento. Ele já transferiu seu título para São Paulo, onde nada de braçada no mundo empresarial, de parceria com o inusitado  presidente da FIESP, Paulo Skaf, bizarramente filiado ao PSB.

E Ciro vai mais longe: como ex-ministro da Fazenda e assíduo estagiário de economia em universidades americanas, navega igualmente sem percalços, no assim chamado  mundo financeiro globalizado.

Eis o homem em rápidas pinceladas. Vejamos então, a história recente de sua caminhada:

Em 2007,  inicio do segundo mandato de Lula, Ciro não quis continuar no Ministério da Integração  Nacional.

De lá para cá, suas relações com o presidente  tiveram altos e baixos. Mas foram sempre norteadas pelo seguinte pacto que vai aqui expresso nas palavras do próprio presidente: “Até o governo de São Paulo, eu poço te ajudar. Depois é por tua conta”.

Para o presidente e para o PT paulista que aceitou a combinação com mau humor, a candidatura de Ciro era como colocar uma bomba no quintal do Serra. Mas, principalmente, impediria sua tentativa de concorrer à presidência. Se isso ocorresse, haveria segundo turno com certeza e com resultado imprevisível.

Em abril, quando ficou claro que Ciro não seria candidato em  São Paulo e  insistiria na sua candidatura  ao Palácio do Planalto, Lula chamou o governador  pernambucano  Eduardo Campos que é também presidente nacional do PSB e combinou com  ele a fritura do   cearense.

Campos  cumpriu à risca a sua parte ganhado, assim, a gratidão de Lula. Mas não pode  evitar o ódio  do fritado. Desde então, eles são inimigos cordiais. E vocês devem estar lembrados que, na época, Ciro saiu atirando para todos os lados: no PSB, no PMDB, na Dilma e no próprio pé. Só poupou o presidente.

Depois disso, Lula que odeia perder amigos, durante meses tentou uma reaproximação com Ciro. Chegaram a marcar encontro que não houve. Ficou só num telefonema.  Mas o tempo cicatrizou as magoas e Ciro não só reatou a amizade como fez o que  todo mundo duvidava. Subiu no palanque de Dilma. O que a gente não faz por amor?

 Refeitos os laços do coração e da política, Ciro deve ter-se lembrado de uma promessa feita  por Lula, lá atrás, quando ele ainda era candidato à presidência: Se  você  abandonar sua candidatura, será vice-presidente ou terá o cargo que quiser no futuro governo.

 É essa fatura que  Ciro poderia estar cobrando agora. Mas, intempestivo, ele pode muito bem desistir de participar do governo por enquanto.

Na coluna Pérolas & Pílulas você lera mais detalhes desta novela.

 

 

06-12-10

O ódio do Bobo da Corte

Arnaldo  Jabor não chega a ter o brilho de um Nelson Rodrigues ou de um Carlos Lacerda,  mas defende bem o script  da Direita Brasileira, fazendo-se de bobo da Corte Global o que lhe permite dizer qualquer coisa, por conta da irreverência.

Não é que o pobre Jabor e a acanalhada Direita Brasileira odeiem o Lula pelo que ele é. O ódio é pelo que Lula representa E ele representa o Brasil que finalmente deu certo. O mulato que não acha importante falar  inglês (já houve tempo que parecia  que não poderíamos respirar se não falássemos francês) e não vive  animalescamente, apenas para um dia levar seus pobres rebentos à  Disney Word, fazendo, de passagem, suas comprinhas em Miami.

Um mulato boêmio, malemolente, que  não acha tanta graça assim nesses Beatles, e não sabe o que é  é Pop. E o que é Pop? Mulato empreendedor e indomável que construiu uma das maiores, mais generosas e respeitadas potências do Planeta. Um mestiço sem raça, graças a Deus, e que troca esse tal de  Sting (o que é Sting?) pela Calcinha  Preta devidamente misturada com o Luar do Sertão.

Há noventa anos, Lima Barreto, um dos maiores escritores brasileiros, internou-se num hospital para tratamento de doenças mentais que existe até hoje no Engenho de Dentro (Rio). O médico que o atendeu uma anta preconceituosa de classe média, igualzinha à que existe até hoje e que poderia chamar-se Jabor, escreveu na ficha: “Mulato, alcoólatra, aparentes quarenta anos. Diz que é escritor”.

E Jabor, aquele médico preconceituoso atualizado, descreve Lula: mulato, cachaceiro, malemolente, pensa que é estadista e que vai continuar influindo. E vaticina: “Nada disso, Lula. Vá para casa e tome sua pinguinha serena, ao lado de dona Marisa”.

O coitado do Jabor, como o médico idiota que examinou Lima Barreto, não consegue ver que Lula é estadista sim e não vai para casa, não. Vai continuar influindo e viajado pelo País, pelo Mundo e, principalmente, pela América Sul, onde consolidará aquilo que transformou-se no verdadeiro projeto de sua vida: a construção da União Sul-Americana, a Pátria Grande.

Jabor, Lacerda e Nelson Rodrigues não entendem isso. Não entendem que o Brasil e esse mulato sem curso superior podem dar certo. Eles e nossa ridícula classe média alienada carregam a herança cultural dos senhores de engenho e dos fazendeirões do café.

 Seu raciocínio síntese é o do “complexo de vira lata”. Mas eles se colocam fora disso. Acham que o complexo é só da negrada e dos mestiços sem rumo e sem prumo na vida. Eles não, eles se consideram iguais aos europeus e americanos: vestem a mesma roupa, comem a mesma comida  e curtem a mesma música. Entretanto, no fundo, eles são vassalos e, como diz o Chico Buarque, falam grosso com os bolivianos e fino com os americanos. Gentinha da pior qualidade.

 29-11-10 atualizado em 30-11-10

Espionagem: Para isolar  Chávez, EUA  criam
sério incidente  diplomático com a Argentina

Ontem (29), o presidente venezuelado, Hugo Chávez, reagiu  dizendo que  Hillary Clinton deveria renunciar ao cargo de secretáaria  (ministra) do Depatamento de Estado, porque os documentos secretos agora expostos, mostram  como os Estados Unidos agem como um Império que se sente no direito de  bisbilhotar a vida de seus súditos, mesmo chefes de Estado, em qualquer parte do Mundo, tratando a todos como potenciais inimigos.

Um novo escândalo envolvendo documentos secretos  dos serviços de  espionagem norte-americanos foi revelado  segunda-feira (28) pelo site WikiLeaks e parcialmente publicados por  alguns jornais europeus. Segundo os documentos, o Departamento de Estado está investigando a possibilidade de “insanidade mental” de Cristina Kirchner, presidente da Argentina.

Os documentos muito fartos, mais de 2000  páginas, revelam preocupação do  governo de Barack Obama no sentido de  isolar o arqui-inimigo  Hugo Chávez e conter sua influência no   Continente. Por isso, o casal Kirchner, um dos principais aliados do presidente venezuelano, foi investigado.

Nesse sentido, outros líderes considerados “amigos de Chávez”, provavelmente  tiveram sua vida particular vasculhada. Se for assim, os próximos documentos poderão revelar espionagem também contra o presidente Lula, por exemplo. Isto, evidentemente, aumentaria ainda mais o constrangimento diplomático em toda a região.

A postura norte-americana, indicando que países amigos são espionados como inimigos, revela o isolamento dos Estados Unidos na América do Sul. Hoje, a grande maioria dos países do Continente está  alinhada  com a política  brasileira de  fortalecimento  da UNASUL, União das Nações Sul-Americanas, constituída exatamente para confrontar com a  hegemonia norte-americana. Os únicos países que ainda podem ser considerados  “sob a esfera” americana são a Colômbia e o Peru.

26-11-10

Palocci queria um posto menos exposto aos holofotes,
mas Lula e Dilma o convenceram  a aceitar a Casa Civil

Escaldado pelo escândalo que o abateu no auge da fama e do sucesso, quando era a todo-poderoso ministro da Fazenda em 2005,  Antônio Palocci preferia a sobra pouco badalada da Secretaria Geral da Presidência , de onde,  sempre próximo de Dilma, poderia influir em  praticamente todas as ações do governo.

Mas vai mesmo para a Casa Civil, por estas quatro razões principais :

1- Dilma e Lula querem  reabilitá-lo definitivamente, aproveitando  a atual onda midiática favorável  a ele.

2- Há aqui, uma questão logística: Dilma realmente pensou em alojá-lo na   Secretaria Geral,  hoje ocupada pelo opaco Luiz  Dulce. Mas precisava, antes, ampliar o tamanho físico e as  funções políticas desse órgão. Foi quando ela percebeu que teria que enfrentar muita trabalheira legal e  burocrática para fazer isso, de modo que teria que assumir sua  nova casa, a  Presidência, com esta ainda em reformas. Tudo isso contraria  sua personalidade metódica e sua  apego  à organização.  Para não complicar, Palocci foi mesmo para a Casa Civil.

3- Evita-se também um problema político, o da escolha  da própria chefia da  Casa Civil, a  melhor jóia da Coroa, ambicionada por todas as facções  do PT e do Governo. Palocci, entretanto, é aceito por todos esses setores, como uma  solução natural. Menos pelo  Zé Dirceu, é claro.

4- Finalmente – e esta talvez seja a principal razão-, como queridinho  da mídia e do Capital Financeiro,  Palocci faz  um contra-peso importante  na composição da imagem do novo governo junto ao Mercado. Mercado esse, sempre muito nervoso, que estava preocupado,  com a proeminência recém adquirida  pelo atual e futuro ministro da Fazenda, Guido Mantega, tido como um “desenvolvimentista gastador”.

23-11-10

Serra não desiste e pode rachar o PSDB

Há dois anos, Aécio Neves, então governador mineiro, fez um cálculo simples: se eu ficar aqui manso e pacato o Serra será  candidato à presidência.  Mesmo que seja derrotado, ainda fica credenciado como principal líder da Oposição. E eu só chupando o dedo.

 Resolveu, então, partir para o confronto e nesses dois anos infernizou tanto a vida do tucano paulista que não é exagero dizer que  foi um dos principais responsáveis  pela  derrota do PSDB nas eleições presidenciais. Mas valeu o esforço. Tirou Serra da frente e hoje é,  sem contestação, o principal líder oposicionista  do Pais.

Como o Mundo dá voltas, agora é Serra quem faz esse mesmo raciocínio e já partiu para o confronto, procurando infernizar a vida de Aécio e disposto a disputar, palmo a palmo, o espaço que ele considera seu, no  conjunto das oposições.

Entretanto, até seus amigos mais leais, já estão convencidos de que ele não pode e  não deve ser o novo presidente do PSDB, a ser escolhido em março próximo. O futuro  chefe partidário deverá ser um elemento  neutro, sobretudo, não pode ser nem  mineiro, nem paulista. Como consolação, oferecem a Serra a presidência do Instituto Teotônio Vilela, uma espécie de diretoria de Museu.

Mas Serra aceitará, porque isso lhe dá um mínimo de visibilidade e não deixa de ser uma tribuna. Ele acredita na sua capacidade de luta. “Me dêem um limão eu faço uma limonada.” Dalí, continuará fustigando Aécio e exigindo “oposição de verdade” ao governo de Dilma. Se  isso evoluir para racha, tanto melhor. Afinal, raciocina ele, o Aécio não vive falando em fundar um novo partido?

O único problema é que, diferentemente dos tempos de governador, ele não tem mais máquina  e grana. Ambas estão nas mãos de Aécio Neves e Geraldo Alckmin, que  desejam, antes de qualquer coisas, vê-lo definitivamente no museu.

19-11-10

Meirelles  dá  adeus ao BC e Palocci  vai
ficar bem ao lado de Dilma, no Planalto

A confirmação de Guido Mantega, no ministério da Fazenda, já era uma “pedra cantada”, mas a saída imediata de Henrique Meirelles de certa forma surpreendeu. Surpreendeu, porque esperava-se que ele cumprisse  um mandato tampão, de um ano, à frente do Banco Central, para evitar marolas no Mercado e desde que ele se comprometesses  com a queda rápida, imediata  e  heterodoxa dos juros, o que  implicaria  na  perda de autonomia da instituição. Depois, ele seria  embaixador em Washington.

Meirelles não aceitou nem uma coisa nem outra. Se ficasse  seria para ficar mesmo e mantendo o mesmo grau de autonomia. Mas ele aceita ir para a capital  americana.

 A decisão de se desfazer de Meirelles e adotar uma nova filosofia básica na área econômica revela uma certa auto-suficiência da presidente que, aos poucos, vai mostrando a que veio: economista, ela não tem o medo pânico que Lula tinha de assustar o Mercado. E, centralizadora, ela já disse que na economia, os nomes não importam, porque a formulação e a decisão final serão dela.

E a novela do Palocci?

A novela do Palocci chega ao último capítulo com seu final feliz: ele ocupará uma posto estratégico no  Palácio do Planalto,  bem juntinho de Dilma. Este posto, na verdade, está sendo  montado especialmente para ele, com o esvaziamento da Casa Civil que será  menos política  e mais  funcional e administrativa. Tudo isso, combinado com a anabolização da Secretaria  Geral da Presidência, atualmente ocupada  pelo apagado Luiz Dulce.

A idéia é que Palocci com esse novo figurino riscado especialmente para que ele cumpra  sua dupla função. A primeira é a de que, com sua inegável competência, ele administre assuntos complexos, como a Reforma Tributária (pontual ou não) e as relações diretas da presidente com as prefeituras, uma forma de evitar que ela fique nas mãos dos governadores e do Congresso.

A outra função é a de agir como relações  publicas no Governo junto ao Mercado e sua mídia. Ele e uma espécie de penhor oferecido para indicar que Dilma não vai se aventurar por um caminho muito heterodoxo ou esquerdizante.

Mas tudo isso é perfumaria, perto do grande problema detectado por Lula e sua sucessora: eles concluíram que o grande  entrave ao avanço do PT em direção aos seus projetos ou, se quiserem, seu retorno às origens, é nada menos  que o PMDB. Com sua influência crescente no Governo e no Congresso, o partido do Dr. Ulysses e do Delfin Neto, transformou-se numa massa crítica suficientemente forte para manter os princípios básicos de uma sociedade conservadora. E é por isso que Lula continuará na ativa. Muito na ativa, mesmo.

13-11-12

Kassab está com os dois pés do PMDB

Há pouco mais de uma semana, informamos neste  blog que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, estava com um pé no PMDB. Agora está com os dois. Diante da perspectiva de  dissolução do DEM,  ele foi procurado  logo após as eleições por Michel Temer (além de vice-presidente eleito ele é o presidente nacional do PMDB) que fez o convite garantindo que tanto Lula quando Dilma Rousseff  “viam a idéia com bons olhos”.

 Kassab mostrou interesse e pediu prazo de dez dias para consultar correligionários de outros estados e o grupo político ligado a ele na capital paulista. Mas confessou aos amigos mais chegados que estava seduzido pela idéia.

Na quarta-feira à noite, após longas negociações com outros líderes do DEM como o ex-senador  Jorge Bornhausen (SC) e o senador Agripino Maia (RGN) – que, como ele,  fazem oposição dentro do partido, à liderança  do ex-prefeito carioca, Cesar Maia – Kassab concordou em esperar mais noventa dias, até  que o partido  escolha  uma dessas duas principais alternativas: fundir-se com o PMDB ou com o PP que também faz  parte da base  governista. Como se vê, todos os caminhos levam a Roma.

Mas  Kassab prefere o PMDB por causa da melhor estrutura deste partido,  principalmente no Interior.

No acordo preliminar estabelecido entre Kassab e Temer, ao deixar a prefeitura em 2012, ele seria contemplado com um ministério, (provavelmente o das Cidades,  hoje na mão do PP) para  não ficar no sereno até 2014, quando disputaria o governo de São Paulo. Daí a importância do aval de Lula e de Dilma para as negociações que  o levarão assinar a ficha do PMDB.

Guloso,  Kassab queria também o apoio do PT  para  sua caminhada rumo ao Palácio dos Bandeirantes. Mas isso, evidentemente José Dutra, presidente nacional do PT, negou liminarmente. Entretanto, os petistas aceitam conversar  sobre uma possível composição para as eleições municipais de 2012. Ou seja, a sucessão de Kassab na prefeitura de São Paulo.

Nota da Redação

Pedimos desculpas pela  linhas indevidamente grifadas. Coisas do computador.

07-11-10

Diferença essencial: Dilma Rousseff  entende  de 
economia e vai comandar pessoalmente o setor

A primeira providência da presidente será forçar a queda dos juros. Se Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central, não concordar com isso, será “promovido” com sua nomeação para a Embaixada do Brasil em Washington. Veja também matéria na coluna Para Entender a Crise

É um equívoco supor que haverá um governo a quatro mãos Dilma/Lula. O presidente não abandonará a pupila à prória sorte sorte, mas se limitará a atuar, quando soliciado, no embate político: reforma político-partidária, recriação da CPMF e eleição dos novospresidentes da Câmara e do Senado. Dilma será poupada destes  te.  mas desgastantes e Lula agirá com naturalidade e legitimitade. Afinal, ele é chefe de fato do PT e, no momento oportuno, será eleito seu presidente de honra.

Já na parte administrava e sobretudo na área econômica, a independência de Dilma será completa. A única e última interferência de Lula está-se dando agora, na  escalação do Ministério, este sim, construído a quatro mãos.

Quanto à economia, a mudança mais imediata e mais radical se dará logo nos primeiros dias do novo governo.  A presidente exigirá de sua equipe uma redução substancial dos juros, a curto prazo. E isso atende a dois  objetivos cruciais:

Na questão do combate à inflação os economistas  apontam alta dos juroscomo condição essencial (inibição o consumo ou demanda) o que é verdade. Só que eles, por malícia, se esquecem de dizer que, a partir de um certo patamar, os juros devem  ser  considerados como um custo importante do sistema  produtivo e, portanto, alimentadores da inflação.

É fácil entender que um produtor ou comerciante que, para fazer capital de giro, apanhe dinheiro a 20% ou 30% ao ano, não terá outra saída, senão a de repassar este custo para a mercadoria. Ou seja, para o consumidor.  

O outro objetivo é o de rebaixar  imediatamente a taxa de juro para  romper o círculo vicioso que  transformou  o Brasil em refém, na  atual  “ Guerra Cambial  mantida entre os gigantes  EUA e China.  Cansados de esperar que a China valorize sua moeda, o Yuan, os americanos partiram para uma política agressiva de desvalorização do Dólar.

E isto é gravíssimo, porque a moeda americana ainda é usada  como padrão internacional e referência para o preço de todas as mercadorias. Por seu lado, com sua moeda artificialmente desvalorizada, os chineses praticam concorrência desleal.Veja também matéria na coluna Para Entender a Crise.  

O que temos aí é que o Brasil tornou-se  o principal atrativo para capitais especulativos, não apenas  em função dos números bons de sua economia, mas  principalmente porque , contraditoriamente, oferece os maiores juros do Mundo. Quem não toparia colocar seu dinheirinho numa mamata dessas?

E é isso que os “desenvolvimentistas” do governo, a começar pela própria Dilma, não perdoam no Henrique Meirelles: no auge da crise, há dois anos, quando a humanidade em sua unanimidade baixou os juros, o Banco Central brasileiro elevou suas  taxas.

Os economistas liberais e a mídia  argumentam  com a  meia verdade de que enquanto  o Governo  não coibir suas despesas, os juros terão que ser”preventivamente” elevados, para segurar a inflação. Mas, ainda uma vez eles  esquecem de dizer (como são esquecidos!) que  o  item  mais elevado (pesado) na rubrica “Despesas do Governo” é exatamente a que se refere  ao pagamento de juros.

Resumo da ópera: Meirelles, apesar  de uma certa gratidão que Lula tem  em relação a ele e apesar de  ocupar um posto que o seu partido,  PMDB, quer preservar,  terá que topar a  baixa imediata de juros, ou seja, já no primeiro trimestre do próximo ano. Se não topar será substituído (não imediatamente, mas a curto prazo). O nome mais cotado para substituí-lo é o de Luciano Coutinho, atual presidente do BNDES e que há a quase quarenta anos foi professor (de Economia) da presidente eleita.

Entretanto, eu, particularmente, não creio que  Coutinho vá para o Banco Central. Seria um susto, quase uma agressão ao Mercado. O mais provável é que o nomeado seja alguém  que siga a sua orientação, mas não esteja tão marcado como “heterodoxo” em matéria econômica.

04-11-10

Com aval de Lula, Michel Temer tenta
 atrair  Gilberto  Kassab  para  o  PMDB                 

Gilberto Kassab (50 anos) é um engenheiro civil que chegou à prefeitura de São Paulo, meio que por acaso. De origem malufista, ele  foi indicado pelo DEM para ser  candidato a vice na chapa  encabeçada  José Serra,  há  oito anos.

Na época,  havia pelos menos outros  dez  nomes cotados, alguns até  mais conhecidos do que ele. O que  pesou a seu favor,  foi um empurrão dado por seu amigo Afif Domingos, então líder do PL (hoje PR  do Garotinho e do Tiririca) e presidente da poderosa Associação Comercial de São Paulo.

Entretanto, independente de seu passado, presente ou futuro, Kassab é hoje um peça chave no  tabuleiro político, pela simples razão de que é prefeito da maior cidade brasileira e  a mais importante do Hemisfério Sul. Além disso, ele  é  a atual cereja do bolo do DEM (ex-PFL) que  está em processo de esfacelamento.

Vai daí que o vice-presidente eleito Michel Temer, transformando pela ordem natural da coisas, em líder  supremo do PMDB, resolveu  atrair Kassab para seu partido o que contribuiria  para desmontar o esquema de  José Serra em São Paulo.

Não conheço pessoalmente nosso bom Kassab, nem tenho fontes ligadas a ele. De sorte que não posso  garantir que ele  atenda ao chamado de Temer. Mas posso, com o auxílio da lógica, supor que ele esteja  muito tentado a fazer isso. Pelas seguintes razões:

Quem faz carreira política e chega a prefeito de São Paulo, só tem  mais  dois  cargo a ambicionar: o governo do Estado ou a Presidência  da República. Digamos, então, que ele pretenda ser candidato ao Palácio dos Bandeirantes daqui a quaro anos.

 Se for assim, ele sabe que se permanecer no DEM, suas chances são pequenas porque  teria que enfrentar (no caso do governo estadual) o PT de um lado e o PSDB de outro  que teria, como candidato natural Geraldo Alckmin que  tentará a reeleição. Entretanto, se ingressar no PMDB,  ele amplia suas chances (em função da melhor estrutura do partido, principalmente no Interior) e abre a possibilidade de fazer um acordo de gente grande.

Um acordo que lhe  permitirá não ficar no sereno durante dois longos anos . De  2012, quando deixa a prefeitura, até 2014.  E é isso mesmo que você está pensando,  caro leitor.  Para atraí-lo, Temer, com a  autorização de Lula e  talvez de  Dilma  também,   prometeu um ministério.

29-10-10 atualizado em 31-10-10

Na reta final pesquisas convergem para a realidade.
Há uma semana  Montenegro já informara à Globo
que  Dilma  teria  entre  12 e 14 pontos de  vantagem

Todos os institutos apontam  a vitória de Dilma com mais de 12 pontos de vantagem. A DataFolha também admite a vitória da petista, mas por uma margem um pouco menor:  dez pontos. 55% a 45% 

A hora da verdade

Se você me pergunta: As pesquisas mentem? Eu direi que sim.  E manipulam?  Também sim. Porém, na reta de chegada elas tendem a convergir para a realidade dos fatos ou dos números. Afinal, elas vivem disso e precisam preservar sua  credibilidade. E é preciso lembrar que elas fazem consultas sobre um enorme e variado número de temas, além do político. Ou seja, têm um ampla clientela a ser preservada.

Se tirarmos uma média dos números dos quatro principais institutos, Vox Populi, CNT/Sensus, IBOPE e DataFolha (esta acaba de anunciar sua pesquisa nesta sexta-feira, 29), teremos Dilma  14 pontos na frente: 57% contra 43% de Serra.

E registre-se que embora seja um emérito trapaceiro, Carlos Augusto Montenegro, dono do IBOPE, entende do assunto e, quando quer, dá números precisos. Há exatamente uma semana ele informou à Globo que Dilma deveria vencer por uma diferença entre 12 e 14 por cento.

Na sequência dersta matéria você verá por que Dilma, que começou mal  a campanha do segundo  turno, conseguiu recuperar-se e a antecipação do resultado feita  po Montenegro. Antecipação esta que este blog noticiou com exclusividade.

 25-10-10

Esta eleição ainda pode se transformar em apoteose popular

Os dados  da DataFolha, divulgados ontem (24) e de do CNI/Sensus divulgados  hoje, indicam a irreversibilidade do crescimento de  Dilma Rousseff. Além dos números absolutos (DataFolha  56% a 44% e do Sensus  58,6% a 41,4%), o importante são os fenômenos  lidos  “ no interior” das pesquisas. A saber:

O PT conseguiu  neutralizar o  processo de desconstrução de Dilma iniciado na última semana do primeiro turno, o Efeito   Evangélico , o Efeito Aborto e o Escândalo Eunice. Desconstrução esta que se  manteve nos  primeiros dez dias do segundo turno.

No segundo turno, com  a reação forte  e inesperada iniciada  pela petista   nos debates e no horário  eleitoral, iniciou-se a desconstrução  de  Serra:  Paulo Preto, etc. Disso resultou  que o voto ético ou voto bem comportado,  deixou de predominar.

A  partir desse ponto, passou a prevalecer o fator econômico e social e a perspectiva de futuro. Nesse item, não apenas  pela popularidade de Lula, a vantagem de Dilma é  enorme pela simples evidência de que ela representa a continuidade.

Dilma continuou perdendo alguns poucos pontos entre evangélicos  e kardecistas, mas nada que  pudesse  abalar  seu favoritismo, até porque, no mesmo período ela cresceu entre católicos e entre as mulheres de um modo geral.

Dilma cresceu e vem crescendo em todas as regiões, menos  no Sul. No Sudeste,  Serra não ampliou sua pequena vantagem em São Paulo (700 mil votos) e continuou perdendo feio em Minas e no Rio. Os subúrbios  e os morros cariocas dilmaram. E ficou pairando a noção de que Dilma é a candidata  do povão e Serra o  candidato dos  ricos.

É correr para o abraço.

A matéria logo abaixo é  um complemento desta. Não deixe de ler.

24-10-10 atualiazado em 26-10-10

Fatura  liquidada:  Montenegro já  informou  à
 Globo: Dilma mantém 12 pontos de vantagem

Ontem (25) o Instituto Vox Populi confirmou previsões e  apontou Dilma  14 pontos à frente de Serra:  57% a 43% dos votos válidos (excluidos nulos e brancos).

Os leitores habituais  deste blog  sabem que o presidente do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro,  fornece  informações privilegiadas e  antecipadas à Globo que  as  repassa para o comando tucano. Com base no vazamento dessas informações, temos conseguido manter nossos leitores informados com certa precisão e  até com algumas antecipações, o que pode ser comprovado pela  simples  leitura de nossas matérias nas últimas semanas.

A informação de que Dilma  mantém um vantagem  confortável  quando faltam apenas seis dias úteis para a eleição é praticamente uma pá de cal na campanha tucana. Para que isso seja consumado  só é necessário que a próxima pesquisa confirme não só a vantagem como a tendência de crescimento da petista. Tendência esta que vem se manifestando desde a segunda  semana do segundo turno. A Vox Populi a ser divulgada nas próximas horas deve confirmar esse crescimento.

Manipulação e  metodologia

Não há nenhuma dúvida de que a maioria dos institutos são  manipuladores e agem  mancomunados  com a grande mídia. Entretanto, há também  deficiências metodológicas. Por exemplo: as pesquisas não conseguiram  captar a o excepcional crescimento de Marina na última semana do  segundo turno, uma fenômeno que ocorreu prioritariamente nas cidades com mais de 200 mil habitantes. Ela chegou a vencer Serra no Rio e em Brasília.

Entretanto,  os institutos não perceberam que este crescimento estava ocorrendo basicamente no   Sudeste e não souberam ou  não quiseram fazer a ponderação necessária. No Nordeste e no Norte (inclusive em seu estado natal, o Acre, a votação de Marina foi pífia. Então, se você der, na ponderação, um valor generalizado para  cidades médias, indistintamente, sem levar em conta as tendências regionais, como Jundiaí  (São Paulo)   e Campina Grande (Paraíba), haverá, no final, uma notável distorção. Como se  vê, pesquisa  não é coisa para amadores ou picaretas.

O mesmo   aconteceu   e está acontecendo em relação às cidade pequenas, com menos de 50 mil habitantes. Nelas (pela média nacional), Dilma leva  grande vantagem, porém  as pesquisa captariam uma vantagem ainda maior, se houvesse a ponderação necessária que considerasse o fato de que  a maioria desses pequenos municípios estão situados no Nordeste, em Minas, no Espírito Santo e Estado do Rio, onde Dilma venceu por boa margem. Se essa ponderação fosse feita, os números estariam mais próximos da realidade e  atribuiriam uma vantagem ainda maior para a petista.

Voto feminino

Outro fator negligenciado por muitos  analistas é o do voto feminino. Por razões sócio-culturais  a mulher brasileira média, infelizmente, ainda  interessa-se pouco por  política e não acompanha o noticiário. Disso resulta   que há uma  temporária defasagem entre votos femininos e  masculinos. Então, por uma questão de inércia, até recentemente, as pesquisas mostravam uma  grande  vantagem de Serra  sobre  Dilma, entre as mulheres.

Isto, porém,  era reflexo (fator inércia) do tempo em que Serra liderava as pesquisas  tanto entre homens como entre mulheres.  Ocorre, contudo que há uma tendência  histórica e inexorável de convergência entre os votos feminino e masculino, à medida em que as eleições se aproximam. E esta convergência já ocorreu: Dilma vence, hoje, com boa  margem entre os homens  e, com margem um pouco menor,  já é a mais votada também entre as mulheres.

Enfim, peço perdão aos leitores se texto de hoje  foi muito técnico ou francamente chato. Mas vez ou outra é preciso mostra que nós podemos errar e muitas vezes ermos, mas quando acertamos (com certa freqüência, graças a Deus) não é na  base do chutômetro ou da  bola de cristal.

E quem não me deixa mentir é o próprio Serra que jamais reclamou das pesquisas  porque  sabia  que elas o favoreciam, mesmo  quando o colocavam  atrás de Dilma, mas nunca  na margem verdadeira. Pois  agora ele declara com todas as letras que não acredita em pesquisas: ”Elas  erram muito. Inclusive erraram no primeiro turno”. Isto é uma meia verdade. A verdade completa é que se  as pesquisas errarem de novo, elas se desmoralizam definitivamente. 

18-10-10 atualizado em 19-10-10 e em 21-10-10

IBOPE confima  que Dilma está  mais
de 10  pontos à  frende  de  José  Serra

O IBOPE confirmou, ontem (20) o que, conforme noticiamos, o próprio  Carlos Augusto Montenegro havia antecipado para a Globo e para  o comando da capanha Serra: Dilma não perde  mais e  já está mais de 10 pontos à frente do tucano. Pelos números do instituto,  Dilma está com 56% dos  votos válidos (excluidos  brancos e nulos ) e Serra está com 44%.

Ainda ontem, a pesquissa CNT/SENSUS  (ver coluna Coisas da Política) revela uma dado que explica a  derrota de  Serra: Boa parte da classe média, decepcionada, o abandonou.

Nesta terça-feira (19)  o  Vox  Populi já confirmava  e ultrapassava essas previsões  apontando  Dilma com 51% contra 39% de Serra. Considerados apenas os  votos válidos (excluídos brancos e nulos)  a petista está  com 57%  contra 43% do tucano.

Aqui o texto postado em 18-10-10

Carlos Augusto Montenegro, dono  IBOP e informante  privilegiado  dos Marinhos (na verdade ele trabalha na casa) já antecipou para a Globo que Dilma parou de cair e já deve estar  dez pontos à frente de Serra. A Globo geralmente repassa esses dados para os tucanos e alguma coisa acaba vazando para os jornalistas mais antenados.

Na verdade, estas análises do Montenegro e de outros  diretores de institutos são uma espécie de cortesia para clientes especiais e equivalem a uma antecipação das pesquisas em curso.

Seja como for,  Serra e seu  estado maior  estão convencidos  de que a eleição será decidida  com os votos de Marina, muitos dos quais ainda estão em suspensão, no ar.

 Ontem, assim que  saiu do debate com Dilma, Serra perguntou, sussurrando, ao ouvido de  Alckmin: “O PV não vai apoiar ninguém, mas o Gabeira pode, individualmente, me apoiar?” Os jornalistas que estavam ali grudados,  ouviram   Alckmin,  balbuciar apenas um “não sei”. Mas este blog pode garantir que não: Gabeira não poderá dar entrevistas  nem aparecer ao lado de Serra  em comícios ou no horário gratuito. Pelo menos  isto é o que ficou decidido na Convenção de  ontem do  PV. (Veja coluna  Pérolas & Pílulas)

E estas circunstâncias explicam a ação e a estratégia  dos dois candidatos nesta reta final: Serra vai concentrar-se na Região Sudeste (principalmente nas cidade maiores) e Brasília,  onde  Marina  teve a maior parte de seus votos. Já a direção do PT orientou a militância das cidades com menos de  100 mil habitantes, onde  Dilma, quase que  invariavelmente venceu, para  redobrar esforços e conquistar voto a voto.

Empate medíocre        

Para este blog,  ouve um empate  medíocre  no debate de ontem: Serra, indiscutivelmente, tem  mais desenvoltura que Dilma diante da câmeras, mas já está colando nele a imagem do espertinho que tergiversa e  foge das perguntas. Dilma, do outro lado,  não consegue ser espontânea e natural. E quando resolve improvisar, fica ansiosa, gagueja  e perde a respiração.

A sorte da petista é que seu discurso é mais  coerente e tem mais apelo popular. Ela sempre vence quando compara Lula com FHC e leva  Serra às cordas, quando levanta a e questão das privatizações.

16-10-10

No  momento  houve  uma estabilização.
Disputa  com leve  vantagem para Dilma

Fiquemos  apenas  com os números da DataFolha. Não porque ela é  mais confiável, mas porque, coincidentemente  seus números, neste momento,  representam a média de todos os  institutos. Além disso, ela foi á única que já fez duas pesquisas  no segundo turno (8-10 e 15-10) o que ajuda a estabelecer um tendência.

Em linhas gerais, os números da DataFolha  revelam o que já poderíamos chamar de estabilidade depois na tempestade. Nos votos  válidos (excluídos nulos e brancos) Dilma está, hoje,  apertados oito pontos à frente de Serra. 54% a 46%, exatamente como na  pesquisa de 8-10. Outro aspecto importante é o d índice de rejeição. Na última semana, o  de Dilma caiu um ponto e o de Serra  subiu três, ficando tecnicamente empatados na faixa dos  36/37%. Isto revela outra tendência de estabilização.

Na  última semana que antecedeu a eleição de 3 de Outubro, um tufão sacudiu as o deserto da calmaria eleitoral e levantou, como grãos de areia, nada menos que 30 milhões de votos (os 20 de Marina  mais 10) que ficaram em redemoinho até que assentaram, nos últimos  dias. E quando assentaram, verificou-se que a vantagem de Dilma sobre Serra,  baixou dos  folgados 20 pontos para os atuais 8.

Os  amigos leitores que acompanham este blog com regularidade, sabem que advertimos com grande antecedência, primeiro que Marina desmoralizaria os institutos que , por incompetência ou má fé, não captaram o vertiginoso crescimento  da candidata verde. Mais de um vez dissemos que ela já estava ultrapassando Serra no Rio e em Brasília, duas cidades que, de certa forma,  antecipam uma tendência nacional.

E é importante assinalar que, como sempre dissemos, durante essa  primeira fase, Marina retirou muito mais votos de Serra do que de Dilma. Eram os votos envergonhados que  caiam  sobre  tucano por falta e alternativa, já que seus dono não votaria jamais em Dilma ou em qualquer candidato PT. Um voto, enfim, de classe média para a qual Marina, habilidosamente, direcionou seu discurso. Agora, no segundo turno, era natural que  a maioria deste tipo de voto refluísse para Serra.

O outro fenômeno, que mudou o destino do primeiro turno, retirou votos  diretamente de Dilma. A ele  eu dei o Nove de Efeito Evangélico, ou Xiita. Foi quando, há menos de uma semana da eleição, intensificou-se uma boataria maldosa e  muito bem orquestrada,  afirmando que Dilma era a favor  da legalização do aborto e, principalmente,  representava valores antagônicos aos valores cristãos.

 A importância desse  fenômenos é a de que  ele  persistiu na primeira semana  do segundo turno, o que explica o fato de Dilma ter mantido a tendência de queda, enquanto Serra mantinha a tendência de  alta.  Isto é diferente do  Fenômeno  Marina que transferiu (na verdade devolveu)  seus votos para Serra, quase que instantaneamente, assim que se fecharam as urnas do primeiro turno. Deixando, assim, de ser tendência, para ser fato consumado.

Baixarias e exigências

 Para explicar, portanto, o fato de Dilma ter interrompido sua trajetória de queda, é preciso admitir o acerto de duas medidas adotadas de forma paralela, mas  em níveis diferentes. A primeira foi uma resposta da candidata, direta, violenta e inesperada, na frente do próprio Serra, mas dirigida à  mulher dele, Mônica, que num inenarrável ato de baixaria política, dissera que ela (Dilma) “iria matar criancinha”, referindo-se ao  aborto.

Casos assim exigem resposta dura e imediata mesmo correndo-se o risco de  se perder alguns pontos segundo a teoria (mais lenda que teoria) de que quem  bate  se dá mal. Tudo depende, evidentemente, do jeito de bater e das circunstâncias. Naquele momento (o  Debate da Band) Serra, meio atordoado, percebeu que se continuasse batendo iria levar o troco.

A outra providência que pode  ter ajudado a candidata petista, foi  tão polêmica que  provocou reações  dentro do próprio PT. Trata-se de sua total submissão aos caprichos de um punhado de pastores  evangélicos radicais  (alguns  deles extremamente  ambiciosos e gulosos) que arrancaram dela  uma declaração  (mais manifesto que declaração), comprometendo-se  com  os  valores que eles consideram como verdadeiramente cristãos, embora não correspondam exatamente aos sentimentos da  maioria da Nação.

Ocorrer que numa  eleição  em que  cinco pontos podem fazer toda a diferença, não dá para ficar dando sopa para o azar. E se a Dilma fosse esperta, instaria Serra a fazer declaração igual.

Enfim,  se realmente foi obtida a estabilização e  sustada a tendência de queda,  o negócio, agora, além do feijão com  arroz (mais educação, mais  segurança e  mai saúde), é sublinhar  o eixo  ideológico: a importância do Brasil emergente, líder continental e  dotado do e um estado robusto o suficiente  para evitar  novas privatizações e consertar os desmandos e injustiças do Mercado.

Mas, sobretudo, os marqueteiros precisam  corrigir a falha  inicial, só agora  timidamente corrigida. Dilma não pode ser apresentada como alguém sustentada por Lula.  Na verdade ele é que foi sustentado  pela retaguarda que ela lhe oferecia. E isso tem que ser dito, à exaustão, pelo próprio  presidente.

 

10-10-10

Data Folha: Efeito  Evangélico  balançou Dilma.
Mas os  votos de Marina não ajudam José  Serra  

Se a eleição fosse hoje, Dilma  venceria  com 54%  dos votos válidos, contra 46% de Serra. Mas  ainda é cedo para dizer que está é um tendência irreversível.

O essencial numa análise de pesquisa, sobretudo se  quisermos fazer um prognóstico, é  captar uma tendência. Para isso é  fundamental a existência de uma série de pesquisas, mais de duas, pelo menos. Como ainda não há esta circunstância, não vamos nos meter a fazer previsões. Tudo o que se pode dizer agora, é que as coisas não estão tão feias para Dilma, com pareceram  num primeiro momento,  após o 3 de Outubro.

Por  enquanto, o único dado de comparação possível  é entre a pesquisa DataFolha divulgada  ontem (sábado) e a última pesquisa do mesmo instituto (sobre a hipótese de um segundo turno) realizada às véspera da eleição da semana passada. Verificamos, então, que Dilma perdeu três ponto, Serra, ganhou um ponto  é o número de   indecisos e votos nulos cresceu três pontos. Assim: em 2 de Outubro, Dilma tinha 52%, Serra 40% e a nulos e  indecisos 8%.  Hoje temos Dilma 48%, Serra 41% e nulos e indecisos 11%.

Pode-se  tirar daí, duas  conclusões importantes:

1- O Efeito Evangélico que eu prefiro chamar de  Efeito dos Cristãos Xiitas deve ter sido o responsável  pela queda de três pontos de Dilma e o  aumento de  três pontos  no número de nulos, brancos e indecisos. E é provável  que esta parte do eleitorado vote em banco ou migre para  Serra, o que provavelmente já está acontecendo.

  2 – Como Serra, até aqui permaneceu praticamente estável, mesmo que se considere que ele ainda receba mais um ou dois  pontos  por conta  do voto xiita, surge a grande pergunta: como foram em 3 de Outubro e estão sendo agora, distribuídos os votos de Marina Silva? E a reposta, matematicamente falando, só pode ser uma.  Estes votos foram e estão sendo distribuídos meio a meio entre Dilma e Serra.

A  esperta neutralidade de Marina

Agora, se olharmos o miolo da pesquisa  encontraremos um detalhe importante: entre  os indefinidos, quando instigados  a  antecipar uma decisão, Serra  leva vantagem de  um ponto sobre Dilma. Como estamos falando de um horizonte de  11% dos votos (nulos brancos e indecisos) temos que  esse ponto a favor de Serra é insuficiente. Para ultrapassar Dilma ele precisa que 8 em cada 11 indecisos vote nele. Algo praticamente  impossível até porque, historicamente, os votos nulos e brancos  no próprio dia da eleição ficam em torno de 5,5%.

Isto quer dizer que Serra depende  de um apoio explícito de Marina para eliminar a diferença que o separa de Dilma. Mesmo assim e como a própria  candidata verde  reconhece , uma palavra sua não faria com que  todos os seus eleitores votassem nesse  ou naquele candidato.

  Ocorrer que, além disso,  ninguém mais duvida que Marina já decidiu manter sua  neutralidade. Ontem mesmo,  metralhada por perguntas de jornalistas, ela deixou escapar que, se na Convenção do próximo dia  17, o partido decidir apoiar um dos candidatos, ela respeitaria o resultado, mas não exclui a hipótese  de “uma posição minoritária”.

E nem poderia ser de outra forma, porque e ela o mundo político sabem que  apoiar  Dilma ou Serra, num momento em que só se fala  que o PV (controlado por picaretas) está  barganhando  ministérios e secretarias estaduais, seria um suicídio  político  e jogar pela janela  os 20 milhões  de votos  que fazem com  ela sonhe  em disputar novamente a presidência em 2014.

Veja mais sobre o mesmo tema na matéria  abaixo e nas colunas Coisas da Política e Pérolas &  Pílulas.

7-10-10

Serra  tem o apoio dos cristãos xiitas,
PV divide-se e Marina sobe  no muro

Neste primeiro round do segundo turno quando os adversários, naquela fase de estudos, ficam  apenas saltitantes um diante do outro, já foi possível perceber pontos fracos e fortes de cada um. Por exemplo, parece fora de dúvida que Serra receberá o apoio da maioria dos chamados  “cristãos xiitas” aqueles que,  criacionistas, lêem a Bíblia ao pé da letra, assim como o maluco do Ahmadinejad lê o Corão. Em compensação, o PV de Gabeira  e Sirkis  que chegou a anunciar o apoio ao tucano, está  rachado de alto a baixo.

Os xiitas, radicados nas camadas inferiores da  classe média, caracterizam-se pelo sectarismo que não raro  descamba para os ataques verbais grosseiros  e até mesmo agressão física, como a  invasão e depredação de templos adversários, fatos cada  fez mais comuns no noticiário policial. Entre eles  as mulheres são maioria e o nível de escolaridade, via de regra, é baixo.

Seu apoio, entretanto, tem peso importante, porque embora não represente 10% do eleitorado ( não confundir com o número total de evangélicos que é muito maior) suas assembléias, mesmo  guardando  sua individualidade, funcionam  como integrantes de uma grande colméia. Trata-se, portanto, de uma  poderosa máquina eleitoral. O lado negativo  é o de que o candidato terá que carregar o peso de ser o representante do neobscurantismo  que assola o Mundo  neste início de século.

Um balcão ao ar livre

O PV de  Gabeira e Sirkis é um curioso fenômeno do verde que apodreceu antes de amadurecer. Esta dupla de neopicaretas transformou o palanque do partido no Rio num balcão a céu aberto. Um parte foi vendida  para o Serra  e a outra para o Guilherme Leal, o bilionário presidente  da Natura e vice de Marina. O achaque por ele  sofrido foi  tão violento que ontem,  desvencilhado dos compromissos de campanha, ele disse, enojado, que não apóia Serra (o candidato de Gabeira) de jeito nenhum.

E a coisa  vai mais além. Como todos sabem, a  Natura  é uma   empresa de cosméticos que, como  a Avon, possui um exército de  vendedoras a domicílio. Trata-se de um importante  instrumento eleitoral se bem  explorado. Pois bem, pelo menos no Rio, já é visível que  este exército  está trabalhando para Dilma Rousseff.

No mais, o Partido Verde foi retalhado e vendido aos pedaços pelo País afora. Tem verdes pra todo gosto,  até os que defendem sinceramente  o desenvolvimento ecologicamente  sustentável.  Mas maioria está mesmo é correndo atrás de grana  ou de um sinecura, como se dizia antigamente.

O silêncio de Marina

Há, por exemplo, o PV de Zequinha Sarney, o  último presidente eleito da legenda, mantido  debaixo da cama durante as eleições. Este, por motivos óbvios, apóia  Dilma. Há, também,  o PV do ministro da  Cultura de Lula, Juca Ferreira,  que evidentemente quer manter o cargo. E esta  situação se multiplica pelos  estados. Todos querem  permanecer ou conquistar as secretarias de Meio Ambiente. Como o PT e seus aliados venceram em 80% das unidades federativas, é evidente que  a Dilma sai ganhando nesta frenética corrida aos  cargos e seus cofres.

Diante desse quadro  tenebroso e  consciente de que não tem como transferir  sua votação para este ou para aquele candidato,  Marina manterá a neutralidade. Se, dentro de  dez dias, o partido, durante sua  convenção, formalizar seu apoio para um dos concorrentes, ela disciplinadamente acatará a decisão. Mas, em seguida, mergulhará no silêncio, para preservar seu capital político.

Sobre o mesmo tema, leia mais na  matéria abaixo e na  coluna Arte & Manha.

04-10-10

Derrota dos institutos de pesquisa e amargas
 vitórias para Dilma Roussseff e  Marina Silva

Creio ter dito neste blog, mais de uma vez, que  Marina Silva iria desmoralizar os institutos de pesquisa que, por  malícia ou incompetência, não captaram seu avanço  extraordinário nas últimas semanas e principalmente nos últimos  dias. Pois desmoralizados eles estão, não porque erram feio em relação a Marina, mas porque erram em praticamente tudo.

Nenhum instituto deu menos de  50% dos  fotos válidos  para Dilma  ou mais de 17% para Marina. Todos  erraram, portanto, muito além da margem de erro. E todos nós analistas que  dispúnhamos  dos  números das pesquisas como único material de trabalho, evidentemente também erramos.

O prato frio de Marina

Sobre Dilma  Rousseff e sua vitória com  sabor de derrota vou falar logo  mais adiante.  Primeiro   quero comentar outra vitória, a de Martina Silva. Vitória que carrega os travos  amargos da vingança e da traição, dois pratos frios e indigestos. A vingança foi perfeita, porque incidiu exatamente sobre aquela  que provocou sua saída do Governo Lula e do PT que ela fundou ao lado de Chico Mendes.

 A traição, Marina  cometeu contra ela mesma a  ex-guerreira ecológica da selva que tanto quanto Chico sabia não há salvação ecológica para a  Amazônia, nem para o Planeta,  nos marcos  do modo de produção e consumo capitalistas.

Agora, a candidata da Natura, ao lado de seu  vice de dois bilhões de dólares, imagina dispor de um grande capital político e não  faltarão analistas para dizer que ela é, no momento, a terceira maior força política do País.  Entretanto, ela não é nada disso. Tudo o que há é um  discurso falsificado na última hora para  ficar ao gosto de uma classe média que tinha vergonha de votar em Serra. Classe média esta que egoísta, utilitária e prática a descartará assim que ela se  tornar  inútil ou inconveniente.

Da antiga Marina  não sobrou nem o discurso ecológico, porque o atual  pode ser defendido por qualquer um, até pela Míriam Leitão. O esvaziamento final virá já agora no segundo turno quando, mesmo que ela, Marina, declare  hipocritamente sua neutralidade, seu partido é um balcão de negócios  administrado por Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis que o venderão, se já não o venderam, a Serra.

 A difícil tarefa de Dilma Rousseff.

Para quem partiu, há poucos meses, do marco zero, pode-se dizer que Dilma Rousseff é uma vitoriosa. Mas sua vitória, na reta de chegada, transformou-se em frustração, porque nem ela, nem ninguém do PT imaginava que haveria este segudo turno. Segundo turno que será uma pauleira que se explica com estes números: a diferença de Dilma para Serra é de pouco mais de 12 milhões de votos e Marina obteve cerca de 18 milhões de votos. Como evitar que a maior parte dos eleitores da candidata verde migrem para o tucano?

No mais, Dilma cometeu poucos erros. Entretanto, um foi fatal: o de não ter imprimido sua própria marca na campanha, logo ela que é acusada de autoritária.

No início era natural que fosse apresentada ao grande público que a desconhecia, como “a candidata do Lula” Mas em algum momento, ela teria que se mostrar como ela mesma e com seu próprio projeto. Não lhe faltam biografia e competência para isso. Que ela não persista no erro nesta campanha completamente nova que se inicia.

Serra ou Aécio?

De Serra, pode-se dizer o oposto do que foi dito sobre Dilma e Marina. Sua derrota teve o sabor de vitória. Durante meses ele construiu seu fracasso com arrogância, incompetência e método. Entretanto, quando ninguém mais acreditava nele, nem seus colaboradores mais íntimos, eis que o tucano surge como candidato viável ao segundo turno.

Dirão que o mérito não foi dele, mas de Marina que com sua sua arrancada final adiou a decisão eleitoral. Mas reconheça-se que  Serra realmente tem nervos de aço ou sangue de barata, como queiram. A verdade é que em nenhum momento ele se apresentou desanimado ou como derrotado. Quem não esperava nada disso e não está gostando do que está vendo é Aécio Neves. A derrota de Serra era fundamental para  que ele iniciasse sua carreira solo como principal expoente das oposições. Não vai ser assim: Serra e os tucanos paulistas (ainda mais com as vitórias de Alckmin em São Paulo e de Beto Richa no Paraná), seguirão mandando ou tentando mandar no PSDB que será o único partido oposicionista com visibilidade, já que o DEM morreu.

30-09-10

Datafolha  já  faz  conta de  chegar para não se
desmoralizar. Fator Evangélico será  decisivo

Para não se desmoralizar completamente, a DataFolha começa a fazer conta  de chegar. Na pesquisa de  quarta-feira (29)  ela estava defasada cinco pontos em relação à  média  dos demais institutos. Na pesquisas de hoje  ela  “consertou” a margem de erro e colocou Dilma com  47% contra 28% de Serra. Além disso, reconheceu que Marina já ultrapassou os 15%. Mesmo assim, continua destoando da média. Nenhum instituto, nem o IBOPE, coloca Dilma com menos 50% e Serra com mais de 27%.

Como antecipamos ontem neste blog,  Fator Evangélico poderá ser decisivo  para determinar  se haverá ou não  segundo  turno. O comando da campanha petista  descobriu muito tarde que o crescimento rápido de Marina nas últimas duas semanas  não era apenas um  fenômeno de classe média que transferia votos de Serra para ela, deixando a votação de Dilma praticamente  intacta.

 Na verdade,  a candidata verde está  retirando  alguma quantidade de votos, diretamente de Dilma,  nos  setores evangélicos  de baixa renda e, principalmente, entre as mulheres evangélicas. No Rio este fenômeno é visível a olho nu e explica o fato de a petista ter perdido dois pontos na região Sudeste e  no voto feminino. Veja matéria detalhada  na  coluna  Pérolas & Pílulas deste blog.

Isso explica  porque,  ontem, Dilma  elegeu como principal ponto de sua agenda, o encontro com  duas dezenas de pastores protestantes. E à saída,  fez a  inesperada e de certa forma  gratuita declaração de que  é contra o aborto. Marina, imediatamente acusou o golpe  e  hoje saiu dizendo que,  neste item , Dilma mudou de opinião. Tudo isso revela a importância do voto evangélico nesta reta  de chegada.

Gilmar  Mendes ataca de novo

A ser verdadeira a informação da Folha,  Gilmar Mendes, ministro  e ex-presidente do Supremo, é mesmo um pestinha, além de tucano, evidentemente. Ele pediu vistas  ao processo,  no exato momento  em que se encaminhava para o final a votação sobre se será ou não necessário a apresentação de  dois documentos  (um com foto) nas eleições do dia  3.

Parece um  detalhe bobo, mas   se a exigência  for mantida,  Dilma poderá perder  algo como  dois milhões de votos  junto  a setores mais populares, principalmente  no Nordeste. Setores estes que tem dificuldade para  lidar com a  burocracia  e com documentos.

A questão maior é a de que Mentes tomou essa decisão inconveniente ou imprópria depois, segundo a Folha, depois de ter recebido um telefonema de  José Serra.  Quanto ao candidato tucano, nenhuma surpresa. Este é mesmo o jeito, sujo, que ele usa para fazer política. Quanto ao Mendes, é pouco dizer que ele é  pestinha. Escolha aí, leitor, o adjetivo que você considera mais adequado.

Veja mais  sobre o mesmo tema na matéria abaixo e nas colunas Pérolas & Pílulas e Arte & Manha.

26-06-10

Aécio será o líder da Oposição. Mas que Oposição é esta?

Não há muita discussão sobre esta questão: Aécio Neves  desponta, nesta véspera de eleição, como o principal líder das oposições  nos próximos quatro anos. E é aqui que iniciam as  dúvidas. Porque, desconjuntado e  carente de uma reciclagem geral, o setor  oposicionista  vai mudar  o discurso e algumas de suas siglas.

Aécio tem uma vantagem e um problema. A vantagem é sua inegável habilidade política que, aliada à sorte, fez com que ele jogasse para o alto seu  principal  adversário, José Serra, o destroçado.  O problema  é a sua escassa vocação para o embate oposicionista. Conciliador nato, como seu avô Tancredo, ele terá dificuldades para bater  em um novo  governo que inicia surfando uma onda de altíssima popularidade.

É provável, por isso, que  mineiramente  Aécio evite o confronto em campo aberto e  dê preferência à guerrilha  dos bastidores, onde  tentará seduzir, o principal parceiro  da presidenta , o PMDB, altamente seduzível desde sempre.

Com Aécio,  o discurso neoliberal  do tipo estado mínimo, desaparecerá de vez. Primeiro porque ele nunca foi muito chegado a esse tipo de coisa e, como governador, faz a CEMIG (estatal mineira) comprar a Light do Rio. Segundo, porque  foi um dos primeiros oposicionistas a perceber   que a  Crise  Norte Americana decretou  o fim dos paradigmas neoliberais. E foi por isso, aliás, que ele se deu tão bem e o Serra tão mal.

A tônica do discurso oposicionista será o da defesa do cidadão e da  imprensa (carterizada pelo Setor Financeiro) contra o  Dragão Chavista  que avança sobre o Continente. Isto encontra eco em largos setores da classe média,  mas será suficiente para  levar Aécio à presidência em 2014?

Um dos principais  e leais colaboradores de Aécio, o mesmo que cunhou a frase “Minas não vai de Garupa” que foi o grito do rompimento do mineiro com  Serra, confessou a este blog que os números são desanimadores. Até onde a vista alcança, no campo das oposições  tudo o que se vê são escombros fumegantes.

Vejamos alguns números:

A Onda Vermelha

Em um mês, Dilma cresceu dez pontos e ultrapassou Serra em São Paulo. Ela foi de 33% para 43% no Estado administrado pelo PSDB há quase 16 anos. O tucano caiu 11 pontos para 29%.

 No mesmo período,  José Serra perdeu a dianteira no Rio Grande do Sul, caindo do 39% para 31%.  Dilma foi de 37% a 46%. E até  no Paraná e Santa Catarina, seus  redutos  aparentemente inexpugnáveis,  o tucano está sendo ultrapassado pela  petista.

Segundo o último Vox Populi, Dilma está bem na frente em SP, RJ, DF, RS, PE e BA, sem falar na própria Minas de Aécio, enquanto Serra perdeu pontos em todas as regiões.

Já Marina Silva apresentou crescimento nesses sete estados citados. Destaque para o Rio de Janeiro, onde ela cresceu seis pontos e chegou a 17% das preferências – mesma pontuação obtida por Serra. No Distrito Federal, ela passou de 14% para 18% e empata tecnicamente com o tucano que tem 20%.

Marina também avançou em São Paulo (9% para 12%), Bahia (5% para 9%), Pernambuco (de 6% para 8%) e Rio Grande do Sul (6% para 7%).Na verdade, nos últimos dez dias,  a candidata do PV foi a única que cresceu.

22-09-10

Próximas pesquisas já vão captar a Onda Verde
que varre as classes médias das maiores cidades

Um place para a História: nunca antes neste País foi tão empolgante a disputa pelo segundo Lugar. Marina  arranca na reta de chegada e  Serra perde o fôlego.

Como faz habitualmente, Carlos Augusto Montenegro, dono do IBOPE e agregado da Família Marinho, já antecipou para seus patrões que as pesquisas deste fim de semana já vão traduzir o  fenômeno da Onda Verde que atinge cidades  com mais de  500 mil habitantes no Centro-Sul do País: a classe média está-se transferindo em massa  de  José Serra para Marina  Silva.

Como as Organizações  Globo repassam estas informações para o Alto Comando da  campanha tucana, ali já se sabe que  quanto mais Serra bate em Dilma, mais seus eleitores fogem para Marina. É um desespero, para o qual, a uma semana da eleição, não há remédio. Nem mesmo a promessa, tão inusitada quanto desmoralizante, de  aumento imediato do mínimo para 600 reais. A campanha tucana não é levada a sério por mais ninguém.

A preocupação agora é a de impedir que o desastre de Serra contamine as campanhas para os governos estaduais, onde o PSDB tem reais chances de vitória, como São Paulo, Minas, Paraná e Goiás entre outros. Mineiros e goianos já  deixaram claro que “seria muito  bom” se Serra não aparecesse por lá.

Como já explicamos nesta coluna (em matéria que você pode ler logo abaixo desta e na coluna Pérolas & Pílulas), há uma semana  teve  início uma maciça transferência de  votos, de classe média de Serra para Marina. Geralmente, esse fenômeno, que tem início nas cidades maiores, se expande, na sequência, para os setores mais populares. Isto só não ocorrerá agora, plenamente, por  falta de tempo.

Desnecessário repetir aqui que o Desastre de José  Serra  corresponde à falência de seu discurso, atrelado  aos paradigmas  neoliberais: estado mínimo, etc. Com Dilma Rosseff, o Brasil retoma uma tradição histórica que fez com que, entre os  anos 40 e 80, no século passado,  fossemos  a economia que mais cresceu no Planeta, exatamente graças à intervenção do estado. Quanto a Marina, oportunista e ambígua, ninguém é capaz dizer como seria o seu  governo em questões  essenciais como a do tamanho  e  a da  ação do estado. 

Saiba mais sobre este tema na matéria logo aí abaixo e nas colunas Pérolas & Pílulas  e Arte & Manha.

18-09-10

Nem o  IBOPE consegue  ocultar mais:
Marina já está no vácuo de  José Serra

Não haverá  segundo turno (Dilma chega a 51%) Serra cai para 25% e Marina  vai aos  14%, na margem de erro.

O último favor que  a Datafolha e o IBOPE puderam fazer para  José Serra, foi segurar, no limite da margem de erro e da desmoralização,  as intenções de  voto em  Marina Silva. O próprio presidente do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro, um notório  manipulador de pesquisas, mas  muito entendido no assunto, já dissera há três meses que quando a candidata  verde ultrapassasse os 10%, ela seria uma séria ameaça para o tucano.

E é exatamente isso que este   blog vem dizendo há semanas. Na verdade, trata-se de um fenômeno simples: Marina e Serra, pescam nas mesmas águas da classe  média, onde um grande contingente de eleitores iria  votar  no paulista, tapando o nariz, apenas para evitar a eleição de Dilma.

 Na medida em que surge  uma candidata com imagem ética um pouco melhor e com um discurso conservador porém moderninho, começou o processo  de transfusão de votos. E essa  baldeação acelera-se agora com a introdução do fenômeno do voto útil, quando  aumenta a percepção de que  determinado candidato, no caso Marina, é mais viável que o outro, Serra.

Mas o que selou  mesmo a sorte de Serra, além de seu discurso obsoleto e incongruente, foi sua última investida  no campo ético, quando passou a atacar Dilma frontalmente, sempre esgrimindo  argumentos morais, logo ele que tem em sua retaguarda expoentes da moralidade como Paulo Maluf, Orestes Quércia e  Roberto Jefferson.

Criou-se, com isso, um clima de  repugnância geral e tudo o que Serra conseguiu foi retirar dois ou três  pontos de Dilma no eleitorado com remuneração superior  a 10 salários. Mas  quem despencou neste seguimento, foi ele mesmo: mais de  cinco pontos. E os votos perdidos pelos dois, foi  parar no  samburá de Marina.

A disparada de Marina Silva

Com os últimos resultados, Dilma seria eleita no primeiro turno se a eleição fosse realizada hoje, com 58% dos votos válidos – excluídos os nulos e em branco e os eleitores indecisos.

A três semanas da eleição, a pesquisa mostra aumento da expectativa de vitória da petista: para 72%, ela será a sucessora do presidente Lula. Há duas semanas, eram 69% os que faziam essa previsão. Os que acreditam em uma vitória de Serra eram 17% e caíram para 14%. Os índices de rejeição se mantiveram inalterados: 19% para Dilma e 26% para Serra.

No seguimento de maior renda e escolaridade, Marina teve o maior crescimento, e Serra a maior queda. Entre os eleitores com escolaridade superior – em tese, os mais bem informados sobre os últimos escândalos. Nessa faixa, a candidata do PV cresceu oito pontos porcentuais, chegando a 21%. Já o tucano caiu de 36% para 30%, enquanto Dilma permaneceu com 36%.

Na divisão do eleitorado por gênero, Marina subiu quatro pontos entre as mulheres (de 8% para 12%) e três entre os homens (de 7% para 10%). Dilma manteve seus porcentuais, enquanto Serra passou de 28% para 25% entre as mulheres de 27% para 24%  entre os homens.

A Geografia do voto

A divisão por regiões mostra que o candidato do PSDB perdeu eleitores no Sudeste: passou de 31% para 24% em duas semanas. No mesmo período, Dilma subiu, chegando a 48%, o dobro do índice de intenção de voto do principal adversário. Marina, na região que concentra a maior parcela do eleitorado, passou de 10% para 14%. O Sudeste pode ser considerado com a região síntese do eleitorado. E é aqui que Marina mais cresceu.

A candidata do PV dobrou o número de simpatizantes no Sul, de 5% para 10%. Na região, Serra se manteve com 35% e Dilma oscilou de 44% para 42%.

Marina só não subiu com índice superior ao da margem de erro no Nordeste, onde aparece com 7% – tinha 6%. Dilma continua líder disparada entre os nordestinos, com 66% das preferências, mesmo patamar da pesquisa anterior, Serra variou de 18% para 16%.

A matéria logo aí abaixo complementa o raciocínio desta.

16-09-10

Datafolha confirma: Não haverá segundo
 turno. E  Marina  encosta  em  José Serra

Não há mais dúvida de que  a Direita e sua  mídia apátrida e golpista estão sofrendo uma derrota  histórica. E considero um equívoco supor que  a  vitória consagradora de Dilma  Rousseff deve-se apenas à fantástica  popularidade de Lula  e a um  bom esquema de marquetagem que garantiu a transferência de luz do presidente para a  candidata.

Esta fragorosa derrota da Direita é antes de  tudo, uma derrota dela mesma,  de seu discurso pífio e de sua cegueira diante de uma  nova realidade mundial que se abriu a partir da Grande Grise  Norte-Americana que representou a falência  do estado neoliberal e a percepção de que  não  faz sentido que a  Humanidade seja governada pelo Mercado, um monstrengo.

É claro que cada eleitor, individualmente,  não faz  este tipo de raciocínio com tintura  sociológica e acadêmica, mas  existem sentimentos abrangentes  que se  impõem de forma sutil porém efetiva. Só os cientistas políticos com  muita sensibilidade e o líderes de grande tino, percebem isso, sobretudo quando o fenômeno ainda é  embrionário  ou está em desenvolvimento.

Há momentos na  história dos  países em que se estabelece um tipo de corrente ascendente que, invisível embora, produz efeitos concretos. E o Brasil vive  um desses momentos que é de afirmação nacional e de orgulho genuíno  em relação às realizações do Estado. No passado a criação da Petrobras e a  construção de Brasília foram  marcos de  momentos semelhantes. Hoje, estes marcos  são os que assinalam o crescente prestígio internacional do País e,  internamente, a inclusão social.

Os números da nova pesquisa

Quanto aos números da ultima pesquisa, eles  confirmam o que dissemos na semana passada. Apesar de perder alguns pontos  na classe média (renda superior  a 10 salários), Dilma Rousseff continua  crescendo no cômputo geral. Passou de 50% para 51%. Isto é sinal  de que ela ainda tem  terreno para crescer nos setores mais populares.

O mais importante, porém,  é que  tonou-se mais visível a transferência de votos,  da classe média que estão baldeando de Serra para Marina. Ambos permaneceram estáveis em relação à pesquisa anterior. Mas, na margem de erro  Marina á poderá estar com 14%. Outra curiosidade: quando maior a renda, maior a transfusão do tucano para a verde.

E se  nos concentramos na  Região Sudeste que  reúne os três estados mais populosos e mais importantes, veremos que aqui  Marina foi  a única que cresceu, passando de 13%  para 14%.  Dilma estabilizou nos 46%  e  Serra no 29%. Finalmente, se  consideramos que  a candidata do PV  já ultrapassou Serra  no Rio  e está empatada em Brasília, duas  cidades que  antecipam  uma tendência nacional, poderíamos afirmar que  até  às eleições, a diferença entre os dois  deverá  cair para menos de 10 pontos.

12-09-10

Direta abre sua  caixa de ferramentas
 para tentar chegar ao segundo turno

Montenegro do IBOPE e o pessoal da DataFolha estão dando tempo integral na assessoria da campanha tucana. Como especialistas, o que eles fazem é a leitura fina ou “por dentro” das pesquisas. Com lupa, vão descobrindo  alguns números que podem revelar tendências.

Sendo  assim, o comando do PSDB já sabe que  o “Escândalo da Receita”, já mexeu com o voto da classe média, mais de dez salários mínimos e nível de escolaridade superior. O problema é que este setor está se deslocando de Serra para  Marina.  No cômputo geral, Dilma  se mantém  inabalável  e  foi a única que cresceu nos setores mais populares.

A pergunta é:  como faltam menos de três semanas, haverá tempo para que a  onda criada na classe média  se erradie  pelos setores mais populares? O problema da Direita é que sua mídia  só  se identifica com a classe média. Para que as classes populares  fossem sensibilizadas  com o “Escândalo da Receita”, seria necessário  que  comunicadores tipo  Faustão ou Luciano Huck  fossem acionados. Mas ai seria guerra declarada.  O JN e o horário  gratuito não têm sido suficientes para  abalar  Dilma.

Os números mais destacados pelos especialistas são os seguintes:

1- No setor  de renda superior a dez  salários, Dilma perdeu cinco pontos em cinco dias, voltando para o patamar de 37% de março. Mas no cômputo geral ela se mantém nos 50%, sinal de eu cresceu ainda mais nas classes populares.

2- A principal  beneficiada  com os deslocamento da classe média foi Marina que chegou aos 23%.  Nesta mesma área, Serra caiu 8 pontos.

3- Marina foi a que mais cresceu  no voto feminino. Passou de 10% para 12%. Dilma  ficou estável. Serra caiu um ponto.

4- No Centro-Oeste  fator Brasília?) Dilma caiu de 51% para 47%. Serra continuou com 29% e Marida  veio de 10 para 14%.

5- No Nordeste, Dilma cresceu de 61” % para 63%. Serra caiu de 20 pra 18%. Marina subiu de 6% para 8%.

O problema da Direita é que ela não consegue  dialogar espontaneamente com os setores populares, a menos que tivesse um candidato fascistão porém carismático. Toda vez que  Serra tenta  ser popular,  soa falso como no anúncio estapafúrdio (partindo dele) de que elevará o salário mínimo para 600 reais. Tudo isso soa como apelação. A alternativa, portanto é continuar batendo na tecla do “Escândalo da Receita” e tentar desencavar  ou requentar  outros ”escândalos”.

O mote de que Dilma é um “envelope fechado”, adotado  por Serra  e pelo Globo, não pega. Há um identidade total entre  Dilma e Lula. Portanto, está tudo escancarado, sem surpresas. O mais curioso, porém, é que nenhum  instituto se  atreve a fazer a pergunta óbvia. Como seria um segundo turno entre Dilma e Marina? Entre Dilma e Serra, todo mudo sabe: 56% contra 35%.

A Direita  já abriu sua caixa de  ferramentas e nível da campanha vai para o porão.

09-09-10

A classe média começa a deslocar-se de Serra para Marina

Com este turbilhão de pesquisas (mais de três por semana), nós que as comentamos corremos  o risco de sermos repetitivos. Faz parte. Mas não posso  deixar de registrar um fenômeno que venho antecipando há semanas e que agora já aparece de forma bem nítida: boa  parte dos eleitores de classe média estão transferindo seus votos de Serra para Marina.

Na média das pesquisas, Dilma ficou estacionada em torno de 50%, Serra caiu  um ponto para 26% e  Marina subiu de 9% para 11%, E, como já  dissemos, a  candidata verde   superou  Serra no Rio e em Brasília, duas cidades que antecipam uma tendência nacional. É claro que  a  três  semanas da eleição Marina não terá tempo para  ultrapassar o tucano, mas a  diferença entre eles será menor  do que a que separa Serra de Dilma. Um vexame.

Pode-se dizer também que  Serra está destruído politicamente, assim como o DEM de Cesar Maia que,  candidato ao Senado pelo Rio, acaba de ser superado por  Lindberg Farias, do PT  e novo fenômeno eleitoral no  Estado. Há três semanas ele estava  15 pontos  atrás de Cesar.

Já o PSDB, apesar de tudo, sobreviverá: disputa o governo com chances de vitória em  pelo menos sete  estados, alguns deles entre os mais importantes: São Paulo, Minas, Paraná, Goiás. A briga de foice mesmo, vai ser pela disputa do comando partidário. De um lado paulistas, paranaenses e gaúchos que tentarão manter a  hegemonia, com as benções de FHC. Contra eles, os iconfidentes de Minas e do Nordeste que querem ver o partido nas mãos de Aécio Neves.

Na matéria logo aí abaixo, você poderá ler todos os detalhes  sobre a evolução dos votos da classe média.

07-09-10

Nas últimas três semanas, tucanos miram
 na reconquista dos votos da classe média

Os casos de violações de sigilos bancários pela Receita Federal fizeram reacender na campanha tucana a esperança de chegar a um segundo turno, desde que sejam recuperados os votos que  Serra perdeu junto à classe média, seu tradicional reduto. Por isso, ele  e sua mídia vão bater nesta tecla até o último dia.

 Entretanto, temos aí duas constatações curiosas que merecem  análise mais detida: a–  desde  o início do horário gratuito, quando os marqueteiros têm que mostrar sua real competência, a votação de Serra despencou; b– se os  votos perdidos pelo tucano não foram todos para Marina que adotou um discurso semelhante ao seu, isto que dizer  houve  uma grande  transferência direta para Dilma.

O leitor que vem acompanhando nossos comentários sobre a evolução do eleitorado, sabe que grande parte desta transferência direta  ocorreu  nos eleitorados  com renda  inferior  a três salários os mínimos e  feminino, os últimos  que a se ligar na discussão  política e a tomar uma decisão eleitoral. Esse seguimento foi,  por assim dizer, apresentado a Dilma pelo horário gratuito e ficou “sabendo” que ela  é  pelo menos tão boa administradora  quanto se imaginava que o Serra era, com a vantagem de ser a candidata do Lula.

Era de se esperar, portanto, que este fenômeno de transferência  cessasse  quando  esta fase de apresentação estivesse concluída e, falando em  linhas gerais, todos já soubessem  quem é quem nessas eleições. Isso ocorreu há duas semanas. Entretanto  (e este é o ponto), Dilma continuou crescendo e Serra continuou despencando. O que houve?

Os votos da classe média

Houve que boa parte da  classe média  pendeu para Dilma. E  aqui a  análise fica extremamente complexa. Mesmo assim,  vamos tentar destrinchar isso, separando três vetores principais:

1- Há um setor da classe média emergente e pragmático, avesso às ideologias e que  vota pensando em seu caso particular, na sua vantagem pessoal. Estas pessoas odeiam o comunismo  ou  qualquer coisa parecida, tipo Hugo Chávez. Querem, basicamente, segurança e poucas dúvidas quanto  ao futuro. Foi aqui que o marqueteiro de  Serra perdeu de e  10 a zero para o de Dilma. Ambígua, a propaganda tucana não conseguiu  mostrar que  Dilma  era uma ameaça e que  Serra era o antídoto. Tudo porque o paulista  temeu bater forte em Lula. Já o marqueteiro petista mostrou que com Dilma não haveria surpresas nem solavancos. Além disso, este setor vê com bons olhos  a parceria (harmonia) entre as esferas federal, estadual e municipal, o que foi bem explorado nos programas do PT.

2- Há também um setor da classe média com pruridos  ideológicos que remontam aos Anos Rebeldes. Este pessoal,  hoje aburguesado  e com conta recheada no banco, poderia  votar  no Serra, tapando o nariz, mas votaria. Como surgiu Marina, a preferência  é dela. Votar na  candidata   verde  faz   as pessoas se  sintam atualizadas, sem que seus ativos financeiros   corram o menor risco.

3- Há, finalmente,  um largo setor da classe média que  torce pelas esquerdas  ou milita ostensivamente. Estes jamais votariam em Serra,  nem em Marina que  trocou de lado muito afoitamente.  Poderiam votar em Plínio, mas Plínio não vingou.  Então votariam em Dilma, mas  sem se mobilizar. E foi exatamente este grupo que fez a diferença (o eixo ideológico). Foi o grupo que sensibilizou-se com os primeiros programas  explorando  o passado guerrilheiro de  Dilma. Assim a petista adquiriu  uma mobilização  altamente multiplicadora de votos. O Twitter dá mostras diárias disso.

Como resumo da  ópera, depois dessa pequena digressão sobre as  tendências da classe média,  é preciso dizer que tudo isso teria maior importância se as eleições  ainda estivessem mais distantes. Isto porque situam-se principalmente  na classe  média  aqueles a  quem  chamamos de formadores de opinião. Porém, para  que a opinião deles se materialize em voto concreto na urna, é preciso que decorra um certo tempo de maturação. Tempo este que já não há. Em três semanas não dá para virar o braço dessa  viola.

Sobre o mesmo tema, leia mais na coluna Arte & Manha.

30-08-10

Dança dos ministérios. Quem fica quem sai
  na transição de  Lula para Dilma Rousseff

Muita especulação, muito balão de ensaio e muitos desmentidos: começou a dança dos ministérios. Dilma, até porque  não pode cometer a gafe de admitir que já está eleita, negará sempre tudo, Mas muitas noticias serão verdadeiras. Nos bastidores, não se fala  em outra coisa. No meio desse tiroteio, aos poucos,  vamos procurar informar  nossos leitores sobre quem fica e quem sai.

Começaremos  com os seguintes três ministérios:

Assuntos Estratégicos

O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, 71 anos, só não fica se ao quiser. Ele é o mais respeitado de todos os ministros, tanto por Lula como por Dilma. Foi  secretário geral  do Itamaraty até o ano passado e  é o responsável (formulador) pela atual política externa.

 Nacionalista extremado, nunca escondeu que  considera  os Estados Unidos e sua  política hegemônica no Continente, como a maior ameaça  à segurança nacional e à  internacionalização da Amazônia. Em um de seus documentos mais importantes, escreveu que o  Brasil não pode deixar de considerar a possibilidade de uma intervenção armada  americana nessa região absolutamente estratégica.

Relações Exteriores

O embaixador Celso Amorim, 68 anos, deve ficar. Sem pertencer a nenhuma cota partidária, foi absorvido e encampado pelo PT. Sua manutenção é considerada importante para  que não se perca todo um acervo de contatos pessoais com  importantes lideranças mundo afora.

Ajudou a transformar  Lula numa figura mundial e teve habilidade para  não se deixa ofuscar nem por  Pinheiro Guimarães, nem por Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente para assuntos internacionais. É um entusiasta do MERCOSUL e da UNASUL (União Sulamericana) objetivos centrais da política externa de Lula, o que continua valendo para Dilma.

Meio Ambiente

Carlos Minc, 59 anos, deve voltar. Da cota do PT, na verdade foi uma indicação do governador do Rio, Sérgio Cabral. Assumiu o ministério em plena crise provocada  pela saída de Marina Silva. Ousado e dinâmico, boa presença na mídia, contornou o constrangimento provocado pelas especulações de que Marina saíra  atritada com Dilma. Atuou bem em Copenhague.

Tirou o governo da defensiva como se  fosse o principal responsável pelo desmatamento da Amazônia, bateu em alguns notórios desmatadores, mas agilizou  todos os processos ambientais que  emperravam a construção das grandes usinas hidrelétricas, causa da crise entre Dilma e Marina. Além do mais, Lula gosta de seus coletes coloridos e de suas tiradas. Se Dilma ouvir seu padrinho, Minc, que saiu para  disputar uma cadeia na Câmara dos Deputados, deve voltar.

25-08-10

Serra decide  ir para o jogo pesado e compara Dilma  a Hugo Chávez

Vivendo os piores dias de sua campanha  que  já era uma sucessão de problemas  e fracassos,  José Serra decidiu elevar o tom da campanha e da radicalização ideológica, acusando Dilma de ser “tão perigosa” quanto Hugo Chávez. A decisão foi tomada  no último fim de semana,de comum acordo com o senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB.

 Eles decidiram também manter no posto o  marqueteiro da campanha, Luiz González ( ver matéria na coluna Pérolas & Pílulas) a quem muitos tucanos e aliados atribuem o péssimo desempenho do candidato. O problema de Serra, não é  o de  não crescer, o que  já seria grave, mas o de cair vertiginosamente, o que é gravíssimo.

O tucano já está vendo Marina Silva pelo retrovisor, que percebendo   a oportunidade, decidiu aproveitar o voto útil oposicionista a seu favor. A partir de agora  um dos principais motes de sua  campanha será o de insinuar  que ela é  a melhor opção oposicionista para  enfrentar  Dilma no segundo turno.

Quanto à comparação de Dilma com Chávez, ela requer um análise absolutamente isenta:

Chávez foi demonizado durante longo tempo pela mídia americanófila. Sendo assim, Dilma pode, realmente, perder alguns pontos nas pesquisas. São eleitores de classe média ou emergentes de toda ordem que  estão satisfeitos com os resultados econômicos do governo Lula, mas que  temem o venezuelano.

De outra parte, Dilma ganhará pontos, talvez em maior número do que os perdidos. Este ganho deverá ocorrer numa área oscilante: sãos eleitores classe média, esquerdistas  (não militantes) que se decepcionam com  o PT por  causa do mensalão   y otras  cositas más. Estes seriam votos potenciais para Marina e  Plínio. Mas  podem refluir para a petista,  diante da constatação  de que ela  é a única  capaz de impedir que um direitista assumido ocupe a presidência do País.

Quanto ao Serra, sua posição faz sentido. É aquela história do ”perdido por perdido, vamos partir pro pau”.  Mas há custos muito grandes: a resposta  inevitável de  Dilma, usando provavelmente seus aliados do PDT, PSB e PCdoB, será  comparar  Serra a Carlos  Lacerda, o maior símbolo da direita golpista no Brasil. Nesse  caso, o tucano não perde os votos dos lacerdista que já iam mesmo votar nele. Mas perde uma soma importante de eleitores que ainda não o tinham identificado com o candidato da Direta, herdeira da  Ditadura Militar.

Marina, que provavelmente evitará entrar nesse tiroteio, sairá no lucro, mas às custas dos votos que Serra perderá e que se transferem quase automaticamente para ela.

Entretanto, vale  ressaltar  que  se esta radicalização acontecer (e provavelmente acontecerá) ficará demonstrado  o que este blog tem afirmado ao longo dos últimos meses: esta será uma eleição que, mais do que qualquer outra nos últimos trinta anos, será decidida  em função do eixo ideológico, sendo certo que esse  eixo pendeu para a esquerda,  em razão de dois fatores principais: a Grande Crise  da  América do Norte (que é uma crise do Capital) e o fato de Lua e  seu PT terem assumido um certo neopopulismo com sabor getulista. 

19-08-10

A Direita sofre derrota histórica e a esquerda terá que
 demonstrar que  é possível fazer revolução pelo voto

Desde Leonard Bernstein* e Karl Kautsky*, “o renegado”,  nenhum marxista revolucionário, empreendeu um esforço teórico sério no sentido de encaminhar   a revolução pelo voto, ou seja, sem romper, abruptamente, pelas armas, o quadro institucional burguês. Sempre foi mais cômodo e conveniente repetir os chavões revolucionários leninistas e aguardar,  sentado,  a ocorrência de condições  objetivas e correlaçãos de forças adequadas.

O problema é que a última vez que  esta conjunção de fatores  favoráveis ocorreu de forma inquestionável, proporcionando uma revolução bem sucedida, foi  em 1959 em Cuba. Está mais do que na hora, portanto, de  examinarmos melhor a questão da Terceira Via,  já famosa e tão mal definida.

Tudo isso vem a propósito da necessidade de chamar a atenção  de  nossos  teóricos e formuladores que, com a vitória de Dilma, provavelmente de forma espetacular e  já no primeiro turno, a  América do Sul  transforma-se no maior reduto esquerdista do Planeta.

Vejamos: teremos  uma ex-guerrilheira  presidindo o Brasil e um ex-guerrilheiro presidindo  o Uruguai. Na Venezuela, Equador e Bolívia temos três bolivarianos revolucionários que  só não são levados a sério pela mídia atrofiada e por marxistas caducos. Finalmente, na Argentina  e no Paraguai, temos dois simpatizantes. Os teóricos que não conseguirem ver nisso uma excelente correlação forças, podem passar no Departamento de Pessoal e pegar  o aviso prévio.

Também podemos falar alguma coisa sobre as condições objetivas: Há, nas  colunas Para entende  a Crise e O Impasse Ecológico, pelo menos uma dezena de artigos que examinam, à exaustão,  o fenômeno que  chamo  de crepúsculo do capitalismo e que  está ocorrendo neste exato momento, quando o  capital perde a capacidade de acumular o seu próprio excedente e fenece. Entretanto, há uma síntese razoável desta questão  nos   últimos  parágrafos do artigo “O Dia em que Bonner virou Jabor”. Este texto é  o segundo,  pela ordem, logo ai embaixo deste que você está lendo.

*Bernstein “o revisionista” , foi  o marxista revolucionário  alemão que formulou,  em confronto com as teses leninistas, a idéia de que era possível construir o socialismo por etapas (reformas) sem romper com a estrutura “democrática” do sistema. Ele é o pai da Social Democracia e o avô dos tucanos.

*Kautsky,  na linha de  Bernstein, confrontou com o Centralismo Democrático de Lênin.

*O desafio, agora, é viabilizar a revolução socialista sem recorrer ao centralismo democrático e sem, por outro lado, enveredar pelas trilhas que  conduziram os sociais democratas ao neoliberalismo. Ninguém  está dizendo que esta é uma tarefa fácil. Mas uma das dicas  é ampliar a ação do Estado sem, contudo, permitir que ele deixe  de ser democrático. Outra dica: que  o Estado  sirva ao cidadão e não ao Capital.

16-08-10

Ao  mostrar Dilma como guerrilheira urbana, mídia
 deu à candidata, o  que mais lhe faltava: luz própria

Não tenho  a menor dúvida  de que a intenção da revista  Época ao escancarar o passado guerrilheiro de Dilma, foi o de prejudicá-la. Mas creio que, mais uma vez,  a Direita aturdida deu um tiro no pé.

A direita  e sua mídia estão aturdidas porque não esperavam uma vitória de  Dilma até com certa facilidade, pelo menos no primeiro turno. Mas sua desorientação vem de mais longe, como temos dito este  blog. Vem, primeiro, do fato de supor é  pública a opinião que ela  publica. Não é. A verdadeira opinião pública passa muito longe do que dizem as manchetes do Globo  ou da Folha e mais longe ainda do que pensam os leitores privilegiados destes dois jornais cada vez mais calhordas.

Em segundo lugar, há um equívoco proveniente  da  desorientação descrita acima:  o de supor  que o fato de Dilma ter  sido guerrilheira urbana assusta o grande público. Não assusta,  porque  a imensa maioria do eleitorado, desgraçadamente  e por culpa exatamente  da mídia  e  do movimento cultural por ela controlado em boa parte, não tem nenhuma  noção do que seja guerrilha urbana  e da sua importância para a história do  País.

É  corriqueiro, na  inconsistência cultural e na hipocrisia burguesas, essa posição entre cínica e ingênua, sempre incongruente: os guerreiros rebeldes podem  ser  cultuados desde que em terras distantes  e em épocas remotas. Tão logo estes personagens  sejam vistos na geografia e da realidade mais próximas, passam a ser tratados  como perigosos terroristas. Nesse sentido, Gabeira  e Sirkis, os guerreiros arrependidos dos “crimes de sangue”, são cortejados, enquanto Plínio, o guerreiro permanente  é olhado com desconfiança, mesmo que jamais tenha dado um único tiro.

Quando o presidente Lula comparou Dilma a Mandela, Míriam Leitão e Lúcia Hipólito, duas das melhores representantes deste jeito estúpido de ser de nossa mídia burguesa, estrilaram, dizendo que a comparação era um acinte, uma aberração. Por que Míriam? Por que Lúcia? Acaso Mandela sofreu mais do que Dilma nos cárceres do Terrorismo Fascista? Acaso Dilma, assim como Mandela, não  preferiu  promover um governo para todos e abandonar qualquer sentimento de vingança?

A imprensa direitista atarantada conseguiu este feito extraordinário: dar luz a um poste.

12-08-10 – atualizado em 13-08-10

O dia em que Bonner virou Jabor – Parte II

“Agora sabemos que o Capital Organizado é tão perigoso quanto o Crime Organizado”.
Franklin  Delano Roosevelt – Na campanha presidencial de 1936.

Ontem (12-o8), pensei em fazer um texto cujo título seria “Plínio, o Vingador”. Mas o título  já diria tudo e, na verdade, ele se cumpriu, à noite, quando, apesar dos escassos três minutos que o Império concedeu ao velho guerreiro, ele, por não ter marqueteiro, por ser livre atirador e não ter nada a perder, conseguiu dizer  mais do que os  outros três candidatos juntos, cada um com seus 12 minutos.

Então falemos um pouco mais de  Bonner, O Bonnie  e de Fátima, a Clayde, posto que eles  se consagraram como a versão brasileira deste casal de pistoleiros. A diferença é que  Bonnie  and Clayde, os originais, só assaltavam bancos e eram veladamente aplaudidos pelos pequenos fazendeiros que, em plena recessão (anos 30), estavam perdendo tudo para a agiotagem organizada, vulgo Sistema Financeiro ou abutres como, por essa época, os banqueiros tornaram-se conhecidos nos Estados Unidos.

O nosso casal assalta a consciência nacional. Vejamos, portanto, como ele  faz isso:

 A primeira noção  a ser estabelecida é a de que o Capital, (enquanto Sistema  como um todo) depende para sua sobrevivência, sua expansão ou acumulação, da exploração trabalho. Isto é universalmente reconhecido, porém não explica muita coisa se não acrescentarmos que este trabalho deverá ser, obrigatoriamente, um trabalho alienado.

E isso nos obriga a dizer que trabalho alienado é  aquele que  realizamos cotidianamente, sem pararmos para perguntar se  esse esforço  geralmente  ingrato e exaustivo e que consome a maior e a melhor parte de nossas  vidas faz algum sentido. Muitos  contestarão dizendo que  seu trabalho e útil e  realizado de muito bom grado.  Então, perguntamos nós: porque todos  torcem tanto  pelos  longos feriados e, sobretudo, pela chegada da sonhada aposentadoria?

Tudo isso ficaria melhor explicado se  compreendermos que , independente de sua utilidade ou satisfação que  enseja, no  modo de produção capitalista, o trabalho só faz sentido se, por sua vez, ensejar  acumulação do Capital. Capital este que,  enquanto  Sistema  ou  enquanto simples unidade de valor, não tem o mais mínimo compromisso com o bem estar e nem mesmo com o destino (sobrevivência) da humanidade.

 E hoje  já é perfeitamente visível que o Capital não tem compromisso, sequer, com a manutenção e sobrevivência do trabalho. Esta é sua contradição central: Ele só avança  e progride, eliminado sua própria essência (a exploração do trabalho vivo) que   vem sendo drasticamente substituída   por uma gigantesca maquinária, que não propicia a acumulação*. É impossível ignorar a vertiginosa automação que gera o desemprego estrutural – a exclusão.

Por igual, é impossível  não ver que o Capital só acumula destruindo  todo o seu entorno,  a começar pala Natureza. Abra sua janela e veja.

É claro que este é um tema  amplo e complexo que  não cabe  nos limites deste texto.  Mas já da para perceber que o Capital não sobrevive sem o trabalho alienado. E este trabalho  será alienado, enquanto  os trabalhadores, em todos os níveis, também o forem. Eis aí a função essencial da mídia capitalista: manter  a massa trabalhadora em estado  permanente de alienação. A desinformação é  a sua matéria prima, seu principio ativo.

Os rostinho bonitos dos nossos Bonnie and Clayde são moldados e  treinados, para ocultar a face verdadeira e perversa do Sistema.

*As máquinas (trabalho morto), embora proporcionem, no plano imediato,  maiores lucros, no longo prazo não possibilitam a acumulação, porque, cedo ou tarde, terão que ser descartadas e subsituidas. Por isso dizemos que o Capital só acumula, efetivamente, explorando trabalho  vivo, humano.

11-08-10

O dia em que Bonner virou Jabor.

O Willian Bonner é bonitinho e, até agora, parecia confiável para o grande público. Para a  Globo vinha sendo a solução ideal porque, sem ser boneco de ventríloquo (como os apresentadores de antigamente) é suficientemente ignorante e  limitado nos neurônios, para não  alçar vôos altos. É um animal doméstico ou, com outras palavras, está para mais para  galinha do que para  gavião.

Outra característica dele é de que  só serve  para certas tarefas em  horários específicos. Para temas  mais elaborados ou que exijam maior sutileza e informação, usa-se gente como o  Willian Waack ou o Carlos Alberto Sardenberg.  Além disso, há  a adequação ao horário. Por exemplo: nas horas de  ampla  audiência, usam-se o Faustão e o Luciano Huck. Nos horários  de público mais seleto usa-se o Jô ou um filme de sacanagem com roteiro intelectualizado. Em linhas gerais, é isso.

Agora, por imprudência ou desespero,  a Globo lançou o pobre Bonner às feras. Nas entrevistas com Dilma e com Marina (e seria uma infantilidade tentar  medir com qual das duas  foi mais  incompetente e grosseiro), ele revelou-se um fascistão calhorda como o Boris  Casoy, usando a máscara do Tom Cruise. Isso ficou evidente quando, para impedir que as candidatas concluíssem  seus raciocínios, ele as interrompia alegando que agia assim,  em nome do público.

Quanto à incompetência, despreparo e desinformação elementar, ele as demonstrou quando, para ofuscar o inegável bom momento da economia  brasileira, a comparou  às do Paraguai e da Bolívia. Até um jumento sabe que a comparação cabível seria com as economias dos EUA e da União Européia, cujos crescimentos  ficaram próximos do zero, nos últimos dois anos.

Mas não esperem que o trêfego Bonner  vá  dar boa vida ao Serra. A Globo é uma prostituta calejada e tem suas manhas. Ficaria muito evidente que ela tentou desconstruir as  candidaturas das principais concorrentes do tucano. Mas também não esperem que ele  pergunte ao Serra como ele se sente tendo o Roberto Jefferson e o  Quércia como coordenadores de sua campanha. Lembrem-se que ele jogou na cara de  Dilma as alianças com Sarney e Barbalho.

Enfim, Bonner jamais será o mesmo depois desta  rodada de entrevistas. Não se  pode mais subestimar  opinião pública (só aparentemente fragmentada)  que se exprime através da Internet,  muito mais nítida e eficazmente do que através da mídia tradicional. Bonner não engana mais ninguém.

 Daqui para a frente, o rapazinho   com cara de bom moço  terá que amadurecer e vai ficar cada  vez mais cínico e calhorda, até chegar à  perfeição do Jabor.

0 8-o8-10

A virada no Sul pode eleger Dilma  já no primeiro turno

O IBOPE divulgado ontem (7-8) aponta Dilma com 42%, Serra com 40% e Marina com 5%. É a primeira vez que vez que a petista aparece na frente do tucano no Rio Grande do Sul. Se a tendência se confirmar,  a vitória de Serra fica reduzida a apenas dois estados populosos, São Paulo e Paraná. E isto fará com que com  o tucano não tenha como compensar a enorme vantagem de Dilma no Norte e Nordeste e, principalmente, no Rio e em Minas.

A situação  no Rio é tão grave que os próprios aliados de Serra  no Rio, PV de Gabeira e o DEM de Cesar Maia prevêem a possibilidade de que, neste estado, Marina chegue em segundo lugar.  Sua votação  já está próxima dos 20% o que confirma a teoria de que ela,  vai herdando os votos de Serra, à medida  em que o eleitorado oposicionista vai-se convencendo (o fenômeno do voto útil)  de que  o candidato do PSDB não tem forças para impedir a permanência do PT no poder.

Em Minas, a situação ficou  crítica: a vantagem de Dilma  já é  superior a dez pontos e o ex-governador Aécio Neves que ontem recebeu Serra para  mais uma visita ao estado, já o convidou para voltar na próxima semana. Aécio faz todos os esforços possíveis para  apagar a imagem de que, no fundo, estaria  fazendo corpo mole e torcendo contra o colega paulista.

O problema é que os próprios tucanos  paulistas  estão convencidos  do contrário e já dizem  abertamente que Aécio torce contra  Serra, pensando egoisticamente em sua própria eleição em 2014.

Para os que pensam que exagero, vejam as declaração de Aécio dadas, ontem,  aos jornais mineiros, pouco antes de receber Serra para  um ato público:”Isso é coisa de alguns bajuladores que ficam em torno do candidato querendo criar dificuldades. Não afeta nem a mim nem ao Serra”.

 Não obstante já prolifera em Minas,  a nova coqueluche do voto infiel, o “Dilmaécio”. E,  sem malicia, é preciso entender que muitos  pequenos partido do Estado, apoiam  Aécio no plano estadual e Dilma, no plano federal.  Não há como evitar essa composição aparentemente  indecorosa.

07-08-10

Dilma volta a crescer. Serra  passa  da estagnação
  para a queda e Marina  vai herdar seus eleitores

O último IBOPE e a Data Folha que deverá seguir seus passos (eles pertencem à mesma associação manipuladora), revelam uma mudança importante no cenário da campanha  presidência: Serra que há dois anos mantinha-se numa posição praticamente estagnada, começa, nitidamente, a  perder eleitores. Então, que caminho tomará esse manancial de votos que vaza  da estropiada carroça tucana? Eu diria que uma parte, num primeiro momento, vai engrossar as fileiras dos indecisos. Outra, mais substancial,  transfere-se diretamente para Marina Silva.

Apesar  da descomunal  popularidade de Lula e da não menor aprovação de seu governo, ainda há,  neste País,  uma fatia renitente do eleitorado (eu diria que anda pela casa dos 2o a25%) que  votam em qualquer coisa desde que esta qualquer coisa represente  ver o PT pelas costas . Este pessoal se espraia pelo espaço que vai do centro à extrema direita,  mas  alguns podem  ser encontrados também  na área de centro-esquerda.

A afirmação de que a DataFolha e o IBOPE são  manipuladores não é gratuita. Por isso é necessário fazer um pequeno cálculo de  compensação , em torno de 5%. Então, se esses institutos dizem que Dilma está  com 39 %(último IBOPE) ponha aí 44% e quando dizem que Marina está com  8%, coloque  12 ou 13%.Na verdade, para proteger Serra, eles foram obrigados  ao malabarismo de represar,simultaneamente, os votos  da petista e da verde.

 É neste exato momento, o do inicio da queda de Serra, que começa a funcionar o conhecido  fenômeno do voto útil . Todos aqueles que votariam em  Serra, menos por ele do que  para ser contra o PT, tenderão, agora, a migrar para Marina. E aqui, vale diferenciar os votos dos indecisos (que no jargão das pesquisas são os eleitores que ainda não escolheram ou não conhecem os candidatos) dos votos  vacilantes, aqueles que estão abandonando um candidato  e migrando para outro. É nesta fonte que Marina vai beber.

Embora Lula tenha proibido terminantemente  qualquer ataque pessoal a Marina ,  haverá um momento em que o confronto entre Dilma e ela será inevitável. Se assim for, o recurso mais óbvio à disposição do comando petista e o de  colocar na  ex-companheira, o rótulo de  herdeira dos votos neolacerdistas. Esta é uma alcunha  da qual até os neolacerdistas mais autênticos fogem, como o diabo foge da cruz.

Debate da BAND. Leia nosso comentário sobre o desempenho dos candidatos  na coluna Coisas da Política.

31-07-10

No Rio Grande do Sul trava-se batalha decisiva para consolidar
 avanço para a esquerda  durante o governo de Dilma Rousseff

A grande fronteira ideológica desta campanha  eleitoral é a gaucha. Mas os marqueteiros, escravos da   objetividade  e do imediatismo boçais, ainda nem  descobriram que Esquerda e Direita travam, nesta eleição plebiscitária, uma  luta de vida ou morte. Desde os tempos de João Goulart isto  não acontecia.

A vitória do ex-ministro Tasso Genro, candidato ao governo do Rio Grande do Sul, é vital para que o governo de Dilma Rousseff,   consolide avanços para a esquerda e enfrente   os ataques da enfurecida Direita Neolacerdista, bem como as chantagens do Centro picaretoso (PMDB à frente). Para ela, será fundamental o apoio material e sobretudo  moral de um estado já de si  importante, mas, acima de tudo, impregnado do espírito progressista na direção da justiça social e  genuinamente nacionalista.

“Justiça social”, aliás,  tornou-se uma expressão arcaica em função dos paradigmas neoliberais  que vigeram nas últimas três décadas  e que agora estão desmoronando. Por que não reabilitar essa expressão saudosa?   Quando  tanto se fala em justiça  genérica, em Estado de Direito e direitos do cidadão, será tão difícil compreender  que  nada disso será alcançado se não  promovemos, prioritariamente, a bendita justiça  social? Será que  o democratas  de meia tigela deste País não percebem o ridículo de  proclamar as excelências da democracia  liberal, sentados, comodamente, sobre uma nação universalmente reconhecida como  campeã  da  iniqüidade social?

Eu só acho  certa graça é nos marqueteiros, os imbecis mais bem pagos da nação e que gostam de pasteurizar os discursos de todos os candidatos para se valorizarem profissionalmente, apresentando-se como aqueles que  “venderam melhor “ o seu produto. Gente ignóbil.

Mas voltemos à questão gaucha: no momento Tarso Genro  (PT) lidera as pesquisas com 34% contra  28% de  José Fogaça( PMDB). É pouco,  se considerarmos que  haverá fatalmente um segundo turno e que  Yeda  Crusius (PSDB) deve concluir  o primeiro turno  com cerca de 10% dos votos, os quais deverão ser, no segundo turno,  transferidos  para José Serra.

É provável que   o comando da campanha de Dilma acione novamente o presidente nacional do  PDT, Carlos Lupi. Há um mês ele foi decisivo  ao  praticamente obrigar  o senador Osmar Dias (PDT) a  sair candidato ao governo do Paraná, o que provocou sério golpe no esquema serrista do estado.

Agora a missão de Lupi seria  no sentido de enquadrar  a direção do PDT do  Rio Grande do Sul que se recusa a apoiar Tasso Genro. E vai mais além: pretende expulsar o  ex-governador Alceu Collares que, corajosamente,  deu apoio público ao petista. Não é possível     que estes dirigentes trabalhistas gaúchos não percebam a importância histórica  do momento. Tudo  o que eles precisam é perguntar a si mesmos: Quem o Brizola apoiaria?

É claro que a situação do Rio Grande é mais complicada, porque o PDT indicou o vice na chapa do PMDB, mas punir o Collares é um evidente exagero. De mais a mais, em política  para tudo (quase tudo) dá-se um  jeito. Na dúvida, é melhor pedir uma sugestão ao Aécio Neves. Em Minas, ele  e a Dilma vão ganhar.

24-07-10

Mesmo que Vox Populi e DataFolha mintam.
E
 um dos dois mente. Dilma não  perde mais

Há uma discrepância de oito pontos entre os números dos dois institutos divulgados ontem.

Não me perguntem quem está mentindo. Provavelmente os dois estão. Mas para situações como está, existe uma  alternativa que geralmente dá certo: faça uma média ponderada  entre as diversas pesquisas. Depois, é só seguir a tendência. E os leitores   assíduos  do nosso blog, sabem que este nosso  método não falha.

Seguir a tendência  implica em não nos fixarmos apenas nos números da última pesquisa. É preciso acompanhar a seqüência de pelo menos quatro  levantamentos de opinião. Se fizermos isto,saberemos, sem erro, quem está  indo par a o Planalto e quem está indo para o brejo.

Então, se adotamos o método correto, não é necessário encher a cabeça  com um caminhão de números, bastam os essenciais:  pela média, Dilma  está com  38,5% e Serra com 35%. Já para a tendência, adotamos aqui, os números  do Datafolha, que são insuspeitos, porque favorecem Serra. Temos: Serra evoluiu, mês a mês,de abril para cá, assim: 39%, 40%,36%, 39% e 37%. Se considerarmos que há um ano ele tinha 42%, vê-se que sua tendência inequívoca  é de estabilização com viés de queda.

Ainda pelo DataFolha a evolução de Dilma, de abril para cá foi: 29%,29%,36%, 37%, 36%. Se considerarmos que há um ano ela tinha  menos de 10%, temos que  sua tendência é de ascensão  rápida, com diminuição do ritmo  nos últimos 60 dias. A diminuição do ritmo de crescimento é inevitável para qualquer candidato, à medida  em que nos aproximamos da reta de chegada. Isto porque diminuem os votos  “novos” (indecisos ou que nem conheciam os candidatos), a menos que haja transferência importante de um candidato para outro.

Agora, vejamos outros  indicadores também importantes: na votação espontânea, aquela em que não são apresentados nomes aos entrevistados,  a situação (na média entre as pesquisas) é a seguinte: Dilma 26% e Serra 18%.  Já  na votação para um possível  segundo turno deu: Dilma 46% e Serra 35%.

No capítulo rejeição temos:  Serra 25%, Dilma 18% e Marina 16,5%. Por falar em Marina, sua tendência é de estabilização em torno de 10% nas  das últimas  cinco pesquisas.

Resumo da  ópera. Dilma não perde mais.

 Até no voto feminino onde ela perdia feio, Dilma já aparece praticamente  empatada com o tucano. A explicação técnica para  isto   é a de que  o eleitorado feminino  demora cerca de dois meses  em relação ao masculino para “se ligar”  na campanha eleitoral. Então, a tendência é a de que ocorra um alinhamento entre os votos dos dois sexos, à medida  em que  a eleição se aproxima. E é isto  que já está acontecendo.

Para que o leitor perceba  as dificuldades de Serra, vamos dividir  e analisar o quadro  eleitoral por região geográfica. Temos então que há um empate  na Região Sudeste, onde  Serra  vence com grande vantagem em São Paulo, mas perde por pouco em Minas  (e Espírito Santo) e por grande diferença no Rio. No Centro Oeste  persiste  o empate.  Nos três estados do Sul, Serra vence, com boa margem no Paraná, mas sua  vantagem não é suficiente para compensar a enorme dianteira de Dilma no  Norte e no Nordeste. Nestas duas  regiões a petista só perde no Acre e em Alagoas.

Por ironia, os votos que vão faltar para Serra, são os mesmos que  lhe faltaram em 2002 e em 2006 (para Alckmin): nas Minas Gerais de Aécio Neves, Dilma  já está com um dianteira de 5%.

21-07-10

A síndrome da reeleição, fonte da traição

Entre os mil e um problemas criados pela  reeleição, esta invenção tucana, o mais sério é o que estimula a traição  e o corpo mole dentro dos próprios partidos. Como impedir, por exemplo, que Aécio Neves, por mais correto que procure ser, lá no fundo de sua alma torça contra  Serra? Temos explicado neste blog que o ex-governador de Minas vê na eleição de Serra,  um empecilho para  seu  projeto de ocupar o Palácio do Planalto em 2014. É claro que, se eleito, Serra tentará a reeleição.

Da mesma forma, em São Paulo, o governador Alberto Goldman (ex-vice de Serra) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) também torcem contra Geraldo Alckmin, o tucano franco favorito  nas eleições para o governo do Estado. Tanto Goldman quanto Kassab, miram no Palácio dos Bandeirantes e ninguém gosta de adiar seus sonhos por  oito longos anos.

Por conta  disso PT paulista e seu candidato Aluízio Mercadante têm a remota esperança de  levar a eleição para o segundo turno.  Depois, seja o que Deus quiser. Pela mesma razão, Lula e Dilma  voltarão a  São Paulo muitas vezes nas próximas semanas. E incumbiram  o vice Michel Temer (MPMDB-SP) de dar  expediente em tempo integral no seu estado.

16-07-10

O neopopulismo de Dilma, o neonada
 de Serra e a neonatureba de Marina

Este blog reivindica (se for necessário em cartório) o direto de dizer que foi primeiro a constatar, há meses, que PT brizolou. Isto veio acontecendo aos poucos, mas ficou bem nítido na homologação da candidatura de  Dilma Rousseff. Nem tanto pelo fato de ela própria ser uma  ex-brizolista, mas porque as alas majoritárias do partido finalmente concordaram com o jeito lulista de ser petista.

E esse  jeito nada mais é do que o neopopulismo getulista ou janguista.  Em poucas palavras: o PT somou ao seu próprio eleitorado o eleitorado lulista e assim, tem boas  chances de levar esta, já no primeiro turno.

Sobre o  neonada  de Serra é mais fácil falar: ele finalmente, de tanto Sérgio Guerra (presidente nacional do PSDB) buzinar em seu ouvido, resolveu apagar de seu   discurso qualquer vestígio neoliberal, ainda que isso custasse o rompimento da velha amizade com FHC. O problema que  os  anti-serristas não acreditam nessa sua nova versão recauchutada.  E os  antigos aliados, que são  realmente  neoliberais, não aceitam a  repentina  mudança.

A mais inconformada e crítica é a mídia  tradicionalmente serrista que não suporta qualquer alteração nos cânones  neoliberais. Além disso, corrupta e  apátrida, essa  mídia estrila toda  vez que  interesses  estratégicos, permanentes, dos  Estados Unidos são supostamente  ameaçados. Como os interesses permanentes, estratégicos, do Brasil, nem sempre coincidem com o dos americanos, estes calhordas fantasiados de jornalistas  não vacilam em ficar contra o próprio País.

Sobre Marina, falo com o coração sangrando: nunca vi alguém  assassinar a própria biografia de forma tão impiedosa. Já nem sei  se o que a move é a ambição ou o despeito:“ Se era para fazer uma sucessora por que não eu”. Só sei que  de autêntica defensora  da Natureza, Marina passou a candidata da  Natura, uma  empresa em ascensão cujo dono (o nome não vem ao caso) é o vice de Marina  e possui dois bilhões de dólares, o que vem muito ao caso.

E assim, no currículo da ex-companheira de Chico Mendes, a Natureza virou Natura e esta virou natureba, um jeito,  meio ingênuo, meio cínico, que o pessoal de Ipanema (o berço pólítico de Fernando Gabeira) encontrou para cuidar do corpo enquanto posa de engajado.

 

 

 

  10-07-10

  Vexame: O Globo tenta esconder que Dilma
 foi recepcionada na casa de Da. Lily Marinho

O pior é que a anfitriã disse que não convidará mais ninguém, nem o Serra.

Um dia isso teria que acontecer. O Globo  mente tanto, enrola tanto seus pobres e incautos leitores que, cedo ou tarde, o escândalo ocorreria. É o escândalo do silêncio, da dissimulação e do anti-jornalismo escancarado: Da. Lily Marinho, a viúva do companheiro (companheiro para o Pedro Bial) Roberto Marino que durante 30 anos foi madrasta  dos atuais donos do grande balcão, abriu sua mansão do Cosme Velho  para oferecer um almoço para Dilma Rousseff e um seleto grupo de madames cariocas.

Até aí, todo bem. O problema é que a grande maioria dos leitores do Globo não ficou sabendo  do evento que repercutiu fortemente nas eleições presidenciais. Suponhamos que a dona do New York Times convidasse o Obama (ainda  candidato) para jantar. Se  você fosse jornalista não  perceberia  que estava diante  de uma grande notícia? Pois os jornalistas do Globo pensam que não. Ou são obrigados, como gado manso, a pensar que não.

 Se eles não publicassem  pelo menos algumas  poucas linhas, seria  caso de cadeia. Então eles deram uma pequena matéria no pé da página 4.  E fizeram questão de não colocar, no título, os nomes da anfitriã e da convidada. O próprio título, aliás,  não diz absolutamente nada: ”Eu sei o que quero”.

Desgraçadamente, o único jornal de classe média que ainda concorria com  o Globo no Rio era o  Jornal do Brasil. Mas o velho JB foi destruído recentemente, por uma dupla do barulho: Nascimento Brito que tinha a chave do cofre e o Augusto Nunes que  dava  a última palavra na redação. Como resultado,  o tradicional jornal  foi desaparecendo das bancas. Nas poucas em que ainda é vendido, ele aparece na proporção de um para 150 em relação ao Globo. É o monopólio virtual.

É o monopólio que faz com que  a casa de negócios dos Marinhos,  não tenha necessidade de  informar, de dar satisfação a seus leitores.

Seja como for, podemos reproduzir aqui, um trecho da matéria sobre o almoço que foi manchete do JB , num texto  assinado por  Hildegard Angel:

“Ao fim de seu almoço para Dilma Rousseff, cercada pela imprensa por todos os lados, Lily Marinho respondeu ao repórter que lhe perguntou se também fará almoços para os demais candidatos: “Não, só para ela!”. Naquele momento, tive a certeza de que Dilma havia conquistado mais um voto. Afinal, em seu pequeno discurso, lido antes da sobremesa, Lily falara da necessidade de “ouvir diretamente os candidatos, sem intermediários para formar opinião sobre a melhor escolha daquele ou daquela que irá conduzir nosso país nos próximos quatro anos”. Lily também lembrara o marido, Roberto Marinho, “que jamais se absteve de conviver com as diferenças de opinião”. Mas não havia, naquela resposta de Lily ao repórter — “Não, só pra ela!” — qualquer resquício de dúvida, qualquer indecisão diante da escolha certa.

“Ela fez um progresso extraordinário”, comentou uma de nossa mesa. Fiquei na dúvida se Dilma realmente fez progressos ou se éramos nós que, até então, desconhecíamos seus talentos de sedução e de oratória. Éramos 12 àquela mesa. A homenageada à direita da anfitriã. A economista Maria da Conceição Tavares, a escritora Nélida Piñon, a cineasta Lucy Barreto, a museóloga Magali Cabral, mãe do Sérgio governador, Consuelo, a mãe do prefeito Eduardo Paes, Maria Lúcia Jardim, mulher do vice Pezão, Marcela Temer, mulher do deputado vice na chapa de Dilma, Andréa Agnelli, mulher do Roger, presidente da Vale, Maria do Carmo, a sra. Marcos Vilaça, presidente da ABL, e esta jornalista. As demais quatro mesas não tinham lugares marcados. Lily inspirou-se num jantar de Nelson Rockefeller e sorteou entre as presentes seus lugares nas mesas presididas pela mineira Angela Gutierrez, a curitibana Margarita Greca, a embaixatriz Maria Thereza Castelo Branco, uma habituée do Cosme Velho, e Vera Lúcia, a sra. Oscar Niemeyer.”

 06-07-10

Serra estacionou nos 40%. Mas Dílma
 precisa provar que já tem luz própria

Não há apenas um empate técnico, manipulações à  parte. Há um impasse nas duas campanhas. De um lado Serra ainda não encontrou um discurso plausível, mas mostrou que resiste às intempéries. De outra parte, Dilma que vinha crescendo a uma velocidade que surpreendia aos próprios petistas, agora vai depender mais dela e de seu programa do que ser apenas a candidata do Lula. Marina espreme-se entre a onda e o rochedo.

A ascensão  vertiginosa de Dilma nos últimos  sessenta dias, deveu-se  ao fenômeno da transferência à medida em que  o povão (pessoal com renda inferior a  três salários mínimos) foi sendo informado de sua existência e  começou a perceber que ela representa  a continuidade de Lula. Todos os especialistas esperavam por isso, mas não  com tanta  intensidade e tamanha velocidade.

Houve  até transferência direta de intenção de voto,  Serra>Dilma,  sem passar  pelo estágio do “indeciso”. Foi quando  o IBOPE registrou que  a petista já estava cinco pontos na frente  e  até o mídia serrista jogou a toalha.

 Mas agora esta fonte secou. Os dois candidatos já estão  conhecidos na mesma medida.   Vai vencer, na minha modesta opinião, não o mais bonito ou simpático ou experiente. Vai  vencer o que tiver o melhor discurso, tipo assim: Que Brasil você quer?

Por conta disso, o comando da campanha de Dilma Rousseff (leia-se Luiz Inácio Lula da Silva) está, nesta semana da largada da campanha eleitoral, diante de  uma encruzilhada histórica: pode seguir sua intuição (que provavelmente é a intuição da militância multiplicadora de votos) ou pode seguir os marqueteiros que, regiamente pagos, farão pela candidata exatamente o que fariam por Serra ou por quem pagar mais. Creio que se dependesse deles, mesmo que não fossem baianos, toda eleição terminava empatada.

Muito bem. Como “produto” Dilma tem seus defeitos e suas  qualidades, assim como Serra, assim como todo mundo. Agora, se nos próximos noventa decisivos dias vamos assistir a um torneio para  ver quem é mais esperto ou quem se deixa dirigir pelo marqueteiro mais malandro, pode parar aí na esquina  que eu vou descer.

E não sei por que me veio à lembrança a figura de  João Goulart. Ele foi um dos presidentes mais populares do Brasil e é  hoje o mais pranteado, não porque fosse bonito ou vendido como bom administrador. Ele está sendo reconhecido pela História como um dos nossos dirigentes mais inteligentes e generosos porque,  mesmo antes de chegar à presidência, quando ministro do Trabalho de Getulio, fez o velho assinar, num   primeiro de maio, o  decreto aumentando o salário mínimo para o que seriam hoje dez mil reais. O DIEESE pode comprovar esse cálculo. Por isso  a Direita  raivosa e acanalhada, a mesma que já havia levado Vargas ao suicídio, o odiou tanto, o estigmatizou e, finalmente, o derrubou.

  Lembro também a frase de Getúlio: “Jango, você vai dar  um boi por mês para o trabalhador?” E assinou o decreto.  Hoje um boi custa muito mais que aqueles dez mil reais, porque, na época, o preço da carne não  estava dolarizado. Mas não vem ao caso. O que  quero dizer  é que nunca, antes ou depois, houve, neste Pais, tamanha distribuição de renda. E foi graças ao mercado interno então criado, que o Brasil teve a economia que, nas décadas seguintes, foi a que  mais cresceu no chamado  Mundo Ocidental.

 Então, quero votar na Dilma por uma razão parecida com a  que me fez, um dia, votar em João Goulart. Se  não for assim,  pode parar aí na esquina que eu vou descer.

25-06-10

Com Jefferson,  Serra dá enterro de quinta à sua candidatura.

Se eu fosse do comando da campanha tucana despediria o marqueteiro responsável (deve haver algum) sumariamente. Ele não podia ter deixado o Serra comparecer à  convenção do PTB, ainda mais sabendo que  poderia ser filmado naquele antro. Agora é tarde: com  o apoio de Roberto Jefferson, a candidatura  do social-democrata afunda de vez. Jefferson é aquele tipo de sujeito amoral,  que jacta-se de sê-lo e ainda diz: Sou, mas quem não é?

O pior é que, agora, todos nós que não temos nada a ver com essa imundice, seremos obrigados a assistir  a mais um espetáculo de hipocrisia desvairada.  Finalmente  sem máscara, os moralistas burgueses virão em socorro de seu líder pego de cuecas no rendez-vous. E dirão aos adversários petistas: se vocês  se utilizaram dele (Jefferson o  corrupto confesso), por que nós não podemos fazer o mesmo. Olha só que gentinha mais sem vergonha…

Enfim, só um alienado no último grau não sabe que ninguém governa este País se não comprar, literalmente, os 400 picaretas (ou seriam 600?) que controlam o Congresso. Jefferson era apenas um deles, embora o mais descarado.

Fico  à vontade para dizer tudo isso, porque nunca fui petista e se votar na Dilma será por que me  encanta a política externa do Lula e para impedir que o Tucanato, neoliberal e com vocação para Calabar, retome o poder. Mas  não quero  perder a oportunidade para  mostrar aos leitores deste blog, mais uma vez, de que barro é feita a Democracia do Capital.

E que os bem intencionados e ingênuos defensores  de campanhas  do tipo Ficha Limpa notem, por fim, que quem manda nessa “democracia”  de grana nas veias são os banqueiros mancomunados com a mídia corrupta e apátrida. Quem garante que a ficha deles é limpa?

23-06-10

Confirmando  anúncio deste blog de dois dias atrás.
 Dilma  já supera José Serra em 5 pontos: 40% a 35%

Os dados mais importantes são o que indica que a maioria do eleitorado já sabe que Dilma é a candidata Lula  e  o que  prevê sua vitória também no  segundo turno. Para completar, Serra é apontado como o candidato mais rejeitado. Por isso, nos últimos dias, ele  amenizou o discurso ultradireitista e passou a criticar principalmente a política econômica: juros altos, etc. 

 Não gosto de entrar em polêmicas acaloradas  e de baixo nível com  os companheiros tuiteiros.  Pelo contrário, gosto de seguir e ser seguido pelo pessoal de outras praias, digamos assim.  É isso  que enriquece o Twitter. Quem fala só para seu clã, acaba falando para as paredes. Entretanto, confesso que fico um pouco irritado quando algumas pessoas,  rebatem minhas chamadas para o blog, sem se dar ao trabalho de ler a matéria.

Por isso este texto é dedicado ao insensato companheiro de Twitter que, há dois dias, quando anunciei que Dilma já ultrapassara Serra, foi tão lacônico  quanto equivocado. “Sonho”, foi só o que ele disse.

Vejamos quem está sonhado:

Pesquisa CNI/Ibope que será divulgada esta tarde mostrará a petista com cerca de 40 pontos e José Serra com cerca de 35 pontos. É a primeira pesquisa Ibope que  mostra Dilma na dianteira. As informações  foram colhidas nos três últimos dias,  em 141 municípios, com 2002 eleitores.

A última pesquisa do Ibope, divulgada no dia 5, mostrava Serra e Dilma empatados, com 37 pontos cada um. Na última CNI/Ibope, publicada no dia 17 de março, Serra liderava com 35 pontos e Dilma tinha 30 pontos.

Realizada 20 dias depois de 22 dias da maciça (incluindo o lançamento oficial de sua candidatura)  esperava-se  que o tucano melhorasse sua posição ou pelo menos não  apresentasse queda acentuada. Não foi o que aconteceu. Como  informamos na  matéria  de dois dias atrás (veja logo abaixo) Montenegro, o homem do IBOPE, informara  com antecedência à Globo e esta ao Quartel General dos Tucanos, que a situação do candidato não era nada boa.

Veja também na coluna Pérolas & Pílulas,  matéria de hoje, mostrando  porque Serra está mudando o seu discurso.

21-06-10

No Rio, Marina supera José Serra que
 também começa a  cair em São Paulo

 Creio ter algum crédito junto aos meus leitores. Afinal, tenho informado com alguma antecedência, em relação aos jornalões esclerosados, alguns fenômenos e tendências eleitorais que se confirmaram plenamente, como foi o caso  da ascensão  de Marina, principalmente  no Rio, e a queda de Serra em Minas, em função do fenômeno Dilmasia (Dilma/Anastasia) que só este fim de semana  a Folha e o Globo começaram a admitir. Antônio Anastasia é o candidato ao governo de Minas apoiado por Aécio Neves.

 Agora, vou gastar um pouco por conta, para dizer que a candidata verde  já esta batendo nos 20% da preferência do eleitorado fluminense e  deverá superar Serra dentro de 30 dias. Mas a pior notícia para o tucano é que ele começa a perder terreno também em São Paulo, seu maior reduto.

Não se trata de adivinhação nem de especulação barata.  Tenho informado aos leitores  que os grandes institutos de pesquisas fornecem,  aos seus  clientes preferenciais, análises de conjuntura  que, de certa forma, antecipam tendências e até números de pesquisas ainda em andamento.

 É  o caso, por exemplo, do IBOPE de Montenegro que  antecipa prováveis resultados para as Organizações Globo  que,  geralmente, as repassam para  o comando da campanha tucana. Quando isso acontece, as informações vazam e chegam até nós que temos ouvidos atentos. Além disso, existe uma série  de pesquisas menos importantes ou locais, que, com os devidos cuidados, também ajudam a compor o quadro.

Pois, através desses canais transversos,  o comando da campanha tucana já foi informado que a diferença de Serra para Dilma em  São Paulo caiu para  seis milhões de votos. Ainda é uma vantagem respeitável. Ocorre que ela era de  dez milhões há 120 dias e de oito milhões  há dois meses. Se for assim, o naufrágio e inevitável.

Mas,  mais grave é a situação  do Rio, onde  os caciques do Partido Verde dão como certo que dentro de  um mês Marina Silva estará ultrapassando Serra. Situação semelhante ocorre em Brasília, onde a candidata da Natura já está próxima dos 15%.

Já disse  em outros textos que, como capital e ex-capital, Brasília e Rio são sintomáticas,  antecipam  uma tendência nacional. Marina cresce também no Nordeste (sempre roubando votos de Serra) e já ultrapassou o paulista em Alagoas,  em função do apoio informal que recebe ali de sua  amiga Heloisa  Helena.

É por conta disso tudo que  Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, os manda-chuva do  PV, estão rifando José Serra, de quem dependiam financeiramente há alguns  meses atrás.  Agora, o tucano é tratado como um estorvo já que não faz sentido dividir  o palanque com ele, quando é Marina a puxadora de votos.

19-06-10 atualizada em 20-06-10

Palanque do Partido Verde no Rio: vende-se ou aluga-se. Na
convenção, José Serra só entrou quanto Marina foi embora

Serra teve que fazer um acordo de última hora para poder participar da convenção do PV que lançou, ontem, Gabeira como candidato ao governo do  Estado. Acompanhe a novela:

Como a direção nacional do PSDB perdeu a confiança na dupla Gaberia/Sirkis, os caciques  verdes do Rio, resolveu lançar, na sexta-feira, um candidato tucano ao Senado, para garantir um palanque para José Serra no Estado. Tudo isso porque  o PV   fluminense ficou arrogante depois que Marina Silva  arrumou um vice (a Natura) de dois bilhões de  dólares.  Antes, Gabeira e Sirkis eram  Serra desde criancinha, porque dependiam  da grana alta  que  O PSDB despejaria no Rio.

O improvisado candidato tucano ao Senado é  Silvio Lopes, ilustre desconhecido que já está sendo chamado de “candidato laranja”, cuja única  função é  manter aberto um palanque para quando Serra fizer campanha no Rio.

Mas a emenda ficou  pior  que o soneto,  a julgar pela reação dos quase ex-aliados fluminenses.  Pelo PV,  o seu  presidente lLocal , Alfredo Sirkis, foi violento:  “É surrealista. Isto vai ferrar com a candidatura de Serra no Rio,  que já não está muito bem”. Mais moderado, o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, filho de Cesar, o ex-prefeito, queixou-se: “Uma solução só é boa quando  satisfaz a todas as partes”.

No início da tarda de sábado (19), pouco antes  da convenção do PV, em Niterói, o PSDB desistiu de lançar candidato ao Senado. Com isso, evitou-se o rompimetno final. Mas não o mal estar. Só depois deste acerto final, Serra pode comparecer ao recinto da convenção, quando esta já havia terminado. E outro constrangimento: ele teve que acertar os ponteiros com Matina Silva, para que dois não se  encontrassem.  O tucano só “chegou” depois que a candidata milionária  saíu. Ridículo.

Para entender essa briga desde o seu início,  leia  os parágragos abaixo postados  sexta-feira (18-06).

Há seis meses, Fernando Gabeira, a principal liderança do PV no Rio e dono de um ibope razoável, ainda não se decidira se seria ou não candidato ao governo do Estado. E isto, por duas razões singelas: não tinha dinheiro para  bancar  uma campanha  necessariamente milionária e não tinha minutos suficientes na TV nem palanque, em função da estatura ainda pequena de seu partido, tanto local como nacionalmente.

Hoje  tudo mudou graças ao advento de Marina Silva, a Cinderela Amazônica, e seu vice (Natura) de dois bilhões de dólares. Gabeira e seu sócio no Estado, Alfredo Sirkis, presidente  do Diretório Estadual do PV, passaram, como nos desenhos  animados ou nas comédias românticas, de primos pobres a ricos, assim de repente.

Quem conhece um pouco da alma humana, sabe que em episódios como este, o primo pobre de ontem faz absoluta questão de pisar no pescoço do antigo primo rico de quem  ele filava bóia. No caso presente, os ex-primos ricos são dois:  Cesar Maia, controlador do DEM local e nacional e José Serra.

Maia  nunca  disse não quando os verdes precisaram de um cantinho em seu palanque  e até  chegou a abrigar Sirkis na  Prefeitura  do Rio, fazendo dele seu secretário de Meio Ambiente, tudo em nome  dos tempos em que ambos foram exilados no Chile. Serra, outro exilado na terra de Allende, tinha outros interesses: precisava  de alguém com razoável popularidade  no Rio, para dar sustentação à sua campanha, já que, desde a aposentadoria do ex-governador  Marcelo Alencar e o falecimento de  Artur da Távola, o PDSB fluminense virou um deserto de líderes  e de votos.

Desfecho da história: como o Rio é o Estado onde Marina Silva mais cresceu (ela já está beirando  os 20%), devendo, inclusive, superar  a votação do tucano, cresceu o olho que já era grande dos  verdes e eles passaram  a fazer uma séria de exigências  extras (se é que vocês me entendem) para acomodar uma situação já de si muito estranha, a de um candidato ao governo estadual, Gabeira, que divide seu palanque com dois candidatos presidenciais, Serra e Marina.

Vai daí que, sentido-se chantageada, digamos assim, a direção nacional do PSDB ameaçou lançar candidatura própria  no Rio, deixando Gabeira sozinho em seu palanque e sem os preciosos minutos na TV. Serra  e o eventual candidato tucano ao governo estadual, subiriam apenas no palanque do  DEM no Rio,  onde Maia e Marcelo Crivella (Igreja Universal) lideram as pesquisas  como candidatos ao  Senado.

Foi um Deus nos acuda. Gabeira e Sirkis tiraram o velho cacique Marcelo Alencar de seus cuidados  para,  numa reunião apressada, esclarecer o mal entendido e tudo voltou à situação anterior. Para a imprensa, Gabeira procurou circunscrever a questão a um simples detalhe técnico:  tanto nos palanques como na TV, o número 45 do PSDB, aparecerá com o devido destaque.  Olha só que caras de pau.

Para concluir: como nada na vida é de graça, o tucano teve que  ceder ao DEM, concordando que seu vice será  proveniente do partido de Cesar Maia.

14-06-10

 O Globo joga a toalha. Noblat diz que 8 de cada
10 políticos admitem que Dilma não perde mais

O fato de um jornalista consagrado, no caso o nosso bom Ricardo Noblat, revelar uma verdade simples como a que vai dita aí no título desta matéria, não deveria merecer destaque ou qualquer comentário. Mas  merece, pela boa razão de que isto é absolutamente incomum no Globo, especializado  em camuflar, omitir e distorcer as notícias  que deveria fornecer de forma lisa e clara a seus leitores.

As razões desse inusitado e gradual reencontro com a verdade dos fatos, veremos mais adiante. Porque, antes, é preciso dizer  que Noblat  enxergou a realidade, mas não a entendeu. Ele atribui a inevitável vitória de Dilma, que só não ocorrerá  se houver “um imprevisto ou clamoroso erro”, à  extraordinária popularidade do presidente Lula, associada  a  suas não menores ousada e “falta de escrúpulo”.

Mas é só isso? Não passa pela  cabeça do  experiente colunista  que  José Serra  é responsável por pelo menos cinquenta por  cento  do sucesso da adversária? Se formos por esse caminho, é possível que Noblat concorde que Serra é antipático, especialista nas baixarias de  campanha, truculento até com  seus companheiros (?) de partido e de jornada,  além de espantosamente inábil. Mas ainda assim, nossos emérito colunista  passaria longe do fato essencial: o discurso obsoleto do tucano.

A própria alma de Noblat não permite que ele veja isso, porque seu próprio discurso  é idêntico ao de Serra. Mas que discurso é esse? É o discurso que  impôs  seus paradigmas  Mundo fora, a partir da queda do Muro de Berlin  e da derrocada do Sistema Soviético. Levantando a bandeira correta das liberdades individuais, os neoliberais (tentei evitar essa denominação, mas não foi possível) empurraram, de contrabando, a noção de que  as liberdades do cidadão estão engatadas com a liberdade do  Capital  cada vez menos produtivo e mais agiota. Este  bicho feio se esconde por trás  dos nossos direitos legítimos para impor a Ditadura do Mercado. Ditadura que, excludente  na  sua essência, é  absolutamente incompatível com tais direitos e, de quebra, destrói a Natureza de forma vertiginosa e incontrolável.

Há dois anos a Grande Crise Norteamericana devasta um a um todos os paradigmas neoliberais. Só os alucinados da Globo e da CBN não vêem isso. Mas para a anônima maioria dos cidadãos  vai ficando cada vez mais claro que nossos direitos e liberdades essenciais só estarão a salvo quando   passarmos uma coleira pelo pescoço do mercado insano que produz apenas por produzir (acumular) sem levar em mínima consideração as reais necessidades do homem, como indivíduo e como Humanidade.

A chamada A Maioria Silenciosa, que medeia a Esquerda e a   Direita declaradas, age por intuição e de forma muitas vezes insuspeitadas.  Não raro ela pende para a direita, como foi o caso da eleição do Collor. Outras ocasiões, como agora, ela dá importante inflexão à esquerda. E não só no Brasil  como no Mundo.

Só um desinformado em último grau não percebe que não sãos os governos, mas  o Sistema que está sendo contestado  em Atenas, em Madri, em Budapeste ou em São Francisco da Califórnia. E não se requer  um grande QI para  notar que há  semelhança entre estes movimentos atuais e os que ocorreram  nos anos 60 e 70 do  século passado. Na época, houve fantástica liberação dos costumes  e emancipação de grandes seguimentos sociais. Agora, talvez, a tônica seja pela abolição da escravidão assalariada.

Faltou fazer uma referência às razões desse aparente e gradual reencontro da Globo com a verdade. É que eles não são  bestas e sabem até onde podem ir. Em 89, depois da  manipulação criminosa do último e fatídico debate entre Lula e Collor, a Direção da empresa chamou o petista para  conversar. Foi uma  conversa que entrou pela madrugada, durante a qual foram derrubadas algumas garrafas de uísque. Lula é um negociador nato, meio abusado, mas tem o coração mole. A verdade é que eu não consigo imaginar a turma da Globo  bebendo uísque com a Dilma.

1106-10

 Marina já arrumou um vice de 2 bilhões de dólares.
Agora é a nova  queridinha da mídia. Te cuida Serra

Os especialistas em marketing eleitoral que me corrijam, mas ouso dizer que nem o Serra e nem  mesmo o FHC, em seus bons tempos, foram contemplados com uma centimetragem tão grande nos jornais e com tantos  minutos no horário nobre da TV, como Marina Silva o foi no lançamento  de sua modesta  candidatura  pelo humilde e pobretão PV. Desculpem a ironia.
A verdade é que  Martina e o PV não têm nada de pobres. Para bancá-la , ela arrumou um vice de dois bilhões de dólares, Guilherme  Leal, o homem dos cosméticos que, em menos de  uma década, desbancou a Avon no Brasil.
De sua parte, o partido já levantou confessados  90 milhões de reais para as despesas de campanha, mais do que os 80 milhões confessados pelo PT na vitoriosa campanha de 2002.
Tudo isso para dizer que não há mais a menor dúvida. A  mídia e  porventura a classe média “politizada”,  que  recorre à  ecologia  para não precisar falar de reforma agrária, encontraram em Marina a alternativa ideal para o caso do provável naufrágio da candidatura Serra.
O discurso da candidata não poderia ser mais vago e ambíguo:  não só poupa como  sempre  que pode elogia tanto Lula como FHC e defende um bem bolado “estado mobilizador”  que  pode não dizer nada como conceito, mas é bom  estribo para que ela  trepe no muro e fique eqüidistante do “estado mínimo” dos tucanos e do “estado anabolizado” dos PT neogetulista.
Marina,  no Datafolha de  vinte dias atrás, já estava com  12%. Avalio que ela deve estar agora com 15%, bem mais do que os 9% do IBOPE, com os quais o alucinado Montenegro pretendeu contê-la, só para não desmentir a bobagem que ele vem repetindo há  um ano: “não haverá  segundo turno”. Pois não só haverá esse segundo turno como ele pode ser disputado por duas mulheres.

07-06-10

O Efeito Aécio. A eleição  será  decidida
 em Minas, onde o carro de Serra atolou

Os analistas  isentos (ver blog de Cesar Maia) concordam  que o quadro eleitoral, no momento, pode ser definido desta forma simplificada:  a vantagem de Serra em São Paulo e no Sul é compensada pela vantagem de Dilma do Rio, no Nordeste e no Norte. Se considerarmos a situação do Centro-Oeste como de empate, fica nítido, então, que a eleição  pode ser decidida em Minas, o segundo maior colégio eleitoral e governada  por tucanos  há oito anos.

Se for assim (com alguns reparos que farei ao final), a situação de Serra é muito complicada, porque o último IBOPE, de  uma semana atrás,  revela que, em Minas, Dilma está  entre 1,5 e 2 milhões de votos à frente do tucano e em plena expansão. Tudo dependeria de um esforço supremo do o ex-governador Aécio Neves para reverter  esse quadro.

Mesmo que Aécio  estivesse disposto a isso (há controvérsias) ele simplesmente  não tem capacidade para tanto, pelo boa razão de que sua base de sustentação, sobretudo no Interior, depende  de   vários partidos  médios e pequenos, muitos dos quais, por sua direção ou  através de seus prefeitos, já declararam apoio a Dilma. O próprio candidato de  Aécio, Antonio Anastasia (PSDB), não esconde que não tem  como ou não quer coibir a dobradinha pirata Dilmasia  (Dilma  mais Anastasia) que  prolifera no Estado.

Estes fatos estão  de tal forma escancarados, que  a Folha de hoje apresenta uma estatística minuciosa informando que até no núcleo  fechado com  Serra (PSDB, DEM e PPS) que controla  264 município – de um total de 853 -,  79  prefeitos declaram-se indecisos ou a favor de Dilma. Além disso,  o PMDB  é o partido que controla o maior número de cidades. Nelas, Aécio pode até (como candidato ao Sendo) ser bem votado, mas não pode dizer faça isso ou faça aquilo.

É  nesse brejo de incertezas que o carro de Serra atolou. Hoje  ele estará novamente em Minas (Montes Claros) para, mais uma vez, ao lado do paciente Aécio, tentar reverter esse quadro. É muito difícil, a julgar pelas declarações  dos  prefeitos entrevistados pela Folha.  A maioria  acha que   Dilma e mais simpática (!) além de serem gratos a Lula e  à sua  farta distribuição de verbas. E o mais importante: os principais adversários de Serra são justamente os filiados ao PSDB. Eles não perdoam a forma como Aécio foi tratado pelos tucanos paulistas (a lances até de arapongagem), na fase de definição das candidaturas para a presidência.

As ressalvas que anunciei acima: a vantagem de Serra sobre  Dilma é verdadeira e muito grande em São Paulo (9 milhões de votos). Mas, no Rio Grande do Sul, por exemplo, há empate técnico e Dilma avança. O mesmo ocorre no Centro-Oeste, onde Dilma já  assumiu a dianteira em Brasília.

06-06-10

Ciro Gomes estará com Dilma ainda no primeiro turno

O ex-candidato à presidência já concordou em  encontrar-se com a petista, talvez ainda este mês.

Nós sabemos que o presidente  Lula  detesta perder amigos e despontar pessoas. Quando ele sente que pisou na bola, digamos assim, não sossega enquanto não conserta o mal feito. É  o que está acontecendo em relação a seu amigo Ciro Gomes. Ele sabe que  teve que sacrificar  o ex-ministro que sempre lhe foi leal, num momento  de incertezas  quando ainda não se sabia  que rumo tomariam as pesquisas e a candidatura de Dilma Rousseff.

Isto foi há dois, quando o presidente pediu a cabeça de Ciro ao governador  pernambucano Eduardo Campos que é também presidente Partido Socialista Brasileiro, ao qual Ciro é filiado e com o qual pretendia chegar à presidência da República. Um direito seu.

Campos, habilidoso, conseguiu sair dessa sinuca de bico, “fritando” a candidatura de Ciro dentro do próprio partido e obtendo do presidente a promessa  de um esforço redobrado para reelegê-lo  governador do  Estado que é o do nascimento de Lula e onde ele bate recordes de popularidade. Mesmo assim, Campos enfrenta uma  parada duríssima contra  o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) que governou Pernambuco durante  oito anos  e agora tenta voltar   em aliança com o PSDB e o DEM.

É claro que Ciro sentiu-se traído, tanto que despediu-se da  campanha presidencial atirando para todos os lados, até  no próprio pé. Mas parece que, com a cabeça fria,  já perdoou o presidente e o governador. E fez isso, apesar de haver um mal estar no Ceará, onde o atual governador, seu  irmão Cid, também filiado ao PSB  (vejam como  é dura a vida) desdobra-se para proteger o ultra oposicionista senador tucano Tasso Jereissati, a quem ele e Ciro devem o início de suas carreiras políticas.

Seja como for, cobrado quase que diariamente por Lula (“Você já falou com o Ciro?”), Eduardo Campos obteve, finalmente,  a anuência do candidato excluído para um encontro com Dilma Rousseff.  Será  o reatamento de uma velha amizade e do fio partido da própria carreira de Crio que poderia  escorregar para o ostracismo.

 Como sempre  garantiu (e é verdade) que jamais apoiaria Serra ou Marina, é possível que Ciro suba ao palanque de Dilma ainda no primeiro turno. Para Lula é o alívio da consciência e para Ciro a certeza de que, se quiser, poderá reiniciar sua caminhada como  um  super ministro de Dilma.

03-06-10

Dilma dispara em Minas. De pesquisa
em pesquisa Serra vai  ladeira abaixo

Dilma que já alcançou expressiva  vantagem sobre Serra no Rio (17%)  aparece  na dianteira também em Minas.

Agora ficou bem claro por que Serra passou de todos os limites, até o do ridículo, em sua tentativa de agarrar-se a Aécio Neves:  ele sabia  que sua situação em Minas  é periclitante.  Pelos seus cálculos,  ele teria que sair do estado com uma vantagem de pelo menos 3 milhões de votos para compensar a dianteira de Dilma  no Rio e no Nordeste. Pois ele está, na terra de Aécio, perto de 2 milhões de votos atrás da petista.

Procuro esclarecer sempre (veja matéria de ontem na coluna  Coisas da Política) que os institutos  encaminham para seus clientes preferenciais análises de conjuntura que  apontam tendências e até mesmo antecipam algumas pesquisas em andamento  e que, evidentemente, ainda não chegaram ao conhecimento do grande público. Eis por que candidatos e  suas equipes alteram suas estratégias, muitas vezes de forma  aparentemente inexplicável.

Agora, temos  pelas  pesquisas Sensus (divulgada ontem, quarta-feira) e IBOPE  que será divulgada amanhã, que  Dilma leva  boa vantagem  em Minas. Pelo IBOPE (espontânea)  Dilma  tem 42% contra 34% de Serra. Pelo Sensus: Dilma 35,9% contra 34,9% de Serra. Na média dos dois institutos temos: Dilma 39%, Serra 34,5%. Na pesquisa espontânea (quando não se apresenta nenhum nome ao entrevistado) temos: pelo IBOP, Dilma com 32% contra 20% de Serra. O Sensus aponta Dilma com 21,7%, contra Serra 18,8%.

E um dado importante: os dois institutos mostram que Aécio Neves  será eleito senador sem a menor dificuldade e que para o governo do estado há um empate técnico entre o candidato de Aécio,  Antônio Anastasia (PSDB) e seus prováveis adversários,  Hélio Costa (PMDB) ou Fernando Pimentel (PT). Isto  explica por que Aécio jamais  pensou em ser vice de Serra. Não há sentido em trocar uma vitória certa para o Senado, por uma derrota quase  certa como vice do tucano paulista.

O mais interessante, porém, é que  essas pesquisas mostram que, muito mineiramente, os eleitores   não tem nenhum dificuldade para efetuar o chamado voto cruzado,  quando se  sufraga um candidato à presidência, digamos do PT, simultaneamente com  um candidato ao governo estadual, digamos do PSDB. É  quase uma tradição, tanto que nas eleições de   2002 e de 2006 Aécio elegeu-se governador enquanto, primeiro o Serra, depois o Alckmin foram derrotados por Lula no estado.

Sobre o mesmo tema, veja as  colunas  Coisas de Política e O Impasse Ecológico.

            26-05-10

            Aécio diz que não vai ser vice,
            mas Serra continua esperando

            A questão, para Aécio Neves, não é ser  ou não ser vice de Serra. O que ele não quer é deixa de fazer seu sucessor em Minas. Acompanhe o sutil jogo de palavras.

            Em meio a  pior crise de sua campanha, com renovadas tempestades em todos os quadrantes, José Serra concordou ontem, durante reunião que  varou a madrugada, com uma palavra de bom senso emitida pelo presidente  nacional do PSDB, o estóico senador pernambucano Sérgio Guerra. Para Guerra insistir na hipótese de ter  Aécio como vice  é um duplo desastre: primeiro porque  a possibilidade de que isto aconteça é de menos de meio por cento; segundo porque cria-se uma falta expectativa que vai gerar um anti clímax logo ali na frente.

            Então, Guerra foi autorizado pelo próprio Serra a fornecer, inclusive a nós,  a seguinte declaração, uma espécie de  nota à imprensa: “Aécio não é, não foi e não será alternativa para ser vice. Continuar insistindo na questão será um  equívoco. Deixa a campanha na expectativa de um fato que não deverá se consumar”.

            A nota tem um tom peremptório, mas não é. Esses políticos! Se você reparar bem ela está  penha de sutilezas que se concentram em três palavras: “alternativa” e “não deverá”. Então, Aécio não é alternativa, do ponto de vista de Serra,  mas poderá vir  a ser, se ele ( Aécio) quiser. E a candidatura “não deverá”, mas pode (por que não?) acontecer.

            Com isso Serra e Guerra  resolvem o problema da “pressão” de que tanto Aécio se queixa, mas deixam um  porta aberta para o tucano mineiro e, sobretudo, para a esperança que é a última que morre.

            Aécio está chegando hoje da Europa, mas só vai falar com Serra  dentro de dois dias, em Minas. É provável que não se fale mais de sua candidatura a vice. Na verdade, ele está preocupado mesmo é com a candidatura de Antonio Anastasia que pretende seja o seu sucessor, mas que está  muito atrás de Helio Costa, PMDB-PT, nas pesquisas. Para ele seria absolutamente insuportável uma dupla derrota, com Anastasia e como vice de Serra. Isto corresponderia à demolição de sua carreira. Por isso não se arriscará e vai mesmo  para  a campanha  ao Senado, uma vitória liquida e certa.

                                             A falsa esperança

Ocorre que, há  um mês,  numa conversa com Fernando Henrique, Aécio, ambíguo,  deixou escapar que poderia até ser vice de Serra , dependendo da leitura  que fizesse da sucessão em Minas, na hora de tomar a decisão. Foi o que bastou para que FHC espalhasse  entre tucanos paulistas e seus colegas do Globo que, “Aécio estaria propenso”  a fazer dupla com Serra. E foi o que bastou para que  os editores do  Globo e seus sôfregos colunistas, como  Merval Pereira e Ricardo Noblat, tentassem ressuscitar  a idéia da  chapa puro sangue e passassem ”pressionar” Aécio, com a habitual sutileza paquidérmica, o que quase tira  o mineiro do sério (ver nossa matéria de ontem na coluna Coisas da Política).

            Quanto a Serra só lhe resta cumprir a promessa de que não falar mais sobre o assunto e, fazendo figa, deixar todas as portas escancaradas. Por conta disso, o PSDB não vai oficializar a candidatura a vice  em sua  convenção do dia 12 de julho. A vaga ficará aberta até o final daquele mês, data  limite para o registro de candidaturas.  Teremos, então, uma “chapa caolha” de um candidato só. Algo inédito e que  resvala no ridículo.  

            17-05-10

            Se a mídia tivesse um mínimo de dignidade informaria que Plínio é candidato

            Pouco políticos brasileiros  possuem uma carreira  tão longa e tão limpa. Seu partido, o PSOL, não é tão insignificante assim que não possa  obter algo entre 5 e 10 milhões de votos, mesmo sem promoção na mídia. Mas  esta mídia, num desrespeito absoluto à sua clientela e ao direto de acesso à informação por parte do eleitor, não diz uma única palavra sobre Plínio de Arruda Sampaio e sua candidatura à presidência da República.

           Não sou filiado ao PSOL, nem votarei  em Plínio. Mas sinto a obrigação de dizer o quão pérfido é este jornalismo convertido em partido político e atrelado aos  interesses estratégicos, permanentes, dos Estados Unidos. Quem pode acreditar que  as sete famílias que controlam  o nosso sistema de informação  estão  realmente interessadas na liberdade de imprensa?

            Eu diria que elas  não são sinceras  sequer quando defendem o banimento dos ficha suja. Uma  idéia nobre, mas que serve  perfeitamente  para ocultar o fato de que  por trás de cada político sujo há um empresário ou um banqueiro imundo. Ninguém é mais ficha limpa do que Plínio, um exemplo. Mas a mídia  sórdida não o cita.

            E não o cita porque ele representa o oposto dos interesses de classe dos  donos da informação. Como não tenho vergonha de citar Marx, lá vai: “ enquanto houver classes  exploradoras e exploradas, a  liberdade de imprensa será uma ficção”.

            Resta esclarecer que não sou filiado ao PSOL, nem votaria no Plínio, porque faço uma leitura diferente da atual conjuntura. Entendo que se não há condições elementares  para uma sublevação, é inevitável uma aliança com os setores progressistas ainda que não revolucionários e tisnados  pelo populismo. Por outro lado, o discurso acentuadamente moralista em detrimento do revolucionário acaba jogando água no moinho da reação.

           Seja como for, aliança não significa  adesão ou subordinação.

          Nos últimos parágrafos da matéria logo aí abaixo há mais referência sobre  Plínio e o PSOL.

             12-05-10

            Eleição burguesa:
           Dilma e Serra querem o voto popular e o beneplácito do mercado

            Dilma Roussef, por ironia, não precisa fazer grande esforço para ser bem aceita pelo Mercado. Ela só  tem que sacar  o carão de crédito multiuso (vale  do País e no exterior) que  o presidente Lula tirou do bolso do colete e sempre que necessário empresta para sua candidata. Nome do cartão: Henrique Meirelles. Ainda agora, em sua primeira viagem internacional como candidata (vai encontrar-se com investidores em Nova York, na próxima semana) ela  se faz  acompanhar de quem? Do cartão, digo, do Meirelles.

            Já José Serra, por ironia, passou as últimas 24 horas tentando aplacar a desconfiança do Mercado que, instigado pelo Globo, não gostou nem um pouco de suas declarações sobre o Banco Central. “Não é a Santa Sé”, disse ele. É no que dá está sua tentativa de apresentar-se aos eleitores como lulista de carteirinha, para evitar que os 75% de aprovação do presidente convertam-se em votos para Dilma.

            E, por ironia, Marina Silva que parecia,  há um ano, estar à esquerda de Lula e de Dilma, resolveu seguir a linha  oficial de seu  partido verde e faz discurso voltado para a parte serrista da classe média. Explorar o fato de ser  mulher, negra e de origem humilde, não é posicionamento ideológico. É apenas habilidade marqueteira, também conhecida como oportunismo.

            Sobraria, como opção não burguesa, o Plínio de Arruda Sampaio, um antigo democrata-cristão  convertido, nos anos 70, ao marxismo. Só que ninguém sabe disso. Primeiro porque a mídia indigna não publica uma linha sobre ele. E segundo, porque ele e seu PSOL se apresentam, quando podem, com um discurso muito mais moralista do que revolucionário. Além disso, parece que eles fazem questão de falar para as paredes.

             No Twitter, por exemplo, este novo fenômeno que até o Chávez e o Fidel estão explorando, o pessoal do PSOL não  interage. Ele, Plínio,  e  alguns dos principais líderes do partido ficam  ditando regras para duzentas ou trezentas pessoas que são exatamente o pessoal da casa. Como esperam  ser seguidos  se não seguem, não ouvem, ninguém?

            08-05-10

            Montenegro, o rei da trapaça, prepara o golpe

            Carlos  Augusto Montenegro, dono do IBOP e hiper manipulador de pesquisas já começou a preparar o terreno para forjar resultados. Desde ontem  (sexta-feira), ele vem deixando vazar “sutilmente” para  os principais colunistas políticos que José Serra já estaria dez pontos na frente de Dilma, o que não só consolidaria definitivamente sua candidatura como  o colocaria na posição de favorito e de principal herdeiro dos votos do excluído Ciro Gomes.

            A outra preocupação dos manipuladores é, até onde for possível sem risco de desmoralização ou de sofrer  queixa crime,  “segurar” Marina Silva numa faixa inferior aos dez por cento, para que não se perceba que ela é quem  é a principal herdeira dos votos de Ciro, o que representa um desastre para Serra. Há dois dias, Montenegro encontrou-se, num badalado restaurante  do Rio, com Clarissa Matheus, filha do ex-governador Garotinho. Então, espalhafatoso, o homem do IBOP dizia para quem quisesse ouvir que se Marina ficar abaixo dos 10 por cento,  não haverá segundo turno.

            Por essas  e por outras, na semana passada  Ciro Gomes disse à Rede TV  que  “Montenegro é capaz de vender a própria mãe”. Mas veja na matéria logo aí abaixo, como  e por que os institutos manipulam suas pesquisas.

            05-05-10

            A furiosa e mentirosa dança das pesquisas

           Há três coisas  você precisa saber sobre as pesquisas se quiser acompanhar  a movimentação política  sem ser enrolado:

            1-Os institutos que realizam estas pesquisas são, em sua quase totalidade, absolutamente corruptos e manipuladores. O exemplo clássico, já mencionado por este blog, ocorreu em 1982, quando o IBOP e as Organizações Globo  associaram-se na ação criminosa e  fraudaram não apenas todas as  pesquisas  durante a campanha para o governo do Estado do Rio, como se atreverem  a  tentar manipular o próprio resultado das urnas, numa  época em que  a apuração demorava dias e era vulnerável  à fraude. Na ocasião, Leonel Brizola (o eleito) só escapou de ser tungado, por que o então jovem militante do PDT, Cesar Maia, descobriu  a tempo e denunciou a manobra.

            2 – Para não correr o risco da  desmoralização total, os institutos  metem  e manipulam  tudo o que podem  nas fases ainda distantes da eleição. Depois vão fazendo contas de  chegar à medida em que  o pleito se aproxima.

            3- Como atualmente são mais  menos fiscalizados,  estas organizações criminosas, sempre mancomunadas com um veículo importante da mídia, procuram ser sutis e exacerbam sua criatividade, jogando pontos para baixo ou para cima, dentro da protetora “margem de erro”.

           Então, neste momento crucial, quando a saída  de Ciro Gomes dá contornos finais ao chamado cenário eleitoral, estas quadrilhas, quase todas a  serviço de José  Serra, tentarão induzir leitões e/ou eleitores ao erro, procurando demonstrar: a– que o tucano  foi o principal beneficiário com a saída do socialista arrependido; b– que Marina Silva não representa uma séria ameaça.

            A realidade é o oposto disso. Como você verá na matéria logo aí abaixo, Marina é que é a  maior herdeira dos votos de Ciro e representa um desastre para Serra, porque disputa com ele os mesmos votos de classe média. Ela  só avança nos setores populares dominados  pelo lulismo quando consegue sensibilizar os evangélicos  de baixa renda, principalmente mulheres.

            Em resumo: Marina já está muito próxima dos 15% do eleitorado, mas eles tentarão, dentro da margem de erro, espremê-la dento da faixa dos 11 a 13 por cento. Da mesma forma, dirão que Serra ampliou a vantagem sobre Dilma,  provavelmente de 8 para 9 por cento. São  sutilezas ou insignificâncias numéricas, que, entretanto, potencializadas pelas  manchetes  da mídia, tentarão vender a idéia de que  os dois candidatos com chances reais são o tucano e a petista.

            Antecipando-se à  jogada suja, Merval Pereira, porta-voz oficial do Globo, anuncia hoje (quarta-feira) em sua coluna que “novas pesquisas, depois da saída de Ciro Gomes, indicariam a  ampliação vantagem de José Serra sobre  Dilma”

            É uma manobra de fôlego curto, mas que dá uma sobrevida à campanha tucana que terá um pouco mais de tempo, para, fazendo figa, esperar pelo milagre.

            Não deixe de ler a matéria logo aí abaixo que complementa as informações desta.

             03-05-10

            Marina  chega aos 15%, o que derruba
 José Serra e  garante o segundo turno 

            Os incautos leitores dos três grandes jornais brasileiros, traiçoeira e sistematicamente desinformados por eles, vão se surpreender com as próximas pesquisas, as primeiras de maio e sem Ciro Gomes. Nelas, Marina Silva, mesmo com as inevitáveis manipulações, vai aparecer já muito próxima dos 15% na preferência do eleitor.
As duas conseqüências importantes e invitáveis deste fato são: a- haverá segundo turno, e  b- a candidatura de José Serra pode entrar em parafuso. Por isso, desesperadamente, a mídia serrista tenta congelar Marina. Não podem criticá-la, porque  seria promovê-la, então silenciam, o que corresponde à forma covarde de exercer a censura a partir de uma situação de monopólio ou oligopólio.
Como já dissemos neste blog, pelo menos três vezes nos últimos dias, a candidata verde  herda a maioria dos votos do excluído Ciro Gomes. Isto  ficara claro nas últimas pesquisas de abril, quando já se sabia que o socialista ex-tucano não conseguiria sustentar sua candidatura.
Num segundo momento, Marina vai  começar a avançar sobre os votos de Serra e, consciente disso, oportunista, ela  adota um discurso que desfigura totalmente sua biografia e, por ventura, sua alma. Discurso este que  só não é igual ao de Serra, porque é mais tucano do que o de Serra.
Os verdes sabem que não disputam votos com  o lulismo e sim  com os tucanos, com quem pretendem dividir o voto da parte conservadora da classe média, modernizada na liberação sexual, mas socialmente tão antiquada e egoísta como sempre.
A candidatura do verde  Fernando Gabeira, no Rio, é um retrato disso: campeão de votos em Ipanema, ele vai perdendo substância à medida em que caminha para os subúrbios cariocas  e para a Baixada  Fluminense,  onde  se concentra a maioria dos excluídos ou mal remunerados, um reduto eleitoral do lulismo.
Veja a evolução dos votos de Marina, na média dos principais institutos de pesquisa: setembro, 3%; dezembro, 8%;  fevereiro e março, 8%, e  abril 10%.

            Leia mais sobre o mesmo tema,  na matéria logo aí abaixo.

             30-04-10

         Incrível. Para Serra e sua mídia, Marina e Anastásia não existem

           Há alguns dias venho chamando a atenção dos queridos leitores deste blog, para a manobra marota armada por Serra e sua mídia. Manobra esta que consiste em fazer de conta que Marina Silva não existe. O objetivo claro é  evitar que a candidata verde herde os votos do  Ciro Gomes, ao mesmo tempo em que se pretende  que estes votos escorreguem para Serra.

           Na matéria que  você encontrará na  coluna Pérolas & Pílulas deste blog, estão os  dados de raciocínio sobre esta manobra. Hoje,  vou me limitar a mostrar a prova concreta de como o Globo, em função  desta jogada  suja, trata seus leitores como  a um bando de débeis mentais.

          Na coluna Panorama Político (pag. 2) há este primor de trapaça: “José Serra já fez as contas e concluiu que para ganhar as eleições de outubro, precisa (e pode) ter  5 milhões  de votos a mais que Dilma em São Paulo e 3 milhões em Minas” Depois, segundo a brilhante coluna, é ficar torcendo para que “Lula fracasse em sua  tarefa de  transferir votos para sua candidata, sobretudo no Nordeste, onde em 2006, o PSDB perdeu por 10 milhões e de votos.

           Registre-se, portanto,  que segundo a matemática inadvertidamente confessada no texto em discussão, Serra não tem  nenhuma chance. Mas o importante, além  do erro  elementar de cálculo (5+3 será sempre menor que 10), é registrar a má intenção, a intenção perversa de iludir o leitor. Qualquer jornalista honesto complementaria esta informação, advertindo o leitor de que é preciso levar em consideração dois fatores importantes.  O primeiro chama-se Marina Silva. O segundo Antônio Anastasia.

            Quanto a Marina Silva, só Serra e o Globo ignoram que ela á a principal herdeira dos votos de Ciro que iria ser bem votado justamente em São Paulo e em Minas, onde  disputava o mesmo  eleitor (casse média ) de Serra. Quanto a Antônio Anastasia, candidato tucano ao governo de Minas sustentado por  Aécio Neves, ele acaba de declarar (nesta segunda-feira, 29) que “não punirá nem criticará” os tucanos mineiros que apoiarem a dobradinha pirata Dilma/Anastasia. É a famosa Dilmasia que transita  livremente nas barbas (recentes) de Aécio que, mais uma vez, promete fidelidade ao tucano paulista, como já prometera  em 2002 e 2006, ocasiões em que elegeu-se governador enquanto  Serra , depois Alckmin, foram derrotados por Lula nas Minas Geras.

             28-04-10

            Michel Temer será o vice de Dilma e garante a aliança PT/PMDB

            O presidente Lula nunca escondeu que gostaria  de ter, como vice de Dilma Rousseff, um líder de prestígio e bom de voto no Centro-Sul do País , área onde Serra é bem votado. Este não é o caso do persistente Michel Temer que ocupa a presidência da Câmara dos Deputados e é o presidente licenciado do PMDB nacional. E não é o caso porque  ele  teve dificuldades para  eleger-se  há quatro anos e porque não  manda nem mesmo do PMDB de São Paulo, sua terra, onde Orestes Quércia  apóia Serra.

            Lula  tinha tão poucas simpatias  pela candidatura de Temer que chegou a pedir, num gesto inusitado, que o partido oferecesse uma  lista tríplice para que ele escolhesse o vice. Esta foi a única vez em que  Temer, habituado a agir nos bastidores e a engolir todos os sapos  em nome da causa, esboçou uma reação, dizendo que o  seu partido “não aceita  prato feito”.

           Fora disso,  Temer usou  a  tática geralmente  bem sucedida da  persistência, aliada a um bom naipe de pistolões: José Sarney, Romero Juca e  Renan  Calheiros, um trio da  pesada, sem nenhuma dúvida. Também recebeu ajuda das circunstâncias, quando Lula percebeu que tinha problemas maiores para resolver, não valendo a pena, portanto, fazer marola numa área (a aliança com o PMDB) onde as coisas já estavam  resolvidas.

            Temer tem 70 anos, é professor de Direito  Constitucional e projetou seu nome ao ser nomeado, pelo governador Luiz Antônio Fleury Filho, para a Secretaria de Segurança Púbica de São Paulo, logo após o “Massacre do Carandiru”.

 25-04-10

 Na pesquisa espontânea, a que  vale, todos os
Institutos mostram que Dilma está na frente

Nenhum quesito das pesquisas de opinião é tão importante quanto aquele em que o entrevistado é solicitado, sem rodeios ou apresentação de listas, a dizer em quem vai votar. Quem está  habituado a analisar estas sondagens sabe que a  pergunta espontânea  é a que mais se aproxima  da realidade, primeiro por que  ela diminui a margem  para  eventuais manipulações, segundo por que revela o voto já amadurecido, difícil de reverter e, principalmente, aquele emitido por pessoas mais informadas ou politizadas, os formadores de opinião.

Se o que foi dito acima faz sentido, vejamos as respostas às pesquisas espontâneas das últimas sondagens de todos os institutos: Ibop – Dilma 15 %, Serra 14% . Vox Populi – Dilma 15% ,Serra 12%. Datafolha – Dilma 13%, Serra 12%. Sensus – Dilma 16%, Serra 14%.

Se compararmos com pesquisas anteriores, veremos que Serra está estacionado nos atuais números há mais de ano e Dilma cresceu  aceleradamente nos últimos quatro meses. Então fica  fácil perceber a tendência e a dinâmica (velocidade com que a tendência se materializa) do processo.

Sendo assim, o mais provável  é  que Dilma cheque  na frente no primeiro turno. Se haverá  segundo turno ou não, isto depende da tendência e da dinâmica da candidatura de  Marina Silva, sendo certo que ela, quando em crescimento, subtrai mais votos de Serra do que de Dilma. E faz isto, porque tanto ela  quanto o excluído Ciro Gomes e o próprio Serra, disputam votos na mesma freguesia, a burguesia brasileira.

            18-04-10

            Veja como Datafolha manipula de forma límpida e descarada

            Há cinco verdades simples sobre os institutos de  pesquisa de opinião no Brasil:
1-Eles são, na sua quase totalidade,  mentirosos e manipuladores. Dentre todos, o mais hipócrita e o Datafolha  por ser o que afeta maior seriedade.
2-A corrupção destes institutos (verdadeiros balcões ) é conhecida e tradicional no Brasil. O IBOP foi o precursor, aceitando quase abertamente a encomenda de resultados forjados. O  episódio criminoso mais espetacularmente notório envolveu uma parceria IBOP/TV Globo e ocorreu na eleição de Leonel Brizola para o governo do Estado do Rio em 1982. Na ocasião, as duas organizações criminosas forjaram e  divulgaram números falsos durante toda a campanha e até na boca de urna. Depois (numa época em que a apuração era demorada), ousaram manipular e deturpar o próprio resultado das urnas. Esse ato criminoso envolveu ainda outros bandidos  que cuidavam do armazenamento dos resultados em computadores.  Quem descobriu  o assalto e o denunciou a tempo foi Cesar Maia, que já naquela época já era especialista em computação. Graças  a isso ele ganhou de Brizola a presidência do Banco do Estado do Rio.
3-É hábito desta confraria de picaretas distorcer e mentir ao máximo nas épocas ainda distantes da eleição. Depois, à medida em que o pleito se aproxima, eles vão fazendo contas de chegar, para evitar a desmoralização.
4-Uma das formas mais primárias e manjadas de manipulação (e esta foi a utilizada pela Data Folha em sua última pesquisa) é a de alterar a ponderação interna do programa que envolve  questionários e número de  pessoas ouvidas e  suas posições geográfica, etária  ou social. Explico melhor:  se você separar três estados importantes, digamos São Paulo, Rio e Bahia e de antemão sabe que, digamos Serra,é mais forte em São Paulo, tudo o que você tem a fazer é, alegando critérios técnicos (alteração na ponderação dos fatores), ouvir um número ainda maior de paulistas.  Digo ainda maior por que é obviamente razoável que   um número maior de paulistas seja ouvido, já que vivem no estado mais populoso. Estamos falando, portanto, de uma ponderação acima do razoável, a distorção. Enfim, quando isto é feito, ocorre a manipulação e beneficia-se o candidato  que  oferece maior retorno financeiro direto ou indireto.
5-Esta  picaretagem da Folha e de sua Data, só é possível  porque ela age mancomunada com as Organizações Globo que, por exemplo,  não divulgaram a última pesquisa Sensus  que registra empate   entre Dilma e Serra, mas fizerem seus apresentadores, como bonecos de ventríloquo  recitar à exaustão, com todos os detalhes, os números que  colocam Serra na frente de Dilma, contrariando uma tendência registrada por todos os outros institutos.

            15-04-10

            Certo de que  Dilma pode se eleger no primeiro turno,
            Lula exige mais sacrifícios do PT em Minas e no Paraná

            O presidente Lula deixou claro, nos últimos dias, em conversas com seus principaisinterlocutores políticos  que “infelizmente” vai pedir mais sacrifícios aos companheiros do PT de Minas e do Paraná. Para o presidente, há uma “chance de ouro para que a fatura seja liquidada no primeiro turno”, desde que, argumenta, “ a gente não faça bobagem nos estados grandes”.
Destas duas frases curtas, os políticos mais espertos, como Romero Juca e José Sarney, extraíram que  Lula pode até afrouxar um pouco as rédeas em estados de menos densidade eleitoral ou onde o lançamento de candidatura própria do PT ao governo, pode até criar algum constrangimento local, mas  não atrapalha substancialmente a candidatura  de Dilma.
Entretanto, da  mesma forma com que agiu no Rio, onde, com pulso firme, obrigou o PT  a desistir de uma promissora candidatura própria e apoiar “com empenho” a reeleição de Sérgio Cabral, um aliado estratégico, também em Minas e no Paraná o presidente  não pretende   dar mole para o azar, já que ele vê possibilidade de interromper, aí, longa fase de predomínio tucano.
Para o presidente, em Minas “quem deve estar preocupado é o Aécio”, porque, com apoio  do PT, é certa a vitória de Hélio Costa  (PMDB ). Por isso, ele crê que apesar de todas as juras de amor e fidelidade atuais, cedo ou tarde e como é da tradição mineira, Serra será cristianizado (abandonado no jargão político) pelos tucanos locais que, principalmente no Interior, vão aderir à chapa  pirata Dilmasia , uma dobradinha espúria  reunido a candidata petista e  Antonio Anastasia, o candidato tucano indicado por Aécio.
No Paraná, onde  o candidato do PDT,   Osmar Dias, já é o favorito desde que apoiado pelo PT, o problema gira em torno de candidaturas para senador. Dias prefere que  a candidata petista ao Senado,  Gleisi Hoffmann, seja sua companheira de chapa como vice,  o que abre espaço para um candidato  do  PP, um partido aliado, à  chamada  Câmara Alta (Eu disse  alta?!) e, indiretamente beneficia o ex-governador Roberto Requião, também candidato  a senador pelo PMDB e que teme a concorrência da petista.
No Rio, José Serra corre o risco de ficar  sem palanque, por obra e graça das trapalhadas da dupla  Fernando Gabeira/Alfredo Sirkis, caciques verdes no Estado. Eles  cismaram que  uma aliança com o chefe nacional de fato do DEM, Cesar Maia (candidato ao Senado), prejudica  a imagem de Gabeira. Então, passaram a tratar o ex-prefeito carioca, como um reles  e contagioso ficha-suja. Diante das reações generalizadas dos aliados do DEM e do PSDB,  Gabeira já pensa em abandonar  sua candidatura.
Mas o grotesco de toda esta história é ele vai reunir-se, nas próximas horas, com José Serra, para  “tentar salvar um palanque” para o tucano no Rio. Então, a pergunta simples é a seguinte: isto é jeito de se tratar a candidata  oficial do Partido Verde à presidência, senadora Marina Silva?

           12-04-10

            Para Noblat, José Serra é o melhor gerente.
Quanto ao rumo do País, ele não tá nem aí

            No lançamento da candidatura Serra, sábado em Brasília, os tucanos abriram mão definitivamente  de suas posições ideológicas originais, isolando-se na direita e deixaram 65% do eleitorado à disposição do lulismo.

            O Ricardo Noblat não tem jeito mesmo. Ele abre sua coluna de hoje no Globo dizendo que José Serra  “é de longe o mais preparado para governar o País”. Ele tem  todo o direito de  externar sua opinião, porém como sua coluna não é um editorial, mas um espaço destinado a informar o leitor, a gente fica se perguntado: como acreditar na isenção de um repórter desse tipo.
E eu ainda acrescentaria: será que ele cometeu este inacreditável desvio de conduta  profissional pressionado pelo patrão (E viva a liberdade patronal de imprensa!) ou apenas para puxar-lhe o saco.
Na verdade  este é apenas um  aspecto menor da questão central. Questão  esta que impõe o raciocínio elementar de que qualquer imbecil (eu disse qualquer imbecil) antes de  perguntar pela  qualidade do motorista, quer saber para onde vai o ônibus. O seu destino. E ninguém está dizendo, senhores sofistas, que  a qualidade do motorista não importa. Digo apenas que o destino é  fundamental.
Entretanto, para Noblat e para  a parte alienada da classe média que ele representa (uma  legião de analfabetos políticos) dane-se o destino. “Eu gosto do Serra e pronto. E gosto dele como gostava do Jânio, do Maluf e do Collor e pronto. E, se bobear, um dia  eu ainda voto do Schwarzenegger”.
Foi ouvindo o canto de sereias como Noblat e Míriam Leitão que os tucanos acabaram  selando seu destino, fixando-se  definitivamente no espectro de centro-direita do eleitorado, deixando o espaço de centro-esquerda, algo como 65 % do total,  para que Dilma (leia-se o fenômeno lulista) nade de braçada.
A verdade é que  Carlos Lacerda assinaria os  três principais discursos da romântica e beijoqueira solenidade de lançamento da candidatura de Serra, sábado em Brasília. Serra, FHC e Aécio disseram com todas as letras: somos de centro-direita, sim;  defendemos o estado mínimo , sim e somos pelas privatizações a toda brida.  Quem não gostar que vote na Dilma.
E eu pergunto singelamente: Estado mínimo para quê? Para que haja transferência e acumulação de renda sem nenhum mecanismo para controlar isto? Para que não haja nenhum obstáculo aos maciços deslocamentos de capitais, principalmente especulativos,  provocando a ruína quase instantânea e a exclusão de países e continentes inteiros? Para  que o Capital tenha total liberdade para continuar destruindo a Natureza de forma ciclópica ?
Respotas com Noblart, o sabichão.

            07-4-10

            Os papeis trocados: Dilma procura um
vice à sua direita e Serra à sua esquerda

            Neste esquema, os candidatos naturais são Ciro Gomes para Dilma e Sérgio Guerra para  Serra.

            Já é clara a percepção, no ninho tucano, de que o vice de Serra deve ser um nordestino e situado mais à esquerda. Nordestino, obviamente, porque nesta região localiza-se o ponto franco do candidato tucano, em função da enorme popularidade local do presidente Lula. E mais à esquerda, para tentar consertar um defeito de fábrica do candidato à presidência: a obsolescência de seu discurso marcado pelo neoliberalismo. Neste caso o candidato ideal (não estou dizendo que já foi escolhido) é o próprio presidente do PSDB, senador pernambucano Sérgio Guerra.
Por razões semelhantes porém invertidas, o presidente Lula  já constatou que  o candidato ideal à vice,  na chapa de Dilma Rousseff, deve ter capacidade para subtrair votos de José Serra  no Centro-Sul  do País e, sobretudo, deve situar-se à direita da candidata, para que  a imagem  dela não ultrapasse a tênue linha que separa o esquerdismo da subversão. Neste caso, o perfil que melhor se encaixa (não estou dizendo que ele já foi  formalmente convidado) é o “socialista” Ciro Gomes.
Sobre Ciro Gomes temos falando bastante neste blog. Então, duas palavras sobre Sérgio Guerra, o  cordato e  paciente, presidente do Tucanato:
Economista e empresário, tem, no entanto, um pé na esquerda. Foi militante do movimento estudantil, deputado federal pelo PDT do Brizola e  secretário  estadual nos dois governos de Miguel Arraes. Suas  próprias palavras falam, porém, mais do que esta sumaríssima biografia: em maio do ano passado, quando os insensatos  senadores oposicionistas  ainda não tinham percebido que a CPI da Petrobras era um tremendo tiro no pé, Sérgio  Guerra impediu que se direcionasse  a artilharia contra o petista  Guilherme Estrella, diretor da Exploração da estatal (leia-se pré-sal). Seu argumento: “Ele é honesto e essa é uma área estratégica”.
Mais recentemente, quando ainda se discutia a candidatura de Aécio Neves à presidência e a necessidade de mudança no discurso tucano, muito atrelado ao  neoliberalismo  xiita de FHC,  Guerra proclamou:  “Eu sou nacionalista e estatista”. Isto lhe valeu uma admoestação pública do arrogante Merval Pereira, porta-voz das Organizaões Globo e que, por isso , tudo o que diz e escreve coincide, no essencial, com os interesses estratégicos dos Estado Unidos.
Merval disse que o posicionamento de Guerra equivalia ao “samba do crioulo doido”. O certo, porém  é que se há “crioulo doido” nesta história, ele é o próprio Merval que, ignorante ou malicioso,  deixa em silêncio o fato de que  a Social Democracia tem sua origem inarredavelmente  marcada pelo reformismo, na seqüência  nacionalista (porque renegou o internacionalismo pacifista) de Eduard Bernstein, um marxista  alemão que,  na segunda década do século passado, ofereceu a  teoria da evolução homeopática da sociedade (reformas pontuais)  como alternativa à alopatia revolucionária de Lênin.
Enfim, o que fica  evidente é que o calcanhar de  Aquiles de José Serra é seu discurso torto e obsoleto. Contra esse mal, não basta a escolha de um vice do porte de Sérgio Guerra, Ele precisa, antes de mais nada, livrar-se da patrulha de sua própria mídia, que pensando servi-lo  o empurra cada vez mais para o fundo do poço.  Se já não bastasse ter que conviver com as declarações cada vez mais neolacerdista de FHC, o fato é que nenhuma candidatura agüenta o apoio de histéricos neoliberais como Willian Waack, Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg.

         Sobre o mesmo tema lei a matéria logo baixo.

            03-04-10

            Lula quer Ciro como vice de Dilma,
            mas precisa negociar com o PMDB

            O presidente Lula e seu staff eleitoral (Marco Aurélio Garcia e Gilberto Carvalho, o únicos que ele realmente ouve) já escolheu o nome ideal para ser o vice de Dilma Rousseff: Ciro Gomes. Toda a dificuldade está em  negociar com o PMDB, a quem o cargo está prometido desde novembro do ano passado.
As resistências do próprio Ciro não são levadas muito a sério, porque seu próprio partido, o PSB, já deixou mais do que claro que não o quer como candidato à presidência. Na próxima semana, o governador pernambucano Eduardo Campos, presidente  da pragmática agremiação socialista, vai reunir-se com Ciro para dizer de forma cabal e oficial que seu sonho presidencial é  inviável.
As razões da preferência pelo ex-governador cearense, já foram antecipadas por este blog, mas merecem  ser recapituladas:
Ciro, mais do que qualquer outro candidato disponível, é capaz de  subtrair votos de José Serra  exatamente no principal reduto deste, o eleitorado de classe média  do Sudeste e do Sul.
Principalmente em Minas, a participação de Ciro é preciosa. Ali, terra natal de Dilma e com um palanque forte  garantido pela candidatura de Hélio Costa (PMDB), apoiado pelo PT, conta-se sobretudo, com uma campanha “meia-bomba” por parte do governador Aécio Neves. Durante os meses  em que ele  e Serra se esbofetearam com  luvas de pelica, criou-se no Estado um clima  anti-Serra e até mesmo anti-paulista. O candidato tucano chegou a ser,  no mês passado, estrepitosamente vaiado durante solenidade ao lado de Aécio. Então, para este,  fica difícil arregaçar as mangas por  Serra contra uma mineira e sobretudo contra Ciro, seu amigo pessoal e parceiro político. Há menos de dois meses, o  eclético cearense disse que gostaria de ser o vice do manhoso mineiro.
Do lado de Serra, em termos de estratégia, não há muito que inventar ou variar. Ele não baterá em Lula de jeito nenhum, mas baterá na tecla de que “é melhor gerente do que Dilma”. Seu fiel escudeiro, Alberto Goldman, ex-comunista convertido ao liberalismo extremado e privatista, durante  nove meses será o governador de São Paulo e usará  seu cargo e sua máquina, assim como Lula fará na área federal, para  ajudar seu candidato.
Entretanto, a principal missão de Goldman será a de usar seu discurso  competentemente dialético (uma herança dos velhos tempos marxistas) para tentar evitar o confronto ideológico entre Dilma e Serra e a comparação entre Lula e  FHC, o que transforma a eleição num plebiscito. Ele e Serra  vão malhar, pero no mucho,  a política econômica, principalmente nos  setor cambial, a  parte que mais sensibiliza os exportadores  paulistas.
Mas aí, Ciro Gomes entraria de novo em cena, para, com a autoridade de ex-tucano e um dos pais do Plano Real, dizer que quem  inventou e sustentou o cambio valorizado foi justamente a dupla FHC/ Malan.

            Leia mais sobre o mesmo tema na matéria aí embaixo.

             29-03-10

            Por que o PT perde eleições em São Paulo

           O Partido dos Trabalhadores enfrenta dificuldades eleitorais em São Paulo. É quase uma tradição e não é privilégio petista. As esquerdas, exceto quando fazem  alianças  com o centro e a direita, ou quando descaracterizam-se ideologicamente, não vão bem nas urnas. É desagradável dizer isto, mas a verdade é que predomina no estado mais desenvolvido do País, acaso por isto mesmo, um eleitorado de corte pequeno-burguês pseudo moralista, mas que vota em Adhemar e em Maluf e é visceralmente  anti-comunista ou contra tudo que seja obstáculo à sua ascensão  social,  não como classe, mas como indivíduo.
Como medra, nesse meio, um certo analfabetismo político não é difícil perceber que parte substancial do eleitorado bandeirante confunde comunismo com nacionalismo, reformismo e populismo. É assim, com ligeiras variações e atenuantes, desde os tempos de João Goulart. Por conta disso, ante   a menor suspeita de que perderá privilégios ( muitos dos quais ainda estão no compartimento sonhos) este seguimento  vota em qualquer coisa,  de Jânio a Schwarzengger, passando  Kassab. Estou mentindo ou exagerando?
Some-se a isso,  um antigetulismo atávico  que, por razões  óbvias (a Guerra Civil de 32), sempre contaminou as elites intelectuais paulistas. Então, computados estes raciocínios simples, noves fora,  dá Alckmin, na  cabeça.  Mas não se pode  deixa de apontar a hipocrisia daqueles que afastaram-se do PT pós-mensalão. A compra de votos dos eternos 400 picaretas é prática tradicional e atingiu sua culminância quando FHC  mudou a Constituição para obter  segundo mandato.  Enfim, os que cobram posições éticas hoje  e são os mesmos que votaram em Collor ontem.
Em função de tudo isso, não custa dizer, de passagem, que enquanto não houver uma Constituinte, convocada no bojo de um grande movimento popular, não haverá força no mundo capaz de realizar mínimas reformas políticas e muito menos que realize a faxina necessária para desinfetar esta pocilga que ainda  ousam chamar de Congresso Nacional.
Para concluir, não posso deixa de falar do artigo que a Folha publica hoje em página nobre, assinado  por Fernando Rodrigues. O autor faz lembrar editorialistas de  antigos jornais do interior que comentavam de forma ingênua e rasteira, a vitória do Zé do Posto sobre o Zé da Pipoca. Mesmos descontadas as tradicionais manipulações da  Datafolha, ele está certo ao dizer que   provavelmente Alckmin  vencerá. Mas os leitores do jornal do Seu Frias merecem mais do que esta frase conclusiva: “ Geraldo Alckmin tem 53%. Falta muito tempo ainda até a eleição. OK, mas, por ora, o PT repete seu clássico e histórico desempenho medíocre no Sudeste”.
Até aí morreu Neves, mas é bom lembrar que o que vale para São Paulo  não vale para todo o  Sudeste  e o que vale para o petismo  não fale para o lulismo, um fenômeno muito mais amplo.

            Sobre o mesmo tema lei maéria na coluna Coisas da Política.

25-03-10

Com dificuldade para  encontrar um vice, Serra
voltar a sonhar com Aécio e  lembrar de Itamar

Com  Aécio recolhido a um silêncio de efígie, os tucanos temem que Serra seja cristianizado em Minas.

 É uma novela sem fim. José  Serra embaralhou-se tanto com sua estratégia de “ser sem ser”candidato que agora não consegue encontrar um vice. Em todo o caso, os tucanos trabalham com duas  hipóteses principais: um vice nordestino, o que poderia resultar numa chapa puro sangue;  ou um mineiro. Esta segunda alternativa ressuscita  o sonho impossível de ter Aécio como fiel companheiro  ao lado de Serra. Se mais uma vez Aécio disser não, então recorre-se ao ex-presidente  Itamar Franco, filiado ao PPS, ex-Partido Comunista, hoje mais liberal do que nunca. Itamar, enigmático, disse que aceita, “mas tudo depende de Aécio”.
A hipótese do candidato nordestino tem um objetivo óbvio: tentar neutralizar a avassaladora  popularidade do presidente Lula naquela região.  Esta popularidade, porém, é a principal razão para  que ninguém queira ser o vice  da chapa tucana. Até o presidente nacional do PSDB, o leal senador  pernambucano Sérgio Guerra, treme só de pensar que pode sobrar para ele.
Mas a grande verdade é que Serra está preocupado com Minas, a terra  natal de Dilma Rousseff. Durante  meses ele e Aécio se esbofetearam com luvas de pelica. São pancadas  que não ferem a  carne, mas envenenam a alma. Então, é fácil detectar nas Alterosas,  alastrado pelo mundo político e na própria população, um sentimento  de frustração, quando  não for de rancor. Os aliados de Aécio, tucanos inclusive, não escondem  sua bronca com a ditadura e a truculência  do comando  do  PSDB,  manobrado pelos paulistas.
Por conta disso, a palavra “cristianização” já esta sendo fluentemente usada nos bastidores. Como se sabe, cristianizar é um verbo inventado pelas  velhas raposas do velho PSD que, embora tivessem candidato à presidência (Cristiano Machado), fizeram corpo mole em relação a ele, para ajudar a candidatura de seu coração, a de Getúlio Vargas  lançado pelo PTB.
O diagnóstico é pouco animador:  se Minas cristianizar Serra, babau!

22-03-10

Aumentaram as chances de  Requião ser o vice
de Dilma. Ansioso, ele até já comprou as alianças

Com a decisão do presidente Lula de “fechar” em Minas com a candidatura de Hélio Costa (PMDB) para o governo, com o apoio do PT mais uma vez sacrificado, aumentaram muito as chances de Roberto Requião, governador do Paraná, ser o vice  na chapa de Dilma Rousseff, apesar das dificuldades de relacionamento dele com os petistas locais.
O presidente já havia decidido que o vice da candidata (obrigatoriamente filiado ao PMDB) deveria ser o goiano Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, ou alguém de Minas ou do Sul. A hipótese Meirelles, um penhor oferecido ao Mercado, foi afastada em função do mal estar criado nas esquerdas petistas e aliadas. O foco  ficou então concentrado nas duas outras alternativas onde é forte o eleitorado tucano. Agora,  a opção mineira foi eliminada.
Com as vacilações constantes de Ciro Gomes que sem o apoio de seu próprio partido, o PSB, para  sustentar sua candidatura presidencial, perdeu, nas últimas semanas, o rumo, o discurso e (quase) a compostura, a candidatura de Dilma ficou fragilizada em São Paulo. A estratégia do presidente, uma das poucas que não deram certo, era a de lançar Ciro para o governo  paulista como forma de  impedir que diante de um PT em dificuldades, Serra saísse de seu estado com  uma respeitável vantagem de  dez milhões de votos.
Com a soma de tudo isso,  da mesma  forma que Serra desembarcou atrasado na  campanha presidencial, o PT paulista, por culpa de Ciro, quase perde o bonde da sucessão estadual. São notórias as dificuldades de Aluizio Mercadante, o candidato  natural, porém  física e psicologicamente  cansado em função do enorme desgaste sofrido, como líder do PT no Senado, durante os embates para evitar a degola de Sarney em meados do ano passado.
Para resumir a opera, resta dizer que, no espaço eleitoral que vai de São Paulo aos Pampas, não há muitos nomes de peso disponíveis para compor a chapa de Dilma. Lula e Requião sabem disso. Só falta convencer os petistas paranaenses a engolirem um sapo do tamanho de um governador que, já de si, não é leve.

20-03-10

Estratégia: Serra não ataca Lula
e Dilma evita agredir o Capital

Serra quer ser apenas o anti-Dilma. E Dilma quer ser aquela  que evitará a volta  ao passado de FHC.

Façam o jogo senhores. Começou a verdadeira campanha eleitoral.
José Serra tinha mil portas para entrar na campanha e mil e um maneiras para apresentar-se ao distinto público. Preferiu a porta e a maneira do Datena. É verdade que gosto não se discute, mas, nesse caso, foi desespero mesmo. Depois da última chicotada do IBOP que apesar de manipulado mostra que Dilma emparelhou com ele e começa a ultrapassagem, o titubeante  tucano resolveu sair da moita e alçar vôo.
E ao voar, Serra expos à luz do sol a estratégia central de sua campanha que, de resto, já era suspeitada: ele não atacará Lula e, de hoje até o último dia da campanha, seus marqueteiros vão bater nesta única (ou digamos principal) tecla: ele é melhor, tem mais experiência e é mais confiável do que Dilma.
E, acreditem, a principal dificuldade de Serra será de ordem  psicológica e sentimental. Provavelmente alguém terá que fazer isto por ele, se  é que já não o fez: convidar seu velho amigo  Fernando Henrique Cardoso a sair de cena.
Os leitores perspicazes (e graças a Deus todos meus  o são) já adivinharam que  a estratégia de Dilma  será (já está sendo) a de comparar o governo Lula  e sobretudo seu pensamento  popular e nacionalista com o governo e o pensamento  elitista e entregista de FHC. Então, Dilma será apresentada como “a grande gerente” capaz e  pertinaz, a mãe do PAC e viabilizadora do projeto lulista.  Mas, sobretudo, seus marqueteiros vão bater nesta única (ou digamos principal) tecla: Dilma é a garantia de continuidade da manutenção das conquistas populares, enquanto Serra é a volta ao passado neoliberal do complexo de vira-lata e  das estatais vendidas a preço de banana.
A principal dificuldade de Dilma será a de manter uma sintonia fina  em relação ao discurso ideológico: Ela pode avançar apenas até onde permite o populismo nacionalista do neogetulismo  assumido por Lula. Mas não pode haver a mínima suspeita de que ela é um Chávez de saias  ou uma  marxista enrustida. Tampouco ela pode permitir que a acusem de não ser suficientemente ortodoxa no combate à inflação. Sempre haverá  alguém para dizer  que este negócio de pequena inflação tolerável é   como um pequena  e tolerável perda de virgindade.
Parece que estou vendo o momento em que os marqueteiros de Serra desferem um gancho no fígado e falam do Apagão (“com Serra isto não aconteceria”).  Os de Dilma respondem, então, com um cruzado no supercílio e lembram que Serra (ainda como ministro do Planejamento) foi  um dos principais defensores e articuladores da privatização da Vale. Os espaços vazios serão preenchidos pela baixaria que é , por ventura, a parte que o  grande público mais gosta – a sucessão de escândalos  verdadeiros ou montados.  Responda rápido: com quem começou e  com quem terminou o mensalão?
Em suma, marqueteiros à parte, o essencial para Serra e não  bater de frente com o avassalador lulismo  e para Dilma,  não agredir o Sistema, nome genérico desta coisa chamada Capital que está quase conseguindo ocupar o lugar de Deus.

16-03-10

Requião. O mais novo e mais bem cotado noivo de Dilma

Raciocinemos rapidinho: se você fosse o Serra não e não podendo contar com o Aécio, onde  iria buscar um vice para compor sua chapa? Acertou quem disse  Nordeste, o ponto mais fraco do tucano que ainda  não encontrou o nordestino ideal, mas continua tentado.
Agora imagine-se no lugar do Lula administrando a candidatura Dilma. Onde encontrar o companheiro ideal para a noiva, considerando que ele terá que ser do PMDB, sem o qual Lula  não termina seu governo, nem Dilma começa o dela? Acertou que disse Região Sul, onde a candidata tem seu desempenho mais fraco.
No início pensou-se no presidente da Câmara, o paulista Michel Temer que, no entanto, foi  logo descartado por insuficiência de votos e de máquina já que o PMDB de São Paulo  é controlado por Quércia que não desgruda de Serra.
Foi quando voltou-se a pensar  no governador do Paraná.  Roberto  Requião, que andava meio desgarrado, mas nunca rompeu com o Planalto. O que há é que  ele  aproximou-se dos dissidentes  do PMDB, quando se falou no lançamento de candidatura própria e ele apresentou seu nome.  Entretanto, a dissidência minguou na proporção e na   velocidade com que Dilma cresceu nas pesquisas. Até o bravo senador gaucho Pedro Simon já aderiu à conterrânea e o campeão da dissidência, senador pernambucano Jarbas Vasconcelos, começa a afastar-se de Serra.
Como em política há mais lógica do que trama e mistério, neste momento Requião é o noivo mais cotado, apesar da dificuldade de diálogo com o PT paranaense, coisa que Lula resolve com dois  telefonemas e um puxão de orelha. O fato é que, repentinamente (ele Requião), passou a defender “a união das esquerdas”. E está tão  prosa que, neste fim de semana, subiu no palanque com Dilma e cantou estes singelos  versos de uma moda caipira de sua terra: “ Nós tá tudo acertado. Nós finge que é leitão pra poder mamar deitado”.

13-03-10

Por que a mídia  não entende nossa política  externa

Habituada durante a longa noite neoliberal a alinhar-se automaticamente com o Departamento de Estado, a mídia brasileira desonesta, manipuladora  e incompetente não percebe que Lula ousa na  política externa para reconquistar as esquerdas e cativar votos dos  países marginalizados na ONU. E  não vê ou finge não ver que, matreiramente, o presidente  oferece  como garantias ao capital internacional, a continuidade de uma macroeconomia bem comportada e o  Henrique Meirelles que tanto pode ser o vice de Dilma como continuar influindo no Banco Central.  De resto, a maioria dos grandes empresários é lulista de carteirinha.
Os idiotas da objetividade neoliberal, O  Globo à frente, não conseguem  entender  porque um presidente que  contestam e ridicularizam permanentemente foi eleito Estadista Global do Ano e começa a ser mencionado pela mídia mundial, inclusive a israelense, como o Profeta do Diálogo.  Para representar os profissionais globais que defendem o “pensamento do chefe”, elegemos o Jabor e o Alexandre Garcia.
Será tão difícil entender  que  para ser mediador de alguns dos inumeráveis e quase permanentes contenciosos mundiais é preciso ser eqüidistante e lidar com as partes dentro de uma  fluidez diplomática cortês, amistosa e sem preconceitos?
Será tão insondável o raciocínio de que os Estados Unidos não reúnem a mínimas   condições para “administrar” a crise cubana e a do Oriente Médio,  porque eles são inequivocamente  parte demandante  destes conflitos que,  por isto mesmo, já duram mais de meio século?
A ligação atávica do Globo e de alguns de seus profissionais com o  americanismo é notória. Mas acima disto, há o famoso complexo de vira-lata que as elites  brasileiras cultivam tão bem, porque dele se excluem e agem como senhores  que olham de suas sacadas  um populacho indolente, incompetente e que (Cruzes!) não fala nem inglês.
Por isso não percebem que Brasil é hoje uma potência intermediária aceita por todos  como protagonista da cena mundial. E pela mesma razão não vêm que o País simplesmente dobra de  tamanho e de importância, na medida em que se  unir  aos vizinhos da América do Sul. União esta que  não pode ser  de líder querendo impor hegemonia,  mas de quem integra-se  leal e fraternalmente.
Seja como for, ignorâncias e hipocrisias a parte, se é para  sermos rígidos  contra  ditaduras, creio que  Brasil e EUA deveriam romper  as relações como  a China.  E talvez fosse o caso também de  se impor sanções comerciais ao pais de Mao, iguais às impostas  a Cuba e às que se se pretende impor ao Irã…

05-03-10

Evocação a JK e Brizola, nas metas de Dilma Rousseff

Marco Aurélio Garcia, o nosso Chanceler do B, deixou escapar numa roda de amigos e este solerte blog apressa-se em informar a seus leitores, aquilo que pode ser chamado como o núcleo central da filosofia de governo de Dilma Rousseff: prioridade absoluta para educação de base (uma  evocação a Brizola) e criação de Grupos de Trabalho “para sair fazendo” no lugar de grupos de estudo, um exemplo deixado por JK, o realizador.
Se fundirmos esta informação aparentemente escassa e lacônica, mas altamente reveladora, com outras que já possuíamos, fica  possível estabelecer um pequeno esboço do Programa de Governo de Dilma Rousseff. Assim:
Serão selecionados entre dez e quinze setores considerados estratégicos e estabelecidas, para cada um deles, metas específicas. O conjunto de metas  setoriais corresponderá ao Plano de Metas do Governo, exatamente como  no qüinqüênio de Juscelino. O exemplo histórico é o do GEIA, Grupo Executivo da Indústria Automobilística,  que viabilizou um dos programas mais bem sucedidos do ex-presidente e que procurava compatibilizar, no setor, capitais multinacionais, nacionais privados e estatais.
Para cumprir as metas de  cada Grupo de Trabalho serão convocados empresários  e especialistas do setor. O Governo entra com os instrumentos de apoio BENDES, institutos de pesquisas, Itamaraty e  departamentos especializados  dos ministérios. Quando se perceber que  não  há interesse ou capacidade (massa concentrada de capital e tecnologia) para que as metas sejam alcançadas, então entram em cena as estatais com afinidades neste  determinado setor. As existentes serão fortalecidas e, em alguns casos, serão criadas novas empresas.
A filosofia básica do projeto é inspirada,  nem é preciso dizer, em Celso Furtado e suas teorias sobre o desenvolvimento induzido pelo estado. Mas há um toque de sofisticação de fazer inveja a alguns sociólogos tucanos. Tirou-se conseqüência, por exemplo, da conhecida tese de Marx Weber,  para quem o sucesso inicial do modo de produção capitalista estava na “mutua adequação” entre os objetivos estratégicos das empresas e os do estados nacionais. Então, onde não houver esta mútua adequação, fica evidente que o estado terá que criar sua  próprias empresas (ou subsidiar fortemente as privadas, o que vem a dar no mesmo) a menos que prefira ficar eternamente dependente de tecnologias e capitais externos.
E aqui faço uma pausa para oferecer um doce do Abílio Diniz para quem  conseguir  explicar estas coisas simples para a Miriam Leitão e o Carlos Alberto Sanderberg.
Para manter meu pacto com os leitores, mediante o qual eu não escrevo mais que 30 linhas de cada vez e eles vão até o fim do texto sem bocejar,  deixarei para os próximos dias as lista  das novas estatais . A maioria delas, aliás,  eu já noticiei em artigos recentes.
Em tempo: Marco Aurélio Garcia foi escalado, inicialmente, para coordenar a campanha de Dilma o que acabou fazendo com que ele seja, concomitantemente,  coordenador da elaboração do plano de governo.

01-03-10

Serra ameaça renunciar se Aécio não for seu vice

Com sua candidatura praticamente destruída por prévias implacáveis, José Serra tenta dividir o  peso da derrota com o governador Aécio Neves.

Poucas crises foram tão anunciadas como esta. Até as acácias do Palácio dos Bandeirantes já sabiam  que, quando março chegasse com suas  prévias, a candidatura Serra afundaria. Montenegro, o malandro do IBOP, mentiu e  manipulou até  o limite de sua capacidade de  mentir e manipular. Os jornalões de nossa mídia venal fizeram o possível para  ocultar de seus incautos  leitores a verdade simples: a candidatura  Serra não se sustentaria, em função da falta de  coragem e de desprendimento do próprio candidato e, sobretudo, pela absoluta incompatibilidade entre o seu discurso  e a nova realidade criada pela Grande Crise Norte-Americana.
Até o último momento Serra, seu péssimo conselheiro Fernando Henrique e sua mídia à beira da desmoralização fizeram questão de não ver, ou de não levar em conta, que a referida Crise Americana representou, para os paradigmas que sustentavam a  ditadura neoliberal (leia-se do Capital Financeiro sem pátria), o mesmo desastre que a  queda do Muro de Berlin, há trinta anos, representou para os paradigmas do leninimo soviético.O vento que venta lá, venta cá. O mundo inteiro (até o de Obama)  deslocou-se para uma posição de centro-esquerda e só as Carolinas  tucanas não viram. Elas e a Miriam Leitão.
Entretanto, vida que segue. O PSDB tem que juntar os cacos e encontrar uma saída honrosa. Eu só não queria estar na pele do simpático e estóico presidente do partido, o senador  pernambucano Sérgio Guerra. Com dificuldades para reeleger-se, uma tremenda sobrecarga, ele ainda tem que administrar sozinho  a pior crise da história de seu partido.Em momentos assim, ninguém procura o chefe trazendo soluções. Predominam as queixas e acusações recíprocas. “ Eu disse que isto ia acontecer” é a frase mais ouvida.
Serra foi tão espantosamente egoísta e inábil que deixou transparecer, desde suas discussões com Aécio a partir de setembro do anos passado,  toda sua ridícula estratégia. Estratégia esta que consistia em  aguardar as prévias de março (uma data limite para a tomada de decisões)  para anunciar, ou não, sua candidatura à presidência. Se as prévias fossem favoráveis ele seguiria adiante. Caso contrário, se garantiria  numa reeleição “fácil” para o governo de São Paulo. Não é com este tipo de barro que se fazem os lideres.
Este foi um fim de semana fatídico em que as prévias surpreendem ao próprio PT revelando que Dilma  subiu numa velocidade maior que a esperada. E mostram Serra deixando pela primeira vez o estacionamento para  cair. Diante do terremoto, o calculista governador de São Paulo tomou finalmente uma atitude: ameaçou renunciar se não conseguir “unificar” o partido. Uma maneira graciosa de exigir que Aécio Neves seja o seu vice. Jânio, o eterno renunciante, não faria melhor.
Tucanos  ansiosos revoam para Minas já agora  implorado para que Aécio aceite ser vice. E recebem a resposta fria: já  não ia ser vice com chance de ganhar, imagine se vou ser agora na certeza de perder.
Há ainda a quimera do descarte de Serra e o lançamento da chapa Aécio/Ciro. Mas é quimera porque esbarra no fato simples de que o PSB do governador pernambucano Eduardo Campos não cede o passe de Ciro. Os socialistas já foram cooptados  pelo “charme” de Paulo Skaf, o homem  da FIESP.
Um último raciocínio. Há alguns anos o guru Duda Mendonça  consagrou-se porque proclamou o óbvio: o eleitorado é composto por um terço que vota no PT  e um terço que vota contra, sendo  necessário, portanto,  conquistar o terço intermediário. Isto não é mais verdade, porque o terço do PT (que deixou de ser  o velho PT) transformou-se  nos dois terços do lulismo.

Veja mais sobre o mesmo tema na coluna  Coisas da Política deste blog.

24-02-10

E a cabeça de Ciro rolou

Este encontro virou prioridade  na agenda de ambos. Tanto o presidente Lula quanto Ciro Gomes desejam ver-se urgentemente e farão isso, provavelmente, neste  fim de semana, assim que o presidente retornar do exterior. No encontro, os dois farão uma última tentativa para salvar seus respectivos projetos. Ciro teima na sua candidatura à presidência, com o argumento verdadeiro de que ele  rouba mais votos de Serra do que de  Dilma, logo…
Já o presidente quer ver o amigo candidato ao governo de São Paulo, sob o argumento não menos verdadeiro de que se Ciro “arrebentar” o esquema de Serra  no interior de seu próprio reduto, o governador paulista perde definitivamente  o fôlego na campanha presidencial.
Na verdade, se for candidato ao Palácio dos Bandeirantes, Ciro quebra um grande galho para o presidente: ele é o candidato que o PT não tem em São Paulo. E tira da reta o orgulho dos petistas que, de outra forma,  poderiam ser derrotados pelo insosso   Geraldo Alckmin. Mas, o que esta pesando mesmo, como veremos em seguida, é a grana da FIESP.
O  habilidoso governador pernambucano Eduardo Campos é também, como todos sabem, presidente do Partido Socialista Brasileiro ao qual, um dia, Ciro inadvertidamente se filiou. Em suma, Campos é dono da cabeça (destino) do eclético cearense. Vai daí que, escrupuloso, Campos  fez o possível (ou pelo menos pareceu fazer) para viabilizar o sonho presidência de Ciro. Só que agora ele (Campos) chegou à conclusão definitiva sobre a  inviabilidade de uma candidatura “socialista” ao Planalto. Esta inviabilidade decorre da falta de apoio de Lula e da escassa  musculatura do partido para enfrentar um parada tão alta.
Sendo assim, já foram tomadas as providências necessárias para  “implodir” a candidatura de Ciro dentro do próprio partido. E, se querem saber, falou mais alto a  nota preta que  o empresariado paulista (e aí que entra a FIESP) está disposto a direcionar para uma eventual candidatura de Ciro ao governo de São Paulo.
A chave do cofre chama-se Paulo Skaf,  presidente da supracitada  Federação Industrial e que confessa não saber bem  o que significam “ estas três letrinhas”: PSB. Seja como for ele está disposto a  ser candidato ao governo do Estado, caso Ciro não queira ou ao Senado.
Agora, eu não ao sei se vocês já repararam que este  Skaf é  uma mistura de  ET com Paulo Maluf, fisicamente , é claro.
Quanto ao estóico Ciro Gomes  ele será informado pelo amigo presidente Lula que terá o que quiser no governo de Dilma Rousseff, qualquer ministério, qualquer estatal,  o que quiser. Só não vale pedir a chefia da Casa Civil. Esta já tem  dono. O nome? Depois eu conto.

21-02-10

Cresce no PSDB o movimento pró-Aécio

O sucesso do lançamento da candidatura Dilma Rousseff pelo PT e a evidência de que dentro de um mês  ela estará tão próxima de  Serra que algumas pesquisas já  poderão apontar empate técnico entre ambos, levou líderes importantes do PSDB e do DEM a insistir no lançamento da candidatura de Aécio Neves à presidência, em substituição a de José Serra.
O movimento de verdadeira sublevação contra  Serra e a cúpula paulista do PSDB (leia-se FHC) é liderado ostensivamente  pelo senador tucano Tasso Jereissatti     do Ceará, coadjuvado  por Rodrigo Maia, presidente do DEM que fala em nome de seu pai, o ex-prefeito Cesar do Rio. A rebelião, contudo, está esbarrando da resistência do próprio Aécio que, consciente de que não há mais tempo hábil para a mudança, quer evitar um situação de extremo constrangimento.
Este blog está autorizado a informar, contudo, que daqui para a frente, os  pronunciamentos de Aécio  (inclusive durante sua campanha para o Senado) serão de crescente distanciamento em relação aos discursos de Serra e  de Fernando Henrique. A avaliação do governador mineiro é a de que, o PSDB levou tempo demasiado para  perceber que a “grave crise econômica internacional” colocou em estado de obsolescência boa parte, senão a totalidade, do discurso neoliberal tradicionalmente adotado pelo partido.
Para Aécio e seus assessores diretos, a “letargia “ que envolveu parte da direção do partido,  fez com que, oportunista, o PT assumisse de fato  o espectro social democrata do País, empurrando o PSDB para uma  incômoda e eleitoralmente suicida  posição de direita que não  corresponde à sua proposta original.
O presidente do partido, senador Sérgio Guerra, concorda com  a análise dos “aecistas”, mas,  em função do cargo, não pode “bater de frente” com  a dupla Serra-FHC. Então, tem-se limitado a verbalizar sua ansiedade com declarações do tipo  “eu também sou estatista”. Declarações estas  que foram mal recebidas e deliberadamente deturpadas pela mídia brasileira em estado de servidão  estrutural ao capital financeiro internacional.
Merval Pereira, o porta-voz oficial do Globo,  porta-voz oficioso da banca internacional, chegou a classificar  os pronunciamentos como o “Samba do Crioulo Doido. O PT neobrizolista de Dilma Rousseff agradece.

Mais textos sobre o mesmo tema nas coluna Coisas da Política e Pérolhas & Pílulas deste  blog.

19-02-10

As razões da Insurreição Tucana

 A atual rebelião  de parte do PSDB contra a liderança de Serra inspirou-se  na posição de Aécio Neves, adotada há três meses,  quanto ele começou a confrontar   o governador paulista e  seu modo de conduzir a campanha presidencial. Entretanto, poucos acreditam que  ainda haja tempo para que o partido mude de candidato.
Enquanto isso, o  último IBOP mostra o de sempre: Serra estacionado (como há  um ano e meio) nos 36% e Dilma aproximando-se rapidamente, já agora na casa dos 25 %. E, como sempre, a pesquisa revela  o que a mídia ensandecida não consegue enxergar: quando Ciro é retirado do questionário, Serra cresce mais do que Dilma. Ou seja, o cearence subtrai  mais votos do paulista do que da candidata oficial.

Aécio Neves ainda não sabe se partirá para a briga e aceita o desafio de enfrentar Serra numa convenção partidária, se Serra, por consenso, não desistir antes da luta. A idéia da disputa na convenção  é uma consequência natural do atual mal estar existente no PSDB, de alto a baixo, em função das indefinições do governador paulista  que, para a maioria de seus próprios correligionários, está conduzindo muito mal sua própria candidatura.
A rigor, não há nada decidido. A possibilidade de disputa na convenção foi apenas ventilada informalmente durante conversas entre os insurretos tucanos que resolveram agir, ao constatar que a nau da Candidatura Serra caminha diretamente para os arrecifes, sem que ninguém faça  nada para impedir. Mas não é  má idéia esta da disputa. Era assim no Brasil de antigamente e ainda é assim nos EUA. Desde que não haja fratura, serve para aquecer a campanha,  mobilizar o eleitorado e, de quebra, obtém-se farta divulgação na mídia.
Seja como for, Aécio vai se manifestar  através de pequenas entrevistas e informações “vazadas” para a imprensa. Não haverá, por enquanto, pronunciamento formal, para evitar compromisso. Entretanto, segundo  um assessor direto, o neto de Tancredo pretende assinalar   bem as diferenças entre ele e Serra e assumir a liderança  informal dos tucanos rebelados, verbalizando suas principais posições. A saber:
1- O neoliberalismo não é o ideário do PSDB e nem FHC é seu profeta.
2- O PT apossou-se da Social Democracia e não  quer pagar royalties aos seus fundadores.
3- O fortalecimento do estado e uma política cambial menos ortodoxa são inerências da atual crise econômica mundial.
4- Como potência emergente, o Brasil deve  procurar seu próprio caminho  na   política externa.
É provável que tudo isto não resulte na candidatura de Aécio à presidência. Ele mesmos sabe que já é tarde demais. Porém, fica marcada sua ofensiva como nova liderança do partido, desbancando “a paulistada que  conduziu o partido para o atual beco sem saída”, segundo o desabafo de um dos conspiradores.
No mais, enquanto não fala, Aécio procurará adiar  ao máximo o encontro já solicitado por Serra.
Quanto ao  antigo PFL, segundo maior partido do País, hoje reduzido ao  DEM de Cesar Maia, qualquer coisa é melhor que a atual morte lenta. Por isso, o ex-prefeito do Rio é um dos principais mentores da rebelião tucana.
Para concluir: não deve ter passado despercebida ao staff do presidente Lula, a menção totalmente gratuita ao nome de Aécio feita por Ciro Gomes, ontem, durante o programa eleitoral do PSB.

Veja mais sobre o mesmo assunto na coluna Coisas da Política deste blog.

17-02-10

Dilma defende redução da jornada
de trabalho para 40 horas semanais

 Lula tranqüilizará o Mercado, dizendo  que a mudança será gradual e inclui compensações.

 Política, teu nome é ambigüidade. Dito assim, parece uma afirmação pejorativa. Mas se dissermos que a função da política é encontrar o meio termo possível, estaremos  dizendo que sem ambivalência não é possível exercer esta profissão tão antiga .
Vejam, por exemplo, a situação de Dilma Rousseff. Ela  defenderá nos palanques a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Estará, assim, sendo coerente com seu passado e compatível com o projeto neopopulista (a fusão do lulismo com o getulismo) que estabelece um tom plebiscitário e um marco ideológico bem definido  nestas eleições presidenciais. Esta estratégia provavelmente a levará à presidência. Mas o populismo não  é muito chegado às coerências. Ao contrário, não vive sem um boa dose de  ambigüidade: o pai dos pobres e a mãe dos ricos. Não é isso o que diziam de Getúlio?
A solução para este aparente impasse não é complicada. Mestre nas negociações difíceis, o presidente Lula, longe dos palanques, explicará aos ansiosos, tacanhos e egoístas empresários que tudo será feito gradativamente e, se necessário, o governo estudará  compensações e contrapesos de ordem  fiscal  (reduções e/ou isenções de impostos) ou ainda financiamentos camaradas na rede bancária oficial. É  por isso que ele consegue  ser adorado pela porção mais pobre da população e, ao mesmo tempo, receber  este afago de Abílio Diniz, o gélido maior  varejista do Hemisfério Sul :”Sou Lula de carteirinha e desde criancinha”.
Mais complicada é a situação de Serra, cuja campanha já está nas ruas. Ele e Sérgio Guerra, presidente do  PSDB, juram  de pés juntos que não são  neoliberais retrógrados coisa nenhuma  e  que “lacerdista é a mãe”. Enfim, por que os solertes repórteres de nossa mídia defasada e  ridícula  não perguntam aos dois se  são  a favor ou contra as 40 horas semanais de trabalho? Melhor ainda, por que  não  vão perguntar isto ao FHC que está louco para aparecer e ser comparado com o Lula?
Entretanto, se  quisermos levar este assunto a sério, é preciso dizer que a redução da jornada de  trabalho é uma determinação histórica, uma inevitabilidade. De um lado ela compensa o chamado “desemprego estrutural” provocado pela  vertiginosa automação da indústria e dos serviços; de outra parte, ela  estimula e acelera o desenvolvimento tecnológico (mais automação) que vai, ali na frente, criar mais  desemprego estrutural. É o famoso círculo vicioso, ou se quiserem, virtuoso, porque,  no limite, ele  conduz  à obsolescência do Capital que vai perdendo  a capacidade de acumular, à medida em que descarta   o trabalho humano físico e direto como instrumento de produção. Ele só acumula (extrai mais-valia) explorando este tipo de trabalho.

Leia mais sobre o mesmo tema na coluna  Coisas da Política deste blog.

15-02-10

Meditações carnavalescas, pero no mucho

 “Eu organizo o movimento
Eu oriento o Carnaval
Eu inauguro o monumento no Planalto  Central
Do País
(Caetano Veloso)

No País do Carnaval, da miscigenação como projeto nacional, da bagunça organizada e da transgressão como meta individual assumida, ninguém vai implantar o socialismo aqui seguindo o modelito europeu do início do século passado. Está faltando a teorização (marxista ainda)  para a revolução do presente. Chega desse papo de que somos o País do futuro.
O parágrafo acima dá a cor local. Ninguém revoluciona um país, sendo peixe fora d’água. Mas o projeto socialista  é obrigatoriamente internacional (global) e, sendo assim, é preciso esmiuçar o sistema como um todo. Mas que sistema é este?
É um sistema (podemos chamá-lo de modo de produção) que vive sua fase crepuscular, cujo primeiro sintoma  é esta Grande Crise Norteamericana que segue seu curso. E ele está vivendo esta sua fase terminal em função de duas causas centrais: a– o Impasse Ecológico e b– o Descarte do Trabalho (enquanto esforço humano diariamente despendido)  como instrumento da acumulação do Capital.
O Impasse Ecológico não é difícil de se entende e está aí à vista de todos: seriam  necessários quatro planetas do tamanho da Terra para suportar, de forma universalizada, um tipo de  produção e um padrão de consumo, como os norteamericanos e,  já agora, chineses também.
O Descarte do Trabalho também é evidente, já que até uma criança pode notar que está havendo uma vertiginosa substituição do esforço humano físico (e também mental!) pela automação generalizada (da parte física)  e pela cibernetização das funções mentais. Eu disse mentais e não intelectuais.
Se o homem  não carregasse incrustada na sua alma a noção do pecado e da penitência que deve se paga, a  abolição do trabalho seria a visão preliminar do Paraíso. Mas isto não ocorre, por três  razões:
1- Desde o fim da Idade Média o homem vem sendo educado para ver no Trabalho sua razão de ser, quando na verdade, o que há é que  a exploração do trabalho alheio é a razão de ser do Capital. Na referida Idade Médias (feudal)  havia muito mais dias santos que dias úteis, já que os senhores feudais em associação com a Igreja,  não viviam da exploração do trabalho dos camponeses enquanto mercadoria. O servos  eram mais usados,  no serviço domésticos e sexuais, Mas, principalmente, eram utilizados como fornecedores de soldados para as guerras que, santas ou não, tinham  como objetivo central  a pilhagem e a anexação de mais territórios para o assentamento de mais servos. É de se ver, portanto, que  a imposição do trabalho diário  remunerado é  algo só recentemente  imposto ao homem, a partir do advento do modelo mercantil-capitalista.
2- Os próprios marxistas revolucionários tem dificuldade para  ver que a obsolescência do trabalho, como ele é conhecido hoje, será obrigatoriamente concomitante com o esvanecimento das duas classes sociais que protagonizam  o modo de produção capitalista: a burguesia e o proletariado. No entanto não há que lastimar o féretro de ambas, uma por  ser exploradora, a outra por ser explorada. O problema é que certos “teóricos” que apenas recitam Marx e Lênin, não conseguem acostumar-se com esta nova realidade.
O Centralismo Democrático (Marx-Lênin) que provou ser ótimo para implantar revoluções  e péssimo para mantê-las em evolução ao logo do tempo, terá que ser substituído por outro instrumento revolucionário. O mesmo deve ser dito (e é inacreditável que ainda seja necessário dizê-lo) que é preciso lançar ao mar o que sobrou de um certo puritanismo stalinista que estraga a biografia de Fidel Castro e faz com que tenhamos a sensação de que a Revolução Cubana  esgotou seu prazo de validade.
Nas colunas O Impasse Ecológico e Para Entender a Crise, estes temas são estudados de forma menos apressada. Aqui eles foram apenas enunciados.

5-02-10

Sensacional: Globo descobre que há chavistas na Venezuela

 Durante semanas, o jornal dos Marinhos  ludibriou seus leitores da forma mais descarada, tentando passar a impressão de que as ruas de Caracas estavam tomadas por uma multidão de opositores liderados por estudantes. Os redatores não tiveram escrúpulo é trapacearam informando que  durante as manifestações ocorreram duas mortes,  sem esclarecer que uma das  vítimas, de  quinze anos, era chavista. No noticiário de hoje,  mesmo de forma distorcida ainda, o  jornal é obrigado a reconhecer que  os manifestantes  estão divididos meio a meio entre  prós e contra  Chávez.
Em sua matéria desta quinta-feira, a enviada especial do Globo  informa de Caracas: “Duas grandes manifestações realizadas ontem em Caracas mostram bem a divisão política e as diferenças com que chavistas e  antichavistas são tratados pelo governo”.  Em seguida ela denuncia  que   enquanto as manifestações favoráveis não enfrentaram nenhum problema, os oposicionistas foram  barrados  pela polícia e não conseguiram concluir uma passeata.
Podemos até  acreditar nesta  versão em consideração à profissional  que a emitiu, mesmo  em se tratando de um jornal  que de  forma  contumaz distorce  absolutamente   as informações que fornece a seus leitores. Seja como for, estes incautos clientes do jornal ficaram finalmente  sabendo que em  Caracas também há “grandes manifestações” a favor de Chávez.
Vejam como isto é diferente do que o jornal servia  aos leitores como informação, há  três dias:
“Depois  de tirar do ar cinco canais de TV a cabo do país – desencadeando uma onda de manifestações estudantis que tomou as ruas  de várias cidades e deixou dois estudantes mortos em choque com a polícia na semana passada – o presidente Chávez anunciou que vai pedir uma punição ao jornal “Tal Cual” alinhado à  oposição.”
Foi neste parágrafo inocente que o Globo  enganou seus leitores, deixando de informar que  metade  dos manifestantes, inclusive um dos estudantes mortos,  eram chavistas. A matéria da enviada especial, hoje,  revela e de certa forma corrige , mais esta mentira.

4-02-10

Para o bem ou para o mal,
você pode acreditar no Chávez.
Ele é  revolucionário mesmo

 Esta matéria deve ser lida em combinação com a que vem logo abaixo dela.

 O Globo finalmente emergiu do lodo da redação onde esconde  algumas de suas precárias penas de aluguel  e ofereceu a seus leitores, hoje, um texto que se eleva  bem acima do papel higiênico  habitual.  O autor é  Demétrio Magnoli, um reaça simpático (ele não gosta  quando dizem que é de direita), articulado e bem intencionado. Em seu artigo, “O terceiro Chávez”, ele nos  dá uma interpretação acadêmica e razoável do papel de Hugo Chávez na Venezuela e no Continente.
Começa lembrando a seus colegas de redação global que Chávez não é   o ser bizarro de vocação ditatorial que é  como a Maison Matinho o descreve habitualmente. Reconhece que antes de ser apenas mais  um caudilho espalhafatoso, o venezuelano quer realmente subverter o Continente, embora o reduza a alguém desprovido  dos ingredientes intelectuais para arvorar-se  como um dos elementos da linha sucessória  que começa com Marx e sua Primeira Internacional Socialista, avança com a Segunda Internacional  dos Sociais Democratas europeus (cuja herança  chegou a se disputada no Brasil por FHC e Brizola), continuando com a Terceira de Lênin e a Quarta  de  Trotski.
Para Magnoli, é inadmissível que este respeitável caudal histórico venha desaguar na Quinta Internacional recentemente lançada  por Chávez. Só não fica claro é o porquê de tanta indignação. Se ele rejeita o socialismo, em que pode lhe interessar o nome do condutor?
Demétrio, como gladiador  seduzido pelo poder, lastima que em pleno Século XXI ainda se fale de socialismo, sem perceber que este século assinala exatamente  o crepúsculo do capitalismo. Crepúsculo este que  já tem o seu marco histórico: a Grande Crise Norteamericana. O fato de os teóricos chavistas ainda não terem acertado a mão no  conceito mais preciso do que  seja a Revolução Bolivariana é uma outra conversa.
Sua lamentação maior, porém, está no fato de Lula dar apoio tácito a Chávez sem falar  da cooperação explícita (Valha-me Nossa Senhora!)  do chanceler Amorim. Afinal, o que fizeram daquele  nosso mundinho submisso, unipolar, alinhado automaticamente e tão fácil de entender?
O que, além disso,  boa parte das elites brasileiras não tolera, seja por razões de  sentimento, seja por razões de bolso, é que se crie um clima de efetiva  solidariedade  e identidade  latinoamericanas que são o oposto, o antídoto, à americanofilia.  Isto fica  claro  quando Demétrio critica o fato de Lula não ter aceito a  mão estendida de Obama que lhe propunha  um pacto  estratégico.
Lula, o inculto, é muito mais sagaz  do que  todos os Demétrios e Marinhos juntos. Então, após recusar o pacto do Obama que ele viu como um acordo entre o lobo e o cordeiro, concretizou alianças estratégicas, neste novo mundo multipolar, com Sarkozy e Wen Jibau ( China). Quanto a Chávez, Lula não o inventou nem infla o seu viés revolucionário, mas convive com ele numa boa, até  porque o  presidente do Brasil não é suboficial de polícia do Continente.

3-02-10

Venezuela caminha para o socialismo?

  Habituadas a tratar Chávez com negligência e preconceito, apresentando-o a seu leitores e espectadores como um trapalhão inculto e boquirroto, as Organizações Globo envenenam-se com o próprio veneno e não percebem que os  tumultos   de rua ensaiados, estimulados do exterior e que transtornam  a vida das principais cidades  venezuelanas, estão  contribuindo, na prática, para que a Revolução Bolivariana queime  etapas e aproxime-se ainda mais de Cuba.
Como mente e engana  sistematicamente a seus leitores, o Globo não percebe que o feito de  Hugo Chávez é o de ter conseguido, até aqui, adotar medidas efetivamente  socialistas, sempre respaldado em dois fatores essenciais: o apoio popular e o respeito  à Constituição ainda que,  na sua essência, ela  seja de inspiração burguesa.
Se fosse possível resumir em uma frase, eu diria que  o grande mérito do presidente venezuelano é o de ter conseguido, até agora, contemplar as porções mais pobres de  seu País com os benefícios que nem os  adversários mais ferrenhos  negam ao regime de Fidel Castro. Com a diferença  fundamental, porém, de que na  Venezuela não há  a imposição do “Centralismo Democrático” de corte leninista. Centralismo este  que  se converteu no calcanhar de Aquiles dos dirigentes cubanos e a  nódoa em suas biografias.
A receita  dos  teóricos  chavistas, com forte inspiração em Gramsci, procura contornar o dilema leninista que é o de  saber  fazer eclodir a revolução, mas fracassar  na sua sustentação e desenvolvimento. Este,  na verdade, é o dilema, das esquerdas, hoje, ao redor do Planeta. Hugo Chávez, que o Globo na forma mais infantil tenta ridicularizar, foi o primeiro a  tentar desbravar um novo caminho revolucionário neste início de século assinalado pelo crepúsculo do capitalismo.
Grosseiros, mal intencionados e ignorantes o Globo e seus redatores, recorrem  ao atalho da pilhéria, da distorção e da mentira pura.  Não vêem, por isso, que apesar  dos equívocos administrativos e da  grave crise  de abastecimento (escassez de gêneros e energia), Chávez  ainda dispõe do apoio de exatos  cinquenta  por cento da população. Exatamente a sua metade mais pobre e, contudo, a mais bem organizada. No artigo de amanhã, falaremos desta organização que passa pelos sindicatos e pelos partidos políticos, mas que  está assentada, basicamente, nos Círculos Bolivarianos e suas   milícias, bem como no Exército. Exército,  diga-se, que tem raízes populares e  foi , nas décadas de 50 a 80, fortemente influenciado pelo Partido  Comunista. Atualmente coopera estreitamente com o Exército Cubano.
Na terça-feira O Globo gastou  uma página inteira para dizer o óbvio: o Movimento Chavista  evolui ainda mais para a esquerda. A  primeira verdade cristalina que este jornal-balcão conseguiu publicar em muitas décadas E o leitor deste blog deve estar lembrado que em artigo de dois dias atrás, informamos  que o novo vice-presidente e o novo Ministro da  Defesa, (ambos substituam a Ramón Carrizáles que acumulava os dois cargos) representa a garantia de que, com a  eventual saída de Chávez, a Revolução Bolivariana caminharia ainda mais  para a esquerda.  Elias Jaua (vice-presidente) é conhecido por sua articulação com os movimentos considerados mais radicais. Já o general Mata Figueroa ao assumir, segunda-feira, o Ministério da Defesa, disse com toda a simplicidade: “No  hay outro camino sino el revolucionário”.

 

29-01-10

Fica pra próxima. A Globo bem
que tentou, mas Chávez não caiu

Sintonizadas sempre com o Departamento de Estado Norteamericano, as Organizações Globo apostaram  mais uma vez que era chegada a hora de derrubar Chávez. Iludida  pela própria fantasia, destinada em principio, a iludir apenas a seus  leitores e  espectadores, a Maison Marinho foi fundo e usou expressões do tipo “fazendo água” e “esboroando”. Quando viu  os estudantes na rua protestando contra  o corte temporário dos sinais  ( algumas horas)  de seis TVs a cabo, imaginou logo que   em pouco tempo Chávez estaria  pedido asilo na embaixada brasileira, assim como Zelaya.
O que ela não viu ou omitiu covardemente de seus leitores é que aquela multidão de jovens  estava  dividia, meio a meio, entre os  que protestavam contra Chávez e os denunciavam a tentativa de golpe contra o presidente, orquestrada por Washington. Seria ridículo dizer que  isto é um exagero ou uma neura, porque  há exatos oito anos, os EUA comandaram efetivamente um golpe contra Chávez. Golpe que gorou por causa da  reação popular (nesta época  Chávez  desfrutava de70% de aprovação) e por que a maioria das Forças Armadas não aderiu. Sem falar no importante apoio externo oferecido pelo presidente Lula que  mobilizou os chamados  “Amigos da Venezuela” e denunciou a manobra.
Quando  as manifestações desta semana evoluíram para o tumulto e o confronto que  resultou em mortes, a Maison, com o refinamento de um perfeito calhorda anunciou apenas que houve duas  vítimas, sem esclarecer que um dos mortos era chavista.
E a mídia  brasileira, de um modo geral participou da farsa, fazendo questão de omitir  um pequeno detalhe técnico-constitucional: as empresas punidas descumpriram deliberadamente, num ato de provocação aberta (e provavelmente ensaiado), a legislação vigente e legitimamente aprovada por um Congresso legítimo. Esta legislação obriga, exatamente como no Brasil, que  os veículos de comunicação,  via rádio e TV, transmitam pronunciamentos do presidente da República.
Amanhã devemos concluir esta série de  matérias  sobre  a Venezuela,  mostrando que a popularidade  de Chávez não surgiu do nada. Surgiu de uma  consistente e persistente  política de distribuição de renda que, em dez anos, erradicou a miséria do país. E, ademais, no mesmo período  foi implantado um programa nacional de saúde que é reconhecido internacionalmente como um dos melhores do Continente, só  perdendo em excelência para o de Cuba, cujo índice de  mortalidade infantil é menor do que o dos Estados Unidos.

28-01-10

Calma pessoal. Chávez não cai. E se
cair, entra outro ainda mais radical

 O assunto merece mil páginas. Mas como tenho um trato com  meus leitores (eles não me abandonam e eu não escrevo mais que 30 linhas por dia) vamos limitar esta matéria de hoje a sete tópicos que, concatenados, representarão uma espécie de introdução a um tema fascinante, embora a mídia brasileira, falsa e medíocre, tente ridicularizá-lo: a Revolução Bolivariana da Venezuela.

Vamos lá:

1-“A Revolução Bolivariana proposta pelo presidente Hugo Chávez mistura elementos históricos e políticos de momentos diferentes, tentando conciliar uma democracia popular participativa com um partido civil-militar de esquerda”.  Esta é a definição ultra-sintética  do historiador venezuelano Alberto Garrido, autor de 12 livros.
2- Agora, um aviso aos navegantes: para o bem ou para o mau, podem acreditar no Chávez, ele é revolucionário e marxista mesmo.
3- De tanto tentar ridicularizar e vulgarizar o presidente bolivariano, a mídia brasileira, vulgar e ridícula,  acabou acreditando na própria troça e não vê que: a– porque historicamente arregimenta  seus oficiais junto às camadas  mais humildade da população, o Exército  Venezuelano é, dentre  todos os do Continente, o mais enraizado junto aos setores populares e o mais solidário com suas reivindicações. b– desde os anos 50 até os 80 do século passado, o Partido Comunista da Venezuela – que era um dos maiores e mais bem organizados  da América, “fez a cabeça” de boa parte da oficialidade, inclusive nas prisões.
4-Hoje, em função de equívocos e má gestão administrativa de alguns  setores, bem como da crise mundial e  queda dos preços do petróleo, a popularidade de Chávez baixou para os 50 por cento.  Mas há quatro anos, quando ele mudou a Constituição, seus índices de aprovação era lulísticos, mais de 70 por cento.
5- Esta popularidade  é devida ao receituário  básico  daquilo que a mídia, torcendo o nariz, chama de populismo. Populismo este que tem os seguintes ingredientes: discurso nacionalista, estado anabolizado e farto de  empregos e, principalmente, aumento real dos  salários mais baixos baixos. Tudo isto associado  a  políticas públicas  de distribuição de renda tais como Bolsa  Família, e assistência médica  gratuita e de boa qualidade. Enfim, de tanto criticar o “populismo”, a mídia vai acabar nos convencendo de que  não existe melhor  forma de governo.
6- Este item é fundamental: Chávez disseminou por todo o país os Círculos Bolivarianos, no nível do bairro,  da escola, do trabalho, do sindicato, etc. A abrangência , portanto, é total e eles funcionam  como instrumento de mobilização e adestramento político. São estes círculos que  dão sustentabilidade  ao governo, muito mais do que os partidos convencionais utilizados para  dar cobertura institucional ao projeto. A mídia, mais uma vez ridícula, alcunhou  os Círculos de  sovietes à moda do Chávez,  supondo que  debochava. Ocorre que não há motivo para  hilaridade, porque estas organizações  sustentam Chávez assim como os sovietes  sustentavam Lênin.
7- Finalmente, é preciso reconhecer que a classe  média  venezuelana, na sua parte anti-chavista,  inflada pela mídia, já adquiriu capacidade para promover  grandes manifestações de rua. Mas está longe de poder derrubar  o governo e sustentar  um regime golpista. Para isto é necessária a afluência maciça das Forças Armadas, algo que já foi tentado  e não obtido no golpe frustrado  patrocinado por Bush em abril de 2002. De concreto: se Chávez renunciar ou for renunciado, será substituído por seu  novo vice-presidente, Elias Jaua –  mais radical que  o que o renunciante de três dias atrás, Ramón Carrizáles  -, ou pelo novo ministro da Defesa,  general Carlos Mata Figueroa, tido como mais chavista do que o próprio Chávez.
Haveria muito mais que dizer,  mas deixaremos isto para amanhã. Antes, porém, quero reproduzir aqui palavras de um  companheiro de Twitter, Eduardo Ramos, lá da Venezuela , que  me enviou, ontem à noite , a seguinte mensagem: “la verdad es que, fuera de los medios de comunicación se vive otra Venezuela. La realidad es outra. El pueblo no quiere volver al pasado de la 4ta. República”. (período anterior ao de Chávez)

27-01-10

Honduras foi só uma “prova simulada”. O alvo real
dos EUA e  mídia  golpista é a Venezuela de Chávez

O Globo é o Departamento de Estado e Merval Pereira é o seu profeta.

Dos dois estudantes mortos ontem na região de Mérida, um, de apenas  15 anos, participava de uma passeata a favor de Chávez. Mas da forma mais calhorda a mídia anuncia as mortes  em meio  a “manifestações generalizadas” sem esclarecer este pequeno detalhe.

Ler os editorias do Globo e a coluna de Merval Pereira, o escriba-mor da casa, é como ter acesso aos documentos internos do Departamento de Estado norte-americano. Nenhuma discrepância, simetria absoluta e alinhamento automático. Por lei, um dia  os documentos sigilosos americanos serão  divulgados. Nem seria necessário,  a Maison Marinho os antecipa com precisão.
O objetivo estratégico  óbvio é Delenda Chávez. Mas há algo , mais importante por trás desta obviedade: a disputa geopolítica que  Brasil e Estados Unidos travam , neste preciso momento, pela influência política em toda  a América Latina e pela hegemonia política, econômica e militar na área especifica da América do Sul. Sendo certo que o exercício hegemônico brasileiro se dá pela via da integração, evitando melindrar vizinhos e parceiros.
O MERCOSUL com seu Parlamento e a UNASUL, União Sulamericana, que  um dia   deverão se fundir, como na União Européia, são os  principais instrumentos de ação brasileira. Sem instrumento equivalente  já que não conseguiram (por causa da oposição brasileira) implantar a ALCA, que seria o  Mercado Comum das três Américas, os EUA limitam-se  a ações pontuais, tentando  evitar que o Brasil consolide a UNASUL. Tem sido assim no Peru e na Colômbia, únicos países que ainda não aderiram  francamente  à política de integração continental. O Chile já é membro (na qualidade de observador) do MERCOSUL e continuará sendo.
O objeto material desta disputa é bastante claro: simultaneamente com a consagração do presidente Lula em Davos, onde recebe o título de Estadista Global do Ano, o Brasil foi eleito, por especialista e pela mídia  mundial, como o país mais promissor neste início de século. A estimativa é a de que seremos, lá pelo ano 2020, a  quinta economia do Planeta. Ocorre que  se efetivada a integração sulamericana, na soma dos território, população e produtos brutos, estará sendo criada, imediatamente, esta quinta maior potência, sendo a maior do  Hemisfério Sul. Nicolas Sarkozy, pela França, e  Wen Jiabao pela China, já perceberam isto e esforçam-se por estabelecer alianças estratégicas com este bloco liderado pelo Brasil. E isto é tudo o que o Departamento de Estado, o Globo e o Merval não querem.
Fica mais fácil, assim, entender o golpe contra Zelaya em Honduras e a imediata resposta brasileira. E fica evidente que  Honduras foi apenas o test-drive. Na ocasião  inventou-se a aberração jurídico-constitucional do “golpe preventivo” que Jabor, com seu espalhafato de intelectual vazio, trombeteava para os fãs de classe média. Mas se Jabor é apenas o bobo da Corte Global, Merval é seu Maquiavel e tenta convencer a seus incautos leitores de que o Brasil  “ainda não está com esta bola  toda” e faria melhor se restaurasse a velha política do alinhamento automático (com o Grande Irmão do Norte) que foi a tônica da política externa de FHC.
Num esforço de reportagem eu poderia tentar contemplar meus leitores com alguma indicação de quais serão os próximos passos do Departamento de Estado. Não carece tanto trabalho. Basta ler o editorial de hoje do Globo:
“Faz água o regime autoritário do coronel Hugo Chávez na Venezuela. O governo esfarela com a saída dos ministros da Ciência e Tecnologia”… E por aí vai.

26-01-10

A Venezuela aproxima-se da  hora da verdade

 A venezuelana é um sociedade rigorosamente partida ao meio. E assiste a uma  tentativa inédita de revolução socialista com obediência (até agora) aos limites impostos pelos direitos constitucionais emanados da ideologia burguesa. Esta contradição  essencial – que, afinal, é da vida -, marca o chamado bolivarianismo  e a trajetória política de Hugo Chávez.
Na opinião pública e nas manifestações de rua esta partição ao meio é bem evidente, embora a mídia brasileira  só ofereça a seus leitores os atos  de contestação  ao governo. A morte, ontem à tarde de um estudante de 15 anos, baleado durante manifestação pró-Chávez, desnuda a parcialidade dos jornais brasileiros. Entretanto, a renúncia , também ontem, de Ramón Carrizález, vice-presidente e ministro do Poder Popular para a Defesa, pode indicar uma trinca no  monolítico esquema de segurança do movimento chavista. Carrizále, íntimo de Chávez e um oficial da reserva,  foi substituído pelo general Carlos Mata Figueroa, um oficial da ativa.

 A História, é bom lembrar sempre,  não  se repete. Mas nos oferece  importantes analogias e ensinamentos que devemos prudentemente assimilar. Então, olhando a “Venezuela 2010” nos acode dizer: Eu já vi este filme. Seria o “Brasil 64” de João Goulart, o “Chile 73” de Salvador Allende ou o “Peru 75”de  Velasco  Alvarado?
Um pouco dos três, eu diria, mas com uma diferença fundamental: Os Estados Unidos, com todo o seu poderio atômico, com todo o seu Departamento de Estado , com toda a sua CIA e com toda a grana  que compra e determina a linha editorial das mídias nacionais nos diversos países sulamericanos,  não tem mais a capacidade de abortar revoluções como a pretendida por Chávez e seus seguidores.
Eu disse uma diferença fundamental? Perdão, são duas. A outra é que pela primeira vez em toda a sua longa e sofrida histórica, a América do Sul jamais como agora esteve tão bem articulada na cooperação política e econômica entre os países  que compõem sua comunidade. À exceção da Colômbia, do Peru e, talvez, do Chile, há um movimento  não apenas tácito  mas já suficientemente institucionalizado   de  solidariedade e mútua ajuda. Isto representa um fator especial de coesão ideológica que abrange  80 do território, da população e do Produto Bruto do Continente. E este é exatamente o grande diferencial geopolítico assinalado neste início de século que é, não por acaso, o século do declínio norteamericano.
Com estes  poucos parágrafos espero ter  demonstrado que  há um câmbio essencial na correlação de forças no nível  das relações externas do Continente. É uma diferença tão grande que já  é possível perceber um sutil pensamento que  corresponde à disseminação de um sentimento de unidade “quase nacional” quando nos referimos  à América do Sul como coisa nossa, como  um patrimônio comum a todos os povos (los hermanos) do Continente. Sentimento este que já está embrionariamente institucionalizado e ordenado através do Parlamento do MERCOSUL, da cooperação  econômico-militar e da  UNASUL, União Sulamericana. A tudo isto, eu  prefiro dar o nome de Pátria Grande.
Muitas destas coisas podem soar como novidade para alguns leitores, justamente porque nossa mídia faz o possível para sonegar-lhes estas informações  elementares. Mas ainda falta estudar, no caso venezuelano, a correlação de  suas forças internas. Esta tarefa é mais difícil, porque como já observamos, o país  está dividido ao meio. Seja como for este será tema para a continuação desta matéria, amanhã.
Por hoje, para  não fugir à regra editorial deste blog  que manda evitar  textos muito longos, vamos concluído, não sem antes  assinalar que  apesar de todas as tentativas de neutralizá-lo, via demonização, achincalhe ou folclorização, a mídia  brasileira alugada pelo Departamento de Estado norteamericdano não consegue apontar um único ato de Chávez praticado  ao arrepio da lei e da Constituição da Venezuela. Ao contrário, vitima de um golpe tramado ostensivamente por Bush em  2002, o presidente venezuelano não partiu para o contra-golpe e, anos depois, obedeceu de forma exemplar o resultado do referendo de 2007, quando  tentou alterar a Constituição  e foi derrotado por menos de  um por cento dos votos. 50,7 % votaram contra e 49,29 a favor – os números da sociedade partida ao meio.
Em situação de quase empate como esse, os republicanos, não  vacilaram (2004) em tungar seus adversários e eleger fraudulentamente seu candidato George W. Budh,  esta flor de pessoa.

22-01-10

O Globo agora já vê Lula como
“moderador”  da América do Sul

 Os Marinhos precisavam explicar  aos seus  leitores  ao quais mentem com contumácia, porque é que apesar de ser tratado pela mídia brasileira como um “trapalhão”, Lula receberá esse mês, em Davos, o titulo de Estadista Global do Ano”.

 Há um mês dissemos aqui neste blog que o Globo, como porta-voz do Departamento de Estado Norteamericano e o Merval Pereira, como porta-voz do Globo, estavam custando para entender porque, apesar da seqüência de cotoveladas, Obama tinha tanta paciência com Lula. Finalmente eles entenderam e, em sua coluna de hoje, o pena-de-ouro da Maison Marinho “descobriu” que Lula não segue Chávez como um animal amestrado. Ao contrário – acrescentou eu-, Chávez é que  estabelece seus limites de acordo com pauta fixada pelo Itamaraty. Foi assim, por exemplo, em Honduras.  A partir do momento em que o Brasil “topou a parada” de bancar Zelaya, o bolivariano prometeu calar-se e calou.
Mas  vejamos o que mestre Merval pontifica para   seus incautos leitores de classe media:
“Mesmo que Lula esteja mais próximo de Chávez do que seria desejável, como no caso de Honduras, ele ainda assim é uma barreira aos arroubos chavistas”.
Quem te viu e quem te vê. No artigo que escrevi há um mês, dizia que provavelmente alguém do Departamento de Estado  chamou o Marinho para um canto e disse com sotaque arrastado:” Menos, menos! Vocês estão  nos atirando contra o Lula. Não percebem que se  estragarmos o dialogo com o Brasil, ficaremos reduzidos, na América do Sul ao Uribe e ao Alan Garcia?”
Até Pedro Bó aprende. Os Marinhos e Merval aprenderam. O difícil agora será explicar aos seus leitores que o João era Mané, ou vice-versa. E o tucanos (Mas que maré braba é esta!) perderam mais um item de seu discurso oposicionista.

19-01-10

A perna muito curta da mentira

 Não foram necessárias nem 24 horas. O Globo ainda era vendido nas bancas com a informação, impressa na coluna de Ricardo Noblat, de que Aécio Neves poderia ser o vice de Serra, enquanto o próprio governador mineiro desmentia cabalmente a notícia, durante almoço no Rio, com o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia. Aécio deixou mais uma  vez bem claro que  será candidato ao Senado. Aliás, já está em campanha.
Rodrigo, cuja função principal é a de ser escudeiro de seu pai, César Maia (a presidência do DEM é o famoso bico, tradição das relações de trabalho brasileiras), conseguiu, junto a Aécio, uma importante vitória, o apoio à candidatura de César ao Senado, numa eventual aliança entre o PSDB, o DEM e o PV no Rio.
Isto resolveria um grande problema envolvendo os três partidos: como garantir um palanque para Serra no Rio, algo indispensável para quem pretenda ser presidente.  Como o PV, mesmo depois  de lançar Marina à Presidência, não deixou de namorar Serra (coisas da política), bolou-se uma solução heterodoxa: Quando Marina vier à Cidade Olímpica, seu palanque será  garantido por Gabeira, como candidato a governador. Na vez de Serra, o comício seria organizado por César, como candidato a senador. A outra vaga ao Senado seria da verde Aspásia Camargo.
Tudo ia bem até  que o presidente do PV do Rio, Alfredo Sirkis, decidiu vetar César, por uma  razão simples  e difícil de se transpor: ódio pessoal. Agora Aécio, já que ele não sai mesmo do Rio,  vai atuar como bombeiro.
Enfim, está é a verdade simples dos fatos. A possibilidade  da  chapa puro sangue  (Serra/Aécio) é pura lucubração de Ricardo Noblat que, habituado a trabalhar num jornal  monopolizador  dos leitores de classe média (não há censura maior do que a do monopólio da imprensa) sente-se desobrigado de servir a seus  leitores as coisas do jeito como ela são.  As demais razões disto estão  nesta outra matéria logo aí  em baixo.

18-01-10

Noblat e os delírios de um sonhador desinformado

 Segue o samba do Globo Doido

Meus queridos e assíduos leitores estão cansados de saber que não há a menor possibilidade de Aécio Neves vir a ser ovice de Serra.Há pelo menos três meses, estivemos acompanhando, passo a passo, o afastamento de Aécio não só em relação ao Serra, como ao próprio PSDB e seu discurso velho e inadequado. Foi Aécio, aliás, quem primeiro denunciou a obsolescência do posicionamento ideológico tucano, cujo neoliberalismo ficou totalmente comprometido pela  Grande Crise Norteamericana. Não que  o mineiro seja  muito mais progressista que o paulista. Apenas, ele viu antes que não dava para enfrentar o lulismo em ascensão, carregando nas costas o FHC e suas teorias do já distante século passado.
O clímax do afastamento ocorreria em novembro, quando Aécio recebeu Ciro Gomes no Palácio das Mangabeiras. E o intrépido e eclético cearense de Pindamonhangaba não deixou por menos:  referiu-se a Serra como  “o Coiso”.
Enfim, estivemos atentos, estes meses todos, ao humor político  desta fase pré-eleitoral e seus principais personagens. Mas procuramos não ficar na superfície da mera  intriga. Procuramos combiná-la  com as forças subjacentes que são o verdadeiro motor da política e da História, aqueles confrontos muitas vezes disfarçados, mas permanentes, dos interesse sociais de classe. Numa palavra: a ideologia e seu contexto.
Pois não é que o Ricardo Noblat resolve, nesta segunda-feira, “informar”  a seu leitores que Serra ainda sonha (e, pior, ainda poderá) ter Aécio como vice.
Se fosse apenas desinformação, vá lá. Mas é um misto  disto com falta absoluta de respeito aos leitores tratados como rebanho, massa de manobra ou moeda de troca. É provável que Noblat saiba que Aécio jamais venha a ser o vice de Serra. Mas, por espírito de bajulação ou por ordens lá de cima, resolveu injetar um pouco de oxigênio no balão apagado da candidatura tucana. Aécio era realmente e a última  esperança de Serra. Esperança que ele desdenhou durante  meses a fio, a ponto de  perder um aliado e ganhar um desafeto ao mesmo tempo. Bobagem dizer que em política tudo é possível. Há elementos que não dão liga. Por isso é mais correto dizer que política é a arte do possível.
Então, o que  encontramos por trás  desta notícia sem pé nem cabeça oferecida  por Noblat a seus leitores. Temos o rebuliço em que se transformou a Maison Marinho desde que todas as evidências passaram a apontar para o fim do ciclo neoliberal.  Num dia, nos aparece  seu escriba-mor, o Merval Pereira, e passa uma espinafração no Serra e do Sérgio Guerra, presidente do PSDB, só porque eles insinuaram a possibilidade de uma leve correção, à esquerda, da macroeconomia, com uma intervenção maior no câmbio. Em seguida,  aparece Miriam Leitão e diz, fazendo coro com Merval, que não dá para entender a nova posição  tucana, “é o Samba do Crioulo Doido”. Finalmente,  Noblat, como que querendo colocar panos quentes, nos dizer que “Serra vai muito bem obrigado” e “fará o possível para não confrontar com Lula”. Que temos finalmente? O fim das oposições ou a segunda parte do Samba do Globo Doido?

O ideal é que esta matéria seja lida de forma combinada com as  publicadas nos últimos dois dias, na coluna Coisas da Política.

5-1-010, atualizado em 6-1

De volta ao passado:
Serra agora ataca de Itamar

 Ontem à noite, Itamar tentou desmentir seu interesse em ser o vice de Serra, dizendo que  sua atuação  é no sentido de apoio à candidatua de Aécio Neves à presidência. Como, se  o governador de Minas já abandonou formalmente sua candidatura? Na verdade, velho marinheiro,  Itamar quer  namorar Serra sem ficar mal com Aécio.

 Ignorado por Aécio, rechaçado por Marina e impossibilitado de ter um vice  fornecido pelo DEM, por causa do Escândalo Arruda, José Serra,  finalmente, passou giz no taco e deu uma dentro: encontrou o cara-metade que lhe faltava para  compor sua chapa presidencial. Nada menos que o ex-presidente Itamar Franco que, ao que tudo indica, topou a parada.
O articulador do enlace foi Roberto Freire, presidente do PPS, partido ao qual o ex-presidente filiou-se recentemente para  tentar, aparentemente, uma vaga no Senado.  Freire, desde que deixou de ser  o principal líder comunista do País, derivou tanto para a direita  que hoje tem trânsito livre no Palácio dos Bandeirantes e pode ser considerado uma espécie de  Assessor  Especial  Para  Qualquer Assunto do governador paulista.
Quanto a Itamar, ele mesmo reconhece que sua carreira política foi “uma sucessão de acasos”. Há 20 anos, por exemplo, ele parecia conformado com uma difícil reeleição para o Senado pelo PMDB, quando recebeu um convite inusitado de  um tal de Collor,  cuja candidatura à presidência,  naquela altura, não era levada  a sério. Sem muitas alternativas, Itamar aceitou ser vice do Caçador de Marajás que, 100 dias depois,  já se transformara em queridinho  da classe média moralista e da  Rede Globo. Passados mais dois anos, Collor foi pego com a mão na cumbuca, e Itamar virou presidente.
Nas conversas com amigos em Juiz de Fora, Itamar já admite abertamente ser candidato. Faltariam apenas as últimas ponderações de Serra e do Conselho de Caciques do PSDB, onde FHC pontifica. A favor de Itamar, pesa o argumento de que Minas  é  essencial no tabuleiro eleitoral. Contra, o gênio forte de ex-presidente, um incorrigível criador de casos, qualidade que ele  vem apurando ao longo da vida e que agora atinge seu clímax, quando  chega às portas dos 80 anos de idade.

Veja também, na coluna Coisas da Política, a resposta  atravessada de Marina ao convide de Serra para que fosse sua vice.

22-12-09

Réquiem para o Estado Mínimo

Estamos nos despendido da  coluna Quem tem medo de Míriam Leitão? Em seu lugar entra  Constituinte já, um tema mais atual e urgente. A coluna  anterior fora criada  num momento em que  julgamos que  era necessário romper com alguns paradigmas neoliberais que  inibiam nosso pensamento. Agora que  a experiência da vida real, neste pós Crise  Americana, indica  que  pretender um estado mínimo  além de tolice é um suicídio (a menos que  haja uma adesão coletiva ao Anarquismo) e num  momento em que  Obama fortalece o Estado para salvar seu país dos descalabros provocados pelo Mercado  livre leve e solto, nos parece que insistir neste tema é chover no molhado.
Os próprios neoliberais já não falam mais nisso. E até mesmo a Miriam  preferiu cuidar agora  da Ecologia enquanto os tucanos, em peso, revoam na tentativa de  renegar seu passado neoliberal.
Finalmente, vimos, ontem  (21), o presidente Lula ser aplaudido por uma platéia de empresários depois de dizer que o o Estado tem que ser forte, o que ele não pode é ser intruso.
Sendo assim nos despedimos de Miriam, uma  profissional bem intencionada, vítima,  ela própria, dos axiomas implícitos que  ajudou a difundir.
No parágrafo  abaixo,  leremos pela última vez, neste blog, a  abertura da coluna que  está sendo extinta.

Quem tem medo de Miriam Leitão?

Míriam Leitão é um paradigma do modo de pensar neoliberal que, durante três longas décadas, impôs políticas e filosofias de vida (principalmente de consumo) de forma tão avassaladora que mais parecia uma avenida unidirecional sem possibilidade de retorno . Sem contradições. Era a treva, como diz a garotada. Agora, porém, graças ao bom Deus, ressurgem a controvérsia e a vida. Mas ainda é preciso romper barreiras psicológicas, incrustadas em nossas mentes e em nossas almas, durante o reinado absolutista do Mercado. Romper estes entraves requer espírito forte, pois não é fácil encarar o patrulhamento da emérita colunista de O Globo, habituada a dar pito e dizer o que fazer a ministros, chanceleres, presidentes e o Papa. Daí, o nome desta nova coluna do nosso blog. Com ela, juntos, todos nós mortais comuns, vamos reaprender a perder o medo. Assim, por exemplo, quando setores do governo decidirem injetar dinheiro público para o salvamento, por exemplo, das gigantes Perdigão e Sadia, para evitar um tremendo rombo em nossa balança comercial, ninguém mais precisa perguntar: gente, o que é que a Míriam Leitão vai dizer?

19-12-09

Copenhague anuncia o Crepúsculo do Capitalismo
Parte III

O que sobrou da Reunião de Copenhague, um  dos maiores fiascos  coletivos  da História, foi a virada de mesa  do presidente Lula. Quebrando o protocolo (discursou uma segunda  vez sem pedir licença) e, falando de improviso como nos  tempos do Sindicato dos Metalúrgicos, ele  arrebentou a assembléia e saiu coberto de aplausos.

Para que não digam que exagero, transcrevo  texto de Ancelmo Gois em sua coluna de hoje, no Globo: “Veja como Lula é inteligente. Um ecologista do governo diz que até dois meses atrás, o presidente pouco sabia  sobre o aquecimento global. Rapidamente aprendeu e, em Copenhague, brilhou merecidamente”.

E seria pedir demais para que  o Globo publicasse  isto na primeira página. Mas olha só a manchete do jornalão na página  40, sobre Copenhague: “Lula ofusca Obama e atrai as atenções”.

Salvou-se também o presidente boliviano Evo Morales que serenamente, em meio aos tumultos nas ruas e na assembléia, proferiu a frase que é a síntese histórica da reunião: Não percam vosso tempo com  mesquinharias  e  coisas periféricas. A Humanidade só estará a salvo do desastre ecológico, quando substituir o atual modo de  produção capitalista por outro mais inteligente e generoso, mais compatível com a dignidade  do homem.

E até o Chávez conseguiu dizer uma frase inspirada chamado Obama de “Prêmio Nobel da Guerra”.

O resto todos  já sabem: os chefes de estado retornaram a seus países sem nem mesmo  assinar uma declaração conjunta.

Na matéria abaixo há a seqüência de  desencontros que resultaram no fracasso final e  as repercussões, passo a passo.

18-12-09

Copenhague anuncia o Crepúsculo do Capitalismo
Parte II

O fracasso ou frustração da reunião que se prenuncia em Copenhague, não revela apenas o egoísmo de nações que querem empurrar para as outras os ônus principais no combate ao aquecimento global. Revela a incapacidade global de superar o que chamo de  Impasse Ecológico. E revela ainda a crise sistêmica do modo de produção capitalista. Em tempo: o discurso  de Lula (improviso) feito na  abertura da reunião , esta manhã, foi aplaudidíssimo, ao contrário  do de Obama.  Lula exigiu maior empenho e participação dos países desenvolvidos na luta contra o aquecimento global. Na rádio CBN, a insuspeita Lúcia Ipólito, disse que o discurso do presidente brasileiro,” sóbrio e objetivo foi, provavelmente, o mais importante de sua vida pública”.  Merval Pereira (O Globo), na mesma CBN, admite que “Lula assume papel de liderança e confronta com Obama” .  Brasil exige mais recursos para os pobres e não admite “monitoramento como o praticado pelo FMI “. A sensação é a de que o Mundo ficou menos hipócrita na Dinamarca.

 Em 2004 disse no meu livro “O Impasse Ecológico e o Terrorismo do Capital” que o dia  em que  todos os povos ( principalmente os da   China e da Índia) resolverem  e conseguirem adotar o modo de produção e de consumo dos EUA, seriam necessários quatro  planetas do tamanho da Terra. Não fui levado muito a sério e cheguei a ser  acusado de catastrofista. No entanto eu estava apenas ressoando noções difundias, por atores consagrados, desde a passagem dos anos 80 para os 90. Hoje tudo isto é corriqueiro e reparo, comovido, o esforço de estrelas do jornalismo econômico caboclo, como Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg fazem ingentes esforços para redescobrirem, com atraso de 20 anos, o Impasse Ecológico.

 Entretanto, para organizarmos melhor nossas idéias se quisermos explicar o fracasso de Copenhague é preciso ir por etapas que são três: A Grande Crise Norteamericana, o já citado Impasse  Ecológico e o Crepúsculo do Capitalismo. Então:

Seria pedir demais a políticos envolvidos com as crises internas de seus respectivos países, todas elas  oriundas da grande Crise Norteamericana, iniciada em setembro do ano passado, viessem a Copenhague para anunciar medidas que, na leitura imediatista de suas clientelas (eleitorado, mídia e financiadores de campanha), representam menos consumo e, por isso, menos emprego. Textos sobre a origem e o desenvolvimento da Crise Americana, o amigo leitor, poderá encontrar com  maior e melhor nível de desenvolvimento na Coluna  Para Entende a Crise, neste  blog.

O Impasse Ecológico (também melhor desenvolvido na coluna  do mesmo nome deste blog) pode ser resumido na notícia veiculada ontem, quinta-feira: A China  (que já é a campeã mundial da poluição) deverá ultrapassar em  2010 a marca extraordinária de 11 milhões de veículos produzidos em um só ano.

Com isto ela consolida sua posição de terceira maior potência  mundial, em marcha batida para se tornar a segunda. E mais: torna-se a maior produtora de automóveis, um título que os EUA ostentavam  há 120 anos, desde as remotas origens desta indústria. O mais extraordinário, porém, é que mesmo  exibindo estes portentosos números, a China continua sendo um país emergente (subdesenvolvido).

Os números provam: atualmente, nos EUA, há a relação de um carro para  cada dois habitantes. Na China esta proporção ainda é a de um veículo par cada 34 habitantes. Isto quer dizer que para atingir o atual nível de produção (não só de veículos  mas de  combustíveis, etc.) e de consumo norteamericanos,  a China ainda  precisa produzir e botar para andar  mais 350 milhões de unidades com tudo o que isto representa em termos de produção siderúrgica e emissão de gases e poluentes que destroem o habitat – o Impasse Ecológico.

O Crepúsculo do Capitalismo está implícito na síntese dos quatro parágrafos anteriores: que futuro pode ter um modo de produção que só prospera (acumula) destruindo a Natureza de forma ciclópica e já agora vertiginosa?

A matéria logo abaixo é, na  verdade, a primeira parte  do texto que você acabou de ler. Se você não a leu ontem, pode lê-la agora.

17-12-09

Copenhague anuncia o Crepúsculo do Capitalismo
Parte I

A Bolívia é uma nação Aymara. Mas o Jabor e o Jô não têm a menor noção do que é isto.

Como nos velhos filmes B americanos, vou começar esta história  adaptando um bordão que o protagonista  dizia em off, mais ou menos assim: só conheço dois tipos de homem, o otário e o vencedor.

Então minha crônica começa deste modo: só conheço  dois tipos de homem, o que conta e o que faz a História . Entre os que contam, há pândegos como o Jabor que só vêem a parte superficial e gaiata da coisa. Entre os que fazem,  vou falar,  hoje, do presidente boliviano Evo Morales.

E já que a linguagem é cinematográfica, façamos um flashback:

Em 1975, o Cláudio Abramo me chamou lá da sala dele, uma espécie de aquário incrustado  na redação da Folha de São Paulo. Então, sem deixar de rabiscar um  pedaço de papel,  disse apenas: Você vai para a Bolívia. Parece que vão derrubar o Banzer. Eu disse tá legal e fui saindo, quando ele gritou: Olha, meu velho, sei que é bobagem dizer isto, mas manera na bebida.

Não manerei. Fique um mês  regiamente instalado no Hilton de La Paz, bebendo pisco e  mascando folha de coca. Por isso não senti o efeito da altitude ou não me lembro de ter sentido. Além dessa vida boa,  namorei um punhado de moças paulistas e argentinas. Meio grã-finas meio hippies,  elas revoaram para os Andes e passavam pela  Bolívia a caminho  do Peru. Machu Picchu estava na moda. Creio que as mulheres  nunca foram tão deliciosamente inteligentes e sensuais como nesta época.  Eram antenadas e generosas, engajadas e liberadas. Ia dizer que já não se fazem mulheres assim. Bobagem, eu é que estou ficando velho e nostálgico.

Com todo este trabalho ainda tive tempo para entrevistar os principais personagens políticos  do País,  até o cardeal e um certo coronel Gusman que, mesmo sem ser general, comandava uma temida divisão de blindados. Era evidente sua ligação com a CIA e o Departamento de Estado. E era ele quem estava armando o golpe que acabou não ocorrendo.

Entrevistei também lideranças  indígenas  e da esquerda clandestina. Estas estavam  ainda perplexas pelo fato de o Che ter sido morto ali a seus pés, sem que elas soubessem. Lembro ainda que desci correndo as vielas de uma favela só porque  fotografei um velha senhora índia. Lá, eles acreditam, acho que com razão, que as fotos captam (capturam) não só nossas    imagens, como nossas almas.

Quando voltei ao Brasil estava frustrado por não ter conseguido entrevistar o próprio Banzer e porque o golpe gorou. Então, sentei diante da velha, dura e barulhenta Olivetti   e escrevi uma matéria tão grande que precisou ser divida em três partes para ser editada, ao longo da semana, sob o título Bolívia, uma Nação Aymara. Ninguém jamais tinha ouvido falar disso. Mas o texto  rendeu um pequeno sucesso. Foi, durante alguns dias,  leitura obrigatória  em  cursos  de jornalismo e  fui convidado para duas ou três  palestras. Persistia, porém, o mistério:  Aymara. Que trem é  esse? Perguntavam  os colegas mineiros na redação.

Aymara é uma civilização não só pré-colombina, como pré-incáica. Os aymaras foram salvos pelo gongo da História: estavam em vias de ser dominados pelos  poderosos invasores do Norte, os incas, quando estes, por sua vez, foram subjugados pelos espanhóis de Francisco Pizarro.

Com isto, preservou-se uma língua (hoje oficial da Bolívia) e a  cultura de um povo que habita a região dos Altiplanos  Bolivianos, originariamente no entorno do Lago  Titicaca. Esta etnia, possivelmente, é  sucessora de uma das civilizações mais antigas do Mundo, a do Tiuanaco.

Não perguntem nada disso ao Jabor, este sabichão que trata os bolivianos como vizinhos incômodos e mal cheirosos que nos  incomodam com  sua simples presença.  Nem perguntem nada ao  Jô, esta  outra figura global que  exibe, em cinco idiomas, sua vasta ignorância das coisas sulamericanas e brasileiras.  Durante anos ele sustentou que era impossível queimar a Floresta Amazônica porque ela é quase toda submersa e nesta madrugada de quinta-feira teve quer ser apresentado  por um entrevistado ao pequi, um dos   frutos brasileiros mais populares e importantes.

Ocorre  que ontem, quarta-feira, em Copenhague, ouviu-se uma voz inteligente no meio de tumultos de rua e do grotesco egoísmo de líderes  mundiais que  tratam o destino na Humanidade com um olho  nas próximas eleições de seus países e compram oxigênio e vendem CO2  como  se estivessem numa feira furreca.

Essa voz é a de um aymara chamado Evo Morales que acaba de ser consagrado pela votação de   65  por cento dos eleitores de seu país. Em seu discurso  que a mídia fez questão de não divulgar ele disse: Não percam vosso tempo com  mesquinharias  e  coisas periféricas. A Humanidade só estará a salvo do desastre ecológico, quando substituir o atual modo de  produção capitalista por outro mais inteligente e generoso, mais compatível com a dignidade  do homem.

16-12-09

Ontem, quem diria, foi um dia histórico

Com a provável admissão da Venezuela ( falta ainda a  aprovação do Paraguai), o MERCOSUL ganha musculatura e viabiliza a UNASUL, União Sulamerica. O Senado brasileiro aprovou ontem à noite o protocolo de adesão venezuelana. Com isto, cria-se o quinto maior polo econômico do Planeta, superado apenas por EUA, China, União Européia e Japão.

O texto abaixo foi editado no útlimo dia 9.

São comuns os relatos de historiadores que registram a ausência de comoção ou tumulto em dias que posteriormente serão destacados como transcendentais para a trajetória de países ou até da Humanidade. O apontado, hoje, como aquele em que o Império Romano caiu, foi um dia que transcorreu sem sinais de anormalidade para a maioria dos habitantes de Roma. O mesmo ocorreria com a proclamação da República no Brasil e a declaração de independência na Argentina.

No entanto, ontem, com a  aprovação pelo Senado brasileiro da  adesão da Venezuela ao MERCOSUL, está nascendo um novo grande interlocutor na cena mundial, a União Sulamericana ou UNASUL, tão ridicularizada ou ignorada pela mídia podre do Brasil,  mas que desponta como a primeira grande potência do Hemisfério Sul, já respeitada  como tal por  interlocutores como China, União Européia e  EUA.

A UNASUL, desdobramento lógico e natural do MERCOSUL, já nasce como primeira potência mundial em itens fundamentais, (estratégicos) neste inicio de século: a– autosuficiência absoluta em combustíveis fósseis e renováveis e caminhando para  assumir a liderança na área, à medida  em que se disseminar, universalmente, a utilização dos biocombustíveis; b– campeã insuperável na produção e exportação de proteínas animal e vegetal: c– detentora do maior  manancial mundial de água potável (esta commodity escassa), 30 por cento do  total.

Fica faltando apenas a adesão (que pode se considerada como historicamente inevitável) dos únicos países ainda parcialmente discrepantes, a  Colômbia e o Peru que já integram a UNASUL, uma organização política, mas  resistem ao MERCOSUL, um organismo de integração econômica. Quando isto ocorrer estará consumada, plenamente a União Sulamericana, aquilo  que Juan Perón chamou um dia de  a Pátria Grande. Em números: 17 milhões de quilômetros quadrados, 400 milhões de habitantes e um Produto  Bruto superior ao  do Reino Unido  ou e da França.

É fácil, portanto, constatar por que Washington investe tanto nestas últimas duas peças do tabuleiro  que ainda  consegue manipular, o dócil Álvaro  Uribe (Colômbia ) e o pouco confiável Alan Garcia (Peru). E é mais fácil ainda verificar por que é que  nossa mídia  apátrida,  fecha os olhos  para as manobra continuístas do colombiano, ela  que   tanto critica  movimentos idênticos de Chávez e  Morales, ao mesmo tempo em que  não classifica  pejorativamente como “populista” a Alan  Garcia, este que  realmente  o é.

Enfim, me permitam está tímida comemoração, saudando a viabilização da  União Sulamericana, mesmo com as discrepâncias apontadas. Nossos netos comemorarão, um dia, a ocorrência deste evento histórico, estranhando que nós, contemporâneos dos fatos, não  tenhamos  percebido  sua importância.

3-12-09

O Globo confirma decepção de Obama com Lula

 Há dois dias informamos neste blog sobre a decepção , e suas razões, de Obama em relaçao a Lula. Hoje, o Globo,  por seu principal porta-voz, Merval Pereira,  reproduz  nossa informação e nossos  raciocínios quase que palavra por palavra. O texto de Merval, sob o título Decepções:

“A crescente influência na América Latina do Brasil, líder regional inconteste, que tem  dado demonstrações de ser pelo menos condescedente com líderes claramente antiamericanos como o do Irã e da Venezuela, decepciona Obama. Certamente ele esperava que Lula levasse o Brasil a ser um parceiro mais próximo dos Estados Unidos, e está se monstrando mais próximo de Chávez do que se poderia supor.”

Agora compare  este texto com o nosso de dois dias atrás, com destaque para para o terceiro parágrafo e  a frase grifada:

1-12-09

O Brasil deve reconhecer o novo
governo de Honduras, em janeiro

Porfírio Lobo após vencer a eleição de ontem em Honduras: “Gostaria de poder ligar para o presidente Lula ainda hoje. Vamos procurá-lo. Vamos fazer os esforços necessários para que ele nos entenda, nos compreenda”.

No fim da tarde, em  Estoril, os 2o  governantes da Cúpula Iberoamericana  (Portugal  e Espanha  mais 18 paises  americanos de origem ibérica),  emitiram documento condenando  com veemência o golpe  em Honduras. Nada ficou decidido sobre o reconhecimento do novo governo “eleito” domingo. Mas é sugestivo o fato de Hoduras ter sido representada  na reunião  por Patrícia Rodas, chanceler do  governo deposto de Manuel Zelaya. O documento foi considerado uma expressiva vitória  da diplomacia brasileira.

Hoje mesmo, o Departameno de Estado Norte-Americano iniciou ofensiva  para  tentar obter  o reconhecimento do governo de Porfirio Lobo. A imprensa  americana começa a questionar a política de Obama para  o Continente e a expressar preocupação com o “radicalismo” de Lula. Informalmente, decepcionado, Obama queixa-se  das posições de Lula  em Honduras e sua aproximação com Ahmadinejad.

Na noite passada (segunda-feira), inclui no blog a informação (em primeira mão) de que o Brasil reconheceria o governo  de Porfírio Lobo eleito (domingo) em  situação canhestra. Este reconhecimento, porém, só ocorrerá em janeiro. O texto está sendo repetido  mais abaixo.

Mas antes é preciso deixar claro, daí a importância da matéria de ontem (segunda-feira), que  não houve improviso, nem está havendo recuo. O objetivo  do Brasil, proclamado desde o primeiro dia em que abrigou Zelaya na nossa embaixada em Tegucigalpa, era o de denunciar um golpe e firmar  a posição de repúdio total a este tipo de ação política tão  comum na História da America Latina e que tanto nos infernizou, sendo certo  que na imensa maioria dos caso é fácil encontrar, nestes episódios, as impressões digitais dos Departamentos de Estado e de Defesa dos EUA.

Mas há um outro viés  neste ato   hondurenho: o Brasil , pode-se dizer, fez ali sua estréia como protagonista da cena mundial, posição hoje reconhecida mundialmente,  menos pelo  Jabor e pelo Noblat. A  questão é saber se   saiu-se bem  ou mal. Creio que as palavras do novo  presidente  hondurenho, transcritas acima, respondem positivamente a esta pergunta. E digo mais. Digo que  a partir deste episódio na América  Central, o  tabuleiro geopolítico  das Américas fica dividido em dois  pólos, o do Norte, capitaneado, evidentemente, pelos  EUA e outro, ao Sul, liderado pelo Brasil.

É claro que o Globo e demais jornalões brasileiros  vão tentar nos convencer de que a ação brasileira foi um fiasco. Eles  apenas seguem cumprindo sua missão inglória: manipular e distorcer  notícias para tentar incutir em nossas mentes a noção  de que somos eternos passageiros da segunda classe,  que somos o time de reserva e que simplesmente não podemos.

Em sua edição de hoje (terça-feira), o Globo recoloca o assunto na primeira página para dizer que o Brasil ensaia recuo em Honduras. Como  você pode brigar com boa parte da notícia, mas não  com cem por cento dela, nas páginas internas  lê-se que o “Continete está divido” sobre a questão hondurenha. Já é um avanço. Dias atrás, quem lesse o jornal  (mais  balcão que jornal)  imaginaria que  estavam todos ao lado de Obama e do governo golpita e só dois malucos, Lula e Chávez, defendiam Zelaya.

A matéria  logo abaixo, embora escrita ontem (segunda-feira), dá seqüência  lógica  a este texto e é uma informação exclusiva deste blog.

A posição final do Brasil

Desde o momento em que se convenceu de que, maliciosamente, os EUA estavam empurrando o problema  hondurenho com a barriga e iriam usar a eleição para legitimar o golpe que derrubou Zelaya em julho, o Itamaraty apresentou ao presidente Lula um plano de saída para a crise que, em linhas  gerais, é o seguinte:

1- Em havendo eleições, cuidar da segurança pessoal de Zelaya e providenciar sua transferência para o local por ele desejado.

2- Não reconhecer nem dialogar com o governo golpista de Micheletti.

3- Não reconhecer o presidente eleito nem manter com ele  contatos oficiais até  sua posse em janeiro.

4 -Deixar claro que houve um golpe em Honduras e que,  com sua posição firme, o Brasil pretendeu desestimular outras iniciativas do mesmo tipo  na América Latina.

Eleições em Honduras: a farsa da
“legitimação” de um simples golpe

Hoje (domingo) será um dia de informações desencontradas. Informação e contra-informação. Propaganda e contra-propaganda. Por isto, iremos, ao longo do dia, atualizado   os  números que chegam de Honduras. A última informação,  nesta madrugada do dia 30 é  de que a abstenção foi  superior a 65 %. À medida que chegam novas informações, não eliminaremos as anteriores, para que se possa acompanhar a evolução das versões oferecidas pela mídia internacional.

De Lisboa, onde participa da Cúpula Ibero-Americna, o presidente Lula manda o recado: nada mudou, não aceitamos eleições realizadas a partir de um golpe. Golpe nas Américas  tem que ser coisa do passado.

A Cúpula Ibero-Americana deve emitir documento reafirmando sua condeção  ao golpe.

Além dos 10 países da América do Sul que não reconhecerão o novo governo  de Honduras, El Salvador, Nicaragua e Cuba   seguem esta posição. A OEA vai avaliar a situação  em reunião do dia 4 de dezembro. A favor do reconhecimento , até agora, só os EUA,  Colômbia, Peru, Panamá e Costa Rica.

Não dá mais para esconder o isolamento dos EUA no Continente. A situação é semelhante à de  1982 (Guerra das Malvinas),  quando os amerincanos ficaram  ao lado da  Inglaterra.

É inacreditável. O Obama, “gente  boa”, segue todos os passos de Bush, um a um. Na América do Sul, só Uribe, o dócil e Alan Garcia, o Sarney peruano, ficaram ao lado dele na questão de   Honduras.  Entre servir à democracia no Continente e os financiadores de sua campanha ele ficou com estes.  Ninguém é de ferro.

Presidente “eleito”, Porfirio Lobo, diz que vem falar com Lula para obter reconhecimento de seu governo. Em outros tempos, ele iria beijar mão em Washington. Só a mídia brasileira não  quer ver esta diferença. É o velho complexo de vira-lata.

A mídia mostra sua verdadeira face

Nestes momentos, a mídia, seja de direita ou de esquerda, mostra sua verdadeira face, aquela desvendada por Marx: cada imprensa defende a “verdade” de sua classe. Então temos que a verdade do Departamento de Estado, do Capital Financeiro e  do Globo (enquanto símbolo da mídia neoliberal) é  a de que  as eleições em Honduras foram um sucesso e  restabeleceram a ordem democrática no país.  Para as esquerdas, para os bolivarianos e para  o Brasil enquanto líder da UNASUL, União Sul-Americana, o que houve em Honduras foi uma farsa. Farsa esta destinada a dar um tênue  tintura de legitimação a um golpe de estado , o que depôs  Manuel Zelaya em julho último, numa tentativa canhestra de tentar  reinaugurar a tradição  golpes monitorados pelos   EUA ( na verdade agressões e  intromissões indevidas) e que fizeram durante mais de um século a infelicidade da assim chamada  América Latina.

Durantes três longas décadas, desde a queda do Muro de Berlin, estivemos  submetidos a uma avenida de mão única, a ditadura dos axiomas  neoliberais e a “verdade” emanada de  dos centros financeiros – encarnações do Mercado. Esta a essência da “imprensa livre”, controlada no Brasil  pela máfia das sete famílias. Por conta disso,  se apagou da memória de toda uma geração, os crimes praticados pelos Estados Unidos da América contra seus vizinhos do Sul. Simples assim. Resta lembra que  esta mídia que diz execrar a Ditadura, é a mesma que submeteu-se a ela docemente constrangida e, ainda agora, faz questão de esquecer que  o que estava por  trás  do terror fascista  eram as ordens , a grana e o monitoramento do Departamento de Estado e do Departamento de Defesa norte-americanos.

O texto abaixo procura resgatar, ainda  que de forma  extremamente sumária, a memória das agressões, violações e humilhações a que foram submetidos os países latino-americanos cujas elites, entre a vileza e a ignorância, continuam torcendo contra e tentando  impingir a noção de que não temos competência “para encarar os gringos”, segundo  os raciocínios e as palavras do Jabor.

Uma nação belicosa e em permanente expansão.

Para que se tenha uma  pequena idéia  de quando os EUA, com este golpe enrustidoo em Honduras,  apenas  repetem de forma monótona o que vem fazendo   há duzentos anos, separarei este pequeno texto. Na verdade  ele é o resumo de  um capitulo do livro  A Pátria Grande que   pretendo lançar no início do próximo ano:

Poucos países, ao longo da História, tiveram uma expansão territorial tão vertiginosa quanto os Estados Unidos.  Durante o Século XIX, o país expande seu território  até o Pacífico por meio de compras de   possessões, guerras de conquista e  extermínio de dezenas de nações indígenas.  Em um século eles quadruplicaram  sua própria área.

Em 1803, a Luisiânia é comprada da França por 15 milhões de dólares ( Napoleão estava fazendo dinheiro para financiar a campanha da Rússia). O território adquirido, regado pelo Mississipi, ia do  Golfo do México  à Região dos Grandes Lagos.  Estavam abertos os caminhos  que levavam à  Costa do Pacífico.

Em 1819, a Flórida e adquirida da Espanha por cinco milhões de dólares. Entre 1846 e 1848,  na guerra contra o México, Os EUA conquistaram toda a imensa  região que vai do Texas à Califórnia.  O México ficou, depois disto, ficou reduzido à metade de seu tamanho original. Em pouco tempo ocorre uma corrida do ouro na Califórnia e, durante a  a segunda grande  migração para Oeste (1850 – 1900), as tribos indígenas rebeldes são dizimadas. Foram cinqüenta anos de massacre metódico, posteriormente glamorizado por Hollywood com seus filmes que transformaram  jagunços, pistoleiros e  matadores de aluguel em legendários cowboys que lutavam em nome do bem (civilização cristã), contra o mal.

Em 1853, o  Arizona e o Novo México são comprados do México por 10 milhões de dólares.

No final do Século XIX, o país emerge como uma potência imperialista: em  1898, o Havaí é anexado; no mesmo ano, na guerra contra a Espanha, os EUA conquistam territórios no Caribe (Cuba e Porto Rico) e no Pacífico, onde ocupam As Filipinas e Guan. A ocupação militar de Cuba é mantida até 1902, quando os americanos se retiram , mas exigem a  inclusão na  constituição cubana da chamada Emenda  Platt que garantia aos EUA o direto de intervir militarmente no país. Desde então, Cuba foi mantida como uma espécie de estado tutelado. Basta dizer que, na  seqüência, tropas americanas invadiram a ilha em 1906, 1912, 1913, 1917 e 1933.

Esta situação perdurou (apesar da abolição da Emenda Pratt ) até a queda, em 1959, do ditador-títere Fulgêncio Batista, derrotado pela guerrilha liderada por Fidel Castro. Mesmo assim, os  norte-americanos mantêm até hoje em território cubano a base militar de Guantánamo. Em 1961 houve nova agressão militar à ilha (invasão da  Baia dos Porcos), só que desta vez os “gringos” foram rechaçados pelo regime revolucionário cubano.

Vale mencionar, ainda, este episódio pouco  lembrado por historiadores e enciclopedistas: eleito em 1868, o general Grant, herói da Guerra de  Secessão, negociou secretamente um tratado de anexação da República Dominicana. Sem conhecimento do Gabinete  Ministeria, do Congresso e do próprio secretário de Estado, Hamilton Fish, um certo coronel Babcock, secretário particular do presidente, acertou o negócio de um milhão de dólares junto a um governo  temporário e ilegítimo. Em suma, o coronel  comprou um pais  que acabará de conquista sua independência ao custo de muito  sangue derramado, com a naturalidade  de que compra um carro usado. Quando soube da transação, Hamilton Fish demitiu-se  e, diante do escândalo, o Senado vetou a compra.

São, enfim, rápidas pinceladas para mostrar como se dá a expansão norte-americana à custa  de  povos  que são convencidos por suas próprias mídias de que este é o melhor ou único destino que lhes é dado. Poderíamos seguir desfiando uma  seqüencia   enorme (mais de  200) de golpes e agressões.  Mas vamos  citar apenas mais quatro: o golpe  sangrento contra Salvador  Allende  (Chile-1973); o golpe contra o presidente João  Goulart (1964); a invasão (vejam só) de Honduras  em 1912, para proteger interesses de produtores de banana  norte-americanos, e –  por ironia das ironias -, a guerra  separatista  do Panamá (1903) que resultou na amputação  desta província da Colômbia que agora cede candidamente  seis bases militares para seus algozes  de ontem e do futuro.

Mas é fundamental que se entenda que o está por detrás  desta  expansão  contínua e belicosa é uma espécie de mandamento ou “lógica histórica” condensados na convicção espiritual de que os EUA, de origem  puritana, são uma nação predestinada, que abriga um povo eleito, portanto superior  e com direto superiores aos dos não eleitos. É esta  aspiração messiânica que faz com que, no presente,  seus inimigos sejam, primeiro demonizados, depois exterminados em função das “necessidades naturais” da civilização. E é este mesmo espírito  que, há  um século é meio, permitia a generais de grande prestígio como Sherman e Sheridan (até hoje cultivados como heróis) dizer, com toda a naturalidade, que “índio bom é índio morto”.

Não sou nenhum maluco para sair por aí defendendo o Ahmadinejad, mas  posso garantir a vocês que  ele ainda precisa comer muito feijão com espinafre se quiser representar, para a Humanidade, pelo menos  um milésimo da ameaça que está embutida  em Obama, esta flor de pessoa.

29-11-09

É o começo da quedade-braço  entre o
Itamaraty e o Departamento de Estado

O Brasil ensaia seus  primeiros passos como protagonista da cena mundial.

Primeiros resultados  das eleições  em Honduras apontam abstenção de 65%.  UNASUL, União  Sul-Americana, classifica o pleito como uma farsa. No Continente, só Peru e  Colombia reconhecerão legitimidade  do novo governo.

Quanto a Obama, ele  está evitando a instalação, em Honduras, de um novo espaço bolivariano. Mas pode estar criando um  mini-Afeganistão, perto de suas fronteiras. Há notícias de explosão de bombas, durante a madrugada, em vários locais de votação. Seja como for, um goveno  de legitimidade não reconhecida, só se sustenta pela força.

Já disse varias vezes aqui, mas  preciso repetir: não importa que as eleições de Honduras  estejam sendo realizadas, hoje, sem Manuel Zelaya na presidência e não importa quem as vença.  O episódio assinala  a primeira aparição do Brasil como  interlocutor de peso  na  complicadíssima diplomacia  global que era bipolar até a queda do Muro de Berlin, tornou-se, deste então, unipolar e  começa, agora, após a  grande crise econômica americana do ano passado (a crise do Capitalismo), a ser multipolar. E, queiram ou não, o Brasil (enquanto líder da América do Sul) é um destes pólos, cumprindo assim, meticuloso planejamento  em execução pelo  Itamaraty desde o primeiro governo Lula.

O Globo, sintonizado com o Departamento de Estado, tenta, pela voz de Merval Pereira,  Ricardo Noblat e Miriam Leitão, fazer parecer que nossa  ação em Honduras não passa de uma insensata  aventura juvenil. No entanto, a mídia mundial  acompanha, com  interesse e indisfarçada simpatia pelo Brasil, o desfecho da questão hondurenha.

O golpe enrustido (agora “legitimado” pelas eleições) e desde o inicio bem manejado pelos EUA, não deixa de ser uma vitória, mas ao custo altíssimo de escancarar que, na essência, Obama não difere de Bush. Por enquanto, evitou-se que o bolivarianismo ocupasse mais um espaço no tabuleiro latino-americano. Mas quem  garante  que Porfírio Lobo, o provável eleito, seja um fiel aliado de Washington? Há quatro anos, quando chegou à presidência, Zelaya, um latifundiário conservador, também era…

Do outro lado, o Brasil emerge como defensor da tese mundialmente aceita de que não há mais lugar na America Latina, o ex-quintal, para  golpes de estado, seja a que pretexto for. É fácil ser democrata quando isto favorece os interesses estratégicos norte-americanos. Quando  estes interesses são ameaçados, não vale?  Seja como for, o fato concreto é que na América no Sul, apenas  Peru e Colômbia prometem reconhecer o novo presidente hondurenho. Os outros dez países, em peso, seguem a  orientação brasileira  do não reconhecimento. Além disso,  a  própria OEA, o México e  um bom número de países europeus, entre eles França e  Espanha, ainda não  declararam que aceitarão as eleições como legítimas. Finalmente os dois principais candidatos hondurenhos já declaram que, se eleitos, imediatamente procurarão (como quem procura o beneplácito) um governante estrangeiro. Que governante é este? Barac Obama? Não senhores, é o “analfabeto” Luiz Inácio Lula da Silva.

Veja, também,  matéria abaixo.

26-11-09

Os “caras” também trocam cotoveladas
e Obama já está ficando isolado na AL

Frase  do general  Sherman, herói norte-americano  na luta contra os índios:  “Em nome da civilização, é preciso exterminá-los. E quando digo exterminá-los, não me refiro aos guerreiros, mas a todos ,inclusive, velhos, mulheres e crianças”.

 Em abril passado, durante a reunião dos G-20 em Londres, o prestígio internacional de Lula, tão zelosamente ocultado dos brasileiros por nossa mídia mentirosa, ficou escancarado pela forma espontânea e simpática da saudação de Obama: “Este é o cara!” Desde então, multiplicaram-se   as indicações  da imprensa mundial e os gestos de autoridades  que vão da  rainha da Inglaterra ao presidente da China, todos confirmando que ele  realmente é o cara,  pelo menos na visão deles lá fora. Aqui dentro, evidentemente, há controvérsias. Nossos gurus fundamentalistas da Civilização Ocidental, conhecida na intimidade como o Mercado, continuam achando que o presidente não passa de um analfabeto que deu sorte. Noblat, Mainardi e Jabor, insistem nesta tese, diariamente.

Fujamos desta discussão inútil, para tentar explicar  por que, desde exatamente aquela reunião londrina dos G-20, Lula e Obama estão trocando discretas cotoveladas por detrás das cortinas, como as  bailarinas dos musicais faziam antigamente. Já disse  isto neste blog mais de uma vez, mas vale repetir de forma sintética e bem organizada:

Não por que lá um dia  deu na sua veneta de analfabeto, mas  em função de compromissos, digamos ideológicos, e através de uma bem planejada articulação do Itamaraty, Lula vem  trabalhando desde o primeiro dia de seu primeiro mandato no sentido de: a– fazer com que o Brasil seja ouvido do exterior de forma compatível com seu tamanho, sua população e sua expressão econômica, rompendo, assim, com a política de alinhamento automático com  o Departamento de Estado e com o FMI que caracterizou o governo de FHC; b– transformar o pais em líder incontestado da América do Sul e a partir daí, construir (com base no fortalecimento do MERCOSUL) a UNASUL, União Sul-Americana, nos moldes da União Européia. Nada disso é difícil de entender, desde que se queira e não se  esteja preso a algum  antiquado complexo de vira-lata.

A primeira cotovelada (é preciso reconhecer) foi desferida por Lula ainda na famosa reunião dos G-20, quando anunciou com estardalhaço pouco diplomático que o dólar (em queda livre) não servia mais como moeda de troca universalmente aceita.  Quem concordou com ele foi nada  menos que o presidente da China, Hu Jintao, só que de forma asiática ou, se quiserem, enrustida. O fato é que, desde então, o chinês e o brasileiro  tem insistido na tecla da criação de uma nova  moeda padrão. Em sua recente viagem à  China, Lula chegou propor que, no lugar do dólar, os dois países usem  suas próprias moedas  nas relações bilaterais, como aliás,  Brasil  e Argentina já vem fazendo.

O troco de Obama foi a  assinatura com  Uribe, presidente da Colômbia, de um  acordo pelo qual os EUA podem usar seis bases  militares nas vizinhança da Amazônia brasileira e  venezuelana, a pretexto de combater o narcotráfico. Chávez berrou  e ainda berra, sempre exagerado, mas Lula já tinha reagido, exigindo, durante reunião  de presidentes sul-americanos no Chile, há quatro meses, que Uribe desse  explicações detalhadas sobre o acordo e suas possíveis implicações para a segurança dos países vizinhos. Uribe, evidentemente escapuliu. Em todo o caso, ficou o registro e agora vieram à tona documentos oficiais de órgãos de defesa norte-americanos,  dando conta de que  a partir das bases  colombianas”será possível intervir em qualquer parte da América do Sul”.

Em Honduras, Lula e  Obama  estão, há meses, trocando cotoveladas já não tão  escondidas. Ficou claro que os EUA patrocinaram  a derrubada do governo legítimo de  Manuel Zelaya, numa operação que o impagável  Jabor chamou de “golpe preventivo” – o mesmo argumento usado por Lacerda para derrubar João Goulart. Como, porém, os tempos são outros e não há mais o “quintal latino-americano”, as seqüelas para a imagem  de Obama serão  vastíssimas: o governo espúrio que surgirá das eleições do próximo domingo, não será reconhecido  por pelo menos oito dos  onze países  na América do Sul, inclusive o Brasil, evidentemente. Fica, assim, aberta uma ferida nas proximidades da fronteira americana. Ferida que  já expõe uma acelerada escalada de  violência, atos terroristas, no  jargão daqueles que consideram perfeitamente   legítimo  arrancar um presidente eleito do  Palácio e remetê-lo de pijama para um país vizinho.

Finalmente mais duas cotoveladas de Lula, desferidas esta semana: disse claramente que a questão  palestina deve ser resolvida pela ONU e não pelos Estados Unido e a custa do martírio do povo palestino. E cobrou de Obama uma definição sobre a questão ecológica a ser discutida, na Dinamarca, daqui a duas semanas. “Eles vivem  nos dando lições – disse  Lula – mas não fazem  o dever de casa”.

Tudo culminou com a carta amistosa enviada esta semana  por  Obama a seu colega brasileiro (amistosa porque  a deterioração da relações EUA/Brasil  seria  para Washington  um desastre  maior do que a Guerra do Iraque) onde  se solicita a colaboração ou compreensão do Brasil  em relação aos temas controversos acima citados. A carta, muito longa (mais de  quatro laudas) o que é  pouco comum nos meios diplomáticos, revelaria uma certa ansiedade do  presidente americano.

Quanto ao  Ahmadinejad , sua visita  faz parte de todo o jogo  descrito acima, tanto que antes de recebê-lo, Lula  recepcionou, poucos dias antes, ao presidente de Israel,  Shimon Perez e ao presidente da  Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Como todo bom fundamentalista, o presidente  iraniano diz um punhado de  asneiras, algumas atrozes. Seja como for, ele  não fica devendo nada aos fundamentalistas tanto cristãos como sionistas que se consideram povos escolhidos e portanto superiores, o que supõe o direito  de exterminar  os não escolhidos. Resta a evidência de que  é isto o que  eles vem fazendo ao longo da História. Remember Sherman.

Veja mais sobre o mesmo assunto na matéria logo abaixo.

 9-11-09

 Honduras: História imparcial da crise

O Brasil ensaia em Tegucigalpa um novo patamar de sua política externa.  A disputa de espaço e  o antagonismo  em relação aos Estados Unidos, no espaço latino-americano, são inevitáveis.

A crise hondurenha está-se  aproximando do seu desfecho. Com Zelaya, o que ainda é possível, ou sem ele, acredita-se que haverá eleições  dia 29 próximo e ninguém duvida de que  sua  legitimidade será  contestada. Os próprios hondurenhos, à razão de 54 por cento (Pesquisa Greenbergt), a consideram ilegítima. Pior: começam a pipocar  os primeiros atentados a  bomba e  tentativas de  assassínio de representes do governo golpista. Era inevitável.

Esta semana (ver, na sequência desta, matéria deste blog editada ontem), ficou claro que  Barack Obama  aposta nos golpistas, como forma de  impedir a instalação de um governo anti-americano no país. Como se diz, ele está plantando ventos que  trarão tempestades imediatas,  numa área perigosamente próxima de sua fronteira.

Entretanto, o que  parte importante da imprensa brasileira, impregnada de mediocridade e de ódio tucano, ainda não percebeu é que Honduras converteu-se, malgrado seu,   num espaço importante de um xadrez que inaugura o primeiro vôo importante da diplomacia brasileira, como protagonista da cena mundial.

Antes que a  grande mídia brasileira comece a turvar as  águas e  deturpar os fatos, veja aqui de forma bem simplificada e esquematizada o que realmente está acontecendo em   Honduras e  seus desdobramentos:

1-Desde o início do ano, o presidente Manuel Zelaya vinha tentando reformar a constituição, através de um plebiscito, de forma a permitir  a sua reeleição. Isto não é  ilegítimo, nem inédito: foi um método bem sucedido  utilizado recentemente, com algumas variações,  por Hugo Chávez, na Venezuela, Evo Morales , na Bolívia, Rafael Correa, no Equador, Fernando Henrique Cardoso, no Brasil e Álvaro Uribe, na Colômbia. Neste último caso, o processo ainda está em andamento e  concederá um terceiro mandato ao atual presidente. Fora do âmbito latino-americano, há o exemplo clássico de Franklin Delano Roosevelt, também contemplado com um terceiro mandato consecutivo e o da manobra recentíssima  do prefeito de Nova York, o bilionário Michael Bloomberg que  promoveu alteração da legislação  e acaba de  emplacar  sua  segunda reeleição.

2-Não estamos, portanto, lidando com nenhuma aberração jurídico-constitucional. A diferença entre todos  os casos enumerados acima  é a de que a grande mídia brasileira, sempre alinhada com o Departamento de Estado norte-americano e com os interesses do capital  financeiro sem pátria, ora  faz gosto, ora não faz. Quando ela faz gosto, (como é o caso de FHC e Uribe) fecha os olhos, quando não gosta, arma o maior barraco e tenta convencer à incauta classe média brasileira de que suas compras e a Civilização Ocidental e Cristã estão ameaçadas de morte.

3- No caso específico de Honduras, a máfia das sete  famílias que controla a grande mídia não fazia gosto na reeleição de  Zelaya, mas fazia gosto no golpe   vulgar que o derrubou. Então ela  convocou  seu batalhão de penas  bem pagas e sem nenhum  escrúpulo para  tentar convencer  seus  leitores  de que  a deposição de Zelaya, sob  orientação de  políticos republicanos e espertos  homens de  negócio norte-americanos era  um “golpe preventivo e bem  intencionado”- para usar as palavras  do impagável  Arnaldo Jabor –  e destinado “a evita o mal maior”. Mal maior para quem, cara pálida?

4- A 23 de setembro último, os golpistas locais e seus patrões externos foram surpreendidos por um lance ousado, tramado  pelo próprio Zelaya e por Chávez e que contou (não sejamos cínicos) com a anuência e a cooperação do Itamaraty. O presidente deposto, um latifundiário convertido ao bolivarianismo, como que por encanto, amanheceu com seu chapelão de Pepe Legal na embaixada brasileira em Tegucigalpa. E o presidente Lula passou a tratar o presidente golpista, Roberto Micheletti, como o moleque que ele é. Foi um Deus nos acuda.

5- A partir daí, a  mídia  brasileira  mobilizou  ( além de Jabor que já não é  levado muito a sério) seus fuzileiros mais bem  treinados nas memoráveis campanhas neoliberais , gente como Noblat, Mainardi,  Willian Waack e  Merval Pereira. A missão deste Comando Delta era a de  provar que o Brasil, coitadinho, meteu-se numa aventura juvenil, uma enrascada, sem  plano de fuga.

6- Tudo em vão. Com seu desempenho em Honduras, articulado com o ingresso da Venezuela no MERCOSUL, o Brasil  estreou como protagonista no cenário mundial e a  mídia, cedo ou tarde, terá que reconhecer que a– não há mais quintal  norte-americano no Continente; b– o Brasil somado à UNASUL, União Sul-Americana  agora viabilizada com o fortalecimento do MERCOSUL, é  o novo interlocutor  do poder mundial neste Século e único do Hemisfério Sul com capacidade de ser levado a sério; c– esta  nova realidade foi  reconhecida por Nicolas Sarcozy que há  um mês negociou com Lula um cooperação estratégica França/Brasil de longo alcance, destinada a articular uma aliança  entre a União Européia e  UNASUL,  com o objetivo de contrabalançar  a hegemonia norte-americana neste lado do  Atlântico.

8-11-09

Impasse em Honduras: refluxo da diplomacia brasileira

Americanos dizem  pressionar  o golpista Micheletti, mas aceitam que ele presida eleições.

A vinte dias das eleições presidenciais em Honduras que serão marcadas pela  ilegitimidade, a diplomacia brasileira reflui para uma posição menos ativa  e deixa, pelo menos temporariamente, a responsabilidade nas mãos  do Departamento de Estado norte-americano.

Ao mesmo tempo, os EUA  voltaram a agir,  pressionado Roberto Micheletti e outra lideranças hondurenhas a  retomar as negociações com o presidente legítimo Manuel Zelaya, mas admitem que aceitarão resultado das eleições mesmo que  presididas pelos golpistas. O Brasil deverá manter a atitude de prudência nos próximos dias, aguardando os acontecimentos, como se diz. Sua  última  atitude proativa  foi a de  extrair  um documento  da reunião do Grupo do Rio reunido  este fim de semana na Jamaica, insistido na restituição  da presidência ao mandatário legítimo. O Grupo de Rio, criado em 1986, é uma espécie de contraponto à OEA, historicamente manejada pelos EUA. Participam do Grupo do Rio (um organismo permanente de consultas) praticamente  todos os países das Américas do Sul e Central  mais o  Caribe, excluídos, obviamente,  os EUA e o Canadá.

A avaliação do Itamaraty (que recebeu sinais de que  Washington voltaria  a estimular  a retomada  das negociações) é a de que  se Zelaya voltar ao poder  a vitória brasileira será completa. Se não voltar, não haverá grande prejuízo para o Brasil, porque o país terá firmado uma posição  anti-golpe e atraído a atenção e a simpatia  da comunidade internacional para sua causa.  Além disso, evitou-se que passasse em silêncio uma manobra ardilosa envolvendo a turma do Micheletti e o Departamento de Estado, mediante a qual o “golpe preventivo”  seria  “legitimado” nas eleições de novembro.  Na verdade, a tática norte-americana de  empurrar  o processo com a barriga foi frustrada. Se houver eleição sem  a restituição da presidência a Zelaya,  estará nascendo  em Honduras um “monstrengo constitucional” rejeitado pela comunidade internacional e, principalmente, pela  latino-americana.  No Continente, poucos países estariam dispostos a  reconhecer imediatamente o novo governo. Neste caso, Obama teria que arcar sozinho com  as conseqüências ou “embalar a criança”, para usar a expressão de um diplomata brasileiro. Por outro lado, a argumentação, até certo ponto plausível, dos diplomatas norte-americanos é a de que o  ambiente em Honduras foi “contaminado” pela ação de senadores republicanos e empresários texanos que  orientam os golpistas e os patrocinam financeiramente.

Em resumo, o Itamaraty viveu dias  agitados esta semana, quando se constatou que em  Honduras “havia sido armada uma patranha”, mediante a qual, jogando com pau de dois bicos, o Departamento de Estado encaminhou, de público, uma solução que parecia contemplar a posição brasileira que é a de  restituir  o poder a  Manuel Zelaya , como condição para a realização das eleições marcadas para o próximo dia 29, mas nos bastidores, permitiu que os golpistas  permanecessem no  governo. Há uma semana, as negociações comandas por Thomas Shannon, credenciado pela secretária de Estado Hillary Clinton  e  futuro embaixador americano no Brasil, pareciam ter chegado a bom termo: o Congresso aprovaria  o retorno de Zelaya que, à testa de um  governo de reconciliação nacional, comandaria o processo  eleitoral sem fazer  qualquer outro tipo de exigência. Na quarta-feira, quando  tudo parecia resolvido, Shannon sumiu de Tegucigalpa e nos dias seguintes, o Congresso simplesmente não chegou a se reunir para discutir o acordo.  Neste meio tempo Micheletti, anuncia que está encabeçando um  governo de  reconciliação e oferece um determinado número de ministros a Zelaya que, evidentemente,  recusa e rompe as negociações. Volta tudo à estaca zero. Pior: instada a  manifestar-se , a secretária de estado Hilary Clinton diz candidamente que não pode  imiscuir-se na política interna hondurenha, cujo legislativo é livre para decidir. Estava armada a patranha.

Só restava ao Brasil dois caminhos: a– elevar o tom  e denunciar a farsa, o que acarretaria uma crise diplomática com os EUA, num nível indesejado; b– tentar, longe do público, convencer Hillary Clinton e o próprio Obama de que uma solução de meia-sola deixaria mal a diplomacia norte-americana  que teria que “dar sustentação “ a um regime francamente inconstitucional, nascido das eleições ilegítimas do próximo dia 29.

O próprio Itamaraty estava dividido sobre o assunto, e  coube ao presidente Lula, ainda  em Londres, dar  a palavra final, adotando  o tom conciliador. O  passo seguinte foi convencer Hugo  Chávez  a partilhar desta  posição menos agressiva e o  presidente venezuelano cedeu , surpreendentemente, sem grandes resistências, como vem fazendo, aliás, desde  o retorno de Zelaya a Honduras. Chávez cedeu o comando exclusivo da operação à diplomacia brasileira. No fim da noite de ontem, o Itamaraty recebeu sinais de que os EUA tentariam   restabelecer as negociações.

5-11-09

cio reúne-se com Ciro e dá adeus a Serra

Aécio Neves e Ciro Gomes encontram-se segunda-feira, em Belo Horizonte, para “discutir a sucessão presidencial” e para que  o ex-governador cearense  preste  sua solidariedade ao governador mineiro, vítima  de recentes insinuações sobre sua vida particular. Tudo isto é mera formalidade  ou o rito que os políticos profissionais gostam ou são obrigados a seguir. Na verdade Ciro e Aécio já acertaram seus ponteiros há muito tempo e a reunião tem como objetivo descartar definitivamente e com o devido alarde, a possibilidade de Aécio vir a ser o vice de Serra.

Se Serra  já temia sair candidato tendo Aécio  como vice, é muito provável  que não se anime  à aventura presidencial, sem o respaldo de Minas.  A tendência é a de que ele tente a reeleição (considerada tranqüila) ao governo de São Paulo.  Neste caso, o único problema de Aécio, seria o de arrumar um pretexto para não ser o candidato à presidência, (ele prefere ser senador)   diante da desistência  de Serra. Afinal há  dez dias ele deu um ultimato ao colega paulista para que se  decidisse  logo, insinuando que  estava pronto para  ser  o candidato do PDSB, no que foi apoiado  pelo DEM de César Maia. Em todo caso, se  candidato, ele  não  baterá de frente com Lula nem ideológica nem politicamente e  no, segundo turno, apoiará seu amigo Ciro, ou vice-versa. O argumento  central de Aécio é o de que  o discurso neoliberal e anti-estado ,  que se encontra  em obsolescência, não  está grudado nele tanto quanto em Serra.

Em sua coluna de hoje no Globo, Merval Pereira, o escriba–mor   da  Família Marinho  faz uma espécie de apelo  para que Serra saia candidato em nome da  “unidade partidária”, mesmo que Aécio não seja o seu vice. Não se sabe  se Merval tem procuração  para articular as alianças e até traçar a  estratégia tucana, mas a julgar pela  ansiedade, revelada  em cada  linha e entrelinha de sua coluna, o Globo, depois de  inflar  Marina e Ciro, supondo equivocadamente que estava ajudando Serra, agora parece  viver a frustração de não te mais como auxiliar  sua candidatura predileta.

Leia também matéria logo abaixo.

3-11-09

O  inimigo mora ao lado

Começou a temporada de caça a Aécio

O rompimento de Aécio e Serra é definitivo. O mineiro não só não será vice do paulista, como poderá liderar uma dissidência que  apoiaria  outra candidatura  como a de  Ciro Gomes, por exemplo.

Há mais de mês disse neste blog que Aécio se rebelaria contra a  estratégia tucana que focava a sucessão apenas em Serra. Logo depois  o governador mineiro diria que  não podia ser “refém” das  indefinições do governador paulista. Mas só agora a grande mídia toca no assunto. Para simplificar vamos recapitular  os fatos e a estratégia de Aécio:

Esta estratégia foi traçada há coisa de três meses e é simples, como devem ser os planos dos bons políticos. Ela escora-se em duas certezas: a de que Aécio não  teria como desbancar a candidatura de Serra à presidência e a de ele (Aécio) se elege  para o Senado com o pé nas costas.  Então, enquanto  a maioria  pensa apenas em  2010, ele, aos 49 anos, pensa prioritariamente em 2014, sendo certo que, havendo  fato novo, ele está pronto para montar no cavalo que passar arreado.

Embora suas relações com Serra sejam, desde sempre, de cordial antipatia  ele não pode romper com um correligionário gratuitamente. Pareceria coisa de traíra. Quando é assim, são necessários bons pretextos. Um deles foi o calendário de campanha deliberadamente alongado por Serra, o que ficou parecendo como uma  indefinição a respeito de sua própria candidatura. Foi quando Aécio disse que não ficaria aguardando  “até o último suspiro”.  Finalmente, na semana passada, houve a divulgação, sem prévio conhecimento de Aécio  de um pesquisa na qual o eleitor reage  satisfatoriamente a uma chapa Serra/Aécio. Desta vez a bronca foi grande e pública. Serra e o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, tiveram que  se explicar. Já era tarde. Dois dias depois  Aécio, como que deixando  escapar sem querer,  disse que seria candidato ao Senado. Sem  o mineiro como vice, a candidatura do paulista perde grande parte de seu gás.

Agora o arremate:  Aécio que desde o início agiu de forma mais ou menos combinada com Ciro Gomes e César Maia (que lidera  uma dissidência no DEM contra  Serra), poderá, mais lá da frente,  afastar-se  ostensivamente de seu colega paulista, adotando um postura  independente. Isto poderá resultar num apoio informal  e suprapartidário da  máquina política mineira à candidatura de Ciro que teria, assim, definitivamente viabilizadas suas pretensões. Na verdade, Aécio e César querem desvencilhar-se  do discurso neoliberal  tucano, obsoleto, que está  grudado em Serra.

Há  15 dias, quando a grande mídia  ainda discutia a candidatura de Ciro ao governo de São Paulo, este blog informou que sua candidatura à presidência era irreversível e contava com a “compreensão” do presidente Lula. E aqui, juntam-se as duas pontas: Aécio e Ciro estão fazendo tabela desde o início. O ex-governador cearense chegou a dizer várias vezes que renunciaria à sua para apoiar a candidatura   de seu amigo mineiro. A recíproca é verdadeira.

Tudo isto, enfim,  é o enredo visível, da superfície. O que está subjacente e precisa ser considerado primordialmente é que o eixo ideológico brasileiro sofreu  um  importante deslocamento  neste último ano, com o posicionamento de Lula numa postura nacionalista, estatizante e  mais distributivista (populista para os desafetos), onde não falta um forte aroma getulista. Percebendo isto, FHC ataca na direção contrária, acusando o presidente de tentar implantar no Brasil um “arremedo” de peronismo. Teoricamente, com reparos importantes,  ele não está totalmente errado,  mas estas sua declarações  agravam  ainda mais o  desastre eleitoral  de Serra: tanto Vargas quanto Perón  sempre foram absolutamente imbatíveis em termos eleitorais.

Para concluir, preparem-se  para uma ofensiva dos serristas bem ao seu estilo (lembrem-se do que  eles fizeram, há  oito anos, com a Roseana Sarney), na base da baixaria, das intrigas e da fabricação de escândalos, desta vez contra  Aécio, o novo alvo dos caçadores midiáticos. As altas e escabrosas fofocas deste feriadão são apenas o prenúncio disso.

Veja também, sobre o mesmo assunto, a coluna  Pérolas & Pílulas .

2-11-09

O Dólar Furado

Este artigo foi escrito em abril, mas continua válido para explicar a queda livre do dólar. Para melhor entendimento, leia também “O pesadelo chinês”, na coluna Pérolas & Pílulas.

Quem leu minha coluna do último dia 2 de abril, há de lembrar que a conclui dizendo que Obama foi discretamente instado por seus colegas do G-20 , durante a reunião de Londres, a primeiro fazer a lição de casa e consertar a economia norte-americana para, só depois, tentar liderar a arrumação da economia mundial. Este fato, aliás, foi solenemente ignorado pela nossa grande mídia.
Entretanto, os grandes jornais brasileiros não puderam deixar de noticiar , ainda que às escondidas nas páginas internas, que , no dia seguinte à reunião, o presidente Lula proporia ao presidente chinês, Hu Jintao, a adoção de um mecanismo que permitisse a utilização das moedas de seus países no seu comercio bilateral. A proposta traz, implícita, a ideia de destronar o dólar como moeda irrestritamente aceita no comercio internacional. O mais surpreendente, porém, foi a pronta adesão de Jintao ao projeto, tanto que ele e Lula agendaram para as próximas semanas uma reunião entre seus respectivos ministros da fazenda, para tratar do assunto, em Pequim. Recorde-se que desde o ano passado Brasil e Argentina já haviam oficializado este mecanismo bilateral.
Em circunstâncias normais, a proposta de Lula aos chineses não seria levada muito a sério e receberia de seu interlocutor um sorriso oriental com o seguinte significado: será que você está com esta bola toda? Mas o chinês tem fortes razões para agarrar-se a propostas desse tipo. A primeira delas é a de que guarda em seus cofres uma quantidade exagerada de títulos tóxicos norte-americanos. Algo que se aproxima do trilhão de dólares. A segunda razão é ainda mais angustiante: as reservas chinesas em moeda americana já bateram na casa dos 2 trilhões de dólares e cresce à razão de 50 bilhões por trimestre, já que os Estados Unidos são , de longe, os maiores compradores de suas mercadorias. Por tudo isso, ainda em Londres, o presidemte do Banco Central chinês, Zhou Xiaochang, diria que seu país contribuiria para o fortalecimento do FMI (anabolizado na reunião do G-20, com uma injeção de um trilhão de dólares para fazer frente à crise mundial), com a condição de que as obrigações do Fundo fossem denominadas em uma nova moeda internacional. Esta nova moeda seria baseada nos Direitos Especiais de Saque do fundo, tradicionalmente garantidos por títulos do Tesouro americano, agora considerados insuficientes. Na verdade, os norte-americanos vinham bancando o Fundo, desde 1944, quando de sua criação em Bretton Wood e, por esta razão, sempre mandaram e desmandaram nele. O acordo de Bretton Wood pode ser descrito como uma reunião semelhante a esta do G-20 agora realizada em Londres. Com ela instalou-se uma nova ordem econômica mundial que garantiu, no Ocidente e sob a hegemonia americana, três décadas de forte crescimento econômico , dando início aos “anos dourados” do pós-guerra , sendo que, tanto naquela época, como se espera agora, a superação da crise inicial foi obtida graças a uma pesada intervenção estatal, inspirada em Lord Keynes, aquele brilhante economista inglês que ensinou aos burgueses de todo o mundo como consertar com a mão visível do estado, os estragos provocados pela mão invisível do mercado. Mas voltemos ao drama chinês.

“Quem amarra, amarrado está”, dizem os mestres de capoeira e a teoria cabe como uma luva nas relações entre credores e devedores. Há três semanas o presidente chinês já havia proposto a criação de uma nova moeda internacional, em substituição ao dólar. Este tema, com certeza, foi discretamente tratado nos bastidores da reunião do G-20. Tratar do assunto em público, mais do que uma gafe, seria uma catástrofe. Seja como for, Hu Jintao está tentando levar sua ideia adiante, já que as batatas estão cada vez mais quentes em suas mãos. Tudo porque os incautos chineses, abandonando milenar sabedoria, deixaram-se encantar pelo principal símbolo do poderio ocidental, um pedaço de papel tingido de verde.

Quanto a transformação do real em moeda conversível, isto soaria, num primeiro momento, como uma típica” malandragem carioca”, o famoso 171, imortalizado pela antiga lenda da venda de bondes a caipiras paulistas e mineiros. Mas o mundo está, digamos, de cabeça para baixo… Além disso, é preciso reconhecer que a moeda brasileira vem mantendo uma suficiente estabilidade, desde sua criação há quatorze anos pela dupla FHC-Malan. Também não há como ignorar as estatísticas que descrevem apenas oscilações suportáveis da moeda desde 1998, quando foi descongelada. Desde então , ela só uma vez bateu nas três unidades por dólar e raramente veio abaixo de 1,5 unidade. Com a inflação brasileira reconhecidamente sob controle, com confortáveis reservas em moedas estrangeiras e com uma balança comercial que ainda não compromete, parece ser esta a hora de os brasileiros começarem a levar a serio a sua própria moeda.
Mas a proposta de Lula a seu colega chinês não deixa de ser mais uma de suas espertezas. Afinal, ninguém pode dizer com segurança qual será o ritmo e a intensidade das oscilações da nossa moeda nos próximos meses. Enquanto isso, os especialistas são unânimes em afirmar que, cedo ou tarde , a China terá que permitir a valorização de sua moeda, mantida artificialmente abaixo de seu verdadeiro peso, para garantir o estupendo desempenho das exportações chinesas. Quem amarra, amarrado está.

28-10-09

Tucanos e DEM querem livrar-se da
imagem de FHC e do neoliberalismo

Mas há um grande problema: a grande  mídia  que obedece ao  capital  global não esta disposta  a reciclar-se do dia para a noite.

Creiam que não é ingratidão. É instinto  de sobrevivência. O governador mineiro,  Aécio Neves, foi o primeiro a advertir há semanas (e este blog registrou isto) que o discurso tucano não está compatível  com a realidade pós-crise americana.  Mais recentemente  a ala  do DEM comandada por César Maia, aliado de Aécio,  engrossou  esta tese. O jovem Rodrigo Maia, filho do ex-prefeito carioca , disse sem meias palavras, referindo-se ao  esquema  paulista (Serra) de condução da campanha eleitoral: “estamos no pior dos mundos, sem  candidato e sem discurso”. Finalmente ontem, Roberto Freire, presidente do PPS, ex-PCB, transformado em linha auxiliar do tucanato, fez um súplica: “a política econômica do FHC não é a política econômica  do PSDB. Não vamos associar isto ao programa do Serra, por favor”.

É um apelo pungente,   mas resta saber  se Serra terá tempo e ânimo para  trocar  de roupa e de pele  no curto espaço de dois meses, já que  seu prazo expira em janeiro. E não é só isto: é preciso ver também  se  as  melhores penas de nossa mídia,  habituadas  a exaltar as excelências do neoliberalismo  e do estado mínimo, estão dispostas a  mudar o estilo. Afinal  elas  são pagas por patrões que não servem  aos tucanos incondicionalmente. Só fazem isto, na medida em que possam servir  melhor  ao capital financeiro global. É difícil imaginar um Noblat, um Nêumanne Pinto  e um Willian Waack  defendendo um estado mais robusto e mais proativo, mais brasileiro, enfim.

O ideal é que esta matéria seja lida   de forma articulada com  a da coluna Coisas da Política.

26-10-09

Pesquisando as pesquisas:
A curva que amedronta e paralisa Serra
 

 Hoje ninguém mais desconhece que a candidatura de  Serra estagnou, enquanto as de Ciro e  Dilma crescem  com velocidade razoável. Até aí tudo bem. O problema é que  este blog vem anunciado isto há pelo menos dois meses. Bola de cristal? Nada disso. Apenas, ao longo das quatro décadas em que  acompanho os fatos políticos, aprendi a pesquisar as pesquisas e a procura ver sempre no médio e longo prazos,  na tendência. Jamais, no  instantâneo, no retrato do momento. É uma  ciência. Eu, particularmente, sou amador. Mas há especialistas como o professor  Marcus Figueiredo da Universidade Cândido Mendes. Ele usa a metodologia  conhecida nos EUA como Poll of Polls, pesquisa das pesquisas.

Para Figueiredo (ver CartaCapital desta semana),  se analisados  desde setembro do ano passado, os três institutos  mais requisitados IBOP, Datafollha e Sensus apontam  uma curva declinante de Serra, com pico de 45% em dezembro (auge da crise econômica), hoje estacionada nos 37%. Dilma, ao contrário apresenta  curva permanentemente ascendente: 10 % em dezembro e 17% agora, sempre na média dos três institutos. Ciro,  que só  mais recentemente começa a ser acompanhado  está tecnicamente empatado com Dilma, mas  também em ascensão.

São estes números  ou estas curvas que anunciam uma inevitável derrapada que  assustam e paralisam Serra. Egoisticamente e para desespero de seus aliados ele prefere só tomar um decisão  em janeiro quando poderá optar  por  sua reeleição ao governo de São Paulo. É isto que fez Aécio Neves rebelar-se, há três dias, dizendo que não aguardará o último  suspiro” e é isto que fez Rodrigo Maia, aliado de Aécio, dizer em nome do papai César, que “estamos no pior dos mundos: sem candidato e sem discurso”. Aqui a gente não inventa nem aumenta.

E por falar em discurso, quero insistir no que venho dizendo neste blog. Mais além das pesquisas, intrigas ou situações circunstanciais, o  que paralisa a candidatura Serra é seu discurso neoliberal que  se mostra escancaradamente obsoleto diante da Crise  Americana que  é a crise   dos  paradigmas  que apontavam para o estado mínimo. A onda agora é a do estado robusto o suficiente para consertar com sua mão visível  as  insanidades cometidas pela mão invisível do Mercado. E quem surfa  esta onda é o presidente Lula Vargas da Silva.

Mais sobre este mesmo tema na matéria logo aí em baixo.

25-10-09

Dilma, Ciro e Serra:
O tempo de cada um na sucessão

Em política, sobretudo em fases eleitorais,  o tempo é que determina  as principais decisões.  Então, sair na frente às vezes é indispensável, outras  é  a pior da opções. Vejamos como está o timing eleitoral  dos principais candidatos à sucessão do presidente Lula:

1-Dilma Rousseff, ancorada na popularidade e na boa vontade do presidente é  quem tem mais pressa. Ela sabe que  suas chances  escasseiam  sem um  acordo com  o PMDB, dono da maior máquina (nos estados e municípios)  e do maior tempo na TV.  Nesse sentido, ela prometeu e cumpriu  a promessa feita ao presidente da  Câmara, Michel Temer, de que antes de novembro  seria  formalizado o trato  mediante o qual  o partido do Dr. Ulysses indicaria  o vice de sua chapa. No caso o próprio Temer. Na reunião de  três dias atrás em que foi  fechado o acordo, Temer poderia ter saído dela candidato a vice. Mas declinou por escrúpulo e  esperteza: não quis que ficasse parecendo que advogava em causa própria  e  também achou  melhor esperar mais um pouco para  analisar o andar  da carruagem do IBOP.

2- Ciro tem pressa, mas não tanta.  Ele tem que costurar alianças, mas com sua candidatura lançada, seu IBOP tende a crescer sem que  precise tomar novas decisões até  março do próximo ano. Suas dificuldades estão relacionadas com  a escassez  de máquina e de tempo televisivo do PSB, além  da falta  de credibilidade da sigla que, por penúria financeira, aceitou  lançar  a candidatura  ao governo de São Paulo do impagável Paulo Skaf, presidente da FIESP, para quem o S (de Socialismo) da legenda  “é apenas uma letrinha”. Além disso, no caso específico de  São Paulo pode funcionar o PMDB do B, a banda  mais que fisiológica do  partido que subiria  no palanque oficial  de Dilma nos grandes comícios, mas, na miudeza dos  bairros e dos  pequenos municípios,  trabalharia para  Ciro. E há ainda  imbróglios estaduais onde PT e PMDB tem extremas dificuldades para  uma ação conjunta. Em alguns casos, como no  Rio, Dilma   ganharia dois palanques. Em outros, como Minas, com a  ajuda de seu amigo Aécio,  Ciro pode  fazer uma boa colheita, parecida com a de São Paulo.

3- José Serra, para desespero de Aécio que  angustia-se com o fato de “ser refém”  do timing do  paulista, prefere  esperar até março  ou pelo menos  até janeiro. Até lá, tem tempo para decidir se sai candidato à  presidência ou se, egoisticamente, apenas garante  sua  reeleição, que considera tranqüila, ao governo do  estado. Serra tem consciência de sua  dificuldade para  enfrenta ideologicamente o lulismo  recém  reciclado para uma espécie de neogetulismo. Mas sabe que não há tempo para desfazer-se se seu discurso neoliberal em franca obsolescência.

4- Entre os  partidos  coadjuvantes, destaque-se  o movimento feito pelo DEM de Cesar Maia que, enfrentando a ala conservadora liderada por Jorge Bornhausen e  alguns remanescentes do  coronelismo nordestino, comprou  a briga de Aécio contra  Serra.   Cesar que  ideologicamente já percorreu todos o roteiros que vão de  A a Z, percebeu que seus recente neolacerdismo já deu o que tinha que dar  e, diante das  dificuldades enfrentas  por pelo governador Cabral,  voltou a sonhar com o governo do Estado numa parceria  com o PSDB  de Aécio (menos neoliberal  que o de Serra), o PPS de ninguém e o PV de  Gabeira que prefere disputar  uma vaga no Senado.

5- Outro coadjuvante de triste figura, o PDT de Brizola, reduzido  a um a vaga de aluguel administrada por Lupi, quase fechou com Dilma, mas foi contido pela  senadora licenciada Patrícia Saboya  (CE) e ex-esposa de Ciro, pelo  deputado paulista Paulinho da Força (sindicalista de resultado) e pelo senador Cristovam Buarque do Distrito Federal. Este, não sossega enquanto não comer o fígado do Zé Dirceu que   praticamente o demitiu por telefone,  do Ministério da Educação,  durante o primeiro governo de Lula.

Mais sobre o mesmo tema na matéria logo abaixo.

23-10-09

O naufrágio da candidatura de Serra é,
antes de tudo, uma falência ideológica

O presidente Baracak Obama  anunciou ontem a ampliação da ação do governo sobre a economia e mandou cortar drasticamente os salários dos  executivos  das grandes empresas outrora ícones do capitalismo ( GM, Chrysler, AIG, etc.) e que  hoje  só sobrevivem porque  foram estatizadas. Ainda ontem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu a privatização  da  exploração do petróleo do pré-sal no Brasil. Eis ai duas visões diametralmente opostas da mesma realidade.

A sensação que se tem é a de que os tucanos e sua mídia  atingiram um grau tão elevado de alienação  a ponto de tornarem-se limítrofes da idiotice. Não conseguem ver a  verdade comezinha. Para eles  não houve a  Crise Americana, a maior da história do capitalismo e, tampouco, transcorreu o ano de 2008. Foi apenas um mau pensamento que, fugaz, sumiu   uma fração de segundo após seu surgimento. Esta incapacidade altista de  lidar com a  realidade é a verdadeira responsável pelo naufrágio da candidatura de José Serra. É o que chamamos de falência ideológica.

Que falência é esta? A de não  perceber que uma página da História foi virada  e , por isso, não apresentar alternativas.  A de não perceber que a Crise  Americana decretou o fim do império absolutista do Mercado e seus paradigmas que  eram impostos ao mundo como numa cartilha. Na  grande crise de 29 do século passado foi preciso que um  economista inglês, considerado  heterodoxo,  Lord Keynes, ensinasse aos  burgueses como reconstruir sua economia arruinada  usando a mão visível do Estado para  consertar os desatinos da mão invisível do Mercado. Assim, os  Estados Unidos reergueram-se com Roosevelt  o “populista e intervencionista” e assim evitou-se no pós-guerra,  (1945)  a ruína completa da Europa e do Japão.  Até que, nos anos 80, instigado pela derrocada soviética, o Mercado resolveu reassumir  suas soberanas prerrogativas,  exigindo um  estado mínimo e mandando as regulamentações às favas. Então, de bolha em bolha, o modo de produção capitalista  transforma-se num gigantesco cassino  de capitais fictícios, promessa futuras de capital real que um dia  se realizaria  numa produção que, de fato, jamais ocorreria. Deu no que deu.

Enfim, tudo isto é para dizer que  Serra está amarrado a esta camisa  de força ideológica que o impede  de  nadar nas águas da  realidade pós-crise. E isto, melhor  do  que as intrigas políticas ( apenas a superfície da realidade), explica o  naufrágio de sua  candidatura: a ausência de um discurso  plausível.

Na matéria logo abaixo há  mais dados e   raciocínios sobre este mesmo assunto.

22-19-09

As possibilidades reais apontam
na direção de Dilma ou de Ciro

Estamos assistindo ao crepúsculo da época tucano-neoliberal.
Aécio avisa que não aguardará “o último suspiro de Serra”.

“O  Ciro tem o direito de ser candidato. Ele faz parte do nosso governo e dos nosso planos.” Esta frase do senador Aluísio Mercandante,  inserida  ontem em seu blog, não deixa mais nenhuma dúvida sobre o que anunciamos há  alguns dias aqui neste nosso blog: a candidatura de Ciro Gomes à presidência é para valer e  foi assimilada pelo presidente Lula. Mercadante como todos sabem,  além de líder  do PT no Senado é homem de confiança do presidente. Pagou,  por isto,  o mico de renunciar à própria renúncia   anunciada com estardalhaço na véspera, durante a operação “Salvamento do Sarney”, ordenada pelo Planalto. Operação esta que agora  rende  os frutos de uma aliança formalizada com o PMDB que indicará o vice de Dilma ( Michel Temer) , triplicará a máquina de sua campanha ( bases municipais e estaduais) e  mais que dobrará seu tempo na TV.  Estes são dados de realidade  como o é também o fato de que, embora   permaneça  leal e  assíduo na campanha de Dilma, Lula não se desagradará com uma eventual vitória de Ciro.

E o crepúsculo do pensamento tucano-neoliberal? Vamos por partes ou por itens como já se tornou  um vício ( bom vício) deste blog:

1- Como parece claro, o jeito tucano de pensar e agir sincronizado com a maré  neoliberal que durante três longas décadas (desde o início da  derrocada do mundo soviético)  assolou  a humanidade, sobreviveu ao próprio governo tucano. Aí está o Meirelles e seus juros  escorchantes que não nos deixam  mentir.  A aposentadoria da ideologia tucana é obra  externa , de uma força muito maior, a da Crise Americana que derrubou, como num vendaval,  todos os primados do  neoliberalismo econômico.

2- José Serra, independente de outros defeitos (e  ele os tem bem grandes)  foi pego  de calça curta em  plena tempestade: o pensamento neoliberal está tão incrustado nele que passou a fazer parte de sua essência assim como na de FHC de quem, queira  ou não ele  é  herdeiro, para o melhor e para o pior. É isto e não  a intriga  política (mera superficialidade que tanto seduz a  analistas menores do tipo Noblal)  o que explica o  naufrágio de sua  candidatura. Ficou seu discurso, para dizer  curto e grosso. Aécio Neves, menos antipático  e não tão contaminado  ideologicamente poderia ser uma alternativa, mas perdeu muito tempo  submetendo-se à estratégia de  Serra que domina de fato o PDDB. Hoje, o governador  mineiro perdeu a paciência e tornou públicas palavras que  só usava entre  amigos e que  este blog  vinha revelando nas últimas semanas: “ Só contem comigo até dezembro. Não posso ser refém da vontade de Serra, nem ficar esperando que ele dê o último suspiro”. Ele está se referindo, aqui, à  tática medrosa de Serra de  adiar ao máximo uma decisão sobre sua candidatra à presidência.

3- É o fim da ditadura dos paradigmas neoliberais, o que permite ao presidente Lula, neste final de segundo mandato, calibrar seu discurso com um nacionalismo e uma distribuição de renda  com  aroma francamente   getulista (populista para os desafetos)  que  dá retoques finais à sua biografia e o torna eleitoralmente imbatível.

Leia também a matéria abaixo.

20-10-09

Serra pode até não ser candidato

A indecisão do tucano racha o PSDB e o DEM de Norte  a Sul.  E o problema pode sobrar para Aécio.

Já vimos este filme: em 2006, entre uma disputa tranqüila para o governo de São Paulo e um derrota certa para Lula, Serra  deixou a bomba no colo de Alkmin e, ainda por cima  fez cara de triste como se tivesse sido traído. Isto  pode acontecer de novo. Se em janeiro as  prévias lhe forem adversas, como provavelmente serão, Serra  anunciará sua candidatura à reeleição em  São Paulo e  o Aécio, se quiser, que se candidate. Daí a  insistência  do governador   da Mooca  ( um simpático bairro paulistano) de  deixar  qualquer decisão para o próximo ano. Aécio, também inseguro, concordou.

Na visão do alto clero do Tucanato, quase todo ele  concentrado no Sul do País, a visão de Serra é correta. O problema é que  este congelamento temporário das decisões eleitorais  no nível nacional,  cria dramáticas dificuldades para as seções estaduais do partido que ficam  sem ter como  compor as parcerias locais de seus palanques. É o caso, para  ficarmos apenas com dois  exemplos significativos, do Rio e de  Mato Grosso do Sul. Neste estado, foi costurada uma aliança  tucana com o governador André Puccinelli (PMDB). Com a indefinição de Serra e com o fechamento do  acordo entre Lula  e o  PMDB, que indicará nos próximos dias Michel Temer como vice na chapa de Dilma, o PSDB talvez seja obrigado  a lançar uma  candidatura própria “de sacrifício”, apenas para que o candidato a presidência, seja Será ou Aécio, não fique sem palanque no estado. No Rio, Gabeira (PV)  já estava fechado  com Serra e, recentemente,  foi obrigado  a engolir a candidatura Marina. Candidatura esta que  ele  começa a vomitar, porque  desistiu de suas pretensões ao governo  estadual. Será candidato  ao Senado,  em provável  aliança com o governador Cabral. Com isso, Serra ou Aécio ficam sem palanque.

Mas não é só isto: o vacilo de Serra já  provocou um tremendo racha no coadjuvante DEM, hoje  nitidamente divido  entre  os de  Serra e os de Aécio. Com  o paulista, temos o veterano móvel e  utensílio do partido, o ex-senador Jorge   Bornhausen. Ao lado do mineiro temos  o jovem rebento Rodrigo Maia que se não fosse filho seria apenas o boneco de ventríloquo do  ex-prefeito César. Este  pacto com  a parte importante do DEM, era  uma das “armas secretas” do governador de Minas que  agora fica exposta ao público.

Entretanto (e isto nossos  jovens analistas  tem imensa dificuldade para perceber) toda crise política tem, subjacente, uma aflição ideológica. Que aflição é esta? A de que nos últimos  dozes meses o  mundo  mudou da água para o vinho e o que era  considerado démodé passou a ser  atualíssimo como, por exemplo, defender  um estado forte, capaz de consertar com sua mão visível  as doidices    praticados pela mão invisível do Mercado. Na mídia desajeitada  e cafona  ficam do lado errado apenas  os  últimos heróis, bem pagos, das teses neoliberais. Entre os já consagrados, figuram Mirian Leitão, Ricardo Noblat e Willian Waack. Serão contidos, um dia, senão pela razão, pelo menos pelo senso do ridículo.

Então, o que temos   é que  há um nítido eixo ideológico  a pautar a  eleição presidencial. De um lado  os lulistas ou neo-getulistas e  seus aliados mais consistentemente socialistas. Na outra vertente, encontram-se os  neoliberais de raiz udenista. Entre estes, evidentemente, situa-se Bornhausen que, afinal, nunca foi na vida nada além de um  banqueiro. Já César Maia possui um currículo bem mais  sortido: já foi subversivo, exilado, brizolista, filiado ao PMDB  ( me perdoem se esqueço  algum item) e agora percebe  que  é preciso livra-se urgentemente da pecha de neo-lacerdista. Como biruta de  aeroporto,  vira  sempre na direção do vento forte. Enfim, ele é tudo isto, mas não é tolo. Serra está marcado indelevelmente (FHC o marcou) como neoliberal da melhor cepa. Aécio, sobrinho de Tancredo, não.  Por isso, com ele, fica mais fácil adaptar o discurso aos novos tempos. Creiam que  estes fatores ideológicos explicam melhor as coisas da política do que a simples intriga, o enredo superficial.

Veja também matéria abaixo.

18-10-09

Por que Serra não será presidente

 Se houver segundo turno será entre  Dilma e Ciro.

Não tenho, neste momento, nenhuma pesquisa à mão. Entretanto  meus quase quarenta anos de jornalismo político, se não me autorizam,  me animam  a dizer  por que Serra não será presidente. Vejamos:

1- Assustado, em suas últimas declarações Serra tem dito  que  o Brasil não é capitania hereditária, querendo dizer com isto que o prestígio  do atual presidente não pode ou não  deve ser herdado pela candidata oficial. Ora, isto em boa linguagem de políticos quer dizer exatamente o contrário: o tucano sabe   que  Dilma   deverá  herdar, total ou parcialmente, a não pequena popularidade  do chefe.

2-A rejeição de Dilma em torno de 40 por cento é uma   invenção tático-estratégica do Montenegro. Este não pode ser  o piso ou limite definitivos de rejeição da candidata, pela  boa razão de que ela,  segundo o próprio IBOP do mesmo Montenegro,  ainda não é bem  conhecida  por todos os brasileiros. Além disso, rejeição é reversível.

3- O que não parece ser  reversível é o teto  de expansão da candidatura Serra ( ou de qualquer outra candidatura oposicionista)  em face da avassaladora popularidade de Lula. Os especialistas  avaliam que este teto é de escassos 35 por cento.

4- Por outro lado, a popularidade do presidente parece  sustentável por que ele,  por matreira intuição, a ancorou no velho e  bom nacionalismo do  povo brasileiro. Com isto, de quebra,  ele ideologizou ( cuidado com  o nó  na língua)  a campanha eleitoral que virou uma espécie de reprise  do velho filme  Lacerda  x Getúlio. E por falar nisso, reparem que   Lula está cada vez  mais parecido  com seu modelo. Até nos defeitos: pai dos pobres e mãe dos ricos. O  irônico  desta situação é que agora como há  sessenta anos, a maioria dos ricos não reconhece  isto. Azar deles.

5- A candidatura  Ciro, como este blog  antecipou há  semanas, é  para valer e retira muito mais votos de Serra  do que de Dilma. Isto porque  o ex-governador cearense  e condutor temporário do Plano Real possui esta desconcertante capacidade  de  convencer aos socialistas de que sua conversão é verdadeira e, ao mesmo tempo, não apaga nos  corações conservadores a esperança  de que, no fundo, ele continua sendo conservador.

6- Este é um sintoma que fala por si:  desesperada com o iminente  naufrágio de Serra, sua mídia tenta ressuscitar o “Escândalo Dilma/ Lina”.

Esta matéria  pode ser complementada com a leitura  dos  dois textos que e  você encontrará  logo aí a baixo.

16-10–09

Lula avisa que candidatura de Ciro é para valer

Das barrancas do rio São  Francisco,  onde  inspecionou obras e fez campanha,  o presidente Lula avisou, ontem, aos petistas de  um modo geral e aos de São Paulo em particular, que a candidatura de Ciro Gomes (PSB) à presidência  é irreversível  e “seja o que Deus quiser”. Durante toda a viagem  o  presidente dividiu sua atenção entre Dilma e Ciro.

O PT paulista demorou  a  se deixar convencer de que a candidatura de Ciro Gomes ao governo de São Paulo provocaria um estrago irremediável  ao projeto presidencial de Serra. A estratégia de Lula e do PT  Nacional  tinha este objetivo. Agora, pelas vozes  lúcidas de Eduardo Suplicy e José Genuíno, pelo menos  parte dos  paulistas  admite apoiar  Ciro para governador. É tarde. O socialista eclético   vai até o fim com seu projeto presidencial e sob a proteção parcial do guarda-chuva lulista. Num primeiro momento, esta candidatura arrebenta de  vez com  as pretensões presidenciais de Serra, mas, lá na frente, ela vai  retirar votos  de Dilma também.

O candidato do PSB ao  governo de São Paulo será  o  inusitado  Paulo Skaf, presidente da  volúvel FIESP.  Ele não tem a menor chance, mas sempre retira mais alguns votos de Alkmin (provável candidato tucano  a governador) e de Serra, além de dar uma boa alavancada  nas finanças da candidatura Ciro.

Para entender todo este processo, veja matéria do dia  12 , logo aí em baixo.

12-10-09

Ciro é o Plano B  e o Plano C de Lula

 O socialista eclético vai até o fim como candidato à presidência.

Já não se fazem analistas políticos como antigamente.  Hoje em dia eles ficam girando em torno de segredos de Polichinelo e não chegam junto. Com isso algumas verdades simples, quase óbvias, não são ditas e fica parecendo que os políticos têm uma profusão de cartas escondidas na manga. Não é assim. Eles podem até iludir, mas  não são ilusionistas. Tomemos como exemplo o caso da transferência, para São Paulo, do título de eleitor de Ciro Gomes e vamos analisá-la em tópicos, como o leitor gosta e eu também:

1- A possibilidade de Ciro vir a ser candidato ao governo de São Paulo  está na proporção de um para dez. Ele só  transferiu o título, primeiro por que os políticos são lúdicos, segundo por que  ele não perde nada com isto e ainda  atrai os refletores da mídia e terceiro por que isto dá um nó cabeça dos tucanos.

2- É evidente que (eu poderia dizer “posso informar” para parecer bem informado) que Ciro combinou tudo com Lula antes de dar este passo. E agora sim, posso informar que ele avisou  seu amigo Aécio com antecedência.

3- Ciro é o Plano B de Lula por que se ganhar o desastre pode se completo para o PT, mas não  para  o presidente. E se não ganhar, ele cumpre a missão de retirar votos de Serra, pois é o único  na área lulista (e eu venho dizendo isto há semanas) que  mina o eleitorado  tucano. Como eclético que é,  Ciro recebe afluentes da esquerda e da direita. E mesmo jurando ser socialista,  receberá os votos da parte tucana da burguesia paulista – a grande e a pequena –  que jamais votará em Dilma. Então, quando este seguimento perceber que não vai dar para  Serra, ele vai votar em quem?

4-Se, muito lá na frente, ficar claro que não vai dar para Dilma, ela será cristianizada e,  aí sim,  Ciro será o Plano B, ou melhor, o Plano C de Lula.

5- As raposas do PMDB já fizeram este cálculo, sabem  que Serra já era. Então, apressam-se em fechar acordo com Dilma, indicando o vice de sua chapa (Michel Temer). Se não der Dilma, lá na frente, os herdeiros do Dr. Ulisses se arrumarão com Ciro que, afinal, precisará  governar com alguém.

6- O ponto fraco da candidatura Ciro  é seu partido, o PSB, com máquina diminuta e tempo na TV ainda menor. Mas, em alguns estados, em São Paulo por   exemplo, o PMDB pode dar uma mãozinha, por  baixo do pano, a especialidade do Quércia.

7- O presidente Lula continuará, lealmente, dando  apoio em tempo integral para Dilma e   destacou  Marco Aurélio Garcia, (o amigo de Chávez) para a elaboração do programa de  campanha da candidata que será apresentado como programa de governo.   O objetivo é o de que ela deixe de ser a apenas a candidata do PAC  para   apresentar-se como  o futuro   natural e aprimorado do lulismo.

14-10o9

Rio: PV deixa Marina sem palanque
e PT pode  lançar Lindberg Farias

Como resultado deste jogo,  Dilma terá três  palanques: o de Cabral (PMDB), o  do PT e o do PR de Garotinho. Além de Marina, Serra também  fica  sem nenhum, a menos que o PSDB lance candidato próprio o que é pouco provável.

Preocupados apenas com seus com seus projetos pessoais, os dois principais caciques nacionais do PV,   Fernando Gabeira  e Alfredo Sirkis, fecharam acordo neste fim de semana com o governador Sérgio Cabral.  Num primeiro momento, para não ficar feio   demais, eles apenas  anunciarão  que Gabeira não será candidato ao governo. Ele vai disputar uma vaga no Senado e Sirkis concorrerá à Câmara dos Deputados. Quando a campanha começar eles  subirão no palanque  do atual governador. O  terceiro cacique,  Zequinha Sarney, presidente nominal do partido e  aquele que abonou  a ficha de filiação de Marina, por razões óbvias, não dá  qualquer palpite.

As duas  conseqüências mais  importantes  desta manobra  são, em primeiro lugar, que o PT do Rio fica, pelo menos moralmente, desobrigado de apoiar  Cabral e liberado para  lançar seu   próprio candidato,  Lindberg  Farias, prefeito de Nova Iguaçu.  A segunda conseqüência é a de que   Dilma fica com  três palanques no Rio, os do PMDB, do  PT e do PR, enquanto Serra corre o risco de ficar sem nenhum. Aliás, Lindiberg comentava ontem que todos os pontos ganhos por Cabral com a  escolha do Rio para sede das Olimpíadas, ele os perdeu com a  crise  que assola os trens  suburbanos que  servem a Baixada  Fluminense, segundo maior colégio eleitoral do Estado.

12-10-09

Pega na mentira

“Pra casa, Ciro!” : Noblat batendo  para proteger Serra.

Por ordem do chefe, Ricardo Noblat diz hoje em sua coluna que  a candidatura   de Ciro Gomes à presidência desagrada Lula e  prejudica  Dilma Rouseff. Isto é uma   deturpação deslavada dos fatos. É verdade que a  candidatura do ex-governador cearense provoca  perturbações no PT (não no lulismo) e  é  claro que as candidata oficial prefere  ser a  única e  exclusiva do governo. Mas o grande fato, o  realmente  relevante é  que a candidatura Ciro soterra, inviabiliza definitivamente as aspirações  presidenciais de José Serra. É isto que o Globo e, de resto, toda a  grande mídia tentam desesperadamente ocultar.

Na matéria logo abaixo desta você verá  a explicação em detalhes de como e por que Ciro inviabiliza  Serra. Esta matéria foi escrita ontem, mas sou obrigado a repeti-la  diante da  grotesca falsificação da verdade  que  O Globo, via seu escriba gaiato, procura  impingir a seus leitores.

Já disse várias vezes neste blog que a missão da grande mídia é apontar na direção errada. Por isso, o leitor deve estar permanentemente atento. O melhor antídoto seria fazer uma leitura invertida das noticias. Mas o consumidor  que  paga  o produto não pode ser obrigado a este esforço adicional. De qualquer forma,  trata-se de um desaforo, de  absurdo desrespeito à clientela: estamos lidando  com  uma forma organizada, meticulosa e continuada  de desinformação deliberada do grande público.  Sem piada,  essa  falsificação massiva e permanente  mereceria uma CPI, se tivéssemos um Congresso sério.

11-10-09

Ciro é o Plano B e o Plano C  de Lula

O socialista eclético vai até o fim como candidato à presidência.

Já não se fazem analistas políticos como antigamente.  Hoje em dia eles ficam girando em torno de segredos de Polichinelo e não chegam junto. Com isso algumas verdades simples, quase óbvias, não são ditas e fica parecendo que os políticos têm uma profusão de cartas escondidas na manga. Não é assim. Eles podem até iludir, mas  não são ilusionistas. Tomemos como exemplo o caso da transferência, para São Paulo, do título de eleitor de Ciro Gomes e vamos analisá-la em tópicos, como o leitor gosta e eu também:

1- A possibilidade de Ciro vir a ser candidato ao governo de São Paulo  está na proporção de um para dez. Ele só  transferiu o título, primeiro por que os políticos são lúdicos, segundo por que  ele não perde nada com isto e ainda  atrai os refletores da mídia e terceiro por que isto dá um nó cabeça dos tucanos.

2- É evidente que (eu poderia dizer “posso informar” para parecer bem informado) que Ciro combinou tudo com Lula antes de dar este passo. E agora sim, posso informar que ele avisou  seu amigo Aécio com antecedência.

3- Ciro é o Plano B de Lula por que se ganhar o desastre pode se completo para o PT, mas não  para  o presidente. E se não ganhar, ele cumpre a missão de retirar votos de Serra, pois é o único  na área lulista (e eu venho dizendo isto há semanas) que  mina o eleitorado  tucano. Como eclético que é,  Ciro recebe afluentes da esquerda e da direita. E mesmo jurando ser socialista,  receberá os votos da parte tucana da burguesia paulista – a grande e a pequena –  que jamais votará em Dilma. Então, quando este seguimento perceber que não vai dar para  Serra, ele vai votar em quem?

4-Se, muito lá na frente, ficar claro que não vai dar para Dilma, ela será cristianizada e,  aí sim,  Ciro será o Plano B, ou melhor, o Plano C de Lula.

5- As raposas do PMDB já fizeram este cálculo, sabem  que Serra já era. Então, apressam-se em fechar acordo com Dilma, indicando o vice de sua chapa (Michel Temer). Se não der Dilma, lá na frente, os herdeiros do Dr. Ulisses se arrumarão com Ciro que, afinal, precisará  governar com alguém.

6- O ponto fraco da candidatura Ciro  é seu partido, o PSB, com máquina diminuta e tempo na TV ainda menor. Mas, em alguns estados, em São Paulo por   exemplo, o PMDB pode dar uma mãozinha, por  baixo do pano, a especialidade do Quércia.

7- O presidente Lula continuará, lealmente, dando  apoio em tempo integral para Dilma e   destacou  Marco Aurélio Garcia, (o amigo de Chávez) para a elaboração do programa de  campanha da candidata que será apresentado como programa de governo.   O objetivo é o de que ela deixe de ser a apenas a candidata do PAC  para   apresentar-se como  o futuro   natural e aprimorado do lulismo.

10-10-09

A estratégia  do País em mãos nacionalistas

Conheça a doutrina do futuro ministro de Assuntos Estratégicos

O futuro ministro de Assuntos Estratégicos, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães (ele foi convidado há três dias pelo presidente Lula), pertence a uma antiga linhagem de profissionais do Itamaraty considerada nacionalista ou antiamericana para os desafetos. Como secretário-geral do  Ministério das  Relações  Exteriores é o  principal  formulador   teórico da política  externa implantada desde o primeiro  mandato de Lula e que substitui a política  de FHC comandada pela turma do “alinhamento automático”  ou pró-americana  idealizada  pelo ex-chanceler  Celso Lafer. O comando da nova política, ficou, evidentemente, a cargo   de  Celso Amorim hoje consagrado internacionalmente e  admirado  até pela  mídia norte-americana. Quanto ao cargo de ministro de  Assuntos Estratégicos, ele está vago há  quase 90 dias,  desde a renúncia de Mangabeira Unger, aquele do sotaque engraçado, que deixou o assento para voltar a lecionar em Harvard, não sem antes ter um  desentendimento amazônico com Marina Silva.

Na verdade, esta vertente nacionalista  de nossa política externa só feio à luz em 2005 quando Lula, durante reunião em Buenos Aires com  o então presidente Néstor Kirschner, realizou importante inflexão  nas relações com os  EUA e declarou  inesperada  e unilateralmente que “retiramos da nossa agenda essa questão da ALCA”.  Essa  questão da ALCA era nada menos que  um projeto longamente  acalentado por Washington  que pretendia implantar um formidável mercado comum  que, sob sua tutela, iria do Alasca à Patagônia. Entretanto, desde a declaração de Buenos Aires, a prioridade absoluta do Itamaraty passou a ser o fortalecimento do MERCOSUL, como passo necessário para a constituição efetiva  da união sul-americana, a UNASUL.

De resto, o desdém e a forma  negativa e grosseira com que  a mídia brasileira trata  questões relacionadas com a integração da America do Sul  decorre do despeito de seus patrões externos inconformados com a frustração da ALCA. Sem ela, os EUA limitam-se a garimpar poucos e avulsos acordos bilaterais de livre comércio, como os que engatinham no Peru e na Colômbia.  E não é por acaso que esta mesma mídia  ataca  ferozmente  aos aliados  do Brasil e  poupa covardemente  o colombiano Uribe que marcha para seu terceiro mandato e o peruano Alan Garcia que  permite uma desvairada devastação  da  parte amazônica  de seu país. Devastação esta  promovida por madeireiras  norte-americanas.

Há 30 dias publicamos neste blog  trechos de um  documento do Itamaraty até então inédito e assinado pelo embaixador  Pinheiro  Guimarães. Vamos publicá-los novamente (veja logo aí abaixo)  em consideração aos  novos  leitores que a cada dia afluem ao Twitter e  ao blog. Estes textos revelam de forma  sintética o pensamento central do futuro ministro de Assuntos Estratégicos.

Eis o documento:

Para o embaixador Pinheiro Guimarães, “o MERCOSUL (a Argentina e o Brasil em particular) enfrentam três desafios de curto prazo no processo de articulação de  um papel autônomo no sistema mundial, multipolar, em gestação: A – Resistir a uma absorção na economia e no bloco político norte-americano, que está avançando rapidamente, de maneira disfarçada, por meio de negociações da ALCA e dos TLCs (tratados de livre comércio) e da dolarização gradual. Benfrentar uma possível intervenção militar externa na  Colômbia e eventualmente em toda a região amazônica. C – Recuperar o controle sobre as políticas, doméstica e externa, no momento sob controle do FMI (e da Organização Mundial do Comércio)”.

Segundo o embaixador, a construção “paciente, persistente e gradual da união política da América do Sul e uma recusa firme e serena de políticas que submetam a região aos interesses estratégicos dos Estados Unidos tem que ser objetivo  da nossa política externa e o MERCOSUL é um instrumento essencial  para  atingir esse objetivo”. E Pinheiro Guimarães ressalta que “MERCOSUL significa Brasil e Argentina, da mesma forma que União Européia  Alemanha e França e Nafta (Mercado Comum Norte-Americano) significa Estados Unidos e Canadá”, para acrescentar “que sem uma cooperação próxima entre Brasil e Argentina, a  ação coordenada no MERCOSUL  seria uma total impossibilidade”.

9-9-09

Sarney e Chávez, tudo junto e misturado

José Sarney informou ontem a uma das eminências  do  Gabinete da Presidência, que  não criará empecilho ao ingresso  da Venezuela no MERCOSUL. A oposição tinha esperanças de que  ele somasse esforços para  impingir  uma derrota política  a Chávez e seu modelo bolivariano. A manobra, criativa, consistia em fazer com que o presidente do Senado usasse seu prestigio (que ele o tem no PMDB e entre senadores) para mudar um voto dentro da Comissão de Relações Exterior da Casa que está em vias de  aprovar ou não o voto do relator, o tucano Tasso Jereissati, contrário à adesão da Venezuela. Atualmente a situação é de  oito votos  contra Chávez e dez a  favor. Com o empate, a solução ficaria nas mãos do presidente da comissão, Eduardo Azeredo, outro tucano que, evidentemente, torce conta a união sul-americana, a principal meta do governo Lula no plano externo.

Eis, enumeradas, as razões  que levaram Sarney a ficar do lado de Chávez:

1- Nem todos lembram ou sabem que um dos pontos altos da biografia de Sarney é o de ter lançado em 91, como presidente  brasileiro,  ao lado de Raúl Alfonsín, presidente argentino, a pedra fundamental do MERCOSUL (Tratado de Assunção).  Desde logo, embora inicialmente restrito a Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o MERCOSUL  supunha sua própria expansão para todo o Continente,  só assim ele faria sentido  e  poderia se apresentar como  interlocutor forte  perante a comunidade internacional.

2- Sarney sabe, e o senso comum também, que o que se está aprovando não é o ingresso de Chávez, um governante eventual, mas o ingresso da Venezuela, uma nação obviamente  permanente  e, por acaso, muito rica.

3- As relações comerciais Brasil/Venezuela nos são francamente favoráveis: saldo de cerca de 5  bilhões de dólares  anuais. Além disso, a Região Norte, da qual Sarney é um representante, seria a primeira e principal beneficiada com o ingresso venezuelano.

4- Os Estados Unidos  e a Colômbia,  dois  “inimigos”, são, ao mesmo tempo, os  dois principais parceiros comerciais da Venezuela,  numa demonstração de que  política é uma coisa, comércio é outra.

5- Sarney deve a Lula uma caminhão de favores e, neste momento, está no núcleo das negociações para a confirmação imediata de  Michel Temer, presidente da Câmara,  como  vice na chapa de Dilma, uma  aspiração importante do PMDB.

6- Sarney não nasceu ontem.

Na matéria imediatamente abaixo desta, você encontrará mais elementos sobre este tema.

6-10-09

O ódio tucano que fere o Brasil

Tasso Jereissati, o tucano  membro da Comissão de Relações Exteriores do Senado acaba de perpetrar um crime contra  o futuro do País. Como relator  da matéria sobre o ingresso na Venezuela  no MERCOSUL deu parecer contrário. Isto pode  custar  anos de trabalho paciente e metódico do Itamaraty  que vem construindo a união sul-americana, UNASUL, nos moldes da União Européia. Na verdade, estrategicamente falando, Argentina, Brasil e Venezuela, compõem o eixo central desta união que passa pelo fortalecimento do MERCOSUL.

O ódio de Jereissati ao  presidente da República transformou-se  em desatino que  fere os interesses permanentes do País.  Os tucanos não vêem, enfim, três  elementos essenciais para uma discussão  objetiva da questão: a- não se está   votando o ingresso de Chávez (governante eventual embora legítimo)  no MERCOSUL  e sim da Venezuela, uma  nação  permanente, como é óbvio, e  extremante  rica; b– neste exato momento, o presidente Lula está em  Estocolmo, na Suécia, negociando uma acordo  de livre comércio entre a  União Européia e a UNASUL,  um lance de  altíssimo alcance que fez parte, aliás, das negociações Lula/Sarkozy, há dez dias e  que resultaram no acordo militar Brasil/França, na compra dos caças, etc.; c– o simples ingresso da Venezuela já é suficiente para transformar o MERCOSUL numa potência de primeira grandeza, não só auto-suficiente como campeã  na produção de combustíveis fósseis  e  renováveis, bem como de proteínas  vegetal  animal, as moedas de troca mais  cobiçadas nesse início de século.

Incapazes de ver isto, odientos e tacanhos, os tucanos vão-se transformando em versões atualizadas e  vulgares de Calabar.

29-9-09

Por que os analfabetos políticos
não toleram o sucesso do Brasil

O governo golpista está derretendo em Honduras, a comunidade  internacional alinha-se ao lado do Itamaraty, mas eles continuam apostando em Micheletti e dizendo que Lula “entrou numa fria”. Enquanto isto, Serra tira definitivamente a máscara e  chama ação brasileira de “tremenda trapalhada”.

Nosso objetivo, hoje, é tentar compreender o comportamento desconcertante de figuras famosas do jornalismo, como Ricardo Noblat, Diogo Mainardi   José Nêumanni Pinto, Alexandre Garcia, Míriam Leitão, Merval Pereira e outros menos votados. A pergunta é simples: O que faz profissionais competentes, dotados até de um texto gracioso, se comportem como legítimos analfabetos políticos e não conseguirem enxergar  a realidade simples? Por  educação,  vamos  excluir  da resposta a desonestidade e o servilismos,  embora os beletristas globais tenham adquirido o inusitado hábito de  se referir  aos patrões  como “companheiros de trabalho”. Não me consta que isto ocorra em qualquer outra parte do mundo. Por fim, como a resposta é longa, vamos subdividi-la em itens. Então:

1- É característica essencial do analfabeto político (uma criação imortal de Bertold Bertcht)  ver a política apenas como  mero repositório de corruptos e oportunistas . Por isso ele não se  engaja, torna-se cínico, cético e , dependendo do grau  de educação, eventualmente irônico.

2- A função maior da mídia capitalista é apontar na direção errada, desinformar através  de um descomunal sortimento de  dados descontextualizados. Por isto ela se transforma numa gigantesca usina de analfabetismo político. E, com isto, cria-se um axioma implícito. Fica parecendo que não há alternativas ao atual modo de produção e  oculta-se sua  inerência destrutiva, da Natureza e do próprio homem.

3- Desde a colônia, as elites ensinam seus rebentos, de pai para filho, que o Brasil  não é um  pais sério. Mesmo pardas (veja o caso do “companheiro” Roberto Matinho), elas imaginam-se alvas. Ontem, faziam biquinho para arranhar um francês maroto, hoje intercalam um inglês a cada duas palavras portuguesas. Convenceram-se   de que  o bom é o que vem de fora. Gostariam de  ver todos os dias, diante do espelho, um Kennedy e horrorizam-se  por que  vêem um Lula. Daí o ódio feroz, incontrolável.

4- Então, quando o Brasil tornar-se  protagonista da cena   mundial pela mão de um nordestino atarracado e pouco letrado, isto representa uma visão absolutamente insuportável para a elite tacanha. Ela  não suporta  ver  e efetivamente não vê  que Lula é o político mais popular do mundo e não vê que em Honduras  o Brasil dá  uma aula prática de democracia e o Itamaraty exibe sua tradicional competência.

5- É a soma de tudo isto que faz com que Noblat, um analfabeto  político irremediável, diga, como disse ainda ontem  pela enésima vez, que o  presidente da República “é um bobo”, sem percebe, coitado,  que  ele, sim,  é um consumado bobo da  Corte Global.

6- E é a soma de tudo isto que  faz com que Willian Waack, o mais novo analfabeto político da praça, tenha afirmado,  ontem à noite na Globo, que   o Brasil não sabe como sair da  situação em que se meteu, em Honduras.

Nos artigos imediatamente   anteriores a este  você encontrará logo aí em baixo,  todo o histórico  do envolvimento do  Brasil na crise hondurenha. Chamo sua atenção para  um documento inédito inserido nestes artigos, demonstrando que atual política de contenção da hegemonia norte-americana no Continente, longe de ser uma improvisação, foi planejada  e vem sendo executa  com proficiência desde o primeiro mandato de Lula.

Na coluna Coisas da Política deste blog, mais notícias sobre Honduras.

28-9-09

A inglória missão de confundir

O Globo embaralha, nos desembaralhamos.

Entre ridículo, patético e calhorda, O Globo segue sua missão essencial e covarde: confundir e não informar, embaralhar os fatos, distorcer, ocultar e apontar na direção errada. Tudo o ele não quer é que fique evidente a extraordinária vitória  diplomática do Brasil em Honduras e o  protagonismo que o país assume, agora, na cena internacional. Isto nos obriga, então, a  tentar desembaralhar. Vamos lá:

1- Ontem, como comentamos  neste blog, O Globo atacou  com  esta manchete   estapafúrdia na primeira página: “Honduras: ONU não condena no tom que o Brasil queria”.Com isto ele queria transformar em meia derrota  a vitória inequívoca do Brasil,  obtida com a condenação, pelo Conselho de Segurança, do golpe e a exigência de levantamento do cerco à embaixada  brasileira em Tegucigalpa.

2- Na verdade,  houve sim, antes da reunião do Conselho de Segurança   que condenou o golpe, um discussão entre o chanceler Celso Amorim e a  representante americana, Susan Rice. Ela   considerou que  cabe à OEA – Organização dos Estados Americanos –  estabelecer as medidas de coerção  ou punição contra o governo golpista. Portanto, são aspectos  diferentes da mesma questão. Qualquer  jornal sério se sentiria  obrigado a esclarecer. O Globo fez questão de embaralhar. De qualquer forma, a transferência para a OEA, uma questão de foro, contribuirá apenas para protelar o problema, mas não evita  a derrocada do governo  golpista. Desde o início, os EUA vêm empurrando a questão com a barriga, na esperança de que  as eleições de novembro, já canceladas, dessem “cobertura legal” ao golpe. Como nem mesmo os EUA podem bater de frente contra  a evidente opinião mundial que dá  razão  ao argumento brasileiro, até o embaixador norte-americano em Tegucigalpa já formalizou posição considerando Zelaya como o governante legítimo. Isto O Globo,  calhordamente, omitiu.

3- Entretanto, até O Globo, provavelmente por mérito de seus profissionais   que ainda guardam elementos do jornalismo honesto, em sua edição de hoje  publica,  escondida  na  página  43,  uma entrevista com o  insuspeito Günter Rudzit, doutor em ciências políticas pela USP e  ex-assessor do Ministério da Defesa no governo FHC. Vejamos o que diz Rudizt, no contexto na posição assumida pelo  Itamaraty  em Honduras: “O protagonismo é evidente” E acrescenta:“Temos estruturas na  nossa sociedade, como a do empresariado, por exemplo, que não estão acostumadas ao protagoismo. Estão desesperadas. Quebrar barreiras mentais é muito difícil”.

4- Também escondida na página 44, O Globo publica mini entrevista com Carlos Reyes, o candidato mais à esquerda nas eleições hondurenhas, para quem não haveráeleições sema restituição do poder a Zelaya.  Sob os golpistas a eleição é ilegal.

5 Hoje, O Globo volta a atacar dizendo,  em chamada da primeira página, que  “Lula ataca Conselho de Segurança” O objetivo do jornal é estabelecer  uma conexão entre a fala do presidente,  na Venezuela, e uma possível decepção com  a decisão da ONU que  transferiu para a OEA a punição ao governo golpista  de Honduras. Aqui temos  mais uma mentira e mais um distorção deliberada. Na verdade, há muito tempo, Lula vem dizendo que o Conselho de Segurança não é  mais representativo da realidade mundial. Isto faz parte de sua campanha para a  ampliação desse organismo. Aliás, na semana  passada, sintonizado com esta campanha,  nada menos que o presidente  Nicolau Sarkozy, da França, disse a mesmo coisa e  defendeu a inclusão do Brasil em um novo Conselho ampliado.  Portanto, mais uma vez O Globo, num total desrespeito a seus  leitores, embaralha deliberadamente as coisas.

Em verdade, além do Globo,  jornalões como o Estadão e  a Folha enganam tão descaramente  seus leitores que já viraram caso de Procon.

26-9-09

O Brasil venceu. É o fim da gorilagem

A manchete do Globo de hoje é uma obra-prima do analfabetismo político. Ele não podia deixar de  dar a  notícia, mas não queria dizer que o Brasil obteve uma fantástica vitória diplomática  na  ONU que, pelo seu Conselho de Segurança, respaldou de fato a posição brasileira em Honduras. Então o vetusto jornalão tascou: Honduras: ONU não condena no tom que o Brasil  queria.

O que isto  significa é que a ONU fez (não importa o tom) o que o Globo e outros neogorilas  nacionais não queriam que ela fizesse: endossar a mensagem do governo brasileiro: não há mais lugar, neste Continente, para golpes militares e outras gorilagens. Mas ficou a manchete que é impagável. É o mesmo que se dissesse: Fulano  não morreu   no tom que  Beltrano queria. Enfim, com mais uma destas, O Globo vira sucursal da Casseta  & Planeta.

Nas  matérias que  se seguem aí abaixo desta, o leitor  encontrará  uma sequência cronológica e de raciocínios que demonstram, espero, por que a vitória diplomática de ontem  é não só bonita e importante como abre caminho para  uma fase  de afirmação da liderança do Brasil na América  do Sul.

Seja como for  cabe assinalar alguns aspectos:

1- É impossível não lembrar que  há poucos anos, na   pressão ou na violência de fato, os EUA faziam o que  queriam  nas chamadas  repúblicas das bananas. Isto acabou.

2- O Brasil deixa de ser coadjuvante para ser protagonista da cena  global.

3- A posição viril e cordata   em Honduras pavimenta o caminho ( ainda longo é verdade) para a construção de um grande potência  neste lado do Equador. A União Sul-americana – UNASUL.  Guarde bem  este  nome.

25-9-09

Missão cumprida

No fim da tarde de sexta-feira o Conselho de Segurança da ONU selou a sorte dos golpistas  hondurenhos. Ainda assim, a mídia  apátrida e seus analfabetos políticos comtinuam torcendo contra o Brasil.

Está aberto o diálogo democrático em Honduras, resultado da  Operação Tegucigalpa, liderada pelo Brasil que abrigou em sua  embaixada o presidente legitimo Manuel Zelaya. Com a chegada, hoje e amanhã dos representantes da ONU e da OEA, o governo  de Roberto Micheletti fica praticamente anulado. A  restauração democrática  torna-se, assim, irreversível, para  desespero da mídia brasileira vendida e de seus analfabetos políticos que, com informações falsas e ironias baratas, procuraram desmoralizar a ação da diplomacia brasileira. Ainda hoje, através de Merval Pereira, o Globo  tenta “esticar” a crise.  Seria apenas  patético, se não fosse criminoso.

No episódio, o Brasil adquire, sim, uma nova  estatura, compatível com seu  tamanho, importância e aspiração histórica. Graças a uma bem elaborada e implementada política externa inaugurada pelo Itamaraty desde o primeiro governo Lula, o Brasil passa, sim, de coadjuvante a  protagonista da cena global.

Nos  dois artigos imediatamente anteriores a este (que o leitor  encontrará aí em baixo, na seqüência deste) já falamos o suficiente sobre  este projeto bem sucedido, apresentando, inclusive, um documento inédito. Agora talvez seja o momento de tirar conseqüência deste episodio que não vacilo em dizer histórico, a Operação Tegucigalpa.  E é certamente o momento, – quando o jornalismo vendido cala, aparvalhado -, para   analisarmos a possibilidade  de  construirmos aqui  neste canto  meio esquecido do mundo , uma potência de primeira grandeza, a União  Sul-americana. Ela já existe embrionária  no MERCOSUL e na UNASUL, tão  desacreditados  pela mídia  que sempre  tratou esse desejo legitimo  e viável de união com a mesma animosidade   com que está  tratando agora a Operação Tegucigalpa.

Com poucas palavras: a União Européia, que em muitos aspectos nos serve de  exemplo, só  foi possível quando dois inimigos seculares, França e Alemanha, tornaram-se   parceiros.  De forma análoga, na América do Sul, Brasil e Argentina  já acertaram seus ponteiros, removendo, assim, o principal obstáculo à união continental. A partir daí a  adesão de novos parceiros é  uma decorrência natural, questão de  tempo paciência e habilidade. Paciência e habilidade que não tem faltado ao governo brasileiro que trata seus vizinhos mais frágeis com  a benevolência   necessária para  quem  executa um projeto estratégico. Não cabe, aqui, alongar este assunto que, de resto, é tratado  com maior profundidade na  coluna  Pátria Grande deste blog. Entretanto, imagine  que de  uma  efetiva união sul-americana, nasceria imediatamente  uma potência   auto-suficiente  e  maior produtora de combustíveis tanto fósseis como renováveis,  bem como de proteínas vegetal e animal. Temos aí, as principais moedas de troca neste século.  Fica fácil, assim, entender por que a  nossa velha mídia apátrida   transforma cada  pequena intriga com nosso vizinhos  em  um impasse diplomático e  procura demonizar   alguns de nossos  principais parceiros.

24-9-09

O Brasil assume
sua maioridade

O analfabeto político é, sobretudo, aquele que não quer ver. Jabor é o exemplo maior. Quando a Globo, através de  Jabor, Míriam Leitão e Alexandre Garcia tenta nos convencer de que o golpe militar de Honduras é um “golpe branco”e  preventivo para sustar uma  suposta “bolivarização” do pais, ela não  inova. Apenas repete, com o mesmo grau de canalhice, os argumentos que usou para defender o vil golpe militar, de 1964, contra o governo legítimo do presidente João Goulart.

São comuns os relatos de historiadores, descrevendo a indiferença, a apatia ou simplesmente a não percepção por parte das populações de  determinado país, no exato momento em que estão  vivendo um momento histórico. Ontem, 23 de setembro de 2009 o Brasil, estreou na cena mundial como protagonista, não mais como coadjuvante. Quantos perceberam isto?

Habituado a brilhos futebolísticos e musicais, nada além disso, e ensinado  de pai para filho que não é um país sério, já que esta e a visão das elites, o Brasil foi ontem aplaudido de pé  por uma  exigente platéia global por ter adotado uma posição viril, coerente e lúcida em relação ao golpe militar em Honduras. O contraponto aos aplausos globais foi a  tentativa chinfrim da   maior rede de TV brasileira, a  Globo, de   passar a idéia de  que a ação brasileira em Honduras era apenas mais uma inconseqüência, uma  aventura, um trapalhada, enfim, do presidente que, por   coincidência, foi apontado,ontem  mesmo pela  Newsweek, como o governante mais popular do planeta.

Deixemos pra lá a Globo que enfia os pés pelas mãos, para deixar claro o que o Brasil está fazendo em Honduras através da  bem planejada e bem sucedida Operação Tegucigalpa. Aqui, será necessário, para que o raciocínio flua com naturalidade, usar  argumentos já usados em artigos  anteriores. Então: o que o Brasil está fazendo em Honduras é o cume de uma política traçada pelo  Itamaraty desde o  primeiro governo Lula. Este projeto tinha por objetivos principais, a– compatibilizar nossa política externa ao nosso tamanho, importância econômica e aspiração histórica; b– elevar o país à condição de potência intermediária ou  regional, e c– conter a influência  norte-americana na América Latina e, em especial, na América do Sul. É fácil ver que estes objetivos foram plenamente atingidos. A Operação Tegucigalpa é o corolário de tudo isto. Só o destino pode dizer  como será o desfecho exato, mas o Brasil fez a sua parte. E a fez com coragem e competência.

A prova documental

Em artigos anteriores  apresentamos  trechos de um documento inédito produzido, há cinco anos, pelo secretário-geral do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Eles comprovam o que dissemos  parágrafos acima e sua  reprodução é necessária, porque a cada dia, felizmente, chegam  novos leitores ao nosso blog. Eis os trechos:

Para o embaixador, “o MERCOSUL  (a Argentina e o Brasil em particular) enfrentam três desafios de curto prazo no processo de articulação de  um papel autônomo no sistema mundial, multipolar, em gestação: A – Resistir a uma absorção na economia e no bloco político norte-americano, que está avançando rapidamente, de maneira disfarçada, por meio de negociações da ALCA e dos TLCs (tratados de livre comércio) e da dolarização gradual. Benfrentar uma possível intervenção militar externa na  Colômbia e eventualmente em toda a região amazônica. C – Recuperar o controle sobre as políticas, doméstica e externa, no momento sob controle do FMI (e da Organização Mundial do Comércio)”.

Segundo o embaixador, a construção “paciente, persistente e gradual da união política da América do Sul e uma recusa firme e serena de políticas que submetam a região aos interesses estratégicos dos Estados Unidos tem que ser objetivo  da nossa política externa e o MERCOSUL é um instrumento essencial  para  atingir esse objetivo”. E Pinheiro Guimarães ressalta que “MERCOSUL significa Brasil e Argentina, da mesma forma que União Européia  Alemanha e França e Nafta (Mercado Comum Norte-Americano) significa Estados Unidos e Canadá”, para acrescentar “que sem uma cooperação próxima entre Brasil e Argentina, a  ação coordenada no MERCOSUL  seria uma total impossibilidade”.

23-9-09

A Batalha de Tegucigalpa

Tendenciosa e covarde, a TV Globo assumiu  abertamente a defesa dos golpistas  deHonduras. Míriam Leitão e Alexandre Garcia foram os porta-vozes da indignidade. Durante  todo o  Bom Dia Brasil foram aprestados depoimentos apenas de  diplomatas aposentados, todos favoráveis  ao   golpe e todos ex-colaboradores do governo entreguista e subalterno de FHC . Não foi ouvido um único especialista a favor de  Zelaya.  A Globo  e seus profissionais cooptados lançaram a  ética às favas  ao não  respeitar os mais  elementares   critérios  jornalísticos. Ordinários.

Reproduza este texto. Divulgue o máximo possível. Vamos fazer um corrente no Twitter e na Iternet para que  a mídia mafiosa saiba o que realmente pensa  o povo brasileiro.

Agora os fatos:

O Itamaraty só aceitou  correr o risco  calculado (mas não pequeno) de envolver-se no projeto de  retorno forçado de Zelaya a Honduras depois da promessa de que Chávez sairia de  cena. O venezuelano concordou, calou e desapareceu nos bastidores. A rigor,  antes  da retirada, ele ainda cometeu uma pequena indiscrição ao revelar detalhes  do ingresso de Zelaya em seu pais, até  bater  às portas da embaixada brasileira. Mas  isto saiu  na urina. A administração da crise é toda ela de responsabilidade do governo brasileiro.

É claro que Chávez não ficará calado por muito tempo Por isso, o Itamaraty   está cem por cento mobilizado para  obter uma vitória definitiva  no espaço de tempo curto como o de uma semana no máximo. Depois disso, a coisa foge  do controle. Neste ínterim, Lula baterá numa tecla só, a correta e a  irrespondível: é preciso respeitar  a legalidade e sustar qualquer tentativa de golpe militar no Continente. Os caminhos são a reunião já solicitada do Conselho de Segurança da ONU e  outra  reunião, extraordinária, da OEA. O  governo de Micheletti não pode rejeitar esta interlocução. No frigir dos ovos, a solução aceitável  para Zelaya  é seu retorno ao  governo e o cancelamento ou adiamento das eleições  presidenciais marcadas para novembro. A intervenção militar inviabilizou  o pleito em tão curto espaço de tempo. O Brasil  não vai tão longe. Aceita várias nuances de negociação, desde que os golpistas  devolvam o poder.

Há várias semanas tenho alertado aos leitores do nosso blog que não são boas as relações  Lula/Obama. Elas azedaram de vez com a instalação das bases americanas na Colômbia que o Itamaraty  classificou, oficiosamente, como insidiosa. Com Zelaya,  o Brasil deu o toco. Pego de surpresa, Obama ficou sem ação, pelo menos até agora. Na matéria de ontem  dissemos que  o Itamaraty  não improvisa. Na verdade, deste o primeiro governo Lula, fixou  as seguintes metas estratégicas: a– compatibilizar nossa diplomacia com a transformação do Brasil numa potência intermediária ou regional; b– conter a influência norte-americana na América Latina e, principalmente na América do Sul e c– buscar alternativas para o diálogo Norte-Sul, estabelecendo alianças  de longo   prazo com a China, a Índia e mundo árabe, por exemplo. Nesse contexto, a operação Tegucigalpa é a culminância  de todo um projeto que passa, também (liderança regional),  pela consolidação e implementação da UNASUL, versão sul-americana da União Européia. A este novo pólo de poder mundial,  o único do Hemisfério Sul, Juan Perón, seu primeiro idealizador, deu o nome de Pátria Grande.

Saiba mais sobre  a UNASUL  indo, neste blog , à página Pátria Grande.

22-9-09

O ponto alto da
Política Externa

Noblat, Mainardi e Míriam Leitão espumam de raiva: Lula é um sucessointernacional. 

O analfabeto político vai odiar isto. E  exatamente por isto direi que a  Política Externa  de Lula é um sucesso absoluto. Não é resultado da sorte, dos dotes  histriônicos ou do fato de a figura de Lula ter caído no gosto da mídia mundial. O Itamaraty não improvisa e o  sucesso não é do acaso nem da boa estrela de Lula: é fruto de  trabalho duro e, principalmente,  de uma análise e um planejamento corretos. O fato de os holofotes do mundo estarem hoje voltados para Lula (ele na ONU e Zelaya protegido na embaixada brasileira  de Honduras), apenas  coroa um esforço proficiente de  quase oito anos.

Desde o primeiro dia do primeiro governo Lula, a dupla que comanda nossa Política Externa, o chanceler  Celso Amorim e o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, a partir  de um diagnóstico correto, estabeleceram três objetivos estratégicos  a serem seguidos: a– adequar nossa política externa, tacanha durante Collor e FHC, ao tamanho e a importância do país; b– Alçar o país   à condição de  líder natural, político, econômico e militar, da América do Sul e c– enfrentar de forma serena  porém consistente – sem a verborragia e as bravatas do  nacionalismo de fachada -, a hegemonia norte-americana no Continente.

A mídia apátrida, jamais admitiu isto e  os beletristas (sem embargo de serem analfabetos políticos) a seu serviço sempre denegriram e achincalharam nossa política externa. Mas, ao cabo de  sete anos, aí estão os resultados: a– o Brasil reconhecido mundo a fora como potência emergente (emergente e simpática); b– exatamente como acontecia há vinte anos  em relação aos EUA, hoje nada que ocorra no continente sul-americano deixa de dizer respeito ao Brasil e c– o pais é consultado, ouvido e  geralmente seguido. É a liderança natural e, exceto na Colômbia e no Peru, dois países na contramão da História, a influência  norte-americana no  Continente é igual a zero.

Há um mês  divulgamos neste blog  trechos de um documento  desconhecido fora do âmbito diplomático, assinado  pelo secretário-geral do Itamaraty ,embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Vamos reproduzi-los  aqui, como uma espécie  de prova  do que dissemos nos parágrafos acima.

Para o embaixador, “o MERCOSUL  (a Argentina e o Brasil em particular) enfrentam três desafios de curto prazo no processo de articulação de  um papel autônomo no sistema mundial, multipolar, em gestação: A – Resistir a uma absorção na economia e no bloco político norte-americano, que está avançando rapidamente, de maneira disfarçada, por meio de negociações da ALCA e dos TLCs (tratados de livre comércio) e da dolarização gradual. Benfrentar uma possível intervenção militar externa na  Colômbia e eventualmente em toda a região amazônica. C – Recuperar o controle sobre as políticas, doméstica e externa, no momento sob controle do FMI (e da Organização Mundial do Comércio)”.

Segundo o embaixador, a construção “paciente, persistente e gradual da união política da América do Sul e uma recusa firme e serena de políticas que submetam a região aos interesses estratégicos dos Estados Unidos tem que ser objetivo  da nossa política externa e o MERCOSUL é um instrumento essencial  para  atingir esse objetivo”. E Pinheiro Guimarães ressalta que “MERCOSUL significa Brasil e Argentina, da mesma forma que União Européia  Alemanha e França e Nafta (Mercado Comum Norte-Americano) significa Estados Unidos e Canadá”, para acrescentar “que sem uma cooperação próxima entre Brasil e Argentina, a  ação coordenada no MERCOSUL  seria uma total impossibilidade”.

21-9-09

Solto, o Capital destruirá
a Natureza e a todos nós

Para poupar nossos leitores procuramos escrever artigos compactos (20 linhas no máximo) Disto decorre que muitas vezes  temas complexos não sejam plenamente compreendidos. É o caso deste presente artigo. Não é imprescindível, mas o ideal é que sua leitura seja combinada com dois outros pequenos textos que o amigo encontrará, na sequência, logo abaixo deste.  Na intenção de  facilitar o raciocínio, avançaremos degrau  a degrau:

1- Para verificar a destruição ciclópica a que a Natureza esta sendo submetida neste  exato momento, basta que abramos nossas janelas, no sentido figurado ou literal, à escolha. Mas  para  perceber a lógica desta devastação sistemática e tão contumaz que  parece natural ou inevitável é preciso compreender que o Capital ( o sistema  global produtivo) passa por uma fase, que consideremos a derradeira, mediante a qual ele precisa  girar  cada vez mais rapidamente, para  compensar, com o maior número de giros, o lucro menor que ele  obtém a cada giro.

2- Há 400 anos, antes do advento do modo produção capitalista, para construir uma catedral ou  produzir um par de botas, o homem pensava  na durabilidade, na eternidade. Hoje, tudo o que  fazemos é na intenção de sua própria destruição, de sua descartabilidade. Isto vale, para um mísero abridor de latas, para um carro e até  para cidades inteiras. Eu não vou precisar dizer aqui que nós  estamos presos a um movimento contínuo, obrigatório, de construção-destruição-construção.  Abra sua janela e veja. O importante a ser fixado, no entanto, é que esta vertiginosa e patética desconstrução contínua, não é  realizada no nosso interesse,  mas no interesse do Capital Global que precisa, desesperadamente, girar cada vez mais rápido. Mercadorias, sejam elas quais forem, precisam desocupar as prateleiras, para que outras mercadorias, já em   produção, ocupem seu lugar. Esta é a lógica implacável (destrutiva) do  Capital  e que não tem nada a ver com  o nosso bem estar ou com a evolução , para melhor, de toda a humanidade. Como todas esta produção redundante é  basicamente inútil, temos ai a devastação inútil da Natureza.

3- Por tudo isto, dizemos sempre (e esta não é uma fase  apenas provocativa, mas uma síntese de raciocínio) que supor um capital civilizado e não destrutivo, é supor um vampiro vegetariano.

20-9-09

A Crise Americana e
o poente capitalista

No artigo de ontem caminhamos seis itens  para demonstrar que a atual crise americana é a maior da história da grande potência. Hoje, em mais quatro itens, talvez consigamos ver que esta  crise será apontada, um dia, como o início da fase crepuscular do modo  de      produção capitalista. Não é imprescindível, mas seria conveniente que fosse feita uma leitura combinada dos dois artigos. O de ontem, pode ser encontrado, logo ai abaixo, na seqüência deste.

1- Todos concordam que  a Crise Americana começou com o estouro de uma gigantesca bolha  especulativa envolvendo bancos, financeiras, seguradoras e imobiliárias. Até ai vai a capacidade do economista  burguês para entender estas e outras crises. A sua parte superficial. Mas é preciso ir além disso.

2- Ir além significa perguntar por que, ao longo  dos últimos trinta anos, somas descomunais de capitais são desviados do setor produtivo para o especulativo (bolsas, mercados futuros, etc.) . São os chamados “lucros de  caixa”, proporcionados por uma reluzente e sofisticada engenharia financeira. Reluzente, sofisticada e suicida.

3- Mas, por que esta atração fatal pelo lume especulativo? Porque o Capital já não consegue extrair lucros convincentes do setor produtivo. E, mais uma vez, por quê? Porque sua taxa de lucro (em termos globais – não estamos analisando aqui indústrias individuais) está diminuindo vertiginosamente. E diminui assim, por que, vertiginosamente,  o Capital descarta trabalho humano vivo, sua única  fonte de extração de mais-valia, o verdadeiro nome do lucro. Mais-valia é  um jargão marxista que exprime  horas excedentes  que o Trabalho cede gratuitamente ao Capital.

4-O que descrevemos acima  é o  fenômeno da velocíssima automação que acomete o capital industrial global. Cada vez mais e mais rapidamente, máquinas  ou equipamentos  substituem trabalho humano vivo, direto (verdadeira e única fonte do lucro global). Para compensar  este rebaixamento permanente  da taxa de lucro, o capital global – quando não se  refugia nas bolhas especulativas – acelera o ritmo de sua rotação, produzindo coisas cada vez mais descartáveis. Os dois caminhos, a especulação alucinada e a descartabildade – que destrói ciclopicamente a Natureza -,  poderão levar a Humanidade à ruína, a menos que  o Capital seja neutralizado a tempo.

19-9-09

Crise americana é
a crise do Sistema

A mídia, serva do capital financeiro, não quer que você veja, mas é impossível  esconder que a crise norte-americana  é a maior  de toda a história deste país poderoso e, principalmente, é um sinal claro de que o Sistema, como um todo, começa a ver  seus principais fundamentos serem abalados. Vamos por partes:

1- Em julho passado o déficit orçamentário norte-americano bateu no teto histórico  do trilhão de dólares. Precisamente, US$ 1.086  trilhão, algo pouco inferior  ao PIB brasileiro.

2- Apesar da queda do consumo interno (em função da crise), o déficit comercial norte-americano deverá   superar os 700 bilhões de dólares (2/3 do PIB brasileiro) até o fim do  ano. Os economistas sabem que este fenômeno dos “déficits casados”  tanto no Orçamento como nas Contas Externas é fatal para qualquer economia.

3- A dívida pública norte-americana (garantida por títulos do Tesouro) é a maior de todos os tempos, chegando hoje a  exatos 12,8 trilhão de dólares ou 90% do PIB  do país. Ano passado esta relação era de 70%. Em 2001 era de 57%. Deverá chegar aos 100% (!) em 2014.  Qualquer país com esta radiografia seria  dado como quebrado. Mas o Sistema, como um todo, não pode admitir isto, porque seria admitir a sua própria quebra.

4- Mas o Mercado (e nisto os economistas burgueses estão certos) não se deixa enganar, por isso o dólar está há  um ano em queda livre. Já perdeu 30% de seu valor desde o início da crise.

5-Para evitar  a  catástrofe, o mundo inteiro , até o Brasil, corre em socorro do gigante  ferido. E compram títulos do Tesouro Americano. E ampliam suas cotas  de participação no FMI. Mas o gigante continua sangrando. Na verdade, quem está segurando a barra mesmo sãos os “tigres asiáticos” principalmente a China.

6- Ah, a China comunista! Não fosse ela  a  vaca já estava  atolada  no brejo. Mas tudo tem seu limite e o  homem forte do país, Hu Jintao, com o cuidado de que pisa em ovos vai tomando  suas providências  que são, principalmente, duas: a) vai aos poucos, sem alarde,  não só deixando de  comprar como desfazendo-se homeopaticamente  de sua pesadíssima  reserva de títulos do Tesouro  Americano. Era  um trilhão de dólares  no início do ano. Agora são 700 bilhões; b) procura  desclassificar o dólar como moeda  de conversibilidade  universal (padrão) e substituí-la por um buque de moedas fortes que, reunidas, receberiam uma  denominação qualquer a ser escolhida. Neste aspecto,  conta com o apoio decido do Brasil. Lula – o “analfabeto” segundo os analfabetos políticos Noblat e  Diogo Mainardi -, viu isto antes que a maioria dos outros chefes de estado. Não faz mais sentido considerar como moeda forte, um dólar furado e em queda livre.

Pretendia chegar aos dez itens, mas como sei que ninguém suporta  ler  mais que 20 linhas de cada vez, continuaremos amanhã para demonstrar  por que a crise americana poderá assinalar, o ingresso do Sistema em sua fase terminal.

18-9-09

Textos curtos de Bertold Brecht

Selecionamos aqui, três  pequenos textos de Bertold Brecht que vêm a calhar com temas que são recorrentes neste blog: o analfabetismo político, o conformismo  político e as privatizações desvairadas. Na sequência, você encontrará o texto de ontem, onde comentamos as constantes agressões de Ricardo Noblat e de Diogo Mainard ao presidente da República.

O analfabeto político  Bertold Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem de suas decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.

Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituição, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o  corrupto lacaio dos exploradores do povo.

Nada é impossível mudar –  Bertold Brecht

Desconfia do mais trivial, na aparência singela.

Suplicamos expressamente: não aceite o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.

Privatizado –  Bertold Brecht

Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.

É da empresa privada o seu passo a frente, seu pão e seu salário. E agora, não contentes, querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento que só  à humanidade pertencem.

17-9-09

Por que os analfabetos políticos
pensam que Lula é analfabeto  

A figura do analfabeto político foi criada por Bertold Brecht para exprimir o burguês letrado, por vezes erudito, que absolutamente não consegue compreender a realidade que o cerca. Não confunda com o alienado que, eventualmente, pode ser  analfabeto de fato. Estamos lidando com uma figura que  exprime muito bem, por vezes em várias línguas, a  total  insipidez  de seus raciocínios.

Vejamos dois casos específicos: Ricardo Noblat e Diogo Mainardi, dois festejados  profissionais da mídia que pensam exatamente como pensam seus  patrões, proprietários de  vetustos veículos de imprensa. Ambos, com suas  tiradas, levam a burguesia brasileira ao delírio.  Não cuidemos de suas personalidades, para poupar o leitor mais apressado. Avancemos diretamente para seus pensamentos sínteses garimpados por nossa equipe após exaustiva pesquisa. De Noblat  recolhemos esta pérola com a qual ele retrata, com traços  de  artista e observado atento, a atual realidade brasileira que  provoca tanto espanto aqui  e tanta admiração lá fora: O presidente da República é um “trapalhão”. Mainardi foi mais específico ao dizer que “o Brasil tem este efeito: nunca consegue inspirar algo que  preste”.|

Nelson Rodrigues criou a frase lapidar ao dizer que “brasileiro tem complexo de vira-lata”. Pensamento que reflete do ponto de vista sociológico e  amplo ( coletivo), algo que  os analistas, definem (no âmbito individual) como  o pacto secreto com o fracasso. O equívoco de mestre Nelson, no entanto, foi o de supor que estava se referindo ao conjunto do povo brasileiro (cuja profissão é a esperança) quando na realidade exprimia um sentimento específico (negativista) das assim chamadas classes dominantes. Classes estas às quais ele pertencia e que jamais  suportaram ter  que ver ao espelho , no ato diário de barbear-se, não um europeu refinado  de olhos azuis, mas “um mulato tacanho”, como elas definem  pejorativamente  o povo, sem perceber,  porque são analfabetas políticas, que estão  se auto-definindo. Noblat e Mainardi gostariam de ver ao  espelho todas as manhãs  o Ted Kennedy. Mas ficam possessos por que veêm o Lula.

14-9-09

Por que a grande mídia, além de calhorda

e corrupta, é instrumento de dominação.


Se pudéssemos alinhar nosso raciocínio numa sequência de dez itens, diríamos que:

1-      Você pode ou não gostar de Marx, mas não pode deixar de parar para pensar quando ele diz que não há imprensa livre enquanto houver imprensa a serviço de uma classe.

2-      A história da humanidade é a história da luta de classes. Outra  frase de Marx. Mas mesmo que não fosse, não é difícil ver  a sequência histórica, por exemplo da luta dos escravos contra seus proprietários, dos servos contra os senhores feudais e dos  operários contra os donos das fazendas e das fábricas.

3-      Se até uma criança pode  entender isto, não será difícil, até para uma criança, entender que a imprensa é um instrumento essencial neste embate  entre as classes.

4-      Até aqui nosso raciocínio foi primário, quase óbvio, mas vai deixando de sê-lo quando dissermos que é fundamental, para uma classe dominadora, infundir genericamente a noção de que não há classes dominadoras.

5-      Acertou quem deduziu que a função essencial da imprensa controla  pela classe dominadora é provar, por a mais b que esta classe não é dominadora.

6-      A primeira providência é fazer parecer que os interesses dos que dominam a impressa  corresponde aos interesses nação como um todo. Assim, quando Meirelles eleva os juros, deve parecer que isto não beneficia apenas aos banqueiros, mas à nação como um todo.

7-      Para tecnicamente produzir efeito, no interesse de seus proprietários (classe dominadora), a imprensa precisa difundir diariamente um número descomunal de informações inúteis e , sobretudo – mesmo quando úteis -, totalmente descontextualizadas. Assim, crises financeira, beterrabas e orquestras sinfônicas, são enfiadas goela  abaixo do distinto público, sempre de forma superficial e, de preferência tendenciosa. Com isto, algumas coisas  vão sendo demonizadas (caso Chávez) e outras são elevadas ao grau de  axiomas  implícitos, aquilo que não cabe aos  mortais discutir. Exemplo: a imprensa capitalista é livre.

8-      O objetivo de toda esta parafernália é o de alienar a clientela que, alienada, é  conduzida ao consumismo mais cretino e grotesco e sobretudo a uma animalesca indiferença às misérias e, principalmente,  à destruição ciclópica que a rodeia.

9-      Alienante, a mídia  acaba torna-se ela própria alienada numa interação doentia com o público em geral, mas sobretudo com os setores intermediários, aqueles que não são tijolo nem barro. A vertiginosa automação dos setores produtivos acompanhada de uma crescente terceirização e desregulamentação das relações capital/trabalho, ampliam  de forma descomunal o volume destes setores intermediários, como que apontando para uma fase pós-capitalista onde proletariado e burguesia deixariam de ser protagonistas. Mas isto já é uma outra história que fica para uma outra vez.

10-  De volta a item número um, já  podemos dizer que quando algo como Noblat diz que o presidente da  República é um “trapalhão”, é porque já houve uma simbiose entre ele e seu patrão que supõe  que seus interesses são os interesses  na Nação e  não percebe que a verdadeira opinião pública não é a opinião por ele publicada nem que os  interesses dos Estados Unidos são diferentes dos interesses do Brasil.

6-9-09

Homem-mercadoria descartável

O Capital (enquanto sistema global) é uma gigantesca coleção de mercadorias, úteis e inúteis. Todas estas mercadorias, independente de sua maior, menor ou nenhuma utilidade, possuem um duplo caráter: a–  seu valor de uso (não confundir com utilidade), sua materialidade, sua estrutura corpórea, que provém da Natureza  em metabolização com o homem, através do trabalho; b–  seu valor de mercado, aquele que, independente de sua utilidade, é produzido com o fim único de realizar lucro. De todas as mercadorias, a  mais importante é o Trabalho,  a essência do homem, geralmente vendido a razão de tantas  ou quantas horas diárias.

Não é difícil entender que   ao vender, alienar, seu trabalho enquanto sua essência o homem, por igual, aliena-se. E aqui a palavra alienação tem também um duplo caráter,  o que diz respeito a  sua venda e a que diz respeito ao despregar-se de sua essência e, assim, perder contado com a realidade – a alienação psicossocial ou coisificação.

Agora, o Capital (sistema como um todo) para acelerar sua acumulação, acelera o seu giro produtivo. Ele faz isso diminuindo o ciclo de vida das mercadorias, tornando-as  descartáveis. Ao produzir e consumir mercadorias descartáveis no  único interesse da acumulação do capital, o homem  torna-se , ele próprio, descartável e deixa der estar no centro, na lógica, das coisas por ele mesmo produzidas. Porém, alienado, ele não consegue ver isto.

Homem-mercadoria descartável  – Parte II

O que faz com que o homem se aliene do ponto de vista psicossocial é a venda, como valor de mercado, de sua própria essência, sua força de trabalho. Ele não realiza este trabalho, a razão de tantas ou quantas horas diárias, porque considera que isto é realmente necessário para a humanidade  como um todo. Ele faz isto (e passa toda  sua vida fazendo isto), simplesmente porque é pago para fazer isto. Assim, desde que  lhe paguem ele se sente à vontade para fazer qualquer coisa (de preferência considerada legal).  Individualmente é possível que muitas pessoas encontrem na sua labuta diária, uma sensação gratificante de estar sendo útil. Ótimo. Só que não estamos discutindo aqui situações individuais. Estamos procurando analisar a situação  do homem genérico, atrelado ao Sistema (modo de produção capitalista). Sistema este que tem como função única a sua própria acumulação, independente do que seja bom ou ruim para a humanidade. Mas não é só isto: o Sistema impinge a  todos  nós  aquilo que chamo de axioma implícito, mediante o qual, todos partimos do pressuposto de que  o atual modo de produção é o mais consentâneo com as reais necessidade do homem e, por isto, seria supra-histórico, imutável. Assim, em vez de discutirmos as razões (objetivos) do processo, discutimos apenas a sua eficiência.

Se você acha que  assim está bom. Ótimo, Deus lhe ajude. Porém, se  numa fração de segundo, num breve lampejo, você cogitar que embora individualmente cada um dos seres humanos apenas cumpra suas obrigações (suas tarefas diárias remuneradas), a humanidade como um todo  está destruindo, literalmente, o seu habitat, a mãe Terra, ou seja, está se autodestruindo, então, talvez  você esteja recobrando sua consciência adormecida nas cinzas do coração e da mente. E este é o momento de  voltarmos  à tese inicial, mais bem desenvolvida no  artigo anterior: o Capital (sistema como uma todo),  esta  fantástica coleção de mercadorias ( úteis ou inúteis) não tem como compromisso (não  encontra em sua lógica essencial) promover o bem ou a melhoria da qualidade de vida do homem genérico. O único compromisso do Sistema, já vimos, é com sua própria acumulação. Mas não é só isto: ele só obtém sua acumulação destruindo  todo o seu entorno, a começar pela Natureza. Abra sua janela e veja. É por isso que  digo, não com a preocupação de ser espirituoso, mas  para ser verdadeiro, que  supor um capitalismo  bem comportado, civilizado e não destrutivo, é supor um vampiro vegetariano.

Na coluna Para Entender a Crise, você encontrará textos sobre a crise  econômica e a atualização de teses marxistas.l

 

27 Comentários leave one →
  1. 15/09/2009 2:02 pm

    Chico, é isso mesmo. O pior é que o povo, com preguiça de pensar, acaba abraçando essas idéias. Fica mais fácil.

    Abs

  2. LEN permalink
    17/09/2009 2:44 pm

    Chico, daqui há algumas décadas, os pesquisadores vão identificar essa época como o início da grande derrocada da oligarquia midiática. Do jeito que eles estão agindo, é suicídio na certa. Até os meus amigos mais intransigentes na defesa dos órgaõs de imprensa estão agora revelando sua frustração. Só vai restar para eles leitores com preconceito arraigado, que estão de acordo com esse comportamento, e aqueles completamente despidos de senso crítico e alguma inteligência

    abs

  3. 24/09/2009 2:54 pm

    O Brasil assume a sua maioridade. Seria maravilhoso se a nossa elite entendesse isso e fizesse da nossa (melhor, deles) mídia um bom instrumento pra conscientização disso.

  4. 25/09/2009 5:19 pm

    Chico, o que não querem aceitar na verdade é que esses avanços que vam ficar na história tem sido através de um Petista, estamos de parabéns companheiro.Boa tarde.

    • franciscobarreira permalink*
      30/09/2009 11:32 pm

      Perdão pelo atraso. Problemas no computador. Obrigado.

  5. Lucas permalink
    29/09/2009 2:55 pm

    10% verídico, 20% notório, apesar de ser um discurso pró-Lula descarado e os 70% restante eu diria que chega a ser ingênuo. Mas sonhar é bom e eu acredito num país melhor, e isso É POSSÍVEL!

  6. 11/10/2009 11:45 pm

    Fico imaginando um debate entre Ciro e Serra…

    …pegaria fogo!

  7. 04/11/2009 2:06 pm

    Quando um homem com pretensões de tamanhos relevantes está em uma festa e, dizem, está alterado, batendo na sua acompanhante isso deixa de ser fofoca. Eu não quero que gente dessa estirpe seja eleita. Vide Requião, Collor, Sarney e mais muitos filhos de uma puta que se elegeram por conta de uma mídia de rabo preso e com compromisso escusos com esses senhores que abafa seus deleites e hábitos duvidosos. Que Aécio Neves seja desmascarado o quanto antes. Para que, assim como aquele verme do Requião, amanhã ou depois não venha dizer: “Bater em mulher é algo comum”. Maria da Penha nele!

  8. robertocarlosrangel permalink
    03/12/2009 12:01 am

    Visão esclarecedora, Barreira.
    Apesar de achar que nenhum radicalismo será bem vindo, desmontando o adequado forum da mesa de negociações, o Brasil deveria firmar posição em cima do conceito de absoluto repúdio às ações golpistas, onde quer que seja.
    Blog: http://tinyurl.com/robcarlos

  9. Sergio Roberto Bentes permalink
    04/12/2009 11:17 am

    Forra ARRUDA, esse cara ja fez muita merda e contribui pra o descredito da classe Politica, o recomeço da busca da etica tem q continuar..

  10. Edgar Salles permalink
    18/12/2009 11:22 am

    Radicalismo + burrice no pasarán.
    Misturado com sindicalismo chique, menos ainda.
    Seu blog é lastimável.
    Não vale censurar, hein? rsrsrs

  11. robertocarlosrangel permalink
    24/12/2009 1:25 pm

    Sobre “Réquiem para o Estado Mínimo”, acho muito apropriada a discussão. Evoluir implica quebrar paradigmas, após insana luta no campo das reflexões. Mas não me iludo! Ainda penso que os mesmos neoliberalóides estão por trás dessa arrumação de casa. OLHO NELES! Blog: http://tinyurl.com/robcarlos

  12. 28/01/2010 2:08 pm

    Sensacional seu blog!! Essa coluna mesmo escrita com maestria!! Já estou acompanhando seu blog pelo Painel do WP. E vou retuitar também!!

    Parabéns pelo grande trabalho!!

    Abraços,
    Ebrael.

  13. Marcio Pimenta permalink
    23/02/2010 7:37 pm

    A imprensa se transformou num tipo de ditadura. Pra condenar, basta publicar. A denúncia da Folha contra o Dirceu é um absurdo.

  14. 16/03/2010 10:49 pm

    Chico, algumas coisas:

    Sério que o Pedro Simon vai apoiar a Dilma? Tem gente lá do sul que disse no twitter que não.

    Outra coisa… Esse negócio do Requião há meses eu já havia pensado. Mas quem controla o PMDB não é aquela ala do Renan, Sarney etc?

    Poxa, o Requião como vice, aí sim! Seria mtu legal… mas não sei se isso é possível.

  15. 23/08/2010 1:01 am

    “O problema é que a última vez que esta conjunção de fatores favoráveis ocorreu de forma inquestionável, proporcionando uma revolução bem sucedida, foi em 1959 em Cuba.”.

    Ótimo texto, Chico! E não podemos esquecer de uma coisa importante: A Revolução Cubana sequer foi, de fato, Socialista. O programa revolucionário da mesma não era Socialista, mas Nacionalista e Reformista.

    Ela visava muito mais garantir uma real e efetiva soberania e uma independência verdadeiras para o povo cubano (algo que os EUA não permitiam) e priorizar a área social do que implantar o Socialismo propriamente dito.

  16. 22/10/2010 10:25 am

    Estimado Francisco.
    Saque esta e outras pesquisas registradas no TSE.

    Com sua perspicácia notaria que no mínimo 80% dessas pesquisas saõ feitas nos retudos eleitorias de Dilma/Lula.

    E extratificação da amostra é conveniente e de péssima qualidade.
    Apostam nessas pesquisas para fazerem alianças e no eleitor que não vota para perder.
    Infelizmente tem dessas coisas.
    E não deixa de ser um tipo de manipulação.

  17. 14/12/2010 7:16 am

    Eu não concordo muito com essa empreitada anti Carlos Lacerda não.

    Era de direita, sim. Tramou o golpe em Getúlio Vargas, que também errava muito? Sim. Mas não fez só isso na vida política brasileira. Fez muitas obras materiais e humanas para servir ao povo do Rio de Janeiro, então Guanabara, do qual a população se beneficia até hoje.
    Lacerda não foi só o político, Carlos Lacerda.

  18. 14/12/2010 7:20 am

    E complementando:

    Foi usado pelo sistema, e mais tarde se alinhou à esquerda. Isso foi fato. Acho que em muitos aspectos, Lacerda merece nosso perdão. Muita coisa podre por aí hoje, travestida de oposição, que jogou e joga nas 11.

  19. 22/03/2011 10:11 pm

    Parabéns pelo excelente Blog. Conteúdo perfeito com redação espetacular e temas importantes. Siga sempre nesta linha de bem informar a sociedade desta ferramenta importante da Web.
    Saudações Democratas,

    ELAINO GARCIA
    Gestor Público e politico em Goiás

  20. Carlos permalink
    28/03/2011 11:24 pm

    “O Brasil que deu certo”, foi plantado muito antes de se saber Lula candidato. Existem épocas de arar a terra, adubar, semear e, então, colher… Lula teve a sorte de surgir na época da colheita – resultado de um plano conjuntural criado por uma equipe no governo Itamar que, embora imperfeito, até hoje persiste. Isso é “óbvio ululante” como diria Nelson Rodrigues. Carlos Lacerda nunca foi de “direita”. Foi, sim, daqueles estudantes que deitavam nos trilhos de bonde e bloqueavam bancos, cinemas e teatros com protestos que tiveram êxito e sobrevivem até hoje. Afinal, foi no seu governo que a cidade do Rio de Janeiro deixou de ser a cidade que “de dia falta água e de noite falta luz”, entre outros méritos. Juscelino também não foi de “direita, de centro ou de esquerda” como querem tabular com jargões anacrônicos e ultrapassados aqueles que ainda se pautam pela antiga e superada cartilha política… Ora, hoje sabemos que as antigas filosofias, que antes diziam entrar em choque (“nada de novo sob o sol” e “ninguém se banha outra vez nas mesmas águas do mesmo rio”) são irmãs que se completam: Basta observar com atenção a realidade, sem os antolhos dos preconceitos ideológicos bitolados – que tendem a iludir a seus próprios divulgadores, alienados, apaixonados, precipitados e inconsequentes. Não defendo Jabor, mas suas arremetidas até podem servir de despertador, pois nem tudo o que ele afirma deixa de ser verdade, do modo como ele a vê…

  21. franciscobarreira permalink*
    30/09/2009 11:34 pm

    Perdão pelo atraso. Problemas no computador. Muito obrigado.

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